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Diretor-Presidente Diretor Executivo Supervisão Pedagógica Coordenação Geral Coordenação Editorial Consultores
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ÍndiCE

Os 20 Anos do Massacre da Praça da Paz Celestial na China

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A Coreia do Norte e os Testes Nucleares

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Cuba e a OEA

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Gripe Suína

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Crise Econômica

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Os 80 Anos da Crise de 1929

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Os 20 Anos da Queda do Muro de Berlim

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As Eleições no Irã

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Outros Caminhos da Índia

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Os 30 Anos da Lei da Anistia

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Norte-americanos Começam a Deixar o Iraque

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Exercícios

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Propostas de Redação

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Resumos Esquemáticos

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Os 20 AnOs dO MAssAcre dA PrAçA dA PAz celestiAl nA chinA diCas dE vEstibulaR
Os 20 AnOs dO MAssAcre dA PrAçA
dA PAz celestiAl nA chinA
diCas dE vEstibulaR | Atualidades

Em 4 de junho de 1989, o exército da China invadiu a Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, e sufocou um protesto pró-democracia liderado sobretudo por estudantes universitários. Ficou famosa a imagem de um jo- vem que, sozinho, tentava barrar o avanço de uma fileira de tanques! A iden- tidade do rapaz nunca foi descoberta, mas a cena foi uma das mais marcantes do século XX e tornou-se um verdadeiro símbolo da luta pela liberdade. Os protestos ocorriam na Praça há pelo menos três meses e o massacre deixou o saldo de 212 mortos, segundo dados oficiais – fontes independen- tes, porém, calculam em quase sete mil a quantidade de mortos. Muitos dos líderes da revolta foram presos depois ou obrigados a exilar-se, fugindo da perseguição do governo comunista chinês. O assunto é um verdadeiro tabu no País. O regime comunista se esforça em evitar que as novas gerações tomem conhecimento do massacre, cen- surando professores, livros e os meios de comunicação. Ativistas políticos de oposição e parentes das vítimas são espionados pelas autoridades, bem como estrangeiros e jornalistas. Há todo um esforço para que o assunto não seja debatido.

pelas autoridades, bem como estrangeiros e jornalistas. Há todo um esforço para que o assunto não

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\ Um Colosso

A China é uma das civilizações mais antigas do mundo, com mais de cinco

mil anos de história. É o país com o maior número de habitantes do mundo,

em cerca de 1,3 bilhão de pessoas, algo em torno de 20% da população do planeta. Quando da expansão marítima europeia no século XIV, a China co- nhecia tecnologias bem desenvolvidas em várias áreas – foram os chineses que inventaram a bússola, a pólvora, o papel e a imprensa, por exemplo. No século XIX, o gigantesco mercado consumidor representado pela po-

pulação chinesa tornou o país alvo da cobiça das potências imperialistas. A China acabou sendo obrigada a se abrir e submeter-se às potencias capita- listas. No século XX, iniciam-se movimentos armados para expulsar as potên- cias estrangeiras que dominavam a China, destacando-se os nacionalistas de Chiang Kai-Shek e comunistas liderados por Mao Tsé-Tung. Em pouco tempo começou uma guerra civil entre nacionalistas e comunistas. Nos anos 1930,

a China é atacada pelo Japão, já no contexto da II Guerra Mundial. Expulsos

os japoneses, a China volta a sofrer com a guerra civil, que os comunistas vencem em 1949 (era a chamada Revolução Chinesa). Os nacionalistas fogem

para a Ilha de Formosa, onde criam a chamada China Nacionalista ou Taiwan, capitalista (a China vermelha ainda hoje considera Taiwan uma província re- belde).

A implantação do socialismo foi dramática – na tentativa de reconstruir

a sociedade, Mao Tsé lançou nos anos 1960 a chamada Revolução Cultural,

resultando na morte de milhões de chineses mortos de fome ou executados pelo Estado autoritário, além de uma economia estagnada. Em 1978, Deng Xiaoping assumiu o poder e iniciou um processo de refor- mas econômicas, baseadas na abertura ao capital estrangeiro e na prática de livre mercado na agricultura, indústria e comércio. Manteve, por outro lado, o

controle político com a “mão-de-ferro” do Partido Comunista.

\ As Manifestações dos Estudantes

No final dos anos 1980, os regimes socialistas viviam grave crise econômi- ca e política. Em poucos anos, teve-se a queda do Muro de Berlim, o fim da União Soviética e a derrocada dos demais países comunistas do Leste Euro- peu. Foi nessa conjuntura, que estudantes ocuparam a Praça da Paz Celestial em abril de 1989. Os protestos iniciaram-se depois da morte do líder parti- dário Hu Yaobang, um defensor de reformas políticas no país. As manifesta- ções pacíficas pediam democracia, fim da corrupção no governo e condições melhores de vida para os chineses – passeatas chegaram a ter mais de 300 mil pessoas!

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no governo e condições melhores de vida para os chineses – passeatas chegaram a ter mais

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Em maio de 1989, durante uma reunião sino-soviética e da visita do então presidente da União Soviética Mikhail Gorbatchev, estudantes desfilaram pe- las ruas de Pequim, chamando a atenção da comunidade internacional. A si- tuação cada vez mais fugia ao controle e irritava o governo comunista chinês. Entre as autoridades chinesas, travava-se dura luta interna sobre a forma de tratar os protestos. Zhao Ziyang, então secretário-geral do Partido Comu- nista e o segundo no comando do país, defendia um tom mais conciliador e pacifista. Perdeu o cargo por isso. A 19 de maio, Ziyang chegou a se encontrar com líderes dos estudantes, solicitando que deixassem a Praça, o que não foi atendido pelos jovens. No dia seguinte, o governo decretou lei marcial. Sentindo-se ameaçado pelo movimento (que poderia motivar novos pro- testos e levar à queda dos burocratas dirigentes chineses), Deng Xiaoping ordenou ao exército invadir e desocupar a praça. Ocorreu, então, um banho de sangue, com estudantes sendo mortos à queima roupa ou esmagados por tanques. Nas semanas seguintes, outros estudantes foram presos ou mortos.

\ A China Hoje

Nos anos posteriores ao massacre, o modelo econômico de abertura e a ditadura política continuaram. Economicamente, o país conheceu, nos últimos anos, um extraordinário crescimento, atraindo investimentos estrangeiros e exportando produtos de baixo custo e quase sem concorrência no mercado internacional (os salários

pagos são baixos e quase não há direitos trabalhistas, e denúncias dão conta da grande exploração dos operários chineses: trabalham seis a sete dias por semana e 12 horas por dia). O PIB (Produto Interno Bruto) da China é de US$ 3,5 trilhões, o que faz do país a terceira maior economia do planeta, atrás apenas de Estados Unidos

e Japão. Perto de 400 milhões de pessoas saíram da pobreza absoluta nos

últimos anos, muitas delas vindas do campo e trabalhando nas fábricas das ci- dades, onde produzem desde produtos piratas até componentes eletrônicos sofisticados. Atualmente, a China apresenta uma excelente educação, com

pesquisas de ponta e analfabetismo de 4% (nos anos 1960, era de 60%).

A ditadura chinesa apresenta uma estreita relação comercial com os Es-

tados Unidos, numa das grandes contradições da política externa deste país,

que diz defender as “liberdades democráticas” no mundo.

A China continua com um regime político autoritário, burocrático, con-

trolado com punho firme pelo Partido Comunista e com apoio de uma nova burguesia que surge no país em virtude da expansão econômica. Impera ain-

da a corrupção (apesar de o governo punir os casos até com pena de morte), desrespeito ao meio ambiente e falta de liberdades civis. De certo modo,

a prosperidade econômica serviu para diminuir o descontentamento com a falta de democracia.

civis. De certo modo, a prosperidade econômica serviu para diminuir o descontentamento com a falta de

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A cOreiA dO nOrte e Os testes nucleAres Em maio de 2009, a mídia divulgou
A cOreiA dO nOrte e Os testes nucleAres
Em maio de 2009, a mídia divulgou com estardalhaço os testes com lan-
çamentos de mísseis nucleares realizados pela Coreia do Norte. Teve-se um
teste nuclear subterrâneo e o lançamento de seis mísseis balísticos de curto
alcance. A tensão diplomática aumentou e começou-se a falar (com exage-
ros, é verdade) do risco de conflitos armados com a vizinha Coreia do Sul e
até com o Japão.
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A Coreia do Norte é um dos países mais pobres da Ásia, com uma ditadu-

ra militarizada governada a mão de ferro por Kim Jong-il, cuja família controla o poder há meio século. Possui cerca de 23,5 milhões de habitantes. A corrida armamentista (que ainda continua, diga-se de passagem) foi uma das características da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União So- viética disputavam a hegemonia mundial na segunda metade do século XX.

O regime comunista norte-coreano vê no uso de armas nucleares uma forma

de se preservar e, de certa forma, chantagear as potências mundiais e obter vantagens comerciais, que alivie a grave crise econômica e social que passa.

\ Um País Isolado e em Crise

A Coreia do Norte é um produto do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-

1945) e da Guerra Fria. Com a derrota do Eixo (aliança político-militar entre japoneses, alemães e italianos), o Japão foi obrigado a deixar a península Coreana, que acabou dividida em dois países, Coreia do Sul (sob a influência dos Estados Unidos) e Coreia do Norte (aliada da União Soviética). As duas Coreias entraram em guerra entre 1950 e 1953 (quando o Norte

tentou anexar o Sul). O confronto terminou com um frágil cessar fogo que dura até hoje.

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1950 e 1953 (quando o Norte tentou anexar o Sul). O confronto terminou com um frágil

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Com a derrocada da União Soviética e a dos regimes comunistas no Leste Europeu, a Coreia do Norte passou a viver grave crise econômica – sem os

antigos parceiros comerciais socialistas, o país entrou num período de falta de alimentos, situação agravada por vários desastres naturais. Estima-se que

a crise teria causado a morte de cerca de dois milhões de norte-coreanos na década de 1990.

\

Jogo Perigoso

O

projeto nuclear da Coreia do Norte seria parte de uma estratégia de

fortalecimento do regime comunista e de sobrevivência externa. Apesar dos discursos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul de diálogo e coexistência pacífica, a política externa neoconservadora norte-americana nos últimos anos, especialmente no governo de George W. Bush, passou ao líder norte- coreano Kim Jong-il a ideia de que os americanos queriam derrubar o regime comunista de qualquer maneira. Lembremos que em 2002, George Bush in-

cluiu a Coreia do Norte no que chamou “eixo do mal”, ao lado do Irã e Iraque

– certamente não ajuda muito numa negociação associar um país ao “mal”

Assim, investir em armas nucleares foi a maneira encontrada por Kim Jong-il de frustrar qualquer plano ocidental de derrubá-lo. A Coreia do Norte apre- senta o quarto maior exército do planeta, com aproximadamente 1, 2 milhão de soldados, com um grande arsenal de armas.

A queda de Kim Jong-il, todavia, não interessaria à China. Esta, que faz

fronteira e é aliada da Coreia do Norte há décadas, é fundamental na reso- lução do problema. Os chineses não desejam o aumento da influência dos Estados Unidos na estratégica Península Coreana (o que se daria possivel- mente, com o fim do regime norte-coreano) e nem querem que milhões de pessoas famintas e desesperadas cruzem sua fronteira no caso do regime co- munista entrar em colapso. Por outro lado, a China também não quer a Coreia do Norte com armas nucleares, pois isso significaria maior independência e poder de barganha de Kim Jong-il em relação a Pequim. Um jogo de xadrez. Há também quem enxergue no programa nuclear da Coreia do Norte uma maneira de forçar a abertura de negociações com os Estados Unidos e a nova gestão de Barack Obama, visando por fim às sanções econômicas que o regi-

me comunista sofre há anos em virtude de seus testes com armas nucleares.

\ Controle Nuclear

A partir do final dos anos de 1960, com uma forte pressão popular inter-

nacional contra o perigo das armas nucleares, os governos de vários países passaram a assinar acordos para controlarem os arsenais do planeta. No fun-

do, era uma maneira desse “clube nuclear” se proteger de novos membros e garantir seu poder bélico e interesses estratégicos.

maneira desse “clube nuclear” se proteger de novos membros e garantir seu poder bélico e interesses

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São consideradas potências nucleares atualmente: Rússia, Estados Uni- dos, Reino Unido, China, França, Israel, Índia e Paquistão. Coreia do Norte e Irã já tem ou estão perto de terem armas nucleares também – daí a pressão e os embargos para abortarem seus programas. Os riscos, afora um confronto nuclear, são de que ocorram acidentes em usinas, gerando danos ao meio ambiente e às populações e de que as armas caiam nas mãos de grupos extremistas, a exemplo da Al-Qaeda. O que parece, a Coreia do Norte ainda não é capaz de miniaturizar uma ogiva nuclear (ou seja, não tem tecnologia para “colocar” uma ogiva num míssil) e atingir alvos distantes, a exemplo da Europa e Estados Unidos.

De qualquer forma, os recentes testes nucleares norte-coreanos incomo-
De qualquer forma, os recentes testes nucleares norte-coreanos incomo-

daram os países vizinhos e inimigos de Kim Jong-il, Coreia do Sul e Japão.

A Coreia do Norte tem plenas condições de lançar mísseis de curto alcance,

através de submarinos e aviões. Teme-se que os governos japoneses e sul- coreanos também desenvolvam armas nucleares, aumentando ainda mais a tensão na área e o manuseio daqueles perigosos equipamentos bélicos. Mesmo assim, aposta-se numa saída diplomática e pacífica. A ONU (Or- ganização das Nações Unidas) estuda novas sanções à Coreia do Norte, em- bora saiba-se que anteriormente essas medidas não provocaram efeitos. A população do país teve seus problemas sociais agravados com os embargos

econômicos e comerciais e o regime de Kim Jong-il levou adiante o progra-

De qualquer forma, com o fim da Guerra Fria e pela pobreza da

Coreia do Norte (que certamente não tem reservas petrolíferas!), Kim Jong-il

ma nuclear

e Obama tendem mais para uma conciliação e uma solução diplomática, in- termediada pela ONU.

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Jong-il ma nuclear e Obama tendem mais para uma conciliação e uma solução diplomática, in- termediada
cubA e A OeA A 3 de junho de 2009, no término da 39ª Assembleia
cubA e A OeA
A
3 de junho de 2009, no término da 39ª Assembleia Geral da Organiza-
ção dos Estados Americanos (OEA), realizada na cidade de San Pedro Sula,
Honduras, os países membros chegaram a um consenso e revogaram a re-
solução que expulsou Cuba da entidade. Tal expulsão ocorrera em 1962 por
pressão dos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, quando Havana se
aproximava do bloco socialista soviético. Nas últimas décadas, porém, todos
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os países do continente restabeleceram contato com a ilha socialista, à exce- ção dos EUA.

A decisão estabelece um mecanismo para que Cuba seja reincorpora-

da caso manifeste vontade. Contudo, Cuba já declarou várias vezes não ter interesse em retornar ao que considera “instrumento do imperialismo dos Estados Unidos”.

\ A Revolução Cubana

As relações entre Cuba e os Estados Unidos entraram em atrito a partir da Revolução Cubana de 1959, quando Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e outros derrubaram a ditadura de Fulgêncio Batista. Este estava no poder há 25 anos e era um importante aliado dos Estados Unidos. Até então, Cuba era uma espécie de “Las Vegas do Caribe”: grupos mafiosos americanos explora- vam cassinos, bordéis e o turismo local, enquanto turistas norte-americanos passavam férias na Ilha, deleitando-se com festas, jogatina e prostituição. No comando do país, Fidel começou um programa de reformas sociais e políticas que irritaram profundamente as elites cubanas e o governo dos Esta- dos Unidos, a exemplo de uma reforma agrária e a nacionalização de empresas

as elites cubanas e o governo dos Esta- dos Unidos, a exemplo de uma reforma agrária

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estrangeiras. Boa parte das elites cubanas migrou especialmente para Miami (EUA), onde ainda hoje faz cerrada campanha contra o regime castrista, e os Estados Unidos adotaram várias medidas visando isolar e consequente- mente fazer naufragar a revolução. Ante a pressão dos Estados Unidos, Cuba cada vez mais se aproximou da União Soviética, declarando-se socialista. Exemplo das retaliações norte-americanas a Cuba é o embargo econô- mico, decretado em 1962, logo após o rompimento das relações diplomá- ticas entre as duas nações. O embargo suspendeu todas as importações e

exportações entre os países (no governo Bill Clinton, em 1999, ampliou-se o embargo, proibindo-se as filiais estrangeiras de companhias estadunidenses de comercializar com Cuba, a valores superiores a 700 milhões de dólares anuais). A medida está em vigor até hoje e teve três efeitos: aumentou a antipatia da América Latina em relação aos Estados Unidos, comprometeu a economia de Cuba (que importa 80% do que consome) e serviu, ironicamente, para fortalecer o regime de Fidel, ao unir a população contra um inimigo externo

e culpabilizar o embargo pelas mazelas do país. Nessa mesma conjuntura, os Estados Unidos obtiveram que a OEA expul- sasse Cuba da organização e a isolasse diplomaticamente. A decisão foi ado- tada na 8ª Assembleia em Punta del Este, Uruguai, em 1962. Quatorze países

votaram pela suspensão, Cuba votou contra e seis países se abstiveram (Ar- gentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador e México). As hostilidades entre Cuba

e Estados Unidos foram além do embargo econômico e o boicote político –

por várias vezes, a CIA (Agência Central de Inteligência, em inglês – o serviço

de informações e espionagem dos Estados Unidos) tentou assassinar Fidel.

\ A Revolução Ilhada

Apesar das dificuldades econômicas, o regime comunista cubano conse- guiu sustentar-se, contando com o apoio, é verdade, da antiga União Soviética. Com a derrocada do socialismo real no Leste Europeu e na própria União So- viética no final dos anos 1980 e início da década seguinte, a economia cubana quase entrou em colapso, com constantes faltas de energia elétrica, combustí- vel, racionamento de alimentos etc. Foram adotadas, então, algumas medidas de abertura econômica, a exemplo de investimentos e estímulo ao turismo. Com a saúde abalada, Fidel afastou-se do poder em 2006 e em fevereiro de 2008, após 49 anos no cargo, entregou a presidência ao irmão, Raúl Cas- tro. O novo governo adotou medidas para aumentar a produtividade das em- presas estatais e permitiu aos cubanos a comprar computadores e celulares. Cuba tem 11,4 milhões de habitantes e ocupa a 51ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano – mede o grau de “desenvolvimento” dos paí- ses) da ONU (o Brasil está em 72º lugar). O país também é lembrado pela exce- lente qualidade da saúde e educação (a taxa de analfabetismo é quase zero).

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O país também é lembrado pela exce- lente qualidade da saúde e educação (a taxa de

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Os opositores cubanos, porém, sofrem perseguição política. Faltam di- reitos civis e liberdade de imprensa (até a internet é censurada) no país. Esti- mam-se entre 15 mil e 18 mil as execuções políticas ocorridas em Cuba desde a revolução de 1959. O número de presos políticos, até 2008, era de 205, segundo a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (organização de oposição ao governo comunista).

\ Aonde Vai Cuba?
\ Aonde Vai Cuba?

A OEA foi criada em 1948, com sede em Washington (Estados Unidos). A condição de membro da organização garante voz em discussões de diversos acordos regionais, buscando soluções pacíficas para o desenvolvimento eco- nômico, social e cultural. Nos últimos anos, com a eleição de vários governos de esquerda na América Latina, houve uma preocupação em revigorar a enti- dade e mesmo formar um grupo regional alternativo à OEA, sem a presença dos EUA, cujos interesses e preocupações seriam distintos das demais na- ções do continente. Os EUA, com a nova administração de Barack Obama, porém, acredita que as recentes medidas possam amenizar os ressentimentos na América Latina com relação à longa política de isolamento de Cuba mantida pelos sucessivos governos norte-americanos. Obama tem interesses políticos em estreitar as relações com a América Latina. Também existem empresas mul- tinacionais dos EUA que querem o término do embargo para estabelecer contatos comerciais com Cuba (com a abertura econômica verificada na Ilha nos últimos anos, muitas empresas europeias estão tendo bons lucros). Apesar disso, os EUA desejam que Cuba apresente “avanços concretos” no que toque à questão dos direitos humanos, abertura à imprensa e demo- cracia. Outro elemento complicador da relação Cuba-EUA é a pressão da comunidade de exilados cubanos em Miami, que o governo norte-americano evita contrariar. Tal comunidade, quase uma “segunda Cuba”, forma uma im- portante parcela do eleitorado da Flórida (decisiva nas eleições dos EUA e, por exemplo, fundamental para a eleição de George Bush em 2000) e se mos- tra radicalmente anticastrista.

dos EUA e, por exemplo, fundamental para a eleição de George Bush em 2000) e se

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GriPe suínA
GriPe suínA

Começou no México e em pouco propagou-se por outros países, dei- xando mortes e medo. A gripe suína, uma doença respiratória, deixou em alerta as autoridades de vários países no primeiro semestre de 2009, a ponto da OMS (Organização Mundial da Saúde, ligada à ONU) declará-la como a primeira pandemia do século 21. Uma Pandemia acontece quando há uma contaminação global por uma doença. No caso de uma gripe, ocorre quando aparece um novo tipo de vírus para o qual os humanos não apresentam defesas imunológicas e nem existe uma vacina específica contra o mesmo. Isso está ocorrendo com a gripe suí- na, cujo vírus é uma combinação de genes de porcos, aves e humanos, para qual o corpo humano não tem defesa. A gripe suína se transmite de pessoa a pessoa, pelo contato com secre- ções de pacientes infectados e o período de incubação é pequeno, espalha- se rapidamente, sobretudo numa época como a nossa, em que há constante deslocamento de pessoas pelo planeta. Seus sintomas são parecidos com os da gripe comum, a exemplo de febre alta, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

\ Outras Pandemias

Ao longo do século XX, aconteceram três pandemias no planeta. A pri- meira deu-se em 1918, ficando conhecida como gripe espanhola ou gripe pneumônica – foi tida como uma das mais mortíferas doenças de todos os tempos. Estima-se tenha matado entre 20 e 100 milhões de pessoas por todo o mundo. A doença teve o primeiro caso nos Estados Unidos, em março de 1918. Em pouco espalhou-se pela Europa e outros lugares (era a época da I Guerra Mundial e muitas tropas estavam sendo deslocadas). A designação “gripe espanhola” talvez se deva ao fato de a imprensa na Espanha, não par- ticipando na guerra, haver noticiado livremente que civis em muitos lugares do mundo estavam adoecendo e morrendo em grandes proporções.

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haver noticiado livremente que civis em muitos lugares do mundo estavam adoecendo e morrendo em grandes

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Em 1957, teve-se o que ficou conhecida como gripe asiática. Iniciou-se na China e em apenas dois meses a doença se propagou por todo o Oriente, atingindo depois, em dez meses, África, Europa e América. A doença es- palhou-se rapidamente em virtude da facilidade das viagens internacionais. Conforme a OMS, a gripe asiática pode ter contaminado até 80% da popula- ção do planeta, com dois milhões de vítimas. Em 1968, aconteceu a denominada Gripe de Hong Kong, surgida naquela região da Ásia. A gripe demorou em atingir outras áreas do planeta (embora cerca de meio milhão de pessoas tenha morrido) mostrando um relativo su- cesso da estratégia de isolar as vítimas e a evolução dos antibióticos. Apesar da pandemia de gripe suína ser a primeira deste século, nos úl- timos anos algumas doenças assustaram a humanidade, a exemplo da Sras (síndrome respiratória aguda grave), em 2003, e a gripe aviária (H5N1), em 2005. Vale ressaltar que a gripe não é transmitida através da ingestão de carne de porco.

\ Ondas de Contágio e Economia

Conforme os especialistas, as pandemias apresentam “ondas de contá- gio” que podem durar de seis a oito semanas. Quando da “gripe espanhola” no início do século, por exemplo, a primeira onda foi “suave”, enquanto a se- gunda, terrivelmente mortal. Espera-se que a atual pandemia seja considera- da leve, embora a quantidade de vítimas dependa de eventuais mutações do vírus da gripe suína e da continuidade da transmissão de pessoa a pessoa. Afora a quantidade de infectados e de mortos, a gripe suína apresen- ta efeitos e prejuízos na economia, especialmente num momento em que a economia global vive uma grave crise. Redução das viagens, impacto no tu- rismo, paralisação de fábricas e comércio em virtude do temor de contágio etc. podem ser algumas consequências. No México, país em que ocorreram as primeiras morte em abril de 2009, escolas e comércio foram fechados e os eventos públicos, cancelados, na tentativa de assim conter-se o avanço do vírus. A indústria de produtos suínos também apresenta perdas, apesar das au- toridades de saúde terem descartado qualquer possibilidade de contamina- ção pelo consumo de carne (o cozimento mata qualquer tipo de vírus) ou de produtos que contenham carne suína. Há quem relacione a crise suína (e outras, a exemplo da gripe aviária), à busca incessante de lucros da poderosa indústria pecuarista. Para aumentar a produtividade, as empresas cada vez mais usam poderosos antibióticos nas fábricas porcinas, criando vírus cada vez mais resistentes que em combina- ções genéticas, tornam-se letais para os seres humanos.

criando vírus cada vez mais resistentes que em combina- ções genéticas, tornam-se letais para os seres

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crise ecOnôMicA diCas dE vEstibulaR | Atualidades
crise ecOnôMicA
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No momento em que se completam os 80 anos da maior crise mundial do capitalismo, a de 1929, a economia do mundo vive outro período turbulento.

A presente crise financeira internacional, que já levou poderosas empresas à

falência (a exemplo de bancos e até da poderosa General Motors, fabricante de carros) começou com uma crise imobiliária nos EUA e em pouco espalhou-

se, como uma onda, pelo resto do planeta.

\ A Crise Imobiliária dos Estados Unidos

Em 2001, com os juros norte-americanos reduzidos, os bancos passaram

a oferecer grande quantidade de crédito imobiliário (ou seja, empréstimos

para comprar casa, reformar etc.), especialmente para uma categoria de pes- soas classificadas como “subprime”, ou seja, pessoas que tem menor poder aquisitivo e mesmo dificuldades de comprovar renda. Isso acabou aquecen- do o setor imobiliário e a construção civil nos Estados Unidos. Tal crescimento gerou, por outro lado, especulações. Com a facilidade de obter crédito imobiliário, cresceu imensamente a procura por casas e aparta-

mentos, o que levou a um aumento do preço dos imóveis (é a velha “lei da ofer-

ta e da procura”: se a demanda é grande, os preços sobem). Para se ter ideia,

casas que originalmente valiam US$80 mil passaram a ser vendidas por US$200 mil! Adquirir uma casa (ou mais de uma!) virou um bom negócio, na expecta- tiva de que a venda futura dos imóveis, que se valorizavam, desse bons lucros. Muita gente hipotecava também as casas, para pagar dívidas ou gastar mais.

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que se valorizavam, desse bons lucros. Muita gente hipotecava também as casas, para pagar dívidas ou

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A partir de 2004, porém, os juros nos EUA começaram a subir (foi uma maneira do governo Bush combater a inflação). Em decorrência, o valor das prestações dos empréstimos imobiliários igualmente subiram, gerando enor- mes dificuldades para as pessoas honrarem os compromissos assumidos. Assim, com os sucessivos empréstimos que faziam e com os altos juros cobrados pelos bancos, não poucos clientes ficaram inadimplentes. Sem re- ceber o que haviam emprestado, por mais que continuassem a cobrar juros e mesmo a retomar os imóveis (o que gerou cenas dramáticas de famílias sendo despejadas pelo país), os bancos ficaram no prejuízo, quando não faliam – foi aliás, a quebra do Lehman Brothers, quarto maior banco de investimento dos EUA, em 15 de setembro de 2008, o estopim para a crise. O setor imobiliário e a construção civil praticamente paralisaram suas atividades e milhões de pessoas começaram a viver o drama de perder suas casas e empregos. Diante dos prejuízos, os bancos passaram cada vez menos a oferecer cré- ditos para outros setores econômicos, de modo que a economia toda entrou em crise. Ou seja, a crise que era do setor imobiliário gerou uma crise mais ampla, no mercado de crédito de modo geral. Com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se comprava, menos as empresas lucravam e menos pes- soas eram contratadas.

\ Crise Global

No mundo da globalização financeira, a crise americana logo propagou- se, fosse pelo pessimismo do mercado (é a chamada “crise de confiança” – numa época de incertezas, o dinheiro para de circular: quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa

fosse pela diminuição do comércio com os

EUA. Empresas passaram a cortar seus investimentos ou a fecharem as por- tas, aumentando o desemprego e o achatamento de salários. Para evitar um caos ainda maior, os governos de vários países passaram a injetar trilhões de dólares visando socorrer empresas em dificuldades – uma prática, por sinal, totalmente contrária aos princípios do chamado neolibera- lismo, de que não deve o Estado intervir no mercado. Por tal razão, há quem afirme que a presente crise foi a pá de cal no neoliberalismo. Há um silêncio constrangedor atualmente entre os antigos defensores do Estado mínimo Além de emprestar dinheiro a empresas, os governos adotaram outras medidas, a exemplo de estatizar empresas com risco de falência (outra medi- da totalmente contrária aos ideais do neoliberalismo) e a garantir os depósitos

não encontra quem forneça

),

feitos pelos clientes nos bancos (para evitar uma corrida das pessoas às agên- cias bancárias, temendo que estas quebrassem e não lhes reembolsassem).

evitar uma corrida das pessoas às agên- cias bancárias, temendo que estas quebrassem e não lhes

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\ A Crise e o Brasil

Se de início o Brasil não foi atingido pela crise, a médio prazo, porém, foi inevitável o “contágio”, em virtude da interligação da economia capitalista globalizada. Vários setores nacionais passaram a sentir a redução da oferta de crédito por parte dos bancos (grandes empresas que dependiam de financia- mento externo passaram a encontrar menos linhas de créditos disponíveis) e, em seguida, pela queda das exportações e importações (são os EUA ainda o nosso principal parceiro comercial), e da própria demanda interna (com a cri- se, houve uma redução do consumo das pessoas), que foi o grande propulsor do crescimento brasileiro nos últimos anos. Em decorrência, houve o avanço do desemprego e uma expectativa de desaceleração no crescimento econô- mico do País – ainda que se espere que no Brasil a situação fique melhor que na maioria dos países desenvolvidos e emergentes. Os setores econômicos que mais sentiram a queda da demanda no Brasil (e igualmente no resto do mundo) são o automotivo, o imobiliário e o de bens de capital (ligado aos investimentos). Isso deu-se porque tais segmentos ven- dem produtos que dependem diretamente de financiamentos, cada vez mais reduzidos. Nessa conjuntura, o governo federal tomou algumas medidas para ten- tar reforçar as vendas e estancar as demissões. Entre tais medidas, teve-se a redução temporária das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industriali- zados) sobre automóveis e eletrodomésticos da “linha branca” e a injeção de R$100 bilhões no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para realizar empréstimos. O reflexo da crise se espelhará no desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, cujo crescimento este ano talvez não chegue a 1%, bem diferente dos 4% esperados antes da crise. A crise provocou um efeito dominó. Com a bancarrota do setor imobiliário, os especuladores internacionais procuraram outras áreas para aplicar seus capitais e obter lucros – no caso, a bola da vez foi o setor de alimentos (ou seja, passa- ram a investir em empresas que negociavam commodities, isto é, negociavam soja, milho, trigo etc.). A procura por esse setor levou a um aumento do preço internacional dos grãos (de novo a “lei da oferta e da procura”). Por essa razão, entende-se a crise alimentar do início de 2008, que atingiu vários países pobres os quais não tinham como pagar pelo aumento da cotação dos grãos. Ao con- trário do que foi propagado a época por certas revistas semanais, não era a falta de alimentos em si que provocava o aumento dos preços dos alimentos, mas um ataque especulativo. Depois, com o próprio evoluir da crise internacional, os preços dos alimentos voltaram a cair Outra consequência da crise, e que teve particular repercussão no Brasil, foi a forte queda nos mercados acionários. Com medo da crise financeira aumentar, os investidores/especuladores tiraram o dinheiro das Bolsas, con- sideradas investimentos de risco. Dessa forma, escasseiam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz os investidores/especula- dores novamente tirarem mais dinheiro. Para manter aquele dinheiro em suas fronteiras, os governos mantêm elevadas as taxas de juros.

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tirarem mais dinheiro. Para manter aquele dinheiro em suas fronteiras, os governos mantêm elevadas as taxas
Os 80 AnOs dA crise de 1929 Após a I Guerra Mundial (1914-18), os EUA
Os 80 AnOs dA crise de 1929
Após a I Guerra Mundial (1914-18), os EUA conhecerem um período de
grande expansão econômica, o que durou por quase todos os anos 1920. Tal
prosperidade, contudo, abruptamente interrompeu-se em 1929, com a que-
bra da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Iniciou-se, então, para os EUA e boa
parte do mundo uma grande depressão (ou seja, uma recessão profunda – a
economia deixou de crescer).
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\ O Fim de uma Era

Para muitas nações europeias, a I Primeira Guerra Mundial significou mor-

te e destruição. Países chegaram a perder 10% da sua população ativa e por todo o continente houve perda de grande parte do parque industrial, afora

a destruição de rodovias, ferrovias, hidrelétricas etc. A inflação e o desem- prego dispararam no pós-guerra, com grande agitação social, verificando-se

o crescimento das correntes socialistas (muito influenciadas pela Revolução

Russa de 1917) e de movimentos de extrema-direita, financiados pela grande burguesia e com simpatia das classes médias, a exemplo do fascismo da Itá- lia. Um cenário de desolação. Enquanto a Europa vivia o caos, o pós-Guerra e a década de 1920 foram de grande expansão econômica para os Estados Unidos. O país, que já vinha se consolidando como uma das mais poderosas nações industriais do mun- do, conheceu enorme prosperidade, em grande parte devido aos lucros que obtinha financiando a reconstrução europeia. Entretanto, tal prosperidade apresentava contradições. Uma delas estava na enorme concentração da renda. Com o aperfeiçoamento tecnológico, mi- lhares de norte-americanos foram demitidos ou tiveram os salários reduzidos.

Com o aperfeiçoamento tecnológico, mi- lhares de norte-americanos foram demitidos ou tiveram os salários reduzidos. 19

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Assim, as camadas mais pobres do país não foram beneficiadas com a pros- peridade. A renda se concentrou nas mãos dos grandes industriais, banquei- ros e negociantes. Também houve grande surto especulativo. Boa parte das elites e classes médias investiam em ações e especulavam nas Bolsas de Valo- res. Os preços das ações não paravam de subir – mas aquelas expectativas de lucros eram irreais, não tinham correspondente na realidade da economia. Quando isso foi finalmente percebido, as ações despencaram e com ela parte do capitalismo liberal. No dia 24 de outubro de 1929, que ficou conheci- do como a “quinta-feira negra”, os investidores começaram a vender as suas ações de forma desenfreada, tentando evitar prejuízos. Acontece que quanto mais vendiam, mais o preço das ações caía – para se ter ideia, cotações de ações chegaram a sofrer uma queda de 90%! Em pouquíssimo tempo, as fortunas de quem tinha aplicado em ações evaporou-se. Afora a especulação, uma das razões principais da crise foi a superpro- dução industrial e agrícola capitalista. Como a renda ficou nas mãos de uma minoria, o grosso da população não tinha como comprar o que as fábricas cada vez mais produziam. O mercado consumidor para a produção dos Esta- dos Unidos reduzia-se mais ainda com a recuperação da economia europeia na segunda metade dos anos 1920. Dessa forma, com a redução do consumo, as fábricas viram-se obrigadas a parar/reduzir a produção, gerando mais de- semprego. Com mais desemprego, menos pessoas consumiam, mais fábricas paravam e assim sucessivamente! O crack da Bolsa de Nova Iorque marcou o início da Grande Depres- são. Milhões de pessoas ficaram na miséria. Milhares de fábricas fecharam as portas e despediram os trabalhadores. O desemprego atingiu milhões de pessoas e agravou ainda mais a situação das empresas que sobreviveram, afinal, o mercado se restringiu. A fome passou a imperar na nação mais rica do mundo. As filas para conseguir comida, distribuída gratuitamente pelo governo, tornaram-se comuns nos grandes centros. Como os países capitalistas apresentavam ligações econômicas entre si, a crise dos EUA logo espalhou-se por outras nações – à exceção da União So- viética, que fora mantida, até certo ponto, isolada, pelo temor da burguesia ocidental de uma expansão do socialismo. A América Latina, que vendia mui- to para os EUA, teve sério abalo em suas exportações. Capitais americanos foram retirados do continente europeu – de novo no caos econômico e social, e com o crescente crescimento das esquerdas, boa parte da elite passou a financiar movimentos políticos de extrema-direita, a exemplo do Nazista, na Alemanha. Os mercados se fecharam para debelar a crise. A disputa por mer- cados levaria à II Guerra Mundial (1939-45).

\ Saídas para a Crise

Para muitos analistas, a crise de 1929 marcou o fim do capitalismo liberal, em que prevalecia o livre mercado, sem a intervenção do Estado na econo- mia. O controle estatal sobre a economia passou a predominar no mundo – exemplo foi o Nazismo na Alemanha, que priorizaram a indústria bélica.

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a economia passou a predominar no mundo – exemplo foi o Nazismo na Alemanha, que priorizaram

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Mesmo nos EUA, país construído sob o ideal liberal, o Estado passou a ter uma papel fundamental na recuperação da economia. Nas eleições de 1932, os estadunidenses elegeram para presidente o oposicionista e repre-

sentante do Partido Democrata, Franklin Roosevelt, com a promessa de fazer

a economia voltar a crescer. Roosevelt lançou um plano que ficou conhecido

como New Deal. Esse programa implicou uma maior intervenção do Estado na economia – controlava-se a emissão de valores monetários, o investimento em setores básicos da indústria e a criação de políticas de emprego. Para dar emprego a milhões de desempregados, o governo mandou construir estradas, barragens, usinas hidrelétricas, reflorestar áreas etc. Hou- ve a concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores fami- liares e criou-se a Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos. Dessa forma, com alguma renda, a população aumentou o consumo, de modo que as indústrias, o co- mércio e os bancos retomaram lentamente suas atividades. Na verdade, com o New Deal, criaram-se as bases do que foi chamado após a II Guerra de welfare State (Estado do bem-estar social), que perdurou basicamente até o final dos anos 1970 e 80, quando com o neoliberalismo, os princípios do livre mercado voltaram a ganhar espaço. Bom ressaltar que muitos historiadores afirmam que a razão para a eco- nomia americana voltar a crescer no final dos anos 30 não foi apenas o New Deal, mas, sobretudo, a demanda gerada pela II Guerra Mundial.

\ Crise de Ontem e de Hoje

Diante do cenário atual de crise, é inevitável a comparação com a Crise de

1929. Há, porém, grandes diferenças. Para começar, por mais que nos últimos anos tenha prevalecido o neoliberalismo, o Estado continua ainda presen-

te na economia, nacional ou internacionalmente – por exemplo, organismos

como o Fundo Monetário Internacional estão preparados para atuar em situ- ações de emergência, o que não existia nos anos 1930. Depois, nos Estados Unidos de 1929, o governo do presidente republica- no Herbert Hoover, seguindo o liberalismo, não agiu, deixando que o merca- do “resolvesse seus problemas”, sem qualquer intervenção do Estado. Com isso, a quebradeira foi generalizada e a depressão econômica aumentou Hoje, o governo norte-americano e outros já gastaram vultosos recursos para evitar a quebra ou falência de instituições financeiras. Isso contraria fron-

talmente os princípios do pensamento econômico neoliberal e sucinta severas críticas: as riquezas são individualizadas, mas os prejuízos são coletivizados Há ainda outros países que continuam em ritmo de crescimento e com re- servas financeiras para emprestar aos países em dificuldade. Pode-se citar a Ale- manha, o Japão, a Arábia Saudita e a China. A situação dos chamados “países emergentes”, a exemplo de Rússia, Índia e Brasil igualmente podem contribuir para a atividade econômica mundial não sofrer uma contração tão grande.

e Brasil igualmente podem contribuir para a atividade econômica mundial não sofrer uma contração tão grande.

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Os 20 AnOs dA QuedA dO MurO de berliM Muita festa aconteceu a 9 de
Os 20 AnOs dA QuedA dO MurO de berliM
Muita festa aconteceu a 9 de novembro de 1989 em Berlim, quando uma
multidão derrubou um dos maiores símbolos políticos do século XX e iniciou
uma nova etapa na história da Alemanha. A queda do Muro de Berlim assina-
lou o fim da Guerra Fria e o começo de uma “Nova Ordem Mundial”.
\ A Construção do Muro
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Com o fim da Segunda Guerra, a Alemanha nazista e sua capital Berlim

foram divididas em quatro zonas de ocupação entre URSS, EUA, Reino Unido

e França. Em 1949, com a radicalização da Guerra Fria, o país acabou sendo

dividido em dois, as repúblicas Federal da Alemanha (Ocidental - capitalista)

e Democrática Alemã (Oriental - socialista). O mesmo aconteceu com a cida-

de de Berlim, dividida em Berlim Ocidental (capitalista) e Berlim Oriental (so- cialista) – havia, porém, um sério problema: Berlim Ocidental ficava dentro da Alemanha Oriental, ou seja, havia uma cidade capitalista no lado socialista! Berlim Ocidental recebeu milhões de dólares e se tornou uma joia de pro- paganda do capitalismo dentro do bloco comunista. Era também um local por onde os EUA e seus aliados ocidentais infiltravam espiões para vigiar o inimigo socialista. A expansão econômica de Berlim Ocidental e o autoritarismo reinante na Alemanha Oriental levavam milhares de pessoas a migrar/fugir para o lado capitalista. Assim, para conter tais fugas, em 1961 a União Soviética ergueu

o Muro de Berlim. Chamado pelo Ocidente de “Muro da Vergonha”, o Muro

de Berlim tornou-se o maior símbolo da Guerra Fria, representando a divisão do mundo em dois modelos sócio-econômico-ideológicos. Para os alemães, afora a divisão de seu país (separando famílias e territórios), era uma lem- brança viva da II Guerra Mundial e das consequências desta.

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país (separando famílias e territórios), era uma lem- brança viva da II Guerra Mundial e das

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\ A Queda

No início dos anos 80, perante a estagnação da economia, crescente bu- rocratização e autoritarismo, Mikhail Gorbatchev assumiu a presidência da União Soviética. Adotou, então, duas políticas para salvar o país: a glasnost (transparência política) e a perestroika (reestruturação econômica). Ambas fracassaram, levando ao fim da União Soviética, do Bloco Socialista e da pró- pria Guerra Fria.

O fim do Bloco Socialista deu-se de várias maneiras. Negociações entre

as autoridades e oposição na Polônia, Bulgária e Hungria; revoltas populares violentas na Romênia e manifestações em massa pela democracia na Alema- nha Oriental e Tchecoslováquia (Revolução de Veludo). Na Albânia, pressões populares levaram a reformas. Na Iugoslávia, explo- diram velhas rivalidades étnicas, religiosas e nacionalistas, gerando brutais e sanguinárias guerras civis e a fragmentação do país.

O Muro de Berlim “começou a ruir” quando em 1989 a Hungria, liberali-

zando seu regime socialista, abriu as fronteiras com a Áustria, permitindo o

livre acesso ao mundo capitalista. Milhares de alemães orientais passaram a migrar para o lado ocidental, enquanto as manifestações populares contra o governo aumentavam, especialmente em Berlim Oriental. Pressionado, o governo comunista alemão abriu as fronteiras com a Ale- manha Ocidental e Berlim Ocidental. A massa, efusiva, passou a destruir o muro, em festivas celebrações com danças, músicas, bebidas e fogos de ar- tifício. Com a Guerra Fria acabando, houve a reunificação da Alemanha, em ne- gociações chanceladas por Gorbatchev e George Bush (o pai) e com o con- vencimento da Inglaterra e França, rivais históricos da Alemanha, que temiam o regresso da “potência central” que tanto lhes incomodava, a exemplo dos tempos de Bismarck e de Hitler. Helmut Kohl, primeiro-ministro da Alemanha Ocidental, articulou a incor- poração da Alemanha Oriental, primeiro com uma união monetária e depois com a unidade política. Em outubro de 1990, a Alemanha voltou a ser uma só, capitalista. País mais rico, populoso e influente da Europa, a Alemanha ainda hoje convive com as consequências da divisão e da reunificação: disparidades so- cioeconômicas entre oeste e leste, diferenças políticas, preconceitos contra os habitantes da parte oriental, frustração dos antigos moradores da Alema- nha Oriental com as contradições do capitalismo e o crescimento do neona- zismo.

dos antigos moradores da Alema- nha Oriental com as contradições do capitalismo e o crescimento do

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As eleições nO i

Com o anúncio da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, a 12 de junho de 2009, multidões invadiram as ruas de Teerã, a capital do Irã, pro- movendo os maiores protestos contra o governo nas últimas três décadas. As manifestações puseram em cheque a citada reeleição e evidenciaram divi- sões na sociedade daquele país pelos aiatolás.

divi- sões na sociedade daquele país pelos aiatolás. \ O País dos Aiatolás O Irã apresenta

\ O País dos Aiatolás

O Irã apresenta uma população de 65,8 milhões de habitantes, sendo o

quinto maior exportador de petróleo no mundo, o que desperta a atenção

e a cobiça de potências como os Estados Unidos. Irã e Estados Unidos têm

relações hostis desde a Revolução Iraniana de 1979, quando os xiitas (grupo religioso islâmico) derrubaram o governo pró-Ocidental do Xá Reza Pahlevi – na verdade, uma das mais sanguinárias ditaduras da região. Com isso, mudou-se completamente a geopolítica do Oriente Médio. O comando do Irã passou para o aiatolá Ruhollah Khomeini (1900-1989), entran- do em rota de atrito com os EUA, pela questão do petróleo e por não aceitar

a cultura ocidental laicizante. Para tentar derrubar o regime islâmico xiita,

os EUA apoiaram e financiaram o governo do iraquiano Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque (1980-88), cujo pretexto foi uma disputa fronteiriça. O con-

flito terminou com mais de 1 milhão de mortos e com as mesmas fronteiras de antes da guerra

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fronteiriça. O con- flito terminou com mais de 1 milhão de mortos e com as mesmas

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Pressionado pelo Ocidente, o Irã passou a desenvolver um programa nu- clear, condenado pela ONU e temido pelos EUA. Se os iranianos construírem

a bomba atômica, o jogo geopolítico muda radicalmente no Oriente Médio,

sobretudo em relação a Israel, que recusa-se a aceitar um Estado palesti- no e promove verdadeiros massacres dos árabes, os quais respondem com ataques terroristas, matando judeus inocentes, numa escalada infindável de violência. Israel tem armas nucleares e conta com apoio dos EUA. Com o Irã, aliado dos árabes, tendo armas nucleares, a postura política e o próprio Esta- do de Israel estariam seriamente ameaçados

\ Teocracia e Eleições

Ao contrário do Ocidente, onde prevalecem regimes laicos (ou seja, se-

paração entre Estado e religião), o Irã é uma república teocrática, estando o poder político e religioso nas mãos do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

É este que controla as Forças Armadas, a Justiça e a imprensa estatal (rá-

dio e TV), além de indicar quem pode concorrer aos cargos eletivos do país. Abaixo do Líder Supremo, está o Conselho dos Guardiães, órgão legislativo formado por seis clérigos e seis juristas. Na recente eleição, houve uma polarização entre o atual presidente Mah- moud Ahmadinejad e o oposicionista tido como moderado Mir-Hossein Mou- savi. Setores ocidentais veem com ressalvas Ahmadinejad, por suas posições tidas como radicais, a exemplo de defender a destruição do Estado judeu de Israel e a continuidade do programa nuclear iraniano (neste caso, visando mos- trar força e defender o regime contra seus não poucos inimigos). Mousavi, por sua vez, apresenta o apoio das mulheres (oprimidas pelo machismo iraniano, que usa o islamismo para justificar a submissão feminina), dos estudantes e da classe média reformista que desejam maior aproximação como o Ocidente. A campanha eleitoral foi até calma, ocorrendo um recorde de 84% de comparecimento às urnas (o voto não é obrigatório no Irã). Ahmadinejad foi reeleito com 24,5 milhões de votos, 62,7%, contra 33,7% de Mousavi. A opo- sição, de imediato, alegou que houve fraude nas eleições. As suspeitas deram-se em virtude do anúncio da reeleição de Ahmadi- nejad duas horas após o fechamento das urnas (normalmente, a contagem de mais de 40 milhões de votos em cédulas de papel, escritas à mão, leva

mais tempo). Além disso, pesquisas apontavam ao menos uma disputa mais apertada entre os candidatos, não uma vitória do presidente com tamanha vantagem de votos no primeiro turno. Passaram, então, a ocorrer protestos com milhares de pessoas pelas ruas de Teerã. Aconteceram mesmo algumas mortes e dezenas de pessoas saíram feridas em confronto com a polícia e a temida Guarda Revolucionária, agru- pamento militar de elite.

pessoas saíram feridas em confronto com a polícia e a temida Guarda Revolucionária, agru- pamento militar

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O governo tacha os manifestantes de “baderneiros” e acusa agentes de

EUA, França e Inglaterra de estarem incitando os protestos. O Líder Supre-

mo, que raramente realiza pronunciamentos públicos, chegou a determinar

a recontagem parcial de votos e investigação das acusações de fraudes pelo

Conselho dos Guardiões. A oposição deseja a anulação do pleito e a realiza- ção de nova eleição.

\ Uma Sociedade Dividida

Segundo muitos analistas, porém, mesmo uma recontagem de votos dificil- mente modificaria o resultado – Ahmadinejad conta com grande apoio da so-

ciedade, seja pela melhoria de vida possibilitada aos mais pobres do país, seja pelo afinco religioso da população e mesmo pelo sentimento de medo e anti- patia de não poucos iranianos em relação ao Ocidente (certamente ver seu país ser acusado de “fanatismo, terrorista e de ser uma ameaça à paz mundial” não

deve agradar a muita gente

No fundo, os protestos evidenciam uma divisão

da sociedade iraniana, em que uma parcela minoritária não aceita a teocracia

e os rígidos valores morais e comportamentais aplicados pelos clérigos islâmi- cos, defendendo uma aproximação com as práticas secularizantes ocidentais.

).

aproximação com as práticas secularizantes ocidentais. ). O governo determinou a repressão às manifestações

O governo determinou a repressão às manifestações oposicionistas. Lí-

deres reformistas foram presos, bloqueou-se a internet e a telefonia celular, fecharam-se universidades, proibiram-se comícios e reuniões públicas, cen- surou-se a imprensa, inclusive os correspondentes estrangeiros. Os EUA unidos e as potências ocidentais, a exemplo de França e Inglater- ra, apesar da condenação das possíveis fraudes, agem com cautela – o Irã faz fronteira com o Afeganistão, país invadido pelo EUA no início do século (não por acaso, com importantes reservas de petróleo e gás) e onde há uma dura resistência armada. A desestabilização política e confrontos gerais na região não interessariam ao Ocidente.

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dura resistência armada. A desestabilização política e confrontos gerais na região não interessariam ao Ocidente. 26
OutrOs cAMinhOs dA índiA Mostrando a imensa capacidade de influência da televisão, em virtude de
OutrOs cAMinhOs dA índiA
Mostrando a imensa capacidade de influência da televisão, em virtude de
uma novela, a Índia tornou-se mais conhecida por parte da população. Ape-
sar disso, a visão televisiva é cheia de estereótipos e não aprofunda a diversi-
dade cultural do país, nem suas grandes contradições sociais e políticas.
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\ Uma Antiga Civilização

A antiga civilização indiana estava num território maior que a área do atual

país chamado Índia – correspondia, na verdade, aos atuais Índia, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka.

A Índia foi povoada por vários e sucessivos povos. Por volta de 2500 a.C.,

um povo de pele escura e origem desconhecida, chamado drávida, ocupou o norte do território indiano, desenvolvendo uma primeira civilização. Cerca de 1500 a.C., os arianos ou ários, povo indo-europeu de pele clara, invadiram a Índia, usando cavalos e armas de ferro e conquistaram os drávi- das. Os arianos, contudo, absorveram muito da cultura drávida, nascendo daí a civilização indiana propriamente dita. Os arianos, por serem uma população minoritária, demoraram mais de mil anos para dominar toda a Índia. O território, porém, não estava centrali- zado, ou seja, não tinha um único governante. Estava dividido, sim, em vários principados, que eram como se fossem países pequenos, governados pelos chamados rajás ou marajás (príncipes), que ficaram famosos por vida de far- tura e riqueza.

governados pelos chamados rajás ou marajás (príncipes), que ficaram famosos por vida de far- tura e

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Os arianos dividiram a sociedade da Índia em castas, ou seja, em grupos sociais fechados e hierarquizados, em que a posição de uma pessoa estava definida desde o nascimento e não havia possibilidade de alteração. Tinham

castas superiores, para os ricos (uma minoria, lógico, de origem ariana) e cas- tas inferiores, para os pobres (muitos, de origem drávida). Acreditavam em reencarnação. Dessa forma, conforme a casta, uma pessoa devia morar em certa área, saber com quem casar-se, no que trabalhar e até o que iria se vestir e comer!

E mais, de jeito nenhum era permitido que as castas se misturassem – em

alguns casos, até o toque de uma pessoa de uma casta inferior era tido como uma desgraça! Esse sistema de castas se fundamentava na religião hindu. No século IV a.C., a Índia é unificada, com a formação do Império Máuria, do rei Asoka que se converteu ao budismo. No século X, os indianos caíram sob o domínio dos árabes muçulmanos. O islamismo, que pregava a igualda- de de todos diante de Deus (Alá, em árabe), obteve grande penetração entre as camadas pobres da população (era uma forma de escapar da discrimina- ção do sistema de castas) e irritou profundamente as elites indianas (teme- rosas de perder seus privilégios garantidos pelas castas). Daí os confrontos entre islâmicos e hindus que duram até hoje.

\ A Independência

No século XVII e XVIII, após séculos negociando as famosas especiarias orientais com a Europa, a Índia caiu sobre o domínio do imperialismo inglês.

No século XIX, várias revoltas anticoloniais ocorreram na região, sendo dura- mente sufocadas pelos britânicos. As lutas nacionalistas contra os ingleses eram inicialmente lideradas pelo Partido do Congresso (ou Congresso Nacional Indiano), fundado em 1885 e que representava a população hindu, e pela Liga Muçulmana, fundada em 1906, que representava, obviamente, os muçulmanos. Hindus e islâmicos, mesmo com suas diferenças, aliaram-se contra o Império Britânico. A oposi- ção ao imperialismo contou com luta armada, greves, sabotagens, atentados

e até a resistência pacífica, liderada por Mahatma Gandhi, na década de 20.

Gandhi se tornou, então, o grande líder do movimento pela libertação do país. Os ingleses, buscando evitar uma confrontação radical, adotaram a es- tratégia de libertação gradual da Índia, para preservar, pelo menos, sua influ- ência econômica, e estimularam as rivalidades entre hindus e muçulmanos. A

Liga Muçulmana passou a defender não só a independência, mas a criação de um Estado islâmico separado da Índia hindu. Após a II Guerra Mundial, a decadente Inglaterra aceitou a independência da região. Não se manteve, porém, a unidade política da região. Surgiram a Índia propriamente (com uma população majoritariamente hindu), Paquistão (população de maioria islâmica), que por sua vez foi dividido em Paquistão Ocidental e Paquistão Oriental, e o Siri Lanka, na ilha do Ceilão, de maioria budista.

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vez foi dividido em Paquistão Ocidental e Paquistão Oriental, e o Siri Lanka, na ilha do

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Milhões de pessoas tiveram que se deslocar em direções opostas e estou- raram guerras com milhares de mortos em virtude de divergências e disputas fronteiriças (especialmente da Caxemira, região do norte indiano com uma po- pulação de maioria muçulmana que deseja se anexar ao Paquistão). Em 1948, em meio aos confrontos e rivalidades, Gandhi foi assassinado. Daí em diante, Índia e Paquistão manteriam tensas relações, inclusive desenvolvendo armas nucleares e recorrentes ameaças – em 1989, houve novo confronto armado, com mais de 38 mil mortos. Para complicar ainda mais, durante a Guerra Fria, a Índia era aliada da União Soviética e o Paquistão dos Estados Unidos. Em 1971, após sanguinária guerra civil, o Paquistão Oriental proclamou-se independente, constituindo a República da Bangladesh, mais recentemente chamada de República Popular de Bengala. Em toda região, a independência política não pôs fim à miséria da popu- lação, estando aqueles países neste início do século XXI entre os mais pobres do mundo. Persistem, por outro lado, e agravando ainda mais a situação, vio- lentos conflitos étnicos, religiosos e políticos, desembocando em luta arma- da e atentados terroristas de grupos separatistas.

\ Crescimento Econômico

A partir do início dos anos 1980, a Índia passou a apresentar algumas ca-

racterísticas marcantes que despertaram crescente atenção dos analistas in- ternacionais, como taxas elevadas e sustentáveis de crescimento econômico, da renda per capita e das exportações de bens e serviços. Integra o que é chamado de BRIC (acrônimo de Brasil, Rússia, Índia e China), países de eco- nomia capitalista emergente. A economia da Índia tornou-se a 12ª maior do mundo. O PIB do país, em 2007, chegou à casa dos U$900 bilhões, com um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. O setor de serviços, em particular, tem sido o motor dinâmico do crescimento indiano desde o início dos anos 1990. A indústria igualmente prospera, destacando-se a produção de aço, equipamentos e

máquinas, cimento, alumínio, fertilizantes, têxteis, juta, biotecnologia, produ- tos químicos, softwares e medicamentos. Isso se deu especialmente com uma política de liberalização econômica (privatizações, quebra de monopólios, diminuição das barreiras alfandegá- rias etc.), atraindo investimentos estrangeiros – afora as vantagens oferecidas pelo governo, a mão-de-obra na Índia é das mais baratas e exploradas do mundo. Apesar de milhões de pessoas terem saído da pobreza, o crescimento econômico beneficiou apenas uma parcela da população, ou seja, a pros- peridade econômica não desconcentrou renda. Da população de quase um bilhão e 200 mil pessoas, cerca de 40% (algo em torno de 455 milhões) man- têm-se na linha de pobreza.

A Índia busca maior participação das decisões internacional, integrando

o G-4, ao lado de Brasil, Japão e Alemanha, desejando, inclusive, um lugar permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

e Alemanha, desejando, inclusive, um lugar permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

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Os 30 AnOs dA lei dA AnistiA

No final dos anos 1970, a Ditadura Militar vivia profunda crise política e econômica. Instalados no poder com o Golpe de 64, o qual contara com am- plo apoio de setores conservadores, os governos dos militares eram atingi- dos pela inflação, endividamento externo, crise mundial do petróleo, pressão do governo Jimmy Carter dos EUA pela democratização da América Latina, greves e manifestações cada vez maiores da oposição, reunida em torno do MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

reunida em torno do MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Os generais, porém, insistiam numa “abertura

Os generais, porém, insistiam numa “abertura democrática” controlada do regime, para que não acontecessem mudanças na estrutura socioeconômica do País e se evitassem perseguições aos militares que tinham “cometido ex- cessos” – por exemplo, as torturas e eliminação dos opositores de esquerda. Na segunda metade da década de 1970 e num contexto de forte pres- são popular (sindicalistas, igreja, estudantes, donas de casa, movimentos de

bairros, índios, negros, homossexuais etc.), a defesa da anistia (“perdão”) era uma das bandeiras mais levantadas pelas oposições. Nos atos públicos, pas- seatas e comícios, a bela canção “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, interpretada por Elis Regina, virou um símbolo da defesa da

Meu Brasil/ Que sonha/ com a volta do irmão do Henfil/ Com tanta

anistia: “

gente que partiu/ num rabo de foguete/ Chora/ A nossa pátria-mãe gentil/ Choram Marias e Clarisses/ No solo do Brasil

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gente que partiu/ num rabo de foguete/ Chora/ A nossa pátria-mãe gentil/ Choram Marias e Clarisses/

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As oposições falavam em uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, ou seja, que todos os presos políticos mantidos pela Ditadura fossem libertos, que os exilados pudessem regressar ao Brasil e que todas as pessoas que haviam sido perseguidas e cassadas fossem reabilitadas. Além disso, exigiam que se investigassem os casos dos “desaparecidos políticos” da Ditadura e aconte- cesse a punição dos torturadores. Essa anistia “ampla, geral e irrestrita” assustava os conservadores, inclu- sive os do MDB, que temiam a reação dos militares da Linha Dura contra a “abertura democrática” e que as punições atingissem certos segmentos sociais de direita que agora se posicionavam contra o regime, embora no passado tivessem colaborado para a repressão e eliminação física de militan- tes de esquerda. Assim, para evitar tais “radicalismos” o próprio governo militar fez aprovar em agosto de 1979 no Congresso Nacional uma Lei de Anistia que não era nem “ampla ou irrestrita” como desejavam as esquerdas. Os envolvidos na luta armada e em “ações terroristas” não foram beneficiados – tiveram ape- nas as penas reduzidas. Os torturadores acabaram perdoados e a questão dos “desaparecidos políticos” ficou sem solução Apesar disso, a Lei de Anistia foi importante na ampliação das liberdades públicas. Centenas de políticos foram libertos das cadeias, milhares de exi- lados puderam, enfim, voltar ao País (recepcionados euforicamente nos ae- roportos), inclusive velhos inimigos dos militares, como Leonel Brizola e Luis Carlos Prestes. Os militares nacionalistas e de esquerda, perseguidos pela Di- tadura, foram igualmente anistiados e passados para a reserva (aposentados).

e de esquerda, perseguidos pela Di- tadura, foram igualmente anistiados e passados para a reserva (aposentados).

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nOrte-AMericAnOs cOMeçAM A deixAr O irAQue

Em junho de 2009, os Estados Unidos começaram a deixar o Iraque, no primeiro passo para a retirada total das forças estrangeiras que ocupam o país desde 2003. A retirada acontece seis anos e três meses depois que o governo de George W. Bush invadira o país para depor Saddam Hussein, em 2003. Tal invasão ocorrera sem consentimento da ONU e contra boa parte da opinião pública internacional. Bush alegava que o governo de controle de Hussein apresentava armas de destruição em massa e apoiava o terrorismo, acusações hoje tidas como mentirosas.

o terrorismo, acusações hoje tidas como mentirosas. Em 2008, os EUA, ainda governados por Bush, haviam

Em 2008, os EUA, ainda governados por Bush, haviam assinado com o Iraque um acordo pelo qual, a partir de 30 de junho de 2008, os soldados estadunidenses deixariam suas funções de segurança nas cidades iraquianas, embora continuando nas bases militares que são mantidas no país. As tropas americanas só voltarão a entrar em áreas urbanas se o governo iraquiano pe- dir ajuda. O acordo estipulava ainda que a data limite para uma retirada total das tropas americanas do Iraque seria 31 de dezembro de 2011. A violência diminuiu significativamente no Iraque desde os grandes con- frontos de 2006 e 2007, embora continuem a ocorrer ataques terroristas das forças de resistência associada à Al Qaeda – uma prova de que o país não está livre da violência dos últimos anos e que a estabilidade política não é total. Faltam dados oficiais ou precisos, mas estima-se que 4.316 soldados ame- ricanos morreram no Iraque desde a invasão em 2003 e que mais de 100.000 civis iraquianos perderam a vida em meio à violência no país nesse período.

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invasão em 2003 e que mais de 100.000 civis iraquianos perderam a vida em meio à

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Para os EUA seria muito importante estabilizar de vez o Iraque, em virtude de outros problemas na região – a questão entre israelenses e palestinos e a questão nuclear no Irã, principalmente. Os caminhos para tanto, porém, são incertos. Além dos problemas de segurança, o Iraque enfrenta outros empecilhos, a exemplo da reconciliação

nacional (em virtude das rivalidades entre as etnias xiitas, sunitas e curdos e pela queda/execução de Saddam Hussein), do reestabelecimento dos servi- ços básicos do país, do combate a corrupção e da forma de melhor explorar

o

petróleo, importante fonte de riqueza para um país pobre. Mas nem tudo é negativo. O Iraque conseguiu certa estabilidade política

e

um índice de segurança impensável há alguns anos. O país tem um governo

constitucional eleito pelo povo em eleições livres, algo não muito comum

numa região de ditaduras e monarquias sanguinárias. Os serviços públicos

e as empresas começam lentamente a funcionar (graças ao retorno de refu-

giados que tinham abandonado o país quando da invasão americana e pela violência política) e verifica-se a normalização das exportações de petróleo. Na verdade, as maiores preocupações dos EUA agora estão direcionadas para o Afeganistão, país também invadido pelos estadunidenses em 2001 para derrubar o grupo fundamentalista Taliban (acusado de esconder Osama Bin Laden). Desde então, o Afeganistão está ocupado pelos EUA, tendo, po- rém, que enfrentar uma forte resistência armada. O Taliban se rearticulou no sul do país e realiza constantes ataques aos invasores. A Questão Palestina igualmente incomoda os EUA. Desde 1948, quando da criação do Estado judeu de Israel, os palestinos (árabes muçulmanos) lu- tam para criação de seu país. Daí em diante ocorreram várias guerras, con- frontos, ataques terroristas, massacres etc., sacudindo o Oriente Médio. Área estratégica, pela posição geográfica e pelo petróleo, o Oriente Médio me- rece grande atenção dos EUA de Barack Obama, que intensifica a busca de uma solução negociada para pacificar a região, o que não é fácil, pelas estrei- tas ligações entre estadunidenses e israelenses e as desconfianças que isso provoca nos árabes.

pelas estrei- tas ligações entre estadunidenses e israelenses e as desconfianças que isso provoca nos árabes.
pelas estrei- tas ligações entre estadunidenses e israelenses e as desconfianças que isso provoca nos árabes.

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exercíciOs

1. Acerca da China, é correto afirmar:

a)

O regime comunista chinês conseguiu sobreviver à crise do socialismo real dos anos 80, mantendo-se política e economicamente fechado.

b)

A

China, com os processos de Glasnost e Perestroika, viveu uma abertura

política e econômica, tendo números destacados de crescimento.

c)

O regime chinês realizou uma abertura econômica, mantendo, porém, um regime político autoritário e repressor.

d)

A realização das Olimpíadas em Pequim em 2008 sofreu forte boicote dos países Ocidentais, em represália ao autoritarismo da China.

2. Marque a opção correta:

a) Com o fim da Guerra Fria, a ameaça das armas nucleares também extinguiu-se.

b) Afora as questões geoestratégicas, a produção de armas nucleares gera medo de danos ao meio ambiente e/ou de ser usada por grupos extre- mistas, a exemplo da Al-Qaeda.

c) O regime comunista norte-coreano vê no uso de armas nucleares uma forma de se preservar e, de certa forma, chantagear as potências mundiais para obter vantagens comerciais, que alivie a grave crise econômica e social que passa desde os anos 1990.

d) A Coreia do Norte tem plenas condições de lançar mísseis de longo alcance, a ponto de atingir China, Japão, Coreia do Sul e até a Europa. Temem-se que haja uma nova corrida armamentista na Ásia, com conse- quências imprevisíveis.

3. Marque a opção incorreta:

a) Em 2009, a Organização dos Estados Americanos (OEA) chegou a um

consenso e revogou a resolução que expulsara Cuba da entidade, de

1962.

b) As relações entre Cuba e os Estados Unidos entraram em atrito a partir da

Revolução Cubana de 1959, quando Fidel Castro, Ernesto Che Guevara

e outros derrubaram a ditadura de Fulgêncio Batista.

c) Cuba abriu-se politicamente economicamente nos últimos anos, cedendo

a pressão dos Estados Unidos.

d) Com a saúde abalada, Fidel afastou-se do poder em 2006 e em fevereiro de 2008, após 49 anos no cargo, entregou a presidência ao irmão, Raúl

Castro.

4. Assinale o correto:

a) Tem-se que uma Pandemia acontece quando há uma contaminação global por uma doença. Assim, os casos de gripe suína não caracterizam uma pandemia.

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quando há uma contaminação global por uma doença. Assim, os casos de gripe suína não caracterizam

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b) Ao longo do século XX, aconteceram pandemias. A primeira deu-se em 1918, ficando conhecida como gripe espanhola ou gripe pneumónica – foi tida como uma das mais mortíferas doenças de todos os tempos. Estima- se tenha matado entre 20 e 100 milhões de pessoas por todo o mundo.

c) Apesar de impactos econômicos imediatos, não acredita-se que a gripe suína tenha maiores repercussões no mercado mundial, afinal as autori- dades estão tomando todas as providências para combatê-la.

d) No Brasil, a gripe suína ainda não provocou nenhuma vítima.

5. Sobre as crises do capitalismo é falso:

a)

A

presente crise financeira internacional, que já levou poderosas empre-

sas à falência, começou com uma crise imobiliária nos EUA e em pouco espalhou-se pelo mundo.

b)

Para evitar um caos ainda maior, os governos de vários países se recusaram

a

intervir na economia, numa postura, por sinal, totalmente contrária aos

princípios do chamado neoliberalismo.

c)

Se de início o Brasil não foi atingido pela crise, a médio prazo, porém, foi inevitável o “contágio”, em virtude da interligação da economia capitalista

globalizada.

d)

Para muitos analistas, a crise de 1929 marcou o fim do capitalismo libe- ral, em que prevalecia o livre mercado, sem a intervenção do Estado na economia. O controle estatal sobre a economia passou a predominar no mundo daí em diante, até, pelo menos os anos 80, com a difusão do neoliberalismo.

6. Marque o item incorreto:

a) A queda do Muro de Berlim se deu na conjuntura da crise do socialismo real, marcada pela estagnação da economia, crescente burocratização e autoritarismo.

b) Com o anúncio da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, mul- tidões invadiram as ruas de Teerã, a capital do Irã, em 2009, promovendo os maiores protestos contra o governo, em cenas que não se via desde 1979, quando da Revolução Iraniana.

c) Ao contrário do Ocidente, onde prevalecem regimes laicos, o Irã é uma república teocrática, estando o poder político e religioso nas mãos do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

d) Os protestos de 2009 evidenciam uma divisão da sociedade iraniana, em que uma parcela minoritária da população sai às ruas para defender a teocracia e os rígidos valores morais e comportamentais aplicados pelos clérigos islâmicos, recusando qualquer aproximação com as práticas secularizantes ocidentais.

aplicados pelos clérigos islâmicos, recusando qualquer aproximação com as práticas secularizantes ocidentais. 35

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7. Sobre a Índia é correto:

a) Há cerca de 1500 a.C., os arianos ou ários, povo indo-europeu de pele clara, invadiram a Índia, mas foram derrotados pelos drávidas, havendo por outro lado uma enorme fusão cultural, da qual nasceu a civilização indiana propriamente dita.

b) No século IV a.C., a Índia é unificada, com a formação do Império Máuria, do rei Asoka que se converteu ao budismo. No século X, os indianos caí- ram sob o domínio dos árabes muçulmanos. O islamismo obteve grande penetração entre as elites indianas, o que suscitou vários confrontos com as camadas populares, apegadas às tradições hindus.

c) Após a II Guerra Mundial, houve violenta luta dos indianos contra a de- cadente Inglaterra, o que culminou na independência do País, em 1947. Não se manteve, porém, a unidade política da região. Surgiram a Índia propriamente (com uma população majoritariamente hindu), Paquistão (população de maioria islâmica), que por sua vez foi dividido em Paquis- tão Ocidental e Paquistão Oriental, e o Siri Lanka, na ilha do Ceilão, de maioria budista.

d) A partir do início dos anos 1990, a Índia passou a apresentar algumas características marcantes que despertaram crescente atenção dos ana- listas internacionais, como taxas elevadas e sustentáveis de crescimento econômico, da renda per capita e das exportações de bens e serviços.

8. Assinale a opção falsa:

a) O governo militar de João Figueiredo fez aprovar em agosto de 1979 uma Lei de Anistia que não era nem “ampla ou irrestrita” como desejavam boa parte das oposições. Os envolvidos na luta armada e em “ações terroristas” não foram beneficiados – tiveram apenas as penas reduzidas. Os torturadores acabaram perdoados e a questão dos “desaparecidos políticos” ficou sem solução.

b) Em 2003, tropas dos Estados Unidos invadiram o Iraque para depor Sa- ddam Hussein. Tal invasão ocorrera sem consentimento da ONU e contra boa parte da opinião pública internacional. Bush alegava que o governo de controle de Hussein apresentava armas de destruição em massa e apoiava o território, o que se revelou verdadeiro.

c) Evo Morales foi o primeiro presidente indígena da Bolívia e iniciou seu governo com medidas polêmicas, a exemplo da desapropriação de em- presas estrangeiras que exploravam o gás natural.

d) Hugo Chávez chegou ao poder da Venezuela pelo voto em 1998, com amplo apoio popular. Passou a sofrer forte oposição interna e críticas dos Estados Unidos.

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pelo voto em 1998, com amplo apoio popular. Passou a sofrer forte oposição interna e críticas

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9. Em 2009, comemoram-se os 150 anos da publicação da obra A origem das espécies, de Charles Darwin.

Pode-se afirmar que a história da biologia evolutiva iniciou-se com Darwin, porque ele:

a) foi o primeiro cientista a propor um sistema de classificação para os seres vivos, que serviu de base para sua teoria evolutiva da sobrevivência dos mais aptos.

b) provou, experimentalmente, que o ser humano descende dos macacos, num processo de seleção que privilegia os mais bem adaptados.

c) propôs um mecanismo para explicar a evolução das espécies, em que a variabilidade entre os indivíduos, relacionada à adaptação ao ambiente, influi nas chances de eles deixarem descendentes.

d) demonstrou que mudanças no DNA, ou seja, mutações, são fonte da variabilidade genética para a evolução das espécies por meio da seleção natural.

e) foi o primeiro cientista a propor que as espécies não se extinguem, mas se transformam ao longo do tempo.

10. Os meses de setembro e outubro de 2008 certamente permanecerão na lembrança de milhões de pessoas em todo o mundo: falências de instituições financeiras consideradas sólidas, interferências diretas de governos injetando bilhões de dólares em bancos nos Estados Unidos e muitos milhões de euros em bancos europeus, bolsas de valores em queda vertiginosa, empresas iniciando corte de pessoal. Jornais e revistas lançaram mão de inúmeras manchetes para chamar a atenção dos leitores. Assinale a alternativa que indica uma manchete que pode sintetizar os fatos ocorridos.

a)

Mundo dividido −países ricos sofrem mais com a globalização.

b)

Crise global coloca neoliberalismo em xeque.

c)

Após 100 anos de crescimento capitalismo sofre a primeira crise.

d)

A

crise financeira só afetará os países ricos.

e)

Países mais ricos pedem ajuda ao FMI.

11. Segundo dados do IBGE (2006), o estado de São Paulo tem-se caracterizado por um número maior de pessoas que dele saem. Segundo estudiosos, tal fenômeno é relativamente novo e diz respeito, principalmente, à:

a) “migração de retorno” de estrangeiros radicados no Estado os quais, por motivos de ordem econômica, estão voltando a seus países de origem, cujas economias demonstram, na atualidade, maior dinamismo.

b) emigração de paulistas para os Estados Unidos, atraídos por melhores condições de trabalho e de vida, bem como pela possibilidade de remeter valores às suas famílias que aqui permanecem.

c) “migração de retorno” de brasileiros, sobretudo nordestinos, que, ao bus- carem melhores condições de vida, e por não as encontrarem, retornam

a seus estados de origem.

que, ao bus- carem melhores condições de vida, e por não as encontrarem, retornam a seus

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d) migração de paulistas para outros estados do país, em busca de novas frentes de emprego e qualidade de vida, dada a estagnação do setor terciário paulista.

e) emigração de um grande número de paulistas descendentes de japone- ses, para o Japão (decasséguis), devido às excelentes condições de vida a eles oferecidas naquele país.

12.

I. Durante a partilha da África, nos tratados da Conferência de Berlim, no final do século XIX, essa região coube à Itália;

II. É uma região de tradicional rivalidade religiosa entre cristãos e muçulma- nos;

III. Aproximadamente 45% da população dessa região vivem na miséria e enfrentam secas e inundações recorrentes;

IV. É uma região estratégica, uma vez que é rota internacional de petróleo.

A sub-região do continente africano, a que se referem I, II, III e IV, está cor- retamente assinalada em:

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do continente africano, a que se referem I, II, III e IV, está cor- retamente assinalada

a)

b)

c)

d) e)
d)
e)

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13. A União Europeia viveu um grande dilema político quando realizou plebis- citos em seus países-membros, para decidir uma proposta de Constituição para este bloco. Após a divulgação dos resultados dos plebiscitos, a União Europeia:

a) superou a crise política após vitoriosa campanha do “Sim”, feita pelos franceses para o projeto de integração regional.

b) tornou-se a primeira federação política do mundo, com vários estados governados por um único poder centralizado.

c) promulgou a Constituição e obrigou os países europeus a adotarem o Euro como moeda padrão, em substituição às moedas nacionais.

d) impôs nova Constituição aos países-membros, depois da fracassada negociação para a definição de sua estrutura política.

e) não conseguiu unanimidade na aprovação da Constituição e vê divergên- cias internas ameaçarem seu avanço.

14.

CENSURA POLÍTICA NA INTERNET

LÍBIA CHINA VENEZUELA VIETNÃ IRÃ PAQUISTÃO ETIÓPIA NOS PAÍSES MONITORADOS Incisiva ou substancial Suspeita
LÍBIA
CHINA
VENEZUELA
VIETNÃ
IRÃ
PAQUISTÃO
ETIÓPIA
NOS PAÍSES MONITORADOS
Incisiva ou substancial
Suspeita de censura
Sem evidências
5690 km
NOS PAÍSES NÃO MONITORADOS
Sem dados

Adaptado de Folha de São Paulo, 30/05/07.

A censura política na internet está, em geral, associada à atitude de países que pretendem:

I. proteger suas culturas e valores nacionais, inibindo o contato com culturas de outras nações.

II. controlar o acesso a informações sobre a situação política interna e a questão dos direitos humanos.

III. isolar suas economias dos efeitos perversos de um mercado globalizado.

Está correto o que se afirma em:

a) I, apenas.

d) III, apenas.

b) II, apenas.

e) I, II e III.

c) I e II, apenas.

correto o que se afirma em: a) I, apenas. d) III, apenas. b) II, apenas. e)

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15. )

“(

Para os mais velhos, Mao é um constrangimento. É raro encontrar quem

o

defenda. Ao fim da viagem, quando eu já me conformava com o ritmo

lento e as respostas esquivas dos chineses, testemunhei a única reação direta, quase intempestiva, de um professor de Economia da Universidade de Tsing- Hua, Denggao Long. Ao indagar se as mudanças na China mostravam uma verdadeira revolução de Deng, Long deu um pulo na cadeira e até arriscou

o inglês: ‘Revolução? Não! Reforma.’ Eu sorri, e ele continuou: ‘Revolução,

nunca mais na China. A Revolução Cultural foi uma tragédia, um erro (

)”

Revista Época, 06/2008

Que aspecto da Revolução Cultura Chinesa, ocorrida entre as décadas de 1960/1970, justificaria a afirmação destacada no trecho acima? Assinale a alternativa que responde, corretamente, à questão.

a) Revolução Cultural agiu em favor da burocratização do Estado Chinês

A

e

da planificação excessivamente centralizada da economia.

b) No plano econômico, a Revolução Cultural atrasou o avanço tecnológico do país, entre outros aspectos, devido às inúmeras perseguições a inte- lectuais, cientistas e educadores.

c) Por meio da mudança de mentalidade, o governo maoísta pretendia consolidar os ideais revolucionários burgueses, em detrimento da massa camponesa.

d) A Revolução Cultural combateu, duramente, o isolamento tradicional da cultura chinesa, valorizando o cosmopolitismo e a inovação criadora trazida pelo Comunismo.

e) Defendendo uma revolução proletária urbana, nos moldes da Revolução Russa, Mao Tse-Tung precisou usar de extrema violência para conter a participação da massa camponesa, o que resultou em massacre.

16. Com base nesses gráficos sobre 15 cidades, pode-se concluir que, no ano de 1995,

sobre 15 cidades, pode-se concluir que, no ano de 1995, a) as três cidades com o

a) as três cidades com o menor número de habitantes, por hectare, são aquelas que mais consomem gasolina no transporte particular de pas- sageiros.

b) nas três cidades da América do Sul, vale a regra: maior população, por hectare, acarreta maior consumo de gasolina no transporte particular de passageiros.

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a regra: maior população, por hectare, acarreta maior consumo de gasolina no transporte particular de passageiros.

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c) as cidades mais populosas, por hectare, são aquelas que mais consomem gasolina no transporte particular de passageiros.

d) nas três cidades da América do Norte, vale a regra: maior população, por hectare, acarreta maior consumo de gasolina no transporte particular de passageiros.

e) as três cidades da Ásia mais populosas, por hectare, estão entre as quatro com menor consumo de gasolina no transporte particular de passagei- ros.

17. A respeito das recentes descobertas de jazidas petrolíferas no Brasil, con- sidere as afirmações:

I. O pré-sal é uma camada de rochas-reservatório que se encontra abaixo de uma extensa camada de sal, desde o litoral do Estado do Espírito Santo até o litoral de Santa Catarina;

II. Tupi, Júpiter, Carioca, Pão-de-Açúcar, Iara, Guará, Bem-Te-Vi, Parati e Marfim Sul são reservatórios em área do Pré-Sal, já licitados para explo- ração;

III. A produção de petróleo nessas áreas, apesar de importante, não revela uma possível autossuficiência brasileira no setor, devido à forte depen- dência do consumo desse combustível no país.

Então,

a) apenas I e III estão corretas.

b) apenas I e II estão corretas.

c) apenas II e III estão corretas.

d) I, II e III estão corretas.

e) apenas III está correta.

18. A propósito da manchete: “Zona do euro já vive sua primeira recessão”

(In: Folha de S. PAULO,15/11/2008, p.B1),

É correto dizer que:

a) a zona do euro (ou área do euro) é constituída por todos os países da União Europeia e pelas ex-colônias dos países membros dessa União.

b) a manchete se refere ao crescimento econômico que atinge toda a União Europeia, mais alguns países que integram a zona do euro.

c) a manchete se refere aos efeitos da crise econômica e financeira atual na parte da União Europeia, que usa o euro como moeda única.

d) se trata de chamar atenção para um efeito da crise econômica que atinge todos os países que comercializam com a União Europeia em euros.

e) destaca a chegada da crise econômica em toda a zona do planeta que rompeu comercialmente com os EUA (e com o dólar) e que negocia em euro.

crise econômica em toda a zona do planeta que rompeu comercialmente com os EUA (e com

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19.Nos cadernos internacionais dos principais jornais, já se tornou rotina a lei- tura de notícias sobre a travessia, em barcos toscos e frágeis, de africanos que tentam vencer o Mediterrâneo e chegar às terras europeias. Os que sobrevivem, em geral, são presos e obrigados a fazer o caminho de volta. A Europa não quer mais imigrantes. Refletindo sobre o conteúdo do texto, é correto afirmar que:

a) o ciclo migratório africano e mundial está em fase de esgotamento, pois a automação crescente das atividades econômicas não prevê mão-de-obra pouco qualificada.

b) os acordos econômicos e diplomáticos entre os países de emigração e os de imigração têm sido postos em prática para coibir a movimentação, sobretudo de homens jovens.

c) as propostas civilizatórias europeias destinadas aos imigrantes, em vigor durante todo o século XX, estão sendo abolidas frente às crises econô- micas.

d) os países europeus, em processo de transição demográfica e em plena fase de 3 a Revolução Industrial, já não admitem a entrada de imigrantes.

e) a globalização neoliberal promove a livre circulação de capitais e merca- dorias, mas fecha as fronteiras para a força de trabalho.

20. Observe o gráfico para responder à questão.

Os 10 países mais populosos do mundo – Previsão do número de

habitantes para 2050

2000 1600 1200 800 400 0 China Índia EUA Milhões de habitantes Indonésia Brasil Paquistão
2000
1600
1200
800
400
0
China
Índia
EUA
Milhões de habitantes
Indonésia
Brasil
Paquistão
Bangladesh
Rússia
Nigéria
Japão

U.S. Census Bureau International

Mantidas as atuais condições demográficas dos dez países, pode-se afirmar que a previsão apresentada no gráfico indica que, países:

a) como a Rússia e o Japão passarão de receptores de imigrantes à posição de países de emigração, o que provocará diminuição da população.

b) que atualmente estão em fase inicial da transição demográfica terão crescimento populacional expressivo, como a Nigéria e o Paquistão.

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em fase inicial da transição demográfica terão crescimento populacional expressivo, como a Nigéria e o Paquistão.

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c) emergentes como a China, Índia e Brasil terão pequeno aumento demo- gráfico em virtude do forte crescimento econômico.

d) desenvolvidos apresentarão crescimento demográfico superior ao dos países asiáticos, como é o caso dos Estados Unidos.

e) predominantemente urbanizados, como os Estados Unidos, Japão e Brasil deverão deixar a lista de países mais populosos do mundo.

21. Reflita sobre a ilustração.

mais populosos do mundo. 21. Reflita sobre a ilustração. (www.google.com.br) A ONU realizou, em 1997, uma

(www.google.com.br)

A ONU realizou, em 1997, uma Convenção sobre mudanças climáticas que

se tornou conhecida por Protocolo de Kyoto. Considerando as decisões dessa Convenção, depreende-se que o autor da ilustração:

a)

demonstra o empenho dos Estados Unidos no combate às causas do chamado aquecimento global.

b)

defende as ações que os Estados Unidos tomaram para eliminar as causas do efeito estufa do planeta.

c)

critica os Estados Unidos por desrespeitarem determinações de organi- zações que defendem o meio ambiente.

d)

denuncia os Estados Unidos pelo fato de ele ter proibido a realização de congressos em defesa do meio ambiente.

e)

concorda com a política ambiental dos Estados Unidos de redução de gases que provocam o efeito estufa.

22. partir da década de 1990, a resistência à hegemonia dos EUA na América

A

Latina se fortaleceu com o surgimento de lideranças nacionais que constituem

a chamada “nova esquerda latino-americana”. O ano de 2008 colocou um

ponto de interrogação nesse processo, o que pode ocasionar mudanças capazes de enfraquecer essa composição política.

Essa nova conjuntura está relacionada a possíveis alterações em:

a) sistema econômico cubano com a renúncia de Fidel Castro.

b) política externa boliviana com a vitória eleitoral de Evo Morales.

cubano com a renúncia de Fidel Castro. b) política externa boliviana com a vitória eleitoral de

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c) regime tarifário brasileiro com a retomada do diálogo entre os países do Mercosul.

d) estrutura agrícola paraguaia com a ação das forças de direita do governo recém-eleito.

23. inegável a importância do processo de expansão da União Europeia que, atualmente, conta com 27 países membros. No entanto, essa expansão trouxe como uma de suas consequências:

a) a criação do espaço Schengen para controlar a circulação de pessoas vindas dos novos membros do bloco.

b) a diminuição das taxas de desemprego pela possibilidade de criação de unidades produtivas nos novos países.

c) o aumento da renda per capita média e da qualidade de vida da popu- lação do bloco.

É

d) a expansão do mercado consumidor e do potencial produtivo do bloco.

e) a redução dos subsídios agrícolas dos membros antigos que agora suprem seus mercados de alimentos com a produção dos países ingressantes.

24. Leia o texto abaixo para responder à questão.

“Há países com mais de 60% da população constituída por índios, como Bolívia e Guatemala. E há um país como México, que está ao redor de 12%. Dependendo das condições, não há sentido pleitear essa autonomia [de estados indígenas na América], especialmente se ela ficar submetida a governos que não estão interessados em repassar recursos para o desen- volvimento dessas populações. Há setores do zapatismo e do movimento indígena boliviano que de fato pleiteiam a autonomia, mas ao mesmo tempo estão buscando integrar-se. É importante diferenciar movimentos que bus- cam maior inserção dos indígenas no mundo globalizado, de movimentos extremados, fundamentalistas, que querem a autonomia a qualquer preço, mesmo que ela venha isolar ainda mais os indígenas.”

Nestor García Canclini, em entrevista a O Estado de São Paulo, 2 de julho de 2007, in http://txt.estado.com.br/

suplementos/ali/2006/07/02/ali-1.93.19.20060702.4.1.xml

O texto menciona o “zapatismo” e o “movimento indígena boliviano”, ambos

atuantes nos dias de hoje. Sobre eles, podemos dizer que o:

a) zapatismo se manifesta principalmente na região de Chiapas, ao sul do México, defende direitos de diversas etnias de origem pré-colombiana e se diz herdeiro das reivindicações indígenas da Revolução Mexicana de 1910.

b) movimento indígena boliviano chegou ao poder com a vitória eleitoral de Evo Morales, defende a produção de cocaína e se diz herdeiro das lutas emancipacionistas de Tupac Amaru, no século XVIII.

c) zapatismo e o movimento indígena boliviano representam novas ten- dências políticas na América Latina e são apoiados e financiados pelos governos estrangeiros da Venezuela, do Brasil e dos Estados Unidos.

44

América Latina e são apoiados e financiados pelos governos estrangeiros da Venezuela, do Brasil e dos

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d) movimento indígena boliviano tem evidente conotação esquerdista e luta pela formação de um Estado unitário na América Latina, nos moldes do projeto bolivariano do início do século XIX.

e) zapatismo nasceu no início do século XX e ressurgiu no princípio do século XXI, com o objetivo de apoiar o ingresso do México no NAFTA, mercado comum que envolve ainda o Canadá e os Estados Unidos.

25.

Desempenho Industrial Estadual — Taxas anuais reais de crescimento

15%

2004 2005 2006
2004
2005
2006

10

5

0

5

CE

PE

BA

MG

ES

RJ

SP

PR

SC

RS

Com o auxílio do gráfico e considerando seus conhecimentos, é possível afirmar que, no período representado,

a)

região sul mostra sensível decréscimo das taxas de produção industrial, fato que provoca êxodo da população em busca de emprego nas ativi- dades agrárias.

a

b)

a

região sul apresenta taxas altas e baixas de crescimento, devido ao

esgotamento do modelo baseado em indústrias alimentícias.

c)

os estados selecionados do Nordeste revelam tendência à estagnação da produção industrial e à retração das atividades agrárias.

d)

os dados apontam para o fenômeno da desconcentração industrial no Su- deste, em razão da liderança assumida pelo agronegócio nessa região.

e)

região sudeste ainda apresenta concentração industrial expressiva, ape- sar da diminuição das taxas de crescimento de parte de seus estados.

a

26. Observe a manchete:

“Gigantes da Ásia redesenham a globalização”

Jornal Mundo: geografia e política internacional. Ano 15, n. 3, maio/2007, p. 01.

Um texto coerente com esta manchete é:

a)

A Índia e a Indonésia, dois dos países mais populosos do mundo, têm

provocado mudanças na economia global devido ao seu elevado cresci-

mento econômico, aumentando significativamente o poder de compra

e a qualidade de vida de sua população.

cresci- mento econômico, aumentando significativamente o poder de compra e a qualidade de vida de sua

45

diCas dE vEstibulaR | Atualidades

b)

A

China e o Japão, que tradicionalmente disputavam o mercado asiático,

vêm assinando tratados de livre-comércio e de cooperação econômica

formando um bloco de oposição aos Estados Unidos e à União Euro- peia.

e

c)

A

China, com uma taxa de crescimento que gira em torno de 9% ao ano

nas duas últimas décadas, e a Índia, que voltou a crescer após longo período de estagnação econômica, representam um terço da população mundial e estão atraindo a atenção do comércio internacional.

d)

A

CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e a APEC (Cooperação

Econômica da Ásia e do Pacífico), criadas no final da década de 1990, al- cançaram recentemente um avançado estágio de integração econômica, alterando os principais fluxos de mercadorias no mercado mundial.

e)

A

Divisão Internacional do Trabalho vem sendo alterada, na última década,

em decorrência do avanço tecnológico no setor nuclear promovido por países asiáticos como Irã e Paquistão, tradicionais opositores às políticas econômicas praticadas pelas grandes potências ocidentais.

27.

O governo dos EUA resolveu reativar, desde o dia 1. o de julho de 2008, a IV Frota voltada para operações navais na América Latina, marcando uma nova etapa nas suas relações com esta região. Na primeira metade do século XIX,

essa relação foi caracterizada por ideias que defendiam a liberdade comercial

e o princípio da não intervenção de nações estrangeiras, sintetizado pelo lema “América para os americanos”. Como foi denominada essa política?

a) Doutrina do Big Stick

b) Aliança para o Progresso

c) Pan-americanismo

d) New Deal

e) Doutrina Monroe

28. “A crise financeira que assola Wall Street, que dura quase 14 meses, atingiu seu auge na semana passada e trouxe a todas as mentes o fantasma da crise de 1929 e da Grande Depressão dos anos 30. A crise parecia suspensa na sexta-feira com a súbita euforia nos mercados diante do anúncio de inter- venção do governo americano.

) (

imenso laboratório onde estão sendo testadas as ideias para o capitalismo financeiro do século XXI. Em 1929, começou a maior crise financeira que o mundo já viu. Ela se alastrou por quase uma década e se confundiu, ao final, com o rearmamento em três continentes e com a Segunda Guerra Mundial. Fez surgir no Hemisfério Norte um capitalismo de face mais humana, mitigado

Ao longo da semana, a maior economia do mundo se converteu em um

pela necessidade política de incluir e proteger seus cidadãos. É possível que

a crise atual leve à construção de um novo modelo cujos contornos estão sendo definidos neste exato momento.”

Revista Época, 22/09/2008

46

de um novo modelo cujos contornos estão sendo definidos neste exato momento.” Revista Época , 22/09/2008

diCas dE vEstibulaR | Atualidades

A respeito da “crise de 1929” e do “Capitalismo Financeiro” praticado no

século XX, considere as afirmações:

I. A crise de 1929 teve como ponto nevrálgico o excesso de oferta (queda substancial dos preços) nos Estados Unidos, aliado a grandes especula- ções financeiras;

II. São características do Capitalismo Financeiro: economia monopolizada, acúmulo primitivo do capital decorrente da expansão ultramarina, prática da tradicional Divisão Internacional do Trabalho;

III. Os Estados Unidos, diante da crise, executou o “New Deal”, onde o go- verno passou a interferir na economia, elaborando e investindo de forma efetiva em diversos âmbitos da dinâmica social, buscando recuperar-se das perdas.

29.

Então,

a) apenas I e II estão corretas.

b)

c)

apenas II e III estão corretas.

apenas I e III estão corretas.

d)

e) I, II e III estão corretas.

apenas II está correta.

F 0 o G 900 km
F
0 o
G
900 km

Adaptado de IBGE, 2002.

O

com mais de 10 milhões de habitantes, as megacidades. Sobre megacidades

e os processos que as geraram, é correto afirmar que:

a) a maior do mundo, Tóquio, teve vertiginoso crescimento após a Segunda Guerra Mundial, em razão do expressivo desenvolvimento econômico do Japão nesse período.

b) as latino-americanas cresceram em razão das riquezas geradas por ativi- dades primárias e do dinamismo econômico decorrente de suas funções portuárias.

c) a maior parte delas localiza-se em países de elevado PIB per capita, ten- do sua origem ligada a índices expressivos de crescimento vegetativo e êxodo rural.

d) as localizadas em países de economia menos dinâmica cresceram lenta- mente devido à expansão do setor primário.

e) as localizadas no Oriente Médio são expressivas em número, em razão do desenvolvimento econômico gerado pelo petróleo.

mapa acima retrata a distribuição espacial, no planeta, de núcleos urbanos

econômico gerado pelo petróleo. mapa acima retrata a distribuição espacial, no planeta, de núcleos urbanos 47

47

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30.É comum encontrar, nas referências sobre a urbanização no século XX, menções ao fato de ela ter sido fortemente marcada pela metropolização. De fato, as metrópoles são fundamentais para se entender a vida urbana contemporânea. A respeito das metrópoles modernas brasileiras, pode-se afirmar que:

a) não são aglomerações tão grandes quanto às de outros países, porque elas são fragmentadas em vários municípios, como no caso de São Paulo.

b) são configurações cujas dinâmicas, em alguns casos, levaram seus limi- tes para além do núcleo municipal de origem, formando aglomerações multimunicipais.

c) elas são aglomerações modestas em razão da inviabilidade de se admi- nistrar em países pobres áreas urbanas de grande porte.

d) apenas uma delas pode ser considerada de fato metrópole, logo, não se pode afirmar que no Brasil houve uma urbanização metropolitana.

e) elas estão com o seu crescimento paralisado, sofrendo, em alguns casos, encolhimento, em função de novas políticas de planejamento.

31. Ao ritmo atual, o mundo só conseguirá atingir duas das oito Metas do Milênio:

cortar pela metade a pobreza medida pela renda (a proporção de pobres vivendo com menos de 1 dólar/dia) e diminuir em 50% o número daqueles que ainda não têm acesso à água potável. Mesmo essas Metas só devem ser alcançadas graças aos progressos de apenas dois países: China e Índia.

(PNUD − ONU − Relatório do Desenvolvimento Humano – 2003)

A leitura do texto e os conhecimentos sobre a realidade socioeconômica mundial permitem afirmar que,

a) com os conflitos armados dispersos em todas as regiões do mundo, o papel da ONU deixou de ser assistencial para tornar-se geopolítico.

b) os padrões de vida nos países pobres são cada vez mais dependentes das condições naturais, fortemente afetadas pelas mudanças climáticas.

c) as mudanças sociais são historicamente lentas e não podem ser conse- guidas em curto prazo, como foi estabelecido pela ONU.

d) o mundo poderá enfrentar, nesse século, uma forte crise de desenvolvi- mento caso não ocorram mudanças nas políticas de amparo aos países mais pobres.

e) os indicadores sociais como renda per capita e saúde tendem a per- manecer fixos em sociedades que apresentam crescimento vegetativo elevado.

48

como renda per capita e saúde tendem a per- manecer fixos em sociedades que apresentam crescimento

32.

População dos municípios em 2000 10 406 200 5 850 540 2 043 170 0
População dos municípios em 2000
10 406 200
5
850 540
2
043 170
0
500km
< 5000
©HT-2003 MGM-Libergéo
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IBGE, censo demográfico 2000

Tendo como referência os volumes populacionais e sua distribuição geográ- fica, pode ser dito que:

a) houve enorme concentração populacional em alguns municípios da faixa atlântica, o que indica a existência de grandes cidades.

b) há grande representatividade dos municípios médios de um modo geral e, em especial, no norte do território.

c) há grande concentração populacional no Sudeste, embora não haja nenhum município que se destaque particularmente.

d) há concentração em certas partes do território, porém os contingentes dos municípios mais populosos não chegam a ser expressivos.

e) à exceção do sudeste brasileiro, não há nas outras regiões municípios que alcancem os dois milhões de habitantes.

33.A rede McDonald’s foi fundada na década de 1940 por Dick e Maurice McDonald, mas comprada e vastamente expandida por Ray Kroc a partir dos anos 1950. Kroc, um imigrante tcheco, foi aparentemente o primeiro empresário que aplicou os princípios da produção em massa a um setor de serviços. Em consequência de suas inovações, hoje cerca de 50 milhões de pessoas por dia comem em um McDonald’s em mais de 120 países.

A rede McDonald’s tornou-se um dos símbolos de algumas das principais mudanças, ocorridas em diversos países, nos últimos cinquenta anos. Sua história se confunde com a das relações econômicas internacionais.

Uma mudança que pode ser representada pela expansão dessa rede e sua respectiva causa histórica são:

a) mundialização da cultura – extinção da dualidade local/global.

b) padronização do consumo – expansão de empresas transnacionais.

– extinção da dualidade local/global. b) padronização do consumo – expansão de empresas transnacionais. 49

49

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c) americanização dos costumes – internacionalização tecnológica do setor industrial.

d) uniformização dos hábitos alimentares – integração mundial dos mercados nacionais.

34. Sobre o Muro de Berlim é correto afirmar:

I. Trata-se de uma construção exemplar da Guerra Fria construído a partir das verbas do Plano Marshall.

II. Trata-se de uma construção exemplar da Guerra Fria levantado em 1961 pela Alemanha Oriental como forma de impedir a saída de alemães orientais para o Ocidente.

III. O Muro, construído em 1948, é resultado do Acordo de Potsdam (julho/1945) que definiu para a Alemanha e Berlim as zonas de influência dos países vencedores da II Guerra.

IV. O muro da vergonha, como ficou conhecido, ergueu-se dividindo o ter- ritório alemão em dois: Oriental (comunista) e Ocidental (capitalista).

V. Tornou-se um símbolo do mundo bipolar.

a) I, II e IV são corretas.

b) Apenas II e V são corretas.

c) II, IV e V são corretas.

d) I, III e IV são corretas. e) II, III e V são corretas.

35.Qual das seguintes afirmações explica, sinteticamente, o fim da União So- viética?

 

a)

O regime entrou em colapso porque os dirigentes estavam desmoraliza- dos, desde as denúncias de Kruschev no XX Congresso do Partido.

b)

O regime deixou de ser sustentado pelo Exército, adversário tradicional do Partido Comunista.

c)

A vitória militar dos Estados Unidos na Guerra Fria tornou inviável a ma- nutenção do regime.

d)

O colapso do regime deveu-se à crise generalizada da economia estatal, combinada com o fracasso da abertura controlada de Gorbatchov.

e)

Os líderes soviéticos abandonaram a crença no socialismo e decidiram transformar a União Soviética em um país capitalista.

36.

O

principal símbolo de intolerância política da Alemanha Oriental era o Muro

de Berlim, erguido em 1961 para impedir a passagem de alemães orientais

para a parte ocidental. Este muro só foi derrubado em novembro de 1989.

A consequência desse fato foi:

a) a modernização da indústria arcaica da Alemanha Ocidental.

b) a democratização do socialismo.

c) a assinatura de um acordo de livre trânsito entre os dois povos.

d) a reunificação da Alemanha.

e) a transferência da capital da Alemanha Oriental para Bonn.

50

entre os dois povos. d) a reunificação da Alemanha. e) a transferência da capital da Alemanha

37.

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A

táculos às políticas de desenvolvimento nesse continente, desde o final do século XIX. Mesmo com alguns ensaios de democracia, repetiram-se, em 2008, eventos que indicam como a África está longe da paz e da estabilidade.

continuidade dos conflitos sociais na África revela a persistência de obs-

A associação adequada entre país e causa direta de um conflito atual está

expressa na seguinte alternativa:

a) Cabo Verde – guerras civis

b) Quênia – disputas eleitorais

c) Angola – antagonismos religiosos

d) Burkina Faso – crises econômicas

38.Em relação ao processo de urbanização brasileiro, no período de 1940 a 2000, analise a tabela abaixo.

Evolução da população urbana (%)

Ano

População

Urbana

1940

31,1

1950

36,2

1960

45,1

1970

55,92

1980

67,57

1991

75,2

2000

81,23

MENDES, I. L. e TAMDJIAN, J. O. Geografia Geral e do Brasil: Estudos para a compreensão do espaço. São Paulo: FTD, 2005.

A partir das informações constantes da tabela, marque V para as afirmativas

verdadeiras e F para as falsas.

(

) O censo de 1940 registrou que aproximadamente 70% dos brasilei- ros viviam nas áreas rurais, evidenciando que a economia brasileira assentava-se no campo.

(

)

A elevação da concentração populacional urbana, evidenciada pelo censo de 1950, foi resultado, em grande medida, do Plano de Metas, fundado pela ação conjunta entre Estado, capital privado nacional e estrangeiro.

em grande medida, do Plano de Metas, fundado pela ação conjunta entre Estado, capital privado nacional

51

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(

)

O censo de 1970 revelou que o país havia se tornado majoritariamente urbano, devendo-se esse fato ao chamado Milagre Econômico e às consequentes mudanças no capitalismo internacional.

(

)

Nas duas últimas décadas do século XX, houve expressiva concentração populacional urbana em decorrência da modernização no campo e da industrialização.

Assinale a sequência correta.

a) V, V, F, F

d)

V, F, V, V

b) F, F, V, F

e)

F, V, V, F

c) V, F, F, V

39. A qualidade de vida de uma população é avaliada a partir de alguns índices, entre os quais se destaca o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que vem sendo calculado para o Programa das Nações Unidas para o Desen- volvimento (PNUD), desde 1990. Tal índice representa três características desejáveis e esperadas do processo de desenvolvimento humano, quais sejam:

a)

– a taxa de crescimento de uma população expressa nos índices de na- talidade;

– a longevidade de uma população, dada pelo índice de mortalidade;

– o grau de conhecimento de uma população, traduzido pela variável educacional da taxa de alfabetização e do índice de evasão escolar.

b)

– o PIB de uma população, ajustado para refletir a capacidade de sua

produção;

– a renda per capita de uma população, dada para demonstrar o poder de compra entre os países;

– o grau de conhecimento de uma população, expresso na variável edu- cacional da taxa combinada de matrícula nos três níveis de ensino. c) – a população absoluta de um país expressa nos índices de natalidade e

mortalidade;

– a capacidade de produção de um país, indicada pelas taxas de impor- tação e exportação;

– a variável educacional de um país, dada pelo índice de analfabetismo.

d)

– a taxa de natalidade e mortalidade infantil de uma população, que indica a esperança de vida;

– o PIB de uma população, dado para refletir a produção per capita do país;

– a taxa combinada de matrícula nos três níveis de ensino, mais a taxa de analfabetismo de uma população.

e)

– a longevidade de uma população expressa pela esperança de vida;

– o grau de conhecimento de uma população, dado por duas variáveis educacionais: a taxa de alfabetização de adultos e a taxa combinada de matrícula nos três níveis de ensino;

– a renda ou PIB per capita de uma população, ajustada para refletir a paridade do poder de compra entre os países.

52

a renda ou PIB per capita de uma população, ajustada para refletir a paridade do poder

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40. O petróleo lidera e continuará liderando o ranking das fontes energéticas nas próximas décadas, seguido do carvão e do gás natural. Outras fontes

de energia já são também apontadas como alternativas para o século XXI. Assinale a alternativa que ressalta a contribuição do Brasil nesse panorama

global.

a)

O Brasil desponta com tecnologias para a produção de energia nuclear como uma alternativa mais econômica do que as demais.

b)

O

Brasil tem, nos últimos anos, exportado conhecimentos e tecnologias

no setor de energia eólica, liderando o ranking nesse setor.

c)

No Brasil, são as pequenas indústrias as responsáveis pela produção e pelos acordos internacionais relativos ao biocombustível.

d)

Estudos sobre a energia solar utilizada na região sul brasileira têm cha- mado a atenção de países como Inglaterra e Itália, os quais têm investido maciçamente no setor.

e)

O

Brasil apresenta grandes vantagens (físicas e territoriais) para a produ-

ção de biocombustível, as quais potencializam a produção de energia renovável.

41. Sobre o processo de abertura política, iniciado no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), ANALISE as afirmativas abaixo.

I.

O

processo de abertura política foi marcado por avanços e recuos, sendo

o

chamado Pacote de Abril um conjunto de medidas que representou

um “passo atrás” na liberalização do regime.

II.

A

liberalização do regime militar ocorreu na prática de forma tranquila, sem

que o governo enfrentasse a oposição de grupos que fossem contrários ao projeto de abertura política “lenta, gradual e segura”.

III.

O

Congresso aprovou o fim do AI-5, o fim da censura prévia e o restabe-

lecimento do habeas corpus para crimes políticos consolidando-se, deste modo, a liberalização do regime.

IV.

Ao longo do governo Geisel, os grupos de oposição voltaram a se mo- bilizar, destacando-se o movimento estudantil e o movimento operário, com a greve de São Bernardo.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.

b) Somente as afirmativas I e III estão corretas.

c) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.

d) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.

e) Todas as afirmativas estão corretas.

e III estão corretas. d) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas. e) Todas

53

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42. Em relação à charge apresentada, marque a única resposta incorreta com relação à temática do BIODIESEL.

incorreta com relação à temática do BIODIESEL. www.biodieselbr.com a) A produção das

www.biodieselbr.com

a)

A

produção das matérias-primas (etanol e óleo de soja) importantes

para a geração de biodiesel é uma tradição na economia brasileira. Tal fato expõe, internacionalmente, o país e o coloca como carro-chefe na discussão geopolítica em torno dos caminhos a serem tomados pelos investidores mundiais, a partir da possível substituição dos combustíveis fósseis pelos que geram “energias limpas”.

b)

Devido à extensão territorial do Brasil e à existência de áreas de fronteiras agrícolas, ainda há possibilidades de incorporação de novos espaços produtivos, em larga escala, para o cultivo de matérias-primas voltadas para a geração de biodiesel, o que gera forte interesse internacional.

c)

A geopolítica energética do mundo mudou, no século XXI, com a ado- ção, pelas potências centrais e emergentes, do discurso ambiental nos seus projetos de gestão. Segundo elas, o cultivo agrícola voltado para a geração de biodiesel é uma necessidade para as agendas de proteção ambiental no mundo, que precisa de “combustíveis limpos”, o que torna

o

Brasil um importante país para a produção e exportação de biodiesel.

d)

O

Brasil, com muita tradição na produção e uso de biodiesel em escala

industrial, faz com que “os olhos do mundo” se voltem para si devido

à

possibilidade de substituição, com intuito de modernização rural, dos

cultivos voltados para a alimentação básica por outros destinados à ge- ração de biocombustíveis.

e)

A

importância geopolítica do Brasil foi revigorada, desde o início deste

século, devido à redescoberta do potencial do país em fornecer, na atualidade, aos mercados internacionais, matérias-primas geradoras do

biodiesel (óleos e gorduras), que são mais baratas do que o preço do barril de petróleo e seus derivados.

54

do biodiesel (óleos e gorduras), que são mais baratas do que o preço do barril de

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43.

A

recente decisão do ministro da Justiça Tarso Genro de conceder refúgio

político ao escritor e ex-terrorista italiano Cesare Battisti foi o pivô de uma grave crise diplomática entre Brasil e Itália. Battisti, condenado na Itália por envolvimento em quatro homicídios — ocorridos entre 1978 e 1979 —, foi preso pela Polícia Federal no Brasil, em 2007, mas obteve, no início de 2009, o status de refugiado por decisão do mesmo ministro da Justiça Tarso Genro.

A

decisão do ministro gerou uma série de críticas na Itália e levou o gover-

no italiano a recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra essa decisão e a

solicitar a extradição de Battisti. Em que se baseou o ministro Tarso Genro para, em 13 de janeiro de 2009, ter reconhecido a condição de refugiado do ex-terrorista e atender ao pedido dos advogados de defesa?

a) No fato de Battisti já estar morando no Brasil havia mais de cinco anos, quando foi preso, o que, pelo Código de Processo Penal Brasileiro, impede sua extradição.

b) No fato de Battisti já ter filho brasileiro quando foi preso, o que impede sua extradição, conforme preveem os artigos da Constituição brasileira que resguardam os direitos humanos.

c) No fato de os crimes cometidos por Battisti já estarem prescritos quando ele foi preso no Brasil, o que impede que seja extraditado, de acordo com

 

o

Código de Processo Penal Brasileiro.

 

d) No fato de Battisti, quando foi preso, já estar casado com brasileira havia mais de cinco anos, o que impede que seja extraditado, de acordo com

 

a

Constituição brasileira.

 

e) Na interpretação de que Battisti é vítima de perseguição política na Itália

 

e

que cometeu crimes políticos, e não crimes comuns.

44.

Como forma de combater os efeitos da crise financeira internacional iniciada em 2007 e agravada nos anos de 2008 e 2009, o governo federal brasileiro tem tomado uma série de medidas para estimular o consumo e evitar o aumento do desemprego no Brasil. Assinale, dentre as alternativas seguintes, a única que apresenta uma medida real recente tomada pelo governo brasileiro nesse sentido.

a) Elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente na compra de veículos acima de mil cilindradas, compensando a redução do IPI dos carros populares (até mil cilindradas).

b) Elevação da parcela dos compulsórios bancários (parcela dos depósitos bancários que as instituições financeiras são obrigadas a recolher ao Banco Central), como forma de diminuir os recursos disponíveis ao crédito.

c) Elevação das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado das empresas e pessoas físicas nas operações de crédito.

d) Criação de duas novas alíquotas no IR (Imposto de Renda) das pessoas físicas, medida válida a partir do ano fiscal de 2009, aliviando a carga desse imposto sobre os assalariados passíveis da cobrança de IR.

e) Proibição de o Banco Central emprestar dólares a bancos que se com- prometessem a repassar os recursos aos exportadores.

de o Banco Central emprestar dólares a bancos que se com- prometessem a repassar os recursos

55

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45. A crise econômica internacional foi o principal tema discutido no encontro de líderes das potências industriais e dos países emergentes, o G-20, que ocorreu no mês de abril de 2009, em Londres, capital do Reino Unido, e con- tou com a presença do presidente Lula, do Brasil. No comunicado emitido após essa cúpula, o G 20 elencou medidas para reativar e regular a economia global. Assinale, dentre as alternativas seguintes, a única que apresenta uma medida efetivamente anunciada após essa cúpula do G-20.

a) Redução dos recursos para empréstimo à disposição do FMI — Fundo Monetário Internacional.

b) Extinção do FMI — Fundo Monetário Internacional —, já que toda a ajuda a países emergentes será coordenada pelo Banco Central Europeu, onde está sediado o G-20.

c) Afrouxamento da fiscalização sobre as zonas mais obscuras do mercado financeiro, incluindo os denominados “paraísos fiscais”, como forma de facilitar a circulação de recursos no comércio mundial.

d) Afrouxamento da fiscalização efetuada sobre as agências de classificação de risco (ou agências de rating), que tiveram papel essencial na detecção do início da crise financeira global.

e) Injeção de recursos de 1,1 trilhão de dólares para reanimar a economia mundial e ajudar os países em maiores dificuldades.

46. Um estudo de cientistas da Universidade de Ultrecht (Holanda) estima que a retenção de gases de efeito estufa por meio da preservação da Amazônia vale entre 113 e 226 reais por hectare de floresta ao ano.

Folha de S. Paulo, 10/02/09, p. A16.

Esse seria um entre outros “serviços ecológicos”, indicados a seguir, que poderiam ser auferidos pela preservação da floresta, EXCETO o exposto na alternativa:

a) prevenção de processos erosivos dos solos.

b) prevenção de assoreamento dos rios, favorecendo a qualidade de sua navegabilidade, entre outros aspectos.

c) como pulmão do mundo, garantia de fornecimento continuado de oxi- gênio à atmosfera.

d) preservação da biodiversidade e reprodução da própria floresta.

G A B A R I T O

Atualidades 01. C 02. C 03. C 04. B 05. B 06. D 07. D
Atualidades
01.
C
02. C
03. C
04. B
05. B
06. D
07. D
08. B
09. C
10. B
11.
C
12. B
13. E
14. C
15. B
16. A
17. B
18. C
19. E
20. B
21.
C
22. A
23. E
24. A
25. E
26. C
27. E
28. C
29. A
30. B
31.
D
32. A
33. B
34. B
35. D
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37. B
38. D
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40. E
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D
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PrOPOstAs de redAçãO

OS 20 ANOS DO MASSACRE DA PRAçA CELESTIAL NA CHINA

Proposta 1:

Observe com atenção a imagem. Imagine-se como o jovem que se posicionou em frente aos tanques militares na Praça da Paz Celestial ou como motorista do primeiro veículo. Relate sua experiência.

Proposta 2:

Como representante do movimento estudantil chinês elabore um manifesto destinado a conscientizar seus colegas acerca da importância de lutar contra o regime totalitário de seu país.

Proposta 3:

Em reunião com aliados econômicos, Hu Jintao pronunciará um discurso res- saltando as vantagens do regime comunista chinês. Escreva esse discurso.

Proposta 4:

Através de um texto dissertativo, reflita sobre o contraste existente entre a liberdade econômica e o regime autoritário.

Proposta 5:

Noticie o que ocorreu na Praça da Paz Celestial naquele fatídico 4 de junho de 1989.

A COREIA DO NORTE E OS TESTES NUCLEARES

Proposta:

Releia: “A ONU estuda novas sanções à Coreia do Norte, embora se saiba que anteriormente essas medidas não provocaram efeitos.”

Que medidas seriam eficazes para acabar com o manuseio de equipamentos bélicos nucleares por parte da Coreia do Norte?

CUBA E A OEA

Proposta:

Com o fim da Guerra Fria, muito se discute acerca da manutenção do embargo co- mercial a Cuba e da expulsão do país da OEA (Organização dos Estados Americanos). Em um artigo de opinião, diga se você é favorável à permanência dessas medidas de isolamento como forma de pressionar o país por reformas democráticas, ou se defen- de o abrandamento das restrições como forma de estimular o diálogo.

o país por reformas democráticas, ou se defen- de o abrandamento das restrições como forma de

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GRIPE SUÍNA

Proposta:

A despeito das dúvidas mais comuns entre a população, produza, a pedido da

Associação Brasileira de Criadores de Suínos, um panfleto, expondo as res- postas para as questões mais comuns e mostrando a melhor forma de preven- ção da doença.

CRISE ECONÔMICA

Proposta:

Você foi convidado pela equipe de publicidade responsável pelo site chamado “Universo Econômico” a escrever a apresentação da seção “Crise 2008”. Enfo- cando as causas e consequências no panorama econômico mundial, desenvol- va um texto expositivo para esse assunto(seção).

OS 80 ANOS DA CRISE DE 1929

Proposta:

Imagine-se um cidadão burguês estadunidense no ano de 1929. Através de um relato, exponha como era sua vida no primeiro semestre desse ano e confronte com o que viveu após a “quinta-feira negra”.

AS ELEIçÕES NO IRÃ

Proposta 1:

Como correspondente internacional de um jornal brasileiro de grande circula- ção, produza um relato da apuração das eleições no Irã.

Proposta 2:

Durante entrevista a repórteres, o historiador britânico Simon Schama afirmou não saber o que a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad representa “o começo do fim”. “Será que este regime tem um leve cheiro de morte? Sim, e acho que

em sete anos vamos ver isso. (

Todos vimos o que aconteceu nas ruas [do Irã].

)

O

regime em si irá se deslegitilimizar. Aposto com vocês que o que aconteceu

foi o começo do fim”, afirmou Schama.

Folha de São Paulo, 06/07/2009.

Escreva uma carta de leitor, revelando suas expectativas quanto ao futuro na nação iraniana.

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São Paulo , 06/07/2009. Escreva uma carta de leitor, revelando suas expectativas quanto ao futuro na

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OUTROS CAMINHOS DA ÍNDIA

Proposta:

Mesmo se tornando a 12ª maior economia do mundo, a Índia tem cerca de 40% de sua população na linha de pobreza. Ou seja, houve um enriquecimento econômico, mas não humano. Redija um texto dissertativo-argumentativo que responda à questão: “O crescimento humano pode elevar a economia de um país? Há recíproca nessa ideia?”

OS 30 ANOS DA LEI DA ANISTIA

Proposta 1:

Escreva um artigo de opinião acerca da responsabilidade do governo quanto aos “desaparecidos políticos”.

Proposta 2:

Imaginando-se em setembro de 1979, sendo você familiar de um dos cidadãos brasileiros exilados pelo regime militar dessa época, redija uma carta a esse ente querido, descrevendo a reação popular diante da aprovação da Lei da Anistia, tentando convencê-lo de voltar ao Brasil.

NORTE-AMERICANOS COMEçAM A DEIXAR O IRAQUE

Proposta:

Analise, em um texto dissertativo-argumentativo, os efeitos de uma guerra, confrontos políticos ocorridos em outros países.

em um texto dissertativo-argumentativo , os efeitos de uma guerra, confrontos políticos ocorridos em outros países.

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TEMA 1: MEIO AMBIENTE E ARMAS NUCLEARES

Texto I

De Volta a Bikini

Um documentário brasileiro mostra como a vida renasceu com exuberância nos mares do Atol de Bikini, palco de testes nucleares americanos nos anos 40 e 50.

Marcelo Marthe

Fotos Bettmann/Corbis/LatinStock e divulgação
Fotos Bettmann/Corbis/LatinStock e divulgação

TERRA ARRASADA Explosão atômica em Bikini nos tempos da Guerra Fria (no alto) e seus corais nos dias de hoje (acima):

do inferno ao paraíso.

Entre 1946 e 1958, as 23 ilhas paradisíacas que compõem o Atol de Bi- kini, no Oceano Pacífico, foram submetidas a uma escalada de destruição. Nesse período, os Estados Unidos realizaram 66 testes nucleares no local. Depois das detonações, a barreira de corais que cerca as ilhas ficou arrasada. Por quatro décadas, os níveis de radiação impediram a presença do homem na região. Em 1996, o brasileiro Lawrence Wahba tornou-se o primeiro natu- ralista a receber autorização para filmar em suas águas azul-turquesa. Dois anos atrás, ele retornou às ilhas para conferir as mudanças desde sua primei- ra passagem por lá. O resultado é o documentário De Volta a Bikini. Suas imagens dão testemunho da capacidade de regeneração da natureza. Em seus mergulhos, Wahba registrou o renascimento da vida até na cratera de 1,5 quilômetro de largura produzida no fundo do mar pela Bravo – a bomba mais poderosa já detonada pelos Estados Unidos, com potência 1 000 vezes superior à daquela lançada sobre Hiroshima. Sobre a superfície deixada pela explosão, que varreu três ilhotas do mapa, um coral começa a se formar.

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Hiroshima. Sobre a superfície deixada pela explosão, que varreu três ilhotas do mapa, um coral começa

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No contexto da Guerra Fria, que opunha os Estados Unidos à, então, União Soviética, a explosão esporádica de bombas atômicas não tinha ape- nas a função de avaliar novos artefatos. Servia também – e sobretudo – para lembrar ao adversário quão poderosos eram os músculos da parte contrária. A nota curiosa dos testes americanos no atol é que, quatro dias após a primei- ra detonação, o francês Louis Réard batizou com o nome do lugar o modelo de praia feminino que havia criado – e assim nasceu o biquíni (o nome, na língua nativa, significa “gente plantando coco”). Um estouro. As circunstâncias geográficas favoreceram a escolha desse paraíso no Pacífico. Por estar longe das rotas de navegação, ele não ofereceria riscos a populações humanas (o que se revelou um erro de cálculo: uma nuvem radio- ativa atingiu ilhas habitadas). Além disso, era ideal para a investigação dos efeitos de explosões nucleares em batalhas navais. Setenta navios e subma- rinos obsoletos foram afundados com esse fim. E foi graças a eles que a vida renasceu de forma tão exuberante em Bikini. Cobertas de algas e corais, suas carcaças aceleraram o repovoamento da região por peixes, moluscos e crus- táceos. Em torno do casco de embarcações, como o porta-aviões USS Sara- toga e o encouraçado japonês Nagato (este, um troféu da II Guerra: foi a nau de comando do ataque a Pearl Harbor), hoje vivem garoupas e tubarões. O mar de Bikini é considerado livre de radiação. Mas o problema persiste em terra: os cocos e demais frutos não podem ser ingeridos, porque são contaminados por césio 137. Wahba aborda a situação inusitada dos 4 000 descendentes dos 167 aborígines que habitavam o atol antes dos testes. Seis décadas depois, eles continuam no exílio em ilhas próximas. Sobrevivem das compensações do governo americano. São fundos que somam mais de 170 milhões de dólares – dos quais eles só podem utilizar a remuneração dos ju- ros. Com a crise nas bolsas mundiais, o pessoal de Bikini está numa pindaíba ainda maior. A empresa aérea que voava para o atol faliu. E a sua única ativi- dade econômica – uma pousada para turismo de mergulho – está ameaçada.

Veja.com (http://veja.abril.uol.com.br/121108/p_138a.shtml) com adaptações.

Proposta I

Você, habitante de uma das ilhas do paradisíaco Atol de Bikini, foi informa- do de que teria de ser removido da região porque lá ocorreriam vários testes nucleares. Numa ilha suficientemente distante, ao avistar o grande cogumelo atômico que destruiu o seu lar e devastou a sua bela terra natal, o que você sentiu? Quais foram suas reações? Relate essa trágica experiência.

e devastou a sua bela terra natal, o que você sentiu? Quais foram suas reações? Relate

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Proposta II

Você, um eminente naturalista, obteve uma permissão para visitar as ilhas do Atol de Bikini e estudar os efeitos da radiação na fauna e na flora da re- gião. Quais foram suas conclusões? Você observou alguma mutação nas plan- tas e nos animais? Para posterior publicação numa revista científica, descreva o que você encontrou na região.

Proposta III

Sessenta anos após o término dos testes realizados no Atol de Bikini, a radiação continua a causar problemas tanto ao meio ambiente quanto ao ho- mem. Você acha justo que uma nação remova aborígines para realizar tes- tes de armas nucleares? A situação desses exilados não guarda semelhan- ças tanto com a dos índios do Novo Mundo, “esmagados” pela colonização europeia, quanto com a dos japoneses de Hiroshima e Nagasaki, vítimas de bombas atômicas? Manifeste seu ponto de vista em um artigo de opinião a ser publicado em um jornal de grande circulação.

Proposta IV

Você sabia qual era a origem da palavra aportuguesada biquíni? Como editor de uma enciclopédia eletrônica, escreva um verbete no qual estejam contemplados os diferentes significados do vocábulo assim como as explica- ções necessárias ao seu perfeito entendimento.

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os diferentes significados do vocábulo assim como as explica- ções necessárias ao seu perfeito entendimento. 62

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Texto II

O que está em jogo com o lançamento

do foguete norte-coreano?

A Coreia do Norte lançou, em março de 2009, um foguete de longo alcan-

ce destinado, segundo o país, a colocar um satélite experimental de teleco-

municações em órbita. Os governos da Coreia do Sul, dos EUA e do Japão, que dizem que o lançamento disfarça um teste do míssil de longo alcance Taepodong-2, confirmaram o lançamento do foguete e classificaram o ato como “lamentável” e como uma “provocação”.

Por que a Coreia do Norte lançou o foguete?

A máquina de propaganda norte-coreana vai retratar um lançamento bem

sucedido como um símbolo de força da liderança de Kim Jong-il, ditador que comanda o país, depois de um suposto derrame, em agosto, e levantar ques- tões sobre seu poder. Também mostrará a todos os coreanos que o Norte lançou um foguete carregando um satélite antes do rico Sul, que pretende fazer o mesmo em julho. Internacionalmente, o lançamento sinaliza ao presidente americano, Barack Obama, que a Coreia do Norte está chegando perto de desenvolver uma arma que possa atingir o território americano e que o país deve ser encarado com seriedade. Do ponto de vista do mercado de armas, o lançamento pode servir para a Coreia do Norte vender ao mundo que sua tecnologia balística está se de- senvolvendo, uma vez que a venda de armas é um dos principais itens que o isolado país pode oferecer aos demais.

Por que o foguete é perigoso? Em curto prazo, a maioria dos especialistas considera que o maior risco que o foguete pode oferecer são seus pedaços caindo após o lançamento. Em longo prazo, qualquer tipo de teste aumenta a ameaça representada pela Coreia do Norte porque a deixa mais perto de construir um míssil que poderia atingir o território dos EUA. Especialistas dizem que não acreditam que a Coreia do Norte tenha a capacidade de colocar uma arma nuclear em um míssil, mas pode estar tentando desenvolver a tecnologia. Ainda se eles tivessem essa tecnologia, eles ainda não parecem ter a ca- pacidade de guiar um míssil para um alvo.

Ainda se eles tivessem essa tecnologia, eles ainda não parecem ter a ca- pacidade de guiar

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diCas dE vEstibulaR | pRopostas dE REdação Katsumi Kasahara/AP
diCas dE vEstibulaR | pRopostas dE REdação
Katsumi Kasahara/AP

Soldados japoneses patrulham base militar em Akita, norte do Japão, após Coreia do Norte lançar foguete.

Por que Pyongyang avisou ao mundo do lançamento?

Isso fortalece o argumento norte-coreano de que os motivos são pacífi- cos. A Coreia do Norte alega que todo país tem o direito de explorar o espa- ço pacificamente e que as sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) que a proíbem de desenvolver mísseis balísticos não se aplicam no caso do lançamento de um satélite.

O lançamento de um míssil não é diferente do lançamento de um satélite?

Para os EUA, Coreia do Sul e Japão, não há diferença entre os dois porque

a Coreia do Norte usa o mesmo foguete – o Taepodong-2. Os três países

veem qualquer teste deste foguete como uma violação das resoluções da ONU porque o lançamento ajuda o país a melhorar sua tecnologia de mísseis de longo alcance. Por outro lado, um teste de míssil completo incluiria uma reentrada na atmosfera no alvo e seria um desafio tecnológico maior do que o lançamento

de um satélite. Os especialistas também têm dúvidas sobre se o Norte pode, de fato,

produzir um satélite que funcione e colocá-lo em órbita. Mas eles dizem que

a Coreia do Norte pode ser capaz de fazer um baseado em desenhos rudi- mentares de satélites soviéticos antigos.

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que a Coreia do Norte pode ser capaz de fazer um baseado em desenhos rudi- mentares

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Parte do foguete deve cair Localizada no oceano Pacífico, a 120 km da costa japonesa
Parte do foguete deve cair
Localizada no oceano Pacífico,
a 120 km da costa japonesa
entreo Japão e o Havaí
» Japão deve movimentar
bateria antiaérea PAC-3
para a costa, na região
de Tóquio
» EUA, Coreia do Sul e Japão
vão monitorar o lançamento
com navios de guerra
equipados com interceptores
de mísseis
Fonte: Graphic News
Arte/Folha de S.Paulo

Folha Online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u546182.shtml) com adaptações.

Proposta V

A ciência pode ser utilizada tanto para promover o bem da humanidade quanto para prejudicá-la. A mesma tecnologia pode servir para pôr em órbita um satélite pa- cífico ou para produzir um míssil balístico ofensivo. Tendo em mente esta dicotomia, produza um texto dissertativo-expositivo onde você apresenta outra tecnologia ou ramo da ciência que pode ter aplicações benéficas ou maléficas para o homem.

Proposta VI

Por que alguns países, como o Brasil, têm tecnologia nuclear e desenvolvem progra- mas de lançamento de satélites sem que isso cause receio em outros povos enquanto o mundo inteiro se preocupa quando nações como Irã e Coreia do Norte tentam fazer o mesmo? Será que isso tem algo a ver com transparência e a tradição pacífica de uns ou com o isolamento e o discurso beligerante de outros? Em um artigo de opinião, apre- sente seu ponto de vista sobre o assunto e enumere algumas características que um país deve ter para gerar confiança e credibilidade internacionais.

assunto e enumere algumas características que um país deve ter para gerar confiança e credibilidade internacionais.

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Texto III

A volta da utopia de um mundo sem armas nucleares

Barack Obama propõe o fim dos arsenais atômicos. A questão é se isso é possível num mundo com países como o Irã e a Coreia do Norte.

Duda Teixeira

Sygma/Corbis/Latinstock
Sygma/Corbis/Latinstock

PASSADO Explosão no Atol de Mururoa, na Polinésia Francesa, em 1973: os testes na atmosfera já foram banidos.

É possível um mundo livre de armas nucleares? A utopia de um planeta sem o risco da destruição atômica, há tempos ausente dos palanques, foi res- suscitada por Barack Obama. Em discurso a uma multidão de 20 000 pessoas em Praga, na República Checa, o presidente americano disse que os Estados Unidos têm “a responsabilidade moral” de liderar uma campanha pelo fim de todas as armas nucleares. Obama admitiu que a meta de zerar o estoque pode não se concretizar em seu tempo de vida, mas prometeu organizar, no prazo de um ano, uma reunião internacional para debater meios de conter a disseminação de ogivas e mísseis. “A existência de milhares de armas nucle - ares é o legado mais perigoso da Guerra Fria”, disse ele. Levada ao pé da letra, a proposta do presidente americano parece utó- pica. Horas antes de Obama tornar público seu projeto, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico que sobrevoou o Japão e caiu no mar, a 3.200 qui- lômetros de distância. O recado de Kim Jong Il, ditador que governa o país com mão de ferro, foi explícito: se seu regime já tinha a bomba atômica, ago- ra também dispõe do vetor para jogá-la no Japão ou, dependendo de alguns aperfeiçoamentos, em território americano. O sonho de Obama sofreu outro sobressalto em seguida, quando a China e a Rússia vetaram uma condenação à Coreia do Norte no Conselho de Segurança da ONU. Dias depois foi a vez

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a China e a Rússia vetaram uma condenação à Coreia do Norte no Conselho de Segurança

de o presidente Mahmoud Ahmadi- nejad anunciar que o Irã completou com sucesso o enriquecimento de urânio – um passo decisivo em dire- ção à montagem de armas nucleares. Uma nova fábrica iraniana de combus- tível nuclear poderá, quando total- mente operacional, produzir plutônio suficiente para duas ogivas nucleares por ano. Livrar o planeta dessas armas de destruição em massa seria um alívio para a humanidade. A dúvida é se o mundo estaria seguro caso as gran- des potências abrissem mão de seus arsenais. Depois do fim da Guerra Fria, a ameaça do uso militar do áto- mo já não está nos arsenais das cinco potências que assinaram o Tratado

de Não Proliferação Nuclear em 1968 – Estados Unidos, União Soviética (Rússia), China, Inglaterra e França. O perigo são as nações nucleares envol- vidas em guerras com os vizinhos – Israel, Paquistão e Índia – e, sobretudo, as ditaduras paranoicas da Coreia do Norte e do Irã. Desde 1986, o arsenal nuclear mundial caiu de 70 000 para 27 000 ogivas. Os Estados Unidos e a Rússia estão prestes a assinar um novo acordo, que limitaria os estoques a 1 000 ogivas para cada um. Infelizmente, as sanções internacionais tiveram escasso êxito na tentativa de conter os projetos bélicos da Coreia do Norte e do Irã. Uma redução do arsenal nuclear da superpotência pode ter um efeito indesejado – deixar os aliados inseguros sobre o poder dissuasório dos Esta- dos Unidos ou até incentivar os inimigos a lances mais ousados. É difícil um acordo de desarmamento total se não forem encontradas formas de estancar a proliferação nuclear.

Veja.com (http://veja.abril.uol.com.br/150409/p_066.shtml) com adaptações.

Herbert Knosowski/AP diCas dE vEstibulaR | Propostas de Redação
Herbert Knosowski/AP
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BOAS INTENÇÕES Obama discursa em Praga para 20 000

pessoas: reunião mundial para discutir a

redução nuclear.

BOAS INTENÇÕES Obama discursa em Praga para 20 000 pessoas: reunião mundial para discutir a redução

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Proposta VII

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) está reuni-

da para discutir o fim das armas nucleares e você foi escolhido para represen- tar as gerações de jovens de todo o globo. Redija, portanto, o seu discurso, que será lido diante de todos os líderes mundiais, de modo a convencê-los

a abandonar as armas nucleares. (Variações: manifesto, carta aberta, abaixo- assinado.)

Proposta VIII

Como sabemos, o Brasil procura aumentar sua representatividade na ONU

e seu poder de influência nos processos de resolução das diversas questões

internacionais. Como embaixador do Brasil no Irã, redija uma carta ao pre- sidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad manifestando o ponto de vista de nossa diplomacia acerca do projeto da bomba atômica iraniana. Lembre-se de que você estará representando seu país perante outro. Formalidade, mo- deração e respeito são, portanto, essenciais.

Proposta IX

Uma das acepções da palavra utopia, segundo o dicionário Houaiss, é:

“projeto de natureza irrealizável; ideia generosa, porém impraticável.” Você acredita que seja possível livrar o mundo das armas nucleares no prazo de dez anos? Imagine-se como um jornalista no ano de 2019 e escreva uma notí- cia sobre o sucesso ou o fracasso desta iniciativa.

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Imagine-se como um jornalista no ano de 2019 e escreva uma notí- cia sobre o sucesso

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Guido Motani/Corbis/Latinstock

Texto I

TEMA 2: MÁFIA

Guido Motani/Corbis/Latinstock Texto I TEMA 2: MÁFIA JURADO DE MORTE Saviano: um escritor de talento e

JURADO DE MORTE

Saviano: um escritor de talento e um homem de coragem sobre-humana

Um livro, um filme e um escritor ameaçado

Gomorra, livro e filme, traz um panorama devastador da Camorra, a superorganização criminosa que, de Nápoles, abarca o mundo.

Camorra é a superorganização criminosa sediada na região italiana da Cam- pânia, mas que se faz presente em todo o planeta, de maneiras às vezes insus-

peitadas. Deslindar a teia da máfia foi o formidável trabalho a que se dedicou

o jornalista Roberto Saviano no livro-reportagem também intitulado Gomorra

no qual o filme do diretor Matteo Garrone se baseia. Aos 29 anos, Saviano está pagando um preço impossível pelo destemor, pela meticulosidade de sua apu- ração e pela prosa fluente, que fizeram de Gomorra um best-seller. É guardado 24 horas por dia por um destacamento policial e perdeu tudo o que se asse- melhe à normalidade. Desde a publicação do livro, há dois anos, a Camorra o jurara de morte. Com o lançamento do filme, os clãs criminosos decidiram que

a sentença deve ser cumprida o quanto antes. Saviano cogita deixar a Itália.

Seu próprio livro, contudo, prova que a Camorra está em toda parte. O traçado que Saviano faz das ramificações da Camorra é aterrador. O “sistema”, como ela gosta de se chamar, está na vanguarda de todo tipo de negócio ilícito, como extorsão, prostituição e tráfico de entorpecentes e de

armas. Controla quase a totalidade das drogas que entram na Europa e é dona de parte dos arsenais militares que ficaram a descoberto com o esface-

lamento da União Soviética. Neles, seu principal interesse são os fuzis AK-47, que, por serem baratos e confiabilíssimos, são a arma preferida do terrorismo

e da guerrilha em todo o mundo. A Camorra mantém os estoques nos países de origem e os movimenta conforme a encomenda, à moda de uma Amazon. com da venda ilegal de armamentos.

países de origem e os movimenta conforme a encomenda, à moda de uma Amazon . com

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Mais assustador ainda é quão fundo a Camorra se infiltrou em setores que ninguém suporia associados ao crime organizado. Livro e filme transbor- dam também a indignação de Saviano com o que ele julgava ser um tumor e descobriu constituir um câncer em estágio avançado de metástase. Escritor versado e homem de coragem singular, ele compartilha agora com os perso- nagens que descreveu a asfixia de viver sob uma sentença de morte.

Isabela Boscov Revista Veja, edição 2091, com adaptações.

Texto II

Ameaçado de morte, autor de “Gomorra” quer deixar a Itália

O escritor italiano Roberto Saviano, autor do best-seller Gomorra, que denuncia a máfia napolitana, afirmou que quer deixar a Itália porque não aguenta mais viver com proteção armada.

porque não aguenta mais viver com proteção armada. Saviano, com sua escolta: ele anunciou que vai

Saviano, com sua escolta: ele anunciou que vai deixar de viver na Itália.

O livro vendeu 1,2 milhão de cópias na Itália, foi traduzido para 42 línguas e sua adaptação para o cinema foi nomeada para concorrer ao Oscar. No entanto, em uma entrevista ao jornal italiano La Repubblica, o escritor afirma ser uma “vítima do próprio sucesso”. Desde o lançamento de Gomorra, em 2006, o autor, de 29 anos, vive com proteção policial armada durante 24 horas diariamente porque recebe amea- ças da Camorra, como é conhecida a máfia napolitana.

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armada durante 24 horas diariamente porque recebe amea- ças da Camorra, como é conhecida a máfia

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“O que me mantém com vida, minha verdadeira proteção, é estar atento ao que acontece comigo e ao meu redor. Mas sei muito bem que um dia me farão pagar. Só é preciso saber como e quando”, disse Saviano. “Quero a minha vida de volta. Quero andar pelo sol e pela chuva, me apaixonar, beber uma cerveja em público, encontrar minha mãe sem que ela fique com medo”, disse o escritor ao jornal. Acima de tudo, Saviano afirmou que quer continuar escrevendo e que, no momento, o único modo de fazer isso é deixar a Itália. Os jornais italianos disseram que o clã mais notório da máfia local, o Ca- salesi, teria passado da ameaça de morte para a fase de operação do plano para assassinar o escritor. Segundo os jornais, a intenção seria matar o escritor antes do Natal.

BBC Brasil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/10/081015_ sovianogomorra_np.shtml) com adaptações.

Proposta I

Como é a experiência de viver ameaçado pela máfia e cercado por segu- ranças? Em uma página do diário de Roberto Saviano, relate um dia na vida do jornalista ameaçado, mostrando como o medo e as precauções necessá- rias alteraram a rotina e dificultaram as atividades mais simples do dia-a-dia do jovem escritor.

Proposta II

Preocupado com a situação vivida por Roberto Saviano, que teve a cora- gem de denunciar a máfia e agora enfrenta ameaças de morte, produza um texto para uma campanha comunitária com o objetivo de convencer a popu- lação de Nápoles a vencer o medo e a denunciar o crime organizado.

Proposta III

A liberdade de expressão é um dos pilares da democracia e um dos mais básicos direitos do homem. Durante anos, houve uma constante preocupa- ção em proteger essa importante conquista de possíveis tentações autori- tárias de governos legítimos, mas raramente escutamos alguém falar sobre como protegê-la da ação de grupos manifestamente criminosos. Em um texto dissertativo, apresente uma sugestão sobre como os governos po- deriam proteger seus cidadãos de entidades ilegais, como a Camorra, no que concerne à liberdade de expressão. Exemplos: programas de proteção à testemunha, delação premiada, promoção de filmes, livros e reportagens de caráter denunciativo etc.

proteção à testemunha, delação premiada, promoção de filmes, livros e reportagens de caráter denunciativo etc. 71

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Texto I

TEMA 3: EDUCAçÃO

A crise que estamos esquecendo

O tema do momento é a crise financeira global. Eu aqui falo de outra, que atinge a todos nós, mas especialmente jovens e crianças: a violência contra professores e a grosseria no convívio em casa. Duas pontas da nossa socie- dade se unem para produzir isso: falta de autoridade amorosa dos pais (e professores) e péssimo exemplo de autoridades e figuras públicas. Pais não sabem como resolver a malcriação dos pequenos e a insolência dos maiores. Crianças xingam os adultos, chutam a babá, a psicóloga, a pe- diatra. Adolescentes chegam de tromba junto do carro em que os aguardam pai ou mãe: entram sem olhar aquele que nem vira o rosto para eles. Cumpri- mento, sorriso, beijo? Nem pensar. Como será esse convívio na intimidade? Como funciona a comunicação entre pais e filhos? Nunca será idílica, isso é normal: crescer é também contestar. Mas poderíamos mudar as regras desse jogo: junto com afeto, deveriam vir regras, punições e recompensas. Que tal um pouco de carinho e respeito, de parte a parte? Para serem respeitados, pai e mãe devem impor alguma autoridade, fundamento da segurança dos filhos neste mundo difícil, marcando seus futuros relacionamentos pessoais e profissionais. Mal-amados, mal-ensinados, jovens abrem caminho às cotove- ladas e aos pontapés. Mal pagos e pouco valorizados, professores se encolhem, permitindo abu- sos inimagináveis alguns anos atrás. Uma adolescente empurra a professora, que bate a cabeça na parede e sofre uma concussão. Um menininho chama a professora de “vadia”, em aula. Professores levam xingações de pais e alunos, além de agressões físicas, cuspidas, facadas, empurrões. Cresce o número de mestres que desistem da profissão: pudera. Em escolas e universidades, es- tudantes falam alto, usam o celular, entram e saem da sala enquanto alguém trabalha para o bem desses que o tratam como um funcionário subalterno. Onde aprenderam isso, se não, em primeira instância, em casa? O que acon- teceu conosco? Que trogloditas somos – e produzimos –, que maltrapilhos emocionais estamos nos tornando, como preparamos a nova geração para a vida real, que não é benevolente nem dobra sua espinha aos nossos gritos? Obviamente não é assim por toda parte, nem os pais e mestres são responsá- veis por tudo isso, mas é urgente parar para pensar.

(Por: Lya Luft, escritora. Revista Veja, 8 /4/09).

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responsá- veis por tudo isso, mas é urgente parar para pensar. (Por: Lya Luft, escritora. Revista

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Proposta I

Após refletir sobre o texto acima, escreva uma carta argumentativa, di-

rigida à escritora Lya Luft, concordando ou não com as considerações feitas

por ela sobre o comportamento dos jovens em casa e na escola. Caso queira,

julgue outras questões que justifiquem o seu ponto de vista.

Proposta II

Produza uma crônica argumentativa em que a sua reflexão parta de um fato

envolvendo relacionamentos entre pais e filhos ou entre escola e alunos.

Texto II

Jovens aprovam a ideia do novo vestibular

Estudantes são favoráveis à mudança nas provas do Enem

Canoas – O novo modelo de ingresso em universidades federais, apre-

sentado pelo ministro da Educação na semana passada, agrada estudantes

do Ensino Médio de Canoas.

A ideia de Fernando Haddad é que o vestibular seja feito com base nas

provas do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No entanto, a novi-

dade trouxe uma preocupação aos professores e uma dúvida aos adolescen-

tes: será que a preparação das escolas será suficiente para aprovar os alunos

em uma prova que deverá ser mais difícil do que o tradicional vestibular?

Pelo projeto do Ministério da Educação (MEC), a avaliação do Enem pas-

saria a ter 200 questões de múltipla escolha – atualmente a prova é composta

por 63 – e redação. Além disso, o Enem seria aplicado em dois dias diferen-

tes, no mês de outubro – não mais em agosto – com resultados divulgados no

início de janeiro. Metade dos testes ficaria para o primeiro dia, e metade para

o segundo, com a dissertação. A professora de Química da escola estadual

Jussara Polidoro, Carla Silva Niederauer, acha que os estudantes do Ensino

Médio não estão preparados para enfrentar um Enem. “A gente vê alunos que chegam ao 3 o ano sem dominar a interpretação de texto ou saber fazer contas básicas de matemática. O Enem exige raciocínio lógico e interpreta- ção de texto’’, comenta. A professora de Literatura Lucinda Funke completa:

“Se o vestibular mudar, as escolas terão que se reavaliar.’’

A professora de Literatura Lucinda Funke completa: “Se o vestibular mudar, as escolas terão que se

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PARCERIA – O conteúdo da prova do novo Enem ainda não foi definido e, segundo o MEC, terá de ser construído em parceria com as universidades federais. O que já se sabe é que a prova deverá ser baseada em habilidades e competências e terá quatro eixos: linguagens, códigos e suas tecnologias (in- cluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza

e suas tecnologias; e matemática e suas tecnologias. Segundo a professora de Pedagogia da Ulbra, Graziela Macuglia Oyar- zabal, os alunos do Ensino Médio, tradicionalmente, têm uma aprendizagem mecânica do contéudo, diferente do Enem. “O Enem é uma reflexão, tor- nando a prova bem mais difícil. Se o Enem substituir o vestibular, vai ser um grande desafio. O ensino vai ter que ser revisto’’, fala. Um grupo de estudantes da escola Jussara Polidoro, no bairro Guajuviras, gostou da mudança do vestibular. Ariadne Pazzini de Andrade, 16 anos, acha que o vestibular como está hoje não seleciona os mais preparados. “O Enem

é a melhor maneira de ingressar na faculdade. Se for para 200 questões, en- tão vai ser bem difícil, mas vai beneficiar os mais preparados.’’

http://www.bahdigital.com.br/, acessado em 11/5/09.

Proposta III

Imagine que você foi convidado a proferir uma palestra no seminário Jo- vens rumo ao vestibular. Para essa ocasião, exponha, no seu texto, como você avalia a forma tradicional do vestibular, se esse processo seletivo deveria ter sido mudado ou não e se concorda com o novo modelo de vestibular que será implantado.

Proposta IV

Escreva um editorial para uma revista chamada Vestibulando e nela expo-

nha uma avaliação sobre o estilo de prova Enem. Inicialmente, apresente qual

o significado dessa prova como critério de avaliação. Em seguida, apresente

dois argumentos favoráveis ou contra a aplicação dela no novo formato de vestibular e, para concluir o texto, ratifique sua opinião com um breve co- mentário ou sugira uma outra forma de avaliação, caso seja contra esse novo método. Lembre-se de que um editorial apresenta a opinião da revista.

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de avaliação, caso seja contra esse novo método. Lembre-se de que um editorial apresenta a opinião

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Texto I

TEMA 4: LEI

v EstibulaR | Propostas de Redação Texto I TEMA 4: LEI Assembleia de SP aprova lei

Assembleia de SP aprova lei que proíbe fumo em ambientes coletivos no Estado

Por 69 a 18, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, na noite desta terça-feira (7), o projeto de lei antifumo do governador José Serra (PSDB), que proíbe o consumo de cigarro e similares em recintos coletivos do Estado de São Paulo. A proposta retorna ao gabinete do governador para sanção ou veto. Também foi aprovada emenda do deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) que prevê um prazo de 90 dias para que a lei entre em vigor. Durante esse período, a lei deve ser regulamentada, com a definição de multas e pu- nições. Serra tem até dez dias para sancionar a lei. Outras duas emendas foram aprovadas junto a essa. Elas determinam que o governo paulista terá de fazer campanha sobre proibições e sanções impostas pela lei e disponibilizar no sistema de saúde público assistência terapêutica e medicamentos antitabagismo para fumantes que queiram parar de fumar. Com a lei, ficará proibido fumar em espaços coletivos, públicos ou pri- vados, “total ou parcialmente fechados em qualquer dos lados”, exceto em residências, estabelecimentos que comprovem ser exclusivamente destina- dos ao fumo, como tabacarias, e em locais de culto religioso em que o fumo integre o ritual. O deputado Fernando Capez (PSDB), apesar de ser da bancada governis- ta, havia se manifestado contrariamente ao projeto de lei do governador por entender que ele é inconstitucional. Capez, que inclusive apresentou emen- da para modificar o texto da lei e torná-la “constitucional”, votou a favor da aprovação integral do texto, em respeito à posição do partido e à figura de José Serra. Sobre a possível inconstitucionalidade do projeto, o presidente da As- sembleia, Barros Munhoz (PSDB), disse não temer que a lei seja questionada em tribunais superiores. “Estou seguro quanto à constitucionalidade da lei.

É difícil ter unanimidade em uma lei como essa, mas o governo analisou bem

a questão”.

constitucionalidade da lei. É difícil ter unanimidade em uma lei como essa, mas o governo analisou

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Samuel Moreira, líder da bancada do PSDB na Alesp, afirma que “o pro- jeto garante o direito individual de quem fuma e de quem não fuma”. “Ado- tando essa medida, reduziremos os fumantes e melhoraremos os índices de saúde nos próximos anos”, completou. Moreira acredita também que a proibição ao fumo em locais fechados não causará uma onda de desemprego no setor de bares e restaurantes. “A lei valerá para todos, por isso, acreditamos que não haverá desemprego”, disse o tucano, que defende que a permissão de fumódromos pela lei pre- judicaria pequenos proprietários devido ao alto custo. “Esse projeto joga as pessoas contra as pessoas, é uma lei que não vai pegar”, contestou o deputa- do Hamilton Pereira, do PT, por considerar que o projeto vai contra “o direito às liberdades individuais”. Dos 18 votos contra o projeto, 17 foram da bancada do PT (o outro foi do PV). O líder petista na Assembleia, Rui Falcão, defendeu o aumento do preço do maço do cigarro para dificultar o acesso das pessoas ao fumo, em contra- posição às medidas presentes no projeto do governo paulista. O deputado ainda espera que a população cobre do governador José Serra medidas efe- tivas para o tratamento dos fumantes. “Mais do que repressão, é importante educar a população dependente do fumo”, disse Falcão. Questionado sobre se a lei vai pegar nos estabelecimentos situados em regiões de periferia, Samuel Moreira disse que o governo fará ampla campa- nha para que toda a população se adapte às novas regras, já que o respon- sável por restringir será o proprietário do lugar. De acordo com o deputado, quem não cumprir a lei poderá ser encaminhado à delegacia e até ser preso – a ação policial serve tanto para o fumante quanto para o local onde o fu- mante está.

Do UOL Notícias, em São Paulo, 07/04/2009 – atualizada às 22h08

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quanto para o local onde o fu- mante está. Do UOL Notícias, em São Paulo, 07/04/2009

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Texto II

É Proibido Fumar

É

proibido fumar

Diz o aviso que eu li

É proibido fumar

Pois o fogo pode pegar

Mas nem adianta o aviso olhar Pois a brasa que agora eu vou mandar Nem bombeiro pode apagar Nem bombeiro pode apagar Eu pego uma garota

E canto uma canção

Nela dou um beijo Com empolgação

Do beijo sai faísca

E a turma toda grita

Que o fogo pode pegar Nem bombeiro pode apagar O beijo que eu dei nela assim Nem bombeiro pode apagar

Garota pegou fogo em mim Sigo incendiando bem contente e feliz Nunca respeitando o aviso que diz Que é proibido fumar Que é proibido fumar

É proibido fumar (agora!) Diz o aviso que eu li

É proibido fumar

Pois o fogo pode pegar

Composição: Roberto Carlos e Erasmo Carlos

(agora!) Diz o aviso que eu li É proibido fumar Pois o fogo pode pegar Composição:

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Proposta I

Considerando os textos I e II, que têm apenas caráter motivador, redija um artigo para ser publicado em um jornal de circulação nacional, na seção Opi- nião, posicionando-se a respeito da lei antifumo. Você acha que ela garante o direito individual de quem fuma e de quem não fuma?

Proposta II

Como afirmou o líder petista Rui Falcão, “é importante educar a popula- ção dependente do fumo”. A partir disso, crie um panfleto com o objetivo de conscientizar esse público a adaptar-se às novas regras.

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A partir disso, crie um panfleto com o objetivo de conscientizar esse público a adaptar-se às

Texto I

TEMA 5: DOM HÉLDER CÂMARA Dom Hélder Câmara, 100 anos diCas dE vEstibulaR | Propostas
TEMA 5: DOM HÉLDER CÂMARA
Dom Hélder Câmara, 100 anos
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Ao completar o centenário do nascimento de Dom Hélder Câmara, ocorrido em 7 de fevereiro de 1909, faz-se oportuno e justo recordar alguns momentos marcantes de sua trajetória e o testemunho de sua densa religiosidade e do seu compromisso com os excluídos. Nascido em Fortaleza, Ceará, no seio de uma in-

fluente família de jornalistas, advogados, políticos e professoras, e na qual faltava um padre para confirmar

a tradição das famílias ilustres do início do século, o

jovem Hélder Pessoa Câmara foi ordenado sacerdote em 1931, aos “22 anos e meio”. Desde o início, Hélder Câmara combinou o seu apostolado com a ação política e, já em 1932, a con- vite de Plínio Salgado, ingressa na Ação Integralista Brasileira (AIB) – versão tupiniquim do fascismo italiano –, tornando-se o principal propagandista do movimento em seu estado.

A partir do final da década de 1930, o então padre Hélder passou por um longo e demorado percurso de conversão para as ideias democráticas e humanistas. O radicalismo fascista dos integralistas tornou-se inconveniente até para um regime ditatorial como o de Getúlio Vargas, que colocou a AIB na ilegalidade. A Igreja Católica tinha um pacto informal de colaboração com

o Governo de Vargas e isso fez com que o Cardeal Sebastião Leme, do Rio

de Janeiro, na época a maior autoridade eclesiástica no país, ordenasse o

com que o Cardeal Sebastião Leme, do Rio de Janeiro, na época a maior autoridade eclesiástica
com que o Cardeal Sebastião Leme, do Rio de Janeiro, na época a maior autoridade eclesiástica

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afastamento do jovem padre Hélder Câmara da Ação Integralista Brasileira. Aqui é importante destacar duas importantes contribuições intelectuais na vida do padre Hélder: a leitura da obra Humanismo Integral, de Jacques Ma- ritain, e a convivência, no Rio de Janeiro, com o intelectual e líder leigo Alceu Amoroso Lima, que também passava por uma transição para o pensamento democrático. ( ) Como explicitaria melhor nos encontros dos Prelados da Amazônia e do Vale do São Francisco de 1952, muito longe de propor o caminho da revolu- ção social como solução para os problemas do país, Dom Hélder defendia a colaboração entre a Igreja, os sindicatos rurais e o Estado para a promoção de reformas sociais de base. No mesmo período, agregou os bispos brasileiros na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ele funda e comanda como Secretário Geral até 1964 e que viria a se tornar a instituição de mais influência sobre a atualização da inserção política e social da Igreja Católica no Brasil nos últimos 50 anos. A condição de representante do episcopado brasileiro, na época, levou Dom Hélder a apoiar o Movimento de Educação de Base (MEB), ligado à CNBB e financiado pelo Governo Federal, que se constituiu como uma inicia- tiva inédita dos católicos no campo da educação popular. O objetivo do MEB não era simplesmente alfabetizar o trabalhador rural, mas possibilitar uma educação integral que desenvolvesse a consciência política, social e religiosa dos participantes. Na formação dos educandos, deveria ocorrer um processo de “conscientização” que começaria com a alfabetização dos adultos através da valorização do código oral e da cultura popular. Simultaneamente os par- ticipantes passariam a interpretar a sua condição de vida como resultado das injustiças existentes na estrutura da sociedade brasileira. O passo seguinte seria a luta pela transformação da sociedade através da ação comunitária dos trabalhadores. Já como arcebispo de Olinda e Recife e bem relacionado com a cúpula militar, que tomaria o poder no país após o golpe de 1964, assume uma difícil posição de “neutralidade e expectativa” que o leva a se encontrar várias vezes com os presidentes Castelo Branco e Costa e Silva, visando “aparar as arestas” no relacionamento entre a Igreja e o regime ditatorial, até passar a ser também perseguido em razão da defesa que fazia dos presos políticos. Dom Hélder teve a coragem de dizer “não” aos poderosos ao denunciar publicamente que o Regime Militar promovia torturas e o extermínio físico de membros da oposição ao governo. Sua atuação foi, de fato, heroica e destemida, um exemplo extraordinário de um homem indignado com as circunstâncias em que viviam os seus semelhantes em nosso país.

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exemplo extraordinário de um homem indignado com as circunstâncias em que viviam os seus semelhantes em

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No plano internacional, Dom Hélder contribuiria para a fundação do Con- selho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e, nos bastidores do Concílio Vaticano II (1962-1965), trabalharia em favor de reformas internas na Igreja Católica, mas procurando não entrar em confronto com as orientações do Papa Paulo VI, com quem mantinha uma grande amizade. Requisitado con- ferencista internacional, a defesa que fazia pelos direitos humanos, pelo fim da exploração dos países pobres pelos ricos e pela paz mundial valera-lhe inúmeros prêmios, distinções e doutorados Honoris Causa, concedidos pelas mais prestigiosas instituições mundiais, credenciando-o como candidato ao Prêmio Nobel da Paz nos anos 1970. Após ser cogitado pelo embaixador Charles Elbrick, dos Estados Unidos, como um possível presidente do Brasil em uma virtual saída civil à ditadura militar, os ocupantes do poder trataram de evitar o crescimento do seu pres- tígio dentro e fora do país e conseguiram inviabilizar sua candidatura ao Prê- mio Nobel através de uma sigilosa campanha que contou com a colaboração de empresários noruegueses e brasileiros, dentre os quais os donos do jornal O Estado de São Paulo, para influenciar na decisão do Comitê do Parlamento Norueguês, responsável pela atribuição do prêmio. Para silenciá-lo, o gover-

no brasileiro proibiu que notícias a seu respeito fossem veiculadas na impren- sa. Vários de seus colaboradores foram perseguidos, presos e torturados, um dos quais chegando a ser barbaramente assassinado, o jovem padre Antonio Henrique Pereira Neto, em um crime ainda não totalmente esclarecido. Para o estudioso do catolicismo brasileiro Ralph Della Cava, “não resta dúvida que Dom Hélder faz par com Getúlio Vargas como líder político con-

sumado” e, ao lado dos cardeais Arcoverde e Leme, “

está entre os maiores

líderes religiosos no Brasil dos últimos 100 anos” (Della Cava, 1975, pág. 34). Foi pelo seu exemplo de vida que Dom Hélder se tornou esta figura emblemática inesquecível. O boicote que Dom Hélder sofreu por anos por parte do regime militar brasileiro; o fato de ele ter sido preterido várias ve- zes para ganhar o Prêmio Nobel da Paz e até mesmo o silenciamento que o Vaticano impôs sobre ele, restringindo suas viagens internacionais e suas manifestações públicas, considero que são episódios secundários diante da grandeza de sua obra e do seu legado. Ele não deixou de fazer o que acredi- tava que fosse a sua missão enquanto teve condições para isso e deixou-nos uma grande herança, como a firmeza dos seus princípios, sempre combinada com uma atitude totalmente aberta para o diálogo. Dom Hélder sabia onde pretendia chegar com a sua voz e com o testemunho da sua vida e, nesse sentido, ele pode ser considerado um grande estrategista, pois usava a sua capacidade pessoal extraordinária para defender os posicionamentos políti-

cos mais democráticos e socialmente generosos. Nessa empreitada, não po- demos esquecer o seu incansável e esperançoso esforço como religioso para

generosos. Nessa empreitada, não po- demos esquecer o seu incansável e esperançoso esforço como religioso para

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reformar a Igreja de Cristo, livrando-a dos compromissos com os poderosos e aproximando-a cada vez mais das necessidades das camadas populares. Dom Hélder faleceu em Recife no dia 27 de agosto de 1999. Como exem- plo de vida, nos deixou a sua capacidade inigualável de dialogar e conviver com pessoas comuns, grupos políticos e até religiosos que o consideravam como adversário. Também transmitiu-nos sua firmeza para denunciar des- mandos e para propor mudanças sociais profundas, inclusive na estrutura da Igreja Católica. Ao mesmo tempo, marcou-nos a sua serenidade na busca do entendimento através de uma atuação política pacífica. Hoje, quando pro- pomos o respeito às diferenças e a tolerância nas relações sociais, não esta- mos apresentando nenhuma novidade em relação ao discurso e à prática de Dom Hélder nas décadas de 1960 e 1970. Esse missionário soube preservar e transmitir valores que atualmente animam os espíritos mais generosos e comprometidos com a construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.

Walter Praxedes

(http://www.espacoacademico.com.br/093/93praxedes.htm)

Proposta I

Em comemoração ao centenário de D. Hélder Câmara, o jornal de sua ci- dade publicou uma série de textos homenageando o cearense ilustre. O seu foi um dos selecionados. Escreva-o no formato editorial.

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uma série de textos homenageando o cearense ilustre. O seu foi um dos selecionados. Escreva-o no

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Proposta II

d iCas dE v EstibulaR | Propostas de Redação Proposta II Passarei pela vida sem deixar

Passarei pela vida sem deixar nenhum

sinal mais forte, marca nenhuma dura- doura e inesquecível. Não escreverei a Suma Teológica, nem

a Divina Comédia.

Não serei S. Vicente de Paula, nem S.

João Bosco. Olharei de longe ainda S. Francisco de Assis. Escreverei uns dois livros, que umas duzentas pessoas cheguem a ler. Pre- garei alguns sermões mais ou menos louvados.

E morrerei.

No meu enterro alguém comentará que não produzi o que podia produzir.

Padre Hélder Câmara, aos 34 anos.

Do manuscrito inédito A escolha de Deus, de 1943.

Onde estão as vozes proféticas do século XXI? A figura de D. Hélder en- carna um remanescente da esperança neste tão atribulado momento históri- co, ainda marcado pela injustiça, pela intolerância, pela violência? Em contra- partida, outras vozes, contrárias à profecia, à liberdade, ao respeito, seguem erguendo-se a toda prova, a mídia o atesta. A partir do testemunho de vida de Dom Hélder, contraponha a atu- ação desse líder católico a de outra personalidade histórica, seja da política, seja da religião ou mesmo de outro campo. Para tanto, produza um artigo de opinião.

histórica, seja da política, seja da religião ou mesmo de outro campo. Para tanto, produza um

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Texto I

TEMA 6: FLAGELO

Preservativo serve para esquecer pobreza da África

2009-03-22

R.O. * RUIOSORIO@TUGAMAIL.PT

“Se não há alma, se os africanos não se ajudam, não se pode resolver o fla- gelo (da SIDA) com a distribuição de preservativos”, disse Bento XVI. Digam se houve algum Papa que tenha dito coisa diferente sobre os preservativos?

O Papa está atento às causas da SIDA e não apenas às consequências. Daí

o seu conselho para a humanização do sexo. A sua afirmação não é novidade, mas, ao dizê-lo a caminho da África, onde a SIDA é um grande flagelo, pode ter comprometido o êxito da viagem, por mais que chame a atenção para o continente mais esquecido e explorado. Talvez nos convenha reduzir o problema ao sim ou ao não ao preservativo, para nos alienarmos face a tantos africanos a morrer de fome. Antes de se

despedir dos Camarões, Bento XVI disse a doentes da SIDA, malária e tuber- culose: “Sei que junto de vós a Igreja Católica está fortemente empenhada numa luta eficaz contra estes terríveis flagelos”.

A própria ONU reconhece que a Igreja Católica tem papel de relevo no

combate às vítimas da SIDA. Mais de um quarto de todas as instituições liga- das ao tratamento dos doentes da SIDA é da iniciativa da Igreja Católica. Enquanto isso, os fazedores de opinião contentam-se com críticas ao Papa e lavam as mãos, como nada mais lhes comovesse o coração diante de quem sofre ou morre de SIDA. Lá sabem por que é que o anticlericalismo se serve frio!

(http://jn.sapo.pt/Dossies/)

Proposta I

Como você analisa a postura do Papa retratada no texto acima? Responda em um artigo de opinião.

Proposta II

Assumindo o papel de liderança dos movimentos populares, escreva uma carta a Bento XVI criticando suas declarações no continente africano.

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dos movimentos populares, escreva uma carta a Bento XVI criticando suas declarações no continente africano. 84

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Texto II

Desculpem a moléstia

Eduardo Galeano

Quero compartilhar com vocês algumas perguntas, moscas que zumbem na minha cabeça:

O zapatista do Iraque, o que jogou os sapatos contra Bush, foi condenado

a três anos de prisão. Não merecia, na verdade, uma condecoração? Quem é o terrorista? O zapatista ou o sapateado? Não é culpado de ter-

rorismo o serial killer que, mentindo, inventou a guerra do Iraque, assassinou

a um montão de gente, legalizou a tortura e mandou aplicá-la? São culpados os habitantes de Atenco, no México, ou os indígenas ma- puches do Chile, ou os kekchies da Guatemala, ou os camponeses sem terra

do Brasil, todos acusados de terrorismo por defenderem seu direito à terra? Se sagrada é a terra, mesmo se a lei não o diga, não são sagrados também os que a defendem? Segundo a revista Foreign Policy, a Somália é o lugar mais perigoso do mundo. Mas quem são os piratas? Os mortos de fome que assaltam navios ou os especuladores de Wall Street, que há anos assaltam o mundo e agora recebem multimilionárias recompensas por suas atividades? Porque o mundo premia os que o saqueiam? Por que a justiça é cega de um único olho? Wal Mart, a empresa mais po- derosa de todas, proíbe os sindicatos. McDonald’s, também. Por que estas empresa violam, com delinquente impunidade, a lei internacional? Será que

é por que no mundo do nosso tempo o trabalho vale menos do que o lixo e

valem menos ainda os direitos dos trabalhadores? Quem são os justos e quem são os injustos? Se a justiça internacional realmente existe, por que não julga nunca aos poderosos? Não são presos os autores dos mais ferozes massacres? Será que é porque são eles que têm as chaves das prisões? Por que são intocáveis as cinco potências que têm direito de veto nas Nações Unidas? Esse direito tem origem divina? Velam pela paz os que fazem

o negócio da guerra? É