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Ab r i l d e 2 0 1 1

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boletim

Novas estratégias Especial DVDteca


As muitas possibilidades de ver, Arte na Escola
pensar e ensinar arte a partir
Documentários sobre arte brasileira e materiais
da DVDteca.
educativos com tecnologia inovadora para o ensino
da Arte chegam a 100 mil escolas públicas.
Ricardo Basbaum, sur, sul, south, 2010 - No alto esquerda: diagrama (passagens), 2001, dimensões variáveis

Inventores
Como professores estão utilizando
o acervo da DVDteca em suas
práticas pedagógicas.
editorial FalaProfessor Celeiro de Ideia s
Trinta documentários da DVDteca Que vídeo você já usou em suas aulas de arte Juliana Carnasciali e Eliana Tumolo Dias Leite, ambas arte-educadoras
Arte na Escola foram selecionados e gostaria de indicar? Por quê? na cidade de São Paulo, têm também em comum o uso da DVDteca Arte
pela Secretaria de Educação a Distância na Escola em suas práticas pedagógicas. Integrante de um grupo de
do MEC para compor a caixa do projeto > Utilizei os vídeos de Mestre Didi e Nazareth Pacheco.
Gosto da possibilidade de apresentar nas aulas a obra de estudos cujo foco era a Tecnologia Rizomática do Ensino da Arte, que
DVD Escola/Arte que chegaram a 100.000
escolas Brasil afora. Entre eles, estão artistas que possam suscitar múltiplas discussões. Eles embasa os materiais educativos (leia nas págs 4 e 5), Juliana fala das
são representantes da produção contemporânea brasileira, “infinitas possibilidades” de trabalho a partir dela. Eliana, que conheceu o
títulos como “Isto é arte?”, “A cor da
vivos, e se expressam por meio de suportes pouco conven-
criação (Paulo Pasta)” e “Nuno Ramos: material educativo em um seminário de dois dias, conta como a
cionais. O vídeo permite o acesso ao lado humano implí-
arte sem limites”. O envio gratuito des- cito nos objetos artísticos. É como se, por alguns minutos, cartografia dos territórios da Arte passou a integrar a sua prática docente.

diagrama (série arte&vida), 1994 Coleção Museu de Arte Contemporânea de Niterói


tas mídias acompanhadas de material participássemos da intimidade de seus criadores, acompa-
educativo para o professor talvez seja a nhássemos a rotina dos ateliês, compreendêssemos FORMAÇÃO > Falar da DVDteca Arte na Escola e de PRÁTICA > Conheci o material em maio de 2006 no
maior difusão já feita de recursos peda- melhor suas ideias, os processos de trabalho, a relação sua proposta rizomática é poder sentir, em todo meu “Seminário Cartografias para o Ensino da Arte: Provocando
gógicos para as aulas de Arte. Produzido imprescindível entre vida e obra. corpo de arte- educadora, a aproximação de infinitas Estalos para mover uma DVDteca”. Foram dois dias ines-
pelo Instituto Arte na Escola, os mate- Nilton Xavier Bezerra / Apodi (RN) possibilidades de trabalho. quecíveis a convite do Instituto Arte na Escola, quando
riais seguem uma abordagem rizomática Uma proposta que intriga o professor, deslocando o seu arte-educadoras apresentaram o material educativo e os
baseada em Delleuze e Gattari que > Trabalhei com o DVD "Ilusões fotográficas", de Vik Muniz. olhar, desde o início da apresentação. Na verdade, há um DVDs, junto às autoras Miriam Celeste Martins e Gisa
mapeia nove territórios da O documentário fala desse processo de criação e trajeto pro- convite para o professor deixar o mundo por alguns Picosque. Na época fiquei com gostinho de quero mais,
fissional do artista. Os alunos podem compreender o concei- minutos e entrar no universo da arte por inteiro, para, esperando ansiosamente poder utilizar esse rico meio de
arte.Concebido para atender a diferentes
to da arte contemporânea gerando reflexão e discussão após certo passeio, experimentar uma espécie de transi- pesquisa e aprendizado por meio do Rizoma das
níveis de ensino, conteúdos e currículos,
sobre o que são arte, fotografia e arte efêmera. Os exercícios ção metafórica. Convida a pesquisar, a conhecer, a inves- Cartografias para o ensino da arte. O material educativo
o material é capaz de subsidiar o pro-
são diversos: construção de imagens com açúcar, café e tigar, conectar, expandir, relacionar, ir e voltar, fazer esco- que acompanha os DVDs possui palavras-chave, proporcio-
fessor em sua difícil tarefa de dar aulas terra, construção de imagens com olhar, fotografando luga- lhas, quantas vezes for necessário ou desejar. nando-nos caminhos diversos rumo ao fazer artístico e as
de arte com arte. res inusitados da escola. O que mais chamou a atenção dos Aliás, o desejo é fator essencial para lidar com este mate- experiências com e na arte.
Este boletim mapeia, justamente, dife- alunos foi o "light paint" – pintura com luz fazendo uso da rial, pois ele oferece muitas entradas e as direções e deci- Trabalho com os cadernos do professor e do aluno referen-
rentes possibilidades e direções variadas máquina fotográfica. O DVD é simplesmente completo. sões de percurso a partir dele ou com ele devem ser rea- tes à Proposta Curricular do Estado de São Paulo – que uti-
de ensino para que o professor possa Recomendo. lizadas como o sujeito que os manipula. Uma das funções lizam a Tecnologia Rizomática do Ensino da Arte – desde a
se inspirar nas melhores práticas e Helen Cardoso / Santo André (SP) fundamentais da DVDteca é colocar o sujeito a “proposi- sua implantação e sempre utilizo os links e indicações de
venha nos contar, via e-mail, a sua tar”. Ou seja, propor dispositivos, agenciamentos criado- livros, glossário e títulos da DVDteca Arte na Escola para
experiência em sala de aula. > Usei o DVD "Trajetória da Luz na Arte Brasileira", de Paulo res de novas subjetividades. Afinal, a beleza destes DVDs pesquisas. No início foi difícil por não ter acesso aos DVDs
Herkenhoff. Gosto de pensar neste DVD como uma introdução é agir sobre ele e, a seguir, propor inventivamente. que ampliam possibilidades de conhecimento da arte e dos
às Artes Visuais, com novos alunos e sondagem de seus
Bom proveito! É fazer com que nós, professores, nos sintamos, como os artistas contemporâneos, tanto para nós, professores, pro-
conhecimentos. Começo por desmistificar alguns conceitos. O artistas, cada vez mais libertos para inventar nossos per- positores e pesquisadores, como para nossos alunos,

2 Evelyn Berg Ioschpe


Presidente do Instituto Arte na Escola
evelyn@artenaescola.org.br
primeiro é que, sim, existe uma produção intensa e forte de
arte brasileira. Neste vídeo podemos introduzir esse pensa-
mento e valorizar os distintos aspectos da nossa cultura.
cursos dentro da sala de aula, preenchendo de sentido o
ato de arte educar, aproximando-o cada vez mais de sua
essência.
carentes de contato com a arte. Antes de recebê-los na
escola, pedia-os emprestados no Polo da Rede Arte na
Escola, apesar das dificuldades para buscá-los e devolvê-
3
Isaac Kassardjian II / São Paulo (SP) O material nos dá sempre um ponto de partida e expan- los. Agora, com a caixa do projeto DVD Escola/Arte à dis-

expediente
O Boletim Arte na Escola é ISSN 1809-9254
> Como coordenadora pedagógica, assisti a todos os vídeos.
Acho-os muito importantes para uso em sala de aula. Trabalho
em duas escolas – uma estadual e outra municipal – e sei que
de-se de modo heterogêneo, propondo também expan-
são a quem com ele se encontra.
Embora feito para espaços pedagógicos, é artístico como
um todo, desde sua concepção, pois propõe diversas
posição nas escolas tudo fica mais fácil (leia nas págs 4 e
5). Antes de dar os conteúdos, procuro sempre pesquisar
possibilidades no site www.artenaescola.org.br, para que
ano a ano possa melhorar e adequar mais as necessidades
uma publicação da rede Arte Artigos, comentários e as duas têm a caixa do projeto DVD Escola/Arte (leia nas págs possibilidades a partir de potencialidades a se trabalhar. de nossos alunos e condições físicas da escola.
na Escola, produzido com o opiniões para este informativo 4 e 5). Todo professor de arte deveria ter este material, que Propõe ir muito além das tradicionais práticas pedagógi- A Cartografia dos territórios da arte fica muito mais clara
patrocínio da devem ser enviadas para: julgo excelente.
Fundação Iochpe. Instituto Arte na Escola; cas que, por muitas vezes, focam a história da arte e com uso do material educativo, possibilitando aos alunos
Conselho Editorial Alameda Tietê, 618 – casa 3 Ana Maria Santos / Cruzeiro (SP) suas linguagens no fazer. Assim como na Arte e na vida, terem contato com os artistas, ainda que apenas por docu-
Evelyn Berg Ioschpe, Helânia CEP 01417-020, São Paulo, SP
os DVDs nos apontam “atenções”, as quais nós profes- mentários, mas também os incentivando a conhecer e visi-
Cunha de Sousa Cardoso, Fone (11) 3103.8080
Erinaldo Alves do Nascimento, contato@artenaescola.org.br sores podemos transformar em “intenções”. tar exposições e assistir a espetáculos de dança e teatro.
Silvia Sell Duarte Pillotto ILUSTRADOR CONVIDADO Além disso, contam-nos muito sobre todo o vasto terri- Durante esses anos todos, tenho ministrado aulas no ensi-
Editora
Ricardo Basbaum tório da arte na educação, de modo que estudá-los é no médio regular e EJA, e vou anotando no diário de bordo
Silvana Claudio
Jornalista responsável conhecer cada vez mais sobre o Território Arte e Cultura, o que deu ou não certo, replanejando novas possibilida-
Ilustram esta edição imagens de
Fábio Galvão MTB 20.168/SP obras do artista multimídia, professor, conhecer e dominar seu movimento, sua flexível disposi- des. Com as anotações dos resultados vou mudando estra-
Redação curador e crítico Ricardo Basbaum. ção para se conectar! tégias para que o conteúdo seja sempre motivador.
Fábio Galvão, Cecília Galvão e
Raquel Zardetto (CGC
Educação) Juliana Carnasciali - Juliana Carnasciali – arte-educadora e artista mul- Eliana Tumolo Dias Leite - arte-educadora, Professora-Coordenadora
Projeto Gráfico Zozi timídia (artes plásticas, música e poesia) da EE. Zulmira Cavalheiro Faustino, Dona, em São Paulo, leciona na EE. Rev.
www.poptchuras.blogspot.com Jacques Orlando Caminha D’Ávila.

www.pappaspalace.com
diagrama (série love songs), 1996
Iº Circuito Nacional de Art-Door, Goiânia
As novas raízes do
ensino da arte

diagrama (transatravessamento), 2002


Rizoma – caule rico em reservas; comum em plantas vivazes,
capazes de emitir ramos floríferos; base sólida que legitima
alguma coisa; o que é enraizado, arraigado, raiz.

>> Esta definição de rizoma, descrita no Dicionário Currículos >> ramenta muito especial de ajuda ao desenvolvimen- qualquer, e também retoma segundo uma ou outra
Houaiss da Língua Portuguesa sob o aspecto estrita- to de conteúdo na escola, de acordo com a propos- de suas linhas e segundo outras linhas; 5) cartogra-
mente botânico, foi transportada para a filosofia pelos A presidente do Instituto Arte na Escola, Evelyn ta curricular. É tudo o que eu queria pra incrementar fia - pode ser mapeado, cartografado e tal cartogra-
franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari no final do Ioschpe, destaca que o Brasil está passando por um as minhas aulas”. fia mostra que o rizoma pode ser acessado de infini-
século passado. Deleuze explica: "O que chamamos momento muito rico na área educacional e o Guia é A distribuição da DVDteca Arte na Escola pelo MEC tos pontos, podendo daí remeter a quaisquer outros
rizoma é precisamente um caso de sistema aberto. Um um ótimo instrumento para as redes de ensino. "O faz parte do projeto DVD Escola, que oferece às esco- pontos em seu território.
sistema é um conjunto de conceitos. Mas os concei- Brasil atravessa um período de concepção de currícu- las públicas de educação básica caixas com DVDs e a
tos não são dados prontos, eles não pré-existem: é los em Arte. Assim, o material do Guia do MEC é programação produzida pela TV Escola. O diferencial Receita de bolo
preciso inventar, criar os conceitos, e há aí tanta muito importante para ajudar a suprir a necessidade da DVDteca Arte na Escola é ser a única com DVDs
invenção e criação quanto na arte ou na ciência." crescente de referências neste sentido.” acompanhados de material educativo. Na opinião de Evelyn Ioschpe, a Tecnologia

4 Partindo deste pensamento filosófico, o Instituto Arte


na Escola construiu, em 2004, uma nova transposição
O diretor de Produção de Conteúdos e Formação em
Educação a Distância do MEC, Demerval Guilarducci
Outro diferencial é o rico acervo da DVDteca, todo
dedicado à arte brasileira. Estão presentes desde
artistas modernistas, como Lasar Segall e Anita
Rizomática oferece muitas possibilidades ao profes-
sor. "A diferença desta Tecnologia Rizomática é que
ela não é hierárquica como uma receita de bolo",
5
do rizoma, desta vez para o mundo das Artes. Nascia Bruzzi, ressalta o fato das escolas receberem a cole-
a Tecnologia Rizomática do Ensino da Arte, metodo- ção de títulos da DVDteca do Arte na Escola com o Malfatti, até os contemporâneos Leda Catunda, Nuno compara. Ela diz que o Instituto Arte na Escola tem
logia que embasou o material educativo criado para material educativo. "O MEC sempre procura o mate- Ramos e Vik Muniz. Os DVDs possuem uma temática uma preocupação muito grande em habilitar os pro-
o uso da DVDteca Arte na Escola em sala de aula. rial da melhor qualidade e considerou o material do ampla e privilegiam tanto a obra individual dos artis- fessores para a utilização da proposta. "Nós sempre Clique abaixo
Em 2010, este novo conceito começou a se espalhar Arte na Escola de altíssimo nível por valorizar a arte tas, como também oferecem uma reflexão sobre recomendamos que seja feita uma capacitação. Não e conheça:
e a se enraizar pelo Brasil. Uma parceria do Instituto brasileira". Segundo ele, "não havia material espe- temas variados, sendo importante fonte documental tenho a menor dúvida de que, quando esta possibi-
Arte na Escola com o Ministério da Educação garan- para pesquisar a história da arte brasileira. lidade existe, os resultados são muito melhores", A lista de títulos
cializado no Brasil" sobre o ensino da arte contem-
tiu a distribuição, para 100 mil escolas públicas de As arte-educadoras Gisa Picosque e Mirian Celeste afirma. disponíveis no proje-
porânea brasileira.
todo o País, de caixas contendo 30 DVDs seleciona- Martins, consultoras responsáveis pela concepção Por isso, o próximo passo do Arte na Escola é criar to DVD Escola/MEC
Evelyn Ioschpe frisa a importância da parceria com o
dos entre os 162 títulos do acervo da DVDteca Arte Ministério da Educação, mas lembra que o mais valio- conceitual do material educativo que acompanha a um modelo de curso a distância para formar profes-
na Escola. Cada DVD é acompanhado do seu respec- DVDteca, listam os cinco saberes do rizoma das sores. "Este é o grande desafio. Temos estudado O Guia de Tecnologia
so é o apoio do professor. "Além do MEC distribuir o
tivo livreto da Tecnologia Rizomática. artes: 1) conexão - qualquer ponto de um rizoma uma parceria direta com as universidades a fim de Educacionais do MEC
material, também o validou com o seu selo, tornan-
Além disso, o Ministério da Educação incluiu a do-o disponível para a escola brasileira. Mas, na ver- pode ser conectado a qualquer outro e deve sê-lo; 2) viabilizar esta proposta", diz Evelyn.
Tecnologia Rizomática do Ensino da Arte no seu Guia heterogeneidade - qualquer conexão é possível, mar- Demerval Bruzzi informa que o Ministério da Clipes dos documen-
dade, a genuína credibilidade é conferida pelo pro-
de Tecnologia Educacionais. Um dos objetivos lista- cando um arranjamento por elementos e ordenações Educação poderá ajudar o Arte na Escola nesta estra- tários e seus mate-
fessor, na medida em que o usa e mostra resulta-
dos pelo MEC para a confecção do Guia é "dissemi- distintas; 3) multiplicidade - não há noção de unida- tégia para aprimorar o ensino da arte. "Vamos esti- riais educativos
dos", afirma.
nar padrões de qualidade de tecnologia educacionais Segundo ela, o retorno dos professores tem sido de, há um arranjamento de linhas que se definem mular parcerias com as universidades federais para o
que orientem a organização do trabalho dos profis- muito positivo. Evidências deste resultado estão pre- pelo fora, pela desterritorialização segundo a qual as ensino à distância", afirma. "Não só para os cursos
sionais e contribuam para elevar a qualidade da edu- sentes em comentários como o da professora da rede linhas mudam de natureza ao se conectarem às de licenciatura, mas para os de especialização em
cação básica". estadual de São Paulo, Rosa Maria Marciano, publica- outras; 4) ruptura de hierarquização - não há uma português, história, artes etc." <<
do no hotsite da DVDteca: “Toda a coleção é uma fer- >> única direção, pode ser rompido, quebrado em lugar
>> tirem ao DVD, os alunos também se interessaram que usava como modelo as fotos de uma bailarina
Como um andarilho, muito pelo tema. Propus, então, a produção de nos-
sos próprios pigmentos. Angariei vários potes e pedi
para criar movimento a partir das linhas de contorno
de seu corpo dançando, conhecimento este adquiri-
que trouxessem tudo que tivessem em casa que fosse do ao assistirem ao vídeo.
vesti as sandálias de um relacionado à pintura. Apareceu de tudo: pó xadrez,
sombras, blush, tintas de parede, tintas de tecido,
Em outra aula fizemos nossos desenhos ao som de
músicas clássicas que escolhi antecipadamente. Bibliografia
etc. Ofereci também alguns estojos de aquarela, mate- Handel, Vivaldi, Bach e Albinoni do CD The Best of
professor pesquisador rial comprado pela escola, tintas acrílicas e guaches. Baroque Music. Livros:

diagrama (série paisagens), 1999


Neste processo experimental, ficou claro para os alu- Infelizmente não tive tempo suficiente para contex-
nos que encontrar as cores e a transparência deseja- tualizar a música, mas conversamos sobre os sons. DELEUZE, Gilles;
da não era tarefa fácil. Em um número significativo Quis saber se eles já tinham ouvido alguma música GUATTARI, Felix.
A DVDteca Arte na Escola reúne um material rico das produções dos pigmentos, os resultados foram parecida com aquelas que eu havia trazido ou se Mil platôs: capita-
e muito bem pensado, que pode dar suporte aos cores não muito definidas, ou não desejáveis. Ou achavam que a pintura de Rubens Matuck e a de lismo e esquizo-
frenia. Rio de
professores de Arte e também a todos os professores seja, o refazer ou fazer de novo foi necessário. Kandinsky tinham aquele ritmo. Mas tive que parar
Janeiro: Ed. 34,
Acredito que conseguimos uma experiência enrique- por aí. O fim do ano se aproximava e tínhamos que
dispostos a criar novas estratégias em suas aulas. cedora, considerando a sua definição na Proposta terminar nossa proposta, até porque já estavam
1995. v.1. (Trans).

Curricular do Estado São Paulo, no Caderno do Aluno, muito ansiosos para isto. MARTINS, Mirian
na página 11, 1º bimestre – 5ª série, que a define Chegou o momento de realizar o trabalho, fruto da Celeste; PICOS-
>> De forma rizomática, o conteúdo dos documentários Voltei, então, às minhas buscas. Nossa escola havia
como: “A experiência é aquilo que nos passa, ou que pesquisa/experimentos com as tintas. Já tínhamos QUE, Gisa.
e o material educativo para o professor propositor recebido a caixa do projeto DVD Escola/Arte (leia nas Mediação cultural
nos toca ou que nos acontece, e ao passar-nos nos várias cores prontas, que fomos fazendo e guardan-
vão abrindo espaços para novos olhares, possibilida- págs 4 e 5) que foi passada para mim e para todos para professores
forma e transforma”. “Este acontecimento no espa- do. Utilizei para o fechamento dessa proposta uma
des para a construção do conhecimento, tanto do os outros professores. Foi em contato com este mate- andarilhos na cul-
ço sala de aula os transformou, pois gerou motivos tela de 30x40 cm, material que havia pedido no
professor, como do aluno. rial que me deparei com o aquarelista Rubens Matuck, tura. São Paulo:
para novos e significativos experimentos e muita dis- começo do ano aos pais dos alunos. Arte por Escrito:
O material, assim como o rizoma de forma inversa à um artista contemporâneo, vivo, e com um material
cussão acerca de cores e transparência, possibilitan- Assim fomos escolher o desenho para colocar na tela. Rizoma Cultural:
definição arbórea e suas raízes, conecta-se de um de alta qualidade, que possibilita uma infinidade de
do novos fazeres em “Arte”. A única recomendação foi para que todos pensassem Content Stuff,
ponto qualquer a outro (flexibilidade de interpreta- caminhos a serem percorridos com os alunos e que
A partir daí devíamos pensar em nossos desenhos, nas escolhas, principalmente em relação ao que gos- 2008.
ção) que, segundo Deleuze e Guattari (1995, v.1, subsidia o professor a construir um mapa rizomático
ou melhor, na criação da proposta visual que cada tariam de representar em seu trabalho. Sempre tive o
p.15), “põe em jogo regimes de signos muito diferen- [“se refere a um mapa que deve ser produzido, cons- DVDs:
um deveria realizar. Foi então que lancei mão de um cuidado de lembrá-los de que estavam realizando um
tes. Parece feito de linhas: tanto linhas de continui- truído, sempre desmontável, coletável, modificável,
DVD sobre Kandinsky e sua produção. trabalho para eles mesmos, que este deveria estar
dade quanto linhas de fuga, sugerindo dimensão com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de LES INÉDITS: La
No entanto, havia me esquecido que esse DVD era impregnado de sua identidade, como um autorretra-
máxima, segundo a qual, em sua multiplicidade meta- fuga”, Deleuze e Guattari (1995, v.1, p.32-33)]. Dame à la
narrado em espanhol. Fiquei pasma! E, antes mesmo to plástico de suas poéticas.
morfoseia-se, mudando de natureza. Rubens Matuck nos remete à água do mar, às corti- Licorne, Wassily
de desculpar-me ou encontrar soluções para resolver Na etapa seguinte, começamos a pintura e o uso das tin- Kandinsky,
Assim, como professora de arte, eu deveria propor nas imaginárias que usamos na infância. Não havia
o problema, constatei que, mesmo sendo em outra tas, sem minha interferência direta. Pedi apenas para Francis Bacon.
aos alunos uma atividade rica nas linguagens da arte, mais dúvidas. Estava decidido o artista e o material
língua, as crianças estavam interessadas e compreen- que tomassem cuidado com as novas misturas de tintas, Dir. Alain Jaubert.
levando em conta, porém, os questionamentos perce- a ser usado nas aulas: a aquarela de Matuck.
dendo o trabalho de Kandinsky e a sua forma de abs- pois já havíamos testado algumas não aprovadas. S.l.: Editions
bidos por mim ao longo dos anos de magistério. Ao Comecei a estudar as possibilidades que esse artista Montparnasse:
trair as imagens, certificando-me, mais uma vez, que Foram disponibilizadas todas as cores que eles pesqui-
serem apresentados a um artista, por exemplo, os me apresentava. Esta estrutura rizomática, flexível ou Arte Vidéo, 2007.
“a arte é universal”. saram e criaram, alguns tubos a mais de tinta acrílica,
alunos logo questionavam se este estaria vivo ou já instável, era uma importante aliada para encaminhar 1 DVD (90 min.)

6 teria falecido.
Minha escolha, então, deveria recair sobre um artista
contemporâneo. Outra condição seria encontrar um
as aulas e elaborar conteúdos que poderiam ser
modificados ou não.
Apresentei aos alunos o nosso artista e suas tintas.
Outro fator levantado na obra de Kandinsky foi a sua
ligação com a música. Após a apresentação, de forma
“democrática”, propus a todos que desenhássemos
estojos de aquarela, guache, tinta para tecido, tinta para
artesanato e, principalmente, um tempo sem cobrança.
As manchas e transparências foram acontecendo.
(Palettes).

RUBENS Matuck:
7
ouvindo música. Outra opção seria irmos até o pátio Algumas pensadas, outras por intuição ou acaso, ele- a aquarela no
artista que tivesse uma proposta poética leve, fluída, Quando apresentei o documentário, quase unanime-
da escola em busca de inspiração, fazendo uso da mentos importantes na obra de vários artistas con- Brasil. Dir. Maria
a fim de tornar o trabalho prazeroso aos alunos da 4ª mente eles perceberam os vidros transparentes em seu
natureza. Em nossa roda de conversa, onde todos temporâneos. Ester Rabello. São
série, já que nesta fase há muita apreensão diante ateliê e questionaram como conseguiríamos as cores. Paulo: Rede
tinham a liberdade para manifestarem-se de forma Durante o projeto, a leitura das obras dos alunos foi
das mudanças que ocorrerão em suas vidas escolares. Foi aí que, aos poucos, fui introduzindo os alunos na SescSenac de
ordenada, eles expressaram o desejo de experimen- acontecendo, feita por mim, por eles mesmos e pelos
Assim, teve início o trabalho na Escola Estadual obra de Matuck. E eles foram percebendo a preferência Televisão, 2000. 1
tar as duas formas do fazer “artístico”. colegas. Alguns se depararam com elementos formais
Alcides da Costa Vidigal no ano de 2010. do artista pelas transparências, o porquê dos vidros, DVD (23 min.).
parecidos com as obras dos artistas apresentados,
quase que um modelo a ser perseguido, numa busca (O mundo da
Exercitando o olhar outros se davam conta de que conseguiram cores arte). Acompanha
Andanças constante pela transparência, pela luz e pelas cores.
semelhantes. Sem nos aprofundarmos em uma leitu- material educativo
Mas como conseguir que as cores gerassem a trans-
De posse de três folhas sulfite, lápis e, tendo como ra técnica das obras, ela foi se dando de forma fluí- para professor-
parência? O que usaríamos? Como resposta disse que
Como um “andarilho, vesti as sandálias de um profes- apoio as capas de proteção do bloco de papel can- da, como, aliás, todo o projeto. propositor.
esta busca constante é que motiva o artista a conti- DVDteca Arte na
sor pesquisador” (Martins e Picosque, 2008) e saí em son (que tenho o hábito de guardar), saímos para a Com essa experiência de sala de aula posso afirmar,
nuar pesquisando, que o faz continuar a caminhar. Escola.
busca de um artista que se encaixasse neste perfil. nossa pesquisa de campo em busca de descobertas com convicção, que o resultado foi rico tanto para os
Desde os tempos mais remotos os artistas buscam
Um artista contemporâneo, que pudesse levar os alu- com ou sobre a natureza. Não foi permitido o uso da alunos, como também para mim, que relato com
formas e materiais para se expressar, e era isto que
nos a um sentimento de “êxtase”, transformando o borracha, ferramenta que, em muitos casos, é preju- orgulho, prazer e entusiasmo esta vivência. E, para
também faríamos. Foi uma agitação total.
momento de fruição em momento de prazer. dicial, pois pode gerar a desatenção e nosso objeti- finalizar, no dia da formatura das 4ª séries montamos
Em minhas andanças, acabei por encontrar vo era exatamente o oposto. Ou seja, exercitar o uma grande exposição para mostrar a todos os tra-
Kandinsky. Sua poética é fluída, suas cores são gene- Experiência que transforma olhar diferenciado, atento e cuidadoso sobre a natu- balhos realizados pelos alunos.
rosas, há um prazer enorme em entrar em contato reza. Então, com atenção redobrada, os alunos esco-
com sua obra. Mas pesava contra esta escolha o fato Com a leitura do capítulo “Ampliando o olhar” do lheram o que gostariam, de fato, de representar em Hânia Cecília Pilan - Mestre e Doutoranda em Educação, Arte e
História da Cultura pelo Mackenzie, professora Efetiva do Estado de
dele não ser um artista vivo, embora Kandinsky per- material educativo que acompanha o DVD, percebi a seus trabalhos.
maneça vivo por meio de suas obras. importância da pesquisa sobre pigmentos. Ao assis- >> Ao desenhar, alguns alunos lembraram Kandinsky,
São Paulo das Universidades Uniban e Uniítalo. <<
diagrama (série membranosa), 2009

Professor propositor, pesquisador e inventor


>> A professora Amanda Bastos, da Escola Municipal trabalhado nos diversos cursos de formação, como o
Domingos Fernandes, em São João da Barra (RJ), frequen- Programa de Desenvolvimento Educacional, Plano
ta o Polo do Arte na Escola da Universidade Estadual do Nacional de Formação de Professores de Educação Básica
Norte Fluminense (UENF), na cidade vizinha de Campos e o Seminário de Arte e Ensino, realizado anualmente em
dos Goytacazes, desde 2009. Após estudar o acervo da parceria com o Arte na Escola. "Há ainda o ciclo de deba-
DVDteca e a Tecnologia Rizomática do Ensino da Arte, ela tes sobre arte contemporânea brasileira, que, a cada
tomou coragem e se ofereceu para ministrar oficinas de encontro, parte de um dos DVDs ", diz.
formação de professores. A experiência mudou o modo
de Amanda ver, pensar e ensinar arte. "Além de utilizar Conceitos
melhor o DVD e o folheto que o acompanha, eu mesma Solange Utuari, do Polo Unicsul, destaca que os DVDs são
crio outros mapas para o DVD e para minhas aulas. Eles trabalhados no Grupo de Estudo Rizomas e Territórios da
me permitiram desenvolver um olhar cada vez mais dife- Arte (GERTA). "Sempre trazemos a questão de que as
renciado e crítico na sala de aula e na vida", diz. aulas de artes precisam ter como objeto o ensino de con-
Maria de Fátima Basílio é professora em Guaianases, na ceitos em arte e não apenas trabalhos temáticos. A
zona leste de São Paulo. Trabalha na Escola Estadual DVDteca pode contribuir porque foi construída com os
Professora Inês Cordeiro e faz sua formação continuada focos em conceitos que são explorados nos territórios de
no Polo Unicsul. Após trabalhar com os alunos os DVDs arte e cultura", afirma. Na visão dela, o professor mudou
O acervo da de Rubem Valentim e Mestre Didi, ela encontrou diversos o modo de ensinar e hoje "propõe percursos poéticos,
DVDteca está caminhos para transmitir seu conhecimento aos alunos. estéticos e criativos e se torna autor do seu projeto didá-
disponível para "O estudo das imagens e algumas informações a respeito tico ao convidar os alunos a fazer parte de uma trajetó-
empréstimo na da vida de cada um desses artistas nos levaram a uma ria de aprendizagem".
Rede Arte na conversa acerca de religiosidade e de Arte africana, visita- A coordenadora do Polo na UENF, Danuza Rangel, diz que
Escola. mos o Museu Afro Brasil, fizemos uma produção e encerra- a DVDteca é utilizada durante o ano todo em oficinas prá-
mos o processo, que poderia ter ido além, pois vejo o fato ticas-reflexivas. Ela relata que o Polo incentiva o registro
de não esgotar o assunto como fator positivo", afirma. das atividades. "Temos estimulado muito a elaboração
Estas duas experiências em sala de aula demonstram destes relatos escritos, inclusive em função do Prêmio
como o acervo da DVDteca e a Tecnologia Rizomática Arte na Escola Cidadã", diz.
estão criando uma nova forma de ensinar a Arte contem-
porânea brasileira nas escolas. Elas também revelam a Livro
relevância da formação contínua. O professor de artes Em Londrina, o trabalho com a DVDteca vai virar livro. "A
está se transformando de um mero expositor em um pro- intenção é publicar um livro a partir das atividades pro-
fessor propositor, pesquisador, inventor. postas pelo grupo e dos DVDs assistidos", conta Laura
Cabral Cava, assessora de arte da Secretaria Municipal de
Sessão Pipoca Educação, parceira do Arte na Escola.
8 Esta nova visão do ensino da arte vem ganhando força
após a parceria do Instituto Arte na Escola com o
Na Unicsul, Solange Utuari revela que o Polo pretende
identificar como o professor está usando a DVDteca.
Ministério da Educação (leia nas págs 4 e 5). A coordena- "Estamos finalizando uma pesquisa para saber como os
dora do Polo na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), materiais e formações oferecidas pelo Polo tem contribuí-
Ursula Rosa, destaca que intensificou a formação assim do para a prática dos educadores e aprendizados dos
que soube que o MEC estava fazendo a distribuição da alunos em Arte", afirma.
caixa do projeto DVD Escola/Arte para 100 mil escolas de Amanda Bastos observa que os DVDs estão ajudando os
todo o Brasil. "A estratégia é discutir as metodologias alunos a mudar a visão da arte. "Por tratarem de assuntos
nos grupos de estudo e dar ênfase para que os profes- e artistas atuais, os DVDs facilitam a conexão com a vida
sores trabalhem com o conteúdo e a criatividade na sala dos alunos, tornando a aprendizagem significativa", afirma.
de aula. Fizemos uma Sessão Pipoca com mostras quin- Maria de Fátima concorda que os DVDs são uma ótima
zenais de DVDs e debates sobre como utilizar o material estratégia para "conversar" com o cotidiano dos alunos. "A
em aula", conta. TV e o telão são muito mais próximos ao aluno que a lousa.
Na Universidade Estadual de Londrina, a coordenadora do O aluno atual é ágil e quer ser participativo. Os DVDs pos-
Polo, Carla Galvão, informa que o material da DVDteca é sibilitam uma dinâmica em que o aluno se expressa", diz. <<

Os endereços e dados para contato com os Polos e parceiros da


Rede Arte na Escola estão no site www.artenaescola.org.br Patrocínio