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Por que os jovens usam drogas?

Tornou-se comum para psicólogos e psiquiatras acreditarem


que há uma relação causal entre o uso de drogas e a
desestrutura familiar ou a problemas financeiros. Mas isso não
é uma verdade. Os dados nos mostram que é cada vez maior
o uso de drogas em famílias abastadas, aparentemente
estruturadas, com diálogo, compreensão e afeto. Os dados
derrubam a tese de que um problema desta ordem pode
acometer apenas famílias desorganizadas, pobres e amorais.
Citaremos aqui o caso do Crack que é comumente associada à
classe de baixa renda, em particular, associada a menores
abandonados, prostitutas e mendigos. “O crescimento do
consumo de crack entre jovens abastados pode ser recente,
mas avassalador. Por mês, Rubens de Campos filho atende
400 pessoas com os mais diversos distúrbios, como depressão,
estresse, fadiga. Problemas com drogas representam um terço
do movimento do seu consultório, 70% fumam crack, todos de
classe média e alta”. (UCHÔA, 1996, p.133)
Segundo Marco Antônio Uchôa, jornalista da Globo, o
primeiro sinal significativo de que o crack invadiu a família de
classe média foi dado em outubro de 1995 com a morte de
Cristiane Gaidies, uma moça de 20 anos, filha de uma
psicóloga e um dentista. Ela foi morta por tentar roubar um toca
fitas. A família tentou de tudo, diálogos, internações, mudanças,
mas nada adiantou. “Antes de ser assassinada, a moça de
cabelos cor de mel, olhos expressivos e sorriso claro morava
com outros viciados em crack num casarão abandonado na
mesma rua onde morreu (...). O casarão sujo e úmido, é a
referência de crack nas imediações da avenida Paulista e
abriga mendigos, prostitutas, travestis e viciados”. (UCHÔA,
1996, p.133).
Se as drogas não estão associadas à desestrutura familiar
ou à carência material e intelectual, então, por que os jovens
usam drogas? O problema das drogas não é somente um
problema familiar, uma vez que ela atinge famílias bem
estruturadas, com afeto e boa educação. O uso de drogas são
os meios que os indivíduos usam para buscar mais prazer do
que a sociedade oferece e para aliviarem suas frustrações e
insatisfações com uma sociedade que perdeu seus valores, que
se tornou relativista e fragmentária. Os ritmos de mudança na
sociedade contemporânea são muito rápidos, deixando os
indivíduos desorientados e pressionados pelas exigências do
dia-a-dia. Vivemos uma época onde a família como formadora
da individualidade se fragmentou, onde não há mais valores
pré-estabelecidos, onde a ética individualista do lucro tornou-se
a moral social, onde a racionalidade do capital transformou o
consumo em necessidade orgânica e onde Deus se tornou
mercadoria barata. Os jovens usam drogas porque não há
mais rumos pré-estabelecidos, não há mais valores, não há
mais limites, somente o que importa é a busca do prazer
imediato. A sociedade criou um mundo consumista onde os
jovens vivem de prazeres imediatos e são criados sem
frustrações diferentemente de seus pais. Eles estão
desorientados, não têm limites e sofrem a pressão do mundo
externo que os obriga a serem “alguém na vida”. As drogas
são os meios que o indivíduo busca para aumentar o nível de
prazer que as coisas não podem oferecer e para se livrar das
tensões dos estímulos causados por uma realidade repressiva,
que desumanizou o homem e humanizou o dinheiro e os bens
materiais. O homem se tornou apenas uma coisa, um objeto,
um parafuso em uma engrenagem. Ele é apenas um número:
um número de RG, um número de CPF, um número na escola,
um número na empresa, um número na guerra. É algo
substituível, o puro nada. Dessa forma, as drogas se proliferam
como narcóticos que aliviam as tensões, causam prazer e
fornecem um “mundo melhor” para se viver. Elas produzem um
alívio momentâneo, mas potente, que altera o funcionamento
bioquímico do cérebro, possibilitando a sensação de prazer,
mas que as vezes tem se tornado um caminho sem volta.

UCHOA, Marco.A. Crack: o caminho das pedras. Ática: São


paulo, 1996.