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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO
SECRETARIA FEDERAL DE CONTROLE INTERNO

RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO 00931

MUNICIPIO DE PIRAPORA DO BOM JESUS - SP

22º Sorteio do Projeto de Fiscalização a Partir de Sorteios Públicos


Sorteio de Unidades Municipais

19/Julho/2006

RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO 00931

MUNICIPIO DE PIRAPORA DO BOM JESUS - SP

Trata o presente Relatório dos resultados dos exames


realizados sobre as 025 Ações de Governo executados na base municipal
de PIRAPORA DO BOM JESUS - SP em decorrência
do 22º Evento do Projeto de Fiscalização a partir de Sorteios
Públicos.

2. Os trabalhos foram realizados no período de 26Jul2006 a


23Nov2006, e tiveram como objetivo analisar a aplicação dos recursos
federais no Município sob a responsabilidade de órgãos federais,
estaduais, municipais ou entidades legalmente habilitadas.

3. As Ações Governamentais que foram objeto das ações de


fiscalização estão apresentadas a seguir, por Ministério Supervisor,
discriminando, a quantidade de fiscalizações realizadas e os recursos
aproximados aplicados:

26000 MINISTERIO DA EDUCACAO


PROGRAMA:
BRASIL ALFABETIZADO E EDUCACAO DE JOVENS E ADULTOS
AÇÃO:
APOIO A AMPLIACAO DA OFERTA DE VAGAS DO ENSINO FUNDAMEN
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 1
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
TAL A JOVENS E ADULTOS - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 16.332,96

PROGRAMA:
BRASIL ESCOLARIZADO
AÇÃO:
APOIO A ALIMENTACAO ESCOLAR NA EDUCACAO BASICA - NO EST
ADO DE SAO PAULO
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 190.599,20
AÇÃO:
CENSO ESCOLAR DA EDUCACAO BASICA - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

PROGRAMA:
DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL
AÇÃO:
DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL - N
A REGIAO SUDESTE
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 19.878,90
AÇÃO:
APOIO AO TRANSPORTE ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL - NAC
IONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 12.111,41

32000 MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA


PROGRAMA:
MINERACAO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL
AÇÃO:
FISCALIZACAO DA ATIVIDADE MINERARIA - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

33000 MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL


PROGRAMA:
ARRECADACAO DE RECEITAS PREVIDENCIARIAS
AÇÃO:
AUDITORIA FISCAL DAS CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS - NA
CIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 683.609,16

PROGRAMA:
PREVIDENCIA SOCIAL BASICA
AÇÃO:
PAGAMENTO DE APOSENTADORIAS - AREA URBANA
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

36000 MINISTERIO DA SAUDE


PROGRAMA:
ASSISTENCIA FARMACEUTICA E INSUMOS ESTRATEGICOS
AÇÃO:
INCENTIVO FINANCEIRO A MUNICIPIOS HABILITADOS A PARTE V
ARIAVEL DO PISO DE ATENCAO BASICA - PAB PARA ASSISTENCI
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 2
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
A FARMACEUTICA BASICA - NO ESTADO DE SAO PAULO
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 25.798,62

PROGRAMA:
ATENCAO BASICA EM SAUDE
AÇÃO:
ATENDIMENTO ASSISTENCIAL BASICO NOS MUNICIPIOS BRASILEI
ROS - NO ESTADO DE SAO PAULO
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 282.547,65
AÇÃO:
INCENTIVO FINANCEIRO A MUNICIPIOS HABILITADOS A PARTE V
ARIAVEL DO PISO DE ATENCAO BASICA - PAB PARA A SAUDE DA
FAMILIA
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 210.600,00
AÇÃO:
ESTRUTURACAO DA REDE DE SERVICOS DE ATENCAO BASICA DE S
AUDE - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 6 VALOR: R$ 654.996,36

PROGRAMA:
SANEAMENTO AMBIENTAL URBANO
AÇÃO:
IMPLANTACAO, AMPLIACAO OU MELHORIA DE SISTEMA PUBLICO D
E ABASTECIMENTO DE AGUA PARA A PREVENCAO E CONTROLE DE
AGRAVOS EM MUNICIPIOS DE ATE 30.000 HABITANTES - NACION
AL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica
AÇÃO:
IMPLANTACAO, AMPLIACAO OU MELHORIA DE SISTEMA PUBLICO D
E ESGOTAMENTO SANITARIO PARA A PREVENCAO E CONTROLE DE
AGRAVOS EM MUNICIPIOS DE ATE 30.000 HABITANTES - NACION
AL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 443.272,57

PROGRAMA:
VIGILANCIA EPIDEMIOLOGICA E AMBIENTAL EM SAUDE
AÇÃO:
INCENTIVO FINANCEIRO AOS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MU
NICIPIOS CERTIFICADOS PARA A EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE D
E DOENCAS
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 38.797,40

38000 MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO


PROGRAMA:
GESTAO DA POLITICA DE TRABALHO, EMPREGO E RENDA
AÇÃO:
GESTAO E ADMINISTRACAO DO PROGRAMA
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

41000 MINISTERIO DAS COMUNICACOES


PROGRAMA:
OFERTA DOS SERVICOS DE TELECOMUNICACOES
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 3
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
AÇÃO:
FISCALIZACAO DA PRESTACAO DOS SERVICOS DE TELECOMUNICAC
OES - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

PROGRAMA:
UNIVERSALIZACAO DOS SERVICOS DE TELECOMUNICACOES
AÇÃO:
FISCALIZACAO DA UNIVERSALIZACAO DOS SERVICOS DE TELECOM
UNICACOES - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

51000 MINISTERIO DO ESPORTE


PROGRAMA:
ESPORTE DIREITO DE TODOS
AÇÃO:
IMPLANTACAO DA INFRA-ESTRUTURA DO DESPORTO EDUCACIONAL-
NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 108.584,90

55000 MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME


PROGRAMA:
ATENDIMENTO INTEGRAL A FAMILIA
AÇÃO:
ATENCAO INTEGRAL A FAMILIA
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

PROGRAMA:
ERRADICACAO DO TRABALHO INFANTIL
AÇÃO:
ATENDIMENTO A CRIANCA E AO ADOLESCENTE EM ACOES SOCIOED
UCATIVAS E DE CONVIVENCIA - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 90.110,00

PROGRAMA:
GESTAO DA POLITICA DE SEGURANCA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
AÇÃO:
FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS E COMISSOES DE GESTAO COMPA
RTILHADA DA ASSISTENCIA SOCIAL - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: Não se aplica

PROGRAMA:
PROTECAO SOCIAL A INFANCIA, ADOLESCENCIA E JUVENTUDE
AÇÃO:
CONCESSAO DE BOLSA PARA JOVENS DE 15 A 17 ANOS EM SITUA
CAO DE VULNERABILIDADE E/OU RISCO SOCIAL - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 38.348,31
AÇÃO:
SERVICOS DE PROTECAO SOCIOASSISTENCIAL A CRIANCA E AO A
DOLESCENTE - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 31.230,36

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 4


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
PROGRAMA:
TRANSFERENCIA DE RENDA COM CONDICIONALIDADES
AÇÃO:
TRANSFERENCIA DE RENDA DIRETAMENTE AS FAMILIAS EM CONDI
CAO DE POBREZA E EXTREMA POBREZA (LEI N: 10.836, DE 200
4) - NACIONAL
QUANTIDADE DE O.S.: 1 VALOR: R$ 725.317,00

TOTAL DE O.S.: 30 VALOR TOTAL: R$ 3.572.134,80

4. Este relatório, destinado aos órgãos e entidades da


Administração Pública Federal, gestores centrais dos programas de
execução descentralizada, contempla, em princípio, constatações de
campo que apontam para o possível descumprimento de dispositivos
legais e contratuais estabelecidos para esse tipo de execução.

5. Esclarecemos que os Executores Municipais dos Programas,


quanto àqueles sob sua responsabilidade, já foram previamente
informados sobre os fatos relatados, tendo se manifestado em
13Nov2006, cabendo ao Ministério supervisor, nos casos pertinentes,
adotar as providências corretivas visando à consecução das políticas
públicas, bem como à apuração das responsabilidades.

6. Nesse sentido, os resultados das fiscalizações realizadas,


sempre que os trabalhos tenham evidenciado fatos relevantes que
indiquem impropriedades/irregularidades na aplicação dos recursos
federais examinados estão demonstrados a seguir, por Ministério:

SUMÁRIO DAS CONSTATAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO

26000 MINISTERIO DA EDUCACAO


1.1.1 CONSTATAÇÃO:
Falta de aplicação financeira dos recursos do PEJA.
1.1.2 CONSTATAÇÃO:
Formalização e encaminhamento indevidos da prestação de contas do
exercício de 2005 dos recursos do PEJA.
1.1.3 CONSTATAÇÃO:
Notas fiscais sem atesto do recebimento, sem identificação do
Programa e sem comprovante do pagamento efetuado.
1.1.4 CONSTATAÇÃO:
Descumprimento da carga horária nos cursos de capacitação de
docentes do Programa de Formação Continuada.
1.1.5 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação e de apresentação de ato normativo da instituição
do CACS-FUNDEF.
1.1.6 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação da Equipe Coordenadora do PEJA.
1.1.7 CONSTATAÇÃO:
Falta de notificação de recebimento de recursos federais.
1.1.8 CONSTATAÇÃO:
Diários de classes sem registro dos alunos matriculados para
freqüência no 3º bimestre.
1.1.9 CONSTATAÇÃO:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 5
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Divergência entre o número de alunos do Censo Escolar e o
existente nas salas de aula do PEJA.
1.2.1 CONSTATAÇÃO:
Contratação irregular de empresa sem o devido processo
licitatório.
1.2.2 CONSTATAÇÃO:
Fracionamento de despesas.
1.2.3 CONSTATAÇÃO:
Contratação emergencial indevida agravada por prorrogação vedada
em Lei.
1.2.4 CONSTATAÇÃO:
Utilização de merendeiras da Prefeitura em atribuição constante de
objeto contratual.
1.2.5 CONSTATAÇÃO:
Falta de controle no pagamento de notas fiscais relativas à
merenda escolar.
1.2.6 CONSTATAÇÃO:
Pagamento sem aferição do quantitativo de merendas servidas.
1.2.7 CONSTATAÇÃO:
Contagem incorreta da quantidade de merendas servidas.
1.2.8 CONSTATAÇÃO:
Contratação de empresa para fornecimento de pães, apesar da
Prefeitura possuir padaria-piloto.
1.2.9 CONSTATAÇÃO:
Falta de aplicação financeira dos recursos do PNAC.
1.2.10 CONSTATAÇÃO:
Presidente do Conselho de Alimentação Escolar é o Secretário de
Finanças.
1.2.11 CONSTATAÇÃO:
Divergência relativa aos quantitativos de alunos das Creche, Pré
Escola, Primeira à Oitava séries e da Educação de Jovens e Adultos.
1.3.1 CONSTATAÇÃO:
Falta de aplicação financeira dos recursos do PDDE.
1.3.2 CONSTATAÇÃO:
Formalização incorreta da Prestação de Contas de 2004 referente
aos recursos do PDDE.
1.3.3 CONSTATAÇÃO:
Prestações de Contas de 2005 formalizadas sem observância da norma
relativa à execução do PDDE.
1.3.4 CONSTATAÇÃO:
Falta de levantamento das prioridades para atendimento às escolas
nas aquisições com recursos do PDDE.
1.3.5 CONSTATAÇÃO:
Falta de tombamento dos bens adquiridos com recursos do PDDE.
1.3.6 CONSTATAÇÃO:
Notas fiscais sem atesto do recebimento de materiais e sem
identificação do Programa.
1.3.7 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de tarifas bancárias efetuado indevidamente pelas UEx no
exercício de 2005.
1.3.8 CONSTATAÇÃO:
Falta de utilização e de aplicação financeira dos recursos do
PNATE.
1.3.9 CONSTATAÇÃO:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 6
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Transferência e débito autorizado de saldos da conta-corrente
específica do PNATE sem identificação da finalidade.
1.3.10 CONSTATAÇÃO:
Os recursos do PNATE relativos ao exercício de 2004 não foram
utilizados, nem aplicados, nem devolvidos. Prestação de Contas de 2004
apresentada ao FNDE fora do prazo e com impropriedades.
1.3.11 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação da Equipe Coordenadora do PNATE.
1.3.12 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação do Conselho e da apresentação de ato normativo de
instituição do CACS-FUNDEF.

33000 MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL


2.1.1 CONSTATAÇÃO:
Ausência de retenção e recolhimento da contribuição
previdenciária.

36000 MINISTERIO DA SAUDE


3.1.1 CONSTATAÇÃO:
Utilização dos recursos do TFVS em finalidade diversa daquela
prevista para as ações do Programa.
3.1.2 CONSTATAÇÃO:
Irregularidade na utilização dos recursos da vigilância
epidemiológica, configurada por pagamentos sem comprovação de
liquidação.
3.1.3 CONSTATAÇÃO:
Transferência de recursos para outras finalidades.
3.1.4 CONSTATAÇÃO:
Inadequabilidade das instalações do Setor de Vigilância Sanitária
e Epidemiológica.
3.1.5 CONSTATAÇÃO:
Utilização indevida de veículo.
3.1.6 CONSTATAÇÃO:
Cumprimento parcial de metas pactuadas.
3.2.1 CONSTATAÇÃO:
Falhas nos procedimentos licitatórios.
3.2.2 CONSTATAÇÃO:
Compra de medicamentos com preços acima do registrado na ata de
registro de preços no "site" da Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo.
3.2.3 CONSTATAÇÃO:
Falhas nos procedimentos licitatórios.
3.2.4 CONSTATAÇÃO:
Restrição à competitividade em certame licitatório.
3.2.5 CONSTATAÇÃO:
Restrição à competitividade em certame licitatório.
3.2.6 CONSTATAÇÃO:
Despesa antieconômica.
3.2.7 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em procedimento licitatório.
3.2.8 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de despesas sem prévia pesquisa de preços.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 7
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
3.2.9 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos efetuados sem comprovação da execução das despesas.
3.2.10 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos de despesas não permitidas pelo Programa.
3.2.11 CONSTATAÇÃO:
Transferências indevidas.
3.2.12 CONSTATAÇÃO:
Gerenciamento inadequado dos recursos federais do PAB-Fixo.
3.2.13 CONSTATAÇÃO:
Composição do CMS não atende à paridade prevista em lei.
3.2.14 CONSTATAÇÃO:
Atuação do CMS não atende ao disposto na Resolução CNS n.º
333/2003, do Ministério da Saúde.
3.2.15 CONSTATAÇÃO:
Falhas na elaboração do PMS.
3.2.16 CONSTATAÇÃO:
Profissional do PSF-III não está cumprindo a carga horária semanal
de 40 horas.
3.2.17 CONSTATAÇÃO:
Falta de ACS sobrecarregando as equipes.
3.2.18 CONSTATAÇÃO:
Falhas em procedimentos licitatórios.
3.2.19 CONSTATAÇÃO:
Restrição à competitividade em certame licitatório.
3.2.20 CONSTATAÇÃO:
Ausência de competitividade em certame licitatório.
3.2.21 CONSTATAÇÃO:
Superfaturamento na compra de equipamentos.
3.2.22 CONSTATAÇÃO:
Contrapartida não efetivada pela Prefeitura.
3.2.23 CONSTATAÇÃO:
Inconsistências na formalização de Convênio.
3.2.24 CONSTATAÇÃO:
Aquisição de veículo sem especificação prevista no Plano de
Trabalho.
3.2.25 CONSTATAÇÃO:
Irregularidade caracterizada por simulação de procedimento
licitatório, agravada por sobrepreço.
3.2.26 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de contrapartida municipal com recursos federais.
3.2.27 CONSTATAÇÃO:
Falhas na execução do convênio.
3.2.28 CONSTATAÇÃO:
Falhas em procedimentos licitatórios.
3.2.29 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em procedimento licitatório.
3.2.30 CONSTATAÇÃO:
Compra de equipamentos com preços acima do preço de mercado.
3.2.31 CONSTATAÇÃO:
Simulação de licitação na aquisição de ambulância.
3.2.32 CONSTATAÇÃO:
Falta de devolução de recursos na prestação de contas do convênio.
3.2.33 CONSTATAÇÃO:
Ausência dos comprovantes de recolhimento ao INSS referente às
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Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
contribuições retidas dos prestadores de serviços.
3.2.34 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de contrapartida municipal com recursos federais do
PAB-Fixo.
3.2.35 CONSTATAÇÃO:
Unidade de saúde construída com recursos do Convênio está
concluída desde outubro de 2004, mas não está em uso.
3.3.1 CONSTATAÇÃO:
Uso indevido de recursos federais para efetivação da contrapartida
municipal relativamente ao Programa de Assistência Farmacêutica
Básica.
3.3.2 CONSTATAÇÃO:
Os estoques físicos de medicamentos não correspondem aos
escriturados.
3.3.3 CONSTATAÇÃO:
Falha na alimentação do sistema de acompanhamento de recursos de
Incentivos à Assistência Farmacêutica Básica.
3.3.4 CONSTATAÇÃO:
Fragilidade nos controles do fluxo de medicamentos entre o
almoxarifado central e os postos de atendimento.

38000 MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO


4.1.1 CONSTATAÇÃO:
A Comissão Municipal de Emprego-CME não é atuante.

51000 MINISTERIO DO ESPORTE


5.1.1 CONSTATAÇÃO:
Procedimentos licitatórios em desacordo com a Lei nº 8666/93
(Carta-Convite nº 53/2002).
5.1.2 CONSTATAÇÃO:
Procedimentos licitatórios em desacordo com a Lei nº 8666/93
(Carta-Convite nº 10/2004).
5.1.3 CONSTATAÇÃO:
Obras atrasadas com sucessivas paralisações.

55000 MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME


6.1.1 CONSTATAÇÃO:
Atendimento inferior à meta prevista.
6.1.2 CONSTATAÇÃO:
Instalações com espaço insuficiente para atendimento das metas.
6.1.3 CONSTATAÇÃO:
Deficiência na alimentação oferecida e nas atividades
desenvolvidas na jornada.
6.1.4 CONSTATAÇÃO:
Irregularidades na execução da jornada.
6.1.5 CONSTATAÇÃO:
Ausência de funcionamento da CMETI.
6.1.6 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos da bolsa às famílias beneficiárias do programa
incompletos e com atraso em 2005.
6.1.7 CONSTATAÇÃO:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 9
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Ausência de pagamentos do PETI em 2006.
6.1.8 CONSTATAÇÃO:
Recursos do PETI sem movimentação e sem aplicação financeira.
6.1.9 CONSTATAÇÃO:
Despesas efetuadas por meio de saques da conta do PETI.
6.1.10 CONSTATAÇÃO:
Saque não justificado da conta do PETI.
6.1.11 CONSTATAÇÃO:
Desvio de finalidade em pagamentos efetuados com recursos do PETI.
6.1.12 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em emissão de notas fiscais apresentadas para
comprovação de despesas do PETI.
6.1.13 CONSTATAÇÃO:
Fraude na disponibilização de cópias de extratos bancários de
conta específica do PETI.
6.2.1 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos do Agente Jovem incompletos e com atraso em 2005.
6.2.2 CONSTATAÇÃO:
Ausência de pagamentos do Agente Jovem em 2006.
6.2.3 CONSTATAÇÃO:
Recursos do Programa Agente Jovem sem movimentação e sem aplicação
financeira.
6.2.4 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em emissão de notas fiscais apresentadas para
comprovação de despesas do Programa Agente Jovem.
6.2.5 CONSTATAÇÃO:
Desvio de finalidade na utilização de recursos do Programa Agente
Jovem.
6.2.6 CONSTATAÇÃO:
Recursos do Serviço de Proteção Sócio-Assistencial à Criança sem
movimentação e sem aplicação financeira.
6.2.7 CONSTATAÇÃO:
Despesas efetuadas por meio de saque da conta do Serviço de
Proteção Sócio-Assistencial à Criança.
6.2.8 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em notas fiscais apresentadas para comprovação
de despesas do Serviço de Proteção Sócio-Assistencial à Criança.
6.3.1 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação do CMAS.
6.4.1 CONSTATAÇÃO:
Precariedade nas instalações de atendimento previstas no PAIF.
6.5.1 CONSTATAÇÃO:
Ausência de instituição da Coordenação Municipal do Bolsa Família.
6.5.2 CONSTATAÇÃO:
Ausência de divulgação da relação de beneficiários do Bolsa
Família.
6.5.3 CONSTATAÇÃO:
Deficiências na atuação da Secretaria Municipal de Educação quanto
à execução do Bolsa Família.
6.5.4 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação da instância de controle social do Programa Bolsa
Família.
6.5.5 CONSTATAÇÃO:
Famílias não localizadas.
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7. DENTRE AS CONSTATAçõES REGISTRADAS, consideramos como de
maior relevância as seguintes:

PROBLEMAS GRAVES

26000 MINISTERIO DA EDUCACAO

ITENS: 1.2.1 1.2.2 1.2.3 1.2.4 1.2.5 1.2.6 1.2.7

36000 MINISTERIO DA SAUDE

ITENS: 3.2.19 3.2.20 3.2.23 3.2.24 3.2.25 3.2.26 3.2.29 3.2.31


3.2.4 3.2.5 3.2.7

55000 MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME

ITENS: 6.1.1 6.1.10 6.1.11 6.1.12 6.1.13 6.1.2 6.1.3 6.1.4


6.1.6 6.1.7 6.1.8 6.2.1 6.2.2 6.2.3 6.2.4 6.2.5 6.2.6
6.2.8

PROBLEMAS ADMINISTRATIVOS

26000 MINISTERIO DA EDUCACAO

ITENS: 1.1.1 1.1.2 1.1.3 1.1.4 1.1.5 1.1.6 1.1.7 1.1.8 1.1.9
1.2.10 1.2.11 1.2.8 1.2.9 1.3.1 1.3.10 1.3.11 1.3.12
1.3.2 1.3.3 1.3.4 1.3.5 1.3.6 1.3.7 1.3.8 1.3.9

33000 MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL

ITENS: 2.1.1

36000 MINISTERIO DA SAUDE

ITENS: 3.1.1 3.1.2 3.1.3 3.1.4 3.1.5 3.1.6 3.2.1 3.2.10 3.2.11
3.2.12 3.2.13 3.2.14 3.2.15 3.2.16 3.2.17 3.2.18 3.2.2
3.2.21 3.2.22 3.2.27 3.2.28 3.2.3 3.2.30 3.2.32 3.2.33
3.2.34 3.2.35 3.2.6 3.2.8 3.2.9 3.3.1 3.3.2 3.3.3 3.3.4

51000 MINISTERIO DO ESPORTE

ITENS: 5.1.1 5.1.2 5.1.3

55000 MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME

ITENS: 6.1.5 6.1.9 6.2.7 6.3.1 6.4.1 6.5.1 6.5.2 6.5.3 6.5.4
6.5.5

DETALHAMENTO DAS CONSTATAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO

1 - 26000 MINISTERIO DA EDUCACAO

1.1 - PROGRAMA
1060
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 11
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
BRASIL ALFABETIZADO E EDUCACAO DE JOVENS E ADULTOS
AÇÃO :
0081
APOIO A AMPLIACAO DA OFERTA DE VAGAS DO ENSINO FUNDAMEN
TAL A JOVENS E ADULTOS - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Propiciar o atendimento, nas escolas estaduais e municipais de Ensino
Fundamental, de jovens e adultos matriculados na modalidade "supletivo
presencial com avaliação no processo", por meio da ampliação da oferta
de vagas e do ensino de qualidade, resgatando para a escola essa cli -
entela que foi, involuntariamente, excluída da educação fundamental e
assegurando o aprendizado do alunado.
ORDEM DE SERVIÇO : 182563
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Professores contratados temporariamente, e professores do quadro perma
nente da educação de jovens e adultos formados por meio dos programas
de formação continuada de docentes, aquisição, impressão ou produção
de livro didático adequado à educação de jovens e adultos, aquisição
de material escolar para o aluno e para o professor, remuneração aos
profissionais do magistério e merenda escolar exclusiva aos alunos
freqüentes ao Programa Fazendo Escola.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 16.332,96

1.1.1 CONSTATAÇÃO:
Falta de aplicação financeira dos recursos do PEJA.

FATO:
Analisando o extrato bancário da conta corrente n.º 34.809-0, da
agência 1529-6, do Banco do Brasil, destinada ao PEJA Programa de
Educação de Jovens e Adultos, verificamos que o valor de R$ 16.332,96
não foi devidamente aplicado, enquanto não utilizado, no período de
05/08/2005 a 22/03/2006.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta corrente específica do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando em anexo os comprovantes dos depósitos
relativos a aplicação financeira dos recursos do PEJA, no período
compreendido de 05/08/2005 a 22/03/2006. Estamos encaminhando cópia do
depósito a Coordenadora Geral de Contabilidade e Acompanhamento de
Prestação de Contas (doc. 01). Ademais cumpre esclarecer que os
recursos deixaram, de sofrer aplicação quando de seu efetivo
recebimento, em razão de que a Administração não foi comunicada deste
fato, sendo que esta por meios próprios conseguiu manter a realização
do objetivo do convênio, ou seja, este não sofreu nenhum prejuízo, e
consequentemente seus beneficiários.
Diante do acima declinado, a administração cumpriu fielmente os
termos que se obrigou no convênio celebrado".
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ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O Município não cumpriu à determinação
da legislação em vigor.
Além disso, o valor de R$ 623,03 reajustado até novembro do
corrente exercício, foi depositado na conta 34.809-0 PM PIR Bom Jesus
PEJA, conforme comprovante de depósito encaminhado pela Prefeitura
Municipal. A devolução deveria ter sido para a conta do Tesouro
Nacional.

1.1.2 CONSTATAÇÃO:
Formalização e encaminhamento indevidos da prestação de contas do
exercício de 2005 dos recursos do PEJA.

FATO:
O Município recebeu o valor de R$ 16.332,96, no exercício de 2005,
para a execução do Programa na localidade. Foi elaborada a prestação
de contas do respectivo exercício, no valor total de R$ 6.905,80,
tendo sido encaminhada pela Prefeitura Municipal ao FNDE em
04/07/2006, por meio do Ofício n.º 244/2006.
Após análise do extrato bancário da conta-corrente específica do
Programa (conta n.º 34.809-0), verificamos que, durante o exercício de
2005, não foi efetuado qualquer pagamento com recursos da referida
conta.
Assim, constatamos a inobservância dos responsáveis quanto aos
procedimentos a serem efetivamente realizados, visto que, se não
ocorreu utilização dos recursos, não há como elaborar prestação de
contas.

EVIDÊNCIA:
Prestação de Contas de 2005.
Extrato bancário da conta corrente específica do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade o objetivo do repasse de verba foi alcançado, ou
seja, o recurso foi utilizado em proveito da comunidade nos termos
propostos. Poderá eventualmente ter ocorrido atraso na aplicação
deste, mas este fato não pode ser suficiente a ensejar qualquer
reparo.
De maneira a sustentar o alegado, segue em anexo o comprovante da
prestação de Contas referente ao recurso recebido no ano de 2005,
sendo que este já foi devidamente corrigido e encaminhado a
Coordenadora Geral de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de
Contas (doc. 03).
Assim concluímos que nenhuma falha ocorreu".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura Municipal não cumpriu à
determinação da legislação em vigor. Além disso, a documentação
encaminhada a esta CGU, já havia sido disponibilizada e devidamente
analisada pela equipe de fiscalização "in loco", o que comprova
novamente o fato constatado.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 13


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1.1.3 CONSTATAÇÃO:
Notas fiscais sem atesto do recebimento, sem identificação do
Programa e sem comprovante do pagamento efetuado.

FATO:
As notas fiscais do Programa de Educação de Jovens e Adultos,
pagas pela Prefeitura Municipal durante o exercício de 2006, no valor
total de R$ 14.835,80 conforme demonstração a seguir, não foram
devidamente atestadas e não contêm a identificação do Programa,
contrariando o art. 14 da Resolução/CD/FNDE n° 17, de 9 de maio de
2005.

Nota Fiscal Data de emissão Valor (R$)


3504 01/10/2005 6.905,80
0361 06/04/2006 4.810,80
0367 07/04/2006 887,20
4010 28/04/2006 2.232,00

Ressaltamos que não foram disponibilizados os comprovantes de


pagamento (cópia do cheque, depósito bancário e outros) às empresas
Editora Educarte Ltda. e Papelaria Dalux Tatuí Ltda. ME, responsáveis
pela emissão das notas fiscais supracitadas, ficando prejudicada a
efetiva comprovação dos pagamentos realizados.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta-corrente específica do Programa.
Notas Fiscais 3504, 0361, 0367 e 4010.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A falha foi corrigida e as notas foram devidamente atestadas, bem
como estão devidamente identificadas conforme cópia em anexo (doc.,
04, 05, 06 e 07).
Os comprovantes de pagamento (cópia do cheque, depósito bancário e
outros) às empresas Editora Educarte Ltda. e Papelaria Dalux Tatuí
Ltda. ME, responsáveis pela emissão das notas fiscais supracitadas,
tornam prejudicada a efetiva comprovação dos pagamentos realizados".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A Prefeitura Municipal não
vinha cumprindo à determinação da legislação em vigor, uma vez que
somente atestou as notas fiscais das despesas, após apontamento feito
por esta CGU. Além disso, foi encaminhado pelo Município somente um
comprovante de depósito bancário (23/05/2006) das despesas realizadas,
conforme Nota Fiscal 4010, no valor de R$ 2.232,00.

1.1.4 CONSTATAÇÃO:
Descumprimento da carga horária nos cursos de capacitação de
docentes do Programa de Formação Continuada.

FATO:
Em entrevista com o membro da Coordenadoria do EJA, este informou
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 14
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que os cursos ministrados para capacitação de docentes do Programa de
Educação de Jovens e Adultos, das EMEFs "Profª. Nercy Amélia Martelini
Daher" e "Renato Tonolli Brito Pedro", não tiveram a duração mínima de
80 (oitenta) horas, exigida pelo art. 5º das Resolução/CD/FNDE N º 17,
de 22 de abril de 2004.

EVIDÊNCIA:
Decreto 2157, de 20 de junho de 2005.
Entrevista com o membro da Coordenadoria do EJA.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Em resposta elaborada pela Secretaria de Educação, responsável
pelo programa (doc. 12), foram oferecidas aos professores do EJA, 80
horas de curso, 5 oficinas de 8 horas cada uma, perfazendo as 40
horas. As 40 horas restantes, onde se completa a carga de 80 horas
exigidas pela Res./CD/FNDE nº 17, foram cumpridas em encontros de
acompanhamento que proporcionaram a reflexão sobre a ação pedagógica,
a ação do professor em sala de aula e a avaliação dos resultados, fato
este importantíssimo para a evolução do projeto pedagógico .
Assim resta clara que a informação obtida por meio de entrevista a
integrante do EJA não corresponde com a realidade, conforme comprova o
acima declinado pela responsável pelo programa, ficando inaplicável o
apontamento".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura Municipal não cumpriu à
determinação da legislação em vigor. Além disso, foi o membro da
Coordenadoria do EJA, quem afirmou categoricamente a inexistência de
documentação afim de comprovação do cumprimento da carga horária de 80
horas para o curso de capacitação de docentes do Programa de Formação
Continuada, realizado na localidade.

1.1.5 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação e de apresentação de ato normativo da instituição
do CACS-FUNDEF.

FATO:
Em referência ao Conselho de Acompanhamento e Controle Social do
FUNDEF Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e
Valorização do Magistério CACS-FUNDEF, não foram encontrados
registros da atuação do citado Conselho no acompanhamento e controle
do Programa de Educação de Jovens e Adultos, bem como não foi
disponibilizado o ato normativo que instituiu o respectivo Conselho na
localidade, embora solicitado pela equipe de fiscalização.

EVIDÊNCIA:
Livro de Atas do Conselho do FUNDEF.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Conforme cópia da ata anexa, a Secretária Municipal de Educação
reuniu-se com os membros do Conselho de Acompanhamento e Controle
Social do FUNDEF - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e Valorização do Magistério CACS-FUNDEF, e, respeitando
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 15
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sua autonomia, procurou orientá-los e implentar sua atuação junto ao
Peja. Estamos juntado em anexo cópia do Ato normativo da instituição
do CACS-Fundef (doc. 13 e 14).
O Conselho, ao contrário do alegado, é atuante. Neste ato se faz a
juntada das atas de reunião (para provar o alegado), salientando-se
que tais documentos não foram sequer solicitados, impugnando assim tal
assertiva".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A Prefeitura Municipal
encaminhou cópia da Lei Nº 556/97 (criação do Conselho do FUNDEF) e
Decreto Nº 2125/2005 (indicação dos membros do Conselho do FUNDEF); no
entanto, não foi apresentada nenhuma cópia de ata de reunião do
Conselho, a qual fizesse referência dos recursos do PEJA, não
utilizados e nem aplicados em 2005, bem como da formalização e
encaminhamento indevidos da Prestação de Contas do Programa, relativa
ao exercício de 2005. Portanto, o Conselho não é atuante no
acompanhamento da execução do Programa Fazendo Escola, tendo em vista
que não apresentou registros das falhas supra mencionadas.

1.1.6 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação da Equipe Coordenadora do PEJA.

FATO:
Não foram encontrados registros da atuação da Equipe Coordenadora
do Programa de Educação de Jovens e Adultos para cumprimento das
competências previstas no art. 20 da Resolução/CD/FNDE N.º 17/2004.

EVIDÊNCIA:
Decreto 2157, de 20 de junho de 2005.
Entrevista com o Diretor Municipal de Educação.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade a equipe é atuante. Para prova do alegado, se faz a
juntada da cópia de relatório (doc. 15) de monitoramento onde isto
fica comprovado.
Nenhum dos professores e ou participantes sofreu qualquer
prejuízo. Aliás, o canal entre o órgão executor e os participantes é
totalmente aberto, sendo que os integrantes assessoram a gestão
financeira dentro de seus conhecimentos e possibilidades.
A Secretaria Municipal de Educação faz reuniões previamente
agendadas para acompanhar e constatar a eficiência do programa (doc.
16), afastando a imputação".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Considerando que não tivemos
acesso ao teor dos procedimentos do Conselho (Livro de Atas), conforme
descritos na "Declaração" enviada pela Secretaria Municipal de
Educação, não é possível afirmar que as atribuições do Conselho vêm
sendo desempenhadas com devida eficiência e que ocorra com
regularidade a sua atuação.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 16


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1.1.7 CONSTATAÇÃO:
Falta de notificação de recebimento de recursos federais.

FATO:
Em entrevista com o Secretário Municipal de Administração e
Finanças, este informou que não notifica a liberação dos recursos
federais referentes aos Programas executados na localidade, inclusive
do PEJA, contrariamente ao que dispõe o art. 2º da Lei 9.452/97.

EVIDÊNCIA:
Entrevista com o Secretário Municipal de Administração e Finanças.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade ocorreu um equívoco, posto que o órgão de execução
do projeto foi o responsável pela informação, fato este que havia sido
esclarecido aos auditores da CGU. Em relação às entidades Sindicais e
Organizações patronais, por não existirem no Município, não poderiam
ser mesmo notificados do recebimento dos recursos do Convênio CV n.º
545/2003. Em relação aos partidos políticos e Câmara Municipal, foi
encaminhado, e se encontrava arquivado nas respectivas Secretarias
(doc 17)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O Município não cumpriu à determinação
da legislação em vigor. Considerando que não tivemos acesso aos
ofícios ora encaminhados pela Prefeitura Municipal, não é possível
afirmar que ocorreu a notificação da liberação dos recursos federais à
localidade. Além disso, com relação aos partidos políticos, há uma
declaração, de 04/08/2006, assinada pelo Sr. Prefeito, em que afirma
"quanto aos partidos políticos, não temos conhecimento da sede destes
no Município, a que ressaltar que os partidos ficam presentes e ativos
em nossa cidade na fase Eleitoral. Portanto ficamos sem ter a quem
notificar sobre a liberação de recursos."

1.1.8 CONSTATAÇÃO:
Diários de classes sem registro dos alunos matriculados para
freqüência no 3º bimestre.

FATO:
Constatamos que o Programa de Educação de Jovens e Adultos é
executado, nas EMEFs "Profª. Nercy Amélia Martelini Daher" e "Renato
Tonolli Brito Pedro", em duas etapas, a saber:
- 1ª a 4ª Séries - período anual;
- 5ª a 8ª Séries - período bimestral.
Ressaltamos que desde o 3º bimestre, iniciado em 24 de julho de
2006, até a data desta fiscalização, a EMEF Renato Tonolli Brito Pedro
não havia realizado qualquer preenchimento dos respectivos Diários de
Classe (alunos matriculados nas 6ª, 7ª e 8ª séries), ficando
prejudicada a verificação da efetiva presença destes alunos nas salas
de aula.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 17


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EVIDÊNCIA:
Visitas nas escolas beneficiadas pelo Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O programa vem sendo realizado com sucesso, atingindo suas metas
pedagógicas. Esclarece-se, por oportuno, que quando da visita da
auditoria os educadores estavam organizando-se em razão do inicio do
período letivo do segundo semestre, ocasião que iniciava-se uma nova
turma. Os diários de classes encontram-se regularmente preenchidos
(Doc. 18).
O programa vem sendo realizado com sucesso. O fato apontado não
prospera, uma vez que por ocasião da visita o período letivo do PEJA,
na realidade era de 01 ano para as 5ª a 8ª séries e a organização de
classes é semestral. Portanto, quando da auditoria, os profissionais
que trabalham no PEJA estavam em fase de organização dos diários de
classes, procedendo novas matriculas na Prodesp, pois vários são os
fatores que se modificam de um semestre para outro. Para prova do
alegado, estamos juntando cópia dos diários de classes referentes ao
2.º semestre".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Considerando que tivemos acesso à
documentação nas escolas que executam o Programa de Educação de Jovens
e Adultos, podemos afirmar que o Município não cumpriu à determinação
da legislação em vigor. Além disso, os esclarecimentos enviados pela
Prefeitura Municipal não procedem, visto que o fato apontado ocorreu
em apenas uma das três escolas visitadas, ou seja, não apresentou os
diários de classe com os nomes dos alunos devidamente registrados.

1.1.9 CONSTATAÇÃO:
Divergência entre o número de alunos do Censo Escolar e o
existente nas salas de aula do PEJA.

FATO:
Em visita a EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher, constatamos
divergência entre o número de alunos constante do Censo Escolar (258)
e os alunos presentes nas salas de aula (97), ou seja, na data desta
fiscalização 62% dos alunos do Programa de Educação de Jovens e
Adultos (1ª a 8ª séries), conforme demonstrado no quadro a seguir,
estavam ausentes das salas de aula. Tal fato não deveria ocorrer, haja
vista a obrigatoriedade da presença destes alunos nas respectivas
salas de aula (Classes Presenciais).

EMEF Profa. Nercy Amélia Martelini Daher


1ª e 2ª séries 3ª e 4ª séries 6ª série 7ª série 8ª série
M P D M P D M P D M P D M P D
44 17 27 52 13 39 33 21 12 36 26 10 36 20 16

M = Matriculados P = Presentes D = Diferença


.
Reforçamos o fato acima, através da análise dos diários de
classes, no período de fevereiro a julho de 2006, onde ficou
evidenciada a diminuição da freqüência dos alunos na escola
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 18
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
referenciada.

EVIDÊNCIA:
Visitas nas escolas beneficiadas pelo Programa.
Registro fotográfico das salas:

EMEF Profa. Nercy Amélia Matelini Daher - Sala de EMEF Profa. Nercy Amélia Matelini Daher - Sala de
Aula 1 ª e 2ª Série (Ângulo 1) Aula 1 ª e 2ª Série (Ângulo 2)

EMEF Profa. Nercy Amélia Matelini Daher - Sala de EMEF Profa. Nercy Amélia Matelini Daher - Sala de
Aula 3 ª e 4ª Série (Ângulo 1) Aula 3 ª e 4ª Série (Ângulo 2)

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A divergência entre o numero de alunos do Censo Escolar e o
existente na salas de aula do PEJA acontece devido ao alto índice de
evasão no EJA. Esse problema é nacional e seus motivos são: trabalho,
cansaço, falta de expectativa, etc.
O grande número de faltas diárias, segundo pesquisa interna da
Secretaria da Educação, ocorreram pelos mesmos motivos. Embora, os
professores e a U.E., constantemente, promovam atividades e ações de
incentivo a freqüência diária e os alunos recebam livros e material
escolar, no EJA as ausências, são constantes. Os alunos que não
atingem os 75% de freqüência prevista em lei, são reprovados.
Outro fato a ser considerado se refere principalmente às
sextas-feiras e segundas-feiras, já que a maioria dos alunos são
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 19
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ambulantes que sobrevivem do turismo religioso, sendo que a visita dos
auditores ocorreu na sexta-feira. Assim, a alegação não pode
prosperar.
Reforçando o fato acima, tem-se a a análise dos diários de classes
no período de fevereiro a julho de 2006 (doc. 19), onde fica
evidenciada a diminuição da freqüência dos alunos na escola
referenciada".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A justificativa de evasão por motivo de trabalho, cansaço e falta
de expectativa poderia ser procedente, não fosse o fato de que alguns
alunos que constam do diário de classe não terem frequentado uma aula
sequer durante este ano letivo.
Durante a visita à EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher, a
equipe não foi informada de que são promovidas atividades e ações de
incentivo à freqüência diária dos alunos, conforme informado pela
Prefeitura Municipal.
Além disso, durante entrevista na escola referenciada, um dos
alunos informou que nem sempre a escola conta com todos os professores
para a execução do Programa na localidade.

1.2 - PROGRAMA
1061
BRASIL ESCOLARIZADO
AÇÃO :
0513
APOIO A ALIMENTACAO ESCOLAR NA EDUCACAO BASICA - NO EST
ADO DE SAO PAULO
OBJETIVO DA AÇÃO :
Garantir a oferta da alimentação escolar, de forma a suprir, no míni-
mo, 15% das necessidades nutricionais dos alunos matriculados em esta-
belecimentos públicos nos Estados, Municípios e Distrito Federal, nos
estabelecimentos mantidos pela União e excepcionalmente, nas entidades
filantrópicas, com a oferta de, no mínimo uma refeição diária, durante
o período de permanência na escola. Essa ação busca a melhoria da ca-
pacidade de aprendizagem, a formação de bons hábitos alimentares.
ORDEM DE SERVIÇO : 182855
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
- Aquisição, armazenagem e distribuição dos gêneros alimentícios pela
Prefeitura Municipal/SEDUC/EscolasExecutoras/Empresas Terceirizadas;
- Recebimento e armazenagem dos gêneros, elaboração da merenda, e a o-
ferta da refeição aos alunos, pelas escolas e empresas terceirizadas;
- Atuação do Conselho de Alimentação Escolar - CAE.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 190.599,20

1.2.1 CONSTATAÇÃO:
Contratação irregular de empresa sem o devido processo
licitatório.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 20


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
FATO:
"Seleção Emergencial n.º 1" - Contrato n.º 22/2005 de 25/2/2005,
vigência de 6 meses, com a SP Alimentação e Serviços Ltda.
.
A Prefeitura, alegando urgência e, por meio do processo que foi
denominado de "Seleção Emergencial n.º 1/2005", firmou contrato com a
empresa para "a prestação de serviços de preparo e fornecimento de
alimentação escolar". Tratou-se de uma mudança no modo de fornecimento
da merenda. Antes desse contrato a Prefeitura adquiria os gêneros
alimentícios e distribuía às escolas. Após esse contrato tal
incumbência foi delegada à empresa terceirizada. O pagamento à empresa
seria realizado em função da quantidade de pratos servidos.
A contratação por meio de "Seleção Emergencial" foi irregular, com
infringência da Lei n.º 8.666/1993. O edital previu que a empresa
forneceria 726.120 cardápios num período de seis meses. Entende-se por
1 cardápio o fornecimento de 1 refeição e de 1 lanche (ou lanches, no
caso de creches). O valor estimado de contratação foi de R$
948.448,80.
Na Pesquisa de Preços constante às folhas 5 a 8 do Processo, a
partir da média de cotações com três empresas, foi estimado o valor de
cardápio em R$ 1,57 para os alunos do ensino infantil (EMEI), em R$
1,25 para os alunos do ensino fundamental (EMEF) e em R$ 4,91 para os
alunos das creches.
O Parecer Jurídico (fl. 16 do Processo) aprovou a contratação
emergencial por meio de "Seleção Emergencial", informando que:
"...trata-se o presente Processo ... que visa contratação de
empresa especializada no fornecimento de alimentação, sobre forma de
merenda aos alunos da unidades educacionais do Município de Pirapora
do Bom Jesus, em caráter de emergência. Quanto à expedição de um
Edital entendo ser possível, pois o que se busca nos atos
administrativos é o interesse público, e a transparência, poderia até
argumento que estamos iniciando um novo processo de dispensa de
licitação, mas não é verdade pois, a Lei Federal 8.666/1993, apenas
estabelece no art.26, que:
'Art.26 As dispensas previstas nos §§2º e 4º do art. 17 e nos
incisos III a XXIV do art. 24, as situações de inexigibilidade
referidas no art.25, necessariamente justificadas, e o retardamento
previsto no final do parágrafo único do art. 8º, deverão ser
comunicados dentro de 3 (três) dias à autoridade superior, para
ratificação e publicação na imprensa oficial, no prazo de 5 (cinco)
dias, como condição para eficácia dos atos.'
Entendemos ser possível a expedição de Edital simplificado S.M.J,
este é o meu parecer,
Pirapora do Bom Jesus, 10 de fevereiro de 2005
Procurador Jurídico"
.
Em despacho do Secretário Municipal de Finanças (fl. 18 do
Processo), de 10/2/2005, foi argumentado que "Visando a transparência,
em face de manifestação da Procuradoria Jurídica, que entendeu-se, ser
possível a expedição de um edital de chamamento, bem como sua
publicação, para abertura do processo de seleção emergencial atende
perfeitamente ao interesse público, sem, contudo abrir mão do menor
preço."
O Edital da "Seleção Emergencial" é datado de 10/2/2005. Uma
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 21
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22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
publicação com a convocação de empresas para a seleção ocorreu no
Diário Oficial do Estado em 11/2/2005 (sexta-feira). A data de
abertura das propostas ocorreria em 14/2/2005 (segunda-feira). Esse
prazo foi exíguo, impossibilitando qualquer competitividade, violando
flagrantemente a Lei n.º 8.666/1993, pela qual a modalidade de
licitação seria a Concorrência Pública, que especifica no art. 21,
§2º, alínea III, que o prazo entre o edital e a abertura das propostas
deve ser de no mínimo 30 dias.
A Ata da "Seleção Emergencial n.º 1/2005" (fl.336 do Processo) não
se encontrava assinada. Teriam sido apresentadas propostas de 3
empresas, tendo a empresa SP Alimentação e Serviços Ltda.
apresentado a proposta de menor preço, no valor de R$ 948.448,80.
.
Consta à fl. 339 Parecer Jurídico da Prefeitura:
"...Sobre a aquisição pleiteada, encontra seu fundamento no artigo
24, inciso IV, da Lei Federal N.º 8.666, de 21 de junho de 1993,
corroborado pelo inciso XII, do mesmo artigo.
'Art. 24 - É dispensável a licitação:
IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando
caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar
prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços,
equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para
os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou
calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser
concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos
e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade,
vedada a prorrogação dos respectivos contratos;
XII - nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros gêneros
perecíveis, no tempo necessário para a realização dos processos
licitatórios correspondentes, realizadas diretamente com base no preço
do dia;'
Consultado o Departamento de Compras e Licitações a resposta foi
de que o contrato de fornecimento de gêneros alimentícios teve seu
saldo financeiro esgotado em 31 de dezembro de 2004.
A legislação pertinente concede a dispensa de licitação no caso em
testilha, para tanto, entendo ainda, ser imprescindível que a
Administração instaure o competente procedimento licitatório, na
modalidade de Concorrência Pública, de forma que a situação
emergencial perdure pelo menor tempo possível...
...opino favoravelmente a autorização para a contratação em regime
de urgência, emergencial, de empresa especializada no fornecimento de
alimentação, sobre forma de merenda ao alunos das unidades
educacionais...
17 de fevereiro de 2005
PROCURADOR JURÍDICO"
.
O Procurador Jurídico da Prefeitura cometeu um equívoco, pois a
prestação dos serviços no fornecimento da merenda, com pagamento
calculado a partir do número de cardápios servidos não é compatível
com o enunciado do inciso XII, art. 24 da Lei n.º 8.666/1993, pois
nesta se prevê que os pagamentos serão realizados diretamente com base
no preço do dia, em função das compras de hortifrutigranjeiros, pão e
outros gêneros perecíveis.
Além disso, verificou-se nas notas fiscais emitidas pela SP
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 22
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Alimentação e Serviços Ltda. que a empresa estimou que metade dos
custos se referiam a serviços, o que também é incompatível com o
inciso XII, art. 24 da Lei n.º 8.666/1993.
Considerando que era de conhecimento que os contratos de
fornecimento de gêneros alimentícios teriam fim em 31/12/2004, a
Prefeitura deveria ter iniciado a abertura de Concorrência Pública com
antecedência suficiente para evitar a contratação emergencial. Além
disso, verificou-se que a Prefeitura iniciou a Concorrência Pública
apenas em 5/9/2005 e realizou uma nova contratação emergencial da SP
Alimentação e Serviços Ltda.
Outro ponto a ressalvar é o fato de que a empresa foi contratada
para "serviços de preparo, distribuição, gerenciamento, e logística da
merenda escolar", entretanto a preparação da merenda é feita somente
por merendeiras da Prefeitura em cada unidade escolar, fato não
especificado no edital da "Seleção Emergencial". A empresa apenas fez
a entrega dos gêneros alimentícios nas escolas e planejou os
cardápios, portanto a Prefeitura remunerou a empresa por serviços de
preparação não realizados.
O contrato entre a Prefeitura e a empresa SP Alimentação e
Serviços Ltda. foi assinado em 25/2/2005. A vigência prevista foi de 6
meses a partir da emissão da Ordem de Serviço (que não constava do
Processo). Também não se verificou no Processo a existência de
publicação do extrato do contrato no Diário Oficial do Estado.
Conclui-se que o Contrato n.º 22/2005 foi eivado de erros,
desrespeitando a Lei de Licitações. A Lei n.º 8.666/1993 estabelece no
art. 89 que:
"Seção III - Dos crimes e das penas
Art.89. Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses
previstas em lei, ou deixar de observar as formalidades pertinentes à
dispensa ou à inexigibilidade:
Pena - detenção de 3(três anos) a 5 (cinco) anos, e multa."

EVIDÊNCIA:
Processo de "Seleção Emergencial nº 1/2005".
Notas fiscais da SP Alimentação e Serviços Ltda.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Não há que se falar em contratação irregular de empresa sem o
devido processo licitatório, pois a Lei prevê a contratação
emergencial (Lei 8.666, art. 24, IV). Ou seja, existe previsão legal
que sustentou a contratação, não se tratando de contratação sem
procedimento.
Equivoca o auditor quando afirma que o Edital simplificado para a
contratação emergencial, não significaria processo de contratação
normal (no caso, segundo entendimento, seria uma concorrência pública,
cujo prazo seria de trinta dias). Não é este o caso. A contratação em
tela se deu por emergencialidade, já que não haveria tempo hábil para
atender a compra de alimentos e preparo de merenda que se iniciava no
ano letivo (produtos pericíveis, horitifrutigranjeiros, etc...).
Mesmo com atraso, a Municipalidade procedeu abertura de um
processo licitatório na modalidade de Concorrência Pública,
ressaltando que a contratação emergencial que ocorreu, atendeu ao
interesse publico.
Mesmo decorridos nove meses, o preço se manteve, tendo havido
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 23
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
pesquisas de preços mostrando que era compatível o valor da compra com
o valor de mercado, conforme se verifica no processo de concorrência
publica".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura não poderia alegar
emergência numa situação que era previsível. Além disso, a forma de
pagamento desrespeitou o inciso XII, art. 24 da Lei n.º 8.666/1993.

1.2.2 CONSTATAÇÃO:
Fracionamento de despesas.

FATO:
Convite n.º 58/2005 - Carta Contrato n.º 19/2005 de 21/9/2005,
vigência de 30 dias, com a SP Alimentação e Serviços Ltda.
.
Após a contratação irregular da empresa SP Alimentação e Serviços
Ltda. (Contrato n.º 22/2005 analisado no item anterior), o Prefeito de
Pirapora de Bom Jesus assinou, somente em 5/9/2005, o Edital da
Concorrência Pública n.º 1/2005 para licitar os serviços de merenda.
Como o Contrato n.º 22/2005 teve vigência de seis meses e estava
expirado, foi realizado o Convite n.º 58/2005 para contratação dos
serviços de merenda pelo período de um mês, até a finalização da
Concorrência Pública.
Foram convidadas três empresas: Nutriplus Alimentação e
Tecnologia, Apetece Sistemas de Alimentação Ltda. e SP Alimentação e
Serviços Ltda.
Esse Convite infringiu a Lei n.º 8.666/1993 por fracionar a
despesa dos serviços de merenda. A Prefeitura deveria ter aberto
Concorrência Pública para a contratação pelo período de um ano.
No Convite n.º 58/2005 verificou-se a irregularidade constante em
diversos convites analisados: ausência de documentos que comprovassem
a entrega do convite. As propostas das empresas são preenchidas num
formulário da própria Prefeitura, e os valores são escritos à mão, sem
identificação da pessoa que teria assinado a proposta.
Por conseguinte foi assinada em 21/9/2005 a Carta Contrato
n.º19/2005, com valor previsto de R$ 77.479,26, com a SP Alimentação e
Serviços Ltda., mesma empresa contratada emergencialmente pela
"Seleção Emergencial n.º 1/2005". No Processo não foi observada a
existência de comprovante da publicação do extrato de contrato no
Diário Oficial do Estado.

EVIDÊNCIA:
Processo do Convite nº 19/2005.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Não há que se falar em fracionamento de despesa, pois o
procedimento licitatório na modalidade Concorrência Pública nº
001/2005, já havia sido instaurado e encontrava-se em andamento.
Cumpre ressaltar que a merenda escolar é de relevante interesse
público e não pode sofrer solução de continuidade.
Durante a contratação emergencial, muitos estudos foram realizados
e pontos controvertidos foram esclarecidos, já que se tratava de uma
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 24
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
nova forma de fornecimento de gêneros.
Quando da execução do contrato emergencial foram detectados vários
aspectos, fazendo com que a Administração levasse algum tempo para
finalizar e apontar suas reais necessidades, de forma a atender melhor
o interesse público. Feito isto, determinou-se a abertura do
procedimento licitatório na modalidade Concorrência Pública.
Após vencido o prazo de vigência da contratação emergencial, houve
sim um procedimento licitatório, na modalidade de Carta Convite, o que
ocorreu durante curto espaço de tempo, ou seja, até que se findasse a
Concorrência Pública n.° 001/2005.
Note que tal necessidade se justificava, sendo que foi realizada
nesta ocasião ampla pesquisa de preço e reserva orçamentária, nos
termos do que a legislação exige. Tudo isto foi feito porque não
poderia ocorrer interrupção no fornecimento de gêneros
hortifrutigranjeiros para a merenda escolar.
Por todo o narrado fica patente que nenhuma irregularidade
ocorreu, e sim procedimentos distintos, sem qualquer favorecimento ou
infringência legal, sendo sempre resguardado o interesse público".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura abriu o edital de
concorrência para os serviços de merenda apenas em 5/9/2005. O
fracionamento está caracterizado, pois o convite não era a modalidade
correta para o valor do contrato.

1.2.3 CONSTATAÇÃO:
Contratação emergencial indevida agravada por prorrogação vedada
em Lei.

FATO:
Contrato n.º 47/2005 de 10/11/2005 com a SP Alimentação e Serviços
Ltda.
.
Em despacho de 5/10/2005, a Secretária Municipal da Educação
relatou que o Tribunal de Contas do Estado determinou a suspensão da
Concorrência Pública n.º 1/2005, após pedido de impugnação do edital
por parte de uma empresa. Assim, a Secretaria solicitou a contratação
emergencial de empresa para serviços de preparo, distribuição,
gerenciamento, e logística da merenda escolar, bem como manutenção
corretiva e preventiva de equipamentos, com fornecimento de insumos e
mão-de-obra. Para evitar que a distribuição de merenda fosse
paralisada, foi realizada nova contratação emergencial da SP
Alimentação e Serviços Ltda., com assinatura do Contrato n.º 47/2005,
em 10/11/2005, vigência de 2 meses.
Em 26/10/2005 o Procurador da Prefeitura tentou justificar a
contratação emergencial, alegando que isto seria possível com o
suporte do art.24, incisos IV e XII da Lei n.º 8.666/1993. Entretanto,
o inciso IV desse artigo veda a prorrogação dos contratos por mais de
6 meses, e a Prefeitura já havia celebrado um contrato emergencial com
essa duração, portanto essa contratação também foi realizada de forma
irregular.
No ano de 2005 a Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus
celebrou três contratos com a empresa SP Alimentação e Serviços Ltda.:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 25
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
n.º 22/2005; n.º 19/2005 e n.º 47/2005; sendo dois contratos
celebrados de forma emergencial e um contrato após convite, todos
apresentando irregularidades e violando a Lei n.º 8.666/1993.

EVIDÊNCIA:
Processo do Contrato nº 47/2005.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A afirmação de que houve prorrogação do processo de emergência
não se encontra correta, pois houve sim início da abertura de um
processo licitatório na modalidade Concorrência Pública, cuja
requisição da Secretaria de Educação data de 01 de setembro de 2005.
No entanto, no decorrer do prazo editalício, houve a impugnação do
Edital pela empresa NOVO SABOR REFEIÇOES DE AMERICANA LTDA. perante o
Egrégio Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
De fato, a empresa NOVO SABOR REFEIÇOES DE AMERICANA LTDA.
apresentou junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo uma
representação contra o Edital da Concorrência Pública nº 0001/2005,
cujo objeto seria a de contratação de empresa especializada na
prestação de serviços de preparo e de fornecimento de alimentação
escolar, nas unidades Escolares do Município. Houve a abertura dos
envelopes no dia 05 de outubro de 2005, as 10:30 horas, mas o Egrégio
Tribunal de Contas, através do ofício n.º 102/05 GCFJB, Ref. TC
-2575/003/05, datado de 03 de outubro de 2005, determinou a suspensão
da Concorrência Pública nº 001/200, encaminhando a Prefeitura cópia da
representação da empresa NOVO SABOR REFEIÇÕES DE AMERICANA LTDA.
A Prefeitura se manifestou quanto aos questionamentos da
licitante, mas o Tribunal de Contas acatou apenas dois itens,
determinando alteração no edital (doc. 20). Portanto, somente ocorreu
retardamento do encerramento do procedimento licitatório por motivo de
força maior (suspensão do procedimento por determinação do TCE).
A Prefeitura alterou o Edital e abriu um novo prazo de trinta dias
como determinado pela Lei 8.666/93, e posteriores alterações. Para que
os alunos não ficassem sem a merenda escolar, a Municipalidade
procedeu a uma licitação na modalidade de Carta Convite para
resguardar a segurança do fornecimento terceirizado da merenda escolar
(que não era suficiente para atender o período letivo faltante). Desta
forma, foi realizada nova contratação emergencial até decisão final da
Concorrência".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura realizou contratações
emergenciais da mesma empresa por um período superior a 180 dias, o
que é vedado pela Lei nº8.666/1993.

1.2.4 CONSTATAÇÃO:
Utilização de merendeiras da Prefeitura em atribuição constante de
objeto contratual.

FATO:
Concorrência n.º 1/2005. Contrato n.º 11/2006 de 15/2/2005,
vigência de 12 meses, com a empresa Nicolas Barreira Gonzalez.
.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 26
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
O Edital da Concorrência n.º 1/2005 é datado de 5/9/2005, com
abertura das propostas prevista para 10/9/2005. Ressalta-se a demora
da Prefeitura Municipal em iniciar esse procedimento licitatório,
apesar de, desde fevereiro de 2005, ter um contrato emergencial para
os serviços de merenda escolar.
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo determinou que a
licitação fosse suspensa em 3/10/2005, após uma representação de uma
empresa que alegou que o edital teria erros na redação. Após as
correções no edital, a Concorrência foi aberta novamente em
13/12/2005.
A proposta de menor valor foi apresentada pela Nicolas Barreira
Gonzalez - NBG, que apresentou os seguintes valores para a merenda:
Creches - R$ 5,04; EMEI/EMEF R$ 1,31; EMEF/EE - R$ 1,10, sendo que o
valor médio ponderado foi de R$ 1,21 por merenda servida, para 5.992
alunos por dia, correspondendo a um valor global de R$ 1.474.118,00. A
seguir foi assinado em 15/2/2006 com a NBG o Contrato n.º 11/2006.
Este Contrato apresentou a mesma irregularidade dos Contratos n.º
22/2005; n.º 19/2005 e n.º 47/2005. Apesar de mencionar como objeto
"serviços de preparo, nutrição, armazenamento, distribuição nos locais
de consumo...", a preparação da merenda é feita por merendeiras que
são servidoras públicas da Prefeitura, fato não especificado no
edital. A mão de obra utilizada no preparo dos alimentos é parte
substancial dos custos, portanto a empresa vencedora da licitação foi
beneficiada nesse contrato.

EVIDÊNCIA:
Processo Concorrência nº 1/2005.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"As merendeiras existentes à época da contratação pertenciam ao
quadro efetivo da municipalidade, e continuaram prestando serviços
para a Prefeitura, ficando à cargo da empresa contratada o preparo da
merenda escolar, conforme objeto contratado. Poder até ser que
eventualmente alguma servidora tenha sido inadvertidamente utilizada,
mas tal fato não mais pode ocorrer, já que hoje as diretoras de escola
estão fiscalizando atentamente essa questão.
Ademais, as merendeiras são utilizadas em vários serviços, sendo
que se encontra em fase de estudo uma readaptação desses serviços,
para ver se efetivamente o sistema ora adotado será mantido, de
maneira a viabilizar a readaptação ou não.
Não existe nenhum impedimento para que as merendeiras façam outros
serviços, razão pela qual não prospera o apontamento efetuado".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A resposta da Prefeitura, informando
que eventualmente alguma servidora tenha sido inadvertidamente
utilizada, não condiz com a situação observada pela equipe de
fiscalização. Nas escolas visitadas não se verificou nenhum
funcionário da empresa contratada que tivesse a atribuição de preparar
a merenda. Todas as merendeiras eram servidoras municipais ou
participavam da 'frente de trabalho' (pessoas que por meio de ajuda de
custo realizam serviços para a Prefeitura).

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 27


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
1.2.5 CONSTATAÇÃO:
Falta de controle no pagamento de notas fiscais relativas à
merenda escolar.

FATO:
A Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus não realiza
controle adequado de pagamento de notas fiscais. Além disso,
freqüentemente o pagamento de uma nota fiscal é feita de forma
parcelada, em vários processos distintos. Nos pagamentos parciais são
anexadas cópias da nota fiscal que estaria sendo paga, e somente no
pagamento final é anexada a nota fiscal original. Essa nota fiscal
original não recebe qualquer identificação de pagamento, como carimbo
que identifique os valores parciais pagos ou o pagamento total.
No caso da merenda escolar, por exemplo, foram realizados
pagamentos em julho de 2005 referentes a notas fiscais de março e
abril de 2004. Isso torna mais grave a falta de identificação dos
pagamentos na nota fiscal, pois possibilitaria a reapresentação de
notas fiscais para pagamento.

EVIDÊNCIA:
Extrato do sistema contábil da prefeitura. Atraso de pagamentos
referentes à empresa Comercial agrícola Wilak Ltda.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O repasse do Governo Federal é de aproximadamente 15% do que o
Município gasta por mês na merenda escolar. Os outros 85% são recursos
próprios da Municipalidade. Diante disto, os pagamentos são efetuados
por fonte diferenciada de recursos (MDE, mão-de-obra Fundef e recurso
próprio).
O Município paga de acordo com a sua disponibilidade financeira,
ou seja, nem sempre o comportamento da receita se mostra da forma
esperada. Portanto, os pagamentos são regulares, em conformidade com a
Lei nº 4320.
Foi determinado, ainda, que não seja mais efetuado pagamento
parcelado para que não paire nenhuma dúvida, atendendo todos os itens
exigíveis constitucionalmente, razão pela qual não se admite a
imputação de irregularidade".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O pagamento em parcelas não constitui
por si só uma impropriedade, mas sim a falta de controle nesses
pagamentos. A Prefeitura informa que adotará o pagamento não
parcelado, mas a situação constatada não será solucionada com a adoção
dessa medida somente.

1.2.6 CONSTATAÇÃO:
Pagamento sem aferição do quantitativo de merendas servidas.

FATO:
A Prefeitura não realizou verificação dos quantitativos e valores
das notas fiscais relativos aos contratos de terceirização da merenda
com as empresas SP Alimentação e Serviços Ltda. e a Nicolas Barreira
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 28
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Gonzalez - NBG.
.
Pagamentos a SP Alimentação e Serviços Ltda.
Em todos os processos de pagamento para a SP Alimentação e
Serviços Ltda. não havia planilhas que demonstrassem o quantitativo de
consumo. As planilhas ou outros controles foram solicitados à
Secretaria de Educação, ao Setor Financeiro e ao setor de Compras da
Prefeitura. A Secretaria de Educação informou que as planilhas com os
quantitativos de merendas servidas ficariam arquivadas nas próprias
escolas. Os controles são deficientes, já que a Prefeitura não
realizou nenhuma conferência nos quantitativos da merenda escolar
antes do pagamento, pois as planilhas deveriam estar de posse de algum
setor da Prefeitura, que faria a totalização da quantidade de pratos
servidos em cada escola e conferiria com o especificado nas notas
fiscais.
A Nota Fiscal n.º 11.125 de 29/12/2005, valor de R$ 223.111,86,
discrimina um quantitativo de merendas incompatível com o número de
alunos. Nessa Nota Fiscal está registrado que a fatura corresponderia
ao período de 10/11 a 16/12/2005, num total de 348.723 refeições.
Fazendo um cálculo aproximado, multiplicando o número de 25 dias úteis
pelo número de alunos matriculados, aproximadamente 6000 (quantidade
constante do edital da Concorrência n.º 1/2005), teríamos um
quantitativo de 150.000 refeições, que é menos da metade do
especificado na NF n.º 11.125.
.
Pagamentos a Nicolas Barreira Gonzalez - NBG
No processo de pagamento, protocolo n.º 315/06 de 24/5/2006,
constava cópia da Nota Fiscal n.º 26.318 de 17/5/2006 da NBG, no valor
de R$ 265.129,19, e cópias das planilhas de consumo nas escolas na
segunda quinzena de abril de 2006. A Nota Fiscal n.º 26.318 não
discrimina o quantitativo de merendas servidas, mas só o total para
cada tipo de merenda, isto é, refeições servidas em Creche, EMEFs ou
EMEIs, nem especifica o período dos serviços faturados. Dividindo-se
esses valores pelo custo unitário constante da proposta da empresa,
obtém-se uma quantidade de 197.420 merendas. Entretanto a soma dos
quantitativos das planilhas totaliza 54.885 merendas, incompatível com
o quantitativo estimado da nota fiscal.
.
Com relação ao gerenciamento dos contratos de merenda escolar,
observou-se que a Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus,
apesar do alto valor envolvido na terceirização da merenda (só o
contrato com a NBG tem o montante estimado de R$ 1.474.118,00),
realizou pagamentos sem nenhuma verificação dos valores.

EVIDÊNCIA:
Processos de pagamento para as empresas SP e NBG.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Todas as notas fiscais, quando entram na Tesouraria da
Prefeitura, vêm devidamente liquidadas, nos termos do artigos 62 e 63
da Lei 4320/64.
"Art. 62. O pagamento da despesa só será efetuado quando
ordenado após sua regular liquidação.
Art. 63. A liquidação da despesa consiste na verificação
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 29
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e
documentos comprobatórios do respectivo crédito.
§ 1º Essa verificação tem por fim apurar:
I - a origem e o objeto do que se deve pagar;
II - a importância exata a pagar;
III - a quem se deve pagar a importância, para extinguir a
obrigação.
§ 2º A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou
serviços prestados terá por base:
I - o contrato, ajuste ou acordo respectivo;
II - a nota de empenho;
III - os comprovantes da entrega do material ou da
prestação do serviço."
Cumpre esclarecer que em relação ao pagamento da empresa Nicolas
Barreira Gonzalez NBG, no valor de R$ 265.129,19 (NF nº 26.318, de
17/5/2006), ocorreu um equívoco de interpretação, posto que esta se
refere a 70% de refeições dos meses de fevereiro, março e abril do
corrente ano. Isso ocorreu porque foi expedida uma única nota fiscal
em razão da data de sua emissão, (anteriormente era emitida uma única
nota para os três tipos de serviços Creche, EMEFs ou EMEIs). Todas
as notas fiscais são acompanhadas de planilhas, sendo que valor
divergente ocorreu por tal motivo, já que se tratava de um período
maior.
Podemos concluir, portanto, que o período a que se refere a nota
fiscal é equivalente a cinco (05) quinzenas, e não apenas a uma como
aponta o ilustre auditor. Portanto a quantidade de 197.420 merendas
para cinco quinzenas, fica bem abaixo da quantidade referente à
segunda quinzena de abril, que totalizou 54.885 merendas. Portanto a
média quinzenal é de 39.484 merendas".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A liquidação de notas fiscais deve
estar acompanhada de documentos que comprovem os valores, os serviços
ou materiais recebidos, o que não foi verificado nos processos de
pagamento mencionados na constatação. A informação da Prefeitura
referente a Nota Fiscal Nº26.318 da NBG não pode ser confirmada, já
que não foram apresentadas cópias dessas planilhas.

1.2.7 CONSTATAÇÃO:
Contagem incorreta da quantidade de merendas servidas.

FATO:
Observou-se divergência significativa entre as planilhas
("Refeições Servidas - Terceirizada" com contagem diária de merendas,
assinadas pelos Diretores das Escolas e nutricionistas da empresa NBG)
e as anotações feitas pelas merendeiras (em cadernos ou folhas
avulsas).
Numa amostra de 9 escolas, foram encontradas divergências nos
registros de 6 escolas. Observaram-se inclusive quantitativos na
planilha "Refeições servidas - Terceirizada" em períodos em que não
houve aula.
.
Foram visitadas as seguintes escolas:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 30
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
EE/EMEF NERCY AMÉLIA MARTELINI DAHER.
De acordo com anotações da merendeira da escola, foram servidas
3.556 refeições na 1ª quinzena do mês de julho de 2006; entretanto, na
planilha "Refeições servidas - Terceirizada", consta que teriam sido
servidas 5.230 refeições no mês, uma diferença de 49%. Ressalta-se
ainda que, na planilha "Refeições servidas - Terceirizada" consta
refeições servidas no 3º turno do dia 6/7/2006 e 2º e 3º turno do dia
7/7/2006, apesar da merendeira registrar em caderno que nesses
períodos não foram servidas refeições.
.
EMEF DOM ALDERICO LAMBRECHTS
De acordo com anotação da merendeira, foram servidas na 1ª
quinzena de julho 1250 refeições, enquanto que na planilha "Refeições
servidas - Terceirizada" consta um quantitativo 132% maior - 2899
refeições.
.
EECI MÁRIO COVAS
De acordo com anotação da merendeira da escola, foram servidas na
2ª quinzena de julho, 1202 refeições, enquanto que na planilha
Refeições servidas - Terceirizada" consta um quantitativo 10% maior -
1323 refeições.
.
EMEI PAULINA KOCKX
De acordo com anotação da merendeira da escola, foram servidas na
1ª quinzena de julho, 716 refeições, enquanto que na planilha
"Refeições servidas - Terceirizada" consta um quantitativo 55% maior -
1108 refeições. Consta na planilha que foram servidas refeições no 2º
período de 5/7/2003 e no 1º e no 2º período de 7/7/2006, apesar de não
haver registro correspondente no caderno da merendeira.
.
EMEF SENHOR BOM JESUS
De acordo com anotação da merendeira, foram servidas na 1ª
quinzena de julho, 2277 refeições, enquanto que na planilha "Refeições
servidas - Terceirizada" consta um quantitativo 72% maior - 3926
refeições. Consta na planilha que foram servidas refeições nos dias 6
e 7/7/2006 sem registro correspondente no caderno da merendeira.
.
EMEF RENATO TONOLLI
Nessa escola observou-se que as planilhas de "Refeições servidas"
referentes a março, abril e maio de 2006 contêm quantidades múltiplas
de dez ou cem; por exemplo, nos dias 20 a 24/3/2006 consta que no 1º
turno da escola foram servidas 220, 400, 320, 420, 300 refeições.
Evidentemente tais quantitativos não correspondem ao número de
refeições efetivamente servidas, pois é improvável que o
comparecimento dos alunos ocorra dessa forma. Conclui-se que os dados
dessas planilhas não correspondem ao quantitativo de refeições
servidas. Ressalta-se ainda que não há anotações manuais feitas pela
merendeira correspondentes a esses períodos que possibilitem a
confrontação de dados.
Em relação ao período de 7 a 11/8/2006, verificou-se que os
números de refeições foram anotados pela merendeira numa folha de
controle avulsa, que especificava os quantitativos de café da manhã,
de almoço, de lanche da tarde, de almoço da tarde e de jantar. Estas
anotações também apresentavam inconsistências: quantitativos de almoço
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 31
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
em múltiplos de dez, incompatíveis com uma contagem efetiva de
refeições servidas; não há anotação do número de refeições de jantar,
apesar de constarem tais quantitativos na planilha "Refeições
Servidas".
Verificou-se ainda outra irregularidade na planilha "Refeições
servidas", pois foi realizada a soma de lanches e refeições para fins
de pagamento, fato não previsto no Contrato, ocasionando aumento em
torno de 16% do valor a ser pago.
.
CONTROLES FALHOS
A diferença observada em seis escolas corresponde a 47% da
quantidade de merenda (ver tabela), percentual muito alto para ser
justificado por erros involuntários. Se considerarmos as nove escolas
visitadas, incluindo três em que não foram verificadas divergências,
obtém-se uma diferença de 36%. Como o contrato tem o valor global
previsto de R$ 1.474.118,00, fazendo-se um cálculo aproximado, supondo
que essa diferença seja constante ao longo do contrato e
aproximadamente igual para todas as escolas, haveria um pagamento
excedente à empresa NBG de R$ 530.475,47.
Os dados obtidos nas visitas às escolas estão resumidos na tabela
abaixo:
.

NOME DA ESCOLA período Quantidade Quantidade Dife- Perc.


anotada na rença (A-B) /A
pela planilha (A-B)
merendeira (B)
(A)
1 EMEI EMEF ESTADUAL 1ª quinzena- 3556 5230 1674 47%
PROFESSORA NERCY AMÉLIA julho/2006
2 EMEF DOM ALDERICO 1ª quinzena- 1250 2899 1649 132%
LAMBRECHTS julho/2006
3 EEE CI MARIO COVAS 2ª quinzena- 1202 1323 121 10%
julho/2006
4 EMEI PAULINA KOCKX 1ª quinzena- 716 1108 392 55%
julho/2006
5 EMEF SENHOR BOM JESUS 1ª quinzena- 2277 3926 1649 72%
julho/2006
6 EMEF RENATO TONOLLI referente ao 4085 4750 665 16%
1º e 2º
turno, 7 a
11/8/2006
SUBTOTAL (1 até 6) 13086 19236 6150 47%
7 CMM BENEDITA APARECIDA 1ª quinzena- 305 305 0 0%
SANTOS julho/2006
8 EMEF IRMÃ MARIA NILA 2ª quinzena- 3214 3214 0 0%
PONTES julho/2006
9 EMEIFRE ADÃO SABINO DE 1ª quinzena- 485 485 0 0%
BRITO julho/2006
SUBTOTAL (7 até 9) 4004 4004 0 0%
TOTAL (1 até 9) 17090 23240 6150 36%

TABELA - CONTAGEM INCORRETA DE MERENDAS

Ressalta-se que foi verificado apenas um período limitado, pelo


fato da empresa ter recolhido os controles (cadernos ou planilhas das
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 32
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
merendeiras) dos meses anteriores. De acordo com informação prestada
pela supervisora da empresa NBG, esses cadernos ou planilhas foram
recolhidas pela empresa e não foram arquivados, de forma que não há
como realizar confrontação de dados de períodos anteriores.
De acordo com informações de merendeiras e assistentes de direção
das escolas, em muitos casos as planilhas "Refeições Servidas" foram
elaboradas com o auxílio da nutricionista da empresa NBG. As
diferenças nos quantitativos, de acordo com os assistentes de direção
das escolas, não teriam sido percebidas.
De acordo com informação prestada por ex-nutricionista da empresa,
algumas merendeiras foram orientadas a anotar um quantitativo maior de
refeições servidas, porque, devido a um tempo limitado de recreio,
seria necessário servir a alunos, principalmente de séries mais
avançadas, a refeição já com repetição, isto é, um prato mais cheio
que o previsto. Ressalta-se que tal procedimento não tem previsão
contratual.
O valor unitário da merenda aos alunos do ensino fundamental foi
previsto em R$ 1,31 (EMEI/EMEF), que engloba alunos da 1ª até 8ª
série, portanto há uma grande diferença na quantidade necessária de
alimentos entre esses alunos. Uma criança da 8ª série certamente
necessitará de um prato mais cheio que uma da 1ª série, esta talvez
nem necessitando de uma porção completa. O contrato é falho pois o
pagamento baseado na quantidade de merendas traz subjetividade, pois,
dependendo da merendeira e do aluno, a porção num prato se altera.
Esse fato é agravado pela falta de controles nas escolas e na
Prefeitura Municipal.

EVIDÊNCIA:
Entrevista por telefone com a supervisora da empresa NBG, Sra.
Cíntia. Planilhas "Refeições servidas".
Entrevistas nas escolas e verificação de cadernos e anotações de
merendeiras.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Segundo a Secretária Municipal de Educação apurou, a acusação de
falta de controle e diferença entre o relatório do Diretor e anotação
da(s) merendeira(s), este último documento citado, não serve como
parâmetro, pelos seguintes motivos:
1) Os apontamentos das mesmas, não têm consistência devido:
- ao baixo grau de instrução das funcionárias;
- ao revezamento das merendeiras e auxiliares de cozinha na
distribuição dos pratos servidos e nas repetições;
- anotações como lembretes, em papéis avulsos e posterior entrega
ao diretor;
- registro de outros quesitos (quantidades de produtos
utilizados na confecção da merenda do dia).
.
2) O número de pratos, em algumas escolas, era insuficiente
(problema sanado junto à empresa terceirizada, com aquisição de mais
pratos). Assim o referido utensílio, utilizado para a repetição, era o
que tinha sido utilizado pelo aluno, e conseqüentemente anotado.
Assim, em que pese o número de pratos ser o contado, por vezes era
repetida a refeição no mesmo prato, por insuficiência deste e por
curto período de recreio.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 33
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
3) Tempo reduzido de duração do intervalo, em que se faz a
distribuição da merenda escolar para um grande número de educandos.
São as mesmas funcionárias que se desdobram para fazer a comida, lavar
os pratos e talheres, além do refeitório para as diferentes turmas em
diversos horários. Os relatórios da direção retratam com veracidade o
número de pratos servidos e as repetições, pois os mesmos se incumbem
de fiscalizar e coordenar a merenda escolar.
.
4) Variação de cardápio alguns alimentos são aceitos por maior
número de alunos quando comparado a outros. As quantidades variam de
um dia para outro.
.
5) Encerramento do 1º semestre letivo, com a realização de
atividades extra-classe, com o comparecimento de todos os alunos, em
um único período.
.
6) Realização de jogos do campeonato escolar, onde se procurou a
adequação da merenda ao local a ser servido, isto é, lanches e sucos.
.
7) Salientamos que a população deste Município é constituída em
sua enorme maioria de famílias de baixa renda, carentes, o que
justifica o grande número de repetições, pois muitos só se alimentam
na escola.
.
8) As informações de que as planilhas foram elaboradas com auxílio
da nutricionista não procede, pois a confecção e preenchimento das
mesmas são de responsabilidade dos Diretores.
.
9) Orientação na forma de registro quando o prato for mais cheio:
essa informação é desconhecida dos Diretores e do pessoal da
Secretaria da Educação, pois quaisquer mudanças ou alterações na
maneira de contagem de pratos servidos ou da merenda escolar, a
empresa tem que notificar e solicitar autorização à Secretaria da
Educação, por meio de documento oficial dirigido ao CAE Conselho de
Alimentação Escolar.
.
Assim, por todo o exposto não prospera a imputação de falta de
controle".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. As informações prestadas pela
Prefeitura não alteram as constatações realizadas pela fiscalização,
que tiveram por base os documentos disponíveis: anotações das
merendeiras e relatórios assinados pelos Diretores.
Se os apontamentos das merendeiras não têm consistência como
informa a Prefeitura, os relatórios elaborados pelos diretores de
escola teriam ainda uma menor acuracidade, pois estes não estarão
sempre presentes no momento da distribuição da merenda. As informações
sobre a elaboração das planilhas pela nutricionista da empresa e
registro a maior quando o prato for mais cheio foram obtidas por
entrevistas com funcionários de escolas.

1.2.8 CONSTATAÇÃO:
Contratação de empresa para fornecimento de pães, apesar da
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 34
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Prefeitura possuir padaria-piloto.

FATO:
A Tomada de Preços n.º 1/2003 foi realizada com o objetivo de
contratar os serviços de fornecimento de 900.000 pães, de 50g, para a
merenda escolar. O Contrato n.º 34/2003 com a padaria, CNPJ
74.255.522/0001-70, foi assinado em 28/4/2003, com vigência de 20
meses e valor estimado de R$ 171.000,00.
Entretanto a Prefeitura possuía uma padaria comunitária que
poderia fornecer ao menos parte desses pães, sem necessidade de
incorrer na totalidade dessa despesa. Além disso, verificou-se que um
vereador municipal era sócio-proprietário da padaria contratada.

EVIDÊNCIA:
Ata da Tomada de Preços 1/2003.
Sistema CNPJ da Receita Federal.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Existe a realização de um projeto visando qualificar mão-de-obra
para formação de padeiro e confeiteiro, sendo que o produto desta
atividade reverte em favor do próprio projeto e na eventualidade, em
proveito da comunidade sediada em bairro extremante carente do
município.
Esclarece-se, por oportuno, que os equipamentos que compõe o
aludido projeto são essencialmente simples e em reduzido número, e por
esta razão jamais poderiam fornecer todos os gêneros necessários à
merenda escolar do município.
Os equipamentos são utilizados por alunos do curso de panificação,
ministrado pelo SENAI aos sábados. Ou seja, não é um comércio de venda
de pães e sim no estabelecimento se realiza curso de capacitação.
Ademais, considerando a necessidade de regularidade no
fornecimento e na quantidade, não seria possível tecnicamente que o
curso fornecesse tais gêneros, restando assim indevido o apontamento
em questão.
Insta esclarecer que nenhum vereador do município era sócio da
referida empresa à época da contratação (Doc. 22). O documento acima
mencionado afasta o apontamento em questão".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente, considerando que não foi
possível analisar a efetiva capacidade de produção da padaria
comunitária. Ressalta-se que no sistema da Receita Federal consta que
o vereador foi excluído da padaria CNPJ 74.255.522/0001-70 em
26/1/2005, portanto durante a vigência do contrato era de fato
sócio-gerente da empresa.

1.2.9 CONSTATAÇÃO:
Falta de aplicação financeira dos recursos do PNAC.

FATO:
Os recursos federais, repassados à Prefeitura Municipal de
Pirapora do Bom Jesus para o Programa Nacional de Alimentação Escolar
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 35
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- Creche, foram mantidos na conta corrente, durante o ano de 2005, sem
movimentação ou aplicação financeira.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta 0379-45-000078-5 - BANESPA - Prefeitura
de Pirapora do Bom Jesus- PNAC.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando em anexo os comprovantes dos depósitos
relativos à aplicação financeira dos recursos do PNAC (Doc. 29).
Ademais, cumpre esclarecer que os recursos deixaram de sofrer
aplicação quando de seu efetivo recebimento, em razão da Administração
não haver sido comunicada deste fato.
A Municipalidade, por meios próprios, conseguiu manter a
realização do objetivo do convênio, que não sofreu nenhum prejuízo, e
consequentemente seus beneficiários também não.
Diante do acima declinado, fica claro que a Administração cumpriu
fielmente os termos que se obrigou no convênio celebrado".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Apesar da Prefeitura informar que
aplicou os recursos, a ação corretiva posterior não altera a
impropriedade verificada.

1.2.10 CONSTATAÇÃO:
Presidente do Conselho de Alimentação Escolar é o Secretário de
Finanças.

FATO:
De acordo com o §3º, art. 12 da Resolução/FNDE/CD/N.º 38 de
23/8/2004: "...Fica vedada a indicação do Ordenador de Despesas das
Entidades Executoras para compor o Conselho de Alimentação Escolar.".
No entanto, o Presidente do Conselho de Alimentação Escolar em
Pirapora do Bom Jesus é o Secretário de Finanças, violando a
segregação de funções prevista na norma do FNDE.
Além disso, verificou-se que os membros da Comissão de
Alimentação são em sua maioria funcionários da Prefeitura ou
professores. Neste caso, essa comissão tinha pouca independência para
fazer críticas sobre a execução do Programa. Por exemplo, a
representante dos pais de alunos era também professora na escola.
Assim, quando se questiona aos membros do CAE o cumprimento das
atribuições, afirmam que tudo é executado perfeitamente e que a
qualidade da merenda fornecida é boa. Entretanto não há como obter uma
informação independente tendo em vista a relação dos componentes do
CAE com a Prefeitura.

EVIDÊNCIA:
Decreto Municipal nº 2.115 de 1/2/2005, que designa os membros do
Conselho Municipal de Alimentação Escolar, onde consta o Sr. Adeguimar
Lourenço Simões como representante do Poder Executivo. O Sr. Simões é
o Secretário Municipal de Finanças da Prefeitura de Pirapora do Bom
Jesus.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 36


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:
"O Senhor Adeguimar Lourenço Simões não é o ordenador da despesa
no município de Pirapora do Bom Jesus, em observância a divisão das
atribuições dos cargos públicos.
De outra sorte, a fim de evitar qualquer tipo de questionamento,
através do Decreto nº 2417/2006, de 01 de novembro de 2006 (Doc. 23),
foi revogada a nomeação deste servidor de suas atribuições junto ao
Conselho Alimentar Escolar, e nomeada para o exercício destas
atribuições a Sra. Tahuana de Freitas Kawano (servidora de provimento
efetivo cargo Professor Educação Básica segmento infantil).
Feitos os esclarecimentos supra, e considerando os documentos
apresentados, requer o afastamento deste apontamento".
Ressalte-se que a justificativa apresentada refere-se apenas ao
primeiro parágrafo da constatação tendo em vista que o texto
encaminhado para o gestor não apresentava os parágrafos seguintes.

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Apesar da ação corretiva da Prefeitura,
a constatação é mantida pois houve falha na segregação de funções.
Ressalta-se que o Sr. Adeguimar Lourenço Simões, além do cargo de
Secretário de Finanças da Prefeitura, também era Presidente da
Comissão Permanente de Licitações, julgando inclusive as contratações
de serviços de terceirização da merenda escolar, atos que deveriam ser
analisados pelo CAE. Portanto existiu uma incompatibilidade nessas
atribuições.
AÇÃO :
4014
CENSO ESCOLAR DA EDUCACAO BASICA - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Realizar, anualmente, em parceria com as Secretarias de Educação dos
Estados e do Distrito Federal, por escola, a coleta de informações
estatístico-educacionais referentes a matrículas e docência, para
subsidiar o planejamento e a gestão da Educação nas esferas
governamentais.
ORDEM DE SERVIÇO : 183579
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Levantamento detalhado das escolas e do aluno da educação infantil, do
ensino fundamental e do ensino médio.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: Não se aplica

1.2.11 CONSTATAÇÃO:
Divergência relativa aos quantitativos de alunos das Creche, Pré
Escola, Primeira à Oitava séries e da Educação de Jovens e Adultos.

FATO:
Nas escolas que possuem ensino infantil, ensino fundamental e
educação de jovens e adultos, foram verificadas divergências entre os
quantitativos de alunos cadastrados nos diários de classe, e o número
de fichas de matrícula apresentadas, em relação aos dados do Censo
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 37
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Escolar 2005.
No que tange à análise das fichas dos alunos matriculados na EMEF
Adão Sabino Brito, em confrontação com os dados do Censo Escolar 2005,
verificamos que, do total de 31 fichas encaminhadas à equipe de
fiscalização, a aluna de iniciais MCO, registrada na ficha como da 2ª
série A, não foi encontrada em nenhuma das classes da instituição
escolar referenciada.
As escolas para as quais se verificaram divergências nos
quantitativos dos diários de classe e os dados do Censo Escolar foram
assinalados na tabela a seguir:

Educação Infantil Ed. Fundamental EJA


Escola Censo Diário Dif Censo Diário Dif Censo Diário Dif
(1) (2) (3) (1) (2) (3) (1) (2) (3)
EMEF Adão Sabino
31 30 -1
de Brito
CMM Benedita
Aparecida dos 40 39 -1
Santos
EMEF Dom
Alderico 387 398 +11
Lambrechts
EMEF Profª Nercy
Amélia Martelini 395 393 -2 258 195 -63
Daher
EEECI Mário
Covas 7 11 +4 18 20 +2

EMEI Paulina
Kockx 228 203 -25

EMEF Senhor Bom


Jesus 747 744 -3

EVIDÊNCIA:
Censo Escolar 2005 das escolas (Amostra/FTP).
Conferência dos diários de classe das escolas (Amostra/FTP).

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Com relação as divergência temos a esclarecer o seguinte:
.
A) EMEF Adão Sabino de Brito: a ficha da aluna MARIA CRISTINA OSORIO
foi preenchida indevidamente na Prodesp e corrigida no mesmo dia,
transferindo a aluna para a EMEF VEREADOR TOMAZ PALAZZOLLI, onde ela
concluiu o ano letivo de 2005, conforme se verifica nos documentos da
Prodesp em anexo (doc. 24);
.
B) CMM Benedita Aparecida dos Santos: a criança foi matriculada
regulamente pelo seu responsável legal, e não compareceu durante o
período letivo, como se verifica na lista de presença (falta em todos
os dias). Foi acionado o Conselho Tutelar para verificar o caso, que
passou a data base de 31 de março, sendo que após esta data não houve
possibilidade de alteração por imposição do próprio sistema adotado
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 38
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
pela Secretaria Estadual de Ensino (doc. 25).
.
C) EMEF Dom Alderico Lambrechts: os professores registraram em seus
diários 11 alunos matriculados ou transferidos posteriormente à data
base de 31 de março, ao cadastro da Prodesp ( doc. 26).
.
D) EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher: com relação à diferença
apontada de 65 alunos, temos a esclarecer que esta se deu por se
tratar de cursos semestrais (PEJA). Destes 63 alunos do ensino jovens
e adultos, os dados referem-se às matriculas no ciclo II do 1.º
semestre letivo, e os diários de classes analisados contem as
matriculas do Ciclo II do 2.º semestre. Existem, ainda, mais 2s alunos
de transferência recebida, sendo um para a 6º-C no dia 25/07, e outro
no 6ª-E no dia 04/08, razão pela qual não houve possibilidade de
inclusão no sistema (doc. 27).
.
E) EEECI Mário Covas: a divergência deveu-se ao fato de que 04 alunos
estão matriculados na Pré-Escola e 02 em Escola de Ensino Fundamental.
Portanto, não poderia estar cadastrado no EEECI Mário Covas, e, como
necessitam de apoio pedagógico, freqüentam regulamente como ouvintes.
Para controle de presença, o professor os listou no Diário de Classe,
porém sem qualquer duplicidade no sistema, com o simples intuito de
prestigiar aquela criança com necessidades especiais (doc.28).
.
F) EMEI Paulina Kockx: quando da abertura das matriculas, os 25 alunos
apontados no relatório foram devidamente matriculados, mas não
compareceram às aulas. Ocorre, entretanto, que acionado o Conselho
Tutelar para verificar o caso, passou a data base de 31 de março para
que se pudessem fazer as alterações no sistema. Por isto, juntam-se os
comprovante de matrícula realizados pelos seus genitores (doc. 29).
.
EMEF Senhor Bom Jesus: com relação a 1ª série D, o aluno apontado
é ouvinte registrado no diário de classe e não consta na relação da
Prodesp, já que o Professor o colocou na lista de presença. Com
relação à 6ª serie A e 8ª serie A, os alunos não foram registrados no
Diário de Classe pelos professores, mas o cadastro Prodesp ocorre
normalmente (doc. 30)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Considerando que a equipe de
fiscalização não teve acesso "in loco" à documentação enviada pela
Prefeitura Municipal e nada foi informado pelo responsável, sobre as
ocorrências nas escolas, as quais resultaram na divergência do
quantitativo de alunos cadastrados nos diários de classe e o Censo
Escolar 2005, não é possível afirmar que as alterações se realizaram e
a divergência foi sanada.

1.3 - PROGRAMA
1376
DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL
AÇÃO :
0515
DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL - N
A REGIAO SUDESTE
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 39
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
OBJETIVO DA AÇÃO :
Garantir recursos para possibilitar às escolas condições mínimas
de funcionamento para manter o aluno do Ensino Fundamental, buscando a
participação da sociedade e autonomia gerencial dos recursos, culminan
do na melhoria das condições físicas e pedagógicas das unidades educa-
cionais.
ORDEM DE SERVIÇO : 182575
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
- Aquisição de materiais de consumo e permanente pela Unidade Executo-
ra Própria - UEx, necessários ao funcionamento da escola e de serviços
para manutenção, conservação e pequenos reparos na unidade escolar.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 19.878,90

1.3.1 CONSTATAÇÃO:
Falta de aplicação financeira dos recursos do PDDE.

FATO:
Analisando o extrato bancário da conta-corrente n.º 32.248-2, da
agência 1529-6, do Banco do Brasil, verificamos que o valor de R$
519,50 não foi devidamente aplicado pela Prefeitura Municipal, no
período de 16/09/2004 a 31/12/2004.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta - corrente específica do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Tendo em vista que o dinheiro do PDDE é depositado diretamente
nas contas correntes das APMs, sendo encaminhado sem a devida
comunicação a Municipalidade em conta corrente aberta pelo Governo
Federal, em uma agência em que o Município não movimenta na cidade de
Barueri, somente tomamos conhecimentos dessa verba quando se verificou
a inadimplência na prestação de contas do recurso em 2005. Mesmo
assim, estamos encaminhando, em anexo, o valor depositado de correção
e atualização referente ao recurso de R$ 519,50, enviando ofício à
Coordenadora Geral de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de
Contas (doc. 31)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O Município não cumpriu à determinação
da legislação em vigor.
Além disso, os esclarecimentos enviados pela Prefeitura Municipal
não procedem, visto que: a falta de aplicação financeira dos recursos
não é originária de conta corrente das APMs, mas da C/C 32.248-2 PM
PIR BOM JESUS PDDE, Unidade Executora do Programa da EMEF Adão
Sabino de Brito Rural, ou seja, da própria Prefeitura Municipal.
O valor referente a juros e correção calculado até novembro do
corrente exercício, deveria ter sido devolvido para a conta do Tesouro
Nacional e não para a conta-corrente supracitada, conforme consta do
comprovante de depósito encaminhado a esta CGU.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 40
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
1.3.2 CONSTATAÇÃO:
Formalização incorreta da Prestação de Contas de 2004 referente
aos recursos do PDDE.

FATO:
O Município recebeu o valor de R$ 20.217,80, no exercício de 2004,
para a execução do PDDE, assim distribuído para as UEx da localidade:
- EMEF Irmã Maria Nila Pontes ............................ R$ 4.714,50
- EMEF Senhor Bom Jesus .................................. R$ 6.210,40
- EMEF Adão Sabino de Brito Rural (Prefeitura Municipal) . R$ 519,50
- EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher ................R$ 3.013,30
- EMEF Dom Alderico Lambrechts ........................... R$ 2.841,70
- EMEF Renato Tonolli Brito Pedro ........................ R$ 2.918,40
As prestações de contas do exercício de 2004, referentes às UEx
supracitadas, foram encaminhadas pela Prefeitura Municipal à
Coordenadora Geral de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de
Contas, por meio do Ofício N.º 095/2005 GPJPPC, de 28 de fevereiro de
2005.
Em 28 de setembro de 2005, por intermédio da Notificação/PC2004/
PDDE/Nº 001/2005 destinada ao Prefeito Municipal, a Coordenadora Geral
de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de Contas informou que
após a análise dos documentos pertinentes à prestação de contas da UEx
EMEF Adão Sabino de Brito Rural (Prefeitura Municipal), foram
constatadas falhas nos seguintes documentos apresentados:
-Demonstrativo da Execução da Receita e da Despesa e de Pagamentos
Efetuados - Anexo III
O valor informado no campo correspondente aos recursos "transferidos
pelo FNDE no exercício", no montante de R$ 20.217,80 (montante este
transferido para as 6 UEx), está diferente da parcela única repassada
para à Prefeitura Municipal (R$ 519,50).
-Demonstrativo Sintético Anual da Execução Físico-Financeira - Anexo
V.
O valor correspondente à "despesa realizada" (R$ 19.779,47), está
maior do que o "valor total" (R$ 19.698,30);
O valor informado no campo correspondente aos recursos "transferidos
pelo FNDE no exercício" (R$ 20.217,80), está diferente do valor
efetivamente repassado (R$ 19.698,30).
-Extrato Bancário da conta específica da entidade executora do
Programa
Não constava da referida prestação de contas.
A Prefeitura Municipal encaminhou nova documentação ao FNDE (Ofício
N.º 473/2005 GPJPPC), de 25 de outubro de 2005, para complementação e
correção da prestação de contas, contendo inclusive o anexo:
-Demonstrativo da Execução da Receita e da Despesa e de Pagamentos
Efetuados - Anexo III
.Campo 14 Despesa Realizada "R$ 19.698,30", anteriormente constava do
valor de R$ 19.779,47;
.Bloco 3 Pagamentos Efetuados "R$ 19.698,30" (21 itens).
Tal demonstrativo não deveria compor a respectiva prestação de contas,
tendo em vista que a Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus
(UEx) não utilizou o recurso recebido no exercício de 2004, no valor
de R$ 519,50, nem comprovou a devolução desse valor.
Essa falha do gestor não permitirá a regularização da prestação de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 41
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contas supracitada, devendo a mesma continuar na situação "em
diligência".
No entanto, a prestação de contas supracitada continuará na situação
informada pela Coordenação Geral de Contabilidade e Acompanhamento de
Prestação de Contas "em diligência", uma vez que o demonstrativo ora
citado não deverá compor a respectiva prestação de contas, tendo em
vista que a Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus (UEx) não
utilizou o recurso recebido no exercício de 2004, no valor de R$
519,50.

EVIDÊNCIA:
Prestação de Contas do PDDE 2004.
Extratos Bancários 2004 e 2005.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A prestação de contas do exercício de 2004 foi corrigida e
encaminhada para a Coordenadora Geral de Contabilidade e
Acompanhamento de Prestação de Contas (doc. 32), sendo certo que
nenhum servidor agiu de má-fé, tendo apenas cometido um equívoco
involuntário na sua elaboração".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura Municipal não cumpriu com
à determinação da legislação em vigor. Além disso, a justificativa
apresentada apenas confirma a falha na elaboração da prestação de
contas.

1.3.3 CONSTATAÇÃO:
Prestações de Contas de 2005 formalizadas sem observância da norma
relativa à execução do PDDE.

FATO:
Na análise das prestações de contas, relativas ao exercício de
2005, das escolas (UEx) EMEF Senhor Bom Jesus, EMEF Profª. Nercy
Amélia Martelini Daher, EMEF Dom Alderico Lambrechts, EMEF Irmã Maria
Nila Pontes e EMEF Renato Tonolli Brito Pedro, constatamos que tais
prestações não observaram à norma pertinente ao PDDE, tendo sido
verificadas algumas situações, a saber:
- Demonstrativo da Execução da Receita e da Despesa e de
Pagamentos Efetuados, aprovado pelo Conselho Fiscal da Associação de
Pais e Mestres - APM, contendo dados incompatíveis (Valor Recebido no
Exercício: R$ 2.863,80 - Despesa Realizada: R$ 2.291,04 = Saldo: R$
"0") *;
- Aprovação das contas pelo Conselho Fiscal da APM sem identificação
de seus membros, conforme o registrado no documento de criação do
Conselho "Qualificação dos Membros da Diretoria da APM";
- Aprovação das contas pelo Conselho Fiscal da APM sem as devidas
assinaturas. **

EVIDÊNCIA:
Prestação de Contas do exercício de 2005 da EMEF Dom Alderico
Lambrechts. *
Prestação de Contas do exercício de 2005 das escolas (UEX) do
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Município.
Prestação de Contas do exercício de 2005 das EMEF Profª. Nercy
Amélia Martelini Daher e EMEF Renato Tonolli Brito Pedro. **

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"As prestações de Contas 2005 já foram devidamente corrigidas e
encaminhadas à Coordenadora Geral de Contabilidade e Acompanhamento de
Prestação de Contas (doc. 33)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O Município não cumpriu com à
determinação da legislação em vigor.
Além disso, a documentação encaminhada a esta CGU, refere-se à
Prestação de Contas da (UEx) PM PIR Bom Jesus PDDE e o fato
constatado corresponde as Prestações de Contas das (UEx) EMEF Senhor
Bom Jesus, EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher, EMEF Dom Alderico
Lambrechts, EMEF Irmã Maria Nila Pontes e EMEF Renato Tonolli Brito
Pedro.

1.3.4 CONSTATAÇÃO:
Falta de levantamento das prioridades para atendimento às escolas
nas aquisições com recursos do PDDE.

FATO:
As escolas EMEF Senhor Bom Jesus, EMEF Profª. Nercy Amélia
Martelini Daher, EMEF Dom Alderico Lambrechts, EMEF Irmã Maria Nila
Pontes e EMEF Renato Tonolli Brito Pedro receberam recursos, no
exercício de 2005, para execução do PDDE na localidade. No entanto,
estas não realizaram o levantamento das prioridades para atendimento
às suas respectivas escolas, contrariamente ao estabelecido pelas
regras do Programa.

EVIDÊNCIA:
Entrevista com as responsáveis nas UEX do Município.
Prestação de contas de 2005 das UEX do Município.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"As necessidades prioritárias foram amplamente discutidas no
período do planejamento escolar e colocadas em reuniões de pais e
mestres. Não foram registradas de forma própria em razão do curto
espaço de tempo para o gasto do recurso e para a prestação de contas
do Programa. Estaremos nas próximas reuniões formalizando e
registrando toda a matéria discutida".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O Município não cumpriu com à
determinação da legislação em vigor e os esclarecimentos prestados
apenas confirmam o fato relatado e dispõe sobre providência futura.

1.3.5 CONSTATAÇÃO:
Falta de tombamento dos bens adquiridos com recursos do PDDE.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 43


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FATO:
A Prefeitura Municipal não procedeu ao tombamento dos bens
adquiridos pelas escolas da localidade (UEx), apesar de estas já terem
protocolado os termos de doação dos equipamentos junto à Prefeitura,
sendo elas:
- EMEF Senhor Bom Jesus
02 Telefones Siemens E 3005 s/ chave de bloqueio;
01 Tapete retangular 2,5 x 2,0 metros;
01 Microfone semiprofissional LESON;
01 Duplicador a álcool Facit.
Valor total das aquisições ..... R$ 955,14
- EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher
01 Impressora Citizen 200G.
Valor total da aquisição ....... R$ 569,03
- EMEF Dom Alderico Lambrechts
02 Armários Bella Línea Porta.
Valor total das aquisições ..... R$ 572,76
- EMEF Irmã Maria Nila Pontes
01 Impressora Multifuncional Lexmark X1185/X1195;
01 Microfone com fio;
01 DVD Philips MP3 portátil DVP4000).
Valor total das aquisições ..... R$ 956,68
- EMEF Renato Tonolli Brito Pedro
02 Ventiladores de coluna 60 cm Ventsol;
01 Impressora Citizen 200 GX.
Valor total das aquisições ..... R$ 920,02

EVIDÊNCIA:
Inspeção física dos equipamentos adquiridos.
Termos de doação dos bens adquiridos.
Prestação de contas de 2005 das UEX do Município.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Foi sanada essa falha. As APMS estão conferindo os equipamentos e
juntando notas fiscais para encaminhá-los para a realização do
tombamento e patrimoniar os bens por elas adquiridos, conforme cópia
do ofício expedido pela Secretaria Municipal de Educação (doc. 34)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O Município não cumpriu com à
determinação da legislação em vigor e os esclarecimentos prestados
apenas confirmam o fato relatado e dispõe sobre providência futura.

1.3.6 CONSTATAÇÃO:
Notas fiscais sem atesto do recebimento de materiais e sem
identificação do Programa.

FATO:
As notas fiscais das prestações de contas do PDDE, no valor total
de R$ 20.231,35, durante o exercício de 2005, das escolas EMEF Senhor
Bom Jesus, EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher, EMEF Dom Alderico
Lambrechts, EMEF Irmã Maria Nila Pontes e EMEF Renato Tonolli Brito
Pedro não foram devidamente atestadas e não contêm a identificação de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 44
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que foram pagas com recursos do Programa, contrariando o art. 14 da
Resolução/CD/ FNDE n° 17, de 9 de maio de 2005.

EVIDÊNCIA:
Notas Fiscais 22656, 22828, 22829, 22830, 23358 a 23360, 24078 a
24080; 002; 009791 a 009794; 5357; 2187 e 0153.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Conforme se verifica na cópia das NFs, essa falha foi sanada,
tendo sido devidamente atestado o recebimento, constando, inclusive, o
carimbo com identificação do programa (doc. 35)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A Prefeitura Municipal
providenciou o carimbo de identificação nas notas fiscais pagas com os
recursos do PDDE; no entanto, anteriormente ao apontamento desta CGU,
não ocorreu cumprimento à determinação da legislação em vigor.

1.3.7 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de tarifas bancárias efetuado indevidamente pelas UEx no
exercício de 2005.

FATO:
As escolas EMEF Profª. Nercy Amélia Martelini Daher, EMEF Dom
Alderico Lambrechts e EMEF Irmã Maria Nila Pontes efetuaram, no
exercício de 2005, pagamento indevido de tarifas bancárias (CPMF,
Juros de Saldo Devedor e Tarifa Diversa), no valor total de R$ 29,10
(vinte e nove reais e dez centavos), contrariando a legislação
vigente.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários da conta corrente específica do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O débito de tarifas bancárias ocorreu de maneira equivocada por
parte da instituição financeira, sendo certo que o apontamento já foi
resolvido, tendo a importância no valor total de R$ 29,10 (vinte e
nove reais e dez centavos), referente as tarifas bancárias (CPMF,
Juros de Saldo Devedor e Tarifa Diversa), sido devolvida, com o
Acompanhamento de Prestação de Contas (doc. 36)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O Município não cumpriu à determinação
da legislação em vigor.
Além disso, o comprovante de depósito de devolução, encaminhado a
esta CGU, não apresenta como cliente as UEx EMEF Profª. Nercy Amélia
Martelini Daher, EMEF Dom Alderico Lambrechts e EMEF Irmã Maria Nila
Pontes, responsáveis pelo pagamento indevido das tarifas bancárias
constatado. A devolução das tarifas deve ser realizada por cada
unidade executora para a conta-corrente específica por ela
administrada.

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AÇÃO :
0969
APOIO AO TRANSPORTE ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL - NAC
IONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Garantir a oferta de transporte escolar aos alunos do ensino públi-
co, residentes em área rural, por meio de assistência financeira, em
caráter suplementar, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí-
pios, de modo a garantir-lhes o acesso e a permanência na escola.
ORDEM DE SERVIÇO : 182820
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
- Aquisição, Prefeitura Municipal/SEDUC, de combustível para os veícu-
los escolares e de serviços contratados junto a terceiros para o trans
porte dos alunos; Pagamento de despesas com impostos e taxas, peças e
serviços mecânicos.
- Atuação do Conselho de Acompanhamento e Controle Social.
- Existência e atuação da Equipe Coordenadora do PNATE.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 12.111,41

1.3.8 CONSTATAÇÃO:
Falta de utilização e de aplicação financeira dos recursos do
PNATE.

FATO:
Constatamos que a Prefeitura Municipal não utilizou os recursos
repassados à conta corrente n.º 15243-9, da agência 1596-2, do Banco
do Brasil, referentes ao PNATE Programa Nacional de Apoio ao
Transporte Escolar.
O Secretário Municipal de Administração e Finanças informou que os
recursos depositados no Banco do Brasil são automaticamente aplicados
e que faltou atenção para o fato ocorrido.
Devido à conciliação bancária feita pela tesouraria (conforme Of.
n.º 173/06 SAF, de 07 de agosto de 2006), tais recursos, no valor de
R$ 12.348,32 (doze mil, trezentos e quarenta e oito reais, trinta e
dois centavos), repassados no período de 01 de janeiro de 2005 a 11 de
junho de 2006, não foram utilizados e foram aplicados somente a partir
de 12 de junho de 2006, em desacordo com o disposto no art. 4º da
Resolução/CD/FNDE N.º 17/2004.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários da conta corrente 15243-9 PM Pirapora de Bom
Jesus PNATE.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando em anexo os comprovantes dos depósitos
relativos à aplicação financeira dos recursos do PNATE, e
Acompanhamento de Prestação de Contas (doc. 37)".

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Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A Prefeitura Municipal
encaminhou comprovante de depósito da C/C 15.243-9 PM PIR Bom
Jesus PNATE, de 13/11/2006, no valor de R$ 388,09, correspondente a
correção dos recursos recebidos e não aplicados. No entanto, no valor
ora citado deixou de ser computado a correção do montante de R$
2.097,76, conforme análise realizada na documentação de
esclarecimentos encaminhada pelo Sr. Prefeito Municipal. Além disso,
não houve esclarecimentos a respeito da não utilização dos recursos,
durante o exercício de 2005.

1.3.9 CONSTATAÇÃO:
Transferência e débito autorizado de saldos da conta-corrente
específica do PNATE sem identificação da finalidade.

FATO:
Foi transferido e ainda autorizado o débito dos saldos de R$
1.384,88, R$ 1.038,66 e R$ 346,22 em 27/08/04, 29/11/04 e 28/12/04
respectivamente, da conta-corrente específica do PNATE (c/c
nº15.243-9), no exercício de 2004.
No entanto, não foi disponibilizada a documentação que comprovasse
o destino dos respectivos valores e/ou em quais despesas foram
utilizados. Com isso, o repasse totalizando R$ 3.006,67, para a
execução do Programa no Município, finalizou o exercício com o saldo
de apenas R$ 236,91 (21/12/2004).

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta corrente específica do PNATE.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Já foi efetuado a devolução dessa verba, face a aplicação
equivocada do recurso, que em razão do lapso de tempo pequeno não foi
possível localizar (doc. 38)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificada não acatada. A Prefeitura Municipal não cumpriu com à
determinação da legislação em vigor, uma vez que a documentação
encaminhada a esta CGU não faz nenhuma referência ao fato relatado.
Além disso, não foi localizado nenhum comprovante de depósito de
devolução dos valores supracitados.

1.3.10 CONSTATAÇÃO:
Os recursos do PNATE relativos ao exercício de 2004 não foram
utilizados, nem aplicados, nem devolvidos. Prestação de Contas de 2004
apresentada ao FNDE fora do prazo e com impropriedades.

FATO:
A Prefeitura Municipal recebeu, no exercício de 2004, o valor de R$
3.006,67 para a execução do PNATE na localidade. A prestação de contas
do exercício referenciado, descumprindo o prazo estabelecido na
Resolução N.º 18/2004, foi encaminhada em 25 de julho de 2005 (Ofício
N.º 342/2005 GPJPPC), e somente após solicitação feita pela
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 47
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
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Coordenação Geral de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de
Contas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, por
meio do Ofício N.º 06145/2005/DIPRA/CGAP/DIFIN/FNDE, de 05 de maio de
2005.
Em 09 de agosto de 2005, por intermédio do Ofício N.º 11373/2005
FNDE/DIFIN/CGCAP/DIPRA, a Coordenadora Geral de Contabilidade e
Acompanhamento de Prestação de Contas restituiu a documentação
apresentada pela Prefeitura Municipal, informando que esta não foi
registrada como prestação de contas por não constar o parecer do
Conselho de Acompanhamento e Controle Social - CACS FNDE Anexo III.
Em 17 de novembro de 2005, por intermédio do Comunicado/PC2004/
PNATE/Nº001/2005, destinado ao Presidente do CACS do Município, a
Coordenadora Geral de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de
Contas informou que, após a conferência da prestação de contas, foram
constatadas as seguintes impropriedades:
- Demonstrativo da Execução Financeira (Receita e Despesa) - Anexo 12
Saldo financeiro apurado no exercício está calculado incorretamente e
o valor correspondente à "despesa realizada" está maior do que o valor
"total" (Despesa Efetivada: R$ 3.006,67; Despesa Realizada: R$
6.200,00; Saldo: R$ (-) 3.193,33).
- Relação de Pagamentos Efetuados - Anexo 9
Os cheques 851323, 850056, 997768, 997829 e 851286, totalizando o
valor de R$ 6.200,00, não constam do extrato bancário da conta
específica do PNATE (15243-9).
- Parecer Conclusivo do Conselho de Acompanhamento e Controle Social -
Anexo III
A conclusão da análise da prestação de contas não está compatível com
os dizeres e o posicionamento firmado no parecer.
A Prefeitura Municipal encaminhou nova documentação ao FNDE (Ofício
N.º 280/2006 GPJPPC) com dados alterados e novas informações:
- Demonstrativo da Execução Financeira (Receita e Despesa) - Anexo 12
Constando Saldo R$ "0".
- Relação de Pagamentos - Anexo 9
Constando apenas os cheques 851323 (R$ 2.500,00) e 850056 (R$ 506,67),
este anteriormente no valor de R$ 2.000,00.
- Parecer Conclusivo do Conselho de Acompanhamento e Controle Social -
Anexo III
Conclusão da análise da prestação de contas "regular com ressalvas",
anteriormente "regular" pela análise do Conselho.
- Justificativa apresentado pela Prefeitura, de 29 de junho de 2006.
O Prefeito Municipal e o Secretário Municipal de Administração e
Finanças informam que os recursos recebidos não foram movimentados na
conta específica do Programa, sendo que os pagamentos efetuados foram
feitos com outras contas da Prefeitura Municipal.
- Extrato bancário da conta específica do Programa, de 07/07/2006,
referente à aplicação financeira com os dados, como segue:
Saldo em 30/06/2006 ...................... R$ 1,87
Saldo de Fundos de Investimentos ........ R$ 12.419,22
Ressaltamos que o saldo constante do extrato bancário supracitado
corresponde ao saldo da conta-corrente em 31/12/2004 (R$ 236,91)
somado aos recursos repassados para o Município, no exercício de 2005
(R$4.720,00) e 2006 (R$7.391,41) acrescido de rendimentos de aplicação
financeira referente ao período de 12/06/2006 a 07/07/2006 (data do
extrato).
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 48
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Diante do exposto, constatamos que não houve comprovação de utilização
dos recursos para a execução do Programa no Município referentes ao
exercício de 2004 no valor de R$3.006,67, apesar do saldo da conta-
corrente em 31/12/2004 apresentar o valor de R$236,91. Além disso, não
houve devolução dos recursos recebidos ao FNDE.

EVIDÊNCIA:
Prestação de Contas do PNATE 2004.
Extratos Bancários 2004, 2005 e 2006.
Livro de Atas do Conselho do FUNDEF.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, os comprovantes dos depósitos
relativos à aplicação financeira. Estamos, também, enviando ofício à
Coordenadora Geral de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de
Contas (doc. 38)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificada não acatada. A Prefeitura Municipal não cumpriu com à
determinação da legislação em vigor, uma vez que a documentação
encaminhada a esta CGU foi disponibilizada e analisada "in loco", não
apresentando documento novo que pudesse alterar o fato constatado.
Além disso, não foi localizado nenhum comprovante de depósito de
devolução do valor de R$3.006,67.

1.3.11 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação da Equipe Coordenadora do PNATE.

FATO:
Em entrevista com os membros da Equipe Coordenadora do PNATE,
constatamos que estes não exerceram o papel de assessoramento à
Prefeitura Municipal, bem como não foram encontrados registros da
atuação da respectiva equipe para cumprimento das competências
previstas na legislação em vigor.

EVIDÊNCIA:
Entrevista com os membros da Equipe Coordenadora do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A Secretária Municipal de Educação declarou que os membros da
Equipe Coordenadora do PNATE estão trabalhando com empenho e
dedicação, inclusive fazendo o acompanhamento deste (doc. 39)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Declaração de que tem se demonstrado
atuante no que concerne ao desenvolvimento de ações não exime a
responsabilidade da Equipe Coordenadora do PNATE de cumprir com a
legislação em vigor, em relação ao seu papel de assessoramento à
Prefeitura Municipal. Ressalte-se que foram os próprios membros da
equipe que informaram o fato constatado.

1.3.12 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação do Conselho e da apresentação de ato normativo de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 49
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
instituição do CACS-FUNDEF.

FATO:
Não foram encontrados registros da atuação do Conselho de
Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF - Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério
CACS-FUNDEF, no acompanhamento e controle do PNATE, bem como não foi
disponibilizado o ato normativo que instituiu o respectivo Conselho na
localidade, embora solicitado pela equipe de fiscalização.

EVIDÊNCIA:
Livro de Atas do Conselho do FUNDEF.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os esclarecimentos devidos demonstrando que tal apontamento não
procede se encontram estampados no item 1.1.6 deste relatório e a eles
nos reportamos".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A Prefeitura Municipal
encaminhou cópia da Lei Nº 556/97 (criação do Conselho do FUNDEF) e
Decreto Nº 2125/2005 (indicação dos membros do Conselho do FUNDEF). No
entanto, não foi apresentada nenhuma cópia de ata de reunião do
Conselho, a qual fizesse referência aos recursos do PNATE não
utilizados nem aplicados em 2005, bem como da formalização e
encaminhamento indevidos da Prestação de Contas do Programa, relativa
ao exercício de 2005. Portanto, o Conselho não é atuante no
acompanhamento da execução do Programa Nacional de Apoio ao Transporte
Escolar, tendo em vista que não apresentou registros das falhas supra
mencionadas.

2 - 33000 MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL

2.1 - PROGRAMA
0084
ARRECADACAO DE RECEITAS PREVIDENCIARIAS
AÇÃO :
2570
AUDITORIA FISCAL DAS CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS - NA
CIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Aumentar a arrecadação da Previdência Social, mediante ação eficaz de
fiscalização e cobrança de créditos previdenciários.
ORDEM DE SERVIÇO : 182365
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Verificação da retenção e recolhimento da Contribuição Previdenciária
em favor da Previdência Social nos contratos de serviços executados
mediante cessão de mão-de-obra firmados pela prefeitura.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 683.609,16

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 50


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
2.1.1 CONSTATAÇÃO:
Ausência de retenção e recolhimento da contribuição
previdenciária.

FATO:
A Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus não tem realizado
a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da
fatura ou do recibo de prestação de serviços, bem como não tem
recolhido à Previdência Social a importância quando retida, nos casos
de serviços a ela prestados mediante cessão de mão-de-obra ou
empreitada, infringindo disposição contida na Lei n.º 8.212, de 24 de
julho de 1991, e na Instrução Normativa MPS/SRP n.º 3, de 14 de julho
de 2005.

EVIDÊNCIA:
Notas Fiscais referentes à contratação de serviços prestados
mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada:

Empresa Nota fiscal Valor(R$)


Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº124 53.700,00
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 02/06/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº127 36.700,00
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 30/06/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº134 36.730,00
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 29/07/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº146 10.942,40
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 21/10/2005
Paviter Pavimentação Terraplenagem e Nº36 40.000,00
Locações Ltda CNPJ 06.257.338/0001-00 de 12/04/2005
Paviter Pavimentação Terraplenagem e Nº12 30.400,00
Locações Ltda CNPJ 06.257.338/0001-00 de 28/04/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº128 19.777,20
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 04/07/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº132 16.580,00
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 03/08/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº143 21.680,00
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 01/09/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº144 17.994,00
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 03/10/2005
Sylvester Construção & Pavimentação Ltda Nº152 14.850,00
CNPJ 03.967.557/0001-94 de 29/12/2005
Crete Construções e Comércio Ltda Nº550 13.307,75
CNPJ 01.018.919/0001-75 de 22/07/2005
Crete Construções e Comércio Ltda Nº556 11.647,75
CNPJ 01.018.919/0001-75 de 08/08/2005
Crete Construções e Comércio Ltda Nº557 6.172,40
CNPJ 01.018.919/0001-75 de 08/08/2005
Erival Telecom. Comércio e Representações Nº21394 63.128,58
Ltda de 09/05/2006
CNPJ 64.606.486/0001-99
FIG Indústria Comércio e Construções Nº326 8.030,00
Ltda-ME CNPJ 58.060.930/0001-10 de 12/05/2005
Construtora Constulex Ltda Nº89 146.144,01
CNPJ 03.204.264/0001-55 de 07/01/2005
Construtora Constulex Ltda Nº90 121.955,07
CNPJ 03.204.264/0001-55 de 07/01/2005
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 51
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Empresa Nota fiscal Valor(R$)
CONSPAV Construção Pavimentação e Nº11 13.870,00
Comércio Ltda CNPJ 07.053.570/0001-99 de 10/05/2006

arquivo com as evidencias

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Departamento de Finanças já está procedendo ao levantamento dos
valores em que não foram realizadas as retenções, para notificação aos
mesmos, e está procedendo a retenção do percentual de 11% sobre o
valor bruto da nota fiscal, visando atender o disposto na Lei nº
8.212, de 24 de julho de 1991, bem como na Instrução Normativa MPS/SRP
nº 3, de 14 de julho de 2005".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada, pois apenas confirma que a Prefeitura
Municipal de Pirapora do Bom Jesus não tem cumprido a legislação e
efetuado o recolhimento devido.

3 - 36000 MINISTERIO DA SAUDE

3.1 - PROGRAMA
1203
VIGILANCIA EPIDEMIOLOGICA E AMBIENTAL EM SAUDE
AÇÃO :
0829
INCENTIVO FINANCEIRO AOS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MU
NICIPIOS CERTIFICADOS PARA A EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE D
E DOENCAS
OBJETIVO DA AÇÃO :
Promover ações de notificação, investigação, vigilância ambiental,
controle de doenças, imunizações, sistemas de informação, supervisão,
educação em saúde, comunicação e mobilização social na área de epide-
miologia e controle de doenças.
ORDEM DE SERVIÇO : 181742
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Execução das diversas ações do programa, pactuadas na Programação Pac-
tuada Integrada de Vigilância em Saúde - PPI/VS.
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 38.797,40

3.1.1 CONSTATAÇÃO:
Utilização dos recursos do TFVS em finalidade diversa daquela
prevista para as ações do Programa.

FATO:
Os cheques elencados a seguir referem-se à aplicação em despesas
não relacionadas com o TFVS - Teto Financeiro de Vigilância em Saúde:

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 52


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Cheque nº Valor Data Despesa
201246 R$1.740,00 24.01.2005 Diária paga à médica do
PSF
201249 R$ 894,70 21.03.2005 Peças de veículos que
não realizam trabalhos
para a vigilância
201258 R$2.575,00 04.07.2005 Cheque sacado. Não foi
apresentada documentação
referente a este
pagamento
850002 R$1.563,60 19.08.2005 Medicamentos
850004 R$1.924,40 31.08.2005 Material odontológico
201260 R$2.600,00 04.11.2005 Material médico-
hospitalar
850006 R$1.982,22 02.12.2005 Material para PSF’s
850007 R$ 840,33 24.04.2006 Manutenção de
equipamentos médicos e
odontológicos
850011 R$1.140,00 26.06.2006 Manutenção de
microônibus da
Secretaria de Educação

.
EVIDÊNCIA:
Extrato bancário. Extrato analítico emitido pelo setor de
contabilidade da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, os comprovantes dos depósitos
relativos a devolução das importâncias com finalidade adversa daquela
prevista nas ações do Programa, conforme faz prova a cópia do
comprovante de recolhimento (doc. 41)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. O ressarcimento ao erário foi
comprovado, mas não elide a iniciativa de utilizar os recursos para
pagamento de despesas não permitidas pelo Programa.

3.1.2 CONSTATAÇÃO:
Irregularidade na utilização dos recursos da vigilância
epidemiológica, configurada por pagamentos sem comprovação de
liquidação.

FATO:
Os cheques elencados a seguir referem-se a despesas sem
comprovação documental:

Cheque nº Valor Data Despesa


201258 R$2.575,00 04.07.2005 Cheque sacado. Não foi
apresentada documentação
referente a este
pagamento
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 53
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Cheque nº Valor Data Despesa
850005 R$3.000,00 30.09.2005 A nota fiscal nº 022237
refere-se a compra de
medicamento no valor de
R$360,00, porém o
pagamento foi feito com
um cheque no valor de
R$3.000,00.

Tabela 02

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário. Extrato analítico emitido pelo setor de
contabilidade da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Em relação ao pagamento do cheque nº 850005, no valor de R$
3.000,00 (três mil reais), trata-se de 3 Ordens de Pagamento
distintas, a saber: (a) Ordem de Pagamento nº 4876/3, no valor R$
360,00 (trezentos e sessenta reais, referente à Nota Fiscal nº 022237
emitida pela Comercial Rioclarense Ltda.; (b) Ordem de Pagamento nº
5398/3, no valor R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais, referente à
Nota Fiscal 022622 emitida pela Comercial Rioclarense Ltda., referente
a material utilizado pela vigilância; (c) Ordem de Pagamento nº
1047/3, no valor R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais),
referente às Notas Fiscais nºs. 022011 e 022021. Tudo isto perfaz o
valor total de R$ 3.000,00 (três mil reais)(doc. 42), sendo certo que
a importância de R$ 2.575,00 foi ressarcida (doc. 43), razão pela qual
não existe razão para prosperar dita imputação".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente.
O ressarcimento ao erário foi parcialmente comprovado. A devolução
dos recursos ou parte dos recursos não elide a iniciativa do gestor de
utilizar os recursos para pagamento de despesas não permitidas pelo
Programa.
Os recursos referentes ao pagamento de despesas no valor de
R$3.000,00, pagos com o cheque 850005, não foram devolvidos pelo
gestor. Tais recursos foram utilizados para compra de medicamentos,
conforme cópias das notas fiscais apresentadas. Esse tipo de despesa
não pode ser paga com recursos deste programa, havendo outros
programas da área de saúde cujos recursos poderiam ser utilizados para
esse fim.

3.1.3 CONSTATAÇÃO:
Transferência de recursos para outras finalidades.

FATO:
Em 21/12/2005, foi transferido da conta-corrente do Programa o
valor de R$ 2.500,00, sendo que sua devolução ocorreu em 29/12/2005.
Em 13/01/2006, houve uma transferência de saldo no valor de R$
2.200,00, não constando no extrato, até julho de 2006, qualquer
devolução referente a tal valor.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 54
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
EVIDÊNCIA:
Extrato bancário. Extrato analítico emitido pelo setor de
contabilidade da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, os comprovantes dos depósitos
relativos à devolução dessas importâncias, confirmando que em razão do
pequeno lapso de tempo, não foi possível levar essa apuração até o seu
final, sendo que administrativamente estamos promovendo à apuração e
aplicação para, posteriormente, se comprovada, solicitar a sua
devolução (doc. 44)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente.
O ressarcimento ao erário foi comprovado, porém a devolução dos
recursos não elide a falta de controle do gestor na utilização dos
recursos do Programa.
Além disso, não apresentou justificativas para a transferência do
valor de R$ 2.500,00, ocorrida no dia 21/12/2005 e devolvida em
29/12/2005.

3.1.4 CONSTATAÇÃO:
Inadequabilidade das instalações do Setor de Vigilância Sanitária
e Epidemiológica.

FATO:
A área administrativa dos setores de Vigilância Sanitária e
Epidemiológica ocupam mesma área destinada ao depósito de inseticidas
e materiais.
O local em que funcionam as atividades administrativas deve
abrigar os funcionários que ali trabalham e ter espaço disponível para
acomodar, orientar ou passar o serviço para os agentes que vão a
campo.
O local onde são guardados os inseticidas não pode estar sujeito
às intempéries, deve ser de acesso restrito, ter boa ventilação, deve
ter armazenamento e controle adequados sem implicar riscos de
contaminações ou danos ambientais.
O local onde são guardados os materiais e EPI deve ser diferente
do local de armazenamento de inseticidas para que não haja
contaminação.

EVIDÊNCIA:
Visita ao local.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Efetivamente o local não é o mais apropriado. Contudo, esse local
é provisório, e a partir de janeiro de 2007 os setores de Vigilância
Sanitária e Epidemiológica estarão locados em outro espaço, onde
haverá condições de separar os locais em administração, atendimento ao
público, guarda de materiais, armazenamento de inseticidas, de forma
adequada e sem prejuízos para o trabalho ou para os funcionários. Este
espaço estará disponível a partir de meados de dezembro, e estaremos
em condições de ocupá-lo até janeiro de 2007. Quando tal ocorrer, será
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 55
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
comunicado à CGU.
Informamos que o novo local destinado é onde funciona, atualmente,
a fisioterapia que se encontra anexo a este prédio, atividade esta que
irá ocupar o novo Centro de Reabilitação e Especialidades.
Podemos afirmar, todavia, que em nenhum momento o serviço do setor
está sendo prejudicado, fornecendo à população um serviço de
qualidade, afastando-se assim tal apontamento".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
O gestor reconhece que o local onde funciona a Vigilância
Sanitária e Epidemiológica não é adequado.
Além disso, as medidas de correção adotadas pelo gestor, como a
mudança do local, não elidem o fato apontado.

3.1.5 CONSTATAÇÃO:
Utilização indevida de veículo.

FATO:
Conforme informações prestadas pela Secretaria de Saúde, em
resposta à Solicitação de Fiscalização - SF n.º 02/2006, nas
atividades do Programa são utilizadas 2 Kombis e 2 Corsas.
Porém, de acordo com informações constantes do formulário de
controle utilizado pelo Setor de Transporte, o veículo Corsa, placa
BNZ 0529, não está sendo utilizado na realização das ações e serviços
previstos no Programa.

EVIDÊNCIA:
Controle de veículos do Setor de Transportes.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O veículo foi utilizado para transporte ambulatorial de alguns
pacientes, por pouco tempo, já que o veículo que fazia este tipo de
atividade encontrava-se em manutenção, não se podendo deixar de
atender o munícipe que necessita do transporte para levá-lo ao seu
tratamento, correndo o risco de prejudicar seu tratamento. É
necessário salientar que apesar do veiculo não estar sendo usado
exclusivamente pela Vigilância, ele estava a serviço da população
necessitada, cumprindo esclarecer que o Sistema de Saúde é único.
O veículo já retornou para os trabalhos ligados à Vigilância,
conforme comprovante em anexo. (doc. 45).
Seria totalmente inadmissível alegar qualquer desvio de finalidade
quando, na verdade, o veículo estava sendo utilizado em favor da
população que não poderia deixar de ser atendida. A real intenção do
convênio é que deve prevalecer, ou seja, o de bem servir a população.
Ademais, a cidade de Pirapora do Bom Jesus não possui nenhum caso
de dengue, o que comprova que a cidade possui amplo controle sobre
essa epidemia, ratificando assim a improcedência da denúncia (doc.
46)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
O gestor reconheceu que o veículo não estava sendo utilizado nas
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 56
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
atividades do Programa.

3.1.6 CONSTATAÇÃO:
Cumprimento parcial de metas pactuadas.

FATO:
O Município de Pirapora do Bom Jesus não atingiu as metas
relativas às ações de vigilância em saúde, pactuadas na Programação
Pactuada Integrada (PPI VS), referente ao exercício de 2005, conforme
demonstra o quadro a seguir (lista exemplificativa):

Meta Realizado
Indicador
2005 2005
Proporção de casos de doenças de
notificação compulsória encerrados 80,00 25,00
oportunamente
Proporção de casos de doenças
exantemáticas (sarampo + rubéola) 80,00 25,00
investigados em 48 horas
Proporção de surtos de doenças
transmitidas por alimentos investigados 70,00 Zero
oportunamente
Proporção de casos de sarampo e rubéola
80,00 Zero
investigados laboratorialmente
Proporção de pontos estratégicos
95,00 73,15
pesquisados para o controle da dengue.
Proporção de armadilhas pesquisadas. 100,0
65,69
0
Proporção de gatos vacinados em relação a
80,00 58,66
população de gatos estimada
Proporção de amostras de SNC de gatos
encaminhadas para diagnóstico 3,00 Zero
laboratorial para detecção da raiva
Proporção de óbitos captados pelo SIM 100,0
81,25
0

Tabela 03

EVIDÊNCIA:
Controle de veículos do Visita ao local.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"As informações que constam da tabela apresentada possuem algumas
distorções que foram corrigidas, e outras que o programa não permite.
Vejamos:

Indicador Meta 2005 Realizado Comentário


2005
Proporção de casos de 80,00 25,00 No ano de 2005 tivemos 4
doenças de casos mas apenas 1
notificação encerrado oportunamente
compulsória em conseqüência de
encerrados atraso do registro dos

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 57


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Indicador Meta 2005 Realizado Comentário
2005
oportunamente dados sobre o
encerramento no sistema
de informação, falha
técnica que não será
repetida no próximo ano,
pois a técnica foi
capacitada
principalmente em
relação aos prazos para
encerramento das
notificações que havia
desconhecimento destes
prazos.
Proporção de casos de 80,00 25,00 Apesar de ser
doenças exantemáticas apresentado no relatório
(sarampo + rubéola) da auditoria como 25,00,
investigados em 48 na realidade o número
horas apresentado foi zero,
mas que não significa
que nenhum caso foi
investigado, mas sim que
não tivemos casos no ano
de 2005, e o sistema não
permite deixar em branco
– anexo documento
comprobatório. (anexo
II)
Proporção de surtos 70,00 zero A anotação zero não
de doenças significa que nenhum
transmitidas por surto foi investigado,
alimentos mas sim que não houve
investigados surto de doenças
oportunamente transmitidas por
alimentos no ano de
2005, o programa não
permite deixar em
branco, ou colocar
informações do tipo não
houve casos, anexo
documento comprobatório.
(anexo II)
Proporção de casos de 80,00 zero A anotação zero não
sarampo e rubéola significa que nenhum
investigados caso foi investigado,
laboratorialmente mas sim que não houve
caso dessas doenças no
ano de 2005, o programa
não permite deixar em
branco, ou colocar
informações do tipo não
houve casos, anexo
documento comprobatório.
(anexo II)
Proporção de pontos 95,00 73,15 Este indicador ficou
estratégicos prejudicado pela
pesquisados para o inadequação em relação a
controle da dengue coleta de dados e pelo

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 58


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Indicador Meta 2005 Realizado Comentário
2005
atraso na alimentação do
Sistema SISAED,
atualmente estamos
corrigindo esta falha
com melhor capacitação
da equipe responsável
pela ação.
Proporção de 100,00 65,69 Indicador prejudicado
armadilhas pela falta temporária de
pesquisadas veículo para execução da
ação e inadequação na
coleta dos dados, falha
corrigida.
Proporção de gatos 80,00 58,66 Falha na sensibilização
vacinados em relação da população para a
à população de gatos importância da
estimada imunização da população
de felinos, e
dificuldade operacional
para captura e
imunização desta
população.
Proporção de amostras 3,00 zero Neste indicador
de SNC de gatos realmente não cumprimos
encaminhadas para a meta por termos
diagnostico dificuldades de capturar
laboratorial para gatos errantes para
detecção da raiva encaminhamento ao
Instituto Pasteur
Proporção de óbitos 100,00 81,25 Esta meta não foi
captados pelo SIM atingida por sub-
registro das informações
em atraso na chegada das
mesmas, com isso há
atraso na digitação ou
perda de dados. A
diretoria regional de
saúde atrasa no envio
das informações, em
média 4 meses, o
Hospital Geral de
Itapevi, que é
referencia para o
município não envia as
informações ao
município, sendo assim,
contamos apenas com as
informações em tempo
real fornecidas pelo
cartório localizado no
município. Assunto vem
sendo discutido a nível
regional para corrigir
erros e distorções”.

tabela

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 59


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Conforme constou na manifestação da Prefeitura, algumas metas não
foram totalmente atingidas.
Além disso, algumas falhas foram referentes ao sistema, porém
outras foram resultado de equívocos na alimentação do sistema de
acompanhamento das metas.

3.2 - PROGRAMA
1214
ATENCAO BASICA EM SAUDE
AÇÃO :
0587
ATENDIMENTO ASSISTENCIAL BASICO NOS MUNICIPIOS BRASILEI
ROS - NO ESTADO DE SAO PAULO
OBJETIVO DA AÇÃO :
Ampliar o acesso da população rural e urbana à atenção básica, por
meio da transferência de recursos federais, com base em um valor
per capita, para a prestação da assistência básica, de caráter
individual ou coletivo, para a prevenção de agravos, tratamento
e reabilitação, levando em consideração as disparidades regionais.
ORDEM DE SERVIÇO : 181685
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Habilitação dos municípios para o recebimento dos recursos do
Piso de Atenção Básica; Repasse de recursos financeiros do Fundo
Nacional de Saúde para os Fundos Municipais de Saúde ou,
excepcionalmente, para os Fundos Estaduais de Saúde.
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 282.547,65

3.2.1 CONSTATAÇÃO:
Falhas nos procedimentos licitatórios.

FATO:
O objeto da Tomada de Preços TP n.º 001/2005 era a contratação de
empresa para fornecimento de medicamentos (125 itens) para entrega
parcelada, pelo período de 12 meses. O processo foi realizado no
período de 21/06/2005 a 27/07/2005. O contrato foi assinado em
03/08/2005.
Nesta licitação foram verificadas as seguintes impropriedades:
a) O resumo do edital do processo licitatório foi publicado no Diário
Oficial do Estado de São Paulo - DOE, porém não houve publicação em
jornal de grande circulação, em desobediência ao disposto no inciso
III do art. 21 da Lei n.º 8.666/93. Este fato pode ter contribuído
para que, embora no processo licitatório estejam anexadas as Guias de
Recolhimento no valor de R$ 20,00 em nome de 7 empresas a seguir
relacionadas, apenas as empresas Comercial Cirúrgica Rioclarense e
Vital Hospitalar apresentaram proposta:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 60
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- Parâmetro Comércio, Importação e Exportação Ltda.
CNPJ 05.904.533/0001-11 (na fazenda estadual e federal, a
atividade desta empresa está cadastrada como comércio atacadista de
outros produtos alimentícios);
- Centro Vale Comércio de Produtos Hospitalares Ltda.
CNPJ 53.611.125/0001-14;
- Comercial Cirúrgica Rioclarense Ltda.
CNPJ 67.729.178/0001-49;
- Cotamed Farmacêutica Ltda.
CNPJ 05.061.324/0001-53;
- Dakfilm Comercial Ltda.
CNPJ 61.613.881/0001-00 (na fazenda estadual e federal, a
atividade desta empresa está cadastrada como comércio atacadista de
instrumentos e materiais médico-cirúrgico, hospitalares e
laboratoriais).
Ressalte-se que esta empresa (Dakfilm), conforme relatado em outro
ponto, participou das licitações Carta Convite n.º 062/2002, 048/2003,
019/2004 e n.º 033/2005, referentes à aquisição de materiais
médico-hospitalares, tendo vencido as 3 últimas em todos os itens e
vencido parcialmente a Carta Convite n.º 062/2002. Deve-se considerar
que nesses certames houve restrição à competitividade, conforme
tratado em ponto específico neste relatório;
- Bontempo Distribuidora de Medicamentos Ltda.
CNPJ 05.218.166/0001-00;
- Vital Hospitalar Comercial Ltda.
CNPJ 61.610.283/0001-88.
.
Além disso, dos 125 itens constantes do edital, 10 ficaram sem
cotação.
Após julgamento das propostas (menor preço por item), o resultado
da licitação ficou assim distribuído:
- Rioclarense R$ 165.422,00;
- Vital Hospitalar R$ 228.889,82, totalizando R$ 394.311,82.
.
b) Não foi apresentada estimativa prévia dos preços dos itens
constantes da proposta. Deve-se observar que as contratações públicas
somente poderão ser efetivadas após estimativa prévia do seu valor,
que deve obrigatoriamente ser juntada ao processo de contratação e,
quando for o caso, ao edital ou convite. Entre outros objetivos, a
apresentação da estimativa serve para que se verifique se há recursos
orçamentários suficientes para pagamento da despesa com a contratação;
c) Com relação à qualificação econômico-financeira, o artigo 31,
inciso III, da Lei n.º 8.666/93, estabelece que a garantia será
limitada a 1% do valor estimado do objeto da contratação. Porém, em
decorrência da ausência de estimativa de preços, não há como verificar
se a exigência de garantia no valor de R$ 5.130,00, supera o limite de
1% do valor estimado;
d) Também em decorrência da ausência de estimativa de preços, não há
como verificar se a exigência de capital social mínimo, no valor de R$
51.300,00, supera o limite de 10% do valor estimado;
e) Ainda em decorrência da ausência de estimativa de preços, não há no
processo licitatório manifestação da compatibilidade dos preços das
propostas com os do mercado, conforme estabelece o artigo 43, inciso
IV da Lei n.º 8.666/93. Conforme pesquisa efetuada no site
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 61
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
www.farma.saude.sp.gov.br da Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo, verificou-se que os preços dos medicamentos ofertados na TP n.º
001/2005 estão acima dos registrados nas atas de registros de preço
com relação a 22 medicamentos pesquisados. Não foi possível verificar
os preços dos outros 93 itens por não apresentarem cotação nesse site;
f) Não está anexada ao processo licitatório a apresentação da garantia
para execução do contrato equivalente a 3% do valor, conforme previsto
no edital;
g) A Prefeitura não está efetuando os pagamentos conforme estabelecido
na cláusula V do contrato, que prevê pagamento em até 30 dias após
entrega dos medicamentos. Conforme relatório do Setor de Contabilidade
da Prefeitura, os valores lançados referentes a despesas amparadas por
esta TP 01/2005 foram:
- Vital (em 2005):
Valor empenhado: R$ 75.335,28
Valor pago: R$ 10.000,00
- Vital (em 2006):
Valor empenhado: R$ 218.889,82
Valor pago: R$ 58.188,52
- Rioclarense (em 2005):
Valor empenhado: R$ 39.936,20
Valor pago: R$ 5.000,00
- Rioclarense (em 2006):
Valor empenhado: R$ 160.422,00
Valor pago: R$ 25.978,82.

EVIDÊNCIA:
Tomada de Preços TP nº 001/2005

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A Tomada de Preço nº 01/2005 atendeu aos ditames da Lei de
Licitações (8666/93), sendo certo afirmar que não há que se admitir
que o fato de haver publicação somente no DOE criara qualquer
restrição à competitividade, uma vez que pelo menos 07 empresas
adquiriram os editais, recolhendo, para tanto, a importância de R$
20,00 (vinte reais), oportunidade em que analisaram os requisitos do
edital e, por sua conveniência ou desinteresse, ou porque não
preenchiam os requisitos exigidos, não participaram dos certames.
Nessa licitação foram apresentadas propostas pelas empresas
Comercial Cirúrgica Rio Clarense e Vital Hospitalar, as quais
encontravam-se em conformidade com o edital (aliás, afixado no no
local de costume).
A Prefeitura atuou de forma transparente e aberta, com sessões
publicas em local aberto, tendo observado todos os prazos legais
exigidos pela Lei Federal nº 8666/93.
Neste sentido, o STJ já se manifestou pela legalidade da
contratação até mesmo sem publicação no DOE, conforme acórdão abaixo:
.
"REsp 287727 / CE ; RECURSO ESPECIAL - 2000/0118834-8 -
Relator(a) Ministro MILTON LUIZ PEREIRA (1097) Órgão Julgador T1 -
PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 24/09/2002 Data da Publicação/Fonte
DJ 14.10.2002 p. 190 Ementa Administrativo. Licitação. Vinculação às
Cláusulas Editalícias. Publicidade Somente no Jornal de Grande
Circulação Local. Ausência de Prejuízo. Prevalência do Interesse
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 62
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Público. Lei 8.666/93 (art. 49).
.
1. Demonstrada a suficiente abrangência publicitária da
licitação e ausente alegação objetiva de prejuízo, prevalece o
interesse público, como chancelador da legalidade do ato, perdendo
significado a irregularidade ocorrida. 2. Recurso sem provimento.
.
Embora não tenha sido juntada a estimativa prévia dos preços dos
itens constantes da proposta, ela efetivamente existe, encontrando-se
arquivada junto ao processo do Edital da TP 001/2005. A garantia,
conforme inciso III, art. 31, da Lei Federal 8.666/93, alterada pela
Lei nº 8.883/94, foi de R$ 5.130,00 (cinco mil cento e trinta reais).
O item 09 do referido Edital, na letra "e", exigiu a rova de capital
social mínimo de R$ 51.300,00 (cinqüenta e um mil reais), devidamente
integralizado e registrado na Junta Comercial até a data da abertura
do Envelope nº 01 (habilitação), conforme artigo 31 da Lei 8.666/93.
Fica claro que o custo estimado da contratação, pelo período de
12 (doze) meses, foi de R$ 513.000,00 (quinhentos e treze mil reais),
e este valor não foi aleatório, mas fundamentado em uma planilha de
preços que teve como parâmetro a tabela ABCFARMA e o Guia
Farmacêutico Brasíndice.
A alegação de que a empresa DAKFILM participou das licitações na
modalidade Carta Convite de nº 063/2002, 048/2003, 019/2004 e
033/2005, e de que venceu as três últimas em todos os itens, vencendo
ainda parcialmente a carta convite 062/2002, não leva obrigatoriamente
a uma ilegalidade. Embora não esteja anexada ao processo, foi
realizada uma consulta prévia de preço (que se encontra na pasta
própria) de todos os itens constantes das propostas, já que todos os
procedimentos licitatórios são analisados pelo setor competente da
Administração e precedido do pedido de reserva de dotação.
O valor estimado dessa contratação foi de R$ 513.000,00
(quinhentos e treze mil reais). Conforme estabelece o item 6.1 do
Edital, o valor para participar da licitação (garantia) foi de 1% (um
por cento); e como se verifica no item 6.2, a garantia para a execução
do contrato foi de 3% do mesmo valor.
Conforme se verifica no item 3. DOS RECURSOS FINANCEIROS, se
verifica que a reserva de dotação foi para o período de 06 (seis)
meses, pois o Edital estabelece que a diferença deveria ser consignada
no exercício de 2006 (seguinte).
Fica afastada, assim, a acusação imputada, tendo a Administração
atendido todos os requisitos da legislação federal aplicável. Ainda
assim, por cautela, foi determinada a apuração do ocorrido em
apartado, por procedimento administrativo próprio".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada conforme análise a seguir:
-item "a"
A publicação apenas no DOE não atende o estabelecido na lei
8.666/1993. Nesse sentido, há vários acórdãos do Tribunal de Contas da
União-TCU:
"Sempre publicar os editais de concorrência e tomada de preços em
jornal de grande circulação, conforme previsto nos incisos II e III do
art. 21 da Lei 8.666/1993 e Decisão 1.295/2002 - Plenário - TCU, Ata
35, de 25/9/2002.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 63
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Acórdão 583/2005 Segunda Câmara"
"Inclua, nos procedimentos licitatórios, a publicação do resumo do
Edital em jornal de grande circulação, conforme artigo 21, III, da Lei
nº 8.666/1993.
Acórdão 166/2005 Segunda Câmara"
"Proceda à publicação dos resumos dos editais dos processos
licitatórios na
imprensa oficial e em jornal diário de grande circulação, conforme o
disposto no art. 21, inciso III, da Lei nº 8.666/1993, observando o
prazo mínimo estabelecido no § 2º do mesmo artigo para o recebimento
das propostas ou realização do evento.
Acórdão 712/2003 Segunda Câmara"
Com relação ao fato de estar anexada ao processo uma guia de
recolhimento em nome da Dakfilm, realmente não configura uma
ilegalidade e não foi apontado como tal neste item. A observação
quanto a participação desta empresa foi com o intuito de ressaltar que
a mesma já havia participado de outros certames promovidos pela
Prefeitura, sendo que nos certames citados houve restrição à
competitividade, conforme relatado em ponto específico deste relatório
e onde inclusive, na justificativa, a própria prefeitura aventa a
hipótese de a empresa ter agido em conluio com outras duas.
Também o que se verificou é que a Dakfilm, conforme pesquisa
efetuada na internet, tem participado de licitação em outros
municípios para fornecer equipamentos médico-hospitalares, mas não
para fornecer medicamentos.
Com relação aos recibos dos depósitos em nome das empresas,
anexados ao processo, os mesmos não comprovam efetivamente a retirada
dos editais e não há qualquer outro documento com identificação e
assinatura dos representantes das empresas que possam comprovar esse
fato.
.
-item "b", "c", "d" e "e"
Embora a prefeitura alegue que foi realizada uma estimativa prévia
dos preços dos itens constantes da proposta, e que, com base nessa
pesquisa estipulou-se o valor da garantia para participar da licitação
(1%) e o valor da garantia para a execução do contrato (3%), essa
estimativa não foi apresentada e também não constava do processo
licitatório.
Nesse sentido, as recomendações do Tribunal de Contas da União-TCU
são:
"Realize pesquisa de preços como forma de cumprir a determinação
contida no art. 43, inciso IV, da Lei de Licitações, fazendo constar
formalmente dos documentos dos certames a informação sobre a
equivalência dos preços.
Acórdão 301/2005 Plenário"
"Realização de ampla pesquisa de preços no mercado, a fim de estimar o
custo do objeto a ser adquirido, definir os recursos orçamentários
suficientes para a cobertura das despesas contratuais e servir de
balizamento para a análise das propostas dos licitantes, em harmonia
com os arts. 7º, § 2º, inciso III, e 43, incisos IV e V, todos da Lei
8.666/1993.
Acórdão 1182/2004 Plenário"
"Elabore orçamento com vistas à estimativa de custos do objeto
licitado, prévio à fase externa da licitação, estimado em planilhas de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 64
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
quantitativos e preços unitários, elemento integrante do edital,
conforme exigido no art. 40, § 2º, inciso II, e 43, inciso IV, da Lei
nº 8.666/1993.
Acórdão 861/2004 Segunda Câmara"
"Promova, em todos os procedimentos licitatórios, a realização, de
pesquisa de preços em pelo menos duas empresas pertencentes ao do
objeto licitado ou
consulta a sistema de registro de preços, visando aferir a
compatibilidade dos preços propostos com os praticados no mercado, nos
termos do disposto no inciso V, § 1º, art. 15 e inciso IV, art. 43, da
Lei nº 8.666, de 1993 e Decisões nºs 431/1993-TCU Plenário,
288/1996-TCU Plenário e 386/1997-TCU Plenário.
Acórdão 828/2004 Segunda Câmara"
.
-item "f"
A prefeitura não apresentou justificativas para este item. Não
está anexada ao processo licitatório a apresentação da garantia para
execução do contrato equivalente a 3% do valor, conforme previsto no
edital.
.
-item "g"
A prefeitura não apresentou justificativas para este item. A
Prefeitura não está efetuando os pagamentos conforme estabelecido na
cláusula V do contrato, que prevê pagamento em até 30 dias após
entrega dos medicamentos.

3.2.2 CONSTATAÇÃO:
Compra de medicamentos com preços acima do registrado na ata de
registro de preços no "site" da Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo.

FATO:
O objeto da Tomada de Preços TP n.º 001/2005 era a contratação de
empresa para fornecimento de medicamentos (125 itens) para entrega
parcelada, pelo período de 12 meses.
Não foi apresentada estimativa prévia dos preços dos itens
constantes da proposta. Deve-se observar que as contratações públicas
somente poderão ser efetivadas após estimativa prévia do seu valor,
que deve obrigatoriamente ser juntada ao processo de contratação e,
quando for o caso, ao edital ou convite. Não há no processo
licitatório manifestação da compatibilidade dos preços das propostas
com os do mercado.
Conforme pesquisa efetuada no site www.farma.saude.sp.gov.br da
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (comparativo a seguir),
verificou-se que os preços de 22 dos 115 medicamentos cotados na TP
n.º 001/2005 estão acima dos registrados nas atas de registros de
preço.
Não foi possível verificar os preços dos outros 93 itens por não
apresentarem cotação nesse site.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 65


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Item Nome do medicamento Menor Preço no variação
do Preço da site
edital TP 01/2005
8 Amicacima, Sulfato 1,10 0,30 +267%
100mg/ml
9 Amicacima, Sulfato 1,80 0,60 +200%
500mg/ml
11 Aminofilina – 24mg/ml 0,68 0,26 +161%
15 Benzilpenicilina 4,36 1,44 +203%
Potássica 5.000.000 UI
17 Bicarbonato de Sódio 0,80 0,34 +135%
8,4%
26 Cefalotina sódica – 1g 2,85 1,07 +166%
31 Cloreto de potássio – 0,29 0,11 +163%
19,1%
33 Cloreto de sódio – 20% 0,28 0,107 +161%
47 Deslanosido – inj.2 ml 1,10 0,69 +59%
49 Dexametasona – 4mg/ml 1,39 0,49 +183%
55 Diclofenaco de sódio – 0,42 0,179 +134%
25mg/ml
63 Fenitoina – 50mg/ml 2,19 0,72 +204%
66 Fitometadiona – inj. 1,05 0,30 +250%
1ml
68 Furosemida – 10mg/ml 0,36 0,1924 +87%
70 Glicose – 25% 0,28 0,134 +108%
71 Glicose – 50% 0,30 0,143 +109%
72 Gluconato de cálcio – 1,35 0,825 +63%
inj. 10ml
73 Haloperidol – 5mg 3,01 0,40 +652,5%
74 Heparina sódica 1,47 0,3456 +325%
5.000UI/0,25ml
76 Hidrocortisona – inj. 2,16 0,90 +140%
100mg
77 Hidrocortisona – inj. 6,42 2,08 +208%
500mg
91 Nifedipina – 10mg 0,14 0,08 +75%
Sublingual

EVIDÊNCIA:
TP nº 001/2005.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Em relação à Tomada de Preços TP nº 001/2005, trata-se de
procedimento para a contratação de empresa para fornecimento de
medicamentos (125 itens) para entrega parcelada, pelo período de 12
meses.
A pesquisa foi efetuada no site www.farma.saude.sp.gov.br da
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (comparativo a seguir), que
verificou os preços de 22 dos 115 medicamentos cotados na TP n.º
001/2005, afirmando a CGU que está acima dos registrados nas atas de
registros de preço.
Na ata de registro de preços, a redução dos preço dos medicamentos
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 66
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
se deve ao seguintes fatores:
.
1. elevada quantidade de medicamentos;
2. medicamentos adquiridos do próprio governo;
3. medicamentos genéricos;
4. pagamentos à vista;
5. Isenção do ICMS;
6. Reajustes que os medicamentos sofrerão ao longo dos 12 (doze)
meses.
.
Nos 22 medicamentos que o auditor procedeu a verificação dos
preços da TP nº 001/2005, que afirma que estão acima dos registrados
nas atas de registros de preço, não é verdade pois senão passamos a
verificar os preços dos mesmos medicamentos de acordo com a tabela
aprovada pela Resolução n.º da ABCFARMA, onde extraímos os preços
tanto do fabricante como o preço máximo para venda, Vejamos:
.
Se pegarmos como referência a lista de preços da ABCFARMA teremos os
seguinte preços

Item Nome do Medicamento Menor Valor Valor Lista


o Preço da Fabri- Maximo
Edtal TP n.º cante
01/2005
8 Amicacima, Sulfato 1,10 2,78 3,84 Abcfarma
100mg/ml pág.20
9 Amicacima, Sulfato 1,80 7,58 10,48 Abcfarma
500mg/ml pág.20
11 Aminofilina – 24mg/ml 0,68 1,74 2,41 Abcfarma
pág.20
Benzilpenicilina Abcfarma
15 Potássica 5.000.000 4,36 4,51 6,24 pág.34
UI
17 Bicarbonato de Sódio 0,80 0,52 0,73 Abcfarma
8,4% Pág.37
26 Cefalotina sódica – 2,85 2,38 3,29 Abcfarma
1g Pág.48
31 Cloreto de potássio – 0,29 0,51 0,70 Abcfarma
19,1% pág.58
33 Cloreto de sódio – 0,28 0,50 0,69 Abcfarma
20% pág.58
47 Deslanosido – inj.2 1,10 0,82 1,13 Abcfarma
ml pág.45
49 Dexametasona – 4mg/ml 1,39 5,11 7,06 Abcfarma
pág.69
55 Diclofenaco de sódio 0,42 0,68 0,94 Abcfarma pág.
– 25mg/ml 71
63 Fenitoína – 50mg/ml 2,19 1,97 2,73 Abcfarma
pág.105
66 Fitometadiona – inj. 1,05 2,19 3,02 Abcfarma pág.
1ml 114
68 Furosemida – 10mg/ml 0,36 0,48 0,67 Abcfarma
pág.96
70 Glicose – 25% 0,28 0,56 0,78 Abcfarma pág.
102
71 Glicose – 50% 0,30 0,60 0,83 Abcfarma
pág.102
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 67
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22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Item Nome do Medicamento Menor Valor Valor Lista
o Preço da Fabri- Maximo
Edtal TP n.º cante
01/2005
72 Gluconato de cálcio – 1,35 0,89 1,23 Abcfarma pág.
inj. 10ml 102
73 Haloperidol – 5mg 3,01 2,10 2,90 Abcfarma
pág.104
74 Heparina sódica 1,47 1,44 1,98 Abcfarma pág.
5.000UI/0,25ml 119
76 Hidrocortisona – inj. 2,16 3,29 4,54 Abcfarma
100mg pág.63
77 Hidrocortisona – inj. 6,42 7,94 10,98 Abcfarma pág.
500mg 63
91 Nifedipina – 10mg 0,14 0,46 0,64 Abcfarma
Sublingual pág.142

Convém também verificar a cotação tendo como referência a tabela do


guia farmacêutico Braslndice (doc. 47)

Item o Menor Valor Lista


Edtal Nome do Medicamento Preço da Maximo
TP n.º
01/2005
8 Amicacima, Sulfato 1,10 1,52 BRASILÍNDICE
100mg/ml pág.106
9 Amicacima, Sulfato 1,80 4,95 BRASILÍNDICE
500mg/ml pág. 106
11 Aminofilina – 24mg/ml 0,68 0,77 BRASILÍNDICE
pág. 106
Benzilpenicilina BRASILÍNDICE
15 4,36 6,25
Potássica 5.000.000 UI pág. 113
17 Bicarbonato de Sódio 8,4% 0,80 0,86 BRASILÍNDICE
pág. 114
26 Cefalotina sódica – 1g 2,85 3,30 BRASILÍNDICE
pág.120
31 Cloreto de potássio – 0,29 DIVERSOS BRASILÍNDICE
19,1% pág.125
33 Cloreto de sódio – 20% 0,28 DIVERSOS BRASILÍNDICE
pág. 125
47 Deslanosido – inj.2 ml 1,10 1,13 BRASILÍNDICE
pág. 119
49 Dexametasona – 4mg/ml 1,39 NÃO CONTA BRASILÍNDICE
NÃO COTA
55 Diclofenaco de sódio – 0,42 DIVERSOS BRASILÍNDICE
25mg/ml pág.133 e 134
63 Fenitoína – 50mg/ml 2,19 NÃO BRASILÍNDICE
POSSUI NÃO POSSUI
COTAÇÃO COTAÇÃO
66 Fitometadiona – inj. 1ml 1,05 2,72 BRASILÍNDICE
pág.194
68 Furosemida – 10mg/ml 0,36 DIVERSOS BRASILÍNDICE
pág. 146
70 Glicose – 25% 0,28 DIVERSOS BRASILÍNDICE
pág. 148
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 68
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Item o Menor Valor Lista
Edtal Nome do Medicamento Preço da Maximo
TP n.º
01/2005
71 Glicose – 50% 0,30 DIVERSOS BRASILÍNDICE
pág 148
72 Gluconato de cálcio – 1,35 1,20 BRASILÍNDICE
inj. 10ml pág. 148
73 Haloperidol Injetavel – 3,01 3,64 BRASILÍNDICE
5mg pág. 149
74 Heparina sódica 1,47 1,82 BRASILÍNDICE
5.000UI/0,25ml pág. 103
76 Hidrocortisona – inj. 2,16 3,48 BRASILÍNDICE
100mg pág. 130
77 Hidrocortisona – inj. 6,42 7,99 BRASILÍNDICE
500mg pág.130
91 Nifedipina – 10mg 0,14 0,46 BRASILÍNDICE
Sublingual pág. 103

Quanto aos pagamentos efetuados em atraso dos medicamentos,


conforme afirma o nobre auditor, justificamos que estes são efetuados
com recursos federais e de acordo com a disponibilidade financeira do
Município.
Portanto as despesas com medicamentos bancadas com recursos da
União não sofrem e nem nunca sofreram atrasos.
Assim ficou devidamente demonstrado que não ocorreu nenhum
prejuízo ao erário, que os preços são compatíveis com os de mercado e
que o procedimento seguido para aquisição destes obedeceu aos termos
da lei".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Os preços registrados nos sites do Ministério da Saúde (BPS-Banco de
Preços) e do Governo do Estado de São Paulo (BEC-SP) referentes aos
preços dos medicamentos adquiridos por alguns órgãos, também revelam
que os preços dos medicamentos adquiridos pela Prefeitura de Pirapora
do Bom Jesus estão acima dos praticados no âmbito do administração
pública.
As publicações Brasilíndice e Abcfarma utilizadas como referência pela
Prefeitura aplicam-se à venda feita no comércio varejista pelas
farmácias.

3.2.3 CONSTATAÇÃO:
Falhas nos procedimentos licitatórios.

FATO:
O objeto da Tomada de Preços TP n.º 003/2005 era a contratação de
empresa para fornecimento de material de consumo técnico-hospitalar e
ambulatorial (153 itens) para entrega parcelada, pelo período de 12
meses. O processo foi realizado no período de 21/06/2005 a 15/08/2005.
Nesta licitação foram verificadas as seguintes impropriedades:
a) O resumo do edital do processo licitatório foi publicado apenas no
Diário Oficial do Estado de São Paulo - DOE, sem publicação em jornal

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 69


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
de grande circulação, em desobediência ao disposto no inciso III do
art. 21 da Lei n.º 8.666/93. Este fato pode ter contribuído para que,
embora no processo licitatório estejam anexadas as Guias de
Recolhimento no valor de R$ 20,00 em nome das 12 empresas a seguir
listadas, apenas as empresas Comercial Cirúrgica Rioclarense e Dakfilm
apresentaram proposta para a maioria dos itens sendo que a Vital
Hospitalar cotou 7 dos 153 itens e a IBF cotou 8 dos 153 itens. As
Guias de Recolhimento estão em nome das empresas:
- Parâmetro Comércio, Importação e Exportação Ltda.
CNPJ 05.904.533/0001-11 (na fazenda estadual e federal, a
atividade desta empresa está cadastrada como "comércio atacadista de
outros produtos alimentícios");
- Biolab Sanus Farmacêutica Ltda.
CNPJ 49.475.833/0010-99;
- União Química Farmacêutica Nacional S.A.
CNPJ 49.475.833/0010-99;
- Centro Vale Comércio de Produtos Hospitalares Ltda.
CNPJ 53.611.125/0001-14;
- Mogami Importação e Exportação Ltda.
CNPJ 50.247.071/0001-61;
- Cirúrgica União Ltda.
CNPJ 04.063.331/0001-21;
- King Limp Com. Produtos de Limpeza Ltda.
CNPJ 38.841.433/0001-42 (na Receita Federal, a atividade desta
empresa está cadastrada como "Comércio atacadista de produtos de
higiene, limpeza e conservação domiciliar")
- Comercial Cirúrgica Rioclarense Ltda.
CNPJ 67.729.178/0001-49;
- Cotamed Farmacêutica Ltda.
CNPJ 05.061.324/0001-53;
- Dakfilm Comercial Ltda.
CNPJ 61.613.881/0001-00.
Ressalte-se que esta empresa (Dakfilm), conforme relatado em outro
ponto, participou das licitações Carta Convite n.º 062/2002, 048/2003,
019/2004 e n.º 033/2005, referente à aquisição de materiais
médico-hospitalares, tendo vencido as 3 últimas em todos os itens e
vencido parcialmente a Carta Convite n.º 062/2002. Deve-se considerar
que nesses convites houve restrição à competitividade em certame;
- Vital Hospitalar Comercial Ltda.
CNPJ 61.610.283/0001-88;
- Indústria Brasileira de Filmes Ltda.
CNPJ 33.255.787/0001-91.
Após julgamento das propostas (menor preço por item), o resultado
da licitação ficou assim distribuído:
Empresa Valor
Dakfilm R$ 219.265,60
Vital Hospitalar R$ 36.852,92
IBF R$ 52.585,92
Rioclarense R$ 236.368,88
Total ........... R$ 545.073,32
.
b) Não foi apresentada estimativa prévia dos preços dos itens
constantes da proposta. Deve-se observar que as contratações públicas
somente poderão ser efetivadas após estimativa prévia do seu valor,
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 70
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
que deve obrigatoriamente ser juntada ao processo de contratação e,
quando for o caso, ao edital ou convite. Entre outros objetivos, a
apresentação da estimativa serve para que se verifique se há recursos
orçamentários suficientes para pagamento da despesa com a contratação;
c) Ainda em decorrência da ausência de estimativa de preços, não há no
processo licitatório manifestação da compatibilidade dos preços das
propostas com os do mercado, conforme estabelece o artigo 43, inciso
IV da Lei n.º 8.666/93;
d) Não está anexada ao processo licitatório, a apresentação da
garantia para execução do contrato equivalente a 3% do valor, conforme
previsto no edital;
e) A Prefeitura não está efetuando os pagamentos conforme estabelecido
na cláusula V do contrato, que prevê pagamento em até 30 dias após a
entrega dos medicamentos. Conforme relatório do Setor de Contabilidade
da Prefeitura, os valores lançados referentes a despesas amparadas
pela TP 03/2005 em questão foram:
- Dakfilm (em 2005):
Valor empenhado: R$ 30.118,30
Valor pago: R$ 21.654,90
- Dakfilm (em 2006):
Valor empenhado: R$ 197.610,66
Valor pago: R$ 80.452,00
- Vital (em 2005):
Valor empenhado: R$ 1.519,00
Valor pago: R$ 0,00
- Vital (em 2006):
Valor empenhado: R$ 36.852,92
Valor pago: R$ 0,00
- Rioclarense (em 2005):
Valor empenhado: R$ 33.176,20
Valor pago: R$ 0,00
- Rioclarense (em 2006):
Valor empenhado: R$ 236.368,08
Valor pago: R$ 42.240,48.

EVIDÊNCIA:
Tomada de Preços TP nº 003/2005

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O objeto da Tomada de Preços TP n.º 003/2005 era a contratação de
empresa para fornecimento de material de consumo técnico-hospitalar e
ambulatorial (153 itens) para entrega parcelada, pelo período de 12
meses. O processo foi realizado no período de 21/06/2005 a 15/08/2005.
Não há que se falar que o fato de haver publicação somente no DOE,
houve restrição a competitividade, pois doze (12) empresas recolheram
a importância de R$ 20,00 (vinte reais) cobrada para retirada do
edital, mostrando que houve ampla publicidade. Se boa parte dessas
empresas resolveu não participar do certame, isso se deveu, ou ao
desinteresse quanto ao objeto licitado ou à impossibilidade de
preencher os requisitos do edital. A final, optaram em participar as
empresas: Comercial Cirúrgica Rioclarense Ltda.; e Dakfilm Comercial
Ltda. e IBF Ltda., Essas empresas apresentaram suas propostas, sendo
certo que a Administração atuou de maneira transparente, aberta, com
sessões públicas realizadas em local de livre acesso, observando-se,
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 71
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
enfim, todos os prazos estabelecidos pela Lei Federal n.º 8666/93.
Neste sentido o STJ se manifestou pela legalidade da contratação
até mesmo sem publicação no DOE, conforme acórdão abaixo:
.
REsp 287727 / CE ; RECURSO ESPECIAL - 2000/0118834-8 -
Relator(a) Ministro MILTON LUIZ PEREIRA (1097) Órgão Julgador T1 -
PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 24/09/2002 Data da Publicação/Fonte
DJ 14.10.2002 p. 190 Ementa Administrativo. Licitação. Vinculação às
Cláusulas Editalícias. Publicidade Somente no Jornal de Grande
Circulação Local. Ausência de Prejuízo. Prevalência do Interesse
Público. Lei 8.666/93 (art. 49).
1. Demonstrada a suficiente abrangência publicitária da
licitação e
ausente alegação objetiva de prejuízo, prevalece o
interesse
público, como chancelador da legalidade do ato, perdendo
significado
a irregularidade ocorrida.
2. Recurso sem provimento.
.
Embora não tenha sido juntada a estimativa prévia dos preços dos
itens constantes da proposta, esta existe. De fato, o item 6.1 do
Edital da TP 003/2005 exigiu garantia conforme Inciso III do Art. 31,
da Lei Federal 8.666/93 alterada pela Lei nº 8.883/94 no valor de R$
4.120,00 (quatro mil cento e vinte reais). Ademais, o item 09 do
referido Edital na letra "e" exige dos licitantes prova de capital
social mínimo de R$ 41.200,00 (quarenta e um mil e duzentos reais),
conforme artigo 31 da Lei 8.666/93. Esses dois itens deixam claro que
o custo estimado da contratação pelo período de 12 (doze) meses foi de
R$ 412.000,00 (quatrocentos e doze mil reais). É de se notar, ainda,
que este valor não apareceu aleatoriamente e sim baseado e
fundamentado em uma planilha de preços prévios que tiveram com
parâmetro a tabela ABCFARMA e o Guia Farmacêutico Brasíndice (doc. 47
anexo).
Não existe nenhuma irregularidade no tocante ao fato de que a
empresa DAKFILM, participou das licitações na modalidade Carta Convite
063/2002; 048/2003; 019/2004 e 033/2005, venceu as três últimas em
todos os itens e venceu parcialmente a carta convite 062/2002. Embora
não esteja anexada ao processo foi realizada a consulta prévia de
preço dos itens constantes das propostas, pois todos os procedimentos
licitatórios analisados pelo auditor foram precedidos do pedido de
reserva de dotação.
O valor estimado da contratação é de R$ 412.000,00-(quatrocentos e
doze mil reais), conforme estabelece o item 6.1 do Edital o valor para
participar de 1% (um por cento), e como se verifica no item 6.2 a
garantia para execução do contrato é de 3% do valor do contrato.
Conforme se verifica no item 3. DOS RECURSOS FINANCEIROS, a reserva de
dotação foi para o período de 06 (seis) meses, pois o Edital
estabelece que a diferença deveria ser consignada no exercício de 2006
(seguinte). Por todo o exposto ficou devidamente esclarecido que
nenhuma irregularidade ocorreu".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativas não acatadas conforme análise a seguir:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 72
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
-item "a"
A publicação apenas no DOE, não atende o estabelecido na lei
8.666/1993. Nesse sentido, há vários acórdãos do Tribunal de Contas da
União-TCU:
"Sempre publicar os editais de concorrência e tomada de preços em
jornal de grande circulação, conforme previsto nos incisos II e III do
art. 21 da Lei 8.666/1993 e Decisão 1.295/2002 - Plenário - TCU, Ata
35, de 25/9/2002.
Acórdão 583/2005 Segunda Câmara"
"Inclua, nos procedimentos licitatórios, a publicação do resumo do
Edital em jornal de grande circulação, conforme artigo 21, III, da Lei
nº 8.666/1993.
Acórdão 166/2005 Segunda Câmara"
"Proceda à publicação dos resumos dos editais dos processos
licitatórios na
imprensa oficial e em jornal diário de grande circulação, conforme o
disposto no art. 21, inciso III, da Lei nº 8.666/1993, observando o
prazo mínimo estabelecido no § 2º do mesmo artigo para o recebimento
das propostas ou realização do evento.
Acórdão 712/2003 Segunda Câmara"
Com relação ao fato de estar anexada ao processo uma guia de
recolhimento em nome da Dakfilm, realmente não configura uma
ilegalidade e não foi apontado como tal neste item. A observação
quanto a participação desta empresa foi com o intuito de ressaltar que
a mesma já havia participado de outros certames promovidos pela
Prefeitura, sendo que nos certames citados houve restrição à
competitividade, conforme relatado em ponto específico deste relatório
e onde inclusive, na justificativa, a própria prefeitura aventa a
hipótese de a empresa ter agido em conluio com outras duas.
Com relação aos recibos dos depósitos em nome das empresas,
anexados ao processo, os mesmos não comprovam efetivamente a retirada
dos editais e não há qualquer outro documento com identificação e
assinatura dos representantes das empresas que possam comprovar esse
fato.
.
-item "b", "c", "d" e "e"
Embora a prefeitura alegue que foi realizada uma estimativa prévia
dos preços dos itens constantes da proposta, e que, com base nessa
pesquisa estipulou-se o valor da garantia para participar da licitação
(1%) e o valor da garantia para a execução do contrato (3%), essa
estimativa não foi apresentada e também não constava do processo
licitatório.
Nesse sentido, as recomendações do Tribunal de Contas da União-TCU
são:
"Realize pesquisa de preços como forma de cumprir a determinação
contida no art. 43, inciso IV, da Lei de Licitações, fazendo constar
formalmente dos documentos dos certames a informação sobre a
equivalência dos preços.
Acórdão 301/2005 Plenário"
"Realização de ampla pesquisa de preços no mercado, a fim de estimar o
custo do objeto a ser adquirido, definir os recursos orçamentários
suficientes para a cobertura das despesas contratuais e servir de
balizamento para a análise das propostas dos licitantes, em harmonia
com os arts. 7º, § 2º, inciso III, e 43, incisos IV e V, todos da Lei
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 73
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
8.666/1993.
Acórdão 1182/2004 Plenário"
"Elabore orçamento com vistas à estimativa de custos do objeto
licitado, prévio à fase externa da licitação, estimado em planilhas de
quantitativos e preços unitários, elemento integrante do edital,
conforme exigido no art. 40, § 2º, inciso II, e 43, inciso IV, da Lei
nº 8.666/1993.
Acórdão 861/2004 Segunda Câmara"
"Promova, em todos os procedimentos licitatórios, a realização, de
pesquisa de preços em pelo menos duas empresas pertencentes ao do
objeto licitado ou
consulta a sistema de registro de preços, visando aferir a
compatibilidade dos preços propostos com os praticados no mercado, nos
termos do disposto no inciso V, § 1º, art. 15 e inciso IV, art. 43, da
Lei nº 8.666, de 1993 e Decisões nºs 431/1993-TCU Plenário,
288/1996-TCU Plenário e 386/1997-TCU Plenário.
Acórdão 828/2004 Segunda Câmara"
.
-item "f"
A prefeitura não apresentou justificativas para este item. Não
está anexada ao processo licitatório a apresentação da garantia para
execução do contrato equivalente a 3% do valor, conforme previsto no
edital.
.
-item "g"
A prefeitura não apresentou justificativas para este item. A
Prefeitura não está efetuando os pagamentos conforme estabelecido na
cláusula V do contrato, que prevê pagamento em até 30 dias após
entrega dos medicamentos.

3.2.4 CONSTATAÇÃO:
Restrição à competitividade em certame licitatório.

FATO:
Em todos os convites a seguir relacionados foram convidadas
somente as empresas Thidimed Comercial Ltda. - CNPJ
04.995.021/0001-45, Dakfilm Comercial Ltda. - CNPJ 61.613.881/0001-00
e Dipafarm Comercial Ltda. - CNPJ 04.251.933/0001-02:
.
- Carta Convite n.º 062/2002 (licitação por item).
Objeto: Aquisição de materiais, equipamentos e mobília para a
Secretaria de Saúde.
O resultado da licitação foi:
Dakfilm R$ 26.563,63 e
Dipafarm R$ 12.174,88.
.
- Carta Convite n.º 048/2003, Carta Convite n.º 019/2004 e Carta
Convite n.º 033/2005 (licitação por item).
Objeto: Aquisição de materiais médico-hospitalares para serem
utilizados nas Unidades de Saúde do Município.
.
Nesses 3 convites a Dakfilm apresentou o menor preço em todos os
itens:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 74
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Carta Convite n.º 048/2003: R$ 79.918,50,
Carta Convite n.º 019/2004: R$ 79.892,14 e
Carta Convite n.º 033/2005: R$ 79.937,15.
.
Todas as empresas tem endereço no bairro da Casa Verde, zona norte
da capital paulista.
.
Com relação à composição societária:
a) Thidimed Comercial Ltda.
- sócio responsável - CPF 325.405.138-67 (filho de sócio da Dakfilm)
- sócio - CPF 662.399.668-00 (o telefone cadastrado na Receita Federal
é o mesmo de um dos sócios da Dipafarm, de CPF 253.709.548-01).
- contador - CPF 090.429.288-67 (mesmo da Dipafarm e Dakfilm)
- contador - CNPJ 01.796.610/0001-06
.
b) Dipafarm Comercial Ltda.
- sócio responsável - CPF 085.744.858-41 (o e-mail cadastrado na
Receita Federal refere-se à Dakfilm)
- sócio - CPF 253.709.548-01 (o telefone cadastrado na Receita Federal
é o mesmo de um dos sócios da Thidimed, de CPF 662.399.668-00)
- ex-sócio - CPF 278.316.588-07 (excluído em 09/02/2004 - filha de
sócio da Dakfilm)
- ex-sócio - CPF 278.535.698-58 (excluído em 30/08/2004 - filho de
sócio da Dakfilm)
- contador - CPF 090.429.288-67 (mesmo da Thidimed e Dakfilm)
.
c) Dakfilm Comercial Ltda.
- sócio responsável - CPF 692.506.348-20 (mesmo sobrenome de sócios ou
ex-sócios da Thidimed e Dipafarm)
- sócio - CPF 132.736.418-27 (mãe de sócios ou ex-sócios da Thidimed e
Dipafarm)
- ex-sócio - CPF 032.152.938-38 (excluído em 14/09/2001 - mesmo
sobrenome de sócio da Thidimed e também de ex-sócios da Dipafarm)
- contador - CPF 090.429.288-67 (mesmo da Dipafarm e Thidimed).
.
O vínculo entre as participantes prejudicou a competitividade que
se busca alcançar com as licitações. Esse vínculo foi verificado pela
presença de familiares na composição societária das empresas, bem como
pelo fato das 3 empresas apresentarem o mesmo contador. Essa
contratação equipara-se a uma contratação direta.
Além disso, conforme entendimento do Tribunal de Contas da União -
TCU, para impedir que no convite sempre participem as mesmas empresas,
deve ser convidado, no mínimo, mais um interessado para cada repetição
do certame e para convites de objeto idêntico ou assemelhado às
licitações anteriores.

EVIDÊNCIA:
Carta Convite nº 062/2002. Carta Convite nº 048/2003. Carta
Convite nº 019/2004. Carta Convite nº 033/2005. Pesquisa nos sistemas
da Receita Federal (CPF e CNPJ).

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Esse procedimento licitatório encontra-se em perfeita
regularidade. De fato, a Administração valeu-se da norma contida no §
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 75
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
1º do artigo 32 da Lei federal n.º 8666/93, que dispõe textualmente o
seguinte:
.
§1o A documentação de que tratam os arts. 28 a 31 desta Lei
poderá ser dispensada, no todo ou em parte, nos casos de convite,
concurso, fornecimento de bens para pronta entrega e leilão.
.
A propósito, a Professora Maria Sylvia Zenella Di Pietro, no
ensina que:
.
"De acordo com o § 1.º do artigo 32, a documentação pode ser
dispensada, no todo ou em parte, nos casos de convite, concurso,
fornecimento de bens para pronta entrega e leilão (Direito
Administrativo/ Maria Sylvia Zenella Di Pietro-14.ed.São Paulo; Atlas.
2002, pág.335".
.
O mestre Diógenes Gasparini, também segue na mesmo esteira, senão
vejamos:
"Com o encerramento do prazo para o recebimento dos envelopes
"documentação e proposta" tem início a fase da habilitação, que só tem
essa cronologia, isto é, a segunda do procedimento, quando este é a
concorrência. Na Tomada de Preços , acontece antes. No Convite, leilão
e concurso, em principio não existe conforme se depreende do disposto
no § 1.º do art. 32 do Estatuto Federal Licitatório". (Direito
Administrativo/Diógenes Gasparini. 5.ed. ver. Atul.e aum. São
Paulo: Saraiva. Pág.467)
.
Toshio Mukai, também se posiciona neste sentido ao afirmar que:
.
"O art. 32 dispõe sobre as condições da apresentação dos
documentos, sendo que o § 1.º reza que a documentação para habilitação
poderá ser dispensada, no todo ou em parte, nos casos de convite,
concurso e fornecimento de bens para pronta entrega.(Novo Estatuto
jurídico das licitações e contratos público/;Toshio Mukai- 2ª ed.
São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1993. pág.41.)
.
Ou seja, o Município cumpriu integralmente a legislação, haja
vista que essa não obriga que na modalidade convite, seja exigido o
contrato social dos participantes. Desta forma não havia como saber da
existência de parentesco entre os proprietários ou sócios comuns entre
nossos fornecedores.
Se ocorreu alguma ilegalidade, certamente inexistiu qualquer
participação de servidores municipais. Por isso mesmo é que a
Municipalidade já instaurou processo administrativo, para apurar
responsabilidades dessas empresas licitantes que podem ter agido em
conluio.
Deixamos claro que em todos os procedimentos licitatórios, seja
por que modalidade for, sempre é estimado o valor da contratação,
mediante consulta prévia de preços dos itens licitados, ainda que essa
pesquisa não esteja anexada ao processo respectivo, eis que ficam
arquivadas em pasta própria, renovadas anualmente. Com base nessas
estimativas é que foram feitas as reservas de dotação, que jamais
deixaram de ocorrer.
A afirmativa de que houve uma única empresa que ganhou todos os
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 76
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
procedimentos licitatórios, além de não ser verídica, não representa
ilegalidade alguma.
De fato, aos editais sempre se deu ampla publicidade, e sempre se
verificou a participação de várias empresas. Ganhou aquela ofereceu o
menor preço ao Município.
Há que se deixar claro que todos os procedimentos adotados na
licitação estão em conformidade com a legislação federal. Nas
licitações sob modalidade de convite, a publicidade sempre foi feita
por afixação do edital no átrio da Prefeitura conforme estabelece o
art. 24 § 3.º da Lei Federal 8.666/93.
A alegação de que as empresas licitantes estejam situadas no mesmo
bairro não passa de mera ilação, com a mais devida vênia, pois estão
elas sediadas em endereços diferentes e já haviam participado de
vários outros certames em anos anteriores.
Contudo para que não pairem quaisquer dúvidas acerca da lisura no
trato da coisa pública, a Administração Municipal, embora não esteja
obrigada a tanto, tem efetuado suas compras por meio do pregão
(presencial ou eletrônico).
Anexamos à presente os documentos comprobatórios das informações
aqui prestadas (doc. 48)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Na modalidade convite, a Administração escolhe quem quer convidar,
entre os possíveis interessados, cadastrados ou não. Ou seja, a
iniciativa de escolher os participantes parte da prefeitura e o fato
da lei dispor que a documentação para habilitação poderá ser
dispensada, no todo ou em parte, nos casos de convite, não desobriga a
administração de garantir que todos os princípios sejam respeitados,
em especial, neste caso, o da competitividade.
Portanto, a dispensa da documentação permitida pela lei 8.666/93,
para a modalidade convite, não elide nem justifica a ocorrência da
restrição à competitividade nesses 4 convites analisados.
Deve-se ressaltar que a hipótese aventada pela prefeitura, de
conluio por parte das empresas licitantes, sem participação de
servidores municipais, não pode prosperar, tendo em vista que as
empresas foram convidadas pela própria administração para participar
do certame. Além disso, por meio de pesquisa na Internet verificou-se
que a Dakfilm aparece como participante em vários processos
licitatórios, contudo não há qualquer registro em nome da Thidimed ou
da Dipafarm.
Nesse sentido, para impedir que no convite sempre participem as
mesmas empresas, há determinação do Tribunal de Contas da União - TCU,
para que se convide, no mínimo, mais um interessado para cada
repetição do certame e para convites de objeto idêntico ou assemelhado
às licitações anteriores, conforme Acórdão 2528/2003- Primeira
Câmara-TCU:
"Proceda obrigatoriamente a ampliação de competidores por meio do
convite a novos licitantes, cadastrados ou não, nas licitações
sucessivas para objetos similares ou idênticos (art. 22, § 6º)."
Além disso, o TCU, no material "Orientações Básicas" 3ª. Edição,
orienta:
"Para alcançar o maior número possível de interessados no objeto
licitado e evitar a repetição do procedimento, muitos órgãos ou
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 77
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
entidades vêm utilizando a publicação do convite na imprensa oficial e
em jornal de grande circulação, além da distribuição direta aos
fornecedores do ramo.
A publicação na imprensa e em jornal de grande circulação confere ao
convite divulgação idêntica à da concorrência e à da tomada de preços
e afasta a discricionariedade do agente público."
Com relação aos documentos comprobatórios (doc. 48) apresentados,
os mesmos referem-se apenas a certidões negativas de débito da
Previdência Social, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, FGTS e
comprovante de inscrição na Secretaria da Receita Federal das 3
empresas citadas, não sendo pertinentes para a justificativa do fato.

3.2.5 CONSTATAÇÃO:
Restrição à competitividade em certame licitatório.

FATO:
Para participar do Convite n.º 06/2006, cujo objeto era a locação
de 2 ambulâncias e 2 motos para um período de 12 meses, foram
convidadas as seguintes empresas:
- Luiz Viana Transportes Ltda. - CNPJ 07.590.934/0001-70,
- Credicar Locadora de Veículos Ltda. - CNPJ 22.257.109/001-41 e
- Locamais Ltda. - CNPJ 42.769.224/0001-02.
.
As 3 empresas participantes são de Belo Horizonte-MG, sendo que a
Luiz Viana Transportes e a Credicar Locadora de Veículos estão
instaladas no mesmo endereço, em salas diferentes. Não há no processo
licitatório, aviso de recebimento - AR comprovando que estes convites
foram entregues pelo serviço dos Correios, observando-se que as
empresas estão localizadas fora do estado de São Paulo a
aproximadamente 600km do Município de Pirapora do Bom Jesus. Tampouco
há contrato de representação ou outro documento nomeando um
representante da empresa. Apesar disso, as declarações das empresas
confirmando que receberam os convites constam do processo.
Também não estão anexados os envelopes em que foram apresentadas
as propostas, não sendo possível determinar a forma como as mesmas
foram entregues na Prefeitura.
Conforme ata da Comissão de Licitação na data da abertura das
propostas, não há qualquer menção à presença dos representantes dos
licitantes convidados, nem a assinatura dos mesmos.
Com relação ao seguro dos veículos e das motos, item importante a
se considerar na apresentação das propostas, este não foi questionado
por qualquer uma das empresas, sendo que nem o edital nem o contrato
fizeram menção a respeito deste assunto e todas as propostas
apresentaram valores muito próximos.
Ressalte-se que a ausência de cláusula no contrato apontando a
quem caberá a responsabilidade no caso de roubo, furto, incêndio ou
qualquer sinistro, bem como cobertura em relação a terceiros,
impossibilita a imputação de responsabilidade do caso de sinistro. Não
há menção também à substituição dos veículos no caso de necessidade de
manutenção.
Também se verificou que os sócios da empresa Luiz Viana
Transportes Ltda. são filhos dos sócios da empresa Credicar Locadora
de Veículos Ltda.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 78
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Para confirmar o vínculo entre as duas empresas há o fato de que,
embora a vencedora do certame tenha sido a Luiz Viana Transportes
Ltda., a documentação das duas ambulâncias indica como proprietária
dos veículos a Credicar Locadora de Veículos Ltda.
O cadastro da Receita Federal indica que a atividade da empresa
Luiz Viana Transportes seria "serviços de entrega rápida" e o cadastro
da empresa Credicar Locadora de Veículos indica como atividade da
empresa "locação de veículos rodoviários de passageiros com motorista,
intermunicipal, interestadual e internacional". Este fato contraria o
disposto no art. 22, §3º, da Lei n.º 8.666/1993: "convite é a
modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu
objeto."
Com relação à outra participante do certame, a empresa Locamais
Ltda., a mesma não trabalha com locação de ambulâncias ou motos,
apenas carros comuns, conforme informações obtidas por telefone.
O vínculo existente entre duas participantes que sequer estão
cadastradas nos órgãos oficiais como sendo do ramo pertinente ao
objeto do convite, bem como a participação de uma terceira, que não
trabalha com o tipo de veículo solicitado, prejudicou a
competitividade que se busca alcançar com as licitações.

EVIDÊNCIA:
Carta Convite nº 06/2006. Pesquisa nos sistemas da Receita Federal
(CPF e CNPJ).

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A Auditoria apontou que não teria ocorrido competitividade entre
as empresas que participaram do Convite sob nº 06/2006, visando obter
a locação de duas ambulâncias e duas motocicletas, sendo as primeiras
para uso na área da saúde e as últimas para educação.
Participaram três empresas do procedimento licitatório, todas elas
com sedes localizadas na cidade Belo Horizonte, sendo que seus
representantes legais foram chamados perante a comissão de sindicância
para prestar seus esclarecimentos, ocasião em que se apurou que
nenhuma ilegalidade foi cometida.
A Empresa Locamais, segundo foi apontado pelo órgão requisitante,
não teria ambulâncias ou motocicletas para locar. Porém, seu
representante legal, informou que presta serviços de locação de quase
todos os tipos de veículos, sendo que ao receber o pedido, caso não
dispusesse do veículo solicitado analisaria a conveniência em adquirir
ou locar, de maneira a cumprir ao solicitado pelo contratante.
Ademais exigir que cada empresa interessada em participar do
certame já fosse proprietária dos veículos seria ferir princípio de
isonomia, haja vista que poderia limitar o número de participantes. Aí
sim haveria restrição à competitividade. O que importa é que o
licitante disponha do bem necessário ao objeto licitado quando recebe
a ordem de início da Municipalidade.
O ramo de atividade da empresa declarada vencedora é totalmente
compatível com o objeto solicitado pela Administração, conforme se
infere da cópia do contrato social anexa (doc. 49).
Segundo foi apurado pela Municipalidade, todas as empresas
afirmaram que possuem sua sede na cidade de Belo Horizonte/MG em razão
da alíquota do IPVA, que naquela localidade é o equivalente a 1%, o
que proporciona as mesmas maior competitividade.
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Consta também que essas empresas tiveram acesso a Administração
por meio de propaganda e visitas diretas efetuadas ao departamento de
compras para que pudessem se inteirar dos certames a serem realizados
Todas elas prestam serviços em localidades próximas e acodem a
licitações sob modalidade de convite mesmo sem terem sido convidadas,
já que os editais ficam afixados nas sedes dos entes licitantes.
Os representantes afirmaram ainda que efetivamente retiraram as
propostas e as encaminharam pessoalmente, sem acompanhar o julgamento,
por mera liberalidade como permite a lei.
Alegou-se ainda, que as empresas Credicard (doc. 49) e Luiz Viana
Transportes Ltda. (doc. 50), não possuem em seu objeto social a
habilitação para locação de veículos.
Todavia, os documentos ora anexados mostram que ambas as empresas
possuem total habilitação para participar do procedimento licitatório,
a primeira conforme "CLÁUSULA III, Do Objeto Social O objetivo da
sociedade continua inalterado, ou seja, a prestação de serviços de
locação de veículos (grifo nosso) com e sem motorista e os serviços de
transporte de passageiros, cargas e malotes" e o da segunda "CLÁUSULA
III, Do Objeto Social A sociedade terá como objeto a exploração do
ramo de transporte municipal de pequenas cargas e encomendas e locação
de veículos automotores" (grifo nosso).
No tocante a falta de previsão contratual sobre seguro, a questão
se revela irrelevante para o quesito competitividade. Todavia, para
eliminar quaisquer dúvidas, cumpre esclarecer que no ramo da locação o
seguro é sempre por parte da contratação, salvo previsão contratual,
conforme confirmado pelo representante da empresa. Ressalte-se, por
derradeiro, que até a presente data a Administração não foi onerada em
nada a esse respeito.
Os envelopes foram encartados às fls. 24 (LOCAMAIS) do
procedimento licitatório, afastando-se assim tal apontamento e das
outras empresas estavam encartadas em outro local.
Outra acusação é a de que a competitividade teria sido fragmentada
em razão de que duas empresas que participaram do certame, no caso a
CREDICARD e a LUIZ VIANA TRANSPORTES, teriam em seus quadros pessoas
de mesma família (pai e filho).
Em oitiva dos representantes das duas empresas e pela juntada do
comprovante de contrato social, efetivamente se tratam de pessoas de
mesma família, porém foi dito pelo senhor Luiz Viana, representante
legal da Luiz Viana Transportes Ltda., que não possui relacionamento
estreito com seu genitor (representante da empresa Credicard), e que
tomou conhecimento do serviço por meio de contato direto e nem mesmos
sabia que a empresa Credicard iria participar do procedimento, vindo
somente descobrir tal fato quando do comunicado do resultado.
Apesar de tudo isso, não se vislumbrou até o presente momento que
em razão de tal vínculo ocorreu qualquer prejuízo ao erário, uma vez
que o preço ofertado estava abaixo do preço de mercado.
Seja como for, já está sendo apurada responsabilidades quanto a
esse caso, ou seja, se as empresas agiram de má-fé ou não, ocasião que
após lhes concedido o direito da ampla defesa, a Administração irá
decidir sobre eventual aplicação de penalidades.
Declarou ainda o senhor Luiz, bem como requereu a juntada de
documento esclarecendo que o veículo que estava a disposição da
Administração já havia sido adquirido por sua empresa, e que
transferência não havia ocorrido anteriormente em razão de problemas
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burocráticas, pois sempre que uma locadora compra um veículo é
obrigada a permanecer com sua titularidade por cerca de seis meses.
No tocante ao endereço de funcionamento das empresas os mesmos
efetivamente não conferem, sendo certo que a empresa Credicard
funciona na Avenida Professor Mário Werneck, nº 813, Estoril, BH/MG e
a empresa Luiz Viana na Rua Rio Grande do Norte, 783, sala 03
Funcionários, BH/MG, sendo certo que ao tempo do convite, ambas
funcionavam em mesmo prédio, porém em salas distintas, bem como a
empresa Credicard inclusive possuía filial em outro endereço.
Para provar o alegado foi juntado o contrato social da empresa
Credicar 18ª e 19ª alteração e contrato social da empresa Luiz Viana
Transportes Ltda.
Com a exibição dos contratos, verifica-se que somente em uma única
proposta apareceu o endereço igual, e que segundo o representante
legal da empresa Credicard, provavelmente funcionário seu utilizou-se
de carimbo errado, sendo que a sala 03 já foi da Credicard, mas deixou
há muito tempo de o ser, sendo que posteriormente passou a funcionar
somente na sala 01, e que atualmente está localizada em outro bairro
(Estoril).
Conclui-se assim, que não se trata de falta de competitividade uma
vez que as empresas estão legalmente constituídas, possuem habilitação
para prestar o serviço e o preço praticado está dentro do valor de
mercado.
Isto Posto, tendo em vista que já está sendo apurada
responsabilidade das empresas envolvidas, que a legislação não obriga
a exibição de contrato social de todas as empresas, que todos os
envolvidos confirmaram terem apresentado proposta, outro não pode ser
o entendimento senão o de afastar tal imputação, sendo que o resultado
do procedimento administrativo instaurado será comunicado a essa
Controladoria".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Na modalidade convite, a Administração escolhe quem quer convidar
entre os possíveis interessados, cadastrados ou não. Ou seja, a
iniciativa de escolher os participantes parte da prefeitura e o fato
da lei dispor que a documentação para habilitação poderá ser
dispensada, no todo ou em parte, nos casos de convite, não desobriga a
administração de garantir que todos os princípios sejam respeitados,
em especial, neste caso, o da competitividade.
Portanto, a dispensa da documentação permitida pela lei 8.666/93, para
a modalidade convite, não elide nem justifica a ocorrência da
restrição à competitividade na licitação analisada.
Com relação a ausência de AR tanto na entrega dos convites às empresas
de Belo Horizonte, quanto na entrega das propostas por parte das
mesmas, a justificativa apresentada pela prefeitura foi de que os
representantes das empresas afirmaram que "retiraram as propostas e as
encaminharam pessoalmente". A Prefeitura também alegou que as empresas
convidadas "prestam serviços em localidades próximas e acodem a
licitações sob modalidade convite mesmo sem terem sido convidadas".
Não foram apresentados documentos que comprovem essas alegações,
cabendo observar que, com relação a participação das empresas em
processos licitatórios realizados por outros municípios paulistas,
verificou-se, por meio de pesquisa na Internet, que a empresa Credicar
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Locadora de Veículos Ltda. já participou de outros certames, mas não
foram encontrados registros da participação da empresa Locamais Ltda.
nem da empresa Luiz Viana Transportes Ltda. que registrou-se na Junta
Comercial de Minas Gerais apenas em 05/09/2005.
Quanto a observação feita pela equipe a respeito da ausência de
questionamento por parte das empresas a respeito da inclusão ou não do
seguro dos veículos, foi com o intuito de ressaltar que o valor do
seguro é item relevante na composição do preço da locação e apesar da
responsabilidade pelo mesmo não ter ficado claro no convite, ainda
assim as 3 propostas foram apresentadas com valores próximos.
Com relação à alegação de que o Sr. Luiz Viana, representante e sócio
majoritário (90% das cotas) da empresa Luiz Viana Transportes, teria
afirmado "que não possui relacionamento estreito com seu genitor
(representante da empresa Credicard)" a mesma não procede, tendo em
vista que as ambulâncias locadas da empresa Luiz Viana Transportes
estavam em nome da Credicar.
Nenhuma das alegações apresentadas pela prefeitura podem ser
consideradas válidas para contestar a ausência da competitividade no
convite, evidenciada pela presença de vínculo entre os sócios de 2 das
3 empresas convidadas e reforçada por outros fatos observados no
processo licitatório.
Com relação aos documentos apresentados, os mesmos referem-se a cópias
reprográficas dos contratos sociais das empresas convidadas.

3.2.6 CONSTATAÇÃO:
Despesa antieconômica.

FATO:
O Convite n.º 06/2006 tinha por objeto a locação de 2 ambulâncias
e 2 motos por um período de 12 meses. A empresa vencedora do Convite
apresentou os seguintes valores, ressaltando que esse procedimento
licitatório estava viciado com relação à real competitividade dos
participantes, conforme tratado em ponto específico deste Relatório:
- valor da locação mensal de cada moto 150cc: R$ 250,00 e
- valor da locação mensal de cada ambulância: R$ 2.640,00.
Portanto, para o período de um ano, com relação especificamente à
ambulância, o valor da locação de cada uma corresponderia a R$
31.680,00.
No "site" da Fiat, uma Fiorino furgão 0km, mesmo modelo da
ambulância alugada, apresentou o preço, em agosto de 2006, de R$
33.140,00.
Não foi apresentada estimativa prévia dos preços dos itens
constantes da proposta. Deve-se observar que as contratações públicas
somente poderão ser efetivadas após estimativa prévia do seu valor,
que deve obrigatoriamente ser juntada ao processo de contratação e,
quando for o caso, ao edital ou convite. Entre outros objetivos, a
apresentação da estimativa serve para que se verifique se há recursos
orçamentários suficientes para pagamento da despesa com a contratação
e também para manifestação da compatibilidade dos preços das propostas
com os do mercado, conforme estabelecido no artigo 43, inciso IV da
Lei n.º 8.666/93.

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EVIDÊNCIA:
Carta Convite nº 06/2006. Pesquisa nos sistemas da Receita Federal
(CPF e CNPJ).

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"No tocante a questão da não existência de cotação de preços
preliminares, ocorreu apenas falha procedimental, uma vez que os
preços preliminares estavam sendo armazenados em pasta própria (doc.
51), praxe anteriormente existente, mas já corrigido e juntado em cada
expediente, sendo hoje impossível existir pedido de reserva de empenho
sem que se tenha conhecimento do valor necessário, ou seja, não
existiu nenhuma falha que comprometesse o certame.
Inobstante tal fato, há de se ressaltar que em nenhum momento foi
questionado o valor do serviço, ou seja, o valor deste está muito
aquém do valor de mercado, significando grande economia ao erário
público.
Os servidores já resolveram essa questão e foram orientados no
sentido de que toda e qualquer cotação deverá permanecer na pasta do
referido procedimento licitatório, para que não ocorra nenhuma dúvida
e garanta total transparência ao processo.
No que diz respeito à despesa chamada "anti-econômica", lembramos
que não foi realizada a contratação de serviço sem um estudo prévio e
tanto é verdade que a economia de combustível utilizado pelas
ambulâncias é muito grande. De fato, enquanto o veículo locado gasta
cerca de 11 km/l, os veículos da frota municipal gastam
aproximadamente 50% a mais. Ou seja, somente a economia com o
combustível já é mais do que suficiente para pagar o contrato.
Os veículos locados, segundo informação do setor de transporte e
pelo representante legal da empresa contratada, ultrapassa não rara às
vezes 7.000 km e, assim, o gasto com manutenção, pneus, reposição de
peças e conserto é por demais muito elevado, fazendo com que a
terceirização deste serviço, ao contrário do que alegado, sela
altamente vantajoso ao erário.
Note-se, ainda, que seria necessário adquirir o veículo, ou seja,
dispor de quantia significativa, sendo certo que o valor de um veículo
similar, sem aparelhos de oxigênio como as que existem na
Administração, chega a custar cerca de R$ 37.000,00 (trinta e sete mil
reais), e a depreciação a cada ano, no caso de uma ambulância, é de
aproximadamente 20% ao ano.
Atualmente a Administração arca somente com o gasto de
combustível, bastante reduzido em razão do tipo de ambulância locada
quando comparada à que anteriormente era utilizada. Todas as demais
despesas ficam por conta e risco da empresa contratada.
Com certeza esses valores não foram levados em conta quando da
análise do contrato por parte da auditoria. A Administração agiu com
toda a lisura e eficiência possível, fazendo com que a população
desfrute de um veículo novo com total condição de uso, melhorando a
qualidade do serviço e reduzindo o custo operacional. Em síntese, a
decisão preencheu plenamente o interesse público".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Embora a prefeitura alegue que foi realizada uma estimativa prévia
dos preços de locação de ambulância e tenha apresentado em sua
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Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
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justificativa uma cotação realizada por uma empresa de Campinas, essa
pesquisa não constava do processo licitatório analisado.
O estudo prévio citado na justificativa, que teria embasado a
decisão da administração de locar as ambulâncias, não foi apresentado.
Ressalte-se que a Prefeitura não fez esse estudo quando adquiriu as
ambulâncias que estão atualmente sem utilização e necessitando de
manutenção no setor de transportes da prefeitura.
Ainda com relação à alegação de que a locação da ambulância é mais
vantajosa para a Prefeitura do que a compra, deve-se observar que a
prefeitura de Pirapora do Bom Jesus adquiriu 2 unidades móveis por
meio de convênio, uma no ano de 2.001 e outra mais recentemente, no
ano de 2.005.
Se, conforme alegado pela Prefeitura, "o gasto com manutenção,
pneus, reposição de peças e conserto é por demais muito elevado,
fazendo com que a terceirização deste serviço, ao contrário do que
alegado, seja altamente vantajoso ao erário", a decisão de adquirir
ambulâncias, ainda que por meio de convênios, precisa ser melhor
analisada pela administração. Consta do seu Plano Municipal de Saúde a
intenção de adquirir, por meio de convênios com governo federal ou
estadual, entre os anos de 2006 a 2009, mais 2 ambulâncias (valor
previsto R$66.950,00 cada uma) e 1 veículo para a Vigilância Sanitária
(valor previsto R$28.000,00).

3.2.7 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em procedimento licitatório.

FATO:
O Convite n.º 04/2006 tinha por objeto a contratação de empresa
especializada para desenvolvimento de software para informatização de
toda rede assistencial de saúde do Município, conforme solicitação da
Secretária Municipal de Saúde, de 13 de janeiro de 2006.
O memorial descritivo, anexo a essa solicitação, apresentou as
características do software, especificando que o mesmo deveria contar
com 3 sistemas:
1. Sistema de Atendimento Municipal;
2. Sistema de Agendamento de Unidade de Saúde;
3. Sistema de Distribuição e Controle de Almoxarifado da Saúde.
Além disso, no memorial descritivo há especificações bem
detalhadas a respeito das informações que deveriam estar contidas nos
módulos dentro de cada sistema, como por exemplo: "O sistema deverá
ser um mecanismo de controle gerencial das Unidades de Saúde do
município através de registros e coletas de dados dos atendimentos das
Unidades Básicas de Saúde (UBS, PSF e PS/PA), utilizando recursos
modernos de processamento de dados...", e também "Este sistema deverá
obrigatoriamente conter alguns módulos que deverão ter as informações
abaixo mencionadas: ..."
No processo licitatório estão anexadas as cotações realizadas
pelas empresas antes da elaboração do edital, todas elas apresentando
valores muito próximos, porém sem trazer especificada a forma como o
valor foi obtido, sem apresentação do cálculo de homens-hora
necessários para o desenvolvimento do sistema.
Os preços apresentados pelas empresa foram os seguintes:
1 - Inguz Comercial Ltda. CNPJ 01.392.961/0001-51 - R$ 79.000,00;
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2 - Covema Informática CNPJ 46.806.394/0001-70 - R$ 78.990,00;
3 - Mariano & Malagueta Ltda. CNPJ 58.451.022/0001-58 - R$ 78.900,00.
Funcionária da empresa Covema Informática, por meio de contato
telefônico, informou que a Covema não trabalha com desenvolvimento de
software, confirmando a atividade cadastrada na Receita Federal:
"Comércio varejista de máquinas e equipamentos para escritório".
Com relação à empresa Inguz Comercial Ltda., o telefone indicado
no papel timbrado em que foi apresentada a cotação, bem como o
endereço e telefone, referem-se a uma outra empresa. Nessa outra
empresa trabalha a pessoa que teria assinado a proposta da Inguz. Por
meio de contato telefônico, esse funcionário afirmou que lá trabalha
há 5 anos, que a empresa para a qual trabalha não desenvolve softwares
como aqueles utilizados para controle de estoques, por exemplo, e
negou ter assinado a proposta. Com relação à Inguz, o cadastro da
Receita Federal confirma que o endereço dela é outro e indica como
atividade "comércio varejista de máquinas, equipamentos e materiais de
informática."
A vencedora do certame foi a empresa Mariano & Malagueta Ltda. que
apresentou o menor preço: R$ 78.882,00. Porém, o cadastro desta
empresa na Receita Federal é "comércio atacadista de livros, jornais e
outras publicações". Esta empresa presta serviços para a Prefeitura de
Pirapora do Bom Jesus na área de informática.
As outras empresas que apresentaram proposta no certame
licitatório foram as mesmas que haviam apresentado a cotação antes do
edital, além do estabelecimento comercial de CNPJ 66.975.236/0001-51,
cadastrada na Receita Federal com a atividade "Lojas de variedades,
exceto lojas de departamentos". No envelope em que foi apresentada a
proposta consta como atividade deste estabelecimento: "Venda de
Relógios, Jóias, Brinquedos, Presentes e Bazar, Materiais Esportivos
em Geral, Uniformes em Geral, Bolas, Calções, Meias, Troféus, Placas e
Medalhas, Artigos Pedagógicos e Material de Escritório."
Há indícios de que houve uma montagem do processo licitatório com o
intuito de amparar prestação de serviço já executado por determinada
empresa, tendo em vista que, além das propostas apresentadas não serem
legítimas, há o fato de que a adjudicação ocorreu em 25 de janeiro de
2006, e os softwares terem sido instalados por representante da
empresa Mariano & Malagueta Ltda. em dezembro de 2005, portanto, em
data anterior ao certame licitatório.

EVIDÊNCIA:
Carta Convite nº 04/2006. Pesquisa nos sistemas da Receita Federal
(CPF e CNPJ). Entrevista às funcionárias da Secretaria de Saúde. Cópia
de uma "tela" do computador em que aparece a data da instalação do
programa no Setor de Almoxarifado de Medicamentos.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A alegação de que ocorreu ato ilegal no procedimento licitatório
sob nº 04/06 Convite não prospera. Vejamos:
A administração, por meio do processo licitatório, visou e
conseguiu contratar empresa especializada por preço muito mais em
conta, objetivando a implantação de um Sistema de Informação na rede
municipal de saúde e almoxarifado da saúde. A administração forneceu
os dados necessários que obrigatoriamente deveria possuir o sistema,
de maneira a atender ao interesse público, ou seja, não indicou marca,
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 85
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modelo, tipo, etc.
Ocorreu cotação preliminar de maneira a embasar o pedido, conforme
documentação existente na pasta própria ora juntada neste expediente,
dando conta do valor da reserva solicitada.
Portanto, fica claro que o que se desejou contratar foi a
implantação de sistema e não o "desenvolvimento" de sistema, já que
tal objeto teria um custo bastante oneroso para a Administração,
podendo, inclusive, inviabilizar competição. Por isso que a
Administração buscou apontar as características que se desejava, de
maneira a buscar a proposta mais vantajosa, ou seja, aquela de menor
preço.
Acresce dizer que nem mesmo se possui nos quadros municipais
pessoa técnica capaz de indicar os elementos necessários para
desenvolvimento do sistema de informática e, por tal razão, optou-se
apenas pela "implantação" (e não "desenvolvimento") de um sistema,
restando claro o equívoco, data vênia, da CGU. Ou seja, em nenhum
momento efetuou-se processo licitatório para o "desenvolvimento" de um
sistema, mas sim para a "implantação" de um sistema.
Atingimos, assim, o segundo ponto: a capacidade das empresas em
prestar o serviço contratado. Ora, analisando-se os contratos sociais
das referidas empresas, resta devidamente comprovado que todas elas
possuem plena habilitação técnica para o fornecimento de software, em
particular a empresa vencedora, que possui habilitação para a
"implantação" de serviços de comunicação, razão pela qual não
existiria (como não existe) nenhum empecilho para a sua contratação.
Ademais, essas empresas (docs. 52/54) já prestam ou prestaram
serviços nesta mesma área, tanto para a iniciativa privada quanto para
o Poder Público, o que justifica o chamamento das mesmas para esse
certame.
Assim, a assertiva de que em consulta ao cadastro da Receita
Federal se chegou à conclusão de que tais empresas não possuem
capacidade para prestar esse serviço fica desde logo afastada, uma vez
que foi exibido pelas mesmas toda a documentação necessária e exigível
pela lei de licitações, inclusive o contrato social dando conta de sua
especialidade. O apontamento da CGU deixou de considerar que o ramo de
atividade é bem mais amplo do que aquele que consta resumido nos
cadastros da Receita Federal, e bastaria que tivesse sido solicitada a
documentação existente nos arquivos da Prefeitura, relativamente às
empresas envolvidas, para se poder analisar o código e a descrição das
atividades econômicas secundárias, afastando qualquer dúvida a
respeito.
No tocante a empresa COVEMA MÁQUINAS E MÓVEIS DE ESCRITÓRIO LTDA.
(doc. 55), cujo nome fantasia é "COVEMA INFORMÁTICA", restou claro que
em nenhum momento ocorreu má-fé, já que o próprio proponente induziu a
erro a Administração. Note-se que a legislação não exige a
apresentação do contrato social quando da modalidade "Carta-Convite",
ficando facultado ao contratante a solicitação deste ou de mais
documentos quando julgar necessário. Ora, o próprio proponente,
conforme faz prova seu cartão de visita (doc. 56) mostrou que atuava
no ramo de informática.
Ademais, essa empresa não foi a vencedora do certame, tendo ficado
patente que a mesma utiliza-se do seu nome fantasia, o que induz a
qualquer um ao entendimento equivocado sobre a atividade desta
empresa.
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Todas as empresas, em sindicância instaurada pelo Poder Público,
confirmaram a participação no processo licitatório, negando possuir
qualquer vínculo umas com a outras, assegurando, desta forma, a mais
plena e ampla competitividade.
A alegação de que teria indício de fraude no processo licitatório
em razão de que consta como data de implantação o mês de dezembro de
2.005, quando o processo licitatório findou-se em janeiro de 2.006,
também não se sustenta. De fato, o que pode ter ocorrido é que foi
utilizado pelo sistema a base de dados existentes em cada equipamento,
e efetuados testes em datas anteriores para se conhecer o sistema,
para que este pudesse efetuar sua utilização e migração para o novo
sistema, incluindo calendário e relógio do equipamento desatualizado,
bem como eventuais testes ocorridos no equipamento antes da
implantação final para aproveitamento da compatibilidade e troca de
informações.
Diante de tais esclarecimentos, adotou-se a compra por meio
eletrônico, entendendo-se que não se encontra caracterizada, por isso,
nenhuma irregularidade".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Cumpre esclarecer que o equívoco referente ao objeto licitado:
desenvolvimento ou implantação de software, tem origem nos próprios
documentos anexos ao processo de licitação. O Ofício SS nº 03/06, de
13/01/2006, assinado pela secretária de saúde, dirigido ao Sr.
Prefeito, apresenta a seguinte solicitação: "Venho por meio deste
solicitar a contratação de empresa especializada que desenvolva
software para informatização de toda rede assistencial de saúde do
município." O edital do convite por sua vez descreve o objeto a ser
contratado da seguinte forma: "contratação de empresa especializada
para implantação de sistema de informação na rede municipal de saúde e
almoxarifado da saúde, conforme anexo I."
Não foram apresentados quaisquer documentos que pudessem comprovar que
as empresas efetivamente participaram do convite e tinham condições de
oferecer o serviço objeto da licitação.
Os documentos apresentados na justificativa apenas indicam que uma das
empresas já participou de pregão promovido por órgão público, tendo
sido contratada para fornecer alguns itens de hardware, confirmando as
informações obtidas por esta equipe de fiscalização.
Além disso, não há como efetuar um convite para uma empresa tendo como
referência apenas seu cartão de visita ou seu nome fantasia. Outras
informações são necessárias como trabalhos já realizados, empresas ou
entidades onde já foram realizados esse tipo de serviço e se ela teria
condições de dar suporte técnico no período de implantação.
Não há qualquer documentação que comprove que houve troca de
informações no sentido de se verificar o tipo de software oferecido
por cada um desses fornecedores. Também deveria haver algum
questionamento por parte das empresas a respeito de tipo de rede
utilizado, quantidade de computadores e outra informações necessárias
para oferecer o serviço desejado pela prefeitura.
Além disso, a justificativa apresentada pela prefeitura para o fato da
data do sistema ser anterior ao certame, foi de que podem ter sido
realizados "testes em datas anteriores para se conhecer o sistema,
para que este pudesse efetuar sua utilização e migração para o novo
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 87
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sistema, incluindo calendário e relógio do equipamento desatualizado,
bem como eventuais testes ocorridos no equipamento antes da
implantação final para aproveitamento da compatibilidade e troca de
informações." Observe-se que esses testes não foram realizados por
todos os participantes do certame. Conforme informações dos
funcionários da unidade de saúde visitada, em dezembro de 2005, o
representante da empresa, que viria posteriormente a ser a vencedora
do certame, instalou alguns programas nos computadores dessa unidade,
cabendo ressaltar que de todas as empresas convidadas, essa era única
que já prestava serviços para a Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus.
Ademais este processo licitatório iniciou-se somente em janeiro de
2006. Com relação aos testes, as outras empresas também teriam
procurado essas unidades de saúde para avaliar a serviço a ser
executado e realizar alguns testes.

3.2.8 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de despesas sem prévia pesquisa de preços.

FATO:
A Nota Fiscal n.º 106, emitida pela empresa Assessoria e
Assistência Médica Ltda., referente à locação de aparelho de
ultra-som, foi paga com o cheque n.º 850599, no valor de R$ 7.505,70,
compensado em 16/09/2005. Na solicitação desta locação, efetuada pela
ex-Secretária Municipal de Saúde, não há especificação do motivo da
contratação, o período, tampouco apresenta pesquisa de preço.
A Nota Fiscal n.º 181, emitida pela empresa Mariano & Malagueta
Ltda., referente à "implantação de pontos de rede no 1º e 2º andar na
Secretaria de Saúde deste município", foi paga com o cheque n.º
850675, no valor de R$ 7.980,00, com data de 20/04/2006. Não foi
apresentada qualquer pesquisa de preços.
Ressalte-se que, mesmo nos casos de dispensa de licitação, é
necessário que se justifiquem os preços pagos por meio de pesquisa de
mercado prévia.

EVIDÊNCIA:
Nota fiscal nº 106 emitida pela empresa Assessoria e Assistência
Médica Ltda., nota fiscal nº 181 emitida pela empresa Mariano &
Malagueta Ltda. e respectivos cheques.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Com relação aos motivos que levaram a Secretaria de Saúde à
locação do equipamento de ultra-sonografia, tal se tornou necessário
por haver um grande número de exames a serem realizados, com demanda
excessivamente reprimida. A falta de realização desses exames traria
prejuízos imensos à saúde das pessoas.
Ademais, os exames dos munícipes de Pirapora são efetuados na
cidade de Itapevi, que fica bem distante da cidade de Pirapora do Bom
Jesus. O tempo que se levaria para o agendamento desses exames naquela
cidade, certamente iria trazer sérios e irremediáveis transtornos para
a população.
Diante disto, optou-se pela locação de um equipamento de
ultrasonografia por um curto espaço de tempo, de maneira a resolver a
demanda reprimida então existente, o que acabou efetivamente
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 88
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
acontecendo, com pleno êxito, uma vez que comparando-se o índice do
ano de 2.004 com o de 2.005, houve uma redução significativa, caindo
de 16,16,98 para 11,7 (doc. 57).
Inegável que ocorreu pesquisa prévia de preço para ambos os
serviços, pois caso contrário nem mesmo se teria condições de ser
efetuada a contratação, já que sequer se saberia por quanto seria
empenhada a verba para tal serviço.
Ocorre que as cotações preliminares ficavam antes armazenadas em
pastas próprias (e não com o processo de aquisição, contratação e/ou
locação), o que já foi agora solucionado após a auditoria da CGU. Não
houve, pois, nenhuma ilegalidade".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa parcialmente acatada.
Embora agora tenha sido apresentado um orçamento para aluguel de
aparelho de ultra-sonografia (documento nº 57) para o outro serviço
apontado não foi apresentada a pesquisa de preços.

3.2.9 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos efetuados sem comprovação da execução das despesas.

FATO:
Foram feitos pagamentos com cheques da conta do PAB, cujas
despesas não foram comprovadas por meio de documentos e que, por este
motivo, deverão ser devolvidos à conta do Programa.
São os cheques:

Cheque nº Data Valor


850452 03.02.2005 R$ 5.800,00
850468 20.01.2005 R$ 750,00
850470 04.01.2005 R$ 178,14
850507 04.05.2005 R$ 971,41
850513 10.05.2005 R$ 700,00
850532 24.05.2005 R$ 900,00
850535 02.06.2005 R$ 290,00
850537 08.06.2005 R$ 320,10
850554 17.06.2005 R$ 900,00
850555 17.06.2005 R$ 900,00
850557 17.06.2005 R$ 1.568,00
850596 30.08.2005 R$ 155,10
850618 07.11.2005 R$ 460,00
850673 19.04.2006 R$ 5.608,00

(*) Os medicamentos relacionados na Nota Fiscal n.º 00463, emitida


pela Mix Medicamentos em 18/04/2005, totalizam R$ 8.900,00. Esta nota
foi paga parcialmente por meio do cheque n.º 850624, emitido em
18/11/2005, no valor de R$ 6.900,00. Não consta a entrada desses
medicamentos no controle do almoxarifado de medicamentos da
Prefeitura. O atesto desta Nota foi feito pelo Secretário de Saúde à
época.
.
A Nota Fiscal referia-se à compra de:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 89
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- 15.000 comprimidos de Metildopa 250mg valor R$ 2.550,00;
- 15.000 comprimidos de Metildopa 500mg valor R$ 3.900,00;
- 40.000 comprimidos de Captopril 25mg valor R$ 1.200,00;
- 25.000 comprimidos de Captopril 50mg valor R$ 1.250,00.
.
(*) A Nota Fiscal n.º 001109, emitida pela Comercial Supri Ltda.-EPP,
também em 18/04/2005, no valor de R$ 25.200,00, foi paga parcialmente
por meio do cheque n.º 850625, emitido em 18/11/2005, no valor de R$
2.200,00. Também neste caso não consta a entrada do medicamento no
controle do almoxarifado de medicamentos da Prefeitura. O atesto desta
nota foi feito pelo Secretário de Saúde à época.
.
A Nota Fiscal referia-se à compra de:
.
- 200 frascos com 50 tiras para dosagem de glicemia Advantage II
valor unitário R$ 126,00; valor total da Nota R$ 25.200,00.
.
(*) Os medicamentos relacionados na Nota Fiscal n.º 001166, emitida
pela Sinafar - Sistema Nacional Farmacêutico Ltda. em 17/03/2005,
totalizam R$ 26.674,00. Esta Nota foi paga parcialmente por meio do
cheque n.º 850567, emitido em 14/07/2005, no valor de R$ 4.674,00. Não
consta a entrada de alguns dos medicamentos no controle do
almoxarifado de medicamentos da Prefeitura.
.
O medicamento cuja entrada não foi confirmada no controle do
almoxarifado da Prefeitura é:
.
- 25.000 cápsulas de Metformina 850mg valor R$ 6.500,00.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário. Extrato analítico emitido pelo setor de
contabilidade da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, a relação das comprovações de
pagamento referente ao cheque nº 850.452, de 03.02.2005, no valor de
R$ 5.800,00 (doc. 58). Esse cheque se destinou ao pagamento da folha
dos servidores da área da saúde. Com relação ao pagamento de R$
5.608,00, foram utilizados para o pagamento de impressos e formulários
para suprir as necessidades do posto de Saúde (doc. 59) .
Com relação aos demais cheques, estamos encaminhando, em anexo, os
comprovantes dos depósitos relativos à devolução (doc. 60) desses
recursos na conta PAB, afastando eventual irregularidade possível.
No tocante à indicação de que teriam sido adquiridos medicamentos
e estes não teriam dado entrada no Almoxarifado da Saúde, restou
prejudicada, pois em oitiva do Secretário de Saúde que respondia pelo
cargo à época, este informou que os mesmos permaneceram na Secretaria
de Saúde e posteriormente foram utilizados em campanha de prevenção à
hipertensão e diabetes. Tal fato foi amplamente divulgado, sendo
inclusive objeto de alto índice de satisfação por parte da população.
Assim, em nenhum momento ocorreu irregularidade na aquisição dos
medicamentos, já que foram utilizados diretamente pelo órgão
requisitante".

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 90


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa parcialmente acatada.
Comprovou-se o depósito do cheque nº 850.452, de 03.02.2005, na conta
da prefeitura por meio de apresentação de extrato bancário.
Também foram apresentadas as notas fiscais referentes a confecção de
impressos para a área de saúde que teriam sido pagas com o cheque nº
850673, de 19/04/2006, no valor de R$5.608,00.
Os valores referentes aos outros cheques cujas despesas não foram
comprovadas foram devolvidos, conforme cópia dos comprovantes de
depósito apresentados e extrato da conta-corrente.
Porém, a devolução dos recursos não elide o fato do gestor ter
efetuado pagamentos de despesas não permitidas pelo Programa.
Além disso, com relação a ausência de comprovação da entrada de alguns
medicamentos constantes das notas fiscais nº 00463, 001109 e 001166 no
Almoxarifado da Saúde, a Prefeitura alegou que os "mesmos permaneceram
na Secretaria de Saúde e posteriormente foram utilizados em campanha
de prevenção à hipertensão e diabetes. Tal fato foi amplamente
divulgado."
Não foram apresentados quaisquer documentos que pudessem comprovar
essas alegações.

3.2.10 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos de despesas não permitidas pelo Programa.

FATO:
Foram feitos pagamentos com cheques da conta do PAB, cujas
despesas não se relacionam com as atividades do Programa. Os recursos
somente devem ser utilizados para pagamento de despesas relacionadas
com as atividades de atenção básica à saúde.
.
São os cheques:

Cheque Data Valor Justificativa



850441 05.01.2005 R$ 1.500,00 Pintura secretaria e PSF
850447 01.02.2005 R$ 1.400,00 Cartucho para impressora
850448 03.02.2005 R$ 660,00 P.I.
850453 16.02.2005 R$ 2.000,00 Suprimento de fundos (*)
850454 16.02.2005 R$10.000,00 NF de 2002, inclui
material de limpeza
850460 21.02.2005 R$ 1.804,03 Aluguel secretaria
850473 Xx R$ 800,00 Diárias não justificadas
850474 05.01.2005 R$ 1.000,00 Suprimento de fundos (*)
850484 22.02.2005 R$ 850,00 P.I.
850485 21.02.2005 R$ 2.766,54 não ficou comprovada
relação empregatícia na
área de atendimento básico
à saúde
850487 28.02.2005 R$ 500,00 Pintura
ortopedia/vigilância
850495 22.03.2005 R$ 1.000,00 Suprimento de fundos (*)
850496 21.03.2005 R$ 1.928,99 não ficou comprovada sua

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 91


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Cheque Data Valor Justificativa

relação empregatícia na
área de atendimento básico
à saúde
850499 01.04.2005 R$ 1.500,00 Pintura vigilância
850503 28.04.2005 R$ 1.600,00 Açougue
850505 05.05.2005 R$ 1.000,00 Suprimento de fundos (*)
850511 10.05.2005 R$ 200,00 Pintura vigilância
850512 09.05.2005 R$ 3.574,20 Furp (contrapartida)
850525 17.05.2005 R$ 708,24 Açougue
850530 19.05.2005 R$ 2.185,00 Pintura vigilância
850540 16.06.2005 R$ 1.449,60 Pintura Secretaria
850543 20.06.2005 R$ 1.804,03 aluguel secretaria
850545 16.06.2005 R$ 397,43 Açougue
850550 20.06.2005 R$ 450,00 funilaria Corsa
(vigilância)
850552 16.06.2005 R$ 1.025,73 Mercado
850556 17.06.2005 R$ 1.000,00 Suprimento de fundos (*)
850558 17.06.2005 R$ 1.000,00 Suprimento de fundos (*)
850560 17.06.2005 R$ 2.057,00 Pintura vigilância
850573 18.07.2005 R$ 2.194,80 Mercado

850577 20.07.2005 R$ 1.804,03 Aluguel secretaria


850579 18.07.2005 R$ 1.760,70 Açougue
850584 28.07.2005 R$ 421,40 não ficou comprovada a
relação empregatícia na
área de atendimento básico
à saúde)
850585 21.07.2005 R$ 983,28 não ficou comprovada a
relação empregatícia na
área de atendimento básico
à saúde)
850586 21.07.2005 R$ 1.563,90 Furp (contrapartida)
850593 25.08.2005 R$ 165,40 Açougue
850597 19.09.2005 R$ 1.864,80 transporte
850599 19.09.2005 R$ 7.505,70 locação ultrassom – não há
justificativa documentada,
nem o período a que se
refere.
850600 19.09.2005 R$ 5.084,55 FL Exata (contrapartida)
850604 20.09.2005 R$ 1.804,03 Aluguel secretaria
850609 30.09.2005 R$ 1.122,64 Planam (contrapartida)
850625 22.11.2005 R$2.200,00 Não houve comprovação de
que os medicamentos
chegaram ao almoxarifado
850639 18.01.2006 R$ 3.608,06 Aluguel secretaria
850660 06.03.2006 R$ 1.832,92 Aluguel secretaria
850670 10.04.2006 R$ 1.804,03 Aluguel secretaria
850706 27.07.2006 R$ 1.616,00 Gás GLP – não houve
comprovação se que a
compra atende apenas a
área da saúde.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 92
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
(*) Com relação às despesas pagas com recursos de suprimento de
fundos, o responsável pelo suprimento deve apresentar além dos
comprovantes das despesa, os documentos que embasaram a realização da
mesma, como por exemplo: ofícios com a convocação para participar de
reuniões em outros municípios com indicação do dia, hora e local e
atas das reuniões com nomes dos participantes. Além disso, deve-se
ressaltar que estão incluídos nesses comprovantes, nota de hotel
referente a período que não corresponde ao evento alegado e nota de
despesa que na verdade foi emitida por estabelecimento registrado na
Receita Federal como Casa Lotérica.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário. Extrato analítico emitido pelo setor de
contabilidade da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, os comprovantes dos depósitos
relativos à devolução de despesas não permitidas pelo Programa, em
razão de divergência em relação à aplicabilidade desse recurso, sendo
certo que a Administração, ao seu ver, aplicou corretamente o recurso.
Mas, de maneira a não sofrer qualquer sanção ela mesma efetuou a
devolução, conforme comprova a cópia anexa (doc. 61). Insta ainda
esclarecer que com relação à Nota Fiscal referente ao cheque nº
850.454, foi restituído o valor de R$ 1.066,40 em atenção ao
apontamento da auditoria da CGU, juntando-se aqui, também, o
comprovante das despesas pagas com os cheques nºs 850484 e 850599,
justificado no item 3.3.8 (doc. 57)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa parcialmente acatada.
A devolução dos recursos, não elide o fato do gestor ter efetuado
pagamentos de despesas não permitidas pelo Programa.

3.2.11 CONSTATAÇÃO:
Transferências indevidas.

FATO:
Os recursos dos Programas PAB - parte fixa, Saúde da Família -
PSF, Saúde Bucal e Agentes Comunitários de Saúde são transferidos para
a conta-corrente n.º 70.106-8 do Banco do Brasil. A Prefeitura
transferiu recursos desta conta para outra conta-corrente da
Prefeitura no Banespa, por meio de emissão de cheques, sob a alegação
de pagamento de salários e outras despesas referente à folha de
funcionários, conforme tabela a seguir:

Cheque nº Data Valor


850472 04.01.2005 R$ 1.207,57
850592 15.08.2005 R$ 20.000,00
R$ 21.000,00
850610 17.10.2005 R$ 14.000,00
850619 17.11.2005 R$ 3.107,87
850633 19.12.2005 R$ 2.790,15
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 93
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Cheque nº Data Valor
850634 19.12.2005 R$ 14.100,00
850642 17.01.2006 R$ 6.600,00
850700 30.06.2006 R$ 39.850,00

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário. Extrato analítico emitido pelo setor de
contabilidade da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, a comprovação da transferência
dos valores para a conta "Folha para Pagamentos dos Médicos e do
Pessoal da Saúde" (doc 62). Com relação ao restante, estamos
encaminhando os comprovantes de depósito na conta PAB (doc. 63),
referente à devolução da importância, por equívoco na utilização do
recurso".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A devolução dos recursos, não elide o fato do gestor ter efetuado
pagamentos de despesas não permitidas pelo Programa.

3.2.12 CONSTATAÇÃO:
Gerenciamento inadequado dos recursos federais do PAB-Fixo.

FATO:
Os recursos dos Programas PAB - parte fixa, Saúde da Família -
PSF, Saúde Bucal e Agentes Comunitários de Saúde são transferidos para
a conta-corrente n.º 70.106-8 do Banco do Brasil. A Prefeitura
transferiu recursos desta conta para outra conta-corrente da
Prefeitura no Banespa, por meio de emissão de cheques, sob a alegação
de pagamento de folha de funcionários.
Esse tipo de procedimento, aliado a ausência de conciliação
bancária mensal com controles que possibilitem identificar a
utilização dos recursos por programa, impedem a análise da adequação
dos gastos aos objetivos de cada programa, dificultando a atuação dos
órgãos de fiscalização e do Conselho Municipal de Saúde. Não há como
desvincular despesas efetuadas à conta do programa do PAB com as
contas do PSF, por exemplo.
A administração de diversas contas do Fundo Municipal de Saúde
para gerenciamento dos Programas de Saúde dificulta o acompanhamento
das despesas, principalmente quanto a sua pertinência a cada Programa.
Ressalte-se que as notas fiscais apresentadas não trazem indicação
da fonte de recursos utilizada e não fazem referência aos programas em
questão. Além disso, o pagamento dessas notas, muitas vezes, é feita
em parcelas, sem que se tenha controle efetivo sobre a quitação das
mesmas ou pagamento em duplicidade, ou ainda, a apresentação da mesma
nota para comprovar despesas de outros programas.
Além disso, foram apresentadas notas fiscais emitidas em 2002,
2003 e 2004, pagas em parcelas, porém vários fatores impedem que seja
verificada a legitimidade desses pagamentos, quais sejam: ausência de
conciliação bancária mensal com controles que possibilitem identificar
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 94
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
a utilização dos recursos por programa, transferência de recursos para
outra conta bancária e o fato de que algumas notas foram emitidas há 4
anos e pagas parceladamente ao longo dos anos, com recursos de fontes
diversas.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário. Extrato analítico emitido pelo setor de
contabilidade da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Isso ocorreu em razão de que em Pirapora existe apenas uma única
agência bancária, do Banco Banespa-Santander, o que por vezes faz com
que para facilitar o recebimento de salário esses sejam pagos por meio
de transferência do Banco do Brasil. Assim, segue em anexo (doc. 64) a
relação dos servidores que receberam seus salários desta forma, de
maneira a afastar qualquer imputação de ilegalidade".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada uma vez que não acrescenta qualquer
informação adicional àquela anteriormente apresentada, permanecendo a
impropriedade constatada, ou seja, gerenciamento inadequado dos
recursos federais do PAB-Fixo.

3.2.13 CONSTATAÇÃO:
Composição do CMS não atende à paridade prevista em lei.

FATO:
A Lei Municipal n.º 776, de 07/02/2005, assim definiu a composição
do CMS - Conselho Municipal de Saúde:
.
I Dos Prestadores de Serviços.
01 (um) Representante da Secretaria;
01 (um) Representante da DIR V;
01 (um) Representante da Prefeitura Municipal;
01 (um) Representante da Entidade Filantrópica;
.
II Dos Trabalhadores do SUS.
04 (quatro) representantes dos trabalhadores da Secretaria Municipal
da Saúde;
.
III Dos Usuários.
04 (quatro) representantes de Entidades ou Associações Comunitárias;
04 (quatro) representantes de Organizações Religiosas.
.
Porém, dos 4 representantes de entidades ou associações
comunitárias, 3 são funcionários da prefeitura:
.
1 merendeira;
1 chefe de divisão e
1 ajudante geral.
.
Também na relação de representantes de organizações religiosas, um
dos suplentes é funcionário da prefeitura.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 95
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Portanto, não está sendo obedecida uma das condições estabelecidas na
Lei n.º 8.142/90, art. 4º, inciso II, que determina que, para que os
municípios recebam os recursos financeiros devem contar com Conselho
Municipal de Saúde com composição paritária.

EVIDÊNCIA:
Ato de nomeação do CMS. Relação de funcionários da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade, o que ocorreu foi que os membros do Conselho
possuíam vínculo com a Administração e tal fato ocorreu principalmente
pelo total desinteresse da população (que é pequena), além do que tudo
já estava sendo feito para consertar esse impasse, que foi
efetivamente resolvido por meio da expedição do Decreto Municipal nº
2416/06 (doc. 65), indicando os novos Conselheiros".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
O gestor confirmou o que foi apontado. As providências adotadas
pelo gestor para sanar o problema não elidem o fato apontado.

3.2.14 CONSTATAÇÃO:
Atuação do CMS não atende ao disposto na Resolução CNS n.º
333/2003, do Ministério da Saúde.

FATO:
As reuniões do CMS têm um caráter informativo, conforme pode se
depreender das atas das reuniões. O Conselho não tem opinado nas
questões de saúde, nem questionado a respeito das despesas efetuadas.
Nas reuniões do Conselho apenas se formaliza a aprovação de medidas já
adotadas, como reflexo do fato de a composição do CMS não ser
paritária, composta em sua maioria por funcionários da Prefeitura,
conforme relatado em ponto específico deste Relatório.
Embora as demonstrações trimestrais de receita e despesa do Fundo
sejam submetidas ao CMS pelo Secretário de Saúde do Município,
conforme disposto na Resolução, este ato resume-se a uma apresentação
das contas de forma global, não exonerando o CMS da responsabilidade
de fiscalizar todos os gastos efetuados, verificando, por exemplo, se
as despesas estão condizentes com o Plano Municipal de Saúde, se os
preços pagos por bens ou serviços são os praticados no mercado, se os
bens entregues estão em uso e atendem ao objetivo proposto, se os
serviços contratados foram efetivamente realizados, se os processos
licitatórios que ampararam a execução das despesas são legítimos, além
de analisar os extratos bancários verificando se há um documento
correspondente a cada débito registrado, sendo que essas verificações
devem ser feitas em todas as contas-correntes que movimentam recursos
da saúde.
Essas fiscalizações têm o intuito de verificar a forma como os
recursos públicos estão sendo aplicados na área de saúde no município.
Conforme Resolução CNS n.º 333/2003, do Ministério da Saúde, são
atribuições do CMS:
"Primeira Diretriz: ...
O Conselho de Saúde consubstancia a participação da sociedade
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 96
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
organizada na administração da Saúde, como Subsistema da Seguridade
Social, propiciando seu controle social.
Parágrafo único. Atua na formulação e proposição de estratégias e
no controle da execução das Políticas de Saúde, inclusive em seus
aspectos econômicos e financeiros.
...
Terceira Diretriz: A participação da sociedade organizada,
garantida na Legislação, torna os Conselhos de Saúde uma instância
privilegiada na proposição, discussão, acompanhamento, deliberação,
avaliação e fiscalização da implementação da Política de Saúde,
inclusive em seus aspectos econômicos e financeiros. A legislação
estabelece, ainda, a composição paritária de usuários, em relação ao
conjunto dos demais segmentos representados.
...
Quinta Diretriz: Aos Conselhos de Saúde Nacional, Estaduais,
Municipais e do Distrito Federal, que têm competências definidas nas
leis federais, bem como, em indicações advindas das Conferências de
Saúde, compete:
...
XIII - Propor critérios para programação e execução financeira e
orçamentária dos Fundos de Saúde e acompanhar a movimentação e
destinação dos recursos.
XIV - Fiscalizar e controlar gastos e deliberar sobre critérios de
movimentação de recursos da Saúde, incluindo o Fundo de Saúde e os
transferidos e próprios do Município, Estado, Distrito Federal e da
União.
XV - Analisar, discutir e aprovar o relatório de gestão, com a
prestação de contas e informações financeiras, repassadas em tempo
hábil aos conselheiros, acompanhado do devido assessoramento.
..."

EVIDÊNCIA:
Atas das reuniões do CMS.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A constatação foi feita baseada nas atas das reuniões, que nem
sempre podem não estar transmitindo de forma fiel o que nelas ocorre,
pois seria menosprezar os componentes do Conselho dizer que os mesmos
não participam das discussões e deliberações, fato que efetivamente
ocorre. As questões levantadas pelos Conselheiros, além de serem
pertinentes, têm o intuito de dar contribuições para as resoluções e
deliberações, sendo essa, aliás, uma das finalidades do Conselho. Na
verdade, a maior falha está centrada na forma equivocada como vêm
sendo elaboradas a Atas das Reuniões. Vale lembrar que alguns
conselheiros participaram de cursos de formação para conselheiros,
ministrado pela Diretoria Regional de Saúde DIR V, e um novo curso
de formação está sendo programado para o próximo ano, com a
participação de outros conselheiros. Poucos são os município que se
preocupam em qualificar seus conselheiros, fato este que não foi
levado em consideração pela auditoria".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
As atas das reuniões devem conter fielmente o que foi discutido
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 97
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
pelo Conselho. Tal documento devidamente assinado é o que comprova a
realização da reunião e o assunto discutido.

3.2.15 CONSTATAÇÃO:
Falhas na elaboração do PMS.

FATO:
O PMS - Plano Municipal de Saúde 2006-2009 traz informações
relevantes a respeito da situação da saúde do Município, como por
exemplo: "o índice de mortalidade infantil do município está dentre um
dos mais altos da região e maior que do Estado ..., mas em 2004 foi de
20,08 o maior da região, sendo que as causas de mortalidade estão
ligadas à (sic) falhas na Atenção Básica e a má condição de vida da
população ...". Ainda conforme relatado no Plano Municipal, em 2004, o
índice do município foi de 20,08, e no Estado de São Paulo, o índice
foi de 14,25. A taxa de mortalidade infantil - razão entre o número de
óbitos de crianças no primeiro ano de vida e o total de nascidos vivos
- é um dos indicadores mais utilizados para avaliar as condições de
saúde de uma população. Já a taxa de mortalidade na infância, que
mostra a relação entre os óbitos de menores de cinco anos e os
nascidos vivos, foi de 28,11 no Município e 16,50 no Estado de São
Paulo.
Porém, embora o Plano Municipal de Saúde traga informações
relevantes a respeito da situação da saúde do Município, não foi
apresentado o Quadro de Metas - QM, que seria parte integrante do PMS,
onde seriam apresentadas metas prioritárias e a programação em saúde.
Com relação à Agenda de Saúde, trata-se de uma ferramenta de
gestão de periodicidade anual que não foi elaborada pelo gestor local
da saúde.
Descumpriram-se, portanto, as Portarias n.º 393 e 548 do
Ministério da Saúde, ambas de 2001.

EVIDÊNCIA:
Plano Municipal de Saúde 2006-2009.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Com relação aos dados apresentados no Plano Municipal de Saúde
sobre o indicador de mortalidade infantil, na época de sua elaboração
foram utilizados dados de 2004, realidade que em 2005 foi modificada
graças ao trabalho de "Atenção Básica" que foi implantado no
município. Em 2005 o coeficiente de mortalidade infantil foi de 11,68
- abaixo da Regional de Saúde (em anexo documento comprobatório - doc.
66). Em relação ao "Quadro de Metas", foi ele apresentado dentro do
Plano de Saúde com o sub-titulo "Objetivos e Estratégias O Novo
Modelo de Organização da Assistência", no qual consta de que forma
será direcionado o Modelo Assistencial proposto e quais as metas que
queremos atingir enquanto Modelo Assistencial. No sub-título
"Investimentos em Saúde" e "Custeio", apresentamos as necessidades
financeiras para execução do Plano, bem como a fonte de recurso. Além
disto no doc. 67 encontram-se contempladas todas ações e o que se
espera de cada uma delas para a efetividade do "Plano Municipal de
Saúde"(em anexo os trechos citados - doc. 68)".

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Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Não foi apresentado um documento referente ao orçamento anual que
apresente de forma detalhada itens como medicamentos, material médico-
hospitalar, capacitação de servidores, diárias, água, energia
elétrica, manutenção de equipamentos, etc. de tal forma que fique
claro onde serão alocados os recursos destinados à saúde durante o
ano.
Com relação ao quadro de metas, o documento citado na justificativa
não apresenta numericamente as metas a serem atingidas bem como
proposta de ações objetivas para que se atinjam tais metas.
AÇÃO :
0589
INCENTIVO FINANCEIRO A MUNICIPIOS HABILITADOS A PARTE V
ARIAVEL DO PISO DE ATENCAO BASICA - PAB PARA A SAUDE DA
FAMILIA
OBJETIVO DA AÇÃO :
Estimular a implantação de equipes de saúde da família, agentes comuni
tários de saúde e equipes de saúde bucal nos municípios, visando à reo
rientação das práticas assistenciais básicas, com ênfase nas ações de
prevenção de doenças e na promoção da saúde.
ORDEM DE SERVIÇO : 182717
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Implantação, composição e funcionamento das Equipes do PSF, além da ve
rificação da infra-estrutura das Unidades Básicas de Saúde onde os a-
tendimentos são prestados.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 210.600,00

3.2.16 CONSTATAÇÃO:
Profissional do PSF-III não está cumprindo a carga horária semanal
de 40 horas.

FATO:
A médica, CRM 54754, profissional da Equipe de Saúde da Família do
PSF-III "Arlinda Maria de Jesus", não comparece ao Posto nas
quintas-feiras.

EVIDÊNCIA:
Visita ao PSF-III, consulta ao Livro de Ponto, Ofício SMS Nº
125/06 da Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus, entrevistas
com a população.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Em relação a esta constatação, a mesma já foi sanada e respondida
à esta Auditoria através do Ofício SMS nº 125/06 (doc. 69). Com
efeito, a profissional de PSF III está cumprindo a carga horária de 40
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 99
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
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horas semanais, sendo que o fato ocorreu por culpa da profissional que
não obedeceu à determinação superior. Lembra-se que tal apuração
restou prejudicada, em que pese aos sábados ser um excelente dia para
atendimento, em razão de que em Pirapora, além do apelo turístico
religioso, também existe a característica de ser uma "cidade
dormitório", e vários trabalhadores somente podem passar por consulta
aos sábados".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A própria justificativa
apresentada reconhece que a médica descumpria a carga horária à época
da fiscalização.

3.2.17 CONSTATAÇÃO:
Falta de ACS sobrecarregando as equipes.

FATO:
O PSF-I possui 10 micro-áreas e duas destas, a 8 e a 9, não contam
com Agentes Comunitários de Saúde - ACS, sobrecarregando o trabalho
dos demais componentes da equipe para que a cobertura seja efetivada.

EVIDÊNCIA:
Relação dos ACS fornecida pela Prefeitura e entrevista com a
equipe de Agentes Comunitários de Saúde do PSF-I.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Essa constatação é real, mas justifica-se porque as contratações
de novos agentes necessitam de um longo processo seletivo, já que não
há mais agentes a ser convocados do último concurso. Já foi solicitado
a abertura de novo processo seletivo, conforme MEMO SMS nº 113/2006,
(doc. 71). Assim que esteja concluído, estas duas áreas terão
cobertura efetivada, sendo que em nenhum momento ocorreu qualquer
prejuízo para a realização do serviço.
Note-se que a Administração, após manifestação favorável do setor
de finanças, elaborou quesitos para a formação do processo seletivo,
que se encontra preste a ser encerrado".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Ainda que a Prefeitura declare
que não houve prejuízos quanto à realização do serviço, é inegável que
os Agentes Comunitários de Saúde tiveram seus encargos aumentados.
AÇÃO :
8581
ESTRUTURACAO DA REDE DE SERVICOS DE ATENCAO BASICA DE S
AUDE - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Financiamento para a adequação e ampliação da rede de serviços de a-
tenção básica de saúde; apoio técnico e financiamento para melhoria a-
dequação da rede de serviços caracterizada como de primeira referência
para a atenção básica.
ORDEM DE SERVIÇO : 181845
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Aquisição de equipamentos hospitalares e material permanente.
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AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
CONVÊNIO SIAFI 505124
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 84.313,35

3.2.18 CONSTATAÇÃO:
Falhas em procedimentos licitatórios.

FATO:
O Plano de Trabalho aprovado para o Convênio n°. 780/2004 (Siafi
505124), celebrado entre Ministério da Saúde e Prefeitura de Pirapora
do Bom Jesus, previa a aquisição de equipamentos hospitalares e
material permanente, conforme relação constante do Processo n.º
25000.059186/04-76:

Equipamento Qtde. Valor Valor


unitário total
Bomba de infusão peristáltico 2 6.974,00 13.948,00
rotativo
Desfibrilador com bateria 1 12.317,00 12.317,00
Foco cirúrgico auxiliar com 3 1 4.620,00 4.620,00
bulbos
Processadora automática para 1 12.500,00 12.500,00
revelação de filme RA
Microcomputador, com monitor, 10 2.280,00 22.080,00
com Windows Professional
Impressora jato de tinta 5 460,00 2.300,00
Computador Servidor de Dados, 1 13.857,00 13.857,00
com Windows 2.000 Server
No Break 2 219,00 438,00
Estabilizador 10 34,00 340,00
TOTAL 82.400,00

.
Foram realizados três processos licitatórios para a aquisição
desses equipamentos, na modalidade convite.
.
a) Carta-Convite n.º 046/2005
Valores em Reais (R$)

Qtd Descrição Comercial Masif Intracath


Supri
2 Bomba de infusão14.517,00 16.404,22 15.484,80
peristáltica rotativa
1 Desfibrilador com7.050,00 7.966,50 7.520,00
bateria,
1 Foco cirúrgico6.150,00 6.949,50 9.678,00
auxiliar com 3
bulbos.
TOTAL 27.717,00 31.320,22 32.682,80
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A cópia do edital anexada ao processo não apresenta o carimbo
indicando que foi afixado.
Faltam os AR da entrega dos convites às empresas convidadas
antecipadamente.
Não constam das propostas a identificação clara das empresas
licitantes, CNPJ das empresas, bem como nome dos representantes
legais.
Na NF não consta número do convênio, embora conste identificação
da carta-convite e número do processo.
.
b) Carta-Convite n.º 047/2005
Valores em Reais (R$)

Qtd Descrição Dakfilm Konimagem Dipafarm


1 Aquisição de uma13.820,00 14.900,00 15.300,00
processadora automática
para revelação de filme de
RX

Nas propostas apresentadas não constam os CNPJ das empresas, nem o


nome dos seus representantes legais.
A cópia da nota fiscal não estava anexada ao processo.
Na nota fiscal de venda da Dakfilm não consta o número do Convênio
nem do processo licitatório.
A composição societária das empresas participantes indica vínculo
entre as empresas, conforme tratado em ponto específico deste
Relatório.
.
c) Convite n.º 057/2005
Aquisição de Equipamentos de Informática para a Secretaria da
Saúde:

Qtd Descrição Best Alto Mar Seven


Computer Digital
10 Microcomputador com22.500,00 23.100,00 23.990,00
processador 2.0 Ghz ou
superior
5 Impressora jato de tinta1.845,00 1.996,00 1.990,00
8 ppm
1 Computador servidor de13.990,00 14.390,00 14.599,00
dados com 2 processadores
2 No break 800,00 998,00 958,00
10 Estabilizador Não cotou Não cotou Não cotou
TOTAL39.135,00 40.484,00 41.537,00

A especificação do computador servidor de dados está incompleta no


edital, embora nenhum dos participantes tenha feito qualquer
questionamento a respeito desse fato e todas as empresas tenham
apresentado cotação com valores muito próximos.
Importante ressaltar que, neste Convite, assim como no Convite n.º
047/2005, há vínculo na composição societária das empresas convidadas.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 102
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Neste caso, há um mesmo sócio-responsável nas 3 empresas, conforme
detalhado em item específico deste Relatório.
Em nenhum processo há estimativa prévia dos preços dos itens
constantes da proposta para que se possa ter uma referência dos preços
propostos. Deve-se observar que as contratações públicas somente
poderão ser efetivadas após estimativa prévia do seu valor, que deve
obrigatoriamente ser juntada ao processo de contratação e, quando for
o caso, ao edital ou convite.
o caso, ao edital ou convite.

EVIDÊNCIA:
Carta-Convite nº 046/2005;
Carta-Convite nº 047/2005;
Carta-Convite nº 057/2005;
Consulta à base de dados de CNPJ e CPF.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Não houve qualquer falha nos procedimentos licitátorios, que em
tudo atenderam ao disposto no § 1º do art. 32 da Lei Federal 8.666/93,
realizado somente com a entrega das propostas. Se houve algum
"conluio" entre os participantes, não é fato que pode ser jogado à
responsabilidade do Poder Público, que só tomou conhecimento dos
sócios de cada licitante após a apresentação dos respectivos contratos
sociais.
Acresce dizer que os convites foram retirados por meio de seus
representantes comerciais ou em alguns casos por meio do proprietário,
e todas as empresas são legalmente constituídas.
Não existe nenhuma irregularidade no processo. O fato de não haver
sido lançado carimbo indicando o convênio não o transforma em
irregular, já que na nota fiscal existe a indicação do processo
licitatório, ou seja, a origem do recurso que originou a abertura do
procedimento licitatório, afastando qualquer espécie de dúvida.
No tocante à falta de estimativa de preço, deve ser levado em
consideração que todo e qualquer empenho deve ocorrer de forma prévia
e, no caso, a cotação existia, mas ficou arquivada em pasta própria.
Tanto isto é verdade que para se possa ser deferido algum projeto
junto ao Ministério, a cotação de preço deve obrigatoriamente
pré-existir, bem como deve passar pela aprovação junto ao órgão
concedente, que possui pessoal habilitado".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Apesar da justificativa apresentada pela Prefeitura de que os
convites foram retirados por meio de seus representantes comerciais ou
em alguns casos por meio do proprietário, não há como identificá-los
no documento referente à entrega do convite e também na proposta
apresentada, tendo em vista que não constam nesses documentos o nome,
CPF e cargo. Não foram apresentadas justificativas para essa falha.
A alegação da Prefeitura, de que à época não tinha conhecimento do
contrato social das empresas convidadas, não procede, observando-se
que, para entregar convites para representantes das empresas ou
procuradores por ela nomeados, a administração deveria ter acesso aos
contratos de representação ou à procuração, bem como aos respectivos
contratos sociais para verificar se a pessoa que assinou o contrato de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 103
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
representação ou outorgou a procuração detinha poderes para tal ato.
Com relação aos convites entregues diretamente aos proprietários das
empresas, de que forma a administração poderia confirmar se
determinada pessoa ainda fazia parte da composição societária da
empresa, sem que tivesse acesso ao contrato social.
Com relação à identificação do convênio nas notas fiscais, embora
a Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus alegue que a mesmas apresentam
indicação do número do processo licitatório, a IN 01/97 estabelece que
as notas fiscais devem apresentar indicação clara do Convênio a qual
se referem.
Quanto ao computador servidor de dados, objeto do Convite nº
057/2005, a Prefeitura não apresentou esclarecimentos para o fato de
todas as propostas apresentarem cotações com valores muito próximos,
apesar da especificação incompleta no convite.
Tampouco foi apresentada a esta Equipe de Auditoria a pasta
própria a que se refere o gestor, na qual constaria a cotação prévia
dos equipamentos. Esta cotação teria sido utilizada pela Prefeitura
como referência para os projetos a serem aprovados pelo Ministério
concedente.

3.2.19 CONSTATAÇÃO:
Restrição à competitividade em certame licitatório.

FATO:
A composição societária das empresas que foram convidadas para
apresentar proposta na Carta-Convite n.º 047/2005, indica que há
vínculo entre as mesmas.
Foram entregues convites para as empresas:
- Dakfilm Comercial Ltda. - CNPJ 61.613.881/0001-00;
- Dipafarm Comercial Ltda. - CNPJ 04.251.933/0001-02 e
- Konimagem Comercial Ltda. - CNPJ 58.598.368/0001-83.
A Dakfilm apresentou a proposta de menor valor: R$ 13.820,00, fato
que se repete quando são convidadas empresas deste grupo.
Todas as empresas tem endereço na região norte da capital
paulista.
.
Com relação à composição societária:
.
- Dipafarm Comercial Ltda.
CPF 085.744.858-41 responsável (o e-mail cadastrado na Receita Federal
refere-se à Dakfilm)
CPF 253.709.548-01
CPF 278.316.588-07 (excluído em 09/02/2004 - filha de sócio da
Dakfilm)
CPF 278.535.698-58 (excluído em 30/08/2004 - filho de sócio da
Dakfilm)
Contador CPF 090.429.288-67 (mesmo da Dakfilm)
.
- Dakfilm Comercial Ltda.
CPF 692.506.348-20 responsável (irmão de sócio-responsável da
Konimagem e mesmo sobrenome de sócios excluídos da Dipafarm)
CPF 132.736.418-27 (mãe de sócios excluídos da Dipafarm e mesmo
sobrenome de sócios da Konimagem)
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 104
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
CPF 032.152.938-38 (excluído em 14/09/2001 - mesmo sobrenome de sócio
da Konimagem e também de sócios excluídos da Dipafarm)
Contador CPF 090.429.288-67 (mesmo da Dipafarm)
.
- Konimagem Comercial Ltda.
CPF 082.014.378-29 responsável (irmão de sócio-responsável da Dakfilm)
CPF 585.786.688-04 mesmo sobrenome de sócios da Dakfilm e de sócios
excluídos da Dipafarm)
.
O vínculo entre as empresas participantes anulou a competitividade
que se busca alcançar com as licitações, podendo-se considerar que
houve uma contratação direta. Esse vínculo foi verificado pela
presença de familiares na composição societária das empresas, bem como
pelo fato de 2 empresas apresentarem o mesmo contador.

EVIDÊNCIA:
Carta Convite nº 0047/2005. Pesquisa nos sistemas da Receita
Federal (CPF e CNPJ).

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Não houve restrição alguma nesse certame, pois foi dada ampla
publicidade ao Edital, inclusive com afixação no átrio da Prefeitura
Municipal de Pirapora do Bom Jesus, aberto a quaisquer interessados em
participar do certame.
A Administração não possuía nenhum indício ou possibilidade real e
necessária de desconfiar da composição societária das empresas
participantes, sendo certo que os preços estavam em consonância com a
cotação preliminar (preço de mercado). Tanto isto é verdade que esta
cotação foi deferida e homologada por Comissão Técnica do Ministério
da Saúde, e sem essa homologação não haveria possibilidade de
aprovação do projeto. Portanto, a competitividade não foi prejudicada.
De toda sorte, a Administração mandou apurar qualquer eventual
irregularidade, visando ver se existiu alguma irregularidade para
eventual aplicação de sanção às licitantes. Ao final, esta apuração
será encaminhada à CGU.
Há de se considerar, ainda, que o fato mais importante é que os
preços estavam abaixo dos preços de mercado (à época), não havendo
nenhum prejuízo ao erário".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A afixação do edital no átrio da prefeitura não elide a
constatação de restrição à competitividade do certame. A respeito da
publicidade na modalidade convite, cabe ressaltar que o TCU, na
publicação "Licitações & Contratos Orientações Básicas 3ª Edição",
observa que para alcançar o maior número possível de interessados no
objeto licitado e evitar a repetição do procedimento e também visando
afastar a discricionariedade do agente público, muitos órgãos ou
entidades vêm utilizando a publicação do convite na imprensa oficial e
em jornal de grande circulação, além da distribuição direta aos
fornecedores do ramo.
Os documentos que comprovam a entrega dos convites, assim como as
propostas apresentadas, não contém o nome, CPF e cargo das pessoas que
teriam praticado esses atos. Porém, a prefeitura deve ter se
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22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
certificado que essas pessoas tinham poderes para tanto.
Portanto, não procede a alegação da Prefeitura de que à época não
tinha conhecimento do contrato social das empresas convidadas,
observando-se que, para entregar convites ou receber propostas de
representantes das empresas ou procuradores por ela nomeados, a
administração deveria ter acesso aos contratos de representação ou à
procuração, bem como aos respectivos contratos sociais como meio de
verificar se a pessoa que assinou o contrato de representação ou
outorgou a procuração poderia fazê-lo. Com relação aos convites
entregues diretamente aos proprietários das empresas, cabe o mesmo
raciocínio. Para a administração confirmar se determinada pessoa fazia
parte da composição societária da empresa, seria necessário acesso ao
contrato social.
No convite não há a fase de habilitação, nem se exige
cadastramento para as empresas convidadas. Porém, essa liberalidade da
lei para a modalidade mais simples de licitação não exime a
administração de garantir a competitividade do certame. A
administração escolhe os participantes do Convite devendo
certificar-se de que sua escolha atenderá aos princípios que norteiam
os procedimentos licitatórios.
Com relação ao fato da cotação ter sido deferida e homologada por
Comissão Técnica do Ministério da Saúde, deve-se observar que os
preços foram apresentados pela Prefeitura e eventual omissão ou falha
na aprovação por parte do concedente não justifica a ausência de
competitividade no procedimento licitatório.

3.2.20 CONSTATAÇÃO:
Ausência de competitividade em certame licitatório.

FATO:
A composição societária das empresas que foram convidadas para
apresentar proposta na Carta-Convite n.º 057/2005, indica que há
vínculo entre as mesmas.
Foram entregues convites para as empresas:
- CNPJ 05.030.875/0001-50 (B.C.B. Ltda. - ME);
- CNPJ 07.104.015/0001-49 (A.M.E.I. Ltda.) e
- CNPJ 03.358.625/0001-18 (S.D.I. Ltda.).
O sócio responsável - CPF 075.397.798-29 é o mesmo nas 3 empresas
que apresentaram proposta.
Neste caso, não houve competitividade, podendo-se equiparar a uma
contratação direta.
Aliado a isso, há indícios de que o menor preço proposto para o
computador servidor de dados indica que o mesmo está acima do preço de
mercado. Não há possibilidade de se realizar uma cotação precisa em
virtude da especificação do equipamento estar incompleta no edital,
embora nenhuma das empresas tenha feito qualquer questionamento e
todas elas tenham apresentado cotações com valores muito próximos.
Deve-se observar que as contratações públicas somente poderão ser
efetivadas após estimativa prévia do seu valor, que deve
obrigatoriamente ser juntada ao processo de contratação e, quando for
o caso, ao edital ou convite.

EVIDÊNCIA:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 106
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Carta Convite nº 0057/2005. Pesquisa nos sistemas da Receita
Federal (CPF e CNPJ).

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Município de Pirapora do Bom Jesus, ao realizar o certame
licitatório objeto deste apontamento, obedeceu ao regramento
pertinente a Lei de Regência sobre o tema.
De fato, não há na lei exigência de prévio cadastramento para
efeito da realização desta modalidade de certame, sendo que ausente os
cadastrados não teria a Fazenda Pública outra solução que não a de
convidar as empresas que eram possíveis dentro do ramo de atuação, em
razão de publicidade efetuada pelas mesmas, pois foi justamente desta
forma que se tomou conhecimento da existência das mesmas.
Imagina-se que não seria possível verificar a existência de
vínculo entre as empresas, vez que apenas se dispunha dos dados
principais das empresas. De outra sorte, está havendo ampla apuração
com relação aos fatos apontados por esta douta auditoria da CGU.
Ademais, face aos preços obtidos no certame não há que se falar em
restrição à competitividade, sendo, porém, contraditória a alegação de
superfaturamento, em decorrência da alegação de que não fora possível
fazer uma cotação precisa, ainda mais que todos e quaisquer
interessados em participar do certame tiveram condição de o fazer.
Para finalizar, em relação à composição societária de determinada
empresa, como já foi esclarecido no item 3.3.4, o Município dispensava
a fase de habilitação por força do § 1º do art. 32 da Lei Federal nº
8.666/93. Ademais, as empresas possuem CNPJ diferentes, localizadas em
regiões distintas e, portanto, não haveria como saber a composição
societária das mesmas".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A justificativa apresentada pela prefeitura para o fato de ter
convidado exatamente 3 empresas cujo sócio-responsável é o mesmo, num
mercado com tantos fornecedores desse tipo de equipamento, foi de que,
não havendo cadastro de empresas fornecedoras na prefeitura e "em
razão de publicidade efetuada pelas mesmas", resolveu convidá-las, sem
saber do vínculo existente.
Não procede a alegação da Prefeitura de que não seria possível
verificar a existência de vínculo entre as empresas, vez que apenas se
dispunha dos dados principais das empresas. Cabe observar que, para
entregar convites ou receber propostas por meio de representantes das
empresas ou procuradores por ela nomeados, a administração deveria ter
acesso aos contratos de representação ou à procuração, bem como aos
respectivos contratos sociais como forma de verificar se a pessoa que
assinou o contrato de representação ou outorgou a procuração detinha
poderes para tal ato. Com relação aos convites entregues diretamente
aos proprietários das empresas, cabe o mesmo raciocínio. Para a
administração confirmar se determinada pessoa fazia parte da
composição societária da empresa, seria necessário acesso ao contrato
social.
A prefeitura está correta quando afirma que no convite não há a
fase de habilitação, nem se exige cadastramento para as empresas
convidadas. Porém, essa liberalidade da lei para a modalidade mais
simples de licitação não exime a administração de garantir a
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 107
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
competitividade do certame. A administração escolhe os participantes
do Convite devendo certificar-se de que sua escolha atenderá aos
princípios que norteiam os procedimentos licitatórios.
Quanto ao equipamento efetivamente adquirido "computador servidor
de dados", a Prefeitura não apresentou esclarecimentos para o fato de
todas as propostas apresentarem cotações com valores muito próximos,
apesar da especificação incompleta no convite. Também não há
justificativas para a ausência de pesquisas de preços. Se tivesse sido
apresentada alguma pesquisa, ela poderia ser utilizada como referência
para uma correta cotação por parte da equipe de fiscalização.
Porém, a ausência dessa pesquisa bem como de algumas informações
na especificação do equipamento não impediu a realização de cotação
que, embora imprecisa, pode ser utilizada como referência. Nos itens
onde poderia haver dúvidas, foi utilizada uma configuração mais cara.
Nessa pesquisa verificou-se que o preço cotado, inclusive por uma das
empresas participantes da licitação, foi menor que o valor pago pela
Prefeitura pelo equipamento.

3.2.21 CONSTATAÇÃO:
Superfaturamento na compra de equipamentos.

FATO:
O objeto da Carta-Convite n.º 046/2005 era aquisição de
equipamentos médico-hospitalares.
A Comercial Supri apresentou o menor preço em todos os itens,
conforme tabela a seguir:

Comercial
Qtd Descrição Masif Intracath
Supri
Bomba de infusão
2 14.517,00 16.404,22 15.484,80
peristáltica rotativa
1 Desfibrilador com bateria, 7.050,00 7.966,50 7.520,00
Foco cirúrgico auxiliar com
1 6.150,00 6.949,50 9.678,00
3 bulbos.
Total ........................... 27.717,00 31.320,22 32.682,80

Conforme cotação solicitada por telefone para a fabricante da


Bomba de Infusão adquirida pelo Município, o preço do equipamento é R$
2.500,00. Equipamento idêntico foi adquirido por outro município, pelo
preço de R$ 2.690,00. A nota fiscal da Comercial Supri indica que o
preço unitário cobrado foi de R$ 7.258,50; portanto aproximadamente
170% maior que os preços pesquisados. Além disso, uma bomba de infusão
foi adquirida pela Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus com recursos do
Convênio n.º 2121/2004, em junho de 2006, pelo preço de R$ 2.460,00.
Com relação ao desfibrilador, o preço informado por um fornecedor
do fabricante do equipamento adquirido foi de R$ 5.850,00. A nota
fiscal da Comercial Supri indica que o preço unitário cobrado foi de
R$ 7.050,50, portanto aproximadamente 20% maior que o preço
pesquisado.
Além disso, há o agravante de a empresa Masif não ter confirmado
participação neste procedimento licitatório, podendo caracterizar
fraude por direcionamento na licitação.
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EVIDÊNCIA:
Carta-convite 046/2005

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Não houve nenhum superfaturamento, pois os valores estão de
acordo com os parâmetros estabelecido "Plano de Trabalho" aprovado
para o Convênio n° 2121/2004 (Siafi 505122) celebrado entre o
Ministério da Saúde e a Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus, que
previa a aquisição de equipamentos hospitalares e material permanente,
conforme relação constante do Processo nº 25000.071035/04-96,
devidamente aprovado pelo Ministério da Saúde, e no Plano de Trabalho
aprovado para o Convênio n° 780/2004 (Siafi 505124), celebrado entre
Ministério da Saúde e Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus, que previa
a aquisição de equipamentos hospitalares e material permanente,
conforme relação constante do Processo n.º 25000.059186/04-76,
devidamente aprovados pelo Ministério da Saúde. Quanto à bomba de
infusão peristáltica rotativa, adquirida pelo Município pelo valor de
R$ 7.258,50, foi aprovado no "Plano de Trabalho" do Ministério pelo
Convênio n° 2121/2004 (Siafi 505122), no valor de R$ 7.392,00. Já no
Convênio n° 780/2004 (Siafi 505124), o valor aprovado é de R$
6.974,00. Pelo desfibrilador com bateria, o município pagou R$
7.050,00, e o valor aprovado no Convênio n° 780/2004 (Siafi 505124)
foi de R$ 12.317,00. Quanto ao preço informado por um fornecedor do
fabricante do equipamento adquirido (de R$ 5.850,00), verifica-se que
a nota fiscal da Comercial Supri indica que o preço unitário cobrado
foi de R$ 7.050,50, portanto 20% a mais que o preço pesquisado, pois
só o ICMs é 18%. Sem fundamento, portanto, a colocação de
superfaturamento.
Deixamos claro, porém, que o equipamento pesquisado não é o mesmo
que a Prefeitura adquiriu, já que o equipamento comprado é muito mais
completo.
Note-se, ainda, que em razão de se tratar de compra de vários
itens que não possuem características mínimas lançadas no edital, não
se pode comprar por imposição de marcas, e sempre haverá variação de
preços.
Assim, resta claro que sempre que ocorrem pesquisas de preço sem
que se tenha a as características do equipamento que se deseja
adquirir, bem como, condições de pagamento, quantidade, prazo, local
de entrega, etc., os preços variam bastante, além, é claro, de ser
necessário verificar se o produto está com escassez ou não no mercado,
fatos estes que devem ser levados em consideração antes de ser
imputado que ocorreu qualquer excesso de preço na aquisição".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura apenas alega que não houve
superfaturamento sem apresentar quaisquer documentos que comprovem
essa alegação.
Com relação ao fato do Plano de Trabalho ter sido aprovado pelo
Ministério da Saúde, deve-se observar que os preços foram apresentados
pela Prefeitura e eventual omissão ou falha na aprovação por parte do
concedente não justifica o superfaturamento dos equipamentos
adquiridos.
Além disso, não há no processo licitatório pesquisa de preços
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realizada pela Prefeitura que pudesse confirmar o preço indicado no
plano de trabalho encaminhado ao ministério concedente.
Com relação à cotação de preços realizada pela equipe de
fiscalização, cumpre esclarecer que alguns preços foram obtidos
diretamente do fabricante do equipamento fornecido para a Prefeitura e
já incluem os impostos incidentes na operação.
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus não apresentou
justificativas para o fato da empresa Masif não ter confirmado sua
participação nesse certame. Ressalte-se que neste caso, o
superfaturamento fica agravado pela ausência de competitividade do
certame com a participação de apenas 2 empresas e pela simulação da
participação de uma terceira empresa, fazendo parecer que o processo
foi lícito.

3.2.22 CONSTATAÇÃO:
Contrapartida não efetivada pela Prefeitura.

FATO:
No termo de convênio havia previsão de contrapartida por parte da
Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus no valor de R$ 2.400,00.
A contrapartida não foi efetivada, sendo inclusive objeto de
cobrança no Parecer Gescon n.º 3151, de 27/07/2006, da Divisão de
Convênios e Gestão do Ministério da Saúde.
Essa mesma Divisão apontou também que a Entidade Convenente não
adquiriu 10 estabilizadores, previstos no Plano de Trabalho
apresentado, e solicitou a devolução do saldo do convênio no valor de
R$ 1.241,35.

EVIDÊNCIA:
Parecer Gescon nº 3151, de 27/07/2006.
Extrato bancário.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, os comprovantes dos depósitos na
conta do convênio relativos à contrapartida, para que não paire dúvida
no cumprimento do convênio por parte da administração (doc. 73)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A Prefeitura apresentou em sua justificativa (doc. 73), a mesma
cópia do recibo de depósito utilizada para comprovar a devolução de
recursos referentes à contrapartida do convênio n.º 853/2004, no valor
de R$1.122,64.
A Prefeitura também não efetuou o depósito do saldo da
contrapartida, no valor de R$ 2.400,00.
AÇÃO :
8581
ESTRUTURACAO DA REDE DE SERVICOS DE ATENCAO BASICA DE S
AUDE - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Financiamento para a adequação e ampliação da rede de serviços de a-
tenção básica de saúde; apoio técnico e financiamento para melhoria a-
dequação da rede de serviços caracterizada como de primeira referência
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para a atenção básica.
ORDEM DE SERVIÇO : 181846
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Aquisição de Unidade Móvel de Saúde.
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
CONVÊNIO SIAFI 505123
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 64,80

3.2.23 CONSTATAÇÃO:
Inconsistências na formalização de Convênio.

FATO:
O Convênio n.º 853/2004 foi firmado entre o Ministério da Saúde e
a Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus, com o objetivo de
adquirir uma unidade móvel de saúde. O valor previsto do Convênio foi
de R$ 64.800,00, sendo R$ 60.000,00 recursos federais e R$ 4.800,00 a
contrapartida municipal. Apesar de constar no SIAFI o início da
vigência como 1/7/2004 e o Termo de Convênio estar publicado no DOU de
2/7/2004, há diversos documentos no processo que indicam que até
1/7/2004 não havia a documentação completa do Convênio.
Constam do Processo 25000.059479/2004-53 os seguintes documentos:
a) fl. 2 - Ofício do Prefeito de Pirapora do Bom Jesus de
10/9/2004 (posterior a 1/7/2004), solicitando ao Ministro da Saúde a
formalização do Convênio;
b) fls. 9 a 14 - Plano de Trabalho sem data;
c) fl. 25 - Memorando do Coordenador Geral de Convênios e
Contratos de 27/10/2004 encaminhando o Processo para análise e parecer
técnico;
d) fl. 26 - Parecer n.º 3047/04 - CGIS/DIPE/SE/MS (Coordenação
Geral de Investimento em Saúde da Secretaria Executiva do Ministério
da Saúde) de 28/10/2004, aprovando a proposta da Prefeitura.
De acordo com a Instrução Normativa STN n.º 1, de 15/1/1997, temos
que: "art.2º O Convênio será proposto pelo interessado ao titular do
Ministério, órgão ou entidade responsável pelo programa mediante a
apresentação do Plano de Trabalho...". Os documentos mencionados,
posteriores a 1/7/2004, indicam que o Plano de Trabalho não estava
elaborado ou a análise desse Plano de Trabalho foi posterior a data
registrada no SIAFI, violando a Instrução Normativa.

EVIDÊNCIA:
Processo do Ministério da Saúde nº 25000.059479/2004-53 .

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Município recebeu em seu favor emenda orçamentária, para
obtenção de unidade móvel de saúde.
A formalização do convênio ocorreu de maneira regular,
obedecendo-se as imposições do Ministério da Saúde, o que levou a
concretização do convênio, logrando o município em adquirir uma
unidade móvel de saúde, há muito esperada face à necessidade da
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população.
No tocante ao encaminhamento de documentos, estes sempre foram
apresentados quando solicitados, sendo certo que a Administração não
possui qualquer gerenciamento sobre a liberação de recursos, não
merecendo qualquer apontamento neste quesito".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Apesar da elaboração do
processo ser competência do Ministério da Saúde, a Prefeitura não
informou qual seria a data do Plano de Trabalho e se esse documento
foi elaborado após a assinatura do Termo de Convênio.

3.2.24 CONSTATAÇÃO:
Aquisição de veículo sem especificação prevista no Plano de
Trabalho.

FATO:
O Plano de Trabalho, relativo ao Convênio n.º 853/2004,
especificou a aquisição de um veículo para transporte de pacientes com
motor a gasolina, 2,4l, de 128cv de potência. A Prefeitura adquiriu
pelo Convite n.º 44/2005 um veículo de potência menor, de apenas 60cv
de potência.

EVIDÊNCIA:
Cópia do Processo de Convênio nº 25000.059479/2004-53 obtido no
Ministério da Saúde/Brasília.
A especificação do veículo consta da fl.13 do Processo de
Convênio.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A imputação de que o veículo foi adquirido sem as características
contidas no Plano de Trabalho não está correta, visto que tudo foi
adquirido em conformidade com o plano de trabalho que foi aprovado
pelo Ministério da Saúde, sendo que a dúvida suscitada está sendo
objeto de apuração por parte da Administração, uma vez que até o
presente momento nada de irregular foi detectado".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O veículo adquirido não atende a
especificação do Plano de Trabalho.

3.2.25 CONSTATAÇÃO:
Irregularidade caracterizada por simulação de procedimento
licitatório, agravada por sobrepreço.

FATO:
A aquisição da unidade móvel de saúde do Convênio n.º 853/2004 foi
realizada através do Convite n.º 44/2005 de 28/6/2005.
O processo do Convite foi executado por um único funcionário, o
Secretário de Administração e Finanças, pois a Portaria n.º 5.571/05,
de 3/1/2005, do Prefeito designou esse Secretário como responsável
pelo julgamento das Cartas Convite do Município, alegando que tal
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procedimento estaria autorizado pelo §1º do art. 51º da Lei n.º
8.666/1993: "§1º No caso de convite, a comissão de licitação,
excepcionalmente, nas pequenas unidades administrativas e em face da
exigüidade de pessoal disponível, poderá ser substituída por servidor
formalmente designado pela autoridade competente.". Entretanto, já
existia na Prefeitura Comissão de Licitação constituída com três
servidores designados pela Portaria n.º 5.897/05 de 1/4/2005; portanto
o argumento de exigüidade de pessoal disponível é sem fundamento. A
centralização no julgamento de convite numa única pessoa é falha de
controle, e a administração municipal também incorreu na falta de
segregação de funções, pois o próprio Secretário de Administração e
Finanças teve a incumbência de julgar as propostas, adjudicar e
autorizar o pagamento.
No processo de Convite n.º 44/2005 não consta a realização de
pesquisa prévia de preços. O Edital e o anexo do Convite são falhos,
pois definem apenas o objeto, "aquisição de veículo tipo ambulância
para simples remoção, furgão, 0km, com potência mínima de 60cv, a
gasolina, na cor branca, para utilização nas unidades de saúde do
Município", mas não definem prazo de entrega, forma de pagamento,
minuta de contrato e formas de garantia do veículo adquirido por prazo
mínimo.
Teriam sido convidadas três empresas: Planam Indústria, Comércio e
Representação Ltda., Med Press Medicamentos e Serviços Ltda. e a NV
Rio Comércio e Serviços Ltda. As duas primeiras empresas estão
localizadas em Cuiabá/MT e a terceira na cidade do Rio de Janeiro/RJ.
O Secretário de Administração e Finanças afirmou que as propostas de
convites são entregues pessoalmente por motoboy, forma inusitada e
pouco factível, já que as empresas estão sediadas em outros estados.
Não constam dos envelopes de propostas carimbo ou evidência que
indique que esses envelopes tenham sido enviados pelos Correios.
A abertura dos convites teria ocorrido em 5/7/2005, com propostas
das três empresas convidadas. A empresa Planam ofereceu o menor preço,
no valor de R$ 63.740,00, para um veículo marca FIAT, modelo Doblô
Cargo 1.3, Furgão 0 Km com equipamentos para simples remoção.
O valor de R$ 63.740,00 tem sobrepreço. Em 25/4/2005 a empresa
Planam realizou a venda de uma ambulância de mesma especificação para
a Prefeitura de Tabapuã pelo valor de R$ 45.900,00, portanto R$
17.840,00 a menos do que o cobrado da Prefeitura de Pirapora do Bom
Jesus.
As empresas Planam e Med Press constam do notório 'esquema dos
sanguessugas', empresas de um mesmo grupo que simularam a realização
de licitações.
O proprietário da empresa a NV Rio Comércio e Serviços Ltda.
afirmou que não participou do Convite n.º 44/2005, portanto teria
ocorrido falsificação de assinatura e de documento. Ressalta-se
entretanto que essa empresa apareceu em diversos convites forjados
pela empresa Planam, como consta do depoimento do Sr. Luiz Antônio
Trevisan Vedoin ao Poder Judiciário.
Observou-se que, apesar da Prefeitura ter realizado o pagamento em
30/9/2005, o veículo ainda está em propriedade da empresa Planam
Indústria, Comércio e Representações Ltda., de acordo com consulta ao
sistema Renavam, em 21/8/2006. Além disso, o veículo de Chassis
9BD22315862008575 consta como de placa KAF7464, Cuiabá - MT,
entretanto o veículo da Prefeitura com esse chassis não apresentava
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placa. A Prefeitura afirmou que não possuía nenhum documento do
veículo, apesar de decorrido onze meses do pagamento. A utilização do
veículo sem placa e sem documentação são violações ao Código Nacional
de Trânsito.
No momento da fiscalização o veículo encontrava-se parado, por
problemas mecânicos. A Prefeitura informou que a ambulância teria
sofrido um acidente, quebrando o pára-brisas e danificando o radiador.
O veículo teria ido para conserto numa oficina, mas retornou ainda com
problemas no radiador.
O atendimento à população está sendo feito por uma ambulância
adquirida por Convênio e por duas ambulâncias alugadas, onde também
foram verificadas irregularidades nos procedimentos licitatórios.

EVIDÊNCIA:
Processo de Convite nº 44/2005
Declaração do proprietário da empresa NV Rio Comércio e Serviços
Ltda
Inspeção do veículo.
Relatório de Fiscalização RF179093.
Auto de Interrogatório encaminhado a CPMI pelo Poder judiciário,
Justiça Federal do Mato Grosso por Ofício de 11/7/2006.

Ambulância doblô

Veículo sem placa

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MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:
"Na realidade, a Administração sempre atua de maneira transparente
e dentro da legalidade, e, no caso presente, tomou conhecimento pelos
meios de comunicação de que a empresa PLANAM fornecedora de uma
ambulância ao Município - poderia ter desenvolvido alguma atividade
ilegal. Diante disso, procurou em seus arquivos e viu que essa empresa
havia vendido uma unidade móvel no ano de 2.005 para Pirapora. Por tal
razão, está investigando se ocorreu alguma irregularidade nesta
contratação, inclusive com a oitiva de representantes das empresas e
servidores de outros órgãos, de maneira a garantir o direito da ampla
defesa.
Até o presente momento, não se apurou a participação de nenhum
servidor municipal que diretamente tenha agido de má-fé, e nem tão
pouco alguma lesão ao erário municipal. Tão logo a apuração seja
encerrada será encaminha ao órgão denunciante para seu conhecimento e
providência que julgar necessária.
Inegável que a unidade vem servindo a população local de maneira
eficiente, sendo efetuada sua conservação e manutenção, o que fez
aumentar a possibilidade de atendimento na área da saúde. Vale dizer,
efetivamente o objetivo do convênio vem e está sendo cumprido.
No que se refere ao documento desse veículo, a administração já
tomou todas as providências para obtê-lo, tendo proposto junto à Vara
Fazendária de Cuiabá (MT) uma ação judicial com esse objetivo,
conforme comprova cópia de distribuição de demanda sob nº 612/2006, 4ª
Vara Fazendária de Cuiabá (doc. 74). Fica, destarte, esclarecida a
razão pela qual o veículo se encontra sem placa, pois foi exatamente
na época do escândalo "Planam" que esse documento deveria ter chegado
à Administração".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Prefeitura não apresentou
justificativas para as constatações relatadas: entrega irregular do
convite e sobrepreço.

3.2.26 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de contrapartida municipal com recursos federais.

FATO:
A unidade móvel de saúde foi adquirida pelo valor de R$ 63.740,00,
sendo que R$ 62.617,36 foram pagos com recursos federais (incluindo o
resultado de aplicação financeira) e R$ 1.122,64 como contrapartida da
Prefeitura Municipal.
A Prefeitura realizou o pagamento de R$ 1.122,64 com recursos
federais do PAB - Piso de Assistência Básica, ao invés de utilizar
recursos próprios, contrariando o previsto no Termo de Convênio.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários, processo de pagamento.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estamos encaminhando, em anexo, os comprovantes dos depósitos
transferindo recursos próprios para a conta PAB (doc. 75), uma vez que
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 115
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
foi cometido um equivoco na Administração. Mas foi resolvido por meio
da devolução da quantia supra".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Entretanto a ação corretiva
posterior da Prefeitura não altera a impropriedade relatada.
AÇÃO :
8581
ESTRUTURACAO DA REDE DE SERVICOS DE ATENCAO BASICA DE S
AUDE - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Financiamento para a adequação e ampliação da rede de serviços de a-
tenção básica de saúde; apoio técnico e financiamento para melhoria a-
dequação da rede de serviços caracterizada como de primeira referência
para a atenção básica.
ORDEM DE SERVIÇO : 181847
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Aquisição de equipamentos hospitalares e material permanente.
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
CONVÊNIO SIAFI 505122
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 128.268,80

3.2.27 CONSTATAÇÃO:
Falhas na execução do convênio.

FATO:
O Plano de Trabalho aprovado para o Convênio n°. 2121/2004 (Siafi
505122), celebrado entre Ministério da Saúde e Prefeitura de Pirapora
do Bom Jesus, previa a aquisição de equipamentos hospitalares e
material permanente, conforme relação constante do Processo n.º
25000.071035/04-96:
O Plano de Trabalho aprovado em 05/01/2005 previa:

Item Descrição Qtd Local Valor


1 Oxímetro de pulso OXP 10 1 Sala Urgência 4.450,00
2 Desfibrilador (A.C.) 1 Sala Urgência 4.450,00
adulto e pediátrico, carga
para 400 Joules.
3 Ventilador Volumétrico 1 Sala Urgência 25.500,00
4 Aspirador Cirúrgico 1 Sala Urgência 1.224,00
Elétrico portátil
5 Bomba de infusão 1 Sala Obs. Fem. 7.392,00
peristáltico rotativo
6 Bomba de infusão 1 Sala Obs. Mas. 7.392,00
peristáltico rotativo
7 Bomba de infusão 1 Sala Obs. 7.392,00
peristáltico rotativo Infantil
8 Ap. de Raio X convencional 1 Sala Raio X 65.800,00
fixo (800 MA) com mesa.
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Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Item Descrição Qtd Local Valor
total 123.600,00
O total de recursos do Convênio é de R$ 123.600,00, sendo R$
120.000,00 por parte do concedente e R$ 3.600,00 como contrapartida da
convenente - Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus. O prazo de
vigência foi prorrogado para 18/12/2006 (incluído o prazo de 60 dias
para apresentação da prestação de contas final).
Foram realizados dois processos licitatórios, na modalidade
convite, para a aquisição do objeto do Convênio, a saber:
.
a) Carta-Convite n.º 026/2006: Aquisição de aparelho de Raio X e
acessórios.
.
b) Carta-Convite n.º 027/2006: Aquisição de equipamentos para sala de
urgência/emergência.
.
Itens da Carta-Convite n.º 027/2006:

Item Qtd. Descrição


1 1 Oxímetro de Pulso
2 1 Desfibrilador pas adulto e pediátrico
3 1 Ventilador volumétrico
4 1 Aspirador Cirúrgico Elétrico
5 2 Bomba de infusão peristáltica rotativa
6 1 Monitor de pressão não invasivo
7 1 Eletrocardiógrafo, 3 canais
8 2 Reanimador pulmonar manual, adulto
9 2 Reanimador pulmonar manual, infanfil
10 3 Suporte de Soro, aço inox, com rodízios
11 1 Laringoscópio, adulto

Os itens 6 a 10 adquiridos nessa licitação não constam do Plano de


Trabalho apresentado e aprovado pelo Ministério da Saúde. Além disso,
a quantidade prevista no Plano de Trabalho para o item 5 (bomba de
infusão peristáltica) era 3 unidades, sendo que foram licitadas apenas
2 unidades desse item.
O Plano de Trabalho estabelece a aquisição de um equipamento de
Raio X de potência 800MA, porém foi adquirido um equipamento de
potência 500MA.
Não há carimbo nas notas fiscais indicando que as mesmas foram pagas
com recursos do Convênio.

EVIDÊNCIA:
Plano de trabalho do Convênio nº 2121/2004.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O município solicitou a reformulação do Convênio nº 2121 através
do ofício GP nº 353/2005, de 04 de agosto de 2005, e como não recebeu
resposta até a data da execução do mesmo, realizou a compra dos
equipamentos que melhor atendiam a necessidade do município e
constavam da solicitação de reformulação. Note-se que a prestação de
contas pode ser encaminhada até o final do mês de dezembro de 2.006.
Em anexo encontra-se cópia da solicitação da reformulação (docs. 76 e
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 117
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
77).
Saliente-se que em todas as notas fiscais já foram lançados os
carimbos mencionando o convênio, em que pese já ter sido lançada nas
mesmas que os equipamentos foram adquiridos, indicando o procedimento
licitatório. Ou seja, este tem efetiva origem no convênio e nenhuma
irregularidade ocorreu.
Ademais, insta esclarecer que o equipamento com 800MA não existe
no mercado, e tanto é verdade que nem mesma a digna auditoria logrou
encontrá-lo para comparar preços. Assim, resta claro que tal
apontamento não pode subsistir, ainda mais pela solicitação de troca
de objetos e prazo para prestação de contas".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus solicitou a alteração do
Plano de Trabalho em 04/08/2005 e os equipamentos foram adquiridos por
meio de licitação em 25/05/2006, antes da sua aprovação formal e antes
da própria solicitação. Segundo a IN nº 01/97, toda e qualquer
alteração do Plano de Trabalho original deve ser submetida e aprovada
pelo Ministério da Saúde para ser executada.
A justificativa apresentada pela Prefeitura de Pirapora do Bom
Jesus quanto à aquisição de um equipamento de Raio X de menor potência
(500MA) não procede, uma vez que o Plano de Trabalho apresentado ao
Ministério da Saúde referia-se a um equipamento de 800MA, o que
pressupõe uma prévia pesquisa de preços de um produto existente no
mercado. A Prefeitura não apresentou quaisquer documentos referentes à
cotação por ela realizada quer seja do equipamento de 800MA ou 500MA.

3.2.28 CONSTATAÇÃO:
Falhas em procedimentos licitatórios.

FATO:
Foram realizados dois processos licitatórios para a aquisição do
objeto do Convênio, na modalidade convite.
.
a) Carta-Convite n.º 026/2006: Aquisição de equipamentos para a
sala de Raio X.
.
As propostas foram apresentadas conforme tabela a seguir:
.
Valores em Reais (R$)

Item Qtd. Descrição Saude Vilson Meditronix


Com. e Proteção
Repres. Radiológica
1 1 Unidade de 47.600,00 N/C 46.200,00
radiodiagnóstico
500mA/90 kV
2 1 Avental, plumbífero 1.280,00 1.300,00 1.234,00
0,50mm, comp. 1,00m
3 1 Cone de extensão 1.450,00 1.490,00 1.232,80
4 1 Passa chassis 4.530,00 4.750,00 4.220,00
5 2 Chassis radiográficos 2.166,00 2.460,00 928,00
e Écran 13x18
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 118
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Item Qtd. Descrição Saude Vilson Meditronix
Com. e Proteção
Repres. Radiológica
6 2 Chassis radiográficos 3.300,00 3.480,00 1.480,00
e Écran 18x24
7 2 Chassis radiográficos 4.640,00 5.060,00 2.188,00
e Écran 24x30
8 2 Chassis radiográficos 6.722,00 6.850,00 2.848,00
e Écran 30x40
9 2 Chassis radiográficos 6.660,00 6.850,00 3.180,00
e Écran 35x35
10 1 Divisor radiográfico 280,00 310,00 207,00
18x24
11 1 Divisor radiográfico 350,00 370,00 322,00
24x30
12 1 Divisor radiográfico 385,00 405,00 362,00
30x40
total 72.641,00 33.325,00 64.601,80

Na proposta apresentada pela empresa Saúde Comércio e


Representação Ltda. não constam: CNPJ, telefone da empresa nem
identificação e qualificação do responsável pela apresentação da
mesma.
Na proposta apresentada pela empresa Vilson Proteção Radiológica
não constam identificação e qualificação do responsável pela
apresentação da mesma.
A empresa Vilson Proteção Radiológica (Nalia Aparecida Domingues
Leite Acessórios ME - CNPJ 06.191.412/0001-32) não apresentou proposta
para o principal item do convite Unidade de Radiodiagnóstico 500mA/
90KV. Portanto, não foram apresentadas 3 propostas válidas para todos
os itens, tampouco foram apresentadas justificativas para a não
repetição do procedimento.
Além disso, o processo foi iniciado em 02/05/2006, a homologação
ocorreu em 30/05/2006, as Notas Fiscais n.º 468 e 469, referentes a
esses equipamentos, foram emitidas em 14/06/2006, o pagamento foi
efetuado em 19/06/2006, porém, o equipamento, conforme carimbo do
almoxarifado, foi recebido apenas em 01/08/2006, data posterior ao
pagamento.
Não há carimbo nas notas fiscais indicando que as mesmas foram
pagas com recursos do Convênio.
Há indícios de fraude neste Processo, conforme detalhado em ponto
específico deste Relatório.
.
b) Carta-Convite n.º 027/2006: Aquisição de equipamentos para sala
de urgência/emergência.
.
Estão anexadas no processo as propostas das empresas Cândido Com.
Mat. Hosp. E Serv. Ltda., R&R Saúde Representações e Comércio Ltda. e
Viamed Produtos Médicos e Hospitalares Ltda.
.
Valores em Reais (R$)

Item Qtd. Descrição Viamed R&R Candido


Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 119
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Item Qtd. Descrição Viamed R&R Candido
1 1 Oxímetro de Pulso 5.900,00 6.050,00 6.100,00
2 1 Desfibrilador pas 10.700,00 10.800,00 10.950,00
adulto e pediátrico
3 1 Ventilador volumétrico 9.985,00 10.970,00 11.200,00
4 1 Aspirador Cirúrgico 3.060,00 3.200,00 3.120,00
Elétrico
5 2 Bomba de infusão 4.920,00 5.400,00 6.040,00
peristáltica rotativa
6 1 Monitor de pressão não 10.500,00 10.580,00 10.700,00
invasivo
7 1 Eletrocardiógrafo, 3 7.950,00 7.900,00 8.200,00
canais
8 2 Reanimador pulmonar 207,36 230,00 192,00
manual, adulto
9 2 Reanimador pulmonar 177,12 201,00 170,00
manual, infanfil
10 3 Suporte de Soro, aço 816,00 780,00 870,00
inox, com rodízios
11 1 Laringoscópio, adulto 322,00 350,00 380,00
total 54.537,48 56.411,00 57.922,00

Em nenhuma das propostas apresentadas consta a identificação e


qualificação do responsável pela apresentação da mesma.
.
O resultado da licitação foi:
.
- Cândido Com. Mat. Hosp. E Serv. Ltda. R$ 362,00,
- R&R Saúde Representações e Comércio Ltda. R$ 8.680,00 e
- Viamed Produtos Médicos e Hospitalares Ltda. R$ 45.387,00.
.
Também não constam do processo as notas fiscais das empresas
Cândido Com. Mat. Hosp. e Serv. Ltda. (R$ 362,00) e R&R Saúde
Representações e Comércio Ltda. (R$ 8.680,00).
Em nenhum processo há estimativa prévia dos preços dos itens
constantes da proposta para que se possa ter uma referência dos preços
propostos. Deve-se observar que as contratações públicas somente
poderão ser efetivadas após estimativa prévia do seu valor, que deve
obrigatoriamente ser juntada ao processo de contratação e, quando for
o caso, ao edital ou convite.

EVIDÊNCIA:
Carta-Convite nº 026/2006;
Carta-Convite nº 027/2006;
Extrato da Conta Corrente;
Nota Fiscal nº 468 e 469.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"a) Carta Convite 26/06
Em apertada síntese, foi alegado que teria ocorrido falha no
procedimento licitatório, pois segundo o que se apurou, os proponentes
não teriam sido identificados. Contudo, tal fato não é capaz de tirar
a legalidade do ato, principalmente porque todos eles confirmaram a
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 120
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
participação no processo licitatório, e na proposta existem elementos
suficientes para identificar a empresa e, acima de tudo, tal fato não
e imprescindível para formalização da proposta.
Note-se, ainda, que todas as empresas possuem habilitação para
participar do certame, estando legalmente estabelecidas e com suas
obrigações tributárias e previdenciárias em ordem. Acima de tudo, são
uma das poucas que possuem registro junto ao Ministério da Saúde para
comercializar o equipamento, e registro junto à ANVISA (docs 78 e 79).
Quanto a imputação que diz respeito ao carimbo na nota fiscal,
acusando data de recebimento do material diversa (posterior) à data do
pagamento, não foi objeto de maior apuração quando da auditoria e por
mero questionamento aos responsáveis pelo recebimento, tal fato já
teria sido esclarecido.
Na realidade, segundo o que foi apurado pela Sindicância aberta
por determinação do senhor Prefeito, logrou-se apurar que o ocorreu
foi uma falha do setor de Almoxarifado, que recebeu efetivamente a
mercadoria na data de 16 de junho (antes do pagamento), conforme
comprova o canhoto de recebimento da empresa. Ocorreu que o
equipamento chegou e foi encaminhado ao Almoxarifado da Saúde e lá
permaneceu até ser encaminhado ao Almoxarifado Central, em razão de
não se possuir local apropriado e estar com problemas no telhado.
No tocante ao carimbo mencionando o convênio, tal fato já foi
solucionado, uma vez que na nota fiscal já menciona o convênio (fonte
de recurso), e o procedimento licitatório.
No caso em tela, um dos proponentes deixou de cotar referido
equipamento, não sendo isso suficiente para causar qualquer prejuízo
ou ilegalidade, pois foi somente um único item, em que já existia
cotação preliminar (doc. 80) não existindo proibição na Lei para esse
procedimento. Registre-se que a demora na abertura de um novo
procedimento poderia acarretar a perda do convênio em razão do prazo
de vigência.
Saliente-se que não existe nenhum questionamento em relação ao
preço pago pela Administração, e tanto isto é verdade que nada foi
apontado, ou seja, os valores na realidade foram adquiridos abaixo do
preço de mercado, possibilitando inclusive a compra de mais
equipamentos com o saldo que remanescente.
.
b) Carta Convite 27/06
Conforme comprovam os documentos em anexo, as Notas Fiscais
expedidas por:
.
Cândido Com. Mat. Hosp. e Ser. Ltda.................. R$ 362,00
R&R Saúde Representações e Comércio Ltda.. ...........R$ 8.680,00
Viamed Produtos Médicos e Hospitalares Ltda......... R$ 45.387,00
.
foram juntadas, dando conta que nada existe de irregular com as
mesmas, inclusive atestando o recebimento do equipamento e
demonstrando a fonte de recurso (doc. 82).
A estimativa prévia, conforme já apontado, ficou em pasta própria,
fato este já resolvido (doc. 81). Ou seja, determinou-se que tudo
fosse juntado ao expediente em questão e renumeradas as suas folhas,
pois além da cotação preliminar efetuada pelo Departamento de Compras,
ainda se valeu do plano de trabalho encaminhado ao Ministério da
Saúde, onde consta o valor dos equipamentos, sendo certo que referido
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 121
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
plano foi analisado e aprovado, não existindo nenhum óbice para sua
utilização.
Saliente-se, ainda, que foram adquiridos equipamentos com preço
bem abaixo daqueles aprovados pelo Ministério da Saúde (item 5,6 e 7,
fls. 52 do relatório), razão pela qual a imputação de falha, como bem
ficou demonstrado, não ocorreu".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus não esclareceu o fato de não
constar das propostas: CNPJ, telefone da empresa e identificação e
qualificação do responsável. Sem os elementos supra citados, não se
pode atestar que a proposta apresentada é legítima e foi assinada por
pessoa qualificada pela empresa para tal ato.
Além disso, a Carta-Convite nº 026/2006, em seu item 3.2
estabelece: "A proposta deverá ser datilografada ou impressa via
computador e assinado pelo responsável, contendo o nome do signatário
e sua função ou cargo na firma, sem rasuras ou borrões".
Com relação à justificativa para a inconsistência entre as datas
de recebimento e pagamento dos equipamentos não foi apresentada a
cópia do canhoto com a data do efetivo recebimento do equipamento.
Quanto à ausência de três cotações válidas para o principal item
do convite Unidade de radiodiagnóstico 500mA/90 kV, o entendimento
do TCU nesses casos é de que o convite deve ser repetido ou devem ser
apresentadas justificativas para a não repetição. O fato de haver uma
cotação preliminar não elide a falha apontada, tendo em vista que esse
cotação foi realizada pela mesma empresa que participou do convite.

3.2.29 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em procedimento licitatório.

FATO:
Há indícios de fraude no Convite n.º 026/2006 realizado para
aquisição de equipamentos para a sala de Raio X.
As propostas das empresas Saúde Comércio e Representação Ltda. e
Vilson Proteção Radiológica, utilizam a mesma fonte e mesmo tamanho de
fonte do processador de texto, de tal forma que colocando-se ambas
contra a luz, verifica-se que há diferença apenas no valor dos itens e
o fato de uma estar com linhas de grade e a outra não.
Além disso, a proposta da empresa Vilson Proteção Radiológica
apresenta o valor total, por extenso, de SETENTA E DOIS MIL,
SEISSENTOS E QUARENTA E UM REAIS, exatamente o valor total da proposta
apresentada pela empresa Saúde Comércio e Representação Ltda. escrita
da mesma forma e com o mesmo erro na grafia da palavra "seiscentos",
porém os itens cotados pela empresa Vilson Proteção Radiológica
totalizam R$ 33.255,00.
O texto "SETENTA E DOIS MIL, SEISSENTOS E QUARENTA E UM REAIS" na
proposta da empresa Vilson Proteção Radiológica deveria expressar o
valor total apresentado na planilha da empresa: R$ 33.255,00. Porém,
evidenciando o fato de que houve manipulação das propostas, houve um
equívoco da pessoa que copiou a proposta da empresa Saúde Comércio e
Representação Ltda. Foram alterados os preços dos itens, mas ficou
mantido o valor total expresso por extenso, originariamente na
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 122
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
proposta da empresa Saúde Comércio e Representação Ltda., inclusive
com o mesmo erro de ortografia.
EVIDÊNCIA:
Carta-Convite nº 026/2006;
Carta-Convite nº 027/2006.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade, o fato mencionado não se apresenta da forma como
alegado, pois comparando-se as propostas se constata que a proposta da
empresa Saúde Comércio e Representação Ltda. possui 3 folhas, enquanto
a proposta da empresa Vilson Proteção Radiológica foi elaborada em
apenas 2 folhas. Como se admitir sobreposição?
Outra divergência se apresenta no tocante aos itens descritos, ou
seja, cada proposta possui seqüência própria, e tanto isto é verdade
que o item "avental" encontra-se lançado em duas páginas na primeira
empresa, e em uma única página na segunda empresa.
Prematuro afirmar que por ter ocorrido similaridade no tipo de
letra e ortografia ocorreu ilegalidade. Na realidade, a Administração
está apurando em procedimento próprio se houve eventual falha
procedimental para, aí sim, poder se valer das sanções previstas na
Lei nº 8.666/93, se for o caso, posto que sempre atuou e atua de
maneira transparente e clara, não admitindo qualquer falha.
Cumpre ainda ser salientado que no procedimento instaurado, até a
presente data não se vislumbrou a participação dolosa de nenhum
servidor público, sendo certo que está sendo apurado se houve algum
"conluio" por parte das licitantes, que negam qualquer prática
irregular. Tão logo se finde a Sindicância, seu resultado será
encaminhado à CGU".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
A afirmação de que as propostas apresentadas pelas empresas Saúde
Comércio e Representação Ltda. e Vilson Proteção Radiológica não
permitem sobreposição, por não possuírem o mesmo número de páginas
(três e duas, respectivamente) não procede, pois, como a empresa
Vilson deixou de apresentar cotação para o primeiro item do certame,
basta deslocar a primeira página da proposta da empresa Saúde para
constatar a coincidência entre a fonte e o tamanho de fonte do
processador de texto, fato esse que se repete na página subseqüente.
A Prefeitura de Pirapora também não justificou como a proposta da
empresa Vilson Proteção Radiológica apresenta, o valor total por
extenso, de SETENTA E DOIS MIL, SEISSENTOS E QUARENTA E UM REAIS,
exatamente o valor total da proposta apresentada pela empresa Saúde
Comércio e Representação Ltda., inclusive com o mesmo erro de grafia
da palavra "seiscentos", fato que evidencia ainda mais a manipulação
de propostas.

3.2.30 CONSTATAÇÃO:
Compra de equipamentos com preços acima do preço de mercado.

FATO:
O objeto da Carta-Convite n.º 026/2006 era a aquisição de
equipamentos para a sala de Raio X.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 123
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
A empresa Meditronix apresentou o menor preço em todos os itens.
.
Foram localizados na Internet apenas os preços dos itens 2, 3, 4,
10, 11 e 12, sendo que os preços pesquisados foram inferiores ao
apresentado pelo vencedor do certame.
.
Valores em Reais (R$)

Pesquisa
Item Qtd. Descrição Meditronix na Sobrepreço
Internet
1 1 Unidade de 46.200,00
radiodiagnóstico
500mA/90 kV
2 1 Avental, plumbífero 1.234,00 563,00 119%
0,50mm, comp. 1,00m
3 1 Cone de extensão 1.232,80 886,00 39%
4 1 Passa chassis 4.220,00 3.930,00 7%
5 2 Chassis radiográficos 928,00
e Écran 13x18
6 2 Chassis radiográficos 1.480,00
e Écran 18x24
7 2 Chassis radiográficos 2.188,00
e Écran 24x30
8 2 Chassis radiográficos 2.848,00
e Écran 30x40
9 2 Chassis radiográficos 3.180,00
e Écran 35x35
10 1 Divisor radiográfico 207,00 174,00 19%
18x24
11 1 Divisor radiográfico 322,00 272,00 18%
24x30
12 1 Divisor radiográfico 362,00 296,00 22%
30x40

EVIDÊNCIA:
Carta-convite 026/2006

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A finalidade do convênio era a adequação e ampliação da rede de
serviços ofertados a população, fato este que foi plenamente atingido.
A alegação de que ocorreu compra de equipamento acima do preço de
mercado não prospera, senão vejamos:
O procedimento licitatório teve como cotação preliminar subsidiar
a compra para o Plano de Trabalho que foi encaminhado e aprovado pelos
órgãos técnicos do Ministério da Saúde e consulta de preços junto ao
mercado (doc. 81).
Note-se que a única variação relevante dentre inúmeros itens foi
apenas a de um único item, que é um tipo especial de avental utilizado
por ocasião do manuseio do equipamento de Raio-X. Na verdade, não se
trata de um simples avental, e sim de um tipo especial, sendo certo
que o apontamento é muito genérico, não se sabendo quais as
características deste avental cotado por meio eletrônico;
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 124
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
A lei não permite efetuar um procedimento licitatório para cada
item, mas sim uma licitação global, com preço unitário, visando
atender de maneira mais rápida e eficiente a necessidade da
Administração, o que efetivamente foi alcançado, já que o preço de
aquisição tinha amparo na cotação preliminar e no Plano de Trabalho
que foi aprovado pelo MS. O preço final foi bem abaixo destes dois
parâmetros.
Trata-se de pedido de compra com cerca de mais de doze itens,
sendo que somente em um caso foi apontado como relevante diferença de
valor (o avental plumbífero), comprado por cerca de 119% de acréscimo,
com suposto prejuízo de R$ 671,00. Na realidade, não foi apresentado
qual foi a fonte, tipo de material, durabilidade, garantia, e ainda se
possui as condições técnicas necessárias a atender o objeto licitado.
Tanto é verdade que a Comissão de Sindicância não conseguiu encontrar
referido preço em nenhum fornecedor, todos eles com preço bastante
próximo do preço vencedor, bem como, há de se considerar que foi feito
um procedimento licitatório visando a aquisição de vários
equipamentos, e não somente de um avental.
Tais fatos devem ser considerados, ou seja, além do prazo para
pagamento, quantidade, local de entrega entre outros, pois caso
contrário não estaríamos atendendo o quesito da isonomia entre os
participantes e praticamente abrindo um procedimento para cada item, o
que poderia inclusive levar ao fracionamento da licitação, fato
inadmissível.
Face ao exposto, não podemos aceitar que referida compra foi
realizada com preço acima do mercado, pois existia cotação preliminar
e plano de trabalho aprovado pelo Ministério da Saúde".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Com relação ao fato do ministério concedente ter aprovado o plano
de trabalho onde constavam os preços dos equipamentos, deve-se
observar que os preços foram apresentados pela própria Prefeitura e
eventual omissão ou falha na aprovação por parte do concedente não
justifica o sobrepreço praticado.
Além disso, com relação à alegação de que foram feitas cotações
para serem utilizadas como referência para o plano de trabalho a ser
apresentado para o ministério concedente, há que se observar que essa
cotações foram realizadas pelas mesmas empresas que foram convidadas
para o certame, donde se conclui que os preços utilizados como
referência também poderiam estar acima do mercado.
Com relação à pesquisa de preços, diferentemente da equipe da
Prefeitura que poderia ter realizado uma ampla pesquisa de preços,
esta equipe de fiscalização, por meio de rápida pesquisa na Internet,
encontrou o preço de alguns itens, sendo que os itens localizados são
equivalentes aos adquiridos pela Prefeitura e apresentaram menor preço
do que o efetivamente pago.
Também não procede a alegação de que "A lei não permite efetuar um
procedimento licitatório para cada item, mas sim uma licitação global,
com preço unitário", tendo em vista que a Prefeitura já utilizou-se do
tipo de licitação "menor preço por item" em outros processos. Além
disso, no convite se faz necessário um mínimo de 3 propostas válidas
por item. Observando-se essa determinação, não há qualquer impedimento
para que se convide mais de 3 empresas, ainda que uma delas só possa
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 125
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
oferecer um item do edital. Neste caso, não haveria fracionamento,
tampouco um procedimento para cada item, como quer fazer acreditar o
gestor em suas alegações.
AÇÃO :
8581
ESTRUTURACAO DA REDE DE SERVICOS DE ATENCAO BASICA DE S
AUDE - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Financiamento para a adequação e ampliação da rede de serviços de a-
tenção básica de saúde; apoio técnico e financiamento para melhoria a-
dequação da rede de serviços caracterizada como de primeira referência
para a atenção básica.
ORDEM DE SERVIÇO : 181848
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Aquisição de Unidade Móvel de Saúde.
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
CONVÊNIO SIAFI 457596
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 86.400,00

3.2.31 CONSTATAÇÃO:
Simulação de licitação na aquisição de ambulância.

FATO:
O Convênio n.º 2027/2002 foi assinado em 5/7/2002 entre o
Ministério da Saúde e a Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus, para a
aquisição de uma unidade móvel de saúde. O valor previsto foi de R$
86.400,00, sendo R$ 72.000,00 recursos federais e R$ 14.400,00 a
contrapartida municipal.
A aquisição foi desmembrada em duas partes: o Convite n.º 12/2003
referente à aquisição do veículo e o Convite n.º 13/2003 referente à
aquisição de 'gabinete de adaptação para ambulância', a saber:
.
Convite n.º 12/2003 de 10/1/2003.
Consta nesse Processo a participação de três empresas: Klass
Comércio e Representação Ltda. (Cuiabá-MT), Esteves e Anjos Ltda. ME
(Itaboraí-RJ) e Francisco Canindé da Silva ME (Cuiabá-MT). A Klass
Comércio e Representação Ltda. apresentou a menor proposta,
R$58.500,00, para um veículo Fiat Iveco.
.
Convite n.º 13/2003 de 10/1/2003.
Teriam participado desse convite três empresas: Enir Rodrigues de
Jesus - EPP (Cuiabá-MT), Vedovel Comércio e Representações Ltda.
(Curitiba-PR) e Lealmaq - Leal Máquinas Ltda. (Belo Horizonte-MG). De
acordo com o processo do Convite, a empresa Enir Rodrigues de Jesus -
EPP apresentou a menor proposta, R$ 27.900,00 para o 'gabinete de
adaptação a um veículo tipo VAN para atendimento médico'.
.
Todas as empresas participantes dos Convites n.º 12/2003 e n.º
13/2003 são integrantes do 'esquema dos sanguessugas', de empresas
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 126
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ligadas à família Vedoin. A aquisição da ambulância foi fracionada em
duas partes para não ultrapassar o limite de R$ 80.000,00 da Lei
8.666/1993, de forma que pudesse ser direcionada, por meio de
convites, a esse grupo de empresas.
O Prefeito Municipal de Pirapora do Bom Jesus homologou os
convites em 22/1/2003, declarando vencedoras as empresas Klass e Enir
Rodrigues de Jesus - EPP.
A União repassou R$ 72.000,00 para a Prefeitura em 29/5/2003. A
Prefeitura realizou o pagamento às empresas em julho de 2003 e janeiro
de 2004. A Divisão de Convênios e Gestão do Ministério da Saúde
verificou que os recursos federais ficaram sem aplicação no período de
maio a julho de 2003, mas de acordo com o Parecer Gescon/MS N.º 1198,
de 2/4/2004, a Prefeitura fez a devolução do correspondente ao
rendimento da aplicação.
Apesar das irregularidades na aquisição do veículo do Convênio n.º
2027/2002, verificou-se que essa ambulância tem sido utilizado para o
atendimento da população.

EVIDÊNCIA:
Auto de Interrogatório encaminhado a CPMI pela Justiça Federal do
Mato Grosso por Ofício de 11/7/2006.
Processo do Convites Nº12 e Nº13

Ambulância Iveco

Vista traseira

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade participaram do certame as empresas: Klass Comércio
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 127
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
e Representação Ltda. (Cuiabá-MT), Esteves e Anjos Ltda. ME
(Itaboraí-RJ) e Francisco Canindé da Silva ME (Cuiabá-MT). A Klass
Comércio e Representação Ltda. apresentou a menor proposta, R$
58.500,00, para um veículo Fiat Iveco.
O objetivo do convênio vem sendo plenamente alcançado, uma vez que
o veículo se encontra à disposição da população, que vem usufruindo da
melhor maneira deste equipamento.
De início verifica-se que no procedimento licitatório adotado não
se vislumbra nenhuma falha procedimental, visto que na realidade o que
se buscou foi o melhor preço.
O relatório da auditoria igualmente não questiona que o preço de
aquisição do equipamento tenha sido adquirido pelo menor preço.
Entende-se que não há que se falar em fracionamento, vez que o
procedimento adequou-se perfeitamente aos termos da lei nº 8.666/93,
ou seja, pagou-se o menor preço nos dois equipamentos, tudo em
consonância com orientação expedida pelo Ministério da Saúde, sendo
certo, que se o próprio órgão concedente aprovou as contas e forneceu
as instruções que foram seguidas, como poder se desejar penalizar o
município, que apenas conseguiu para sua população mais um veículo e
um equipamento muito útil para a melhoria da condição do serviço de
saúde posto a disposição de todos?
Assim o município somente seguiu orientação do Ministério da
Saúde, não podendo ser ele imputada conduta irregular, devendo tal
questionamento ser desconsiderado".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. O fracionamento da licitação permitiu
que os convites fossem dirigidos a empresas fora do Estado de São
Paulo, participantes de esquemas de desvio do erário.
AÇÃO :
8581
ESTRUTURACAO DA REDE DE SERVICOS DE ATENCAO BASICA DE S
AUDE - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Financiamento para a adequação e ampliação da rede de serviços de a-
tenção básica de saúde; apoio técnico e financiamento para melhoria a-
dequação da rede de serviços caracterizada como de primeira referência
para a atenção básica.
ORDEM DE SERVIÇO : 181850
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Construção/Reforma de Unidade de Saúde e aquisição de equipamentos.
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
CONVÊNIO SIAFI 434269
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 355.949,41

3.2.32 CONSTATAÇÃO:
Falta de devolução de recursos na prestação de contas do convênio.

FATO:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 128
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Na análise do Convênio n.º 3832/2001 constatou-se que a convenente
tem a devolver a importância de R$ 32.231,58, devido a falhas na
prestação de contas final do convênio.
As despesas do Convênio totalizaram R$ 323.739,10, sendo que, R$
317.239,10 na construção da obra, objeto do convênio, e R$ 6.500,00 em
pagamento ao projeto básico, peça integrante do processo licitatório
da mesma obra.
O concedente repassou o valor de R$ 263.985,78 sendo que a
contrapartida contratada foi de R$ 65.996,45 e as receitas financeiras
recebidas importaram no valor de R$ 25.988,45 totalizando uma entrada
de R$ 355.970,68.
Quando da finalização do Convênio, os saldos remanescentes,
inclusive os provenientes das receitas obtidas das aplicações
financeiras realizadas, devem ser devolvidos ao ministério repassador
dos recursos no prazo de trinta dias.
Cabe notar que a convenente emitiu o cheque n.º 850012 da
conta-corrente n.º 13.173 - agência 1529 do Banco do Brasil, no valor
de R$ 50.152,75, em 1º de fevereiro de 2005, para pagamento a Dakfilm
Comercial Ltda. Este pagamento não tem relação com o objeto do
Convênio, não fazendo parte, inclusive, da prestação de contas enviada
ao Ministério.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários, Notas de empenho, termo de convênio e processo
licitatório.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Foi solicitado prazo para devolução do valor apurado na prestação
de contas encaminhada (doc. 83), em razão da situação orçamentária da
municipalidade, bem como, no tocante ao cheque mencionado, foi pago
diretamente a empresa contratada para execução da obra, com recursos
do PAB cuja devolução da quantia se deu na conta especifica do PAB,
conforme doc. 85".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
O documento nº. 83 refere-se ao Ofício GB nº 345/06, de
10/11/2006, assinado pelo Sr. Prefeito e dirigido ao Chefe de Divisão
de Convênios do Ministério da Saúde em São Paulo, no qual o gestor
solicita prorrogação do prazo para devolução do recurso.
Esse fato apenas comprova que não houve a devolução de recursos na
prestação de contas do convênio.

3.2.33 CONSTATAÇÃO:
Ausência dos comprovantes de recolhimento ao INSS referente às
contribuições retidas dos prestadores de serviços.

FATO:
A convenente, nos pagamentos efetuados à empresa FL EXATA
COMERCIAL E CONSTRUTORA LTDA, reteve adequadamente os valores
referentes ao desconto de 11% devidos ao INSS sobre a parcela de
mão-de-obra constante nas notas fiscais.
Porém, a convenente não apresentou à equipe de fiscalização, os
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 129
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
comprovantes de recolhimento das referidas retenções à Seguridade
Social que deveriam totalizar a quantia de R$ 17.596,01.
EVIDÊNCIA:
Extratos bancários, Notas de empenho e Notas fiscais.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Considerando o apontamento, está sendo providenciada a devolução
da quantia em favor do INSS (doc. 84), o que será oportunamente
informado a essa Controladoria. Sem prejuízo, já se instaurou processo
administrativo para apurar responsabilidades em razão do fato
ocorrido".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente.
O recolhimento feito ao INSS em 13/11/2006, referente aos valores
retidos da empresa prestadora dos serviços, não elide o fato de que o
gestor, durante um certo período, apropriou-se indevidamente de
recursos destinados à Seguridade Social.

3.2.34 CONSTATAÇÃO:
Pagamento de contrapartida municipal com recursos federais do
PAB-Fixo.

FATO:
Na análise dos pagamentos efetuados pela convenente, constatou-se
que no pagamento realizado a título de contrapartida municipal, por
meio do cheque n.º 850039, no valor de R$ 9.645,65, em 22 de janeiro
de 2004, foram utilizados recursos do PAB Programa de Assistência
Básica.
Da mesma forma, o pagamento realizado em 26 de abril de 2004, no
valor de R$ 11.822,14, por meio do cheque n.º 850313, a título de
contrapartida municipal, teve como origem recursos da conta PAB fixo.
O pagamento realizado a título de contrapartida municipal em 18 de
agosto de 2004, no valor de R$ 12.500,00, por meio do cheque n.º
850377, teve como origem recursos da conta PAB.
O pagamento realizado a título de contrapartida municipal em 14 de
outubro de 2004, no valor de R$ 10.000,00, por meio do cheque n.º
850414, teve como origem os recursos da conta PAB.
O pagamento realizado, a título de contrapartida municipal, em 12
de julho de 2005, no valor de R$ 6.000,00, por meio do cheque n.º
286060, teve como origem recursos do Fundo Municipal de Saúde.
O pagamento realizado, a título de contrapartida municipal, em 19 de
setembro de 2005, no valor de R$ 5.084,55, por meio do cheque n.º
850600, teve como origem recursos da conta PAB.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários, Notas de empenho e Notas fiscais.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Seguem anexos os comprovantes dos depósitos na conta do PAB,
relativos à contrapartida (doc. 85)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 130
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Justificativa acatada parcialmente.
O gestor concordou com os apontamentos e efetuou a devolução dos
recursos no valor de R$55.052,34. Porém, a devolução não elide o fato
de que foram utilizados indevidamente recursos do PAB para efetivar a
contrapartida do convênio.

3.2.35 CONSTATAÇÃO:
Unidade de saúde construída com recursos do Convênio está
concluída desde outubro de 2004, mas não está em uso.

FATO:
O Convênio n.º 3832/2001 firmado com o Fundo Nacional de Saúde
tinha como objeto a construção de unidade de saúde e aquisição de
equipamentos e materiais permanentes.
O valor total do Convênio era de R$ 329.982,63, sendo R$
263.985,78 por parte do concedente, e R$ 65.996,45 como contrapartida
da convenente - Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus.
Os recursos foram liberados da seguinte forma:
Data Valor
22/04/2002 R$ 87.998,26
24/05/2002 R$ 43.996,02
24/05/2002 R$ 43.999,24
12/01/2005 R$ 87.995,26
.
A obra foi realizada e a última medição foi feita em 07/10/2004;
entretanto, a unidade de saúde está fechada desde então, não havendo
utilização contrariamente ao previsto no Plano de Trabalho
apresentado.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários. Medições. Visita ao local. Convênio.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade o que vem ocorrendo são empecilhos técnicos que vem
dificultando a instalação e funcionamento.
A carga elétrica em nosso município varia muito, sendo necessária
a instalação de transformadores entre outros equipamentos, para raio,
etc..., o que vem procrastinando a execução da mudança.
A Administração não vem medindo esforços para sanar de imediato
esse problema, tanto é verdade que neste último mês de outubro
conseguiu junto a Eletropaulo sanar tal dificuldade, o que acabou
viabilizar a instalação da unidade, fato este que irá ocorrer em
meados do mês de janeiro de 2.007.
Ainda é de rigor informar que a demora se deve à dificuldade de
fazer instalar mais equipamentos e móveis, posto que não adianta
colocar para funcionar parcialmente a unidade e sim de maneira
completa. Por isso, foi procedido a um pedido de alteração de projeto,
o que por si só já retarda a instalação/funcionamento.
Seja como for, o valor concedido atendeu parcialmente as
necessidades da unidade.
Isto posto podemos concluir que a demora ocorreu problema técnico
e financeiro, os quais já estão praticamente sanados, de modo que a
partir de meados de janeiro a nova unidade terá mais equipamentos e
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 131
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
proporcionará uma sensível melhora na qualidade dos serviços postos a
disposição da população, que jamais a mesma sofreu qualquer prejuízo
com a demora".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Não houve planejamento adequado por parte do gestor, quando da
formalização do Convênio. A Unidade de saúde está concluída desde
outubro de 2004, sem utilização, caracterizando má gestão dos recursos
públicos, que foram investidos nessa construção sem apresentar
qualquer retorno desse investimento para a população.

3.3 - PROGRAMA
1293
ASSISTENCIA FARMACEUTICA E INSUMOS ESTRATEGICOS
AÇÃO :
0593
INCENTIVO FINANCEIRO A MUNICIPIOS HABILITADOS A PARTE V
ARIAVEL DO PISO DE ATENCAO BASICA - PAB PARA ASSISTENCI
A FARMACEUTICA BASICA - NO ESTADO DE SAO PAULO
OBJETIVO DA AÇÃO :
Conhecer toda a sistemática de aquisição e distribuição dos medicamen-
tos básicos e avaliar a coerência da aquisição e da distribuição com a
programação pactuada na CIB, bem como a execução do Programa nas Uni-
dades de Saúde.
ORDEM DE SERVIÇO : 181809
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Aquisição dos medicamentos básicos conforme PEAF
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 25.798,62

3.3.1 CONSTATAÇÃO:
Uso indevido de recursos federais para efetivação da contrapartida
municipal relativamente ao Programa de Assistência Farmacêutica
Básica.

FATO:
A compra de medicamentos, que faz parte da contrapartida
municipal, foi paga com recursos federais originários ou do Programa
de Assistência Básica - PAB Fixo ou ainda do Fundo Nacional de
Saúde.

EVIDÊNCIA:
Processos de pagamentos de medicamentos que deveriam compor a
contrapartida municipal.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Após a verificação não foi possível localizar os recursos
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 132
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
federais utilizado como contrapartida, mas deixamos claro que todos os
recursos utilizados em contrapartida identificado foram estornado para
conta especifica do programa (doc. 86)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
O documento de nº. 86 citado na justificativa do gestor refere-se
apenas a uma declaração emanada do Sr. Secretário de Administração e
Finanças do município com o seguinte teor:
"... não conseguimos identificar o valor pago indevidamente a
título de contrapartida do programa de Assistência Farmacêutica
Básica. Declaro ainda que todos os valores apurados pela CGU relativos
aos pagamentos indevidos com recursos federais foram devolvidos."
Não foram apresentados comprovantes de pagamento de medicamentos
com recursos próprios, a título de contrapartida.

3.3.2 CONSTATAÇÃO:
Os estoques físicos de medicamentos não correspondem aos
escriturados.

FATO:
O controle de estoques dos medicamentos constantes na relação do
Programa "Dose Certa" é realizado por fichas de prateleira tanto no
almoxarifado central como nas três Unidades Básicas de Saúde.
As receitas médicas são emitidas em uma única via e não são
retidas, apenas carimbadas, impossibilitando a conferência da saída
real de medicamentos em um determinado dia.
Na verificação efetuada, constatou-se, em dois postos de
distribuição de medicamentos e no almoxarifado central, que os
estoques físicos não correspondem aos escriturados nas respectivas
fichas de controle de estoque.
Na Unidade Básica de Saúde n.º 1, constatou-se em inspeção física
que em 75% dos itens analisados o estoque registrado não corresponde
ao real.
Houve falta de medicamento em 12,5% dos casos examinados e sobra
de medicamentos em 62,5% dos casos conforme demonstra a tabela a
seguir:

Medicamento Ficha Prateleira Diferença

Propanolol 690 890 + 200

Furosemida 910 920 + 10

Diperona 150 157 + 7

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 133


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Medicamento Ficha Prateleira Diferença

Eritromicina 50 50 0

Metildopa 1110 1310 + 200

Cimetinina 1340 1340 0

Captropil 2680 2500 - 180

Digoxinina 740 760 + 20

Na Unidade Básica de Saúde n.º 3 constatou-se em contagem física


que em 87,5% dos itens analisados o estoque registrado não corresponde
ao real.
Houve falta de medicamentos em 75% dos casos examinados e sobra de
remédios em 12,5% dos casos conforme demonstrado:

Medicamento Ficha Prateleira Diferença

Captropil 1240 880 -360

Dipirona 176 175 - 1

Metronizadol 8 8 0

Nifetina 420 460 + 40

AAS 990 660 - 330

Polivitaminico 47 37 - 10

Glibenclamida 2660 2400 - 260

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 134


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Aminofilina 980 960 - 20

No almoxarifado central observaram-se diferenças apenas nos


medicamentos controlados, como por exemplo, no item - Diazepan
comprimidos.
Não foram detectadas diferenças significativas na amostra de
medicamentos selecionada na Unidade Básica de Saúde n.º 2.
A conferência física dos estoques, portanto, demonstrou a
ineficácia dos mecanismos de controle sobre a armazenagem e
conseqüentemente sobre a distribuição de medicamentos.

EVIDÊNCIA:
Entrevistas com os responsáveis pela distribuição dos
medicamentos. Conferência das fichas de prateleira.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Primeiramente, impende observar que a auditoria efetuou inspeção
no decorrer do dia e, por isso, houve uma discrepância. De fato, o
sistema de controle que pudemos adotar foi o de controlar as entradas
e saídas ao final do dia. As saídas são lançadas primeiramente em uma
ficha de controle diária, as quais são depois condensadas e lançadas
de uma só vez nas fichas de controle de estoque. Assim, a inspeção
durante o dia não retratou a real situação do estoque.
A par desse aspecto, a implantação de controle de estoques, bem
como o treinamento dos funcionários municipais para operá-los, são
medidas bem recentes, o que naturalmente gera algumas falhas. Deve
ainda ser considerado que o movimento é muito grande, sobretudo porque
a cidade sofre muito com a poluição do Rio Tietê.
O fato é que a Municipalidade tem empreendidos os seus maiores
esforços para corrigir essas falhas. Um dos meios de melhorar a
qualidade desse controle partiu da Secretaria de Saúde, que a
realização de curso de qualificação aos servidores.
Apesar dessas pequenas falhas, que já estão sendo corrigidas, deve
ficar consignando que os medicamentos controlados, estão rigorosamente
inventariados, sem qualquer falha quanto a esse aspecto".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
O fato dos lançamentos serem feitos apenas no final do dia foi
levado em consideração pela auditoria, de tal forma que em uma das
Unidades Básicas de Saúde não foi constatada diferença na quantidade
dos medicamentos verificados.
De qualquer forma, o fato das receitas médicas serem emitidas em
uma única via e não ficarem retidas, apenas carimbadas, prejudica a
conferência da saída real de medicamentos.
Além disso, embora o Município tenha informado que implementaria
medidas a fim de corrigir o problema apontado, a eficácia destas
medidas não pode ser confirmada.

3.3.3 CONSTATAÇÃO:
Falha na alimentação do sistema de acompanhamento de recursos de
Incentivos à Assistência Farmacêutica Básica.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 135


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
FATO:
A Nota fiscal n.º 000463, emitida por Mix Medicamentos Ltda., foi
lançada como contrapartida do Programa de Assistência Farmacêutica
Básica em 18 de abril de 2005, referente à compra dos medicamentos:
.
- Metildopa 250mg 15000 unidades: R$ 2.550,00
- Metildopa 500mg 15000 unidades: R$ 3.900,00
- Captopril 25mg - 40000 unidades: R$ 1.200,00
.
Constatou-se que os referidos medicamentos não constam nessa data
como entrada nas fichas de controle de estoque do almoxarifado
central. O recebimento e atesto da Nota Fiscal não foi feito pela
farmacêutica responsável.
Não há como verificar se essa Nota Fiscal refere-se a medicamentos
efetivamente entregues.

EVIDÊNCIA:
Planilhas de controle de entradas e saídas, fichas de prateleira e
notas fiscais de compra de medicamentos.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Estes medicamentos foram adquiridos para o Programa de Controle
de Hipertensão, sendo que a Secretaria de Estado não os repassavam por
falta de matéria prima face à elevada demanda. Por isso, foram
entregues diretamente nas USF, para utilização no Programa. Essa falha
já foi sanada devendo obrigatoriamente todo e qualquer material
inclusive medicamento ser lançado na ficha e no almoxarifado ficarem
estocados e sob sua responsabilidade".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Não foram apresentados documentos que comprovem a efetiva entrada
desses medicamentos nas USF ou a utilização dos mesmos no Programa de
Controle de Hipertensão.

3.3.4 CONSTATAÇÃO:
Fragilidade nos controles do fluxo de medicamentos entre o
almoxarifado central e os postos de atendimento.

FATO:
Na verificação das planilhas de controles de entrada e saídas de
medicamentos, constatou-se, em 40% dos itens analisados, que a saída
de medicamentos do denominado almoxarifado central não correspondeu a
soma das entradas nos três postos de distribuição de medicamentos.

EVIDÊNCIA:
Planilhas de entradas e saídas de medicamentos e de controle de
estoques.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A eventual falha em controle de fluxo observada pela auditoria
ocorreu de forma equivocada, em razão de ter sido utilizada na ocasião
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 136
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
a planilha de prestação de contas do Farmanet. O período é variável
entre 20 e 30 dias, e as USF geralmente lançam entradas em mês
subseqüente, o que gera uma diferença. Este problema foi equacionado
pelo lançamento diário nas fichas de prateleiras do Almoxarifado
Central".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente.
O fato do gestor ter tomado providências para tentar sanar o
problema por meio de lançamento diário nas fichas de prateleiras do
Almoxarifado Central, não elide o fato de na época havia fragilidade
nos controles do fluxo de medicamentos entre o almoxarifado central e
os postos de atendimento.

4 - 38000 MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO

4.1 - PROGRAMA
0106
GESTAO DA POLITICA DE TRABALHO, EMPREGO E RENDA
AÇÃO :
2272
GESTAO E ADMINISTRACAO DO PROGRAMA
OBJETIVO DA AÇÃO :
Consubstanciar a participação da sociedade organizada na administração
de um Sistema Público de Emprego, em nível nacional, conforme prevê a
Convenção Nº 88 da Organização Internacional do Trabalho - OIT, acom-
panhando a utilização dos recursos financeiros administrados pelo Sis-
tema Nacional de Emprego e no âmbito do Programa de Geração de Emprego
e Renda.
ORDEM DE SERVIÇO : 182193
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Atuação da Comissão Municipal de Emprego no acompanhamento dos progra-
mas a cargo do Ministério do Trabalho e Emprego.
AGENTE EXECUTOR :
P.DO BOM JEUS
ADMINISTRACAO DIRETA MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: Não se aplica

4.1.1 CONSTATAÇÃO:
A Comissão Municipal de Emprego-CME não é atuante.

FATO:
Inicialmente, o Sr. Secretário de Administração e Finanças de Pirapora
do Bom Jesus informou que não havia Comissão Municipal de Emprego
instituída.
Posteriormente, foi apresentada a Lei Municipal nº. 631, de
21/02/2001, que "autoriza o Poder Executivo a firmar convênio ou
acordo com o Governo Federal, através do Condefat/MTb - Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo e dá outras providências."
O Decreto nº 1447/2001, de 12/03/2001, instituiu a Comissão Municipal
de Emprego e a Portaria nº. 3277/2001, de 20/04/2001 nomeou os
componentes da citada Comissão.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 137
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Porém, esta Comissão não é atuante, de tal forma que não há atas de
reuniões realizadas.
Não há foi apresentado qualquer documento que comprove a homologação
de seu Regimento Interno pela Comissão Estadual De Emprego.

EVIDÊNCIA:
Lei Municipal nº. 631, de 21/02/2001, Decreto nº 1447/2001, de
12/03/2001 e Portaria nº. 3277/2001, de 20/04/2001.
Ausência de atas das reuniões da CME.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


Esta constatação não foi apresentada ao gestor para apresentar
justificativas, tendo sido incluída após o encaminhamento do
informativo.

ANÁLISE DA EQUIPE:
O gestor não teve oportunidade de apresentar justificativas tendo em
vista que esta constatação foi incluída após o encaminhamento do
informativo.

5 - 51000 MINISTERIO DO ESPORTE

5.1 - PROGRAMA
0182
ESPORTE DIREITO DE TODOS
AÇÃO :
1056
IMPLANTACAO DA INFRA-ESTRUTURA DO DESPORTO EDUCACIONAL-
NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Implantação de infra-estrutura para a prática desportiva em escolas
públicas de ensino fundamental, tais como construção de quadra e giná-
sios, dentre outras instalações e espaços esportivos.
ORDEM DE SERVIÇO : 182645
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Construção de quadra poliesportiva
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
CONTRATO DE REPASSE
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 108.584,90

5.1.1 CONSTATAÇÃO:
Procedimentos licitatórios em desacordo com a Lei nº 8666/93
(Carta-Convite nº 53/2002).

FATO:
A obra de infra-estrutura esportiva no Município de Pirapora do
Bom Jesus teve suporte financeiro por meio do Contrato de Repasse n.º
134649-49/2001/MET/CAIXA, firmado em 31 de dezembro de 2001, no valor
total de R$ 149.650,28, sendo R$ 110.000,00 em recursos federais e o
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 138
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
restante a título de contrapartida municipal.
O Município de Pirapora do Bom Jesus procedeu à licitação
Carta-Convite n.º 53/2002, tendo como objeto a contratação de empresa
para execução de obras de construção de uma piscina semi-olímpica,
vestiários e uma quadra poliesportiva, no Centro Social Urbano,
localizado no bairro Vila Nova, com julgamento pelo critério de menor
preço.
A citada Carta-Convite não exigiu os documentos de habilitação
para as empresas licitantes. Verificou-se que não consta do processo
documentação relativa à habilitação jurídica, qualificação técnica,
qualificação econômico-financeira, regularidade fiscal, cumprimento do
disposto no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal,
descumprindo-se totalmente o art. 27 da Lei nº 8.666/1993.
O Projeto Básico não se encontrava junto ao processo, e, mesmo
após solicitação, não fora apresentado.
A planilha com a estimativa dos preços unitários levantados pela
Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus estabelecia o valor total da obra
em R$ 149.650,30. A Caixa Econômica Federal considerou adequados tais
preços.
De forma irregular, desde o seu início, o processo teve
prosseguimento.
Foram convidadas três empresas: CKJ-Construtora Kalil Jorge Ltda,
CNPJ 01.405.957/0001-80; Construtora Trevisan Ltda, CNPJ
66.025.776/0001-74 e EAP Engenharia Administração e Participações S/A,
CNPJ 50.243.997/0001-89. Apenas as empresas convidadas apresentaram
propostas.
Seguem-se os valores das propostas de cada empresa:
- CKJ Construtora Kalil Jorge Ltda. R$ 148.825,91
- Construtora Trevisan Ltda. R$ 148.878,23
- EAP Engenharia Administração e Participações S/A. R$ 149.233,88
.
A Comissão Permanente de Licitação procedeu ao julgamento da
Carta-Convite n.º 53/2002 em 21 de junho de 2002, em que se sagrou
vencedora, pelo menor preço, a empresa CKJ Construtora Kalil Jorge
Ltda.
A homologação do resultado e a adjudicação do objeto à empresa CKJ
Construtora Kalil Jorge Ltda ocorreram em 26 de junho de 2002,
efetuadas pelo Prefeito, seguindo o parecer da Comissão Permanente de
Licitação. O Contrato nº 39/2002 foi firmado com a empresa CKJ
Construtora Kalil Jorge Ltda nesse mesmo dia.
O cronograma constante do Plano de Trabalho previa quatro meses
para a conclusão das obras. As obras tiveram seu início em 28 de junho
de 2002, com andamento muito lento desde o seu início, sendo
paralisadas por dificuldades financeiras. A empresa apresentou a Nota
Fiscal n.º 0388, de 29 de julho de 2002, no valor de R$ 15.292,93
referente à primeira medição da obra. O Contrato foi rescindido pelo
Município em 30 de dezembro de 2003, após a decretação da falência da
referida empresa em 29 de agosto de 2003. Não houve liberação de
recursos pela Caixa Econômica Federal.

EVIDÊNCIA:
Processo do Contrato de Repasse nº 134649-49/2001 (Siafi 451948) e
Carta-Convite nº 53/2002.

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MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:
"Na realidade, a Municipalidade efetivamente firmou convênio nos
termos explicitados no item supra, sendo certo que não mediu esforços
para seu cumprimento.
Todas as obrigações assumidas foram cumpridas, e eventuais atrasos
ocorreram por adequação do projeto e demora no encaminhamento da
resposta por parte do órgão concedente, o que sem sombra de dúvida foi
o maior causador dos atrasos.
Inegável que as prorrogações foram deferidas e a verba oriunda do
convênio foi utilizada em proveito deste. Ou seja, em que pese a
demora, não ocorreu qualquer prejuízo para as partes e nem desvio da
finalidade.
Na realidade o projeto foi ampliado às expensas do erário
municipal, de maneira a melhorar as condições de uso e aumentar o
leque de opções no local, sendo que a obra está em condições de uso,
não se vislumbrando motivo para nenhum apontamento".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada, pois no que tange ao procedimento
licitatório não houve manifestação.

5.1.2 CONSTATAÇÃO:
Procedimentos licitatórios em desacordo com a Lei nº 8666/93
(Carta-Convite nº 10/2004).

FATO:
O Município de Pirapora do Bom Jesus procedeu a uma nova
licitação, a Carta-Convite n.º 10/2004, de 19 de janeiro de 2004,
tendo o mesmo objeto da Carta-Convite n.º 53/2002 e o critério de
julgamento pelo menor preço.
A planilha com a estimativa dos preços unitários levantados pela
Prefeitura estabelecia o valor total da obra em R$ 145.382,71. Os
preços foram considerados adequados pela Caixa econômica Federal,
levando-se em conta que para este certame foram descontados os
serviços efetuados pela empresa CKJ, ficando inalterados os demais
quantitativos. A Caixa Econômica Federal considerou o novo valor total
para acompanhamento do contrato de R$ 160.675,64. O novo cronograma
físico-financeiro previa 90 dias para a execução dos serviços.
Novamente, da mesma forma que na licitação anterior, a Carta-
Convite n.º 10/2004 não exigiu os documentos de habilitação para as
empresas licitantes, descumprindo o art. 27, seguindo-se o processo de
maneira totalmente irregular desde o seu início.
Foram convidadas três empresas: Sylvester Construção e
Pavimentação Ltda, CNPJ 03.967.557/0001-94; Estilu's Serviços Gerais
da Construção Civil Ltda, CNPJ 60.917.838/0001-76 e Impacto Comércio e
Pavimentação Ltda, CNPJ 00.421.536/0001-80. Apenas as três empresas
convidadas apresentaram propostas.
Seguem-se os valores das propostas de cada empresa:
- Sylvester Construção e Pavimentação Ltda R$ 145.382,71
- Estilu's Serviços Gerais da Construção Civil Ltda R$ 148.698,73
- Impacto Comércio e Pavimentação Ltda R$ 149.081,40
.
A Comissão Permanente de Licitação procedeu ao julgamento da
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Carta-Convite n.º 10/2004 em 26 de janeiro de 2004, em que se sagrou
vencedora, pelo menor preço, a empresa Sylvester Construção e
Pavimentação Ltda.
A homologação do resultado e adjudicação do objeto da
Carta-Convite n.º 10/2004 ocorreram em 29 de janeiro de 2004, com o
Prefeito acompanhando o parecer da Comissão Permanente de Licitação. A
empresa Sylvester foi contratada pelo valor de R$ 145.382,71.
Este procedimento ocorreu de forma irregular, devido ao vício na
origem, mais uma vez descumprindo-se a Lei nº 8.666/93.

EVIDÊNCIA:
Processo do Contrato de Repasse nº 134649-49/2001 (Siafi 451948) e
Carta-Convite nº 10/2004.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade, a Municipalidade efetivamente firmou convênio nos
termos explicitados no item supra, sendo certo que não mediu esforços
para seu cumprimento.
Todas as obrigações assumidas foram cumpridas, e eventuais atrasos
ocorreram por adequação do projeto e demora no encaminhamento da
resposta por parte do órgão concedente, o que sem sombra de dúvida foi
o maior causador dos atrasos.
Inegável que as prorrogações foram deferidas e a verba oriunda do
convênio foi utilizada em proveito deste. Ou seja, em que pese a
demora, não ocorreu qualquer prejuízo para as partes e nem desvio da
finalidade.
Na realidade o projeto foi ampliado às expensas do erário
municipal, de maneira a melhorar as condições de uso e aumentar o
leque de opções no local, sendo que a obra está em condições de uso,
não se vislumbrando motivo para nenhum apontamento".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada, pois no que tange ao procedimento
licitatório não houve manifestação.

5.1.3 CONSTATAÇÃO:
Obras atrasadas com sucessivas paralisações.

FATO:
A empresa Sylvester Construção e Pavimentação Ltda apresentou a
primeira medição em 11 de março de 2004, e a correspondente Nota
Fiscal n.º 077, de 2 de março de 2004, no valor de R$ 36.274,14. O
primeiro pagamento à empresa Sylvester foi de R$ 11.372,72 com o
cheque nº 001 compensado em 15 de março de 2004.
A Caixa Econômica Federal, por intermédio do RAE - Relatório de
Acompanhamento de Empreendimento, de 31 de março de 2004, aponta ritmo
lento dos serviços.
Na mesma data, emite parecer considerando viável o prosseguimento
dos serviços e a conclusão da obra em 90 dias.
Posteriormente, a empresa Sylvester Construção e Pavimentação Ltda
apresentou a segunda medição em 16 de abril de 2004, e a
correspondente Nota Fiscal n.º 079, de 15 de abril de 2004, no valor
de R$ 42.755,31.
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O RAE seguinte, de 4 de agosto de 2004, glosou alguns itens da
segunda medição e apontou que os serviços estavam aparentemente
paralisados, além de algumas outras pendências. Novo RAE, de 27 de
agosto de 2004, acolhe as providências adotadas, reitera que os
serviços estão paralisados e considera fraco o desempenho do agente
executor. A equipe técnica da Caixa atesta a realização de serviços
referentes à 3ª etapa relativa ao Contrato de Repasse.
Em 30 de agosto de 2004, os técnicos da Caixa atestam o
cumprimento da 4ª etapa relativa ao Contrato de Repasse. A Caixa
desbloqueia recursos referentes à 3ª etapa no valor de R$ 5.810,49
mediante o depósito da contrapartida de R$ 2.094,43, e referentes à 4ª
etapa no valor de R$ 14.368,32 mediante o depósito da contrapartida de
R$ 5.179,16.
Note-se que, até 1º de setembro de 2004, todas as liberações de
recursos ocorreram em conformidade com as fiscalizações dos técnicos
da Caixa Econômica Federal e as subseqüentes autorizações, tendo o
Município depositado os valores de contrapartida indicados pela Caixa.
Aparentemente as obras ficaram paralisadas desde a segunda
medição.
Em 27 de abril de 2005 a Caixa informa alteração no prazo de
vigência do contrato, que passa a ser até 30 de dezembro de 2005. As
obras deveriam ter sido concluídas no final de abril de 2004.
A empresa Sylvester Construção e Pavimentação Ltda apresenta
terceira medição em 3 de maio de 2005, e a correspondente Nota Fiscal
n.º 114, de 2 de maio de 2005, no valor de R$ 66.346,36.
Em 3 de junho de 2005, a Caixa informa à Prefeitura que a
prestação de contas parcial apresentada está inconsistente e pede
providências.
No RAE - Relatório de Acompanhamento de Empreendimento, de 16 de
junho de 2005, a Caixa informa que houve alterações no projeto inicial
e que foram aceitas pela Caixa. As alterações incluem a construção de
outras duas piscinas menores, de uma lanchonete e de arquibancada,
cujas obras foram licitadas e ganhas pela mesma empresa que já atuava
no projeto inicial, ou seja, a Sylvester Construção e Pavimentação
Ltda.
Os custos referentes a esses novos serviços não foram objeto de
reprogramação do contrato inicial e são assumidos pela Prefeitura.
Ressalte-se que não houve alteração do objeto pactuado e sim o
acréscimo de novas benfeitorias no mesmo local, cujas obras realizar-
se-iam paralelamente às do projeto original.
Essas obras adicionais é que teriam atrasado a evolução do projeto
original.
Adicionalmente, o mesmo Relatório aponta que não foi apresentado o
relatório de execução físico-financeira do período e que a planilha de
medição da construtora está errada, e ainda que os serviços estão em
ritmo lento.
Em 16 de junho de 2005 a Prefeitura, por meio do Ofício nº 010/05,
informa "que o objeto do contrato 0134649-49 está 100% físico-
excutado" (sic), informação esta que será mais tarde denegada pela
própria Prefeitura.
Em 29 de junho de 2005, a Caixa atesta o cumprimento de outra
etapa do Contrato de Repasse nº 134649-49/2001 e informa que serão
desbloqueados os valores correspondentes mediante o depósito da
contrapartida indicada. Na mesma data, mediante Ofício n.º
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4095/GIDUR/SP, declara que a prestação de contas parcial apresentada
pela Prefeitura está incompleta e solicita informações.
Em 30 de junho de 2005, o Contrato de Repasse recebe um termo
aditivo que altera a contrapartida a que está obrigado o Município
para R$ 50.675,54.
A última liberação de recursos é comunicada à Câmara Municipal em
30 de junho de 2005. A Caixa atestou o cumprimento da 5ª etapa
relativa ao contrato, e desbloqueou recursos no valor de R$ 50.501,87
mediante depósito de contrapartida por parte da Prefeitura, o que foi
verificado. O cheque n.º 000007, com o valor de R$ 51.053,43, foi
compensado em 1º de julho de 2005. Até a data deste Relatório, não se
obteve a cópia deste cheque nem sequer a Prefeitura apresentou a
prestação de contas correspondente.
Em 10 de fevereiro de 2006, a Caixa encaminha o Ofício nº
889/06/GIDUR/SP à Prefeitura, em que declara que o Sr. Adeguimar
informou que as obras não estavam concluídas, contrariando o Ofício
n.º 010/05, de 16 de junho de 2005 da própria Prefeitura.
No Ofício SMO 03/06, de 19 de abril de 2006, a Prefeitura informa
que foi retomado o andamento das obras, ou seja, admite que emitiu
informação falsa no Ofício n.º 010/05, de 16 de junho de 2005.
Em 4 de julho de 2006, é prorrogada a vigência do Contrato de
Repasse nº 0134649-49/01 para 30 de setembro de 2006.
Tudo isto posto, e após visita à obra, conclui-se que a construção
de infra-estrutura esportiva apresenta a execução física informada no
último Relatório de Acompanhamento de Empreendimento, e que as
liberações de recursos pela Caixa ocorreram em conformidade com as
inspeções técnicas efetuadas.
Note-se que a placa afixada na obra contém o número errado do
Contrato de Repasse, constando na placa o número 136649-49/2001, sendo
o número correto 134649-49. A obra encontra-se atrasada principalmente
devido à ampliação do projeto inicial, mas também devido ao não
cumprimento dos prazos contratuais pela empresa contratada para as
obras. A Prefeitura não apresentou os relatórios de execução
físico-financeira em conformidade com o exigido pelo Contrato de
Repasse, nem tampouco as prestações de contas parciais.

EVIDÊNCIA:
Processo do Contrato de Repasse nº 134649-49/2001 (Siafi 451948).
Visita à obra. Relatório fotográfico:

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 143


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Placa de Divulgação e Identificação
da obra com indicação incorreta do
número do Contrato de Repasse
Piscina não concluída

Materiais de construção ao fundo, Entulho espalhado pela lateral da


incompatíveis com a utilização da piscina, indicando obra ainda
piscina inconclusa

Quadra incompleta

Quadra nua e arquibanca sem


Instalações anexas inconclusas
acabamento adequado

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Vestiário não concluído

Materiais para construção Instalações elétricas e hidráulicas


espalhados pendentes, impossibilitando uso

Materiais espalhados e instalações Portas e paredes com revestimento


sanitárias ainda com papel sem acabamento

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Luminária sem lâmpada e restos de
Pias sem instalação de torneiras
materiais de construção

Porta e instalação sanitária sem Porta e revestimento de parede sem


acabamento adequado acabamento

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Na realidade, a Municipalidade efetivamente firmou convênio nos
termos explicitados no item supra, sendo certo que não mediu esforços
para seu cumprimento.
Todas as obrigações assumidas foram cumpridas, e eventuais atrasos
ocorreram por adequação do projeto e demora no encaminhamento da
resposta por parte do órgão concedente, o que sem sombra de dúvida foi
o maior causador dos atrasos.
Inegável que as prorrogações foram deferidas e a verba oriunda do
convênio foi utilizada em proveito deste. Ou seja, em que pese a
demora, não ocorreu qualquer prejuízo para as partes e nem desvio da
finalidade.
Na realidade o projeto foi ampliado às expensas do erário
municipal, de maneira a melhorar as condições de uso e aumentar o
leque de opções no local, sendo que a obra está em condições de uso,
não se vislumbrando motivo para nenhum apontamento".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada, pois os atrasos já aconteceram antes da
ampliação das benfeitorias e não houve manifestação quanto à ausência
de prestação de contas. Além disso, tais atrasos estão comprometendo
a conservação da infra-estrutura esportiva já construída e impedindo o
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 146
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alcance do objetivo pretendido.

6 - 55000 MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME

6.1 - PROGRAMA
0068
ERRADICACAO DO TRABALHO INFANTIL
AÇÃO :
2060
ATENDIMENTO A CRIANCA E AO ADOLESCENTE EM ACOES SOCIOED
UCATIVAS E DE CONVIVENCIA - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Garantir proteção à criança e ao adolescente com idade de 7 a 15 anos
que tiverem seu direito ao não trabalho violado. A proteção ocorrerá
através da garantia de permanência na escola, fortalecendo seu
processo de aprendizagem por meio da participação em atividades
sócio-educativas e de convivência comunitária, que contribuirão
para a ampliação do seu universo cultural e social e também por meio
do pagamento da bolsa Criança Cidadã.
ORDEM DE SERVIÇO : 183272
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Atuação do gestor municipal no tocante a aplicação/destinação dos
recursos recebidos pelo município, o atendimento das metas
pactuadas e os controle internos existentes.
Execução da Jornada Escolar Ampliada no tocante às atividades
desenvolvidas e controle internos existentes, e ainda, a existência e
atuação da Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil-
CMETI.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 90.110,00

6.1.1 CONSTATAÇÃO:
Atendimento inferior à meta prevista.

FATO:
A meta do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, no
Município de Pirapora do Bom Jesus, é o oferecimento da jornada
ampliada em horário alternativo ao escolar e pagamento de bolsa mensal
de R$ 40,00 a 92 crianças ou adolescentes até 15 anos.
Durante os trabalhos de campo, constatou-se que a Secretaria
Municipal da Promoção Social trabalha com um cadastro de 90
beneficiários, 46 que freqüentariam a jornada no período da manhã e 44
à tarde.
No entanto, durante três visitas em dias diferentes, verificou-se
que não havia mais do que 25 jovens em cada período, fato confirmado
por um dos monitores como usual.
A análise dos registros de freqüência de agosto de 2006 (até o dia
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 147
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22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
22) revela que a freqüência média no mês foi de 15,69 participantes no
período da manhã e 24,69 à tarde.
Verifica-se que são vários os fatores que contribuíram para o
esvaziamento da jornada. A administração municipal não tem cumprido
adequadamente seu papel na execução do Programa. A carga horária
semanal, inferior ao estipulado, e a precariedade das atividades e da
alimentação oferecidas caracterizam falha na contrapartida municipal
na execução do Programa. O não pagamento pontual das bolsas aos
beneficiários constitui negligência e omissão graves.
O conjunto de deficiências apontadas vem provocando o
descumprimento da meta pactuada.
participante pela Secretaria, a mesma informou não estar mais
freqüentando a jornada porque "não tinha o que fazer lá, ficava um
olhando para a cara do outro".
4) Ausência de alimentação adequada.
Apesar de haver recursos federais sem movimentação na conta
corrente do Programa, a Prefeitura não tem oferecido aos participantes
a complementação alimentar que poderia ser mais um elemento a
despertar o interesse dos beneficiários.
De acordo com informação da própria Secretária da Promoção Social,
em 2006 a alimentação tem consistido em lanche
5) Jornada oferecida apenas de segunda a quinta feira.
Às sextas-feiras não há funcionamento da jornada do PETI. Os
responsáveis afirmam que utilizam esse dia da semana para a formação
dos monitores. No entanto, em consulta ao livro de registro das
atividades de 2006, foi possível verificar que, durante o ano, houve
apenas uma reunião por mês, com atividades curtas que não poderiam
ocupar os dois períodos.
.
A administração municipal não tem cumprido adequadamente seu papel
na execução do Programa. A carga horária semanal, inferior ao
estipulado, e a precariedade das atividades e da alimentação
oferecidas caracterizam falha na contrapartida municipal na execução
do Programa. O não pagamento pontual das bolsas aos beneficiários
constitui negligência e omissão graves.
O conjunto de deficiências apontadas vem provocando o
descumprimento da meta pactuada.

EVIDÊNCIA:

Aula de música em 01/08/2006, com 12 participantes presentes

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 148


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.

Crianças e adolescentes sem adulto presente - 23/08/2006

.
Registros de freqüência dos participantes do PETI de 2005 e 2006.
Registros das atividades de capacitação dos monitores realizadas em
2006. Entrevista a monitores e à Secretária da Promoção Social.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Município de Pirapora do Bom Jesus está executando o Programa
de Erradicação do Trabalho Infantil nos moldes propostos pelo
Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Neste contexto é de se observar bons resultados como a diminuição
crescente do trabalho infantil da ordem de 80%.
O desafio de enfrentar essa redução era enorme. De fato, as
atividades turístico-religiosas, que constituem base da economia
local, acabavam atraindo inúmeras crianças que pediam esmolas em troca
de "guardar" veículos estacionados nas vias públicas. Além disso,
existiam muitas crianças dedicadas ao recolhimento de lixo reciclável
e outras sub-atividades.
O Trabalho multisecretarial aliado esforços com este Programa e
com os Conselhos Municipais, possibilitou a evolução no
desenvolvimento das políticas de proteção a criança e Adolescente.
A jornada ampliada deste município vem atender as designações
constantes do programa, funcionando em local de apoio, com ampla área
de lazer, refeitório, e duas salas para execução das atividades,
cumprindo o objetivo de um bom desempenho escolar e freqüência na
escola, contribuindo para enriquecimento do universo cultural e
artístico das crianças atendidas já que se volta ao trabalho de
cultura local ("samba de roda"), cultura regional ("bumba meu boi"),
além de exercer atividades físicas e trabalhos em sala de aula
voltados a atividades artísticas (doc. 87).
Periodicamente são realizadas atividades envolvendo as famílias ao
Programa de Forma a Sensibilizar e atender aos ditames gerais do
Programa, bem como integra-las na sociedade como cidadãos mais
conscientes. Destacando os critérios determinados pelo Ministério para
a manutenção do Programa, cujo fato inclusive constou de ata do CMETI.
Quanto à freqüência das crianças apontada pela auditoria no dia da
visita, insta esclarecer que sazonalmente podem ocorrer baixas na

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 149


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freqüência do programa, mas nestes casos de imediato a equipe gestora
e CMETI, implementa medidas para verificar as ocorrências solicitando
até mesmo pareceres sociais, visando identificar as reais ocorrências
(doc. 88).
Jornais de Circulação local vem demonstrando a importância dos
programas sociais e do ganho cultural, educacional, de saúde e de
cidadania para as crianças integrantes do projeto, demonstrando o
conhecimento da sociedade e seu controle social (doc. 89), bem como
atuação dos integrantes do Programa na transformação social.
As crianças inseridas no programa estão freqüentando escolas
públicas municipais (doc. 90) e vem evoluindo no seu desenvolvimento
pessoal eeducacional (doc. 91).
Neste contexto o Programa desenvolvido no Município vem atingindo
as orientações do Ministério a saber: "retirar crianças e adolescentes
do trabalho perigoso, penoso, insalubre e degradante; possibilitar
acesso, a permanência e o bom desempenho de crianças e adolescentes na
escola; fomentar e incentivar a ampliação do universo de conhecimentos
da criança e do adolescente, por meio de atividades culturais,
esportivas, artísticas e de lazer no período complementar à escola, ou
seja na jornada ampliada; proporcionar apoio e orientação às famílias
por meio de oferta de ações sócio-educativas; e implementar programas
e projetos de geração de trabalho e renda para as famílias" (Caderno
de Capacitação do PETI Módulo I)", Senão vejamos:
A) O Programa conseguiu tirar do trabalho perigoso, penoso, insalubre
e degradante, até agora, 92 crianças residentes no município (doc.
92);
B) As crianças integrantes do Programa são encaminhadas às escolas
públicas, passando a freqüentá-las sob acompanhamento (doc. 93);
C) A jornada ampliada conta com atividades educacionais, culturais,
desportivas, incluindo participação em solenidades cívicas como
desfile de "sete de setembro" e apresentações culturais, sendo que
todos os preparativos são feitos durante a jornada ampliada. Como se
vê dos anexos documentos, neste momento existem diversas atividades
postas à disposição dos integrantes do Programa (doc. 87);
D) As famílias participam de eventos e reuniões a fim de fortalecer o
vínculo familiar e sensibilizar acerca da importância de uma atenção
especial à criança e ao adolescente. No inicio do ano realizou-se
palestra presidida pelo CMETI, com a participação do Delegado de
Polícia Titular do Município, destacando a importância da família no
contexto social e desenvolvimento das crianças e seus reflexos legais
(doc. 94);
E) As famílias são convidadas a participar dos programas locais de
geração de emprego e renda desenvolvidos pelo município tais como:
cursos de Corte-e-Custura, Bordado, Pintura e Computação e são também
convidadas a participar do Programa e Educação de Jovens e Adultos,
quando for o caso (doc. 95);
.
É de se frisar que as ações do PETI no município contam com equipe
de trabalho composta por profissionais multi-setoriais e de diversos
segmentos visando proporcionar às crianças envolvidas o
desenvolvimento de suas potencialidades. O resultado disso é que as
crianças engajadas no Programa vem apresentando melhora no desempenho
escolar. Trata-se, esse, de um importante método avaliador de
resultados (doc. 96);
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Eventuais atrasos nos pagamentos da Bolsa sempre foram contornados
com ações voltadas a potencializar a cidadania, não tornando o
pagamento desta como único incentivo à participação, até mesmo porque
o próprio Ministério em vezes acabou por atrasar os pagamentos em,
como notamos do apontamento da própria auditoria: "Em janeiro de 2005,
foram efetuados 2 repasses, referentes as parcelas de novembro e
dezembro de 2.004" (fls. 64 do relatório item 5.1.3. 2º parágrafo
do item).
As crianças contavam com reforço alimentar e nutricional,
observado por profissional da área de Nutrição, que solicitou a
formulação de um nobo cardápio que, em breve, será implantado e
seguido.
A jornada ampliada era observada de segunda a quinta para
proporcionar a formação e aprimoramento dos monitores e, apesar de
realizadas regularmente as reuniões, não foi feito o registro no livro
próprio. Essa falha já foi corrigida. Essa jornada ampliada atendia
aos parâmetros do projeto, que assim exigem: "A carga horária semanal
será de no mínimo 15 horas..." (Caderno de Capacitação do PETI
Módulo V fls. 12, último parágrafo),
Ou seja, a jornada diária era de mais de 4 horas garantia o
aprimoramento dos monitores, conforme diretriz do Ministério: "Para
tanto, faz-se necessário garantir a formação continuada dos Monitores.
Deve ser previsto um treinamento mínimo, além de momentos mensais
formativos com vistas ao planejamento e a reflexão sobre temáticas de
cotidiano. Esta formação fundamenta-se no pressuposto de que a
educação implica na necessidade de conhecimentos sempre
atualizados"(Caderno de Capacitação do PETI Módulo V Fls. 12, 6º
Parágrafo do Tópico Quanto a Jornada Ampliada).
Os apontamentos desta Controladoria Geral da União possibilitaram
o aperfeiçoamento dos institutos locais e revisão de procedimentos
sempre valiosos no processo de aprimoramento, sendo que requer o
acatamento desta justificativa".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Nenhuma das alegações elide a
constatação "in loco" de precariedade na execução e atendimento
inferior à meta do PETI. Tampouco os documentos anexados à
manifestação podem se contrapor à realidade verificada durante a
fiscalização desta CGU/SP.
Os dados informados sobre a diminuição do trabalho infantil no
município não foram respaldados por qualquer comprovação. Os registros
fotográficos de atividades assistenciais realizadas em 2005 já haviam
sido mostrados à equipe de fiscalização. Quanto aos comprovantes de
freqüência escolar apresentados, não correspondem a qualquer
constatação, uma vez que já haviam sido analisados durante os
trabalhos de campo.
Não há, na justificativa enviada pela prefeitura, qualquer
elemento novo que permita eximi-la de sua responsabilidade em relação
ao esvaziamento da jornada do PETI durante o ano de 2006.

6.1.2 CONSTATAÇÃO:
Instalações com espaço insuficiente para atendimento das metas.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 151


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
FATO:
A jornada ampliada é oferecida nas dependências da Secretaria
Municipal da Promoção Social. A sala destinada às atividades é pequena
para comportar o número previsto de participantes por período. Na área
externa há quadras e espaços abertos, onde são realizadas atividades
de recreação e uma aula de música semanal.

EVIDÊNCIA:
Visita às instalações do PETI.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Município de Pirapora do Bom Jesus está executando o Programa
de Erradicação do Trabalho Infantil nos moldes propostos pelo
Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Neste contexto é de se observar bons resultados como a diminuição
crescente do trabalho infantil da ordem de 80%.
O desafio de enfrentar essa redução era enorme. De fato, as
atividades turístico-religiosas, que constituem base da economia
local, acabavam atraindo inúmeras crianças que pediam esmolas em troca
de "guardar" veículos estacionados nas vias públicas. Além disso,
existiam muitas crianças dedicadas ao recolhimento de lixo reciclável
e outras sub-atividades.
O Trabalho multisecretarial aliado esforços com este Programa e
com os Conselhos Municipais, possibilitou a evolução no
desenvolvimento das políticas de proteção a criança e Adolescente.
A jornada ampliada deste município vem atender as designações
constantes do programa, funcionando em local de apoio, com ampla área
de lazer, refeitório, e duas salas para execução das atividades,
cumprindo o objetivo de um bom desempenho escolar e freqüência na
escola, contribuindo para enriquecimento do universo cultural e
artístico das crianças atendidas já que se volta ao trabalho de
cultura local ("samba de roda"), cultura regional ("bumba meu boi"),
além de exercer atividades físicas e trabalhos em sala de aula
voltados a atividades artísticas (doc. 87).
Periodicamente são realizadas atividades envolvendo as famílias ao
Programa de Forma a Sensibilizar e atender aos ditames gerais do
Programa, bem como integra-las na sociedade como cidadãos mais
conscientes. Destacando os critérios determinados pelo Ministério para
a manutenção do Programa, cujo fato inclusive constou de ata do CMETI.
Quanto à freqüência das crianças apontada pela auditoria no dia da
visita, insta esclarecer que sazonalmente podem ocorrer baixas na
freqüência do programa, mas nestes casos de imediato a equipe gestora
e CMETI, implementa medidas para verificar as ocorrências solicitando
até mesmo pareceres sociais, visando identificar as reais ocorrências
(doc. 88).
Jornais de Circulação local vem demonstrando a importância dos
programas sociais e do ganho cultural, educacional, de saúde e de
cidadania para as crianças integrantes do projeto, demonstrando o
conhecimento da sociedade e seu controle social (doc. 89), bem como
atuação dos integrantes do Programa na transformação social.
As crianças inseridas no programa estão freqüentando escolas
públicas municipais (doc. 90) e vem evoluindo no seu desenvolvimento
pessoal eeducacional (doc. 91).
Neste contexto o Programa desenvolvido no Município vem atingindo
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 152
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
as orientações do Ministério a saber: "retirar crianças e adolescentes
do trabalho perigoso, penoso, insalubre e degradante; possibilitar
acesso, a permanência e o bom desempenho de crianças e adolescentes na
escola; fomentar e incentivar a ampliação do universo de conhecimentos
da criança e do adolescente, por meio de atividades culturais,
esportivas, artísticas e de lazer no período complementar à escola, ou
seja na jornada ampliada; proporcionar apoio e orientação às famílias
por meio de oferta de ações sócio-educativas; e implementar programas
e projetos de geração de trabalho e renda para as famílias" (Caderno
de Capacitação do PETI Módulo I)", Senão vejamos:
F) O Programa conseguiu tirar do trabalho perigoso, penoso, insalubre
e degradante, até agora, 92 crianças residentes no município (doc.
92);
G) As crianças integrantes do Programa são encaminhadas às escolas
públicas, passando a freqüentá-las sob acompanhamento (doc. 93);
H) A jornada ampliada conta com atividades educacionais, culturais,
desportivas, incluindo participação em solenidades cívicas como
desfile de "sete de setembro" e apresentações culturais, sendo que
todos os preparativos são feitos durante a jornada ampliada. Como se
vê dos anexos documentos, neste momento existem diversas atividades
postas à disposição dos integrantes do Programa (doc. 87);
I) As famílias participam de eventos e reuniões a fim de fortalecer o
vínculo familiar e sensibilizar acerca da importância de uma atenção
especial à criança e ao adolescente. No inicio do ano realizou-se
palestra presidida pelo CMETI, com a participação do Delegado de
Polícia Titular do Município, destacando a importância da família no
contexto social e desenvolvimento das crianças e seus reflexos legais
(doc. 94);
J) As famílias são convidadas a participar dos programas locais de
geração de emprego e renda desenvolvidos pelo município tais como:
cursos de Corte-e-Custura, Bordado, Pintura e Computação e são também
convidadas a participar do Programa e Educação de Jovens e Adultos,
quando for o caso (doc. 95);
.
É de se frisar que as ações do PETI no município contam com equipe
de trabalho composta por profissionais multi-setoriais e de diversos
segmentos visando proporcionar às crianças envolvidas o
desenvolvimento de suas potencialidades. O resultado disso é que as
crianças engajadas no Programa vem apresentando melhora no desempenho
escolar. Trata-se, esse, de um importante método avaliador de
resultados (doc. 96);
Eventuais atrasos nos pagamentos da Bolsa sempre foram contornados
com ações voltadas a potencializar a cidadania, não tornando o
pagamento desta como único incentivo à participação, até mesmo porque
o próprio Ministério em vezes acabou por atrasar os pagamentos em,
como notamos do apontamento da própria auditoria: "Em janeiro de 2005,
foram efetuados 2 repasses, referentes as parcelas de novembro e
dezembro de 2.004" (fls. 64 do relatório item 5.1.3. 2º parágrafo
do item).
As crianças contavam com reforço alimentar e nutricional,
observado por profissional da área de Nutrição, que solicitou a
formulação de um nobo cardápio que, em breve, será implantado e
seguido.
A jornada ampliada era observada de segunda a quinta para
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 153
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
proporcionar a formação e aprimoramento dos monitores e, apesar de
realizadas regularmente as reuniões, não foi feito o registro no livro
próprio. Essa falha já foi corrigida. Essa jornada ampliada atendia
aos parâmetros do projeto, que assim exigem: "A carga horária semanal
será de no mínimo 15 horas..." (Caderno de Capacitação do PETI
Módulo V fls. 12, último parágrafo),
Ou seja, a jornada diária era de mais de 4 horas garantia o
aprimoramento dos monitores, conforme diretriz do Ministério: "Para
tanto, faz-se necessário garantir a formação continuada dos Monitores.
Deve ser previsto um treinamento mínimo, além de momentos mensais
formativos com vistas ao planejamento e a reflexão sobre temáticas de
cotidiano. Esta formação fundamenta-se no pressuposto de que a
educação implica na necessidade de conhecimentos sempre
atualizados"(Caderno de Capacitação do PETI Módulo V Fls. 12, 6º
Parágrafo do Tópico Quanto a Jornada Ampliada).
Os apontamentos desta Controladoria Geral da União possibilitaram
o aperfeiçoamento dos institutos locais e revisão de procedimentos
sempre valiosos no processo de aprimoramento, sendo que requer o
acatamento desta justificativa".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Nenhuma das alegações elide a
constatação "in loco" de precariedade na execução e atendimento
inferior à meta do PETI. Tampouco os documentos anexados à
manifestação podem se contrapor à realidade verificada durante a
fiscalização desta CGU/SP.
Os dados informados sobre a diminuição do trabalho infantil no
município não foram respaldados por qualquer comprovação. Os registros
fotográficos de atividades assistenciais realizadas em 2005 já haviam
sido mostrados à equipe de fiscalização. Quanto aos comprovantes de
freqüência escolar apresentados, não correspondem a qualquer
constatação, uma vez que já haviam sido analisados durante os
trabalhos de campo.
Não há, na justificativa enviada pela prefeitura, qualquer
elemento novo que permita eximi-la de sua responsabilidade em relação
ao esvaziamento da jornada do PETI durante o ano de 2006.
01/2006 (26/01/2006) à Ata nº 05/2006 (setembro/2006), possivelmente
por engano, veio uma Ata nº 01/2006 idêntica, com o mesmo texto,
citando a mesma data, horário e local de realização, com as mesmas
assinaturas, porém com a fonte (letra) diferente e o cabeçalho
"CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE PIRAPORA DO BOM JESUS".
Ressalte-se que o CMAS é presidido pela funcionária entrevistada
anteriormente.
Os documentos enviados pela prefeitura não elidem a constatação
de falta de atuação do CMETI, pois ainda que se reunissem, não agiram
para evitar o esvaziamento da jornada do Programa no município, com o
agravante de que o aparecimento tardio desses papéis, com as
características apontadas, torna-os de frágil credibilidade.

6.1.3 CONSTATAÇÃO:
Deficiência na alimentação oferecida e nas atividades
desenvolvidas na jornada.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 154


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
FATO:
As atividades oferecidas são de baixa qualidade e pouca variedade.
.
Com exceção das aulas de música realizadas às terças-feiras, há
poucas atividades sócio-educativas e de convivência que incentivem a
participação das crianças.
Há um monitor que faz recreação na quadra, o que acaba sendo de
pouco interesse por se repetir nos outros 3 dias da semana. Quando ele
não está, geralmente há uma auxiliar que "toma conta" das crianças.
Na última visita, no dia 23/08/2006, as crianças e adolescentes
estavam sem nenhum adulto responsável, brincando nas dependências da
Secretaria.
Em entrevista domiciliar a uma adolescente indicada como
participante pela Secretaria, a mesma informou não estar mais
freqüentando a jornada porque "não tinha o que fazer lá, ficava um
olhando para a cara do outro".
Apesar de haver recursos federais sem movimentação na conta
corrente do Programa, a Prefeitura não tem oferecido aos participantes
a complementação alimentar que poderia ser mais um elemento a
despertar o interesse dos beneficiários.
De acordo com informação da própria Secretária da Promoção Social,
em 2006 a alimentação tem consistido em lanche.

EVIDÊNCIA:
Entrevista a monitores, crianças e à Secretária da Promoção
Social.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Município de Pirapora do Bom Jesus está executando o Programa
de Erradicação do Trabalho Infantil nos moldes propostos pelo
Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Neste contexto é de se observar bons resultados como a diminuição
crescente do trabalho infantil da ordem de 80%.
O desafio de enfrentar essa redução era enorme. De fato, as
atividades turístico-religiosas, que constituem base da economia
local, acabavam atraindo inúmeras crianças que pediam esmolas em troca
de "guardar" veículos estacionados nas vias públicas. Além disso,
existiam muitas crianças dedicadas ao recolhimento de lixo reciclável
e outras sub-atividades.
O Trabalho multisecretarial aliado esforços com este Programa e
com os Conselhos Municipais, possibilitou a evolução no
desenvolvimento das políticas de proteção a criança e Adolescente.
A jornada ampliada deste município vem atender as designações
constantes do programa, funcionando em local de apoio, com ampla área
de lazer, refeitório, e duas salas para execução das atividades,
cumprindo o objetivo de um bom desempenho escolar e freqüência na
escola, contribuindo para enriquecimento do universo cultural e
artístico das crianças atendidas já que se volta ao trabalho de
cultura local ("samba de roda"), cultura regional ("bumba meu boi"),
além de exercer atividades físicas e trabalhos em sala de aula
voltados a atividades artísticas (doc. 87).
Periodicamente são realizadas atividades envolvendo as famílias ao
Programa de Forma a Sensibilizar e atender aos ditames gerais do
Programa, bem como integra-las na sociedade como cidadãos mais
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 155
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
conscientes. Destacando os critérios determinados pelo Ministério para
a manutenção do Programa, cujo fato inclusive constou de ata do CMETI.
Quanto à freqüência das crianças apontada pela auditoria no dia da
visita, insta esclarecer que sazonalmente podem ocorrer baixas na
freqüência do programa, mas nestes casos de imediato a equipe gestora
e CMETI, implementa medidas para verificar as ocorrências solicitando
até mesmo pareceres sociais, visando identificar as reais ocorrências
(doc. 88).
Jornais de Circulação local vem demonstrando a importância dos
programas sociais e do ganho cultural, educacional, de saúde e de
cidadania para as crianças integrantes do projeto, demonstrando o
conhecimento da sociedade e seu controle social (doc. 89), bem como
atuação dos integrantes do Programa na transformação social.
As crianças inseridas no programa estão freqüentando escolas
públicas municipais (doc. 90) e vem evoluindo no seu desenvolvimento
pessoal eeducacional (doc. 91).
Neste contexto o Programa desenvolvido no Município vem atingindo
as orientações do Ministério a saber: "retirar crianças e adolescentes
do trabalho perigoso, penoso, insalubre e degradante; possibilitar
acesso, a permanência e o bom desempenho de crianças e adolescentes na
escola; fomentar e incentivar a ampliação do universo de conhecimentos
da criança e do adolescente, por meio de atividades culturais,
esportivas, artísticas e de lazer no período complementar à escola, ou
seja na jornada ampliada; proporcionar apoio e orientação às famílias
por meio de oferta de ações sócio-educativas; e implementar programas
e projetos de geração de trabalho e renda para as famílias" (Caderno
de Capacitação do PETI Módulo I)", Senão vejamos:
K) O Programa conseguiu tirar do trabalho perigoso, penoso, insalubre
e degradante, até agora, 92 crianças residentes no município (doc.
92);
L) As crianças integrantes do Programa são encaminhadas às escolas
públicas, passando a freqüentá-las sob acompanhamento (doc. 93);
M) A jornada ampliada conta com atividades educacionais, culturais,
desportivas, incluindo participação em solenidades cívicas como
desfile de "sete de setembro" e apresentações culturais, sendo que
todos os preparativos são feitos durante a jornada ampliada. Como se
vê dos anexos documentos, neste momento existem diversas atividades
postas à disposição dos integrantes do Programa (doc. 87);
N) As famílias participam de eventos e reuniões a fim de fortalecer o
vínculo familiar e sensibilizar acerca da importância de uma atenção
especial à criança e ao adolescente. No inicio do ano realizou-se
palestra presidida pelo CMETI, com a participação do Delegado de
Polícia Titular do Município, destacando a importância da família no
contexto social e desenvolvimento das crianças e seus reflexos legais
(doc. 94);
O) As famílias são convidadas a participar dos programas locais de
geração de emprego e renda desenvolvidos pelo município tais como:
cursos de Corte-e-Custura, Bordado, Pintura e Computação e são também
convidadas a participar do Programa e Educação de Jovens e Adultos,
quando for o caso (doc. 95);
.
É de se frisar que as ações do PETI no município contam com equipe
de trabalho composta por profissionais multi-setoriais e de diversos
segmentos visando proporcionar às crianças envolvidas o
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 156
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
desenvolvimento de suas potencialidades. O resultado disso é que as
crianças engajadas no Programa vem apresentando melhora no desempenho
escolar. Trata-se, esse, de um importante método avaliador de
resultados (doc. 96);
Eventuais atrasos nos pagamentos da Bolsa sempre foram contornados
com ações voltadas a potencializar a cidadania, não tornando o
pagamento desta como único incentivo à participação, até mesmo porque
o próprio Ministério em vezes acabou por atrasar os pagamentos em,
como notamos do apontamento da própria auditoria: "Em janeiro de 2005,
foram efetuados 2 repasses, referentes as parcelas de novembro e
dezembro de 2.004" (fls. 64 do relatório item 5.1.3. 2º parágrafo
do item).
As crianças contavam com reforço alimentar e nutricional,
observado por profissional da área de Nutrição, que solicitou a
formulação de um nobo cardápio que, em breve, será implantado e
seguido.
A jornada ampliada era observada de segunda a quinta para
proporcionar a formação e aprimoramento dos monitores e, apesar de
realizadas regularmente as reuniões, não foi feito o registro no livro
próprio. Essa falha já foi corrigida. Essa jornada ampliada atendia
aos parâmetros do projeto, que assim exigem: "A carga horária semanal
será de no mínimo 15 horas..." (Caderno de Capacitação do PETI
Módulo V fls. 12, último parágrafo),
Ou seja, a jornada diária era de mais de 4 horas garantia o
aprimoramento dos monitores, conforme diretriz do Ministério: "Para
tanto, faz-se necessário garantir a formação continuada dos Monitores.
Deve ser previsto um treinamento mínimo, além de momentos mensais
formativos com vistas ao planejamento e a reflexão sobre temáticas de
cotidiano. Esta formação fundamenta-se no pressuposto de que a
educação implica na necessidade de conhecimentos sempre
atualizados"(Caderno de Capacitação do PETI Módulo V Fls. 12, 6º
Parágrafo do Tópico Quanto a Jornada Ampliada).
Os apontamentos desta Controladoria Geral da União possibilitaram
o aperfeiçoamento dos institutos locais e revisão de procedimentos
sempre valiosos no processo de aprimoramento, sendo que requer o
acatamento desta justificativa".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Nenhuma das alegações elide a
constatação "in loco" de precariedade na execução e atendimento
inferior à meta do PETI. Tampouco os documentos anexados à
manifestação podem se contrapor à realidade verificada durante a
fiscalização desta CGU/SP.
Os dados informados sobre a diminuição do trabalho infantil no
município não foram respaldados por qualquer comprovação. Os registros
fotográficos de atividades assistenciais realizadas em 2005 já haviam
sido mostrados à equipe de fiscalização. Quanto aos comprovantes de
freqüência escolar apresentados, não correspondem a qualquer
constatação, uma vez que já haviam sido analisados durante os
trabalhos de campo.
Não há, na justificativa enviada pela prefeitura, qualquer
elemento novo que permita eximi-la de sua responsabilidade em relação
ao esvaziamento da jornada do PETI durante o ano de 2006.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 157


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
6.1.4 CONSTATAÇÃO:
Irregularidades na execução da jornada.

FATO:
A jornada tem sido oferecida apenas de segunda a quinta feira. Às
sextas-feiras não há funcionamento da jornada do PETI. Os responsáveis
afirmam que utilizam esse dia da semana para a formação dos monitores.
No entanto, em consulta ao livro de registro das atividades de 2006,
foi possível verificar que, durante o ano, houve apenas uma reunião
por mês, com atividades curtas que não poderiam ocupar os dois
períodos.

EVIDÊNCIA:
Registros de freqüência dos participantes do PETI de 2005 e 2006.
Registros das atividades de capacitação dos monitores realizadas em
2006. Entrevista a monitores e à Secretária da Promoção Social.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Município de Pirapora do Bom Jesus está executando o Programa
de Erradicação do Trabalho Infantil nos moldes propostos pelo
Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Neste contexto é de se observar bons resultados como a diminuição
crescente do trabalho infantil da ordem de 80%.
O desafio de enfrentar essa redução era enorme. De fato, as
atividades turístico-religiosas, que constituem base da economia
local, acabavam atraindo inúmeras crianças que pediam esmolas em troca
de "guardar" veículos estacionados nas vias públicas. Além disso,
existiam muitas crianças dedicadas ao recolhimento de lixo reciclável
e outras sub-atividades.
O Trabalho multisecretarial aliado esforços com este Programa e
com os Conselhos Municipais, possibilitou a evolução no
desenvolvimento das políticas de proteção a criança e Adolescente.
A jornada ampliada deste município vem atender as designações
constantes do programa, funcionando em local de apoio, com ampla área
de lazer, refeitório, e duas salas para execução das atividades,
cumprindo o objetivo de um bom desempenho escolar e freqüência na
escola, contribuindo para enriquecimento do universo cultural e
artístico das crianças atendidas já que se volta ao trabalho de
cultura local ("samba de roda"), cultura regional ("bumba meu boi"),
além de exercer atividades físicas e trabalhos em sala de aula
voltados a atividades artísticas (doc. 87).
Periodicamente são realizadas atividades envolvendo as famílias ao
Programa de Forma a Sensibilizar e atender aos ditames gerais do
Programa, bem como integra-las na sociedade como cidadãos mais
conscientes. Destacando os critérios determinados pelo Ministério para
a manutenção do Programa, cujo fato inclusive constou de ata do CMETI.
Quanto à freqüência das crianças apontada pela auditoria no dia da
visita, insta esclarecer que sazonalmente podem ocorrer baixas na
freqüência do programa, mas nestes casos de imediato a equipe gestora
e CMETI, implementa medidas para verificar as ocorrências solicitando
até mesmo pareceres sociais, visando identificar as reais ocorrências
(doc. 88).
Jornais de Circulação local vem demonstrando a importância dos
programas sociais e do ganho cultural, educacional, de saúde e de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 158
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
cidadania para as crianças integrantes do projeto, demonstrando o
conhecimento da sociedade e seu controle social (doc. 89), bem como
atuação dos integrantes do Programa na transformação social.
As crianças inseridas no programa estão freqüentando escolas
públicas municipais (doc. 90) e vem evoluindo no seu desenvolvimento
pessoal eeducacional (doc. 91).
Neste contexto o Programa desenvolvido no Município vem atingindo
as orientações do Ministério a saber: "retirar crianças e adolescentes
do trabalho perigoso, penoso, insalubre e degradante; possibilitar
acesso, a permanência e o bom desempenho de crianças e adolescentes na
escola; fomentar e incentivar a ampliação do universo de conhecimentos
da criança e do adolescente, por meio de atividades culturais,
esportivas, artísticas e de lazer no período complementar à escola, ou
seja na jornada ampliada; proporcionar apoio e orientação às famílias
por meio de oferta de ações sócio-educativas; e implementar programas
e projetos de geração de trabalho e renda para as famílias" (Caderno
de Capacitação do PETI Módulo I)", Senão vejamos:
P) O Programa conseguiu tirar do trabalho perigoso, penoso, insalubre
e degradante, até agora, 92 crianças residentes no município (doc.
92);
Q) As crianças integrantes do Programa são encaminhadas às escolas
públicas, passando a freqüentá-las sob acompanhamento (doc. 93);
R) A jornada ampliada conta com atividades educacionais, culturais,
desportivas, incluindo participação em solenidades cívicas como
desfile de "sete de setembro" e apresentações culturais, sendo que
todos os preparativos são feitos durante a jornada ampliada. Como se
vê dos anexos documentos, neste momento existem diversas atividades
postas à disposição dos integrantes do Programa (doc. 87);
S) As famílias participam de eventos e reuniões a fim de fortalecer o
vínculo familiar e sensibilizar acerca da importância de uma atenção
especial à criança e ao adolescente. No inicio do ano realizou-se
palestra presidida pelo CMETI, com a participação do Delegado de
Polícia Titular do Município, destacando a importância da família no
contexto social e desenvolvimento das crianças e seus reflexos legais
(doc. 94);
T) As famílias são convidadas a participar dos programas locais de
geração de emprego e renda desenvolvidos pelo município tais como:
cursos de Corte-e-Custura, Bordado, Pintura e Computação e são também
convidadas a participar do Programa e Educação de Jovens e Adultos,
quando for o caso (doc. 95);
.
É de se frisar que as ações do PETI no município contam com equipe
de trabalho composta por profissionais multi-setoriais e de diversos
segmentos visando proporcionar às crianças envolvidas o
desenvolvimento de suas potencialidades. O resultado disso é que as
crianças engajadas no Programa vem apresentando melhora no desempenho
escolar. Trata-se, esse, de um importante método avaliador de
resultados (doc. 96);
Eventuais atrasos nos pagamentos da Bolsa sempre foram contornados
com ações voltadas a potencializar a cidadania, não tornando o
pagamento desta como único incentivo à participação, até mesmo porque
o próprio Ministério em vezes acabou por atrasar os pagamentos em,
como notamos do apontamento da própria auditoria: "Em janeiro de 2005,
foram efetuados 2 repasses, referentes as parcelas de novembro e
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 159
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
dezembro de 2.004" (fls. 64 do relatório item 5.1.3. 2º parágrafo
do item).
As crianças contavam com reforço alimentar e nutricional,
observado por profissional da área de Nutrição, que solicitou a
formulação de um nobo cardápio que, em breve, será implantado e
seguido.
A jornada ampliada era observada de segunda a quinta para
proporcionar a formação e aprimoramento dos monitores e, apesar de
realizadas regularmente as reuniões, não foi feito o registro no livro
próprio. Essa falha já foi corrigida. Essa jornada ampliada atendia
aos parâmetros do projeto, que assim exigem: "A carga horária semanal
será de no mínimo 15 horas..." (Caderno de Capacitação do PETI
Módulo V fls. 12, último parágrafo),
Ou seja, a jornada diária era de mais de 4 horas garantia o
aprimoramento dos monitores, conforme diretriz do Ministério: "Para
tanto, faz-se necessário garantir a formação continuada dos Monitores.
Deve ser previsto um treinamento mínimo, além de momentos mensais
formativos com vistas ao planejamento e a reflexão sobre temáticas de
cotidiano. Esta formação fundamenta-se no pressuposto de que a
educação implica na necessidade de conhecimentos sempre
atualizados"(Caderno de Capacitação do PETI Módulo V Fls. 12, 6º
Parágrafo do Tópico Quanto a Jornada Ampliada).
Os apontamentos desta Controladoria Geral da União possibilitaram
o aperfeiçoamento dos institutos locais e revisão de procedimentos
sempre valiosos no processo de aprimoramento, sendo que requer o
acatamento desta justificativa".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Nenhuma das alegações elide a
constatação "in loco" de precariedade na execução e atendimento
inferior à meta do PETI. Tampouco os documentos anexados à
manifestação podem se contrapor à realidade verificada durante a
fiscalização desta CGU/SP.
Os dados informados sobre a diminuição do trabalho infantil no
município não foram respaldados por qualquer comprovação. Os registros
fotográficos de atividades assistenciais realizadas em 2005 já haviam
sido mostrados à equipe de fiscalização. Quanto aos comprovantes de
freqüência escolar apresentados, não correspondem a qualquer
constatação, uma vez que já haviam sido analisados durante os
trabalhos de campo.
Não há, na justificativa enviada pela prefeitura, qualquer
elemento novo que permita eximi-la de sua responsabilidade em relação
ao esvaziamento da jornada do PETI durante o ano de 2006.

6.1.5 CONSTATAÇÃO:
Ausência de funcionamento da CMETI.

FATO:
Apesar de ter sido criada e seus membros formalmente designados,
por meio do Decreto n.º 2.212, de 03/10/2005, a Comissão de
Erradicação do Trabalho Infantil - CMETI não está em funcionamento
efetivo no Município de Pirapora do Bom Jesus.
De acordo com informações prestadas pela representante da
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 160
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
categoria profissional de Serviço Social, que é funcionária da
Prefeitura, a última reunião da CMETI ocorreu em agosto de 2005, ou
seja, antes da indicação de seus membros atuais.
A precariedade na implementação da jornada ampliada, a falta de
pagamento das bolsas em 2006 e o esvaziamento decorrente indicam a
falta de atuação da instância de controle social, a quem caberia
acompanhar a execução do Programa.

EVIDÊNCIA:
Entrevista à representante da categoria profissional de Serviço
Social. Falhas verificadas na execução do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil teve
seus membros instituídos através do Decreto nº 2.212, de 03 de outubro
de 2.005 (doc. 97), sendo que esta realiza reuniões mensais voltadas
ao atendimento das orientações do programa e fiscalização das
atividades.
Diversamente do entendido pela douta auditoria, esta Comissão que
tem função voltada ao controle do projeto e aprimoramento das
atividades, vem atuando em prol da sustentação do programa, bem como
emitindo orientações e sugestões voltadas ao desenvolvimento deste
(doc. 98).
É de ressaltar que já no inicio deste ano sob a Presidência deste
Conselho realizou-se ciclo de palestras voltado à orientação das
famílias quanto à importância da educação das crianças e adolescentes.
Dela participou, por exemplo, o Douto Delegado de Polícia Titular do
Município, que tratou do aspecto social da proteção a criança, com
seus reflexos no trabalho, na área civil e criminal (doc. 98).
Frise-se, por oportuno, que as atividades desenvolvidas pelo Órgão
Gestor Municipal estão adequadas às realidades locais, e neste
contexto o CMETI tem agido de forma a promover a evolução das
atividades e o engajamento de todas as Secretarias no programa.
Quanto à informação de que apenas uma ata fora realizada em agosto
de 2005, anterior à implantação da Comissão, isso em parte se explica
por um equivoco do servidor municipal que prestou informações à
auditoria. De fato, os documentos anexos demonstram o contrário.
Ademais o CMETI pôde observar que o número de crianças trabalhando
nos finais de semana era reduzido.
Atualmente além do trabalho da CMETI, ainda há outros parceiros
envolvidos, tais como o Conselho Municipal, Guarda Municipal e
diversos comerciantes, que auxiliam no acompanhamento satisfatório do
programa.
Com a contribuição do CMETI, está sendo erradicado o trabalho
infantil em nossa cidade".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Em entrevista à esta equipe de
fiscalização, no dia 31/08/2006, a assistente social da prefeitura,
representante da categoria profissional do serviço social na Comissão
de Erradicação do Trabalho Infantil - CMETI, inscrita no Cadastro de
Pessoas Físicas sob o nº 692.824.988-91, negou a existência de
qualquer ata ou registro de reuniões da comissão, uma vez que a única
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 161
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
discussão específica sobre o tema ocorrera em agosto de 2005 e o
decreto nomeando seus membros fora criado apenas em dezembro daquele
ano.
A prefeitura anexa, agora, à sua manifestação, cópias de atas
bimestrais do que teriam sido reuniões do CMETI. Trata-se de folhas
digitadas em computador, impressas com o cabeçalho "COMISSÃO DE
ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL - PETI - PIRAPORA DO BOM JESUS",
assinadas por alguns de seus membros, entre os quais a citada
assistente social. No entanto, junto a essas folhas (que vão da Ata nº
01/2006 (26/01/2006) à Ata nº 05/2006 (setembro/2006), possivelmente
por engano, veio uma Ata nº 01/2006 idêntica, com o mesmo texto,
citando a mesma data, horário e local de realização, com as mesmas
assinaturas, porém com a fonte (letra) diferente e o cabeçalho
"CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE PIRAPORA DO BOM JESUS".
Ressalte-se que o CMAS é presidido pela funcionária entrevistada
anteriormente.
Os documentos enviados pela prefeitura não elidem a constatação de
falta de atuação do CMETI, pois ainda que se reunissem, não agiram
para evitar o esvaziamento da jornada do Programa no município, com o
agravante de que o aparecimento tardio desses papéis, com as
características apontadas, torna-os de frágil credibilidade.

6.1.6 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos da bolsa às famílias beneficiárias do programa
incompletos e com atraso em 2005.

FATO:
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome repassa
mensalmente à Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus o valor de R$
3.680,00, referentes a 92 bolsas urbanas de R$ 40,00 para cada
participante.
Em janeiro de 2005, foram efetuados 2 repasses, referentes às
parcelas de novembro e dezembro de 2004. Os créditos, através da conta
estadual n.º 58.067-8 (Ag. 1529-6 do Banco do Brasil), foram
finalmente destinados à conta-corrente municipal n.º 70.126-2 (Ag.
1596-2 do Banco do Brasil), em 13/01/2005, e totalizaram R$ 7.360,00.
Os pagamentos das bolsas do PETI, no entanto, foram efetuados em
junho de 2005, com cinco meses de atraso.
As 12 parcelas para pagamento das bolsas referentes a 2005 foram
enviadas pelo MDS diretamente para a conta n.º 16.977-3 (Ag. 1596-2 do
Banco do Brasil), mensalmente, de março (parcelas de janeiro e
fevereiro) a dezembro.
Os repasses totalizaram R$ 44.160,00, correspondendo a 12 parcelas
para 92 participantes, ou seja, 1.104 bolsas de R$ 40,00. Os
pagamentos aos participantes, porém, foram incompletos e ocorreram com
atraso de mais de cinco meses.
O primeiro lote (490 bolsas) começou a ser pago em 26/08/2005. O
segundo (395 bolsas) se deu a partir de 16/12/2005 e o último (90
bolsas) apenas em 30/05/2006, totalizando R$ 39.000,00,
correspondentes a apenas 975 bolsas.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários das contas nº 16.977-3 (Ag. 1596-2) e
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 162
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
nº70.126-2 (Ag. 1529-6) do Banco do Brasil. Relação de pagamentos aos
beneficiários do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os pagamentos do PETI encontram-se todos regularizados com
referência ao exercício acima mencionado (doc. 99).
Não houve pagamentos incompletos. O que ocorreu é que determinadas
crianças não receberam a bolsa em razão de não cumprirem as exigências
do Ministério: "A família poderá receber a bolsa somente se os filhos
inseridos no Programa tiverem a freqüência mensal mínima exigida pelo
MEC na escola e na jornada ampliada, podendo ser adotado um percentual
maior à critério da área de educação" (Caderno de Capacitação do PETI
Módulo II fls. 04 item Quais São as exigências para o pagamento
das Bolsas às Famílias").
E ainda: "No mês em que um ou mais filhos não obtiverem a
freqüência mínima exigida e não houver justificativa para isso, será
suspenso naquele mês o pagamento da(s) bolsa(s) à família. No mês
seguinte, caso a freqüência os filhos seja regularizada a família
voltará a receber a(s) bolsa(s)."(Caderno de Capacitação do PETI
Módulo II fls. 04 item Como poderá se dar a suspensão temporária
do pagamento da Bolsa Família?, 1º parágrafo do tópico- doc 100).
Insta esclarecer que eventual atraso ocorreu por problemas na
parametrização das informações entre o Ministério e o Órgão Gestor do
Programa, uma vez que houve alteração das contas correntes, sem a
necessária comunicação a respeito.
Mas nem por isso há qualquer falha imputável ao Município, já que
o agente financeiro é que se omitiu em informar a ocorrência desta
alteração e das especificações da Conta.
Não podemos deixar de registrar que a abertura das atuais contas
deu-se apenas por siglas sem descrição exata do programa a que se
ligavam. Isso naturalmente causou atrasos.
Ademais esta Controladoria Geral da União pode observar que o
próprio Ministério em determinados períodos atrasou os repasses ao
Município: "...."Em janeiro de 2005, foram efetuados 2 repasses,
referentes as parcelas de novembro e dezembro de 2004"...Porém todas
as bolas foram pagas as famílias, de acordo com a freqüência das
crianças e famílias nas atividades, de acordo com o preestabelecido
entre os governos" (Informativo, fls. 64, item 5.1.3. 3º parágrafo
do item)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Configura inoperância administrativa
não buscar saber, junto ao Ministério repassador, o destino dos
recursos a serem recebidos. A constatação foi baseada na análise dos
repasses recebidos pelo município e dos extratos bancários da conta do
Programa, com os pagamentos efetuados, incompletos e com atraso.
A prefeitura anexou à sua resposta uma lista digitada em
computador, com uma relação de nomes de beneficiários e valores que
teriam sido pagos, sem qualquer comprovação de recebimento, como
assinaturas ou extratos bancários.

6.1.7 CONSTATAÇÃO:
Ausência de pagamentos do PETI em 2006.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 163


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
FATO:
A Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus recebeu, de março
a junho de 2006, 5 parcelas de R$ 3.680,00 para pagamento mensal das
92 bolsas urbanas de R$ 40,00 a cada participante do PETI. Em julho,
em função do processo de integração com o Programa Bolsa Família, o
repasse foi de R$ 1.160,00.
No entanto, o valor integral de R$ 19.560,00 não foi movimentado e
nenhum pagamento referente à participação durante o ano de 2006 foi
efetuado. Os impactos da negligência da administração municipal na
implementação do Programa estão detalhados em ponto específico deste
relatório.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta nº 18.953-7 (Ag. 1596-2 do Banco do
Brasil). Relação de pagamentos aos beneficiários do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os pagamentos do PETI encontram-se todos regularizados com
referência ao exercício acima mencionado (doc. 101).
Insta esclarecer que eventual atraso ocorreu por problemas na
parametrização das informações entre o Ministério e o Órgão Gestor do
Programa, uma vez que houve alteração das contas correntes, sem a
necessária comunicação a respeito.
Mas nem por isso há qualquer falha imputável ao Município, já que
o agente financeiro é que se omitiu em informar a ocorrência desta
alteração e das especificações da Conta.
Não podemos deixar de registrar que a abertura das atuais contas
deu-se apenas por siglas sem descrição exata do programa a que se
ligavam. Isso naturalmente causou atrasos.
Ademais esta Controladoria Geral da União pode observar que o
próprio Ministério em determinados períodos atrasou os repasses ao
Município: "...."Em janeiro de 2005, foram efetuados 2 repasses,
referentes as parcelas de novembro e dezembro de 2004"...Porém todas
as bolas foram pagas as famílias, de acordo com a freqüência das
crianças e famílias nas atividades, de acordo com o preestabelecido
entre os governos" (Informativo, fls. 64, item 5.1.3. 3º parágrafo
do item) .
E mais: "A Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus recebeu,
de março a junho de 2.006, 5 parcelas de R$ 3.680,00 para pagamento
mensal das 92 bolsas...." Informativo, fls. 65, item 5.1.4. 3º
parágrafo do item). Como notamos em quatro meses fora destinada cinco
bolsas, em razão do próprio Ministério mais uma vez ter atrasado o
pagamento de uma parcela.
Concluímos assim, que nenhuma irregularidade foi cometida pela
Administração, e sim um problema de troca de informações entre os
órgãos participantes, o qual já foi solucionado".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Configura inoperância administrativa
não buscar saber, junto ao Ministério repassador, o destino dos
recursos a serem recebidos. A constatação foi baseada na análise dos
repasses recebidos pelo município e dos extratos bancários da conta do
Programa, sem movimentação até a elaboração do relatório preliminar de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 164
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
fiscalização, em setembro de 2006.
A prefeitura anexou à sua resposta uma lista digitada em
computador, com uma relação de nomes de beneficiários e valores que
teriam sido pagos, sem qualquer comprovação de recebimento, como
assinaturas ou extratos bancários.

6.1.8 CONSTATAÇÃO:
Recursos do PETI sem movimentação e sem aplicação financeira.

FATO:
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus tem deixado,
sistematicamente, os recursos do Programa sem utilização e sem
aplicação financeira, descumprindo o art. 19 da Portaria MDS n.º 736,
de 15/12/2004, que prevê em seu parágrafo único:
"Os recursos transferidos, enquanto não utilizados na sua
finalidade, devem ser obrigatoriamente aplicados em caderneta de
poupança ou em fundo de curto prazo".
.
Os valores estão demonstrados na tabela a seguir:

Conta Finalidade do Período sem Saldo acumulado


bancária repasse movimentação
Banco do
Brasil
Nº 70.126-2 Pagamento de 13/01/2005 a R$ 7.360,00
Ag. 1596-2 bolsa urbana 17/06/2006
Nº 70.126-2 Despesas com a 13/01/2005 a R$ 1.840,00
Ag. 1596-2 jornada 05/04/2006
Nº 16.977-3 Pagamento de 17/03/2005 a R$ 22.080,00
Ag. 1596-2 bolsa urbana 15/08/2005
Nº 16.977-3 Pagamento de 13/09/2005 a R$ 18.240,00
Ag. 1596-2 bolsa urbana 15/12/2005
Nº 16.977-3 Pagamento de 17/02/2006 a R$ 6.280,00
Ag. 1596-2 bolsa urbana 30/05/2006
Nº 16.979-X Despesas com a 17/03/2005 a R$ 5.520,00
Ag. 1596-2 jornada 15/08/2005
Nº 18.953-7 Pagamento de 07/03/2006 a R$ 19.560,00
Ag. 1596-2 bolsa urbana 31/07/2006
Nº 18.957-X Despesas com a 21/03/2006 a R$ 6.150,00
Ag. 1596-2 jornada 31/07/2006

Saldos das contas do Programa em 31/07/2006:

Conta Valor sem Valor Total


bancária aplicação aplicado
Banco do
Brasil
Nº 70.126-2 R$ 2.238,20 - R$ 2.238,20
Ag. 1596-2
Nº 16.977-3 R$ 2.680,00 R$ 2.983,24 R$ 5.663,24
Ag. 1596-2
Nº 16.979-X - R$ 10,29 R$ 10,29

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 165


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Conta Valor sem Valor Total
bancária aplicação aplicado
Banco do
Brasil
Ag. 1596-2
Nº 18.953-7 R$ 19.560,00 - R$ 19.560,00
Ag. 1596-2
Nº 18.957-X R$ 6.150,00 - R$ 6.150,00
Ag. 1596-2
Total R$ 30.628,20 R$ 2.993,53 R$ 33.621,73

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários das contas do Programa, de 01/01/2005 a
31/07/2006.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os recursos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil eram
repassados para a conta corrente nº 70126-2, e sem qualquer
comunicação prévia do Ministério ou do Agente Financeiro passaram a
ser depositados a Favor da Conta Corrente nº 16977-3 e posteriormente
a conta sob nº 18.957-X
Neste contexto a ausência da parametrização das informações
financeiras levou a enorme dificuldade inicial do reconhecimento da
origem financeira dos recursos, sem o que não se poderia fazer
qualquer movimentação ou aplicação desses valores.
Ademais, por vezes o Ministério acabou por atrasar pagamentos,
como constatado por esta auditoria no item 5.1.3, fls. 64: "Em janeiro
de 2005, foram efetuados dois repasses, referentes às parcelas de
novembro e dezembro de 2.004".
E ainda: "....Em janeiro de 2005, foram efetuados 2 repasses,
referentes as parcelas de novembro e dezembro de 2004"...Porém todas
as bolas foram pagas as famílias, de acordo com a freqüência das
crianças e famílias nas atividades, de acordo com o preestabelecido
entre os governos" (Informativo, fls. 64, item 5.1.3. 3º parágrafo
do item).
E mais: "A Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus recebeu,
de março a junho de 2.006, 5 parcelas de R$ 3.680,00 para pagamento
mensal das 92 bolsas...." Informativo, fls. 65, item 5.1.4. 3º
parágrafo do item). Como notamos em quatro meses fora destinada cinco
bolsas, em razão do próprio Ministério mais uma vez ter atrasado o
pagamento de uma parcela.
Estes atrasos, aliados à criação de novas contas identificadas
apenas por siglas (doc. 102), impossibilitaram inicialmente a
identificação da origem dos recursos e sua destinação. É natural que
essa confusão impeça a imediata aplicação dos recursos.
Apesar dos fatos acima apontados, os valores que deveriam ser
aplicados já o foram nas respectivas contas., conforme os comprovantes
de depósito anexos (doc. 103 - Comprovantes Depósitos do Valor que
seria Remuneração da Aplicação).
Em que pese a argumentação acima declinada, já foi realizado o
depósito correspondente a aplicação financeira, de modo a afastar
completamente qualquer penalidade ao Município (doc. 103)".

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 166


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Configura inoperância
administrativa não buscar saber, junto ao Ministério repassador, o
destino dos recursos a serem recebidos, no caso de não estarem sendo
depositados na conta bancária anterior.
A reposição do valor correspondente ao rendimento da aplicação
financeira que não foi realizada elide apenas em parte a constatação,
porque a falha mais grave, no que diz respeito à efetividade do
Programa, consiste em sua não utilização na Jornada do PETI.

6.1.9 CONSTATAÇÃO:
Despesas efetuadas por meio de saques da conta do PETI.

FATO:
A Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus efetuou saques da
conta específica do PETI para executar parte das despesas da jornada
do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, descumprindo o
art.19, "caput", da Portaria MDS n.º 736, de 15/12/2004, que prevê:
"Os recursos de que tratam esta Portaria devem ser mantidos em
contas específicas para cada programa, podendo ser movimentados
somente mediante cheque nominativo ao credor ou ordem bancária".
Os saques, tratados como "adiantamentos" nos processos de
comprovação das despesas, foram em favor da assistente social da
Prefeitura, CPF n.º 692.824.988-91, que apresentou notas fiscais de
aquisição de alimentos e lápis, sem qualquer registro de cotação ou
pesquisa de preço. Tampouco consta das referidas notas fiscais
qualquer identificação do recurso como sendo do PETI.
.
Os saques estão discriminados na tabela a seguir:

Conta
bancária Data Cheque Valor Empresas favorecidas
Banco do nº em R$
Brasil
Nº 70.126-2 05/04/2005 850691 800,00 "Casa de Carne Missé" -
Ag. 1596-2 CNPJ 04.838.966/0001-53
(NF 92 - R$ 43,00)
"Atacadão -
Distrib.,Com.e Ind.Ltda."
- CNPJ 75.315.333/0043-68
(NF 348557 a 348562 - R$
759,00
Nº 70.126-2 06/06/2005 850692 900,00 "José Antonio da Silva
Ag. 1596-2 Pirapora -ME - CNPJ
03.033.183/0001-30 (NF
522 - R$ 31,24)
"Atacadão -
Distrib.,Com.e Ind.Ltda."
- CNPJ 75.315.333/0043-68
(NF 376213 a 376215 - R$
837,40)
"Armarinhos Fernando" -
CNPJ 48.076.228/0001-91
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 167
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
(NF 498181 - R$ 36,90)

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta nº 70.126-2 (Ag. 1596-2 do Banco do Brasil).
Processos de prestação de contas dos adiantamentos.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os pagamentos efetivados em razão do Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil foram feitos observando-se os parâmetros da Lei
Federal 4.320/1964, ou seja, com prévio empenho, liquidação e ordem de
pagamento, tudo conforme o artigo 65 do diploma acima mencionado.
Ademais, observou-se o artigo 19 da MDS 736, de 15 de dezembro de
2004, uma vez que a ordem de pagamento deu-se em razão de cheque
nominativo a pessoa certa (doc. 104).
Por certo a Legislação Federal permite adiantamento de valores
para despesas de pronto pagamento, como ocorre com a Legislação
Municipal.
O Adiantamento em questão obedeceu ao preconizado na Lei
Municipal nº 524 de 12 de Março de 1997, sendo certo que os bens
adquiridos foram usados em benefício do Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil em Pirapora do Bom Jesus e dentro dos permissivos no
convênio, como notamos: "Os recursos da jornada ampliada são
repassados na rubrica de custeio, o que significa que só podem ser
utilizados para material de consumo. Os recursos devem ser utilizados
para compra de gêneros alimentícios para o reforço alimentar,
materiais escolares, esportivos, artísticos, pedagógicos e de lazer.
Também pode ser adquiridos uniformes para a jornada ampliada, sendo
permitido ainda que até 30% desses recursos sejam utilizados para
pagamento dos monitores, desde que não prejudique as ações essenciais
da jornada ampliada, como exemplo o reforço alimentar" (Cartilha do
PETI, Brasília 2004, Módulo III, fls. 08, item Como podem ser gastos
os recursos da Jornada Ampliada)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Portaria MDS nº 736, de 15/12/2004,
transcrita parcialmente neste relatório na descrição da presente
constatação, prevê explicitamente "cheque nominativo ao credor", ou
seja, ao fornecedor de bem ou prestador de serviço e não a funcionário
da prefeitura incumbido de executar despesas.
Ao contrário do afirmado pela prefeitura, a legislação federal
que rege a execução dos repasses em questão não permite o
"adiantamento de valores para despesas de pronto pagamento".

6.1.10 CONSTATAÇÃO:
Saque não justificado da conta do PETI.

FATO:
O cheque n.º 850003, no valor de R$ 920,00, foi sacado em
01/09/2005 da conta específica do PETI, conta-corrente n.º 16.979-X
(Ag. 1596-2 do Banco do Brasil), em 01/09/2005, sem que qualquer
justificativa tenha sido apresentada.
A conta recebeu os repasses destinados à manutenção da jornada do
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 168
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
PETI em 2005.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta nº 16.979-X (Ag. 1596-2 do Banco do Brasil).

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A douta auditoria apontou que houve saque da conta do PETI sem a
devida justificativa no valor de R$ 920,00, referente ao cheque nº
8500003. Não existe, contudo, nenhuma irregularidade.
O cheque nº 850003 foi emitido em favor de Atacadão Distribuição,
e Comércio Ltda., inscrito no CNPJ sob nº 75.315.333/0043-68 (doc.
105) no valor de R$ 920,00, para aquisição de alimentos a serem
consumidos pelos jovens beneficiários do programa.
Essa utilização guarda perfeita sintonia com as normas
ministeriais, que dispõe que os recursos da Jornada ampliada podem ser
gastos, segundo o Ministério: "Os recursos da jornada ampliada são
repassados na rubrica de custeio, o que significa que só podem ser
utilizados para material de consumo. Os recursos devem ser utilizados
para compra de gêneros alimentícios para o reforço alimentar,
materiais escolares, esportivos, artísticos, pedagógicos e de lazer.
Também pode ser adquiridos uniformes para a jornada ampliada, sendo
permitido ainda que até 30% desses recursos sejam utilizados para
pagamento dos monitores, desde que não prejudique as ações essenciais
da jornada ampliada, como exemplo o reforço alimentar" (Cartilha do
PETI, Brasília 2004, Módulo III, fls. 08, item Como podem ser gastos
os recursos da Jornada Ampliada).
Por derradeiro, note-se que a liquidação dessa despesa, ademais,
obedeceu aos ditames da Lei 4.320/64".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A prefeitura não anexou cópia do
cheque 850003 e as notas fiscais enviadas junto com sua manifestação
não perfazem exatamente o valor debitado da conta:
- NF 412568 - R$ 211,29
- NF 412569 - R$ 134,26
- NF 412570 - R$ 274,36
- NF 412571 - R$ 300,85
Total: R$ 920,76

6.1.11 CONSTATAÇÃO:
Desvio de finalidade em pagamentos efetuados com recursos do PETI.

FATO:
Com os recursos destinados à manutenção da jornada do PETI (conta-
corrente n.º 16.979-X - Ag. 1596-2 do Banco do Brasil) foram
realizados dois pagamentos que estão justificados como "bolsa do
orientador de capacitação do Programa Agente Jovem - 04 meses", tanto
nas ordens de pagamento como nas solicitações assinadas pela
Secretária da Promoção Social, a saber:
- cheque n.º 850006, no valor de R$ 1.500,00, sacado pela titular do
CPF 009.801.044-16, em 13/09/2005;
- cheque n.º 850007, no valor de R$ 800,00, sacado pela titular do CPF
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 169
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
354.483.658-09, em 13/09/2005.
As duas favorecidas foram posteriormente contratadas como funcionárias
da prefeitura.
O cheque n.º 850011 da mesma conta foi emitido em favor de "PHD
Tecidos Ltda.", CNPJ 03.874.002/0002-89, no valor de R$ 504,02, em
20/04/2006. No entanto, a Nota Fiscal n.º 00900 está carimbada como
"PAGO COM RECURSO ESTADUAL - CONVÊNIO SEADS".

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta nº 16.979-X (Ag. 1596-2 do Banco do Brasil).
Notas fiscais e processos de pagamento.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os saques efetivados através dos cheques nºs 850006 e 850007
(doc. 106) deram-se em função do pagamento de orientador dirigido ao
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, nos termos do convênio.
O único problema foi a utilização da fonte de recurso errônea,
razão pela qual foi devolvida a importância correspondente (doc. 107).
Quanto à contratação dos orientadores, é imperioso esclarecer que
um deles foi aprovado em processo de seleção do Poder Público
municipal (doc. 108), e outro foi admitido em razão de excepcional
serviço desempenhado junto ao programa em outras oportunidades (doc.
108).
Quanto ao Cheque nº 8500011 (Doc. 109), insta esclarecer que por
equivoco houve o carimbo com a menção "Pago com Recurso Estadual -
Convênio SEADS". O certo seria que constasse "pago com recurso do
PROGRAMA PETI". Ou seja, tratou-se de mero erro material já corrigido,
já que, de resto, o pagamento encontra amparo nas orientações do
Ministério e utilizado na uniformização das crianças integrantes".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A prefeitura efetuou apenas a
devolução do valor corrigido do cheque 850006 (R$ 1.500,00), não tendo
comprovado a mesma iniciativa em relação ao cheque 850007 (R$ 800,00).
Na documentação anexada, há duas cópias do mesmo depósito (nº da
autenticação A.791.81E.5D3.DA0.BA1).

6.1.12 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em emissão de notas fiscais apresentadas para
comprovação de despesas do PETI.

FATO:
Foram identificados indícios de fraude na emissão de notas
fiscais, apresentadas para comprovação de despesas do Programa de
Erradicação do Trabalho Infantil, conforme detalhamento a seguir:
a) Nota Fiscal n.º 208 - CNPJ 01.595.160/0001-93 (material de
escritório):
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus apresentou a Nota Fiscal n.º
208 da empresa "Janete Aparecida Dias-ME", CNPJ 01.595.160/0001-93,
para justificar a emissão do cheque n.º 850008 da conta-corrente n.º
16.979-X - Ag. 1596-2 do Banco do Brasil, no valor de R$ 2.010,15, em
29/11/2005.
Consta do processo de pagamento solicitação da Secretária da
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 170
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Promoção Social, em 21/11/2005, para aquisição dos seguintes itens de
material de escritório "para uso desta secretaria":
- 15 caixas de grampo;
- 20 unidades de cola bastão;
- 30 unidades de caneta piloto;
- 6 caixas de caneta azul;
- 6 caixas de caneta preta;
- 5 caixas de lápis preto;
- 10 grampeadores;
- 4 caixas de corretivo;
- 15 caixas de papel sulfite A4;
- 24 rolos de fita durex;
- 20 caixas de disquete 1.44;
- 6 caixas de envelope ofício branco;
- 6 caixas de envelope ofício kraft;
- 15 unidades de almofada para carimbo azul;
- 25 pastas AZ grandes;
- 50 pastas com grampo;
- 1 caneta marca-texto;
- 10 rolos de fita adesiva.
.
Em pesquisa ao Sistema CNPJ, verificou-se que a empresa favorecida
é, de fato, registrada como "comércio atacadista de instrumentos e
materiais médico-cirúrgico, hospitalares e laboratoriais". Não foi
possível localizar seus responsáveis e vizinhos. No endereço que
consta da nota fiscal afirmaram, em contato telefônico, não existir
empresa no local.
A Nota Fiscal n.º 208 está preenchida com tipo datilográfico
idêntico a outra nota apresentada para justificar despesa de material
de escritório do Programa Agente Jovem.
Trata-se da Nota Fiscal n.º 297 da empresa "Nair Pires de Carvalho
Paula-ME", também registrada no Sistema CNPJ como "comércio atacadista
de instrumentos e materiais médico-cirúrgico, hospitalares e
laboratoriais", cuja responsável afirma não ter efetuado qualquer
venda a essa Prefeitura (tópico aprofundado em constatação do referido
Programa neste Relatório).
Além disso, esta equipe de fiscalização teve acesso à Nota Fiscal
n.º 209 da mesma empresa "Janete Aparecida Dias-ME", emitida em
05/12/2005, no valor de R$ 5.160,40, respaldada pela seguinte
solicitação da mesma Secretária da Promoção Social, de 01/12/2005 (20
dias depois da primeira):
- 15 caixas de grampo;
- 20 unidades de cola bastão;
- 30 unidades de caneta piloto;
- 20 caixas de caneta azul;
- 20 caixas de caneta preta;
- 5 caixas de lápis preto;
- 10 grampeadores;
- 4 caixas de corretivo;
- 150 caixas de papel sulfite A4;
- 24 rolos de fita durex;
- 20 caixas de disquete 1.44;
- 10 caixas de envelope ofício branco;
- 10 caixas de envelope ofício kraft;
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 171
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- 15 unidades de almofada para carimbo azul;
- 50 pastas AZ grandes;
- 50 pastas com grampo;
- 5 canetas marca-texto;
- 10 rolos de fita adesiva.
.
Outro elemento que indica a falta de autenticidade da aquisição em
questão é que uma terceira compra dos mesmos itens foi realizada no
mesmo período, de outro fornecedor (Comercial Cidebrás Ltda. - CNPJ
68.196.294/0001-02). Neste último processo de pagamento, consta nova
solicitação da Secretária da Promoção Social, com a mesma data de
21/11/2005:
- 10 caixas de grampo;
- 20 unidades de cola bastão;
- 30 unidades de caneta piloto;
- 7 caixas de caneta azul;
- 6 caixas de caneta preta;
- 3 caixas de lápis preto;
- 15 pacotes de papel ofício;
- 10 grampeadores;
- 4 caixas de corretivo;
- 20 caixas de papel sulfite A4;
- 20 rolos de fita durex;
- 12 caixas de disquete 1.44;
- 10 caixas de envelope ofício branco;
- 6 caixas de envelope ofício kraft;
- 15 unidades de almofada para carimbo azul;
- 15 unidades de almofada para carimbo preta;
- 55 pastas AZ grandes;
- 200 pastas com grampo;
- 4 caixas de caneta marca-texto;
- 35 rolos de fita adesiva;
- 60 réguas 30 cm.;
- 12 unidades tinta preta impressora 840 HP;
- 10 unidades tinta colorida impressora 840 HP;
- 100 blocos para anotações médio;
- 20 apontadores;
- 150 pastas L;
- 5 pastas suspensas.
.
Como agravante, há total coincidência de valores unitários dos
itens que compõem a Nota Fiscal n.º 208 da empresa "Janete Aparecida
Dias-ME" e os relacionados nas Notas Fiscais n.º 1359 e n.º 1360
(25/11/2005 - R$ 6.018,89), da empresa Comercial Cidebrás Ltda.,
também registrada no Sistema CNPJ como "comércio atacadista de
instrumentos e materiais médico-cirúrgico, hospitalares e
laboratoriais", e apresentada para justificar despesa do Programa de
Atenção à Criança (tratada em detalhes em constatação própria neste
Relatório).
Os valores unitários coincidentes nas notas das duas empresas
estão descritos abaixo:

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 172


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Valor
Item unitário
nas duas
empresas
Caixa de grampo com 500 unidades R$ 5,40
Rolo de fita adesiva 5 cm. R$ 2,82
Almofada para carimbo R$ 8,40
Cola em bastão 10g. R$ 3,06
Caixa com 50 canetas R$ 29,68
Caneta piloto R$ 1,78
Caixa de caneta marca-texto R$ 13,43
Caixa de lápis preto (144) R$ 53,15
Grampeador R$ 12,82
Caixa de corretivo (12) R$ 15,90
Caixa de papel sulfite A4 (500) R$ 14,85
Rolo de fita durex (12x40) R$ 1,15
Caixa de disquete 1.44 (10) R$ 10,50
Caixa de envelope ofício branco (100) R$ 7,38
Caixa de envelope raia grande kraft R$ 27,68
(100)
Pasta AZ grande R$ 4,82
Pasta com grampo R$ 0,84

b) Nota Fiscal n.º 2386 - CNPJ 03.145.338/0001-20 (gêneros


alimentícios):
Em 12/12/2005, a Secretária da Promoção Social solicitou a
aquisição de alimentos para uso "desta Secretaria".
O cheque n.º 850010 da conta específica do PETI, n.º 16.979-X,
Ag.1596-2 do Banco do Brasil, no valor de R$ 2.862,75, foi sacado em
02/01/2006. A empresa favorecida seria a "Angelina Emiko Hayashi-ME"
(CNPJ 03.145.338/0001-20). De acordo com a Nota Fiscal n.º 2386, de
29/12/2005, que não traz qualquer identificação ou carimbo do
Programa, os seguintes produtos foram adquiridos:
- 100 kg de arroz;
- 70 kg de feijão;
- 100 pacotes de macarrão (500g)
- 50 kg de queijo prato;
- 40 kg de presunto;
- 150 pacotes de bolacha;
- 150 kg de farinha de trigo;
- 05 caixas de copo descartável de água (200 ml)
- 10 caixas de leite longa vida;
- 100 litros de refrigerante 2,5 l;
- 50 panetones;
- 100 kg de frango congelado.
.
Na mesma data, a Secretária fez uma segunda solicitação, utilizada
para comprovar despesa do Programa Agente Jovem (cheque n.º 850004 -
conta 16.982-X, Ag.1596-2 do Banco do Brasil, sacado em 02/01/2006):
- 100 kg de arroz;
- 50 kg de feijão;
- 40 kg de queijo prato;

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 173


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- 40 kg de presunto;
- 60 kg de frango congelado;
- 50 kg de carne moída;
- 50 kg de salsicha;
- 100 kg de açúcar refinado.
.
A Nota Fiscal n.º 75, emitida na mesma data de 29/12/2005, por
"Anderson Gomes-ME" (CNPJ 05.560.534/0001-96) é de R$ 2.125,50.
As duas notas fiscais estão preenchidas à mão, com caligrafia
idêntica, bastante peculiar. Não resta dúvida que tanto os campos de
destinatário, como a descrição dos produtos e seus valores foram
escritos pela mesma pessoa.
.
Os valores unitários coincidentes nas notas das duas empresas
estão descritos a seguir:

Valor
Item unitário
nas duas
empresas
Frango congelado (kg) R$ 2,60
Arroz tipo I (kg) R$ 6,50
Feijão carioca tipo I (kg) R$ 1,90
Queijo prato (kg) R$ 7,10
Presunto (kg) R$ 8,90

Nenhuma das duas notas traz impresso qualquer número de telefone.


Tampouco foi possível contatar as empresas através dos números obtidos
em pesquisas no Sistema CNPJ e consultas à empresa Telefônica.
O recebimento de tal quantidade de alimentos, que seria
questionável em função do número de participantes dos dois programas e
dos depoimentos de que não houve, mesmo em 2005, fartura no
oferecimento de refeições, torna-se bastante improvável uma vez que as
notas foram emitidas em 29/12/2005. Não houve realização das jornadas
do PETI e do Agente Jovem no mês de janeiro de 2006 e a própria
Secretária afirma que a oferta de refeições foi precária no ano
corrente.
As duas notas têm apenas a rubrica da própria Secretária atestando
a chegada do material, contrariando o Princípio da Segregação de
Funções.

EVIDÊNCIA:
Solicitações de compra de material de escritório pela Secretária da
Promoção Social. Notas fiscais relacionadas abaixo:

Nota Fiscal CNPJ


208 01.595.160/0001-93
209 01.595.160/0001-93
297 01.580.379/0001-19
1359 68.196.294/0001-02
1360 68.196.294/0001-02
2386 03.145.338/0001-20
75 05.560.534/0001-96

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 174


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Notas fiscais e processos de pagamento.
MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:
"Aponta a douta auditoria indícios de fraude na emissão de notas
fiscais apontadas no item supra do relatório. Tal afirmação não
procede, como se demonstrará.
De início, observe-se que os procedimentos de compra e pagamento
dos produtos ou serviços a cargo de Departamento de Compras obedecem
estritamente ao previsto na Lei 4.320/64.
Ademais as despesas realizadas se amoldam aos permissivos de cada
programa especifico, de acordo com seu respectivo programa.
Com relação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, o
Ministério assim dispôs: "Os recursos da jornada ampliada são
repassados na rubrica de custeio, o que significa que só podem ser
utilizados para material de consumo.
Os recursos devem ser utilizados para compra de gêneros
alimentícios para o reforço alimentar, materiais escolares,
esportivos, artísticos, pedagógicos e de lazer. Também pode ser
adquiridos uniformes para a jornada ampliada, sendo permitido ainda
que até 30% desses recursos sejam utilizados para pagamento dos
monitores, desde que não prejudique as ações essenciais da jornada
ampliada, como exemplo o reforço alimentar" (Cartilha do PETI,
Brasília 2004, Módulo III, fls. 08, item Como podem ser gastos os
recursos da Jornada Ampliada).
Cada um dos processos teve prévia cotação, solicitação, empenho e
liquidação somente ao final com o pagamento, ex vi do que dispõe os
artigos 58 e seguintes da Lei 4.320/64, não se podendo exigir da
administração que vistorie cada sede de fornecedor, sobretudo porque
são eles que trazem o material adquirido até a Administração.
O fato de eventual fornecedor ter negado a realização da venda
não pode prosperar, uma vez que uma empresa possui mais de um
funcionário e, por vezes, representantes comerciais, não sendo todos
obrigados a saber de todas as vendas realizadas pela empresa.
Logo, o relatório da auditoria aponta que o Município deveria
adotar procedimentos não previstos em lei o que, naturalmente, não se
coaduna com o princípio da legalidade.
Ademais, o caso de uma ou mais empresas terem fechado suas portas
para o comércio infelizmente é uma coisa muito comum em nosso país,
fato este que não pode ser imputado à Administração.
Quanto à identidade de produtos esclarece-se que estes foram
adquiridos segundo as necessidades de cada um dos programas que em
razão de suas similaridades acabou por se solicitar quantidade igual,
e que o volume de material utilizar-se-ia durante a vigência do
exercício, vez que tinham preocupação a época com eventuais atrasos.
Quanto à identidade de valores apontada pela douta auditoria, o
departamento de compras esclareceu que devido à uniformização das
compras, alguns dos produtos somente puderam ser comprados em outros
fornecedores, face ao esgotamento dos estoques daqueles que ofereceram
menor preço. Porém como os preços encontravam-se superiores nos outros
fornecedores, o departamento solicitou que fosse reduzido no mínimo ao
patamar anteriormente obtido pela administração, o que gerou sensível
economia aos cofres municipais.
Quanto ao aspecto da razão social das empresas, estas ofereceram
os produtos e entregaram as mercadorias, afirmando de detinham
autorização para venda dos produtos, mantendo estabelecimento
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 175
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
comercial aberto para tal fim. Seguem, anexos, os respectivos
documentos que provam tal situação (doc. 110), Ora, conforme já
demonstrado antes, é desnecessário para aquisição direta de produtos a
exibição de contrato social.
No que tange à identidade de letras datilografadas apontadas pela
auditoria, insta esclarecer que a proximidade das letras não passa de
mera coincidência, que poderá ser melhor observada nesta nova
oportunidade, posto que uma máquina de datilografar terá tipologia
igual ou muito próxima de outra máquina. Ou seja, esmo que forem de
marcas e modelos diversos, podem ter seus tipos (letras) iguais.
Essa acusação não passa, data vênias, de mera ilação, não havendo
quaisquer outros elementos que levem à conclusão de que houve
irregularidades nesse mister. Ao contrário, ocorreu cotação preliminar
e os objetos foram adquiridos segundo a proposta de menor preço, que
guardou sintonia com os valores de mercado.
Com relação à Nota Fiscal 209, a mesma foi restituída ao
programa, face a gama de recursos que poderiam ser utilizados com o
Programa BRALF (doc. 111).
Há que se ressaltar que estamos diante de pessoas com sérias
vulnerabilidades sociais, e que, portanto, necessitam de amplo apoio.
Destarte, os materiais adquiridos foram de grande valia para o
exercício da jornada complementar.
Quanto à quantidade de alimentos, há que se registrar que a
aquisição abrangeu estoque necessário até o aporte das primeiras
parcelas do ano seguinte, cujos atrasos eram usuais. Assim, garantiu a
Municipalidade que não houvesse solução de continuidade das atividades
dos Programas.
No que tange aos materiais de consumo, estes foram adquiridos por
necessidade do projeto e, em se tratando de material de consumo, é
natural que haja similaridade, visando o atendimento das necessidades
do programa por um longo período de tempo, durante o qual as
atividades não podem sofrer inmterrupões e exigem o volume solicitado.
Assim, tratou-se de compra direta, precedida de cotação
preliminar, e que resultou em contratação a preço de mercado, com
regular entrega do material.
Ou seja, considerados esses aspectos, não há como se imputar a
ocorrência de qualquer irregularidade, mesmo porque, conforme
amplamente demonstrado acima, a lei não exige a apresentação de
contrato social para esses casos".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada.
Não foram apresentadas justificativas que pudessem comprovar a
utilização da quantidade de alimentos perecíveis (presunto, queijo,
carne moída, salsicha) adquiridos em 29/12/2005, considerando-se que
não houve realização de trabalhos dos programas PETI e Agente Jovem em
janeiro de 2006.
A Prefeitura apresentou em anexo a sua justificativa, as cópias das
Declarações de Firma Individual registradas na Junta Comercial,
referentes às empresas Janete Aparecida Dias ME e Nair Pires de
Carvalho Paulo ME. Esses documentos nada puderam acrescentar ao que já
foi observado, cabendo ressaltar apenas que, coincidentemente, ambas
foram registradas em dezembro de 1996.
Com relação às notas fiscais, nenhuma das justificativas apresentadas
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 176
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
comprovam a utilização do tipo de material adquirido: caixas de
envelope ofício branco, caixas de envelope ofício kraft, almofadas
para carimbo azul, grampeadores, caixa de corretivo, caixas de
disquete, entre outros itens, em atividades do Programa, desenvolvidas
no município.
Além disso, embora a Prefeitura alegue que não há obrigatoriedade de
sua parte em verificar o contrato social de seus fornecedores e que
não conhece a instalação física desses estabelecimentos, mantendo
contato apenas com seus representantes, não apresentou a
identificação, o telefone e o contrato de representação que autoriza
essas pessoas a negociarem em nome das empresas.

6.1.13 CONSTATAÇÃO:
Fraude na disponibilização de cópias de extratos bancários de
conta específica do PETI.

FATO:
Por meio da Solicitação de Fiscalização n.º 03/2006, a equipe da
Controladoria Regional da União no Estado de São Paulo - CGU/SP
requisitou, em 26/07/2006, os extratos bancários das contas
específicas do Programa, referentes a 2005 e 2006.
Até o encerramento do período inicialmente previsto para os
trabalhos de campo, 04/08/2006, a Prefeitura não tinha disponibilizado
os extratos de 2006 da conta n.º 16979-X, Ag. 1596-2 do Banco do
Brasil, criada pelo MDS para os repasses a serem destinados à
manutenção da jornada do PETI.
O Secretário Municipal de Governo, Administração e Finanças
comprometeu-se, junto à citada equipe, a entregar os referidos
extratos na sede desta CGU/SP, até o dia 07/08/2006. Dessa forma, na
data acordada, protocolou entrega de cópias de extratos dos meses de
janeiro a julho de 2006.
A análise da documentação entregue, porém, revelou tratar-se de
montagem grosseira de extratos obtidos junto ao sítio do Banco do
Brasil na Internet.
Os extratos do "SISBB - Sistema de Informações Banco do
Brasil"
possuem: - no canto superior direito, um código composto da chave
identificadora de cada consulta;
- data e hora da consulta;
- números da agência e da conta;
- movimento do período solicitado;
- mensagem do Banco ao correntista;
- na parte inferior central: "Transação efetuada com sucesso
por:", acompanhada do código de acesso e do nome do responsável pela
consulta, por tratar-se de pessoa jurídica.
.
Nas seis páginas disponibilizadas, observou-se o seguinte(*):
1) Janeiro:
- Identificador: BP65111607283515032;
- Emissão em 10/02/2006, às 16:47:59h;
- Movimentação acusando o débito do cheque n.º 850010
(R$
2.862,75), em 02/01/2006, com resgate de aplicação;
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 177
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- Mensagem do Banco: "OBSERVAÇÕES: Ofertas de empréstimos (CDC
Renovação)....".
* sem constatações
.
2) Fevereiro:
- Identificador: BP35011258004678006;
- Emissão em 09/03/2006, às 14:59:20h;
- Sem movimentação, acusando saldo zerado em 31/01/2006;
- Mensagem do Banco: "Grandes empresas contam com um banco que
espelha seus negócios...".
* sem constatações
.
3) Março:
- Identificador: BP35011258004678006;
- Emissão em 11/04/2006, às 14:59:20h;
- Sem movimentação, acusando saldo zerado em 31/01/2006;
- Observações do Banco: "Grandes empresas contam com um banco que
espelha seus negócios...".
* Repetição da chave identificadora única do extrato do mês
anterior; mesma hora, com coincidência de horas, minutos e segundos em
relação ao mês anterior.
.
4) Abril:
- Identificador: BP21101030046557006;
- Emissão em 03/05/2006, às 09:36:37h;
- Sem movimentação, acusando saldo zerado em 11/05/2006;
- Observações do Banco: "Programa de relacionamento: Pontos
Jul/06:...".
* Extrato emitido em 03/05/2006 trazendo saldo posterior, de
11/05/2006; observações informando saldo de pontos acumulados até
julho de 2006.
.
5) Maio:
- Identificador: BP21101030046557006;
- Emissão em 05/06/2006, às 10:36:37h;
- Sem movimentação, acusando saldo zerado em 11/05/2006;
- Observações do Banco: "Programa de relacionamento: Pontos
Jul/06:...".
* Repetição da chave identificadora única do extrato do mês
anterior; coincidência dos minutos e segundos do extrato do mês
anterior; repetição da mensagem de saldo de pontos acumulados até
julho de 2006.
.
6) Junho:
- Identificador: BP21101030046557006;
- Emissão em 07/07/2006, às 14:36:37h;
- Sem movimentação, acusando saldo zerado em 11/05/2006;
- Observações do Banco: "Programa de relacionamento: Pontos
Jul/06:...".
* Repetição da chave identificadora única dos extratos dos dois
meses anteriores; coincidência dos minutos e segundos dos extratos dos
dois meses anteriores; repetição da mensagem de saldo de pontos
acumulados até julho de 2006.
.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 178
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Todas as seis folhas trazem na parte inferior a mensagem
"Transação efetuada com sucesso por: ", acompanhada de um código e do
nome do Secretário de Governo, Administração e Finanças da Prefeitura.
Em face das observações apontadas, solicitou-se ao gerente da Agência
1596-2 do Banco do Brasil que disponibilizasse diretamente a esta
CGU/SP os extratos da conta n.º 16979-X. A discrepância ficou
evidenciada, uma vez que nos originais constam os seguintes débitos,
que não tinham aparecido nas cópias disponibilizadas pela Prefeitura:
.
- 20/04/2006 - cheque compensado n.º 850011 - R$ 504,02;
- 11/05/2006 - cheque compensado n.º 850012 - R$ 440,00.
.
Ainda em função das constatações acima descritas, esta CGU/SP
efetuou consulta à Agência Ministério da Fazenda do Banco do Brasil,
por meio do Ofício n.º 28103/2006.
A resposta revelou que "o código alfanumérico que aparece na parte
superior direita da página de extratos .... (é) um identificador de
sessão, ou seja, um código gerado cada vez que um usuário informa sua
chave JXXXXXXX e senha de acesso no canal."
Portanto, fica comprovado que o código não poderia se repetir em
sessões diferentes, informação necessária e suficiente para a
constatação de fraude na apresentação de documentos à equipe
fiscalizadora.

EVIDÊNCIA:
Cópias de extratos bancários da conta nº 16979-X, Ag. 1596-2 do Banco
do Brasil, disponibilizadas pela Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus.
Extratos originais da mesma conta fornecidos diretamente a esta CGU
pela referida Agência. Resposta do Banco do Brasil ao Ofício nº
28103/2006 desta CGU/SP.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Encaminha-se os extratos fornecidos pela Gerência do Banco do
Brasil referentes à conta corrente nº 16.979-X, Agência do Banco do
Brasil, para a Secretaria Municipal de Governo e Administração.
Há que ressaltar que conforme informações da Secretaria de
Administração e Finanças não houve fraude, uma vez que fora entregue
aos auditores da CGU cópia da Conciliação Bancária em que consta
expressamente a existência dos cheques nºs 8500011 e 8500012,
respectivamente nos valores de R$ 504,02 e R$ 440,00 (doc. 112 ).
Com referência à repetição do código identificador, inexiste
qualquer divergência, sendo que a data de emissão é a mesma (incluindo
os valores), sendo inviável apresentarem-se com data diferente.
Com relação ao mês de março, equivoca-se o relatório, como se
verifica da cópia anexa nº BP35011258004678003 (não constante do
relatório), o que por certo gerou o equivoco.
Com relação ao mês de maio, temos a informar que solicitamos do
Banco do Brasil os necessários esclarecimentos, pois o valor da
movimentação existente não constava do extrato. Portanto, o fato
decorreu de erro material do agente financeiro.
Com relação aos meses de junho e julho, por não haver
movimentação, não foi possível obter via internet o extrato, pois o
que nele consta é o período sem movimentação".

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 179


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Ao contrário do alegado, o relatório não
está equivocado. Entre os papéis de trabalho da fiscalização, constam
três cópias de extratos que teriam sido emitidos em três meses
diferentes, com o mesmo código identificador (BP35011258004678006),
ocorrência impossível segundo o Banco do Brasil; a diferença
apresentada pelo extrato ora anexado à manifestação da prefeitura
(emitido em 11/04/2006 e identificado como BP35011258004678003) e o
disponibilizado anteriormente, apenas depõe a favor da constatação de
manipulação fraudulenta das cópias disponibilizadas anteriormente.
Cabe destacar que a prefeitura não pediu esclarecimentos ao Banco
do Brasil em relação ao fato de um extrato que teria sido emitido em
03/05/2006 apresentar saldo zerado em 11/05/2006 (data posterior à
emissão), com o texto informando o saldo de pontos acumulados até
julho de 2006.

6.2 - PROGRAMA
0070
PROTECAO SOCIAL A INFANCIA, ADOLESCENCIA E JUVENTUDE
AÇÃO :
0886
CONCESSAO DE BOLSA PARA JOVENS DE 15 A 17 ANOS EM SITUA
CAO DE VULNERABILIDADE E/OU RISCO SOCIAL - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Garantir meios para que o jovem em situação de vulnerabilidade e
risco social possa ser inserido em atividades que promovam sua
cidadania, visando sua permanência no sistema educacional e sua
iniciação no mercado de trabalho, e ainda, contribuir para a
promoção da convivência familiar e comunitária, mediante a
ampliação do universo informacional para o exercício nas comunidades.
ORDEM DE SERVIÇO : 183282
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Atuação do gestor municipal no tocante a aplicação/destinação dos
recursos recebidos pelo município, o atendimento das metas
pactuadas por meio das entidades e os controles internos existentes.
Atuação das entidades, quanto ao atendimento das metas pactuadas,
qualidade das instalações e do atendimento prestados aos
beneficiários.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 38.348,31

6.2.1 CONSTATAÇÃO:
Pagamentos do Agente Jovem incompletos e com atraso em 2005.

FATO:
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome repassou
mensalmente, em 2005, à Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus o valor
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 180
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
médio de R$ 1.560,00, referentes a 24 bolsas de R$ 65,00 para cada
adolescente do Programa Agente Jovem.
As 12 parcelas para pagamento das bolsas referentes a 2005 foram
enviadas pelo MDS diretamente para a conta-corrente nº 16.984-6 (Ag.
1596-2 do Banco do Brasil). Onze parcelas foram depositadas,
mensalmente, de março (parcelas de janeiro e fevereiro) a dezembro e a
última foi creditada em março de 2006.
Os repasses totalizaram R$ 18.720,00, correspondendo a 12 parcelas
para 24 participantes, ou seja, 288 bolsas de R$ 65,00. Os pagamentos
aos participantes, porém, foram incompletos e ocorreram com atraso de
mais de cinco meses.
O primeiro lote (103 bolsas) começou a ser pago em 01/09/2005. O
segundo (106 bolsas) se deu a partir de 19/12/2005 e o último (24
bolsas) apenas em 30/05/2006, totalizando R$ 15.145,00,
correspondentes a 233 bolsas.

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários da conta nº 16.984-6 (Ag. 1596-2). Relação de
pagamentos aos beneficiários do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os pagamentos do "Programa Agente Jovem", no município de
Pirapora do Bom Jesus, encontram-se todos regularizados com referência
ao exercício acima mencionado (doc. 113).
O Ministério deu início aos pagamentos no mês de março de 2.005,
como se nota pelo relatório desta auditoria, senão vejamos: "As 12
parcelas para pagamento das bolsas referentes a 2005 foram enviadas
pelo MDS diretamente para a conta-corrente nº 16.984-6 (Agência 1596-2
do Banco do Brasil). Onze parcelas foram depositadas, mensalmente, de
março (parcelas de janeiro e fevereiro) a de dezembro e a última foi
creditada em Março de 2.006" (Informativo, item 5.2.1, 2º parágrafo do
item). Destarte, observamos que houvera atraso no repasse de valores
dos meses de janeiro e fevereiro.
Esclarece-se, por oportuno, que todas as atividades programadas
com os jovens foram realizadas e os objetivos e metas foram cumpridos,
sendo certo que foram neles despertados o sentido de cidadania e
valorização (doc. 114)
Eventuais atrasos no ano de 2.006 decorreram de alteração na
conta-corrente para depósito, sem qualquer comunicação prévia do
Ministério ou do agente financeiro.
Os pagamentos que se efetivaram deram-se de acordo com os
parâmetros do programa e eventuais pagamentos a menor decorreram da
suspensão temporária em razão do não cumprimento destas pelos
bolsistas, mas jamais por vontade da Administração".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Configura inoperância administrativa não
buscar saber, junto ao Ministério repassador, o destino dos recursos a
serem recebidos. A constatação foi baseada na análise dos repasses
recebidos pelo município e dos extratos bancários da conta do
Programa, com os pagamentos efetuados, incompletos e com atraso.
A prefeitura anexou à sua resposta uma lista digitada em computador,
com uma relação de nomes de beneficiários e valores que teriam sido
pagos, sem qualquer comprovação de recebimento, como assinaturas ou
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 181
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
extratos bancários.
6.2.2 CONSTATAÇÃO:
Ausência de pagamentos do Agente Jovem em 2006.

FATO:
A Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus recebeu, de março
a julho de 2006, 6 parcelas para pagamento mensal das 24 bolsas
urbanas de R$ 65,00 a cada participante do Programa Agente Jovem.
No entanto, o valor integral de R$ 9.360,00 não foi movimentado e
nenhum pagamento referente à participação durante o ano de 2006 foi
efetuado.

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta nº 18.954-5 (Ag. 1596-2 do Banco do
Brasil). Relação de pagamentos aos beneficiários do Programa.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os pagamentos do "Programa Agente Jovem" encontram-se todos
regularizados com referência ao exercício acima mencionado (doc. 115).
Se efetivamente ocorreu atraso, este se deu por problemas na
parametrização das informações entre o Ministério e o Órgão Gestor do
Programa, uma vez que houve alteração das contas correntes, sem
nenhuma comunicação para o Município acerca desta alteração. É de se
informar, ainda, que sequer o agente financeiro informou a Fazenda
Pública do Município a ocorrência desta alteração e das especificações
da Conta.
Não podemos deixar de registrar que a abertura das atuais contas
ocorreu apenas por siglas, sem a descrição exata do programa a que se
ligava, o que levou a eventuais atrasos em decorrência da necessidade
de constatação exata da titularidade da mesma.
Ademais, pode-se observar que o próprio Ministério, em
determinados períodos, atrasou os pagamentos, como se verifica: "A
Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus recebeu, de março a
julho de 2.006, 6 parcelas para pagamento mensal das 24 bolsas urbanas
de R$ 65,00 a cada participante do Programa Agente Jovem"
(Informativo, item 5.2.2., 1º parágrafo).
Ora, nota-se que em 7 meses o Município recebeu 6 parcelas, sendo
certo que estes pagamentos ocorreram no mês de março, portanto janeiro
e fevereiro encontravam-se atrasados.
Não se olvide, por igual, que no exercício de 2006 foi feito um
depósito de valor no mês de abril junto a conta-corrente diversa da
que estava recebendo anteriormente os valores".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. Configura inoperância administrativa
não buscar saber, junto ao Ministério repassador, o destino dos
recursos a serem recebidos. A constatação foi baseada na análise dos
repasses recebidos pelo município e dos extratos bancários da conta do
Programa, com os pagamentos efetuados, incompletos e com atraso.
A prefeitura anexou à sua resposta uma lista digitada em computador,
com uma relação de nomes de beneficiários e valores que teriam sido
pagos, sem qualquer comprovação de recebimento, como assinaturas ou
extratos bancários.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 182
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
6.2.3 CONSTATAÇÃO:
Recursos do Programa Agente Jovem sem movimentação e sem aplicação
financeira.

FATO:
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus tem deixado,
sistematicamente, os recursos do Programa sem utilização e sem
aplicação financeira, descumprindo o art. 19 da Portaria MDS nº 736,
de 15/12/2004, que prevê em seu parágrafo único:
"Os recursos transferidos, enquanto não utilizados na sua finalidade,
devem ser obrigatoriamente aplicados em caderneta de poupança ou em
fundo de curto prazo".
Os valores estão demonstrados na tabela a seguir:
.

Conta bancária Finalidade do Período sem Saldo acumulado


Banco do Brasil repasse movimentação
Nº 16.984-6 Pagamento de 22/03/2005 a R$ 9.360,00
Ag. 1596-2 bolsa 15/08/2005
Nº 16.984-6 Pagamento de 11/10/2005 a R$ 7.735,00
Ag. 1596-2 bolsa 18/12/2005
Nº 16.982-X Despesas com a 22/03/2005 a R$ 5.500,00
Ag. 1596-2 jornada 15/08/2005
Nº 18.954-5 Pagamento de 08/03/2006 a R$ 9.360,00
Ag. 1596-2 bolsa 31/07/2006
Nº 18.956-1 Despesas com a 13/03/2006 a R$ 2.749,98
Ag. 1596-2 jornada 31/07/2006

.
Saldos das contas do Programa em 31/07/2006:
.

Conta bancária Valor sem Valor Total


Banco do Brasil aplicação aplicado
Nº 20.456-0 - R$ 5.691,33 R$ 5.691,33
Ag. 1529-6
(recursos 2004)
Nº 16.984-6 - R$ 2.351,01 R$ 2.351,01
Ag. 1596-2
Nº 16.982-X - - -
Ag. 1596-2
Nº 18.954-5 R$ 9.360,00 - R$ 9.360,00
Ag. 1596-2
Nº 18.956-1 R$ 2.749,98 - R$ 2.749,98
Ag. 1596-2
Total R$ 12.109,98 R$ 8.042,34 R$ 20.152,32

EVIDÊNCIA:
Extratos bancários das contas do Programa, de 01/01/2005 a
31/07/2006.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os recursos do "Programa Agente Jovem" eram repassados para a
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 183
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
conta-corrente nº 16984-6 (doc. 116). Sem nenhuma comunicação prévia
do Ministério ou do Agente Financeiro, esses recursos passaram a ser
depositados na conta-corrente nº 18954-5 (doc. 117).
Neste contexto, a ausência da parametrização das informações
financeiras efetuadas unilateralmente levaram à impossibilidade
inicial do reconhecimento da origem financeira dos recursos,
necessário a qualquer movimentação ou aplicação da mesma.
Ocorre que por vezes o Ministério acabou por atrasar pagamentos,
como constatado por esta auditoria no item 5.2.1, ou seja: "As 12
parcelas para pagamento das bolsas referentes a 2005 foram enviadas
pelo MDS diretamente para a conta-corrente nº 16.984-6 (Agência 1596-2
do Banco do Brasil). Onze parcelas foram depositadas, mensalmente, de
março (parcelas de janeiro e fevereiro) a de dezembro e a última foi
creditada em Março de 2.006" (Informativo, item 5.2.1, 2º parágrafo do
item).
Estes atrasos - aliados à criação de novas contas identificadas
apenas por siglas (doc. 116/117) - impossibilitaram a identificação da
origem dos recursos e, consequentemente, sua destinação e logicamente
a sua não aplicação.
Os valores que deveriam ser aplicados, apesar dos fatos acima
apontados, já foram aportados nas respectivas contas nos termos dos
comprovantes de depósito (doc. 118), para que não sofra a
Administração nenhuma sanção".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Configura inoperância
administrativa não buscar saber, junto ao Ministério repassador, o
destino dos recursos a serem recebidos, no caso de não estarem sendo
depositados na conta bancária anterior.
A reposição do valor correspondente ao rendimento da aplicação
financeira que não foi realizada elide apenas em parte a constatação,
porque a falha mais grave, no que diz respeito à efetividade do
Programa Agente Jovem, consiste em sua não utilização.

6.2.4 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em emissão de notas fiscais apresentadas para
comprovação de despesas do Programa Agente Jovem.

FATO:
Foram identificados indícios de fraude na emissão de notas
fiscais, apresentadas para comprovação de despesas do Programa Agente
Jovem, conforme detalhamento a seguir:
a) Nota Fiscal n.º 297 - CNPJ 01.580.379/0001-19 (material de
escritório):
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus apresentou a Nota Fiscal
n.º 297 da empresa "Nair Pires de Carvalho Paula-ME", CNPJ
01.580.379/0001-19, para justificar a emissão do cheque n.º 850003 da
conta-corrente n.º 16.982-X - Ag. 1596-2 do Banco do Brasil, no valor
de R$ 1.515,00, compensado em 07/12/2005.
Consta do processo de pagamento solicitação da Secretária da
Promoção Social, em 01/12/2005, para aquisição dos seguintes itens de
material de escritório "para uso desta secretaria":
- 50 pacotes de papel sulfite tamanho Ofício;
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 184
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- 6 unidades de tinta para impressora HP 840 colorida.
Pesquisa no Sistema CNPJ revelou que a empresa favorecida é, de
fato, registrada como "comércio atacadista de instrumentos e materiais
médico-cirúrgico, hospitalares e laboratoriais". Embora não conste
telefone na Nota Fiscal, foi possível ter acesso ao número através de
consulta à empresa Telefônica pelo endereço (Rua Emil Abrany, 5 - São
Paulo).
Em contato telefônico realizado no dia 01/09/2006 com a
responsável pela empresa (CPF 172.676.328-58), a mesma afirmou que a
empresa não efetuou qualquer venda nos últimos doze meses e jamais
teve qualquer contato comercial com a Prefeitura de Pirapora do Bom
Jesus.
Já havia chamado a atenção da equipe de fiscalização o fato de que
a referida Nota Fiscal está preenchida com o mesmo tipo datilográfico
da Nota Fiscal n.º 208 da empresa "Janete Aparecida Dias-ME", CNPJ
01.595.160/0001-93, apresentada para justificar despesa do Programa de
Erradicação do Trabalho Infantil e já analisada em item específico
deste Relatório.
.
b) Nota Fiscal n.º 1960 - CNPJ 00.669.710/0001-09 (produtos de
limpeza):
A Nota Fiscal n.º 1960 da empresa CYPA - Comércio de Produtos de
Limpeza Ltda.-ME (CNPJ 00.669.710/0001-09) foi apresentada para
comprovar o pagamento que ensejou a emissão do cheque n.º 850002, da
mesma conta bancária, no valor de R$ 1.534,40, compensado em
07/12/2005.
Todos os itens do pedido de compra, formulado pela Secretária da
Promoção Social em 01/12/2005, coincidem com outro também enviado pela
citada Secretária no dia 21/11/2005, utilizado para justificar despesa
do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil:
- 20 caixas de sabão em pó de 1 kg;
- 36 litros de álcool perfumado;
- 06 caixas com 2.500 copos para água (200 ml);
- 12 litros de lisoforme;
- 10 galões de 5 litros de sabão líquido;
- 20 pacotes de sacos de lixo (100 l);
- 01 caixa com 5000 copos para café;
- 50 peças de pano em algodão para limpeza;
- 20 fardos de papel higiênico com 64 rolos.
.
A aquisição resultante do primeiro pedido foi realizada de outra
empresa (CNPJ 57.761.058/0001-75 - Santo Amaro Comércio de Produtos de
Limpeza Ltda.-ME), mas os valores unitários dos produtos são idênticos
ao da Nota Fiscal n.º 1960, ora colocada sob suspeição.
Os valores unitários coincidentes nas notas das duas empresas
estão descritos a seguir:

Valor
Item unitário
nas duas
empresas
Sabão em pó OMO (1 kg) R$ 6,00
Álcool perfumado (1 l) R$ 3,10
Caixa de copo descartável (200 ml) R$ 59,00
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 185
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Valor
Item unitário
nas duas
empresas
Lisoforme (1 l) R$ 3,90
Galão de sabão líquido (5 l) R$ 4,20
Pacote de saco de lixo (100 l) R$ 19,00
Caixa de copo descartável para café R$ 50,00
(5.000)
Peça de pano em algodão para limpeza R$ 1,40
Fardo de papel higiênico (64 rolos) R$ 18,00

No entanto, ao tentar localizar a empresa "CYPA", a equipe


deparou-se com a seguinte situação:
A Nota Fiscal foi impressa em março de 1997. No endereço nela
impresso hoje funciona outro comércio. O telefone impresso não existe
mais. O endereço que consta do Sistema CNPJ é o endereço residencial
apresentado no Sistema de Cadastro de Pessoa Física da responsável
(CPF 135.691.588-45), Rua Dr. Georgino Paulino dos Santos, 143. Em
consulta à empresa Telefônica, obteve-se a informação de que não há
qualquer assinante comercial com o nome da referida empresa.
As dificuldades de localização da empresa, as coincidências entre
os dois pedidos e os valores unitários dos produtos nas duas
aquisições e ainda o fato de a Nota Fiscal ter apenas a rubrica da
própria Secretária como atestado de recebimento das mercadorias
constituem indícios de falta de autenticidade da despesa.
.
c) Nota fiscal n.º 75 - CNPJ 05.560.534/0001-96 (gêneros
alimentícios): Em 12/12/2005, a Secretária de Promoção Social
solicitou a aquisição de alimentos para uso "desta Secretaria".
O cheque n.º 850004, no valor de R$ 2.125,50, da conta específica
do Programa Agente Jovem, n.º 16.982-X, Ag. 1596-2 do Banco do Brasil,
foi sacado em 02/01/2006. A empresa favorecida seria "Anderson
Gomes-ME" (CNPJ 05.560.534/0001-96). De acordo com a Nota Fiscal n.º
75, de 29/12/2005, que não traz qualquer identificação ou carimbo do
Programa, os seguintes produtos foram adquiridos:
- 100 kg de arroz;
- 50 kg de feijão;
- 40 kg de queijo prato;
- 40 kg de presunto;
- 60 kg de frango congelado;
- 50 kg de carne moída;
- 50 kg de salsicha;
- 100 kg de açúcar refinado.
.
Na mesma data, a Secretária fez uma segunda solicitação, utilizada
para comprovar despesa do Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil:
- 100 kg de arroz;
- 70 kg de feijão;
- 100 pacotes de macarrão (500g)
- 50 kg de queijo prato;
- 40 kg de presunto;
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 186
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
- 150 pacotes de bolacha;
- 150 kg de farinha de trigo;
- 05 caixas de copo descartável de água (200 ml)
- 10 caixas de leite longa vida;
- 100 litros de refrigerante 2,5 l;
- 50 panetones;
- 100 kg de frango congelado.
.
A Nota Fiscal nº 2386, emitida em 29/12/2005 pela empresa
"Angelina Emiko Hayashi-ME" (CNPJ 03.145.338/0001-20), foi utilizada
para respaldar a emissão do cheque nº 850010, no valor de R$ 2.862,75,
da conta específica do PETI, nº 16.979-X, Ag. 1596-2 do Banco do
Brasil, conforme constatado em item específico do referido Programa
neste Relatório.
As duas notas fiscais estão preenchidas à mão, com caligrafia
idêntica, bastante peculiar. Não resta dúvida de que tanto os campos
de destinatário, como a descrição dos produtos e seus valores foram
escritos pela mesma pessoa.
Os valores unitários coincidentes nas notas das duas empresas
estão descritos a seguir:

Valor
Item unitário
nas duas
empresas
Frango congelado (kg) R$ 2,60
Arroz tipo I (kg) R$ 6,50
Feijão carioca tipo I (kg) R$ 1,90
Queijo prato (kg) R$ 7,10
Presunto (kg) R$ 8,90

Nenhuma das duas notas traz impresso qualquer número de telefone.


Tampouco foi possível contatar as empresas através dos números obtidos
em pesquisas no Sistema CNPJ e consultas à empresa Telefonica.
O recebimento de tal quantidade de alimentos, que seria
questionável em função do número de participantes dos dois programas e
dos depoimentos de que não houve, mesmo em 2005, fartura no
oferecimento de refeições, torna-se bastante improvável uma vez que as
notas foram emitidas em 29/12/2005. Não houve realização das jornadas
do PETI e do Agente Jovem no mês de janeiro de 2006 e a própria
Secretária afirma que a oferta de refeições foi precária no ano
corrente.
As duas notas têm apenas a rubrica da própria Secretária atestando
a chegada do material, contrariando o Princípio da Segregação de
Funções.

EVIDÊNCIA:
Solicitações de compra de material de escritório, limpeza e
alimentos pela Secretária da Promoção Social. Notas fiscais
relacionadas abaixo:

Nota CNPJ
fiscal
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 187
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Nota CNPJ
fiscal
208 01.595.160/0001-93
209 01.595.160/0001-93
297 01.580.379/0001-19
1359 68.196.294/0001-02
1360 68.196.294/0001-02
2386 03.145.338/0001-20
75 05.560.534/0001-96
8186 57.761.058/0001-75
1960 00.669.710/0001-09

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Neste ato, devem ser repetidas as mesmas argumentações efetuadas
por ocasião da resposta dada ao item 5.1.9. De fato, aponta-se a
existência de indícios de fraude na emissão de notas que não procedem.
É que os procedimentos de compra dos produtos ou serviços a cargo
de Departamento de Compras, com posterior pagamento, obedecem
estritamente ao previsto na Lei 4.320/64. Ademais, as despesas
realizadas se amoldam aos permissivos de cada programa em especifico,
ou seja, destina-se a gêneros alimentícios ou de custeio utilizados
separadamente, cada qual adquirido para seu respectivo programa.
Com relação do "Programa de Erradicação do Trabalho Infantil",
assim leciona o Ministério: "Os recursos da jornada ampliada são
repassados na rubrica de custeio, o que significa que só podem ser
utilizados para material de consumo. Os recursos devem ser utilizados
para compra de gêneros alimentícios para o reforço alimentar,
materiais escolares, esportivos, artísticos, pedagógicos e de lazer.
Também pode ser adquiridos uniformes para a jornada ampliada, sendo
permitido ainda que até 30% desses recursos sejam utilizados para
pagamento dos monitores, desde que não prejudique as ações essenciais
da jornada ampliada, como exemplo o reforço alimentar" (Cartilha do
PETI, Brasília 2004, Módulo III, fls. 08, item 'Como podem ser gastos
os recursos da Jornada Ampliada').
Cada um dos processos teve prévia cotação, solicitação, empenho e
liquidação somente ao final, com o pagamento ex vi do que dispõe os
artigos 58 e seguintes da Lei 4.320/64. Ora, não se pode exigir da
administração que vistorie cada sede de fornecedor, até porque são
eles (fornecedores) que trazem o material até a Administração.
O fato de que eventual fornecedor teria negado a realização de
uma venda não invalida o processo. Afinal, a Administração só pode
agir conforme a lei. Também não se pode fechar os olhos para o fato de
ser comum uma ou mais empresas encerrarem suas atividades,
impossibilitando sua localização.
Quanto à identidade de produtos, esclarece-se que estes foram
adquiridos segundo as necessidades de cada um dos programas, ou seja,
em razão de suas similaridades acabou por se solicitar quantidade
igual, e que o volume de material utilizar-se-ia durante a vigência do
exercício, vez que tinham preocupação à época com eventuais atrasos.
Quanto à identidade de valores apontadas pela auditoria, o
Departamento de Compras esclareceu que devido a uniformização das
compras, alguns dos produtos somente puderam ser comprados em outros
fornecedores, vez que findo naqueles que ofereceram menor preço.
Porém, como os preços encontravam-se superiores nos outros
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22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
fornecedores, aquele departamento solicitou que fosse reduzido ao
mínimo o patamar anteriormente comprado, visando a busca do menor
preço, o que ocorreu com êxito, gerando preços muito próximos.
Quanto ao aspecto da razão social das empresas, estas ofereceram
os produtos e entregaram as respectivas mercadorias, afirmando de
detinham autorização para venda dos produtos, mantendo estabelecimento
comercial aberto para tal fim. Junta-se à presente os respectivos
documentos que informam tal situação (doc. 110), lembrando ser
desnecessária para a aquisição direta de produto, a exibição de
contrato social.
No que tange à identidade de letras datilografadas apontadas pela
auditoria, insta esclarecer que a proximidade das letras não passa de
mera coincidência, que poderá ser melhor observada nesta nova
oportunidade, posto que uma máquina de datilografar terá tipologia
igual ou muito próxima de outra máquina, não sendo necessário nem
mesmo ser da mesma marca e modelo, bastando ter tipos (letras) iguais.
Não se pode colocar em dúvida a seriedade de nenhum servidor público
diante da simples desconfiança de irregularidade, baseada em mera
semelhança de tipografia. Registre-se, por oportuno, ter havido, no
caso, cotação preliminar, e em nenhum momento foram questionados os
valores dos objetos, justamente por ter sido o mais baixo.
Com relação à Nota Fiscal nº 209, ela for restituída ao programa
face a gama de recursos que poderiam ser utilizados com o Programa
BRALF (doc. 111).
Há que se ressaltar, todavia, que se está diante de uma população
com sérias vulnerabilidades sociais, que necessitam de amplo apoio, e
os materiais adquiridos foram de grande valia para o exercício da
jornada complementar.
Quanto à quantidade de alimentos, registre-se que eles teriam
duração necessária até o aporte das primeiras parcelas do ano
seguinte, uma vez que era costumeiro o atraso das primeiras parcelas,
sendo certo que as crianças necessitam desses alimentos. Na realidade,
o que se desejou e se conseguiu foi a garantia de continuidade dos
programas.
No que tange aos materiais de consumo, estes foram adquiridos por
necessidade do projeto e em se tratando de material de consumo,
natural ocorrer a similaridade entre os mesmos visando o atendimento
das necessidades do programa por um longo período de tempo, uma vez
que as atividades deveriam ser continuadas e as atividades pedagógicas
exigiam o volume solicitado.
Assim sendo, por se tratar de compra direta onde restou
demonstrado que existiu cotação preliminar, preço de mercado, entrega
do material, e ainda, não exigindo a lei a apresentação de contrato
social para esses casos, restou caracterizado que a Administração
cumpriu a legislação nº 8.666/93, razão pela qual mera suposição não
pode ser suficiente a abalar a legalidade dos atos praticados.
O que na realidade restou bastante demonstrado é que nenhuma
irregularidade ocorreu e sim a existência de um procedimento que visou
comprar produto por menor preço, proporcionando uma perfeita execução
do projeto. E tanto ist é verdade que nenhuma falha na execução foi
apontada.
No tocante à alimentação fornecida, basta ser analisado o valor
repassado e o número de beneficiários do programa. Se for somente se
fundamentar a sobrevivência do programa por meio do recurso repassado,
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esse nem mesmo teria condições de vir a ser executado.
Os atrasos no repasses constituem-se fato inegável, em que pese
tentar-se desviar-se de tal ponto. Todavia, em nenhum momento ocorreu
a paralisação do programa, sendo sustentado pela Administração".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente, embora a manifestação da
Prefeitura não refute os indícios apontados, nem acrescente qualquer
elemento objetivo para elidir a constatação.
À época da fiscalização, esta equipe procurou circularizar as
informações obtidas e solicitou à Secretaria da Fazenda do Estado de
São Paulo, por meio do Ofício nº 28568/2006/GAB/CGU-Regional/SP
CGU-PR, de 1º de setembro de 2006, endereçado ao Ilmo. Coordenador
Adjunto de Administração Tributária, a verificação de autenticidade
das referidas notas fiscais, cujas cópias foram a ele enviadas em
anexo.
Não tendo recebido, até a data de fechamento deste Relatório, os
resultados da verificação, não é possível ainda confirmar os indícios
de fraude na emissão das notas, razão por que acatamos parcialmente a
justificativa do gestor.

6.2.5 CONSTATAÇÃO:
Desvio de finalidade na utilização de recursos do Programa Agente
Jovem.

FATO:
Com os recursos destinados ao pagamento das bolsas do Programa
Agente Jovem, em 2005, repassados para a conta-corrente nº 16.984-6,
da Ag. 1596-2 do Banco do Brasil, a Prefeitura realizou um pagamento
de R$ 1.500,00 à servidora de CPF 064.369.228-22.
A solicitação, por parte da Secretária da Promoção Social, em
22/11/2005, refere-se ao pagamento de bolsa do Orientador do Programa
Agente Jovem. O cheque nº 850025 da referida conta foi compensado em
19/12/2005, prejudicando o pagamento integral das bolsas aos jovens
participantes do Programa, conforme descrito em item específico deste
Relatório.
De acordo com a relação disponibilizada pela administração
municipal, a favorecida pelo pagamento é funcionária da Prefeitura de
Pirapora do Bom Jesus desde 04/10/1991, em regime de 8 horas diárias,
sendo atualmente Chefe de Divisão locada na Secretaria da Promoção
Social, no mesmo endereço onde é realizada a jornada do Programa
Agente Jovem.
Em entrevista à funcionária, em 03/08/2006, houve a confirmação do
pagamento, mas não foi possível esclarecer que tipo de serviço teria
sido prestado.
A entrevistada afirmou ter dado "palestras sobre assuntos gerais"
para os jovens e reiterou que isso teria ocorrido durante seu período
normal de expediente, uma vez que a jornada é oferecida no período da
tarde.
Qualifica-se como totalmente indevido o pagamento a servidor
municipal em horário de trabalho habitual, sem comprovação da
qualificação mínima necessária e descrição das atividades realizadas,
com recursos que deveriam ter sido destinados às bolsas dos jovens
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 190
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participantes do Programa.
EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta nº 16.984-6 (Ag. 1596-2 do Banco do
Brasil). Processo de pagamento. Relação de funcionários da Prefeitura.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os recursos do programa foram empregados visando potencializar
as ações, em observância às orientações prestadas pelo Ministério com
relação ao objetivo a ser desenvolvido.
As atividades foram regularmente desenvolvidas por profissional
capacitado para as atividades e palestras desenvolvidas. Ademais, a
profissional que ministrou as atividades conta com larga experiência
no certame, em especial no trato da integração família com os
bolsistas. Acresce dizer que não houve nenhum conflito de interesses,
pois a mesma encontrava-se naquele período afastada de suas funções
habituais.
A escolha dessa profissional, por sua vez, observou critérios
objetivos, levando em consideração os aspectos pessoais e
profissionais que ela detinha.
Também não houve prejuízo aos bolsistas no recebimento dos
valores, considerando a quantidade de bolsas que deveriam ser quitadas
naquela oportunidade e o valor constante da conta corrente.
Por oportuno, cumpre esclarecer que na realidade o recurso deve
ser devolvido, em razão do que por ocasião do pagamento utilizou-se a
fonte de recurso equivocada, porém sem prejuízo para nenhuma parte.
Neste ato, regulariza-se a situação, apresentando à restituição o
valor da conta corrente das bolsas (doc. 121). A Administração
instaurou Sindicância para apuração de eventual responsabilidade".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. O ressarcimento ao erário foi
comprovado, mas não elide a iniciativa de utilizar indevidamente os
recursos do Programa.
AÇÃO :
2556
SERVICOS DE PROTECAO SOCIOASSISTENCIAL A CRIANCA E AO A
DOLESCENTE - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Assegurar o desenvolvimento integral das crianças de 0 a 5 anos, e
das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos em situação de pobreza
e de risco social, valorizando a convivência social e familiar.
ORDEM DE SERVIÇO : 183275
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Atuação do gestor municipal no tocante a aplicação/destinação dos
recursos recebidos pelo município, o atendimento das metas
pactuadas por meio das entidades e os controle internos existentes.
Atuação das entidades, no tocante ao atendimento das metas pactuadas,
qualidade das instalações e do atendimento prestados aos
beneficiários.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
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MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 31.230,36
6.2.6 CONSTATAÇÃO:
Recursos do Serviço de Proteção Sócio-Assistencial à Criança sem
movimentação e sem aplicação financeira.

FATO:
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome tem
repassado à Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus, em 2005 e 2006, R$
1.487,16 por mês, para as despesas do Serviço de Proteção
Sócio-Assistencial à Criança.
Em 2005, os recursos eram transferidos como "Proteção Social
Básica - Infância (PAC - Programa de Atenção à Criança). Em 2006,
denomina-se "Piso Básico de Transição", podendo ser aplicado nas
modalidades "ASEF" (assistência às famílias), "JOI" (jornada
integral), ou "JOP" (jornada parcial).
O Município tem trabalhado com a meta de atendimento de 102
crianças de 0 a 6 anos, em jornada integral, na creche municipal
"Padre Agostinho Damen".
No entanto, verificou-se que a administração municipal tem
deixado, sistematicamente, os recursos do Programa sem utilização e
sem aplicação financeira, descumprindo o art. 19 da Portaria MDS n.º
736, de 15/12/2004, que prevê em seu parágrafo único:
"Os recursos transferidos, enquanto não utilizados na sua
finalidade, devem ser obrigatoriamente aplicados em caderneta de
poupança ou em fundo de curto prazo".
Exercício de 2005:
O MDS repassou as 12 parcelas de R$ 1.487,16, de 22/03/2005 a
29/12/2005, através da conta-corrente n.º 16.932-3, da Ag. n.º 1596-2
do Banco do Brasil, totalizando R$ 17.845,92.
Até o dia 15/08/2005, porém, nenhum gasto havia sido efetuado e o
montante de R$ 8.922,96 permanecia em conta-corrente, sem aplicação
financeira. Em 16/08/2005, nesta única vez, a Prefeitura efetuou
aplicação de curto prazo desse saldo.
Os repasses posteriores não tiveram aplicação financeira, tendo
parte deles sido gasto apenas em 28/11/2005, permanecendo o restante
sem utilização e sem aplicação financeira.
A execução da parcela gasta, por sua vez, está questionada em
tópico próprio deste Relatório, já que houve a apresentação de nota
fiscal com indício de fraude para comprová-la.
Exercício de 2006:
Os repasses vêm sendo creditados, a partir de 02/03/2006,
acumulando o saldo de R$ 8.922,96 até 31/07/2006, na conta-corrente
n.º 18.955-3, da Ag. n.º 1596-2 do Banco do Brasil. Nenhum valor foi
gasto ou aplicado no mercado financeiro até 31/07/2006.
Saldos das contas do Programa em 31/07/2006:

Conta bancária Valor sem Valor Total


Banco do Brasil aplicação aplicado
Nº 16.932-3 R$ 2.974,32 R$ 125,90 R$ 3.100,22
Ag. 1596-2
Nº 18.955-3 R$ 8.922,96 - R$ 8.922,96
Ag. 1596-2
Total R$ 11.897,28 R$ 125,90 R$ 12.023,18

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EVIDÊNCIA:
Extratos bancários das contas do Programa, de 01/01/2005 a
31/07/2006.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os recursos do "Programa de Serviço de Proteção
Sócio-Assistencial à Criança", eram repassados para a conta-corrente
nº 16932-3 (doc. 122). Sem qualquer comunicação prévia do Ministério
ou do Agente Financeiro, tais recursos passaram a ser depositados na
conta-corrente nº 18955-3 (doc. 123).
Neste contexto, a ausência da parametrização das informações
financeiras levaram à impossibilidade inicial do reconhecimento da
origem financeira dos recursos, necessário a qualquer movimentação ou
aplicação da mesma.
Ocorre que por vezes o Ministério acabou por atrasar pagamentos,
como constatado por esta auditoria no item 5.2.7, ou seja: "O MDS
repassou as 12 parcelas de R$ 1.487,16, de 22/03/2005 a 29/12/2005,
através da Conta corrente nº 16.932-3, da agência nº 1596-2 do Banco
do Brasil, totalizando R$ 17.845,92" (Informativo, item 5.2.7, 8º
parágrafo do tópico).
Estes atrasos, aliados à criação de novas contas identificadas
apenas por sigla (doc. 122/123), impossibilitaram a identificação da
origem dos recursos, a sua destinação e logicamente a sua não
aplicação.
Insta esclarecer que os valores que deveriam ser aplicados, apesar
dos fatos acima apontados, já foram aportados às respectivas contas
nos termos dos comprovantes de depósito (doc. 124)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. Configura inoperância
administrativa não buscar saber, junto ao Ministério repassador, o
destino dos recursos a serem recebidos, no caso de não estarem sendo
depositados na conta bancária anterior.
A reposição do valor correspondente ao rendimento da aplicação
financeira que não foi realizada elide apenas em parte a constatação,
porque a falha mais grave, no que diz respeito à efetividade do
Programa, consiste em sua não utilização no Serviço de Proteção
Sócio-Assistencial à Criança.

6.2.7 CONSTATAÇÃO:
Despesas efetuadas por meio de saque da conta do Serviço de
Proteção Sócio-Assistencial à Criança.

FATO:
Em 04/02/2005, foram efetuados 2 repasses, referentes às parcelas
de novembro e dezembro de 2004. Os créditos, através da conta estadual
n.º 8.265-1 (Ag. 1529-6 do Banco do Brasil), foram finalmente
destinados à conta-corrente municipal n.º 70.120-3 (Ag. 1596-2 do
Banco do Brasil), em 10/02/2005, e totalizaram R$ 2.974,32.
O saldo anterior da conta era de R$ 17,88 e a Prefeitura Municipal
de Pirapora do Bom Jesus efetuou saque de R$ 2.980,00 para executar as
despesas do Programa, descumprindo o art. 19, "caput", da Portaria MDS
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 193
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22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
n.º 736, de 15/12/2004, que prevê:
"Os recursos de que tratam esta Portaria devem ser mantidos em
contas específicas para cada programa, podendo ser movimentados
somente mediante cheque nominativo ao credor ou ordem bancária".
O saque, tratado como "adiantamento" nos processos de comprovação
das despesas, foi em favor da funcionária da Prefeitura de CPF n.º
064.369.228-22, que apresentou notas fiscais de aquisição de alimentos
e lápis, sem qualquer registro de cotação ou pesquisa de preço.
Tampouco consta das referidas notas fiscais qualquer identificação dos
recursos como sendo do Programa de Proteção Sócio-Assistencial à
Criança.
Os gastos, efetuados em tinta para tecido e material de
escritório, foram comprovados da seguinte maneira:

Conta
bancária Data Cheque Valor em Empresas favorecidas
Banco do nº R$
Brasil
"Maria Aparecida Beraldo Gallo
Pirapora-ME" - CNPJ
Nº 70.120-3 15/02/2005 850007 2.980,00 00.771.986/0001-01 (NF 0009 -
Ag. 1596-2 R$ 470,40)
"Clovis Atacadista Ltda. " -
CNPJ 46.523.007/0001-99 (NF
32497 e 32498 - R$ 2.548,48

EVIDÊNCIA:
Extrato bancário da conta nº 70.120-3 (Ag. 1596-2 do Banco do
Brasil). Processo de prestação de contas do adiantamento.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Os pagamentos efetivados em razão do "Programa de Proteção
Sócio-Assistencial à Criança" foram feitos observando-se os parâmetros
da Lei Federal 4.320/1964. Ocorreram o prévio empenho, a liquidação e
a ordem de pagamento, com permissão do artigo 65 do diploma acima
mencionado.
Ademais, foram feitos com estrita observância do art. 19 da MDS
736, de 15 de dezembro de 2004, uma vez que a ordem de pagamento
deu-se em razão de cheque nominativo a pessoa certa (doc. 125).
Por certo, ainda. a Legislação Federal permite adiantamento de
valores para despesas de pronto pagamento, como ocorre com a
legislação Municipal. E o Adiantamento em questão obedeceu ao
preconizado na Lei Municipal nº 524, de 12 de Março de 1997, sendo
certo que os bens adquiridos foram implementados a favor do "Programa
de Proteção Sócio-Assistencial à Criança", dentro dos permissivos no
convênio.
Ademais, os gastos em questão deram-se com base em solicitações
dos monitores diretamente ligados aos projetos".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A Portaria MDS nº 736, de 15/12/2004,
transcrita parcialmente neste relatório na descrição da presente
constatação, prevê explicitamente "cheque nominativo ao credor", ou
seja, ao fornecedor de bem ou prestador de serviço e não a funcionário
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 194
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
da prefeitura incumbido de executar despesas.
Ao contrário do afirmado pela prefeitura, a legislação federal que
rege a execução dos repasses em questão não permite o "adiantamento de
valores para despesas de pronto pagamento".

6.2.8 CONSTATAÇÃO:
Indícios de fraude em notas fiscais apresentadas para comprovação
de despesas do Serviço de Proteção Sócio-Assistencial à Criança.

FATO:
Foram identificados indícios de fraude na emissão de notas
fiscais, apresentadas para comprovação de despesas do Serviço de
Proteção Sócio-Assistencial à Criança, conforme detalhamento a seguir:
Notas Fiscais n.º 1359 e n.º 1360 - CNPJ 68.196.294/0001 (material
de escritório):
A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus apresentou as Notas Fiscais
n.º 1359 e n.º 1360 da empresa Comercial Cidebrás Ltda., CNPJ
68.196.294/0001-02, para justificar a emissão do cheque n.º 850001 da
conta-corrente n.º 16.932-3, da Ag. 1596-2 do Banco do Brasil, no
valor de R$ 6.108,89, em 28/11/2005.
Consta do processo de pagamento solicitação da Secretária da
Promoção Social, em 21/11/2005, para aquisição dos seguintes itens de
material de escritório "para uso desta secretaria":
- 10 caixas de grampo;
- 20 unidades de cola bastão;
- 30 unidades de caneta piloto;
- 7 caixas de caneta azul;
- 6 caixas de caneta preta;
- 3 caixas de lápis preto;
- 15 pacotes de papel ofício;
- 10 grampeadores;
- 4 caixas de corretivo;
- 20 caixas de papel sulfite A4;
- 20 rolos de fita durex;
- 12 caixas de disquete 1.44;
- 10 caixas de envelope ofício branco;
- 6 caixas de envelope ofício kraft;
- 15 unidades de almofada para carimbo azul;
- 15 unidades de almofada para carimbo preta;
- 55 pastas AZ grandes;
- 200 pastas com grampo;
- 4 caixas de caneta marca-texto;
- 35 rolos de fita adesiva;
- 60 réguas 30 cm.;
- 12 unidades tinta preta impressora 840 HP;
- 10 unidades tinta colorida impressora 840 HP;
- 100 blocos para anotações médio;
- 20 apontadores;
- 150 pastas L;
- 5 pastas suspensas.
.
Em pesquisa no Sistema CNPJ, verificou-se que a empresa favorecida
é, de fato, registrada como "comércio atacadista de instrumentos e
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 195
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
materiais médico-cirúrgico, hospitalares e laboratoriais". A pessoa
responsável está registrada no Cadastro de Pessoas Físicas sob o n.º
087.226.898-50.
Uma vez que os telefones que constam da Nota Fiscal não respondem,
procurou-se contato telefônico com vizinhos do endereço nela impresso
(Avenida Cupecê, 1677/sala 6 - Capital). Os ocupantes da sala 8 do
mesmo prédio afirmaram que a empresa consistia numa sala quase sempre
fechada, que não funciona mais lá há cerca de 10 anos.
O sistema de informações da Telefônica (102) informa que o
assinante solicitou não ter o número de telefone divulgado, fato
inusitado para um comércio, que em princípio deveria querer ampla
divulgação sobre como ser acessado.
Em mais uma tentativa de localização dos responsáveis, procurou-se
pelo endereço que consta do Sistema CNPJ (Rua José Neves, 341/sala 3 -
Capital), cujo telefone também não consta do "Guia de Assinantes -
Telefônica" na Internet. Os ocupantes da sala 2 afirmaram estar no
prédio há 3 anos e, desde então, nunca viram qualquer movimento na
sala 3.
O contador que consta como responsável pela empresa no mesmo
Sistema CNPJ (CPF 012.959.488-18) revelou, também através de contato
telefônico mantido em 01/09/2006, que desde 1994 não trabalha mais com
a empresa e desconhece seu paradeiro. Afirmou que a firma costumava
funcionar no endereço que consta como sendo a residência da
responsável pela empresa no Sistema CPF (Rua do Mar, 38 - Capital),
tendo acrescentado tratar-se de pessoa inidônea, razão de seu
afastamento profissional. Manifestando surpresa pelo fato de seu nome
continuar registrado como contador responsável no Sistema CNPJ,
afirmou que tomaria as providências para atualizar o cadastro.
Conforme relatado em item específico, a Prefeitura apresentou a
Nota Fiscal n.º 208 da empresa "Janete Aparecida Dias-ME", CNPJ
01.595.160/0001-93, para justificar a emissão do cheque n.º 850008 da
conta-corrente n.º 16.979-X - Ag. 1596-2 do Banco do Brasil, no valor
de R$ 2.010,15, em 29/11/2005. Consta desse processo de pagamento
outra solicitação da Secretária da Promoção Social, da mesma data de
21/11/2005, para aquisição dos seguintes itens de material de
escritório "para uso desta secretaria":
- 15 caixas de grampo;
- 20 unidades de cola bastão;
- 30 unidades de caneta piloto;
- 6 caixas de caneta azul;
- 6 caixas de caneta preta;
- 5 caixas de lápis preto;
- 10 grampeadores;
- 4 caixas de corretivo;
- 15 caixas de papel sulfite A4;
- 24 rolos de fita durex;
- 20 caixas de disquete 1.44;
- 6 caixas de envelope ofício branco;
- 6 caixas de envelope ofício kraft;
- 15 unidades de almofada para carimbo azul;
- 25 pastas AZ grandes;
- 50 pastas com grampo;
- 1 caneta marca-texto;
- 10 rolos de fita adesiva.
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 196
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
.
Cabe ressaltar que essa empresa também está registrada no Sistema
CNPJ como "comércio atacadista de instrumentos e materiais
médico-cirúrgico, hospitalares e laboratoriais". Da mesma forma, não
foi possível localizar seus responsáveis e vizinhos. No endereço que
consta da nota fiscal afirmaram, em contato telefônico, não existir
empresa no local.
Além disso, a Nota Fiscal n.º 208 está preenchida com tipo
datilográfico idêntico a outra nota apresentada para justificar
despesa de material de escritório do Programa Agente Jovem.
Trata-se da Nota Fiscal n.º 297 da empresa "Nair Pires de Carvalho
Paula-ME", também registrada no sistema CNPJ como "comércio atacadista
de instrumentos e materiais médico-cirúrgico, hospitalares e
laboratoriais", cuja responsável afirma não ter efetuado qualquer
venda a essa Prefeitura (tópico aprofundado em constatação do referido
Programa neste Relatório).
Acrescente-se que a equipe teve acesso à Nota Fiscal n.º 209 da
mesma empresa "Janete Aparecida Dias-ME", emitida em 05/12/2005, no
valor de R$ 5.160,40, respaldada pela seguinte solicitação da mesma
Secretária da Promoção Social, de 01/12/2005 (20 dias depois da
primeira):
- 15 caixas de grampo;
- 20 unidades de cola bastão;
- 30 unidades de caneta piloto;
- 20 caixas de caneta azul;
- 20 caixas de caneta preta;
- 5 caixas de lápis preto;
- 10 grampeadores;
- 4 caixas de corretivo;
- 150 caixas de papel sulfite A4;
- 24 rolos de fita durex;
- 20 caixas de disquete 1.44;
- 10 caixas de envelope ofício branco;
- 10 caixas de envelope ofício kraft;
- 15 unidades de almofada para carimbo azul;
- 50 pastas AZ grandes;
- 50 pastas com grampo;
- 5 canetas marca-texto;
- 10 rolos de fita adesiva.
Como agravante, há total coincidência de valores unitários dos
itens que compõem as Notas Fiscais n.º 1359 e n.º 1360 (25/11/2005 -
R$ 6.018,89), da empresa Comercial Cidebrás Ltda. e a Nota Fiscal n.º
208 da empresa "Janete Aparecida Dias-ME".
.
Os valores unitários coincidentes nas notas das duas empresas
estão descritos abaixo:

Valor
Item unitário nas
duas empresas
Caixa de grampo com 500 unidades R$ 5,40
Rolo de fita adesiva 5 cm. R$ 2,82
Almofada para carimbo R$ 8,40
Cola em bastão 10g. R$ 3,06
Caixa com 50 canetas R$ 29,68
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22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Valor
Item unitário nas
duas empresas
Caneta piloto R$ 1,78
Caixa de caneta marca-texto R$ 13,43
Caixa de lápis preto (144) R$ 53,15
Grampeador R$ 12,82
Caixa de corretivo (12) R$ 15,90
Caixa de papel sulfite A4 (500) R$ 14,85
Rolo de fita durex (12x40) R$ 1,15
Caixa de disquete 1.44 (10) R$ 10,50
Caixa de envelope ofício branco (100) R$ 7,38
Caixa de envelope raia grande kraft (100) R$ 27,68
Pasta AZ grande R$ 4,82
Pasta com grampo R$ 0,84

EVIDÊNCIA:
Solicitações de compra de material de escritório pela Secretária
da Promoção Social. Notas fiscais relacionadas abaixo:

Nota CNPJ
fiscal
208 01.595.160/0001-93
209 01.595.160/0001-93
297 01.580.379/0001-19
1359 68.196.294/0001-02
1360 68.196.294/0001-02

Notas fiscais e processos de pagamento.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Neste ato transcrevemos a resposta do item 5.2.4. De fato,
aponta-se a existência de indícios de fraude na emissão de notas que
não procedem.
É que os procedimentos de compra dos produtos ou serviços a cargo
de Departamento de Compras, com posterior pagamento, obedecem
estritamente ao previsto na Lei 4.320/64. Ademais, as despesas
realizadas se amoldam aos permissivos de cada programa em especifico,
ou seja, destina-se a gêneros alimentícios ou de custeio utilizados
separadamente, cada qual adquirido para seu respectivo programa.
Com relação do "Programa de Erradicação do Trabalho Infantil",
assim leciona o Ministério: "Os recursos da jornada ampliada são
repassados na rubrica de custeio, o que significa que só podem ser
utilizados para material de consumo. Os recursos devem ser utilizados
para compra de gêneros alimentícios para o reforço alimentar,
materiais escolares, esportivos, artísticos, pedagógicos e de lazer.
Também pode ser adquiridos uniformes para a jornada ampliada, sendo
permitido ainda que até 30% desses recursos sejam utilizados para
pagamento dos monitores, desde que não prejudique as ações essenciais
da jornada ampliada, como exemplo o reforço alimentar" (Cartilha do
PETI, Brasília 2004, Módulo III, fls. 08, item 'Como podem ser gastos
os recursos da Jornada Ampliada').
Cada um dos processos teve prévia cotação, solicitação, empenho e

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 198


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
liquidação somente ao final, com o pagamento ex vi do que dispõe os
artigos 58 e seguintes da Lei 4.320/64. Ora, não se pode exigir da
administração que vistorie cada sede de fornecedor, até porque são
eles (fornecedores) que trazem o material até a Administração.
O fato de que eventual fornecedor teria negado a realização de uma
venda não invalida o processo. Afinal, a Administração só pode agir
conforme a lei. Também não se pode fechar os olhos para o fato de ser
comum uma ou mais empresas encerrarem suas atividades,
impossibilitando sua localização.
Quanto à identidade de produtos, esclarece-se que estes foram
adquiridos segundo as necessidades de cada um dos programas, ou seja,
em razão de suas similaridades acabou por se solicitar quantidade
igual, e que o volume de material utilizar-se-ia durante a vigência do
exercício, vez que tinham preocupação à época com eventuais atrasos.
Quanto à identidade de valores apontadas pela auditoria, o
Departamento de Compras esclareceu que devido a uniformização das
compras, alguns dos produtos somente puderam ser comprados em outros
fornecedores, vez que findo naqueles que ofereceram menor preço.
Porém, como os preços encontravam-se superiores nos outros
fornecedores, aquele departamento solicitou que fosse reduzido ao
mínimo o patamar anteriormente comprado, visando a busca do menor
preço, o que ocorreu com êxito, gerando preços muito próximos.
Quanto ao aspecto da razão social das empresas, estas ofereceram
os produtos e entregaram as respectivas mercadorias, afirmando de
detinham autorização para venda dos produtos, mantendo estabelecimento
comercial aberto para tal fim. Junta-se à presente os respectivos
documentos que informam tal situação (doc. 110), lembrando ser
desnecessária para a aquisição direta de produto, a exibição de
contrato social.
No que tange à identidade de letras datilografadas apontadas pela
auditoria, insta esclarecer que a proximidade das letras não passa de
mera coincidência, que poderá ser melhor observada nesta nova
oportunidade, posto que uma máquina de datilografar terá tipologia
igual ou muito próxima de outra máquina, não sendo necessário nem
mesmo ser da mesma marca e modelo, bastando ter tipos (letras) iguais.
Não se pode colocar em dúvida a seriedade de nenhum servidor público
diante da simples desconfiança de irregularidade, baseada em mera
semelhança de tipografia. Registre-se, por oportuno, ter havido, no
caso, cotação preliminar, e em nenhum momento foram questionados os
valores dos objetos, justamente por ter sido o mais baixo.
Com relação à Nota Fiscal nº 209, ela for restituída ao programa
face a gama de recursos que poderiam ser utilizados com o Programa
BRALF (doc. 111).
Há que se ressaltar, todavia, que se está diante de uma população
com sérias vulnerabilidades sociais, que necessitam de amplo apoio, e
os materiais adquiridos foram de grande valia para o exercício da
jornada complementar.
Quanto à quantidade de alimentos, registre-se que eles teriam
duração necessária até o aporte das primeiras parcelas do ano
seguinte, uma vez que era costumeiro o atraso das primeiras parcelas,
sendo certo que as crianças necessitam desses alimentos. Na realidade,
o que se desejou e se conseguiu foi a garantia de continuidade dos
programas.
No que tange aos materiais de consumo, estes foram adquiridos por
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 199
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
necessidade do projeto e em se tratando de material de consumo,
natural ocorrer a similaridade entre os mesmos visando o atendimento
das necessidades do programa por um longo período de tempo, uma vez
que as atividades deveriam ser continuadas e as atividades pedagógicas
exigiam o volume solicitado.
Assim sendo, por se tratar de compra direta onde restou
demonstrado que existiu cotação preliminar, preço de mercado, entrega
do material, e ainda, não exigindo a lei a apresentação de contrato
social para esses casos, restou caracterizado que a Administração
cumpriu a legislação nº 8.666/93, razão pela qual mera suposição não
pode ser suficiente a abalar a legalidade dos atos praticados.
O que na realidade restou bastante demonstrado é que nenhuma
irregularidade ocorreu e sim a existência de um procedimento que visou
comprar produto por menor preço, proporcionando uma perfeita execução
do projeto. E tanto ist é verdade que nenhuma falha na execução foi
apontada.
No tocante à alimentação fornecida, basta ser analisado o valor
repassado e o número de beneficiários do programa. Se for somente se
fundamentar a sobrevivência do programa por meio do recurso repassado,
esse nem mesmo teria condições de vir a ser executado.
Os atrasos no repasses constituem-se fato inegável, em que pese
tentar-se desviar-se de tal ponto. Todavia, em nenhum momento ocorreu
a paralisação do programa, sendo sustentado pela Administração".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente, embora a manifestação da
Prefeitura não refute os indícios apontados, nem acrescente qualquer
elemento objetivo para elidir a constatação.
À época da fiscalização, esta equipe procurou circularizar as
informações obtidas e solicitou à Secretaria da Fazenda do Estado de
São Paulo, por meio do Ofício nº 28568/2006/GAB/CGU-Regional/SP
CGU-PR, de 1º de setembro de 2006, endereçado ao Ilmo. Coordenador
Adjunto de Administração Tributária, a verificação de autenticidade
das referidas notas fiscais, cujas cópias foram a ele enviadas em
anexo.
Não tendo recebido, até a data de fechamento deste Relatório, os
resultados da verificação, não é possível ainda confirmar os indícios
de fraude na emissão das notas, razão por que acatamos parcialmente a
justificativa do gestor.

6.3 - PROGRAMA
1006
GESTAO DA POLITICA DE SEGURANCA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
AÇÃO :
8249
FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS E COMISSOES DE GESTAO COMPA
RTILHADA DA ASSISTENCIA SOCIAL - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Estimular, qualificar e fortalecer o exercício do controle social
preconizado na Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS, por meio
dos conselhos e comissões de gestão compartilhada de Assistência
Social.
ORDEM DE SERVIÇO : 183273
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 200
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
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Existência e atuação dos conselhos e comissões de gestão
compartilhada da assistência social.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: Não se aplica

6.3.1 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação do CMAS.

FATO:
O Conselho Municipal de Assistência Social - CMAS do Município de
Pirapora do Bom Jesus foi criado em 22/09/1997, por meio da Lei n.º
537/97.
Em 02/08/2005, foram designados, através do Decreto n.º 2.167,
seus atuais membros. Das 16 pessoas que o compõem, entre titulares e
suplentes, apenas 3 não fazem parte do quadro de funcionários da
Prefeitura. Até os que figuram na composição do CMAS como
representantes de entidades de assistência social sem fins lucrativos,
de entidade religiosa e de sociedade amigos de bairro fazem parte do
rol de servidores municipais.
A ausência de membros atuantes realmente independentes termina por
prejudicar o controle social efetivo. Através da análise das atas de
suas reuniões, constatou-se que, em 2006, o Conselho reuniu-se apenas
para tratar de questões administrativas impostas por demandas
provenientes dos programas federais ou estaduais.
A primeira reunião, extraordinária, realizada em 10/01/2006,
tratou dos procedimentos necessários para a implementação da
atualização cadastral dos beneficiários do Programa Bolsa Família,
cujo prazo era 31/03/2006.
A segunda, em 02/03/2006, realizou-se com o intuito de eleger um
delegado para o "10º Pleito Estadual da Assistência Social".
Em 22/03/2006, mais uma vez extraordinariamente, a terceira e
última reunião do ano até o momento foi realizada para comunicar o
desligamento de uma das suplentes.
Através da análise das atas, depreende-se que não há, por parte do
CMAS, atuação efetiva no sentido de supervisionar a execução dos
programas assistenciais no Município.
A precariedade verificada na implementação da jornada do Programa
de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI e a procedência do
fundamento das denúncias de não pagamento das bolsas do PETI e do
Agente Jovem por parte da Prefeitura, relatadas pela equipe em ponto
específico deste Relatório, permitem afirmar que o Conselho não tem
sido capaz de exercer efetivamente seu papel de representante do
controle social em Pirapora do Bom Jesus.

EVIDÊNCIA:
Decreto de designação dos membros do CMAS. Relação de funcionários
da Prefeitura. Atas das reuniões de 2006.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Conselho Municipal de Assistência Social do Município de
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 201
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Pirapora do Bom Jesus foi instituído por meio da Lei Municipal nº
537/97, de 22 de setembro de 1.997 e sua atual composição foi
instituida através do Decreto nº 2.167, de 02 de agosto de 2.005.
Os Conselheiros são indicados pelas respectivas categorias, que a
seu próprio critério apresentam quem deverá lhes representar. A
atuação do Conselho Municipal de Assistência Social de Pirapora do Bom
Jesus, tendo em vista os gravames sociais é intenso e conta com grande
número de segmentos a serem observados: idosos, famílias, crianças e
adolescentes, entre outros.
Sua participação na elaboração de políticas públicas, orientando e
fiscalizando é intensa (doc. 126 Plano Plurianual de Assistência
Social).
Esse Conselho realiza periodicamente reuniões e
extraordinariamente sempre que necessário (doc. 127 Atas do Conselho
Municipal de Assistência Social), solicitando, também, sempre que
necessário, intervenções dos órgãos municipais no fomento de
determinada atividade ou intensificação de dadas atividades, fatos
também ocorridos com relação aos projetos cujos recursos Federais.
O Conselho Municipal de Assistência Social, a título de exemplo,
participou intensamente do ciclo de palestras no início de 2.006,
voltados a famílias inseridas em programas sociais (doc. 94) bem como
nas conferências Municipais realizadas (doc. 128).
Insta esclarecer que por equivoco, foram apresentadas atas de
reuniões extraordinárias para a CGU, quando na verdade deveriam ser
apresentadas tanto as atas das reuniões ordinárias quanto das
extraordinárias (doc. 129 Atas do CMAS)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. As atas originais foram apresentadas
pela presidente do CMAS como sendo as únicas existentes até a data da
fiscalização. Em sua manifestação, a prefeitura anexou mais quatro,
sendo três posteriores aos trabalhos de campo.
Trata-se de quatro atas de reuniões realizadas em abril, agosto,
setembro e outubro de 2006:
A ata nº 04/2006 reporta uma reunião que teria ocorrido no dia
10/04/2006, às 18:30h, com o objetivo de aprovar a prestação de contas
do exercício de 2005 dos programas sociais no âmbito federal. Segundo
consta, a presidente "frisou a importância da aprovação para o
município...". A prestação foi aprovada por unanimidade, apesar de
todos os problemas físicos e financeiros na execução dos programas
assistenciais, que esta equipe observou em poucos dias de
fiscalização.
A ata nº 05/2006 relata reunião conjunta do CMAS com o CMDCA
(Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente), com o tema
de formação de mão-de-obra especializada entre jovens do município
para a empresa "Mamoré Mineração e Metalurgia" e convênios voltados
para cursos profissionalizantes, temas estranhos ao controle social da
execução dos programas sociais por parte da prefeitura, objetivo
primeiro do CMAS.
A ata nº 06/2006, mais uma vez, vem cumprir as exigências
administrativas de aprovar o Plano Municipal de Assistência Social
para o ano de 2007 (por unanimidade e sem nenhum adendo ou ressalva
relatados).
A ata nº 07/2006 relata uma reunião que teria sido convocada para
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 202
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
informar sobre um evento de capacitação em relação à implementação do
Sistema Único ocorrido na Capital, do qual participou a presidente do
CMAS.
A apresentação de cópias xerográficas relatando reuniões que
teriam ocorrido posteriormente reforça a constatação de
instrumentalização do Conselho pela administração municipal.
São reuniões burocráticas, sem a participação efetiva da sociedade
civil organizada, em que não afloram temas de fato pertinentes ao
acompanhamento dos programas sociais no município e tampouco ocorre
qualquer questionamento em relação à sua execução.

6.4 - PROGRAMA
1093
ATENDIMENTO INTEGRAL A FAMILIA
AÇÃO :
4915
ATENCAO INTEGRAL A FAMILIA
OBJETIVO DA AÇÃO :
Contribuir para a efetivação da Assistência Social como política públi
ca garantidora de direitos de cidadania e promotora de desenvolvimento
social,na perspectiva da prevenção e superação das desigualdades e ex-
clusão social, tendo a família como unidade de atenção.
ORDEM DE SERVIÇO : 183381
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
Atuação do gestor municipal no tocante ao cumprimento das condicionali
dades previstas pela NOB-Norma Operacional Básica da Assistência So-
cial com relacao ao níveis de gestao dos recursos assistenciais.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: Não se aplica

6.4.1 CONSTATAÇÃO:
Precariedade nas instalações de atendimento previstas no PAIF.

FATO:
O Município de Pirapora de Bom Jesus está habilitado no nível
básico de gestão da assistência social para implementação do PAIF -
Programa de Atenção Integral à Família.
O Programa prevê a criação de Centros de Referência de Assistência
Social (CRAS) para desenvolver ações e serviços básicos continuados
para famílias em situação de vulnerabilidade social, como requisito
para que o município possa se habilitar ao nível básico ou pleno de
gestão do SUAS.
De acordo com a NOB - Norma Operacional Básica, as unidades do
CRAS devem ser dotadas de no mínimo três ambientes: uma recepção, uma
ou mais salas reservadas para entrevistas e salão para reuniões com
grupos de famílias.
O único CRAS do Município funciona, em conjunto com instalações da
Secretaria Municipal de Saúde, na Av. Paulo Henrique Baccarat, no
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 203
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
bairro Parque Payol. O espaço destinado à Assistência Social consiste
em uma mesa de recepção e duas pequenas salas de atendimento. Não há
qualquer espaço onde seja possível realizar encontros com mais de três
pessoas.
O computador usado é o da área da Saúde e não há acesso à rede
Internet, conforme recomendado na NOB-SUAS (Norma Operacional Básica
do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome).

EVIDÊNCIA:

CRAS de Pirapora do Bom Jesus:

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Programa PAIF esta sendo desenvolvido neste Município de
Pirapora do Bom Jesus SP.
O Programa encontra-se hoje sediado em bairro onde reside a
população inserida com maior vulnerabilidade social: Bairro do Parque
Payol e adjacências (Índice Paulista de Responsabilidade Social
SEADE).
O espaço físico está sendo readequado. Tratando-se de região
extremamente carente, dificultoso torna-se inclusive localizar local
amplo, destacando que o Município esta edificando nas proximidades um
novo prédio visando o atendimento previsto.
Insta também esclarecer que apesar das dificuldades, o local
atende as exigências da NOB (Norma Operacional Básica), pois conta com
duas pequenas salas e um sala de reunião, também potencializada com
espaço para curso de informática (doc. 130)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada, na medida em que as exigências da
NOB-SUAS (Norma Operacional Básica do Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome) continuam não atendidas.
As fotos anexadas à manifestação da prefeitura comprovam a
ausência de espaço para a realização de reuniões com mais de três
pessoas. A sala mostrada nas fotos, pertencente à Secretaria Municipal
de Saúde, seguramente não comportaria "reuniões com grupos de
famílias", como requer o Manual de Orientações Técnicas para o Centro
de Referência de Assistência Social.
Do ponto de vista da necessidade de instalação de computador com
acesso à Internet, nada foi acrescentado na justificativa.

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 204


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
6.5 - PROGRAMA
1335
TRANSFERENCIA DE RENDA COM CONDICIONALIDADES
AÇÃO :
006O
TRANSFERENCIA DE RENDA DIRETAMENTE AS FAMILIAS EM CONDI
CAO DE POBREZA E EXTREMA POBREZA (LEI N: 10.836, DE 200
4) - NACIONAL
OBJETIVO DA AÇÃO :
Operacionalização do Programa no âmbito municipal (Prefeitura
Municipal, Caixa, Famílias, Escolas e Controle Social).
ORDEM DE SERVIÇO : 182320
OBJETO FISCALIZAÇÃO:
- Processo de monitoramento do cadastro e do cumprimento das
condicionalidades pelas famílias;
- Operacionalização do Programa pelo agente operador Caixa
conforme previsão contratual;
- Controle Social existente e atuante; e
- Famílias cadastradas e atendidas conforme regras do Programa.
AGENTE EXECUTOR :
PIRAPORA DO BOM JESUS PREFEITURA
ORGAO PUBLICO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
QUALIF. DO INSTRUMENTO DE TRANSF.:
FUNDO A FUNDO OU CONCESSãO
MONTANTE DE RECURSOS FINANCEIROS: R$ 725.317,00

6.5.1 CONSTATAÇÃO:
Ausência de instituição da Coordenação Municipal do Bolsa Família.

FATO:
De acordo com informação prestada pela Secretária Municipal da
Promoção Social, a Coordenação Municipal do Programa Bolsa Família não
foi instituída em Pirapora do Bom Jesus.
Nem mesmo foram designados técnicos responsáveis pelo
acompanhamento das condicionalidades nas áreas de educação e saúde.
Se na área da saúde, a Secretaria Municipal tem assumido a tarefa
de fiscalizar o cumprimento quanto à vacinação e pesagem das crianças
beneficiárias, o mesmo não tem ocorrido na área da educação.
Embora a Secretaria Municipal de Educação afirme controlar a
freqüência escolar dos beneficiários, a desatualização do código INEP
das escolas, relatado em ponto específico deste Relatório, permite
afirmar que o acompanhamento não tem sido satisfatório.
A ausência de uma Coordenação Municipal do Programa atuante, com
técnicos designados especificamente para o acompanhamento das
condicionalidades, certamente é um dos fatores que concorrem para a
situação verificada.

EVIDÊNCIA:
Ausência da Coordenação Municipal do Programa Bolsa Família.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 205
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
"Sempre existiu um controle do programa, mas ele era feito de
maneira geral, dentro de cada Secretaria, sem formalidade de divisão
de atribuição. Por meio da Portaria nº 7001, de 01 de novembro de
2.006, esse procedimento foi alterado de maneira a melhorar o controle
(doc. 131).
Neste contexto, há um trabalho em rede entre as Secretarias
Municipais de Saúde, Educação e Desenvolvimento Econômico e Promoção
Social. Desse modo, a divisão das tarefas tem atingido as metas
propostas no programa.
Aliás, a própria auditoria ressaltou que a Secretaria de Saúde tem
assumido as tarefas de fiscalizar o cumprimento quanto à vacinação e
pesagem das crianças.
A Secretaria Municipal de Educação tem efetivado o controle de
freqüência, assiduidade e evolução escolar, sendo certo que dentro de
suas possibilidade tem atualizado o Código INEP.
Esclarece-se, por oportuno, que eventual atraso na atualização do
Código acima mencionado já foi superado, tendo decorrid da
transferência de local da sede da Secretaria Municipal de Educação,
que havia sido provisoriamente instalada em local sem acesso à
Internet, enquanto providenciavam-se as transferências. Tal situação
transitória, contudo, não gerou nenhum prejuízo ao projeto, vez que as
unidades escolares mantiveram o controle das informações necessárias
ao Programa.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Promoção Social, por
sua vez, tem atuado de forma sistemática, visando disponibilizar os
serviços necessários às famílias atendidas pelo Programa e
estabelecendo parcerias para oferta de programas sociais
complementares, tanto com órgãos governamentais, como instituições
como SEBRAE, SENAI, entre outros".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. A prefeitura reconheceu as
falhas apontadas e afirmou estar tomando providências para superá-las.
A criação da Coordenação Municipal do Programa Bolsa Família é um
passo nesse sentido, mas a efetividade do controle ainda não pode ser
atestada.

6.5.2 CONSTATAÇÃO:
Ausência de divulgação da relação de beneficiários do Bolsa
Família.

FATO:
De acordo com informação prestada pela Secretária Municipal da
Promoção Social, e conforme observação da equipe durante os trabalhos
de campo, a Prefeitura Municipal de Pirapora do Bom Jesus não divulga
a relação dos beneficiários do Programa Bolsa Família.
A omissão contraria o §1º do art. 32 do Decreto n.º 5.209/2004,
que prevê que "A relação de beneficiários do Programa Bolsa Família
deverá ser amplamente divulgada pelo Poder Público municipal e do
Distrito Federal".
A ausência da divulgação favorece a existência de famílias
cadastradas que não se enquadram nos requisitos necessários para
participação no Programa, conforme relatado em item específico deste
Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 206
Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Relatório.
EVIDÊNCIA:
Entrevista com a Secretária Municipal da Promoção Social.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"O Município vem mantendo a sociedade local informada sobre o
andamento do programa Bolsa Família.
O órgão gestor, com apoio dos Conselhos, tem envidado esforços
para manutenção das atualizações necessárias e do constante
cadastramento e recadastramento (doc. 132 Ata do Recadastramento).
Ademais, veículos de comunicação local têm divulgado informações
pertinentes ao programa (doc. 133), demonstrando a constante
preocupação com o recadastramento e sua atualização pelo Município.
O Município fez afixar em locais oficiais listas com relação dos
beneficiários, bem como fez inserir em seu site oficial (doc. 134)".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa acatada parcialmente. As atividades de atualização
do cadastro não têm relação com a constatação de falha na divulgação
da relação de beneficiários do Programa.
A iniciativa, tomada após a fiscalização desta CGU/SP, no sentido
de publicar a lista de famílias beneficiárias no sítio oficial da
prefeitura na internet, embora positiva, não atende plenamente o
disposto no § 1o do art. 32 do Decreto 5.209/04, que regulamenta o
Programa Bolsa Família e prevê:
"§ 1o A relação de beneficiários do Programa Bolsa Família deverá
ser amplamente divulgada pelo Poder Público municipal e do Distrito
Federal."
A citada relação deveria estar visível em locais públicos de ampla
circulação no município, como escolas, postos de saúde e na própria
sede da prefeitura, uma vez que o acesso à rede mundial de
computadores ainda se restringe a uma pequena parcela da população
brasileira.

6.5.3 CONSTATAÇÃO:
Deficiências na atuação da Secretaria Municipal de Educação quanto
à execução do Bolsa Família.

FATO:
Ao iniciar a visita às escolas para verificação da freqüência dos
componentes da amostra, constatou-se que em várias delas os alunos não
foram localizados.
Questionados, os gestores afirmaram que já haviam feito as
alterações das escolas no "sistema do governo federal", mas que havia
uma demora em sua atualização.
Diante disso, esta equipe entregou a relação de alunos da amostra
para que a Secretaria Municipal de Educação indicasse a escola de fato
freqüentada por eles.
Segundo o que foi informado, dos 55 alunos da amostra, 5 estariam
estudando em municípios limítrofes e 5 não puderam ser localizados:

Controladoria-Geral da União Secretaria Federal de Controle Interno 207


Missão da SFC: “Zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.”
22º Sorteio de Unidades Municipais – Pirapora do Bom Jesus - SP
Estudando em municípios
limítrofes, segundo a
Secretaria Municipal de
Educação (NIS):
160.4054.33-62
200.8645.13-88
164.1684.77-53
206.4434.49-83
165.2566.65-47

Não localizados do Sistema de


Ensino do Estado de SP (NIS):
160.4049.32-25
206.4434.71-76
206.4434.22-12
164.1271.41-98
206.4434.55-56

Reiniciando-se as visitas às escolas para a aferição da freqüência


dos 45 restantes, constatou-se que 7 não estavam matriculados onde a
Secretaria Municipal informara.

Não localizados na escola


informada pela Secretaria
Municipal de Educação (NIS):
206.4434.22-20
161.1044.75-88
206.4435.09-24
161.7563.89-65
206.4435.09-16
162.4325.05-80
206.4434.29-80

Dos 38 localizados, 1 não constava na relação da escola como


beneficiário do Programa Bolsa Família e 8 (21%) registravam
freqüência no último trimestre (maio, junho e julho de 2006) inferior
aos 85% exigidos como contrapartida do benefício.
A dificuldade na localização dos alunos evidenciou que a própria
administração municipal não detém informações atualizadas em relação
aos códigos INEP/escola dos alunos beneficiários do Programa.

EVIDÊNCIA:
Relação de escolas onde estariam matriculados os 55 alunos da
amostra, fornecida pela Secretaria Municipal de Educação. Visitas às 7
escolas do município com alunos da amostra.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"A Secretaria Municipal de Educação implementou um programa de
recadastramento de toda a sua rede de educação, voltada a uma ampla
atualização de toda a base cadastral, especialmente com relação a
crianças e adolescentes inseridos em programas sociais.
A carência do Município e o fluxo migratório para outras regiões
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mais ricas como Barueri e São Paulo, dão causa a uma alta rotatividade
nas escolas. Não é demasiado lembrar que dentro da região
metropolitana de São Paulo o Município de Pirapora do Bom Jesus é o
37º em arrecadação dentre os 39 que o compõe (índice Paulista de
Responsabilidade Social).
Considerando os profundos problemas sociais enfrentados pelas
famílias inseridas no programa, eventuais casos esporádicos de
diminuição da freqüência podem ser notados, porém tão logo constados
são encaminhados ao Conselho Tutelar e a Secretaria de Desenvolvimento
Econômico e Promoção Social, pois muitas vezes a Bolsa é a única fonte
de renda da família.
Destarte, o controle sempre foi feito, apesar dessas enormes
dificuldades locais".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A prefeitura reconheceu a falha,
apontou alguns fatores que contribuem para sua ocorrência, mas não
comprovou qualquer medida concreta no sentido de seu enfrentamento.

6.5.4 CONSTATAÇÃO:
Falta de atuação da instância de controle social do Programa Bolsa
Família.

FATO:
A "Comissão da Instância de Controle Social do Programa Bolsa
Família" do Município de Pirapora de Bom Jesus foi criada em
17/09/2004, e o Decreto n.º 2.187, de 12/08/2005, dispôs sobre a
designação de seus membros.
No entanto, em entrevista com a representante da Secretaria
Municipal de Saúde na referida instância, verificou-se que a Comissão
nunca se reuniu.
Seus membros não receberam capacitação para atuação na Comissão e
não têm tido acesso às instruções operacionais elaboradas
periodicamente pelo gestor federal.
Da mesma forma, enquanto instância, os componentes não têm
realizado visitas às escolas e aos postos de saúde para acompanhar as
condicionalidades.
A ausência de um controle social efetivo tem tido reflexos
negativos na execução do Programa, apontados em pontos específicos
deste Relatório (falhas no acompanhamento das condicionalidades da
execução, falta de divulgação dos beneficiários do Programa,
existência de famílias fora do perfil usufruindo do benefício).

EVIDÊNCIA:
Entrevista a membro da Comissão da Instância de Controle Social do
Programa Bolsa Família.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Foi efetivamente instalada a Comissão de Controle Social do
Programa Bolsa Família. Contudo, o que se apurou é que existem alguns
membros que não estão correspondendo às suas atribuições, razão pela
qual referida Comissão está tomando as devidas providências para
corrigir essa falha.
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Ademais, foi determinada a sistematização das informações por ela
produzidas, de modo a melhorar a eficiência do controle.
Inobstante o acima relatado, não se apontou nenhuma irregularidade
no cumprimento do programa, mesmo diante das dificuldades de acesso às
informações entre a Administração e o órgão concedente.
É certo, de outra parte, que o apontamento da CGU foi muito
salutar para o Município, e colaborou para melhoria da Administração
deste programa".

ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A prefeitura reconheceu a falha, alegou
estar tomando providências, mas não apontou quais medidas concretas
seriam adotadas no sentido de sua superação.

6.5.5 CONSTATAÇÃO:
Famílias não localizadas.

FATO:
Das 27 famílias que compõem a amostra enviada para os trabalhos de
campo, não foi possível localizar 8, das quais 5 teriam mudado de
cidade, segundo os vizinhos, informação coerente com a não localização
das crianças nas escolas do Município.
.

NIS Informações obtidas Crianças


localizadas nas
escolas da cidade?
108.4086.94-09 nenhuma Não
163.5063.84-85 nenhuma Não
206.4434.21-90 mudou-se para Poços de Caldas-MG Não
206.4435.08-94 vendeu a casa Não
209.5309.68-87 mudou-se para Engenho Novo Não
209.5312.35-82 mudou-se para Barueri Não tem crianças
126.7275.92-61 mudou-se para Ubatuba Não tem crianças
165.9267.77-41 mudou-se para Cotia Não tem crianças

EVIDÊNCIA:
Visitas domiciliares às famílias da amostra.

MANIFESTAÇÃO DO AGENTE EXECUTOR:


"Existe sim o controle das famílias cadastradas. Ocorre que há
intenso fluxo migratório da população de Pirapora para a capital de
São Paulo e mesmo para outras cidades da região metropolitana, o que
ocasiona constante mudança de famílias. Essas alterações são
periodicamente detectadas por meio dos recadastramentos realizados
pelo município.
Com relação às famílias apontadas pela auditoria, as mesmas já
foram recadastradas seguindo as normas do programa neste município,
de acordo com os fatos acima apontados.
A Administração Pública, de maneira a intensificar o controle
sobre o programa, faz, periodicamente, trabalho de campo, noticiado
inclusive pela imprensa (doc.135)".

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ANÁLISE DA EQUIPE:
Justificativa não acatada. A afirmação de que as famílias em
questão já estariam com a situação regularizada não foi comprovada na
manifestação da prefeitura.

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