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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo

VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo


(Universidade Federal do Maranhão, São Luís), novembro de 2010
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O uso das redes sociais como fonte jornalística nas redações


dos jornais impressos paraibanos1

Eliane Cristina Gomes de MEDEIROS 2

Resumo: Este trabalho apresenta os resultados de pesquisa realizada junto aos jornalistas dos
três principais jornais paraibanos: Jornal O Norte, Jornal da Paraíba e Correio da Paraíba, acerca
do uso de redes sociais como fontes jornalísticas nas redações dos jornais impressos da Paraíba.
O objetivo principal é identificar o uso de redes sociais no dia a dia das redações, além de anali-
sar de que forma as informações das redes sociais são usadas nas matérias jornalísticas. Os re-
sultados obtidos pela pesquisa mostram o panorama atual do processo de produção jornalística
das redações paraibanas no que se refere ao uso de redes sociais. A pesquisa traz ainda dados do
uso de redes sociais por jornalistas ao redor do mundo e no Brasil.

Palavras-chave: jornalismo; fonte jornalística; redes sociais; tecnologia; internet.

1. INTRODUÇÃO
O jornalismo foi bastante reformulado após a introdução do computador nas re-
dações. A chegada da internet às empresas jornalísticas também provocou mudanças na
feitura das notícias e na maneira como elas são divulgadas (BALDESSAR, 2003). Essas
mudanças são objeto de estudo da academia e uma discussão importante é o debate a
respeito de como as redes sociais podem contribuir e atuar junto aos veículos jornalísti-
cos.
Através das redes sociais na Internet, o jornalista tem acesso a um número infini-
to de fontes especializadas e críveis, além de acesso a diversas informações que podem
gerar matérias. Essa característica pode auxiliar na busca por um especialista mais apro-
priado para comentar uma matéria ou mesmo receber informação em primeira mão de
alguém que está presente ou próximo a um acontecimento. Os sites de redes sociais po-

1
Pesquisa realizada para obtenção do título de Especialista em Redação Jornalística pela Universidade
Potiguar
2
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba
(UFPB), linha de pesquisa Culturas Midiáticas Audiovisuais, bolsista Capes.
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dem também auxiliar a refinar uma informação, encontrar novas impressões e completar
uma cobertura.
Diante destas premissas, o objetivo principal da pesquisa aplicada é identificar o
uso das redes sociais como fonte de informação jornalística. Para isso aplicamos questi-
onário para pesquisar a rotina de trabalho dos jornalistas que atuam nos três principais
jornais impressos do Estado: Jornal O Norte, Correio da Paraíba e Jornal da Paraíba. A
mostra pesquisada é composta de 24 jornalistas e as questões principais que buscamos
responder no presente trabalho são: Os jornalistas paraibanos participam das redes soci-
ais? Eles utilizam as redes sociais como fonte jornalística? Como as informações das
redes sociais auxiliam o trabalho dos jornalistas paraibanos?
A pesquisa investiga o uso das redes sociais Orkut, Twitter, Facebook, MySpace
e Flickr, escolhidas por serem as redes de maior representatividade no Brasil. O artigo
apresenta dados que caracterizam as formas de uso das redes sociais como fonte para
jornalistas no mundo e no Brasil. Por fim, trazemos a pesquisa aplicada aos jornalistas
paraibanos e fazemos uma análise das respostas fornecidas por eles.

1 – Jornalismo e tecnologias
Historicamente, a evolução do jornalismo está diretamente ligada ao desenvol-
vimento tecnológico desde os primórdios da atividade. A partir do século XV, com a
invenção da prensa de tipos móveis por Gutenberg, as invenções tecnológicas que se
seguiram a partir daí só fortaleceram a difusão da informação. A tabela abaixo apresenta
as principais invenções tecnológicas relacionadas com a difusão de informação e, con-
sequentemente, com o jornalismo.

Inovação Data País


Prensa de tipos móveis 1440 Alemanha
Telégrafo elétrico 1839 Inglaterra
Telégrafo a cabo submarino 1866 Estados Unidos
Máquina de escrever 1870 Dinamarca
Telefone 1870 Estados Unidos
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Impressão a tinta 1880 Estados Unidos


Toca-discos cilíndrico 1888 Estados Unidos
Rádio AM 1913 Estados Unidos
Gravação Magnética de fitas 1935 Alemanha
Rádio FM 1936 Alemanha
Televisão 1936 Inglaterra
Fototipo 1946 Estados Unidos
Disco LP 1948 Estados Unidos
Transístor 1950 Estados Unidos
Computador eletrônico 1951 Estados Unidos
Televisão em cores 1953 Estados Unidos
Transístor de silício 1954 Estados Unidos
Circuito integrado 1961 Estados Unidos
Satélite de comunicação 1962 EUA e URSS
Gravador em vídeo 1970 Holanda
Internet 1970 Estados Unidos
Microprocessador 1971 Estados Unidos
Fonte: BALDESSAR apud HALL&PRESTON, 2003, p.50, com alterações da autora

O processo de informatização das redações dos jornais e revistas no Brasil co-


meçou em meados de 1980. Segundo Baldessar (2003), a introdução dos computadores
mudou o cotidiano profissional dos jornalistas, que tiveram de se adaptar a outra reali-
dade profissional: a exigência de maior qualificação, a especialização crescente, as mo-
dificações nas condições de trabalho e, sobretudo, a intensificação do trabalho. O com-
putador também chega às redações brasileiras na década de oitenta e seu uso se intensi-
fica na de 90.
O processo de modernização das empresas jornalísticas brasileiras, com a in-
trodução de computador na redação, começa na segunda metade da década de
70, sendo realmente inaugurado a partir dos anos oitenta, com a busca de
uma racionalidade técnico-administrativa, caracterizada principalmente pela
adoção de padrões de produtividade e critérios para a contratação de profis-
sionais. Obviamente que essas transformações na empresa jornalística e na
profissão estão muito ligadas ao momento histórico no início do processo de
globalização e, no caso do Brasil, à abertura política. (BALDESSAR, 2003,
p. 42)
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Para Baldessar (2003), a nova racionalidade, regida por critérios como desempe-
nho, produtividade e rentabilidade, consolida a empresa jornalística como indústria. Se
a produção jornalística foi bastante reformulada após a introdução do computador nas
redações, o mesmo aconteceu com a chegada da Internet às empresas jornalísticas, que
provocou mudanças também na maneira como as notícias são divulgadas. Também fo-
ram nas décadas de 1980 e 1990 que apareceram os primeiros computadores conectados
à internet nas principais empresas jornalísticas do mundo. O público, em geral, também
começou a conhecer e a ter acesso à rede neste período.

Seja incorporando tecnologias que não foram produzidas para o jornalismo


como aquelas que são desenvolvidas especialmente para ele, todas as tecno-
logias introduzidas no processo do fazer jornalístico produziram seu devido
impacto. Porém, a chegada dos bites e bytes através do computador revolu-
cionou todo o processo, como nunca havia acontecido. (PENA, 2007, p.4)

A máquina e as informações disponíveis na web ampliaram a possibilidade de


obtenção de dados valiosos pelos repórteres, incluindo os de organismos oficiais. A ve-
locidade de processamento dos dados também aumentou com a introdução de softwares.
Atualmente, as formas de coletar informações e de divulgar notícias passam pelo com-
putador e pela web.
Na Paraíba, os jornais começam a receber os computadores na década de 90. De
acordo com Giovanni Meirelles (1994), o processo de informatização começou em
1993, primeiro com o Jornal O NORTE, em fevereiro daquele ano, seguido depois pelo
Jornal Correio que adquiriu os primeiros computadores em setembro de 1993. O autor
lembra ainda que ambos jornais começaram seus processos de informatização pelos
“Classificados” como forma de agilizar o atendimento aos anunciantes e, conseqüente-
mente, aumentar a receita.
A pesquisa realizada por Meirelles apresenta o cenário da época, marcado por
discussões e debates nos órgãos de representação da imprensa paraibana, como o Sindi-
cato dos Jornalistas Profissionais e Associação Paraibana de Imprensa. A universidade
também esteve presente no debate, além de representantes do empresariado local.
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O pesquisador destaca a forma como a informatização foi recebida pela direção


do Correio da Paraíba, “não como conseqüência da reforma gráfico-editorial determina-
da pela modernização da empresa, mas como norma de contenção de despesas com pes-
soal e redução de custos de produção industrial” (MEIRELLES, 1994, p.87). O pesqui-
sador apontou ainda o:
Não acompanhamento pelas empresas de rapidez na assimilação do processo
de informatização que os profissionais (repórteres, redatores e editores de pá-
ginas e sessões especializadas) tiveram nas redações, como isto sucedeu, de
que maneira interferiu nas concepções gráficas e práticas jornalísticas estabe-
lecidas e de que forma resultou (bem ou mal) na elaboração do produto ofe-
recido aos leitores, assinantes e anunciantes. (MEIRELLES, 1993, p. 87)

Em 1994, com a chegada de empresas provedoras do serviço de internet à Paraí-


ba, os jornais passam a contar com a tecnologia. No início, a conexão era restrita apenas
a alguns profissionais e usada para otimizar tempo entre as edições produzidas em João
Pessoa e Campina Grande. A internet era discada e o custo do sistema alto, por isso a
restrição. A partir de 1999 os computadores passam a contar com internet liberada aos
repórteres, em função da melhoria dos serviços.

2. Redes Sociais e Jornalismo


Para Castells (2005), as redes constituem a nova morfologia das sociedades. Em
outros tempos e espaços já existiram formas de organização social em redes, mas o so-
ciólogo defende que o novo paradigma da tecnologia da informação fornece a base para
a sua expansão em toda a estrutura social. “As redes interativas de computadores estão
crescendo exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação, moldando
a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela” (CASTELLS, 2005, p.40).
Porém, a rede de computadores não caminha por si só. Por trás dela há pessoas
que controlam e usam cada máquina. “Quando as redes de comunicação mediada por
computador conectam pessoas, instituições e conhecimento, elas são redes de suporte
social por computador.” (WELLMAN apud RECUERO, 2004, p.3)
Para Recuero (2009), a comunicação mediada por computador, mais do que
permitir aos indivíduos comunicar-se, amplificou a capacidade de conexão, permitindo
a criação de redes nesses espaços:
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Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pes-
soas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou
laços sociais). Uma rede, assim, é uma metáfora para observar os padrões de
conexão de um grupo social, a partir de conexões estabelecidas entre diversos
atores. A abordagem de rede tem, assim, seu foco na estrutura social, onde
não é possível isolar os atores sociais e suas conexões. (RECUERO, 2009,
p.24)

Segundo Machado (2002), as redes são uma espécie de ferramenta para nutrir os
jornalistas das organizações convencionais com conteúdos complementares aos coleta-
dos pelos métodos tradicionais e o ciberespaço pode ser usado como fonte pelos jorna-
listas. Mas é notório que a estrutura descentralizada do ciberespaço complica o encontro
de fontes e páginas confiáveis. Todavia, a multiplicação das informações nas páginas
individuais, nos bancos de dados públicos e nas redes de circulação de notícias aumenta
a chance de ocorrer um deslocamento do lugar das fontes da esfera oficial ou oficiosa
para o domínio público, estimulando a diversificação.
Informação de qualidade, fiável e credível coexiste com grandes quantidades
de informação falsa ou pouco rigorosa. A informação online é uma mistura e
deve ser tratada da mesma forma que os jornalistas tratam outra informação
que encontram no decorrer da reportagem. A boa e a fiável edição e filtragem
da informação tornam-se ainda mais importante na Web, onde qualquer usuá-
rio pode publicar qualquer coisa fazendo-a parecer substancial. (BASTOS
apud LIMA JUNIOR, 2007, p.13)

Através das redes sociais, o jornalista tem acesso a um número infinito de fontes,
mais especializadas e a um número infinito de informações que podem gerar matérias.
Essa característica pode auxiliar a encontrar um especialista mais apropriado para co-
mentar uma matéria ou mesmo receber uma informação em primeira mão de alguém
que está presente ou próximo do ocorrido. Os sites de redes sociais podem também au-
xiliar a refinar uma informação, encontrar novas impressões e completar uma cobertura.

3. A fonte jornalística
As organizações jornalísticas constroem e mantêm uma rede noticiosa para res-
ponder ao desafio constante de dar conta da avalanche de acontecimentos, sobretudo os
inesperados. Para Traquina (2005) a relevância da distribuição da rede noticiosa é uma
questão central no processo de produção da notícia. A distribuição dessa rede articula-se
com as questões de noticiabilidade. “Assim, as fontes são quem são porque estão dire-
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tamente ligadas a setores decisivos da atividade política, econômica, social ou cultural”


(TRAQUINA, 2005, p. 190). Conhecendo-se a distribuição da rede noticiosa de um
meio de comunicação social, sabe-se os critérios de noticiabilidade pelo qual a rede no-
ticiosa se rege.
Chaparro (1996) diz que fontes jornalísticas têm algo que dizer e informar e são
produtores das ações sociais dos atos e falas noticiáveis. Podem ser instituições econô-
micas; instituições políticas; instituições públicas e profissionais liberais, entre outros.

São não só os que querem, mas os que necessitam se manifestar... empresas,


escolas, igrejas, sindicatos, partidos políticos, grupos culturais, associações
de todos os tipos, entidades e pessoas com aptidão para produzir fatos, atos,
falas, bens, serviços e saberes que influenciam a atualidade; logo, com poten-
cialidade maior ou menor de desorganizar, reorganizar ou explicar o mundo
presente das pessoas. (CHAPARRO, 1996, p. 135)

Segundo Traquina (2005), a lógica por trás da colocação da rede noticiosa pres-
supõe uma compreensão 1) da seriedade que existe na relação entre jornalistas e fontes;
2) do investimento feito no cultivo das fontes; e 3) dos critérios de avaliação que os
membros da tribo jornalística utilizam na interação com os diversos agentes sociais. O
teórico afirma ainda que para os jornalistas, qualquer pessoa pode ser uma fonte de in-
formação, como uma conhecedora ou testemunha de determinado acontecimento ou
assunto.
Um dos aspectos fundamentais do trabalho jornalístico é cultivar as fontes. O
desenvolvimento dessa relação é um processo habilmente orientado com paciência e
capacidade de conversação sobre interesses comuns, até formar um clima de confiança.
Às vezes, o jornalista pode cultivar a fonte invertendo o processo normal, isto é, dando
informação à fonte.

Um jornalista competente sabe que as fontes são, geralmente, pessoas inte-


ressadas. Para avaliar a fiabilidade da informação, os jornalistas utilizam di-
versos critérios na avaliação das fontes, nomeadamente 1) autoridade; 2) a
produtividade; e 3) a credibilidade. (TRAQUINA, 2005, p 191)

Há vários tipos de fontes: humanas, documentais, eletrônicas, etc. Também se


podem classificar as fontes de acordo com a sua proveniência: internas ao órgão infor-
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mativo, externas ou mistas. As fontes de informação são um capital imprescindível do


jornalismo e dos jornalistas e a capacidade de escolha e seleção de informação e de cul-
tivo de fontes é um dos indicadores da competência jornalística.

4. Redes Sociais como Fonte Jornalística


Cada vez mais pessoas usam a Internet e aderem a algum tipo de rede social e os
jornalistas já descobriram o potencial das redes sociais e começaram a explorar os sites
para encontrar informações que possam ajudá-los em suas reportagens.
Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope Nielsen Online3, a audiência em redes
sociais, como blogs, bate-papos, fóruns e outros canais de relacionamento, alcançou, em
fevereiro de 2010, 31,7 milhões de pessoas no Brasil, o que representa 86,3% dos usuá-
rios ativos. De acordo com o levantamento, o Brasil fechou o ano de 2009 com 67,5
milhões de internautas – os dados referem-se a pessoas com acesso de qualquer ambien-
te (residência, trabalho, lan house, bibliotecas e telecentros). O aumento em relação ao
primeiro trimestre de 2009 foi de 8,2%.
Em setembro de 2009, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revelou que
mais da metade dos jornalistas entrevistados usa rotineiramente weblogs e páginas de
redes sociais como Facebook, Orkut e LinkedIn como fonte de informações para repor-
tagens e textos analíticos. O trabalho foi realizado pela empresa Cision4 e a Universida-
de George Washington, e tomou como base uma amostra de 400 jornalistas profissio-
nais da grande imprensa norte-americana. A pesquisa mostrou que nove em cada dez
profissionais visitam weblogs antes de iniciar uma reportagem, entrevista ou artigo.
Entre os jornalistas da área econômica a proporção chega a 96% dos casos.
Dois terços dos profissionais consultam regularmente redes sociais como o Fa-
cebook e LinkedIn (rede com currículos profissionais) e metade faz o mesmo com sites
como Twitter, Flickr e YouTube. Os repórteres e editores de jornais online têm maior
intimidade com fontes informativas na web do que as redações de jornais impressos,

3
http://www.osnumerosdainternet.com.br/redes-sociais-foram-acessadas-por-86-dos-internautas-ativos-
em-fevereiro/
4
http://us.cision.com/journalist_survey_2009/GW-Cision_Media_Report.pdf acesso em fevereiro de
2010.
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que por sua vez consultam mais fontes digitais do que os profissionais de revistas sema-
nais ou especializadas.
A pesquisa mostra ainda que as redes sociais foram citadas por 60% dos entre-
vistados como o veículo mais usado para publicar e distribuir material produzido por
jornalistas profissionais. O Twitter aparece com 57% de preferência na divulgação de
informações pelos jornalistas e ainda como uma tendência de alta. O estudo mostrou
ainda que, no caso do Twitter, 43% dos profissionais medem a repercussão do seu tra-
balho pela quantidade de seguidores.
No Brasil, pesquisa realizada entre os meses de julho e setembro de 2009, pela
S2 Comunicação Integrada5, e divulgada em novembro do ano passado, mostra que os
profissionais de jornalismo usam o Orkut (83,46%) e o Twitter (48,77%) como suas
redes sociais favoritas. O Facebook vem em terceiro lugar, com 33,11% da preferência.
As demais redes sociais apresentam a seguinte situação em relação ao seu uso por jorna-
listas: Myspace (20,09%), Flickr (18,94%) e Linkedin (15,81%). O estudo teve por fina-
lidade diagnosticar os hábitos dos jornalistas brasileiros dentro das redes sociais e da
Web 2.0. Setenta e dois por cento dos jornalistas usam as redes sociais com finalidade
profissional e pessoal, segundo a pesquisa.
O estudo demonstra, assim, que o surgimento das redes sociais deflagrou uma
mudança significativa na forma de trabalhar dos profissionais de jornalismo o que, por
sua vez, acarretou numa mudança de postura das empresas. Hoje, a prática do jornalis-
mo é feita com a ajuda das redes sociais, que servem de fonte de pesquisa e informação.
O Orkut, por exemplo, foi mencionado por 40% dos entrevistados como uma grande
fonte de informação, chegando a quase 60% no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O
Twitter, apesar de mais recente, está no mesmo patamar.
Outros números revelados pela pesquisa mostram que o local mais usado pelos
jornalistas para acesso às redes sociais é a casa deles. Cerca de 75% dos profissionais
pesquisados em São Paulo e na região Sul preferem acessar de casa e 68% nas regiões
Sudeste, Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O uso das redes acontece em menor grau no

5
http://www.s2.com.br/s2arquivos/530/Multimidia/PesquisaRedesSociais-S2-Outubro09.pdf acesso em fevereiro de
2010.
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trabalho, cerca de 50% em todas as regiões. A maioria dos jornalistas afirmou que usa
as redes sociais tanto para propósitos pessoais como profissionais.

5. Uso das redes sociais nas redações paraibanas


Para identificar o uso de redes sociais como fontes jornalísticas, no dia a dia das
redações paraibanas, realizamos pesquisa de campo. Investigamos a rotina de trabalho
dos jornalistas que atuam nos três principais jornais impressos do Estado: Jornal O Nor-
te, Correio da Paraíba e Jornal da Paraíba. A escolha se deu em virtude da pesquisadora
ter experiência profissional na área de jornalismo impresso e já ter atuado nos jornais O
Norte e Jornal da Paraíba.
Foi elaborado um questionário com base no modelo de pesquisa aplicada pela S2
Comunicação, que identificou o uso de redes sociais por jornalistas brasileiros. A mos-
tra pesquisada é composta de 24 jornalistas, oito de cada redação dos jornais O Norte,
Correio da Paraíba e Jornal da Paraíba. Os questionários on-line foram elaborados na
ferramenta Google Docs e encaminhados para os emails dos jornalistas. Dos 24 jornalis-
tas que responderam à pesquisa, 18 deles participam de, pelo menos, uma das redes so-
ciais apontadas: Orkut, Facebook, Twitter, LinkedIn, MySpace e Flickr. Essas redes
foram escolhidas por serem as de maior representatividade no Brasil.

Tabela 1 – Percentual de jornalistas que utilizam redes sociais


Participam de Redes Sociais
SIM 75%
NÃO 25%
Total Geral 100%

Os jornalistas que responderam não participar de redes sociais justificaram essa


opção. Entre os que não participam de redes sociais está um dos editores do Jornal O
Norte, que afirmou não usar as redes sociais, mas que “costumo receber informações
provenientes delas através dos repórteres do meu caderno”. No mesmo veículo impresso
o editor geral afirma não participar de redes sociais por falta de tempo e “medo de dis-
persar a atenção ou perder tempo com elas, mas sei que preciso dominar a ferramenta”.
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A falta de tempo também é justificativa para o editor do caderno de esportes do Jornal


da Paraíba para a não participação em redes sociais, o jornalista é ainda mais enfático ao
dizer “não tenho paciência para essas coisas” quando justifica sua ausência nas redes
sociais.

Tabela 2 – Redes sociais mais utilizadas


ORKUT 94,5%
TWITTER 83,3%
FACEBOOK 50%
FLICKR 27,7%
MYSPACE 22,2%
LINKEDIN 0%

O Orkut aparece em primeiro lugar como a que os jornalistas mais participam,


talvez porque esta seja uma das mais antigas redes sociais citadas – foi criada em janei-
ro de 2004. O Twitter, fenômeno mais recente entre as redes sociais, surge como a se-
gunda opção entre os jornalistas paraibanos. Os percentuais excedem os 100% porque
os jornalistas poderiam optar por mais de uma rede social. Outro detalhe importante é
alta participação na rede Facebook (50%) que vem ganhando adeptos nos últimos dois
anos no Brasil. Já as redes MySpace e Flickr possuem pouca participação dos jornalistas
paraibanos pesquisados, isso se deve a seguimentação dessas redes. A primeira está fo-
cada em música e a segunda em fotografia, o que pode explicar a participação nessas
redes de repórteres dos cadernos de Cultura (MySpace) e fotógrafos (Flickr). A rede
LinkedIn não foi mencionada pelos jornalistas paraibanos, o que pode ser explicado
pelo fato de só há pouco tempo o site ter disponibilizado uma versão em Língua Portu-
guesa – em abril último.

Tabela 3 – Atualização semanal dos perfis nas redes sociais


Atualização por semana
de 0 a 1 50%
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de 2 a 3 22,3%
4 vezes ou mais 27,7%

Este item mostra que metade dos jornalistas que responderam à pesquisa atualiza
seus perfis nas redes sociais uma vez por semana. A outra metade está dividida entre os
que atualizam até três vezes seus perfis e mais de quatro vezes. O item mostra que os
jornalistas são bastante ativos quanto à atualização de seus perfis. Nesse item não con-
tabilizamos o número de acessos ao Twitter, visto que a dinâmica dessa rede social dife-
re das demais, pois as atualizações no Twitter não estão ligadas aos perfis, mas a respos-
ta fornecida à ferramenta a partir do login de usuário.

Tabela 4 – Percentual de acesso por localidade


Local de acesso
CASA 66,7%
TRABALHO 33,3%

Este dado revela que a grande maioria dos jornalistas paraibanos acessam às
redes em suas residências. Embora em alguns casos haja acesso nos locais de trabalho
esse acesso é monitorado, visto que os três jornais pesquisados restringem o acesso a
redes sociais. Apenas os computadores da chefia podem acessar as redes, as máquinas
dispostas nas redações possuem filtros de acesso. A medida é justificada como forma de
manter a produção do jornal, já que as chefias alegam que as redes sociais, principal-
mente o Orkut e Facebook, “causam dispersão e atrapalha a produção diária do jornal”,
a justificativa foi dada pela Secretária de Redação do Jornal da Paraíba e acompanhada
pelo Editor do Caderno Cidades do Correio da Paraíba e pelo Editor Geral do Jornal O
Norte. O acesso é permitido no local de trabalho quando as informações contidas nas
redes sociais são essenciais para checar uma informação. Desde o início de 2010 o uso
do Twitter se intensificou nas redações em virtude do ano eleitoral, pois vários políticos
paraibanos possuem contas no Twitter, eles são monitorados pelas redações dos jornais
impressos, essa tarefa fica a cargo dos editores de política dos três jornais.
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Tabela 5 – Percentual do objetivo de participação nas redes sociais


Objetivo da participação
PROFISSIONAL 16,7%
PESSOAL 27,8%
PROFISSIONAL E PESSOAL 55,5%

Quando perguntados sobre os objetivos de participar das redes sociais, a maioria


dos jornalistas pesquisados disse acessar por ambos os propósitos: pessoal e profissio-
nal. A pesquisa também demonstra uma leve tendência a motivações pessoais para par-
ticipação em rede, já que 27,8% disseram acessar somente por motivos pessoais. A pou-
ca motivação para acesso apenas profissional pode ser explicado pelas restrições de a-
cesso as redes sociais nos locais de trabalho.

Tabela 6 – Percentual de tempo de navegação nas redes sociais


Tempo de navegação por semana
de 01min a 1h 55,5%
de 1h01min a 3h 38,9%
de 3h01min ou mais 5,6%

Uma hora por semana é o tempo dedicado a navegação nas redes sociais pela
maioria dos jornalistas pesquisados. Parcela importante da amostra pesquisada passa de
uma hora até três horas navegando nas redes sociais. É importante destacar que algumas
redes, como o Twitter e Orkut, possuem mecanismos adicionais para consulta, sem que
seja necessário acessar o site. O Orkut oferece a opção de envio de recados para o email
dos usuários. Já o Twitter possui ferramentas próprias que mostram as atualizações dos
usuários na tela dos navegadores Windows Explorer e Firefox. Com isso, mesmo que
não acesse os sites do Orkut e Twitter, os usuários podem obter informações quando
conectados à internet.

Tabela 7 - Percentual de utilização das redes sociais como fonte de informação


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Redes Sociais
TWITTER 94,5%
ORKUT 55,5%
MYSPACE 16,7%
FACEBOOK 5,6%
FLICKR 5,6%
LINKEDIN 0%

O Twitter aparece como a rede social mais utilizada pelos jornalistas paraibanos
como fonte de informação. A preferência por esta rede social pode ser explicada, em
parte, pelo ano eleitoral que levou vários políticos paraibanos a usar a ferramenta. O
crescimento do número de usuários também é fator importante que leva aos acessos ao
Twitter, já que a ferramenta se tornou popular no Brasil desde o início do ano de 2009.
Em segundo na preferência dos jornalistas paraibanos está o Orkut, a ferramenta fun-
ciona basicamente através de perfis e comunidades. Os perfis são criados pelas pessoas
ao se cadastrar, que indicam também quem são seus amigos (onde aparece a rede social
conectado ao usuário). As comunidades são criadas pelos indivíduos e podem agregar
grupos. Nesse item a soma excede os 100% já que podia ser indicada mais de uma rede
social.

Tabela 8 – Percentual de obtenção de informação importante para pautas ou ma-


térias
Informações para pauta ou matérias
SIM 95%
NÃO 5%
Total Geral 100%

A grande maioria dos jornalistas afirma obter informações de redes sociais para
elaborar pautas ou matérias. O percentual é um indicativo de que, a partir das informa-
ções disponibilizadas nas redes sociais, os jornalistas podem elaborar pautas sem, ne-
cessariamente, utilizar essas informações de forma direta como demonstra o item se-
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo
VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
(Universidade Federal do Maranhão, São Luís), novembro de 2010
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guinte. Quando perguntados se utilizam as redes sociais como fonte jornalística, o per-
centual dos que usam caí para 54,2%, isso se deve a dinâmica da produção jornalística,
já que através das redes sociais os jornalistas podem obter informação para uma pauta,
mas o desenrolar da matéria pode não incluir consultas as redes sociais. Por outro lado,
uma matéria pode ter como personagem principal um usuário de rede social. Desse mo-
do, a utilização das redes sociais está diretamente ligada ao processo de construção da
matéria.

Tabela 9 – Percentual dos que usam redes sociais como fontes jornalísticas
Usa rede social como fonte jornalística
SIM 54,2%
NÃO 45,8%
Total Geral 100%

A pesquisa revela que, embora os jornalistas pesquisados participem de redes


sociais, naveguem com freqüência pelas redes que atuam e estejam atentos ao que acon-
tece nas redes sociais, 45,8% não usam as redes sociais como fonte jornalística. Uma
das justificativas dada pelos jornalistas pesquisados é a utilização de informações, prin-
cipalmente do Twitter, com indicativo de pauta como afirma o editor de política do Jor-
nal da Paraíba, “as redes podem ser um indicativo, mas apenas como referência para
checagem posterior”.
Repórter do Jornal da Paraíba, na área policial, também declarou não ser “cos-
tume usar rede sociais como fonte de informação, isso acontece esporadicamente”, ela
explica ainda que o uso de tais informações se restringe a situações pontuais, “já usamos
fotos do Orkut, ou procuramos por parentes de algum personagem da matéria, como por
exemplo, uma mulher do Rio Grande do Norte morta durante cirurgia de lipoaspiração
em João Pessoa, mas tudo é muito pontual e pouco freqüente”. Na editoria de economia
do Jornal Correio o uso dessas informações também é pontual como afirma a repórter:
“no caso do Twitter, só uso como fonte em último caso. Procuro confirmar as declara-
ções disponíveis na rede e obter mais detalhes com a própria fonte ou assessoria”.
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VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
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6. CONCLUSÃO
As fontes de informação são um capital imprescindível do jornalismo e dos jor-
nalistas e elas são organizadas a partir de exigências dos procedimentos produtivos. O
aumento da participação de usuários nas redes sociais da internet e a dinâmica própria
de cada rede social está fazendo dessas redes importante fontes de informação, justa-
mente pro agregarem diversas pessoas, cada uma delas detentora de conhecimento.
Que as redes estão alterando a rotina de produção jornalística é fato atestado pe-
las pesquisas sobre o tema, não só no Brasil, mas em vários países, principalmente Es-
tados Unidos, de onde herdamos grande parte do “fazer jornalístico”, visto que o mode-
lo americano foi implementado há décadas pelas empresas jornalísticas brasileiras.
Tais pesquisas mostram que as redes sociais estão sendo usadas por jornalistas
como fonte, embora elas também revelem cautela dos profissionais sobre as informa-
ções contidas nas redes sociais. Os estudos, tanto no Brasil quanto em outros países,
demonstram que o surgimento das redes sociais deflagrou uma mudança significativa na
forma de trabalhar dos profissionais de jornalismo o que, por sua vez, acarretou numa
mudança de postura das empresas. Hoje, a prática do jornalismo é feita com a ajuda das
redes sociais, que servem de fonte de pesquisa e informação.
As redações paraibanas, tema central do presente estudo, também aderiram às
redes sociais. Os jornalistas pesquisados afirmaram estar inseridos em redes sociais e
fazerem uso das informações contidas nelas em pautas e matérias. O estudo também
revelou que a prática ainda não é uma constante, pois as fontes oficiais são as primeiras
a serem buscadas na obtenção de material jornalístico. Por outro lado, a pluralidade de
tipos humanos e assuntos encontrados nas redes sociais estão fazendo com que elas ga-
nhem espaço nas redações. Principalmente para a busca de assuntos que podem se tor-
nar pauta para matéria.
Os jornalistas que disseram utilizar informações das redes sociais como fonte
jornalística ainda não as usam por completo, mas partem de uma informação publicada
e seguem apurando os dados até a obtenção do material desejado. A checagem de in-
formações é prática obrigatória para a elaboração de matéria e a diversificação das in-
formações nas redes sociais podem não permitir a completa checagem do que é publica-
do na internet.
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo
VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
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A pesquisa nas redações locais mostrou um dado contraditório, se de um lado os


jornalistas se interessam em participar das redes sociais e obtém alguma informação
jornalística, as empresas não permitem o uso de redes sociais nas redações. O acesso a
elas está restrito e só é permitido em consultas específicas quando há a informação pré-
via de que a rede social trará mais contribuição à matéria produzida, por exemplo, um
perfil no Orkut e alguém envolvido na matéria.
Pelos dados apresentados na pesquisa, essa é a razão pela qual a maioria dos a-
cessos as redes sociais, feito pelos jornalistas pesquisados, ocorram em suas residências.
A restrição explica ainda o uso mais pessoal do que profissional das redes. Para nós esse
impasse entre empresa jornalística e jornalistas impede o melhor uso das redes sociais
no dia a dia das redações.
Por fim, acreditamos que as redes sociais serão incorporadas com maior vigor
nas redações paraibanas após a experiência que todos estão vivendo atualmente com o
processo eleitoral. As eleições de 2010 estão gerando maior interesse dos jornalistas
paraibanos pelas redes sociais, já que as redes reúnem pessoas das mais várias vertentes
políticas, além dos candidatos. Esse pode ser um momento importante de consolidação
das redes sociais como fonte jornalística.

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putador na redação. Florianópolis: Insular, 2003.

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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo
VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
(Universidade Federal do Maranhão, São Luís), novembro de 2010
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