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ÍNDICE

EPIFANIA DO SENHOR – 2 DE JANEIRO DE 2011................................................................................2


BATISMO DO SENHOR – 9 DE JANEIRO DE 2011..............................................................................13
2° DOMINGO DO TEMPO COMUM – A – 16 DE JANEIRO DE 2011..................................................25
3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A – 23 DE JANEIRO DE 2011..................................................36
4º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A – 30 DE JANEIRO DE 2011..................................................48

1
EPIFANIA DO SENHOR – 2 DE JANEIRO DE 2011
LEITURAS
1ª leitura: Is 60,1-6 = Apareceu sobre ti a glória do Senhor.
Salmo Responsorial: Sl 71 = As nações de toda terra hão de adorar-vos, ó Senhor.
2ª leitura: Ef 3,2-3a.5-6 = Os pagãos são co-herdeiros da promessa.
Evangelho: Mt 2, 1-12 = Viemos do Oriente adorar o Rei

Primeiro olhar
No Natal o Verbo (Palavra) se faz carne e, hoje, se manifesta (Epifania) ao mundo como seu Senhor, convidando cada
criatura a admirar o brilho de sua luz e, mais que isso, fazer desta luz meta de vida, como fizeram os Magos, que foram em
busca do Rei para adorá-lo. Jesus é a luz que se manifesta na História como luz do mundo, luz capaz de dar à existência de
cada pessoa humana um sentido especial para viver.

ILUMINADOS PELA PALAVRA


Continuamos a reflexão iniciada na celebração anterior (Solenidade da Mãe de
Deus), deixando-nos atrair pela profecia silenciosa do presépio que, desta vez, convida
a acolher a mensagem da Palavra de Deus pela luz da estrela, como fizeram os Magos
(Evangelho). O teólogo Lagrange, com uma expressão que se tornou conhecida, diz que
para os Magos, a estrela fala mais de teologia que de astronomia porque a estrela é
Jesus, a estrela é o Verbo, a Palavra profética da profecia da Salvação para todos os
povos da terra (Evangelho). Conhecedores da profética salvífica, os Magos se
colocaram a caminho em busca da Luz, em busca da profecia salvadora.
Do ponto de vista da Teologia Litúrgica, os Magos se inserem no Mistério da
Salvação como exemplo de homens que buscam, que são capazes de deixar suas
comodidades para ir em busca da nova luz, definida como sendo o “Rei dos Judeus que
acaba de nascer”. É a nova estrela que acaba de nascer, de onde a decisão dos Magos:
“vimos a sua luz, e viemos” (Evangelho). Mateus deixa entrever que os Magos
conheciam a Palavra — conheciam a Profecia da Salvação universal — de que nasceria
um novo Rei e isso os moveu a deixar suas terras e se colocar a caminho. Caminharam
e, seguindo a estrela (Palavra) encontraram o Menino. Ao reconhecer a veracidade
profética, adoraram-no e lhe presentearam ouro, incenso e mirra (Evangelho). Jesus,
Palavra eterna do Pai, é a luz, a estrela que vem a nós como recém-nascido. Ao
reconhecem, os Magos nos dizem que é preciso ir em busca da sua luz para que essa
luz seja acesa em nossas vidas. Ou então: não basta conhecer a Palavra, é preciso ir
em busca da mesma, para que se acenda em nós.
Também o povo de Jerusalém conhecia a Palavra e a profecia do Salvador de
todos os povos; tinham, inclusive, a resposta: “perguntava-lhes onde o Messias deveria
nascer. Eles responderam” (Evangelho). Conheciam a Palavra, conheciam a profecia,
mas não peregrinaram, não buscaram, como fizeram os Magos. Acomodaram-se no
conhecimento de capítulos e versículos da Palavra, tornando-se indiferentes à nova luz
que acabava de nascer. Quando “acordados” pelos Magos (Evangelho) precisaram
reunir-se para debater, porque a Palavra não brilhava entre eles. É preciso considerar
que mesmo brilhante, a luz da Palavra pode desaparecer no comodismo da indiferença
para com as coisas de Deus. Também os Magos a tinham perdido e quando a
encontram, se alegraram: “ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria
muito grande” (Evangelho). Ao contrário dos Magos, em vez de alegria, os estudiosos e
sacerdotes de Jerusalém se perturbaram, por serem incapazes de ver a luz brilhando.
Hoje, a Igreja é a Jerusalém, é o novo Povo de Deus sempre convidado a se
deixar iluminar pela Palavra para se tornar luz e atrair todas as nações para a Salvação
(1ª leitura). Palavra que a Igreja deve acolher para iluminar todos os povos da terra.
Esta é a missão da Igreja: é enviada a iluminar com a luz da Palavra divina todos os
povos e proclamar em toda a terra a Salvação de Deus (2ª leitura), para que a Palavra
2
seja luz para todos os povos e todas as nações possam servir a Deus como Senhor
(salmo responsorial).

ILUMINADOS PELAS ORAÇÕES (eucologia da missa)


Iluminada pela luz da Palavra, como os Magos do Oriente, a Igreja se coloca de
joelhos para adorar seu Senhor e Rei, Jesus Cristo, luz divina que ilumina todos os
povos da terra. Adorante, mas também suplicante, a Igreja intercede a graça de ser luz
entre os povos (1L) para anunciar que a luz divina brilha no mundo (antífona de
entrada) e para convidar todos a se colocarem a caminho e adorar o Senhor
(aclamação ao Evangelho e antífona de comunhão). Adorante e confiante, a Igreja
celebra o Mistério da Epifania intercedendo a graça de poder contemplar a luz divina na
eternidade (oração do dia) e oferecer ao Pai seu dom mais precioso: o próprio Cristo
Jesus (sobre as oferendas).

Proclamar a Oração eucarística III e o Prefácio da Epifania do Senhor


Tema: “Cristo, luz dos povos” — Jesus é a luz que veio ao mundo para iluminar
todos os povos da terra e para nos recriar (nos iluminar) com a luz divina.

ILUMINADOS PELA VIDA


Para que um novo e amplo documento sobre a Palavra de Deus? Há 45 anos, o
Concílio publicou a Constituição Dei Verbum, considerado por muitos um dos
documentos mais importantes do Vaticano II porque destacava a fonte originária da
vida e da missão da Igreja. Um documento que teve, certamente, papel decisivo na
renovação conciliar, mas – como disse Dom Ravasi – com o passar do tempo começou-
se a notar algum relaxamento e alguns costumes com conseqüências genéricas ou de
vago espiritualismo e, de outro lado, assunto de áridos comentários de especialistas.
Para cardeal Ouellet, o novo documento de Bento XVI vem para preencher um déficit
na vida espiritual do Povo de Deus.” Em resumo, a Escritura é um livro da fé, que nasce
da fé do Povo de Deus e só poderá ser compreendido adequadamente em prospectiva
de fé para, ao mesmo tempo, alimentar esta fé.
No início do documento, o Papa expressa a finalidade do novo documento sobre a
Palavra de Deus: “desejo assim indicar algumas linhas fundamentais para uma
redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte constante de renovação, com a
esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda atividade da
Igreja” (VD 1). No contexto da solenidade da Epifania, que proclama solenemente Jesus
Cristo como luz para os povos, lemos como o Pontífice destaca a importância da
Palavra de Deus na nova evangelização, considerando que existem muitos irmãos que
são batizados, mas não suficientemente evangelizados, de onde a exigência de uma
nova evangelização confirmando e crendo na eficácia da Palavra de Deus também na
sociedade secularizada (VD 96).
O novo documento papal, intitulado “Verbum Domini”, e que pode ser lido no site
do Vaticano (www.vatican.va), é tão amplo e rico que muitos leitores e comentaristas
correrão o risco de se perderem no riquíssimo leque de seus conteúdos. É um texto
para ser lido com calma e com espírito de estudo e meditação. Mas, permita-me insistir
em duas idéias fundamentais que o Papa faz questão de destacar: ler e interpretar,
sim, a Escritura com métodos oferecidos pela ciência, mas sem esquecer que devem
ser lidos e interpretados à luz da fé, para se encontrar com a Palavra viva de Deus,
Jesus Cristo. O segundo elemento: viver e praticar o acolhimento a serviço da Palavra
na vida diária da Igreja para ajudar os fiéis e toda a humanidade a encontrar Deus
através de Jesus Cristo. Em outros termos, não apenas ler e estudar, mas transformar a
Palavra em vida. (Francisco Régis — Fonte: Octave dies e Zenit)

3
CONTEXTO CELEBRATIVO
Esta é a terceira celebração, na qual propomos para o contexto celebrativo a
profecia silenciosa do presépio. Nesta celebração, mais especificamente, a profecia
além de silenciosa é também brilhante e propõe aos celebrantes a necessidade de
peregrinar para encontrar-se com a Palavra, com a luz divina que brilha perto de nós.
Um contexto que é profético, no sentido de, a exemplo dos Magos, acordar os
celebrantes para ir em busca da Palavra.

Oração
Quantas vezes, já pedi tua luz, meu Senhor. Quantas vezes sai em busca de luzes que brilham, sim... brilham
intensamente, mas que se apagam depois. Hoje, Magos de terras distantes — ou apenas distantes de mim — me
acordaram, me anunciaram que a luz está brilhando perto. Como aqueles Magos, deixe que eu me interrogue, que
busque, que pergunte onde encontrar tua luz. Quero ser iluminado pela Verdade de tua Palavra, e pela presença
que dá esperança no meu caminho. Iluminai-me, Senhor, iluminai-me com vossa Palavra, que é luz para os meus
passos, tornando-a meta de minha vida. Amém! (SV)

VAMOS CANTAR A CELEBRAÇÃO


NB
As canções sugeridas têm a finalidade de facilitar o repertório da celebração. Normalmente, propomos cinco canções. Caso,
nenhuma seja conhecida, a poesia da letra poderá orientar na escolha de outra canção. Os números entre parêntesis indicam
o número da canção, na lista após comentário.

Siglas
SAL – a letra da canção encontra-se na página – www.liturgia.pro.br
HL = “Hinário Litúrgico da CNBB” (Livro de canções publicado pela CNBB)
CO = “Cantos e Orações” (Livro de canções publicado pela Editora Vozes, 2004)
L = “Louvemos” (Livro de canções publicado pela “Associação do Senhor Jesus”)
CD = CD publicado pela Paulus com cantos do Hinário Litúrgico da CNBB.

Como é possível cantar a luz que resplandece num mundo marcado e sombreado
por nuvens, impedindo que a luz ilumine a vida humana? A celebração da Epifania
responde e testemunha entoando louvores à Luz que resplandece no presépio: Jesus, o
Verbo de Deus.

ENTRADA: todos que, a exemplos dos Magos, caminham em busca da luz,


descobrem que esta luz é uma pessoa: Jesus Cristo. Por isso, a procissão que se
aproxima do altar torna-se convite para todos irem ao encontro do Senhor (2 ou 3),
deixando-se guiar pela estrela (4).
1 – “Eis que veio o Senhor” (SAL 762) (CO 83) (HL, fasc. 1, p. 12) (CD Liturgia V;
fx 12)
2 – “Cristãos, vinde todos” (SAL 736) (HL, fasc. 1, p. 65) (1a, 2a e 5a estrofes)
3 – “Vamos à Belém” (SAL 721) (HL, fasc. 1, p. 87)
4 – “Guiados pela estrela” (SAL 763) http://www.krafta.info/br/search/Guiados-
Pela-Estrela/1/mp3
5 – “São três reis que chegam” (SAL 764) http://www.krafta.info/br/search/Ouro-
Incenso-E-Mirra/1/mp3
Outras canções de entrada no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 86] [SAL 727]

SALMO RESPONSORIAL: convite para a proclamação do grande louvor da


humanidade, na voz do salmista, para cantar a alegria da Luz divina no mundo e a
realização da profecia de que todos os povos caminham e buscam o Senhor.
1 – “Cantado salmos e aclamações” (Paulus) p. 96
2 – “HL da CNBB”, fasc. 1, (Paulus), p. 13

4
3 – CD Liturgia V; fx 13

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: os celebrantes são convidados a fazer a mesma


experiência dos Reis Magos que souberam distinguir a luz de Jesus brilhando entre
outras luzes e se colocaram a caminho. Símbolo disso é a procissão luminosa do
Evangeliário passando no meio da assembléia litúrgica deste Domingo. A canção (1)
poderá ser ouvida no endereço:
http://www.coralsjbatista.com.br/coral/men227955246.htm
1 – “Aleluia! Pois nós vimos” (SAL 766) (HL, fasc. 1, p. S.22) (CD Liturgia V; fx 14)
2 – “Aleluia! No princípio era a Palavra” (SAL 204) (CO 526)
3 – “Alê-aleluia! Quem é este” (SAL 730)
4 – “Ó luz do Senhor” (SAL 767) (CO 104)
5 – “Uma grande alegria, aleluia!” (SAL 729) (CO 65)

OFERTAS: peregrinar até a igreja para oferecer nossos dons em adoração a


Jesus Cristo é repetir o mesmo gesto dos Magos. Um rito que não se limita a esta
Eucaristia, mas a todas as Eucaristia que celebramos com nossas vidas. Para ouvir a
canção (1) acessar o endereço:
http://www.coralsjbatista.com.br/coral/men227955246.htm
1 – “Nas terras do Oriente” (SAL 751) (CO 64) (CD Liturgia V; fx 10)
2 – “Nasceu-nos um menino” (SAL 740) (CO 87)
3 – “Que mais eu posso te dar” (SAL 273) (CO 576)
http://www.krafta.info/br/search/Que-Mais-Eu-Posso-Te-Dar/1/mp3
4 – “Lá no azul do céu uma estrela” (SAL 768)
5 – “Quando nascestes” (SAL 769) (CO 60)

COMUNHÃO: a procissão que conduz à Mesa da Eucaristia também é sinal da


peregrinação de quem caminha ao encontro do Senhor, de quem vai em busca da luz
divina, presente na Eucaristia. Para ouvir a canção (1), você pode acessar ao endereço:
http://www.coralsjbatista.com.br/coral/men227955246.htm
1 – “Vimos sua estrela” (SAL 765) (CO 103) (CD Liturgia V; fx 15)
2 – “Natal é vida que nasce” (SAL 770) (CO 81)
3 – “Ó Redentor de todos” (SAL 771)
4 – “A ti, meu Deus” (SAL 181) (L 834)
5 – “No presépio pequenino” (SAL 741) (CO 67)
http://www.krafta.info/br/search/No-Presépio/1/mp3
Outras canções de comunhão no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 736] [SAL 772]

DEPOIS DO SILÊNCIO PÓS-COMUNHÃO: de modo especial nas missas


vespertinas, depois do silêncio após a comunhão, seria muito bom cantar a memória do
Natal com a canção “Noite Feliz”. Nas missas vespertinas há ainda a vantagem de se
aproveitar das velas acesas, usadas nos ritos para serem colocadas novamente diante
dos celebrantes, enquanto se canta “Noite feliz”.
1 – “Noite feliz” — http://www.coralsjbatista.com.br/coral/men227955246.htm

ENVIO: depois de se deixar atrair pela Luz divina, é momento de ir ao encontro


desta Luz na vida diária do povo. É bom aprender dos Magos a encontrar a Luz divina
na simplicidade e na pobreza da vida. Para ouvir a canção (1), acessar o endereço:
http://www.krafta.info/br/search/Hoje-é-Dia-De-A-Gente/1/mp3
1 – “Hoje é dia de a gente se encontrar” (SAL 723) (CO 92)
2 – “Olha a glória de Deus brilhando” (SAL 1)
3 – “Já raiou a barra do dia” (SAL 773)

5
4 –“A felicidade tem nome” (SAL 744) (CO 73) http://www.krafta.info/br/search/A-
Felicidade-Tem-Nome/1/mp3
5 – “São três reis que chegam” (SAL 764) http://www.krafta.info/br/search/Ouro-
Incenso-E-Mirra/1/mp3

O QUE VALORIZAR NA CELEBRAÇÃO


O espaço natalino reveste-se de luzes e brilha como uma estrela que resplandece
na escuridão do céu. Luz como estrela que atrai todos os olhares do mundo que busca
uma nova luz, luz que seja meta de caminhada, na peregrinação da vida.

ESPAÇO SIMBÓLICO: continuamos sugerindo o mesmo espaço celebrativo


natalino, mas completando o presépio com as imagens dos Reis Magos. Antes do
presépio, as imagens podem ser colocadas na porta da igreja com a mensagem que os
celebrantes podem acompanhar os Magos até o presépio. As imagens serão levadas ao
presépio, após a proclamação do evangelho.

Imagem ilustrativa
sinalizando a presença
dos Reis Magos no
presépio. A tradição
popular dos Reis Magos,
em algumas
comunidades, também
poderá ser valorizada
em, ao menos, uma
celebração.

FRASE CELEBRATIVA: o contexto celebrativo e toda a reflexão estão resumidos


na frase celebrativa para este Domingo. A frase poderá ser escrita no painel que
estamos sugerindo abaixo.
Frase celebrativa
Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo

EQUIPE DE ACOLHIDA: Epifania, na Liturgia do Oriente e do Ocidente, é


também conhecida como “festa das luzes”, de onde a saudação para acolher os
celebrantes.

Frase de acolhida
Bem-vindo à festa das luzes!

AMBIENTAÇÃO: se na comunidade existe a tradição popular


de algum reisado, este poderá ambientar a celebração, embora
seja necessário manter os devidos limites de tempo e horário.
Outro modo é fazer um breve comentário, chamando atenção
da luz da estrela que se torna meta da peregrinação dos Reis
Magos, enfatizando que esta estrela, com uma luz diferente no mundo, é Jesus Cristo.

6
RITOS INICIAIS
A presença dos Reis Magos, na celebração da Epifania, torna-se ponto de
referência para todo homem e mulher que buscam uma luz autêntica para suas vidas.
É no caminhar e na busca que nós nos endereçamos para a luz onde se encontra o
verdadeiro sentido da existência.

ANTÍFONA DE ENTRADA: proclamação solene, que anuncia a vinda de Jesus


Cristo, como o Senhor de tudo e de todos os senhores do mundo.
Antífona de entrada
Eis que veio o Senhor dos senhores,/ em suas mãos,/ o poder e a realeza.
PROCISSÃO DE ENTRADA: a procissão de entrada faz uma experiência da vida
cristã, de quem está a caminho para encontrar-se com a luz do Senhor.

Anotações práticas
Todas as procissões desta celebração serão interpretadas como experiência de quem está a caminho, em busca da Luz, no
encontro com Cristo. A primeira é a procissão de entrada. Por isso, sugerimos que todos os participantes da procissão levem
uma vela na mão e que a mesma seja precedida pela Cruz Processional e pelo Círio Pascal.
Significado: cada um de nós caminha com a sua própria luz ao encontro de uma luz mais resplandecente, que se encontra em
Jesus Cristo.

ACOLHIDA PRESIDENCIAL: o desejo da Igreja é que todos os celebrantes sejam


iluminados com a luz resplandecente de Deus.
Modelo para acolhida presidencial
A luz resplandecente de Deus, que Jesus Cristo faz brilhar no mundo envolvido em trevas, esteja
convosco.
MONIÇÃO INICIAL: anuncio da Epifania do Senhor como luz que vem para
iluminar todas as nações e o coração de todos os homens da terra.
Modelo de monição inicial
Celebramos hoje a Epifania do Senhor, quer dizer, a manifestação de Jesus como luz das nações, luz
divina que veio iluminar o mundo e os corações da humanidade. No início de nossa celebração, abramos
nossos corações e intercedamos a graça de sermos iluminados pela luz divina.
(pausa silenciosa para rezar e interceder a luz de Jesus Cristo para todos os corações
da humanidade).

ATO PENITENCIAL: quando a luz divina se apaga na vida cristã, é preciso


invocar o perdão divino e se dispor a viver como iluminados pela Palavra.

Anotações práticas
É um ato penitencial mais elaborado, no qual três ministros participam do rito (M1 – M2 – M3). Cada ministro invoca o
perdão divino com uma vela acesa na mão, que será apagada, no momento da acusação do pecado e se ajoelha durante a
intercessão do perdão, por parte do padre.
Os ministros se colocam diante da assembléia e ficam ajoelhados até o final do ato penitencial. As velas voltarão a ser acesas
na procissão do Evangeliário.

Modelo para o ato penitencial


P – A Deus que ilumina nossas vidas com sua Palavra, peçamos perdão pelas
vezes que apagamos sua luz resplandecente em nossas vidas:
(breve pausa silenciosa)

M1 - Hoje, celebramos a epifania, a festa das luzes. Os Reis Magos foram guiados
pela estrela e encontraram Jesus no presépio. Hoje, nós devemos ser luz que conduz
irmãos e irmãs ao encontro de Cristo. (Apaga a vela).

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Quando deixamos de viver esta vocação, apagamos a luz de Deus que brilha em
nós. (Ajoelha-se)

P - Pelas vezes que a luz do testemunho não conduziu nossos irmãos e irmãs ao
encontro da luz de Jesus Cristo, Senhor tende piedade de nós.
T – Senhor, tende piedade de nós!
M2 - Somos convidados a reconhecer, na simplicidade da vida, a luz de Deus
brilhando entre nós. Os Reis Magos foram capazes de encontrar na pobreza do
presépio, a luz da Salvação de Deus. (Apaga a vela).
Quando deixamos de encontrar Deus na simplicidade da vida, apagamos a luz de
Deus que brilha em nós. (Ajoelha-se)
P - Pelas vezes que a luz da simplicidade não brilhou em nossas vidas, e nos
impediu de reconhecer a presença de Deus na pobreza, Cristo, tende piedade de nós.
T – Cristo, tende piedade de nós!
M3 - Cada um de nós é convidado a colocar-se em peregrinação para encontrar a
luz divina em Jesus Cristo. Os Reis magos colocaram-se a caminho e encontraram a luz
de Deus na profecia do presépio. (Apaga a vela).
Quando nos acomodamos e não nos colocamos a caminho, apagamos a luz de
Deus que brilha em nós. (Ajoelha-se)
P - Pelas nossas acomodações e pelas vezes que não nos colocamos a caminho
para fazer o bem a quem estava necessitado, Senhor, tende piedade de nós.
T – Senhor, tende piedade de nós!
Padre: Deus, fonte da luz verdadeira, perdoai os pecados que escurecem nossas
vidas e concedei-nos caminhar sempre na direção da luz eterna.
T – Amém!

RITO DE GLORIFICAÇÃO INICIAL: a luz divina ilumina e é motivo de


glorificação, na celebração da Epifania do Senhor.
Modelo de motivação para o rito do glória
Iluminados pela luz que vem do alto, cantemos nossa glorificação à fonte da luz verdadeira.
ORAÇÃO DO DIA: que Deus conceda aos celebrantes a graça de caminhar em
busca da Luz verdadeira, caminhando nos caminhos do Evangelho.
Oremos: Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos
vossos servos e servas que já vos conhecem pela fé, caminhar nos caminhos do Evangelho em busca da
vossa LUZ para contemplar-vos um dia face a face no céu. PNSJC.

LITURGIA DA PALAVRA
O caminho em busca da luz passa pela obscuridade e pelas sombras da opção de
crer. Mesmo assim, é preciso buscar, é preciso caminhar, é preciso nunca perder de
vista a atração da luz, especialmente quando essa luz é a Palavra de Deus que ilumina
nossos passos.

PROCISSÃO DO EVANGELIÁRIO: o Evangelho é Jesus Cristo, o Evangelho é a


Luz divina que brilha e ilumina os passos de todos que se deixam atrair por sua luz.

Anotações práticas
Se no ato penitencial, as velas foram apagadas significanado impedimentos para que o brilho da luz divina resplandecesse
entre nós; agora, as velas voltam acesas, acompanhando o Evangeliário. Neste sentido, sugerimos um rito processional: os
três ministros que participaram do Ato Penitencial caminham logo após o Evangeliário, com velas acesas. Durante a
proclamação do Evangelho, os três ministros colocam-se próximos da Mesa da Palavra.
No momento da homilia, o padre poderá fazer menção a isso, considerando também a referência aos três Reis Magos.

Proposta para a homilia

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Objetivo: destacar o tema da luz como Palavra de Deus e levar os celebrantes a
refletir como somos atraídos para Deus, luz que é meta de nossas vidas.

Dinâmica: o tema da luz oferece a possibilidade de comparar a Luz da Palavra e


Luz divina com outras luzes que existem no mundo ou que as pessoas acendem em
suas vidas. É uma dinâmica que leva os celebrantes a refletir sobre que luz ilumina sua
mentalidade de vida.

ORAÇÃO DOS FIÉIS: a Palavra, luz que ilumina a vida humana, ilumina as
intenções das preces que a assembléia eleva ao Deus da Luz que nunca se apaga.

Anotações práticas
A oração dos féis é dirigida por dois ministros (M1 e M2). O primeiro anuncia a passagem de cada uma das leituras e o
segundo faz a invocação. A participação da assembléia poderá acontecer cantando o refrão intercessor.

P – Bendigamos com alegria a nosso Deus, pois nos envia sua Luz para iluminar e
atrair todos os povos da terra, e a ele elevemos nossas preces:

M1 – “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu


sobre ti a glória do Senhor.” (1L)
M2 – Acendei vossa luz em nosso mundo, Deus das luzes, para que vendo a luz
divina brilhando em meio às trevas, toda terra exulte de alegria pela Salvação
oferecida em Jesus Cristo.
T – Iluminai vosso povo com vossa luz, Senhor!
M1 – “os reis de toda a terra hão de adorá-lo e todas as nações hão de servi-lo.”
(SR)
M2 – Dirigi os passos de todos os habitantes do mundo ao encontro de vossa luz,
para que iluminados pela vossa bondade, vivamos na paz e na fraternidade.
T – Iluminai vosso povo com vossa luz, Senhor!
M1 – “Este Mistério, Deus o fez conhecer aos homens das gerações passadas e
acaba de o revelar agora.” (2L)
M2 – Confirmai vossa Igreja em sua missão evangelizadora, para que todos os
homens e mulheres, envolvidos em tantas luzes, possa reconhecer que Jesus Cristo, luz
enviado do Pai, é o único Salvador de todo o gênero humano.
T – Iluminai vosso povo com vossa luz, Senhor!
M1 – “Onde está o Rei que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e
viemos adorá-lo” (E)
M2 – Iluminai-nos com a luz do Evangelho, ó Espírito Santo, vós que sois a
Sabedoria infinita de Deus, para reconhecer na simplicidade da pobreza do presépio a
LUZ que ilumina nossa existência.
T – Iluminai vosso povo com vossa luz, Senhor!
M1 – “Quando entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe.
Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram.” (E)
M2 – Sempre mais, fazei brilhar vossa luz em nossa comunidade para encontrar
vosso Filho Jesus, a quem adoramos como nosso Deus, nossa Luz e nossa Salvação.
T – Iluminai vosso povo com vossa luz, Senhor!
P – Bendito sois, Luz infinita e fonte de toda a luz, porque no nascimento de vosso
Filho Jesus quisestes atrair toda humanidade a vós, oferecendo vossa Salvação. Bendito
sois, Luz que ilumina a humanidade, porque permitis que elevemos a vós nossas preces

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e vos louvar com nossas súplicas. Bendito sejais, Deus Luz dos povos, que reinais pelos
séculos dos séculos.
T – Amém!

LITURGIA SACRAMENTAL
O mais importante é que o discípulo e discípula do Evangelho se deixe atrair e
guiar pela luz do Evangelho. É nesta luz, que cada discípulo e discípula se tornam
oferentes e reconhecedores da adoração, como fizeram os Reis Magos.

PROCISSÃO DAS OFERTAS: todos e cada um dos celebrantes é convidado e


deveria se sentir atraído para entrar na procissão das ofertas dessa celebração. Nem
todos, infelizmente, são capazes de perceber na simplicidade das oferendas a presença
divina da Luz que ilumina quem faz da própria vida uma busca da Luz.

Anotações práticas
A exemplo da procissão de entrada, também a procissão das oferendas poderá ser iluminada. Para isso, convidar alguns
celebrantes que acompanharão a procissão das oferendas com velas acesas. Ao chegar no altar, colocarão as velas numa
caixa de areia, antecipadamente preparado para esta finalidade.

ORATE FRATRES: a atração da luz divina e a resposta positiva para se colocar a


caminho em busca da luz torna-se alegria de oferecer um sacrifício agradável ao Pai.
Orate fratres
Orai, irmãos e irmãs, para que atraídos pela Luz divina que nos convida a caminhar ao encontro do
Senhor, possamos oferecer um sacrifício agradável a Deus Pai todo-poderoso.

ORAÇÃO EUCARÍSTICA: a exemplo dos Magos a ida à igreja é uma


peregrinação onde os celebrantes adoram Jesus Cristo, a Luz da Salvação divina.
Modelo de monição para a Oração Eucarística
Os Reis Magos precisaram fazer longa viagem para encontrar Jesus Cristo, o Salvador da humanidade.
Todos os domingos, também peregrinamos e encontramos Cristo no sacramento do Pão e do Vinho.
Adoremos ao Senhor Jesus, pois ele á Luz divina, a salvação que Deus Pai nos oferece.

PREPARAÇÃO PARA A COMUNHÃO


A Luz divina deseja que todos os povos se reúnam ao seu redor, para serem
iluminados pela Palavra que orienta e pela Eucaristia que alimenta e transforma a vida
em ação de graças ao Pai.

PAI NOSSO: a sabedoria divina encontra-se no Evangelho, Luz que atrai e


orienta como se deixar instruir pelo próprio Deus.
Convite para o Pai nosso
Iluminados pela sabedoria da luz do Evangelho, rezemos como Jesus nos ensinou: Pai nosso...

ABRAÇO DA PAZ: quem promove a paz, quem se dedica a trabalhar em favor


da paz torna-se acendedor da luz divina no mundo.
Proposta de saudação da paz
Iluminemos nosso mundo sendo luz que acende a paz no coração de todos.

CONVITE PARA A COMUNHÃO: a bondade divina é tão grande que enviou seu
Filho para nos revelar que o Mistério da Salvação atrai e ilumina todos os povos da
terra.
Proposta de convite para a comunhão

10
Deus, em sua bondade, revelou-nos o Mistério da Salvação em Cristo Jesus. Eis o Cordeiro de Deus, que
tira o pecado do mundo.

RITOS FINAIS
Deus se revela no Mistério da Epifania, se manifesta como luz na simplicidade da
vida e na pobreza do presépio, na fragilidade de seu Filho Jesus nascendo entre nós.

COMPROMISSO CONCRETO: a exemplo dos Reis Magos, cada celebrante é


convidado a se deixar iluminar pela Palavra de Deus e se fazer peregrino em busca da
luz que é a meta de nossas vidas cristãs: Jesus Cristo. É um compromisso que pode
estar unido aquele passado um dia antes, na solenidade da Maternidade divina de
Maria, que acende a luz divina investindo na vida interior através da meditação da
Palavra divina. Quem acolhe a Palavra de Deus como luz em sua vida, ilumina toda sua
existência.

Anotações práticas
O padre poderá passar o compromisso concreto, valendo-se da homilia e da proposta do contexto celebrativo. Logo depois o
próprio padre ou outro ministro faz o anúncio das datas litúrgicas para 2011, como segue.

ANÚNCIO DAS DATAS LITÚRGICAS DO ANO 2011: neste momento, ou depois


do Evangelho, é costume anunciar as datas das solenidades móveis do ano de 2011.

Anotações práticas
O padre, o diácono ou outro ministro (leitor ou comentarista), dirige-se à estante do comentarista e, de lá, anuncia as datas
litúrgicas móveis do modo como segue o formulário abaixo.

Irmãos caríssimos, a glória do Senhor manifestou-se e sempre há de manifestar-se no meio de nós, até a sua vinda
no fim dos tempos. Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo, recordamos e vivemos os mistérios da salvação.

O centro de todo o Ano Litúrgico é o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, que culminará no
Domingo de Páscoa, este ano a 24 de abril. Em cada Domingo, Páscoa semanal, a Santa Igreja torna presente
este grande acontecimento, no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.

Da celebração da Páscoa do Senhor derivam todas as celebrações do Ano Litúrgico: as cinzas, início da
Quaresma, a 9 de março; a Ascensão do Senhor, a 5 de junho; Pentecostes, a 12 de junho; o primeiro Domingo do
Advento, a 27 de novembro.

Também as festas da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos Santos e a comemoração dos Fiéis Defuntos, a Igreja
peregrina sobre a terra proclama a Páscoa do Senhor. A Cristo, que era, que é e que há de vir, Senhor do tempo e
da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos.
T - Amém!

BÊNÇÃO E DESPEDIDA: A solenidade da Epifania do Senhor tem uma fórmula


de bênção solene (Cf. Missal Romano, p. 521, n. 4), a qual seria bom utilizá-la nesta
celebração.
Para a despida, o presidente da celebração poderá dizer:
Buscai a luz da estrela que conduz a Jesus e levai a LUZ de Cristo a todas as pessoas e em todos os
lugares. Ide em paz, o Senhor vos acompanha.

LITURGIA DA PALAVRA (leituras)

Atenção
No quadro abaixo estamos propondo uma monição geral da Liturgia da Palavra, que poderá ser feita pelo sacerdote ou pelo
comentarista. Esta monição elimina as motivações de cada uma das leituras.

11
No caminho que a humanidade de todos os povos e raças, representada pelos Reis Magos, vai em busca da LUZ,
percebe-se a atração divina presente no coração de cada homem e mulher, que se deixa atrair pela luz da Palavra
de Deus. Palavra que é Luz que brilha e dá sentido ao caminho existencial.

PRIMEIRA LEITURA: IS 60,1-6


SALMO RESPONSORIAL - SL 71
As nações de toda terra hão de adorar-vos

2ª LEITURA: EF 3,2-3A.5-6
ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: CF. MT 2,2
Aleluia, aleluia, aleluia.
Vimos sua estrela no Oriente/ e viemos adorar o Senhor.

EVANGELHO: MT 2,1-12

REFLEXÃO CELEBRATIVA (proposta de homilia)


1 - CADA UM DE NÓS BUSCA A SUA ESTRELA
Um dia depois de celebrar a Solenidade da Maternidade divina em Maria
Santíssima, voltamos para celebrar a Epifania do Senhor; a manifestação do Senhor ao
mundo e a todos os povos da terra. Continuamos contemplando e meditando a profecia
silenciosa do presépio que hoje chama atenção para o brilho diferente da luz que
aparece no mundo. Foi uma luz diferente que motivou os Reis Magos a se colocar a
caminho. No céu brilham milhares de estrelas, mas só uma, muito diferente, motivou os
Magos a deixarem suas comodidades e irem em busca desta luz. O teólogo francês,
Lagrange, meditando a Epifania pede para desviar o foco ao dizer que a estrela
diferente, comentada no Evangelho que acabamos de ouvir, fala mais de teologia que
de astronomia. Com isso, o teólogo explica que a estrela é símbolo da Palavra, da
profecia do anúncio do Rei que nasce para salvar a humanidade, para salvar todos os
povos da terra. A estrela é a Palavra, a estrela é Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez
carne entre nós.

2 - A LUZ QUE ATRAI A VIDA,


Luz é também símbolo de atração da vida. Os Magos representam a vida
humana, sempre atraída e sedenta de luz. Quando uma luz brilha na vida da gente,
deixamos um modo de viver e caminhamos ao encontro daquela luz. Quando uma
jovem se torna luz nos olhos de um rapaz (ou vice-versa) a vida muda e os passos são
direcionados para conquistar a luz que o atrai. Mas, nem tudo é poético no peregrinar
em busca da luz para iluminar a vida. Muita gente inventa luzes e outros vêem luzes
onde a luz é apenas uma miragem que cega e conduz por caminhos perigosos,
arriscados e, não poucas vezes, caminhos de morte. A Palavra que ouvimos hoje faz
duas propostas a cada um de nós. A primeira delas pede para avaliar que luzes
iluminam nossas vidas e a segunda, incentiva a seguir o exemplo dos Magos que, entre
milhares de luzes brilhando no céu, foram capazes de distinguir uma luz especial e
foram em busca dela. Em ambos os casos, a proposta de vida se repete: façam da
Palavra de Deus a luz que ilumina suas vidas. Não deixem que qualquer “proposta
luminosa” ilumine sua cabeça e escureça seu caminho. Faça da Palavra de Deus a luz
dos seus passos.

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3 - MAGOS CONHECIAM A PROFECIA DA SALVAÇÃO
O Evangelho dá a entender que os Magos conheciam a profecia da Salvação
universal, que promete a vida plena para todos os povos da terra. Por isso, Mateus
apresenta os Magos como representantes dos povos e raças conhecidos no seu tempo.
Jerusalém é descrita na profecia de Isaías, na 1ª leitura, como “cidade-luz”, que atrai
todos os povos da terra. Quando os Magos chegam à “cidade-luz” a vêem apagada e,
admirados, perguntam onde a luz está acesa, porque sabiam que Jerusalém deveriam
brilhar com uma luz que atrairia todos os povos. Em vez de iluminada, encontram uma
comunidade apagada, em vez de luzes, encontram as pessoas dormindo na indiferença
e no comodismo. A Palavra, mesmo lida todos os dias pelo povo de Jerusalém, não
brilha e nem atrai os olhares para ver a Luz diferente no meio de tantas luzes. Hoje, a
Igreja é a Jerusalém da profecia de Isaías. A Igreja é chamada a ser a “cidade-luz” para
brilhar no meio do povo e para isso, precisa iluminar-se na Palavra de Deus e ler esta
Palavra para atrair todas as gentes à Luz capaz de brilhar com mais esplendor nossas
vidas.

4 - OS MAGOS ACORDARAM O POVO DE JERUSALÉM


A Igreja, Povo de Deus, povo iluminado pela Palavra de Deus, somos todos nós.
Quando os Magos chegaram em Jerusalém, o povo conhecia a Palavra de Deus; lia e
estudava a Palavra, mas de modo indiferente e, por isso, a Palavra entrava na cabeça,
mas não iluminava o coração, não tocava a vida, não iluminava a existência. Era um
povo acomodado no conhecimento teológico, doutrinal e em devoções... ou seja,
conheciam o caminho, mas diferentemente dos Magos, não peregrinavam em busca da
luz. Não eram capazes de transformar a Palavra em luz; conheciam a profecia, mas não
foram a Belém. Quando existe indiferença, comodismo e desinteresse, podemos ler a
Bíblia todos os dias, mas esta não poderá acender a luz para guiar nossos passos. O
que os Magos nos ensinam hoje, é a necessidade de sair de um estilo de vida para
buscar a luz que direciona nossos passos até Jesus Cristo e nos faça viver de modo
diferente. Ainda estamos acordando para um Ano Novo; hoje é apenas o segundo dia
deste novo ano. Que isso seja motivo para avaliar que luz (ou luzes) ilumina minha vida
e para se tornar cada vez mais convicto na fé de que a Palavra de Deus é luz que
iluminará este novo ano de 2011. Amém!

BATISMO DO SENHOR – 9 DE JANEIRO DE 2011


LEITURAS
1ª leitura: Is 42,1-4.6-7 = Eis o meu servo; nele se compraz minh’alma.
Salmo Responsorial: Sl 28 = Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo.
2ª leitura: At 10,34-38 = Foi ungido por Deus com o Espírito Santo.
Evangelho: Mt 3,13-17 = Este é o meu Filho muito amado.

Primeiro olhar
Uma questão que vive no coração de todo batizado é como conhecer melhor Jesus e viver de acordo com seu projeto,
proposto no Evangelho. Para se viver como discípulo e discípula de Jesus desde o Batismo é preciso conhecer a missão do
Mestre e o espírito de servo, com o qual ele acolheu a vontade do Pai.

ILUMINADOS PELA PALAVRA


Comum à tradição litúrgica, esta celebração faz parte da Epifania, da
manifestação de Jesus Cristo ao mundo. Entre outras dimensões, a Liturgia epifânica do
Batismo de Jesus ressalta o início de sua missão como atividade libertadora tanto em
relacionamentos sociais como na libertação interior. Faz isso propondo um novo modo
de considerar a vida, sem entraves, sem guerrear-se em conflitos e distante do pecado.
13
À medida que Jesus é fiel à sua missão, na chamada vida pública, surgem outras
epifanias (manifestações) da presença divina no mundo através da evangelização:
anuncia a Boa Nova aos pobres, livra o povo de cegueiras, ilumina a situação social de
modo diferente, livra-o de surdezes para que o povo ouça e avalie o que e como lhe
falam, dá firmeza aos passos para andar serenamente nos caminhos de Deus (Mt 11,2-
11). Gestos libertadores, atestadores que Jesus é o Filho de Deus, o Messias enviado
por Deus (Evangelho) para salvar todos os povos do mundo (2ª leitura). Tudo isso,
como dito, tem início no Batismo do Senhor, quando a voz de Deus deixa de reboar em
trovões e águas ruidosas e começa falar nossa linguagem em palavras e gestos (salmo
responsorial). A partir do Batismo, Jesus torna pública sua passagem no mundo — vive
sua Páscoa — fazendo o bem a todos, indistintamente (2ª leitura).
O Batismo, como primeira manifestação pública de Jesus deixa João Batista
confuso; os papéis estavam sendo invertidos: ele que deveria ser batizado (Evangelho).
Com seu gesto, Jesus diz que ele também quer participar do processo da renovação
espiritual iniciado por João Batista, em vista da conversão (Evangelho), quer ser parte
dos criticados da cidade por se deixarem batizar por João Batista e, o que mais causa
estranheza a João Batista, quer ser o Messias misturado aos pecadores. No pensamento
de João, o Messias deveria ser intocável. Em Jesus acontece o contrário: se deixa tocar
pelo pecado. Diante dos protestos de João, Jesus pede que deixe como está para que a
justiça aconteça (Evangelho). Justiça, no contexto mateano, é fazer a vontade de Deus,
para que a pessoa acolha e conforme sua vida pessoal ao projeto divino. É isso que
acontecia com Jesus ao receber o Batismo de João: manifestava que a vontade do Pai o
tinha enviado para os pecadores (Mt 9,13).
Para que a justiça aconteça, isto é, para que o projeto divino se torne realidade,
Jesus é consagrado no Batismo pelo Espírito Santo para uma missão específica: acolher
o projeto divino e anunciá-lo como presença do Reino de Deus entre nós. No dizer de
Pedro: agir como Deus é viver fazendo o bem a todos (2ª leitura). Fazer o bem, na
missão de Jesus, é tornar a humanidade mais humana e, deste modo, mais próxima do
divino. Para realizar tal missão, Jesus assume o papel de servo, profetizado por Isaías
(1ª leitura). Na linguagem bíblica, servo é alguém de confiança, a quem se pode confiar
uma grande e importante responsabilidade. Alguém que recebe o Espírito de Deus e,
por esse motivo, age como Deus e sempre defende os interesses de Deus. Abraão,
Moisés, Davi... são exemplos bíblicos de servos de Deus. Jesus, além disso, se enquadra
nas características do servo, descritas por Isaías porque (1ª leitura): não faz
propaganda de si, não adota a violência, apresenta-se com humildade, age como
libertador, coloca-se a serviço da humanidade de acordo com a vontade do Pai e vive
para fazer o bem, indistintamente (2ª leitura).

ILUMINADOS PELAS ORAÇÕES (eucologia da missa)


Todos que participam desta celebração são convidados a renovar as promessas
do Batismo, em clima de ação de graças, pelo dom do Espírito Santo derramado em
cada celebrante, no dia do Batismo. Assim como Deus derrama seu amor no Filho
amado (antífona de entrada), assim o amor divino é derramado em quem é adotado
por Deus, no Batismo (aclamação ao Evangelho) e se dispõe a ouvi-lo e testemunhar
que Jesus é o Filho de Deus, o Salvador (antífona de comunhão e sobre as oferendas).
Outra intenção, importante para nossos tempos, é agradecer a graça da filiação adotiva
de Deus (depois da comunhão) e a intercessão de perseverar no seu amor (oração do
dia).

Proclamar a Oração eucarística II com o Prefácio próprio do Batismo de Jesus


Tema: “O Batismo de Cristo no Jordão” — Anúncio de que o Verbo divino habita
entre nós e que Jesus foi enviado para evangelizar a humanidade.

14
ILUMINADOS PELA VIDA
Para a Pastoral Litúrgica, e mais especificamente, na pedagogia litúrgica, a
reflexão que propomos para esta festa ilumina a atividade pública de Jesus e favorece a
compreensão do nosso discipulado como compromisso evangelizador. Na segunda-feira
que segue a esta celebração terá início o Tempo Comum e, a partir do Domingo
seguinte a este, a Liturgia apresentará Jesus como Mestre de vida. A celebração do
Batismo do Senhor, portanto, ao concluir o ciclo do Natal, coloca os celebrantes diante
da Missão de Jesus como convite para participar desta mesma missão recebida do Pai.
Como sabemos, a participação tem início no nosso Batismo e cresce em compromisso
no decorrer da vida, através do discipulado.
Outro elemento que ajuda a aprofundar nossa reflexão é a notificação da
abertura dos céus. Mateus diz que, no momento do Batismo, os céus se abriram. Céus
fechados e céus abertos indicam, para a Bíblia, a impossibilidade (céus fechados) ou a
possibilidade (céus abertos) de manter comunicação com Deus. Quando, no Batismo de
Jesus, os céus se abrem, Deus volta a conversar com a humanidade, cria um meio de
comunicação entre o divino e o humano. Deus torna-se compreensível e nós podemos
assimilar e viver a proposta divina. A Palavra não está mais distante, longe de nós; está
ao nosso alcance (Dt 30,10-16). Tudo isso acontece mediante Jesus Cristo ao se fazer
servo de Deus. Aquele a quem Deus confia a responsabilidade de comunicar seu
projeto de vida ao mundo; aquele que aceita este projeto.
É assim, como servo de Deus, que Jesus realiza sua missão de anunciar o projeto
divino como presença do Reino de Deus entre nós e restabelece a comunicação com
Deus, simbolizado na abertura dos céus e na voz que se ouve, no momento em que é
batizado por João (Evangelho). Com Jesus e em Jesus a humanidade inicia um novo
relacionamento e um novo modo de se relacionar com Deus. Da parte divina, os céus
se abrem e Deus derrama seu Espírito sobre seu povo e em quem se dispõe a acolher
sua Palavra. Quem se dispõe a ouvir Jesus e se tornar discípulo entra nos caminhos de
Deus, torna-se também servo de Deus, alguém em quem Deus pode confiar a mesma
missão de Jesus. Na Teologia batismal definimos isso como “configuração a Cristo”.
Configuração que acontece também em nível de missão, de compromisso
evangelizador e libertador, como fez Jesus.
A conclusão do Tempo Natalino é uma porta que se abre ao compromisso
batismal, ao convite para se tornar discípulo e servo da proposta divina, a exemplo de
Jesus. É o Natal convidando seus celebrantes a serem adultos na fé e na missão.
(Francisco Régis)

CONTEXTO CELEBRATIVO
Conhecendo a missão de Jesus Cristo, nós que fomos batizados no Espírito Santo,
tornamo-nos filhos e filhas amados de Deus, consagrados no Espírito de Deus para
assumir a mesma missão, e com igual atitude, de Jesus neste momento histórico. É
com esta luz de compromisso batismal que sugerimos contextualizar a Festa Litúrgica
do Batismo do Senhor.

Oração
Jesus, vós que sois o Filho amado do Pai, que passastes entre nós fazendo o bem, nós te suplicamos: ajudai-nos a
viver nosso Batismo como filhos e filhas amados do Pai. Ajudai-nos a caminhar nas estradas do mundo, nas
estradas de nossas comunidades fazendo o bem a todos, anunciando vossa Palavra e agindo como vossos servos e
servas. Tornai-nos atentos ao vosso Espírito Santo, que nos destes em nosso Batismo, para sermos vossos servos e
servas, gente a quem podes confiar vossa tarefa evangelizadora. Amém! (SV)

VAMOS CANTAR A CELEBRAÇÃO


NB
15
As canções sugeridas têm a finalidade de facilitar o repertório da celebração. Normalmente, propomos cinco canções. Caso,
nenhuma seja conhecida, a poesia da letra poderá orientar na escolha de outra canção. Os números entre parêntesis indicam
o número da canção, na lista após comentário.

Siglas
SAL – a letra da canção encontra-se na página – www.liturgia.pro.br
HL = “Hinário Litúrgico da CNBB” (Livro de canções publicado pela CNBB)
CO = “Cantos e Orações” (Livro de canções publicado pela Editora Vozes, 2004)
L = “Louvemos” (Livro de canções publicado pela “Associação do Senhor Jesus”)
CD = CD publicado pela Paulus com cantos do Hinário Litúrgico da CNBB.

É bom agradecer ao Senhor a graça do Batismo e o compromisso de servo, que


de Deus recebemos, a exemplo de Jesus. É assim que cantamos esta celebração, como
assembléia de batizados, como povo que passa fazendo o bem no meio da sociedade.

Anotações práticas
Uma vez que ainda estamos no tempo do Natal, pode-se cantar canções natalinas na celebração. Nós sugerimos outras
canções, não natalinas, que também poderão ser usadas pela sua equipe de celebração.

Entrada: é como Igreja de batizados que nos dirigimos ao encontro do Senhor,


para celebrar a revelação de Jesus Cristo como Filho amado de Deus. É também com
alegria que os celebrantes renovam seus compromissos batismais no decorrer da
celebração. Para ouvir a canção (1) acessar o endereço:
http://www.krafta.info/br/search/Eis-Que-Veio-O-Senhor/1/mp3
1 – “Eis que veio o Senhor” (SAL 762) (CO 83) (HL, fasc. 1, p. 12) (CD Liturgia V;
fx 12)
2 – “Cristãos, vinde todos” (SAL 736) (HL, fasc. 1, p. 65)
3 – “Batismo é como outro nascimento” (SAL 882) (CO 267)
4 – “Quem não renascer da água” (SAL 1123) (CO 108)
5 – “Água santa, ó água pura” (SAL 881) (CO 907)
Outras canções de entrada no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 499] [SAL 1227]

Aspersão com a água: o primeiro gesto ritual de renovação dos compromissos


batismais, na celebração, é feito com a aspersão da água sobre a assembléia. Um rito a
ser realizado na alegria e na súplica para se poder contar com a graça divina na
vivência batismal.
1 – “Eu te peço desta água” (SAL 43) (CO 270)
http://www.krafta.info/br/search/Eu-Te-Peço-Desta-água/1/mp3
2 – “Água cristalina” (SAL 883) (L 710)
3 – “Pelo batismo recebi” (SAL 71)
http://www.4shared.com/file/44881207/d8804798/1019_-
_Pelo_batismo_recebi_uma_misso.html
4 – “Pelo Batismo eu fui chamado” (SAL 72)
5 – “Banhados em Cristo” (CO 1459g)

Salmo responsorial: com o início da missão evangelizadora de Jesus Cristo, a


voz de Deus não se ouve mais como trovão assustador, mas como voz humana, nas
palavras de Jesus Cristo, que continua falando ainda hoje pelo Evangelho.
1 – cf. “Cantado salmos e aclamações” (Paulus) p. 15
2 – cf. “HL da CNBB, fasc. 1, (Paulus), p. 10
3 – cf. CD Liturgia V; fx 16
4 – “Que o Senhor abençoe” http://www.krafta.info/br/search/Sl-28/1/mp3

16
Aclamação ao Evangelho: como num eco da antífona de entrada, o salmista
retoma a proclamação para anunciar à assembléia que Jesus Cristo é o Filho amado de
Deus. Razão pela qual todos somos convidados a escutá-lo.
1 – “Aleluia! Pois abriram-se os céus” (SAL 1124) (CD Liturgia V; fx 14)
2 – “Aleluia! A Palavra de Deus” (SAL 1104) (CD Liturgia XII. Fx 13)
3 – “Alê-aleluia; Quem é este que vai nos falar” (SAL 730)
4 – “Vamos ouvir uma Palavra bonita” (SAL 192)
5 – “A vossa Palavra, Senhor” (SAL 216) (CO 668)
http://www.krafta.info/br/search/A-Vossa-Palavra/1/mp3

Ofertas: todo batizado é convidado a se aproximar da Mesa do Altar para ali


depositar aquilo que colheu de sua vivência batismal, especialmente se assumiu a
atitude de Jesus de viver fazendo o bem. Para ouvir a canção (1), acessar o endereço
que segue: http://www.krafta.info/br/search/Cantai-Ao-Senhor-Um-Canto-Novo/1/mp3
1 – “Cantai ao Senhor um canto novo” (Cf. Cd Liturgia V, Natal, faixa 17)
2 – “Um novo dia, mais vida” (SAL 285) (CO 720)
http://www.krafta.info/br/search/Um-Novo-Dia,-Mais-Vida/1/mp3
3 – “Se meu irmão me estende a mão” (SAL 278)
4 – “Que mais eu posso te dar” (SAL 273)
5 – “O pão e o vinho me dizem tanto” (SAL 271)

Comunhão: o grande momento da vida de um batizado, discípulo e discípula de


Jesus Cristo é o de sentar-se com ele à Mesa e, com ele, partilhar do pão e do vinho
eucarísticos. Só quem mantém comunhão com o Senhor pode se aproximar da sua
Mesa e, com os irmãos, alimentar-se da vida divina.
1 – “É comunhão, é comunhão” (SAL 599) (CO 750)
http://www.krafta.info/br/search/é-Comunhão,-é-Comunhão/1/mp3
2 – “Na mesa sagrada se faz unidade” (SAL 303) (CO 398)
3 – “Entre os convivas desta Mesa do Senhor” (SAL 782)
4 – “Batismo é como outro nascimento” (SAL 882) (CO 267)
5 – “Sim, eu quero que a luz de Deus” (SAL 328) (CO 641)

Envio: o compromisso de viver e assumir o Batismo é a última mensagem que os


celebrantes ouvirão, deixando a igreja. Pode ser o convite do seguimento (5) ou pode
ser a confirmação confiante de que o Espírito de Deus conduz nossas vidas.
1 – “Eu creio em Deus” (SAL 245) (CO 946)
2 – “Dia e noite, vai o teu Espírito” (SAL 1125) (L 39)
3 – “Como membro desta Igreja” (SAL 21) (CO 569)
http://www.krafta.info/br/search/Como-Membro-Desta-Igreja/1/mp3
4 – “Quando o Espírito de Deus soprou” (CO 499) (CO 360)
5 – “Quero ouvir teu apelo, Senhor” (SAL 427) (CO 795)

O QUE VALORIZAR NA CELEBRAÇÃO


Dois símbolos se fazem presentes na celebração deste Domingo: um que
represente a continuidade da Epifania do Senhor e o simbolismo do Batismo de Jesus
Cristo com sua missão evangelizadora.

ESPAÇO SIMBÓLICO: sendo conclusão do tempo natalino, o espaço celebrativo


continua com a mesma motivação do Natal. Para ressaltar a dimensão batismal,
sugerimos colocar o Círio Pascal e um recipiente com água, simbolizando o Batismo. No
arranjo que propomos na foto, o recipiente com água deverá ser mais destacado, o que
poderá ser feito com um recipiente maior, mais elevado ou até mesmo de outra cor.

17
O arranjo tem na base uma vasilha com
água que faz brotar o verde e a flor,
simbolizando o bem que os cristãos
batizados são convidados a plantar ao
mundo, a exemplo de Jesus (2L).
As três velas indicam a luz divina que
habita em nós, pelo dom do Espírito
Santo, recebido no Batismo.
O número das velas pode ser variado.

FRASE CELEBRATIVA: a celebração do Batismo do Senhor faz parte da Epifania


do Senhor, por isso, a opção da frase sugerida, pela qual Deus manifesta Jesus como
seu Filho.
Frase celebrativa
Eis o meu Filho muito amado!

EQUIPE DE ACOLHIDA: repetir o anuncio do que aconteceu no dia do Batismo


de Jesus e que será celebrado.
Frase de acolhida
Hoje os céus se abrirão! Seja bem-vindo!
AMBIENTAÇÃO: um modo de introduzir os celebrantes na Liturgia deste
Domingo é dirigindo-lhes algumas perguntas genéricas, como por exemplo, se lembram
o dia em que foram batizados, se ainda conservam a vela que receberam no dia do
Batismo, se lembram o nome dos padrinhos... Num segundo momento é apresentar o
contexto celebrativo, lembrando que pelo Batismo, como conteceu com Jesus Cristo,
recebemos o Espírito Santo e a proposta de viver fazendo o bem, como será
proclamado na 2ª leitura. A conclusão da ambientação poderá mencionar que o
Batismo conclui o Tempo de Natal e, por isso, a celebração ainda cantará canções
natalinas.

RITOS INICIAIS
Guiados pela Liturgia do Batismo de Jesus Cristo, entramos no Mistério do Pai que
revela a face de nosso Mestre para aprender a construir nossa vida cotidiana como
servos de Deus, a exemplo do próprio Senhor Jesus.

ANTÍFONA DE ENTRADA: anúncio solene da festa litúrgica do Batismo do


Senhor como epifania – manifestação – de Jesus como Filho de Deus.
Antífona de entrada
Batizado o Senhor, os céus se abriram,/ e o Espírito Santo pairou sobre ele em forma de pomba./ E a voz
do Pai se fez ouvir:/ Este é o meu Filho muito amado,/ nele está todo meu amor.

ACOLHIDA PRESIDENCIAL: Jesus realizou sua passagem, isto é, sua Páscoa,


fazendo o bem. Quem dele se aproxima, bebe desta graça divina.
Modelo para acolhida presidencial
A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que passou entre nós fazendo o bem, esteja convosco.

MONIÇÃO INICIAL: o Tempo Pascal é concluído com o Batismo do Senhor,


quando Jesus dá início à sua vida evangelizadora como Filho e servo que passa fazendo
o bem.

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Modelo de monição inicial
Estamos concluindo, hoje, o Tempo de Natal com a celebração do Mistério do Batismo de Nosso Senhor
Jesus Cristo. Hoje, Jesus nos é apresentado pelo próprio Pai como seu Filho amado, como seu servo e
como aquele que passa entre nós fazendo o bem. Iniciemos nossa celebração intercedendo a graça de
renovar nosso compromisso batismal como filhos e filhas do mesmo Deus que é Pai de Jesus Cristo.
(Pausa silenciosa para que os celebrantes possam rezar e interceder a graça de
renovar o compromisso batismal).

BÊNÇÃO E ASPERSÃO DA ÁGUA: pela renovação do compromisso batismal, os


celebrantes são convidados também a renovar sua fidelidade ao projeto divino.

Anotações práticas
O rito da aspersão com a água, como renovação do compromisso batismal encontra-se no Missal Romano, p. 1001. Caso a
assembléia seja pequena, em vez da aspersão da água, todos poderão se dirigir até recipientes com água para tocar na água e
fazer o sinal da cruz sobre si mesmo ou naquela pessoa que se encontrar próxima. Durante o rito, canta-se uma canção, como
indicado nas propostas de músicas.
Realizando o rito de aspersão não se realiza o ato penitencial.

Rito da bênção e aspersão com a água


P – Irmãos e irmãs, na conclusão do Tempo Natalino, invoquemos a bênção de
Deus, nosso Pai, para que este rito de aspersão renove em nós a graça do compromisso
Batismal, pela qual fomos mergulhados na Salvação de Jesus Cristo para com ele
ressurgir na vida nova.
(pausa silenciosa)

P – Deus criador, que pela água e pelo Espírito criastes o homem e o universo.
T – Purificai e abençoai a vossa Igreja!
P – Ó Cristo, que do lado aberto na Cruz fizestes brotar os sacramentos da nossa
Salvação.
T – Purificai e abençoai a vossa Igreja!
P – Espírito Santo, que no seio batismal da Igreja, nos fizestes renascer como
filhos e filhas do Pai eterno.
T – Purificai e abençoai a vossa Igreja!
P – Ó Deus que reunis vossa Igreja, Corpo Miístico do Senhor, no dia memorial do
seu Batismo, abençoai está água (+) que será aspergida sobre nós para renovar a feliz
lembrança e a graça de nosso Batismo
T – Amém!

RITO DE GLORIFICAÇÃO INICIAL: a alegria de renovar o compromisso batismal


incentiva ao louvor e à glorificação.
Modelo de motivação para o rito do glória
Renovados e compromissados com a graça do Batismo, cantemos a glorificação ao Senhor.

ORAÇÃO DO DIA: a graça da habitação do Espírito de Deus na vida do batizado


é condição para que a vida divina transforme a vida interior.
Oremos: Ó Deus, cujo Filho Unigênito se manifestou na realidade de nossa carne, concedei que,
reconhecendo sua humanidade semelhante à nossa, sejamos interiormente transformados por ele que
convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

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LITURGIA DA PALAVRA
Colocando-se em escuta da Palavra de Deus, os celebrantes perceberem que
Deus revela seu Filho através da gratuidade. É também na gratuidade, e na mais
completa confiança, que Jesus Cristo acolhe a missão divina.

Proposta para a homilia


Objetivo: ajudar os celebrantes a compreender que a consagração realizada no
sacramento do Batismo é a mesma que foi realizada em Jesus Cristo, no dia de seu
Batismo.

Dinâmica: nossa proposta propõe um estilo de reflexão teológica e, por isso, o


melhor modo é dinamizar a homilia com comparações, no estilo de: assim como
aconteceu no Batismo de Jesus, assim acontece com o nosso Batismo.

RENOVAÇÃO DAS PROMESSAS BATISMAIS: o modo de professar a fé, na


celebração do Batismo do Senhor, é renovando o compromisso batismal.

Anotações práticas
O rito acontece no momento da profissão de fé. Para a renovação sua equipe de celebração pode-se servir de uma das
fórmulas da renovação das promessas batismais que se encontra no Ritual do Batismo. A resposta poderia ser cantada com o
refrão: “Creio, Senhor, mas aumentai minha fé”.
Alguns membros da assembléia, de raças e idades diferentes, recebem uma vela e a acendem no Círio Pascal e colocam-se de
frente para a assembléia. Depois todos renovam as promessas batismais. Enquanto os escolhidos acendem as velas, pode-se
cantar um refrão com tema batismal.

Se a comunidade dispõe de datashow, o texto poderá ser projetado e os


celebrantes rezam juntos o que respeita ao todos (T). Caso não tenha datashow, o
padre fala frase por frase e a assembléia repete.

Renovação das promessas batismais


P – Rezemos juntos (repetindo comigo) o desejo de renovar as promessas
batismais:
(o padre ou um ministro fala uma frase e a assembléia repete)

T - Ó Pai, eu te louvo e te bendigo, // porque Jesus me redimiu com seu sangue //


e pelo dom do Espírito Santo // posso participar da vida divina. // Agradeço a graça do
Batismo, // que me constituiu teu filho(a) // e me concedeu a vida eterna como herança.
// Por isso, agora, // vou renovar as promessas do meu Batismo:

P – Você crê em Deus Pai, que criou o céu e a terra, fez o homem e a mulher à
sua imagem e semelhança e nos entregou o mundo para que cuidemos dele e vivamos
na paz?
T – Creio!

P – Você crê em Jesus Cristo, Filho único de Deus, que foi concebido pelo poder
do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, se fez nosso irmão, deu sua vida por nós,
ressuscitou e está junto do Pai?
T – Creio!

P – Você crê no Espírito Santo, que nos reúne na comunhão da Igreja, nos
comunica o perdão dos pecados e nos garante a ressurreição da carne e da vida
eterna?
T – Creio!

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P – Esta é a nossa fé; esta é a fé que recebemos da Igreja e nos gloriamos de
professá-la em Cristo Jesus, Nosso Senhor e nosso Mestre na vida.
T – (cantando) Amém! Amém! Amém!

ORAÇÃO DOS FIÉIS: As reflexões das leituras e do contexto social onde


acontece a celebração motivam as súplicas nesta celebração. Sugerimos algumas
intenções:

P – Louvado seja nosso Deus e Senhor, que nos consagrou com seu Espírito no
Batismo e permite que dele nos aproximemos para apresentar nossos pedidos.

1. Acolhei a renovação de nosso compromisso batismal, Pai de bondade, para


que sejamos luz na sociedade e promotores da justiça e da paz.
T – Escutai nossa prece, Senhor!
2. A exemplo de Jesus Cristo, vosso amado Filho, fazei com que cada um de nós,
pela graça do Batismo, seja fonte de bênçãos na comunidade e para todo o mundo.
3. Por causa de nossa missão evangelizadora, recebida no nosso Batismo,
libertai-nos de tudo aquilo que nos possa impedir de passar nossas vidas fazendo o
bem.
4. Celebrando o Batismo de vosso Filho amado, abri nossos ouvidos e nossos
corações para acolher sua Palavra e viver como seus discípulos e discípulas.
5. Suplicamos humildemente a graça de sermos vossos servos e servas, pessoas
a quem podeis confiar a missão de evangelizar o mundo, como fizestes a vosso Filho
Jesus.
P – Nós te louvamos e te bendizemos, Pai santíssimo, porque desde nosso
Batismo nos aceitastes como vossos filhos e filhas muito amados. Acolhei, uma vez
mais, as nossas preces, sinal de nossa disposição para sermos servos e servas a quem
podeis confiar a mesma missão que confiastes a vosso Filho e nosso irmão Jesus Cristo,
que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.
T – Amém!

LITURGIA SACRAMENTAL
Como batizados e batizadas temos a “permissão” divina de nos aproximar do
altar santo do Senhor, nele depositar nossas ofertas e por ele elevar nossa ação de
graças.

PROCISSÃO DAS OFERTAS: cada batizado é convidado a entrar na procissão


das oferendas para se aproximar do altar como filho e filha do Pai bondoso, mas
também como servo e serva de Deus. Quem vive o Batismo e, por causa do Batismo
assume a responsabilidade de viver fazendo o bem, com muito mais razão, é convidado
a participar desta procissão.

Anotações práticas
A procissão poderá ser realizada de modo simples, com três pessoas levando os dons ao altar. Pode-se também escolher
celebrantes de idades diferentes: criança, adolescente, jovem, adulto e idoso para levar os dons; cada idade representando o
mesmo compromisso, embora em graus diferentes.

ORATE FRATRES: o sacrifício dos batizados é a vida comprometida, que no


Batismo foi consagrada, e os tornou oferentes de uma oferta santa (Rm 12,1).
Orate fratres
Orai, irmãos e irmãs, para que nosso sacrifício de batizados e batizadas seja aceito por Deus Pai todo-
poderoso.
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ORAÇÃO EUCARÍSTICA: esta celebração se apresenta como oportunidade para
agradecer a graça do Batismo.
Modelo de monição para a Oração Eucarística
Como filhos e filhas de Deus, dom que recebemos no dia do nosso Batismo, somos convocados a
participar da Mesa onde o Senhor nos alimenta com seu Corpo e Sangue. Agradeçamos esta graça da
bondade divina para conosco.

PREPARAÇÃO PARA A COMUNHÃO


O Batismo se realiza plenamente na vida do discípulo e da discípula quando é
alimentado com o Corpo e o Sangue do Senhor. É pela Eucaristia que o Batismo se faz
realidade de vida, fortalecendo a missão e a possibilidade de viver fazendo o bem.

PAI NOSSO: iniciar o caminho até a Mesa Eucarística como filhos e filhas de
Deus.
Convite para o Pai nosso
Como filhos e filhas muito amados de Deus, rezemos a oração que Jesus nos ensinou: Pai nosso...

ABRAÇO DA PAZ: comungar a paz de quem conosco celebra, transmitindo e


acolhe o Espírito divino que habita em nós e no irmão.
Proposta de saudação da paz
Batizados no Espírito Santo, transmitamos a paz do Espírito divino que habita em nós.

CONVITE PARA A COMUNHÃO: deixar-se alimentar pelo Corpo e Sangue do


Filho muito amado de Deus, no qual o Pai pôs todo seu agrado.
Proposta de convite para a comunhão
“Este é o meu Filho muito amado, no qual eu pus todo o me agrado”. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo.

RITOS FINAIS
O testemunho de batizado, mas principalmente sua atividade missionária, é
instrumento de transformação na comunidade e no mundo inteiro. Quanto mais
discípulos e discípulas de Jesus, batizados no Espírito Santo, viverem fazendo o bem,
tanto melhor será o mundo.

COMPROMISSO CONCRETO: o mesmo compromisso batismal de Jesus, como


servo de Deus, de ser responsável pela missão confiada pelo Pai, torna-se compromisso
dos celebrantes que, como Jesus se tornam servos e servas para realizar a missão
evangelizadora no mundo.

Anotações práticas
Pode-se convidar alguém da Pastoral do Batismo para passar o compromisso concreto e, ao mesmo tempo, confirmar a
necessidade daqueles que irão participar de batizados (pais e padrinhos, em particular) no decorrer do ano, de fazerem uma
boa preparação, que renove seu compromisso batismal e favorece uma bela celebração batismal de seus filhos e filhas.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA: Sugerimos uma fórmula de bênção que, de acordo com


a necessidade de sua comunidade, poderá ser adaptada.

Sugestão de Bênção solene para esta celebração


P – O Senhor esteja convosco.

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T – Ele está no meio de nós.
P – Deus, que vos concedeu a graça de celebrar o Batismo de seu Filho Jesus
Cristo, derrame sobre vós a paz e a alegria.
T – Amém!
P – Cristo, que depois do seu Batismo iniciou sua obra evangelizadora, vos
conceda a graça de serem evangelizadores em nossa comunidade.
T – Amém!
P – O Espírito Santo, que ungiu Jesus Cristo no dia do seu Batismo, ilumine vossos
passos e vos faça dignos da filiação divina.
T – Amém!
P – A bênção de Deus Pai todo-poderoso Pai e Filho e Espírito Santo
T – Amém!
A despedida da assembléia poderá ser feita com o envio:

Como batizados e batizadas, deixai o Espírito Santo de Deus conduzir as vossas vidas. Ide em paz, o
Senhor vos acompanhe.

LITURGIA DA PALAVRA (leituras)

Atenção
No quadro abaixo estamos propondo uma monição geral da Liturgia da Palavra, que poderá ser feita pelo sacerdote ou pelo
comentarista. Esta monição elimina as motivações de cada uma das leituras.

O Batismo de Jesus é a sua consagração, no Espírito Santo, para realizar sua missão na terra. No dia do Batismo,
Jesus torna-se o servo libertador, proclamado por Isaías e, enquanto servo, passa entre nós fazendo o bem.

PRIMEIRA LEITURA - IS 42,1-4.6-7


SALMO RESPONSORIAL – SL 28
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

2ª LEITURA - AT 10,34-38
ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO – CF MC 9.6
Aleluia, aleluia, aleluia
Abriram-se os céus/ E fez-se ouvir a voz do Pai:/ Eis meu Filho muito amado;/ Escutai-o,
todos vós!

REFLEXÃO CELEBRATIVA (proposta de homilia)


1 – CONCLUSÃO DO TEMPO NATALINO
A festa do Batismo de Jesus conclui o Tempo do Natal, que iniciamos em
novembro do ano passado, na celebração do 1º Domingo do Advento. Durante este
tempo celebramos a encarnação de Jesus, no seio da Virgem Maria, o seu nascimento,
a sua manifestação (epifania) ao mundo e, hoje, a conclusão com a festa do Batismo do
Senhor. Sempre tem alguém que estranha o fato de Jesus ter apenas nascido e, pouco
tempo depois, já adulto, é batizado por João Batista. Estranha igualmente que esta
festa faça parte do grande Mistério do Natal. Trata-se, no entanto, de um fato que é
muito simples compreender: a Liturgia celebra o Mistério da Salvação e não a biografia
de Jesus. Por isso, hoje, ao fazer memória do Batismo do Senhor, a Igreja apresenta a
finalidade, o motivo pelo qual Jesus nasceu como ser humano, no mundo. Ou então, a
Palavra que ouvimos explica que o Natal deve ser compreendido a partir da missão que

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o Pai confiou a Jesus: a missão de libertar a humanidade, mas também a missão de nos
convidar, como batizados, a participar da implantação do projeto do Pai no mundo.

2 – CONSAGRADO PARA A MISSÃO


No Evangelho proclamado encontramos dois aspectos do mesmo Batismo.
Durante o Tempo do Natal, especialmente no Advento, ouvíamos a pregação de João
Batista dizendo que seu Batismo era de conversão. João Batista afirmava que ele
batizava com a água, mas que chegaria alguém maior que ele, que batizaria no Espírito
Santo. Traduzindo: João dizia que ele somente mergulhava na água, mas que Jesus iria
mergulhar no Espírito de Deus. Com Jesus, o Batismo de João Batista deixa de ser um
rito de compromisso para converter-se e ingressar no processo de renovação espiritual
do povo e torna-se um rito consacratório. Jesus é consagrado durante o seu batizado
pela voz do Pai, que o chama de Filho amado, e pela presença do Espírito Santo, que
aparece em forma de pomba. Mesmo sendo Filho de Deus, o Pai o consagra com seu
Espírito para realizar sua missão na terra. Por isso, deste o seu Batismo, tudo que ele
fizer, tudo que lemos e ouvimos no Evangelho, é Jesus realizando sua missão sob a
ação do Espírito de Deus que nele vive. De onde São Pedro declarar, na 2ª leitura, que
ele passou entre nós fazendo o bem, porque movido pelo Espírito bondoso de Deus.

3 – JESUS, O SERVO
Jesus torna-se servo de Deus e, deste modo, consegue passar entre nós fazendo
o bem. Servo, na linguagem bíblica, é aquele a quem Deus confia uma
responsabilidade. É aquele que é eleito por Deus e, por isso, tem o Espírito de Deus
nele. Assim dizia a 1ª leitura, referindo-se a Jesus. Desde o Batismo de Jesus, todos os
batizados são consagrações de pessoas a Deus; consagrações porque somos batizados
no Espírito de Deus. Somos consagrados no Batismo e, como consagrados, nos
tornamos filhos e filhas de Deus, mas não só; nos tornamos igualmente “servos”...
“servos de Deus”. Pelo Batismo nos tornamos pessoas a quem Deus pode confiar uma
missão, ou melhor, pode confiar a mesma missão que confiou a Jesus Cristo. A mesma
missão de Jesus, que passou por este mundo fazendo o bem, está em mim, em você,
em todos os batizados e batizadas. Todos somos consagrados no Espírito Santo e,
todos temos a missão de passar por este mundo fazendo o bem. Fazer o bem significa
tornar a vida humana cada vez mais humana, pois este é o caminho que nos aproxima
do divino.

4 – COMO AGE O SERVO


Isaías fala do servo como alguém renovado pelo Espírito de Deus. O servo é
alguém que causa alegria a Deus; a alma de Deus se compraz naquele servo que se
torna responsável diante de Deus, dizia Isaías, na 1ª leitura. O servo por excelência é
Jesus Cristo; é modelo de como devemos viver nosso compromisso batismal e, como
devemos nos tornar evangelizadores, anunciadores e testemunhas da bondade divina
em nosso mundo. O servo de Deus é alguém que, por ter o Espírito de Deus nele, não
faz propaganda de si, não levanta a voz contra quem não pensa como ele, não sai
gritando pela rua como se fosse dono da verdade. O servo de Deus, o batizado, é
alguém que sustenta a fé dos mais fracos, não desanima ao ver que muitos não vivem
iluminados pelo Evangelho. O servo é alguém que caminha no mundo de mãos dadas
com Deus e se deixa iluminar pela luz dos ensinamentos de Jesus. O servo de Deus é
um libertador da vida humana porque foi enviado com a missão de eliminar cegueiras,
surdezes e prisões que impedem a vida de fluir livremente. Tudo isso podemos aplicar
tanto a Jesus, ao ser batizado, como a qualquer um de nós, que também fomos
consagrados servos de Deus no Batismo. Tudo isso situa-se no modo como Jesus
definiu sua missão: “em vim não para ser servido, mas para servir”. Ou seja, Jesus veio
como servidor, como servo de Deus. É como servidor, como servo que vive um
batizado. Amém!

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2° DOMINGO DO TEMPO COMUM – A – 16 DE JANEIRO DE 2011

LEITURAS
1ª leitura: Is 49,3.5-6 = Farei de ti luz das nações, para que sejas minha salvação
Salmo Responsorial: Sl 39 = “Eis que venho, Senhor, para fazer tua vontade”
2ª leitura: 1Cor 1,1-3 = A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de Jesus
Evangelho: Jo 1,29-34 = Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo

Primeiro olhar
Jesus é apresentado na assembléia litúrgica deste Domingo como o “Cordeiro de Deus”. O significado histórico e teológico
do “Cordeiro Pascal” remete à libertação e à Salvação do povo. Como “Cordeiro de Deus”, a Liturgia proclama Jesus como
Salvador de todos os homens e mulheres da terra, em todos os tempos históricos.

ILUMINADOS PELA PALAVRA


O início do Tempo Comum acontece com a apresentação de Jesus Cristo como o
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Evangelho). Apresentação que dá
continuidade ao contexto da epifania, da manifestação de Jesus Cristo ao mundo. É
também continuidade do episódio batismal, ressaltando o testemunho de João Batista
de que Jesus é o Filho de Deus, o enviado de Deus para salvar o mundo inteiro
(Evangelho). A Palavra deste Domingo, no entanto, concentra-se no contexto da
Salvação universal realizada por Jesus, oferecendo-se como sacrifício para fazer a
vontade do Pai (salmo responsorial). Ele é servo profetizado por Isaías que levará a
Salvação divina aos confins da terra (1ª leitura) e aquele que tira o pecado do mundo
(Evangelho). Ainda no contexto da Salvação universal, Paulo dirige sua carta a quem é
convocado à santidade em todas as partes do mundo (2ª leitura).
Na Bíblia, encontramos uma corrente teológica que considerava a Salvação
restrita ao povo hebreu e a entendia como a reunificação de Israel. Embora presente
em Isaías — “que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele” (1ª leitura) — a
mesma profecia evidencia que a missão salvadora do servo é a de se tornar luz para
todos os povos da terra (1ª leitura). Jesus é este servo, aquele que recebeu e assumiu a
responsabilidade de realizar o projeto salvador no mundo (salmo responsorial) para
todos os povos. João Batista dá testemunho dessa realidade (Evangelho).
O termo “testemunho” ou “testemunha”, trazido da linguagem forense, significa
originalmente “alguém que viu” ou então, “alguém que fala daquilo que viu”. O
Evangelho deste Domingo não diz que João Batista refere-se a Jesus como alguém que
foi batizado por ele, mas que viu o Espírito Santo pousando sobre ele e consagrando-o
(Evangelho). Fato que provoca mudança no conceito de Batismo. Não mais um rito de
purificação exterior e interior, como diziam os essênios, nem só purificação do coração,
como pregava João Batista, mas o Batismo como relação pessoal com o Espírito de
Deus. A diferença está na presença ativa do Espírito Santo que, no Batismo, pousa
sobre quem é batizado. O Batismo se tornou o pouso do Espírito Santo de Deus, do
poder de Deus, em quem é batizado.
É a partir da experiência do Batismo de Jesus, que todos os batizados participam
da filiação divina. Jesus é o Filho de Deus, mas não só. É também testemunhado por
João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Evangelho) e,
enquanto tal, é o Salvador, o servo que ilumina o mundo com sua Salvação (1ª leitura).
Ao apontar Jesus como Cordeiro de Deus, João Batista evoca nos ouvintes o significado
do Cordeiro Pascal para o povo de Israel, que com seu sangue, tingido nas portas dos
hebreus, libertou e salvou o povo da escravidão do Egito. Participar da Salvação, diz
São Paulo, é participar da Páscoa de Jesus Cristo (Rm 6) que, ao se fazer (com seu

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sangue) sacrifício para realizar a vontade do Pai (salmo responsorial), nos liberta da
morte, nos salva e nos torna filhos e filhas de Deus.

ILUMINADOS PELAS ORAÇÕES (eucologia da missa)


Uma vez mais, os celebrantes, com todos os povos da terra (antífona de
entrada), louvam e agradecem a Deus pelo dom da filiação divina, recebida no seu
Batismo (aclamação ao Evangelho) como manifestação do infinito amor de Deus pela
vida humana (antífona de comunhão). Outra intenção, desta vez em forma de súplica,
intercede a bênção divina para que o dom da paz e da fraternidade aconteçam entre
nós (oração do dia e depois da comunhão), graças à ação redentora de Jesus Cristo,
atualizada em nosso meio, na celebração Eucarística (sobre as oferendas).

Proclamar a Oração eucarística IV, com seu Prefácio próprio


Tema: “Deus salva o seu povo” — proclamação memorial da História da
Salvação, desde a criação do mundo até a oferta suprema da vida de Jesus Cristo,
como Cordeiro de Deus, sacrifício vivo, santo e redentor.

ILUMINADOS PELA VIDA


A Mensagem de Bento XVI para o 97º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado,
que é comemorado neste 16 de janeiro, tem como tema: “Uma só família humana”.
Na mensagem, o Papa destaca a presença da Igreja no mundo como “fonte de
confiança e esperança” e indica a Eucaristia como sinal de comunhão para toda a
humanidade. “Graças a ela, o Povo de Deus abraça “todas as nações, tribos, povos e
línguas” não com uma espécie de poder sagrado, mas com o serviço da caridade”. O
Santo Padre aponta a justiça e a caridade como colunas para a construção de uma paz
autêntica e duradoura.
Sobre a escolha do tema, diz que surgiu do vínculo profundo que existe entre
todos os seres humanos e que as “sociedades que se tornam cada vez mais
multiétnicas e interculturais”, de onde o convite para uma serena e frutuosa
convivência no respeito das legítimas diferenças. “O caminho é o mesmo, o da vida,
mas as situações por que passamos neste percurso são diversas”, afirma o Pontífice.
Nesse sentido, “a fraternidade humana é a experiência, por vezes surpreendente, de
uma relação que irmana a uma ligação profunda com o próximo, que é diferente de
mim, baseado no simples fato de sermos pessoas humanas”. “Somos de fato
dependentes uns dos outros, todos responsáveis dos irmãos e das irmãs em
humanidade para quem crê, na fé”, complementou.
O Pontífice pede que todos os que são forçados a deixar suas casas sejam
ajudados a encontrar lugares em que possam viver em paz e em segurança, trabalhar e
assumir direitos e deveres existentes do país que os acolhe. Bento XVI lembra a
realidade dos estudantes estrangeiros e internacionais, definindo-os como “pontes
culturais e econômicas” entre países, nos quais tudo isto se orienta para formar uma só
família humana. “A cultura das novas gerações forma-se na escola e na universidade:
depende em grande medida destas instituições a sua capacidade de olhar para a
humanidade como para uma família chamada a estar unida na diversidade”, conclui o
Santo Padre.

CONTEXTO CELEBRATIVO
Agradecidos pelo dom da filiação divina, os celebrantes são conscientizados
desta grande graça de terem o Espírito de Deus em suas vidas. Se o Espírito Santo de
Deus vive em nós, isso significa que podemos viver mais divinamente, quer dizer,
envolvidos no amor e com a confiança de quem vive da fé.

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Oração
Aqui estou: envia-me, Senhor! Como servo para glorificar-te com minhas palavras, atitudes, gestos, testemunho.
Abre meus ouvidos, Senhor, para ouvir vossa Palavra, abre minha boca para anunciar a Boa Nova, abre minha
vida para testemunhar-te sinceramente: és aquele que batizas no Espírito Santo; és o Cordeiro de Deus que nos
purifica, és a nossa Salvação. Amém! (SV)

VAMOS CANTAR A CELEBRAÇÃO


NB
As canções sugeridas têm a finalidade de facilitar o repertório da celebração. Normalmente, propomos cinco canções. Caso,
nenhuma seja conhecida, a poesia da letra poderá orientar na escolha de outra canção. Os números entre parêntesis indicam
o número da canção, na lista após comentário.

Siglas
SAL – a letra da canção encontra-se na página – www.liturgia.pro.br
HL = “Hinário Litúrgico da CNBB” (Livro de canções publicado pela CNBB)
CO = “Cantos e Orações” (Livro de canções publicado pela Editora Vozes, 2004)
L = “Louvemos” (Livro de canções publicado pela “Associação do Senhor Jesus”)
CD = CD publicado pela Paulus com cantos do Hinário Litúrgico da CNBB.

Cantar a graça de ser filho e filha de Deus, proclamando alegre e confiante que o
Espírito Santo se faz presente na assembléia e na vida de cada celebrante. É com este
clima interior que os celebrantes cantarão a celebração deste Domingo.

Entrada: nós reconhecemos que somente Deus é o Senhor e por isso


convidamos toda a terra (1) e todas as nações para adorá-lo (4). Nós adoramos nosso
Deus e Senhor, desde o nascer do sol (3) porque somos o seu povo eleito (2). Esta
canção (2) poderá ser ouvida no endereço: http://www.krafta.info/br/search/Somos-Nós-
O-Povo-Eleito/1/mp3
1 – “Toda terra te adore” (SAL 1008) (CD Liturgia XI; fx1)
http://www.krafta.info/br/search/Toda-Terra-Te-Adore/1/mp3
2 – “Ó Pai, somos nós o povo eleito” (SAL 774) (CO 635)
3 – “Desde o nascer ao pôr do sol” (SAL 24) (L 501)
4 – “Todas as nações vão se levantar” (SAL 1126) (L 758)
5 – “Deus enviou um profeta” (SAL 1021) (CO 1294) (cantar estrofes: 1 e 2 e 6)

Salmo responsorial: convidado a realizar o projeto salvador divino, o servo de


Deus (prefigurando Jesus) se coloca a disposição para fazer a vontade do Pai. Não com
sacrifícios e oblações, mas com a entrega da própria vida.
1 – Cf. “Hinário Litúrgico da CNBB”, fasc. 3, p. 133
2 – Cf. “Cantando os salmos e aclamações” (Paulus), p. 52
3 – CD Liturgia XI; fx 2
4 – “Eu disse: eis que venho”
http://www.krafta.info/br/search/2º+Domingo/2/mp3

Aclamação ao Evangelho: o acolhimento da Palavra de Deus, que é Jesus


Cristo, é condição indispensável se quisermos participar plenamente da filiação divina.
Hoje, isso acontece de modo especial com o acolhimento do Evangelho. Para ouvir a
canção (1), acesse o endereço: http://www.krafta.info/br/search/Pois-O-Verbo-Se-Fez-
Carne/1/mp3
1 – “Aleluia! Pois o Verbo se fez carne” (SAL 1127) (CD Liturgia XI; Fx 3)
2 – “Aleluia! No princípio era Palavra” (SAL 204) (CO 526)
3 – “Aleluia! Sobre a terra sede e fome mandarei” (SAL 776) (cantar a 3ª estrofe)

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4 – “Aleluia! Salve, ó Senhor, ó Deus da luz” (SAL 1128)
5 – “Vai falar no Evangelho” (SAL 242) (CO 465)
http://www.krafta.info/br/search/Vai-Falar-No-Evangelho/1/mp3

Ofertas: fazer da vida uma oferenda santa e agradável, como cantava o


salmista. Este é o clima que ilumina a procissão e a apresentação das oferendas, neste
Domingo. Mesmo que nossa oferenda seja simples (2), nós nos aproximamos do Senhor
e, com nossas mãos estendidas (1), apresentamos nossos dons de pão e vinho (3).
1 – “De mãos estendidas” (SAL 257) (CO 703) (CD Liturgia XI; Fx 4)
2 – “Sabes, Senhor” (SAL 277) (CO 148) http://www.krafta.info/br/search/Sabes,-
Senhor/1/mp3
3 – “Pão e vinho, Pai, poremos” (SAL 948) (CO 340)
4 – “Venho, Senhor, oferecer” (SAL 1129) (L 1013)
5 – “Ofertas singelas” (SAL 1130) (L 83)

Comunhão: o convite para participar das núpcias do Cordeiro (Ap 19,7-9) ressoa
com alegria na assembléia litúrgica deste Domingo. Ressoa em clima de festa,
proclamando Jesus como Cordeiro de Deus (1 e 4) e desejando que a luz de Deus brilhe
na vida de quem é alimentado com a vida divina (5).
1 – “És Jesus, o Cordeiro de Deus” (SAL 1025 [antífona 2]) (CD Liturgia XI; Fx 5)
2 – “Na comunhão, Jesus se dá pão” (SAL 301) (L 838)
http://www.krafta.info/br/search/Na-Comunhão-Jesus/1/mp3
3 – “É bom estarmos juntos” (SAL 27) (CO 149)
4 – “Cordeiro imaculado, por todos imolado” (SAL 868)
5 – “Sim eu quero que a luz de Deus” (SAL 328)

Envio: colocar-se à disposição do Senhor, através do seguimento do Cordeiro de


Deus, é entrar na dinâmica libertadora divina, de quem é guiado dia e noite pelo
Espírito Santo (4). Ouvir a canção (4) http://www.krafta.info/br/search/Dia-E-Noite,-Vai-
O-Teu-Espírito/1/mp3
1 – “Quando o Espírito de Deus soprou” (SAL 490) (CO 360)
2 – “Eis-me aqui, Senhor” (SAL 28) (CO 557)
3 – “Quando Jesus passar” (SAL 423) (CO 573)
4 – “Dia e noite, vai o teu Espírito” (SAL 1125) (L 39)
5 – “O Senhor me chamou” (SAL 1037) (CO 589)

O QUE VALORIZAR NA CELEBRAÇÃO


O contexto espacial, presente na Liturgia da Palavra é de apresentação:
apresenta Jesus como servo, luz para as nações (1L), como “Cordeiro de Deus” (E),
como Salvador de todos os povos e de todas as nações.

ESPAÇO SIMBÓLICO: o espaço celebrativo poderá ser preparado com um


estandarte do Cordeiro Pascal ou, um ícone de Jesus Cristo que poderá ser um
Pantocrator, como sugerido em outras oportunidades. Como elemento típico das
celebrações do Tempo Comum, pode-se dispor no presbitério um arranjo com flores.

28
O arranjo da foto é
somente um modelo, para
servir de inspiração.
A proposta enfatiza o texto
da 1L, onde Isaías profetiza
que o servo de Deus, Jesus,
será luz das nações. Como
dito acima, o arranjo
poderá ser colocado
debaixo de um ícone do
Pantocrator, ou um ícone
de Jesus (esquerda) posto
num cavalete de pintor, por
exemplo.

FRASE CELEBRATIVA: a frase remete ao contexto espacial da Liturgia da


Palavra, indicando Jesus como o Cordeiro de Deus.
Frase celebrativa
Eis o Filho de Deus, Eis o Cordeiro de Deus!
EQUIPE DE ACOLHIDA: acolhida simples, lembrando cada celebrante de sua
condição de filho e filha de Deus, desde o Batismo.
Frase de acolhida
Bem-vindo, filho(a) de Deus!

AMBIENTAÇÃO: uma breve reflexão tematizada na filiação divina (cf.


“Iluminados pela vida”) favorecerá a introdução dos celebrantes no contexto
celebrativo proposto para este Domingo. Outro aspecto é destacar o início de um novo
Tempo Litúrgico — Tempo Comum — como convite para entrar na escola do
discipulado e para crescer em consciência e em atitude como filhos e filhas de Deus.

RITOS INICIAIS
Todos os Domingos, a Igreja se reúne como a grande família de Deus ao redor da
Mesa da Palavra e da Mesa Eucarística. É deste modo que os filhos e filhas de Deus
sentam-se ao redor da Mesa e são alimentados pelo Pai, com seu Espírito plenamente
repleto de vida.

ANTÍFONA DE ENTRADA: em nome de toda a terra, os celebrantes acolhem o


convite do salmista para louvar o Nome santo do Deus altíssimo.
Antífona de entrada
Que toda terra se prostre diante de vós, ó Deus,/ e cante louvores ao vosso Nome, Deus altíssimo.

ACOLHIDA PRESIDENCIAL: a exemplo de Paulo (2L), o presidente da


celebração acolhe os celebrantes desejando-lhes a graça e a paz divina para suas
vidas.
Modelo para acolhida presidencial
A graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco.

MONIÇÃO INICIAL: anunciar o início do Tempo Comum e caracterizá-lo como


tempo do cotidiano, para se crescer e caminhar no discipulado.
Modelo de monição inicial
29
No contexto do Ano Litúrgico, iniciamos neste Domingo o chamado “Tempo Comum”. Um tempo que
privilegia o cotidiano em vista do crescimento no discipulado de Jesus. Que Deus esteja com cada um de
nós, para que possamos corresponder como discípulos e discípulas do Senhor.
(pausa silenciosa para que os celebrantes intercedam a graça de corresponder ao
Senhor através do discipulado).

ATO PENITENCIAL: como filhos e filhas de Deus, os celebrantes intercedem


perdão a Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Anotações práticas
O rito penitencial está sendo proposto com um ministro entrando com uma cruz pelo corredor central da igreja, fazendo três
paradas para interceder o perdão divino, como proposto no modelo que segue.
Significado: a Cruz é o local onde Jesus se torna verdadeiramente o Cordeiro de Deus, o nosso Cordeiro Pascal, que dá sua
vida para a Salvação do mundo.
O refrão poderá ser cantado com uma melodia simples, a ser composta pelos músicos da comunidade. Outra possibilidade é
cantar o refrão da canção n. 133, que já é conhecido em muitas comunidades, do endereço:
http://www.krafta.info/br/search/Perdão,-Senhor,/1/mp3

Modelo para o ato penitencial


P – No Batismo, recebemos em nós a glória de Deus, que manifestamos vivendo
como filhos e filhas do Pai. Se nem sempre a glória da filiação divina brilhou em nós,
peçamos perdão.
(breve momento de silêncio)

Ministro entra com a Cruz pelo corredor da igreja e reza: –


Jesus Cristo, Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, perdoai nossos
pecados e tende piedade de nós.

T – (cantando) – Perdão, Senhor, piedade, piedade de nós.

(Durante o refrão cantado, a Cruz vai até o centro da igreja)

P – Como discípulos e discípulas de Jesus, somos convidados a fazer de nossas


vidas uma oblação agradável ao Pai, dizendo: “eis que venho, ó Pai, para fazer vossa
vontade”.
(breve momento de silêncio)

Ministro que leva a cruz – Jesus Cristo, Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo, perdoai nossos pecados e tende piedade de nós.

T – (cantando) – Perdão, Senhor, piedade, piedade de nós.

(Durante o refrão cantado, a Cruz vai até o presbitério)

P – Sabemos que Jesus Cristo veio para nos salvar e, mesmo assim, não
caminhamos em seus caminhos.
(breve momento de silêncio)

Ministro que leva a cruz – Jesus Cristo, Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo, perdoai nossos pecados e tende piedade de nós.

T – (cantando) – Perdão, Senhor, piedade, piedade de nós.

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P – Deus, pleno da bondade misericordiosa, tenha compaixão de nós, perdoai os
pecados de vossos filhos e filhas e concedei-nos a alegria de participar, desde agora,
da vida eterna.
T – Amém!

RITO DE GLORIFICAÇÃO INICIAL: não existe dom maior que ser adotado como
filho e filha de Deus, motivo pelo qual os celebrantes elevam a glorificação ao Pai.
Modelo de motivação para o rito do glória
Todos somos chamados a ser filhos e filhas do Deus altíssimo. Por graça tão grande, nosso louvor e
nossa glorificação.

ORAÇÃO DO DIA: os celebrantes, como filhos e filhas de Deus, imploram o dom


da paz.

Oremos: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces
do vosso povo, que vos implora como vossos filhos e filhas, e daí ao nosso tempo, a vossa paz. PNSJC.

LITURGIA DA PALAVRA
Deus faz de seu servo uma luz para iluminar as nações com a glória divina. Deus
acolhe Jesus, como vítima pascal, o Cordeiro Pascal que tira o pecado do mundo para
que todos os povos e todas as nações conheçam e acolham a Salvação.

Proposta para a homilia


Objetivo: traçar uma brevíssima catequese sobre o significado do Cordeiro de
Deus, no Evangelho de João, e sua atividade no mundo, em vista do dom da filiação
divina a todos os homens e mulheres.

Dinâmica: uma vez que nossa proposta se apresenta em estilo catequético, a


dinâmica explicativa é a melhor opção. Isso é feito com uma fala mais lenta e com
mensagens objetivas e diretas.

ORAÇÃO DOS FIÉIS: repassar as leituras e iluminar-se na Iniciação Cristã para


que a assembléia dos celebrantes implore a graça de viver realmente como filhos e
filhas de Deus.

P – Demos graças ao Pai, que em Jesus Cristo, o nosso Cordeiro Pascal, nos
adotou como seus filhos e filhas e supliquemos:

1. No dia do Batismo, recebemos a vela acesa para testemunhar a luz divina


brilhando em nossas vidas.
T – Reacendei a vossa luz no coração de todos os batizados, ó Pai!
2. Quando fomos confirmados com o Óleo Crismal, assumimos o compromisso de
viver como filhos e filhas, fazendo sempre a vontade do Pai.
T – Seja feita vossa vontade, ó Pai, em nossas vidas!
3. Em toda Eucaristia que participamos, somos alimentados com a santidade
divina e nos dispomos a viver unidos a Jesus Cristo.
T – Fazei de nós verdadeiros discípulos e discípulas de vosso Filho Jesus.

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4. A exemplo de João Batista, como cristãos, somos convidados a testemunhar e
mostrar Jesus Cristo como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
T – Sustentai-nos para jamais deixar de testemunhar o Evangelho de Jesus.
5. Como comunidade de discípulos e discípulas de Jesus Cristo, somos chamados
a ser santos e santas.
T – Santificai-nos, Senhor, todos os dias de nossas vidas.
P – Acolhei nossos pedidos como ação de graças à vossa divina misericórdia, Pai
bondoso, vós que não quisestes nem holocaustos e nem vítimas, por Cristo nosso
Senhor.
T – Amém!

LITURGIA SACRAMENTAL
“Não pedistes nem ofertas nem vítimas... então eu disse: eis que venho” (SR).
Venho para ofertar a vida, venho para colocar-me completamente à disposição da
vontade do Pai, venho para dar graças a Deus com um sacrifício vivo e santo, próprio
de quem é filho e filha de Deus.

PROCISSÃO DAS OFERTAS: aqueles que todos os dias fazem de suas vidas
uma oferenda espiritual agradável ao Pai, a exemplo de Jesus Cristo (SR), são
convidados a entrar na procissão das oferendas e apresentar sua oferta como
expressão da vida pura e santa de filhos de Deus e discípulos de Jesus.

Anotações práticas
Realizar um rito processional simples, próprio de quem faz da vida cotidiana um gesto de oferenda. Escolher celebrantes,
antes da missa, para participar da procissão das oferendas, levando ao altar apenas os dons do pão, vinho e água.

ORATE FRATRES: colocar a própria vida nas oferendas para que estas se
tornem agradáveis ao Pai.
Orate fratres
Orai, irmãos e irmãs, para que transformando nossas vidas em oferendas, estas sejam agradáveis a Deus
Pai todo-poderoso.

ORAÇÃO EUCARÍSTICA: o motivo da ação de graças é o dom da filiação divina e


o fato de sermos adotados com filhos e filhas de Deus.
Modelo de monição para a Oração Eucarística
Dar graças ao Pai pelo dom da filiação divina, pelo fato de sermos adotados como seus filhos e filhas de
Deus. É este o convite que recebemos da Palavra de Deus e que queremos corresponder agora, louvando
e agradecendo o Senhor.

PREPARAÇÃO PARA A COMUNHÃO


Os filhos e filhas sempre são admitidos à Mesa, pois o Pai os ama e os quer
alimentados no amor, na paz, na alegria e na serenidade.

PAI NOSSO: valendo-se da adoção filial divina, os celebrantes se aproximam da


Mesa Eucarística louvando e intercedendo Deus como Pai.
Convite para o Pai nosso
Como filhos e filhas de Deus, rezemos ao Pai do Céu a oração que o Senhor nos ensinou: Pai nosso...
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ABRAÇO DA PAZ: ao tirar o pecado do mundo, o Cordeiro de Deus nos liberta
de todo pecado e nos concede o dom da paz.
Proposta de saudação da paz
Em Cristo, Cordeiro de Deus, que nos concede o dom da paz, saudemo-nos com um gesto fraterno.

CONVITE PARA A COMUNHÃO: como filhos e filhas de Deus, somos convidados


a participar das núpcias do Cordeiro (Ap 19,7-9), antecipada no Banquete Eucarístico.
Proposta de convite para a comunhão
Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo.

RITOS FINAIS
Como naquele tempo, ainda hoje Jesus passa no tempo da vida diária de cada
pessoa, especialmente de quem é capaz de perceber sinais de libertação e de luz em
Cristo, Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, a luz que brilha no mundo.

COMPROMISSO CONCRETO: o início da primeira parte do Tempo Comum


poderá ser marcado pelo compromisso de ouvir o apelo e a indicação de João Batista
para seguir Jesus Cristo, Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Um apelo que
tem a ver com a libertação de tudo que pode nos oprimir externa e internamente. Ouvir
igualmente o convite de Isaías (1L) e tornar Jesus, o “servo de Deus”, a luz de sua
própria vida. Um compromisso concreto que serve como preparação para o que virá no
próximo Domingo, quando Jesus, luz e libertador do pecado, convidará os celebrantes
ao seguimento, como fez com os primeiros discípulos.

Anotações práticas
O padre é a pessoa mais indicada para comunicar a proposta do compromisso concreto. Poderá dar ênfase ao convite e
incentivar os celebrantes a pensar no seguimento de Jesus como libertador (Cordeiro de Deus) e como luz (1L).

BÊNÇÃO E DESPEDIDA: proclamar a Oração Sobre o Povo no 5, que se


encontra no Missal Romano, p. 531, a qual mantém estreito vínculo com o salmo
responsorial, abençoando os que desejam fazer a vontade de Deus em suas vidas.

A despedida da assembléia poderá ser formulada como segue:


Como filhos e filhas de Deus, fazei de vossas vidas uma oferenda agradável a Deus. Ide em paz, o Senhor
vos acompanhe.

LITURGIA DA PALAVRA (leituras)

Atenção
No quadro abaixo estamos propondo uma monição geral da Liturgia da Palavra, que poderá ser feita pelo sacerdote ou pelo
comentarista. Esta monição elimina as motivações de cada uma das leituras.

Deus elegeu seu servo como luz das nações e o tornou Cordeiro sem mancha para tirar o pecado do mundo,
porque se dispôs a fazer com agrado a vontade do Pai. Nós que invocamos o Nome de Jesus como nosso Deus e
como Cordeiro de Deus, nos aproximamos da Mesa da Palavra com o coração em festa, professando que Jesus é o
Filho de Deus.

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PRIMEIRA LEITURA: IS 49,3.5-6
SALMO RESPONSORIAL – SL 39
Eu disse: Eis que venho, Senhor,/ com prazer faço a vossa vontade!

2ª LEITURA: 1COR 1,1-3


ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: JO 1,14A. 12A.
Aleluia, aleluia, aleluia
A Palavra se fez carne, entre nós ela acampou;/ todo aquele que a acolheu, de Deus
filho se tornou.

Evangelho: Jo 1,29-34

REFLEXÃO CELEBRATIVA (proposta de homilia)


1 – INÍCIO DO TEMPO COMUM – DISCIPULADO
Como comentei, no início da celebração, estamos iniciando um novo ciclo no Ano
Litúrgico, que é denominado de Tempo Comum. Na verdade, este tempo teve início na
última segunda-feira, logo depois da celebração do Batismo do Senhor, que concluiu o
Tempo do Natal. Por isso, não temos um 1º Domingo do Tempo Comum, porque este
começa no início de uma semana e não com um Domingo, como acontece com todos
os demais tempos litúrgicos. O fato de se chamar “Tempo Comum” — principalmente, o
fato de ser denominado como “comum” — não significa que seja menos importante.
Este termo “comum” tem a ver com a nossa vida cotidiana, com nossa vida diária como
um tempo favorável de santificação, tempo para nos aproximar de Jesus Cristo, tempo
para conhecer melhor seu Evangelho, tempo especialmente importante para nos tornar
cada vez mais discípulos e discípulas do Senhor. Neste ano que estamos iniciando,
teremos nove (9) Domingos do Tempo Comum, nos quais a Liturgia irá apresentar a
identidade de Jesus e o seu programa de vida.

2 – PRIMEIRA APRESENTAÇÃO DA IDENTIDADE DE JESUS


A primeira apresentação da identidade de Jesus, neste Tempo Comum, é feita por
João Batista. Já no Domingo passado conhecíamos uma característica da identidade de
Jesus quando, durante o Batismo, Deus o apresenta como seu Filho amado. Hoje, é João
Batista que o apresenta como “Filho” e como “Cordeiro de Deus”. Para entender o
significado desse termo, precisamos recordar a Teologia do “cordeiro pascal”,
formulada quando o povo judeu deixou o Egito. Naquela ocasião, Deus pediu para que
cada família celebrasse um rito, matando um cordeiro e tingindo as portas de suas
casas com o sangue do cordeiro. Na Sagrada Escritura, esse cordeiro ficou conhecido
como “Cordeiro Pascal”. A porta tingida com o sangue do Cordeiro Pascal teria sua
família libertada da morte e da escravidão. Para nós cristãos, o cordeiro não é um
animal, mas o próprio Jesus Cristo que, com seu sangue, nos liberta da morte e da
escravidão do pecado. Ao chamá-lo de Cordeiro de Deus, como invocamos na missa,
pelo menos duas vezes, nós lembramos que ele é o nosso Salvador, aquele que nos
liberta do pecado e da morte, dando-nos a vida em plenitude. Lembramos também que
nossas vidas foram marcadas pelo seu sangue, no Batismo.

3 – SANGUE E BATISMO
Todos nós, de fato, desde o nosso Batismo fomos assinalados pelo sangue do
Cordeiro de Deus, pelo sangue de Jesus Cristo. São João, no livro do Apocalipse, diz que
muitos foram lavados no sangue do Cordeiro de Deus e, ainda mais, todos aqueles que
foram lavados no sangue do Cordeiro de Deus ficaram com as vestes purificadas, quer
34
dizer, ficaram com suas vidas purificadas e se tornaram dignos de ficar diante de Deus.
Sangue, na Bíblia, é símbolo da vida. Quando Jesus, o Cordeiro de Deus, morre na Cruz,
de seu lado aberto correu sangue. Com isso São João estava dizendo que do seu lado
aberto corre a vida divina. No Batismo fomos purificados com este sangue, com a vida
divina. É assim que, tendo a vida divina em nossa vida humana, nos tornamos filhos e
filhas de Deus. Não apenas purificados de nossos pecados, embora isso já seja uma
grande graça, mas fomos também adotados como filhos e filhas porque nossas vidas
foram tingidas, marcadas, com o Sangue do Cordeiro de Deus.

4 – VIVER COMO FILHOS E FILHAS DE DEUS


Desde criança sabemos que somos filhos e filhas de Deus. Mas, o que significa
isso para cada um de nós. Aprendemos que somos filhos e filhas de Deus, mas como
vivemos nosso relacionamento com Deus? Nós nos relacionamos com Deus como filhos
e filhas ou vivemos distante dele? São alguns questionamentos que podemos fazer no
início deste Tempo Comum. É bom que, de vez em quando, paremos um momento para
considerar o que significa ser filho e filha de Deus. Olhar para nós e nos perguntar se
nossos atos, se o modo como eu, pessoalmente, me relaciono com as pessoas e, até
mesmo, comigo mesmo, são modos de quem é filho e filha de Deus. Muitos cristãos,
rezam o Pai nosso todos os dias — e é muito bom que assim façam — mas não
depositam em Deus a confiança que um filho ou filha deveria depositar em Deus Pai.
São pequenas anotações que pretendem ajudar no começo deste ano — porque ainda
estamos no início de um novo ano — e neste início de novo tempo litúrgico. Ao olhar o
Cordeiro de Deus, que nos é apresentado por João Batista, e lembrando que por seu
sangue nos tornamos filhos e filhas de Deus, somos libertados para viver como filhos e
filhas de Deus, tornando-nos, como cantava o salmista, disponíveis para viver fazendo
a vontade de Deus, a exemplo de Jesus. Amém!

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3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A – 23 DE JANEIRO DE 2011
LEITURAS
1ª leitura: Is 8,23b—9,3 = Na Galiléia, o povo viu brilhar uma grande luz
Salmo Responsorial: Sl 26 = O Senhor é minha luz e salvação
2ª leitura: 1Cor 1,10-13.17 = Sede concordes e não admitais divisões entre vós
Evangelho: Mt 4,12-23 = Foi morar em Cafarnaum para se cumprir a profecia

Primeiro olhar
Jesus, presente entre nós, é luz que irradia e comunica a fidelidade divina. Seu caminhar nos acontecimentos diários de
nossas vidas revela a face iluminada do Pai e a realização das promessas divinas em favor do seu povo. A fecundidade da
vida divina, na vida humana, acontece pelo seguimento a Jesus.

ILUMINADOS PELA PALAVRA


Depois de apresentar Jesus como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo,
na celebração do último Domingo, a Liturgia celebra, uma vez mais, em tom de
confirmação, que Jesus é a luz divina brilhando entre nós e para nós. Ele é proclamado
no Evangelho deste Domingo como a realização da promessa divina, como a luz
esplendente que brilha em todas as partes do mundo, simbolizada nas terras de
Zabulon e Neftali (1ª leitura). O contexto da profecia, no entanto, é mais amplo com
início em Is 7, no chamado “Livrinho do Emanuel”, quando Isaías inicia estes capítulos
apresentando a Virgem grávida como sinal da presença divina entre nós. Profecia que
anuncia a esperança de novos tempos, anuncia uma nova luz, anuncia um novo
caminho que liberta de todo tipo de escravidão (1ª leitura). O salmista deste Domingo
incentiva à acolher a profecia e transformá-la em vida: “espera no Senhor e tem
coragem” (salmo responsorial). Ou seja, confie com coragem.
A realização da profecia de Isaías acontece para as cidades de Zabulon, Neftali e
para quem se dispõe a entrar no Reino de Deus (Evangelho). Na visão de Mateus, o
Reino é a presença visível de Deus no mundo. Presença que acontece na pessoa de
Jesus, nos gestos e nas palavras de Jesus. Por isso, o convite à conversão feito por Jesus
significa abandonar uma mentalidade e se deixar iluminar pela mentalidade do
Evangelho, com a coragem de colocar a confiança da vida pessoal em Jesus Cristo. É
compreendendo a conversão como atitude de colocar a confiança da vida pessoal em
Jesus, que se tem o alcance e o significado do chamado e do seguimento dos primeiros
discípulos (Evangelho) e dos discípulos e discípulas de todos os tempos.
Tanto João como Jesus iniciam suas pregações conclamando o povo à conversão.
A diferença entre um e outro está no sinal visível da conversão: para João era o
Batismo de penitência e, para Jesus, é o seguimento no discipulado (Evangelho). O
chamado dos primeiros discípulos esclarece que se converter é confiar no Senhor. O
exemplo de confiança é evidente nos primeiros discípulos que deixam as redes para
seguir Jesus. Pedro e André consertavam as redes, instrumentos nos quais confiavam
porque delas tiravam o sustento de suas famílias. Pois bem, abandonam as redes,
abandonam essa confiança, e se colocam no seguimento de Jesus; se convertem a
Jesus (Evangelho). Jesus promete que seriam pescadores de homens (Evangelho). Uma
promessa arriscada; Pedro, André, Tiago e João tinham mais segurança lidando com os
perigos do mar do que com os perigos imprevisíveis dos relacionamentos humanos. Era
mais fácil pescar peixes que homens e mulheres para o projeto do Reino. Quando,
depois de três anos, Jesus morre na Cruz, Pedro volta decepcionado ao mesmo local do
chamado e se dispõe a pescar — “eu vou pescar” (Jo 21,3) —; retorna à sua antiga
segurança. Jesus também ali retorna e insiste que não se pode desanimar no chamado,
porque é preciso pescar diferente, lançando a rede em outras margens (Jo 21,6). O

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chamado era para toda vida e por toda vida seriam pescadores de homens; não
voltariam mais para suas praias, suas antigas seguranças. A conversão é uma atitude
confiante que se confirma com a vida: “o Senhor é a proteção de minha vida, o Senhor
é minha luz e salvação, a quem temerei? (salmo responsorial).

ILUMINADOS PELAS ORAÇÕES (eucologia da missa)


Uma súplica dos celebrantes pela conversão, para que se tornem discípulos e
discípulas de Jesus e pela unidade da comunidade, onde o Mistério Pascal é celebrado
neste Domingo, são as principais intenções desta Eucaristia. Converter-se para que
nova luz brilhe como canção do Reino de Deus na sociedade (antífona de entrada),
proclamando o Evangelho do Reino (aclamação ao Evangelho) e anunciando Jesus
como a luz que tira o mundo das trevas (antífona de comunhão). É celebração que
intercede a graça de os celebrantes serem dirigidos pelo amor divino, afim de que suas
vidas frutifiquem em boas obras (oração do dia), tragam a Salvação divina ao mundo
(sobre as oferendas) e todos possam participar da libertação oferecida por Deus, em
Jesus (depois da comunhão).

Proclamar a Oração eucarística VI para as diversas circunstâncias – C


Tema: “Jesus, caminho para o Pai” — Tudo foi criado pela Palavra de Deus e tudo
ele governa com justiça. A Palavra de Deus que se tornou carne em Jesus, nos convida
à conversão e indica o discipulado como modo de vida.

ILUMINADOS PELA VIDA


O projeto da conversão, concretizado pelo discipulado, tem outro aspecto na
Liturgia deste Domingo, proposto na 2ª leitura, que é útil recordar: a importância da
comunidade como testemunha da unidade em Jesus Cristo. Assim foi para os tempos
da comunidade de Corinto e assim é para cada uma das nossas comunidades. Paulo
confronta-se com um problema de divisão interna, em Corinto, com grupos partidários
de acordo com a simpatia dos pregadores. Parece que hoje isso acontece nas
comunidades por outros motivos e, até mesmo, por influência da mídia católica e
evangélica que nem sempre produzem comunhão. No nosso tempo, não se sabe bem
se são seguidores de determinado pregador ou se são fãs de algum cantor gospel.
Na comunidade, a unidade é fruto de um processo de conversão. Isso está claro
no Evangelho deste Domingo. Comunidades que fundamentam suas atividades,
pastorais, movimentos, catequese e, até mesmo, suas estruturas organizacionais —
secretaria, departamento financeiro, quadro de funcionários — na Palavra de Deus e na
mística cristã, tendem naturalmente a unirem suas forças, e o resultado é a unidade.
Ao contrário, comunidades que mantém uma estrutura, por melhor que seja, por mais
organizada que for, sem estarem fundamentadas no processo de conversão iluminado
pela luz do Evangelho, cedem a tentação de atitudes competitivas que resultam em
divisão. A mística cristã do Reino não pode ser transformada em teoria ou adereço de
motivações pastorais ou organizacionais; deve estar presente em todas as atividades
da comunidade inclusive, repito, naquelas funcionais e burocráticas. Ou seja, todas as
atividades da comunidade eclesial devem ser convite e incentivo à conversão ao
discipulado. Todas as atividades, em síntese, são evangelizadoras.
O perigo de se ter comunidades prestadoras de serviço, com pastorais
impecavelmente organizadas, mas sem a mística do Reino, é grande. Isso acontece
quando se copia estratégias organizacionais de marketing e de empresas. Adota-se a
mística capitalista e não a mística cristã; motivo de conversão. Organizar e manter
estruturas em moldes empresariais pode trazer rendimentos financeiros, mas não é
caminho evangelizador. As atividades da Igreja, especialmente nas comunidades,
ultrapassam a avaliação qualitativa da eficiência de resultados burocráticos ou
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financeiros, pois precisam ser avaliadas pela eficiência evangelizadora capaz de
convocar um processo de conversão na comunidade, em vista do discipulado. Qualquer
atividade comunitária deveria ser encontro com o Evangelho e anúncio do Reino de
Deus. Quando isso é traduzido e confirmado pela unidade de todas as atividades
comunitárias, mais eficaz será a evangelização. (Francisco Régis)

CONTEXTO CELEBRATIVO
O chamado de Jesus está intimamente ligado à conversão de vida. O chamado
dos discípulos demonstra, de modo evidente, que o cristão não se limita a fazer o
caminho da casa até a igreja, para cumprir uma obrigação religiosa, mas caminha nos
caminhos de Jesus e ilumina seus passos com a luz do Evangelho.

Oração
Ouço teu chamado, Jesus: segue-me; vou fazer de ti pescador de homens. Assim me falas. Vejo em ti a luz, brilho
que afasta as trevas, caminho de vida, meta de chegada. Coloco meus pés na tua estrada, sigo teus passos, deixo-
me orientar por ti, Senhor. És convite de conversão, luz, caminho, meta... És meu Senhor. És meu Mestre; eu te
seguirei. Amém! (SV)

VAMOS CANTAR A CELEBRAÇÃO


NB
As canções sugeridas têm a finalidade de facilitar o repertório da celebração. Normalmente, propomos cinco canções. Caso,
nenhuma seja conhecida, a poesia da letra poderá orientar na escolha de outra canção. Os números entre parêntesis indicam
o número da canção, na lista após comentário.

Siglas
SAL – a letra da canção encontra-se na página – www.liturgia.pro.br
HL = “Hinário Litúrgico da CNBB” (Livro de canções publicado pela CNBB)
CO = “Cantos e Orações” (Livro de canções publicado pela Editora Vozes, 2004)
L = “Louvemos” (Livro de canções publicado pela “Associação do Senhor Jesus”)
CD = CD publicado pela Paulus com cantos do Hinário Litúrgico da CNBB.

Encontrar-se com o Senhor que chama e responder ao chamado para converter-


se e concretizar a conversão em seguimento. É assim que os celebrantes celebram e
cantam este Domingo, acolhendo e respondendo ao convite de Jesus.

Anotações práticas
Por motivos práticos, vamos repetir as mesmas canções do último Domingo, com exceção de algumas canções relacionadas
ao contexto próprio da celebração.

Entrada: o convite à conversão e a consciência de que os celebrantes


pertencem ao Reino de Deus compõem os ritos iniciais desta celebração. Por isso, as
canções (1; 2 e 5) são as mais indicadas. As outras duas canções estão sendo
propostas com base na antífona de entrada. A canção (1) poderá ser ouvida no
endereço que segue, mas com a antífona própria:
http://www.krafta.info/br/search/Toda-Terra-Te-Adore/1/mp3
1 – “Canto novo ao Senhor” (SAL 1008) (CD Liturgia VI; fx 1) (antífona 3º
Domingo)
2 – “Ó Pai, somos nós” (SAL 774) (CO 635) (2).
http://www.krafta.info/br/search/Somos-Nós-O-Povo-Eleito/1/mp3
3 – “Desde o nascer ao pôr do sol” (SAL 24) (L 501)
4 – “Todas as nações vão se levantar” (SAL 1126) (L 758)
5 – “Tu anseias eu bem sei” (SAL 86) (CO 644)

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Outras canções de entrada no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 22] [SAL 23]

Ato penitencial: a inspiração da canção para o rito penitencial vem da 2ª


leitura, suplicando o perdão divino e o perdão fraterno pelas divisões que acontecem
no interior da comunidade.
1 – “Pelos pecados, erros passados” (SAL 922) (CO 896)
http://www.krafta.info/br/search/Pelos-Pecados/1/mp3

Salmo responsorial: se alguém tiver medo de converter-se e concretizar sua


conversão em seguimento no discipulado de Jesus, ouça, cante e repita
insistentemente o Sl 26. O salmista deste Domingo é um grande incentivador a não
temer e a colocar os passos da vida, nos caminho do Senhor.
1 – Cf. “Hinário Litúrgico da CNBB”, fasc. 3, p. 133
2 – Cf. “Cantando os salmos e aclamações” (Paulus), p. 53
3 – CD Liturgia VI; fx 11
4 – “O Senhor é minha luz e salvação” — http://www.krafta.info/br/search/Salmo-
26/1/mp3

Aclamação ao Evangelho: quando o Evangeliário entrar na assembléia deste


Domingo, os celebrantes verão a presença do Reino de Deus entre nós, de modo
simbólico. Quando o Evangelho for proclamado, os celebrantes ouvirão o Reino de Deus
sendo anunciado. A canção (2) é uma boa proposta e poderá ser ouvida, no endereço
que segue: http://www.krafta.info/br/search/Buscai-Primeiro/1/mp3
1 – “Aleluia! Pois do Reino a Boa Nova” (SAL 1127) (CD Liturgia VI; Fx 3) (cf.
antífona)
2 – “Buscai primeiro o Reino de Deus” (SAL 218) (CO 1402)
3 – “Aleluia! Quando estamos unidos” (SAL 201) (L 639)
4 – “Aleluia! Salve, ó Senhor, ó Deus da luz” (SAL 1128)
5 – “Deus vem falar ao coração” (SAL 224)

Ofertas: no seguimento a Jesus, quase sempre temos pouco a dar e muitíssimo


a receber (2), porque tudo é graça e tudo de graça recebemos. É com esse espírito que
seu ministério de música deverá considerar a escolha da canção.
1 – “De mãos estendidas” (SAL 257) (CO 703) (CD Liturgia VI; Fx 4)
2 – “Sabes, Senhor” (SAL 277) (CO 148) http://www.krafta.info/br/search/Sabes,-
Senhor/1/mp3
3 – “Recebestes de graça” (SAL 675) (CO 619)
4 – “Venho, Senhor, oferecer” (SAL 1129) (L 1013)
http://www.krafta.info/br/search/Venho,-Senhor,-Oferecer/1/mp3
5 – “Ofertas singelas” (SAL 1130) (L 83)
Outras canções de entrada no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 248] [SAL 249]

Comunhão: sentar-se à Mesa com o Senhor e com ele fazer refeição (2), pois
quem se senta a Mesa com o Mestre mais dele se aproxima e mais aprofunda a vida na
luz de seu ensinamento. Mais tem a luz divina iluminando a vida humana do discípulo
(6).
1 – “Houve um homem enviado” (SAL 1025) (CD Liturgia VI; Fx 5) (cf. antífona 2)
2 – “Na comunhão, Jesus se dá pão” (SAL 301) (L 838)
http://www.krafta.info/br/search/Na-Comunhão-Jesus/1/mp3
3 – “É bom estarmos juntos” (SAL 27) (CO 149)
4 – “Vejam, eu andei pelas vilas” (SAL 336) (CO 605)

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5 – “Sim eu quero que a luz de Deus” (SAL 328)
http://www.krafta.info/br/search/Sim-Eu-Quero-Que-A-Luz-De/1/mp3
Outras canções de entrada no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 57] [SAL 303]

Envio: dispor-se a caminhar nos caminhos de Jesus, seguindo-o nas estradas do


mundo. É com este convite que a assembléia se dissolverá com o propósito de se
dispor a seguir o Senhor como discípulo, como resposta a um processo vocacional (2).
A canção (4) poderá ser ouvida no endereço: http://www.krafta.info/br/search/Dia-E-
Noite,-Vai-O-Teu-Espírito/1/mp3
1 – “O amor de Deus me escolheu” (SAL 65)
2 – “Eis-me aqui, Senhor” (SAL 28) (CO 557) http://www.krafta.info/br/search/Eis-
Me-Aqui,-Senhor/1/mp3
3 – “Meu coração tem fome de paz” (SAL 142)
4 – “Vou levar muito de Deus ao meu irmão” (SAL 669)
5 – “O Senhor me chamou” (SAL 1037) (CO 589)
Outras canções de entrada no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 423] [SAL 1125]

O QUE VALORIZAR NA CELEBRAÇÃO


A Palavra nos coloca às margens do Mar da Galiléia, onde Jesus inicia sua
atividade de pregador, anunciando o Reino de Deus, convidando à conversão e ao seu
seguimento.

ESPAÇO SIMBÓLICO: uma primeira observação é repropor o espaço simbólico


do Domingo passado, destacando Jesus como luz do mundo. Basta ler os títulos das
leituras para perceber o motivo. Junto a este contexto e, completando o espaço
simbólico desta celebração, temos o contexto vocacional, simbolizado na barca, nas
redes, no seguimento de Jesus como luz no e do mundo.

São dois elementos para formar um


único espaço simbólico.
À esquerda, está a rede com a
lançadeira, indicando o conserto e o
momento no qual Jesus chama os
discípulos e, à direita o símbolo de
Jesus como luz que ilumina a vida dos
discípulos, já proposto no Domingo
anterior.

FRASE CELEBRATIVA: o seguimento de Jesus como luz, como caminho de vida


iluminado pela luz divina, é o convite que a celebração faz aos celebrantes.
Frase celebrativa
O povo que vivia nas trevas/ viu uma grande luz

EQUIPE DE ACOLHIDA: acolher com um convite para que a luz divina brilhe na
vida de cada celebrante.
Frase de acolhida
Deixe a luz divina brilhar em você. Bem-vindo!

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AMBIENTAÇÃO: é um contexto celebrativo muito simples e, até certo ponto, de
fácil contextualização. Se nossa proposta de espaço simbólico foi acolhida, pode-se
acenar para a repetição do símbolo e o motivo pelo qual está sendo repetido. Outro
modo é destacar o tema do Reino de Deus, contexto no qual aconteceu o chamado dos
primeiros discípulos, e introduzir os celebrantes com a canção “Balada por um Reino”.
Se a comunidade usar datashow, é possível fazer um pequeno videoclip com imagens
ilustrando a poesia cantada. Para ouvir: http://www.krafta.info/br/search/Balada-Por-
Um-Reino/1/mp3

Canto: Balada por um Reino


Por causa de um certo Reino, estradas eu caminhei,...

RITOS INICIAIS
A presença de Jesus entre nós é sempre viva e continuamente convida ao
seguimento, ao discipulado. Um convite que traz implícito a conversão e seu lado
prático: colocar toda a confiança da vida nos caminhos do Evangelho e seguir Jesus.

ANTÍFONA DE ENTRADA: diante da Luz divina que brilha na comunidade, a


Igreja canta um canto novo, porque o esplendor divino brilha no templo santo.
Antífona de entrada
Cantai ao Senhor um canto novo,/ cantai ao Senhor, ó terra inteira;/ esplendor, majestade e beleza/
brilham no seu templo santo.

ACOLHIDA PRESIDENCIAL: o cidadão e a cidadã do Reino de Deus são pessoas


iluminadas, que brilham na comunidade, irradiando a luz de Cristo em suas vidas.
Modelo para acolhida presidencial
A vós que sois cidadãos e cidadãs do Reino de Deus, desejo que a luz de Jesus Cristo esteja sempre
convosco.

MONIÇÃO INICIAL: é momento de convidar e repetir o mesmo convite de Jesus


para que os celebrantes se convertam em discípulos e discípulas de Jesus.
Modelo de monição inicial
Um dia, Jesus passou pelo mar da Galiléia e convidou seus primeiros discípulos. Hoje, passa entre nós e
faz o mesmo convite: converter-se para segui-lo como discípulo e discípula do Evangelho. No silêncio
que nos preparará para a celebração, supliquemos a graça de nos abrir para acolher o convite do
Senhor.
(pausa silenciosa para interceder a graça de acolher o convite do seguimento, feito por
Jesus)

ATO PENITENCIAL: é preciso reconhecer, refletindo a 2ª leitura, que as divisões


nas comunidades cristãs a impedem de serem testemunhas do Evangelho

Anotações práticas
O rito penitencial é cantado e seria interessante cantá-lo como foi gravado, alternando vozes feminina e masculina, com a
participação da assembléia no refrão. Para ouvir a canção, acesse o endereço: http://www.krafta.info/br/search/Pelos-
Pecados/1/mp3

Modelo para o ato penitencial


P – Somos agradecidos ao Senhor por nos chamar a viver nesta comunidade e
pedimos perdão pelas nossas divisões.
(breve pausa silenciosa)
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Canto: Pelos pecados, erros passados...

P – Deus, que viveis na unidade perfeita, não considerai as divisões de nossas


comunidades, mas concedei-nos a graça da unidade e da vida eterna.
T – Amém!

RITO DE GLORIFICAÇÃO INICIAL: é graça poder ouvir de Jesus o convite para


abandonar um modo de viver e se converter ao Evangelho
Modelo de motivação para o rito do glória
Pelo convite de conversão que Jesus nos faz neste Domingo, cantemos a glorificação de nosso Deus.

ORAÇÃO DO DIA: que Deus conceda às comunidades cristãs a graça de terem a


luz divina para evangelizar a sociedade e fazer discípulos e discípulas do Evangelho.
Oremos
Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do
vosso Filho, acender a luz da unidade e da conversão em nossa comunidade e frutificar em boas obras.
PNSJC.

LITURGIA DA PALAVRA
A Palavra de Deus é luz para os nossos passos, diz a Sagrada Escritura. A Palavra
de Deus é conversão para que mudemos de mentalidade, convite para acender outra
luz dentro de nossa vida interior, proposta de caminho novo.

PROCISSÃO DO EVANGELIÁRIO: o Evangelho é a presença do Reino de Deus


entre nós e o Evangeliário é o símbolo vivo desse Reino, que entra na assembléia.

Anotações práticas
Sugerimos realizar a procissão do Evangeliário pelo corredor central da igreja.
Um jovem, vestido com uma túnica branca, acompanhado de dois outros jovens (casal), com velas acesas e algumas pessoas
que seguem atrás do Evangeliário, representando os discípulos e discípulas que seguem Jesus e aceitam a mentalidade do
Evangelho.
Antes da proclamação, o jovem que traz o Evangeliário proclama que o Reino de Deus entrará na assembléia, como segue no
rito proposto.
A sugestão é cantar, como canto de aclamação ao Evangelho, o convite para buscar o Reino de Deus, como indicado nas
canções. Durante a procissão, o jovem poderá mostrar o Evangeliário para os lados e para trás.

Rito da entrada do Evangeliário


(Jovem que leva o Evangeliário, no fundo da igreja, canta solo e sem acompanhamento
de instrumentos, com um ritmo mais lento, quase declamando, a canção seguinte:)

Buscai primeiro o Reino dos Céus/ E a sua justiça./ E tudo mais vos será acrescentado/
Aleluia, aleluia

T - repetem a melodia de aclamação com acompanhamento do instrumental dos


músicos

Buscai primeiro o Reino dos Céus/ E a sua justiça./ E tudo mais vos será acrescentado/
Aleluia, aleluia

Proposta para a homilia

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Objetivo: propor a conversão e apresentar Jesus como a luz que ilumina a vida.
Convidar os celebrantes a se colocarem no seguimento a Jesus.

Dinâmica: trabalhar com comparações e servir-se dos simbolismos propostos


para a formação do espaço simbólico: luz, rede, lançadeira...

ORAÇÃO DOS FIÉIS: que o Senhor Jesus ilumine a vida de cada celebrante, guie
seus passos como Mestre e como razão de suas vidas.

P – Ao Senhor que é nossa luz e nossa salvação elevemos nossas preces e a ele
confiemos nossas vidas, porque ele cuida de nós.

1. Nós cremos que vós, Senhor Jesus, sois a luz que ilumina as trevas do mundo:
T – Iluminai nosso mundo com a luz do alto, Senhor Jesus!
2. Nós confiamos em vós, Senhor Jesus, e pedimos vossa proteção e vossa
segurança:
T – Vós que sois a proteção de nossas vidas, amparai-nos, Senhor Jesus!
3. Enviai vosso Espírito de Unidade, para que as divisões não tomem conta de
nossa comunidade.
T – Vinde, Espírito Santo, e fazei de nós um só corpo e um só espírito!
4. Abri os olhos e os ouvidos de muitos jovens, Senhor Jesus, para que se
disponham a vos seguir e a dedicar suas vidas ao projeto do Reino dos Céus.
T – Enviai, Senhor Jesus, operários para a vossa messe.
5. Libertai nossos corações, Senhor Jesus, para que possamos concretizar nossa
conversão seguindo-vos como discípulos e discípulas.
T – Queremos caminhar nos caminhos do vosso Evangelho, Senhor Jesus.
P – Acendei vossa luz em nossos corações, Senhor Jesus, para que ouvindo vosso
convite à conversão, tenhamos a coragem de deixar nossas seguranças e vos seguir
como nossa luz,como nosso Mestre e como nosso caminho. Vós que sois Deus e viveis
com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
T – Amém!

LITURGIA SACRAMENTAL
No caminho do seguimento, como discípulo e discípula do Senhor, o cristão colhe
os frutos da luz que ilumina sua vida, que ilumina a vida com quem partilha sua
existência e, em atitude de ação de graças, os coloca no altar do Senhor.

PROCISSÃO DAS OFERTAS: um convite muito especial para participar desta


procissão é dirigido a quem ouve a voz de Jesus e se dispõe a converter-se ao
Evangelho. Este discípulo e esta discípula, que deixa suas seguranças e se coloca no
seguimento de Jesus Cristo, sente-se acolhido nesta procissão por ser continuidade do
caminho que faz todos os dias no seu discipulado.

Anotações práticas
A proposta é um rito bem simples, que indique os frutos do seguimento através do discipulado. Seria bom que o ambientador
ou o padre destacasse que o caminhar processional até altar é para colocar os frutos de vida colhidos no seguimento de
Jesus.

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ORATE FRATRES: no caminho da conversão, que se traduz em seguimento a
Jesus, os oferentes depositam alegrias e fadigas da vida diária, onde acontece o
seguimento.

Orate fratres
Orai, irmãos e irmãs, para que levando ao altar as alegrias e as fadigas de cada dia, nos disponhamos a
oferecer um sacrifício agradável a Deus Pai todo-poderoso.

ORAÇÃO EUCARÍSTICA: o convite divino, feito por Jesus Cristo, é motivo para se
dar graças a Deus porque ilumina a vida humana com a luz divina.
Modelo de monição para a Oração Eucarística
Demos graças ao nosso Deus, que vem ao nosso encontro, na pessoa de Jesus, convidando-nos a
caminhar nos caminhos do Evangelho como discípulos e discípulas de seu Filho.

PREPARAÇÃO PARA A COMUNHÃO


Pela ação do Espírito Santo somos chamados a entender que somente Jesus
Cristo é o centro de nossas vidas, a luz que alimenta nossos passos, o caminho que nos
conduz a Deus.

PAI NOSSO: iniciar a preparação da comunhão intercedendo o dom da unidade


entre os cristãos e, de modo especial, na comunidade (2L)
Convite para o Pai nosso
Intercedamos ao Pai o dom da unidade entre os cristãos, rezando como Jesus nos ensinou: Pai nosso...

ABRAÇO DA PAZ: a unidade na Igreja e entre os cristãos é dom do Espírito


Santo e sua manifestação plena é através da partilha da paz (2L).
Proposta de saudação da paz
Reconciliemo-nos uns com outros, na unidade, com nosso abraço da paz em Cristo Jesus.

CONVITE PARA A COMUNHÃO: Jesus é o centro da vida do cristão,


especialmente daquele que se deixa iluminar pelo Evangelho.
Proposta de convite para a comunhão
“Para os que viviam na região escura da morte, brilhou uma nova luz”. Eis o Cordeiro de Deus, que tira
o pecado do mundo.
ANTÍFONA DE COMUNHÃO: proclamar que caminhar ao encontro de Jesus, na
Eucaristia, é buscar a Luz que se encontra em Jesus Cristo.
Antífona de comunhão
Eu sou a luz do mundo,/ diz o Senhor;/ aquele que me segue não anda nas trevas,/ mas terá a luz da vida.

RITOS FINAIS
A opção pelo discipulado, como aceitação do convite de Jesus e como condição
para entrar no processo de conversão, testemunha que este caminho só se realiza
confiando em Deus, pois Deus não decepciona quem ilumina sua vida em Jesus Cristo.

COMPROMISSO CONCRETO: o compromisso é claro e se faz presente no


convite que Jesus faz no Evangelho para converter-se. A conversão se manifesta como
algo concreto no seguimento do Senhor. Os celebrantes poderão ser convidados a
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refletir sobre como estão respondendo ao chamado do Senhor e se, a exemplo dos
primeiros discípulos, têm a coragem de deixar suas seguranças para se colocarem no
seguimento do Mestre.

Anotações práticas
O compromisso poderá ser comunicado por algum agente da Pastoral Vocacional convidando todos a corresponder à
vocação batismal iluminando-se no Evangelho. Outra proposta é incentivar os jovens da comunidade ao seguimento mais
próximo de Jesus pelo sacerdócio ou na vida religiosa. Embora não exclusivo, esse último elemento é pertinente nesta
celebração.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA: proposta de oração sobre o povo inspirada na Liturgia


da Palavra deste domingo.

Oração sobre o povo e bênção final


P – O Senhor esteja convosco.
T – Ele está no meio de nós.
P – Derramai, Senhor, a vossa bênção sobre o vosso povo aqui reunido, para que
seguindo Cristo, Luz das nações, possa participar da mesma missão evangelizadora de
iluminar o mundo com a luz do Evangelho. Por Cristo, Nosso Senhor.
T – Amém!
P – Abençoe-vos, Deus todo-poderoso Pai e Filho e Espírito Santo.
T – Amém!

Para a despedida, pode-se insistir uma vez mais com a missão iluminadora.
Convertei-vos, e deixai Jesus iluminar vossas vidas. Ide em paz, o Senhor vos acompanhe.

LITURGIA DA PALAVRA (leituras)

Atenção
No quadro abaixo estamos propondo uma monição geral da Liturgia da Palavra, que poderá ser feita pelo sacerdote ou pelo
comentarista. Esta monição elimina as motivações de cada uma das leituras.

Uma luz brilha entre nós e nos convida à conversão. Conversão que se concretiza no seguimento a Jesus Cristo,
através do discipulado. Conversão que se torna testemunho de vida comunitária onde se promove a unidade.

PRIMEIRA LEITURA: IS 8,23B—9,3


SALMO RESPONSORIAL – SL 26
O Senhor é minha luz e salvação.

2ª LEITURA: 1COR 1,10-13.17


ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO – MT 4,23
Aleluia, aleluia, aleluia!
Pois do Reino a Boa Nova Jesus Cristo anunciava/ e as dores do seu povo, com poder,
Jesus curava.

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EVANGELHO: MT 4,12-23

REFLEXÃO CELEBRATIVA (proposta de homilia)


1 – DIFERENÇA ENTRE JESUS E JOÃO BATISTA
Vamos iniciar a reflexão com um exercício de lembrança. Lá no início do Ano
Litúrgico, no 2º Domingo do Advento, João Batista entrou em cena pregando a
conversão. “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” (Mt, 3,1). Hoje, é
Jesus que entra em cena com a mesma pregação: “convertei-vos porque o Reino dos
Céus está próximo”. O que tem de diferente entre a pregação de João Batista e a
pregação de Jesus? É uma pergunta interessante que vale a pena ser feita neste
Domingo. A resposta encontra-se naquilo que acontece depois da pregação. João
Batista prega a conversão e batiza com um batismo de penitência. Jesus prega a
conversão e convida ao seguimento, propondo-se como luz. Por isso, com o Evangelho
que acabamos de ouvir entendemos e, mais que isso, vemos o que significa
concretamente conversão: converter-se é deixar um modo de viver e passar a viver de
outro modo; converter-se é deixar um modo de confiar e começar a confiar de outro
modo.

2 – CONVERTER-SE É SEGUIR JESUS


Considerando deste modo, a conversão deixa de ser algo abstrato e se concretiza
na pessoa, através do modo de viver. Pedro e André, por exemplo, tinham um modo de
vida: passavam um tempo pescando, outro consertando as redes e, possivelmente,
vendendo suas pescarias para garantir o sustento da família. Aquele barco dos
primeiros discípulos era a segurança deles. Confiavam que daquele barco viria o
alimento e a garantia da vida. De repente, aparece Jesus com um convite e eles — diz o
Evangelho — “imediatamente” deixam tudo para se colocar no seguimento de Jesus.
Deixaram um modo de vida por outro, deixaram uma garantia de vida por algo
imprevisível, que tinha apenas uma proposta: “seriam pescadores de homens”. Um
risco, porque aqueles pescadores lidavam melhor com os perigos do mar do que com
os perigos de anunciar um novo Reino. Mesmo assim, aceitam mudar de vida e sua
conversão de vida se traduz pelo seguimento a Jesus.

3 – JESUS É A LUZ DOS POVOS


Na procissão do Evangeliário que acabamos de participar, vimos um jovem
vestido de branco, simbolizando o convite de Jesus para o seguimento e dois ministros
levando velas acesas, com outras pessoas caminhando atrás do Evangeliário. É um
modo de ritualizar e de tornar visível o que significa conversão. Para se converter, para
caminhar atrás do Evangelho, é preciso acolher Jesus como luz da vida, como luz que
orienta um modo de viver nas estradas do mundo. Colocamos um arranjo em nossa
igreja destacando uma luz acesa, repetindo através do símbolo aquilo que ouvimos no
início do Evangelho: “o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz”. Ao lado do
arranjo está uma rede com uma lançadeira, pronta para consertar a rede. Com isso,
todos nós podemos perceber quem é Jesus para nós: uma luz para nossa vida. Podemos
entender o que significa ser cristão: significa seguir Jesus como luz e, ainda mais, tecer
a rede nossas vidas iluminados pela luz de Jesus, pela luz do Evangelho. É pelo
seguimento a Jesus, tornando-nos seus discípulos e discípulas, que nos tornamos
cristãos. Dito em outras palavras: cristianismo não é só religião, é uma proposta de
vida, é uma luz que propõe um modo de viver, no seguimento a Jesus.

4 – ONDE VOCÊ ILUMINA SUA VIDA?


Na conclusão de minha reflexão, proponho a vocês a mesma pergunta que fiz
enquanto rezava e preparava a homilia desta celebração. A pergunta é esta: “onde
você está iluminando a sua vida?” Existem milhares de luzes que podem iluminar sua

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vida. Alguns de nós passam a vida sentada numa barca consertando a rede da vida;
pescam alguma coisa aqui e ali, mas vivem sentados na barca da vida, consertando e
remendando a vida. Talvez o exemplo de Pedro, André, João e Tiago os ajude a rever
seu modo de viver e seu modo de pensar. A reflexão que estou propondo inclui prestar
atenção ao tipo de pensamento que vive em sua cabeça; os pensamentos iluminam
nossas vidas. Se pensamos negativamente, vamos viver negativamente. É hora de
converter-se, de pensar com a luz do Evangelho, de pensar como pensa Jesus. Se você
tiver medo de deixar suas barcas e suas redes, de deixar as seguranças onde deposita
sua confiança, reze novamente o salmo responsorial que cantamos hoje,
principalmente onde diz: “o Senhor é a minha luz e minha salvação; de quem eu terei
medo. O Senhor é a proteção de minha vida, perante quem eu tremerei?” Amém!

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4º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A – 30 DE JANEIRO DE 2011

LEITURAS
1ª leitura: Sf 2,3; 3,12-13 = Deixarei entre vós um punhado de humildes e pobres
Salmo Responsorial: Sl 145 = Felizes os pobres em espírito porque deles é o Reino
2ª leitura: 1Cor 1,26-31 = Deus escolheu o que o mundo considera como fraco
Evangelho: Mt 5,1-12a = Bem aventurados os pobres em espírito

Primeiro olhar
O projeto divino atrai somente quem a ele dirige seu coração. O projeto divino é atraente somente a quem se faz discípulo de
Jesus, alguém disposto a viver a Sabedoria do Evangelho, que é totalmente diferente das expectativas imediatistas da
humanidade.

ILUMINADOS PELA PALAVRA


Depois de Jesus ser apresentado por João Batista como o “Cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo” (2DTC) e depois de Jesus ser apresentado como a luz do
mundo na vida pessoal de quem se faz discípulo (3DTC), chegou a vez de Jesus tomar a
Palavra para anunciar o novo estilo de vida a seus discípulos, a quem chama de bem-
aventurados (Evangelho). Se o cumprimento dos 10 Mandamentos tornava o homem
justo, Jesus aperfeiçoa e o substitui pelas 9 bem-aventuranças.
Com isso não está desprezando ou descartando os 10 Mandamentos da Lei de
Deus, mesmo porque Jesus os considera importante para a vida religiosa, como
registrado no encontro com o jovem rico (Mt 19,16-23). Os 10 Mandamentos são, sem
dúvida, um caminho para se viver em Deus, mas os discípulos de Jesus têm algo a mais
na vivência das bem-aventuranças (Evangelho), porque por meio delas — como
refletido no domingo passado (3DTC) — são capazes de viver na total confiança de
Deus. Na promulgação das bem-aventuranças, Mateus repete cenário e gestos de
Moisés. Como Moisés proclamou os 10 Mandamentos na montanha, assim Jesus
proclama as bem-aventuranças na montanha; é o novo Moisés que proclama a nova
“lei”, o novo caminho, exclusivo dos discípulos que querem viver na intimidade de
Deus. De fato, as bem-aventuranças não são para todos, mas para quem se faz
discípulo e discípula de Jesus, para quem entra no contexto do Reino de Deus.
Por isso, é preciso atenção aos perigos de interpretação das bem-aventuranças,
capazes de tirar delas a centralidade na vida do discípulo e discípula de Jesus. Não se
pode reduzir as bem-aventuranças a mensagem utópica, pois elas dizem respeito ao
hoje dos discípulos; não se pode, igualmente, reduzi-las a exortação narcotizante,
incentivo a aceitar situações negativas de pobreza, dor, aflição como vontade de Deus.
Não se pode, ainda mais, reduzir as bem-aventuranças a intimismo interior ou algo
espiritualizado, distante da realidade existencial.
Uma reflexão profunda das bem-aventuranças demonstra que Jesus se coloca ao
lado dos discípulos, retratando sua própria situação de vida a seus seguidores. Pelas
bem-aventuranças, Jesus incentiva a não ter medo das debilidades que a vida propõe,
mas confiar totalmente em Deus (salmo responsorial). Pelas bem-aventuranças, o
discípulo e discípula de Jesus não perde a serenidade em nenhuma situação, seja de
pobreza, de angústia, de confrontos... porque sua opção de seguimento é iluminada —
seja a vida pessoal que social (1ª leitura e 2ª leitura) — pela Sabedoria do Evangelho. O
ponto central das bem-aventuranças, portanto, está no relacionamento de confiança
com Deus e não ao conformismo de situações de pobreza, de violências de sofrimentos.
A confiança em Deus permite que, pelas bem-aventuranças, os discípulos vivam livres
em qualquer situação existencial. A libertação proposta nas bem-aventuranças não
valoriza os aspectos negativos da vida ou os confrontos que a vida oferece e nem as
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seguranças do mundo, mas a total confiança em Deus, “porque Deus escolheu o que o
mundo considera fraco para assim confundir o que é forte” (2ª leitura).

ILUMINADOS PELAS ORAÇÕES (eucologia da missa)


O celebrante se faz orante para interceder a graça de viver na paz do
discipulado. Reza para que, mesmo passando por tribulações, não perca a paz, não
deixe de confiar na hora da dor e na angústia, jamais se esqueça de que vive em Deus
e reza para não se desesperar com perseguições e confrontos que sofre por causa do
Evangelho. É um celebrante intercessor da salvação divina (antífona de entrada), que
reza com uma prece alegre porque Jesus lhe garante a recompensa das bem-
aventuranças (aclamação ao Evangelho e antífona de comunhão). Um celebrante que
suplica a graça de viver o mandamento novo (oração do dia), que oferece seus dons
para que se tornem sacramento de Salvação (sobre as oferendas) e alimento para a
vida eterna (depois da comunhão).

Proclamar a Oração eucarística V, com seu Prefácio próprio


Tema: - Como discípulos, caminhamos na estrada de Jesus” — os discípulos e
discípulas de Jesus caminham nas estradas do mundo, mas vivem iluminados pela
sabedoria do Evangelho, sintetizado nas bem-aventuranças.

ILUMINADOS PELA VIDA


Bem aventurança é algo que pertence a Deus. A felicidade, no seu estado puro, é
coisa de Deus, mas por seu amor infinito, ele a planta em nossos corações. Por isso, a
felicidade existe em estado permanente somente em Deus e naqueles que vivem em
Deus. São aqueles que, mesmo se tudo ao redor esteja em guerra, se mantêm serenos,
vivem na paz; jamais na indiferença. Jesus era assim. Se é verdade que felicidade é
algo que somente Deus pode oferecer plenamente, no coração dos discípulos e
discípulas de Jesus, existe uma felicidade que também é oferecida. “Bem-aventurados
aqueles que fazem os outros felizes, porque já vivem no Reino de Deus”. São aqueles
que se tornam instrumentos da paz, do amor, da misericórdia na sociedade e em tantas
famílias.
Onde estão estas pessoas tão especiais? Muitas delas não vivem longe de nosso
convívio; muitas convivem conosco e, até mesmo, as conhecemos pelo nome. São
pessoas que oferecem um pouco de seu tempo, de suas energias, de suas
competências, de seus bens e economias em atividades pastorais, no voluntariado, em
movimentos que lutam pela paz, em atividades para fazer das escolas, locais de ensino
e de cidadania; é gente que ajuda a humanizar a comunidade humana. Essa gente
trabalha ocultamente, não atrai a atenção da mídia, mas está profundamente inserida
no tecido social semeando esperança, produzindo paz, alimentando coragem aos
desanimados, estendendo a mão a caídos, oferecendo ombro a quem chora... é a
presença concreta do Reino de Deus, embora escondida, em nossas comunidades.
Bem-aventurados os que fazem o bem ocultamente, tornando a sociedade mais
humana e mais humanizada.
É impossível avaliar que esperança e que alegria oferece um agente da Pastoral
da Saúde, um ministro da Comunhão Eucarística, o grupo de orações que vai visitar um
doente, não porque é obrigado ou pago para isso, mas porque se sente motivado pelo
amor divino. Bem-aventurados aqueles que cultivam a cultura da gratuidade, porque
são semeadores de esperança, profetas que contradizem o individualismo, a obsessão
pelo ter, a avaliação da vida pela posse de bens materiais. Bem-aventurados os
agentes da esperança, porque não se deixam desanimar, mesmo vendo que o mundo
pouco ouve o Evangelho de Jesus Cristo. A eles, aos bem-aventurados de nossos dias,

49
agradecemos porque iluminam o mundo com a sabedoria do Reino de Deus. (Francisco
Régis)

CONTEXTO CELEBRATIVO
Ajudar os celebrantes a compreender que são chamados a serem mais que
simples seguidores de uma religião; são chamados a serem discípulos e discípulas de
Jesus. São chamados a se deixarem iluminar pela sabedoria do Evangelho, presente
nas bem-aventuranças que os conduz a confiar plenamente em Deus.

Oração
Senhor, ensinai-nos a amar profundamente, como amas cada um de nós. Fazei que sejamos pacientes e
perseverantes no amor, no chamado a nos colocar a serviço do Reino e a serviço de nossos irmãos e irmãs.
Configurai nossa vida à vossa vida, tornando-nos pobres em espírito e humildes de coração. Ajudai-nos a
proclamar as bem-aventuranças não com palavras, mas na verdade do teu amor para crer e experimentar a
felicidade que só se encontra em vós. Amém! (SV)

VAMOS CANTAR A CELEBRAÇÃO


NB
As canções sugeridas têm a finalidade de facilitar o repertório da celebração. Normalmente, propomos cinco canções. Caso,
nenhuma seja conhecida, a poesia da letra poderá orientar na escolha de outra canção. Os números entre parêntesis indicam
o número da canção, na lista após comentário.

Siglas
SAL – a letra da canção encontra-se na página – www.liturgia.pro.br
HL = “Hinário Litúrgico da CNBB” (Livro de canções publicado pela CNBB)
CO = “Cantos e Orações” (Livro de canções publicado pela Editora Vozes, 2004)
L = “Louvemos” (Livro de canções publicado pela “Associação do Senhor Jesus”)
CD = CD publicado pela Paulus com cantos do Hinário Litúrgico da CNBB.

Um canto de alegria terá lugar na assembléia deste Domingo, quando os


celebrantes serão lembrados que podem participar da felicidade divina, chamados a
serem bem-aventurados como discípulos iluminados pela Sabedoria de Deus, presente
no Evangelho.

Entrada: com a mesma alegria por serem chamados de bem-aventurados, os


celebrantes se aproximam do altar do Senhor (3), suplicando a salvação divina (1). É
um caminho que canta a alegria de colocar toda a confiança em Deus (5). A canção (1)
poderá ser ouvida no endereço: http://www.krafta.info/br/search/Toda-Terra-Te-
Adore/1/mp3
1 – “Ó Senhor, salva teus filhos” (SAL 1008) (CD Liturgia VI - Fx1 – antífona 4DTC
- A)
2 – “Ó Pai, somos nós” (SAL 774) (CO 635) (2).
http://www.krafta.info/br/search/Somos-Nós-O-Povo-Eleito/1/mp3
3 – “Alegres vamos à casa” (SAL 1071) (CO 464)
http://www.krafta.info/br/search/Alegres-Vamos-à-Casa/1/mp3
4 – “Somos gente nova” (SAL 606) (CO 1488)
5 – “Senhor, o Deus dos pobres” (SAL 51) (CO 499)

Salmo responsorial: Deus é cantado como o protetor do povo, protetor dos


mais pobres e daqueles que não têm a quem apelar. É em Deus que os pobres e os
necessitados encontram o sentido pleno de suas vidas.
1 – Cf “HL da CNBB, fascículo 3 (Paulus) p. 134 - 135

50
2 – Cf. “Cantando os salmos e a aclamações”, (Paulus) p. 54
3 – Cf. Cd Liturgia VI (Paulus) fx. 6 – “Felizes os pobres em espírito”
4 – Felizes os pobres em Espírito

Aclamação ao Evangelho: o Evangeliário, símbolo vivo da presença de Jesus


Cristo na assembléia litúrgica, é recebido com uma conclamação para que os
celebrantes se alegrem, antes mesmo de ouvir Jesus proclamar as bem-aventuranças,
porque terão a recompensa do Reino dos Céus.
1 – “Aleluia! Meus discípulos se alegrem” (SAL 1127) (CD Liturgia VI – Fx3 – 4DTC
- A)
2 – “Aleluia! Bem-aventurados” (SAL 628) (CO 685)
3 – “Cantemos com alegria” (SAL 626) (CO 681)
4 – “Alegrai-vos, alegrai-vos” (SAL 1117) (CO 683)
5 – “Aleluia! Bem feliz, bem aventurado” (SAL 1054) (HL, fasc. 3 ,p. 239)

Ofertas: é com simplicidade que os celebrantes se aproximam do altar do


Senhor para ali depositar suas oferendas (2). É com a alegria da simplicidade, que a
Igreja sente-se feliz em ver seus filhos e filhas caminhando ao altar do Senhor em
atitude de gratidão, própria de discípulos e discípulas do Reino dos Céus.
1 – “De mãos estendidas” (SAL 257) (CO 703) (CD Liturgia VI; Fx 4)
2 – “Sabes, Senhor” (SAL 277) (CO 148) http://www.krafta.info/br/search/Sabes,-
Senhor/1/mp3
3 – “Recebestes de graça” (SAL 675) (CO 619)
4 – “Venho, Senhor, oferecer” (SAL 1129) (L 1013)
http://www.krafta.info/br/search/Venho,-Senhor,-Oferecer/1/mp3
5 – “Ofertas singelas” (SAL 1130) (L 83)

Comunhão: é com o espírito das bem-aventuranças que os discípulos de


aproximam do altar, onde serão alimentados com a Eucaristia. Fortalecidos com este
alimento, se dispõem a viver como semeadores da felicidade divina no meio do mundo.
A canção (1) poderá ser ouvida, com seu refrão próprio para este Domingo no endereço
que segue: http://www.krafta.info/br/search/Felizes-Os-Pobres,-Felizes-Os-
Mansos/1/mp3
1 – “Felizes os pobres, felizes os mansos” (SAL 1058) (CD Liturgia VI; Fx 7)
2 – “Bem aventurados os pobres” (SAL 1131) CO 1392)
3 – “Feliz quem não deseja possuir riqueza” (SAL 800) (HL, fasc. 3, p. 356)
4 – “Vejam, eu andei pelas vilas” (SAL 336) (CO 605)
5 – “Bem-aventurados os que têm um coração humilde” (SAL 343) (L 934)
Outras canções de comunhão no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 301] [SAL 27] [SAL 328] [SAL 57] [SAL 303]

Envio: existe um compromisso muito concreto no final desta celebração: acolher


o convite para se tornar discípulo através da vivência das bem-aventuranças. É com
esta disposição que a assembléia poderá ser dissolvida cantando a canção (2) ou a
canção (3).
1 – “O amor de Deus me escolheu” (SAL 65)
2 – “Eis-me aqui, Senhor” (SAL 28) (CO 557) http://www.krafta.info/br/search/Eis-
Me-Aqui,-Senhor/1/mp3
3 – “A tua vida, Senhor, é minha vida” (SAL 1036) (CO 580)
4 – “Vou levar muito de Deus ao meu irmão” (SAL 669)
5 – “O Senhor me chamou” (SAL 1037) (CO 589)
Outras canções de envio no site: www.liturgia.pro.br
[SAL 423] [SAL 1125] [SAL 142] [SAL xxxxx]

51
O QUE VALORIZAR NA CELEBRAÇÃO
O espaço da Palavra, neste Domingo, se caracteriza como espaço do
ensinamento, da instrução dos discípulos de Jesus. Um espaço marcado pela
serenidade de quem aprende e acolhe uma proposta de vida.

ESPAÇO SIMBÓLICO: considerando as características do espaço da Palavra, o


símbolo para esta celebração poderá caracterizar as bem-aventuranças e o estilo de
vida dos discípulos e discípulas de Jesus. No arranjo que propomos a seguir, colocar 9
hastes (as bem-aventuranças) que, poderão ser dispostas com a mesma estrutura da
foto.

A proposta de arranjo é muito simbólica:


sustenta-se numa haste (a confiança em Deus)
que produz flores, a beleza que encanta a vida
pessoal e toda a sociedade. As bem-
aventuranças estão simbolizadas nas 9 hastes
que se alimentam do Evangelho (hastes mais
longas dirigidas ao alto) florescem (flores
amarelas) e se estendem para a vida social
(hastes menores). Nelas, o verde da esperança,
e o branco vida divina sempre brota onde as
bem-aventuranças são vividas. O arranjo é feito
sobre uma bandeja, como sentido de oferta e
serviço.

FRASE CELEBRATIVA: pode-se compor a frase celebrativa com as duas frases


ou escolher somente uma frase. A primeira proposta indica uma generalização das
bem-aventuranças; a segunda recorda o motivo das bem-aventuranças na vida do
discípulo. As duas juntas resume a Liturgia da Palavra deste Domingo.
Frase celebrativa
Bem-aventurados sois vós! Alegrai-vos, porque o Reino está próximo!

EQUIPE DE ACOLHIDA: ninguém nasceu para sofrer nem para viver na


infelicidade, mas para ser um bem-aventurado, para ter uma vida feliz.
Frase de acolhida
Você nasceu para ser feliz! Seja bem-vindo
AMBIENTAÇÃO: se a comunidade conhece uma música que ajude a entrar no
clima da celebração, isso favorecerá muito. Nas comunidades que usam datashow,
pode-se explorar imagens que ilustrem a presença do Reino entre nós, como proposto
no texto de “Iluminados pela Vida”. A canção que segue poderá ser ouvida no
endereço: http://www.krafta.info/br/search/Bem-Aventuranças-Cantores-De-Deus/1/mp3

Canto: Bem-aventurados
1. Bem-aventurados os pobres de espírito/ Porque deles é o reino dos céus/ Bem-
aventurados os que choram/ Porque serão consolados.
2. Bem-aventurados os mansos/ Porque eles herdarão a terra/ Bem-aventurados os
que têm/ Fome e sede de justiça/ Pois serão saciados
3. Exultai e alegrai-vos/ Porque será grande/ A vossa recompensa nos céus/ Pois assim
perseguiram os profetas/ Que existiram antes de vós
4. Bem-aventurados os misericordiosos/ Pois obterão misericórdia/ Bem-aventurados
os puros de coração/ Pois verão a Deus

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5. Bem-aventurados os pacificadores/ Pois serão chamados filhos de Deus/ Bem-
aventurados os perseguidos/ Por razões de justiça Porque deles é o Reino dos céus
6. Bem-aventurados sois vós/ Quando vos injuriarem/ Perseguirem e falsamente por
minha causa/ Vos caluniarem

RITOS INICIAIS
O convite que Jesus nos faz com as bem-aventuranças é de colocar nosso
coração dentro do seu coração, numa intimidade profundamente existencial, que
floresce em confiança, em vida e em paz.

ANTÍFONA DE ENTRADA: a confiança que depositamos em Deus torna-se


súplica de Salvação e celebração de glorificação.
Antífona de entrada
Salvai-nos, Senhor nosso Deus,/ reuni vossos filhos dispersos pelo mundo,/ para que celebremos o vosso
nome santo/ e nos gloriemos em vosso louvor.

ACOLHIDA PRESIDENCIAL: somente em Deus existe a felicidade plenamente


perfeita, mas ele a comunica a nós, seus filhos e filhas, pelas bem-aventuranças.
Modelo para acolhida presidencial
A alegria e a felicidade que somente Deus pode conceder aos seus filhos e filhas estejam convosco.

MONIÇÃO INICIAL: a felicidade de participar do Reino dos Céus se faz realidade


naqueles que se dispõem a entrar no discipulado de Jesus Cristo.
Modelo de monição inicial
Bem-aventurados, felizes são aqueles que se deixam iluminar pela sabedoria do Evangelho. Felizes são
aqueles que se fazem discípulos e discípulas de Jesus, porque eles participam e plantam o Reino dos
Céus entre nós. Iniciemos nossa Missa, intercedendo a graça da felicidade divina para nossas vidas.
(pausa silenciosa para interceder a graça alegria presente no Reino dos Céus).

ATO PENITENCIAL: mesmo conhecendo o caminho do Evangelho, deixamos de


nele caminhar e, por isso, necessitamos interceder o perdão divino e fraterno.

Anotações práticas
Propomos o Sl 25 como rito penitencial. Poderá ser cantado pelo salmista ou poderá ser recitado por dois ministros ou pelo
próprio padre. Neste caso, a primeira parte é recitada e a assembléia participa com a súplica para que suas vidas sejam
purificadas.

Modelo para o ato penitencial


P – O Senhor nos convida a segui-lo e nos indica o caminho das bem-
aventuranças. Se deixamos de caminhar nos seus caminhos, peçamos perdão:

Sl 25
Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guiai-me com
tua verdade, pois tu és o meu Deus Salvador e em ti espero o dia todo.
T – Colocai em mim um coração que seja puro, meu Deus. Perdoai as minhas faltas.
Lembra-me, Senhor, da tua compaixão, e do teu amor que existe desde sempre;
não recordes os meus desvios, nem os pecados de minha juventude, lembra-te de mim
conforme o teu amor, por causa de tua bondade, Senhor.
T – Colocai em mim um coração que seja puro, meu Deus. Perdoai as minhas faltas.

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P – Deus bondoso e cheio de misericórdia, tenha compaixão de nós, perdoe os
nossos pecados e, iluminando nossa vida nas bem-aventuranças, nos conduza à vida
eterna.
T – Amém!

RITO DE GLORIFICAÇÃO INICIAL: Deus, porque é feliz, derrama a felicidade


em nossos corações. A ele glória e louvor para sempre.
Modelo de motivação para o rito do glória
Glórias sejam dadas ao nosso Deus, que derrama sobre nós sua felicidade para sermos bem-
aventurados.

ORAÇÃO DO DIA: que o Senhor conceda, pela prática das bem-aventuranças, a


vivência do mandamento novo: amar a Deus e aos irmãos.

Oremos: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo coração e dai-nos a graça de viver as
bem-aventuranças como discípulos e discípulas de vosso Filho, para amar as pessoas com verdadeira
caridade. PNSJC.

LITURGIA DA PALAVRA
O discípulo e a discípula que vivem o Evangelho e iluminam suas vidas nos
ensinamentos de Jesus, no cotidiano da vida, passam a participar das bem-
aventuranças sem mesmo se dar conta que isso esteja acontecendo.

Proposta para a homilia


Objetivo: evidenciar que as bem-aventuranças é um estilo de vida que Jesus
propõe aos seus discípulos e discípulas.

Dinâmica: depois de situar o contexto bíblico, refletir com os celebrantes o


alcance concreto das bem-aventuranças na vida pessoal e na vida comunitária.

ORAÇÃO DOS FIÉIS: inspirando-se na Liturgia da Palavra, interceder a graça


presente na proclamação da Palavra de Deus deste Domingo.

Anotações práticas
As intercessões são feitas com dois ministros (M1 e M2). Um que proclama a frase bíblica e outro que faz a prece. O refrão
inspira-se no início do salmo responsorial e poderá ser cantado em dois momentos: um solo canta a primeira parte — Por
causa de vossa fidelidade, Senhor — e a assembléia a segunda parte: “atendei nossa prece, Senhor”.
O ministério de música da comunidade compõe o refrão.

P – Deus nos propõe a simplicidade da vida para experimentar a verdadeira


alegria. Com igual simplicidade, elevemos a ele nossas preces:

M1 – “Deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres” (1L)


M2 – Apesar de nossa pobreza, concedei-nos a graça da humildade para tornar a
sociedade mais digna e mais fraterna.
T – Por causa de vossa fidelidade, atendei nossa prece, Senhor!
M1 – “O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos” (SR)

M2 – Mesmo em nossas inseguranças, concedei-nos a graça da justiça para


tornar nossa sociedade mais justa e mais humana.

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T – Por causa de vossa fidelidade, atendei nossa prece, Senhor!
M1 – “Entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana” (2L)
M2 – Conscientes de nossas limitações, concedei-nos a graça de vossa sabedoria
para tornar nossa sociedade mais humana e mais humanizada.
T – Por causa de vossa fidelidade, atendei nossa prece, Senhor!
M1 – “Os discípulos se aproximaram e Jesus começou a ensiná-los: bem-
aventurados”
M2 – Em meio a tantas propostas de vida, concedei-nos a graça de acolher e
viver as bem-aventuranças com discípulos e discípulas de vosso Filho Jesus.
T – Por causa de vossa fidelidade, atendei nossa prece, Senhor!
M1 – “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”
M2 – Sabendo que a construção do Reino acontece no anonimato de tantas vidas,
concedei-nos a graça da vossa alegria e da recompensa que nos prometeis.
T – Por causa de vossa fidelidade, atendei nossa prece, Senhor!
P – É com o coração em festa que apresentamos a vós, ó Pai, as nossas preces,
porque vivendo as bem-aventuranças, participamos de vossa felicidade plena e nos
tornamos construtores do Reino. A vós, nosso louvor e nossa gratidão pelos séculos dos
séculos.
T – Amém!

LITURGIA SACRAMENTAL
Jesus gosta de nos chamar todos os dias para apresentar o caminho que conduz
ao Pai. Agrada perceber que seus discípulos e discípulas se disponham a oferecer
aquilo que faz parte de nossas vidas em reconhecimento pelo dom da felicidade divina
em nossos corações.

PROCISSÃO DAS OFERTAS: a procissão que conduz os celebrantes ao altar,


para levar suas oferendas, convida de modo especial os discípulos e discípulas de
Jesus. Estes que se deixam iluminar na luz do Evangelho, e vivem as bem-aventuranças
na rotina da vida, contagiando o cotidiano e tornando a vida mais humana e mais feliz.

Anotações práticas
A inspiração da procissão das oferendas está na 2ª leitura: na pobreza e na simplicidade que forma a maior parte de nossas
comunidades, escolher pessoas pobres e simples para levar as ofertas ao altar do Senhor.

ORATE FRATRES: os celebrantes depositam no altar a simplicidade das


oferendas, na certeza que Deus as acolherá em sua bondade.
Orate fratres
Orai, irmãos e irmãs, para que depositando no altar a simplicidade de nossas oferendas, sejam aceitas
por Deus Pai todo-poderoso.

ORAÇÃO EUCARÍSTICA: a conclusão da 2ª leitura inspira o motivo da ação de


graças, pela vivência das bem-aventuranças.
Modelo de monição para a Oração Eucarística
Como pedia Paulo, na 2ª leitura, gloriemo-nos no Senhor, pois por meio dele, na vivência das bem-
aventuranças, participamos da sabedoria, da paz e da felicidade que se encontra em Deus.

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PREPARAÇÃO PARA A COMUNHÃO
Caminhar e viver iluminados pela sabedoria do Evangelho, deixar que a alegria
divina tome conta de nossas vidas; eis o projeto que alimentamos e nutrimos na
Eucaristia e com a Eucaristia.

PAI NOSSO: nas bem-aventuranças encontra-se a sabedoria do Evangelho, a


iluminação de quem se dispõe a viver em Jesus Cristo.
Convite para o Pai nosso
Iluminados pela sabedoria do Evangelho, presente nas bem-aventuranças, rezemos como Jesus nos
ensinou: Pai nosso...

ABRAÇO DA PAZ: ser um promotor da paz, ser um construtor da paz é viver a


bem-aventurança que nos identifica como filhos e filhas de Deus.
Proposta de saudação da paz
Bem-aventurados os que promovem a paz e a partilham através da vida fraterna. Saudemo-nos em Cristo
Jesus.

CONVITE PARA A COMUNHÃO: a vivência das bem-aventuranças produz nos


discípulos de Jesus a felicidade de serem livres.
Proposta de convite para a comunhão
Bem-aventurados os que se fazem discípulos de Jesus, porque vivem a felicidade da libertação. Eis o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

ANTÍFONA DE COMUNHÃO: antes de iniciar o canto de comunhão, proclamar


duas bem-aventuranças (— pode-se escolher outras duas).
Antífona de comunhão
Bem-aventurados os que têm o coração de pobre,/ porque deles é o Reino dos céus./ Bem-aventurados os
mansos,/ porque possuirão a terra.

RITOS FINAIS
É momento de retornar aos afazeres da vida diária renovados na certeza que
Deus deseja colocar em nossas vidas sua felicidade. Para isso, existe um caminho, um
modo de viver que abre o coração para que a felicidade divina possa entrar: são as
bem-aventuranças.

COMPROMISSO CONCRETO: a proposta celebrativa esboça, desde os ritos


iniciais a proposta de concretizar, na vida pessoal, o modo de viver cristão, iluminado
pelas bem-aventuranças. Por isso, os celebrantes deixam essa celebração
comprometidos com a qualidade da vida cristã, no sentido que não basta ser um bom
religioso é preciso ser discípulo e discípulo de Jesus.

Anotações práticas
O padre poderá passar o compromisso concreto, servindo-se de um ou dois pensamentos da homilia, incentivando
principalmente que a qualidade do ser um cristão encontra-se no discipulado.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA: invocar uma oração de bênção, intercedendo a graça


de viver as bem-aventuranças em vista da construção do Reino de Deus na sociedade
atual.

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Rito de bênção, com oração sobre o povo
P – O Senhor esteja convosco.
T – Ele está no meio de nós.
P - Ó Deus, confirmai vossos filhos e filhas na prática das bem-aventuranças,
para que vivendo o que vosso Filho nos ensinou colaboremos na construção do Reino
de Deus entre nós.
T – Amém!
P – Abençoe-vos o Deus todo-poderoso Pai e Filho e Espírito Santo.
T – Amém!

A despedida e envio dos celebrantes:


Deixai a sabedoria das bem-aventuranças iluminarem vossas vidas. Ide em paz, o Senhor vos
acompanhe.

LITURGIA DA PALAVRA (leituras)

Atenção
No quadro abaixo estamos propondo uma monição geral da Liturgia da Palavra, que poderá ser feita pelo sacerdote ou pelo
comentarista. Esta monição elimina as motivações de cada uma das leituras.

Jesus é o novo Moisés que, na montanha, propõe a seus discípulos e discípulas um novo estilo de vida, nas nove
bem-aventuranças. Quem acolher a proposta de viver as bem-aventuranças, mesmo sendo pobre e simples, estará
construindo o Reino dos Céus e viverá na fidelidade feliz de Deus.

PRIMEIRA LEITURA: SF 2,3;3,12-13


SALMO RESPONSORIAL – SL 145
Felizes os pobres em espírito,/ porque deles é o Reino dos Céus

SEGUNDA LEITURA: 1COR 1,26-31


ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: MT 5, 12A
Aleluia, aleluia, aleluia
Meus discípulos, alegrai-vos, exultai de alegria,/ pois bem grande é a recompensa/ que
nos céus terei, um dia!

EVANGELHO: MT 5, 1-12A

REFLEXÃO CELEBRATIVA (proposta de homilia)


1 – 10 MANDAMENTOS X 9 BEM-AVENTURANÇAS
Nestes últimos Domingos, a Liturgia vem apresentado Jesus em nossas
celebrações com alguns títulos. Na Epifania ele foi chamado de Rei dos Judeus, no
Batismo, de Filho amado de Deus, há dois Domingos atrás, de Cordeiro de Deus, no
Domingo passado de luz que brilha nas trevas do mundo. Hoje, finalmente, a Liturgia
dá a palavra a Jesus para ensinar. Agora que conhecemos quem é Jesus, agora que
sabemos que ele é o Filho de Deus e o iluminador da vida, Jesus se apresenta como
Mestre; como alguém que ensina e, a exemplo dos antigos mestres, como alguém que
propõe um estilo de vida. O caminho e o estilo de vida para chegar a Deus, no Antigo
Testamento, estava condensado nos 10 Mandamentos da Lei de Deus. Para os
57
discípulos de Jesus, no entanto, não só os 10 Mandamentos, mas as 9 bem-
aventuranças. Com isso, Jesus não despreza os 10 Mandamentos. Na passagem do
jovem rico, por exemplo, ele apontou o caminho dos 10 Mandamentos como proposta
para viver em Deus, mas existe um algo a mais, as bem-aventuranças.

2 – BEM-AVENTURANÇAS É PARA O DISCIPULADO


O início do Evangelho que acabamos de ouvir coloca dois auditórios diferentes,
num mesmo lugar para ouvir Jesus. Mateus diz que Jesus viu as multidões, mas foram
os discípulos que se aproximaram e a eles começou a ensinar. O ensinamento das
bem-aventuranças, portanto, não é dirigido às multidões, mas aos discípulos e
discípulas de Jesus. As bem-aventuranças que ouvimos não é para todo mundo, mas
para aqueles que se dispõem ao seguimento de Jesus Cristo como discípulo e discípula.
Mesmo porque, não é todo mundo que consegue viver as bem-aventuranças, que
consegue assumir a pobreza em sua vida, que consegue ser construtor da paz, que
continua procurando a justiça mesmo sendo injustiçado... Para se viver as bem-
aventuranças de Jesus é preciso, inicialmente, duas coisas: a primeira delas é querer
seguir Jesus e fazer com que os ensinamentos do Evangelho se tornem luz, se tornem
um estilo de vida. A segunda delas é a confiança em Deus. Quem se torna discípulo e
discípula de Jesus tem a felicidade de Deus dentro de si e, mesmo em situações
adversas, não perde essa alegria divina, seja perseguições, mentiras, ameaças de
maldades... Mesmo em tais situações, Jesus aconselha: “alegrai-vos e exultai”.

3 – A SIMPLICIDADE DAS COMUNIDADES


Comparando as bem-aventuranças com a proposta do mundo capitalista de
nosso momento histórico, tudo isso parece uma utopia. Mas não é. É a mais concreta
realidade que podemos colocar em nossas vidas, porque as bem-aventuranças não nos
tornam alienados, sem interesse pelas coisas da vida, ao contrário. A exemplo de Jesus,
o modelo perfeito da vivência das bem-aventuranças, o estilo de vida presente nas
bem-aventuranças é revolucionário e produz resultados que permanecem na história
humana. Um bom testemunho disso encontra-se nas duas leituras, na 1ª e na 2ª
leitura, onde Paulo analisa a debilidade da comunidade cristã na sociedade de seu
tempo. Todos sabemos, pela história, que o cristianismo nasceu pobre, teve as
primeiras comunidades pobres e foi assim que ganhou o mundo. A grande parte das
comunidades cristãs, que vivem o Evangelho e não transformam o Evangelho em fonte
de renda, não é rica, mas pobre, participante da primeira bem-aventurança: “bem-
aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos Céus”. Pobres, no sentido bíblico,
daquele que coloca a confiança unicamente em Deus.

4 – AS BEM-AVENTURANÇAS NO COTIDIANO DA COMUNIDADE


Outra pergunta que muitos fazem: será que podemos viver as bem-aventuranças
no cotidiano de nossas vidas? A resposta é assim, porque é pela bem-aventuranças que
nós construímos o Reino dos Céus entre nós. Os bem-aventurados, aqueles que adotam
o estilo de vida de Jesus Cristo não estão nas mídias modernas e nem atraem a atenção
de grandes manchetes. É gente que vive perto de nós, que dedica seu tempo a cuidar
da nutrição de crianças pobres e carentes, que visita doentes levando a eles conforto,
levando a Eucaristia. São pais e mães que, em nossas famílias, educam seus filhos para
Deus, para o bem, para o respeito e para a paz... são os construtores da paz. São
enfermos que conhecemos, pessoas que sofrem, mas nem por isso desejam a morte,
ao contrário, tornam-se exemplo de vida e amam viver, mesmo impedidos de tantas
coisas, porque a felicidade delas não está nas diversões do mundo, mas na alegria
interior. Quantos, ricos e pobres, vivem a alegria de serem pessoas livres, desapegadas
de tudo, mas felizes e equilibrados por cultivarem a vida espiritual, a vida de oração, a
reflexão da Palavra... Quando olhamos essa gente, os bem-aventurados que vivem
escondidos e que, talvez, valorizemos tão pouco, chegamos à conclusão que o mundo
continua sendo abençoado porque muita gente assim faz o bem. É gente assim que
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atrai as bênçãos de Deus. A eles, nós agradecemos e, em nome de Deus, pedimos que
jamais se cansem de semear a bondade. Amém!

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