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TEORIA DOS PARTIDOS

POLÍTICOS: A DISCUSSÃO
CONTEMPORÂNEA

Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy


FCL-UNESP-CAr
kerbauy@travelnet.com.br
INTRODUÇÃO
• Podemos apontar quatro
estágios no entendimento do
desenvolvimento dos
partidos e sua relação com a
sociedade civil e o estado.
INTRODUÇÃO

• 1º) Regime censitário liberal –


século XIX – sufrágio restritivo
que impedia a participação nas
atividades políticas dos que não
possuíam propriedades.
INTRODUÇÃO
• Pessoas que criavam os elementos
politicamente relevantes da
sociedade e as que ocupavam as
posições de poder no estado. Os
partidos se constituíam no comitê
das pessoas que se organizavam
em defesa de seus interesses
públicos ou privados.
INTRODUÇÃO
• O desenvolvimento dos partidos está
relacionado à evolução dos
parlamentos nacionais e ao
crescimento do tamanho do eleitorado
na segunda metade do século XIX.
• Os partidos passam a se organizar a
partir da extensão do sufrágio
(industrialização e urbanização) e a
organização de notáveis nas
localidades.
INTRODUÇÃO
• Neste período • Formado por notáveis
podemos que preparam eleições e
identificar a conduzem campanhas, o
formação de um partido de quadros
modelo de partido possui uma estrutura
que mais tarde baseada no prestígio
seria definido por pessoal de algumas
Maurice Duverger pessoas cujos contatos
como partido de podem prover
quadros. sustentação aos
candidatos e assegurar-
lhes votos.
INTRODUÇÃO
• A adesão ao partido é dada
levando-se em conta atos
pessoais e qualidades
individuais. Sua seleção é
restrita, rígida e exclusiva.
INTRODUÇÃO
• 2º) Consiste no aparecimento do
partido de massa. Diferente do partido
de quadros, o partido de massa baseia-
se na estruturação do voto popular, na
integração e mobilização da massa e
cidadãos, na agregação de diversos
interesses, no recrutamento de líderes
para cargos públicos e na formulação
de políticas públicas.
INTRODUÇÃO
• Está associado à extensão dos
direitos democráticos.

• Neste momento as eleições tornam-


se escolhas para delegar não
apenas confiança ou ainda, o
consenso para serem governados
por aqueles eleitos.
INTRODUÇÃO
• As eleições tornaram-se um legado
na qual o governo passou a
assegurar responsabilidade perante
os eleitores.

• Os partidos representam a ponte ou


a ligação entre o estado e a
Sociedade Civil.
INTRODUÇÃO
• 3º) Catch-all parties. Os partidos
de quadros tornaram-se
inadequados para solicitar,
mobilizar e organizar supportes.
Os partidos tradicionais passaram
a enfatizar o papel da organização
de massa como colaboradores do
partido parlamentar.
INTRODUÇÃO
• Ao invés de recrutarem
membros, optou-se por uma
tentativa de atrair supportes de
todas as classes que pudessem
manter o compromisso com a
idéia de defesa de um interesse
nacional único.
INTRODUÇÃO
• O modelo catch-all de partidos objetiva
uma audiência ampla e sucesso eleitoral
mais imediato. Neste modelo a relação
entre partidos e estado assume um
caráter no qual os partidos são menos
agentes da sociedade civil que
penetram no estado, e mais um
intermediário entre a sociedade civil e o
estado, quando encontram-se no
governo.
INTRODUÇÃO
• Os partidos agregam e
apresentam demandas da
sociedade civil à burocracia
estatal e, ao mesmo tempo
constituem-se em agentes desta
burocracia em defesa de
políticas para o povo.
INTRODUÇÃO
• A transição destes tipos de partidos envolvem
várias mudanças:
– a redução da bagagem ideológica do partido
– fortalecimento do grupo de líderes
– diminuição da importância do papel dos
membros individuais dos partidos
– não ênfase em classes sociais específicas,
privilegiando um recrutamento de eleitores entre
a população em geral
– segurar acesso para uma variedade de grupos de
interesse
– questão financeira, porém não a mais importante.
INTRODUÇÃO

• O partido está interessado


em garantir suporte
eleitoral via interseção de
grupos de interesse.
INTRODUÇÃO
• 4º) Cartel Party. Caracterizado pela
interpenetração do partido e estado e
também por um modelo de conluio inter-
partidário.
• O cartel de partidos funciona num contexto
social e político particular, no qual os
partidos por razões de convivência, podem
se identificar em períodos distintos. A
emergência deste modelo não implica na
eliminação dos demais partidos.
INTRODUÇÃO
• A principal característica que
envolve os modelos de partidos
diz respeito às metas políticas e
a base de competição inter-
partidária que seguem em cada
período.
1º PERÍODO
• Dominância dos partidos de
elite. As metas políticas e
conflitos giravam em torno
da distribuição de privilégios
e os partidos competiam na
base do status atribuído a
seus aderentes.
2º PERÍODO
• Com o desenvolvimento dos
partidos de massa, a
competição passou a girar
em torno da reforma social e
os partidos competiam de
acordo com sua capacidade
representativa.
3º PERÍODO
• Com a emergência do catch-
all as metas políticas
continuaram a serem
propostas, porém passaram a
envolver questões de
aperfeiçoamento social ao
invés de grandes reformas.
• Os partidos passaram a
competir menos com base
em suas capacidades
representativas e mais com
base na sua eficiência de
policy-making.
4º PERÍODO
• Cartel Party. As metas políticas
tornam-se mais um alto-referencial,
a política torna-se uma profissão –
uma profissão habilidosa, na qual a
competição inter-partidária é
limitada e se baseiam mais nas
reivindicações para um governo
mais eficiente e efetivo.
CARTEL PARTY

• se caracteriza como um
agente do Estado, onde
grupos de líderes competem
pela oportunidade de ocupar
cargos no governo.
CARTEL PARTY
• Demoracia, neste processo, baseia-se em
favores públicos concedidos pela elite e
não no envolvimento público no processo
de policy-making.

• Os eleitores devem se interessar apenas


pelos resultados e não pela política
administrativa – que é dominada por
profissionais.
PARTIDOS
• tornam-se uma sociedade
de profissionais e não
associações de ou para
cidadãos.
PARTIDOS
• Os estudos sobre partidos têm se orientado em
várias direções
– aqueles que examinam os partidos do ponto de
vista das funções que desempenham
– aqueles que se preocupam com a caracterização
dos partidos
– aqueles que analisam do ponto de vista de sua
estrutura
– aqueles que analisam do ponto de vista
ideológico
– aqueles que buscam compreender os partidos a
partir do seu papel histórico.
• Existem três formas através das
quais a teoria trabalha os sistemas
partidários, o que tem trazido
dificuldades para uma análise
comparada pois a referência
empírica são os países da Europa
Ocidental e os Estados Unidos. A
variedade de tipos de sistemas em
que se apoia a maior parte das
teorias é muito limitada.
1ª FORMA
• uma primeira referência
para a tipologia dos
sistemas partidários se
baseia na obra de
Giovanni Sartori.
SARTORI PROPÔS
• comparar os sistemas partidários
democráticos segundo dois eixos
principais:
– o número de partidos – incluiu aí os que
têm condições de formar uma coalização
de governo e aqueles cuja existência influi
nas táticas da competição inter-partidária;
– o grau de polarização ideológica que diz
respeito a amplitude do conflito ideológico.
SARTORI
• Com essas duas dimensões, construiu uma
tipologia que compreende quatro tipos de
sistemas partidários democráticos:
– bipartidarismo
– pluralismo moderado (multipartidarismo de baixa
polarização ideológica)
– pluralismo polarizado (multipartidarismo de alta
polarização ideológica)
– sistema de partido dominante (no qual o mesmo
partido sistematicamente conquista a maioria das
cadeiras no Legislativo).
PARA ALGUNS AUTORES
• tratar todos os sistemas
multipartidários como uma
categoria indiferenciada, não dá
conta das diferenças no grau de
institucionalização dos sistemas
partidários (alta volatilidade, casos
extremos de personalismo,
existência de dois partidos).
CONCEITO DE
INSTITUCIONALIZAÇÃO
• diz respeito a um processo pelo qual
uma prática ou organização se
estabelece e é amplamente reconhecida,
quando não universalmente aceita... Na
política, o conceito de
institucionalização implica que os atores
tem expectativas claras e estáveis à
respeito do comportamento de outros
atores (MAINWARING, 2001, p. 56).
2ª FORMA
• A partir da década de 60, Lipset e
Rokkan chamam a atenção para a forma
como as clivagens sociais influenciam
na formação dos partidos. Esta linha de
análise baseia-se na idéia de que as
identidades sociais como as de classe,
religião, etnia e região estabelecem uma
base de interesses comuns e em
conseqüência geram afinidades
partidárias duradouras.
3ª FORMA
• Nas democracias de “terceira onda”
(Huntington) ressalta-se a
necessidade de dar maior atenção à
capacidade do Estado e das elites
políticas de reestruturar de cima para
baixo os sistemas partidários (por
ex., mudando as legendas e
incentivando fusões e cisões).
PARTIDOS POLÍTICOS
• Uma questão importante em relação a
bibliografia da ciência política sobre o
tema diz respeito à importância ou não
dos partidos políticos como as mais
influentes organizações de mediação
política do mundo moderno.
• O questionamento sobre a importância
ou não dos partidos políticos assume
maior relevância porque passaram a
existir controvérsias sobre sua
importância no processo democrático.
PARTIDOS POLÍTICOS
• Apesar de todas as suas
deficiências, os partidos
sempre foram considerados
instituições absolutamente
indispensáveis para a
construção democrática de
uma nação.
PARTIDOS POLÍTICOS
• Uma das evidências apontadas
como conseqüência do
descrédito dos partidos é o
surgimento de grupos de
interesses e movimentos
sociais, que tiram dos partidos
parte da justificativa para sua
existência.
PARTIDOS POLÍTICOS
• Para alguns autores os partidos são
fundamentais para a democracia
pois criam identidades políticas,
estruturam escolhas eleitorais,
recrutam candidatos, organizam
eleitores, definem a estrutura
política legislativa e determinam o
rendimento do governo.
• O fato é que não há consenso
sobre a validade, ou não, da
generalização acerca do declínio
da importância dos partidos
políticos. Apesar das
controvérsias, eles continuam
sendo o mecanismo formal mais
visível da ligação entre o estado
e o cidadão, entre os
governantes e os governados.
PARTIDOS POLÍTICOS

• O que a literatura aponta de fato


são mudanças na concepção de
partidos políticos e o seu papel
no mundo contemporâneo.
PARTIDOS POLÍTICOS
• De acordo com • Partido no
Key (1964) Politics, eleitorado
Parties and • Partido como
Pressure Groups o organização
funcionamento do • Partido no governo
partido pode ser
analisado a partir
de três
perspectivas:
PARTIDOS POLÍTICOS

• Em cada uma destas


esferas o partido
possui funções
específicas a cumprir.
ESFERA DO ELEITORADO
• os partidos tem a função de
simplificar as escolhas para o
eleitorado e reduzir o custo da
informação, educar os cidadãos,
gerar símbolos de identificação e
lealdade e mobilizar pessoas
para participar da vida política.
COMO ORGANIZAÇÕES
• os partidos tem a função de
recrutar lideranças políticas
para ocuparem postos no
governo, treinar elites
políticas, articular e agregar
interesses políticos.
NO GOVERNO
• os partidos devem criar maioria,
organizar o governo, implementar
objetivos políticos, organizar
discordâncias e oposições,
segurar responsabilidades para as
ações do governo, controlar a
administração e manter a
estabilidade do governo.
• Todas estas funções
sofreram modificações
nas democracias
modernas.
Esfera do partido no
eleitorado
• nota-se um enfraquecimento dos
laços partidários e uma
diminuição da identidade
partidária, até a poucos anos o
mais importante conceito
referente ao comportamento
político.
Esfera do partido no
eleitorado
• A modernização e a mobilização
cognitiva gerou um quadro em que
pessoas jovens, bem educadas e
politicamente sofisticadas aderem
a uma concepção não partidária de
participação para defenderem seus
interesses no processo político.
Esfera do partido no
eleitorado
• O desalinhamento partidário traz
como conseqüência o crescimento
da volatividade e a fragmentação
partidária, além do declínio da
participação em campanhas e do
trabalho voluntário em partidos.
• Há uma perda de mobilização dos
partidos e a erosão da lealdade
partidária.
Esfera do partido na
organização
• Os partidos tem mantido sua função
tradicional de selecionar candidatos
aos postos de governo.
• Algumas modificações foram
notadas: declínio do número de
membros (filiados) e mudança na
comunicação política e novas
tecnologias de campanha.
Esfera do partido na
organização
• Os partidos estão se adaptando
como organizadores de campanha,
preocupando-se mais com a
construção de uma imagem política
(marketing).
• Estão mais centralizados,
fortalecendo seu comitê partidário
nacional.
Esfera do partido na
organização
• Seus membros estão mais
profissionalizados e possuem uma
variedade de habilidades técnicas
específicas, o que tem elevado o
custo da campanha partidária. Os
partidos estão gastando mais, num
momento em que o número de
membros e, portanto, de contribuintes
financeiros tem se reduzido.
Esfera do partido na
organização
• A alternativa encontrada:
– o estado como fonte de fundos
através do financiamento de
suas campanhas
– propaganda eleitoral gratuita
– outros subsídios estatais
Esfera do partido na
organização
• Tais recursos visam fortalecer a
organização partidária e seu papel
nas campanhas eleitorais.
• Os partidos se beneficiam,
financeiramente e eleitoralmente de
algumas funções que fazem deles
essenciais para o processo
democrático, tais como socialização,
mobilização e representação.
Esfera do partido na
organização
• Embora a mídia e outros atores políticos
tenham assumido algumas dessas funções
é muito difícil substituir o partido na sua
função de mobilizar eleitores e representar
suas visões.
• Os grupos de interesse podem ser mais
articulados em expressar os interesses
dos cidadãos, porém não agregam
interesses conflitivos e não executam as
políticas de governo.
Esfera do partido no
governo
• a importância dos partidos
políticos justifica-se no controle
de legislaturas individuais que
controlam e por assegurarem
governos responsáveis. Os
partidos possuem papel
privilegiados no processo
Legislativo.
Esfera do partido no
governo
• No entanto, para alguns
observadores os partidos
continuam fazendo políticas
legislativas relativamente
imunes às tendências de
desalinhamento verificada nas
outras esferas.