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Direito Constitucional

DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA

Explicitando sua opção pelo sistema capitalista, o constituinte


relacionou a propriedade privada e a livre iniciativa entre os
princípios da ordem econômica, prevendo, como regra, que o
exercício de qualquer atividade econômica independe de autorização
governamental (salvo nos casos previstos em lei).

Ressalvados os casos previstos na Constituição Federal, ao Estado


(gênero) só compete a exploração direta da atividade econômica
quando a ação for necessária à segurança nacional, ou em caso de
relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
 SEGURANÇA NACIONAL
 RELEVANTE INTERESSE COLETIVO

A propriedade e sua função social, assim como a livre concorrência e a


defesa do consumidor, são temas analisados conjuntamente com os
direitos fundamentais do art. 5.º da Constituição Federal.
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Professora Amanda Almozara

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O tratamento favorecido às empresas de pequeno porte, constituídas


sob as leis brasileiras, com sede e administração no País, está previsto
nos arts. 170, inc. IX, e 179, ambos da Constituição Federal. No âmbito
infraconstitucional a matéria é disciplinada pela Lei Complementar 123 de
2006.

O art. 173, § 5.º, da Constituição Federal abre espaço para a punição


criminal de pessoas jurídicas, sem prejuízo da responsabilização
individual dos seus dirigentes. A hipótese, incomum no Brasil, é prevista
em diversos países, nos quais as empresas sofrem penas pecuniárias ou
restritivas de direitos.

Ao tratar dos princípios gerais da atividade econômica, o art. 173, § 4.º,


da Constituição Federal menciona que a lei reprimirá o abuso do poder
econômico que vise à dominação do mercado, à eliminação da
concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.

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 Monopólio significa exclusividade.


 Oligopólio significa o controle de um mercado por um pequeno
número de grandes empresas.
Truste ou cartel é a expressão utilizada para designar as empresas ou
grupos que, sob uma mesma orientação, mas sem perder a autonomia,
se reúnem com o objetivo de dominar o mercado e suprimir a livre
concorrência. Recentemente o Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (CADE) utilizou a legislação antitruste para condenar a tabela
de honorários médicos da Associação Médica Brasileira (AMB) e para
investigar as montadoras de veículos.
 Dumping, segundo De Plácido e Silva, “é a expressão utilizada para
indicar a organização que tem por objetivo vender mercadorias, de sua
produção ou comércio, em país estrangeiro por preço inferior aos artigos
similares neste mercado, a fim de que possa afrontá-los ou retirá-los da
concorrência”. Recentemente uma rede de supermercados americana foi
acusada de dumping porque entrou no mercado nacional vendendo
inúmeros produtos a preço de custo ou abaixo do custo.
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A Lei n. 8.884/94 instituiu o CADE, órgão administrativo que tem entre


seus objetivos zelar pela livre concorrência.

Crime político é aquele praticado com o fim de subverter violentamente a


ordem econômica e social do Estado, de promover uma insurreição
armada e suscitar a guerra civil, de atentar contra a vida e a incolumidade
de pessoas para fins de terrorismo e de subversão da ordem democrática.

Entre nós, os crimes contra a ordem política e social estão disciplinados


pela Lei n. 7.170/83, a denominada Lei de Segurança Nacional, e são da
competência da Justiça Federal (arts. 102, inc. II, “b”, e 109, inc. IV,
ambos da CF).

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Da Ordem Econômica e Financeira


Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho
humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência
digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes
princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado
conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus
processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
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IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte


constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e
administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6,
de 1995)
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer
atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos
públicos, salvo nos casos previstos em lei.

Art. 172. A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os


investimentos de capital estrangeiro, incentivará os reinvestimentos e
regulará a remessa de lucros.

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a


exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida
quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante
interesse coletivo, conforme definidos em lei.

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§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da


sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de
prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela
sociedade; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive
quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações,
observados os princípios da administração pública; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e
fiscal, com a participação de acionistas minoritários; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos
administradores.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
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§ 2º - As empresas públicas e as sociedades de economia mista não


poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.
§ 3º - A lei regulamentará as relações da empresa pública com o Estado e
a sociedade.
§ 4º - A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação
dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos
lucros.
§ 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da
pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às
punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a
ordem econômica e financeira e contra a economia popular.

Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o


Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo
para o setor privado.
§ 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do
desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e
compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento. 8
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§ 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de


associativismo.
§ 3º - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em
cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a
promoção econômico-social dos garimpeiros.
§ 4º - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão
prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos
recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam
atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da
lei.

Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob


regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a
prestação de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços
públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem
como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão
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ou permissão;
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II - os direitos dos usuários;


III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.

Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os


potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do
solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União,
garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra.
§ 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos
potenciais a que se refere o "caput" deste artigo somente poderão ser
efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse
nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e
que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que
estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se
desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995)
§ 2º - É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da
lavra, na forma e no valor que dispuser a lei.
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§ 3º - A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e as


autorizações e concessões previstas neste artigo não poderão ser
cedidas ou transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do
poder concedente.
§ 4º - Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do
potencial de energia renovável de capacidade reduzida.

Art. 177. Constituem monopólio da União:


I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros
hidrocarbonetos fluidos;
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos
resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores;
IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de
derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o
transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás
natural de qualquer origem;
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V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a


industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus
derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção,
comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de
permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21
desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 49, de 2006)
§ 1º O monopólio previsto neste artigo inclui os riscos e resultados
decorrentes das atividades nele mencionadas, sendo vedado à União
ceder ou conceder qualquer tipo de participação, em espécie ou em valor,
na exploração de jazidas de petróleo ou gás natural, ressalvado o
disposto no art. 20, § 1º.
§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a
realização das atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo
observadas as condições estabelecidas em lei.(Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 9, de 1995)
§ 2º A lei a que se refere o § 1º disporá sobre: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 9, de 1995)
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I - a garantia do fornecimento dos derivados de petróleo em todo o


território nacional; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995)
II - as condições de contratação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
9, de 1995)
III - a estrutura e atribuições do órgão regulador do monopólio da União;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995)
§ 2º - A lei disporá sobre o transporte e a utilização de materiais
radioativos no território nacional.
§ 3º A lei disporá sobre o transporte e a utilização de materiais radioativos
no território nacional.(Renumerado de § 2º para 3º pela Emenda
Constitucional nº 9, de 1995)
§ 4º A lei que instituir contribuição de intervenção no domínio econômico
relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e
seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível deverá
atender aos seguintes requisitos: (Incluído pela Emenda Constitucional nº
33, de 2001)
I - a alíquota da contribuição poderá ser: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001)
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a) diferenciada por produto ou uso; (Incluído pela Emenda Constitucional


nº 33, de 2001)
b)reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo, não se lhe
aplicando o disposto no art. 150,III, b; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001)
II - os recursos arrecadados serão destinados: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001)
a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool
combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)
b) ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria
do petróleo e do gás; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de
2001)
c) ao financiamento de programas de infra-estrutura de transportes.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

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Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático
e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional,
observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da
reciprocidade. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 7, de 1995)
Parágrafo único. Na ordenação do transporte aquático, a lei estabelecerá
as condições em que o transporte de mercadorias na cabotagem e a
navegação interior poderão ser feitos por embarcações estrangeiras.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 7, de 1995)

Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim
definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las
pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias,
previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por
meio de lei.

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Art. 180. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento
social e econômico.

Art. 181. O atendimento de requisição de documento ou informação de


natureza comercial, feita por autoridade administrativa ou judiciária
estrangeira, a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País
dependerá de autorização do Poder competente.

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DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Dentro do Sistema Financeiro Nacional estão incluídas as instituições


financeiras (públicas ou privadas), as bolsas de valores e as
companhias de seguro, de previdência privada e de capitalização,
que dependem de autorização outorgada em caráter inegociável e
intransferível (art. 192, § 1.º, da CF).

Atualmente, pelo princípio da recepção, o Sistema Financeiro Nacional


está regulado pela Lei n. 4.595/64, pois a lei complementar prevista no
art. 192 da Constituição Federal ainda não foi votada.

Ainda que permitindo restrições por meio de norma infraconstitucional, o


constituinte admitiu a participação estrangeira nas instituições
financeiras, de previdência privada, e nas demais especificadas nos
incisos I e II do art. 192 da Constituição Federal, conforme demonstra o
inciso III do art. 193 da Constituição Federal. Contudo, até que seja
votada a lei complementar, estão vedados (art. 52 do ADCT): 17
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 a instalação, no País, de novas agências de instituições


financeiras domiciliadas no exterior;
 o aumento do percentual de participação no capital de instituições
financeiras com sede no País, de pessoas físicas ou jurídicas
residentes ou domiciliadas no exterior.

O governo brasileiro, porém, pode autorizar o contrário nos casos de


seu interesse, nos casos de acordos internacionais, ou se verificada
a reciprocidade.

A nomeação do presidente e dos diretores do Banco Central


compete ao Presidente da República, após a aprovação prévia dos
nomes pelo Senado Federal (arts. 84, inc. XIV, e 52, inc. III, “d”, ambos
da CF).

Compete ao Banco Central, entre outra atribuições, emitir moeda ou


autorizar a Casa da Moeda a fazê-lo (art. 164 da CF).
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Quanto às taxas de juros de 12% ao ano (os juros caracterizam a


remuneração do capital que se encontra em poder de terceiro), prevista
no § 3.º do art. 192 da Constituição Federal, o Supremo Tribunal
Federal já deliberou que a norma não é auto-executável (ADIn n. 4, MI
n. 362-9-RJ, AgI n. 0166724-9/040/SP).

A questão, porém, ainda é polêmica, pois muitos sustentam que “não


obstante o julgamento da ADIn n. 4-7/600 do STF, por isso afastada a
auto-aplicabilidade do § 3.º do art. 192 da CF, os juros bancários
permanecem limitados aos do contrato, nunca, porém, superiores a 12%
ao ano, mais correção monetária, haja vista a legislação
infraconstitucional, art. 1.º do Dec.-lei n. 22.626/33, c.c. o art. 1.062 do CC
brasileiro, que não foi revogada pela Lei n. 4.595/64” (Tribunal de Alçada
do Rio Grande do Sul, 9.ª Câmara Cível, Apel. Cível n. 195004635 ). No
mesmo sentido: TARS, 2.º Grupo Cível, EI n. 194115275, –rel. Frederico
Westphalen, j. em 17.3.1995.

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Observe-se, porém, que, mesmo na ausência da regulamentação do § 3.º


do art. 192 da Constituição Federal, a cobrança dos juros é impugnada
pelo fato de o fornecedor inobservar a regra do inciso II do art. 52 da Lei
n. 8.078/90, que determina seja o consumidor, usuário de um
financiamento ou da outorga de crédito, prévia e adequadamente
informado sobre a taxa efetiva anual de juros.

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DA ORDEM SOCIAL

A ordem social tem como base a prioridade do trabalho e como objetivo o


bem-estar e a justiça sociais.
A seguridade social visa garantir, com o trabalho conjunto dos poderes
públicos e da sociedade, os direitos relativos à saúde, à previdência e à
assistência social. Portanto, previdência social é espécie do gênero
seguridade social.

1.1. Princípios que Regem a Seguridade Social (parágrafo único do


artigo 194 da Constituição Federal)
Os princípios que regem a Seguridade Social, constantes do parágrafo
único do artigo 194 da Constituição Federal são os seguintes:

I – Universalidade de cobertura e de atendimento. Significa que todas


as pessoas têm direito de acesso à saúde, à previdência e à assistência
social.
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II – Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às


populações urbanas e rurais, ou seja, é vedada qualquer discriminação
entre urbanos e rurais.

III – Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e


serviços, regra que permite ao administrador público priorizar
determinados atendimentos e distribuir os benefícios e os serviços de
forma a promover os mais necessitados.

IV – Irredutibilidade do valor dos benefícios, regra que é


complementada pelos §§ 2.º e 4.º do artigo 201 da Constituição Federal,
que dão garantias de que nenhum benefício será inferior ao salário
mínimo, preservado o poder aquisitivo, nos termos da lei.

V – Eqüidade na forma de participação no custeio. Eqüidade é a


realização da justiça no caso concreto e na hipótese que autoriza um
tratamento desigual aos desiguais (quem pode mais paga mais). A
matéria está disciplinada no artigo 195 da Constituição Federal.
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VI – Diversidade da base de financiamento. A fim de se dar segurança


ao sistema, o caput e o § 4.º do artigo 195 da Constituição Federal
estabelecem fontes diversas para o custeio.
Sobre o tema também merece destaque a regra, contida no § 3.º do artigo
195 da Constituição Federal, pela qual a pessoa jurídica em débito com o
sistema de seguridade social, como estabelecido em lei (norma de
eficácia limitada), não poderá contratar com o Poder Público nem dele
receber incentivos fiscais ou creditícios.

VII – Caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa,


com a participação da comunidade, em especial dos trabalhadores,
empresários e aposentados.

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1.2. Da Saúde
O artigo 196 da Constituição Federal ratifica o disposto no inciso I do
artigo 194 (princípio da universalidade), estabelecendo que a saúde é
direito de todos e dever do Estado.
O artigo 197 da Constituição Federal dispõe que as ações e os serviços
de saúde podem ser executados diretamente pelo Poder Público ou por
meio de terceiros (inclusive pessoa física ou jurídica de direito privado).

No entanto, diante da relevância pública de tais ações e serviços,


sempre cabe ao Poder Público, nos termos da lei, dispor sobre a
regulamentação, a fiscalização e o controle das atividades.

O artigo 198 da Constituição Federal prevê o chamado Sistema Único de


Saúde (SUS), cuja manutenção é feita com os recursos da seguridade
social e outras não especificadas. Celso Bastos leciona que o SUS
“consiste numa integração das ações e serviços públicos de saúde, tendo
por diretrizes o princípio da descentralização, no nível de cada esfera de
governo, o atendimento integral e a participação da comunidade”.
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Segundo o artigo 199 da Constituição Federal é livre à iniciativa


privada a atuação na área de assistência à saúde, podendo inclusive
atuar, de forma complementar, no Sistema Único de Saúde, via convênio
ou contrato público (com preferência para as entidades filantrópicas e
para as sem fins lucrativos).
O convênio se caracteriza como um sistema de cooperação que, ao
contrário do contrato, admite que qualquer dos participantes se desvincule
da empreitada sem qualquer sanção.

Veda-se, no entanto, a destinação de recursos públicos para auxílios


ou subvenções a instituições privadas (de saúde ou de previdência
privada) com fins lucrativos, bem como a participação direta ou
indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde
no País, salvo nos casos previstos em lei.

Atualmente, as regras gerais que regem os planos e seguros de saúde


estão previstas na Lei n. 9.656/98.
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O § 4.º do artigo 199 da Constituição Federal dita que a lei disporá sobre
as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e
substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento,
bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus
derivados, sendo vedado qualquer tipo de comercialização.
Segundo Walter Ceneviva, a remoção de órgãos, tecidos e
substâncias humanas restringe-se “a finalidades de transplante,
pesquisa e tratamento”.

O artigo 200 da Constituição Federal especifica algumas das


atribuições do SUS.
A Emenda Constitucional n. 29, de 14.9.2000, que entre outras regras
estabelece que os Municípios terão de ampliar os recursos
destinados às ações e serviços públicos de saúde, alterou a redação
do § 4.º do artigo 156 da Constituição Federal, a fim de – sem prejuízo da
progressividade no tempo a que se refere o artigo 182, § 4.º, inciso II, da
Constituição Federal – autorizar o IPTU progressivo em razão do valor
do imóvel e, ainda, alíquotas diferenciadas de acordo com a
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localização e o uso do imóvel.
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1.3. Da Previdência Social


A própria Constituição Federal restringe a participação na
Previdência Social aos seus contribuintes, aos segurados e seus
dependentes. Admite, porém, que qualquer pessoa participe dos
benefícios, mediante contribuição na forma dos planos
previdenciários.
As coberturas proporcionadas pela Previdência Social estão relacionadas
no artigo 201 da Constituição Federal, sendo hoje as mais freqüentes as
seguintes:
I – A pensão por morte (artigo 74 da Lei n. 8.213/91), devida ao conjunto
dos dependentes do segurado (aposentado ou não) que falecer.
Havendo mais de um pensionista, a pensão por morte será rateada entre
todos, em partes iguais. Cessando o direito de algum dos dependentes,
sua parte reverterá em favor dos demais.

O filho, irmão ou dependente designado do segurado morto perde sua


parte na pensão quando completa 21 anos, independentemente de qual
seja seu sexo, salvo se for inválido.
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II – O salário-maternidade (artigos 71 a 73 da Lei n. 8.213/91) é devido à


segurada empregada, à trabalhadora avulsa e à empregada doméstica,
durante 28 dias antes e 92 dias depois do parto.
O valor do salário-maternidade para a empregada ou trabalhadora avulsa
consiste em uma renda mensal igual à sua remuneração mensal e será
pago pela empresa, efetivando-se a compensação, quando do
recolhimento das contribuições, sobre a folha de salários.
O salário-maternidade da empregada doméstica é pago diretamente pela
Previdência Social, em valor correspondente ao seu último salário de
contribuição.
III – O seguro-desemprego, disciplinado na Lei n. 7.998/90, é analisado
juntamente com o artigo 7.º da Constituição Federal.

1.4. Aposentadorias do Setor Privado e dos Professores


As regras gerais da aposentadoria estão previstas no artigo 202 da
Constituição Federal, norma de eficácia limitada que foi regulamentada
pela Lei n. 8.213/91 e que sofreu diversas alterações pela Emenda
Constitucional n. 20/98, merecendo alguns destaques.
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A aposentadoria é assegurada quando observadas as seguintes


condições:
I – Trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de
contribuição, se mulher.
II – Sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de
idade, se mulher, reduzido em cinco anos o limite de idade para os
trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas
atividades em regime de economia familiar, nesses incluídos o
produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal. O prazo mínimo
de carência está previsto no artigo 25 da Lei n. 8.213/91.
Os requisitos são independentes, ou seja, o primeiro trata da
aposentadoria por tempo de contribuição e o segundo da aposentadoria
por idade, não se exigindo cumulatividade de ambos para a concessão do
benefício. O entendimento, porém, não é pacífico, sendo a
regulamentação da matéria ainda feita pela Lei n. 8.213/91.
III – Após 30 anos de contribuição, ao professor, e, após 25 anos, à
professora, por exclusivo e efetivo exercício na função do magistério
na educação infantil e no ensino fundamental ou médio.
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Os proventos (valores pagos a título de aposentadoria), que têm por base


o salário de contribuição, são de no mínimo um salário mínimo nacional.
O valor máximo (R$ 1.200,00 na data da publicação da emenda,
reajustáveis para garantir o seu valor real), está previsto no artigo 14 da
Emenda Constitucional n. 20/98.
Admite-se a adesão facultativa ao regime de previdência privada, de
natureza complementar (artigo 202 da Constituição Federal).

As normas de transição, que entre outras regras autorizaram a


contagem do tempo de serviço anterior à Emenda Constitucional n. 20
como tempo de contribuição, estão previstas nos artigos 4.º, 8.º e 9.º da
Emenda Constitucional n. 20.
Os aposentados e pensionistas têm direito à gratificação natalina,
que é paga com base no valor dos proventos de dezembro de cada ano.

Por fim, a Constituição Federal assegura a contagem recíproca do


tempo de contribuição na Administração Pública e na atividade
privada, rural e urbana.
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1.5. Da Assistência Social


A assistência social deve ser prestada a todos que dela necessitam,
independentemente de contribuição para a Previdência Social. Os
objetivos estão especificados no artigo 203 da Constituição Federal e
demonstram que a assistência social visa atender aos desvalidos em
geral (crianças, idosos e famílias carentes, desempregados, deficientes
etc.).

Aos idosos e aos portadores de deficiências que comprovem não


possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida
por sua família, garante-se um salário mínimo mensal.

A Assistência Social é financiada pelos recursos da seguridade social e


de outras fontes. O critério é denominado solidariedade-financeira por
José Afonso da Silva, já que os recursos procedem do orçamento geral da
seguridade social e não de contribuições específicas de eventuais
destinatários.
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Professora Amanda Almozara

Direito Constitucional

Quanto à erradicação da pobreza, observe-se a Emenda Constitucional n.


31, de 14.12.2000 que, acrescentando os artigos 79 a 83 no Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias, criou o Fundo de Combate e
Erradicação da Pobreza, a ser regulamentado por lei complementar.

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Professora Amanda Almozara

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