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SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS DO ESTADO DO PARÁ

AguaPará
MANEJO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
SÉRIE RELATÓRIOS TÉCNICOS Nº 10
PROGRAMA GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS
MANEJO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
SÉRIE DE RELATÓRIOS TÉCNICOS N° 10
Setor responsável: Núcleo de Hidrometeorologia/SECTAM
Coordenação: Ronaldo Jorge da Silva Lima – Geólogo Autores: Fábio Monteiro Cruz – Engenheir
Ambiental Aline Maria Meiguins de Lima – Geóloga
Responsáveis Técnicos: Carlos Alberto Pacheco de Vilhena – Economista Luciana Miranda
Cavalcante – Engenheira Ambiental Luciene Mota de Leão Chaves – Hidrogeóloga Paulo Lima
Guimarães – Meteorologista Thiago Marcelo Pacheco de Oliveira – Oceanógrafo Verônica Jussa
ra Costa Santos – Engª Sanitarista Waldeli Rozane Silva de Mesquita – Pedagoga Belém-200
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APRESENTAÇÃO
Este documento representa uma proposta de condução do manejo de bacias hidrográficas c
omo uma forma de congregar os principais atores da bacia e inseri-los na discussão
sobre a disponibilidade quantitativa e qualitativa dos recursos hídricos. O manej
o apresenta-se, desta forma, como uma alternativa que a comunidade local pode ut
ilizar para garantir a água e seus usos múltiplos, assim como um veículo de organização so
cial que permite ampliar o debate sobre a questão hídrica no âmbito municipal, fortale
cendo a gestão em todos os seus níveis. Por meio deste instrumento a SECTAM empenha
seu papel como órgão gestor da Política de Recursos Hídricos do Estado, apresentado uma
forma alternativa de participação e organização social do espaço na bacia hidrográfica e in
entivando práticas conservacionistas que priorizem a sustentabilidade hídrica e ambi
ental.
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SUMÁRIO
1 2 3 4 5
5.1 5.2 5.3
INTRODUÇÃO ______________________________________________ 5 A DINÂMICA DA ÁGUA _________
_____________________________ 5 ORIGEM E FORMAS DE POLUIÇÃO HÍDRICA __________________
__ 7 O MANEJO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS ______________________ 8 MANEJO INTEGRADO E
PARTICIPATIVO DE BACIA HIDROGRÁFICA 9
Diagnóstico__________________________________________________________________9 Pro
gnóstico ________________________________________________________________10 Planej
amento e gestão integrada e participativa __________________________________11
6
6.1 6.2 6.3 6.4
A GESTÃO PARTICIPATIVA _________________________________ 13
Reconhecimento de atores ____________________________________________________13
Formação do Conselho Gestor _________________________________________________13 Defi
nição de prioridades______________________________________________________13 Execução da
s prioridades _____________________________________________________14
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ________________________________ 16
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1
Introdução
O manejo participativo de bacias hidrográficas compõe uma técnica que prioriza
a sustentabilidade hídrica da bacia utilizando-se de ações conjugadas entre os governo
s (estadual e municipal) e a sociedade civil. Este é orientado para garantir o uso
múltiplo dos recursos hídricos, logo, necessita da congregação de todos os atores que i
nfluenciam diretamente na bacia e a formulação de pactos voltados ao melhor ordename
nto deste território, priorizando a manutenção da qualidade e da quantidade da água. Des
ta forma, surge como uma solução factível que busca por meio da definição de critérios de u
ilização dos recursos naturais e do desenvolvimento de atividades pactuadas na bacia
, garantir a manutenção da disponibilidade quantitativa dos recursos hídricos e o aces
so à água de boa qualidade a todos os usuários.
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A dinâmica da água
A água é um dos recursos naturais de maior importância sendo o principal
constituinte dos organismos vivos e imprescindível para a qualidade de vida e o de
senvolvimento econômico da população, além de ser componente da paisagem e do meio ambie
nte (FERREIRA & FERREIRA, 2006; MORAES & JORDÃO, 2002; SETTI et al., 2000). Na nat
ureza ela normalmente encontra-se associada a uma gama variada de elementos solu
bilizados ou em suspensão podendo ocasionalmente ser identificados mais de cinqüenta
tipos diferentes destes, em uma única amostra de água natural. Tais elementos são em
geral sólidos dissolvidos ionizados, gases, compostos orgânicos, material em suspensão
, incluindo microorganismos e material coloidal (SETTI et al., 2000). A água prese
nte no meio ambiente possui uma dinâmica peculiar que faz com que ela passe por di
ferentes estados físicos e compartimentos ambientais, constituindo o chamado ciclo
hidrológico (Figura 1).
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Figura 1: Ciclo Hidrológico Fonte: http://www.igc.usp.br/geologia/aguas_sub/Figura
%201.jpg
Nesse ciclo tomando os mares como os receptores da água proveniente das geleiras e
rios dos continentes, verifica-se que os mesmos cedem, através da evaporação, a água qu
e irá dar origem às nuvens. As nuvens formadas sujeitas à ação dos ventos, são levadas ao i
terior dos continentes e vão dar origem a chuvas que irrigam o solo, provendo a um
idade necessária ao desenvolvimento dos vegetais, e/ou escoam superficialmente con
tribuindo para a vazão dos corpos hídricos por ocasião da saturação do terreno, dentre out
ros fatores (SANTANA, 2003). Uma parte da água infiltrada no solo atravessa a região
das raízes e vai mais fundo, até encontrar camadas impermeáveis, saturando os poros d
o solo e dando origem ao lençol freático. Tem início um lento movimento de água, através d
os poros do solo, em direção às partes mais baixas, até que venha à superfície, dando orige
às fontes. A água cristalina de uma nascente é, portanto, a chuva de meses, anos ou m
esmo séculos passados que vem do solo para surgir na superfície. Os maiores rios nad
a mais são que a junção de afluentes formados por rios menores, advindos de ribeirões, p
rovenientes de pequenos córregos, resultantes de regatos formados pela água de milha
res de pequenas nascentes. Em resumo, os maiores rios são o somatório de milhões de fo
ntes resultantes do movimento infindável da água no planeta (SANTANA, 2003). 6
Segundo Vargas (1999) embora mais de dois terços da superfície do globo terrestre se
ja coberta pela água dos mares e oceanos, a situação desse recurso está longe da abundânci
a que sugere a imagem reconfortante do “planeta água”. A partir de uma série de estudos
quantitativos realizados por hidrólogos chegou-se ao consenso que 97,5% das águas di
sponíveis na terra são salgadas e 2,493% estão concentradas em geleiras ou regiões subte
rrâneas de difícil acesso, portanto, apenas 0,007% de todos os recursos hídricos prese
ntes na natureza estão disponíveis para os diferentes usos humanos, através dos rios,
lagos e na atmosfera (SHIKLOMANOV apud MACHADO, 2003). Quanto à distribuição mundial,
o Brasil é o país com a maior disponibilidade hídrica de água doce renovável possuindo cer
ca de 12% do total (ANA, 2002). Contudo, os recursos hídricos encontram-se distrib
uídos irregularmente ao longo de todas as regiões do país. Desse total 70% encontram-s
e na Região Norte, onde está localizada a Bacia Amazônica e onde vivem 7% da população nac
ional; a Região Sudeste concentra 6% dos recursos hídricos nacionais e aglutina 42,6
3% dos habitantes do país; e a Região Nordeste que abriga 28,91% da população nacional d
ispõe de 3,3% dos recursos hídricos disponíveis no Brasil (MACHADO, 2003).
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Origem e formas de poluição hídrica
A falsa ilusão acerca da abundância e inesgotabilidade dos recursos hídricos já
citada, alimentou a cultura do desperdício e do descaso em sua utilização gerando degr
adação e comprometimento da qualidade destes em função das diferentes atividades pratica
das pelo homem (FERREIRA & FERREIRA, 2006). Durante milênios, as causas da poluição do
s recursos hídricos foram pouco numerosas, resultando, sobretudo da contaminação local
izada das águas superficiais e dos lençóis freáticos por bactérias patogênicas e substância
ermentáveis introduzidas nas redes hidrológicas por resíduos domésticos. Somente ao long
o dos últimos duzentos anos devido ao surgimento da civilização industrial é que as form
as e os níveis de poluição chegaram a patamares preocupantes em relação à degradação dos re
s hídricos (MACHADO, 2004).
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O comprometimento da qualidade da água nos dias de hoje é decorrente da poluição causada
por diferentes fontes, tais como efluentes domésticos, efluentes industriais e de
flúvio superficial urbano e agrícola. Os efluentes domésticos, por exemplo, são constituíd
os basicamente por contaminantes orgânicos, nutrientes e microorganismos, que pode
m ser patogênicos. A contaminação por efluentes industriais é decorrente das matérias-prim
as e dos processos industriais utilizados, podendo ser complexa, devido à natureza
, concentração e volume dos resíduos produzidos. A legislação ambiental tem estabelecido r
egras para o lançamento de efluentes industriais e a tendência é de existir um maior c
ontrole sobre esses poluentes. Os poluentes resultantes do deflúvio superficial ag
rícola são constituídos de sedimentos, nutrientes, defensivos agrícolas e dejetos animai
s (MERTEN & MINELLA, 2002).
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O manejo de bacias hidrográficas
O termo bacia hidrográfica pode ser definido como a área de captação natural da
água da precipitação, drenando essa água por ravinas, canais e tributários, para um curso
d´água principal, tendo a vazão uma única saída, desaguando em um curso d´água maior, lago
oceano (TONELLO, 2005). A bacia hidrográfica deve ser considerada como uma unidade
ideal quando se deseja a preservação dos recursos hídricos, já que as atividades desenv
olvidas no seu interior têm influência sobre a quantidade e qualidade da água. Ela con
stitui-se na mais adequada unidade de planejamento para o uso e exploração dos recur
sos naturais, fato este reafirmado no texto da lei 9433 de 1997 (BRASIL, 1997) q
ue dispõe sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos, pois seus limites são imutáveis
dentro do horizonte de planejamento humano, o que facilita o acompanhamento das
alterações naturais ou introduzidas pelo homem na área. Assim, o disciplinamento do us
o e da ocupação dos solos da bacia hidrográfica é o meio mais eficiente de controle dos
recursos hídricos que a integram (TONELLO, 2005). O manejo de bacias hidrográficas,
portanto, corresponde ao processo que permite formular um conjunto integrado de
ações sobre o meio ambiente, a estrutura social, econômica, institucional e legal de u
ma bacia, a fim de promover a conservação
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e utilização sustentável dos recursos naturais, principalmente os recursos hídricos, e o
desenvolvimento sustentável (TONELLO, 2005). Cada bacia hidrográfica se interliga a
outra de maior tamanho, constituindo, em relação à última, uma sub-bacia. As bacias hid
rográficas maiores são resultantes do conjunto de pequenas bacias. Portanto, os trab
alhos de manejo de bacias hidrográficas devem ser iniciados, preferencialmente, na
s bacias de menor porte (SANTANA, 2003). O manejo de bacias hidrográficas tem o ob
jetivo de propor critérios ao desenvolvimento de determinadas atividades degradant
es aos recursos hídricos na bacia, bem como ações de intervenção ambiental em algumas áreas
e a restrição a ocupação do solo em outras, visando à conservação da qualidade das águas do
pos hídricos locais e a manutenção da disponibilidade hídrica que atenda as demandas atu
ais e futuras. Além de fornecer condições que evitem o acirramento dos conflitos pelo
uso da água na bacia através do processo de gestão integrada e participativa.
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Manejo integrado e participativo de bacia hidrográfica
O manejo integrado e participativo de bacias hidrográficas visa tornar
compatível produção com preservação ambiental (SOUZA, 2002). O manejo integrado e particip
ativo de bacia hidrográfica é composto de três etapas distintas: 1. O diagnóstico das ca
racterísticas físicas, hidrográficas, infra-estruturais e socioeconômicas da bacia; 2. O
prognóstico elaborado a partir das informações fornecidas pelo diagnóstico; 3. O planej
amento das ações a serem implementadas na bacia definidas a partir das propostas apr
esentadas pelos membros do conselho gestor da bacia.
5.1
Diagnóstico Na etapa do diagnóstico o conhecimento de algumas características sócio-
ambientais inerentes à bacia é imprescindível para se evidenciar se há o cumprimento à leg
islação ambiental nos seus limites, bem como caracterizar outros aspectos fundamenta
is a construção do prognóstico.
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Essa etapa e a do prognóstico devem preferencialmente ser feitas utilizando-se o s
uporte da ferramenta SIG (Sistema de Informações Geográficas) devido à possibilidade que
esta oferece de armazenamento e manipulação de informações georeferenciados da bacia em
uma única base, além da elaboração de mapas temáticos que tornam agradáveis e ilustrativas
as informações e resultados obtidos. Segundo Santana (2003) na etapa de diagnóstico de
ve-se realizar os seguintes levantamentos: Delimitação da bacia hidrográfica de estudo
; Elaboração do mapa que represente a drenagem da bacia, enfatizando o curso hídrico p
rincipal e seus tributários; Elaboração do mapa geológico da área; Elaboração do mapa de cl
es de solos existentes na bacia; Elaboração do mapa de distribuição da vegetação ao longo d
bacia; Elaboração do mapa topográfico da bacia; Elaboração do mapa do uso/ocupação do solo
bacia; Proceder ao levantamento das características sócio-econômicas da bacia, buscan
do traçar um perfil da população residente na área; Proceder ao levantamento da infra-es
trutura existente na bacia, por exemplo: existência de estações de tratamento de esgot
o, estações de tratamento de água, sistema de gerenciamento de resíduos sólidos, existência
de fontes pontuais de poluição como indústrias, etc...
5.2
Prognóstico O prognóstico consiste em correlacionar as informações obtidas através da etap
a
do diagnóstico, gerando informações que irão subsidiar as ações que deverão ser propostas p
conselho gestor da bacia, pois evidenciam quais são as atividades e onde estão loca
lizadas as áreas de geração de poluição que exercem maior pressão sobre os recursos hídrico
a bacia. Os resultados desta análise podem ser apresentados como: Mapa dos locais
onde há conflito entre o uso destinado e o uso efetivamente feito do solo, tal qua
l a utilização das matas ciliares, que são áreas de preservação permanente (APP), em empree
dimentos agropecuários;
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Identificação da localização das áreas degradadas dentro da bacia; Identificação das áreas
orestadas e/ou onde o solo encontra-se desprotegido; Mapa de localização das áreas de
recarga de aqüíferos; Mapa de aptidão agrícola da bacia; Mapa de conflito entre cultura
plantada e aptidão do solo; Identificação dos sistemas de manejo das culturas agrícolas
desenvolvidas na bacia. Identificação da localização de fontes pontuais de poluição hídrica
omo curtumes e indústrias de outros segmentos.
5.3
Planejamento e gestão integrada e participativa É imprescindível que, em todas as etap
as do planejamento e do gerenciamento
de bacias hidrográficas, haja a participação e o envolvimento dos atores sociais, de m
aneira que esses usuários dos recursos naturais possam negociar e acatar as normas
e diretrizes de uso, de apropriação, de conservação e desenvolvimento de seu território d
e forma sustentada (SOUZA & FERNANDEZ apud SANTANA, 2003). O planejamento de tod
as as ações e intervenções na bacia deve ser feito através de reuniões temáticas onde o con
ho gestor da bacia legalmente instituído deverá apresentar propostas que deverão ser d
iscutidas entre os diferentes segmentos representados no conselho, isto é, socieda
de civil organizada (associações, ong’s, etc), poder público e setor de usuários (indústria
agricultura, etc). O processo de planejamento socioeconômico-ambiental consiste e
m estabelecer objetivos definidos pelas caracterizações e diagnósticos participativos,
que orientarão o manejo da bacia hidrográfica. São definidas as questões prioritárias par
a a bacia e as principais intervenções propostas, geradas a partir da integração das análi
ses que envolvem as dimensões ambientais, sociais e econômicas. Para a realização das ações
necessária que se explicitem as iniciativas a serem implementadas e os agentes res
ponsáveis pela coordenação e operacionalização das mesmas (SANTANA, 2003). Entre as ações e
tervenções que visam à salvaguarda da disponibilidade quali e quantitativa dos recurso
s hídricos, que devem ser determinadas em comum acordo com todos os representantes
do conselho, estão a: definição das áreas de proteção às nascentes;
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definição das áreas prioritárias a ações de revegetação; definição das áreas prioritárias a
ação ambiental ou proteção as áreas de recarga de aqüíferos; definição áreas prioritárias a
efinição de implementação de obras infra-estruturais que reduzam o aporte de poluentes a
s águas da bacia como estações de tratamento de esgoto; definição de possíveis remanejament
s de atividades agrícolas para áreas mais aptas a essa atividade identificadas a par
tir do mapa de aptidão agrícola; possibilidade de capacitação dos agricultores da bacia
para a adoção de práticas agrícolas conservacionistas do solo e das águas, como o plantio
direto. As reuniões do Conselho Gestor poderão ser melhor controladas por meio da ut
ilização de uma matriz operacional, que se constitui num instrumento básico e simples
para a distribuição de funções e acompanhamento de todas as etapas de execução do projeto (
ANTANA, 2003). A título de exemplo, podemos utilizar o modelo de matriz operaciona
l proposto por SANTANA (2003):
ATIVIDADE RESPONSÁVEL CORESPONSÁVEL PERÍODO INÍCIO TÉRMINO LOCAL RECURSOS OBSERVAÇÕES
As práticas recomendadas devem ser orçadas e, se possível, discriminar aquelas despesa
s que possam ser assumidas localmente (produtores e município) e aquelas que deman
dem negociações externas (recurso estaduais, federais e internacionais) (SANTANA, 20
03). Dessa forma, se de fato as ações e intervenções contempladas nas deliberações do conse
ho forem efetivamente implantadas pode-se criar condições satisfatórias para a manutenção
da integridade, tanto em nível de quantidade quanto de qualidade, dos recursos hídri
cos da bacia objeto do manejo, sem comprometer o desenvolvimento das diversas at
ividades desenvolvidas na mesma. O que de fato, constitui-se no principal objeti
vo do manejo integrado e participativo de bacias hidrográficas.
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6
A gestão participativa
Visando orientar as ações que devem ser implantadas, quem seriam seus
responsáveis e de onde seriam captados os recursos necessários, propõem-se alguns proc
edimentos estruturais para o alcance deste fim.
6.1
Reconhecimento de atores
Objetivo: identificar os principais atores atuantes na bacia hidrográfica, suas ações,
interlocuções e nível de informação a cerca das políticas de meio ambiente e recursos hídr
s. Métodos: questionários aplicados a uma porção representativa dos usuários locais; ou re
uniões setoriais (centros comunitários, sedes de órgãos públicos, associações comerciais...
nde são executadas oficinas com o objetivo específico de elencar os principais compo
nentes da bacia.
Público alvo: todos os usuários da bacia hidrográfica em questão.
6.2
Formação do Conselho Gestor
Objetivo: identificar e constituir um grupo representativo da bacia, capaz de in
dicar os principais problemas existentes e quais as possíveis intervenções necessárias.
Método: a partir dos questionários selecionar os membros mais atuantes e impactantes
, para um fórum e nele escolher (por votação ou indicação) os representantes para o Consel
ho Gestor. A quantidade de membros deverá ser funcional e paritária para garantir o
funcionamento e legitimidade do Conselho.
Instalado o Conselho deverá ser escolhida uma secretaria executiva e os locais pos
síveis de reunião, assim como um calendário inicial de reuniões.
6.3
Definição de prioridades
Objetivo: verificar quais as ações necessárias à manutenção da qualidade-quantidade hídrica
bacia.
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Método: em reuniões com o Conselho Gestor definir como e quais as ações necessárias de ser
em executadas na bacia, quem seriam os atores de maior relevância à discussão, e como
a comunidade local poderia interagir de forma imediata.
6.4
Execução das prioridades
Objetivo: elaborar estratégias para que as demandas sejam atendidas e definir quai
s seriam estes prazos e interlocutores necessários.
Métodos possíveis: a) Revegetação de áreas desflorestadas: pode ser feita através da busca
o suporte técnico de órgãos como a EMATER que poderiam definir quais as espécies vegetai
s adequadas a esse fim, bem como fornecer as mudas. Além do que a comunidade local
pode ser mobilizada para participar das ações de plantio, já implicitamente sendo ins
erido aí a componente educação ambiental.
b) Revegetação de áreas de mata ciliar e topos de morros: também podem ser feitas da for
ma anteriormente descrita. c) Remanejamento de atividades agrícolas: pode ser feit
a por meio de negociações locais entre as associações comunitárias para preservar algumas á
eas (como as de nascentes) como prioritárias para a manutenção da qualidade e da quant
idade da água existente. Outra forma é buscar apoio junto aos técnicos agrícolas da EMAT
ER ou EMBRAPA, por exemplo, para discutir as vantagens do manejo na produtividad
e agrícola por ocasião da mudança desses locais de plantio para áreas mais aptas a essa
atividade.
d) Mudança de técnica de manejo cultural e de solo: pode ser feita através da apresent
ação aos agricultores de técnicas de plantio e manejo cultural, por pesquisadores da E
MBRAPA ou EMATER, que conservam o solo prolongando a sua vida útil para a agricult
ura e reduzindo significativamente o aporte de sedimentos e insumos agrícolas aos
recursos hídricos, como o plantio direto. Devem-se enfatizar os benefícios desta mud
ança para os agricultores da bacia.
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e) Manutenção da vegetação ciliar e de topos de morros: podem ser realizadas palestras e
outras ações educativas, em centros comunitários ou sedes de associações, aos agricultore
s e outros empreendedores que costumam ocupar indiscriminadamente essas áreas a fi
m de esclarecer-lhes da importância da conservação dessas áreas, além de conscientizá-los q
e esses locais são considerados área de preservação permanente e que a supressão de sua ve
getação constitui crime ambiental. Também podem ser colocadas placas informativas ness
es locais para evitar ações degradantes e ser incentivada a adoção do manejo extrativist
a de produtos florestais não-madeireiros, como o açaí. Dessa forma o morador ribeirinh
o, principalmente, pode manter de pé essa vegetação e ainda obter uma fonte de renda.
f) Redução do aporte de resíduos sólidos aos corpos hídricos: o lançamento indiscriminado d
resíduos sólidos nas ruas, ou diretamente nos rios e córregos, pode ser reduzido com
o planejamento conjunto entre a comunidade e a prefeitura local de um sistema de
gerenciamento de resíduos sólidos contemplando desde o armazenamento destes até a sua
disposição. Podendo ser acompanhado em paralelo por ações de esclarecimento a população lo
al, em colégios ou centros comunitários, da importância de não se jogar o lixo em qualqu
er lugar, enfatizando principalmente a questão da disseminação de doenças e seus vetores
. g) Redução do aporte de efluentes domésticos e sanitários aos aqüíferos e corpos hídricos
ode ser feito através da busca de suporte técnico da secretaria estadual ou municipa
l de saneamento para o projeto e construção adequada de fossas sépticas nas residências
localizadas na bacia. Nesse contexto, alternativas como a construção de ETE’s (Estações de
tratamento de esgoto) também são válidas, no entanto, são difíceis de serem implementadas
em virtude do considerável volume de recursos e mão de obra especializada necessários
a construção e manutenção das mesmas.
h) Recuperação de áreas degradadas: áreas como o entorno de canais de drenagem podem ser
recuperadas através da implantação de ações paisagísticas, como a recomposição da vegetaçã
l, que podem ser realizadas através de ações comunitárias locais. Estas áreas depois de re
cuperadas tornam-se mais agradáveis
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virtualmente além de que suas margens estando recuperadas concorrem para a redução de
deslizamentos.
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