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Respeitável Loja São Miguel nº17 À G:.D:.G:.A:.D:.U:.

Prancha do I*Orador À G:.D:.N:.S:.M:.J:.C:.


Sessão de Trabalhos em 01OUT6007
Muito Respeitável Grão Mestre,
Venerável Mestre,
Meus B:.AA:.II:. em Qualquer Grau ou Qualidade:

Ao assumir, por plenitude de Juramento, as funções rituais e operativas de I*Orador nesta


R:.L:., não posso deixar de fazer menção ao teor adulterado e quase laico-profano do Juramento
do Venerável Mestre, bem como a fraselogia evocativa e própria de outros Ritos, especificando
a origem «obscura» da palavra Houzzai que alguns entendem por Hosanna, embora longe de ser
tomada por El-Schaddai, neste caso geral, ancestral e talvez imprópria de citação de aclamação
no R.E-R., neste Cerimonial da sua Instalação, em Sessão de Trabalhos anterior. Instabilizar o
plano astral, em Cerimonial, não se justifica por aprovações do plano material, sob pena de se
violar o mais sagrado da Regularidade e da Gnose Cristã: o que está em Cima é como o que está
em Baixo. Permitam-me partilhar convosco o seguinte historial, sem prejuízo de melhor o
investigarem, como o fizeram as R:.L:. de Inglaterra (Quatuor Coronati nº 2076) e de França
(Villard de Honnecourt nº81), para que se medite se queremos continuar a ser um Regime
Escocês Rectificado, uma Mensagem de raiz cristã. È função do I* Orador explicitar:

Tinha por missão astral Jean-Baptiste Willermoz, com o inicial apoio dos Mestres, não os
Eleitos ou Desconhecidos, mas os infelizmente não Reconhecidos, levantar um Regime de
União e Gnose Cristã, no seio da Franco-Maçonaria, a qual cada vez mais se enredava nas lutas
políticas por sucessões e quedas de Reinos, em mitos e fabulações de Iluminados, em Estritas
Observãncias Germânicas que de Templárias nada tinham, num cenário de lirismo de
fraternidade universal e de lutas religiosas abraçadas pelos Irmãos, que mais pareciam de novo
as guerras entre Ordens geradas em Jerusalém ou entre Guelfes e Gibelins, mais tarde activadas
pela Guerra dos Cem Anos, com os Templários de Inglaterra a combater em França.

Levantada tal tarefa, cedo se apercebia a Franco-Maçonaria do séc. XVIII que um Regime
contrário à sua política, aos seus Altos Graus já ocupados e instalados e aos interesses de
Ordens, Reis e Nobreza, numa Europa em luta com a Igreja de Roma, teria de ser extinto,
situação que se agravou com a Revolução Francesa. Toda a obra de Théodore Tshoudy, Barão
de origens familiares suiças (1720-1769) nos traduz o que era e o que viria a ser até finais do
séc. XIX, em França, como em Portugal, um maçonaaria ferozmente anticlerical, ora retirando
Deus do seu Arquétipo, ora reformulando o simbolismo de Graus para Estandartes de Vingança.
Mesmo no seio do que podiamos dizer da Regularidade, Ilustres Irmãos como Saltzmann ou

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Turckheim queriam desfigurar todo o sistema rectificado, havendo correspondência com
Willermoz nesta polémica. Morriam as quimeras do Duque de Brunsmick (1721-1792) e as
esperanças de Joseph de Maistre (1753-1821) num cristianismo transcendental, antes composto
com os contributos de Martines de Pasqually e de Louis-Claude Saint-Martin. Mas se tudo
parecia esvair-se, os Mestres não Reconhecidos tanto motivaram Nicolai Novikoff (1744-1818)
a levar esta Mensagem à Rússia de Catarina (idem a de Ribeiro Sanches), como a deixaram
perpétua na França e na Suiça, para ressurgir em 1913, uma metamorfose da Cavalaria Essénia
ou do Templo de Petra, dos Mistérios de Mitra aos Segredos dos Magos, também presentes na
Gruta de Belém.

Mas, por paradoxo, seria mais Willermoz a fazer implodir a Reforma de Lyon pois transformou
o Regime Escocês Rectificado num brinquedo seu, sem consolidação e soluções de
continuidade, afastando, nos planos astrais e materiais, quaisquer adesões ou atracções de
espiritualidade. Cercada Lyon sob o comando de Maçons, como Kellerman, as tropas da
Convenção fariam fugir o R.E.R., escapando Willermoz durante o Terror mas vitimando antes o
seu mais fiel seguidor Henrie de Virieu, caindo na guilhotina seu irmão Antoine a 28 de
novembro de 1793. Após a Revolução Francesa Willermoz apenas dava Iniciação aos seus dois
fiéis que o acompanhariam até à morte: seu sobrinho Jean Baptiste por necessidade de
acompanhamento e escrita; Joseph-Antoine Pont, depositário dos seus arquivos, posteriormente
publicados por exaltdos Professos e Cavaleiros de Cristo que nem sequer sabiam ver o que liam.

Quando um Iniciado como Willermoz, dedicado à sua maneira à Franco-Maçonaria, se vê na


contigência de tarde casar (65 anos) com uma jovem (24 anos) para que seus filhos
assegurassem um Regime que muitos o ajudadaram a criar, cabe perguntar se apenaas ele terá
falhado ou se todos os que o tinham rodeado apenas o não terão adulado, suportado e
alimentado por nele mais não verem que um místico sem apoio. Infeliz com a sua família, viuvo
e sem filhos, sente-se algo de penoso quando se vê o seu principal legado estar agregado, na
biblioteca do Grande Oriente da Holanda, em Haia, com os seguintes dizeres (julgo tradução
livre): Instrução secreta e particular a meu filho, para lhe ser comunicada quando atingir a
idade de perfeita maturidade e caso venha a demonstrar ser digno de recebê-la.

Quando Jean Baptiste Willermoz (1730-1824) está no seu ocaso de Vida, talvez visualizando o
materialismo do seu tempo, escreve, pela mão de seu sobrinho, a um dos últimos Amigos,
Charles de Hesse:...desde cerca de sete ou oito anos não havia podido se ocupar de nada, e que
não acreditava que restasse ninguém da antiga província de Auvernia que estivesse interessado
pelos segredos da verdadeira Maçonaria. Corrigindo Rituais e ministrando Cursos de Maçonaria
de 1801 a 1810, com uma actividade de Benfeitor, o R.E.R. só renasceria em 1913.

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Muito Respeitável Grão-Mestre,
Venerável Mestre,
Meus Bem Amados Irmãos Mestres, Companheiros e Aprendizes:

Há quase 10 anos, em Gressy, na França, Irmãos de alguns países onde o R.E.R. está
implantado traçaram dificuldades, preconizaram soluções de continuidade e de acção, mas o
mais relevante dito e escrito foi: Exister ensemble pour exister chacun.
Uma Ordem Iniciática que o é tem a maior vulnerabilidade de todas as Instituições da
Humanidade: o ataque aos seus fins, vindo do seu interior. Não constitui segredo actual que
alguns dos nossos Irmãos já preconizaram para o R.E.R. na Grande Loja Regular de Portugal o
que Turckheim ou Schroeder defendiam ao seu tempo. Quando necessário, sem medo,
denunciarei funções lideradas por tal acção, mais do julgar porque os Irmãos as tomam, já que
uns jamais se desprenderam das ideologias dos partidos onde militaram e outros, por ignorância
ou por medo, se acomodam a verdades e decisões democráticas que de iniciáticas nada têm. Por
vezes é mais fácil querer-se silenciar que ouvir, afastar que esclarecer e disso tem tantos
exemplos a Franco Maçonaria que hoje vos relembro apenas duas figuras: a de Oswald Wirth
(1865-1943) por alimentar a critica e Jean-Francois Var por clarificar melhor o R.E.R..

Alguém procurava, há algum tempo, uma Loja que tivesse poder!. A ilusão do que somos
perante a Sociedade não deixa de ter raizes na História, tantas vezes pelo lado mais negativo e
especulado por canais de informação. Mas o que a História da Franco Maçonaria nos diz é que
todas as correntes antimaçónicas partiram do seu seio. Como se sentiria um Irmão que viesse a
saber que que as suas reuniões eram gravadas sem consentimento por Irmãos apoiantes?. Como
se sentiria um Irmão ao saber que Associações a si estranhas tentam controlar, com o apoio de
outros Irmãos, o ideal iniciático que o atraiu para se aperfeiçoar?. Como se sentem os Irmãos
que vêem em funções à sua volta apenas um carreirismo de ilusão e de jogos de cintura, tantas
vezes urdidos por medos de verdades que se escondem?.

Três exemplos bem estudados pela Franco Maçonaria, já distantes no tempo, nos devem fazer
meditar, justificando muito do que foi a proliferação de Obediências e Dissidências Maçónicas
em Portugal no séc. XIX. Vejamos:
● Depressa se extinguiram os Grão-Mestres plebeus na Grande Loja fundada em Londres a 24
de Junho de 1717. Anthony Sayer (1672-1742), seu pioneiro, escorraçado por outros valores,
viveu até à sua morte por caridade dos Antigos.
● Waldeck-Rosseau (1846-1904), Primeiro Ministro de França legislava também de acordo com
os desejos do Grande Oriente, onde advogados, como Louis Amiable (1837-1897) censuravam,
por cartas ou missivas orais aos VM*, vozes de livre pensamento e dedicação dentro do GOF.

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● Talvez por vergonha, nunca investigámos e publicámos os autos da Inquisição de Lisboa
sobre Maçons nacionais e estrangeiros, mas foi positivo o inglês Waldorf ter pesquisado o
Processo John Coustos (meados séc XVIII) e feito a sua publicação, em 1955, no Ars Quatuor
Coronatorum, volume LXVI.

A nossa credibilidade e força moral atrairá de início alguns, mas afastar-se-ão muitos mais ao
nada mais sentirem e que nos estamos a tornar num Clube de Serviços e mesmo assim de parcos
recursos, onde o desleixo que vêem no cumprimento dos deveres materiais, na avidez com que
se prestam serviços para serem pagos como profissões, sem espírito de dádiva mas com desejo
de condecorações e lustrantes Aventais, não augura futuro de melhores Iniciações.

Termino, não com minhas palavras, tão-somente com o que preocupa os Iniciados, e por não
serem portugueses arrolo excertos do que disserem em língua francesa:
Dans un Ordre Initiatique, le role du parrin est fondamental. Ce n’est pas un agent
recruteur...En particulier, alors que le Régime Rectifié est considéré par certains comme
«sectaire», il y a nécessité d’expliquer sa spécificité, d’approfondir l’esprit du Rite (en
particulier la notion de Temple intérieur)...En effect, la Franc-Maçonnerie contemporaine est, à
l’image du monde contemporain, en proie à la dégénérescense: marquée par la superstition de
la quantité (le «règne de la quantité»), l’utilitarisme et le laicisme...

Muito Respeitável Grão-Mestre,


Venerável Mestre,
Meus Bem Amados Irmãos em Qualquer Grau ou Qualidade:

Manter-me-ei fiel à minha missão e às funções que me vão confiando, apesar de muitas vezes
sabotadas, por razões que outro nome não podem ter senão de ignorância iniciática e medo de se
assustarem papões relatados na Bíblia no Livro de Qohelet. Não gostei do que ouvi na última
Assembleia de Grande Loja, mas finalmente se disse que por vezes o rei vai nú.Talvez dizendo
o historial dos tecelões que vestiram o Rei se perceba a origem dos males. O R.E.R. já chegou
ao desleixo, na R:.L:. V Império, de não dar prontidão a uma Cerimónia de Instalação!. Onde
estiveram e onde estão os tecelões, tanto Grandes Inspectores e Grandes Oficiais do R.E.R.,
oriundos ou não desta R:.L:. que a minaram em Autoridade e Assiduidade?. Constituiram-se
novas R:.L:. no R.E.R. por birra, por se fingir que se expande, mas não há quoruns para todas.

A psicose da revisão dos Rituais no R.E.R. é outro Rei Nú. Ainda não ouvi ser necessário neles
rever a sua Instrução. Porquê?. Só admito que alguém esteja habilitado a rever Rituais se os já
consultou nas suas origens de arquivo ou em documentos universalmente aceites, ou se pelo

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menos sabem a especificidade dual ritual-instrução na sua projecção invisível. Então o que têm
feito os Irmãos Tecelões?. Escrevinham anotações nos Rituais, passam a limpo e inventam. Será
que a breve prazo cada país, praticando o mesmo Rito terá diferentes Rituais?. As Convenções
já não existem na Franco-Maçonaria e a nível do R.E.R.?.

Por último, fiquei surpreso pele segurança da informação maçónica. Os Tecelões do ouro e da
prata que têm vestido o Rei, tecem intrigas, jogos de poder, ajustamentos de apostas de Cargos e
em Cargos, tudo tendo degenerado até hoje no diz que diz, nos rótulos dos Irmãos e pasme-se no
deixa estar, mas não agites. Ao princípio ainda o SIS tinha Irmãos no R.E.R. como que
conspiração contra o Estado daqui surgisse, sendo jurada hoje que não. Depois, com a internet,
porque era brinquedo e glória para alguns, incentivou-se tal meio para nos projectarmos,
esquecendo-se toda uma série de regras que os militares bem conhecem. Talvez hoje a internet
seja a forma menos segura de vincular informação que seja relevante. O que é relevante é
termos coragem de escrever, assinar e debater ideias, sem punhais pelas costas. Se muitos
escrevessem o que pensam e dizem encobertos, fizessem relatórios das suas presenças em
locais de representatividade maçónica em vez de só passearem, compilassem amiúde
informação, talvez houvesse historial documental em vez de serem necessários escribas da
memória que nem a História Maçónica aceita, quando muito diz, segundo ... de que se sabe ter
sido...de que se duvida tenha tomado parte...etc,...não se conhece Loja de Iniciação...

Também ouvi dizer mal do eterno virus das quotizações, mas tantos são os atropelos ao que se
encontra estipulado e deve ser exemplo descendente que quase já me esquecia de dizer que foi
uma vergonha ver a minha R:.L:. São Miguel ser chamada de caloteira. Inventar novas formas
de pagamento é uma vez mais dizer que para nada servem os Grandes Inspectores, os
Veneráveis Mestres de fornadas em fornadas de Instalações e uns Tesoureiros que são
escolhidos por castigo e sem força para cobrar, amedrontados tantas vezes pelos Grandes
Colares de Cargos, havendo mesmo destes Irmãos que se recusam a pagar tão abaixo.

Estou certo que algo terá de ser feito para que não se vá desfigurando o R.E.R., a menos que
explicitamente se diga que se deseja extingui-lo, mais honesto estrategicamente que a sua lenta
asfixia ao longo dos últimos anos, plena de abandonos que só a Casa do Sino não justifica.

Podem não nos procurar como Loja de Poder mas estou certo que nunca dirão de nós Loja de
Esconder. Que também a Balança de São Miguel nos Guie. Assim seja. Disse.

João Santos Fernandes, I* Orador, M:.M:.