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Contabilidade financeira

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Contabilidade Financeira é uma expressão técnica que sintetiza a aplicação da matéria contábil
de conformidade com a proposta teórica e prática de origem anglo-americana (financial
accounting) que surgiu em meados do século XX, e que em suma representa uma vertente da
Contabilidade que a direciona para a gestão financeira do capital aplicado da entidade e cuida da
elaboração das demonstrações financeiras mediante princípíos de contabilidade geralmente
aceitos (GAAP's).
A contabilidade financeira daria sequência a corrente da Contabilidade administrativa, que já
havia tido como embrião a chamada Contabilidade Departamental e a Análise e Consolidação de
Balanços, técnicas desenvolvidas pelos primeiros gestores corporativos americanos. Essa
corrente contraria a orientação científica dada pelos contabilistas europeus e principalmente
italianos, naquilo que poderiamos denominar de Contabilidade Patrimonialista. Posteriormente,
não satisfeitos em negar a teoria patrimonialista ou patrimonialismo, os teóricos americanos
propuseram ainda o que foi inicialmente traduzido no Brasil por Contabilidade gerencial (do
inglês Management Accounting), cujo objetivo era sair da rigidez dos principios contábeis
geralmente aceitos (GAAP's), observância obrigatória da Contabilidade Financeira.
A contabilidade brasileira procurou incorporar inicialmente via legislação (lei 6.404/76),
elementos tanto da escola financeira quanto da patrimonialista. Vide por exemplo o artigo 178,
caput da citada legislação, que diz o seguinte:
"No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e
agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise financeira da companhia".
Como se constata, há o direcionamento tanto para o patrimônio, quanto para objetivos
financeiros. Dessa forma, a nosso ver ambas as expressões citadas (contabilidade financeira ou
contabilidade patrimonialista) são imprecisas para representar o que seria a contabilidade
empresarial brasileira e nunca deveriam ser consideradas como sinônimos. Contabilidade Geral
ou Contabilidade Empresarial,seriam nesse caso as mais recomendáveis.
Alguns alegam que a Contabilidade Financeira na forma que é seguida pelos americanos, não se
refere somente ao ramo da Contabilidade que trata do patrimônio financeiro (dinheiro), pois
atualmente a Contabilidade Financeira se refere à Contabilidade voltada para os usuários
externos à organização. Exatamente por se voltar para a sociedade, tal Contabilidade é
estritamente regulada pela lei, na defesa dos interesses da sociedade. Mas essa evolução da
Contabilidade Financeira em função de menor liberalismo e maior regulamentação, ocorreria
depois de crises financeiras e econômicas nos Estados Unidos, como a de 1929; e escândalos
contábeis como as fraudes em balanço verificadas na virada do milênio. Mas mesmo assim não
houve uma convergência definitiva para a Contabilidade Patrimonial segundo a tradição da
"Escola Latina", principalmente a Italiana (abordagem econômica) e o foco maior continua a
abordagem financeira.
Vale ressaltar que a Contabilidade Gerencial, por ser voltada para os usuários internos da
empresa (administração), tem maior liberdade perante a lei, e pode aplicar com maior precisão os
princípios científicos contábeis.
É característico da Contabilidade Financeira:
• Elaboração das demonstrações financeiras
• Observância dos princípios contábeis
• Apuração do custo das mercadorias vendidas.
• Uso da Contabilidade de Custos para apuração.
• Avaliação do passado
• Confiabilidade
• Padrão
• Ênfase na Análise financeira em detrimento da Análise contábil, uma vez que não há a
preocupação da qualificação científica do patrimônio.
Com as mudanças ocorridas na atividade contábil brasileira a partir da introdução dos softwares
de gestão nas duas últimas décadas do século XX, tanto a Contabilidade gerencial quanto a
Contabilidade financeira e outras técnicas da Contabilidade Administrativa, passaram a fazer
parte daquilo que se denomina Sistema de Informação Contábil. Como esses programas seguem
o padrão internacional, as especializações brasileiras como Contabilidade tributária e
Contabilidade Pública não fazem parte da "plataforma" original, devendo quando necessárias ser
adaptadas (customizadas) à mesma, o que traz imensas dificuldades aos profissionais contábeis
do nosso país.

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