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Psicologia

Psicologia (do grego Ψυχολογία, transl. psykhologuía, de ψυχή, psykhé, "psique, "alma",
"mente" e λόγος, lógos, "palavra", "razão" ou "estudo") "é a ciência que estuda o
comportamento (tudo o que um organismo faz) e os processos mentais (experiências
subjetivas inferidas através do comportamento)".[1] O principal foco da psicologia se
encontra no indivíduo, em geral humano, mas o estudo do comportamento animal para
fins de pesquisa e correlação, na área da psicologia comparada, também desempenha um
papel importante (veja também etologia).
Paralela à psicologia científica aqui tratada existe também uma psicologia do senso
comum ou quotidiana, que é o sistema de convicções transmitido culturalmente que cada
indivíduo possui a respeito de como as pessoas funcionam, se comportam, sentem e
pensam. A psicologia usa em parte o mesmo vocabulário, que adquire assim significados
diversos de acordo com o contexto em que é usado.[2] Assim, termos como
"personalidade" ou "depressão" têm significados diferentes na linguagem psicológica e na
linguagem quotidiana. A própria palavra "psicologia" é muitas vezes usada na linguagem
comum como sinônimo de psicoterapia e, como esta, é muitas vezes confundida com a
psicanálise ou mesmo a análise do comportamento.
O termo parapsicologia, ligado ao vocábulo paranormal, não se refere a um conceito ou a
uma disciplina da Psicologia; trata-se de um campo de estudo não reconhecido pela
comunidade científica.

Introdução

Definição
A psicologia é a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais dos
indivíduos (psiquismo), cabe agora definir tais termos[3]:

• Dizer que a psicologia é uma ciência significa que ela é regida pelas mesmas leis do
método científico as quais regem as outras ciências: ela busca um conhecimento
objetivo, baseado em fatos empíricos. Pelo seu objeto de estudo a psicologia
desempenha o papel de elo entre as ciências sociais, como a sociologia e a
antropologia, as ciências naturais, como a biologia, e áreas científicas mais
recentes como as ciências cognitivas e as ciências da saúde.

• Comportamento é a atividade observável (de forma interna ou externa) dos


organismos na sua busca de adaptação ao meio em que vivem.

• Dizer que o indivíduo é a unidade básica de estudo da psicologia significa dizer que,
mesmo ao estudar grupos, o indivíduo permanece o centro de atenção - ao
contrário, por exemplo, da sociologia, que estuda a sociedade como um conjunto.

• Os processos mentais são a maneira como a mente humana funciona - pensar,


planejar, tirar conclusões, fantasiar e sonhar. O comportamento humano não pode
ser compreendido sem que se compreendam esses processos mentais, já que eles
são a sua base.

Como toda a ciência, o fim da psicologia é a descrição, a explicação, a previsão e o


controle do desenvolvimento do seu objeto de estudo. Como os processos mentais não
podem ser observados mas apenas inferidos, torna-se o comportamento o alvo principal
dessa descrição, explicação e previsão (mesmo as novas técnicas visuais da neurociência
que permitem visualizar o funcionamento do cérebro não permitem a visualização dos
processos mentais, mas somente de seus correlatos fisiológicos, ou seja, daquilo que
acontece no organismo enquanto os processos mentais se desenrolam). Descrever o
comportamento de um indivíduo significa, em primeiro lugar, o desenvolvimento de
métodos de observação e análise que sejam o mais possível objetivos e em seguida a
utilização desses métodos para o levantamento de dados confiáveis. A observação e a
análise do comportamento podem ocorrer em diferentes níveis - desde complexos
padrões de comportamento, como a personalidade, até a simples reação de uma pessoa a
um sinal sonoro ou visual. A introspecção é uma forma especial de observação (ver mais
abaixo o estruturalismo). A partir daquilo que foi observado o psicólogo procura
explicar, esclarecer o comportamento. A psicologia parte do princípio de que o
comportamento se origina de uma série de fatores distintos: variáveis orgânicas
(disposição genética, metabolismo, etc.), disposicionais (temperamento, inteligência,
motivação, etc.) e situacionais (influências do meios ambiente, da cultura, dos grupos de
que a pessoa faz parte, etc.). As previsões em psicologia procuram expressar, com base
nas explicações disponíveis, a probabilidade com que um determinado tipo de
comportamento ocorrerá ou não. Com base na capacidade dessas explicações de prever o
comportamento futuro se determina a também a sua validade. Controlar o
comportamento significa aqui a capacidade de influenciá-lo, com base no conhecimento
adquirido. Essa é parte mais prática da psicologia, que se expressa, entre outras áreas, na
psicoterapia[3].
Para o psicólogo soviético A. R. Luria, um dos fundadores da neuropsicologia a psicologia
do homem deve ocupar-se da análise das formas complexas de representação da
realidade, que se constituíram ao longo da história da sociedade e são realizadas pelo
cérebro humano, incluindo as formas subjetivas da atividade consciente sem substituí-las
pelos estudo dos processos fisiológicos que lhes servem de base nem limitar-se a sua
descrição exterior. Segundo esse autor, além de estabelecer as leis da sensação e
percepção humana, regulação dos processos de atenção, memorização (tarefa iniciada
por Wundt), na análise do pensamento lógico, formação das necessidades complexas e da
personalidade, considera esses fenômenos como produto da história social
(compartilhando, de certo modo com a a proposição da Völkerpsychologie de Wundt (ver
mais abaixo "História da Psicologia") e com as proposições de estudo simultâneo dos
processos neurofisiológicos e das determinações histórico-culturais, realizadas de modo
independente por seu contemporâneo Vigotsky).[4]

Visão geral da disciplina e áreas de atuação

Ver página anexa: Subdisciplinas e áreas de atuação da psicologia

Breve história da psicologia

Ver artigo principal: História da psicologia

Perspectivas históricas

"A psicologia possui um longo passado, mas uma história curta".[5] Com essa frase
descreveu Herrmann Ebbinghaus, um dos primeiros psicólogos experimentais, a situação
da psicologia - tanto em 1908, quando ele a escreveu, como hoje: desde a Antiguidade
pensadores, filósofos e teólogos de várias regiões e culturas dedicaram-se a questões
relativas à natureza humana - a percepção, a consciência, a loucura. Apesar de teorias
"psicológicas" fazerem parte de muitas tradições orientais, a psicologia enquanto ciência
tem suas primeiras raízes nos filósofos gregos, mas só se separou da filosofia no final do
século XIX.
O primeiro laboratório psicológico foi fundado pelo fisiólogo alemão Wilhelm Wundt em
1879 em Leipzig, na Alemanha. Seu interesse se havia transferido do funcionamento do
corpo humano para os processos mais elementares de percepção e a velocidade dos
processos mentais mais simples. O seu laboratório formou a primeira geração de
psicólogos. Alunos de Wundt propagaram a nova ciência e fundaram vários laboratórios
similares pela Europa e os Estados Unidos. Edward Titchener foi um importante divulgador
do trabalho de Wundt nos Estados Unidos. Mas uma outra perspectiva se delineava: o
médico e filósofo americano William James propôs em seu livro The Principles of
Psychology (1890) - para muitos a obra mais significativa da literatura psicológica - uma
nova abordagem mais centrada na função da mente humana do que na sua estrutura.
Nessa época era a psicologia já uma ciência estabelecida e até 1900 já contava com mais
de 40 laboratórios na América do Norte[3]

O estruturalismo

Em seu laboratório Wundt dedicou-se a criar uma base verdadeiramente científica para a
nova ciência. Assim realizava experimentos para levantar dados sistemáticos e objetivos
que poderiam ser replicados por outros pesquisadores. Para poder permanecer fiel a seu
ideal científico, Wundt se dedicou principalmente ao estudo de reações simples a
estímulos realizados sob condições controladas. Seu método de trabalho seria chamado
de estruturalismo por Edward Titchener, que o divulgou nos Estados Unidos. Seu objeto de
estudo era a estrutura consciente da mente e do comportamento, sobretudo as
sensações. Um dos métodos usados por Titchener era a introspecção: nela o indivíduo
explora sistematicamente seus próprios pensamentos e sensações a fim de ganhar
informações sobre determinadas experiências sensoriais. A tônica do trabalho era assim
antes compreender o que é a mente, do os como e porquês de seu funcionamento. As
principais críticas levantadas contra o Estruturalismo foram:

• O ser ele reducionista, ou seja, querer reduzir a complexidade da experiência


humana a simples sensações;

• O ser ele elementarista, ou seja, dedicar-se ao estudo de partes ou elementos ao


invés de estudar estruturas mais complexas, como as que são típicas para o
comportamento humano e

• O ser ele mentalista, ou seja, basear-se somente em relatórios verbais, excluindo


indivíduos incapazes de introspecção, como crianças e animais, do seu estudo.
Além disso a introspecção foi alvo de muitos ataques por não ser um verdadeiro
método científico objetivo[3].

Funcionalismo

William James concordava com Titchener quanto ao objeto da psicologia - os processos


conscientes. Para ele, no entanto, o estudo desses processos não se limitava a uma
descrição de elementos, conteúdos e estruturas. A mente consciente é, para ele, um
constante fluxo, uma característica da mente em constante interação com o meio
ambiente. Por isso sua atenção estava mais voltada para a função dos processos mentais
conscientes. Na psicologia, a seu entender, deveria haver espaço para as emoções, a
vontade, os valores, as experiências religiosas e místicas - enfim, tudo o que faz cada ser
humano ser único. As idéias de James foram desenvolvidas por John Dewey, que dedicou-
se sobretudo ao trabalho prático na educação[3].

Gestalt, a psicologia da forma

Uma importante reação ao funcionalismo e ao comportamentismo nascente (ver abaixo)


foi a psicologia da gestalt ou da forma, representada por Max Wertheimer, Kurt Koffka e
Wolfgang Köhler. Principalmente dedicada ao estudo dos processos de percepção, essa
corrente da psicologia defende que os fenômenos psíquicos só podem ser compreendidos,
se forem vistos como um todo e não através da divisão em simples elementos
perceptuais. A palavra gestalt significa "forma", "formato", "configuração" ou ainda
"todo", "cerne". O gestaltismo assume assim o lema: "O todo é mais que a soma das suas
partes"[3].
Distinta da psicologia da gestalt, escola de pesquisa de significado basicamente histórico
fora da psicologia da percepção, é a gestalt-terapia, fundada por Frederic S. Perls (Fritz
Perls).
O legado dos primórdios

Apesar de serem perspectivas já ultrapassadas, tanto o estruturalismo como o


funcionalismo e a gestalt ajudaram a determinar o rumo que a psicologia posterior viria a
tomar. Hoje em dia os psicólogos procuram compreender tanto as estruturas como a
função do comportamento e dos processos mentais.

Perspectivas atuais

Segue uma descrição sucinta das principais correntes de pensamento que influenciam a
moderna psicologia. Para maiores informações ver os artigos principais indicados e ainda
psicoterapia.

A perspectiva biológica

A base do pensamento da perspectiva biológica é a busca das causas do comportamento


no funcionamento dos genes, do cérebro e dos sistemas nervoso e endócrino. O
comportamento e os processos mentais são assim compreendidos com base nas
estruturas corporais e nos processos bioquímicos no corpo humano, de forma que esta
corrente de pensamento se encontra muito próxima das áreas da genética, da
neurociência e da neurologia e por isso está intimamente ligada ao importante debate
sobre o papel da predisposição genética e do meio ambiente na formação da pessoa. Essa
perspectiva dirige a atenção do pesquisador à base corporal de todo processo psíquico e
contribui com conhecimento básico a respeito do funcionamento das funções psíquicas
como pensamento, memória e percepção[3].

A perspectiva psicodinâmica

Segundo a perspectiva psicodinâmica o comportamento é movido e motivado por uma


série de forças internas, que buscam dissolver a tensão existente entre os instintos, as
pulsões e as necessidades internas de um lado e as exigências sociais de outro. O objetivo
do comportamento é assim a diminuição dessa tensão interna.
A perspectiva psicodinâmica teve sua origem nos trabalhos do médico vienense Sigmund
Freud (1856-1939) com pacientes psiquiátricos, mas ele acreditava serem esses princípios
válidos também para o comportamento normal. O modelo freudiano foi o primeiro a
afirmar que a natureza humana não é sempre racional e que as ações podem ser
motivadas por fatores não acessíveis à consciência. Além disso Freud dava muita
importância à infância, como uma fase importantíssima na formação da personalidade. A
teoria original de Freud, que foi posteriormente ampliada por vários autores mais recentes
e influenciou fortemente muitas áreas da psicologia, tem sua origem não em
experimentos científicos, mas na capacidade de observação de um homem criativo,
inflamado pela idéia de descobrir os mistérios mais profundos do ser humano.[3].

A perspectiva comportamentista

A perpectiva comportamentista (ou comportamentalista) procura explicar o


comportamento em relação aos estímulos do meio ambiente que o influenciam. A atenção
do pesquisador é assim dirigida para as condições ambientais em que determinado
indivíduo se encontra, para a reação desse indivíduo a essas condições (comportamento)
e para as consequências que essa reação traz para ele (ver também condicionamento). O
comportamentismo baseia-se sobretudo em experimentos feitos com animais, mas levou
ao descobrimento de muitos princípios válidos para o ser humano e foi uma das mais
fortes influências tanto para a pesquisa como para a prática psicológica posterior[3].

A perspectiva humanista
Em reação às limitações das correntes comportamentista e psicodinâmica surgiu nos anos
50 do século XX a perspectiva humanista, que vê o homem não como um ser controlado
tanto por pulsões interiores quanto pelo ambiente, mas ainda assim como um ser ativo,
que busca seu próprio crescimento e desenvolvimento. A principal fonte de conhecimento
do humanismo psicológico é o estudo biográfico, com o fim de descobrir como essa
pessoa vivencia sue existência, ao contrário do comportamentismo, que dava mais valor à
observação externa. A perspectiva humanista procura assim um acesso holístico para o
ser humano, está intimamente relacionada à fenomenologia e exerceu grande influência
sobre a psicoterapia[3].

A perspectiva cognitiva

A "virada cognitiva" foi uma reação às limitações do comportamentismo, que afirmava ser
impossível estudar os processos mentais e se concentrava somente no comportamento. O
foco central desta perspectiva é o pensar humano e todos os processos baseados no
conhecimento - atenção, memória, compreensão, recordação, tomada de decisão,
linguagem etc. A perspectiva cognitiva se dedica assim à compreensão dos processos
cognitivos que influenciam o comportamento - a capacidade do indivíduo de imaginar
alternativas antes de se tomar uma decisão, de descobrir novos caminhos a partir de
experiências passadas, de criar imagens mentais do mundo que o cerca - e à influência do
comportamento sobre os processos cognitivos - como o modo de pensar se modifica de
acordo com o comportamento e suas consequências. Típico desta perspectiva é o uso
sistemático de experimentos científicos e sua proximidade com as ciências da informação
e da computação[3].

A perspectiva evolucionista

A perspectiva evolucionista procura, inspirada pela teoria da evolução, explicar o


desenvolvimento do comportamento e das capacidades mentais como parte da adaptação
humana ao meio ambiente. Por recorrer a acontecimentos ocorridos há milhões de anos,
os psicólogos evolucionistas não podem realizar experimentos para comprovar suas
teorias, mas contam somente com sua capacidade de observação e com o conhecimento
adquirido por outras disciplinas como a antropologia e a arqueologia[3].

A perspectiva sociocultural

Já em 1927 o antropólogo Bronislaw Malinowski criticava a psicologia - na época a


psicanálise de Freud - por ser centrada na cultura ocidental. Essa preocupação de
expandir sua compreensão do homem além dos horizontes de uma determinada cultura é
o cerne da perspectiva sociocultural. A pergunta central aqui é: em que se assemelham
pessoas de diferentes culturas quanto ao comportamento e aos processos mentais, em
que se diferenciam? São válidos os conhecimentos psicológicos em outras culturas? Essa
perspectiva também leva a psicologia a observar diferenças entre subculturas de uma
mesma área cultural e sublinha a importância da cultura na formação da personalidade[3].

A perspectiva biopsicossocial e a multidisciplinaridade

A enorme quantidade de perspectivas e de campos de pesquisa psicológicos corresponde


à enorme complexidade do ser humano. O fato de diferentes escolas coexistirem e se
completarem mutuamente demonstra que o homem pode e deve ser estudado,
observado, compreendido sob diferentes aspectos. Essa realidade toma forma no modelo
biopsicossocial, que serve de base para todo o trabalho psicológico, desde a pesquisa
mais básica até a prática psicoterapêutica. Esse modelo afirma que o comportamento e os
processos mentais humanos são gerados e influenciados por três grupos de fatores:
• Fatores biológicos - como a predisposição genética e os processos de mutação
que determinam o desenvolvimento corporal em geral e do sistema nervoso em
particular, etc.;

• Fatores psicológicos - como preferências, expectativas e medos, reações


emocionais, processos cognitivos e interpretação das percepções, etc.;

• Fatores socioculturais - como a presença de outras pessoas, expectativas da


sociedade e do meio cultural, influência do círculo familiar, de amigos, etc.,
modelos de papéis socias, etc.[6]

Para ser capaz de ver o homem sob tantos e tão distintos aspectos a psicologia se vê na
necessidade de complementar seu conhecimento com o saber de outras ciências e áreas
do conhecimento. Assim, na parte da pesquisa teórica, a psicologia se encontra (ou
deveria se encontrar) em constante contato com a fisiologia, a biologia, a etologia, a
neurologia e às neurociências (ligadas aos fatores biológicos) e à antropologia, à
sociologia, à etnologia, à história, à arqueologia, à filosofia, à metafísica, à linguística à
informática, à teologia e muitas outras ligadas aos fatores socioculturais.
No trabalho prático a necessidade de interdisciplinaridade não é menor. O psicólogo, de
acordo com a área de trabalho, trabalha sempre em equipes com os mais diferentes
grupos profissionais: assistentes sociais e terapeutas ocupacionais; funcionários do
sistema jurídico; médicos, enfermeiros e outros agentes de saúde; pedagogos;
fisioterapeutas, fonoaudiólogos e muitos outros - e muitas vezes as diferentes áreas
trazem à tona novos aspectos a serem considerados. Um importante exemplo desse
trabalho interdisciplinar são os comitês de Bioética, formados por diferentes profissionais -
psicólogos, médicos, enfermeiros, advogados, fisioterapeutas, físicos, teólogos,
pedagogos, farmacêuticos, engenheiros, terapeutas ocupacionais e pessoas da
comunidade onde o comitê está inserido, e que têm por função decidir aspectos
importantes sobre pesquisa e tratamento médico, psicológico, entre outros.

Crítica

O status científico

A psicologia é frequentemente criticada pelo seu caráter "confuso" ou "impalpável". O


filósofo Thomas Kuhn afirmou em 1962 que a psicologia em geral estava em um estágio
"pré-paradigmático" por lhe faltar uma teoria de base unanimemente aceita, como é o
caso em outras ciências mais maduras como a física e a química.
Por grande parte da pesquisa psicológica ser baseada em entrevistas e questionários e
seus resultados terem assim um caráter correlativo que não permite explicações causais,
alguns críticos a acusam de não ser científica. Além disso muitos dos fenômenos
estudados pela psicologia, como personalidade, pensamento e emoção, não podem ser
medidos diretamente e devem ser estudados com o auxílio de relatórios subjetivos, o que
pode ser problemático de um ponto de vista metodológico.
Erros e abusos de testes estatísticos foram sobretudo apontados em trabalhos de
psicólogos sem um conhecimento aprofundado em psicologia experimental e em
estatística. Muitos psicólogos confundem significância estatística (ou seja, uma
probabilidade maior do que 95% de o resultado obtido não ser fruto do acaso, mas
corresponder à realidade empírica) com importância prática. No entanto a obtenção de
significados estatisticamente significante mas na prática irrelevantes é um fenômeno
comum em estudos envolvendo um grande número de pessoas.[7] Em resposta muitos
pesquisadores começaram a fazer uso do "tamanho do efeito" estatístico (effect size)
como massa de medida da relevância prática.
Muitas vezes os debates críticos ocorrem dentro da própria psicologia, por exemplo entre
os psicólogos experimentais e os psicoterapeutas. Desde há alguns anos tem aumentado
a discussão a respeito do funcionamento de determinadas técnicas psicoterapêuticas e da
importância de tais técnicas serem avaliadas com métodos objetivos.[8] Algumas técnicas
psicoterapêuticas são acusadas de se basearem em teorias sem fundamento empírico. Por
outro lado muito tem sido investido nos últimos anos na avaliação das técnicas
psicoterapêuticas e muitas pesquisas, apesar de também elas terem alguns problemas
metodológicos, mostram que as psicoterapias das escolas psicológicas tradicionais
(mainstream), isto é, das escolas mencionadas mais acima neste artigo, são efetivas no
tratamento dos transtornos psíquicos.

Terapias "alternativas" não psicológicas

Um dos maiores problemas relacionados à distância que separa a teoria científica da


psicologia e sua prática terapêutica é a multiplicação indiscriminada do números de
"terapias alternativas" que se vê atualmente, muitas das quais baseadas em princípios de
origem duvidosa e não pesquisados. Muitos autores[9] já haviam apontado o grande
crescimento no número de tratamentos e terapias realizados sem treinamento adequado
e sem uma avaliação científica séria. Lilienfeld (2002) constata com preocupação que
"uma grande variedade de métodos psicoterapêuticos de funcionamento duvidoso e por
vezes mesmo danosos - incluindo "comunicação facilitada" para o autismo infantil,
técnicas sugestivas para recuperação da memória, (ex. regressão etária hipnótica,
trabalhos com a imaginação), terapias energéticas e terapias new-age de todos os tipos
possíveis (ex. rebirthing, reparenting, regressão de vidas passadas, terapia do grito
original, programação neurolinguística, terapia por abdução alienígena) surgiram ou
mantiveram sua popularidade nas últimas décadas."[10] Allen Neuringer (1984) fez críticas
semelhantes partindo da análise experimental do comportamento.[11]

Ver também

O Wikilivros tem um livro chamado Psicologia


• Teoria da personalidade
• Memética
• Princípio de Premak
• Administração quântica
• Experiência de Milgram
• Psicopedagogia
• Transferência (psicanálise)
• Psicodrama
• Psicologia transpessoal
• Psicanálise
• Psicometria (Psicologia)
• Psicologia (áreas de atuação)

Referências

1. ↑ "Psychologie ist die Wissenschaft vom Verhalten (alles, was ein Organismus
macht) und von den mentalen Prozessen (subjektive Erfahrungen, die wir aus dem
Verhalten erschließen)". Myers (2008), p.8.
2. ↑ Asendorpf (2004), p.2
3. ↑ a b c d e f g h i j k l m Zimbardo & Gerrig (2004), p.3-5; 5-8; 10-17.
4. ↑ Luria, 1979
5. ↑ "Die Psychologie besitzt eine lange Vergangenheit aber nur eine kurze
Geschichte". Citado por Zimbardo & Gerrig (2004), p. 10.
6. ↑ Myers (2008), p.11-12
7. ↑ Cohen, J. (1994). The Earth is round, p.05. American Psychologist, 49.
8. ↑ Elliot, Robert. (1998). Editor's Introduction: A Guide to the Empirically Supported
Treatments Controversy. Psychotherapy Research, 8(2), 115.
9. ↑ Beyerstein, B. L. (2001). Fringe psychotherapies: The public at risk. The Scientific
Re-view of Alternative Medicine, 5, 70–79
10.↑ "A wide variety of unvalidated and sometimes harmful psychotherapeutic
methods, including facilitated communication for infantile autism (…), suggestive
techniques for memory recovery (e.g., hypnotic age-regression, guided imagery,
body work), energy therapies (e.g., Thought Field Therapy, Emotional Freedom
Technique…), and New Age therapies of seemingly endless stripes (e.g., rebirthing,
reparenting, past-life regression, Primal Scream therapy, neurolinguistic
programming, alien abduction therapy, angel therapy) have either emerged or
maintained their popularity in recent decades." SRMHP: Our Raison d’Être. Página
visitada em 2009-09-16.
11.↑ Neuringer, A.:"Melioration and Self-Experimentation" Journal of the Experimental
Analysis of Behavior http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?
artid=1348111

Bibliografia

• Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit (3. Aufl.). Berlin: Springer.
ISBN 978-3-540-71684-6
• Myers, David G. (2008). Psychologie. Heidelberg: Springer. ISBN 978-3-540-79032-7
(Original: Myers (2007). Psychology, 8th Ed. New York: Worth Publishers.)
• Zimbardo, Philip G. & Gerrig, Richard J. (2005). A psicologia e a vida. Artmed. ISBN
85-363-0311-5 (No artigo citado do alemãõ (2004)Psychologie. München: Pearson.
ISBN 3-8273-7056-6; Original: (2002). Psychology and Life. Boston: Allyn and
Bacon.)

Ligações externas

• O Portal dos Psicólogos - Pt (em português)


• Conselho Federal de Psicologia - Br (em português)
• Sindicato Nacional dos Psicólogos - Pt (em português)
• American Psychological Association (em inglês)
• Biblioteca virtual em saúde - Psicologia (em português)
• Sociedade Brasileira de Psicanálise (em português)
• BuscaPorSaúde: / profissionais da saúde

Anexo:Subdisciplinas e áreas de atuação da psicologia


A psicologia, enquanto ciência que estuda o comportamento, a experiência subjetiva e os
processos mentais a eles subjacentes[1], possui área de trabalho muito ampla. Além da
pesquisa científica há um número sempre maior de áreas em que o conhecimento da
psicologia teórica é aplicado. Além disso a aproximação da psicologia com as
neurociências, processo observável já nos primórdios da psicologia científica e que se tem
acentuado muito nos últimos vinte anos, conduziu a uma expansão da própria área de
estudo da disciplina, de tal forma que hoje se acrescenta à definição de psicologia
também o estudo dos processos neurológicos subjacentes aos processos mentais[1]. O
presente Artigo procura oferecer uma visão geral e sucinta da disciplina e de suas
diversas áreas de atuação, oferecendo ligações para os artigos mais específicos.

Visão geral da disciplina

A psicologia enquanto disciplina se organiza de acordo com os diferentes objetos a que


ela se dedica[2]:

• Pesquisa básica é a parte da ciência dedicada ao aumento do conhecimento


teórico. Na psicologia ela toma as seguintes formas:

o a. Psicologia geral é o estudo dos processos mentais e das formas de
comportamento comuns a todos os seres humanos. Essa área da psicologia
estuda: os processos de aprendizagem (psicologia da aprendizagem); as
emoções/afetos; os pensamentos,a memória, a cognição e os processos de
resolução de problemas, a motivação e os processos de tomada de decisão,
a linguagem (psicolinguística), e a percepção;

o b. Psicologia diferencial ou psicologia da personalidade é a parte da


psicologia que se dedica às características psicológicas em que os seres
humanos se diferenciam. Seus principais temas são: a personalidade, a
inteligência, o temperamento, as competências individuais.
o
Intimamente ligada a ela está a psicometria, que é o estudo dos métodos
adequados de se medir essas características;

o c. Psicofisiologia ou psicologia biológica é o estudo da ligação entre


processos corporais (cerebrais e do sistema nervoso (neuropsicologia),
hormonais, etc.) e os processos mentais. Ligada a ela se encontra a
neurociência;

o d. Psicologia social é o estudo do comportamento e dos processos mentais


do indivíduo quando em grupos;

o e. Psicologia do desenvolvimento é o estudo do desenvolvimento e das


transformações que o comportamento e os processos mentais sofrem no
decorrer da vida. A psicologia do desenvolvimento se divide por sua vez em
duas grandes áreas: a mais antiga psicologia do desenvolvimento
infanto-juvenil, que se dedica ao desenvolvimento nessa faixa etária e mais
recente psicologia do desenvolvimento no decorrer da vida, que se
dedica às mudanças que ocorrem na idade adulta, desde a juventude até a
idade mais avançada;

o f. Psicologia cultural comparada (cross-cultural psychology) é o estudo


das diferenças de comportamento e de processos mentais entre pessoas de
diferentes culturas. A ela muito próxima se encontram a psicologia
cultural, que é o estudo do papel da cultura na formação do comportamento
e dos processos mentais, e a psicologia intercultural, que estuda o contato
entre pessoas de diferentes culturas.

• Pesquisa aplicada é a parte da ciência que se dedica à solução de problemas


práticos com base no conhecimento teórico obtido pela pesquisa básica. Na
psicologia recebe o nome de psicologia aplicada - que tem por fim o
desenvolvimento de métodos de intervenção psicológica e toma as seguintes
formas:

o a. Psicologia do trabalho e das organizações dedica-se ao estudo do


comportamento e dos processos mentais no ambiente de trabalho e ao
desenvolvimento de métodos de psicodiagnóstico para escolha de pessoal e
de formas de intervenção para a solução de problemas no trabalho
(Síndrome de Burnout, mobbing, etc.) e para o desenvolvimento de pessoal;
o b. Psicologia clínica dedica-se ao estudo dos problemas de comportamento
e dos processos mentais, com as suas áreas ainda mais práticas: a
intervenção clínico-psicológica, que engloba a psicoterapia, a psicologia da
reabilitação e o aconselhamento psicológico, e o trabalho de diagnóstico
clínico. Tematicamente próximas, de maneira que por vezes se
interpenetram os saberes, estão: a psicanálise, a psiquiatria, a
psicofarmacologia e a psicopatologia;
o c. Psicologia educacional ou Psicologia da educação é o estudo da
aplicação do conhecimento psicológico ao ensino, tanto de crianças como de
adultos. Uma subdisciplina específica é a psicologia escolar ou
psicopedagogia, direcionada ao ensino escolar;

o d. Outras áreas aplicadas, por exemplo, à Comunicação Interpessoal, ao


comportamento sexual, à agressividade, ao comportamento em grupo, ao
sono e ao sonho, ao prazer e à dor, à propaganda, à seleção e treinamento
de pessoal em firmas, à prevenção de doenças, ao treinamento de pessoas
que devem trabalhar com pessoas de outra cultura, à integração de
imigrantes ou outros grupos à sociedade, ao trabalho forense, à organização
do tráfego, entre outros.

As diferentes áreas da psicologia não indicam tanto áreas temáticas separadas, mas antes
perpectivas de pesquisa. Assim um mesmo tema - por exemplo medo - pode ser estudado
de diferentes perspectivas por pesquisadores das diferentes áreas.
Além disso, fazem parte da formação do psicólogo um profundo conhecimento de
metodologia científica e de história da psicologia.

Áreas de atuação

Outras áreas de atuação da Psicologia são: (Para maiores detalhes ver o verbete
Psicologia Aplicada):

O Pensador de Rodin, em introspecção.

• Psicologia ambiental
• Psicologia comparada
• Psicologia clínica
• Psicologia comunitária
• Psicologia da moda
• Psicologia da saúde
• Psicologia dos grupos
• Psicologia social
• Psicologia cultural-histórica
• Psicologia e antropologia
• Psicologia econômica
• Psicologia educacional
• Psicologia esportiva
• Psicologia experimental
• Psicologia forense
• Psicologia hospitalar
• Psicologia industrial
• Psicologia integral
• Psicologia jurídica
• Psicologia no serviço público de saúde
• Psicologia e toxicomanias

Referências

1. ↑ a b Grawe, Klaus (2000). Psychologische Therapie 2., korrigierte Aufl. Göttingen:


Hogrefe. ISBN 3-8017-1369-5
2. ↑ Baseado em Myers, David G. (2008). Psychologie. Heidelberg: Springer. ISBN 978-
3-540-79032-7 (Original: Myers (2007). Psychology, 8th Ed. New York: Worth
Publishers.)

Psicometria (Psicologia)
Psicometria (do grego psyké, alma e metron, medida, medição) é uma área da Psicologia
que faz a ponte entre as ciências exatas, principalmente a matemática aplicada - a
Estatística e a Psicologia. Sua definição consite no conjunto de técnicas utilizadas para
mensurar, de forma adequada e comprovada experimentalmente, um conjunto ou uma
gama de comportamentos que se deseja conhecer melhor.
O Psicólogo psicometrista possui, em seu espectro atuacional, características para levar a
cabo a definição desta área, bem como para manusear os testes psicológicos de acordo
com alguns critérios básicos. Estes são: Validade, Fidedignidade e Padronização. Qualquer
teste que se preste à validação e, posteriormente ao uso, deve ser fruto de pesquisas
nessa área.

O início da medida em Psicologia

A evolução da pesquisa científica baseada no cálculo em Psicologia é pouco incerto em


sentido estrito, porém sabe-se que (sir) Francis Galton (1822-1911) - Primo de Charles
Darwin - foi o fundador do primeiro laboratório voltado às medições antropométricas, em
Londres, no ano de 1884. "Ele entendia que a discriminação sensorial era a base do
desempenho intelectual, e que medidas adequadas, neste sentido, seriam capazes de
indicar diferenças entre os mais e os menos capazes"[1] . Entre as pesquisas que Galton
fez, constam na lista: altura, peso, envergadura do palmo, capacidade respiratória, força,
rapidez de reação, agudeza sensorial da vista e do ouvido, além de chegar a mensurar a
quantidade de bocejos emitidos durante uma orquestra para relacionar ao tédio do
público.
Hermann Ebbinghaus (1850-1909), no ano de 1885, começa os primeiros estudos
experimentais sobre a memória. Ao final de seu experimento, Ebbinghaus tinha formulado
coeficientes sobre como se dá a aquisição de memória a partir de um conjunto de letras
ordenadas de forma não-lógica.
No Reino Unido, Galton conheceu James McKeen Cattell (1860-1944) e, juntos,
formularam, pela primeira vez, provas que consistiam em medidas de discriminação
sensorial, de tempo e de reacção. Estas provas, para Cattell, proporcionaria conhecer a
inteligência de quem a fizesse.
Em sentido diferente e por diversas críticas que estes possuiam dos testes anteriores de
inteligência, o francês "Alfred Binet (1857-1911) e seu parceiro Théodore Simon
desenvolveram , a pedido da comissão francesa para a investigação dos interesses da
educação, o primeiro teste de inteligência para diferenciar crianças retardadas e crianças
normais em seus mais variados graus"[2]. Esta escala de classificação tem sua data de
origem em 1905 e, desde então, sofreu diversas modificações na sua origem e no seu
nome. Atualmente, apesar das variações (L-M, por exemplo), ele é conhecido como Teste
Stanford-Binet de Inteligência.
Para alguns psicólogos além do método psicométrico da correlação estatística utilizados
inicialmente por Galton o desenvolvimento da a da análise genética ocasionarão a
consolidação de uma abordagem matemática da psicologia.

Ver também

• Psicologia
• Neuropsicologia
• Psicodiagnóstico
• Personalidade
• Quociente de inteligência
• Teste de Rorschach
• Teste palográfico
• Teste Gestáltico Visomotor
• Teste de Wartegg
• Mini-Mental (es.)
• Teste do desenho da Figura Humana (en.)
Referências

1. ↑ Gomes, W. (2004) apud, Anastasi, 1988. Avaliação psicológica no Brasil: Testes


de Medeiros e Albuquerque. Revista Avaliação Psicológica, 3(1), 59-68.
2. ↑ Passarelli, B. (Ano Desconhecido). Teoria das Múltiplas Inteligências aliada à
Multimídia na Educação: Novos Rumos Para o Conhecimento.

Bibliografia

Erthal, T. (1987). Manual de Psicometria. Rio de Janeiro: Zahar

Ligações externas

http://www.psych.umn.edu/areas/psychometric/index.htm
http://www.geocities.com/bororissa/psycho.html
http://www.apa.org
Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicometria_(Psicologia)"
Categoria: Psicologia

Neuropsicologia
A neuropsicologia é uma interface ou aplicação da psicologia e da neurologia, que
estuda as relações entre o cérebro e o comportamento humano, contudo praticamente
dedica-se a investigar como diferentes lesões causam déficits em diversas áreas da
cognição humana ou tal como denominado pelos primeiros estudos nesse campo estuda
as funções mentais superiores, deixando áreas como agressividade, sexualidade para
abordagens mais integrativas da fisiologia e biologia (neurobiologia, neurofisiologia,
psicofisiologia, psicobiologia) ou melhor da neurociência. Entre as principais contribuições
desse ramo do conhecimento estão os resultados de pesquisas científicas para elaborar
intervenções em casos de lesão cerebral quando se verifica o comprometimento da
cognição e de alguns aspectos do comportamento. (ver deficiência mental)

Diagrama mostrando os lobos do cortex cerebral e cerebelo humano.



Funções Mentais Superiores

Expressão utilizada pelo fisiologista russo, Ivan Pavlov, no começo do século para designar
funções do córtex especialmente linguagem e atividade lógica racional da espécie
humana. Com o avanço da Neurofisiologia aos pouco veio se descobrindo que muitas das
funções requeridas para a actividade racional não dependia exclusivamente desta região
e sim do funcionamento do cérebro compreendido como um todo, não podendo, portanto
limitar-se à ação específica e localizada de alguns conjuntos de células como retina e
alguns neurônios do córtex visual próprios para percepção da luz.
Alexander Luria, um importante neurofisiologista da Universidade de Moscou dando
continuidade ao trabalho de Pavlov a luz das novas descobertas identifica três sistemas
ou unidades funcionais:
• Unidade para regular o sono e vigília
• Unidade obter processar e armazenar informações
• Unidade para programar regular e verificar a atividade mental

A grosso modo, algumas localizações e funções parecem estar contidas nesses distintos
subconjuntos os diversos estados fásicos que caracterizam o coma, o sono e a consciência
humana; Os mecanismos da atenção e memória onde destacam-se as funções do sistema
reticular ativador e hipocampo e finalmente o próprio córtex frontal, sensorial e “engines”
responsáveis Inteligências Múltiplas

Exame neuropsicológico

Essencialmente não difere dos métodos desenvolvidos pela psicometria desde as origens
da psicologia a não ser quanto a especificidade de seu objeto, como já referido, e por
estabelecer conexões entre as funções avaliadas e a neurofisiologia. A proposição é
portanto:
Avaliar, identificar e detectar a integridade das funções nervosas superiores (mentais)
Atenção, Consciência, Memória, Linguagem e Cognição (principalmente através do exame
de processos lógicos e linguagem).

Atenção

• Atenção um sub-conjunto de funções que varia da concentração à distração ou


devaneio (sonolência).

o Sistema reticular ativador - tronco cerebral - consciência (vigília)

Unidade para regular o sono e a vigília e os estados mentais - Luria Identifica um


gradiente entre dispersão e concentração. Testa-se a atenção concentrada (permanência
– capacidade/hábito); Numa abordagem mais extensa examina-se a capacidade de uso
consciente dos sub-conjuntos da atenção: sonhos programados; sonhos lúcidos;
experiências religiosas/ estados fásicos obtidos por técnicas de meditação e uso de
enterógenos.

Consciência

Critérios eletroencefalográficos sono - vigília o que corresponde aos estados hipnóticos


(Fásicos):

• Sono com sonhos (REM)- Rapid Eyes Movement


• Sono profundo (NREM) Non-rapid Eyes Movement
ou a Escala Glasgow (abertura dos olhos;respostas motora e verbal) Estupor - obnubilação
• Coma Leve
• Coma Moderado
• Coma Profundo

Critérios clínico-eletroencefalográficos p/ manutenção artificial da vida Vida vegetativa


Estado isoelétrico Ou seja tudo isso é muito chato mas pra passar na faculdade e me
formar preciso saber

Memória

Alterada em danos do Hipocampo identidicar: formação novas memórias - amnésia


anterógrada Lobo temporal recuperação "memórias" existentes- amnésia retrógada
Distingue-se ainda: curto prazo – imediata
longo prazo memória visual (facial) - verbal memória episódica e semântica

Linguagem
o Alterações do Hemisfério Esquerdo'

No hemisfério esquerdo situa-se as zonas da linguagem 90% dos casos) Lobos Temporal -
Parietal (sensorial)
Para Luria a Unidade de receber analisar e armazenar informações (córtex ocipital,
auditivo e linguagem.
Na criança avaliar relação: Linguagem - Pensamento
Fases da aquisição:

1 ano - choro diferenciado,


2 anos - balbucio, frases 1 palavra;
3 - 4 anos - palavras combinadas, conceitos básicos
5 - anos extensão do vocabulário;domínio dos sons da fala
7 anos - inclusão em classes operações concretas; desenvolvimento das noções
de tempo; acaso; moral, identidade racial
12 anos - desenvolvimento da lógica formal e pensamento abstrato

Avalia-se ainda como critério de integridade funcional e inteligência: coerência uso de


regras gramaticais, sintaxe, concordância, pronomes, representações do sujeito,
orientação em tempo espaço coerência biográfica com responsabilidade social. Fluência
extensão verbal Integridade das estruturas lógico gramaticais (grau de alfabetização/
capacidades básicas) "conhecimento" - extensão do vocabulário
Alterações psicopatológicas e neuro sensoriais: logorréia / mutismo; deficits de
compreensão verbal - decodificação da fala (autismo; Foco temporal EEG) Deficites de
compreensão escrita - compatíveis com grau de alfabetização - uso gramatical -
aprendizagem de idiomas, linguagem de sinais
Alterações semânticas tipo psicóticas – conteúdo de delírio); incapacidades p/ uso de
metáforas ; mussitação - fala sussurrada e sons; cantos; estereotipias; verbigeração;
afonias.
Alterações sintáticas (afasia de compreensão – Afasia de Wernike/ demências);
incapacidade p/ uso de conceitos básicos = deficiência mental (sem aquisição)
incapacidade p/ uso de conceitos concreto/abstratos & amnésia = demências (perda)
lapsos repetidos - tics; coprolalia (deficiência mental e demências) repetição anormal
(resistente à lógica) = distingue-se de Distúrbios Obsessivo Compulsivos e perversões por
relação de contexto e assocação com outros sintomas
Fala: Identificam-se alterações processo de aquisição, no autismo (ritmos de canto - sons
longos substituem o balbucio; início aos 12 anos) atraso (de 2, 3 anos na deficiência
mental moderada), a língua hipotônica, frequente na Síndrome de Down concorre com
alterações de fala. Distúrbios específicos da fala como dislalia; ecolalia, tartamudez
(gagueira) galicismo, inversão/troca fonemas; afonia; estão relacionados sobretudo com
ansiedade e distúbio de conduta / socialização. A perda do ritmo da fala é sinal preditor de
ataque AVC e outros danos cerebrais. Afasias de expressão; disartrias são sequelas
comuns a lesão parietal - pré - frontal (Zona de Broca)
Falar envolve uma coordenação altamente complexa e hábil de processar e
requerimentos do banco de dados armazenados na memória. Oradores têm que planejar o
que dizer e temporariamente armazenar os planos prontos até os executar como
palavras, frases, e orações. A qualquer imediato, os indivíduos podem estar planejando o
que dizer logo enquanto executando o que foi planejado momentos mais cedo
simultaneamente. Daneman (1991) assinala que a capacidade de funcionamento da
memória é uma fonte importante de diferenças individuais em fluência verbal. Ela
descobriu que uma medida construída para quantificar o processo e armazenamento
funciona da memória durante a execução de uma oração (SSP - Speaking Span Test, Teste
de Extensão da fala) correlatou estas com medidas de fluência verbal (por exemplo,
número de palavras faladas por minuto).

Alterações acima diagnosticam:


• Afasias: afasia amnésica - evocação; afasia temporal completa;
Afasia temporo - occipital (zona de Wernike) - leitura, compreensão sintática; Afasia
temporo - parietal decodificação auditiva;
• Anosognomia - desintegração semântica (afetivo)
• Demência abúlica
• Dislexia - Alterações do campo visual (Lobos Temporo ocipital)
• Psicoses
• Deficiência mental

o Alterações do Hemisfério direito

Lobos Parietal - Temporal - Ocipital Coordenação viso – motora Destreza visual motora -
rapidez exatidão da atenção visual percepção espaço temporal - localização visualização
espacial ritmo / força * - inteligência corporal cinestésica

• excluindo danos das apraxias, hemiplegias, paresias (parestesias)

Percepção / organização musical discriminação/ elaboração - tom discriminação/


elaboração - ritmo/ harmonia

EXEMPLOS DE TESTES DE AVALIAÇÃO NEUROPSICOLOGICA

D2 - Atenção Concentrada, de 9 a 52 anos;


Figuras Complexas de Rey, de 4 a 7 anos, aplicação individual (Obs. Uso permitido
somente para pesquisa);
Teste Wisconsin de Classificação de Cartas, de 6 anos e meio a 18 anos, aplicação
individual;
WAIS - III - Escala de Inteligência Wechsler para Adultos, de 16 a 89 anos, aplicação
individual;
WISC-III - Escala de Inteligência Wechsler para Crianças, de 6 a 16 anos, aplicação
individual;
Escala Maturidade Mental Colúmbia (CMMS) – de 3 anos e 6 meses a 9 anos e 11 meses,
aplicação individual
Teste de Inteligência Geral não Verbal – TIG- NV - de 10 a 79 anos, aplicação individual ou
coletiva;

o Alterações nos Lobos frontais

Unidade para programar, regular e verificar atividade Capacidade de planejamento -


Integridade Funcional (Luria)
Essencial para funções da inteligência / raciocínio: raciocínio de senso comum (capacidade
para resolver problemas) raciocínio científico / lógico categorial - abstrato (formulação
hipóteses, teste) Avalia-se a rapidez exatidão de cálculo Identifica-se ainda alterações de
comportamento: introspeção hábitos auto cuidados higiene saúde (intrapessoal)
comportamento psicossocial - humor, afetividade sexualidade (interpessoal)
interespecífico - exploração ambiente (ciclos sazonais)

Legislação Brasileira

No Brasil, o título de Neuropsicólogo é exclusivo para psicólogos que tenham comprovada


formação na área e no tema, a partir de verificações de testes (como prova) ou cursos de
especialização reconhecidos. A partir da resolução 013/2007, o Neuropsicólogo é aquele
com competência para fazer diagnóstico, acompanhamento, tratamento e realizar
pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque
da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral. Suporte baseado de
conhecimentos teóricos e práticos científicos validados das neuro ciências e pela prática
clínica, com metodologia estabelecida experimental e clínica.
Bibliografia

Barraquer Bordas, L. Afasias, apraxias, agnosias, Es, Barcelona, Ed Toray, S A, 1976


Bleuler, Eugen. Tratado de Psiquiatria. Es, Espasa calpe S A
Carmichel Desenvolvimento Cognitivo, Man. Psic. da Criança Vol 6, Mussen P (org.) SP EPU
/ EDUSP, 1976
Daneman, M. (1991). Working memory as a predictor of verbal fluency. Journal of
Psycholinguistic Research, 20, 445-464. apud: Karyn Matotek, Michael M. Saling; Peter
Gates; Leslie Sedal Subjective Complaints, Verbal Fluency, and Working Memory in Mild
Multiple Sclerosis. Appl Neuropsychol 8(4):204-210, 2002. © 2002 Lawrence Erlbaum
Associates, Inc http://www.medscape.com/viewarticle/431449
Foulkes, D. Psicologia do Sono. SP, Cultrix, 1970
Luria, A. R. Fundamentos de Neuropsicologia, Livros Técnicos e Científicos Ed. S A, EDUSP,
1981
_______ Curso de Psicologia Geral 4 vol. RJ Ed Civilização Brasileira
Matos, Paulo. Curso de neuropsicologia,. Jorn Bras Psiquiatria 41(8) 375-378, 1992;
_________ Carvalho ML; Piedade RAM. Revista Brasileira de Neurologia, v 28 n4, jul - ago,
1992;
Paim I, . Esquizofrenia. SP Ed Grijalbo, 1973
_____ ., Curso de Psicopatologia. SP, Ed Grijalbo
Piaget, J. Psicologia da inteligência, RJ Ed Fundo de Cultura
_____ , Inhelder, B.. Gênese da estruturas lógicas elementares RJ ED ZAHAR INL MEC ,
1975
_____ . A formação do símbolo na criança, imitação, jogo e sonho, imagem e representação
RJ ED ZAHAR Inst Nac do Livro MEC , 1975
_____ . A construção do real na criança RJ ED ZAHAR Instituto Nacional do Livro MEC, 1975
_____ . A origem da idéia do acaso na criança RJ ED Record
_____ , Szeemminska A. A gênese do número na criança. RJ ED ZAHAR I.N.L MEC, 1975
_____ . Inhelder, B. O desenvolvimento das quantidades físicas na criança RJ ZAHAR INL
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_____ . A linguagem e o pensamento da criança RJ Ed Fundo de Cultura
_____ . A noção de tempo na criança RJ Ed Record
_____ . O nascimento da inteligência na criança RJ ED ZAHAR Instituto Nacional do Livro
MEC , 1975
_____. Seis Estágios de psicologia. (Os pensadores) RJ Ed. Abril
Portellano, J.A. (2005) Introducción a la Neuropsicología. Mc Graw Hill.Madrid.
Portellano, J.A. (2007) Neuropsicología Infantil. Síntesis. Madrid.

Sanvito, W.L. Os comas na prática médica. SP, Manole, 1978

Ligações externas

• Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia


• Sociedade Brasileira de Neuropsicologia
• IBNeuro Instituto Brasiliense de Neuropsicologia
• Neuropsychology Central
• Pavlov Institute of Physiology
• Regulamentação da Neuropsicologia no Brasil

Etologia

Em zoologia, a Etologia é a disciplina que estuda o comportamento animal (do Grego


ethos = ser profundo, logia = estudo). Está ligada aos nomes de Konrad Lorenz e Niko
Tinbergen, sob influência da Teoria da Evolução, tendo como uma de suas preocupações
básicas a evolução do comportamento através do processo de seleção natural. Segundo
Darwin (1850, apud Bowlby,1982), cada espécie é dotada de seu próprio repertório
peculiar de padrões de comportamento, da mesma forma que é dotada de suas próprias
peculiaridades anatômicas. Os etólogos estudam esses padrões de comportamento
específicos das espécies, fazendo-o preferencialmente no ambiente natural, uma vez que
acreditam que detalhes importantes do comportamento só podem ser observados durante
o contato estreito e continuado com espécies particulares que se encontram livres no seu
ambiente.

As Quatro Questões

Os etólogos caracterizam-se por uma posição metodológica que gira em torno das quatro
questões de Tinbergen. Este, em 1963, propôs que em primeiro lugar deve-se observar e
descrever o comportamento; posteriormente, uma análise completa do comportamento
deve ser feita com bases nas análises causal, ontogenética, filogenética e funcional. A
análise causal é feita através do estabelecimento de uma relação entre um determinado
comportamento com uma condição antecedente, sendo estudados os estímulos externos
responsáveis pelo comportamento e os mecanismos motivacionais internos. A análise
ontogenética envolve uma relação do comportamento com o tempo, estando o interesse
voltado para o processo de diferenciação e de integração dos padrões comportamentais
no curso do desenvolvimento de um indivíduo jovem. A análise filogenética, por sua vez,
estuda a história do comportamento no curso da evolução da espécie. Por último, a
análise funcional estabelece uma relação entre um determinado comportamento e
mudanças que ocorrem no ambiente circundante ou dentro do próprio indivíduo. Pensa-se
em que vantagens seletivas um dado comportamento confere a um animal, como pode
afetar as chances de sobrevivência e reprodução de um animal, fornecendo assim
material para a seleção natural. A peculiaridade da metodologia etológica é a
preocupação com questões de função, adaptação e filogênese, que mesmo quando não
são o foco principal de estudo se refletem na maneira como é conduzida a análise de
questões causais ou ontogenéticas.

Contribuições metodológicas da Etologia para a Psicologia

Hinde (1974 apud Carvalho, 1998) defende que os procedimentos de observação,


descrição, experimentação e análise desenvolvidos para o estudo do comportamento
animal podem ser utilizados no estudo do comportamento humano, com grande sucesso.
Segundo Bowlby (1982), “a Etologia está estudando os fenômenos relevantes de um
modo científico”. Segundo o mesmo, a abordagem etológica pode fornecer o repertório de
conceitos e dados necessários para explorar e integrar dados e insights proporcionados
por outras abordagens, como a psicanálise, a teoria da aprendizagem de Piaget e o que
vem sendo denomindado Neuroetologia no estudo comparativo e correlacional entre os
distintas formas de sistema nervoso e suas funções e/ou comportamentos. O processo de
elaboração de etogramas ou repertórios comportamentais é também um importante
passo para o conjunto de técnicas behavioristas de modificação do comportamento.

Contribuições "práticas" para a Psicologia

Esse tipo de contribuição refere-se à possibilidade de utilização de resultados obtidos em


estudos de comportamento animal para a complementação, confirmação e / ou
aprofundamento de conhecimentos sobre o homem. Essa contribuição é especialmente
útil em problemas nos quais a experimentação com humanos é impossível ou
inconveniente, como os estudos de isolamento social em primatas não-humanos. Embora
não se possam transpor resultados diretamente, dada a importância das diferenças inter-
específicas, estes estudos enriquecem a compreensão sobre os seres humanos quando
comparados com sujeitos em situações menos controladas, como estudos clínicos e
observacionais. Entre os estudos mais relevantes até hoje apresentados estão os do
fenômeno do Imprinting (Estampagem) descoberto inicialmente no comportamento das
aves mas atualmente já identificado em primatas.

A estampagem inter-específica entre cisnes e patos são conhecidas por todos graças ao
conto de fadas O patinho feio
Contribuição teórico-conceitual

A Etologia, enquanto abordagem do estudo do comportamento que se caracteriza por um


enfoque biológico e, portanto, como área do trabalho científico, utiliza modelos e
conceitos teóricos para a interpretação de seus fenômenos. Conceitos como estímulo-
sinal, estímulo supra-normal, estampagem e período sensível têm sido de grande
importância no estudo da infância, possibilitado o aperfeiçoamaneto de escalas de
desenvolvimento, por exemplo.

Contribuições sobre o conceito de Homem

A Etologia, segundo Carvalho (1989), tem contribuído para a recuperação da noção de


homem como um ser bio-psico-social, abandonando a concepção insular do homem que
dominou as ciências humanas (inclusive algumas áreas da Psicologia) na primeira metade
do século XX, que destaca o homem da natureza e coloca-o em posição de oposição a
esta. A concepção etológica do ser humano é a de um ser biologicamente cultural e social,
cuja psicologia se volta para a vida sociocultural, para qual a evolução criou preparações
bio-psicológicas específicas.

Referências bibliográficas

• BOWLBY, John (1982) Formação e rompimento de laços afetivos. SP: Martins Fontes
– Abordagem etológica da pesquisa sobre desenvolvimento infantil, pp. 23-40.
• BOWLBY, John. Trilogia Apego, Separação e Perda. Volumes I, II e III. São Paulo.
Martins Fontes 1990.
• BUSSAB, V. S. R; OTTA, E; GUERRA, R.F.(1991) Introdução à Etologia. In: XXI
Reunião Anual de Psicologia de Ribeirão Preto, 1991, Ribeirão Preto. Anais da XXI
Reunião Anual de Psicologia de Ribeirão Preto, 1991, pp. 378-382.
• CARVALHO, A.M.A. (1989) O lugar do biólogico na Psicologia: o ponto de vista da
Etologia. Biotemas, 2(2): pp. 81-92.
• CARVALHO, A.M.A (1998) Etologia e Comportamento Social. Em: Psicologia,
reflexões (im)pertinentes, Casa do Psicólogo, pp. 195-202.
• EIBL-EIBESFELDT, Irenaus - "Etologia - Introducion al Estudio Comparado del
Comportamiento". Barcelona, Omega, 1974.
• HINDE, Robert A. - "Bases Biologicas de la Conducta Social Humana" Ilust. de
Priscilla Edwards . Mexico, Siglo XXI, 1977.
• JONES, N. Blurton. Estudos etológicos do comportamento da criança. SP, Pioneira,
1981
• OTTA, E. (1989) . A importância da Etologia para a Psicologia. In: 3º Encontro
Paranaense de Psicologia, 1989, Londrina. Anais do 3º Encontro Paranaense de
Psicologia, 1989. v. 3. p. 77-81.
• SANTOS, António J. Psicobiologia e Etologia do Desenvolvimento Humano.
Congresso Internacional, Interfaces em Psicologia, Universidade de Évora.
Disponível em: http://www.ispa.pt/resources/contents/CII/Files/Linha8/projectos.pdf
Acesso em: 26 jun 2005.

[Ver também

O Wikimedia Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre
Etologia

• Jane Goodall
• António Bracinha Vieira
• Konrad Lorenz
• John Bowlby
• Desmond Morris, autor de O macaco nu
• Richard Dawkins
Ligações externas

• Site auxiliar (teste chi quadrado) para elabração de etogramas - disciplina de


Etologia do Curso de Ciências Biológicas - Modalidade Médica da UNIFESP -
Universidade Federal de São Paulo
• Sociedade Brasileira de Etologia
• Ethograms - Behavioral Advisory Group

O Wikilivros tem um livro chamado Etologia

Psicologia do senso comum

Psicologia do senso comum ou do quotidiano (Alltagspsychologie) (muitas vezes


também chamada de psicologia ingênua ou naive) "é um sistema de convicções
culturamente transmitidas a respeito do comportamento e das experiências pessoais
humanas e suas causas"[1]. Em outras palavras, é o conjunto de teorias que cada pessoa
tem a respeito de como o ser humano funciona. Essas teorias e convicções estão
profundamente arraigadas no ser humano e servem de base para as decisões que as
pessoas tomam no dia-a-dia.
A psicologia científica se desenvolve sobre o pano de fundo da psicologia do senso comum
e deve tê-la sempre em conta. No entanto a relação entre as duas não é sempre pacífica.
Alguns autores, como Harold Kelley (1992)[2] defendem que a tarefa da psicologia
científica não é refutar a psicologia do senso comum, mas desenvolvê-la e sistematizá-la -
afinal a psicologia do senso comum contém um conhecimento sobre o ser humano que
permite às pessoas que se compreendam mutuamente, o que, de maneira geral, funciona.
No entanto, muitas descobertas da psicologia científica contradizem a psicologia do senso
comum - por exemplo, quando Freud afirmou pela primeira vez que crianças têm
sexualidade, hoje uma idéia já difundida e confirmada, a opinião comum a respeito era
ver as crianças como seres assexuados - e esta, além disso, propõe muitas vezes idéias
contraditórias - por exemplo a idéia de que pessoas devam se relacionar com seus
semelhantes ("lé com lé, cré com cré") coexiste com a idéia de que "os opostos se
atraem", cada uma sendo escolhida conforme a situação. Por isso outros autores [3][4]
vêem na psicologia do senso comum um do grandes obstáculos da psicologia científica,
pois a influência daquela acaba por dificultar ou até mesmo impedir esta de desenvolver
novas ideias e conceitos[5]. Por outro lado, como se vê no próprio exemplo da teoria de
Freud, a psicologia do senso comum está sempre em mudança e é constantemente
alimentada por ideias e conceitos da psicologia científica. A tensão entre as duas permeia
assim toda a atividade da psicologia científica, exigindo do pesquisador uma redobrada
atenção.

Referências

1. ↑ "Die Alltagspsychologie ist ein System kulturell tradierter Überzeugungen über


menschliches Erleben und Verhalten und dessen Ursachen" Asendorpf (2004), p.2.
2. ↑ Kelly, Harold H. (1992). Common-sense psychology and scientific psychology.
Annual review of psychology, 43, 1-23.
3. ↑ Peters, R. S. (1960). The concept of motivation. London: Routledge & Kegan Paul.
4. ↑ Cosmides, L. & Tooby, J. (1994). Beyond intuition and instinct blindness: Toward
an evolutionary rigorous cognitive science. Cognition, 50, 41-77.
5. ↑ Rudolph, Udo (2003). Motivationspsychologie. Weinheim: Beltz.

Bibliografia

• Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer. ISBN 3


540 66230 8
• Rudolph, Udo (2003). Motivationspsychologie. Weinheim: Beltz. ISBN 3-621-27508-8

Psicanálise
Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psicologia desenvolvido por
Sigmund Freud, médico neurologista vienense nascido em 1856 que se propõe à
compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente e
abrange três áreas:

1. um método de investigação da mente e seu funcionamento;


2. um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humanos;
3. um método de tratamento psicoterapêutico[1].

Essencialmente é uma teoria da personalidade e um procedimento de psicoterapia;


contudo é inquestionável, em nossos dias, suas contribuições para compreensão da ética,
moralidade e cultura humana.

Conceituação

Os primórdios da psicanálise datam de 1882 quando Freud, médico recém formado,


trabalhou na clínica psiquiátrica de Theodor Meynert, e mais tarde, em 1885, com o
médico francês Charcot, no Hospital Salpêtrière (Paris, França). Sigmund Freud, um
médico interessado em achar um tratamento efetivo para pacientes com sintomas
neuróticos ou histéricos. Ao escutar seus pacientes, Freud acreditava que seus problemas
se originaram da inaceitação cultural, ou seja, seus desejos eram reprimidos, relegados ao
inconscientes. Notou também que muitos desses desejos se tratavam de fantasias de
natureza sexual. O método básico da psicanálise é o manejo da transferência e da
resistência em análise. O analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o
que lhe vem à mente (método de associação livre). Suas aspirações, angústias, sonhos e
fantasias são de especial interesse na escuta, como também todas as experiências vividas
são trabalhadas em análise. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude
empática de neutralidade. Uma postura de não-julgamento, visando a criar um ambiente
seguro.
A originalidade do conceito de inconsciente introduzido por Freud deve-se à proposição de
uma realidade psíquica, característica dos processos inconscientes. Por outro lado,
analisando-se o contexto da época observa-se que sua proposição estabeleceu um diálogo
crítico à proposições Wilhelm Wundt (1832 — 1920) da psicologia com a ciência que tem
como objeto a consciência entendida na perspectiva neurológica (da época) ou seja
opondo-se aos estados de coma e alienação mental. (Goodwin)
Muitos colocam a questão de como observar o inconsciente. Se a Freud se deve o mérito
do termo "inconsciente", pode-se perguntar como foi possível a ele, Freud, ter tido acesso
a seu inconsciente para poder ter tido a oportunidade de verificar seu mecanismo, já que
não é justamente o inconsciente que dá as coordenadas da ação do homem na sua vida
diária.
Não é possível abordar diretamente o inconsciente (Ics.), o conhecemos somente por suas
formações: atos falhos, sonhos, chistes e sintomas diversos expressos no corpo. Nas suas
conferência na Clark University (publicadas como Cinco lições de psicanálise) nos
recomenda a interpretação como o meio mais simples e a base mais sólida de conhecer o
inconsciente.
Outro ponto a ser levado em conta sobre o inconsciente é que ele introduz na dimensão
da consciência uma opacidade. Isto indica um modelo no qual a consciência aparece, não
como instituidora de significatividade, mas sim como receptora de toda significação desde
o inconsciente. Pode-se prever que a mente inconsciente é um outro "eu", e essa é a
grande ideia de que temos no inconsciente uma outra personalidade atuante, em
conjuntura com a nossa consciência, mas com liberdade de associação e ação.

Correntes, dissensões e críticas

Diversas dissidências da matriz freudiana foram sendo verificadas ao longo do século XX,
tendo a psicanálise encontrado seu apogeu nos anos 50 e 60.
As principais dissensões que passou o criador da psicanálise foram C. G. Jung e Alfred
Adler, que participavam da expansão da psicanálise no começo do século XX. C. G. Jung,
inclusive, foi o primeiro presidente do Instituto Internacional de Psicanálise (IPA), antes de
sua renúncia ao cargo e a seguidor das idéias de Freud. Outras dissidências importantes
foram Otto Rank, Erich Fromm. No entanto, a partir da teoria psicanalítica de Freud,
fundou-se uma tradição de pesquisas envolvendo a psicoterapia, o inconsciente e o
desenvolvimento da práxis clínica, com uma abordagem puramente psicológica.
Desenvolvimentos como a psicoterapia humanista/existencial, psicoterapia reichiana,
dentre diversas e tantas terapias existentes, foram, sem dúvida, influenciadas pela
tradição psicanalítica, embora tenham conferido uma visão particular para os conteúdos
da psicologia clínica.
O método de interpretar os pacientes e buscar a cura de enfermidades físicas e mentais
através de um diálogo sistemático/metodológico com os pacientes foi uma inovação
trazida por Freud. Até então, os avanços na área da psicoterapia eram obsoletas e tinham
um apelo pela sugestão ou pela terapia com banhos, sangrias e outros métodos antigos
no combate às doenças mentais.
Sua contribuição para a Medicina, Psicologia, e outras áreas do conhecimento humano
(arte, literatura, sociologia, antropologia, entre outras) é inegável. O verdadeiro choque
moral provocado pelas ideias de Freud serviu para que a humanidade rompesse, ou pelo
menos repensasse muito de seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade, e
atingisse um maior grau de refinamento e profundidade na busca das verdades psíquicas
do ser humano.
Na atualidade, a Psicanálise já não se limita à prática e tem uma amplitude maior de
pesquisa, centrada em outros temas e cenários, desenvolvendo-se como uma ciência
psicológica autônoma. Hoje fica muito difícil afirmar se a Psicanálise é uma disciplina da
Psicologia ou uma Psicologia própria.
Após Freud, muitos outros psicanalistas contribuíram para o desenvolvimento e
importância da psicanálise. Entre alguns, podemos citar Melanie Klein, Winnicott, Bion e
André Green. No entanto, a principal virada no seio da psicanálise, que conciliou ao
mesmo tempo a inovação e a proposta de um "retorno a Freud" veio com o psicanalista
francês Jacques Lacan. A partir daí outros importantes autores surgiram e convivem em
nosso tempo, como Françoise Dolto, Serge André, J-D Nasio e Jacques-Alain Miller.

Ver também

• Teoria psicanalítica
• Neuroses
• Psicoses
• Perversões
• Transtornos Alimentares
• Toxicomanias
• Alucinação
• Histeria
• Depressão
• Ansiedade
• Fantasia
• Sexualidade humana / Libido
• Incesto / Amor
• Édipo / Édipo Rei
• Complexo de Édipo
• Gradiva de Jensen
• Semiótica psicanalítica
• Antropologia e psicanálise

Autores importantes

• Anna Freud • Steve Abadie-Rosier


• Anna O. • Jean-Martin Charcot
• Alfred Adler • Jean Laplanche
• Carl Jung • Jacques Lacan
• Donald Winnicott • Jacques-Allain Miller
• Ernest Jones • Jen-Bertrand Pontalis
• Erik Erikson • Josef Breuer
• Françoise Dolto • Melanie Klein
• Franz Alexander • Sigmund Freud
• Karl Abraham • Wilfred Bion
• Wilhelm Reich
Referências

1. ↑ Moore BE, Fine BD (1968), A Glossary of Psychoanalytic Terms and Concepts,


Amer Psychoanalytic Assn, p. 78, ISBN 978-0318131252

Bibliografia

Strachey, James (Ed.) Sigmund Freud, edição standard brasileira das obras de sigmund
Freud 24 V. RJ, Imago, 1996
Etchegoyen, R. Horacio : Fundamentos da Técnica Psicanalítica - 2ª Edição, Editora:
Artmed, 2004, ISBN 85-363-0206-2
Goodwin, C James. História da psicologia moderna. SP, Cultrix, 2005
Hothersall, D. História da psicologia moderna. SP, McGraw-Hill, 2006

Ligações externas

• Febrapsi - Federação Brasileira de Psicanálise


• CEP - Centro de Estudos Psicanalíticos
• Psicoanálisis en Portalpsicologia.org
• ABRAFP - Associação Brasileira de Filosofia e Psicanálise
• Filosofia e Psicanálise
• Instituto Sedes Sapientiae
• NovaMente (movimento de estudo, pesquisa, clínica e publicações para o
desenvolvimento e divulgação da Nova Psicanálise)
• (em inglês) International Network of Freud Critics
• Vídeo com a voz de Sigmund Freud (em português)
• EBP - Escola Brasileira de Psicanálise
• Corpo Freudiano - Escola de Psicanálise

Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Psican%C3%A1lise"
Categorias: Psicologia | Psicanálise

Psicoterapia
O termo psicoterapia (do grego psykhē - psique, alma, mente, e therapeuein - cuidar,
curar; primeira referência ca. 1890) refere-se às intervenções psicológicas que buscam
melhorar os padrões de funcionamento mental do indivíduo e o funcionamento de seus
sistemas interpessoais (família, relacionamentos etc.). Como todas as formas de
intervenção da psicologia clínica, a psicoterapia:
• utiliza meios psicológicos para atigir um fim específico (a cura ou diminuição do
sofrimento, estresse ou incapacidade do paciente, geralmente causado por um
transtorno mental),
• baseia-se no corpo teórico da psicologia e
• é praticada por pessoal especializado (o psicoterapeuta ou psicólogo clínico)
• em um determinado contexto formal (individual, em casal, com a presença de
familiares, em grupo - de acordo com a indicação).[1]

Estrutura básica da psicoterapia


Os vários tipos de psicoterapia, em todas as suas diferentes formas e métodos, possuem
uma série de características em comum. Somente tendo em mente tais características se
pode compreender o funcionamento da psicoterapia em geral e as qualidades que
definem cada uma das diferentes escolas. Orlinsky e Howard [2] procuraram descrever a
interação dinâmica dos diferentes fatores que influenciam a psicoterapia,
independentemente da linha específica. Primeiramente as condições da terapia são
organizadas por determinadas circunstâncias sociais que determinam, por um lado, a
oferta de terapeutas, as instituições que oferecem terapia, o acesso (físico e financeiro)
da população (estrutura do sistema de saúde), e, por outro, a formação dos terapeutas e a
aceitação de terapia por parte da população (fatores socioculturais). Sobre esse pano de
fundo, filtrado pela presença de outras partes interessadas (pais, família, supervisores
etc.), se desenrola então o processo terapêutico: entre o terapeuta e o paciente (em
determinadas escolas chamado cliente), cada um dos quais possuindo determinadas
características profissionais e de personalidade, se fecha um contrato terapêutico, que
define as regras do trabalho terapêutico para ambas as partes. Dois elementos, a técnica
terapêutica e o relacionamento terapêutico, representam a base de trabalho e são ambas
influenciadas por atributos tanto do terapeuta como do paciente. O trabalho técnico do
terapeuta, por outro lado, só poderá dar frutos se o paciente mostrar abertura a esse
trabalho. Os efeitos da terapia se apresentam em diferentes níveis, tanto em relação aos
padrões de funcionamento do indivíduo quanto em relação a seus relacionamentos
interpessoais.[1]

Efetividade da psicoterapia

A disciplina que se dedica ao estudo - desenvolvimento, avaliação, melhoramento,


explicação teórica - da psicoterapia é a pesquisa psicoterapêutica
(Psychotherapieforschung). A pesquisa empírica (ou seja, usando métodos científicos)
sobre a psicoterapia começou nos anos 1950, depois de o psicólogo britânico Hans Eysenk
(1952) ter afirmado que psicoterapia não tinha efeito nenhum, ou seja, que era melhor
ficar em casa do que buscar um terapeuta. Essa afirmação de Eysenk, de que ele próprio
mais tarde (1993) se distanciou, foi o impulso necessário, para que a busca de uma
compreensão mais aprofundada do processo terapêutico começasse.
A pesquisa dos efeitos da psicoterapia, baseada nos padrões da pesquisa farmacêutica,
busca diferenciar o efeito da terapia em si, o efeito placebo, ou seja, a melhora nos
sintomas devido à expectativa do paciente (e não à terapia em si), e a remissão
espontânea, ou seja, a cura dos sintomas por si sós. Uma resposta à questão do efeito da
psicoterapia não se dá no entanto, com apenas meia dúzia de estudos; pelo contrário, são
necessários muitos deles, que são então reunidos em uma meta-análise, ou seja, um
estudo que reúne e resume um grande número de estudos. Com base em várias
metaanálises pode-se afirmar hoje que a psicoterapia, pelo menos em suas formas
tradicionais, é realmente efetiva - ou seja tem efeitos mais fortes sobre a saúde psíquica
do que o efeito placebo e a remissão espontânea.[3][4] Cabe no entanto observar com Klaus
Grawe (1998)[5] que a questão do efeito placebo se apresenta de maneira diferente em
psicoterapia e em farmácia, pois enquanto nesta se trata de um efeito indesejável (se
quer de fato que o medicamento funcione por si mesmo), em psicoterapia trata-se de um
forte efeito psicológico, que deve ser compreendido e que pode ser utilizado como parte
da própria terapia.

O funcionamento da psicoterapia

Uma vez confirmado o efeito positivo da psicoterapia sobre a saúde mental dos pacientes,
a pesquisa empírica começou a voltar sua atenção a uma pergunta muito mais difícil de
ser respondida: como, com que mecanismos, é que ela funciona?

Fases de mudança do paciente


O processo terapêutico começa, para o paciente, antes da terapia em si e termina
somente muito depois de sua conclusão formal. Prochaska, DiClemente e Norcross (1992)
[6]
propuseram um modelo em seis fases que descreve esse processo:

1. Fase "pré-contemplativa" (precontemplation stage): é a fase da despreocupação. O


paciente não tem consciência de seu problema e não tem a intenção de modificar o seu
comportamento - apesar de as pessoas a sua volta estarem cientes do problema. Nesta
fase os pacientes só procuram terapia se obrigados;

2. Fase "contemplativa" (contemplation stage): é a fase da tomada de consciência. O


paciente se dá conta dos problemas existentes, mas não sabe ainda como reagir. Ele
ainda não está preparado para uma terapia: está ainda pesando os prós e os contras;

3. Fase de preparação (preparation): é a fase da tomada de decisão. O paciente se


decide pela terapia - nesta fase o meio social pode desempenhar um papel muito
importante;

4. Fase da ação (action): o paciente investe - tempo, dinheiro, esforço - na mudança. É a


fase do trabalho terapêutico propriamente dito;

5. Fase da manutenção (maintenance): é a fase imediatamente após o fim da terapia.


O paciente investe na manutenção dos resultados obtidos por meio da terapia e introduz
as mudanças no seu dia-a-dia;

6. Fase da estabilidade (termination): é a fase da cura. Nesta fase o paciente


solucionou o seu problema e o risco de uma recaída não é maior do que o risco de outras
pessoa para esse transtorno específico.
De acordo com o desenvolvimento do paciente através das diferentes fases se classificam
quatro tipos de progressão: (1) o transcurso estável, em que o paciente se estagna em
uma fase; (2) o transcurso progressivo, em que o paciente se movimenta de uma fase
para a próxima; (3) o transcurso regressivo, em que o paciente se movimenta para uma
fase em que já esteve, e (4) o transcurso circular (recycling), em que o paciente muda a
direção do movimento pelo menos duas vezes.

Fases da terapia

A terapia em si se desenvolve em quatro fases consecutivas, cada qual com objetivos


próprios:[1]

1. Indicação: definição do diagnóstico, decisão com respeito à necessidade de uma


terapia e de qual tipo (médica, psicoterapêutica, ambas), aos métodos indicados para o
problema em questão, esclarecimento do paciente a respeito da terapia;

2. Promoção de um relacionamento terapêutico e trabalho de clarificação do


problema: a estruturação dos papéis (terapeuta e paciente), desenvolvimento de uma
expectativa de sucesso, promoção do relacionamento entre paciente e terapeuta,
transmissão de um modelo etiológico do problema;

3. Encenação do aprendizado terapêutico: aquisição de novas competências (terapia


cognitivo-comportamental), análise e experiência de padrões de relacionamento
(psicanálise), reestruturação da autoimagem (terapia centrada na pessoa);

4. Avaliação: verificação do atingimento dos objetivos propostos, estabilização dos


resultados alcançados, fim formal da terapia e da relação paciente-terapeuta.
As decisões tomadas na fase 1 não devem necessariamente permanecer imutáveis até o
fim da terapia. Pelo contrário, o terapeuta deve estar atento a mudanças no paciente, a
fim de adaptar seu métodos e suas decisões de trabalho à situação do paciente, que nem
sempre é clara no começo da terapia. A isso se dá o nome de indicação adaptável.
Mecanismos de mudança em psicoterapia

Vários autores se dedicaram à questão do funcionamento da psicoterapia: o que é que


leva à mudança no paciente. K. Grawe (2005)[7] descreve cinco mecanismos básicos de
mudança (Grundmechanismen der Veränderung) comuns a todas as escolas
psicoterapêuticas:

1. Relacionamento terapêutico (therapeutische Beziehung): a qualidade do resultado


de uma terapia é em grande parte influenciada pela qualidade do relacionamento entre o
terapeuta e o paciente.

2. Ativação de ressources (meios) (Ressourcenaktivierung): a psicoterapia auxilia o


paciente a mobilizar a força interna que ele possui para realizar a mudança necessária e
estabilizá-la.

3. Atualização do problema (Problemaktualisierung): a psicoterapia expõe o paciente


ao seu padrão normal de comportamento, como modo de tornar esses padrões
conscientes e assim modificáveis. Exemplos são o trabalho com meios teatrais, como no
psicodrama; os treinamentos de competências sociais, que podem ser contados como
parte integrante da terapia comportamental; a técnica de focusing de Gendlin, e o
trabalho com transferência e contra-transferência, típico da psicanálise e de outras
escolas psicodinâmicas;

4. Esclarecimento motivacional (Motivationale Klärung) ou Clarificação e


transformação de interpretações (Klärung und Veränderung der Bedeutungen): a
psicoterapia auxilia a clarificação de ambiguidades e obscuridades na experiência pessoal
do paciente, ajudando-o a encontrar um sentido para aquilo que ele experiencia.
Exemplos são os métodos de clarificação típicos da terapia centrada no cliente e os
métodos de reestruturação cognitiva da terapia cognitiva;

5. Competência na superação dos problemas (Problembewältigung): a psicoterapia


capacita o paciente a adquirir a capacidade de adaptação à realidade psíquica e social,
típico dos transtornos psíquicos. Exemplo típico de métodos que usam esse mecanismo de
maneira explícita são os métodos de exposição, comuns à terapia comportamental;
Uma outra abordagem do problema oferecem Prochaska et al. (1992),[6] ao descreverem
dez processos de mudança diferentes. Tais processos são definidos como atividades e
experiências pessoais que o paciente, de maneira direta ou indireta, realiza na tentativa
de modificar seu comportamento problemático. Esses processos são: (1) Autoexploração
ou autoreflexão (conscious raising), ou seja, o paciente procura se conhecer melhor, o
que leva a uma (2) auto-reavaliação, (3) autolibertação da convicção de que uma
mudança não é possível, (4) contra-condicionamento, ou seja, a substituição do
comportamento problemático por outro, mais adequado, (5) controle dos estímulos, ou
seja, o evitar ou combater estímulos que levam ao comportamento problemático, (6)
Administração de reforços, ou seja, o paciente se dá uma recompensa cada vez em
que se comporta da maneira desejada (ver condicionamento operante), (7)
relacionamentos auxiliadores, ou seja, o paciente se abre à possibilidade de falar
sobre seus problemas com uma pessoa de confiança (de maneira especial o terapeuta),
(8) alívio emocional através da expressão de sentimentos em relação ao problema e as
suas soluções, (9) reavaliação ambiental, ou seja, o paciente percebe como o seu
problema provoca estresse não apenas para si mas também para as pessoas à sua volta,
e (10) libertação social, ou seja, o paciente realiza gestos construtivos para seu
ambiente social (família, amigos, sociedade em geral).
Em seu modelo transteórico da psicoterapia Prochaska et al. (1992) unem os processos
acima descritos a seu modelo das fases de mudança (ver acima): os diferentes processos
estão intimamente às diferentes fases e determinados processos são completamente
inócuos se realizados em uma fase inadequada.
Efeitos da psicoterapia

Ainda sob um ponto de vista geral, ou seja, comum a todas as escolas psicoterapêuticas,
os efeitos da psicoterapia podem ser analisados sob dois aspectos:[1]

• O aspecto processual, isto é, que se refere ao trabalho terapêutico em si. Aqui


podem se observar os seguintes efeitos: o fortalecimento do relacionamento
terapêutico, a intensificação da expectativa de sucesso do paciente, sensibilização
do paciente a fatores que ameaçam sua estabilidade psíquica, um mais profundo
conhecimento de si mesmo (autoexploração) e a possibilidade de novas
experiências pessoais.

• O aspecto final, isto, que se refere às consequências da terapia na vida do


paciente. Aqui se diferenciam os microefeitos dos macroefeitos. Os microefeitos
referem-se aos pequenos progressos que acontecem durante a terapia, entre as
sessões: os paciente experiencia novas situações, emoções, novas facetas de si,
novas formas de comportamento. Já os macroefeitos dizem respeito às
consequências a longo prazo e às mudanças mais profundas, relacionadas às
estruturas mais centrais da personalidade e do funcionamento psíquico: a pessoa
adquire novas posturas em relação a simesma e aos demais, adquire novas
capacidades e competências. Sobretudo, uma terapia realizada com sucesso
conduz a um aumento da autoeficácia (self-efficacy), ou seja, da convicção do
paciente de ser capaz de lidar com os problemas que o faziam sofrer, que leva a
um aumento da autoestima. Outros efeitos são ainda uma compreensão maior dos
problemas que afligem o paciente e da história de vida, que conduziu a eles.

Tanto os micro- como os macro efeitos se podem dar em três níveis: (1) melhora do bem-
estar, (2) modificação dos sintomas e (3) modificação da estrutura da personalidade.
Mudanças na estrutura da personalidade só são possíveis depois de uma melhora do bem-
estar e dos sintomas.[8]

Tipos de psicoterapia

Apesar de terem tanto em comum, os diferentes tipos de psicoterapia se diferenciam na


ênfase que dão em cada um desses aspectos comuns. Antes de serem concorrentes, os
diferentes tipos de psicoterapia possibilitam uma maior adaptabilidade do tratamento às
características individuais do paciente e podem ser classificados sob diversos pontos de
vista:[1]

Classificações sob aspectos formais



• De acordo com o número de pessoas: psicoterapia individual, de casal, familiar ou
de grupo;
• De acordo com a duração: terapias curtas (ca.6-15 sessões) e longas (até três ou
mais anos);
• De acordo com o setting (contexto): online ou pessoalmente;
• De acordo com a delegação do "poder terapêutico": terapias diretivas (power to the
terapist), em que o terapeuta trabalha com apenas um paciente; terapias de
mediação (power to the mediator), em que o auxílio não é direcionado ao paciente
diretamente, mas a pessoas relevantes para ele (pais, parceiro, etc.); grupos de
auto-ajuda (power to the person), em que pessoas os mesmos problemas procuram
juntas se ajudar mutuamente na superação do problema;
• Alguns métodos têm por objetivo mudanças intrapessoais (nas funções psíquicas do
indivíduo), outros têm por fim mudanças em sistemas interpessoais disfuncionais
(pares, famílias, grupos de trabalho…);
• De acordo com o fim da terapia: alguns tipos de psicoterapia têm por fim a
superação de um problema (problembewältigungsorientiert), outras objetivam
uma clarificação dos motivos e objetivos pessoais do paciente (motivational-
klärungsorientiert) e por fim outras buscam enfatizar as ressources do paciente,
dando atenção mais às partes saudáveis da pessoa.

Classificação de acordo com a perspectiva teórica

M. Perrez e U. Baumann (2004),[1] baseados em trabalhos anteriores, classificam quatro


grande famílias psicoterpêuticas:

• Psicoterapias psicodinâmicas: explicam os problemas psíquicos com base em


conflitos inconscientes originados na infância e seu objetivo é superação de tais
conflitos. Para isso elas procuram compreender o presente a partir do passado e
trabalham com métodos interpretativos. Objetos de interpretação podem ser as
livres-associações, os fenômenos transferenciais, os atos falhos, os sonhos etc.

Ver também psicanálise e psicoterapia analítica;ou ainda Sigmund Freud, Anna Freud,
Melanie Klein, Lacan, Bion, Winnicott, Carl G. Jung, Alfred Adler, Erik Erikson

• Psicoterapias cognitivo-comportamentais: explicam os transtornos mentais


baseadas na história de aprendizado do indivíduo e nas interações dele com seu
meio, e têm por objetivo o restabelecimento das competências do paciente de
controlar seu comportamento e de influenciar suas emoções e percepsões. Apesar
de também ter um olho voltado para o passado, este grupo de terapias se
concentra sobretudo no presente e trabalha com métodos como treinamentos,
condicionamento operante, habituação, reestruturação cognitiva, o diálogo
socrático, métodos psicofisiológicos, entre outros
.
Ver também Terapia cognitivo-comportamental; ou ainda Aaron Beck

• Psicoterapias existencial-humanistas: Esse tipo de terapia parte do princípio


que todo ser humano possui em si uma força interna que, se não for impedida por
influência externa, o conduz à sua plena realização. Elas explicam assim os
trantornos psíquicos como fruto da incongruência entre a autoimagem e a
experiência pessoal e buscam fomentar as forças de autorealização
(selfactualisation) do indivíduo. Esse grupo de terapias se concentra na experiência
atual da pessoa e procuram métodos de trabalho que possibilitem ao cliente (como
é chamado por elas a pessoa que busca a terapia) desenvolver-se de maneira
congruente a suas necessidades.
Ver terapia centrada no cliente, gestaltoterapia, logoterapia ou ainda Carl Rogers, Fritz
Perls, Viktor Frankl, Maslow, Rollo May

• Psicoterapias orientadas na comunicação: consideram os transtornos do


comportamento como expressão de estruturas de comunicação disfuncionais e
buscam uma reorganização de tais estruturas ou a formação de novas, mais
construtivas. Tembém tais terapias preocupam-se sobretudo com a situação
presente e trabalham com métodos que possam gerar novas formas de
compreensão da realidade e de si mesmo.

Ver psicoterapia sistêmica ou ainda Paul Watzlawick, escola de Milão (psicoterapia)


Essa classificação, apesar de possibilitar uma visão geral da área da psicoterapia, é no
entanto muito genérica para englobar todas as formas existentes, sobretudo porque
muitas são formas híbridas, que juntam em si elementos de diferentes tendências.
A página anexa Lista de psicoterapias oferece uma lista de diferentes tipos de
psicoterapia e conduz aos respectivos artigos,

Abordagens transteóricas

Apesar de toda a complementariedade das diferentes escolas e linhas da psicoterapia - e


apesar de muitos psicoterapeutas fazerem usos de idéias e técnicas de diferentes linhas -
a relação entre elas está longe de ser amigável. As escolas psicodinâmicas e existencial-
humanistas são muitas vezes atacadas por não serem suficientemente empiricamente
fundamentadas[9][10] enquanto as cognitivo-comportamentais são acusadas de serem
mecânicas, cansativas e superficiais.[11] A tentativa de proporcionar à prática
psicoterapêutica uma base comum é feita por diferentes autores de diferentes maneiras:

• Integração: é a busca de uma unificação da base teórica das diferentes escolas


(Arkowitz, 1992).
• Ecletismo: é uma posição mais prática. O objetivo é reunir os elementos efetivos
das diferentes esolas, sem levar em conta possíveis diferenças teóricas.
• A busca de variáveis transteóricas, que são os fatores comuns a todas as
escolas, mas que recebem em cada uma delas um papel mais ou menos central.
Ver acima "Mecanismos de mudança em psicoterapia".
• A busca de uma psicoterapia geral (allgemeine Psychotherapie, Grawe et al.,
1997[12]), que é a formação de uma estrutura teórica básica, que oferece uma
possibilidade de localizar e descrever as diferentes escolas.

Importante é notar que ainda não existe uma teoria geral que abarque todas as formas de
psicoterapia. A moderna psicoterapia é um sistema aberto que tem ainda muito a se
desenvolver por meio da pesquisa científica. Um importante papel na pesquisa atual
desempenham os tratamentos voltados para transtornos específicos e não terapias
genéricas.[1]

Indicação

Indicação designa o conjunto de sintomas e sinais que mostram qual tipo intervenção é
mais apropriada em
um determinado caso. A pricipal indicação para uma psicoterapia é um transtorno mental.
Mas não só. Uma psicoterapia pode ser indicada também em situações em que o indivíduo
está instisfeito com a própria forma de vida, em que ele precisa tomar decisões difíceis e
não sabe como, em situações em que a pessoa não vê sentido naquilo que faz, etc.[13]
Uma outra questão de indicação que hoje em dia recebe muito pouca atenção é o da
forma de psicoterapia.[5] Como foi tratado mais acima, cada tipo de psicoterapia trabalha
de modo mais acentuado com um dos mecanismos de mudança (mesmo que os outros
mecanismos sempre estejam presentes de maneira mais sutil). No entanto a decisão a
respeito do tipo de psicoterapia a ser realizado não costuma ser feita a partir do estado do
paciente ou de outras formas de indicação, mas simplesmente pelo tipo de formação do
terapêuta. Um dos maiores problemas da divisão da psicoterapia em escolas distintas e
antagônicas é exatamente que a formação dos psicoterapêutas é limitada a um tipo de
terapia, a um mecanismo de mudança, o que impede que ao paciente seja oferecida toda
a gama possível de formas de trabalho psicoterapêutico - para que então se possa
escolher, com base em critérios diagnósticos, qual a forma mais indicada para o caso
individual. Essa importante questão exige principalmente uma reestruturação da
formação dos psicoterapêutas e está atualmente no centro das discussões sobre as
diferentes formas de psicoterapia.
Referências

1. ↑ a b c d e f g Perrez & Baumann, "Psychotherapie: Sytematik und


methodenübergreifende Faktoren", Cap. 18, p. 430-455 em Perrez & Baumann
(2005)
2. ↑ Orlinsky, D.E. & Howard, K.I. (1986). "Process and outcome in psychotherapy". In
S.L. Garfiel & A.E. Bergin (eds.),Handbook of psychotherapy and behaviour change.
New York: Wiley, 4th ed., pp.311-384.
3. ↑ Lipsey, M.W. & Wilson, D.B. (1993). "The efficacy of psychological, educational,
and behavioral treatment: Confirmatin from meta-analysis". American Psychologist,
48, 1181-1209.
4. ↑ Shadish, W.R., Matt, G.E., Navarro, A.M. et al. (1997). "Evidence that therapy
works in clinically representative conditions". Journal of Consulting and Clinical
Psychology, 65, 355-365.
5. ↑ a b Grawe, Klaus (1998). Psychologische Therapie. Göttingen: Hogrefe.
6. ↑ a b Prochaska, J.O., DiClemente, C.C. & Norcross, J.C. (1992). "In search of how
people change". American psychologist, 47, pp. 1102-1114.
7. ↑ Grawe, Klaus (2005). "Empirisch validierte Wirkfaktoren statt Therapiemethoden".
Report Psychologie 7/8.
8. ↑ * Howard, K.I.; Lueger, R.J.; Maling, M.S. & Martinovich, Z. (1992). A phase model
of psychotherapy outcome: Causal mediation of change. Paper presented at the
23rd Annual Meeting of the Society for Psychotherapy research, Berkeley, CA (EUA).
9. ↑ Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit (3. Aufl.). Berlin:
Springer.
10.↑ Sachse, Rainer (2005). Von der Gesprächspsychotherapie zur
Klärungsorientierten Psychotherapie: Kritik und Weiterentwicklung eines
Therapiekonzeptes. Lengerich: Pabst Science Publ.
11.↑ Leahy, Robert L. (2007). Techniken kognitiver Therapie: ein Handbuch für
Praktiker. Paderborn: Junfermann.
12.↑ Grawe, Klaus (1997). "Research-informed psychotherapy". Psychotherapy
research, 7, pp. 1-19.
13.↑ Sachse, Rainer (2003). Klärungsorientierte Psychotherapie. Göttingen: Hogrefe.

Bibliografia

• Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit (3. Aufl.). Berlin: Springer.
ISBN 978-3-540-71684-6
• Grawe, Klaus; Donati, Ruth & Bernauer, Friederike (1997). Psychotherapy in
Transition: From Speculation to Science. Göttingen: Hogrefe. ISBN 0-88937-149-0
(Original: Grawe et. al., 1994. Psychotherapie im Wandel. Von der Konfession zu der
Profession. Göttingen: Hogrefe.)
• Grawe, Klaus (1998). Psychologische Therapie. Göttingen: Hogrefe. ISBN 3-8017-
0978-7
• Sachse, Rainer (2003). Klärungsorientierte Psychotherapie. Göttingen: Hogrefe.
ISBN 3-8017-1643-0
• Leahy, Robert L. (2007). Techniken kognitiver Therapie: ein Handbuch für Praktiker.
Paderborn: Junfermann. ISBN 978-3-87387-661-3 (Original: Leahy, R. L. (2003).
Cognitive therapy techniques - A practioner's guide. New York: Guilford
Publications. ISBN 1-57230-905-9)
• Perrez, Meinrad & Baumann, Urs (2005). Lehrbuch klinische Psychologie -
Psychotherapie. Bern: Huber. ISBN 3-456-84241-4
• Sachse, Rainer (2005). Von der Gesprächspsychotherapie zur Klärungsorientierten
Psychotherapie: Kritik und Weiterentwicklung eines Therapiekonzeptes. Lengerich:
Pabst Science Publ. ISBN 3-89967-212-7

Ligações externas

• Psicoterapias (em castelhano)


• Associação Portuguesa de Terapias Comportamental e Cognitiva

Física e Psicologia
Física e Psicologia é a denominação de uma linha de pesquisa de caráter interdisciplinar
relacionada à natureza da realidade nos seus aspectos ontológicos e epistemológicos.
Entre os principais temas de pesquisa associados estão a energia física e psíquica, a
causalidade, a sincronicidade e a temporalidade. Esta linha de pesquisa está
estreitamente ligada à Psicologia Analítica desde que o médico psicoterapeuta Carl
Gustav Jung iniciou diálogo científico com o físico quântico Wolfgang Pauli, na primeira
metade do século XX. Alguns dos principais escritores contemporâneos desta linha de
pesquisa são Ken Wilber, Stanislav Grof e Pierre Weil, pelo viés da Psicologia
Transpessoal, e Carlos Antonio Fragoso Guimarães e João Bernardes da Rocha Filho, pelo
viés da Psicologia Analítica. Cursos de especialização em Psicologia Transpessoal e
Psicologia Analítica costumam incluir uma disciplina específica desta linha de pesquisa,
como por exemplo os cursos da ALUBRAT - Associação Luso-Brasileira de Transpessoal, da
SSRMP - Sociedade Sul-Riograndense de Psicossomática, e do Instituto Prometheus de
Maringá - Paraná. Além disto, a UNESC - Universidade do Extremo Sul Catarinense,
oferece um curso de graduação em Psicologia que inclui disciplinas desta linha.
Bibliografia Consultada:
Guimarães, Carlos Antônio Fragoso. Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos. São
Paulo: Madras, 2004, 1a ed.
Rocha Filho, João Bernardes da. Física e Psicologia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003, 4a
ed. (disponível gratuitamente no Google Books)

Psicologia analítica
Psicologia Analítica, também conhecida como Psicologia Junguiana ou Psicologia
Complexa, é um ramo de conhecimento e prática da Psicologia, iniciado por Carl Gustav
Jung o qual se distingue da psicanálise iniciada por Freud, por uma noção mais alargada
da libido e pela introdução do conceito de inconsciente coletivo.
Diferentemente de Freud, Jung via o inconsciente não apenas como um repositório das
memórias e das pulsões reprimidas, mas também como um sistema passado de geração
em geração, vivo em constante atividade, contendo todo o esquecido e também
neoformações criativas organizadas segundo funções coletivas e herdadas. O inconsciente
coletivo que propõe não é, apesar das incessantes incompreensões de seus críticos,
composto por memórias herdadas, mas sim por pré-disposições funcionais de organização
do psiquismo (comparáveis às condições a priori da experiência, de Kant).
A psicologia analítica foi desenvolvida com base na experiência psiquiátrica de Jung, nos
estudos de Freud e no amplo conhecimento que Jung tinha das tradições da alquimia, da
mitologia e do estudo comparado da história das religiões, e as quais ele veio a
compreender como autorepresentações de processos psíquicos inconscientes.
Quando Jung conheceu a obra de Freud, identificou-se com grande parte de suas idéias
logo quis conhecê-lo. Ao se conhecerem, a admiração foi mútua, pois Freud rapidamente
recebeu o jovem como seu colaborador e um dos defensores de suas idéias. Devemos
lembrar que Freud enfrentava grande resistência do mundo científico às suas ideias e, em
contrapartida, Jung já tinha reconhecimento no mundo acadêmico pelos seus estudos com
associações de palavras que deram origem ao polígrafo e foram a base teorica
experimental para a comprovação dos complexos. Freud, em sua obra, atribui este termo
a Jung. A parceria durou pouco, pois Jung mostrava-se insatisfeito com algumas das
posições de Freud, especialmente a teoria da libido e sua relação com os traumas. Freud,
por sua vez, era ateu[carece de fontes?] e não compartilhava do interesse de Jung pelos
fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo.

Pós-junguianos

A Psicologia Analítica conheceu, depois da estruturação por C.G.Jung, um grande


desenvolvimento nos chamados pós-junguianos, os quais ampliaram a visão de Jung.
Merece destaque neste desenvolvimento a Escola Desenvolvimentista que estudou o
desenvolvimento humano desde o nascimento até a fase adulta e que tem como fonte a
Escola Junguiana de Londres e a pessoa de Michael Fordham com sua obra "A criança
como indivíduo" e também a pessoa de Eric Neumann com a obra "A criança". Além desta,
há também a Psicologia Arquetípica que é fruto do trabalho de James Hillman, o qual,
explora e desenvolve ao máximo a importância dos arquétipos na vida das pessoas.
Marie-Louise voz Franz foi uma das mais importantes colaboradoras de Jung, e após sua
morte desenvolveu um amplo trabalho abordando temas como a alquimia, a interpretação
psicológica dos sonhos e dos contos de fadas. Outra importante analista foi Nise da
Silveira, psiquiatra brasileira contrária ao tratamento agressivo nos hospitais psiquiátricos
de sua época. Nise criou o Museu de Imagens do Inconsciente, o qual possuia obras de
arte manuais e plásticas de pacientes psiquiátricos, relacionando-os com a teoria do seu
tutor, C.G. Jung. Com base no caráter científico que Jung procurou dar às suas teorias,
autores contemporâneos têm relacionado a Psicologia Analítica à Física, inaugurando uma
nova linha de pesquisa denominada Física e Psicologia.

Ligações externas

• Estudos junguianos Visitado em 9/03/2009


• Junguianos no Brasil Visitado em 9/03/2009
• Artigos sobre psicologia analítica Visitado em 25/10/2009
• (em espanhol)Jung no Portal Psicologia Visitado em 9/03/2009
• (em espanhol)Humanismo Visitado em 9/03/2009
• (em espanhol)C.G. Jung - Chile Visitado em 9/03/2009

Refefências Bibliográficas

ROCHA FILHO, J. B. Física e Psicologia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007, 4a ed.

Psicologia transpessoal
A psicologia transpessoal é uma abordagem da Psicologia, considerada por Abraham
Maslow (1908-1970) como a "quarta força", sendo a primeira força o
comportamentalismo, seguida da Psicanálise, e do Humanismo.
É uma forma de sincretismo teórico, que abarca conteúdos de muitas escolas
psicológicas, como as teorias de Carl G. Jung, Maslow, Viktor Frankl, Fritjof Capra, Ken
Wilber e Stanislav Grof. Surgiu em 1967 junto aos movimentos New Age nos EUA, pelo
pensamento de Maslow, que dizia que o ser humano necessitava transcender sua Psique,
conectando-se a outras realidades, procurando pela Verdade, de forma a entender sua
existência e ajudar a si próprio.
A psicologia transpessoal tem entre seus objetos de trabalho e pesquisa os estados não
ordinários de consciência que abrangem das experiência com alucinógenos (Grof, Huxley)
aos estados místicos das tradições religiosas mundiais. Ken Wilber, um dos seus principais
teóricos, em O Espectro da Consciência propõe uma cartografia do ser que abrange do
físico ao psíquico e deste ao espírito. Assim, a psicologia transpessoal abrange o ego,
como as demais escolas de psicologia, e os estados além do ego (transpessoal). No Brasil
a psicoterapia transpessoal encontrou ressonância com a tradição espírita, e os
fenômenos mediúnicos passaram a ser estudados no contexto dos estados alterados de
consciência.
Considerando que alguns dos teóricos desta abordagem não provêm da medicina ou da
psicologia, mas sim das ciências exatas ou naturais, e que alguns fenômenos estudados
por esta abordagem tem excedido os limites da psicologia acadêmica oficial,
pesquisadores e terapeutas contemporâneos vêm denominando-a simplesmente de
Transpessoal. Essa alteração de nomenclatura representa uma ruptura da ligação
exclusiva com a psicologia, permitindo que estudiosos de outras áreas do conhecimento,
interessados nos estudos transpessoais, possam participar de estudos e pesquisas em
situação de igualdade com os médicos e psicólogos.
Como vem acontecendo com relação à psicologia analítica, também a transpessoal tem
construido um diálogo produtivo com a física moderna e contemporânea, especialmente
na busca da compreensão dos fenômenos que violam princípios energéticos e temporais
(ver Física e Psicologia). Com isso a psicologia transpessoal amplia gradualmente seu
campo de ação, e hoje pode-se encontrar educadores, biólogos, filósofos, odontólogos e
outros profissionais envolvidos em estudos e pesquisas desta abordagem.

História e Críticas

Havia um grande descontentamento com as escolas de pensamento Behaviorista e


Freudiana, durante a década de 1950, assim como se enraizava, nesta época, revoltas
contra o modelo conservador de vida e política. É o ínicio do grande debate que resultaria
nas revoltas surgidas posteriormente na França que se espalharam para todo o Globo.

Críticas ao Behaviorismo

Maslow era um dos críticos descontentes com a atual idéia da psicologia; ele achava que o
Behavorismo, que estudava o comportamento humano através do comportamento
animal, não condizia com o estudo da mente humana, muito mais complexa, envolvendo
razão, sentimento, aprendizado superior, liberdade pessoal, livre-arbítrio, a arte e a
ciência, e também pontos negativos, e próprios do ser humano, como ódio, mágoa, e
tendência para fazer o "mal", como uma luta pelo melhor para si próprio, e também falava
da falta de definição dos comportamentos patológicos, únicos do ser humano. Críticava
também a ênfase no estudo do comportamento, em detrimento à consciência.
Vale ressaltar que essas críticas de Maslow só são válidas se aplicadas ao behaviorismo
watsoniano, os outros behaviorismo [em especial o radical, que é praticamente o único
dos dias atuais] estudam todos os fenômenos que Maslow criticou o behaviorismo de não
estudar, descaracterizando-se assim, a crítica.

Críticas à Psicanálise

Já sua crítica à psicanálise, consiste no reducionismo de toda a mente para a líbido e o


inconsciente. Além de tratar o humano como "doente por natureza", cuidando apenas dos
aspectos patológicos humanos. Outra crítica comum está na restrição e prejuízos que
rótulos diagnósticos como histeria, psicose e neurose grave podem gerar, segundo eles,
ao fazer com alguém se identifique e seja identificado com o diagnótico. Segundo alguns
autores transpessoais o ser humano deve viver livre de rótulos para alcançar sua
plenitude.

Nascimento do Humanismo

Algum tempo depois Maslow juntamente a Anthony Sutich fundam a Associação de


Psicologia Humanista (Association for Humanistic Psychology) e lançam um jornal para
divulgar a escola. Foi muito bem aceito por um grande número de psicólogos, sendo que
muitos contribuiram com suas teorias naquela mesma época, como Carl Rogers, autor da
Abordagem Centrada na Pessoa (ou Cliente); Viktor Frankl, com a escola do "sentido da
vida", a Logoterapia; Fritz Perls e sua Gestalt-Terapia; e Alexander Lowen com a
Bioenergética. A ênfase destas teorias humanistas está no presente, no aqui e agora, e na
capacidade de mudança, de escolha, baseado nas escolas filosóficas Fenomenologia e
Existencialismo, respectivamente. Também enfatiza os sentimentos, tanto na vida, como
na terapia e a congruência.
Dentro do próprio berço, e dos próprios fundadores do humanismo, foi crescendo a idéia
que algo faltava a esta escola Humanista: o aspecto espiritual.

Por Que Uma Nova Corrente de Pensamento?

Era, a década de 1960 muito conturbada, devido às várias novas ideologias, e a


"importação" de filosofias orientais de vida, como o panteísmo oriental, Hare Krishna, o
Zen-budismo, o Taoísmo, entre outras. No Vietnã a guerra explodia de vez, e em Paris os
estudantes se revoltavam; o mundo estava precisando acreditar em uma esfera superior,
espiritual.
Experiências como a meditação transcendental, a transe, a efervescência cultural e
científica abriram portas para uma nova abordagem na psicologia, voltada para o que há
de mais interior do ser humano, o espírito.

Enfim, a Psicologia Transpessoal

Para Maslow, e Sutich, que não aceitavam mais suas próprias teorias por completo, pois
faltava o fator espiritual, e os fatores incomuns da consciência, foi um pulo até aceitar as
idéias de Stanislav Grof, que falava dos estados alterados da consciência e estruturas
diferentes, como o estado de vigília, o inconsciente freudiano e o inconsciente coletivo,
entre outros. A esta nova abordagem, nascida em 1967,foi dada o nome Transpessoal.

Críticas à psicologia transpessoal

Mau uso da física quântica

A mecânica quântica, a peça central da física moderna, tem sido mal-interpretada para
que implique que a mente humana controla a realidade e que o universo é um todo
conectado que não pode ser entendido pela mera redução às partes.
Entretanto, nenhum argumento ou indício decisivo requer que a mecânica quântica tenha
uma papel central na consciência humana ou que forneça conexões holísticas
instantâneas através do universo. A física moderna, incluindo a mecânica quântica,
permanece completamente materialista e reducionista na medida em que é consistente
com todas as observações científicas.
A interpretação convencional da mecânica quântica, a interpretação de Copenhague,
promulgada por Bohr e ainda mantida pela maioria dos físicos, não diz nada sobre
consciência. Ela se preocupa apenas com o que pode ser medido e que predições podem
ser feitas sobre como as distribuições estatísticas de conjuntos de medições futuras.
O comportamento aparentemente holístico e não-local dos fenômenos quânticos, pode ser
entendido sem se descartar o bom senso da noção das partículas seguindo caminhos
definidos no espaço e no tempo ou exigindo que sinais viagem mais rapidamente que a
luz.
Nenhum movimento ou sinalização superluminal foi alguma vez observado, em
concordância com o limite definido pela teoria da relatividade. Ademais, as interpretações
dos efeitos quânticos não precisam demolir a física clássica ou o bom senso para
tornarem-se inoperantes em todas as escalas – especialmente na escala macroscópica na
qual os humanos funcionam. A física Newtoniana, que descreve com sucesso virtualmente
todos os fenômenos macroscópicos, segue suavemente o limite de muitas partículas da
mecânica quântica. E o bom senso continua a se aplicar na escala humana.

Aspectos Principais

A Psicologia Transpessoal vê o homem como um todo, composto de corpo, alma e espírito,


capaz de escolhas, capaz de transcender o limite físico do corpo, viajando fora do Espaço-
tempo das teorias cartesianas de Newton, já ultrapassadas pelas teorias Quânticas e
Relativas da física. Alias, é a união destas teorias com a psicologia, que já foram
estudadas, anteriormente, por Carl G. Jung, que dá a base para a Psicologia Transpessoal
como Ciência.
Jung já escrevia , em seus textos sobre a qualidade física da mente, citando a "energia da
mente", os símbolos que canalizam esta energia e algo que liga a mente, como uma
"central", mas que ele mesmo não soube explicar perfeitamente. Estudos ciêntificos
tentam encontrar estes conceitos na natureza, de uma forma a "cientificar" a idéia
religiosa do Panteísmo, através da Física Quântica.
A Psicologia Transpessoal aceita especialmente estes preceitos, e adiciona a capacidade
do ser humano de alterar os estados da consciência, para alcançar uma dimensão
diferente da normal (vigília) chamada comumente de "Consciente".

Definições de Psicologia Transpessoal

Lajoie e Shapiro (1992) revisaram quarenta definições de psicologia transpessoal citadas


na literatura entre 1969 e 1991 e selecionaram os cinco principais temas encontrados
nessas definições. 1) Estados alterados de consciência; 2) o Eu superior; 3) além do ego
ou além do self pessoal; 4) transcendência e 5) espiritualidade. Walsh e Vaughan (1993)
fizeram críticas a muitas das definições de psiclogia transpessoal, por estarem carregadas
de pressupostos ontológicos e metodológicos. Eles também desafiaram as definições que
ligam a psicologia transpessoal apenas a estados saudáveis, ou à Filosofia Perene. Esses
autores definiram a psicologia transpessoal como um ramo da psicologia ligado às
experiências transpessoais e fenômenos correlatos, destacando que "Esses fenômenos
incluem as causas, efeitos e outros correlatos de experiências transpessoais, bem como
as disciplinas e práticas inspiradas por esses fenômenos" (Walsh & Vaughan, 1993,
p.203).

Conceitos Básicos

• Tudo está ligado através de uma rede de inter-relações, de caracter energético, que
está em harmonia; o Todo integrado.
• Estuda os estados conscientes de uma forma geral, e se detém no estado alterado
de consciência chamado Transpessoal.
• O homem é um todo, e não suas partes estudadas separadamente. Este conceito é
tomado emprestado da Gestalt: "O todo é mais que a soma de suas partes".
• Por isto, é uma ciência holística, e trans-disciplinar, que abrange muitas teorias, tais
como a Física, a Biologia,
a Lingüística, a Antropologia, a Sociologia e a Neurologia, entre outras.
• É uma ciência, e não magia ou religião, isto abordaremos a seguir.
• Além dos cinco sentidos (que são sintetizados em cinco, já que, na verdade, o ser
humano beira os 30 sentidos, já estudados pela ciência) , o homem pode entrar em
contato com outras dimensões através de exercícios de alteração de consciência.
• A consciência é energia, e portanto indestrutível, permanece antes da vida e após a
morte. OBS: não confundir com reencarnação e outros conceitos religiosos.
• A hipnose, por ser um estado alterado de consciência também é usada, mas em
consenso entre o cliente e o terapeuta.

Níveis de consciência

1) A sombra - aqui o homem têm seu Self distorcido, ele aliena várias porções da Psiquê
em detrimento de alguma que causa incongruência. É um nível negativo e patológico

2) Ego - é o nível superficial da consciência, onde o homem se identifica com uma imagem
criada, seu self indivídual, sem se interessar profundamente em questões sociais ou
ecológicas, ou seja, pensando em si próprio.

3) Biossocial - neste nível o homem tende a ter uma preocupação com o outro,
enxergando também o que o rodeia. Ele aceita uma responsabilidade perante os outros, e
pelo ambiente natural.

4) Existencial - o homem encontra, neste nível, a ligação entre corpo/mente, que tende a
auto-organização, é ligado a um alto grau de desenvolvimente e auto-atualização. É o
grau perfeito para a filosofia e o humanismo. Emoção e razão se unem para o
crescimento.

5) Transpessoal - este é o nível que esta escola estuda, é o nível mais profundo que, hoje
em dia, consegue-se chegar. É um nível aproximado das experiências místicas, onde tudo
está imerso no todo, o Tao, como uma gota d'água no oceano, mas não de uma forma
linear, cartesiana. Os limites do Ego são ultrapassados. É possível entrar em contato com
o inconsciente coletivo, entre outros fenômenos relacionados. Há quem diga que é
possível fenômenos como precognição e telepatia, mas estes não são considerados
comuns ou científicos, pois estão dentro da parapsicologia, mas ainda assim são válidos
dentro da teoria.

Mitos e crendices

É importante ressaltar que esta é uma teoria de certo modo polêmica, já que se opõe a
paradigmas e traz conteúdos ainda sem um estudo conclusivo. Por estas razões há alguns
mitos:

1)Psicologia transpessoal não é magia, nem religião; é uma ciência séria que busca,
através de sua trans-disciplinaridade, uma forma de ver e entender o homem no universo,
e o homem como parte deste universo.

2)Regressões a vida passada não são um conteúdo aceito por todos os psicólogos
transpessoais, por não ser científico, e deve-se ter cuidado quando se fala sobre este
tema, relacionando com Psicologia Transpessoal. Há terapeutas que se utilizam desta
técnica, mas não significa que seja aceito no meio acadêmico como conceito científico.

Príncipais teóricos

• Abraham Maslow
• Anthony Sutich
• Carl G. Jung
• Carl Rogers
• Carlos Antonio Fragoso Guimarães (Brasil)
• Frances Vaughan
• Fritjof Capra
• João Bernardes da Rocha Filho (Brasil)
• Ken Wilber
• Pierre Weil (Brasil)
• Roberto Assagioli
• Roger N. Walsh
• Stanislav Grof
• Viktor Frankl

Referencial

Bibliografia

• LAJOIE, D. H. e SHAPIRO, S. I. (1992). Definitions of transpersonal psychology: The


first twenty-three years. Journal of Transpersonal Psychology, v.24, 1992.
• MONTEIRO de BARROS, Maria Cristina. A Consciência em expansão, EDIPUCRS,
2008
• ROCHA FILHO, João Bernardes da - Física e Psicologia - 4ª Edição, 2004 - EdiPUCRS
• SCHULTZ, Duane P. e SCHULTZ, Sydney Ellen - História da Psicologia Moderna; 16ª
Edição; 1991 - Editora Cultrix
• WALSH, Roger N. e VAUGHAN, Frances - Além do Ego, dimensões transpessoais em
psicologia - 1980 - Editora Cultrix
• WALSH, Roger N. e VAUGHAN, Frances. On transpersonal definitions. Journal of
Transpersonal Psychology, 25 (2), 1993, p.125-182

Ligações externas

• Associação Brasileira de Psicologia Transpessoal


• A Psicologia Transpessoal - por Carlos Antonio Fragoso Guimarães
• Breve História da Psicologia Transpessoal - por Stanislav Grof
• Psicologia Transpessoal - por Alexandre Pedrassoli
• Charlatanismo Quântico
• (em inglês) The Association for Transpersonal Psychology
• - Universidade Internacional da Paz - Associação Campus Unipaz-Sul
• E-Group Psicomundrungo - Maior E-Group em língua portuguesa sobre Psicologia
Transpessoal, fundado na USP, contém vasto arquivo

Parapsicologia

As primeiras investigações parapsicológicas laboratoriais utilizaram as chamadas Cartas


Zener em experimentos planejados para a investigação do fenômeno da Telepatia.

Parapsicologia, vem do grego "para" [além de], "psique" [alma, espírito, mente,
essência] e "logos" [estudo, ciência, essência cósmica] e sugere o significado etimológico
de tudo que está "além da psique", "além da psicologia" ou mais especifiamente, o que
está além e, portanto inclui a psique e a psicologia. Neste sentido, podemos dizer que a
Parapsicologia é uma Transpsicologia ou se correlaciona diretamente com sua irmã
gêmea, a Psicologia Transpessoal e outras áreas das investigações mais avançadas, como
a Psicobiofísica, Psicotrônica, Projeciologia e afins.
É também conhecida como Pesquisa Psi e ainda Metapsíquica [nomenclatura mais
antiga], pode ser compreendida, a partir de um ponto de vista estrito senso, como o
estudo de alegações paranormais e associados à experiência humana, ou seja, as
interações aparentemente extra-sensório-motoras entre seres humanos e o meio
ambiente. Esses fenômenos também são conhecidos como fenômenos paranormais ou
fenômenos Psi.

A posição da parapsicologia como um ramo da ciência é constestada [1] sendo que os


cientistas, incluindo psicólogos, classificam-na predominantemente como pseudociência
devido ao fracasso em mostrar resultados através do método científico em mais de um
século de pesquisas.[2][3][4]

Características

De uma forma geral os fenômenos Psi podem ser classificados, quanto à forma de
apresentação, em extra-sensoriais e psicocinéticos, de acordo com a escola de Rhine
(EUA). Os extra-sensoriais, identificados pela sigla PES (percepção extra-sensorial) são os
fenômenos que envolvem conhecimento. Podem ainda classificados quanto ao tipo, em
telepatia, quando fonte e receptor forem seres humanos e em clarividência, quando a
fonte é o meio ambiente. Quanto ao tempo, esses fenômenos podem ser classificados em
retrocognição, simulcognição e precognição, quando estiverem relacionados,
respectivamente, ao passado, ao presente e ao futuro. Os fenômenos psicocinéticos,
identificados por PK (psychokinesis) são caracterizados pela ação sobre o meio ambiente.
Quando esta ação for diretamente observável será dita macro-PK, e quando microscópica,
micro-PK.

Definição

Há uma tradição dentro do senso-comum que sustenta que os mundos subjetivo e


objetivo são completamente distintos, sem que haja qualquer implicação entre eles. O
subjetivo existe “aqui, dentro da cabeça”, enquanto que o objetivo existe “lá, no mundo
externo”. A Parapsicologia é o estudo de fenômenos que sugerem que a dicotomia estrita
entre objetivo/subjetivo pode ser, ao contrário, parte de um conjunto, com alguns
fenômenos entremeando ocasionalmente o que é puramente subjetivo e o que é
puramente objetivo. Chamamos tais fenômenos de “anômalos” porque são difíceis de
serem explicados pelos modelos científicos tradicionais.
Como exemplos de fenômenos parapsicológicos temos a psicocinese (PK) e os fenômenos
sugestivos da sobrevivência após a morte, incluindo as experiências próximas da morte,
as aparições e a reencarnação.

Aspectos científicos

A maioria dos parapsicólogos, atualmente, espera que estudos adicionais venham


finalmente explicar essas anomalias em termos científicos, apesar de não estar claro se
eles podem ser completamente compreendidos sem expansões significativas (poderia se
dizer revolucionárias) do estado atual do conhecimento científico. Outros pesquisadores
assumem a posição de que modelos científicos já existentes, tais como os de percepção e
de memória, são adequados para explicar alguns dos fenômenos parapsicológicos.
Ortodoxamente, a Parapsicologia é definida como a disciplina científica que tem como
objeto de estudo a possível interação extra-sensório-motora entre o ser humano e o meio,
ou seja, a mente interferindo diretamente no meio sem o uso dos órgãos físicos e
sensoriais.

Abrangência

A Parapsicologia estuda os seguintes aspectos:

• A hipótese da existência de uma forma de obtenção de informações (comunicação)


que prescinda da utilização dos sentidos humanos conhecidos (percepção extra-
sensorial), tais como telepatia, clarividência e precognição.
• A hipótese da existência de uma forma de ação humana sobre o meio físico em que
não seriam utilizados qual quer mediadores ou agentes (músculos ou forças físicas)
conhecidos, como a psicocinese.
• Os fenômenos associados ao pré-nascimento (retrocognição) e a experiências
multidimensionais, como a experiência de quase morte, experiência fora do corpo,
mediunismo, agente theta, etc.

Referências

1. ↑ Flew, Antony (1982). "Philosophy of Science and the Occult".


2. ↑ Cordón, Luis A.. Popular psychology: an encyclopedia. Westport, Conn: pp.182.
3. ↑ Bunge, Mario (1991). "A skeptic's beliefs and disbeliefs". New Ideas in Psychology
9 (2): 131–149. DOI:10.1016/0732-118X(91)90017-G.
4. ↑ Blitz, David (1991). "The line of demarcation between science and nonscience:
The case of psychoanalysis and parapsychology". New Ideas in Psychology 9: 163–
170. DOI:10.1016/0732-118X(91)90020-M.

Ver também

• Conscienciologia

Ligações externas

Em português
• Pesquisa Psi (Inter Psi/PUC-SP)
• Núcleo de Estudos dos Fenômenos Paranormais (NEPF/UnB)
• Centro Latino-Americano de Parapsicologia (CLAP)
• Instituto de Parapsicologia e Potencial Psíquico (IPAPPI)
• IPPP - Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
• Parapsicologia RJ
• NIAC - Núcleo de Investigações Avançadas da Consciência
Em inglês
• Parapsychological Association
• Parapsychology Foudation
• American Society for Psychical Research
• Scottish Society for Psychical Research
• The Society for Psychical Research
Em espanhol
• Sociedad Española de Investigaciones Parapsicológicas
• Organización Nacional de Investigaciones Parapsicológicas
• Mundo Parapsicológico
Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Parapsicologia"
Categorias: Parapsicologia | Fenômenos paranormais