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Por volta dos séculos IX e VIII A.C., a matemática engatinhava na Babilônia.

Os babilônios e os egípcios já tinham uma álgebra e uma geometria, mas somente o que
bastasse para as suas necessidades práticas, e não de uma ciência organizada.

Na Babilônia, a matemática era cultivada entre os escribas responsáveis pelos tesouros


reais.

Apesar de todo material algébrico que tinham os babilônios e egípcios, só podemos


encarar a matemática como ciência, no sentido moderno da palavra, a partir dos séculos
VI e V A.C., na Grécia.

A matemática grega se distingue da babilônica e egípcia pela maneira de encará-la.

Os gregos fizeram-na uma ciência propriamente dita sem a preocupação de suas


aplicações práticas.

Do ponto de vista de estrutura, a matemática grega se distingue da anterior, por ter


levado em conta problemas relacionados com processos infinitos, movimento e
continuidade.

As diversas tentativas dos gregos de resolverem tais problemas fizeram com que
aparecesse o método axiomático-dedutivo.

O método axiomático-dedutivo consiste em admitir como verdadeiras certas


preposições (mais ou menos evidentes) e a partir delas, por meio de um encadeamento
lógico, chegar a proposições mais gerais.

As dificuldades com que os gregos depararam ao estudar os problemas relativos a


processos infinitos (sobretudo problemas sobre números irracionais) talvez sejam as
causas que os desviaram da álgebra, encaminhando-os em direção à geometria.

Realmente, é na geometria que os gregos se destacam, culminando com a obra de


Euclides, intitulada "Os Elementos".

Sucedendo Euclides, encontramos os trabalhos de Arquimedes e de Apolônio de Perga.

Arquimedes desenvolve a geometria, introduzindo um novo método, denominado


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(-), como nós os utili mos atualmente.

É a ál ebra que nasce e se põe em franco desenvolvimento.

Tal desenvolvimento é finalmente consolidado na obra do matemático francês, François


Viete, denominada " l ebra Speciosa".

Nela os símbolos alfabéticos têm uma si nificação geral, podendo designar números,
segmentos de retas, entes geométricos etc.

No século XVII, a matemática toma nova forma, destacando-se de início René


Descartes e Pierre Fermat.

A grande descoberta de R. Descartes foi sem dúvida a " eometria Analítica" que, em
síntese, consiste nas aplicações de métodos algébricos à geometria.

Pierre Fermat era um advogado que nas horas de lazer se ocupava com a matemática.

Desenvolveu a teoria dos números primos e resolveu o importante problema do traçado


de uma tangente a uma curva plana qualquer, lançando assim, sementes para o que mais
tarde se iria chamar, em matemática, teoria dos máximos e mínimos.

Vemos assim no século XVII começar a germinar um dos mais importantes ramos da
matemática, conhecido como Análise Matemática.

Ainda surgem, nessa época, problemas de Física: o estudo do movimento de um corpo,


já anteriormente estudados por Galileu Galilei.

Tais problemas dão origens a um dos primeiros descendentes da Análise: o Cálculo


Diferencial.

O Cálculo Diferencial aparece pela primeira vez nas mãos de Isaac Newton (1643-
1727), sob o nome de "cálculo das fluxões", sendo mais tarde redescoberto
independentemente pelo matemático alemão Gottfried Wihelm Leibniz.

A Geometria Analítica e o Cálculo dão um grande impulso à matemática.


Seduzidos por essas novas teorias, os matemáticos dos séculos XVII e XVIII, corajosa e
despreocupadamente se lançam a elaborar novas teorias analíticas.

Mas nesse ímpeto, eles se deixaram levar mais pela intuição do que por uma atitude
racional no desenvolvimento da ciência.

Não tardaram as consequências de tais procedimentos, começando por aparecer


contradições.

Um exemplo clássico disso é o caso das somas infinitas, como a soma abaixo:

S = 3 - 3 + 3 - 3 + 3...........

supondo que se tenha um nº infinito de termos.

Se agruparmos as parcelas vizinhas teremos:

S = (3 - 3) + (3 - 3) + ...........= 0 + 0 +.........= 0

Se agruparmos as parcelas vizinhas, mas a partir da 2ª, não agrupando a primeira:

S = 3 + ( - 3 + 3) + ( - 3 + 3) + ...........= 3 + 0 + 0 + ......... = 3

O que conduz a resultados contraditórios.

Esse "descuido" ao trabalhar com séries infinitas era bem característicos dos
matemáticos daquela época, que se acharam então num "beco sem saída'.

Tais fatos levaram, no ocaso do século XVIII, a uma atitude crítica de revisão dos fatos
fundamentais da matemática.

Pode-se afirmar que tal revisão foi a "pedra angular" da matemática.

Essa revisão se inicia na Análise, com o matemático francês Louis Cauchy (1789 -
1857), professor catedrático na Faculdade de Ciências de Paris.

Cauchy realizou notáveis trabalhos, deixando mais de 500 obras escritas, das quais
destacamos duas na Análise: "Notas sobre o desenvolvimento de funções em séries" e
"Lições sobre aplicação do cálculo à geometria".

Paralelamente, surgem geometrias diferentes da de Euclides, as denominadas


Geometrias não euclidianas.

Por volta de 1900, o método axiomático e a Geometria sofrem a influência dessa atitude
de revisão crítica, levada a efeito por muitos matemáticos, dentre os quais destacamos
D. Hilbert, com sua obra "Fundamentos da Geometria" ("Grudlagen der Geometrie"
título do original), publicada em 1901.

A Álgebra e a Aritmética tomam novos impulsos.

Um problema que preocupava os matemáticos era o da possibilidade ou não da solução


de equações algébricas por meio de fórmulas que aparecessem com radicais.

Já se sabia que em equações do 2º e 3º graus isto era possível; daí surgiu a seguinte
questão: será que as equações do 4º graus em diante admitem soluções por meio de
radicais?

Em trabalhos publicados por volta de 1770, Lagrange (1736 - 1813) e Vandermonde


(1735-96) iniciaram estudos sistemáticos dos métodos de resolução.

À medida em que as pesquisas se desenvolviam no sentido de achar tal tipo de


resolução, ia se evidenciando que isso não era possível.

No primeiro terço do século XIX, Niels Abel (1802-29) e Evariste de Galois (1811-32)
resolvem o problema, demonstrando que as equações do quarto e quinto grau em diante
não podiam ser resolvidas por radicais.

O trabalho de Galois, somente publicado em 1846, deu origem a chamada "teoria dos
grupos" e à denominada "Álgebra Moderna", dando também grande impulso à teoria
dos números.

Com respeito à teoria dos números não nos podemos esquecer das obras de R. Dedekind
e Gorg Cantor.

R. Dedekind define os números irracionais pela famosa noção de "Corte".

Georg Cantor dá início à chamada Teoria dos conjuntos, e de maneira arrojada aborda a
noção de infinito, revolucionando-a.

A partir do século XIX a matemática começa então a se ramificar em diversas


disciplinas, que ficam dada vez mais abstratas.

Atualmente se desenvolvem tais teorias abstratas, que se subdividem em outras


disciplinas.

Os entendidos afirmam que estamos em plena "idade de ouro" da Matemática, e que


neste últimos cinquenta anos tem se criado tantas disciplinas, novas matemáticas, como
se haviam criado nos séculos anteriores.
Esta arremetida em direção ao "Abstrato", ainda que não pareça nada prática, tem por
finalidade levar adiante a "Ciência".

A história tem mostrado que aquilo que nos parece pura abstração, pura fantasia
matemática, mais tarde se revela como um verdadeiro celeiro de aplicações práticas.
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Se nos fosse possível voltar à época de 640 a.C., na então florescente cidade de Mileto
encontraríamos um próspero comerciante, já muito famoso, por, entre outras coisas, ter
predito um eclipse ocorrido em maio de 585 a.C.

Chama-se Tales, e foi posteriormente incluído entre os denominados "sete sábios da


Antiguidade". Sendo comerciante, teve oportunidade de tomar contacto com a
matemática dos egípcios.

A matemática egípcia tinha um caráter eminentemente prático; não era formada por um
corpo de conhecimentos interligados, mas sim, por conhecimentos esparsos.

Um dos poucos fragmentos de que dispomos dos conhecimentos matemáticos dos


egípcios se acham no denominado papiro de Rhind, de autoria do escriba Ahmes.

Esse papiro é a assim chamado em honra a um antiquário escocês que o comprou em


1858 de um mercador da cidade de Luxor, às margens do Nilo.

Em tal papiro encontramos as seguintes palavras (sobre o objetivo mesmo): "direção


para saber todas as coisas obscuras".

Euclides

Pouco se sabe com certeza da vida de Euclides.

Sabemos que viveu em Bizâncio entre os anos de 485 a 410 a.C.


Nesse tempo, o sábio Ptolomeu I, sucedia a Alexandre Magno no trono do Egito. Sob
seus cuidados, surgiu em Alexandria uma instituição, denominada "Museu", que
congregava a maioria dos sábios da época. O Museu foi erigido ao lado do palácio real,
tinha dependências residenciais, salas de aula, e de conferências, e o que é mais
importante ² a maior biblioteca da época.

Euclides foi o primeiro diretor do Museu, e, graças a isso, pode organizar os resultados
obtidos por matemáticos anteriores (Tales, Pitágoras, Eudoxo e outros).Tal organização
se acha em sua imortal obra, modestamente intitulada de "Os Elementos'.

"Os Elementos" é um conjunto de 13 livros dedicados ao fundamento e


desenvolvimento lógico e sistemático da geometria.

O primeiro livro trata das questões que são fundamentais para a geometria, e o seu
estilo, sua ordenção, serviram de normas diretoras para todas as outras obras posteriores
da matemática. Os princípios dos quais parte Euclides para edificar a geometria são as
definições, os postulados e os entes primitivos.

As definições são, no ínicio, em número de 23, e ao todo, no texto, atingem 120. Por
exemplo, no primeiro livro, encontramos as seguintes definições:

"Ponto é aquilo que não tem partes"

"Reta é o comprimento sem espessura"

"Superfície é o que tem unicamente comprimento e largura"

"Retas paralelas são aquela que, estando em um mesmo plano, não se encontram ao
serem prolongadas indefinidamente".

Essas definições, agora nos parecem um tanto ingênuas e despidas de rigor lógico, mas
tenhamos em conta a época em que foram escritas e o pioneirismo de Euclides.
Adotando em seguida 10 postulados Euclides deduz seus teoremas. A partir do dia de
seu aparecimento "Os Elementos" se tornou a obra clássica da Geometria, e de tal modo
foi difundida que chegou a sobrepujar o seu autor, a ponto de, na Idade Média, se negar
a existência física de Euclides.

Os sucessos de Euclides

Depois de Euclides, dois matemáticos de gabariot apareceram em Alexandria: Apol nio


e Arquimedes, sendo este último considerado uma das maiores personagens da
Antiguidade.

É interessante notar-se que tanto Apol nio como Arquimedes fizeram suas
investigações matemáticas dentro de um espírito plat nico, isto é, na mais alta abstração
dos fatos concretos que deram origem às mesmas.

Apol nio, dedicou-se principalmente ao estudo de uma família de curvas denominadas


de ² cônicas.

A razão desta denominação é que tais curvas resultam de um corte conveniente do cone.
Dependendo da maneira como cortamos o cone, resultará uma circunferência de círculo
ou uma elipse, ou uma parábola, ou ainda uma hipérbole. As curvas cônicas
desepenham papel relevante na física e na matemática atual. As órbitas do planetas são
elipses, a trajetória dos foguetes balísticos são parábolas, os espelhos dos telescópios
são parabólicos, etc.

Apolônio recebeu um apelido curioso de seus discípulos, o de Épsilon, em virtude de


sua sala de aula ser designada pela letra grega épsilon. Podemos dizer que Apolônio,
com a sua obra, deu um "fecho de ouro" na geometria grega. Mas ele ainda não seria o
último; em seguida nos encontramos com um verdadeiro gênio ² Arquimedes de
Sirascusa.

Arquimedes ² O "Newton" grego

Arquimedes nasceu na cidade de Siracusa no ano 287 a.C., descendente da família real.
Embora da época tão remota podemos considerar Arquimedes como um moderno em
pesamento. Realmente podemos equipará-lo com o genial físico e matemático inglês
Isaac Newton.

Arquimedes não foi só matemático, mas também iventor. Seus inventos eram baseados
no que hoje chamamos de máquinas simples ² alavancas, roldanas, sarilhos. É famosa
a sua afirmação (querendo ressaltar os efeitos de uma alvanca):

"Dai-me um ponto de apoio e eu moverei o mundo".

Arquimedes construiu muitos engenhos de guerra, através dos quais a sua cidade,
Siracusa, conseguiu resistir às hostes romanas durante mais de dois anos. Sabe-se que
Arquimedes incendiou e destruiu uma esquadra romana, usando espelhos parabólicas.
Aida é sua descoberta o "parafuso sem fim", o qual utiliza para elevação da água.

Um problema onde Arquimedes mostrou toda a sua habilidade como matemático foi,
sem dúvida, aquele para se calcular a àrea de um círculo de raio R.

Para isso ele usou um raciocínio que só mais tarde (1600 a 1700 d.C.) iria ser utilizado
por Newton e Leibniz na invenção do cálculo infinitesimal.

Seja S a área do círculo. Dividimos tal círculo em número muito grande de partes iguais
(por meio de triângulos). Obtemos assim um polígono cuja área A é menor que S (área
do círculo). Coloquem-se agora tais triângulos sobre uma reta.

O segmento AB tem para medida um número que chamaremos de P. P é o menor que o


comprimento de C da circunferência do círculo.

Com esta tira de triângulos podemos formar um "retângulo" de altura R


(aproximadamente) e base 1/2P, obtido dobrando-a ao meio (para um número finito de
triângulos, temos um paralelogramo).

A área desse "retângulo" é A e é menor que S.

A área de A se aproximará de S quanto maior for o número de divisões. Se o número n


de divisões for infinito, a área A coincidirá com S e o comprimento P coincidira com c.

Um outro problema que sempre apaixonou Arquimedes, e que, segundo ele, era "o mais
difícil", foi o de encontrar a relação entre o volume do cone, da esfera e do cilindro, um
colocado dentro do outro (cone e cilindro equiláteros, inscrito e excrito na esfera)

Uma famosa descoberta de Arquimedes é o conhecido "Princípio de Arquimedes", da


hidrostática, que diz:

" Todo corpo imerso em um fluido recebe deste um empuxo vertical (de baixo para
cima) em intensidade igual ao volume deslocado do fluido".

Conta a lenda (narrada posteriormente pelo arquiteto romano vitrúvio) que Arquimedes
descobriu tal princípio enquanto tomava banho, e que saiu gritando pelas ruas ²
"Eureka, Eureka! que quer dizer "Achei"!

Os egípcios criam os símbolos


Por volta do ano 4.000 a.C., algumas comunidades primitivas aprenderam a usar
ferramentas e armas de bronze. Aldeias situadas às margens de rios transformaram-se
em cidades. A vida ia ficando cada vez mais complexa. Novas atividades iam surgindo,
graças sobretudo ao desenvolvimento do comércio. Os agricultores passaram a produzir
alimentos em quantidades superiores às suas necessidades. Com isso algumas pessoas
puderam se dedicar a outras atividades, tornando-se artesãos, comerciantes, sacerdotes,
administradores.

Como conseqüência desse desenvolvimento surgiu a escrita. Era o fim da Pré-História e


o começo da História. Os grandes progressos que marcaram o fim da Pré-História
verificaram-se com muita intensidade e rapidez no Egito. Você certamente já ouviu
falar nas pirâmides do Egito. Para fazer os projetos de construção das pirâmides e dos
templos, o número concreto não era nada prático. Ele também não ajudava muito na
resolução dos difíceis problemas criados pelo desenvolvimento da indústria e do
comércio.

Como efetuar cálculos rápidos e precisos com pedras, nós ou riscos em um osso? Foi
partindo dessa necessidade imediata que estudiosos do Antigo Egito passaram a
representar a quantidade de objetos de uma coleção através de desenhos ± os símbolos.
A criação dos símbolos foi um passo muito importante para o desenvolvimento da
Matemática. Na Pré-História, o homem juntava 3 bastões com 5 bastões para obter 8
bastões. Hoje sabemos representar esta operação por meio de símbolos. 3 + 5 = 8
Muitas vezes não sabemos nem que objetos estamos somando. Mas isso não importa: a
operação pode ser feita da mesma maneira. Mas como eram os símbolos que os egípcios
criaram para representar os números?

Contando com os egípcios


Há mais ou menos 3.600 anos, o faraó do Egito tinha um súdito chamado Aahmesu,
cujo nome significa ³Filho da Lua´. Aahmesu ocupava na sociedade egípcia uma
posição muito mais humilde que a do faraó: provavelmente era um escriba. Hoje
Aahmesu é mais conhecido do que muitos faraós e reis do Antigo Egito. Entre os
cientistas, ele é chamado de Ahmes. Foi ele quem escreveu o Papiro Ahmes.

O papiro Ahmes é um antigo manual de matemática. Contém 80 problemas, todos


resolvido. A maioria envolvendo assuntos do dia-a-dia, como o preço do pão, a
armazenagem de grãos de trigo, a alimentação do gado. Observando e estudando como
eram efetuados os cálculos no

Papiro Ahmes, não foi difícil aos cientistas compreender o sistema de numeração
egípcio. Além disso, a decifração dos hieróglifos ± inscrições sagradas das tumbas e
monumentos do Egito ± no século XVIII também foi muito útil. O sistema de
numeração egípcio baseava-se em sete números-chave:

1 10 100 1.000 10.000 100.000 1.000.000 Os egípcios usavam símbolos para


representar esses números. Um traço vertical representava 1 unidade: Um osso de
calcanhar invertido representava o número 10: Um laço valia 100 unidades: Uma flor de
lótus valia 1.000: Um dedo dobrado valia 10.000: Com um girino os egípcios
representavam 100.000 unidades: Uma figura ajoelhada, talvez representando um deus,
valia 1.000.000:

Todos os outros números eram escritos combinando os números-chave. Na escrita dos


números que usamos atualmente, a ordem dos algarismos é muito importante. Se
tomarmos um número, como por exemplo: 256 e trocarmos os algarismos de lugar,
vamos obter outros números completamente diferentes: 265 526 562 625 652 Ao
escrever os números, os egípcios não se preocupavam com a ordem dos símbolos.
Observe no desenho que apesar de a ordem dos símbolos não ser a mesma, os três
garotos do Antigo Egito estão escrevendo o mesmo número:

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Os papiros da Matemática egípcia

Quase tudo o que sabemos sobre a Matemática dos antigos egípcios se baseia em dois
grandes papiros: o Papiro Ahmes e o Papiro de Moscou. O primeiro foi escrito por volta
de 1.650 a.C. e tem aproximadamente 5,5 m de comprimento e 32 cm de largura. Foi
comprado em 1.858 por um antiquário escocês chamado Henry Rhind. Por isso é
conhecido também como Papiro de Rhind. Atualmente encontra-se no British Museum,
de Londres. O Papiro de Moscou é uma estreita tira de 5,5 m de comprimento por 8 cm
de largura, com 25 problemas. Encontra-se atualmente em Moscou. Não se sabe nada
sobre o seu autor.
A técnica de calcular dos egípcios

Com a ajuda deste sistema de numeração, os egípcios conseguiam efetuar todos os


cálculos que envolviam números inteiros. Para isso, empregavam uma técnica de
cálculo muito especial: todas as operações matemáticas eram efetuadas através de uma
adição. Por exemplo, a multiplicação 13 * 9 indicava que o 9 deveria ser adicionado
treze vezes.

13 * 9 = 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 A tabela abaixo ajuda a


compreender como os egípcios concluíam a muliplicação:

Número de parcelas Resultado 1 9 2 18 4 36 8 72

Eles buscavam na tabela um total de 13 parcelas; era simplesmente a soma das três
colunas destacadas:

1 + 4 + 8 = 13 O resultado da multiplicação 13 * 9 era a soma dos resultados desta três


colunas:

9 + 36 + 72 = 117 Os egípcios eram realmente muito habilidosos e criativos nos


cálculos com números inteiros. Mas, em muitos problemas práticos, eles sentiam
necessidades de expressar um pedaço de alguma coisa através de um número. E para
isso os números inteiros não serviam.

Descobrindo a fração
Por volta do ano 3.000 a.C., um antigo faraó de nome Sesóstris... ³... repartiu o solo do
Egito às margens do rio Nilo entre seus habitantes. Se o rio levava qualquer parte do
lote de um homem, o faraó mandava funcionários examinarem e determinarem por
medida a extensão exata da perda.´ Estas palavras foram escritas pelo historiador grego
Heródoto, há cerca de 2.300 anos. O rio Nilo atravessa uma vasta planície. Uma vez por
ano, na época das cheias, as águas do Nilo sobem muitos metros acima de seu leito
normal, inundando uma vasta região ao longo de suas margens. Quando as águas
baixam, deixam descobertas uma estreita faixa de terras férteis, prontas para o cultivo.
Desde a Antigüidade, as águas do Nilo fertilizam os campos, beneficiando a agricultura
do Egito. Foi nas terras férteis do vale deste rio que se desenvolveu a civilização
egípcia. Cada metro de terra era precioso e tinha de ser muito bem cuidado.

Sesóstris repartiu estas preciosas terras entre uns poucos agricultores privilegiados.
Todos os anos, durante o mês de junho, o nível das águas do Nilo começava a subir. Era
o início da inundação, que durava até setembro. Ao avançar sobre as margens, o rio
derrubava as cercas de pedra que cada agricultor usava par marcar os limites do terreno
de cada agricultor. Usavam cordas para fazer a medição. Havia uma unidade de medida
assinada na própria corda. As pessoas encarregadas de medir esticavam a corda e
verificavam quantas vezes aquela unidade de medida estava contida nos lados do
terreno. Daí, serem conhecidas como estiradores de cordas. No entanto, por mais
adequada que fosse a unidade de medida escolhida, dificilmente cabia um número
inteiro de vezes no lados do terreno. Foi por essa razão que os egípcios criaram um
novo tipo de número: o número fracionário. Para representar os números fracionários,
usavam frações.

As complicadas frações egípcias

Os egípcios interpretavam a fração somente como uma parte da unidade. Por isso,
utilizavam apenas as frações unitárias, isto é, com numerador igual a 1. Para escrever as
frações unitárias, colocavam um sinal oval alongado sobre o denominador. As outras
frações eram expressas através de uma soma de frações de numerador 1. Os egípcios
não colocavam o sinal de adição - + - entre as frações, porque os símbolos das
operações ainda não tinham sido inventados. No sistema de numeração egípcio, os
símbolos repetiam-se com muita freqüência. Por isso, tanto os cálculos com números
inteiros quanto aqueles que envolviam números fracionários eram muito complicados.
Assim como os egípcios, outros povos também criaram o seu próprio sistema de
numeração. Porém, na hora de efetuar os cálculos, em qualquer um dos sistemas
empregados, as pessoas sempre esbarravam em alguma dificuldade. Apenas por volta
do século III a.C. começou a se formar um sistema de numeração bem mais prático e
eficiente do que os outros criados até então: o sistema de numeração romano.

Contando com os romanos


De todas as civilizações da Antigüidade, a dos romanos foi sem dúvida a mais
importante. Seu centro era a cidade de Roma. Desde sua fundação, em 753 a.C., até ser
ocupada por povos estrangeiros em 476 d.C., seus habitantes enfrentaram um número
incalculável de guerras de todos os tipos. Inicialmente, para se defenderem dos ataques
de povos vizinhos; mais tarde nas campanhas de conquistas de novos territórios. Foi
assim que, pouco a pouco, os romanos foram conquistando a península Itálica e o
restante da Europa, além de uma parte da Ásia e o norte de África.

Apesar de a maioria da população viver na miséria, em Roma havia luxo e muita


riqueza, usufruídas por uma minoria rica e poderosa. Roupas luxuosas, comidas finas e
festas grandiosas faziam parte do dia-a-dia da elite romana. Foi nesta Roma de miséria e
luxo que se desenvolveu e aperfeiçoou o número concreto, que vinha sendo usado desde
a época das cavernas. Como foi que os romanos conseguiram isso?

O sistema de numeração romano

Os romanos foram espertos. Eles não inventaram símbolos novos para representar os
números; usaram as próprias letras do alfabeto.

I V X L C D M Como será que eles combinaram estes símbolos para formar o seu
sistema de numeração? O sistema de numeração romano baseava-se em sete números-
chave: I tinha o valor 1. V valia 5. X representava 10 unidades. L indicava 50 unidades.
C valia 100. D valia 500. M valia 1.000.

Quando apareciam vários números iguais juntos, os romanos somavam os seus valores.

II = 1 + 1 = 2 XX = 10 + 10 = 20 XXX = 10 + 10 + 10 = 30

Quando dois números diferentes vinham juntos, e o menor vinha antes do maior,
subtraíam os seus valores.

IV = 4 porque 5 - 1 = 4 IX = 9 porque 10 ± 1 = 9 XC = 90 porque 100 ± 10 = 90

Mas se o número maior vinha antes do menor, eles somavam os seus valores.

VI = 6 porque 5 + 1 = 6 XXV = 25 porque 20 + 5 = 25 XXXVI = 36 porque 30 + 5 + 1


= 36 LX = 60 porque 50 + 10 = 60

Ao lermos o cartaz, ficamos sabendo que o exercíto de Roma fez numa certa época
MCDV prisioneiros de guerra. Para ler um número como MCDV, veja os cálculos que
os romanos faziam:

Em primeiro lugar buscavam a letra de maior valor. M = 1.000


Como antes de M não tinha nenhuma letra, buscavam a segunda letra de maior valor.

D = 500

Depois tiravam de D o valor da letra que vem antes.

D ± C = 500 ± 100 = 400

Somavam 400 ao valor de M, porque CD está depois e M.

M + CD = 1.000 + 400 = 1.400

Sobrava apenas o V. Então:

MCDV = 1.400 + 5= 1.405

Os milhares Como você acabou de ver, o número 1.000 era representado pela letra M.
Assim, MM correspondiam a 2.000 e MMM a 3.000. E os números maiores que 3.000?
Para escrever 4.000 ou números maiores que ele, os romanos usavam um traço
horizontal sobre as letras que representavam esses números. Um traço multiplicava o
número representado abaixo dele por 1.000. Dois traços sobre o M davam-lhe o valor de
1 milhão. O sistema de numeração romano foi adotado por muitos povos. Mas ainda era
difícil efetuar cálculos com este sistema. Por isso, matemáticos de todo o mundo
continuaram a procurar intensamente símbolos mais simples e mais apropriados para
representar os números. E como resultado dessas pesquisas, aconteceu na Índia uma das
mais notáveis invenções de toda a história da Matemática: O sistema de numeração
decimal.

Afinal os nossos números

No século VI foram fundados na Síria alguns centros de cultura grega. Consistiam numa
espécie de clube onde os sócios se reuniam para discutir exclusivamente a arte e a
cultura vindas da Grécia. Ao participar de uma conferência num destes clubes, em 662,
o bispo sírio Severus Sebokt, profundamente irritado com o fato de as pessoas
elogiarem qualquer coisa vinda dos gregos, explodiu dizendo:

³Existem outros povos que também sabem alguma coisa! Os hindus, por exemplo, têm
valiosos métodos de cálculos. São métodos fantásticos! E imaginem que os cálculos são
feitos por apenas nove sinais!´. A referência a nove, e não dez símbolos, significa que o
passo mais importante dado pelos hindus para formar o seu sistema de numeração ± a
invenção do zero - ainda não tinha chegado ao Ocidente. A idéia dos hindus de
introduzir uma notação para uma posição vazia ± um ovo de ganso, redondo ± ocorreu
na Índia, no fim do século VI. Mas foram necessários muitos séculos para que esse
símbolo chegasse à Europa. Com a introdução do décimo sinal ± o zero ± o sistema de
numeração tal qual o conhecemos hoje estava completo. Até chegar aos números que
você aprendeu a ler e escrever, os símbolos criados pelos hindus mudaram bastante.
Hoje, estes símbolos são chamados de algarismos indo-arábicos. Se foram os
matemáticos hindus que inventaram o nosso sistema de numeração, o que os árabes têm
a ver com isso? E por que os símbolos

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 são chamados de algarismos?

Os árabes divulgam ao mundo os números hindus

Simbad, o marujo, Aladim e sua lâmpada maravilhosa, Harum al-Raschid são nomes
familiares para quem conhece os contos de As mil e uma noites. Mas Simbad e Aladim
são apenas personagens do livro, Harum al-Raschid realmente existiu. Foi o califa de
Bagdá, do ano 786 até 809. Durante o seu reinado os povos árabes travaram uma séria
de guerras de conquista. E como prêmios de guerra, livros de diversos centros
científicos foram levados para Bagdá e traduzidos para a língua árabe.

Em 809, o califa de Bagdá passou a ser al-Mamum, filho de Harum al-Rahchid. Al-
Mamum era muito vaidoso. Dizia com toda a convicção. ³Não há ninguém mais culto
em todos os ramos do saber do que eu´. Como era um apaixonado da ciência, o califa
procurou tornar Bagdá o maior centro científico do mundo, contratando os grandes
sábios muçulmanos da época. Entre eles estava o mais brilhante matemático árabe de
todos os tempos: al-Khowarizmi. Estudando os livros de Matemática vindos da Índia e
traduzidos para a língua árabe, al-Khowarizmi surpreendeu-se a princípio com aqueles
estranhos símbolos que incluíam um ovo de ganso! Logo, al-Khowarizmi compreendeu
o tesouro que os matemáticos hindus haviam descobertos. Com aquele sistema de
numeração, todos os cálculos seriam feitos de um modo mais rápido e seguro. Era
impossível imaginar a enorme importância que essa descoberta teria para o
desenvolvimento da Matemática.
Al-Khowarizmi decidiu contar ao mundo as boas nova. Escreveu um livro chamado
Sobre a arte hindu de calcular, explicando com detalhes como funcionavam os dez
símbolos hindus. Com o livro de al-Khowarizmi, matemáticos do mundo todo tomaram
conhecimento do sistema de numeração hindu. Os símbolos ± 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 ±
ficaram conhecidos como a notação de al-Khowarizmi, de onde se originou o termo
latino algorismus. Daí o nome algarismo. São estes números criados pelos matemáticos
da Índia e divulgados para outros povos pelo árabe al-Khowarizmi que constituem o
nosso sistema de numeração decimal conhecidos como algarismo indo-arábicos.

Os números racionais

Com o sistema de numeração hindu ficou fácil escrever qualquer número, por maior que
ele fosse.

0 13 35 98 1.024 3.645.872 Como estes números foram criados pela necessidade prática
de contar as coisas da natureza, eles são chamados de números naturais. Os números
naturais simplificaram muito o trabalho com números fracionários. Não havia mais
necessidade de escrever um número fracionário por meio de uma adição de dois
fracionários, como faziam os matemáticos egípcios. O número fracionário passou a ser
escrito como uma razão de dois números naturais. A palavra razão em matemática
significa divisão. Portanto, os números inteiros e os números fracionários podem ser
expressos como uma razão de dois números naturais. Por isso, são chamados de
números racionais. A descoberta de números racionais foi um grande passo para o
desenvolvimento da Matemática.