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Os direitos individuais obtiveram um reconhecimento importante a partir

principalmente de momentos históricos como a Magna Carta de 1215,


juntamente com a Revolução Americana datada de 1776 e a Revolução
Francesa em 1789, e mais recentemente a Declaração Universal dos Direitos
Humanos em 1948, sendo considerado passos importantes na busca de se
resguardar os direitos individuais, a liberdade do cidadão e, sobretudo a
valoração da pessoa humana.

Esses fatos proporcionaram certa segurança e possibilitou a inserção


em leis positivadas, como foi o caso das constituições brasileiras, onde a nossa
“Lei Maior” atualmente traz em seu preâmbulo princípios que visam a proteção
do indivíduo "assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a
justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e
internacional, com a solução pacífica das controvérsias"

A Constituição Federal estabelece também no inciso III do art. 1º como


um dos fundamentos da própria Constituição " a dignidade da pessoa
humana."

Decorrido todo esse tempo vemos que ainda temos muito que lutar para
a aplicação eficaz desses direitos já conquistados. A busca pela afirmação de
tais direitos deve ser constante visto que os valores sociais são mutantes como
a própria sociedade e o direito devem procurar acompanhá-los.

No presente trabalho procuramos primeiramente fazer uma análise


acerca do direito da personalidade, seguida pelo direito à informação, e os
constantes conflitos quando do mau uso de um em relação ao outro.

Os direitos da personalidade qualificam-se como direito


extrapatrimoniais, de caráter personalíssimo, por proteger o interesse que tem
a pessoa de opor-se à divulgação dessa imagem, em circunstâncias
concernentes à sua vida privada, direito esse resguardado constitucionalmente.

Por igual amparo constitucional, está o direito à informação, que tem o


seu alicerce na liberdade de expressão e de pensamento, que se subdivide em
direito de informar e ser informado.

Esclareça-se, nesta oportunidade, que muito embora a matéria esteja


distintamente separada nos incisos IX e X, do art. 5º C.F., podem encontrar-se
intimamente ligadas.

Justifica-se esta ressalva pelo fato de que o direito de informação é


decorrência da responsabilidade de quem comunica ou publica fatos ocorridos
ou opinião sobre determinado assunto, desde, é claro, que não atinja a
intimidade de outrem.
Outrossim, há que se pensar em que hipóteses o exercício de liberdade
de informação pode ferir outros direitos, não menos importantes,
constitucionalmente assegurados.

Com isso, o direito de informação deve ser compatível com o legítimo


uso de informações ou dados divulgados, devendo ser observadas as normas
de respeito à privacidade, principalmente, à imagem, documentos, dados
pessoais, para não incorrer na reparação dos danos causados pela violação
desses direitos.

O direito à imagem que constitui um dos diretos da personalidade é


talvez o mais violado pela imprensa e meios de comunicação. Quase que
diariamente a imprensa nas suas mais variadas formas, exibe imagens de
pessoas sem a devida autorização e muitas das vezes imputando-lhes
condutas tipificadas como delituosas, quando por vezes são meros suspeitos,
ferindo assim o princípio legal da presunção de inocência.

Quando na verdade o verdadeiro papel da imprensa é informar, divulgar


o fato, sem, no entanto tecer comentários sobre autoria dos mesmos, já que
isso é restrito à policia judiciária a quem assiste a função de investigar.

Não estou aqui a defender a censura prévia, nem tão pouco o


cerceamento do direito de informação e livre expressão do pensamento, visto
que são institutos totalmente incompatíveis com o Estado Democrático de
Direito em que vivemos, mas apenas alertar que deveria se exigir com maior
rigor a responsabilização daqueles que labutam com a nobre e honrosa
profissão de informar a sociedade, para que antes de veicular noticias
averiguar sua licitude e também se sua divulgação não estará ferindo direito da
personalidade de outrem.

No nosso entendimento, não basta somente, que seja verídica a


informação prestada, ou que seja revelada a sua fonte, os meios de
comunicação devem ficar em constante vigilância para controlar a matéria que
divulgam, tomando todas as cautelas necessárias para assegurar que a
divulgação de fatos e informações em seus veículos de comunicação não
violem a esfera de direitos fundamentais de nenhuma pessoa envolvida.

A imprensa tem o dever de manter a população informada sobre os


acontecimentos que possam ser de interesse social, todavia, essas
informações dadas, não podem ser ilimitadas, sem qualquer tipo de contenção
principalmente quando se referem aos fatos relacionados à vida íntima das
pessoas, devendo-se preservar o direito que constitucionalmente lhes é
assegurado.

O papel dos veículos de informação vai muito além do que somente


manter a sociedade informada e atualizada exercem principalmente uma
função de controle dos atos dos agentes públicos, devendo estar em constante
vigilância.
Contudo observa-se que em muitos casos há uma abertura da
privacidade de forma consentida pela própria pessoa, quando esta pratica atos
que em tese deveria ficar sob a alcova, ou fatos que só deveriam interessar às
pessoas que lhes são mais chegadas, no entanto muitas das vezes para tirar
proveitos próprios fazem deles uma verdadeira apoteose.

Dessa forma, devido a grande relevância no contexto do Estado Social,


na ocorrência de conflito decorrente do exercício dos direitos fundamentais o
regramento não deve se dar à luz de métodos comumente utilizados, como se
da no caso de conflito de normas, ou seja, pelo método hierárquico, a lei
superior prevalece sobre a inferior, com relação ao cronológico, aplica-se a lei
posterior em detrimento da anterior e ainda pelo método da especialização, a
lei especifica tem prevalência sobre a lei geral.

Mas como explicitado alhures, os direitos conflitantes aqui mostrados,


trata-se de direitos individuais constitucionais, ou seja, ambos estão expressos
na mesma Lei, com a mesma hierarquia e mesma cronologia. Contanto que
imperioso se faz recolher que a solução da lide só pode ocorrer submetendo-se
casos concretos ao julgador, que irá interpretar as normas utilizando
construções doutrinárias, princípios e regras constitucionais, mas somente
diante do caso concreto, analisando suas peculiaridades poderá de forma
adequada estabelecer a prevalência a ser dada.

Ocorre o abuso de direito quando, dentre as prerrogativas concedidas


pelo ordenamento jurídico, o agente atua sem preocupar-se ou sem considerar
as verdadeiras finalidades para as quais foram criados, ou seja, o bem estar
social. E quando isso ocorre, causa dano a outrem, seja material, moral, ou
mesmo penal. Praticado o ilícito, resta o dever de indenizar e o conseqüente
direito a ser indenizado pelo agente infrator.

Os casos narrados foi apenas uma pequena amostra do entendimento


que os Tribunais Pátrios vem aplicando, se concluindo que cada caso tem suas
nuances e peculiaridades, e somente com a analise do caso in concreto poderá
se determinar se certa situação expôs a privacidade do indivíduo, ou se há
interesse público ou de ordem pública a justificar sua divulgação.

É indiferente o ramo do direito, se civil, penal ou constitucional, pois o


objetivo é um só: o bem estar do indivíduo e o exercício dos direitos
fundamentais devem ser conciliados com a necessidade de proteger-se o
Estado Democrático de Direito.

O que não pode é banalizar a justiça utilizando-se de meios ardilosos


para enriquecimento ilícito.