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DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA

Vol. 2

UNIDADE 11 - ORGANIZAÇÃO SINDICAL

I ENTIDADES SINDICAIS.

1. ORIGEM DO SINDICATO.

Alguns autores citam as corporações de ofício da Idade Média


como originadoras do sindicalismo atual. Contudo, estudos mais aprofundados de
autores como Gottschalk e Ruprecht discordam desse posicionamento.

As Corporações regulavam a produção e as condições de


trabalho, investidas de um rigoroso monopólio na fabricação, venda e
regulamentação dos produtos e do mercado. Eram integradas pelos mestres,
companheiros e aprendizes. Os mestres consubstanciavam o grau mais elevado na
escala hierárquica. Os aprendizes eram admitidos e assumiam o compromisso de
obediência total ao mestre, que em troca lhes dava cama e comida, ensinando-lhes
o ofício e pagando-lhes uma pequena retribuição fixada nos estatutos. Os
companheiros eram os aprendizes que terminavam a etapa de aprendizagem e, não
adquirindo a qualidade de mestre, permaneciam na oficina como assalariados.

Era um sindicalismo patronal obrigatoriamente dirigido pelos


mestres, eleito pelos seus pares. A defesa do grupo era dirigida contra o consumidor
e não contra a outra parte na relação de emprego. Portanto, não se pode deduzir
que as corporações são antecessoras imediatas dos sindicatos atuais.

“O professor Ruprecht aduz que duas leis têm grande importância


histórica para o surgimento do sindicalismo moderno: “A lei Waldeck-Rousseau, de
1884, que reconheceu a liberdade sindical independentemente de uma prévia
autorização administrativa, e a Trade Union Act, da Inglaterra de 1871, que também
estabeleceu a liberdade sindical. Desse modo, as reuniões dos trabalhadores
deixaram de ser meras coalizões e se converteram em sindicatos”. 1

Mais à frente, o professor Ruprecht destaca que o sindicato surge


no momento em que as corporações se desfacelam por pressões internas, exercidas
pela insatisfação dos aprendizes e companheiros e por pressões externas, pela
vitória das idéias liberais e o surgimento da revolução industrial. “Neste instante, a
corporação se rompe em duas entidades distintas e antagônicas, representando
uma a mestria (patrões) e a outra os aprendizes e companheiros (trabalhadores)”.

É verdade que não estavam bem delineados os caracteres de um


e do outro grupo; mas a realidade é que, a partir desse instante, começa a
diferenciação que há de chegar até nossos dias, em que se encontram claramente
definidas as diferentes características. Uma instituição, ao nascer, não nasce já
completamente amadurecida; isso ocorre com o passar do tempo e foi o que
1
Relações Coletivas do Trabalho,Editora Ltr, 1995 p. 70

1
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aconteceu com o sindicalismo. No início, apenas uma idéia pouco estruturada que
logo se desenvolve, cresce e chega à maturidade e à realização.2

Dado interessante do nosso direito é que D. Pedro I, na


Constituição Imperial de 1824, no art. 179, inciso XXV, aboliu as Corporações de
Ofício.

“XXV Ficam abolidas as Corporações de Officios, seus Juízes,


Escrivães e Mestres.” 3

2 - CONCEITO DE SINDICATO.

Conceito sintético: Sindicato "é uma associação livre de


empregados ou de empregadores ou de trabalhadores autônomos para defesa dos
interesses profissionais respectivos." 4

Conceito analítico: "Sindicato é o agrupamento estável de várias


pessoas de uma profissão, que convencionam colocar, por meio de uma
organização interna, suas atividades e parte de seus recursos em comum para
assegurar a defesa e a representação da respectiva profissão, com vistas a melhorar
suas condições de vida e trabalho" 5.

Conceito legal: É "a associação para fins de estudo, defesa e


coordenação dos seus interesses econômicos ou profissionais de todos os que,
como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos, ou
profissionais liberais, exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou profissão ou
atividades ou profissões similares ou conexas. "art. 511 CLT. Ver art. 561 CLT

2.1 CONCEITO DE CATEGORIA ECONÔMICA.

"A solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem


atividades idênticas, similares ou conexas constitui o vínculo social básico que se
denomina categoria econômica." Art. 511, § 1° CLT.

2.2 CONCEITO DE CATEGORIA PROFISSIONAL.

" A similitude de condições de vida oriunda da profissão ou


trabalho em comum, em situação de emprego na mesma atividade econômica ou em
atividades econômicas similares ou conexas, compõe a expressão social elementar
compreendida como categoria profissional." Art. 511, § 2° - Ver art. 570 e seu
parágrafo único, CLT.
2
Idem ibidem

3
CAMPANHOLE, Constituições do Brasil, Editora Atlas, 1994, p. 777.

4 Orlando Gomes e Elson Gottschalk . p.547


5 Orlando Gomes e Elson Gottschalk . p.547.

2
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2.3 CONCEITO DE CATEGORIA PROFISSIONAL DIFERENCIADA.

"Categoria profissional diferenciada é a que se forma dos


empregados que exerçam profissões ou funções diferenciadas por força de estatuto
profissional especial ou em conseqüência de condições de vida singulares." Art.
511, § 3°, CLT.

2.4 CATEGORIAS PROFISSIONAIS E ECONÔMICAS HOMOGÊNEAS OU NATURAIS .

São aquelas enquadradas dentro das dimensões fixadas pelos


limites de identidade. Art. 511, § 4° CLT.
Ver art. 570 CLT.

2.5 SINDICATO ECLÉTICO:

É aquele que, na forma do artigo 511, caput, in fine, congrega


atividades ou profissões similares ou conexas. Ver parágrafo único do art. 570 da
CLT.

2.6 BASE TERRITORIAL SINDICAL.

É o espaço territorial, definido por lei ou pelo próprio estatuto,


delimitador da representatividade da entidade sindical.

No Brasil vigora a unicidade sindical, sendo "vedada a criação de


mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria
profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos
trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um
Município"- Art. 8°, II, C.F. Ver art. 541 da CLT.

3. ENQUADRAMENTO SINDICAL

Os sindicatos constituir-se-ão, normalmente, por categorias


econômicas ou profissionais, específicas. Porém, quando os que exercem
quaisquer atividades ou profissões não puderem sindicalizar-se eficientemente pelo
critério de especificidade de categoria, seja pelo número reduzido, seja pela
natureza mesma dessas atividades ou profissões, seja pelas afinidades existentes
entre elas, é permitido sindicalizarem-se pelo critério de categorias similares ou
conexas, entendendo-se como tais as que se acham compreendidas nos limites de
cada grupo constante do Quadro de Atividades e Profissões. Qualquer das
atividades ou profissões concentradas na dessa forma poderá dissociar-se
(desmembramento) do sindicato principal, formando um sindicato específico.

Os sindicatos que se constituírem por categorias similares ou


conexas, nos termos do parágrafo único do art. 570, adotarão denominação que

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fiquem, tanto como possível, explicitamente mencionadas as atividades ou


profissões concentradas, de conformidade com o Quadro das Atividades e
Profissões.

As Federações de Sindicatos de profissões liberais poderão ser


organizadas independentemente do grupo básico da Confederação, sempre que as
respectivas profissões se acharem submetidas, por disposições de lei, a um único
regulamento.

Dentro da mesma base territorial, as empresas industriais do tipo


artesanal poderão constituir entidades sindicais, de primeiro e segundo graus,
distintas das associações sindicais das empresas congêneres, de tipo diferente.

Atenção: por força da unicidade sindical preconizada no artigo 8º, II,


da C.F., é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau,
representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial,
que é definida pelos interessados, não podendo ser inferior a um município.

4. NATUREZA JURÍDICA DO SINDICATO NO BRASIL.

A CLT definiu as bases da organização sindical, inspirada na


doutrina Italiana da Carta del Lavoro. Essa doutrina serviu aos propósitos de
controle da organização sindical desejado por Getúlio Vargas. Esse regime
organizou a vida sócio-econômica do país por meio das corporações, como ficou
bem claro no artigo 140 da Carta de 1937.

No regime sindical inspirado na doutrina corporativa, o sindicato


tem personalidade jurídica de direito público, sendo a política sindical pressuposto
desta doutrina, pois propicia ao Estado a coordenação das atividades das categorias
representadas pelos sindicatos e a subordinação do sindicato ao Estado. O Estado
corporativo coloca-se acima das classes sociais. Ele organiza, regula e atua como
moderador das relações sociais.

“Trata-se de institucionalizar a representação legal de toda uma


“categoria” social. Por isso, o reconhecimento estatal só pode ser conferido a um
único sindicato por categoria. Dá-se relevo a interesses permanentes que
transcendem as pessoas e se revelam como interesses permanentes de um
segmento da sociedade política sob tutela do Estado.” 6

Corrigindo a distorção que conferia ao sindicato a personalidade


de pessoa jurídica de direito público, a Constituição Federal de 1988 desatrelou o
sindicato da estrutura estatal, conferindo-lhe o tratamento de entidade de direito
privado.

6
Revista Ltr 59-03/295, vol. 59 nº 3, Março de 1995 - Arion Sayão Romita, No texto Sindicalização por categoria.

4
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Segundo o art. 8º, da C.F/88, é livre a associação profissional ou


sindical e a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de
Sindicatos, ressalvado o registro no órgão competente, vedado ao Poder Público
a interferência e a intervenção na organização sindical. Todavia, ainda há
resquícios do sistema corporativo nesta Constituição, como por exemplo: a
contribuição sindical compulsória; o desempenho de funções delegadas de direito
público, tais como a assistência jurídica (art. 14 da Lei 5584/70), a representação
da categoria nas convenções coletivas, que valem para toda a categoria que
compreende o sindicato, até mesmo para os não associados. Em razão dessas
funções e atividades, surgiu uma teoria tentando classificar a natureza jurídica dos
sindicatos como sui generis, argumentando ser impossível classificá-lo como pessoa
jurídica de direito privado. A própria unicidade sindical é resíduo da estrutura
corporativa que ainda permanece incrustado na legislação.

5. LIBERDADE SINDICAL.

O estudo deste tópico exige antes uma tomada de posição sobre a


recepção ou não dos artigos da CLT, reguladores da atividade sindical pela
Constituição Federal de 1988.

Não comungo com os que entendem não poder a lei disciplinar a


organização e o funcionamento das entidades sindicais e que, portanto, os artigos
da CLT sobre essas matérias não teriam sido recepcionados pela Constituição da
República de 1988. É vero que o artigo 8°, I, da Constituição Federal proíbe a
interferência e intervenção na organização sindical, porém não impede à lei ordinária
criar exigências para o funcionamento das organizações sindicais, desde que a
exigência não seja a necessidade de autorização do poder público para o
funcionamento da entidade sindical.

Realmente, à primeira leitura, pode parecer que a Constituição Federal


no artigo 8º, I, proibiu a União de legislar sobre a estrutura organizativa e o
funcionamento de entidades sindicais. Contudo, o exame mais acurado da norma nos
revela que a proibição é de interferência e intervenção na ORGANIZAÇÃO SINDICAL,
expressão esta usada como desinência de ENTIDADE SINDICAL. Frisa-se que no
artigo 8°, I, da C.F, o termo organização tem o sentido de entidade e não de estrutura
organizativa de funcionamento.

Segundo o Dicionário Aurélio, o verbete organização pode significar:


1. Ato ou efeito de organizar (-se).
2. Modo pelo qual um ser vivo é organizado; conformação, estrutura: a organização
dos vegetais; O rapaz tem uma organização saudável.
3. Modo pelo qual se organiza um sistema (2); a organização de um mecanismo; a
organização da justiça.
4. Associação ou instituição com objetivos definidos: organização esportiva;
organização filantrópica.

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5. V. organismo (5).: A Unesco é uma organização de caráter especialmente


cultural.
6. P. ext. A designação oficial de certos organismos: a Organização das Nações
Unidas.
7. Planejamento, preparo: organização de uma viagem, de uma temporada teatral.
(grifei)

Basta uma interpretação sistemática dos artigos 5º, LXX, b, e 8º, I e II,
para se concluir, sem sombra de dúvidas, que a expressão organização sindical
usada pelo legislador constituinte foi no mesmo sentido semântico exprimido nos itens
4, 5 e 6 da definição do verbete organização do Dicionário Aurélio, ou seja, como
sinônimo de entidade sindical, gênero do qual são espécies o sindicato, a associação
sindical, a federação e a confederação sindicais.

Por força da norma do artigo 8? , I, da CF, o poder público não pode


intervir ou interferir na organização(entidade) sindical, via ato administrativo,
entretanto, poderá regular através de leis, que são normas genéricas e abstratas, a
criação e o funcionamento das organizações sindicais, principalmente para submetê-
las aos pressupostos do regime democrático, da legitimidade e da legalidade, como
qualquer entidade de direito privado, bem como para resguardar a liberdade individual
dos integrantes da categoria e definir o relacionamento dessas entidades com os
órgãos da Justiça do Trabalho, por exemplo como era nos casos de eleição de
representantes sindicais para compor lista tríplice de concorrentes a vaga de Juiz
Classista.

O saudoso Prof°. Wilson de Souza Campos Batalha, na obra


Sindicatos, Sindicalismo - São Paulo: LTr, 1992, p.82/83, lecionou com muito acerto
que:

"Num sentido individualístico, a liberdade sindical consiste no direito de


qualquer trabalhador ou empresa participar deste ou daquele
sindicato, de filiar-se, ou não, a qualquer entidade sindical. Num
regime de unicidade sindical, como o vigente no Brasil nos termos da
Constituição de 1988, qualquer trabalhador ou empresa pode filiar-se
ou deixar de filiar-se, como associado, a uma entidade sindical,
embora não possa evadir-se à representação da categoria, em que se
integra, e que totalitariamente é representada pelo sindicato
monolítico.

Portanto, forçoso é concluir que a liberdade sindical, sob o


aspecto individualístico, não existe quando há unicidade sindical, posto
que o sindicato representa todos os integrantes da categoria, nolentes
ou volentes, cientes ou inscientes, exercendo sobre todos eles não
apenas os direitos inerentes à representação dos interesses coletivos,
como também a substituição processual no que concerne a certos
interesses individuais.

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A vinculação à categoria implica contribuições, quer


contribuições sindicais (em vias de extinção), quer contribuições
assistenciais, quer contribuições confederativas.

A unicidade sindical implica a existência de uma única


entidade representativa da mesma categoria em determinada área
territorial. Só um sindicato representa a categoria na área territorial,
naturalmente permitindo-se os desmembramentos, as cisões com os
desmembramentos e as cisões das categorias, que como dissemos,
são definidas no ato de constituição da entidade sindical".

Trazemos à colação esses ensinamentos para reforçar a nossa tese


no sentido de que o Poder Público não somente pode como deve, enquanto não
houver liberdade sindical no sentido individualístico, ou seja, enquanto houver a
unicidade sindical, legislar sobre a estrutura organizativa das entidades sindicais para
lhes exigir observância aos pressupostos do regime democrático, da legalidade e da
legitimidade.

Toda liberdade tem limites e não há justificativas para liberdade


sindical ser absoluta e ilimitada. Imaginemos o absurdo que seria obrigar alguém a se
sujeitar a um sindicato cuja diretoria, por força de seu estatuto, tivesse mandato
vitalício e hereditário, sendo suas decisões tomadas à revelia ou contrariamente à
vontade da categoria.

A lei não pode exigir autorização pelo poder público para


funcionamento de organização sindical, mas pode determinar o cumprimento de outros
requisitos para sua criação ou funcionamento. Frisamos que o poder público não pode
interferir ou intervir na organização sindical, mas pode regular a organização das
entidades sindicais, o que é coisa bem diferente.

Quantos sindicatos são necessários, no mínimo, para criação de


uma federação? Quantas federações são necessárias para criação de uma
confederação. Pode existir sindicato profissional por empresa? Podemos ter sindicatos
profissionais sem correspondência com a atividade empresarial? Podemos ter
federação composta por sindicatos de categorias diversas ou federação mista
composta por sindicatos patronais e profissionais? Como proceder aos
desmembramentos ou cisões das organizações sindicais? Tudo isso a lei infra-
constituicional é quem define, pois a Constitucional não desce a essas minúcias.

Enquanto existir a unicidade sindical, contribuições compulsórias e


houver sujeição de todos os membros da categoria, inclusive os não associados, às
convenções e aos acordos coletivos firmados pelo respectivo sindicato, a lei tem que
estabelecer parâmetros para criação e funcionamento das organizações sindicais, de
modo a defender a liberdade sindical individual frente às próprias organizações
sindicais.

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Como base no exposto podemos afirmar que as normas reguladoras


da forma de escolha dos dirigentes e representantes sindicais, bem como os requisitos
para o exercício da atividade sindical, principalmente no concernente à negociação
coletiva e às matérias pré-processuais do dissídio coletivo, foram recepcionadas pelo
novo ordenamento constitucional, por não importarem em interferência ou intervenção
na organização sindical (entidade). Fazendo-nos concluir com tranqüilidade que a
liberdade de criação e funcionamento das organizações sindicais não é tão ampla
como pode fazer crer uma leitura mais descompromissada do texto do artigo 8º, I, da
Constituição Federal.

Mesmo que se adote, como querem alguns, a total liberdade sindical


no concernente a sua estrutura organizativa, e se conclua pela não recepção de todo o
título V da CLT, que trata da ORGANIZAÇÃO SINDICAL, art. 511 a 610, ainda assim
insistimos na sobrevivência dos artigos 611 a 625 disciplinando a negociação coletiva e
a sua instrumentalização, pois com essa aplicação eles perdem qualquer sentido de
norma de interferência na estrutura organizativa de entidade sindical e passam a
integrar o contexto das normas reguladoras do processo coletivo do trabalho, uma vez
que a negociação coletiva é um pressuposto para o ajuizamento do dissídio coletivo
Trabalho.

A maior prova de que os títulos V e VI, da CLT estão em vigor é que


foi preciso a edição da Lei nº 8.865, de 29 de março de 1994, para revogar os incisos
VI e VIII do artigo 530, e que o Supremo Tribunal Federal entendeu recepcionado o
artigo 522 que define a estrutura da diretoria dos sindicatos.

Portanto, como conseqüência natural desse posicionamento, neste


trabalho, considerarei como base para as minhas conclusões que, face ao sistema
da unicidade sindical adotado no Brasil, a lei pode e deve disciplinar a organização e
o funcionamento das entidades sindicais nas suas relações com os indivíduos
integrantes da própria categoria, com a categoria antagônica, com terceiros, bem
como estabelecer as condições para que atuem judicialmente na defesa dos
interesses dos membros da categoria respectiva.

5.1 DIREITO DE ASSOCIAÇÃO.

Antes da Constituição Federal de 1988, o direito de associação


sindical era restrito aos trabalhadores das empresas privadas, ficando excluídos os
funcionários públicos e os servidores das instituições paraestatais. Hoje o art. 37, VI,
da C.F/88 garante ao servidor público civil o direito à livre associação sindical, porém
continua proibido ao militares a sindicalização e a greve, art. 42, § 5 C.F.

A toda empresa ou indivíduo que exerçam respectivamente atividade


ou profissão, desde que satisfaçam as exigências da lei, assiste o direito de ser
admitido no sindicato da respectiva categoria.

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Perderá os direitos de associado o sindicalizado que, por qualquer


motivo, deixar o exercício de atividade ou de profissão.

Os associados de Sindicatos de empregados, de agentes ou


trabalhadores autônomos e de profissões liberais que forem aposentados, estiverem
em desemprego ou falta de trabalho ou tiverem sido convocados para prestação de
serviço militar não perderão os respectivos direitos sindicais e ficarão isentos de
qualquer contribuição, não podendo exercer, entretanto, cargos de administração
sindical ou cargos de representação econômica ou profissional. Salvo o trabalhador
aposentado que, por força do artigo 8°, VII, da CF/88, continua com o direito de votar
e ser votado.

Os que exercerem determinada atividade ou profissão onde não haja


sindicato da respectiva categoria, ou de atividade ou profissão similar ou conexa,
poderão filiar-se a sindicato de profissão idêntica, similar ou conexa, existente na
localidade mais próxima. O mesmo se aplica aos Sindicatos em relação às
respectivas federações, na conformidade do Quadro de Atividades e Profissões a
que se refere o art. 577.

O aposentado tem o direito de manter-se filiado ao sindicato


correspondente à sua categoria de atividade, ou de nele ingressar se houvera saído,
podendo votar e ser votado, Art. 8° VII, C. F, não valendo em relação a eles o
preceito do art. 540 §2° da CLT.

Ver artigos 540 e 541 da CLT e art. 8º V, C.F.

5.2 LIBERDADE SINDICAL INDIVIDUAL:

Art. 8°, V, da C. F. "ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se


filiado a sindicato”.

5.2.1. REGRAS DE GARANTIA DA LIBERDADE SINDICAL INDIVIDUAL:

a) liberdade de aderir a um sindicato – aspecto positivo da liberdade de


associação – "os trabalhadores e empregadores, sem qualquer distinção, têm
direito, independente de prévia autorização, de se filiar a sindicato, com a única
condição de se conformar com os seus estatutos"( art. 2ª da Convenção
Internacional de São Francisco – 1948)

b) liberdade de não se filiar a um sindicato – aspecto negativo da liberdade


sindical.
Obs: falar dos descontos diferenciados para sócios e não sócios ou dos aderentes e
não aderentes aos movimentos paredistas.

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c) liberdade de se demitir de um sindicato:

O membro de um sindicato pode retirar-se dele em qualquer tempo.


Sendo um direito de ordem pública, a convenção coletiva ou o estatuto da entidade
sindical não podem estabelecer ônus ou encargos em razão da opção do
sindicalizado.

d) liberdade de escolher um sindicato:

Somente garantido pela pluralidade sindical. Incompatível com


monossindicalismo ou unicidade sindical.

5.3 LIBERDADE SINDICAL COLETIVA.

Segundo o art. 8º, da C. F. " É livre a associação profissional ou


sindical, observado o seguinte:

I - A lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de


Sindicatos, ressalvado o registro no órgão competente, vedado ao Poder Público
a interferência e a intervenção na organização sindical.

5.3.1. REGRAS DE GARANTIA DA LIBERDADE SINDICAL COLETIVA:

a) liberdade de fundar sindicato:

A lei não pode exigir prévia autorização para a constituição da


entidade sindical. As formalidades para criação de um sindicato deverão ser as mais
simples possíveis, necessárias apenas a publicidade do ato de constituição para
permitir a aferição de sua identidade e legalidade.

A empresa que, por qualquer modo, procurar impedir que o


empregado se associe a sindicato, organize associação profissional ou sindical ou
exerça os direitos inerentes à condição de sindicalizado fica sujeita à penalidade
prevista na letra a do artigo 553, sem prejuízo da reparação a que tiver direito o
empregado.

b) liberdade de determinar o quadro sindical na ordem profissional e territorial.

Compete aos interessados definirem o quadro profissional a ser


representado e a base territorial do sindicato. A delimitação pelo Estado de
atividades ou profissões e base territorial dos sindicatos feriria a liberdade sindical.
No entanto, no Brasil há a delimitação estatal de base territorial e a definição das
atividades ou profissões constituidoras do sindicato.

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c) liberdade de estabelecer relações entre sindicatos para formar


agrupamentos mais amplos:

Segundo a Convenção n° 87 da OIT, não ratificada pelo Brasil, "As


organizações de trabalhadores e de empregadores têm o direito de constituir
federações e confederações, assim como a elas filiar". Art. 5º.

“Toda organização, federação ou confederação tem o direito de se


filiar a organizações internacionais de trabalhadores e empregadores”. Art. 6º.

Obs.: antes de 1988, havia a necessidade de prévia autorização do governo – art.


565 CLT

d) liberdade para fixar as regras internas, formais e de fundo para regular a


vida sindical.

Compete à assembléia geral definir as regras de funcionamento


do sindicato e de relacionamento entre os associados e entre estes e a entidade. O
Estado pode estabelecer através de lei as regras de ordem pública, principalmente
normas garantidoras da liberdade sindical individual. Ver art. 524 CLT

e) liberdade nas relações entre o sindicalizado e o grupo profissional.

Sendo uma entidade associativa, as relações entre o sindicalizado


e o grupo profissional devem ser reguladas pelo estatuto do sindicato, face à sua
natureza contratual. Porém o estatuto não pode violar a liberdade sindical individual,
a ordem pública e o regime de democracia que deve regular o grupo.

f) liberdade nas relações entre o sindicato de empregados e o de


empregadores.

As organizações patronais devem reconhecer os sindicatos


profissionais como legítimos representantes dos trabalhadores. Ver art. 8°, VI, 7°,
XXVI C.F.

6. NORMAS DE PROTEÇÃO À LIBERDADE SINDICAL.

Ver art. 8°, VIII, CF, art. 543 e seus parágrafos, e 659 IX e X, da
CLT.

7 - PRERROGATIVAS DOS SINDICATOS.

• representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os interesses


gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou os interesses individuais

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dos associados, relativos à atividade ou profissão exercida, bem como atuar em


juízo como substitutos processuais dos integrantes da categoria;7
• celebrar convenções e acordos coletivos de trabalho;
• colaborar com o Estado, como órgão técnico e consultivo, no estudo e solução de
problemas que se relacionem com os interesses econômicos ou profissionais de
seus associados;
• impor contribuições a todos aqueles que participam das categorias econômicas
ou profissionais ou das profissões liberais representadas;8
• os Sindicatos de empregados terão a prerrogativa de fundar e manter agências
de colocação;
• dentro da base territorial de sua base territorial é facultado ao Sindicato instituir
delegacias ou seções para melhor proteção dos associados e da categoria
econômica ou profissional ou profissão liberal representada.

8 - DEVERES DOS SINDICATOS.

• manter serviços de assistência judiciária para os associados;


• promover a conciliação nos dissídios de trabalho;
• Proibição de exercício de cargo eletivo cumulativamente com o de emprego
remunerado pelo Sindicato ou por entidade sindical de grau superior;
• Gratuidade do exercício dos cargos eletivos;
• Quando, para o exercício de mandato, tiver o associado de sindicato de
empregados, de trabalhadores autônomos ou de profissionais liberais de se
afastar do seu trabalho, poderá ser-lhe arbitrada pela Assembléia Geral uma
gratificação nunca excedente da importância de sua remuneração na profissão
respectiva.

9. REPRESENTAÇÃO DA CATEGORIA ECONÔMICA OU PROFISSÃO.

9.1. UNICIDADE SINDICAL.

"Unidade sindical significa o reconhecimento pelo Estado ou pela


categoria profissional contraposta, de apenas um sindicato como representante de
toda uma profissão".9

C.F. Art. 8º.


II - É vedada a criação de mais de uma organização sindical, em
qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma

7 Redação dada pela Medida Provisória nº 190/90 - hoje revogada

8 Em decisão recente, cujo relator foi o Ministro Marco Aurélio de Farias Melo, o Excelso Supremo
Tribunal Federal, entendeu que o artigo 513, "e", da CLT, foi recepcionado pela CF/88.
9 Orlando Gomes e Elson Gottschalk – Curso de direito do trabalho. 14ª ed. Forernse : RJ 1998, P.
537.

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base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores


interessados. Não podendo ser inferior à área de um Município.

9.2. PLURALIDADE SINDICAL.

A pluralidade sindical significa o reconhecimento pelo Estado ou


pela categoria profissional contraposta, de vários sindicatos como representante de
uma mesma profissão.

A pluralidade sindical seria a expressão máxima da liberdade


sindical individual, permitindo ao trabalhador ou empregador a liberdade de escolha
do sindicato que representaria seus interesses. 10

9.3 POLÊMICA SOBRE REPRESENTATIVIDADE DO SINDICATO NO BRASIL.

Vigorando no Brasil a unicidade sindical, o sindicato detém a


representação de seus próprios associados e de todos os membros da respectiva
categoria na base territorial que foi fundado. Sendo certo que essa representação
restringe-se aos fins sociais e econômicos ligados aos interesses profissionais do
grupo.

Segundo o inciso III, do 8º, da CF, "ao sindicato cabe a defesa


dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões
judiciais ou administrativas. "Apesar de toda a evidência exsurgente da expressão
DEFESA dos direitos e interesses coletivos e individuais da categoria e de toda
veemência da doutrina, a jurisprudência do Colendo Tribunal Superior do Trabalho
insiste em não reconhecer aos sindicatos o direito de substituição processual ampla
dos integrantes da respectiva categoria. Se o sindicato defende a categoria, ele
pode defender em nome próprio os direitos e interesses dos seus integrantes,
independentemente de autorização ou procuração, via substituição processual.

Destaco que defender é diferente de representar. Quem


representa atua segundo e nos limites da vontade do representado, enquanto quem
defende atua segundo e nos limites de sua própria vontade que, necessariamente,
deve ter como orientação resguardar os direitos e interesses dos defendidos.
Segundo o artigo 6º, do CPC: Ninguém poderá pleitear, em nome próprio direito
alheio, salvo quando autorizado por lei. Sendo certo que o artigo 8°, III, da CF/88 dá
essa autorização aos sindicatos na defesa da respectiva categoria.

“A representatividade sindical tem uma importância extraordinária


no Direito Coletivo do Trabalho, por ser o meio pelo qual operam os sindicatos. A
representatividade é a faculdade que tem uma pessoa de celebrar negócios em
nome de outra, obrigando-a direta e exclusivamente. Essa representação pode ser

10 Orlando Gomes e Elson Gottschalk – Curso de direito do trabalho. 14ª ed. Forernse : RJ 1998, P.
537

13
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

por vontade do interessado - voluntária - ou imposta por lei - legal ou necessária”. 11


No Brasil a representação da categoria é imposta por lei.

O Colendo Tribunal Superior do Trabalho tentou pacificar o tema


com a edição do Enunciado 310.

310 - Substituição Processual.


I - O artigo 8º, inciso III, da Constituição da República, não
assegura a substituição processual pelo sindicato.
II - A substituição processual autorizada ao sindicato pelas Leis n°
6.708, de 30.10.1979 e n° 7.238 de 29.10.1984, art. 3° § 2°,
limitada aos associados, restringe-se às demandas que visem aos
reajustes salariais previstos em lei, ajuizadas até 3 de julho de
1989, data e que entrou em vigor a Lei 7.788.
III - A Lei 7.788/89, em seu artigo 8º assegurou durante sua
vigência, a legitimidade do sindicato como substituto processual
da categoria.
IV - A substituição processual autorizada pela Lei nº 8.073, de 30
de julho de 1990 ao sindicato alcança todos os integrantes da
categoria e é restrita às demandas que visem à satisfação de
reajustes salariais específicos resultantes de disposição prevista
em lei de política salarial.
V - Em qualquer ação proposta pelo sindicato como substituto
processual, todos os substituídos serão individualizados na
petição inicial e, para o início da execução, devidamente
identificados, pelo número da Carteira de Trabalho e Previdência
Social ou de qualquer documento de identidade.
VI - É lícito aos substituídos integrar a lide como assistente
litisconsorcial, acordar, transigir e renunciar, independentemente
de autorização ou anuência do substituto.
VII - Na liquidação da sentença exeqüenda, promovida pelo
substituto, serão individualizados os valores devidos a cada
substituído, cujos depósitos para quitação serão levados através
de guias expedidas em seu nome ou de procurador com poderes
especiais para esse fim, inclusive nas ações de cumprimento.
VIII - Quando o Sindicato for autor da ação na condição de
substituto processual, não serão devidos honorários advocatícios.

Contudo, esse enunciado recebeu várias críticas dos


doutrinadores, argumentando-se que o TST, na realidade, legislou.

O Excelso Supremo Tribunal Federal no Mandado de Injunção


3475/400 - Ac. TP. 07.05.93, manifestou-se sobre o tema. Esse Mandado de
11
RUPRECHT Alfredo J.; Relações Coletivas do Trabalho, Editora LTr, 1995 p. 154

14
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

Injunção teve como Impetrante o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público


Federal e como impetrado o Presidente da República. Foi argüida pela Consultoria
Geral da República a ilegitimidade ativa do sindicato, ao fundamento de que o artigo
8º, III, da C.F, não conferiria aos sindicatos a qualidade de substituto processual. O
Supremo rejeitou a preliminar e, via de conseqüência, considerou ser o artigo 8º, III,
da C.F, fonte de substituição processual ampla para os sindicatos.

Deverá prevalecer a interpretação do STF, pois sendo ele o


guardião da Constituição Federal, seu posicionamento deve ser adotado pelo TST e
revisto o Enunciado 310. (Revista LTr 58-09/1057).

As associações civis mencionadas no art. 5°, XXI, CF, quando


expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar judicial ou
administrativamente os seus filiados, porém não poderão concorrer com as
atividades dos sindicatos. Essas associações poderão fazer tudo que não diga
respeito a defesa dos interesses econômicos ou profissionais dos empregadores ou
empregados ou profissionais liberais, como reservado pelo artigo 511 da CLT às
entidades sindicais, sob pena de quebra da unicidade sindical imposto ao sistema
sindical brasileiro pelo inciso II, do artigo 8°, da CF/88.

A MEDIDA PROVISÓRIA N ° 190/90 era literal: São prerrogativas


dos sindicatos: representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os
interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou os interesses
individuais dos associados, relativos à atividade ou profissão exercida, bem como
atuar em juízo como substitutos processuais dos integrantes da categoria.12

10. ADMINISTRAÇÃO DO SINDICATO.

Apesar do artigo 522, da CLT, dizer que a administração do


sindicato será exercida por uma diretoria constituída no máximo de sete e no mínimo
de três membros e de um Conselho Fiscal composto de três membros, eleitos esses
órgãos pela assembléia geral, com designação direta dos respectivos cargos, com a
liberdade de auto-organização dada à entidade sindical pelo artigo 8°, da CF/88,
entendo ser possível a ampliação desses números por deliberação da assembléia
geral que aprova o estatuto da entidade, todavia, somente os trabalhadores
ocupantes dos cargos quantificados no artigo 522, da CLT, gozarão de estabilidade
provisória no emprego, pois a liberdade sindical não chega ao ponto de permitir à
entidade sindical criar obrigações para terceiros..

A competência do Conselho Fiscal é limitada à fiscalização da


gestão financeira do sindicato.

12 Redação dada pela Medida Provisória nº 190/90

15
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

Os Delegados Sindicais destinados à direção das delegacias ou


seções instituídas na forma estabelecida no § 2º do Art.517 serão designados pela
diretoria dentre os associados radicados no território da correspondente delegacia.

Apesar de ainda polêmica a matéria, a jurisprudência prevalecente


na Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho indica a recepção
do artigo 524, da CLT, pela CF/88. Portanto, serão sempre tomadas por escrutínio
secreto, na forma estatutária, as deliberações da assembléia geral concernentes aos
seguintes assuntos:

• eleição de associado para representação da respectiva categoria, prevista em lei;


• tomada e aprovação de contas da diretoria;
• aplicação do patrimônio;
• julgamento dos atos da diretoria, relativos a penalidades Impostas a associados;
• pronunciamento sobre relações ou dissídios de trabalho. Neste caso, as
deliberações de assembléia geral só serão consideradas válidas quando ela tiver
sido especialmente convocada para esse fim, de acordo com as disposições dos
estatutos da entidade sindical. O "quorum" para validade da assembléia será de
metade mais um dos associados quites; não obtido esse "quorum" em primeira
convocação com os presentes, considerando-se aprovadas as deliberações que
obtiveram 2/3 (dois terços) dos votos.

É vedada a pessoas físicas ou jurídicas, estranhas ao Sindicato,


qualquer interferência na sua administração ou nos seus serviços, salvo os que,
como empregados, exerçam cargos no Sindicato mediante autorização da
Assembléia Geral.

São condições para o exercício do direito do voto, bem como para a


investidura em cargo de administração ou representação econômica ou profissional:
• ter o associado mais de 6 (seis) meses de inscrição no Quadro Social
emaisde2(dois) anos de exercício da atividade ou da profissão;
• ser maior de 18 (dezoito) anos;
• estar no gozo dos direitos sindicais.

Não podem ser eleitos para cargos administrativos ou de


representação econômica ou profissional, nem permanecer no exercício desses
cargos:

• os que não tiverem definitivamente aprovadas as suas contas de exercício em


cargos de administração;
• os que houverem lesado o patrimônio de qualquer entidade sindical;
• os que não estiverem, desde dois (2) anos antes, pelo menos, no exercício
efetivo da atividade ou da profissão dentro da base territorial do sindicato, ou no
desempenho de representação econômica ou profissional;

16
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

• os que tiverem sido condenados por crime doloso enquanto persistirem os efeitos
da pena;
• os que não estiverem no gozo de seus direitos políticos;
• má conduta, devidamente comprovada;
• Os que tenham sido destituídos de cargo administrativo ou de representação
sindical.

Nas eleições para cargos de Diretoria e do Conselho Fiscal serão


considerados eleitos os candidatos que obtiverem maioria absoluta de votos em
relação ao total dos associados eleitores. Não concorrendo à primeira convocação
maioria absoluta de eleitores, ou não obtendo nenhum dos candidatos essa maioria,
proceder-se-á a nova convocação para dia posterior, sendo então considerados
eleitos os candidatos que obtiver em maioria dos eleitores presentes.

Havendo somente uma chapa registrada para as eleições, poderá a


Assembléia, em última convocação, ser realizada duas horas após a primeira
convocação, desde que do edital respectivo conste essa advertência.

Ao assumir o cargo, o eleito prestará, por escrito e solenemente, o


compromisso de respeitar, no exercício do mandato, a Constituição, as leis vigentes
e os estatutos da entidade.

11. ASSOCIAÇÕES SINDICAIS DE GRAU SUPERIOR.

Constituem associações sindicais de grau superior as federações e


confederações organizadas nos termos da CLT.

11.1. HIERARQUIA SINDICAL.

“A "hierarquia" sindical é a escala das organizações sindicais que


parte dos sindicatos, que constituem a base, para chegar as confederações que
estão no topo da pirâmide.
As federações e confederações são as uniões de associações
profissionais e é um tanto difícil distinguir uma das outras. A federação é a união de
sindicatos e as confederações o são de federações e sindicatos. Nem todo sindicato
pode pertencer a uma confederação, é preciso reunir certas condições. Esse
sindicato é o que tem um caráter nacional, produto da união de pequenos sindicatos
e que, no fundo, vem a ser uma federação.
As federações e confederações têm objetivos mais elevados que
o dos sindicatos. Estes, fundamentalmente, tendem a beneficiar um grupo de
determinados trabalhadores; as federações e confederações aspiram à defesa da
classe.
Em geral, todas as normas aplicáveis aos sindicatos servem
também para as federações e confederações. Os requisitos essenciais para sua
constituição são a existência de sindicatos para as federações, quer dizer, as
organizações de segundo grau e para as de terceiro grau - confederações - a

17
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

existência de federações e sindicatos nacionais. O consentimento deve ser dado


pelos organismos respectivos, ou seja, em caso de federação a assembléia do
sindicato e se de confederação, a assembléia da federação. Os requisitos formais
são, em geral, semelhantes aos estabelecidos para a outorga de personalidade ao
sindicato.
As federações e confederações são pessoas com existência
própria que se regem por estatutos e têm seus órgãos, gozando os mesmos direitos
e devendo cumprir iguais obrigações que as associações de primeiro grau e, como
têm os mesmos fins que as associações, devem realizar idênticas funções”. 13

As centrais sindicais, apesar de terem importância política e


destacada atividade sindical no Brasil, não estão previstas no nosso ordenamento
jurídico. Não integrando oficialmente o sistema sindical brasileiro. Porém a Lei do
FGTS prevê a indicação de membros do seu Conselho Curador pelas centrais
sindicais.

11.2 FEDERAÇÃO.

A federação é formada por cinco ou mais sindicatos, desde que


representem a maioria absoluta de um grupo de atividades ou profissões idênticas,
similares ou conexas. As federações são constituídas por Estados ou
nacionalmente.

É permitido a qualquer federação, para o fim de lhes coordenar os


interesses, agrupar os Sindicatos de determinado município ou região filiados a ela,
mas a união não terá direito de representação das atividades ou profissões
agrupadas.

As federações poderão ser estaduais, interestaduais ou nacionais,


sem necessidade de autorização do Ministério do Trabalho e Emprego, como
anteriormente exigido pelo artigo 534, § 2° da CLT.

Súmula 156 do TFR: "Sindicatos representativos de atividades


econômicas ou profissionais idênticas, ou categoria econômica específica, podem
organizar-se em federações".

11.2.1 DESMEMBRAMENTO DE FEDERAÇÃO.

Se já existir federação no grupo de atividades ou profissões em que


deva ser constituída nova entidade, a criação desta não poderá reduzir a menos de
cinco o número de Sindicatos que àquela devam continuar filiados.

13
RUPRECHT Alfredo J.; Relações Coletivas do Trabalho, Editora Ltr, 1995 p. 189/190

18
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

11.3 CONFEDERAÇÃO.

É formada por no mínimo de três federações.

As confederações formadas por federações de Sindicatos de


empregadores denominam-se: Confederação Nacional da Indústria, Confederação
Nacional do Comércio, Confederação Nacional de Transportes Marítimos, Fluviais e
Aéreos, Confederação Nacional de Transportes Terrestres, Confederação Nacional
de Comunicações e Publicidade, Confederação Nacional das Empresas de Crédito e
Confederação Nacional de Educação e Cultura.

As confederações formadas por federações de Sindicatos de


empregados denominam-se: Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Indústria, Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres, Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Comunicações e Publicidade, Confederação Nacional dos
Trabalhadores nas Empresas de Crédito e Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Estabelecimentos de Educação e Cultura.

É denomina Confederação Nacional das Profissões Liberais a


reunião das respectivas federações.

As associações sindicais de grau superior da Agricultura e Pecuária


são organizadas na conformidade da lei reguladora da sindicalização dessas
atividades ou profissões.

11.4 REPRESENTATIVIDADE DAS FEDERAÇÕES E CONFEDERAÇÕES .

Compete às federações a representação dos interesses da classe


dentro da base territorial que lhe for outorgada, e às confederações a representação
nacional dos interesses econômicos ou profissionais dos respectivos grupos, na
conformidade do Quadro de Atividades e Profissões.

O ato que instituir a federação ou confederação estabelecerá as


condições segundo as quais deverá ser a mesma organizada e administrada, bem
como a natureza e a extensão dos seus poderes sobre os sindicatos ou as
federações componentes.

Entendo que, após a CF/88, não mais existe obrigatoriedade para


que as confederações tenham sede na Capital da República.

11.5 ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO DAS FEDERAÇÕES E CONFEDERAÇÕES .

São órgãos de administração das federações e confederações:


diretoria, conselho de representantes e conselho fiscal.

19
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

A diretoria é constituída no mínimo de três membros e de três


membros se compõe o Conselho Fiscal os quais serão eleitos pelo Conselho de
Representantes com mandato por três anos.

O Conselho de Representantes será formado pelas delegações dos


sindicatos ou das federações filiadas. Constituída cada delegação de dois membros
com mandato por três, anos, cabendo um voto a cada delegação.

12. DIREITOS DOS EXERCENTES DE ATIVIDADES OU PROFISSÕES E DOS SINDICALIZADOS

O empregado eleito para cargo de administração sindical ou e


representação profissional, inclusive junto a órgão de deliberação coletiva, não
poderá ser impedido do exercício de suas funções, nem transferido para lugar ou
mister que lhe dificulte ou torne impossível o desempenho das suas atribuições
sindicais. O empregado perderá o mandato se a transferência for por ele solicitada,
ou voluntariamente aceita.

Considera-se de licença não remunerada, salvo assentimento da


empresa ou cláusula contratual, o tempo em que o empregado se ausentar do
trabalho no desempenho das funções sindicais.

É vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado, a


partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de direção ou
representação de entidade sindical ou de associação profissional, até um ano após o
final do seu mandato, caso seja eleito, inclusive como suplente, salvo se cometer
falta grave devidamente apurada nos termos desta Consolidação. Considera-se
cargo de direção ou de representação sindical aquele cujo exercício ou indicação
decorre de eleição prevista em lei.

Para que o empregado tenha direito à estabilidade, a entidade


sindical comunicará por escrito à empresa, dentro de 24 (vi nte e quatro) horas, o dia
e a hora do registro da candidatura do seu empregado e, em igual prazo, sua eleição
e posse, fornecendo ao empregado comprovante no mesmo sentido.

Os empregadores ficam obrigados a descontar na folha de


pagamento dos seus empregados, desde que por eles devidamente autorizados, as
contribuições devidas ao sindicato, quando por este notificados, alvo quanto à
contribuição sindical, cujo desconto independe dessas formalidades.

É exigida a qualidade de sindicalizado para o exercício de qualquer


função representativa de categoria econômica ou profissional, em órgão oficial de
deliberação coletiva, salvo em se tratando de atividades não econômicas.

20
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

II - RECEITAS DOS SINDICATOS. 14

1. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL.

1.1 CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA.

A contribuição sindical é uma contribuição parafiscal devida aos


sindicatos, e obrigatória para todos os empregados e empregadores que participam
de uma determinada categoria profissional ou econômica.

A contribuição sindical, antigo imposto sindical, tem natureza


tributária (art. 149, C.F), sendo devida por todos aqueles que participarem de uma
determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, em
favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão,
independentemente de ser sindicalizado. Inexistindo sindicato, o percentual que a
ele corresponderia é creditado à federação correspondente à mesma categoria
econômica ou profissional, na conformidade do disposto no art. 591.

1.2 VALOR DA CONTRIBUIÇÃO SINDICAL

A contribuição sindical será recolhida, de uma só vez, anualmente, e


consistirá:

I - Na importância correspondente à remuneração de um dia de trabalho, para os


empregados, qualquer que seja a forma de remuneração. Considera-se um dia de
trabalho, para efeito de determinação da importância a que alude o item I do art.
580, o equivalente:

a) a uma jornada normal de trabalho, se o pagamento ao empregado for feito por


unidade de tempo;

b) a 1/30 (um trinta avos) da quantia percebida no mês anterior, se a remuneração


for paga por tarefa, empreitada ou comissão.

Quando o salário for pago em utilidades, ou nos casos em que o


empregado receba, habitualmente, gorjetas, a contribuição sindical corresponderá a
1/30 (um trinta avos) da importância que tiver servido de base, no mês de janeiro,
para a contribuição do empregado à Previdência Social.;

II - para os agentes ou trabalhadores autônomos e para os profissionais liberais,


numa importância correspondente a 30% (trinta por cento) do maior valor-de-
referência fixado pelo Poder Executivo, vigente à época em que é devida a
contribuição sindical, arredondada para R$ 1,00 (um real) a fração porventura
existente;

14 Segundo a Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002, art. § 7º, as empresas aderentes ao
SIMPLES são dispensadas da contribuição sindical patronal.

21
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

III - para os empregadores, numa importância proporcional ao capital social da firma


ou empresa, registrado nas respectivas Juntas Comerciais ou órgãos equivalentes,
mediante a aplicação de alíquotas, conforme a seguinte tabela progressiva:

CLASSE DE CAPITAL ALÍQUOTA


Até 150 vezes o maior
1 0,8%
valor-de-referência
Acima de 150 até 1.500
2 vezes o maior valor-de- 0,2%
referência
Acima de 1.500 até
3 150.000 vezes o maior 0,1%
valor-de-referência 0,1%
Acima de 150.000 até
4 800.000 vezes o maior 0,02%
valor-de-referência

Para efeito do cálculo de que trata essa tabela progressiva,


considerar-se-á o valor de referência fixado pelo Poder Executivo, vigente à data de
competência da contribuição, arredondando-se para R$ 1,00 (um real) a fração
porventura existente.

É de 60% (sessenta por cento) do maior valor-de-referência, a


contribuição mínima devida pelos empregadores, independentemente do capital
social da firma ou empresa, ficando, do mesmo modo, estabelecido o capital
equivalente a 800.000 (oitocentas mil) vezes o maior valor-de-referência para efeito
do cálculo da contribuição máxima, respeitada a tabela progressiva.

Os agentes ou trabalhadores autônomos e os profissionais liberais,


organizados em firma ou empresa, com capital social registrado, recolherão a
contribuição sindical de acordo com a tabela progressiva.

As entidades ou instituições que não estejam obrigadas ao registro


de capital social, consideração, como capital, para efeito do cálculo de que trata a
tabela progressiva, o valor resultante da aplicação do percentual de 40% (quarenta
por cento) sobre o movimento econômico registrado no exercício imediatamente
anterior, do que darão conhecimento à respectiva entidade sindical ou à Delegacia
Regional do Trabalho, observados os limites estabelecidos no § 3º, do artigo 580.
Para esse fim, as empresas atribuirão parte do respectivo capital às suas sucursais,
filiais ou agências, desde que localizadas fora da base territorial da entidade sindical
representativa da atividade econômica do estabelecimento principal, na proporção
das correspondentes operações econômicas, fazendo a devida comunicação às
Delegacias Regionais do Trabalho, conforme a localidade da sede da empresa,
sucursais, filiais ou agências.

22
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

Quando a empresa realizar diversas atividades econômicas, sem


que nenhuma delas seja preponderante, cada uma dessas atividades será
incorporada à respectiva categoria econômica, sendo a contribuição sindical devida
à entidade sindical representativa da mesma categoria, procedendo-se, em relação
às correspondentes sucursais, agências ou filiais. Entende-se por atividade
preponderante a que caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo final,
para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente, em
regime de conexão funcional.

1.3 RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SINDICAL.

Os empregadores são obrigados a descontar, da folha de


pagamento de seus empregados relativa ao mês de março de cada ano, a
contribuição sindical por eles devida aos respectivos sindicatos.

O recolhimento da contribuição sindical referente aos empregados e


trabalhadores avulsos será efetuado no mês de abril de cada ano e o recolhimento
relativo aos agentes ou trabalhadores autônomos e profissionais liberais realizar-se-
á no mês de fevereiro.

O recolhimento obedecerá ao sistema de guias, de acordo com as


instruções expedidas pelo Ministro do Trabalho e Emprego.

O comprovante de depósito da contribuição sindical será remetido


ao respectivo sindicato; na falta deste, à correspondente entidade sindical de grau
superior, e, se for o caso, ao Ministério do Trabalho.

Servirá de base para o pagamento da contribuição sindical, pelos


agentes ou trabalhadores autônomos e profissionais liberais, a lista de contribuintes
organizada pelos respectivos sindicatos e, na falta destes, pelas federações ou
confederações coordenadoras da categoria.

Os profissionais liberais poderão optar pelo pagamento da


contribuição sindical unicamente à entidade sindical representativa da respectiva
profissão, desde que a exerça, efetivamente, na firma ou empresa e como tal sejam
nelas registrados.

À vista da manifestação do contribuinte e da exibição da prova de


quitação da contribuição, dada por Sindicato de profissionais liberais, o empregador
deixará de efetuar, no salário do contribuinte, o desconto a que se refere o Art. 582.

No ato da admissão de qualquer empregado, dele exigirá o


empregador a apresentação da prova de quitação da contribuição sindical. Os
empregados que não estiverem trabalhando no mês destinado ao desconto da
contribuição sindical serão descontados no primeiro mês subseqüente ao do reinício

23
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

do trabalho. De igual forma se procederá com os empregados que forem admitidos


depois daquela data e que não tenham trabalhado anteriormente nem apresentado a
respectiva quitação.

A contribuição sindical será recolhida à Caixa Econômica Federal,


ao Banco do Brasil S.A. ou aos estabelecimentos bancários nacionais integrantes do
sistema de arrecadação dos tributos federais, os quais, de acordo com instruções
expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, repassarão à Caixa Econômica
Federal as importâncias arrecadadas. Integrarão a rede arrecadadora as Caixas
Econômicas Estaduais, nas localidades onde não haja BB ou CEF.

Tratando-se de empregador, agentes ou trabalhadores autônomos


ou profissionais liberais o recolhimento será efetuado pelos próprios, diretamente ao
estabelecimento arrecadador.

A contribuição sindical devida pelos empregados e trabalhadores


avulsos será recolhida pelo empregador e pelo sindicato, respectivamente.

O recolhimento do imposto sindical pelos agentes ou trabalhadores


autônomos e profissionais liberais realizar-se-á no mês de fevereiro de cada ano na
forma do disposto no presente capítulo.

O recolhimento obedecerá ao sistema de guias de acordo com as


instruções expedidas pela MTE. O comprovante de depósito do imposto sindical,
será remetido aos respectivos sindicatos ou órgãos a que couber.

O recolhimento da contribuição sindical dos empregadores efetuar-


se-á no mês de janeiro de cada ano, ou, para os que venham a estabelecer-se após
aquele mês, na ocasião em que requeiram às repartições o registro ou a licença
para o exercício da respectiva atividade.

A Caixa Econômica Federal manterá conta corrente intitulada


"Depósitos da Arrecadação da Contribuição Sindical", em nome de cada uma das
entidades sindicais beneficiadas, cabendo ao Ministério do Trabalho cientificá-la das
ocorrências pertinentes à vida administrativa dessas entidades.

Os saques na conta "Depósito da Arrecadação da Contribuição


Social far-se-ão mediante ordem bancária ou cheque com as assinaturas conjuntas
do presidente e do tesoureiro da entidade sindical.

A Caixa Econômica Federal remeterá, mensalmente, a cada


entidade sindical, um extrato da respectiva conta corrente.

Da importância da arrecadação da contribuição sindical serão feitos


os seguintes créditos pela Caixa Econômica Federal, na forma das instruções que
forem expedidas pelo Ministro no Trabalho:

24
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

I - 5% (cinco por cento) para a confederação correspondente;

II - 15% (quinze por cento) para a federação;

III - 60% (sessenta por cento) para o sindicato respectivo;

20% (vinte por cento) para a "Conta Especial Emprego e Salário".

As aludidas percentagens serão pagas diretamente pelo Sindicato à


correspondente Federação e por esta à Confederação legalmente reconhecida,
devendo o pagamento ser feito até 30 dias após a data da arrecadação do imposto
sindical.

Não existindo Federação legalmente reconhecida, a percentagem de


20% (vinte por cento) será paga integralmente à Confederação relativa ao mesmo
ramo econômico ou profissional.

Na falta de entidades sindicais de grau superior, os Sindicatos


depositarão a percentagem que àquelas caberia na conta especial a que se refere o
art. 590.

Não existindo confederação, o percentual caberá à federação


representativa do grupo.

Na falta de federação, o percentual a ela destinado caberá à


confederação correspondente à mesma categoria econômica ou profissional.

Na falta de entidades sindicais de grau superior, o percentual que


àquelas caberia será destinado à "Conta Especial Emprego e Salário".

Não havendo sindicato, nem entidade sindical de grau superior, a


contribuição sindical será creditada, integralmente, à "Conta Especial Emprego e
Salário".

Não existindo sindicato, o percentual previsto no item III do artigo


589 será creditado à federação correspondente à mesma categoria econômica ou
profissional.

Na hipótese prevista neste artigo, caberão à confederação os


percentuais previstos nos itens I e II do artigo 589.

Não existindo sindicato, o percentual previsto no item III do artigo


589 será creditado à federação correspondente à mesma categoria econômica ou
profissional.

25
DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

1.4 DAS PENALIDADES

O recolhimento da contribuição sindical efetuado fora do prazo,


quando espontâneo será acrescido da multa de 10% (dez por cento), nos trinta
primeiros dias, com o adicional de 2% (dois por cento) por mês subseqüente de
atraso, além de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês e correção monetária,
ficando, nesse caso, o infrator, isento de outra penalidade.

O montante das cominações reverterá sucessivamente: ao sindicato


respectivo; à federação respectiva, na ausência de sindicato; à confederação
respectiva, quando inexistir federação.

Os empregadores são obrigados a prestar aos encarregados da


fiscalização os esclarecimentos necessários ao desempenho de sua missão e a
exibir-lhes, quando exigidos, na parte relativa ao pagamento de empregados, os
seus livros, folhas de pagamento e outros documentos comprobatórios desses
pagamentos, sob pena da multa cabível.

Os agentes ou trabalhadores autônomos ou profissionais liberais são


obrigados a prestar aos encarregados da fiscalização os esclarecimentos que lhes
forem solicitados, inclusive exibição de quitação da contribuição sindical.

As entidades sindicais são obrigadas a promover a publicação de


editais concernentes ao recolhimento da contribuição sindical, durante 3 (três) dias,
nos jornais de maior circulação local e até 10 (dez) dias da data fixada para depósito
bancário.

Às entidades sindicais cabe, em caso de falta de pagamento da


contribuição sindical, promover a respectiva cobrança judicial, mediante ação
executiva, valendo como título de dívida certidão expedida do Ministério do Trabalho
e Previdência Social.

Para os fins da cobrança judicial da contribuição sindical são


extensivos às entidades sindicais, com exceção do foro especial, os privilégios da
Fazenda Pública para a cobrança da dívida ativa.

São consideradas como documento essencial ao comparecimento


às concorrências públicas ou administrativas e para o fornecimento às repartições
paraestatais ou autárquicas a prova da quitação da respectiva contribuição sindical e
a de recolhimento da contribuição sindical, descontada dos respectivos empregados.

As repartições federais, estaduais ou municipais não concederão


registro ou licenças para funcionamento ou renovação de atividades aos
estabelecimentos de empregadores e aos escritórios ou congêneres dos agentes ou
trabalhadores autônomos e profissionais liberais, nem concederão alvarás de licença

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DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

ou localização, sem que sejam exibidas as provas de quitação da contribuição


sindical, na forma do artigo anterior.

A não-observância dessas exigências acarretará, de pleno direito, a


nulidade dos atos nele referidos, bem como dos mencionados no Art. 607.

2 - CONTRIBUIÇÃO “CONFEDERATIVA”.

C.F. Art. 8º...


IV - A assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando
de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema
confederativo da representação sindical respectiva, independente da contribuição
prevista em lei;

É a contribuição fixada pela assembléia geral e destinada ao


custeio do sistema confederativo da representação da respectiva categoria, deverá
ser rateada entre os órgãos dos vários graus da organização sindical.

OBS: A contribuição confederativa somente é devida aos


associados do sindicato. Ver Precedentes 119 TST

3 - CONTRIBUIÇÃO ASSOCIATIVA OU MENSALIDADE SINDICAL.

É livre a associação sindical no sentido de que cada trabalhador


ou empresa pode associar-se, ou não, a sindicato. Se a filiação à entidade sindical
decorre da circunstância de pertencer à categoria profissional ou econômica, esta
mensalidade é a paga pelos sócios, conforme disposição do estatuto de cada
entidade.

4 - CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL – FORTALECIMENTO SINDICAL.

É a contribuição, estabelecida em convenções coletivas, acordos


coletivos ou em sentenças normativas, para o custeio de atividades assistenciais dos
Sindicatos, as colônias de férias, ambulatórios, hospitais e obras semelhantes.

A contribuição assistencial é compulsória apenas para os


associados do sindicato, que deve cumprir as deliberações das assembléias de sua
entidade, e não para todos os integrantes da categoria. A não ser assim, a liberdade
individual de filiar-se ou não a sindicato seria violada por via oblíqua, pois o não
associado sofreria as consequências das mesmas obrigações impostas aos
associados. Ele estaria sendo tratado como se associado ao sindicado fosse.

“Outra fonte de receita dos sindicatos é o desconto ou taxa


assistencial. Trata-se de uma quantia fixada por ocasião do início da vigência de
uma convenção coletiva de trabalho ou sentença normativa da categoria, em
decorrência das vantagens, especialmente salariais, obtidas pelo sindicato através

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DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

desse instrumento. Não há fundamento legal expresso para esse pagamento.


Portanto baseia-se nas referidas normas coletivas, cujo efeitos são, como é sabido,
normativos”15

Precedente Normativo do TST sobre o tema:


119 - “Contribuições Sindicais – Inobservância de preceitos constitucionais. A
Constituição da República, em seus arts. 5° XX e 8°, V, assegura o direito de livre associação e
sindicalização. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo, convenção
coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição em favor de entidade sindical a título de
taxa para custeio de sistema confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento sindical e
outras da mesma espécie, obrigando trabalhadores não sindicalizados. Sendo nulas as estipulações
que inobservem tal restrição, tornam-se passíveis de devolução os valores irregularmente
descontados.”

5. DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO EM FAVOR DO SINDICATO.

No caso de descontos nos salários em favor dos sindicatos, não


se aplica a regra do artigo 462, pois há regra específica para essa situação - artigo
545, ambos da CLT.

6. DA GESTÃO FINANCEIRA DO SINDICATO E SUA FISCALIZAÇÃO.

A receita dos sindicatos, das federações e confederações só poderá


ter aplicação na forma prevista nos respectivos orçamentos anuais, obedecidas às
disposições estabelecidas na lei e nos seus estatutos.

Para alienação, locação ou aquisição de bens imóveis, ficam as


entidades sindicais obrigadas a realizar avaliação prévia pela Caixa Econômica
Federal ou por qualquer outra organização legalmente habilitada a tal fim.

Os bens imóveis das entidades sindicais não serão alienados sem a


prévia autorização das respectivas assembléias gerais, reunidas com a presença da
maioria absoluta dos associados com direito a voto ou dos Conselhos de
Representantes com a maioria absoluta dos seus membros. Caso não seja obtido o
quorum, a matéria poderá ser decidida em nova assembléia geral, reunida com
qualquer número de associados com direito a voto após o transcurso de 10 (dez)
dias da primeira convocação. A decisão somente terá validade se adotada pelo
mínimo de 2/3 (dois terços) dos presentes, em escrutínio secreto.

A venda do imóvel será efetuada pela diretoria da entidade, após a


decisão da Assembléia Geral ou do Conselho de Representantes, mediante
concorrência pública, com edital publicado no Diário Oficial da União e na imprensa
diária, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias da data de sua realização.

15
MASCARO NASCIMENTO, Amauri; Direito Sindical, 2ª ed. Rev. e ampl, São Paulo:Editora
Saraiva, 1991, p.

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DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

Os recursos destinados ao pagamento, total ou parcelado, dos bens


imóveis adquiridos serão consignados, obrigatoriamente, nos orçamentos anuais das
entidades sindicais.

Os orçamentos das entidades sindicais serão aprovados, em


escrutínio secreto, pelas respectivas Assembléias Gerais ou Conselho de
Representantes, até 30 (trinta) dias antes do inicio do exercício financeiro a que se
referem, e conterão a discriminação da receita e da despesa.

Os atos que importem em malversação ou dilapidação do patrimônio


das associações ou entidades sindicais ficam equiparados ao crime de peculato,
julgado e punido na conformidade da legislação penal.

Às entidades sindicais, sendo-lhes peculiar e essencial a atribuição


representativa e coordenadora das correspondentes categorias ou profissões, é
vedado, direta ou indiretamente, o exercício de atividade econômica.

JURISPRUDÊNCIA.

Contribuição Assistencial - A Turma entendeu que é legítima a cobrança de


contribuição assistencial imposta aos empregados indistintamente em favor do
sindicato, prevista em convenção coletiva de trabalho, estando os não sindicalizados
compelidos a satisfazer a mencionada contribuição. RE 189.960-SP, rel. Min. Marco
Aurélio. 7.11.2000. (Informativo STF n.º 210 - Brasília, 13 a 17 de novembro de
2000)

RE N. 264.431-MG
RED. P/ O ACÓRDÃO: MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRABALHISTA. CONTRIBUIÇÃO
CONFEDERATIVA. DESCONTO INCIDENTE NA FOLHA DE PAGAMENTO DOS
NÃO FILIADOS À ENTIDADE SINDICAL. IMPOSSIBILIDADE. Apesar de ser auto-
aplicável o artigo 8º, inciso IV, da Constituição Federal, a contribuição confederativa
somente é devida pelos filiados da entidade de representação profissional. Recurso
extraordinário não conhecido. (Informativo STF n.º 206 - Brasília, 9 a 13 de
outubro de 2000)

RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 191.479-3


RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Recurso extraordinário. Sindicato. Desdobramento. Admissibilidade sem
afronta ao artigo 8º, II, da Constituição. - Ambas as Turmas desta Corte, em casos
análogos ao presente, já firmaram o entendimento que assim vem sintetizado,
respectivamente nas ementas dos RREE 227.642 (Primeira Turma) e 153.534
(Segunda Turma): "Os princípios da unicidade e da autonomia sindical não obstam a
definição, pela categoria respectiva, e o conseqüente desdobramento de área com a
criação de novo sindicato, independentemente de aquiescência do anteriormente
instituído, desde que não resulte, para algum deles, espaço inferior ao território de

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DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

um Município (Constituição Federal, art. 8º, II)"; e "CONSTITUCIONAL. TRABALHO.


SINDICATO: CRIAÇÃO: DESMEMBRAMENTO. C.F., ART. 8º, II.
I - Aos trabalhadores de um certo município, que integram sindicato que tem sede
em outro município, mas cuja base territorial abrange aquele município, é
assegurado o direito de, em assembléia, criar sindicato de sua categoria, com base
territorial no seu município, assim desmembrando-se do sindicato que tem sede no
outro município. Inteligência do disposto no art. 8º e seu inciso II, da C.F.
II - R.E. não conhecido". - Tratando-se, como se trata, no caso, de desdobramento
(do sindicato antigo de base territorial maior foi subtraída a categoria sediada em
base territorial menor), o acórdão recorrido não divergiu da orientação desta Corte.
Recurso extraordinário não conhecido. (INFORMATIVO 170 – Brasília, 08 a 12 de
novembro de 1999)

RE N. 202.097-SP
Relator: Min. Ilmar Galvão
EMENTA: REPRESENTAÇÃO SINDICAL. TRABALHADORES EM POSTOS DE
SERVIÇO DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS DE PETRÓLEO ("FRENTISTAS").
ORGANIZAÇÃO EM ENTIDADE PRÓPRIA, DESMEMBRADA DA
REPRESENTATIVA DA CATEGORIA DOS TRABALHADORES NO COMÉRCIO DE
MINÉRIOS E DERIVADOS DE PETRÓLEO. ALEGADA OFENSA AO PRINCÍPIO
DA UNICIDADE SINDICAL.
Improcedência da alegação, posto que a novel entidade representa categoria
específica que, até então, se achava englobada pela dos empregados congregados
nos sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de
Minérios e Derivados de Petróleo, hipótese em que o desmembramento,
contrariamente ao sustentado no acórdão recorrido, constituía a vocação natural de
cada classe de empregados, de per si, havendo sido exercida pelos "frentistas", no
exercício da liberdade sindical consagrada no art. 8.º, II, da Constituição. Recurso
conhecido e provido. (INFORMATIVO STF N.º 196 - BRASÍLIA, 09 DE AGOSTO
DE 2000)
* noticiado no Informativo 189.

PRIMEIRA TURMA
Princípio da Unicidade Sindical e Federação -Não ofende o princípio da unicidade
sindical (CF, art. 8º, II: "é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em
qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma
base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores
interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;") a criação na
mesma base territorial de federação específica, por desmembramento da federação
preexistente, genérica. Com esse entendimento, a Turma deu provimento a recurso
extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo, para reconhecer a legitimidade da criação da Federação Nacional dos
Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo,
representativa da categoria dos "frentistas", a partir do desmembramento da
Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo,
tendo em vista não haver, na espécie, uma categoria única de trabalhadores

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DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

envolvidos. RE 202.097-SP, rel. Min. Ilmar Galvão, 16.5.2000. (RE-202097)


(INFORMATIVO STF N.º 189 - Brasília, 24 de maio de 2000) INFORMATIVO STF
N.º 189 - Brasília, 24 de maio de 2000.

Registro de Sindicato: Efeito Retroativo .


Não ofende o art. 8º, I, da CF ("É livre a associação profissional ou sindical,
observado o seguinte: I – a lei não poderá exigir autorização do Estado para a
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente,..."), a decisão do
TST que reconhecera o direito à estabilidade provisória de membros da diretoria de
sindicato recém-fundado, cujo pedido de registro perante o Ministério do Trabalho
ocorrera dentro do prazo de aviso prévio de seus diretores. Considerou-se que uma
vez deferido o registro do sindicato, sua eficácia retroage à data do pedido para
efeito da garantia da estabilidade provisória no emprego [CLT, art. 453, § 3º: "Fica
vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado a partir do momento
do registro de sua candidatura a cargo de representação de entidade sindical ou
de associação profissional, até 1(um) ano após o final do seu mandato, ..."]. RE
205.107-MG, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 6.8.98. (Informativo STF n.º 117)

Recurso Extraordinário n° 189.960-3 - São Paulo


Relator: Ministro Marco Aurélio
Recte. Sindicato dos Empregados em estabelecimentos Bancários de São
Paulo
Recdo. Marta Domingues Fernandes e outros.
EMENTA: CONTRIBUIÇÃO. CONVENÇÃO COLETIVA. A contribuição prevista
em convenção coletiva, fruto do disposto no artigo 513, "e", da Constituição
Federal, é devida por todos os integrantes da categoria profissional, não se
confundindo com aquela versada na primeira parte do inciso IV do artigo 8° da
Carta da República.
Publicado do DJU n° 142-E de 10/08/2001, seção I, p.18.

REGISTRO DE SINDICATO: EFEITO RETROATIVO – Não ofende o art. 8º, I, da CF (“É livre a
associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I – a lei não poderá exigir autorização do
Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente,...”), a decisão do
TST que reconhecera o direito à estabilidade provisória de membros da diretoria de sindicato recém-
fundado, cujo pedido de registro perante o Ministério do Trabalho ocorrera dentro do prazo de aviso
prévio de seus diretores. Considerou-se que uma vez deferido o registro do sindicato, sua eficácia
retroage à data do pedido para efeito da garantia da estabilidade provisória no emprego [CLT, art.
453, §3º: “Dica vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado a partir do momento do
registro de sua candidatura a cargo de representação de entidade sindical ou de associação
profissional, até 1(um) ano após o final do seu mandato, ...”]. (RE 205.407-MG, Rel. Min. Sepúlveda
Pertence, 6.8.98 – Informativo STF nº 1117).
DT II Unidade 11

SINDICATO
Enquadramento

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DIREITO DO TRABALHO RESUMIDO - EDSON B RAZ DA SILVA
Vol. 2

EMENTA: Enquadramento sindical – Grupo econômico – Dupla


atividade econômica. O enquadramento sindical, como regra, decorre da
atividade econômica preponderante desenvolvida pelo empregador,
excepcionadas as categorias profissionais diferenciadas. Todavia, se em
virtude da presença de grupo econômico as atividades empresariais se
desdobram em vários ramos (agroindustrial, indústria e comércio, etc.),
o enquadramento sindical deve levar em conta as atividades
profissionais que efetivamente prevaleçam no dia-a-dia do empregado,
no caso, rural. Inteligência dos arts. 2º e 3º da Lei nº 5.889/73). (TRT –
9ª R – 2ª T – Ac. nº 17205/97 – Rel. Juiz Arnor Lima Neto – DJPR
04.07.97 – pág. 193) DT II unidade 11

Obs: face à exigüidade do tempo, recomendamos o estudo dos art. 511 a 610, da
CLT, devendo ser considerado, nesse estudo, que o art. 8° da C.F/88 preconiza a
liberdade sindical. Estando, portanto, diversos artigos da CLT incompatíveis com o
comando emergente da Carta Magna. Também recomendamos a leitura da obra
Curso de Direito do Trabalho, de Orlando Gomes e Elson Gottschalk, 14ª ed. p.
519/593, bem como Direito Sindical e Coletivo do Trabalho, de José Augusto
Rodrigues Pinto – São Paulo: LTr. 1998.

VERSÃO 14/10/02

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