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A NINGUÉM CHAMEIS PAI (PADRE)

Por Bruce Sullivan


Fonte: http://www.prodigos.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Publicado em 11/06/2008
No capítulo 23 do Evangelho de Mateus, encontramos o discurso de Nosso Senhor no qual Ele adverte os escribas e
fariseus por sua flagrante hipocrisia. Jesus começa sua crítica dos escribas e fariseus descrevendo como eles gostavam
que o povo os respeitassem:
"Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e
fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em
conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os
põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los; e fazem todas as obras a fim de serem
vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes, e amam os primeiros lugares
nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi,
Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois
irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis
mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo. E o que a si mesmo se
exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado" (Mateus 23,1-12).[1]

Como eu fui um Fundamentalista, estou bem consciente da preocupação que existe nas mentes dos cristãos que não
são católicos quando, no versículo 9, lêem que o Senhor diz aos judeus: "E a ninguém na terra chameis vosso pai".
Para os cristãos não-católicos, esta advertência de Cristo parece constituir uma "prova" contrária à legitimidade da Igreja
Católica (isto é, porque os católicos chamam seus sacerdotes de "padres", [que quer dizer "pais"]). A pergunta que deve
ser feita aqui é: o que quis dizer Nosso Senhor quando afirmou: "E a ninguém na terra chameis vosso pai"? Em outras
palavras: sabemos o que Ele disse, porém, precisamos discernir o significado do que Ele disse.

Neste ponto, muitos certamente exclamarão (como eu mesmo já exclamei um dia): "Bom... Ele quis dizer o que disse e
disse o que quis dizer!". Esta atitude abertamente simplista esquece o fato de que houve momentos em que Nosso
Senhor disse coisas que não deveriam ser interpretadas tão literalmente[2]. O problema, então, é ver se este caso em
particular é um deles.

O fato de que Nosso Senhor não quis que entendêssemos estas palavra em sentido mais estrito pode ser constatado
pela maneira como a palavra "pai" é empregada nas Escrituras. A palavra "pai" é usada centenas de vezes na Bíblia.
Considerem-se estes exemplos significativos:
1. As palavras de Santo Estêvão no Sinédrio judaico: "E ele disse: Homens, irmãos, e pais, ouvi. O Deus da glória
apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã" (Atos 7,2).[3]

2. A Carta de São Paulo aos Romanos: "Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa
seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de
todos nós" (Romanos 4,16).

3. As palavras de São Paulo aos judeus de Jerusalém: "Homens, irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós"
(Atos 22,1).

4. A descrição de São Paulo quanto à relação que possui com Timóteo, Tito e Onésimo: "A Timóteo meu verdadeiro filho
na fé: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor" (1Timóteo 1,2); "A
Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus
Cristo, nosso Salvador" (Tito 1,4); "Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões" (Filemon 1,10).

5. As palavras de São Paulo aos coríntios: "Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como
meus filhos amados. Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu pelo
evangelho vos gerei em Jesus Cristo" (1Coríntios 4,14-15).
Estes são apenas alguns exemplos - das centenas que existem nas Escrituras - que se referem a homens como pais.
Note-se que estes versículos demonstram como é apropriado referir-se a certas pessoas como "pai", ainda que em
sentido espiritual.

Considerando estes casos, o que quis dizer Nosso Senhor quando afirmou: "E a ninguém na terra chameis vosso pai"?
A resposta encontra-se no contexto. O contexto da declaração de Nosso Senhor revela que o que Ele estava
considerando era a obcessão que os fariseus tinham pelo respeito humano. O versículo 12 deixa bem claro que o que
Nosso Senhor quer é chamar os homens à humildade.

A humildade - segundo Santa Teresa de Ávila - é a verdade. Humildade é nos contemplar como realmente somos,
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contemplar os outros como realmente são e contemplar a Deus na verdade. Com relação a este tema que estamos
abordando, a humildade é a verdade no tocante à paternidade. Essa verdade - a verdade acerca da paternidade -
encontra-se expressa por Jesus no versículo 9 e é reiterada por São Paulo em sua carta aos efésios: "Por causa disto
me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o
nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito
no homem interior" (Efésios 3,14-16).

A verdade é simplesmente uma: que toda paternidade tem suas raízes em Deus Pai. A paternidade, seja espiritual ou
física, é boa aos olhos de Deus quando é humildemente exercida em Seu Nome.

Os sacerdotes católicos, ao gerar e nutrir filhos espirituais pelo Evangelho, são, no mais profundo sentido da palavra,
esses pais[4]. Portanto, é inteiramente apropriado que os mesmos sejam referidos dessa maneira. Usar as palavras de
Nosso Senhor em Mateus 23,9 contra essa prática somente é possível se for ignorado o restante das Escrituras e o uso
que dela fizeram os Apóstolos e toda a Igreja, como percebemos nos versículos que citamos.

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Notas:
[1] Todas as citações foram retiradas da Versão Almeida Corrigida e Fiel (1994).
[2] Por exemplo: as ordens de Nosso Senhor para arrancarmos um olho ou cortarmos a mão que nos faz pecar (Mateus
5,29-30). Nenhum cristão hoje diria que um homem tentado pelos desejos da carne deveria arrancar os olhos (para
começar, a luxúria, como a grande maioria dos pecados, parte do coração e não é curada pela simples perda da visão).
Da mesma forma, o ladrão que corta sua mão fora não irá, com isso, arrancar a avareza do seu coração. Em outras
palavras: o Senhor usou palavras e imagens bem fortes (cujo sentido jamais pode ser seguido literalmente), para
mostrar uma verdade profunda e essencial, a saber: que não devemos permitir que nada se interponha entre nós e a
salvação da nossa alma.
[3] Estêvão, o homem descrito como "cheio de fé e do Espírito Santo" (Atos 6,5), se refere aos líderes judaicos como
"pais" e a Abraão como seu "pai" em comum. Aqui distigüe entre aqueles que são seus pares ("irmãos") e aqueles que
são líderes ("pais").
[4] N.doT.: O termo procede do latim "pater/patris", que significa "pai" e que, por sua vez, procede do grego
"pathr/patros" ("patér/patrós"), que em português grafa-se como "padre". Trata-se de uma palavra mantida invariável por
mais de três milênios.

RESPOSTA À PERGUNTA SOBRE MT 23,9 "A NINGUÉM


CHAMEIS DE PAI"
Por Rondinelly Ribeiro
Publicado em 17/02/2003
O leitor Marcos Monteiro Grillo, da Igreja Luterana, fez-nos a seguinte pergunta:
"Prezados irmãos,

Gostaria de pedir que explicassem, a mim e aos estimados leitores, como compreender o versículo de Mateus
23,9: "E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus.".
Por que os católicos chamam seus sacerdotes de "padre" (pai) e o bispo de Roma de "Papa" (do latim vulgar
papa, "pai")? Terão a Tradição e o Magistério tanta ou mais autoridade do que as Sagradas Escrituras, ou
melhor, do que Nosso Senhor Jesus Cristo, que proferiu as palavras registradas no versículo supracitado?

Sugiro a leitura de todo o capítulo 23 de Mateus".

Segue em sua pergunta, na íntegra, o texto de Mt 23, que creio não ser necessário postar aqui.

Para responder a esta pergunta devemos entender que a Bíblia não deve ter suas letras retiradas do contexto
para qualquer interpretação. Este é um princípio básico para a hermenêutica bíblica. Como dizem "texto fora de
contexto é pretexo", e este é um dos exemplos de textos fora do contexto, usados e ensinados pelos protestantes
para tentar polemizar a Igreja Católica.

Mas uma vez, sem sucesso. Vejamos porque:

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Jesus, nesta citação, ao invés de estar proibindo qualquer um de chamar alguém de pai, está tratando de um
assunto bem diferente. Ele está falando a respeito da hipocrisia dos fariseus e doutores da lei, que punham Deus
de lado e se colocavam em Seu lugar. Vejamos os versículo 6 e 7 deste mesmo capítulo:

"6Gostam de ocupar os primeiros lugares nos banquetes e os primeiros assentos nas sinagogas; 7de serem
saudados pelas pessoas na rua e serem chamados mestres"

Jesus está explicando em quê sentido não se deve chamar ninguém de Pai.

Se tomarmos este versículo da forma literal, estaremos criando um grande problema, pois nos Evangelhos
encontramos muitas citações onde é usado este título:

Mt 10,37: "Quem amar seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim; quem amar seus filho ou sua
filha mais que a mim, não é digno de mim".

Mt 15,4: "Pois Deus mandou: sustenta teu pai e tua mãe. Aquele que abandona seu pai ou sua mãe é réu de
morte".

Mt 19,5: "E disse: por isso, um homem deixa seus pais, junta-se à sua mulher e os dois se tornam uma só
carne".

Mt 19,9: "Honra o pai e a mãe, e amarás o próximo como a ti mesmo".

Mt 19,29: "E todo aquele que por mim deixar casas, irmãos ou irmãs, pai ou mãe, mulher ou filhos, ou
campos, receberá cem vezes mais e herdará a vida perpétua".

Lc 12,53: "Opor-se-ão pai a filho e filho a pai, mãe a filha e filha a mãe, sogra a nora e nora a sogra".

Lc 14,26: "Se alguém vem a mim e não põe em segundo lugar seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus
irmãos e irmãs, e até sua própria vida, não pode ser meu discípulo".

E não podemos esquecer do mandamento divino: "Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem
sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus" (Ex 20,12).

Dessa forma nós podemos perceber que Jesus não se apõe a títulos, mas à forma como estes são utilizados. Os
padres católicos são nossos pais na fé, mas nunca nós ou eles alegam ser substitutos de Deus ou se colocam
posição de soberania como faziam os fariseus e doutores da lei a quem Jesus está se referindo em Mt 23,19.
Vemos que o apóstolo Paulo chama a si mesmo de pai dos coríntios:

"Não vos escrevo isto para vos envergonhar, mas para admoestar-vos como a filhos queridos. Pois, embora
tenhais como cristãos dez mil instrutores, não tendes muitos pais. Anunciando a boa notícia, eu vos gerei em
Cristo". (1Cor 4,14-15)

Da mesma forma nós temos os nossos sacerdotes. São nossos pais porque nos geraram em Cristo.

O padre Mitch Pacwa na revista apologética católica norte-americana This Rock de janeiro de 1991, no artigo
intitulado Call no Man Father, cita o seguinte: "Existem cerca de 144 ocasiões no Novo Testamento onde o
título de pai é usado para outro que não seja Deus. É utilizado para os patriarcas de Israel, para os pais de
família, aos líderes judeus e aos líderes cristãos".

Para provar como este argumento protestante não é correto, vemos o exemplo dentro do próprio protestantismo.
Os ministros protestantes são chamados "pastores". Mas nós sabemos que somente Jesus é o "bom pastor": "Eu
sou o bom pastor: conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, como o Pai me conhece e eu conheço o
Pai; e dou a vida pelas ovelhas. Tenho outras ovelhas que não pertencem a este redil; a estas tenho que guiar,
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para que escutem a minha voz e se forme um só rebanho com um só pastor" (Jo 10,14-16). Entretanto ninguém
se revolta contra este título utilizado pelos pastores. É porque a intenção não é retirar o título de pastor de Jesus,
mas dividir de forma subordinada o sacerdócio de Jesus. Da mesma forma os padres e bispos da Igreja Católica.
Todos são chamados de pais no sentido menor da palavra, não no sentido último, como o de Pai todo-poderoso,
mas no sentido subordinado à missão de Cristo na terra: fazer discípulos, gerar filhos de Deus.

Não há a menor pretenção de tomar o lugar de Deus, como faziam os fariseus, mas dividir, subordinadamente, o
ministério de Jesus.

Interpretar a Bíblia de forma literal e pessoal é um risco. Muitos hoje em dia julgam possuir o Espírito Santo
assim que adentram em uma igreja ou seita que adere ao princípio do livre-exame, e com isso conhecem, desde
então, todos os mistérios bíblicos e, portanto, não há erro em suas interpretações. Porém é isso que está levando
à desestruturação da mensagem do Evangelho: a divisão no cristianismo, fruto da desobediência e do
indivudualismo. Santo Agostinho dizia "Não somente uma Escritura diz, mas o que toda a Escritura diz". Nós
poderíamos dizer "Não somente o que a Escritura diz, mas o que a Escritura quer dizer".
Abraços a todos