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A Tirania da Urgência

Tag´s Utilizadas: Estresse, Qualidade de Vida


Publicado por RHevista RH - sexta-feira 1 de abril de 2011 - às 0:01
Publicado em: Manter Pessoas - Comente.

Adm. Wagner Siqueira

A lógica das organizações modernas se sustenta na fomentação do stress, na


manutenção permanente das atividades, “sempre se está com pressa”, na definição
diuturna do emergencial, uma após a outra, num ciclo de urgências que não se encerra.

Esse moto contínuo de urgências é que aparentam assegurar uma vida plena e carreira
bem sucedida, provas únicas de autoafirmação em que as referências aos valores e
opções transcendentes estão cada vez mais ausentes.

Quando estão em ação, envolvidas em mais uma resolução de crise, as pessoas só


pensam em curto prazo, no que deve ser feito “aqui e agora”, no imediatismo de suas
vidas ou, no máximo, num futuro muito próximo. E, assim, a ação contínua e estressante
é a saída inconsciente de escapar do seu próprio eu, um bálsamo para as angústias do
cotidiano.

Possivelmente, quanto mais intenso e profundo o mergulho na ação emergencial mais


efetivo o seu poder terapêutico de desviar a atenção das dimensões realmente
relevantes da vida humana. Quanto mais fundo se mergulha na urgência do dia a dia,
mais distante fica a angústia ou pelo menos pode parecer menos dolorosa se
fracassarmos no esforço de mantê-la distante. Afinal, estamos tão desviados para outras
coisas que até esquecemo-nos de nós mesmos.

A prática gerencial de hoje de manter os colaboradores sempre debaixo de pressão, de


provocar um permanente clima de urgência em tudo o que se faz, de apresentar como
de suprema importância e como emergência impostergável quaisquer atividades de
rotina, é cada vez mais reconhecido e ensinado como estratégias competentes de
obtenção de resultados implementadas por executivos eficazes. Muitos não se acanham
de persuadir os seus colaboradores a aceitarem candidamente mudanças drásticas que
atingem as essências de duas vidas, expectativas e ambições como se fossem as
resoluções as mais naturais e rotineiras.

As organizações vivem em permanente estado de emergência, e, desse modo, pela


decretação do regime psicossociológico da tirania da urgência estabelecem novos
hábitos e padrões de gestão no mundo do trabalho.

Esta parece ser a opção gerencial cada vez mais praticada para a dominação e a
transgressão inconteste aos direitos dos colaboradores, com ataques ora sutis ora
diretos, mas sempre insidiosos, ao bem-estar dos empregados, para se livrar daqueles já
não mais necessários, ou produzidas nas sucessivas fusões ou
incorporações, joint ventures, reengenharias e downsizings corporativos. Subsiste
apenas o resíduo, mais uma “vítima colateral” do avanço da sociedade de mercado.
Somente mais um a ser descartado. E de imediato.

O que se pratica hoje, todos os dias, no universo das organizações não é nada muito
diferente do comportamento deplorável do então coronel do Exército, Ministro da
Educação do Brasil, ao assinar o Ato Institucional V, em 13 dezembro de 1968: “às favas
com a moral e o estado de direito da democracia”.

Sobre o autor:

Adm. Wagner Siqueira: Atual Presidente do Conselho Regional de Administração do


Rio de Janeiro e Membro da Academia Brasileira de Ciências da Administração. Foi
Secretário de Administração, Presidente do Riocentro e Secretário de Assistência Social
da Prefeitura do Rio. Consultor de organizações e autor de livros e diversos artigos sobre
as ciências da Administração.

site: www.wagnersiqueira.com.br

e-mail: wagners@attglobal.net

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