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Introdução

As relações entre pais e filhos vêem mudando através dos tempos. Se antes os pais eram
detentores de poder em relação a seus filhos, hoje, com o consumismo, a globalização e cada
vez mais informações chegando às mãos de seus filhos, uma experiência de liberdade faz com
que as crianças se tornem cada vez mais autoritárias em relação a suas vontades já que na
atualidade as crianças são tidas como sujeitos históricos e de direitos, principalmente a partir
do século XIX onde se faz presente a preocupação com a criança (Nascimento et al, 2007).
Percebeu-se então que a infância é um fenômeno histórico e social e não meramente natural.
Assim, a partir da heteronomia, da dependência e da obediência ao adulto em troca de
proteção volta-se à valorização da autonomia deste ser. Autonomia que é certificada pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente, assim como por órgãos como o Conselho Tutelar, que
delineia direitos e deveres assim como institui às crianças uma condição de ser específico. A
prática de bater em seus filhos, segundo Weber et al (2004) é antiga mas vem sofrendo
modificações devido ao valor dado à figura da criança. A punição corporal como método
disciplinar remonta há milênios. Na bíblia existem provérbios como:“ Não poupes ao menino
a correção: se tu o castigares com a vara, salvará sua vida da morada dos mortos”( Bíblia
Sagrada, Provérbios 23: 13-14). A valorização da criança foi muito tardia. Legalmente, ela se
tornou um sujeito de direitos no século XX, em 1959, na Assembléia da ONU, na qual foi
promulgada a Declaração dos Direitos da Criança. È através dessas novas configurações que
autores como Macedo (1994) afirma que, o que caracteriza a família são as relações de afeto e
compromisso e a durabilidade de sua permanência como membro, tendo como propósito
prover um contexto que supra as necessidades primárias de seus membros referentes à
sobrevivência (segurança, alimentação e um lar), ao desenvolvimento (afetivo, cognitivo e
social) e ao sentimento de ser aceito, cuidado e amado. Satisfazer tais necessidades é
fundamental para o desenvolvimento da personalidade, sendo boa aquela família que provê
um ambiente saudável.

Para Macedo (1994), a família muda e se adapta às circunstâncias históricas,


características sociais, econômicas e injunções de poder. A família passou da realidade moral
e social à realidade afetiva no fim do século XVIII e começo do XIX como produto de uma
revolução qualitativa no terreno das representações mentais, pois a família é um “sistema
aberto em transformação”:

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- É um todo organizado cujas partes são interdependentes;
- É formado por subsistemas;
- As relações entre subsistemas são governadas por regras e constituem padrões de interação;
- As regras são formadas nas próprias relações, sendo recorrentes e tendendo à estabilidade;
- As regras para as relações através das fronteiras são implícitas;
- Como diz Minuchin (1976), as expectativas mútuas entre os membros são um dos maiores
freios a mudanças de padrões comportamentais;
- A circularidade é uma característica básica dos padrões de interação (feedback), onde se
forma uma teia de relações em que as mesmas pessoas ocupam diferentes posições nas
relações com cada uma das outras;
- Tendem à estabilidade enquanto por outro lado são dotadas de um grande potencial de
mudança.

Segundo Petrini (2005, apud Fiori et al, 2009) a sociedade moderna caracteriza-se por
mudanças de grande porte, que dizem respeito à atividade produtiva e organização do
trabalho, aos processos educativos e de comunicação, até a socialização das novas gerações,
ao universo de valores e critérios que orientam a conduta do cotidiano. É através dos tempos
que se foi percebendo peculiaridades do ser humano em relação ao seu desenvolvimento. Se
durante a Idade Média as crianças compartilhavam os mesmos lugares e situações, neste
mesmo período foram determinadas as “Idades da Vida”, alimentando a idéia de uma vida
dividida em fases segundo Áries (1973, apud Nascimento et al 2007). Na contemporaneidade,
o conceito de infância foi modificado pois, sendo a criança um ser histórico, sua concepção se
dá a partir das culturas que produzem e prosseguem produzindo significações para cada uma
das etapas da existência do homem (Nascimento et al, 2007). Isso introduz conceitos novos e
interage com o papel dos pais que, muitas vezes se vêem frente a questões que não conseguem
interpretar, dar significado, seja a criança usuária de serviços psicológicos ou não. Isto pelo
fato de que as crianças são cada vez mais respeitadas e tomadas como seres humanos dignos e
possuidoras de direitos, pois através da situação atual da cultura, cada vez mais o humano é
sujeito a situação de igualdade e sensibilidade ao lidar com seres humanos estando eles em
qualquer fase do desenvolvimento. Falando em desenvolvimento, uma criança apresenta
aspectos específicos que devem ser valorizados e observados para que haja uma boa
consolidação das habilidades biopsicosociais, assim como aspectos afetivos. Existem aspectos
psicológicos no desenvolvimento infantil que devem ser considerados ao exercer a função de

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“criador” e “educador” de tais seres vivos. Habilidades motoras devem ser treinadas, assim
como as intelectuais, emocionais, afetivas e sociais, tudo conforme as fases em que se
encontram no desenvolvimento. Além disso, ocorre o desenvolvimento psicossexual, onde a
cada fase aspectos específicos mentais devem ser considerados, pois determinarão, através das
experiências de frustrações ou de prazer, uma dinâmica psíquica que poderá ou não entrar em
conflito com a realidade e/ou sociedade/ambiente. Isso inclui as relações estabelecidas com
pessoas mais próximas ao convívio da criança, como pai e mãe e familiares, pois estes são
representantes do primeiro contato com o ambiente e em especial a mãe é tida como o
primeiro e vital objeto de desejo.

A família, segundo Macedo (1994), é vista como uma unidade social cuja função é a
socialização das crianças por meio da educação e da transmissão da cultura, portanto, um
poderoso agente para manutenção da continuidade cultural, isto é, um valor social universal.
Desse ponto de vista, é um dos organizadores da sociedade, na medida em que define os
estilos de vida, dando substância à ação. Tem sido definida enquanto relações biológicas, de
consangüinidade, padrões de residência, códigos legais, depositária da cultura, função
socializadora, educativa e tantos outros critérios prefixados de acordo com os objetivos de
cada um. Isto se dá pelo fato da família constituir-se como um sistema aberto que sofre
influências e realiza trocas com o meio.

As relações entre gerações constituem um dos meios pelos quais as sociedades se


reproduzem aos transmitirem aos imaturos orientações culturais básicas para a participação na
vida social. A experiência e o conhecimento dos adultos são transmitidos à nova geração
mediante o processo socializador que se configura, de um lado, pelo processo que acorre na
convivência direta com a família, na escola, no grupo de pares, nas igrejas e em outras
instâncias. De outro lado, de modo indireto, pela mediação simbólica de agentes de diferentes
instituições que disseminam valores, normas e modelos culturais (ROMANELLI, 1998). Para
a psicologia, família é vista como o primeiro espaço psicosocial, protótipo das relações a
serem estabelecidas com o mundo. É a matriz da identidade pessoal e social, uma vez que
nela se desenvolve o sentimento de pertinência, bem como o sentimento de independência e
autonomia, percebido por um lado pela participação da criança nos vários grupos familiares,
ao acomodar-se às regras, padrões interacionais e compartilhar da cultura particular da família
( MINUCHIN, 1976; apud MACEDO, 1994).

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No Ocidente, hoje em dia, observa-se que as mudanças sociais têm levado a um
deslocamento nas relações de autoridade pais/filhos, de um modelo baseado na imposição e
no controle e outro fundamentado na participação e na negociação (MONTANDON, 2005).
Para Montandon, 2005, constata-se, claramente, que houve um deslocamento das práticas
autoritárias para as práticas democráticas tendo como razões a elevação geral do nível de
educação, a emancipação e o trabalho das mulheres ou ainda a democratização das relações
entre os sexos no interior do casal. Para uma série de pesquisadores, o sexo da criança
influencia os modos de educação, sendo os pais mais estritos com suas filhas que com seus
filhos, ou ainda que o divórcio dos pais tem efeitos negativos sobre suas práticas, apesar de
existirem pesquisas que demonstram o contrário. Outros trabalhos demonstram que os pais de
classe média tenderiam a manifestar mais controle de si quando de suas interações com a
criança, em contraste, os pais de classes populares seriam menos propensos a elaborar um
projeto educativo para seus filhos e a dedicar tempo para explicar os motivos de suas
exigências, e tenderiam a satisfazer seus caprichos e a puni-los sem muito se preocupar sobre
a intenção por trás de seus atos (GRECAS, 1979; apud MONTANDON, 2005). Famílias
pobres possuem uma divisão de papéis entre os pais bem definida, cabendo à mulher a
responsabilidade de educar, socializar e cuidar dos filhos e ao homem, o sustento da família
( MARTIN e ANGELO, 1999). As interações entre pais e filhos visam à resolução de
problemas e não à prevenção desses. Ocorre, nestas classes, uma extrema aceleração no
processo de formação de um casal, que resulta na diminuição de tempo necessário que a
família deveria ter para poder passar por todos os estágios do ciclo de vida familiar. Essa
rapidez dos acontecimentos pode trazer como conseqüência uma fragilidade no desempenho
do papel dos pais, principalmente da mãe, por esta assumir grande parte dos cuidados com os
filhos. A família pobre, para Sarti (1994), é definida segundo os papéis masculino e feminino
contida dentro de uma estrutura hierárquica de relações, na qual a figura masculina representa
a autoridade moral; sendo as dinâmicas dando-se em torno de obrigações morais de
reciprocidade. O papel central do homem como mediador entre a família e o mundo externo
reafirma a tradicional autoridade masculina, fragilizando socialmente a família em que não há
um homem provedor de teto alimento e respeito. O homem é considerado o chefe da família e
a mulher a chefe da casa, cabe a esta manter a unidade do grupo. Nos casos em que a mulher
assume a responsabilidade econômica da família, ocorrem modificações importantes no jogo
de relações de autoridade e efetivamente a mulher pode assumir o papel masculino de
autoridade e definir-se como tal. A autoridade masculina é seguramente abalada se o homem
não garante o teto e o alimento da família.

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Em um mundo em constantes mudanças, as habilidades tanto físicas como cognitivas,
além dos aspectos morais, de cidadania assim como características da personalidade se
encontram cada vez mais em pauta e se modificam conforme a cultura, a época, e a
individualidade. Crianças que antes brincavam nas ruas em frente a suas casas de amarelinha,
hoje possuem um contato com o mundo exterior através das mídias, obtendo assim cada vez
mais informações a respeito do meio em que estão inseridas que tem como característica a
dinamicidade, estando susceptíveis também as mudanças desse meio. Assim, o meio também
é consolidador de uma forma de ser, e as crianças se encontram em um desenvolvimento
condicionado pelas tendências. Tendências essas que envolvem também novas configurações
de obrigações dentro da família e dificuldades no estabelecimento de novos papéis sociais por
parte dos pais, como a divisão de tarefas e a entrada da mulher ao mercado de trabalho.
Atualmente um número cada vez mais expressivo de mulheres trabalha fora de casa e
contribui com a renda da família. É importante considerarmos como as transformações sociais
contemporâneas e os novos arranjos familiares atingem a estrutura e os padrões de
funcionamento familiar, a partir da inserção da mulher no âmbito profissional. Pesquisas tem
revelado como este papel assumido pela mulher tem repercutido na dinâmica familiar, nas
questões conjugais, bem como na educação dos filhos (FLECK & WAGNER, 2003)

“O modelo de família tradicional de classe média brasileira, que consagrava uma


divisão clara de papéis, em que geralmente os homens se envolviam com o trabalho
remunerado, enquanto a mulher dedicava-se aos afazeres da vida familiar,
incluindo a administração da casa e os cuidados com os filhos, passa a não ser mais
tão comum em nossa realidade como no século XIX e início do século XX”
(FLECK, A. C.; WAGNER, Adriana; 2003).

Apesar da afirmação acima, segundo Romanelli 1998, quando discorrem sobre as


orientações transmitidas aos filhos, os genitores deixam claro que estas são atribuições
essencialmente maternas, o que é confirmado pelas mães, através da convivência cotidiana.
Concordante com isso, MARIN e ANGELO (1999), identificam que a mãe ocupa lugar
central na família e é responsável pela educação, criação e socialização dos filhos, sendo
grande responsável pela saúde da família. Assim, continuam legitimando a autoridade marital,
sendo, o exemplo paterno, a constante reedição das relações hierárquicas e desiguais
existentes na família e da autoridade do genitor que, embora flexibilizadas pela existência do
diálogo, vão sendo absorvidas e reproduzidas pelos filhos.

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Existem teorias que estudam o desenvolvimento infantil e que levam em consideração
aspectos que devem ser observados pelos pais ao lidarem com a criança. Tais teorias podem,
junto à valorização do indivíduo e suas questões, nos auxiliar a determinar uma forma de lidar
com as crianças nos levando a um entendimento de como valorizar os aspectos de seu
desenvolvimento mesclando com normas e regras que de fato fazem parte de um bom
desenvolvimento em sociedade. Isto porque, cabe aos pais assegurar à criança um bom
desenvolvimento biopsicosócioafetivo já que aquela é tida como um ser que necessita de
cuidados, pois é através da interação positiva com os pais e com a sociedade que a criança
atingirá mais tarde a autonomia. Dessa forma, um grupo com pais de crianças se torna uma
alternativa para além de colocar em questão as práticas parentais, tentando favorecer práticas
positivas como também observar quais as dificuldades atuais e pontuais em relação a criação
de um filho, sobretudo quando este filho denota determinado cuidado psicológico. Crianças
atuais se tornaram “consumidoras” de um espírito que as têm como seres humanos que
possuem “qualidade”, esta qualidade gera novos formatos de como lidar com tais seres,
especialmente aqueles que necessitam de uma ação psicológica.

É através do afeto, da atenção, assim como de regras de conduta, que uma criança
atinge seu pleno desenvolvimento biopsicosocial. A fonte primária de afeto, assim como de
outras emoções, é a princípio corporificada pela mãe, em seguida pelo pai e pela família. As
relações que se estabelecem estão amplamente relacionadas com o tratamento recebido dentro
da família. Sendo a criança um indivíduo que não é capaz de vida independente, necessita,
segundo Bowlby (1907-1990), de uma instituição social especial que a ajude durante o
período de imaturidade. É na família que a criança busca e têm seus primeiros contatos com
atitudes e atributos que uma instituição de cunho social admite e contém a relação onde o
humano, nesse caso a criança, busca para atingir seu desenvolvimento pleno e constitutivo de
modo a alcançar uma esfera de linguagem de sociabilidade e para decidir a respeito de sua
individualidade. O objetivo da criação de filhos não é apenas o de produzir crianças
saudáveis, mas também o de permitir o desenvolvimento posterior de um adulto saudável. Os
problemas psíquicos das crianças, assim como os sociais, têm também sua etiologia na psiquê
dos pais. As crianças, até mais ou menos a puberdade, vivem numa comunhão inconsciente
com os pais, principalmente com a mãe. Dessa forma, a infância é um período decisivo para o
aprendizado de habilidades sociais (Del Prette & Del Prette, 1999), e por isso o contexto
familiar, o envolvimento e o desempenho dos pais são fundamentais para o estabelecimento

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de relações educativas que efetivamente promovam o desenvolvimento social dos filhos,
como diz Cia (2006), além de promover um desenvolvimento mental e da personalidade.

A literatura psicológica faz referências a problemas de comportamento, relacionando-


os, em parte, à práticas educativas parentais e escolares. Tais práticas relacionam-se com a
disciplina inconsistente, pouca interação positiva, pouco monitoramento e supervisão
insuficientes das atividades da criança (BOLSONI-SILVA & MARTURANO, 2002). Aos
pais cabe o conflito entre a educação que receberam e a influência dos novos padrões. Ainda é
muito importante estabelecer restrições e limites para as ações das crianças; mas no momento
atual os limites esbarram nos direitos das crianças como seres humanos. Para Silva et al
( 2003), a estruturação de comportamentos positivos se darão a partir de uma leitura
ambiental, consequenciar positivamente comportamentos adequados dos filhos e expressar
sentimentos positivos de afeto e carinho.

“ A forma como os pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de


comportamentos socialmente adequados ou de comportamentos considerados, pelos
pais e/ou professores, como inadequados, os quais são entendidos como ‘déficits ou
excedentes comportamentais que prejudicam a interação da criança com pares e
adultos de sua convivência (Silva, 2000; apud Bolsoni-Silva & Marturano, 2002)”

Atualmente tem-se dedicado atenção especial aos estilos parentais, isto é, as formas
como os pais lidam com as questões de poder, hierarquia e apoio emocional na relação com os
filhos. Os estudos tem demonstrado que o estilo parental tem significativa influência em
diversas áreas do desenvolvimento psicossocial, tais como ajustamento social, psicopatologia
e desempenho escolar. (COSTA et al, 2000). O estilo é, na verdade, o contexto dentro do qual
operam os esforços dos pais para socializar seus filhos de acordo com suas crenças e valores.
(DARLING & STEINBERG, 1993, apud COSTA et al, 2000) Temas como exigência
parental e responsividade estão em foco a partir do momento que delimitou-se pelo menos
quatro tipos de estilos parentais: autoritativos (elevada responsividade e exigência),
negligentes (baixa responsividade e exigência), indulgentes ( muito responsivos e pouco
exigentes) e autoritários (muito exigentes e pouco responsivos). O estilo parental autoritativo
está mais fortemente relacionado a uma série de aspectos do desenvolvimento tidos como
positivos quando comparado aos demais estilos, como por exemplo maturidade psicosocial,
competência psicossocial, desempenho escolar e adequação comportamental. A exigência
parece favorecer a regulação do comportamento com conseqüente diminuição de
comportamentos desviantes. A responsividade favorece o desenvolvimento de auto-conceito

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positivo, autoconfiança e bem-estar psicológico (COSTA et al, 2000). Pinheiro et al (2006)
ainda definem o estilo autoritativo como democrático-recíproco (Gomide, 2003; Oliveira et
al., 2002), em que a disciplina é construída a partir de uma base de confiança mútua e os pais
adotam um estilo mais contratual em que as normas e regras são explicadas e negociadas com
a criança sob a forma de combinados. Weber et al (2003) estipulam que pais autoritativos
caracterizam-se por direcionar as atividades de suas crianças de maneira racional e orientada,
incentivam o diálogo e exercem firme controle nos pontos de divergência, colocando sua
perspectiva de adulto e reconhecendo que a criança possui interesses próprios e maneiras
particulares. Para estes autores a responsividade refere-se ao quanto os pais são amorosos,
responsivos e envolvidos, aceitando a responsabilidade de responderem o quanto possível aos
pontos de vista e razoáveis exigências dos filhos. Estes filhos se apresentam como social e
instrumentalmente mais competentes em quesitos como: assertividade, maturidade,
responsabilidade social, conduta independente e empreendedora (Baumrind, 1967, 1971;
Boumrind & Black, 1967; apud Weber et al, 2003), alto índice de competência psicológica e
baixo índice de disfunção comportamental e psicológica (Lamborn e cols., 1991; Steinberg,
Lamborn, Darling, Mounts & Dornbusch, 1994; apud Weber et al, 2003). Além disso, filhos
de mães autoritativas são mais propensos a levar em conta as perspectivas dos outros e a
entender as idéias dos outros (Knight, 2000; apud Weber at al, 2003) e a explorar a escolha de
uma profissão por si mesmas (Kerka, 2000; apud Weber at al, 2003). Os trabalhos que
enfocam as influências dos pais afirmam que suas condutas afetam a personalidade e outras
características dos filhos (MONTANDON, 2005), mas, no plano do estilo de relação
educativa e afetiva entre os pais e a criança, é difícil saber se é a ação parental que tem efeitos
particulares sobre a criança ou se os pais desenvolvem seu estilo educativo em reação aos
comportamentos da criança.

A atuação por intermédio de um estilo autoritativo delimita comportamentos


socialmente habilidosos, implicando nas seguintes capacidades segundo Bolsoni-Silva &
Marturano (2002):

- Iniciação e manutenção de conversações;


- Falar em grupo;
- Expressar amor, afeto e agrado;
- Defender os próprios direitos;
- Solicitar favores;

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- Recusar pedidos;
- Fazer e aceitar cumprimentos;
- Expressar as próprias opiniões, mesmo os desacordos;
- Expressar justificadamente quando se sentir molestado, enfadado, desagradado;
- Saber se desculpar ou admitir falta de conhecimento;
- Pedir mudança de comportamento do outro, e
- Saber enfrentar as críticas recebidas.

Ainda, para Bolsoni-Silva & Marturano, 2002, o relacionamento autoritativo estaria


relacionado a assertividade que é definida como o processo pelo qual o indivíduo expressa
sentimentos, pensamentos de forma adequada, ou seja, utiliza entonação, latência e fluência
de fala apropriadas; ouve o interlocutor para então responder, de forma a atingir seus
objetivos sem prejudicar as relações futuras com o mesmo. Fazer perguntas, expressar
sentimentos, expressar opiniões e estabelecer limites são habilidades sociais educativas que
auxiliam os pais a transmitir padrões, valores e normas de comportamento da cultura para os
filhos. Em relação ao ponto de vista sobre as práticas educativas, segundo Montandon, 2005,
quase todas as crianças tem uma idéia clara do que esperam de seus pais: antes de tudo, amor,
apoio, escuta, compreensão, consolo, sem esquecer humor. Logo, as expectativas de ordem
afetiva e emocional estão entre as de primeira importância. Também esperam uma boa
educação, que seus pais lhes indiquem como se comportar e se controlar, que lhes ensinem
regras de interação com os outros, assim como padrões de autodomínio. Algumas esperam um
estímulo à autonomia, transmissão de valores como o amor, a escuta dos outros, a honestidade
etc. Apoio escolar e material também são mencionados. Um outro fator importante que
perfazem determinantes ambientais do desenvolvimento da personalidade e dos
comportamentos da criança estão os pares, ou seja, os colegas, contando mais que os pais
(HARRIS, 1998; apud MONTANDON, 2005).

Sendo, idealmente, o microssistema familiar a maior fonte de segurança, proteção,


afeto, bem-estar e apoio para a criança, é nele que a criança exercita papéis e experimenta
situações, sentimentos e atividades; desenvolvendo o senso de permanência e o de
estabilidade (CECCONELLO et al, 2003). Assim, além dos relacionamentos entre pais e
filhos é importante estudar as relações maritais para a compreensão do desenvolvimento e do
ajustamento social de crianças. Uma boa relação marital favorece o compartilhamento de
tarefas domésticas e práticas de educação entre maridos e esposas e promove o

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desenvolvimento de sentimentos de segurança em suas crianças.(BRAZ et al, 2005). O
ajustamento conjugal, as formas de comunicação e as estratégias de resolução de conflitos
empregadas pelo casal influenciam o desenvolvimento de padrões de cuidado dos filhos e a
qualidade de relações entre os genitores e suas crianças. Casamentos saudáveis propiciam
mais suporte aos cônjuges que relações maritais insatisfatórias e o apoio emocional dos pais
às mães favorece o desenvolvimento saudável dos filhos. Segundo Braz et al (2005), os
cônjuges que oferecem suporte mútuo e cujas relações maritais eram satisfatórias
apresentavam maior sensibilidade em seu papel parental. Assim, os genitores mantém
interações satisfatórias com seus filhos e estes eram igualmente responsivos aos pais;
tornando o ajustamento e a harmonia do casal efeitos positivos no comportamento da criança,
relacionando-se com afeto positivo e boa orientação dos genitores na resolução de tarefa. A
satisfação conjugal relaciona-se com o apego seguro entre pais e filhos. O estresse marital
para Gottman e Katz (1989) pode dificultar o desenvolvimento das relações sociais da criança
e aumentar sua susceptibilidade à doenças físicas. Em relação à autonomia, Cecconello et al,
2003 diz que o equilíbrio de poder (alterando-se em favor da pessoa em desenvolvimento)
promove o desenvolvimento daquela. O autor expõe que o equilíbrio do poder dos pais se
dará permeando e harmonizando a disciplina indutiva, a coercitiva e a restritiva; promovendo
a prática autoritativa.

Segundo Cecconello et al, 2003, a disciplina indutiva envolve práticas educativas que
comunicam à criança o desejo dos pais de que ela modifique seu comportamento, induzindo-a
a obedecer-lhes (Hoffman, 1975). Esta estratégia direciona a atenção da criança para as
conseqüências de seu comportamento através de explicações sobre as conseqüências do
comportamento da criança, explicações sobre regras, princípios, valores, advertências morais,
apelos ao orgulho da criança e ao amor que ela sente pelos pais, explicações sobre as
possíveis implicações maléficas ou dolorosas das ações das crianças para os outros e para si
mesma e sobre o seu relacionamento com as outras pessoas; favorecendo a internalização
moral. A disciplina coercitiva caracteriza-se por práticas que utilizam a aplicação direta de
força e do poder dos pais. Incluem punição física e privação de privilégios ou ameaças;
podendo causar emoções intensas como hostilidade, medo e ansiedade; intensificando a
percepção de valores e do padrão de ação moral como externos. As sanções punitivas tendem
a eliciar sentimentos negativos nas crianças.

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Configurando-se então, a exposição da criança a práticas parentais inadequadas
(conflitos, violência, coerção) ou o baixo envolvimento com o pai e a mãe, fatores de risco
para o desenvolvimento infantil, a vulnerabilidade a eventos ameaçadores (práticas
delinqüentes ou envolvimento com drogas) é aumentada (CIA et al, 2006). Pais que
estabelecem um ambiente familiar acolhedor e que organizam contextos favoráveis para o
desenvolvimento da criança estabelecem fatores de proteção diante de eventos ameaçadores.
Para que isso ocorra os pais devem exibir a habilidade de ajudar os filhos a identificarem
emoções, aconselharem com expressividade emocional positiva e estarem dispostos a
conversar; auxiliando em uma melhor interação social e menor probabilidade de apresentarem
problemas de comportamento.

Para que um aprendizado de como lidar com seus filhos na atualidade aconteça, os
pais podem ser inseridos num contexto de aprendizagem através de um grupo operativo, que
tem por definição ser um conjunto restrito de pessoas, ligadas por constantes de tempo e
espaço, e articuladas por sua mútua representação interna, que se propõem de forma explícita
ou implícita à realização de uma tarefa, que constitui sua finalidade, interatuando para isso
através de complexos mecanismos de adjudicação (entregar aos outros o que é seu) e
assunção de papéis ( assumir o que é dos outros para si). O s grupos centram-se nas tarefas
( no caso aquisição de conhecimentos) para viabilizar motivação, mobilidade de papéis a
serem desempenhados e disponibilidade para as mudanças.

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2. Proposição do problema

A atualidade é vivenciada com uma maior liberdade através da globalização das


informações. Crianças não escapam desse movimento por mais que seus pais sejam atentos ao
que seus filhos estão “consumindo” por meio da cultura que se apresenta em constante
transformação cada vez de forma mais rápida, fugaz. Mesmo crianças que necessitam de
cuidados psicológicos não escapam de novas tendências, e estes pais se já não possuírem
déficits na forma como lidam com seus filhos, seja em práticas parentais positivas ou no
abuso de práticas negativas, podem estar necessitando de uma direção ao lidar com seus
filhos. Assim, os pais são reflexo das tendências atuais? É possível encontrar um caminho
para melhorar as relações entre pais e filhos?

3. Justificativa

O trabalho se justifica através do fato de que sempre um encontro entre um


profissional e participantes do grupo pode gerar além de formas alternativas para o grupo lidar
com suas questões, mas uma visão pontual do desenvolvimento humano em especial nas
relações entre pais e filhos aqui em questão. Além disso, os encontros podem proporcionar
direcionamentos em relação a criação desses filhos, assim como, através do exercício da
crítica e da autocrítica, os pais podem chegar a se conhecer como também conhecer seus
filhos, passando a compreendê-los e direcionando carga afetiva positiva em seus
relacionamentos.

4. Objetivo

4.1 Objetivo Geral

Proporcionar aos pais um espaço de reflexão, uma oportunidade para darem


significados às suas angústias em relação aos problemas de seus filhos, assim como
estabelecer uma coesão entre o grupo com intuito de viabilizar um novo olhar em relação a
seus filhos e a si próprios através de um trabalho de grupo operativo voltado a aprendizagem.

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4.2 Objetivo Específico

Através da técnica de Grupo Operativo, buscar uma melhora na saúde mental dos
participantes, investigando os temas relacionados à criação dos filhos na época atual assim
como temas particulares referentes à cada pai. Criar condições que facilitem a interação entre
pais e filhos nas suas diferentes nuances, desenvolvendo nos pais habilidades de resolução de
conflitos e vivenciar a diversidade humana.

Para que isso ocorra, reuniões semanais de 1,5 horas com um grupo de pais que
poderão colocar em pauta suas angústias em relação ao ato de criar um filho, em especial uma
criança que esta passando por tratamento psicológico. Favorecendo a comunicação, é através
da verbalização que os problemas podem ser pensados antes de se partir para uma ação. Para
isso, atividades como dinâmicas que tem como objetivos temas como respeito, limites,
limitações (normas e regras), autoestima, afetividade, motivação, comunicação, autoridade x
autoritarismo, autoconhecimento, tolerância e dificuldades para lidar com frustração.

5. Metodologia

A partir de fichas de crianças que se encontram no NEAP, conseguiu-se número de


telefones de pais ou cuidadores que possuíam seus filhos inscritos para atendimento no local.
Com isso, no período de dois dias, foram realizadas chamadas para convite e informação do
que se tratava a ação. Os pais foram convidados a uma entrevista com cada um, onde mais
informação foi prestada. Após os pais terem assinado um termo de livre consentimento,
marcou-se a primeira reunião em uma sala do NEAP. Ao passar do tempo, o grupo tomou
uma outra conformação, já que a maioria dos pais que exibiram interesse no grupo não se
apresentaram e surgia, a cada sessão, pais que foram encaminhados pelo Conselho Tutelar de
São João da Boa Vista. Para cada sessão, os instrumentos utilizados foram a escuta, a
mediação do grupo e dinâmicas.

A técnica utilizada é de grupo operativo. Técnica desenvolvida por Pichon-Rivière que


tem como característica o trabalho em grupo buscando promover um processo grupal de
aprendizagem, fazer uma leitura crítica da realidade com uma apropriação ativa dessa mesma
realidade, estimular nos participantes uma atitude investigadora e ter a aprendizagem como

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sinônimo de mudança. Através do vínculo e da realização da tarefa, o grupo operativo se
propõe trabalhar as dificuldades visando um processo de mudança.

5.1 Participantes

A princípio pais que possuem seus filhos inscritos para atendimento no NEAP. Duas
mães inscritas no NEAP começaram a participar do grupo, com o passar do tempo, foram
integrando-se ao grupo 10 pais encaminhados pelo Conselho Tutelar, que formaram a maioria
do grupo, sendo 12 mulheres e 2 homens. Idades variadas.

5.2 Instrumentos

Além de uma sala do NEAP, para cada sessão, os instrumentos utilizados foram a
escuta, a mediação do grupo e dinâmicas de grupo.

5.3 Procedimentos

Durante 24 encontros os pais expuseram suas angústias relacionadas à situação de


criar seus filhos, e o profissional acolheu tais angústias assim como intermediou a exposição
entre os pais, fazendo com que o grupo se torne coeso e encontre uma “tese” comum a
respeito de como viabilizar melhoras comportamentais, assim como morais e principalmente
afetuosas, uma vez que é através do afeto que se dá a aquisição de habilidades positivas.
Através das discussões e da apresentação dos problemas, podemos analisar as angústias dos
pais, fazer com que cada pai apresente o melhor de si em relação a criação de seus filhos,
valorizando os aspectos positivos de cada um quando se tratar da prática adotada com seus
filhos, fazendo com que um preste atenção as qualidades de cada um como pai, e nos assuntos
em que houver alguma falta, oportunizar uma discussão, por vezes baseada em teoria para
práticas parentais positivas, para que aconteça um aprendizado da parte dos pais, indo em
direção à uma formação de uma estrutura familiar mais adequada para o desenvolvimento das
crianças. Além disso, os problemas pessoais em relação a cada filho poderão ser abordados e
analisados.

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6. Resultados Esperados

A partir do fato que a interação entre seres humanos é fator que “modela” suas formas
de serem e agirem, e, considerando que os pais chegam ao grupo pela preocupação com seus
filhos ou ainda indicados pelo Conselho Tutelar; o grupo busca modificar a interação entre os
pais e seus filhos agindo nas práticas educativas parentais, já que a partir de uma interação
positiva, através do afeto, diálogo, conhecimento dos direitos humanos de seus filhos,
responsividade, habilidades de estabelecer limites, saber expressar sentimentos positivos,
expressar e ouvir opiniões e possuir um comportamento habilidoso; a mente de seus filhos,
pode, aos poucos, transformarem suas dinâmicas; isso, através da transformação da dinâmica
mental dos pais. Espera-se então, que os pais estabeleçam um vínculo positivo com seus
filhos a partir do trabalho em grupo que visa a aprendizagem de práticas parentais positivas,
buscando a cidadania.

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7. Resultado

Descrição sucinta das mães:

Primeira mãe – Filha com problema de rendimento escolar, apresentando desatenção e


lentidão na escola. Seu marido não liga muito para sua filha, pois acha que ele trabalha fora e
quando chega está cansado e indisposto para participar da criação de sua filha. Também
comenta a respeito de que está tendo problemas com sua filha, pois deixa ela aos cuidados de
sua irmã, que acaba fazendo com que sua filha se atrase para ir para a escola. Pouca agressão
da parte do marido

Segunda mãe – Ex-marido pedindo a guarda do filho. Apresenta uma conduta ideal com seu
filho dizendo que é bem participativa. Relata que foi agredida pela ex-marido durante muito
tempo. O filho é obediente e não da trabalho, mas passa por atendimento na clínica do NEAP.

Terceira mãe- Encaminhada pelo Conselho Tutelar por ter batido em seu filho pois não a
obedece. Percebe-se que faz parte do grupo por obrigação no começo, mas com o passar dos
encontros se apresenta mais calma e participativa, sem o ar de estar ali contra sua vontade
como no começo dos atendimentos.

Quarta mãe- Conta que está com a guarda de 6 crianças e que gostaria de não ter a guarda
deles porque não a respeitam e são pestes. Desistiu depois de dois encontros.

Quinta mãe- Caso de homossexualismo na família, pouco fala sobre sua questão.

Sexta mãe – Filha abusada sexualmente por um parente seu.

Sétima mãe e marido-Filho problemático.

Oitava mãe- Filho problemático.

Nona mãe- Filho problemático.

Marido de uma das mães- ele e a esposa andam brigando e ela afirma que ele não consegue
lidar bem com sua filha. A criança é o pivô da relação que não andava muito bem.

Décima mãe- Filha adolescente com comportamento agressivo, não sabia quem era o pai e
descobriu recentemente. Relata ter melhorado a relação depois de colocar em prática a teoria
comportamental.

Décima primeira mãe – Marido alcoólatra e prejudica a criação de seus filhos. A relação dos
cônjuges é prejudicada pela dinâmica do marido.

Décima segunda mãe – Filho adolescente com conduta inadequada na escola e família.

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A partir dos relatos obtidos nos encontros com, principalmente, mães, percebe-se que
existe, ainda, a prevalência da idéia de que são as mães as principais provedoras de cuidados
em relação à criação e educação de seus filhos. Poucos pais compareceram ao grupo e os
únicos dois pais permaneceram por pouco tempo. As mães, em sua maioria, pareciam fazer
parte de da classe baixa à média, o que as coloca em determinado patamar em relação às suas
interações sociais e dentro de uma família, pois, tais interações são prejudicadas devida a
fragilidade que possuem tais classes, sendo desprovidas de informação e se configurando com
uma dinâmica de resolução de conflitos e não de prevenção. Cabe, ainda, somente à mulher
dar unidade e estabilidade as situações familiares, por isso, são fortes a pressão e expectativas
exercidas sobre elas que possui intuito de manter a união da família. A dinâmica familiar
influencia na forma como lidam com eles, pois muitas tem que trabalhar e ainda chegar em
casa e fazer suas tarefas e seus maridos não participam da criação e educação de seus filhos.
Então, a mulher, além de ter que trabalhar ainda deve cuidar de sua casa e de seus filhos. Há
então um desequilíbrio nas emoções, assim como em suas condutas, pois, as tarefas não são
divididas entre os pais e sobra à esposa se preocupar com as crianças. Além disso, vivencia-se
um momento onde a seus filhos são dados determinados direitos, o que os tornam mais
autoritários. É fato que alguma das mães pode não exibir um cuidado habilidoso em relação a
seus filhos, e constata-se que o que pode estar faltando seja afeto, carinho e comprometimento
em estabelecer um comportamento habilidoso na criação e educação. Os filhos ainda podem
apresentar comportamentos pouco adequados, aproveitando-se da paciência de suas mães.
Ainda que os pais pouco ajudem na criação, espera-se que as mães consigam olhar de uma
forma diferente para seus filhos, reconhecendo neles seres humanos que possuem direitos e
deveres, e que através de conversas planejadas, assim como de estabelecer uma relação
saudável mediada pelo diálogo, carinho, afeto, respeito, atenção; um vínculo positivo possa
começar a se dar.

Duas mães que não foram indicadas pelo Conselho Tutelar compuseram inicialmente
o grupo, e através de seus relatos percebe-se que seu papel de organizadora do lar é ainda
muito expressivo não possuindo ajuda de seus companheiros, sejam eles marido ou
companheiro. Uma das mães evidencia que ainda é operante o fato de o marido ser o provedor
financeiro e que os cuidados com saúde, educação, moral e civilidade estão ao cargo da mãe,
que se encontra dividida entre manter o lar coeso e trabalhar. Outras mães exibiam problemas
de relacionamento com seus maridos sendo estes pouco expressivos no que toca a educação

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dos filhos. As mães, em geral, pouco conseguem estabelecer novas relações com sua família,
prevalecendo dinâmicas de existir onde os papéis são bem definidos, indo contra a formatação
atual da família. É preciso levar em consideração que os tipos de relacionamentos dentro de
uma família estão sempre em mudança devido ao fato desta entidade social corporificar um
sistema aberto, e, portanto, permeável. Assim, as famílias de cada um dos cônjuges
influenciam na dinâmica familiar, por vezes criando problemas ou melhorando as interações,
a influência se dá também pelo meio social. Os pais que freqüentaram as reuniões em grupo
sofrem, em parte, devido a um conflito existente entre a educação que receberam e a
influência de novos padrões. Por outro lado, classificam-se como sendo de uma classe menos
favorecida, onde as uniões para formar uma família são de forma rápida e por isso com
estágios de ciclo de vida familiar diminuídos, o que leva a uma maior fragilização no
desempenho do papel de pais, principalmente para a mulher que é vista como principal
provedora de cuidados em relação à saúde, educação e cuidados com assuntos do lar. Ainda
prevalece uma estrutura hierárquica das relações, sendo a figura masculina responsável pela
autoridade moral, e a feminina pelos cuidados e orientações. Com isso, quando uma das
figuras apresenta uma dinâmica diferente, como a mulher trabalhando, ou o homem sem
trabalho e até mesmo possuindo problemas como com bebidas, as imagens e/ou exemplos
transmitidos para os filhos se tornam pouco ideais e fonte de conflitos, seja porque à mulher
cabe representar uma grande gama de papéis ou ao homem seu papel principal é negado e o
problema da consangüinidade, que ainda faz parte da definição de família e pesa na hora da
educação. Como as famílias pobres possuem grande fragilidade, torna-se difícil um
movimento para outros tipos de representações, isso devido a dificuldade em estabelecer
novas interações na família frente a novos paradigmas (como o trabalho da mulher). Os
relacionamentos entre marido e mulher podem se apresentar como pouco satisfatórios
dificultando a democratização das relações entre os sexos no interior do casal, o que irá
influenciar, junto aos aspectos acima, no estilo parental adotado. As práticas de bater ou gritar
foram tiradas de cena devido ao reconhecimento de historicidade da criança e devido ao valor
dado ao seu desenvolvimento moral e afetivo, mas estes pais, por sua posição social ou por
problemas internos à família como o trabalho, desavenças e diferenças entre os pais ou até
mesmo influências do meio externo (como os amigos de seus filhos), criam uma atmosfera de
falta de compromisso com o desenvolvimento biopsicosocial dos filhos. A postura desses pais
pode refletir no comportamento inadequado de seus filhos, através das interações pouco
adequadas devido à falta de afeto, preocupação e cuidados positivos. Com isso as habilidades
não são treinadas, não transmitindo orientações básicas para a participação na vida social. Os

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pais se baseiam na imposição e no controle (práticas autoritárias) e pouco utilizam da
participação e negociação (práticas democráticas), são menos propensos a elaborar um projeto
de vida educativo e dão poucas explicações dos motivos de suas exigências, usando de
punição. A relação entre estes pais e seus filhos pode ser prejudicada através das várias
características que apresentam como, segundo casamento, falta de tempo, não conseguirem
estipular regras por serem negligentes (baixa responsividade e exigência) ou até mesmo por
serem autoritários (muito exigentes com baixa responsividade), não demonstrarem afeto,
serem uma figura que representa uma conduta inadequada, oferecerem como espelho meios
de vida e relacionamentos pouco adequados (como alcoolismo); sendo todas as características
encontradas na literatura pesquisada e configurando, na maioria dos pais, um estilo parental
negativo, com práticas negativas que não exploram o desenvolvimento de seus filhos
atentando para a autonomia e para a moral. Com isso, os pais se apresentam mais como
criadores que educadores, possibilitando a seus filhos uma vida, mas não uma maneira de
viver. De modo geral, durante os encontros não foi notada pré-tarefa, sendo que os pais, em
sua maioria mães se implicavam bem na tarefa, o que aumentava o pertencimento. A
comunicação fluía de uma forma boa, e em muitos momentos aconteceu determinada
aprendizagem através do avanço no tema, só sendo prejudicado pela variação dos pais
presentes, seja por faltarem ou por serem novos no grupo. Houve cooperação entre os pais
com boa disposição para modificarem suas condutas.

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8. Considerações Finais

Percebeu-se, ou por relatos ou por observar a mudança de comportamento das mães


durante os encontros, que houve alguma melhora em seus estilos parentais ou mesmo uma
tomada de consciência de seus problemas. Através das exposições nas sessões criou-se uma
atmosfera de discussão onde as mães puderam entrar em contato com suas angústias e
verbalizá-las, sendo através da interação, mediada pela teoria comportamental, que as mães
puderam reavaliar seus modos de vida e tentar modificá-los. Notou-se que as mães possuem
uma idéia de como seria uma conduta “ideal” para educar seus filhos, mas configurando, suas
vidas, como um mecanismo que se retroalimenta, suas atitudes ao criar seus filhos tornam-se
pouco viáveis, pois a interação entre eles, mediadas por seus problemas, faz com que não se
perceba o que dá início à suas atitudes; ou seja, as formas de estar no mundo da criança de
hoje pode alimentar as formas de ser de seus pais e vive e versa. Os pais apresentam
preocupação com a realidade moral (visão e formas de ser antigas) e não com a realidade
afetiva (visão e forma de ser da atualidade), utilizando pouco as práticas democráticas no
relacionamento com seus filhos, levando a uma disciplina inconsistente com pouca interação
positiva. Houve dificuldades em manter o grupo coeso e em manter a dinamicidade dos
encontros, pois a configuração do grupo se modificava constantemente, entrando pais novos a
todo o momento. Assim, premissas desenvolvidas por Pichon- Riviere foram pouco
desenvolvidas, devido a inconstância da formação do grupo. O respeito então foi definido
como uma relação satisfatória entre pais e filhos mediada pelo afeto e a consciência de que as
crianças possuem direitos e deveres e que cabe aos pais a modulação de comportamentos
positivos através de condutas positivas visando uma educação para a cidadania. Isso significa
dizer que, aos pais, é reservada a tarefa de conduzir a vida mental, social e biológica em
direção à saúde, e esta, é alcançada por intermédio de um estilo parental busca a autonomia
dos filhos através das emoções mediadas por regras e condutas sociais visando o
desenvolvimento biopsicosocial. Atualmente, é através do diálogo, da demonstração de
carinho e de determinada preocupação, que pais modelam as condutas e emoções de seus
filhos para que mais tarde, aqueles, possam interagir em um meio social buscando a cidadania
e um bem comum.

21
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Anexos

Primeira Sessão:

Na primeira sessão apenas uma mãe participou de toda a sessão, sendo que chegou as 6 da
tarde e permaneceu até as 7:30 da noite. Como ela estava sozinha, comecei perguntando qual
era o problema com sua filha. Ela disse que sua filha não estava indo bem na escola e que por
isso veio ao Neap em busca de um atendimento. Discursou sobre o problema com sua filha e
sobre sua vida, mas ela havia dito que era um pouco envergonhada para falar. Aos poucos foi
se soltando, discursando a respeito do problema de sua filha que se configura como
desatenção e lentidão na escola. Não consegue copiar a lição e acompanhar a classe. Não
houve melhoras mesmo quando a professora a colocou na primeira carteira. Enxerga bem,
ouve bem, apresenta lentidão desde que entrou pra escola com 3 anos, fala que tenta ser mais
rápida mas não consegue. A mãe diz que ela é uma criança muito irritada e que não aceita
não.
Em determinado momento foi aplicada a dinâmica dos balões, onde o aluno e a mãe
escreveram em quatro papeizinhos quais eram suas expectativas em relação ao encontro.
Dentro dos balões foram colocados os papeizinhos e logo após iniciou-se uma brincadeira
para misturar os balões. Sendo estes estourados, os papéis foram recolhidos e cada um lia o
que estava escrito em um papel. A discussão girou em torno dos temas de aprender a escutar
os outros e confiança. À participante foi pedido que relacionasse o tema escrito nos dois
papéis. Esta dinâmica configura-se como de apresentação com o propósito de quebrar o gelo,
desinibir os participantes e facilitar o entrosamento e mais especificamente levantar as
expectativas por meio do simbólico e autoconhecimento. As 7 da noite uma segunda mãe
chega, ela se apresenta dizendo que seu problema é que seu ex-marido está exigindo a guarda
de seu filho, pois alega descaso da mãe em relação ao filho. Mais uma vez foi realizada a
dinâmica dos balões agora com a participação dessa segunda mãe. Após recolhidos os papéis,
a discussão girou em torno mais uma vez de aprender a escutar os outros, duração de
relacionamentos e confiança. As duas mães pareciam bem a vontade discutindo e resolvendo
sobre relacionamentos, onde diziam que as vezes você deve escutar os outros mas nem
sempre o que os outros dizem serve para a sua vida e assim você deve escutar mas também
analisar se aquele conselho que lhe foi dado vai servir para melhorar alguma situação por que
você está passando.

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Segunda sessão:

Mais uma vez só uma mãe comparece desde as 6 da tarde. Ocorre uma “conversa” entre o
aluno e a mãe até a que a segunda mãe chega. A mãe conta como é sua vida familiar e a
preocupação que exibe com sua filha. Esta que apresenta um rendimento escolar abaixo da
média. Diz que seu marido não liga muito para sua filha, pois acha que ele trabalha fora e
quando chega está cansado e indisposto para participar da criação de sua filha. Também
comenta a respeito de que está tendo problemas com sua filha pois deixa ela aos cuidados de
sua irmã, que acaba fazendo com que sua filha se atrase para ir para a escola. Desenvolve
bastante a respeito desse tema e também diz que acha que o comportamento de sua filha muda
pois sua irmã tem outra maneira de lidar com sua filha. Quando a segunda mãe chega são
aplicadas algumas pequenas dinâmicas e também ocorre uma discussão a respeito de criação
de seus filhos, como fazê-los obedecer e sobre a personalidade destes. A primeira dinâmica
aplicada é a “Quem sou eu”, onde uma folha que contém divisões como Quem sou eu, signo
e 2 características marcantes, é entregue para que completem. Esta dinâmica serve como
apresentação e integração, além de servir como uma pequena apresentação A característica
apresentada por uma das mães é de ser honesta e trabalhadeira, a outra simpática e carinhosa.
No verso das folhas as mães foram convidadas a escrever a meta que tinham em mente em
relação ao encontro de pais. Uma expôs que quer aprender bastante coisas boas
principalmente como lidar com o seu filho. Já a outra mãe escreveu que deseja que sua filha
possa ter mais paciência e ser melhor na escola, e que também consiga educar a sua filha e
ouvi-la melhor e acabar com as brigas entre mãe, filha e pai. Outra dinâmica proposta foi a de
que deveriam imaginar que a outra é um bebê ou uma criança e que deveriam fazer alguma
ação, ou o que fariam com este bebê. Esta dinâmica também serve para integrar o grupo e
criar vínculos. As duas mães se demonstraram muito carinhosas, pois uma acariciou a outra e
a outra por sua vez deu um beijo no rosto. As duas mães debateram a respeito de seus intuitos
e a sessão deu-se por terminada.

Terceira sessão:

Três mães encaminhadas pelo conselho tutelar se juntam ao grupo. Dessa vez as duas
primeiras mães comparecem desde o início da sessão, e ao caminhar desta, a cada momento
uma mãe se junta ao grupo. Dessa forma, a primeira a chegar se apresenta e conta porque está
ali. Diz que o conselho tutelar a enviou pois bateu em seu filho. Diz que seu filho não a

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obedece e que “só se enforcar”. A segunda chega e conta que está com a guarda de 6 crianças
e que gostaria de não ter a guarda deles porque não a respeitam e são pestes. A terceira entra
e não quer falar a respeito de seu caso. Começamos então a discutir a respeito dos casos.
Algumas mães começaram a conversar a respeito de seus casos umas com as outras e a
discussão tomou rumo girando em torno do tema respeito. Algumas mães concordavam com o
fato de que pra que as crianças pudessem respeitá-las era necessário que suas imagens
estivessem vinculadas a imagem de respeito e que também deveriam respeitar seus filhos. Em
relação a criação, foi exposto que as crianças muitas vezes imitam os comportamentos que
observam e que a melhor forma de se obter algum comportamento positivo da parte das
crianças era demonstrar carinho. Em determinado momento foi solicitado que as mães
fizessem um desenho do que as representam. Este desenho propicia a autoreflexão e quando
apresentado ao grupo caracteriza uma forma de interação quando proporciona aos outros uma
apresentação de si próprio. A mãe que deve cuidar de 6 crianças que não são suas desenhou
ela e um vaso de uma planta, dizendo que essa é a coisa mais importante para ela. A mãe cuja
filha está tendo problemas de rendimento na escola desenhou uma borboleta em um dia
ensolarado, dizendo que está se sentindo livre do marido. A mãe cujo problema é o ex-marido
que está exigindo a guarda de seu filho desenhou ela mesma e seus animais, que são o que há
de mais importante para ela. A mãe que não quis falar sobre seu problema desenhou ela e
mais duas mulheres ou meninas com uma bomba, porque diz que seu problema é uma bomba
para explodir. Já a mãe que bateu em seu filho um pouco alem da conta desenhou uma carinha
feliz. Isso feito, outra dinâmica proposta é a de que deveriam encher os balões de acordo com
seu nível de stress, lembrando que não existe nível zero. Todas encheram os balões, sendo que
a mãe que o ex-marido pede a guarda do filho encheu pouco seu balão. As outras brincaram
que os balões iam estourar. Talvez pudessem medir seu nível de stress e pensar a respeito
deste. Depois foi proposto que enchessem um segundo balão e dessa vez imaginando como
gostariam que o nível de stress baixassem, sabendo que não existe stress nulo. A mãe que
precisa cuidar de 6 crianças encheu o balão da mesma forma que o primeiro. Já as outras
encheram bem menos o balão. Foi proposto que levassem os balões para casa e pensassem a
respeito de seu stress junto do tema respeito. Duas mães saíram com os balões as outras os
deixaram na sala. A sessão terminou.

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Quarta sessão:

Compareceram a sessão de início duas mães. Uma com sua filha com problema de rendimento
escolar e outra que seu problema é o ex-marido que quer a guarda de seu filho. De início foi
questionado as duas se haviam pensado na questão do stress exposto na última sessão, onde as
mães encheram balões de acordo com o que achavam que significava seu stress. Um outro
balão foi dado depois de dito que não existe stress nulo, que um pouco de stress sempre vai
existir, e este balão era pra ser cheio de acordo com o que imaginavam que poderia reduzir
seu stress. Dessa forma, as mães foram convidadas a dizer a respeito de seu stress. O stress de
uma delas está relacionado com o rendimento de sua filha e outros aspectos da vida. A
segunda mãe que havia cheio pouco os dois balões disse que não se sente muito estressada,
que já houve muito stress em sua vida mas hoje não está havendo tanto assim, ou diminuiu.
Em determinada hora chega a terceira mãe com o problema de que havia batido um pouco
demais em seu filho. Disse que não gostaria de falar nada que só estava ali para ouvir. O
aluno expôs questões relacionadas a conversar com os filhos, as melhores formas, como
ouvir, que hoje em dia ao se criar um filho precisa dosar as punições, que na atualidade a
criação está girando em torno da conversa, de tomar a criança como um ser semelhante ao
adulto, mas com conteúdos próprios a cada idade. Cada mãe expôs suas formas de
comportamento, exemplificando com situações vivenciadas por elas mesmas. Teve início uma
dinâmica que durou pouco tempo, em que duas das mães (a terceira que gostaria só de escutar
se negou a participar) ia a frente do grupo e as outras mães deveriam observar a reação de
cada uma frente á uma frase referente ao respeito. A primeira frase foi “Respeitar é aprender a
valorizar o comportamento do filho”, onde a mãe escolhida para ir à frente foi a que está com
problemas com o ex-marido. A impressão da terceira das mães foi a de que a reação da mãe
era a de que deveria ter paciência. A da mãe com sua filha com problemas escolares achou
que a reação foi de que não é bem assim. O comportamento do filho não deve ser sempre
respeitado. A impressão foi completada pela mãe a frente se resumindo na seguinte frase:
Respeitar a criança dependendo das circunstâncias. A segunda mãe a tomar frente no grupo
foi a que tem problemas com a filha no âmbito escolar. A frase exposta para ela foi:
“Respeitar é ensinar comportamentos bons”. A terceira mãe teve a impressão de que a mãe a
frente faz o que a frase diz. A segunda mãe diz que ela concorda e faz. A mãe a frente
discursou pouco a respeito. Após isso entramos em discussões diversas como comportamento
dentro de sala de aula, a obediência dos filhos, a imitação em relação aos outros e a sessão
terminou.

28
Quinta Sessão:

As 6 horas da tarde, horário que tem início a sessão com as mães, apenas a mãe cujo ex-
marido pede a guarda do filho está presente na sala de espera, aguardando que seu filho seja
atendido. Resolvemos que entraríamos na sala e “conversaríamos” até que mais alguém
chegasse. Pedi que me falasse sobre o que aconteceu no último encontro. Em poucas palavras
disse que conversamos em relação a respeito e atitudes perante a criação dos filhos, como
quando foram a frente do grupo e reagiram a uma frase dita em relação a criação dos filhos.
Continua falando a respeito até que eu a corto e pergunto como está a relação com seu ex-
marido, já que está ali por causa de uma disputa de guarda de filhos. Diz que nem conversa
mais com seu ex-marido, que não adiantava conversar com ele porque ele a xingava de tudo
menos de santa. Que hoje está tudo bem, mas que chegou a brigar muito com ele. Que não
tem muitos problemas com seu filho, que este é obediente, mas as vezes faz algumas artes.
Diz que conversa com ele, explica as situações e que demonstra carinho e afeto. Em
determinado momento chega a mãe que sua filha está com problemas na escola. Digo para a
outra dizer, se quiser, o que estávamos conversando, e ela diz meio que por cima. Alguma
coisa faz com que a mãe que chegou comece a falar de uma briga com o seu marido. Que
estão pensando em divórcio e que se sente muito mal quando os dois brigam e sua filha escuta
e chora. Diz que ele a agrediu e em determinada situação fez boletim de ocorrência, mas ficou
com dó por pensar que ele poderia perder o emprego. Diz que a mulher da delegacia disse que
era para segurar o boletim por 6 meses caso ele voltasse a agredi-la. Ela não se conforma, pois
chega o final de semana que era para ele ficar com sua filha, sair juntos, ele pega e faz uma
coisa dessas. Nesse momento chega a terceira mãe, a que fez certo suspense em relação ao
porque estava ali. Mas o assunto agressão rendeu também para o lado da mãe cujo ex-marido
pede a guarda do filho. Diz que foram 13 anos de casamento e apanhando, até que ela se
cansou e ficou sabendo que não era só bar e amigos era outra mulher também. Então resolveu
se separar. Comentei que na semana passada a mãe que fez suspense havia faltado, e ela me
corta e diz que é porque sua tia tomou veneno de rato porque o seu primo disse que era gay.
Sua família está da mesma forma que ela, meio pasmos e acreditam que ela foi fraca e não
agüentou a notícia. A sala ficou quieta e para quebrar o gelo foi aplicada uma dinâmica de
socialização e sensibilização com perguntas e respostas. Foram colocados papeizinhos com
perguntas e respostas separados em cima da mesa, e uma dela tinha que pegar ou pergunta e
resposta e outra o contrário. Assim uma lia a pergunta e outra a resposta. As vezes aconteciam
combinações engraçadas, outras nem tanto e outras as respostas casavam perfeitamente.

29
Você é paciente? Primeiro eu apago a luz.

Você é tolerante? Sempre que estou sozinho(a)

Você é humilde? Jamais, de jeito nenhum.

Você é responsável? Me acho muito velho(a) para isso.

Você é pontual? Sempre depois da missa.

Você é cordial? Debaixo do chuveiro.

Você é dinâmico? Em cima da casa.

Você é criativo? Dentro da casa do cachorro.

Você é otimista? Foi o que sempre quis.

Você é conciliador? Debaixo da cama.

Você é perseverante? Debaixo do pé de manga.

Você é organizado? Na hora da novela.

Você é feliz? Com o guarda de trânsito.

Você tem muitos amigos? De manhã, a tarde e a noite.

Você se irrita com facilidade? Não tenho tempo para isso.

Jogou-se a primeira vez e foi pedido para que se pronunciassem a respeito do jogo. Ninguém
quis dizer alguma coisa. Propus que jogassem novamente, o que aceitaram de bom grado.
Alguns papéis de uma forma curiosa se repetiram e outros foram o contrário. Mas a
brincadeira surtiu algumas risadas e a integração das 3 mães. Em relação a este assunto,
parece que a integração do grupo pode ser meio difícil de perceber se está acontecendo pois a
cada sessão uma falta e outra vem, e as duas mães que realmente freqüentam todas as reuniões
parecem bem entrosadas. Após isso feito, o seguinte texto foi apresentado ao grupo para ser
analisado:

DIALOGAR É DESCOBRIR

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Quanto mais avançamos na descoberta dos outros, tanto mais substituiremos as tensões por
laços de amizade e de paz.
Através do diálogo aprendemos a respeitar a pessoa humana, seus valores, sua cultura, sua
autonomia legítima, sua autodeterminação.
Através do diálogo aprendemos a olhar para além de nós mesmos, a fim de compreender e
valorizar o que há de bom nos outros.
Através do diálogo aprendemos a contribuir para um desenvolvimento e crescimento justos.
Através do diálogo aprendemos a transformar a solidariedade em característica permanente do
mundo em que vivemos.
Através do diálogo aprendemos a fazer da amizade um valor sem fronteiras.

Li em voz alta de duas a três vezes cada trecho que era discutido. A mãe que não queria falar
a respeito do porque estava ali falou a respeito do primeiro trecho e disse bem, usando o
exemplo da amizade disse que se procuramos entender nosso amigo, os problemas serão
substituídos pela amizade e paz. Sugeri que isso também funcionaria em relação aos filhos
quando disse para a mãe que sua filha tem problemas escolares que poderia ser assim com sua
filha. O segundo trecho também foi discutido , onde uma disse que se aprende a respeitar o
outro quando se conversa, mas outra( a mãe que possui problemas com sua filha no âmbito
escolar) disse que não são todos os casos que você deve respeitar. A mãe que o ex-marido
está pedindo a gurada do filho comenta sobre o trecho seguinte dizendo que entende que as
vezes você não gostava de uma pessoa, mas quando você passa a conhecer melhor e vê pontos
positivos você passa a gostar. Foi no trecho seguinte (Através do diálogo aprendemos a
contribuir para um desenvolvimento e crescimento justos.) que a mãe que fez um pouco de
suspense sobre seu caso disse alguma coisa. Disse que ela tenta fazer com que sua filha tenha
um desenvolvimento justo tentando fazer com que seu marido compareça na educação de sua
filha. Diz que falta a presença do pai. Desenvolve que está ali devido a relação com sua filha,
que ela se apresenta de uma maneira muito adulta, que a criou da forma como foi criada, sem
relação de mãe, sem conversar, sem escutar, não a deixando fazer coisas de crianças e hoje ela
está com quase 13 anos e parece sua amiga, ou algo desse tipo. A mãe que está em disputa
judicial entra no assunto de criação dos filhos, que a punição de tirar uma coisa que seu filho
gosta é o que mais funciona e junto da mãe que possui sua filha com problemas escolares,
através de suas falas são identificadas várias questões que fazem parte da teoria, como por
exemplo a autoridade das crianças nos dias de hoje, o quanto se pode bater, a diferença da
criação de um filho para o outro, que certas condutas hoje não adiantam mais ou não surtem

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efeitos porque as próprias crianças dizem que o que pode ou não pode fazer..... (ver os últimos
textos lidos). Ao final entrego uma folha onde é proposta uma tarefa de casa, abaixo.

Nome do(s) filho(s):______________________________________________________

Situação em que
iniciei e/ou
Conversei O que eu disse mantive O que meu O que eu fiz após o
sobre ..... conversação(local, filho fez comportamento do
quem estava meu filho
presente, etc)

1.

2.

3.

Dificuldades encontradas:

Sexta Sessão:

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O aluno encontrou dificuldades na sexta sessão, pois surgiu no aluno determinada angústia,
pois o grupo é formado por duas mães que foram convidadas a participarem através de
inscrições no Neap e mais três mães que foram indicadas pelo Conselho Tutelar. Das mães
encaminhadas pelo Conselho Tutelar, uma das mães só compareceu a um dos encontros, e as
outras duas “parece” revezam os dias que vêem ao encontro. O aluno talvez tenha errado ao
preparar uma dinâmica pensando na presença de pelo menos três mães. Ao dar início a sessão,
foi mobilizado no aluno determinada angústia que o levou a escutar, mas não ouvir ( ou o
contrário) a única mãe presente durante os primeiros minutos da sessão, pois a outra mãe que
se faz sempre presente estava um pouco atrasada. Mas, durante este tempo, a única mãe
presente falava a respeito da criação de seu filho, de como ele é obediente e não da muito
trabalho, e que discorda de certos mecanismos de recompensa como dar presentes para
reforçar determinados comportamentos. A segunda mãe chega, e ainda assim o aluno continua
mobilizado, não prestando atenção ao que ela tem a dizer. Estas duas mães parecem bem
entrosadas desde o primeiro dia de sessão. Gostam de discutir em relação aos assuntos, mas
uma mãe parece exibir todos os comportamentos ideais que uma mãe deve ter, pelo menos o
que se vê na teoria. Ainda foi exposto as duas mães que delimitassem o que é um pedido ao
lidar com seus filhos, uma sugestão e uma ordem. Passou-se um tempo trabalhando estas
questões, e a conclusão que se chegou por parte do aluno que exibiu nesta hora uma atitude de
“saber mais” é que talvez seja o momento que determine qual a melhor atitude em se tomar,
seja ela pedido, sugestão ou ordem e que surtirá uma melhor resposta. Assim, pelo fato de as
dinâmicas programadas se prestarem aos motivos expostos abaixo, não foram aplicadas.
Ainda foi trabalhado, ainda que pouco, expressar sentimentos positivos.

Justificativa das dinâmicas:

Apesar do número de participantes do grupo não se apresentar ainda como fixo, e de que a
integração pode estar debilitada devido a este motivo, por avaliar que os conteúdos expostos
nas sessões anteriores podem ter mobilizado angústias referentes a baixar a auto-estima das
participantes, sendo que o que se foi discutido pelo grupo em determinados momentos pode
ter se exibido em forma de uma maneira certa ou errada de se agir e ainda assim, por acreditar
que as participantes exibam uma determinada interação espontânea, chega-se a conclusão de
que para um bom andamento dos encontros uma dinâmica voltada ao mesmo tempo para um
“olhar” em direção ao outro e dessa forma perceber este outro como presente e para valorizar

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este outro, assim como aspectos de suas vidas, visando trabalhar frustração, auto-
conhecimento, auto-estima e o tema principal que se relaciona com o respeito; duas dinâmicas
parecem ser adequadas ao momento. Ainda porque, através dos conteúdos destas duas
dinâmicas, pode-se relacioná-los a questões da criação de seus filhos.

Escolha cuidadosamente as suas palavras (adaptada)

Finalidade: Desenvolver os espírito de equipe, perceber os diferentes olhares presentes em um


grupo, incentivar o respeito ao outro.
Material: folhas de papel, caneta ou lápis.

1. Dar a cada integrante uma folha de papel e um lápis. Pedir que listem todas as frases
que ouvem frequentemente no seu dia-a-dia e que considerem agressivas, ofensivas ou
que causem desconforto.
2. Pedir a cada um que escolha uma frase e que apresente ao grupo.
3. Pedir que encontrem uma forma clara e gentil de dizer a mesma coisa.
4. Cada um lê para o grupo a frase original e a frase modificada.
5. O grupo comenta o que descobriu ao fazer as comparações entre as maneiras
diferentes de dizer a mesma coisa.

Você está escutando?(adaptada)

Finalidade: Trabalhar a importância de perceber o outro, valorizando-o.


Material: Cartões com as instruções.

1. Um dos participantes irá contar uma história, real de sua própria vida ou criar algo.
Mas a sua tarefa é contar a história do começo ao fim e certificar-se de que todos
compreenderam bem o que foi dito.
2. Os outros de forma ordenada, ou apenas uma pessoa, ficará com o papel de interferir
na comunicação, dificultando-a.

Sugestões de papéis:
- Dê palpites sem ser solicitado durante o relato.
- Interrompa frequentemente, impedindo-o de chegar ao fim de sua história.

34
- Mude de assunto várias vezes durante o relato.
- Não responda, nem pergunte nada durante todo o relato.
- Peça constantemente ao outro que repita o que acabou de falar.
- Procure contar uma história melhor do que a que a pessoa está contando.
- Ria e ache graça quando seu par falar sério.
- Faça perguntas sobre todos os detalhes da história.

3. O coordenador observa o grupo e determina o final da atividade ao perceber que


concluíram a tarefa ou já se encontram suficientemente mobilizados.
4. Abrir plenário para que cada um exponha ao grupão o que aconteceu durante a
execução da atividade e como está se sentindo.
5. O coordenador deve certificar-se de que os participantes estão expressando realmente
o que sentiram enquanto contavam a história.
6. Dar a palavra aos outros participantes para que falem inicialmente sobre os
sentimentos, se foi fácil ou difícil de desempenhar o seu papel e por quê.
7. Depois de explorar os comentários sobre a atividade, ampliar a discussão para os
seguintes pontos:
- Como você se sente quando alguém não escuta você?
- É difícil para você não escutar o outro? E falar de si?
- Que atitudes no outro facilitam a sua expressão?
8. Concluir falando a respeito da importância do saber ouvir, mostrando que o respeito e a
atenção dedicadas ao outro são a chave para uma boa comunicação.

Sétima Sessão:

Com o intuito de trabalhar o respeito ao outro, assim como o de conhecer direitos humanos
básicos, as mesmas dinâmicas acima; que não foram aplicadas durante a sexta sessão, foram
utilizadas na sétima sessão. Mas percebeu-se que, talvez, a proposta da primeira dinâmica seja
um pouco mais sofisticada em termos de verbalização ou de desenvolver o tema, sendo
constatado que as frases consideradas negativas são de natureza pouco “trabalhadas” e diretas,
quando não muito simples. Com isso, a dificuldade encontrada foi a de viabilizar uma forma
gentil de dizer a mesma coisa., como a de dizer que a mãe é chata. A sugestão por parte do
aluno, e que ainda é o tema dos encontros, para estabelecer um “contrato” de respeito entre as

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partes, é o diálogo, a conversa. A segunda dinâmica pode ter falhado, como falhou, pois a mãe
escolhida para contar uma história (pelo fato do aluno decidir que queria que a mãe que pouco
falava se expressasse), não conseguiu desenvolver uma história. Mas, percebeu-se que pelo
menos nesse dia, a mãe que no primeiro encontro se apresentava um pouco nervosa e
reclamante, estava mais calma e contida. As mães parecem compreender bem o que é
proposto pela teoria, e chegam a usar conceitos meio difíceis quando uma idéia é apresentada
junto de outra que na prática se contradizem, mas parece que o aluno ao colocar folhas com
teorias em cima da mesa, “veste” o papel de detentor do saber, e ainda “vai em direção” à mãe
que parece exibir todo o comportamento ideal.

Oitava Sessão:

Uma das mães parece apresentar um comportamento ideal para com seu filho, apesar de seu
ex-marido afirmar que há um descaso em relação desta para com o filho. Esse parece ser o
único problema. Ainda assim, o tema respeito parece ser pertinente, uma vez que os ex-
cônjuges estão travando uma batalha judicial, e o respeito parece ser necessário para que uma
ação se dê de forma eficaz. Espera-se, então, que a mãe, possa aplicar os temas abordados não
só com seu filho, mas nessa situação e em outras. Esta mãe, é responsável, em determinada
parte, pela análise de que as ações das mães estão em acordo com as teorias. A segunda mãe
exibe o problema educacional de sua filha e também trouxe a questão de seu relacionamento
com seu marido, que não a trata bem e se desliga da família, colocando em cima dela todas as
responsabilidades em relação a sua filha. A terceira mãe, que aparentou mais calma na última
sessão, possui um filho que a deixa “desequilibrada” e por isso usou de correção além da
conta. Uma outra mãe diz que seu relacionamento com sua filha parece é mais maduro.

Com fins de verificar o processo de grupo, e detectar mudanças nas posturas das mães,
pensou-se ser indicado uma averiguação e constatação através primeiro da verbalização das
mães a respeito de suas problemáticas. Dessa forma, um espaço para que exponham suas
idéias no começo do encontro se faz necessário até mesmo para viabilizar uma mudança ou
não de ação. Com isso, a partir do tema respeito que se traduz na interação com o outro, e por
valorizar as subjetividades, aplicando dinâmicas que trabalhem em primeiro lugar as
diferenças (1), enfatizando o fato que devemos respeitar o ponto de vista do outro e com isso
continuar trabalhando a idéia de Direitos Humanos Básicos e logo após, com o intuito de
fortalecer a idéia de importância do outro, de enxergá-lo (2) e dessa forma valorizá-lo,

36
buscando delimitar ações que reconheçam o direito do outro quando mesclado aos conceitos
de Direitos Humanos e que ao ajudar o outro, de maneira mais específica o desenvolvimento
de seus filhos, enxergando e dando importância a dignidade intrínseca, assim como suas
opiniões, suas questões e angústias, muitas vezes através do diálogo; pode-se chegar a
situações recompensadoras.

(1) Dinâmica: " das diferenças "


Material: Pedaço de papel em branco, caneta

Procedimento: O condutor da dinâmica distribui folhas de papel sulfite em branco e canetas


para o grupo. O condutor da dinâmica pede que ao dar o sinal todos desenhem o que ele pedir
sem tirar a caneta do papel. Ele pede que iniciem, dando o sinal. Pede que desenhem um rosto
com olhos e nariz. Em seguida, pede que desenhem uma boca cheia de dentes. Continuem o
desenho fazendo um pescoço e um tronco. È importante ressaltar sempre que não se pode tirar
o lápis do papel. Pede que todos parem de desenhar. Todos mostram seus desenhos. O
condutor ressalta que não há nenhum desenho igual ao outro, portanto, todos percebem a
mesma situação de diversas maneiras, que somos multifacetados, porém com visões de
mundos diferentes, por este motivo devemos respeitar o ponto de vista do outro.

(2) Dinâmica: "Auxílio mútuo"


Objetivo: Para reflexão da importância do próximo em nossa vida
Material: Pirulito para cada participante

Procedimento: É dado um pirulito a cada participante e as seguintes instruções: todos devem


segurar o pirulito com a mão direita, com o braço estendido. Não pode ser dobrado, apenas
levado para a direita, esquerda ou para frente, mas sem dobrá-lo. A mão esquerda fica livre.
Primeiro solicita-se que desembrulhem o pirulito. Para isso pode-se utilizar a mão esquerda.
Recolhe-se os papéis e dá-se a ordem de que todos devem chupar os pirulitos. Aguardar até
que alguém tenha a iniciativa de imaginar como executar esta tarefa, que só há uma: oferecer
o pirulito para a outra pessoa. Encerra-se a dinâmica, abre-se a discussão que tem como
fundamento maior dar abertura sobre a reflexão de quanto precisamos do outro para chegar a
algum objetivo e de que é ajudando ao outro que seremos ajudados.

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Nesta sessão uma das mães faltou pois teve de ir ao pronto-socorro. As outras duas mães
comparecerem e desta vez mais uma mãe se juntou ao grupo. De início dei oportunidade para
que ela expusesse seu problema. Diz que foi encaminhada pelo conselho tutelar pois este
achou que seria melhor um acompanhamento pois ela e seu marido, devido a situação dos
dois, talvez estivessem criando problemas para seu filho ou filha. Chorou, pois expôs que seu
marido cria problemas para com ela e o que foi discutido enquanto ela falava era a situação da
mulher que se apaixona e se dedica ao marido e este exibe o comportamento de ser o rei, não
participando da criação e esquecendo dos sentimentos do início do relacionamento. A outra
mãe expôs que parece que aos poucos está lidando melhor com seus filhos, mas que ainda não
está bom. A outra mãe chega. A primeira dinâmica tem início, com fins de viabilizar um
entendimento de que as pessoas possuem olhares diferentes a respeito do mesmo assunto. Isto
serviu para as mães no sentido de que possam valorizar a opinião de seus filhos e entenderem
que eles podem possuir valores diferentes, e idéias diferentes das suas. Ainda deve ser
trabalhado que mesmo que seus filhos possuam mentes diferentes, ainda assim é
responsabilidade também dos pais moldarem as mentes de seus filhos segundo normas e
forma segura com outros cidadãos. Ainda, foi discutido que para a mãe recém chegada, a
dinâmica poderia servir para que ela tomasse consciência de que seu marido possui um olhar
diferente a respeito de seus problemas, e até por isso não compareceu ao grupo. A segunda
dinâmica aplicada valoriza a percepção do outro. Com ela se tem a idéia da importância do
auxílio mútuo e da importância de nos atermos também ao outro, e que muitas vezes para nos
ajudarmos é preciso ajudar o outro. Na falha da dinâmica, pois não foi descoberta a forma
como chupar o pirulito, entro em questão o problema das mulheres e assim da mãe que recém
chegou ao grupo. Uma vez que tentaram chupar o próprio pirulito, talvez, para que resolvam
determinadas questões, seja necessário que se tornem um pouco mais egoístas, e assim
colocarem metas em seus casamentos de acordo com seus desejos, tirando um pouco de foco
só os desejos de seus maridos.

Nona sessão:

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Neste encontro mais uma mãe chega indicada pelo Conselho Tutelar. Três mães estão
presentes desde o começo da sessão. A mãe que chega nesta sessão traz consigo o problema
de sua filha que foi abusada sexualmente por um parente seu. Ela exibe uma grande vontade
de falar e conforme vai falando reclama da posição do Conselho Tutelar. Nessa altura são as
três mães enviadas pelo Conselho e que em determinada altura começam a discutir a respeito
das medidas adotadas pelo conselho. As mães parecem interagir muito bem, mas, sempre a
princípio parecem preferir ouvir o que a mãe que recém chega tem para dizer. Com isso, mais
uma vez discute-se o papel do Conselho Tutelar que exerce pressão para que as mães ajam de
uma forma melhor. Mais tarde chega uma mãe que já fazia parte do grupo. Também discute a
respeito do Conselho Tutelar. Outros temas como o papel do pai na criação dos filhos também
foi abordado, e com isso, o papel da mulher que acaba se dando e se preocupando mais com
os filhos. As mães então reclamam da posição do pai no casamento e em relação a educação
de seus filhos. Os homens parecem se afastar dos problemas domésticos e preferem não
conversar a respeito e muito menos participar de alguma ação voltada para a melhoria das
situações de conflito. Nenhuma dinâmica foi aplicada.

Décima sessão:

Nesta sessão 4 participantes entram no grupo. Uma das mães vem acompanhada de seu
marido, e os dois possuem um filho muito problemático, assim como as outras duas mães.
Agora parece que o grupo está mais homogêneo, sendo o número de pais encaminhados pelo
Conselho Tutelar a maioria. Discute-se mais uma vez o papel dos pais na criação dos filhos e
o papel do Conselho Tutelar, buscando compreender como a educação se dava antigamente e
como se dá nos dias de hoje, pois pelo menos duas mães dizem que filhos mais velhos que
foram criados por elas mesmas foram mais fáceis de criar e são diferentes dos filhos mais
novos do momento atual. Discutiu-se o que deveria ser feito para lidar com as crianças nos
dias atuais, o valor que é dado para as crianças- que modificou-se através dos tempos- e a
autoridade que é dada as crianças nos dias atuais. Nenhuma dinâmica foi aplicada.

Décima primeira sessão:

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A maioria das mães que compõem o grupo tem a característica de terem sido encaminhadas
pelo Conselho Tutelar com exceção de uma. Sendo assim, os temas abordados com intuito de
compreensão dos problemas das mães dizem respeito à atitude do Conselho Tutelar para com
elas. As mães reclamam que o Conselho Tutelar exige muito delas e dá muito lado aos seus
filhos. Chegam dizendo que o Conselho as encaminhou para que aprendam um pouco como
lidar com seus filhos. Percebe-se que talvez a dinâmica familiar influencie na forma como
lidam com eles, pois muitas tem que trabalhar e ainda chegar em casa e fazer suas tarefas e
seus maridos não participam da criação e educação de seus filhos. Então, a mulher, além de
ter que trabalhar ainda deve cuidar de sua casa e de seus filhos. Há então um desequilíbrio nas
emoções, assim como em suas condutas, pois, as tarefas não são divididas entre os pais e
sobra à esposa se preocupar com as crianças. Além disso, vivencia-se um momento onde a
seus filhos são dados determinados direitos, o que os tornam mais autoritários. É fato que
alguma das mães pode não exibir um cuidado habilidoso em relação a seus filhos, e constata-
se que o que pode estar faltando seja afeto, carinho e comprometimento em estabelecer um
comportamento habilidoso na criação e educação. Os filhos ainda podem apresentar
comportamentos pouco adequados, aproveitando-se da paciência de suas mães. Ainda que os
pais pouco ajudem na criação, espera-se que as mães consigam olhar de uma forma diferente
para seus filhos, reconhecendo neles seres humanos que possuem direitos e deveres, e que
através de conversas planejadas, assim como de estabelecer uma relação saudável mediada
pelo diálogo, carinho, afeto, respeito, atenção; um vínculo positivo possa começar a se dar.

Para esta sessão, espera-se que as mães possam visualizar uma mudança em seu
comportamento e em suas habilidades para lidar com seus filhos. Para isso, uma discussão a
respeito de como vêem seu comportamento, como definem como estão lidando com seus
filhos e qual a melhor maneira que na opinião delas surtiria algum efeito. Espera-se que
através da dinâmica 1, as mães, após terem discutido a respeito de suas condutas, possam
compreender a ótica do Conselho Tutelar. Isso feito procura-se aumentar a iniciativa por parte
das mães para atentarem para seus próprios desejos e para quem depende delas enquanto seus
maridos não modificam suas condutas. Com a dinâmica 2, espera-se que as mães possam
finalmente entender que o que se fala e como se fala pode gerar um tipo de comportamento
bom ou ruim. E que para que haja resultado positivos é necessária uma boa comunicação,
expressando sentimentos e pensamentos através de saber ouvir e saber falar e respeito mútuo.

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1- Como percebo a realidade?

Finalidade: Perceber que a realidade possui vários ângulos. Aprofundamento/reflexão e


sensibilização antes da discussão de algum tema que envolva a percepção de vários pontos
de vista (valores).
Material: desenho da senhora/moça.

Descrição: Distribui entre os participantes cópias do desenho. Pede-se que observe e que
digam o que está vendo. Dividir o grupo entre aqueles que vêem a moça e aqueles que
vêem a velha. Pedir que resolvam quem irá defender a imagem que percebeu. Deixar que
cada um tente convencer os outros de que a imagem que estão vendo é a real. Após alguns
instantes, orientar para que todos percebam as duas imagens. Discutir a importância de
perceber a realidade sob vários ângulos e que para perceber o que o outro defende tem de
se olhar do ponto de vista dele; isto não significa abrir mão daquilo que acredito, apenas
que posso compreender um ponto de vista do meu.

2- O que posso realizar?

Finalidade: Fazer as pessoas atentarem para seus próprio desejos e para quem depende
delas, valorizando o processo de comunicação de saber ouvir e saber falar.

Descrição: Fazer com que todos saiam da sala e que uma pessoa permaneça. Contar a
história. Chamar uma por uma, e cada uma conta a história para a pessoa que entrou. Ao
final, discutir o que as meninas fizeram e quais foram as conseqüências, além de por em
pauta que deve-se utilizar uma linguagem clara e direta ao passar a história adiante.

“Três irmãos, um menino, uma menina e uma menininha menor; estavam andando por
um bosque. Ao longe avistaram uma árvore com amoras que pareciam estar bem apetitosas.
Todos os três estavam com fome, mas discutiam que ao se desviarem do caminho perderiam
muito tempo para chegar a casa de sua avó. A menina do meio queria comer as amoras porque
elas estavam muito bonitas e apetitosas. O irmão então decidiu que continuaria em seu
caminho. A menina explicou para sua irmã mais nova que iriam comer as amoras e não iriam

41
se demorar para voltar ao caminho, e que um pouco depois do irmão mais velho chegariam a
casa da avó, mas estariam, pelo menos naquele momento, sozinhas”.

Somente uma participante compareceu e a sessão se deu no sentido de discutir sua questão: o
problema do alcoolismo de seu marido que gera uma série de complicações para sua vida e
para seus filhos.

Décima segunda sessão:

Avaliando o grupo como um grupo operativo, ou seja, utilizando os vetores, as fases e os


papéis que cada um exerce, pode-se perceber que talvez as mães compareçam as reuniões por
obrigação, pois foram encaminhadas pelo Conselho Tutelar. Existem reclamações em relação
à este, apesar de algumas das mães demonstrarem um mínimo de interesse, como a mãe que
foi encaminhada por passar da conta ao lidar com seu filho ou filha. Outra das mães foi
convidada a participar através de inscrição do NEAP, e parece ter muito interesse. Dessa
forma, o grupo parece que não está muito coeso. Nas primeiras sessões o papel de líder foi
exibido pela mãe que possuía seu filho inscrito no NEAP e foi convidada através deste para
participar. Algumas vezes a mãe cuja filha está inscrita por problemas escolares dividia o
papel de líder com esta mãe. A terceira mãe que exibia algum papel de grupo operativo é a
que passou da conta ao bater em seu filho(a), pois permanecia muitos momentos calada
exibindo o papel de sabotador. Nestas sessões começou-se por discutir assuntos como a
habilidade ao lidar com seus filhos que passa pela boa escuta, saber ouvir, saber conversar, o
que dizer na hora certa, o porque da punição não funcionar e ser pouco recomendável, a
importância do afeto, de demonstrar sentimentos positivos, saber fazer elogios na hora certa; o
que irá configurar uma mente mais saudável e favorecer a melhoria do relacionamento entre
pais e filhos, segundo Del Prette & Del Prette . Outras mães adentraram o grupo no decorrer
dos encontros, mas permaneceram pouco, não exibindo a característica de pertencimento,
apesar de desenvolverem bem os seus temas em conjunto com o grupo e participarem da
discussão educativa. Na penúltima sessão, o grupo foi quase inteiramente formado por mães
encaminhadas pelo Conselho Tutelar, no número de cinco, sendo uma mãe com inscrição no
NEAP ( questão escolar) e se juntou ao grupo um pai com sua esposa- que já está inclusa na
contagem de mães. Mais uma vez o tema abordado foi a dificuldade de lidar com seus filhos,
reclamação em relação ao Conselho Tutelar, e questões femininas, como a diferença nos

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papéis femininos e masculinos ( de pais e mães ), a atualidade que enseja maior contato com
vários tipos de informação e formas de estar no mundo, assim como em algumas sessões
anteriores onde estes temas foram abordados. Na décima primeira sessão, devido ao
fenômeno da desistência, “movimento” esperado durante o período em que ocorrem os
encontros, apenas uma das mães compareceu, o que pode ter sido agravado pelo fato de na
semana anterior ter havido um final de semana prolongado, ou por outro motivo. Sendo
assim, os temas relacionados anteriormente não foram abordados pois o aluno adequou sua
mente para uma situação de quase psicoterapia.

Sendo assim, o conteúdo programado para o décimo segundo encontro é dar continuidade às
discussões, mas agora voltadas para temas como: comportamento habilidoso, feedback
negativo e expressão de sentimentos negativos.

Décima Terceira Sessão:

Após um recesso de atividades durante o mês de julho de 2010, o Grupo de Pais foi retomado
na primeira semana de agosto. Compareceu de início o marido de uma das integrantes que
participou do grupo em suas sessões. Foi exposto para ele o objetivo do grupo e as regras.
Apresentou seu problema dizendo que ele e a esposa andam brigando um pouco e que ela
afirma que ele não consegue lidar bem com sua filha. Como para haver um grupo é necessário
mais de um participante, de início, como só havia este pai, o tempo foi usado como uma
entrevista onde o participante expôs seus problemas de convívio com sua mulher
principalmente devido ao fato de a família dela morar perto e influenciar muito na vida do
casal. Após algum tempo juntam-se ao grupo uma mãe e um pai (casal) cujo filho apresenta
más condutas. O tema para este encontro que se relaciona com respeito foram assuntos como
expressão de sentimentos, pensamentos, saber falar e ouvir garantindo tom de voz baixo;
configurando como um comportamento habilidoso. Notou-se uma interação entre o pai recém
chegado ao grupo e a mãe que compareceu. O marido desta permanece quieto e ouvindo a
discussão. Os temas foram bem “dissecados” e outros temas surgiram à tona que também se
relacionavam com o tema principal como o respeito dos filhos pelos pais nos dias atuais, o
papel da internet (que facilita a passagem de informações aos filhos), a mudança de
tratamento dos filhos com os pais, a maior liberdade que existe hoje em dia, a diferença entre
a criação de filhos mais velhos em contraste com filhos mais novos, o papel dos pais em
realmente “perceber” seus filhos. Percebe-se que os pais sabem quais são os comportamentos

43
necessários para que as relações entre pais e filhos se dêem de uma forma mais dinâmica e
satisfatória; mas existem reclamações a respeito de seus filhos, que, no olhar dos pais, tornam
as ações mais complicadas devido às circunstâncias colocadas acima como a maior liberdade
vivenciada pelos filhos nos dias atuais. Verifica-se então que um maior nível de paciência é
exigido já que os métodos antigos de educação não podem mais ser utilizados pelos pais. É
necessário um maior nível de afeto e certas técnicas para se alcançar determinados resultados,
como a escuta por parte dos filhos. Tais técnicas estão intrinsecamente relacionadas com a
deixada de lado do autoritarismo e a ascensão de meios de comunicação por intermédio do
afeto, de habilidades parentais positivas como expressar sentimentos, saber fazer pedidos,
saber conversar na hora certa de um modo correto, modulando então o comportamento dos
filhos de modo a torná-los mais confiantes em seus pais e assim formarem uma relação sadia
através do tempo. As técnicas observadas também poderiam ser utilizadas no contexto de um
conflito conjugal, por isso, foi exposto de maneira indireta que o participante com problemas
com sua esposa poderia utilizar de tais técnicas para melhorar seu relacionamento. Como o
grupo se caracteriza com um grupo operativo de aprendizagem verifica-se que houve por
parte dos participantes desse encontro um interesse comum como a criação de filhos nos dias
atuais, caracterizando o encontro como um momento onde todos representam a identidade do
grupo. Não houve interação afetiva, mas a mãe que compareceu e o pai recém chegado ao
grupo interagiram bem, onde ocorreu ressonância através dos assuntos, mas não se verificou a
coesão, ou seja, o grupo não serviu como continente para cada um dos indivíduos. Não houve
pré-tarefa entre os participantes, todos chegaram e se entregaram logo de início a tarefa,
viabilizando um projeto viável através da problematização dialética. Apenas um pai parece
não exibir o pertencimento, já que não implicou na atividade. A comunicação entre a mãe que
compareceu e o outro pai foi aberta e desenvolvida, havendo dessa forma determinada
cooperação. Não há grandes avanços em relação ao tema abordado, dificultando a
aprendizagem, pois os participantes ainda reclamam de suas situações e pouco se movem em
direção a resolver suas angústias ou problema. A disposição positiva ficou a cargo da pouca
interação que ocorreu entre a mãe e o outro pai. Não existiram porta-voz, bode expiatório,
sabotador ou líder.

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Décima Quarta Sessão:

Nesta sessão, num primeiro momento, uma mãe nova compareceu ao encontro. Por vontade
própria foi ao Conselho Tutelar devido o comportamento de sua filha adolescente que está
apresentando um comportamento agressivo. Diz que sua filha é uma adolescente cujo grupo
principal da qual faz parte é de uma igreja. Reclama que sua filha está se tornando muito
ligada a este grupo e que por isso até volta tarde para casa andando por determinada rua onde
existe um prostíbulo, o que a faz ficar preocupada. Conta que ficou grávida de sua filha e o
pai foi para os Estados Unidos, agora seu pai está conversando com sua filha e prometendo
determinadas coisas, como encontrá-la, o que faz sua filha se irritar com sua mãe. Além disso,
as duas, mãe e filha andam se estranhando e partindo para agressões verbais e um pouco
físicas. Depois de exposto um pouco o caso dessa mãe, chega outra mãe que foi encaminhada
pelo Conselho Tutelar, cujo marido é um alcoólatra e prejudica muito o relacionamento dela
com seus filhos assim como sua vida. As duas começam a interagirem, uma expondo mais ou
menos seus problemas para a outra, e apresentando alternativas. O caso da mãe que possui
marido alcoólatra é explorado de modo que a mãe recém chegada fala, como exemplo, a
respeito de seu companheiro atual que bebe duas vezes por ano durante 30 dias. Mas a mãe
que possui marido alcoólatra não demonstra muito interesse, ou olha descrente para esta mãe,
pois na opinião dela não existem alternativas. Com as duas na sala foi trabalhado o respeito,
principalmente para consigo mesmas, onde foi exposto que elas deveriam se valorizar e
buscar outras alternativas. Foi exposto a posição de policiais em relação aos problemas desta
mãe com marido alcoólatra, pois, quando seu marido está bêbado interfere em ações comuns
do dia a dia, como comer alguma coisa. A outra mãe se mostra indignada com a situação
daquela senhora, e esta pouco interfere no discurso da mãe recém-chegada. Mais tarde, quase
no final do encontro, um pai chega ao grupo alegando que seu atraso é devido à um problema
ocorrido em outra cidade com seu carro.

Assim, durante este encontro, os temas pertinentes ao respeito foram trabalhados segundo a
demanda de cada participante, procurando mostrar o valor de expressar seus sentimentos de
modo correto, nas horas certas, visando estabelecer contato com o outro, no caso de uma com
o marido alcoólatra, de outra, com sua filha adolescente. Percebe-se que as ações para estas
mães são um pouco difíceis e foi dito que a forma como irão agir poderá influenciar a longo
prazo. Mas para a mãe cujo marido é alcoólatra, parece que ela considera seu caso muito
complicado, pois não considera ações como o divórcio pois não tem para onde ir, de modo de

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convive com as peculiaridades de um alcoólatra dentro de seu lar. Diz que o Conselho Tutelar
oferece poucas alternativas, e que a polícia pouco resolve. Talvez ao se deparar com uma
outra mulher que apresenta problema semelhante, mas que achou uma forma de resolvê-lo,
pois quando seu companheiro está bêbado ele deve ir para outra casa, esta mãe possa
visualizar uma ação para melhorar sua vida.

Houve uma comunicação aberta durante a atividade e da parte da mãe recém-chegada, esta se
apresentou cooperativa em relação ao problema da outra expondo seu caso e como achou uma
alternativa. Talvez, devido à diferença entre as mães, o pertencimento possa ter sido
prejudicado, pois as duas estavam mais interessadas em exporem seus problemas e pouco se
implicaram na atividade. Ocorreu pouca aprendizagem, e também tele, pois a mãe que possui
marido alcoólatra pouco se identificou com a outra. Também ocorreu pouca sensibilização e
elaboração dos temas.

Décima quinta sessão:

Após alguns minutos de atraso chega ao encontro a mãe cujo filho vem apresentando
problemas no comportamento. Ela parece mais calma do que da primeira vez que se
apresentou ao grupo. Pergunto como está a relação com seu filho, e ela diz que ta melhorando,
mas que está difícil pra ele fazer suas lições e que já saiu da escola e foi para Águas da Prata
sem avisar. Depois de um tempo chega a senhora cujo marido é alcoólatra. Nessa altura
começamos a discutir e tentando estabelecer uma congruência entre a situação das duas mães,
resguardando suas diferenças. A mãe com marido alcoólatra diz que já tentou muitas coisas,
mas talvez a situação em sua casa continue em um estado ruim, pois esta mãe é uma mulher
que gostou de seu marido por algum motivo, que pode ser uma repetição de seu passado,
como a convivência com algum alcoólatra. Assim, seu marido exibe comportamentos
totalmente inadequados para a vida em família, pois regula, segundo a palavra desta mãe, até
a comida de seus filhos. Foi explorado a situação e incentivado o respeito próprio, tanto de
uma como da outra, abordando temas como o papel feminino e a busca por ter os mesmos
direitos e ser respeitado pelos outros seres humanos. Com isso, surgiu a tona o papel da outra
mãe, cujo marido é mais “submisso” nas palavras dela, e que não acompanha o
desenvolvimento de seu filho, deixando todo o cuidado ao encargo da mãe. Talvez, seu filho
já tenha conseguido determinado carinho e diálogo, mas quando está se tratando de limites,
talvez esteja buscando uma outra figura para exercer a função de provedor. Tentamos abordar

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a questão de que era necessário uma explicação das conseqüências dos atos para seu filho,
pois hoje, o papel de pai e mãe está relacionado à educação dos filhos e em prover
informações assim como estabelecer limites para que mais tarde o filho possa agir de forma
autônoma respeitando o momento das regras da sociedade.

Talvez, pelo fato de as duas mães apresentarem contextos de problemas a princípio


divergentes, mas que possuem pontos convergentes como o papel masculino, no caso de uma,
do filho, e no outro, do marido não tenha havido muita coesão nesta sessão pois se configura
como um grupo heterogêneo em que a cooperação é mais difícil de se alcançar. Houve uma
comunicação aberta e também reflexão e elaboração do tema, sempre buscando convergências
e tentando fazer com que uma discutisse seus problemas em relação à outra.

Décima Sexta Sessão:

Neste encontro a princípio comparece a mãe cuja filha é adolescente e vem apresentando
comportamento agressivo em relação a sua mãe. A mãe diz que depois que aplicou em sua
vida os princípios que Del Prette utiliza para melhorar a relação entre pais e filhos, sua filha
melhorou o relacionamento com ela, parecendo estarem mais próximas. Um pouco mais tarde,
junta-se ao grupo a mãe cujo marido é alcoólatra. O aluno encontra dificuldades para lidar
com as duas mães ao mesmo tempo, pois seus problemas parecem contrários, apesar de que o
companheiro da mãe da adolescente é alcoólatra em determinadas ocasiões. Tento fazer com
que as duas interajam, o que não é muito difícil, fazendo assim com que o tópico
comunicação tenha um bom desenvolvimento. A segunda mãe também diz que após começar
a freqüentar o grupo ela mudou algumas atitudes suas em relação à sua vida, talvez por
interagir com outra mulher que achou alternativas para sua situação. As duas cooperam uma
com a outra, sendo que a mãe com filha adolescente interage mais com a outra, pois fica
inconformada com o fato de que a outra mãe não faz nada para melhorar sua vida. Discutimos
e tentamos achar um ponto em comum através da forma como lidar com os filhos que pode
ser aplicada em qualquer tipo de relação. As duas pareciam exibir um forte sentimento de
pertencimento apesar de que uma parece possuir uma maior “bagagem” para resolver seus
problemas. Foi difícil estabelecer objetivos em comum entre as duas sem sair da temática que
é respeito entre pais e filhos e como lidar com seus filhos para melhorar a relação. Dessa
forma, uma expunha à outra sua situação e tentávamos estabelecer pontos em comum e
soluções para seus problemas. Não houve aprendizagem neste encontro, talvez pelo fato de

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que os problemas das duas mães divergem um pouco, mas percebe-se que a mãe com marido
alcoólatra se sensibiliza ao ver que outra mulher procurou resolver seus problemas com o
alcoolismo.

Os participantes faltaram à Décima sétima sessão.

Décima oitava sessão:

Nesta sessão a coordenadora participa como observadora. As três mães já haviam sido
comunicadas da participação daquela e aceitaram de bom grado, mas todas faltaram na última
sessão (décima sétima). Ao chegar a primeira mãe, o aluno e a coordenadora se encaminham
para a sala. A primeira mãe a chegar é a mãe cuja filha adolescente está apresentando
problemas e suas atitudes com a mãe haviam mudado chegando até a agredi-la. Ao se sentar
apresento a coordenadora do curso e pergunto como está a situação com sua filha, ela diz que
está bem e que houve algumas mudanças nas atitudes de sua filha, que estão conversando
melhor. Pouco tempo depois chega a mãe cujo marido é alcoólatra, e diz que está pensando
em acionar o juiz para achar alguma solução no seu problema, que no caso seria uma
separação. Logo depois chega a mãe que possui o filho com problemas de comportamento,
que parece mais calma em relação aos dois primeiros encontros na qual havia participado.
Conta que seu filho está melhorando o seu comportamento, mas ainda chegamos a conclusão
de que a rua está mais atrativa para ele, e que ela deveria tentar trazer seu filho para mais
perto dela e para dentro de casa. A discussão do dia está em torno de como passar
informações para o filho ou qualquer outra pessoa, que é baseada na relação de respeito e se
dá através do afeto. Comenta-se a respeito da impossibilidade de a mãe, cujo marido é
alcoólatra, de estabelecer determinado contato com seu marido. Mas nota-se, através de seu
discurso que está procurando tomar uma decisão, porque no começo dos atendimentos
afirmava que o caso dela não havia solução, mas agora está até querendo ir à justiça. O tema
tem desenvolvimento através da exposição por parte de cada mãe de seus contextos. As mães
interagem de uma forma boa e prestam atenção uma à história da outra, há então momentos
em que o aluno busca estabelecer pontos de congruência entre um caso e outro tentando por
vezes pegar O exemplo de uma das mães e passar para a outra na medida das possibilidades,
como a mãe da adolescente que controla demais o “mundo” de sua filha e a outra mãe que não
possui controle sobre o mundo de seu filho pré-adolescente. O exemplo daquela mãe serve
para a mãe do menino adolescente. A mãe que possui marido alcoólatra relata a

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impossibilidade de estabelec3er algum contato com seu marido, que quando está bêbado se
mostra com um comportamento extremamente machista e autoritário devido a dinâmica de
sua vida, pois é tido por sua família como se fosse um “senhor feudal”. Houve uma
comunicação aberta durante a atividade, assim como cooperação por parte de todas as
integrantes, uma tentando influenciar a atitude da outra através de exposições ou fatos
ocorridos na própria família. Diferente de outras sessões percebe-se o pertencimento forte.
Parece que nesta sessão percebeu-se uma maior aprendizagem, e também tele, isso pode se
dar pelo fato de o aluno buscar pontos de convergência mesmo sendo negativos entre uma
história e outra. Houve uma maior sensibilização e elaboração dos temas.

Décima nona sessão:

A participante do grupo chega um pouco atrasada e é a única a comparecer ao encontro. Com


a participação da coordenadora do curso, a mãe não se mostra intimidada e se mostra a
vontade para falar a respeito de sua situação. Começa dizendo a respeito de sua situação atual,
que está vivenciando um momento onde está juntando os papéis para pedir o divórcio e repete
durante todo o encontro que do jeito que está não poderia ficar. Conta a respeito de sua
situação, de como lida com seus filhos e que seus filhos, principalmente o mais velho
demonstra determinada maturidade ao lidar com o assunto. Expõe a respeito da situação de
sua filha que faz fonoaudiologia e de como poderia permanecer naquela situação se está
prejudicando seus filhos. È discutida a dinâmica de seu marido que é alcoólatra e passa a ser
impossível estabelecer algum tipo de diálogo principalmente quando está bêbado. Dessa
forma, seu marido não exibe grau de maturidade algum para lidar com os problemas do dia a
dia, pelo contrário, parece estar sempre implicando com sua esposa. Ao falar de seus filhos,
estes, parecem possuir determinado grau de percepção em relação ao ambiente ao seu redor,
pois demonstram não estarem felizes com a situação em que se encontram. Seu filho mais
velho parece balancear emoção e razão, e utiliza desta última ao tentar transformar sua vida e
torná-la melhor quando questiona a respeito da situação em que se encontram. Seus filhos
parecem possuir boa capacidade para suportar frustrações, ainda que estas pareçam não ser,
quando se fala da relação com o pai, as mais indicadas; assim, criticar a situação em que se
encontram parece ser mesmo uma atitude matura da parte dos filhos. As variáveis de grupo
operativo não foram analisadas pois somente uma mãe estava presente. Parece ter havido uma
aprendizagem por parte da mãe, pois foi a partir dos encontros que a decisão da separação foi

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tomada, perante a “visualização” de sua situação e através das discussões pode ter havido uma
“tomada de consciência”.

Vigésima sessão:

Uma nova mãe é encaminhada pelo Conselho Tutelar. M. parece não estar nervosa e se
apresenta com um aspecto tranqüilo e sereno na sala de espera do NEAP. De bom grado entra
na sala e é convidada a expor seu caso. Começa dizendo que não sabe ao certo porque está ali.
Seu filho parece ser um adolescente nervoso e está apresentando uma conduta inadequada na
escola e em casa. Passa por psicóloga devido ao seu temperamento que segundo M. é igual ao
de integrantes da família. Diz que seu filho possui um comportamento agitado, nervoso, que
responde e briga com sua irmã de 3 anos de idade devido à uma possível rivalidade. È exposto
à ela os temas da reunião e começa uma discussão a respeito do modelo que pode estar
passando, mas M. assegura que é uma mãe boa e não entende porque deveria participar de um
grupo de pais. O tempo todo M. justifica que seu comportamentos ao lidar com seu filho são
adequados, que lida com seu filho e os problemas dele de uma forma positiva. M. diz que
mora em um sítio e que seu filho as vezes vai até a casa de um vizinho para se socializar. É
discutido com ela que o estilo autoritário pode ocasionar condutas negativas por parte dos
filhos. Mais tarde chega Z. que parece bem mais calma e expõe a situação com seu filho que
parece melhorar, mas usou um pouco de punição para melhorar o comportamento de seu
filho, retirando dele o direito de utilizar o computador. Conta a respeito de uma festa que seu
filho foi e que voltou irritado, e á ela é exposto que uma conversa com ele faria bem. A essa
altura as duas mães parecem possuir poucos pontos que convergem, pois Z. já faz parte do
grupo há um determinado tempo e está pondo em prática, segundo ela, os conceitos
apresentados para melhorar a educação de seu filho. Já M. é recém chegada ao grupo e
segundo ela não demonstra comportamentos que possam fazer com que seu filho se comporte
de uma maneira não positiva. Assim, M. parece não dialogar com Z. não apresentando um
pertencimento ao grupo, pois não se implicou na atividade de discussão expondo seus
problemas. A comunicação aberta se deu por parte de Z. e pouca cooperação por parte de M.
Pode-se observar uma aprendizagem por parte de Z., ainda sendo cedo para qualificar M.
neste termo. A tele foi baixa, pois a disposição positiva dos membros entre si configurou-se
como pobre.Pouco foi elaborado por parte de M.

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Vigésima Segunda Sessão:

Neste encontro comparece somente uma mãe. Pergunto para M. como está tudo e ela se
dispõe a falar a respeito de seu filho. Com uma fala fluída e bem estruturada diz que seu filho
é agressivo e reafirma que puxou muito à família, está com 12 anos e apresenta um
comportamento rebelde. Diz que o observa em suas brincadeiras e que conversa com ele. É
trabalhada então a questão de que as crianças possuem um comportamento de exploração e
experimentação e que todo pai deveria interagir com seu filho de modo a representar um
“amigo” que demonstra o que é certo e o que é errado, já que M. expôs que seu filho estava
fazendo uma brincadeira perigosa com um balanço. Diz que moram em um sítio e que seu
filho possui muita energia, mas que não vê grandes problemas, apesar de o observar
atentamente. É exposto que cabe aos pais observar seus filhos atentamente tentando preservar
e respeitar o espaço deles, os momentos deles. Pegando gancho nesta “conversa” apresento
um texto relacionado com empatia que foi trabalhado. Assim são expostos tópicos para se
trabalhar a empatia e promover relacionamento saudável, como abordar sutilmente o
problema dos filhos prestando atenção aos sinais que a criança emite ouvindo de maneira
atentiva o que a criança tem a dizer colocando-se no lugar da criança. É importante também
valorizar as manifestações empáticas da criança e oferecer um modelo de empatia no
relacionamento conjugal. A mãe expõe ainda o relacionamento entre seu filho de 12 anos e
sua filha de 3. Diz que brigam um pouco, isso talvez devido a diferença de idade. Seu filho
está entrando na adolescência e pode já estar exibindo certo distanciamento dos pais. É
trabalhada ainda a questão da presença dos pais nesta hora, valorizando comportamentos
positivos, através da conversa e diálogo, tentando compreender seus problemas e resolvê-los
da melhor forma possível, tentando preparar um adulto que apresente comportamentos
saudáveis e que apresente autonomia em suas escolhas valorizando a saúde através de
escolhas entre o certo e o errado. Em relação aos vetores de grupo operativo, a mãe e o aluno
possuem uma boa comunicação sendo aberta e cooperativa, havendo um grau pequeno de
troca no desenvolvimento da interação pelo fato do aluno estar no posto de líder. A mãe
parece se implicar na atividade de uma boa forma, exibindo interesse nas questões e na forma
de resolvê-los. Parece haver aprendizagem, pois ao lidar com as questões a mãe parece
avançar na compreensão do tema abordado na medida em que entende as soluções também
apresentando alternativas. Existiu uma disposição positiva entre os membros através da
empatia, facilitando a sensibilização, reflexão e elaboração do tema.

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Os participantes faltaram à Vigésima terceira sessão.

Vigésima Quarta Sessão:

Para o último encontro foi programado verificar “os ganhos” das mães ao participarem de um
grupo de pais, assim como possibilitar um espaço para que falassem a respeito da experiência.
Além disso, solicitou-se à elas que descrevessem um presente que dariam à uma pessoa
especial.

Neste encontro, apesar de todas as mães que estavam freqüentando o grupo no segundo
semestre de 2010 terem sido avisadas do encerramento do grupo, participaram apenas duas
mães. A primeira mãe chega com sua filha de três anos. M. é convidada a entrar na sala e
solicito que ela exponha sua visão em relação ao grupo. Ela exibe uma visão positiva, apesar
de ter comparecido em poucas reuniões, diz que foi importante pois as vezes as mães não se
dão conta que existe um outro meio para lidar com seus filhos. Relatou uma certa melhora nas
atitudes de seu filho de 11 anos, até porque seu filho já passa por outro profissional da saúde.
Relatou que está conversando mais com seu filho e o principal ponto que tocou foi o modo
como conversar com seu filho, apontando aspectos positivos da pessoa dele, mas fazendo
certas exigências. Apesar disso, continua justificando que as atitudes de seu filho se dão
devido a ter puxado ao “gênio da família”. A segunda mãe, Z., chega pouco tempo depois e
apresento à ela a mesma questão. Ela expõe que depois que começou a freqüentar o grupo está
mais calma e lidando com seu filho de uma forma diferente, pois antes gritava muito. Agora
tenta explicar para seu filho as conseqüências dos atos dele, mas mesmo assim há momentos
em que a conversa não é suficiente, relata que houve momentos em que teve que usar de
punição e até bater um pouco. Relata que sua relação com seu marido mudou um pouco, pois
antes esse era muito ausente perante a criação de seu filho.

Em relação aos presentes, Z. presentearia uma pessoa especial com felicidade, até relaciona o
fato com o que gostaria que “voltasse” para ela mesma. Já M. pensou em uma perua de
cachorro quente, a qual a família estava tentando comprar. Ambas pensaram em presentes
para dar ao outro que em suas perspectivas trariam satisfações para elas próprias.

As duas mães pareciam satisfeitas e foram convidadas a participar do grupo de pais no


próximo ano com outro profissional/aluno.

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