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Circuitos de Corrente Alternada (CA)

Circuitos resistivos e capacitivos

Introdução

Neste capítulo, faremos a análise de circuitos de corrente alternada (abreviado por CA ou AC, em inglês), que são os circuitos constituídos por componentes alimentados por fontes de tensão ou corrente alternada. Em contraste com a corrente contínua CC, que tem amplitude constante, a corrente alternada CA tem amplitude dependente do tempo. Na maioria dos casos segue a forma de uma onda senoidal ou harmônica. Na sua origem, o sinal senoidal é produzido no gerador elétrico através da movimentação de uma bobina de cobre dentro de um campo magnético, causando a indução de uma tensão CA. A freqüência é de 60 ciclos/s (Hz), podendo existir também sistemas de geração em 50 Hz. À partir da tensão CA são obtidas os outros tipos de tensões/correntes elétricas que, doravante serão denotados por sinais.

Tipos de Sinais

Genericamente, além da tensão/corrente senoidal, mostrada no item (a) da Fig. 1, outras formas de sinais de tensão/corrente CA de aplicação em circuitos eletrônicos podem ser descritos como sinais variantes no tempo.

podem ser descritos como sinais variantes no tempo. (a) (c) (b) (d) Fig. 1 Tipos de

(a)

podem ser descritos como sinais variantes no tempo. (a) (c) (b) (d) Fig. 1 Tipos de

(c)

podem ser descritos como sinais variantes no tempo. (a) (c) (b) (d) Fig. 1 Tipos de

(b)

ser descritos como sinais variantes no tempo. (a) (c) (b) (d) Fig. 1 Tipos de sinais

(d)

Fig. 1

Tipos de sinais variantes no tempo: (a) senoidal ou harmônico, (b) degrau, (c) impulso e (d) rampa.

Sinal Senoidal

O sinal senoidal, também conhecido por sinal harmônico, é freqüentemente encontrado em sinais de alimentação de energia, por causa das características do sistema de geração e transmissão de energia elétrica. Uma onda senoidal com amplitude e freqüência característicos são as informações que um sinal senoidal possui. A Fig. 2 apresenta um sinal de tensão senoidal, com amplitude V p e período T. A relação entre o período T e a freqüência f é determinado pela expressão:

 

f =

1

(1)

 

T

Por questão de normalização, define-se a freqüência angular

como:

 
 

= 2 f

 

(2)

V V p 0 3 2 0 t 2 2 -V p T = período
V
V p
0
3
2
0
t
2
2
-V p
T = período
Fig. 2
Sinal senoidal

Um sinal de tensão senoidal (conforme convenção da Fig. 2) pode ser descrito pela expressão:

V

=

V sen

p

t

(3)

Uma outra quantidade que está relacionada com o tipo de sinal senoidal é o ângulo de fase, que corresponde à diferença na escala de tempo entre duas ondas senoidais de mesma freqüência, como mostra a Fig. 3. Se considerarmos o ângulo de fase na equação da tensão senoidal, resulta:

V

=

V sen(

p

t

+

)

(4)

Fig. 3

V V 1 V 2 0 t Ângulo de fase entre dois sinais de tensão
V
V 1
V 2
0
t
Ângulo de fase entre dois sinais de tensão de mesma freqüência.

Forma Complexa de Representação da Onda Senoidal

Por questão de conveniência, a representação matemática da equação (4) pode ser ampliada para a forma complexa:

na qual j =

(4) pode ser ampliada para a forma complexa: na qual j = 1 . V =

1 .

V

=

V e

p

j(

t

+

)

=

V [cos(

p

t

+

)

+

jsen(

t

+

)]

(5)

Diagrama Fasorial

A representação gráfica de sinais senoidais de mesma freqüência com diferença de fase é feita através do diagrama de Argand, utilizado para representar quantidades numéricas do conjunto dos números complexos.

Im {V}

|V| sen

-

|

V

|

0

sen

| V | |V| cos - Re {V} |V |
| V |
|V| cos
-
Re {V}
|V |

Fig. 4

representando no plano complexo as componentes real (Re) e imaginária (Im) da tensão harmônica V.

Diagrama fasorial

Circuito Resistivo CA

V

S

i

Circuito Resistivo CA V S i Fig. 5 Circuito resistivo R Sendo a tensão de alimentação

Fig. 5

Circuito resistivo

R

Sendo a tensão de alimentação expressa como:

V

S

=

V sen

p

t

ao aplicar a lei de Ohm ao resistor, V = Ri, resulta:

i =

V

S

V

p

=

R R

sen

t

A potência, calculada pela expressão P = Vi, fornece a seguinte expressão:

P

=

V i

p

p

sen

2

t

pela qual, como sen 2 t 0, a potência instantânea P(t) será sempre 0, como mostra o gráfico da potência da Fig. 6. Da Matemática, temos a relação:

sen

2

x =

1

2

(1

cos2x)

de onde se conclui que a forma da potência instantânea terá uma freqüência dobrada em relação às freqüências da tensão e corrente instantâneas e, inversamente, o período da potência será metade do período da tensão e da corrente instantâneas, como pode ser observado nos gráficos da Fig. 6.

V S V p 0 3 5 7 3 9 0 2 4 5 2
V S
V
p
0
3
5
7
3
9
0
2
4
5
2
2
2
2
2
t
-V
p
i
V
/ R
p
0
3
7
0
2
5
3
4
9
5
2
2
2
2
2
t
-V
p
/
R
P
V
p i p
V
p i p
2
0
3
2
5
3
7
4
9
5
0
2
2
2
2
2
t

Fig. 6

Diagramas de tensão, corrente e potência versus tempo para o circuito resistivo puro.

A potência média P m é calculada pela fórmula:

P

m

=

1

T

T

0

P(t)dt

(7)

de modo que a potência média do circuito resistivo vale

Na forma complexa,

P

m

=

1

2

V

S

=

V e

p

j

2

0

t

V i

p

p

sen

2

t.d

t

=

V i

p

p

2

, obtendo-se a partir da lei de Ohm:

i =

V

S

R

=

V

p

R

e

j

t

=

i p e

j

t

de modo que o resistor como elemento de circuito CA não introduz defasagem entre a tensão e a corrente. A Fig. 6 mostra que as curvas de tensão e corrente para o resistor estão em fase, isto é, = 0. A Fig. 7 apresenta o diagrama fasorial para a tensão e a corrente.

i V
i
V

Fig. 7

Fasores representando a tensão e a corrente sobre o resistor.

Capacitância

A capacitância elétrica é a medida da capacidade de armazenamento de cargas elétricas por um dispositivo (Fig. 8) e é definida pela equação:

C =

A

(8)

d

na qual:

– permitividade elétrica do meio material entre as placas (C/V.cm)

d – distância entre as placas do capacitor (cm)

A - área da placa (cm 2 )

A d
A
d

Fig. 8

Placas planas paralelas para o cálculo da capacitância.

Para materiais isolantes, também chamado de materiais dielétricos, a permitividade é expressa em termos da permitividade no vácuo 0 (= 8,854.10 -12 C/V.m) multiplicada pela constante dielétrica do material :

=

0

(9)

A constante dielétrica também é chamada permissividade relativa r . A Tabela 1 apresenta a constante dielétrica e a rigidez dielétrica, que é a medida da tensão elétrica que um material isolante é capaz de suportar sem conduzir corrente, para diversos materiais isolantes.

TABELA 1 – Constante dielétrica e rigidez dielétrica para alguns materiais isolantes

Material

Constante dielétrica

Rigidez dielétrica (kV/mm)

Alumina

Al 2 O 3 (99,9%)

10,1

9,1

Alumina (99,5%)

9,8

9,5

Berília BeO (99,5%)

6,7

10,2

Cordierita

4,1-5,3

2,4-7,9

Nylon 66 reforçado com 33% de fibra de vidro (seco)

3,7

20,5

Nylon 66 reforçado com fibra de vidro (50% umidade)

7,8

17,3

Poliéster

3,6

21,7

A unidade de capacitância no SI é o farad (F), geralmente sendo utilizado frações desta quantidade como F (10 -6 F), nF (10 -9 F) e até pF (10 -12 F).

Capacitores

Capacitores são disponíveis em diversos tipos e valores. O valor da capacitância é determinado pela constante dielétrica do material, da sua espessura e da área dos eletrodos. As técnicas construtivas também diferem, dependendo do material dielétrico empregado. A Fig. 9 apresenta alguns arranjos construtivos empregados na fabricação de capacitores.

DIELÉTRICO
DIELÉTRICO

FOLHA

M ETAL DIELÉTRICO
M ETAL
DIELÉTRICO
M ETÁLICA DIELÉT RICO
M ETÁLICA
DIELÉT RICO

Fig. 9

Arranjos construtivos para capacitores

As simbologias utilizadas para representar esquematicamente os capacitores estão mostradas na Fig. 10.

- + - + Fig. 10 Símbolos para o capacitor.
-
+
-
+
Fig. 10
Símbolos para o capacitor.

A Fig. 11 apresenta os principais tipos de capacitores comerciais e a Tabela 2 lista as suas propriedades. Os maiores valores de capacitância são aqueles para os capacitores eletrolíticos

Risco de explosão !
Risco de
explosão !

ADVERTÊNCIA

Capacitores eletrolíticos não podem ser ligados com terminais de polaridade invertida, sob risco de explodirem !

terminais de polaridade invertida, sob risco de explodirem ! Fig. 11 Tipos de capacitores Circuitos de

Fig. 11

Tipos de capacitores

TABELA 2 – Propriedades de capacitores comerciais

Tipo

Material dielétrico

Faixa de capacitância

Tensão máxima

Variável

ar

5 a 500 pF 1000 pF a 1 F 0,01 a 1 F 100 a 5000 pF

500 V

Cerâmico

Titanato de bário Papel com óleo Mica

2000 V

Óleo

10000 V

Mica

10000 V

Filme

Mylar, Teflon, poliestireno, policarbonato

0,01 a 50

F

1000 V

Eletrolítico

Tântalo

Alumínio

-

-

Chip

Óxido de tântalo

Óxido de alumínio cerâmica

0,01 a 3000 F 0,1 a 100000 F

*

*

* A máxima tensão que pode ser aplicada a um capacitor eletrolítico depende do valor da capacitância. Por exemplo, para 100.000 F, uma tensão de 3 V pode danificar o capacitor, enquanto que para 100 F, o mesmo tipo de capacitor pode suportar 400 V.

Internamente, dependendo da sua construção, o capacitor apresenta resistências e indutâncias, que interferem no comportamento do capacitor em função da freqüência de trabalho. A Fig. 13 apresenta o circuito equivalente real de um capacitor, no qual as resistências representam a fuga de corrente, isto é, a perda de carga por caminhos de baixa resistência no interior e na superfície do capacitor, e a indutância L representa a variação da corrente de fuga. Como a capacitância e a corrente de fuga são diretamente proporcionais à área do capacitor, a resistência R P é inversamente proporcional à capacitância. Os fabricantes geralmente classificam seus capacitores pelo produto de R P e C, em unidades de ohms farads ou megohms microfarads. Se convertermos o produto à unidade básica, veremos que,

1

ohm

1

farad

=

1 volt 1 coulomb / segundo

1 coulomb 1 volt

=

1 segundo

A quantidade definida pelo produto R P C é denominado tempo de fuga de corrente do capacitor; quanto maior o seu valor, melhor será a capacidade do capacitor armazenar a carga. A Tabela 3 apresenta os valores de tempo de fuga para diversos materiais dielétricos comumente empregados na confecção de capacitores comerciais.

I L R S C L V CC C R
I L
R
S
C
L
V CC
C
R

P

Fig.13 Circuito equivalente do capacitor

TABELA 3 – Tempos de fuga de corrente para alguns materiais dielétricos

Material

M

F (25 o C)

Teflon

Poliestireno

Policarbonato

Mylar

Vidro

Mica

Papel

Cerâmica

Eletrolítico

2.10

1.10

2.10

1.10

6

6

5

5

1.10 3 a 1.10 5 1.10 3 a 1.10 5 1.10 3 a 1.10 5 1.10 3 a 1.10 5 10 a 1000

Analisando-se os valores da Tabela 3, pode-se concluir que um capacitor de poliestireno é muito superior ao capacitor de papel, com base nos valores de tempo de fuga. Naturalmente, o custo do capacitor é diretamente proporcional ao tempo de fuga, como também ao valor da capacitância.

Análise de circuito com capacitor ideal

Um circuito contendo uma fonte de tensão senoidal acoplado a um capacitor ideal, isto é, que contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14.

V

S

i

contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com
contém somente capacitância, é mostrado na Fig. 14. V S i C Fig. 14 Circuito com

C

Fig. 14

Circuito com capacitor ideal

Sendo a tensão de alimentação expressa como

V

S

=

V sen

p

t

e sabendo

que

equação que relaciona a tensão V com a carga do capacitor q na forma q = CV, vem que:

i =

dq

dt

=

C

dV

dt

=

C

d

dt

V sen

p

t

=

CV cos

p

t

a

instantânea como:

Mas, cos

t

=

sen(

t

+

90

o

)

, de mod que podemos re-escrever a equação para a corrente

i(t)

=

CV sen(

p

t

+

90

o

)

Dessa expressão, pode-se observar que a corrente está “adiantada” 90 o em relação à tensão e o ângulo de fase = 90 o . A potência, calculada pela expressão P = Vi, fornece a seguinte expressão:

P

=

2

CV sen

p

t.cos

t

=

1

2

2

CV

p

sen 2

t

A Fig. 15 mostra as formas de onda para a tensão, corrente e potência para o circuito capacitivo puro. Pode-se observar novamente que a forma de onda da potência instantânea tem uma freqüência que é o dobro da freqüência da tensão e corrente instantâneas.

V S V p 0 3 0 2 5 3 7 4 9 5 2
V S
V
p
0
3
0
2
5
3
7
4
9
5
2
2
2
2
2
t
-V
p
i
CV p
0
0
3
2
3
7
5
4
9
5
2
2
2
2
2
t
-
CV p
P
2
CV p
2
0
0
3
5
2
3
7
4
9
5
2
2
2
2
2
t
2
CV p
2

Fig. 15

Diagramas de tensão, corrente e potência versus tempo para o circuito capacitivo.

A potência média pode ser calculada para meio ciclo (neste caso, /2), a partir da

equação

P

m

=

1

T / 2

T/ 2

P(t).dt

0

=

1

/ 2

1

/ 2

0

2

2

CV

p

sen 2

Na forma complexa, sendo a tensão expressa como

t.dt

=

2fCV

V

S

=

V e

p

j

t

determinada pela equação i = CdV / dt , obtém-se:

Na forma inversa,

i = C

d

dt

V e

p

j

V S

=

t

=

1

j

j

C

CV e

p

j

t

i =

j

C

=

i

j

CV

S

2

p

.

e sendo a corrente

Esta equação mostra a vantagem de se adotar a forma complexa, pelo fato de explicitar a relação algébrica da tensão com a corrente por uma constante de proporcionalidade –j/ C, tal como a lei de Ohm expressa a relação da tensão com a corrente com a resistência como constante de proporcionalidade para circuitos resistivos. De fato, a constante –j/ C é fisicamente análoga à resistência, e é denominada de impedância capacitiva Z C e tem dimensão de resistência (ohm):

Z C

=

j

C

(

)

A Fig. 16 apresenta a representação gráfica dos fasores de tensão e corrente para o

capacitor, com ângulo de fase = 90 o .

Fig. 16

i

o capacitor, com ângulo de fase = 90 o . Fig. 16 i = 90 o
= 90 o V

= 90 o

V

com ângulo de fase = 90 o . Fig. 16 i = 90 o V Fasores

Fasores representando a tensão e a corrente sobre o capacitor.

Uma outra forma de representar os fasores é a chamada forma polar, pela qual a tensão V S é apresentada com o seu valor eficaz V ef e o ângulo de fase como:

V

S

=

V

ef

(10)

O valor eficaz V ef ou valor quadrático médio (rms – root mean square) de uma

quantidade V S é definido pela expressão:

V

ef

=

V

rms

=

T 1 2 V dt T s 0
T
1
2
V dt
T
s
0

(11)

Para uma tensão senoidal V S = V p sen t, o valor eficaz pode ser calculado como:

V ef

=

sen t, o valor eficaz pode ser calculado como: V ef = 1 2 2 0

1 2

2

0

2

V sen

p

2

tdt

=

V p 2
V
p
2

0,707V

p

Para efeito de comparação, vamos calcular o valor médio da tensão, V m , calculado sobre meio-ciclo:

V

m

=

2

T

2

T

0

V dt

S

=

1

0

V sen

p

t

=

2V

p

0,637V

p

Assim, a relação entre os valores de pico V p , o valor eficaz V ef e o valor médio V m , para uma função senoidal, é:

V

p

= 1,414V

ef

= 1,571V

m

O diagrama da Fig. 17 ilustra a comparação entre os valores característicos de uma onda senoidal.

V

0,707

0,637

V p

V p

V p

0

-V p

V p V pp V m V ef t
V p
V pp
V m
V ef
t

Fig. 17

Relações entre os valores característicos para uma onda senoidal.

Circuito RC série

Faremos agora a análise de circuitos contendo um resistor em série com um capacitor, conforme mostra a Fig. 18.

V i

R

+ - i
+
-
i

C

Fig. 18 Circuito RC em série

Dependendo de onde será conectado o terminal de saída da tensão, o circuito RC série recebe o nome de circuito RC integrador ou diferenciador, ou então, respectivamente, circuito filtro passa-baixa e circuito filtro passa-alta.

Circuito RC Integrador

Na forma esquemática mais conveniente.

V

R V i o i C
R
V
i
o
i C

Fig. 19 Circuito RC esquemático

Aplicando a lei de Kirchhoff ao circuito da Fig. 19:

 

V

=

Ri

+

q / C

na qual:

i

i = dq / dt

 

e

 

V

=

q/C

 

o

Re-escrevendo (12) na forma diferencial:

 

dq

+

q

=

V

i

dt

RC

 

R

(12)

(13)

(14)

(15)

Esta equação diferencial possui soluções dependentes da função V i , que analisaremos para os principais casos.

Resposta ao Degrau

Consideremos a função V i como a função degrau, definida matematicamente como:

V

i

=

0

,

V

S

,

t

0

t > 0

(16)

o que representa uma excitação constante V 0 a partir do instante inicial t = 0. O gráfico da Fig. 20 apresenta a função degrau.

V

i

V

0. O gráfico da Fig. 20 apresenta a função degrau. V i V S 0 t
0. O gráfico da Fig. 20 apresenta a função degrau. V i V S 0 t

S

O gráfico da Fig. 20 apresenta a função degrau. V i V S 0 t =
O gráfico da Fig. 20 apresenta a função degrau. V i V S 0 t =

0 t = 0

t

Fig. 20 Gráfico da função degrau

Em t = 0, a carga acumulada no capacitor é igual a zero e a equação diferencial pode ser integrada como:

q

0

dq

1

=

( CV

S

q )

RC

t

0

dt

A solução da integral da equação (6) é dada por:

(

n CV

S

q

)

q

0 =

que, rearranjada em termos de q(t), resulta em:

q(t )

=

V

S

C

(

1

e

t t RC 0 t / RC )
t
t
RC
0
t / RC
)

(17)

(18)

(19)

A corrente i é calculada a partir da derivada de (19), de modo que:

i =

dq

dt

=

V

S

R

e

t / RC

De (19) também pode-se calcular a tensão V o :

V

o

=

q

C

=

V

S

(

1

t / RC

e

)

(20)

(21)

O termo exponencial apresenta o denominador RC, cuja dimensão é de tempo. O produto RC representa a constante de tempo para o circuito resistor-capacitor e significa o tempo que um capacitor leva para atingir 0,632V S (= 1 - 1/e) da tensão em regime estacionário durante o carregamento. Se o circuito estiver descarregando, a constante de tempo RC representa o tempo que leva para a tensão atingir 36,8% do seu valor inicial. As Figuras 21 e 22 apresentam as curvas de tensão e corrente em função do tempo normalizado pela constante RC, durante o carregamento do capacitor. Se considerarmos V 0 como a tensão em regime estacionário (para t ), na Fig. 21, para t = RC, o valor da tensão normalizada será V/V 0 = 0,632; para t = 2RC, V/V 0 = 0,865, isto é, a tensão será 86,5% da tensão V 0 ; em t = 3RC, V/V 0 = 0,95; em t = 4RC, V/V 0 = 0,982 e em t = 5RC, V/V 0 = 0,993, isto é, a tensão terá atingido 99,3% do valor estacionário.

1,0 0,8 0,632 0,6 0,4 0,2 0,0 0 1 2 3 4 5 6 7
1,0
0,8
0,632
0,6
0,4
0,2
0,0
0 1
2
3
4
5
6
7
Tensão normalizada V/V 0

tempo em constante RC (s)

Fig. 21 Curva de tensão em função do tempo para o circuito RC integrador.

1,0 0,8 0,6 0,4 0,368 0,2 0,0 0 1 2 3 4 5 6 7
1,0
0,8
0,6
0,4
0,368
0,2
0,0
0 1
2
3
4
5
6
7
Corrente normalizada, i/i 0

tempo em constante RC (s)

Fig. 22 Curva da corrente em função do tempo para o circuito série RC.

Filtro Passa-Baixa (Resposta Senoidal)

Como visto anteriormente, a resposta de um circuito RC à excitação senoidal produz um sinal de tensão defasado 90 o em relação à corrente. Se aplicarmos a análise na forma fasorial, teremos a impedância:

Z = R +

jX

C

(22)

na qual, para um circuito RC X

C = 1

/

C

é denominada reatância capacitiva, de modo que

Em notação polar,

Z

=

| Z |

R

2 + 1/

2

C 2

na qual

excitação dada por:

| Z | =

Z

=

R

arctg (| X

C

j

C

| / R )

=

| Z |

 

(23)

arctg (

1

/

RC )

(24)

é chamada amplitude da impedância. Sendo a tensão de

V

i

= V

ef

0

o

na qual V ef é o valor da tensão de excitação eficaz. A corrente é calculada por:

I =

V

i

Z

=

V

1

0

o

| Z |

arctg (| X

C

| / R )

(25)

(26)

na qual as equações (24) e (25) foram usadas. Re-escrevendo a equação (26) na forma polar:

I =

V ef

|Z |

arctg (| X

C

| / R )

A impedância do capacitor é definida como:

Z

C

1

= C
=
C

90

o

(27)

(28)

pela qual, podemos calcular a tensão de saída V out como:

V

o

=

IZ

C

=

V ef

| Z |

arctg (| X

C

| / R )

[ ◊ | X | C
[
| X
|
C

90

o ]

=

| X

C

|V

ef

| Z |

90

o

+

arctg (| X

C

| / R )

Resumindo, a amplitude da tensão de saída é:

e o ãngulo de fase :

V o =

=

V

ef

| X

C

|

90

|Z |

o

+ arctg

1

RC

(29)

(30)

(31)

Para analisarmos a resposta do circuito RC à excitação senoidal é conveniente expressarmos a razão entre a amplitude da tensão de saída V out e a amplitude da tensão de entrada V in :

1

V 1 o C = = V 1 2 2 2 i 2 R C
V
1
o
C
=
=
V
1
2
2
2
i
2
R
C
+ 1
R
+
2
2
C

(32)

Esta razão é denominada ganho de tensão do circuito e é utilizada para avaliar o desempenho de circuitos. Tomando-se os valores R = 1 k e C = 1 F, foram calculados os valores mostrados na Tabela 4. O gráfico do ângulo de fase versus a freqüência angular é mostrada na Fig. 23, enquanto que a Fig. 24 apresenta o gráfico do ganho de tensão versus . Este circuito, com estas características, é chamado filtro passa-baixa, porque ele deixa passar sinais de baixa freqüência com pequena ou nenhuma atenuação. À medida que a freqüência, a atenuação aumenta consideravelmente.

TABELA 4 Resposta em freqüência para o filtro passa-baixa.

R = 1 k

, C = 1 F

(rad/s)

f (Hz)

log

(graus)

V o /V i

log(V o /V i )

1

0,16

0

-0,06

1

0,00000

10

1,6

1

-0,57

0,99995

-0,00002

100

15,9

2

-5,71

0,99504

-0,00216

200

31,8

2,3

-11,31

0,98058

-0,00852

1000

159,2

3

-45,00

0,70711

-0,15051

10000

1591,5

4

-84,29

0,0995

-1,00216

50000

7957,7

4,7

-88,85

0,0200

-1,69906

100000

15915,5

5

-89,48

0,0100

-2,00002

500000

79577,5

5,7

-89,89

0,0020

-2,69897

1000000

159154,9

6

-89,94

0,0010

-3,00000

0 -10 -20 -30 -40 -50 -60 -70 -80 -90 0 1 2 3 4
0
-10
-20
-30
-40
-50
-60
-70
-80
-90
0 1
2
3
4
5
6
Ângulo de fase, (graus)

log

Fig. 23 Ângulo de fase versus freqüência angular para o filtro passa-baixa.

log C = 3

0 -1 -1 -2 -2 -3 -3 0 1 2 3 4 5 6 log(V
0
-1
-1
-2
-2
-3
-3
0 1
2
3
4
5
6
log(V o /V i )

Fig. 24

log

Ganho de tensão versus freqüência angular para o filtro passa-baixa.

A freqüência na qual R = |X C | é chamada freqüência de corte, f C :

f C

=

1

2

RC

Para o circuito analisado, f C = 159,2 Hz

Circuito RC Diferenciador

O

circuito

RC

série

também

pode

ser

utilizado

como

circuito

(33)

diferenciador,

arranjando-se o resistor e o capacitor segundo o esquema ilustrado na Fig. 25.

V

i

C

V i C i R Fig. 25 Circuito RC diferenciador V o Neste circuito, a tensão
i R
i
R

Fig. 25

Circuito RC diferenciador

V

o

Neste circuito, a tensão V o é determinada pela tensão sobre o resistor:

V o =

Ri

(34)

Se considerarmos o estímulo da função degrau, a equação (15) combinada com a equação (16) resultará em:

V

o

=

V

S

e

t / RC

(35)

que corresponde a um decaimento exponencial da tensão com o incremento de tensão do degrau. Observe que este comportamento é o inverso do circuito integrador, calculado na equação (21). A Fig. 26 apresenta o gráfico da curva de tensão V o em função do tempo normalizado para o circuito diferenciador.

1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0 1 2 3 4 5 6 7 Tensão
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0
1
2
3
4
5
6
7
Tensão normalizada V/V 0

Fig. 26

tempo em constante RC (s)

Curva de tensão em função do tempo para o circuito RC diferenciador.

Filtro Passa-Alta (Resposta Senoidal)

O circuito da Fig. 25 também é utilizado como filtro passa-alta, isto é, um filtro que atenua os sinais de baixa freqüência. Para este circuito, a tensão V out , calculada sobre o resistor em notação fasorial polar, é descrita por:

V ef [ o ] V = IR = arctg (| X C | /
V ef
[
o ]
V
=
IR
=
arctg (| X
C | / R )
R
0
o
|Z |
V
R
S
=
arctg (| X
| / R )
C
|Z |
A amplitude do ganho é expressa como:
V
R
RC
o
=
=
V
1 2
2
2
i
2
R
C
+ 1
R
+
2
C 2
e o ãngulo de fase :
| X
1
C |
= arctg
R
= arctg
RC

(36)

(37)

(38)

=

159 Hz. A resposta do filtro passa-alta para R = 1 k e C = 1 F está apresentado na Tabela 5, enquanto que as curvas de resposta em freqüência do ganho de tensão e do ângulo de fase estão mostradas, respectivamente, nas Figuras 27 e 28. Observar que as curvas para o filtro passa-alta são imagens invertidas das curvas para o filtro passa-baixa. A interseção das curvas de ganho de tensão com o eixo x conduz ao mesmo valor da freqüência de corte f C , como tinhamos observado no cálculo analítico. Isto significa que o dimensionamento de um filtro RC passa-baixa ou passa-alta pode ser feita simplesmente conhecendo-se os valores de R e C. Considere a possibilidade de inserir um filtro passa-baixa em série com um filtro passa-alta, como ilustrado na Fig. 29. Dependendo dos valores de resistência e capacitância empregado nos dois filtros, podemos estabelecer uma faixa de freqüências na qual o sinal de saída será levemente atenuado e fora dessa faixa o sinal será fortemente atenuado. A este tipo de filtro dá-se o nome de filtro passa-faixa ou filtro passa-banda.

A freqüência de corte é a mesma para o circuito integrador, ou seja

f C =1

/

2

RC

TABELA 5

Resposta em freqüência para o filtro passa-alta.

 

R = 1 k

, C = 1 F

(rad/s)

f (Hz)

log

(graus)

V o /V i

log(V o /V i )

1

0,16

0

89,94

0,001

-3,00000

10

1,6

1

89,43

0,010

-2,00002

100

15,9

2

84,29

0,0995

-1,00216

200

31,8

2,3

78,69

0,1961

-0,70749

1000

159,2

3

45,00

0,7071

-0,15051

10000

1591,5

4

5,71

0,9950

-0,00216

50000

7957,7

4,7

1,15

0,9998

-0,00008

100000

15915,5

5

0,57

0,99995

-0,00002

500000

79577,5

5,7

0,11

1,00000

0

1000000

159154,9

6

0,06

1,00000

0

log C = 3 0 -1 -1 -2 -2 -3 -3 0 1 2 3
log C = 3
0
-1
-1
-2
-2
-3
-3
0 1
2
3
4
5
6
log(V o /V i )

Fig. 27

log

Ganho de tensão versus freqüência angular para o filtro passa-alta.

90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 1 2 3 4
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0 1
2
3
4
5
6
Ângulo de fase, (graus)

Fig. 28

log

Ângulo de fase versus freqüência angular para o filtro passa-alta.

Filtro Passa-Banda (Resposta Senoidal)

Se combinarmos um circuito RC passa-baixa em série com um circuito RC passa-alta, teremos um circuito RC que desempenha o papel de um filtro passa-banda, conforme mostra a Fig. 29. A característica de um filtro passa-banda é o de atenuar a amplitude do sinal cuja freqüência esteja fora da banda passante, isto é, das freqüências que estejam abaixo da freqüência de atenuação do circuito do filtro passa-alta e acima da freqüência de atenuação do circuito do filtro passa-baixa.

V in

C R R C
C
R
R
C

V out

Fig. 29 Circuito do filtro passa-banda.

Circuitos de Corrente Alternada

Circuitos indutivos

Indutância

A indutância elétrica é a medida da capacidade de armazenamento de corrente elétrica por um dispositivo, geralmente com formato de bobina (Fig. 30), conhecido também como indutor. A indutância é definida pela equação:

na qual:

L =

i

(40)

L – indutância da bobina (henry = H) – fluxo magnético que atravessa a área interna da bobina (Wb = T.m 2 ) i – corrente que percorre as espiras da bobina (A)

→ Indução magnética B i i Linhas de fluxo magnético
Indução magnética
B
i
i
Linhas de fluxo magnético

Fig. 30

Esquema do indutor.

A equação (40) é válida para indutores com núcleo de ar, para os quais a permeabilidade magnética é constante e igual a 0 = 4 .10 -7 T.m/A. No caso de indutores com núcleo magnético, a indutância é calculada a partir da derivada do fluxo pela corrente:

L =

d

di

(41)

O elemento de circuito indutor opera sob a ação de corrente ou tensão variável, que

produzem um campo magnético variável

variável, que produzem um campo magnético variável Fig. 31 (a) (b) Símbolos para o indutor (a)
variável, que produzem um campo magnético variável Fig. 31 (a) (b) Símbolos para o indutor (a)

Fig. 31

(a)

(b)

Símbolos para o indutor (a) com núcleo de ar e (b) com núcleo de ferro.

A equação (41) pode se re-escrita como:

 

L

=

d

dt

(42)

 

dt

di

de modo que,

 

d

= L

di

(43)

dt

dt

Sabendo-se pela lei de Faraday do Eletromagnetismo que a variação de fluxo no tempo induz uma diferença de potencial V no circuito elétrico, a equação (43) pode ser escrita como:

 

V = L

di

(44)

 

dt

A potência de um circuito contendo um indutor pode ser calculada como:

P

=

Vi

=

Li

di

=

1

L

di

2

(45)

 
 

dt

2

dt

A energia armazenada na forma de campo magnético no indutor pode ser calculada

tomando-se a corrente i = 0 em t = 0 até a corrente i no instante t qualquer:

 

t

i

E

=

Li

di

dt

=

Li di

=

1

Li

 

dt

2

 

0

0

2

(46)

Transformador de tensão

O transformador é um elemento de circuito constituído por dois indutores acoplados magneticamente por um núcleo de material ferromagnético, através do qual a energia de um indutor é transferido a outro. As suas principais aplicações são para a elevação ou redução da tensão ou corrente, com mínima dissipação de energia por envolver prioritariamente campo magnético (campo não-dissipativo). Para as aplicações eletrotécnicas (50/60 Hz), geralmente o núcleo é de ferro puro ou de ligas de ferro, especialmente de Fe-Si por apresentar baixas perdas histeréticas. Para aplicações em altas freqüências o núcleo é constituído de material de alta resistividade elétrica, como os ferritas, de modo a minimizar as perdas por correntes parasitas. A Fig. 32 mostra os símbolos do transformador com núcleo de ar e com núcleo de

ferro.

Fig. 12

com núcleo de ar e com núcleo de ferro. Fig. 12 (a) (b) Símbolo para o
com núcleo de ar e com núcleo de ferro. Fig. 12 (a) (b) Símbolo para o

(a)

com núcleo de ar e com núcleo de ferro. Fig. 12 (a) (b) Símbolo para o
com núcleo de ar e com núcleo de ferro. Fig. 12 (a) (b) Símbolo para o

(b)

Símbolo para o transformador (a) com núcleo de ar e (b) com núcleo de ferro.

Devido à importância de transformadores em circuitos eletrônicos e de instrumentação, faremos o cálculo das relações entre tensão e corrente para um transformador. Um transformador é um dispositivo magnetoelétrico constituído por dois enrolamentos (um primário, o outro secundário) conectados magnéticamente pelo núcleo de material magnético, conforme mostra a Fig. 33.

N

A C

: Área de seção transversal do núcleo

i i 2 1 N V 2 V 2 1 Primário Secundário
i
i 2
1
N
V
2 V
2
1
Primário
Secundário

1 : Número de espiras

C

: Comprimento do circuito magnético

Fig. 33

Transformador com núcleo de ferro.

Para o cálculo das relações de tensão e corrente no transformador, consideremos inicialmente a lei de Ampère:

H C ◊ d = i (47) Admitindo H constante em C , então o

H

C

d

=

i

(47)

Admitindo H constante em C , então o campo magnético produzido pelo indutor 1 pode ser calculado à partir da integral de (47) como sendo:

H =

N i

1 1

C

(48)

O fluxo magnético induzido no núcleo de ferro é dado por:

= B.A = H .A

C

O fluxo magnético produzido pelo indutor 1:

Derivando o fluxo no tempo:

de modo que:

 

N

11 i A

C

 
 

=

d

=

C

N A

1

C

di

1

dt

di

1

=

C

C

dt

d

dt

 

N A

1

C

dt

(49)

(50)

(51)

(52)

Se considerarmos a resistência elétrica do condutor desprezível, então:

V

1

=

L

di

1

dt

=

L

C

d

N A

1

C

dt

(53)

Considerando que a indutância de um toróide pode ser calculada como:

L =

N

2

A

C

C

que, substituindo em (53), resulta na equação:

(54)

V

1

=

N

1

d

dt

(55)

Embora esta equação tenha sido calculada para um núcleo toroidal, ela pode ser generalizada para qualquer geometria de núcleo, contanto que o fluxo enlaçado pelo núcleo não sofra espraiamento e seja constante em C . A tensão induzida no indutor 2 será gerada pela variação do fluxo magnético d /dt no circuito magnético. Para calculá-la, vamos utilizar a lei de Faraday.

Para calculá-la, vamos utilizar a lei de Faraday. m E ◊ d = d dt (56)

m

E

d

=

d

dt

(56)

onde m é o comprimento de uma espira no circuito 2. Considerando que o circuito magnético possui elevada permeabilidade, ou seja,

1

=

2

=

ou seja,

e, consequentemente,

d

1

d

2

d

=

=

dt

dt

dt

, de modo que:

N

2

consequentemente, d 1 d 2 d = = dt dt dt , de modo que: N

E

m

d

=

V

2

=

N

2

d

dt

V

2

=

N

2

d

dt

(57)

(58)

À partir das equações (55) e (58), podemos escrever a relação entre as tensões V 2 e V 1 :

V

2

=

N

2

V 1 N

1

(60)

Para o cálculo da relação entre as correntes i 2 e i 1 ., podemos considerar que o fluxo nos dois indutores é aproximadamente idêntico, de modo que:

da qual vem que:

ou seja:

N

i

1 1

A

C

C

N i

1 1

= N

i

2

N

1

=

i

1

N

2

2

=

N

2

i

2

A

C

C

i

2

(61)

(62)

(63)

As equações (60) e (63) são empregadas para o cálculo de um transformador ideal, isto é, um transformador para o qual:

(a)

O fluxo da bobina secundária é totalmente enlaçado pelo fluxo na bobina primária;

(b)

Não há perdas no ferro e nem nos condutores;

(c)

O núcleo não está saturado e a sua permeabilidade magnética é linear com relação ao campo magnético H.

Podemos observar que quando o número de espiras no primário é maior do que no secundário, o transformador abaixa a tensão e eleva a corrente no secundário e vice-versa.

Circuitos RL

O elemento de circuito indutor é comumente empregado juntamente com o resistor

como filtro para sinais de alta freqüência em analogia com os circuitos RC e também na modelagem de circuitos de potência como motores , geradores e transformadores, acoplados a cargas resistivas.

V i

R i
R
i

Fig. 34

Circuito RL em série

L

A equação que descreve o circuito da Fig. 34 pode ser expressa como:

Ri + L

di

dt

=

V

i

(64)

Para obtermos a solução da equação diferencial ordinária (64), vamos estabelecer dois tipos de estímulo em V i : a função degrau e a função senoidal. Enquanto no primeiro tipo de estímulo vamos resolver analiticamente (64), no segundo tipo, o tratamento será o mesmo aplicado para o circuito RC senoidal, isto é, solução por fasores.

Resposta do circuito RL série ao degrau.

Novamente,

consideremos

a

matematicamente como:

função

V i

como

a

função

degrau,

definida

V

i

=

0,

V

S

,

t

t

0

>

0

(65)

o que representa uma excitação constante V 0 a partir do instante inicial t = 0. O gráfico da Fig. 35 apresenta a função degrau.

V

i

V

0. O gráfico da Fig. 35 apresenta a função degrau. V i V S 0 t
0. O gráfico da Fig. 35 apresenta a função degrau. V i V S 0 t

S

O gráfico da Fig. 35 apresenta a função degrau. V i V S 0 t =
O gráfico da Fig. 35 apresenta a função degrau. V i V S 0 t =

0 t = 0

t

Fig. 35

Gráfico da função degrau

Em t = 0, a corrente aplicada ao circuito é armazenada no indutor na forma de campo magnético, em analogia à carga acumulada no capacitor no circuito RC. A equação diferencial (64) pode ser integrada por separação de variáveis, como:

cuja solução é dada por:

na qual:

i t di = V s 0 R i 0 V s ( t /
i
t
di
=
V
s
0
R
i
0
V
s
(
t /
i
=
1
e
R
L
=
R

R

L

)

dt

(66)

(67)

(68)

é a constante de tempo do circuito RL. A tensão sobre o indutor é calculada a partir da

equação:

di

(69)

V

L

=

L

= V e

t /

dt S

As Figuras 36 e 37 apresentam as curvas de corrente normalizada (i/i 0 , onde i 0 = V S /R)

e de tensão sobre o indutor normalizada (V L /V S ) versus tempo normalizado (t/ ). A resposta

do circuito RL é semelhante à do circuito RC para um estímulo na forma degrau. Entretanto, algumas diferenças cumpre enfatizar: primeiro, a corrente vai de zero até o valor em regime, pois quando a tensão degrau é aplicada, i = 0 e di/dt = máximo; segundo, a força eletromotriz induzida sobre o indutor (V L ) é alta no início mas, à medida que V L diminui, a corrente aumenta e, concomitantemente, di/dt decresce (pois, V L = Ldi/dt). Ambas as curvas apresentam comportamento exponencial (crescimento na corrente e decaimento na tensão).

No circuito RL, a constante de tempo = L/R determina a taxa de crescimento e de decaimento da curva exponencial, de maneira análoga à constante = RC no circuito RC.

1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0 1 2 3 4 5 6 7 Corrente
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0 1
2
3
4
5
6
7
Corrente normalizada, i/i 0

Fig. 36

tempo em constante = L/R

Curva de corrente normalizada em função do tempo t/ para o circuito RL em série.

1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0 1 2 3 4 5 6 7 Tensão
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0 1
2
3
4
5
6
7
Tensão normalizada, V L /V S

Fig. 37

tempo em constante = L/R

Curva de tensão normalizada sobre o indutor para o circuito RL em série.

Resposta do circuito RL série à excitação senoidal.

O circuito RL comporta-se como um circuito divisor de tensão dependente da freqüência. Para uma corrente de excitação senoidal (i L = i 0 sen t), a tensão V L sobre o indutor aumenta com a freqüência, pois:

V

L

=

L

di

dt

=

Li cos

0

t

=

Li sen(

0

t

+

90

o

)

(70)

Esta equação estabelece que a tensão está adiantada 90 o em relação à corrente. Este comportamento é exatamente o oposto ao do circuito capacitivo, no qual a tensão está atrasada 90 o em relação à corrente.

A reatância indutiva X L é definida como:

X

L =

L

A impedância de um indutor ideal é expressa como:

Z

L

=

jX

L

=

j

L

que é representado em notação fasorial como:

Z

L

= X

L

90

o

(71)

(72)

(73)

Para um circuito RL em série, podemos desenvolver as expressões para o ganho de tensão e para o ângulo de fase de maneira análoga ao circuito RC. Se o fasor de tensão V in for expresso como:

o = V 0 V in 1 e a impedância do circuito RL como: 2
o
= V
0
V in
1
e a impedância do circuito RL como:
2
Z =
R
+
jX
=
R
2 +
X
arctg(X
L
L
V
Aplicando a expressão:
V = ZI
I =
, resulta:
Z
I =
V 1 arctg(X
L / R)
2
2
R
+ X
L

L

/ R)

(74)

(75)

Como no circuito RC em série, a tensão de saída no circuito RL pode ser lida de duas formas distintas: sobre o resistor (circuito integrador) e sobre o indutor (circuito diferenciador), conforme mostrado na Fig. 38.

L V in V out i R
L
V in
V out
i
R

(a)

R V in V out i L
R
V in
V out
i
L

(b)

Fig.38

Circuito RL (a) integrador e (b) diferenciador.

Quando a tensão é lida sobre o resistor, o ganho de tensão do circuito é dado por:

V R R R = = V 2 2 Z R + X in L
V
R R
R
=
=
V
2
2
Z R
+ X
in
L

arctg(X

L

/ R) =

R 2 2 R 2 + L
R
2
2
R
2 +
L

A amplitude do ganho é calculada como:

e

o ângulo de fase por:

V R R = V 2 2 2 R + L in = arctg( L
V
R
R
=
V
2
2
2
R
+
L
in
= arctg(
L / R)

arctg(

L / R)

(76)

(77)

(78)

Quando a tensão é lida sobre o indutor, o ganho de tensão se torna:

V Z L X L L = = V 2 2 Z R + X
V
Z L
X L
L
=
=
V
2
2
Z R
+ X
in
L

90

o

arctg(X

L

/ R)

=

L 2 2 R 2 + L
L
2
2
R
2 +
L

A amplitude do ganho é calculada como:

e

o ângulo de fase por:

V L L = V 2 2 2 R + L in o = 90
V
L
L
=
V
2
2
2
R
+
L
in
o
=
90
arctg(
L / R)

90

o

arctg(

L / R)

(79)

(80)

(81)

A potência consumida num indutor ideal é zero porque, como no caso do capacitor, o

ângulo de fase entre a tensão e a corrente é de 90 º . Para um indutor real, a potência consumida

é calculada a partir da resistência elétrica do fio utilizado no enrolamento da bobina.

Como a reatância indutiva é dependente da freqüência e como um indutor real possui resistência, uma propriedade denominada fator de qualidade Q de um indutor é definida e é expressa como:

Q =

X

L

R

R

(82)

Quanto maior o fator de qualidade para uma dada freqüência, menor será a resistência elétrica da bobina.

Circuitos LC

Os circuitos LC são comumente empregados em filtros de alta freqüência e também em circuitos sintonizados, principalmente em transmissão de sinais de rádio-freqüência. Eles apresentam como principal característica a ressonância, isto é, a capacidade de amplificar um sinal a uma dada freqüência de sintonia, daí o fato de serem largamente utilizados em circuitos de recepção de sinais de rádio, nos quais os sinais fora da freqüência de ressonância são filtrados e o sinal na freqüência de ressonância é ampliado. Existem dois tipos de circuitos LC: série e paralelo. Ambos os circuitos são constituídos por um capacitor e um indutor. A Fig. 39 apresenta os circuitos LC série e paralelo.

X

L

(a)
(a)

Fig. 39

L C L C
L
C
L
C

(b)

Circuitos LC (a) série e (b) paralelo.

A ressonância ocorre quando

= X

C

, ou seja,

as reatâncias

L

=

1

C

indutiva e capacitiva

2 1

=

LC

forem

iguais,

(83)

Para uma dada combinação de L e C, isto ocorrerá somente em uma única freqüência, que pode ser calculada de (83), sabendo que f = /2 :

f 0

=

1

2 LC
2
LC

(84)

Chamamos de ressonância ou freqüência de ressonância, a freqüência de oscilação própria do circuito. A física do processo de ressonância pode ser explicada em termos simples através dos circuitos esquemáticos desenhados na Fig. 40. Vamos supor que, inicialmente, uma tensão seja aplicada entre os terminais do capacitor. Quando isto ocorrer, o capacitor se carregará (Fig. 40a). A energia armazenada no capacitor na forma de energia elétrica U E é expressa como:

U

1

=

E 2

CV

2

(85)

Consideremos, agora que o capacitor está carregado, que a tensão de alimentação seja removida. Quando a tensão for retirada, o capacitor terá o potencial V, que conectado a um indutor descarregado, tenderá a anular o potencial elétrico, gerando uma corrente através do indutor (Fig. 40b). Esta corrente induzirá um campo magnético quando circular pelo indutor. Quando o potencial no capacitor for zerado, toda a energia do circuito estará armazenada no indutor na forma de energia magnética U B (Fig. 40c):

U

1

=

B 2

Li

2

(86)

Quando a corrente cessar, o campo magnético começará a diminuir, criando assim por indução nas espiras do indutor, uma corrente contrária à que lhe criou. Esta corrente carregará o capacitor com polaridade contrária a anterior. Observe o sentido das setas das linhas equipotenciais elétricas no capacitor nas Fig. 40d e 40e. Quando o campo magnético se findar, a corrente deixará de circular e o capacitor estará carregado (Fig. 40e). Novamente, o processo de descarga do capacitor e de carga do indutor é retomado (Fig. 40f e 40g) e continuará assim, indefinidamente. Este tipo de circuito oscilador recebe o nome de circuito tanque, pois os elementos capacitor e indutor agem como reservatórios de energia. Na prática, circuitos LC são ideais, pois capacitores e indutores reais possuem perdas e a dissipação da energia na forma de calor levará ao consumo da energia fornecida pela fonte externa no início do processo. Se medíssemos a variação de tensão sobre o capacitor ou o indutor veríamos um sinal alternado de forma senoidal e freqüência própria de ressonância. Em freqüências inferiores e superiores à freqüência de ressonância, a impedância do circuito LC série (Fig. 40a) aumenta, enquanto que a corrente diminui. Da mesma forma, próximo ou igual à freqüência de ressonância, a impedância diminui e a corrente aumenta. Em circuitos ressonantes paralelo (Fig. 40b), próximo à freqüência de ressonância, a impedância aumenta e a corrente diminui. No caso contrário, ou seja, quando a freqüência estiver distante da freqüência de ressonância, a corrente aumentará e a resistência diminuirá.

Fig. 40 Ciclo de oscilação de um circuito LC não-dissipativo. Os gráficos de barra representam

Fig. 40 Ciclo de oscilação de um circuito LC não-dissipativo. Os gráficos de barra representam a energia magnética (U B ) e elétrica (U E ) armazenada, respectivamente, no indutor e no capacitor (Halliday, 1993).

O grau com que estas mudanças ocorrem com freqüências superiores e inferiores a de ressonância é uma medida de “habilidade” do circuito de separar (discriminar) freqüências. Essa habilidade é calculada através do fator de qualidade do circuito, e que pode ser calculado para circuitos indutivos e capacitivos:

Q =

X

L

R

R

ou

Q =

X

C

R

(87)

Acrescentando-se um resistor em série com o circuito série, ou em paralelo com o circuito paralelo, aumenta-se a faixa de passagem ou, em outras palavras, diminui-se o Q.

Referências bibliográficas

DIEFENDERFER, A.J. Principles of electronic instrumentation. Philadelphia, PA: Sauders College Publishing, 1979.

HALLIDAY, D., RESNICK, R., WALKER, J. Fundamentals of physics – Extended with modern physics. New York: John Wiley, 1993.