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Silas Guerriero (org.) ‘oso Baptista Cintra Ribas Kenia Kemp Luiz Henrique Passador Marian Dies Ferrari Antropos e Psique O outro e sua subjetividade fico do antropélogo, a io, suas crencas, mitos ¢ roligiées, para chegar & andlise das representagies de sari e doenga e A comparagio entre mits e contos de fada : passamos pelo mistério do imagit colaboragio € apoio dos colegas foi importante para produzirmos este ida, o empenho da coordenacio geral dos coordenadores locais do Curso de Psicologia da Unip pelo reconhecimento da importéncia da antropologia na, formagao de um psicdlogo competente o engajado. essa tarefa, 0 que seria impossivel dada a complexidade da natureza humana, neste capftulo procuraremos apontar algumas pistas que poderdo levar o leitor a fascinante aventura do conhecimento sobre nés mesmos. ‘Vemo-nos qualitativamente diferenciados dos demais muito tempo nos enxergamos como feitos semelhanga de Deus. Em muitos povos, criagdo falam de sores criadores e de herdis civilizadores antropomorfizados e assemelhados aos seus ‘dentais, herdeiros de uma visto hebraica e crista, 0 livro do Génesis relata: Deus disse: “Fagamos o homem & nossa imagem, como nossa aemethonca, ¢ que eles dominem sobre os peizes do mar, ax aves do cu, of animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”* 1. Genesis. Biblia de Jerusalém. Sto Paulo, Bdigice Paulinas. 8 Silas Guerriero Quanta responsabilidade! Nao 86 0 Criador nos fez semelhantes a Ele como nos deu 0 poder de dom{nic todos os outros seres vivos do planeta. Et carregamos até hoje, Se, na teologia contemporsnea, o livro do Génesis ¢ visto como uma coleclo de mitos (metéforas que carecem de interpretacdo), ainda hé muita gente que nt terem side Adio e Eva, mesmo, os primeiros habitantes ‘humanos deste planieta. Somos fruto de uma evolugio? Em meados do século XIX, a humanidade levou um choque. Um cientista inglés, geélogo e natu ameagou nosso lugar sobre o pedestal dos sere Charles Darwin colocou-nos na incémoda companhia de todos 08 outros animais. Afirmou que todos somos frutos de uma mesma evolugdo biolégica, assemelhando-nos a ‘consciéncia de que os humanos também eram frutos da evolugdo. Esperou mais de uma década para completar a sua teoria com The Descent of Man, estendendo a transformagdo evolutiva de uma espécie a outre de ‘maneira a incluir 0s seres humanos. Passado um tempo, tendo a ciéncia confirmado a Teoria da Evolugao ¢ encontrado provas inequivocas da sua veracidade, uma saida foi sorrateiramente construi- da: “Certo, somos ue, como os demais, partici- amos do processo mas acreditamos ser essa evolugto um progres ha-se do mais simples a0 mais evoluido, a0 mais elaborado, situando-nos na ponta superior”. Assim, nossa prepoténcia se manteve intacta: nossa disposicto. Indopendente das maravithas que a hu- manidade jé fez; somos of maiores predadores que jé exis- tram, Se ainda nto déstrufmos a Terra com arsenais atd- ‘micos, em poueo tempo podemos acabar com a Agua limpa © doce, com o ar respirdvel, as florestas e milhares de espécies, (Que superioridade 6 esta? Tel visdo domina o genso comum igente” em outro planeta, logo pensamos em Bs feitos & nossa semelhanga. Poder ser esverdeados € ter trés olhos désproporcionai sinaglo sempre os pinta com E recente, ¢ ainda muita timida, a recusa a essa vi- silo, Hé evolugto, mas cla nto representa necessariamen- te um progresso positivo. f dificil reconhecermos que as mutagées aleatérias da evolucéo dos seres vivos ndo ca- minham, necessariamente, a partir de um plano pré-de- terminado. A evolugio poderia muito bem ter acontecdo som a emergéncia daquilo que chamamos de seres inteli- gentes (nés mesmos). Pior: pode continuar acontecendo perfeitamente sem a nossa presenca, apés a extingso da espécie humana. Em 1977, o fil6sofo Jacques Monod deu um duro gol- pe na viséo tradicional: Queremo-nos necessdrios, inevitaveis, ordenadoe para sempre, Todas as religides, quase todas 0s flosofias, inclusive uma parteda citncia, textemunkam o incansdve eherdicoesforgo da humonidade em negar desesperadamente sua. prépria. contingtncia?® Para Monod, o surgimento da vida no planeta e da espécie humana em especial sio frutos de um seaso que as chances de surgirem cram praticamente nulas: “O Uni- 2 Mowao, Jacques. O acaso a necessidade, p. 54.