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A INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM MIELOMENIGOCELE NA ESCOLA REGULAR


Thaís Novais e Silva1

RESUMO

A educação inclusiva é um movimento social que, atualmente, traz desafios em que força a estrutura
educacional a buscar elementos que a torne mais justa e democrática assegurando a todos os estudantes,
independente de sua origem sociocultural e da sua evolução psicobiológica, a igualdade de oportunidades
educativas. Neste sentido, o tema referente à inclusão de alunos com NEE refere-se ao amparo de todas as
crianças e jovens com necessidades especiais, cujas necessidades decorrem de sua capacidade, ou
dificuldade de aprendizagem, com igualdade a fim de garantir o direito de freqüentar a rede de ensino
regular indiscriminadamente. A Mielomeningocele constitui uma malformação congênita do sistema nervoso
que ocorre no primeiro mês de gestação e acompanha estes indivíduos com esta necessidade especial.
Este trabalho foi realizado a partir de uma pesquisa bibliográfica de caráter descritivo pesquisa, tendo como
objetivo descrever e analisar os aspectos da trajetória da escolarização de crianças com lesão medular por
Mielomeningocele, analisando as propostas de implantação da política de Educação inclusiva na escola
regular, com base na evolução das políticas educacionais Brasileiras. Assim, após este estudo, pode-se
perceber que a partir do momento em que a escola considere todas as dificuldades de cada um, pode-se
trabalhar valorizando as habilidades de cada aluno, praticando a igualdade em ambiente escolar, a fim de
garantir uma educação inclusiva eficiente para todos, independente do grau de limitação de cada estudante.

Palavras-chave: Inclusão. Alunos com Necessidades Educativas Especiais.


Mielomeningocele.

1 Introdução

A inclusão de estudantes com necessidades educativas especiais pode ser


atualmente considerada um dilema da educação. O referido tema está constantemente
em pauta nos estudos educacionais para que se consiga chegar a uma escola ideal que
acolha a todos, independente de suas limitações.
A inclusão escolar está relacionada à capacidade com que as escolas devem
passar a ter, a fim de educar todas as crianças, jovens e adultos que apresentem
necessidades educativas especial. Esta inclusão implica, por conseguinte, em ampliar o
número de unidades escolares que recebam a todos os estudantes sem distinção ,
independente de suas condições culturais, pessoais ou sociais.
O papel da escola, no processo de integração/inclusão escolar dos alunos com
necessidades educativas especiais, possivelmente venha ampliar nestes alunos as
habilidades essenciais para que este alcance uma maior autonomia, mas também, nas
oportunidades que contribuam com o processo evolutivo deste como pessoa.
As escolas, as quais tomem como eixo norteador a orientação da inclusão,
precisam considerar as diferenças dos estudantes. O processo de inclusão passa a ser
uma possibilidade que abre seu leque para aperfeiçoamento no âmbito educacional e no
bem comum de todos os alunos, participantes no processo educacional.
A acessibilidade deve ser considerada como um primeiro elemento a ser observado
no momento de incluir uma criança especial, principalmente no caso de alunos que
apresentam deficiências físicas ou sensoriais, dentre elas a Mielomeningocele a fim de
que a educação ocorra de maneira efetiva, incluindo todos os alunos de maneira
indiscriminada independente de sua limitação.
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Graduada em Matemática pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, aluna do Curso de
Pós-Graduação em Educação Inclusiva e Especial pela Facinter. Professora da Rede Municipal de Vitória
da Conquista - BA.
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Neste contexto, este trabalho foi realizado a partir de uma pesquisa bibliográfica de
caráter descritivo pesquisa, tendo como objetivo descrever e analisar os aspectos da
trajetória da escolarização de crianças com lesão medular por Mielomeningocele,
analisando as propostas de implantação da política de Educação inclusiva na escola
regular, com base na evolução das políticas educacionais Brasileiras.
Sendo assim, este artigo abordou, em seu desenvolvimento, as trajetórias da
Educação Inclusiva, as Bases legais da educação inclusiva no Brasil, as práticas
pedagógicas em uma escola inclusiva e as dificuldades de aprendizagem em crianças
com Mielomeningocele.

2 Desenvolvimento

2.1 Trajetórias da educação inclusiva

O princípio da inclusão na visão de Mazzillo (2008, p.27) é um processo


educacional que busca atender o indivíduo portador de deficiência na escola no ensino
regular oferecendo-lhe o suporte dos serviços de educação especial por meio de
profissionais habilitados para a Educação Especial. Para que ocorra a inclusão de alunos
com necessidades especiais, é necessário um acompanhamento educacional que lhe
ofereça condições de atingir uma maior capacidade de aprendizagem, pois como nos
informa os PCNs (BRASIL, 1996) os fracassos decorrentes de situações específicas
passam a traduzir-se num fracasso geral, resultando no próprio abandono da escola.
Mazzillo (2008, p.27) aborda que a inclusão não se limita apenas aos alunos
portadores de NEE, mas envolve família, professores e a comunidade em que o indivíduo
está inserido, visando à construção de uma sociedade mais humana.
Santos (2010), afirma que as crianças que apresentam uma determinada
dificuldade no aprender vêm de certa maneira representar um desafio de diagnóstico na
educação, pois os alunos passam por diversas batalhas, estas podem ser externas ou
internas, pois, antes de tudo, a criança admite suas deficiências. No entanto, não é difícil
de encontrar professores, que por ignorância consideram os indivíduos com NEE como
preguiçosos. Esta postura não só qualifica o aluno, mas também, acaba por esconder ou
mascarar a prática docente desenvolvida por estes professores, que conferem a estes
alunos certos adjetivos pejorativos por falta de conhecimento no assunto das NEE.

Deficiências, carências ou diferenças que vão desde comparações e atribuições


valorativas de seus hábitos cotidianos até sua incompetência lingüística. Dessa
forma, percebe-se afetados o campo físico (na inabilidade de utilizar objetos que
ela não conhece, por exemplo), o sócio-afetivo (na inabilidade de se relacionar em
determinados meios) e o campo intelectual (na inabilidade de se comunicar de
forma eficiente ou aprender na escola) (GRIFFO, 2002, p.40).

A partir da análise de Griffo (2002), pode perceber que a Educação Especial


reporta o procedimento advindo do paradigma participação-exclusão no âmbito da ação
desenvolvida na escola.
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2.2 Bases legais da educação inclusiva no Brasil

Na visão de Santos (2010) a legislação que protege a educação brasileira


ampara a educação especial seja centrada em um processo de inclusão que parte da
premissa de apoio às pessoas com necessidades educacionais especiais no intuito de
que estas possam ser incluídas em toda a rede regular de ensino.
Pautada em uma filosofia a qual vislumbra os direitos humanos, a Constituição
Federativa Brasileira de 1988, segundo Carneiro (1997, p. 21) denotou a restauração da
sem medo. Nela, a educação ganhou lugar de altíssima relevância. O país inteiro
despertou para esta causa comum.
De acordo à Constituição de 1988, Carneiro (1997, p. 22) define que:

As emendas populares calçaram a idéia da educação como direito de todos


(direito social) e, portanto, deveria ser universal, gratuita, democrática,
comunitária e de elevado padrão de qualidade. Em síntese, transformadora da
realidade. Para tanto, deveria pautar-se pelos seguintes fundamentos: no titulo VI
– “Da ordem Social” – Art. 208, inciso III: O dever do Estado com a educação será
efetivado mediante a garantia de Atendimento educacional especializado aos
portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

De acordo Prado e Marostega (2010) a preocupação com a inclusão dos


portadores de necessidades especiais intensificou a partir da década de 1980. Mas
conservadores e falsos mitos mantiveram a opressão e violência contra PNEE, são
extintas tornando-se mais forte com a Conferência Mundial sobre Educação para todos
em 1990 e com a Declaração de Salamanca, que anuncia que as escolas regulares
inclusivas constituem um meio mais eficaz de combate de discriminação, junto a estas,
as Leis de políticas públicas. BRASIL (1994)
Prado e Marostega (2010) a Declaração de Salamanca, promulgada junho de
1994, foi realizada a partir do apoio de mensageiros, de 92 países e 25 organizações
internacionais, que se reuniram e realizaram a Conferência mundial de Educação,
conferencia esta que foi patrocinada pelo governo espanhol e pela UNESCO.
A Declaração de Salamanca (BRASIL 1994, p. 9) surgiu do seguinte argumento:

As escolas regulares com orientação para a educação inclusiva são as mais


eficazes no combate às atitudes discriminatórias, propiciando condições para o
desenvolvimento de comunidades integradas, base da construção da sociedade
inclusiva e obtenção de uma real educação para todos. (BRASIL 1994, p 9).

Teve ainda como objetivo fundamental que (BRASIL, 1994, p 11):

A escola inclusiva é o lugar onde todas as crianças devem aprender juntas,


sempre que possível independente de quaisquer dificuldades ou diferenças que
elas possam ter, conhecendo e respondendo às necessidades diversas de seus
alunos. Acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando
uma educação de qualidade e todos através de um currículo apropriado, arranjos
organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso e parcerias com a
comunidade.
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A partir da Declaração de Salamanca, (BRASIL 1994) da qual resultou um


documento elaborado pelas Nações Unidas, intitulado de “Regras Padrões, sobre
Equalização de Oportunidades para Pessoas com Deficiências” veio exigir que os
estados membros assegurassem a educação de pessoas com NEE seja parte
complementar do sistema educacional. Esta premissa serviu para reafirmar o
compromisso com o lema da “Educação para Todos”, pois reconhece a necessidade de
providenciar, uma educação para as crianças, os jovens e os adultos portadores de NEE.
Assim a Declaração de Salamanca (BRASIL,1994, p. 8) proclama que:

Toda criança tem direito fundamental á educação, e deve ser dada a


oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem;Toda criança
possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem
que são únicas; Aquelas com necessidades educacionais especiais devem ter
acesso à escola regular, que } deveria acomodá-los dentro de uma pedagogia
centrada na criança, capaz de satisfazer tais necessidades; Escolas regulares
que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de
combater atitudes discriminatórias, criando-se comunidades mais acolhedoras,
construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além
disso, tais escolas provêem uma educação efetiva à maioria das crianças e
aprimora a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o
sistema.

Na Declaração de Salamanca (BRASIL, 1994) ficou especificado que os


educandos com NEE devem ganhar um apoio complementar a fim de garantir uma
educação efetiva, garantir uma boa relação de solidariedade entre alunos normais e
alunos especiais. Este é um passo importante para a inclusão, pois a Declaração de
Salamanca conveio para auxiliar a encontrar meios a fim de adaptar e receber as
crianças com NEE nas escolas regular de ensino, proporcionando assim que estes sejam
tratados com direitos iguais, assim, resguardando educação com eficiência. Que esse
aluno se integre e socialize com outras crianças, sendo valorizadas como ser humano
com habilidades e competências a desenvolver, sem discriminação na entidade
acolhedora.
Para Fonseca (1995, p. 9) o deficiente é uma pessoa com direitos, que existe
que pensa; que cria e que possui uma limitação corporal ou mental e que em nenhuma
circunstância pode privá-lo de experimentar e de aprender. Ainda para Fonseca (1995,
p. 106) “toda criança pode aprender, nenhuma criança é ineducável”.
Na visão de Carvalho (2007, p.99) a proposta de uma educação inclusiva
necessita ter uma definição de dever e que esse dever precisa ser assumido pelo Estado
e com a parceria de toda a sociedade, tanto no planejar as ações como na administração
da mesma.
Faz-se necessário também que:

O currículo e a avaliação devem ser funcionais, buscando meios úteis e práticos


para favorecer o desenvolvimento das competências sociais, o acesso ao
conhecimento, à cultura e às formas de trabalho valorizadas pela comunidade, e
a inclusão do aluno na sociedade. (BRASÍL, 2007).

Para Brasil (2005), as políticas de educação possuem como meta incluir os alunos
com necessidades educacionais especiais em classes comuns do ensino regular, e isso
exige interação constante entre professor da classe comum e os dos serviços de apoio
pedagógico especializado, o que preocupa alguns educandos não atingirem ou
alcançarem rendimento escolar satisfatório.
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O Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2010) coloca 27 metas para que a


inclusão de crianças com NEE aconteça de maneira eficaz que, de forma sintética tratam
do: desenvolvimento de programa, em todos os municípios que visem a ampliação de
ofertas de atendimento aos PNEE, desde a educação inicial à qualificação profissional; e
a educação continuada de professores em exercício e formação em instituições de
ensino superior.
De acordo Carneiro (1997, p. 157), a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação
– LDB (Lei n 9394/96) aborda nos artigos 58,59 e 60 do Capitulo V, a Educação Especial.

Diferentemente dos textos anteriores da LDB, a nova lei, de número 9.394/96,


dedica um capítulo específico à educação especial, definindo, inclusive, as forma
de organização, estruturadas, preferencialmente, na rede regular de ensino, por
entender que todos devem alcançar a independência social e econômica, bem
como integrar-se plenamente na vida em sociedade (CARNEIRO, 1997, p. 157).

A Lei de Diretrizes e Bases - LDB (Lei n 9.394/96) partiu da premissa de que há


uma enorme distância entre a igualdade de oportunidades e a igualdade social. Na visão
de Carneiro (1997), o inicio do movimento inclusivo propriamente dito teve início no Brasil
por volta dos anos 90, posteriormente à elaboração e aprovação do Estatuto da Criança
e do adolescente (ECA), afirma no capitulo IV, art.53 que a criança e o adolescente têm
direito a educação,no sentido de prepará-lo para o exercício da cidadania e qualificação
para o trabalho.
A mesma lei supracitada afirma no capitulo IV, art.54, inciso III que é dever do
estado oferecer uma educação especializada aos estudantes com de deficiência.
Entretanto quando se aborda o tema inclusão, fica claro que estamos frente a uma
novidade de uma sociedade a qual se configura heterogênea, que não permite, porém,
que apareçam suas diferenças.
No dia 15 de março do ano de 1990 as imputações referentes à Educação
Especial ficaram sob a responsabilidade da Secretaria Nacional de Educação Básica –
SNEB, que, de acordo Mazzotta (2005, p. 59):

Aprovando a estrutura regimental do Ministério da Educação, o Decreto n° 99.678,


de 8 de novembro de 1990, incluiu como órgão da SENEB o Departamento de
Educação Supletiva e Especial - DESE, com competências específicas com
relação à Educação Especial. O Instituto Benjamin Constant e o Instituto Nacional
de Educação de Surdos ficaram vinculados a SENEB, para fins de supervisão
ministerial, mantendo-se como órgãos autônomos.

A partir da análise do texto anterior, pode-se perceber que, em relação ao


acolhimento às pessoas com deficiência no território brasileiro, a Constituição Federal e
demais textos de caráter oficial na União, a procura pela criação de instituições,
gerenciadas pelos próprios pais, dedicadas à educação especial é grande. BRASIL
(2005). Isto acaba sendo uma falácia de importantes grupos de pais permite uma maior
consolidação da almejada parceria existente entre ação do governo e a sociedade civil
(MAZZOTTA, 2005).
Por outro lado, atualmente tem-se feito registros da organização de movimentos e
associações de pessoas portadoras de deficiência, independente do tipo ou grau, onde as
pessoas têm trazido suas penúrias à ciência dos organismos do governo, nos diversos
níveis do organismo social. Com isso, percebe-se que, lentamente, os esforços com a
finalidade de assegurar suas necessidades estão sendo realizados de maneira efetiva.
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Assim, ter ciência acerca da relevância da cooperação das pessoas portadoras de


deficiência na elaboração, recebimento de recursos e execução das obras a eles
destinadas é, sem sombra de dúvidas, um modo de a sociedade se tornar democrática e
garantir uma melhor prática pedagógica em ambiente escolar.

2.3 Práticas pedagógicas em uma escola inclusiva

A inclusão se manifesta a partir do momento em que os responsáveis pela


educação e pelo sistema educacional passem a respeitar as diferenças e a
individualidade de cada pessoa. De certa forma, é um desafio principal lançado pela
legislação pátria no cenário brasileiro e que se encontra à espera de uma resposta
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urgente tanto por parte dos educadores, quanto dos governantes. Mazzotta (2005)
ressalta que, ao criar e disseminar uma política inclusiva se estabelece um desafio na
educação Brasileira. A propósito, o legado de Freire (1996) aponta que o caminho da
mudança está na leitura da realidade, da leitura de mundo de cada pessoa, desde que
esta seja realizada por meio da reflexão da experiência.
É preciso refletir acerca da prática pedagógica de cada professor, visto que este
está inserido em um contexto dinâmico e complexo, pois sua ação, dentro do ambiente
escolar, demanda a criação de estratégias para a resolução de problemas decisão e
outros saberes, criados em seu ambiente laboral. Neste prisma, Schon (1992) relata que
a vivência do professor, nesse contexto dinâmico, oferece a este um amplo conhecimento
em torno das ações pedagógicas, que servirão para nortear a proposta da educação
inclusiva.
Assim, as práticas docentes demonstram que os professores não dão as costas à
realidade em que vivem. Seria oportuno valorizar as suas iniciativas, motivando-os a
prosseguir em busca de alternativas, para que possam lançar mão de instrumentos
didáticos que lhes possibilitariam realizar o desafio proposto por Ferreiro (2002, p.88),
“transformar a diversidade conhecida e reconhecida numa vantagem pedagógica”.

A defesa da cidadania e do direito à educação das pessoas com necessidades


especiais é atitude muito recente na sociedade brasileira. Manifestando-se através
de medidas isoladas, de indivíduos ou grupos, a conquista e o reconhecimento de
alguns direitos dos portadores de deficiências podem ser identificados como
elementos integrantes de políticas sociais (MAZZOTTA, 2005, p. 15).

A inclusão de alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino se


constiui num caminho decisivo para se conseguir a inclusão social. Isto implica que o
sistema educacional, como um todo, assuma a responsabilidade da educação especial,
para que a inclusão venha quebrar barreiras anteriormente consolidadas em
determinados grupos estigmatizados. Assim, a escola tem que passar a ser o meio
reponsável em acolher as diferenças, admitir a colaboração e a convivência destes
alunos, uma vez que a pessoa com NNE, quando encorajado, estimulado e aceito no
meio social do qual faz parte consegue, certamente, alcançará frutos positivos no
processo ensino-aprendizagem.
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Ao se pensar a inclusão da pessoa com deficiência no funcionamento diário de


uma instituição escolar, fatalmente haverá o confronto com ramificações
relativamente inesperadas e incoerentes, em relação ao que significa conceber a
educação a partir de um ponto de vista inclusivo. Tal confronto obriga a refletir e,
conseqüentemente, a repensar a deficiência não só como é percebida, mas
também como é vivenciada no ambiente escolar (FERREIRA; GUIMARÃES, 2006,
p.15).

.
Todo indivíduo possui suas limitações, mas possuem também suas habilidades,
pois somos diferentes e dotados de capacidades e descobertas que nos ajudam a
crescer, a mudarmos e adaptarmos a qualquer ambiente. Mas, no ambiente da inclusão,
torna-se imprescindível abarcar a diversidade a fim de reconhecer o direito à diferença
como uma forma para o enriquecimento educativo e social.

2.4 As dificuldades de aprendizagem em crianças com mielomeningocele

Na visão de Fonseca (1995, p.26) o indivíduo com dificuldade de aprendizagem


não é deficiente. Percebe-se neste indivíduo uma inteligência média, um perfil motor
adequado, uma visão e audição também adequadas, em conjunto com um ajustamento
sócio-emocional. Entretanto, as dificuldades e suas causas precisam ser detectadas e
diagnosticadas. Ainda, segundo o autor, estudos de associações científicas e
investigadores renomados chegaram às seguintes conclusões:

A classificação de crianças deficientes é essencial para garantir serviços, para


planificar e organizar programas de intervenção e para determinar os efeitos dos
mesmos; A política pública e privada deve respeitar a individualidade da criança
deficiente e a peculiaridade dos seus talentos- os processos nunca deverão violar
este valor social fundamenta. O encaminhamento ou orientação pedagógica deve
ter em consideração o menor afastamento possível da família; as categorias são
instrumentos necessários para a criação de legislação e para uma racional
estrutura administrativa da responsabilidade governamental. (FONSECA, 1995,
p.26).

Para Thompson (2009), as doenças que envolvem o tubo neural são responsáveis
por um número considerável de pacientes a serem tratados com Fisioterapia, dentre estas
doenças, encontramos a Mielomeningocele, que é uma forma de disrafismo espinhal,
ocasionada por falha na fusão dos arcos vertebrais posteriores e displasia (crescimento
anormal) da medula espinhal e membranas que a envolvem, provocando uma deficiência
neurológica (sensitiva e motora) abaixo da lesão que pode gerar paralisias e hipotesias de
membros inferiores.
De acordo Sampaio (2010), a Mielomeningocele, mais conhecida como Spina
Bífida, é uma malformação congênita da coluna vertebral da criança, dificultando a função
primordial de proteção da medula espinhal, que é o "tronco" de ligação entre o cérebro e
os nervos periféricos do corpo humano. Quando a medula espinhal nasce exposta, como
na Mielomeningocele, muitos dos nervos podem estar traumatizados ou sem função,
sendo que o funcionamento dos órgãos inervados pelos mesmos (bexiga, intestinos e
músculos) pode estar afetado.
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O primeiro passo para o tratamento é o fechamento que é realizado pelo


neurocirurgião, visando a proteção e evitando traumas e infecções (meningites).
Essa intervenção de um modo geral dá-se nas primeiras horas de vida. Cerca de
90% dos pacientes com Mielomeningocele poderão apresentar durante a vida
algum tipo de problema urológico que pode variar desde infecções urinárias até a
perda de função renal e insuficiência renal com necessidade de diálise e
transplante renal. Com os avanços em Urologia pediátrica hoje é possível prevenir
estas complicações com exames especializados e acompanhamento rigoroso
(SAMPAIO, 2010).

Moreira (2010) ressalta que é muito importante que crianças vítimas desta
patologia sejam acompanhadas por profissionais realmente envolvidos com a mesma.
Muitas vezes medidas como manutenção de antibióticos profiláticos por tempo
prolongado, orientações de esvaziamento da bexiga, eventualmente com auxílio de
sondas em intervalos de tempo regulares podem fazer a diferença. É importante que as
famílias entendam bem esses tipos de procedimentos.

Na Mielomeningocele além das meninges o sistema nervoso fica exposto e o cisto


formado, contém, além das meninges e do líquido cefalorraquidiano, partes da
medula e nervos. As suas seqüelas irão depender do nível de comprometimento
apresentado. Quanto mais baixa a lesão medular será menor o comprometimento
dos órgãos. Se as lesões forem mais altas, haverá maior comprometimento. As
pessoas portadoras desse tipo de lesão podem apresentar problemas
neurológicos, malformações ortopédicas (pés tortos, luxações de quadril, cifoses),
dificuldades para controlar a bexiga e intestinos, incluindo-se a hidrocefalia. Para
garantir melhor qualidade de vida, há necessidade de tratamento ininterrupto
através de uma equipe multidisciplinar e a pessoa afetada necessitará de diversas
cirurgias para amenizar as seqüelas (MOREIRA, 2010).

Sampaio (2010) destaca que o tratamento de uma criança com Mielomeningocele é


de responsabilidade de vários profissionais da área de saúde, além de ser necessário o
apoio e cuidado da família. A equipe de Reabilitação é composta por profissionais de
diferentes formações acadêmicas, cujo objetivo é o de proporcionar a integração social da
criança para que esta se torne um adulto com melhor adaptação possível a sua limitação,
tendo a escola neste grupo profissional uma grande relevância no amparo destas
crianças. Hetarington (2006) complementa que o tratamento da Mielomeningocele
envolve uma equipe, pois os problemas decorrentes não podem ser tratados
isoladamente.
Santos (2010) ressalta que a Anamnese deve ser realizada com todo cuidado e
atenção, para promover um tratamento precoce e atrativo para a criança. Ao avaliar uma
criança com esta patologia, deveremos abordar uma larga possibilidade de testes,
cabendo, também, aos profissionais da educação estarem aliados à esta equipe médica a
fim de proporcionar um tratamento mais eficaz que proporcione uma maior possibilidade
de inclusão destas crianças em ambiente escolar.
Além dos cuidados profissionais, Moreira (2010) ressalta que é muito importante
que a família esteja envolvida no amparo, cuidado, auxilio e proteção, concedendo amor e
respeito a essa criança. É necessário que os familiares orientem essa criança sobre a
maneira mais adequada de lidar com as dificuldades, necessidades e potencialidades que
ela possui. Encorajá-la a ter a sua própria independência e proporcionar oportunidades de
convívio com outras crianças e adultos.
A proposta de educação inclusiva traduz, de acordo com Carvalho (2007, p.65),
uma educação de boa qualidade para todos e com todos, buscando a remoção das
barreiras e abrindo caminhos para a aprendizagem e a participação destes aprendizes
sem distinção.
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Para Fonseca (2003), na inclusão, quem deve mudar é a sociedade (escola,


instituição...) e não a pessoa deficiente. A inclusão de crianças com Mielomeningocele
deve ter um projeto coletivo de transformação do sistema educacional, envolvendo diretor,
coordenador, professores, alunos “normais e especiais”, comunidade, familiares e outros.
Vale destacar que ninguém nasce sabendo ser inclusivo ou exclusivo. Mas ser incluido
faz parte do processo educativo educação desde os primeiros anos, com os pais ou
educadores, colegas, dentro de uma determinada cultura e valores.
Como destaca Rego (1995, p. 65):

[...] a escola deve também aperfeiçoar sua prática pedagógica, sem considerar a
Educação Especial uma parte separada. Que os profissionais da escola sejam
capazes de oferecer oportunidades de atendimento educacional às crianças com
Mielomeningocele que prevejam as necessidades, as limitações, as
potencialidades e os interesses de cada aluno, ou seja individualizando o ensino
de acordo com suas necessidades especiais.

A educação inclusiva, como um movimento social que atualmente traz desafios à


estrutura educacional, busca elementos que a torne mais justa e democrática,
assegurando a todos os estudantes, independente de sua origem sociocultural, mas que
possua oportunidades educativas, assim, será possível preparar o educando para uma
vida futura, independente e produtiva, trazendo-lhe a igualdade de oportunidades
educativas.
Uma escola inclusiva deve elencar, portanto, o requerimento e a promoção de
direitos à cidadania, de valores de aceitação, de pertença de tolerância, de respeito e
levar ao reconhecimento da igualdade entre os envolvidos na educação especial.
A Educação Inclusiva torna-se capaz de introduzir no processo de
ensino/aprendizagem novos métodos de trabalho, novos modelos de organização e
colaboração de professores que contribuirão para a acessibilidade.
As barreiras que existem em relação à inclusão de alunos com NEE precisam ser
quebradas, pois a abertura das escolas às diferenças requer uma modificação nos
processos de ensino-aprendizagem. Neste prisma, pode-se destacar que, para boa parte
dos profissionais da educação das escolas brasileiras da atualidade, é difícil compreender
a possibilidade de se fazer uma inclusão total nas escolas.

3 Conclusão

A proposta de inclusão deve ser realizada com cautela, pois a igualdade diz
respeito aos direitos humanos e não às peculiaridades das pessoas, que sentem,
pensam e apresentam necessidades diferenciadas e que, por direito precisam ser
compreendidas, valorizadas e atendidas segundo suas reivindicações individuais fazendo
valer o direito à equiparação de oportunidades de ingressar na escola e permanecer nela
buscando ultrapassar seus limites, até porque se desconhece a extensão da
potencialidade humana.
A partir deste trabalho pôde-se observar que a inclusão dos portadores de
deficiência, dentre elas a Mielomeningocele é um processo que requer respeito ao
próximo, tanto da pessoa que recebe esse individuo quanto do próprio deficiente e
principalmente a aceitação das diferenças de cada um. Neste sentido, é preciso, antes de
tudo, que o próprio deficiente se aceite dentro de seus limites para que então seja aceito
pela sociedade.
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Para que o processo de inclusão de crianças com Mielomeningocele venha ocorrer


de maneira efetiva nas escolas torna-se preciso que as legislações sejam levadas a serio
e algumas delas aperfeiçoadas a fim de que as pessoas envolvidas neste processo,
principalmente os profissionais da educação, sejam atuantes e que estes estejam em
constante aperfeiçoamento podendo, assim, atender as necessidades do aluno. Mas,
sabemos que estes feitos só ocorrerão se forem realizadas políticas publicas efetivas que
visem exclusivamente à inclusão destes portadores de NEE nas escolas municipais da
referida cidade.
Infelizmente o processo de inclusão de portadores de NEE nas escolas esbarra em
grandes dificuldades, não por parte da escola que sempre fez um trabalho dígno
mostrando de maneira aberta os efeitos da inclusão.
Sabe-se que educar uma criança portadora de necessidades especiais como a
Mielomeningocele é uma experiência nova para o professor, sendo, assim, também um
desafio. Neste prisma, não se deve olhar uma criança com Mielomeningocele como se
fosse um estorvo dentro da sala, mas acreditar na capacidade, em sua potencialidade e
esperar que o trabalho desenvolvido no ambiente escolar contribua para a construção de
um futuro melhor sem discriminação, sabendo que estas crianças têm muito a nos ensinar
e que apresentam habilidades subjacentes à sua condição.
Ao realizar este trabalho ficou evidente que os objetivos propostos foram
alcançados, mas independente que a LDB e a Declaração de Salamanca falem de
igualdade, respeito, qualidade e dos direitos referentes à inclusão, cabe a todos nos
cumpri-las ou cobrar o seu cumprimento para que os alunos portadores de deficiência
sejam realmente atendidos na sociedade e na escola.
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Referências

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