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Pedagogia Waldorf

Paulo Viníccius Vieira

Programa de Mestrado em Computação Aplicada


Universidade do Vale do Itajaí (Univali)
pauloviniccius@univali.br
Resumo. Este artigo apresenta um estudo teórico sobre a Pedagogia Waldorf,
prática pedagógica utilizada na educação de crianças e adolescentes. Esta prática é
fundamentada nos preceitos da Antroposofia e, com base nesta filosofia, visa à
formação integral do ser humano e o despertar de seus alunos, estabelecendo um
relacionamento sadio com seu ambiente e com todos os indivíduos que dele
participem.

1. Introdução
A Pedagogia Waldorf, resultado de um trabalho de conhecimento e de vivências de Rudolf
Steiner e seus colaboradores, está pautada na visão integral, holística do ser humano, cujo
conhecimento e aperfeiçoamento são guiados pelos pilares básicos que constituem a ciência
espiritual, denominada por Steiner Antroposofia.
Esse método pedagógico observa uma primeira realidade que é o desenvolvimento da
personalidade de seus alunos, o qual admite, sem julgamento de credo, raça ou cultura,
procurando fazer-lhes jus e a eles adaptar-se.
Este trabalho apresenta os principais fundamentos da Pedagogia Waldorf e como esta
abordagem esta fortemente relacionada com as práticas da Antroposofia. Apresenta ainda
aspectos do currículo e das práticas pedagógicas adotadas nas escolas Waldorf no Brasil e
demonstra de que forma esta abordagem visualiza a utilização de meios eletrônicos e
computadores na educação de crianças e jovens.

2. A Antroposofia
A Antroposofia, do grego “conhecimento sobre o ser humano” foi introduzida no início do
século XX pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), pode ser caracterizada como um
método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento
obtido pelo método científico convencional. A Antroposofia busca levar o ser humano ao
conhecimento de si mesmo, mas sempre integrado ao universo, pois defende que a conexão
entre homem e natureza está presente em todos os fenômenos.
Apesar de suas construções serem baseadas em preceitos que muito se assemelham à
religião, não quer dizer a mesma coisa. A Antroposofia é entendida como a visão do Universo e
do Homem obtida por meio de métodos científicos, respeitando a liberdade espiritual de cada
indivíduo
Com base nestes princípios básicos, a Antroposofia possui aplicação em diversas áreas
da vida humana, como a medicina, farmacologia, nutrição, fisioterapia, psicoterapia, pedagogia,
jardinagem, arquitetura, administração e espiritualidade (SETZER, 1988; SOCIEDADE
ANTROPOSÓFICA DO BRASIL, 2011).

3. Pedagogia Waldorf
A Pedagogia Waldorf foi criada na Alemanha pelo filósofo Rudolf Steiner no ano de 1919. Ela
está baseada nos conceitos da Antroposofia, ciência espiritual criada por este mesmo filósofo.
A Antroposofia elaborada por Steiner tem por objeto o homem como indivíduo, mas a
pedagogia Waldorf não se limita a essa visão. A pedagogia Waldorf visa à formação integral do
ser humano, focando não só o desenvolvimento da inteligência e a qualidade de conhecimentos,
como também o estímulo da vontade, relacionamentos, ideais sociais, entre outros. Pretende
despertar em seus alunos todas as suas potencialidades, estabelecendo um relacionamento sadio
com seu ambiente e com todos os indivíduos que dele participem (COSTA, 2005;
MUTARELLI, 2006).
O ensino Waldorf baseia-se em uma abordagem transdisciplinar que trata das
necessidades e do desenvolvimento da criança em crescimento e do adolescente na fase de
amadurecimento. A pedagogia Waldorf tem como objetivo desenvolver a personalidade de
forma equilibrada, desenvolvendo na criança e no jovem a clareza do raciocínio, o equilíbrio
emocional e a iniciativa de ação (SETZER, 1988).
Uma das concepções dessa pedagogia é a de que a vivência deve preceder a teoria, desta
forma o conteúdo curricular deve ser ajustado ao momento particular do desenvolvimento do
aluno, de modo que haja uma identidade entre o que ele vive e o que ele deve aprender.
De acordo com a Antroposofia, a evolução do ser humano em sua fase inicial pode ser
dividida em três grandes etapas, correspondentes a períodos de sete anos. A cada um destes
períodos, é dado o nome de setênio. As escolas Waldorf baseiam suas práticas pedagógicas de
acordo com cada um destes períodos (COSTA, 2005; , LANZ, 1979; SETZER, 1988).
Setzer resume os principais elementos que devem ser apresentados às crianças como: o
bom, o belo e o verdadeiro, correspondendo ao primeiro, segundo e terceiro setênios,
respectivamente (SETZER, 1988).
3.1. Primeiro Setênio
Durante o primeiro setênio (0 a 7 anos) ocorre o desenvolvimento da base física do ser
humano. Neste período, as crianças são dominadas por impulsos, que se manifestam em
atividades motoras e estão abertas ao mundo externo com uma inigualável capacidade de
absorção. Essa permeabilidade inconsciente absorve não só o aspecto físico ao seu redor (cor /
som / forma), como também o clima emotivo, os sentimentos e até o próprio caráter das
pessoas. Desta forma, deve-se apresentar às crianças um mundo bom e harmonioso, baseado na
natureza (COSTA, 2005; SETZER, 1988; SETZER, 2001).
Durante este período o ser humano não deveria ser submetido a um ensino formal, mas
somente indireto, através de histórias, jogos, brincadeiras e trabalhos manuais simples. Neste
período, as crianças não deveriam ser alfabetizadas, levando-se em conta o fato de que as letras
do alfabeto são abstrações que estas crianças não estão preparadas fisiologicamente para
assimilá-las. As forças que seriam gastas neste processo deveriam ser aplicadas no
estabelecimento da base física da criança, na aprendizagem do andar, do falar e da coordenação
motora. Para isto deve-se utilizar como recursos educacionais a imaginação, a música, o ritmo e
a imitação (SETZER, 1988; SETZER, 2001).
Os educadores deste período devem ser considerados como um “professor-mãe”, ser
digno de ser imitado pelos seus alunos, pois nessa imitação inconsciente estará fundamentada a
moralidade futura de seus alunos (EMANUEL, 2002; SETZER, 2001).
3.2. Segundo Setênio
No segundo Setênio (7 a 14 anos) a criança tem sua base física essencial formada e
pode dedicar suas forças ao aprendizado. Neste período se desenvolve primordialmente o
sentimento, desta forma a educação deveria ser totalmente baseada em atividades artísticas
(SETZER, 1988).
Todo ensino nessa fase deve apelar à fantasia criadora, trazendo de forma viva os
conteúdos necessários e pertinentes a essa época, devendo o aprendizado estar sempre
relacionado à realidade do mundo. Deve-se evitar apresentar aos jovens pensamentos puramente
abstratos e conceitos sem vida, pois desta forma corre-se o risco de não apenas arrefecer os
sentimentos, mas até de ressecá-los (COSTA, 2005; SETZER, 1988).
Setzer (1988) apresenta o exemplo do ensinamento do conceito de uma ilha, que
normalmente é apresentado como “um pedaço de terra cercado de água por todos os lados”, o
que se mostra um conceito incorreto, pois não há água nos lados de cima e de baixo. Esta
definição apresenta a criança um conceito sem vida, sem margens a imaginação. Em vez disso o
professor deveria contar uma história sobre um náufrago que nadou e chegou a uma praia. E
depois de descansar, começou a explorar o ambiente, e depois de um tempo percebeu que para
onde quer que fosse, acabaria encontrando outra praia. Desta forma faria a criança acompanhar
com a sua imaginação o que se passa na realidade.
O professor adequado para este período deve ser generalista, conhecer um pouco de
cada matéria. Deve ter uma grande sensibilidade social para acompanhar seus alunos, pressentir
o que se passa com cada um e configurar suas aulas dinamicamente, entusiasmando seus alunos.
Idealmente, este professor deve acompanhar sua turma durante todo o ensino fundamental
(LANZ, 1979; SETZER , 2001)
3.3. Terceiro Setênio
O terceiro setênio (14 aos 21 anos) caracteriza-se pelos primeiros sinais de puberdade e
pelas transformações físicas típicas desta idade. Acontece uma mudança nos processos de
pensamento do ser humano, os sentimentos individualizam-se e tornam-se conscientes. Neste
período os jovens começam a ter consciência que possuem uma mente “livre” e percebem que
podem pensar por si próprios (EMANUEL, 2002; SETZER, 2001).
Neste setênio deve-se introduzir de modo gradual o pensamento lógico, abstrato, formal
e intelectual. Ao contrário dos períodos anteriores, onde a educação deve estar baseada nas
artes, neste período, os jovens não estão tão interessados nos aspectos artísticos da realidade,
mas sim nos seus aspectos de verdade. Eles buscam as explicações do mundo através de
conceitos (SETZER, 1988).
Deve-se, por exemplo, começar a provar os teoremas matemáticos. Os jovens neste
período começam a ter necessidade destas provas; necessidade que é incompreensível para um
jovem antes dos 15 anos, pois ele vê que a tese é evidente, portanto não precisa ser provada
(SETZER, 2011).
Um professor deste período deve ser um especialista, conhecer muito bem a sua
matéria, ao contrário dos professores generalistas dos períodos anteriores (SETZER, 1988).

4. Princípio dos Temperamentos


Steiner seguiu algumas ideias herdadas da sabedoria grega1, segundo as quais, a constituição
física do ser humano poderia ser agrupada de acordo com seus temperamentos (COSTA, 2005;
LANZ, 1979).
Os temperamentos são a maneira característica que um grupo de indivíduos tem em
comum de se expressar, de se relacionar, de ver e viver o mundo. Conforme suas características,
os elementos de cada grupo agem e reagem de maneira semelhante. Conhecer estes
temperamentos poderia constituir-se em uma ferramenta pedagógica, terapêutica e social, pois

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Eurípedes, na Antiga Grécia, relacionou os 4 elementos naturais – terra, fogo, ar e água, com quatro
tipos básicos de “tempero” do comportamento humano: melancólico, colérico, sanguíneo e fleumático.
permitiria o desenvolvimento de tratamentos e/ou procedimentos mais diretamente relacionados
com a demanda de um determinado temperamento (COSTA, 2005; MUTARELLI, 2006).
Baseado neste princípio, o conhecimento e o diagnóstico dos temperamentos pelo
educador são questões básicas no ensino Waldorf. Steiner dividiu os temperamentos humanos
em quatro tipos básicos (COSTA, 2005):
• Temperamento Sangüíneo: designa uma criatura ágil e leve. Quando criança vive
saltitando, quando cai geralmente não chora e se levanta rapidamente. É geralmente
inteligente, porém perde facilmente a concentração, tendo dificuldade para se fixar
numa determinada tarefa. Esta criança não pode ser dominada pela força; o adulto
deve desenvolver uma ligação afetiva dela para consigo e com o objeto com o qual
se quer fazê-la ocupar-se.
• Temperamento Melancólico: se apresenta como uma pessoa entristecida. A criança
está sempre isolada em seu mundo; tem movimentos lentos e desajeitados. Enfrenta
dificuldades em ser aceita pelos colegas, o que piora sua solidão, podendo render-
lhe um egocentrismo exagerado. Sua melancolia só pode ser superada através da
compreensão. O educador deve trabalhar mostrando a ela o sofrimento do mundo, o
que poderia dar a estas crianças certa alegria, por não se sentirem sós em suas
tristezas. Deve-se também trabalhar com movimentos rítmicos, pois estas crianças
geralmente gostam de música.
• Temperamento Colérico: Geralmente é atenta, concentrada, corajosa, responsável,
aplicada e líder nata; porém estoura desproporcionadamente ao menor problema.
Somente quando passa o acesso de cólera é que ela se recupera e ouve as
argumentações; falar com ela no momento da cólera é inútil e só a torna mais
furiosa. Para lidar com este temperamento difícil e complexo, é preciso muita
paciência e compreensão. Deve-se estimular os seus limites, fazendo a criança
competir consigo mesma, em tarefas sabidamente impossíveis, para que constate
que não é infalível. Quando encontra pessoas, idéias ou objetos que tenham um
valor moralmente elevado a criança pode desenvolver um sentimento de veneração
e de respeito. Jamais se deve tratar coléricos com ironia ou críticas infundadas, pois
atrás da sua aparência dura, às vezes violenta, está uma alma que clama por carinho.
• Temperamento Fleumático: Costumam ser bastante ordeiros, amantes da rotina,
calmos e metódico. Possuem uma ligação intensa consigo mesmo, o que
proporciona um prazer interno de bem-estar do qual não gostam de abdicar. Devido
a isso é muito difícil despertar seu interesse para outros assuntos. Apresentam
dificuldade de iniciativa, de se ligar ao que acontece ao seu redor, tendo
características de lentidão e sonolência. Não adianta tentar despertá-lo através de
coisas ou assuntos escolares, somente é possível despertar seu interesse
indiretamente através dos interesses que vivem em outras pessoas, por isso deveria
estar constantemente rodeado de colegas e amigos que, na infância, devem ser de
mesma idade.
Steiner recomenda que em sala de aula os alunos sejam dispostos fisicamente de acordo
com seus temperamentos, e que sejam formados grupos de mesmo temperamento, desta forma
estes alunos estariam entre iguais e não seriam diretamente influenciados negativamente por
temperamentos diferentes.

5. Currículo e Práticas Pedagógicas


O currículo escolar no ensino Waldorf não tem a intenção de cultivar a preparação da criança
através de metodologias que estimulem a competitividade e o isolamento caracterizados pela
modernidade. Ao contrário, buscam levar a criança a uma vida harmoniosa e íntegra, aonde ela
venha a traçar com discernimento seu próprio caminho (SETZER, 1988).
As escolas Waldorf não se denominam religiosas e não costumam estar ligadas a
nenhuma doutrina religiosa em particular, porém baseiam-se na crença de que há uma dimensão
espiritual para o ser humano e para tudo na vida. Buscam educar seus alunos
independentemente de seus contextos religiosos, procurando apresentar o reconhecimento e a
compreensão de todas as culturas e religiões do mundo (SOCIEDADE ANTROPOSÓFICA DO
BRASIL, 2011).
O professor tem um papel fundamental na educação baseada nos princípios da
Antroposofia. Segundo Lanz (1979), “o aluno Waldorf aprende de pessoas e não de livros; ele
não procura conhecimentos, mas vivências; e é o professor quem principalmente as transmite”.
Numa escola Waldorf, o corpo docente é uma comunidade de pedagogos que são
responsáveis somente perante sua própria consciência pedagógica. Os professores devem ser
escolhidos não pela sua formação especializada, mas pela sua personalidade, sua capacidade
pedagógica, seus conhecimentos e experiência de vida. O professor é visto como um ser
complexo que, no caso ideal deve possuir as seguintes qualidades (LANZ, 1979):
• Um conhecimento profundo do ser humano, através do estudo da Antroposofia e do
desenvolvimento do ser humano através de setênios;
• O amor como base do comportamento social;
• Qualidades artísticas, no que se refere à maleabilidade, fantasia e criatividade,
encarando cada aula como uma obra de arte;
• Dominar seu próprio temperamento e linguagem, evitando abstrações e falando de
forma concreta e imaginativa;
• Esforçar-se diante de problemas e situações cujo alcance normalmente lhe teria
escapado;
• Sensibilidade e capacidade de reconhecer o seu trabalho nos próprios alunos,
descobrindo onde surgem pergunta e dúvidas nas almas dos seus alunos.
Um professor não precisa, necessariamente, ser um antropósofo, mas deve aceitar em
todos os seus aspectos práticos os princípios pedagógicos oriundos da Antroposofia e deve se
abstiver de qualquer ato ou atitude que possa ter efeitos negativos sobre a imagem da
Antroposofia e dos métodos da pedagogia Waldorf. Não se admite que um professor manifeste
ideias contrárias a imagem do homem como um ser espiritual, e do mundo tal como é visto pela
Antroposofia. Um professor abertamente ateu ou materialista é incogitável numa escola Waldorf
(LANZ, 1979).
O currículo das escolas Waldorf aborda todos os aspectos legais da educação escolar de
uma forma única e ampla. O currículo é planejado para atender as diversas etapas do
desenvolvimento da criança e os professores se dedicam a criar um entusiasmo interior genuíno
pela aprendizagem que é essencial para o sucesso educacional (FEWB, 2011; MUTARELLI,
2006).
5.1. Educação Infantil
As crianças do maternal e jardim de infância aprendem principalmente através da
imitação e imaginação. Desenvolvendo nas crianças o senso de admiração e reverência por
todas as coisas da natureza e nas relações humanas. As atividades da educação infantil incluem
(FEWB, 2011):
• Histórias, contos de fadas, marionetes, o brincar criativo;
• Canto, eurritmia2;
• Jogos e brincadeiras de dedos;
• Pintura, desenho e modelagem;
• Assar e cozinhar;
• Passeios na natureza;
• Língua estrangeira nas rodas rítmicas e nas celebrações e festas
5.2. Ensino Fundamental
As crianças do ensino fundamental aprendem através da orientação de um professor de
classe que permanece com a mesma turma, idealmente, por oito anos, exercendo um papel de
tutor. Ministrando várias matérias, o professor pode atingir os alunos por vários ângulos,
descobrindo seus dons e suas fraquezas, podendo atingir cada criança de uma forma ou de outra.
Todo seu trabalho pedagógico pode basear-se nessa diversidade; o que falta numa disciplina
pode ser compensado em outra, de forma diferenciada (FEWB, 2011; LANZ, 1979):
No ensino fundamental, o currículo inclui:
• Línguas estrangeiras baseada em literatura, mitos e lendas universais;
• História cronológica, incluindo as grandes civilizações do mundo e geografia;
• Ciência que pesquisa geografia, astronomia, meteorologia, ciências físicas e
biológicas;
• Matemática que desenvolve competência em aritmética, álgebra e geometria;
• Educação física;
• Jardinagem;
• Artes, incluindo música, pintura, escultura, teatro, eurritmia, desenho;
• Trabalhos manuais como tricô, costura, crochê, tecelagem, trabalhos em madeira.
5.3. Ensino Médio
O ensino médio nas escolas Waldorf dedica-se a ajudar os estudantes a desenvolver
todos os seus potenciais como artistas, atletas e membros da comunidade. O curso de estudos
inclui (FEWB, 2011; MANN, 2009):
• Um currículo de humanidades que integra história, geografia, literatura e
conhecimento de culturas universais;
• Um currículo de ciências que inclui física, biologia, química, geologia;
• Um programa de matemática de quatro anos que prepara para a faculdade;
• Um programa de artes e ofícios que inclui caligrafia, desenho, pintura, escultura,
cerâmica, tecelagem, impressão manual;
• Um programa de artes dramáticas e musicais que oferece orquestra, coro, eurritmia
e teatro;
• Um programa de línguas estrangeiras;

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A eurritmia é uma prática de dança corporal criada pela Antroposofia que harmoniza corpo, alma e
espírito. Pode ter caráter artístico, pedagógico, ou terapêutico e esta inserida no currículo das escolas
Waldorf, onde é exercida, de alguma maneira, todos os dias nessas escolas
• Um programa de educação física.

6. O Uso de Computadores na Educação


Conforme Setzer (1988), o computador é uma máquina de simular pensamentos restritos. A
execução do programa simula os pensamentos que o programador elaborou para processar
dados. O computador segue exatamente as instruções de um programa, de modo que ele não
pode ter a criatividade do pensamento humano. As instruções ou comandos de uma linguagem
de programação ou de um software qualquer são entes matemáticos que podem ser descritos
totalmente de maneira formal, por meio de construções matemáticas.
Ao se tratar do uso de computadores na escola, deve-se pensar no fato de que o usuário
do computador precisa ter a capacidade de exercer um pensamento e uma linguagem formal,
para isto é necessário compreender qual a idade adequada para esse tipo de pensamento e
linguagem.
Segundo o modelo de desenvolvimento de Rudolf Steiner, o uso de uma máquina
abstrata que impõem pensamentos e linguagens formais, como é o caso do computador, não é
adequada antes do ensino médio, a época do desenvolvimento da capacidade de pensar de forma
abstrata e formal. Antes desse período, ocorreria uma aceleração do desenvolvimento da criança
ou do jovem de maneira inadequada, fazendo com que eles tenham experiências e pensamentos
de adultos precocemente (SETZER, 2011). A aceleração da maturidade de crianças e jovens é
altamente prejudicial a eles. Outro perigo é desenvolver a capacidade de pensar formalmente
sem que os sentimentos e a base física sejam adequados para isso (SETZER, 1988; SETZER,
2001).
Setzer (2011) acredita que o computador pode induzir à indisciplina mental. As crianças
não possuem autocontrole suficiente para dominar-se e restringir o uso do computador. Ao
realizar uma pesquisa na Internet, as informações encontradas não têm nenhum contexto para a
criança e representam o que se pode chamar de educação “libertária”. Este modelo é o contrário
do que deveria ser uma educação: uma orientação constante daquilo que a criança ou o jovem
deve aprender, já que ainda não é adulto para decidir o que é melhor para ele.
Em sua obra, Setzer (2011) afirma que tradicionalmente
[...] os pais escolhiam, por exemplo, os livros que seus filhos deveriam ler; os
professores, o que deviam ensinar e de que forma, de acordo com o desenvolvimento
e conhecimento dos seus alunos. Isso não acontece com a Internet. Uma ferramenta de
adulto, completamente descontextualizada, está sendo dada a crianças e jovens,
novamente provocando um processo de amadurecimento precoce, permitindo-lhes
entrar em contato com informações que não são apropriadas para sua maturidade e
ambiente.

O computador impõe às crianças pensamentos formais muito particulares. Neste ato o


pensamento do usuário é reduzido àquele que pode ser interpretado pela máquina. Um dos
principais objetivos da educação deveria ser a capacidade de desenvolver vagarosamente os
pensamentos, de maneira que eles se tornem livres e criativos na idade adulta. Isso não acontece
quando as crianças são submetidas precocemente a pensamentos formais, como as que exigem
todas as máquinas, e muito mais os computadores, que trabalham unicamente ao nível mental
estritamente formal (SETZER, 1988; SETZER, 2001).
Segundo os estudos antroposóficos realizados por Rudolf Steiner, o interesse dos jovens
por aspectos estruturais começam aparecer somente no fim do ensino médio, por volta dos 17
anos de idade, quando o jovem liberta o seu pensamento e pode começar a usá-lo para formular
conceitos e teorias formais. Com base nestes estudos, Setzer acredita que a idade ideal para um
jovem começar a usar um computador é por volta dos 17 anos de idade, sob a forma de
aprendizado de programação e, posteriormente, dos usos de aplicativos como editores de texto
ou planilhas de cálculo, compreendendo seu funcionamento lógico (SETZER, 1988; SETZER,
2011).
Além da aceleração do desenvolvimento, outros problemas educacionais causados pelo
computador são citados por Setzer (1988):
• Massificação: o computador trata todos os seus usuários da mesma maneira,
obrigando ao uso da mesma linguagem formal. Assim tem um efeito de
massificação contrario aos processos de individualização.
• Programador obsessivo: Quando se comete um erro na programação ou no uso do
computador, o usuário tem uma sensação de frustração e entra num estado
obsessivo. A razão disto é a absoluta certeza de poder corrigir qualquer erro e, a
menos que se tenha um autocontrole enorme, é extremamente difícil permanecer
calmo enquanto não se descobre o erro. Esta certeza de poder corrigir qualquer erro
pode levar as crianças a confundir a imaginação com a realidade, devido à sensação
de que qualquer erro cometido na vida real pode ser corrigido, como ocorre no
computador.
• Reducionismo: a influência do computador pode induzir a criança a achar que no
mundo real tudo é redutível a sim-ou-não e a causa-e-efeito, podendo levar a uma
mentalidade mecanicista. A indução a uma mentalidade mecanicista pode culminar
com uma futura visão materialista do mundo.
• Ser humano ao nível da máquina: o processo de raciocínio especial necessário para
programar ou usar computadores pode reduzir o pensamento a um processo
mecânico, quase reduzindo o usuário ao nível de uma máquina.
• Perda da criatividade: Para ser criativo é necessário ter um pensamento flexível,
prático, ligado à realidade, e não puramente intelectual, formal, abstrato e sem vida
como é o processo de raciocínio exigido para a programação ou uso de
computadores.

Referências
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HISTEDBR, 2005, Sorocaba. Disponível em:
<http://www.histedbr.fae.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada5/v3_g8.htm>. Acesso em:
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EMANUEL, T. C. O. A pedagogia Waldorf. Rio de Janeiro: Universidade Veiga de Almeida,


2002. Monografia (Graduação em Pedagogia) – Instituto de Ciências Humanas e Sociais,
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<http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/per14.htm>. Acesso em: 15 abr. 2011.

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LANZ, R. A pedagogia Waldorf: caminho para um ensino mais humano. São Paulo: Summus,
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MANN, C. Waldorf school third grade curriculum. 2009. Disponível em:
<http://www.suite101.com/content/waldorf-school-third-grade-curriculum-a110551>. Acesso
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MUTARELLI, S. R. K. Os quatro temperamentos na Antroposofia de Rudolf Steiner. São


Paulo: Pontifica Universidade Católica de São Paulo, 2006. 152p. Dissertação (Mestrado) –
Programa de Mestrado em História da Ciência, PUC-SP, São Paulo, 2006. Disponível em:
<http://www.sapientia.pucsp.br/tde_arquivos/18/TDE-2006-05-23T13:06:05Z-
2191/Publico/Quatro%20Temperamentos_Antroposofia_Steiner.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2011.

SETZER, V. W. Meios eletrônicos e Educação: uma visão alternativa. 3. ed. São Paulo:
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<http://www.sab.org.br/antrop/>. Acesso em: 18 abr. 2011.

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