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TESTE DE ÉTICA

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Você passaria no Teste da Honestidade?


Perguntamos aos brasileiros como eles reagiriam a várias situações do dia-a-dia. As
respostas foram fascinantes – e reveladoras. (Por Barbara Axt e Renata Klar -
Publicado originalmente na revista Seleções de agosto/2005)
No último dia de férias no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, você faz as malas.
As belas e felpudas toalhas do hotel, ainda limpas, estão penduradas ali perto. Você
pega uma e guarda na mala?
• Você paga por apenas um ponto de conexão da sua TV por assinatura, mas descobre
como conectar rapidamente as outras TVs da casa. Você faz isso?
• Ao deixar o supermercado, você percebe que a caixa lhe deu troco a mais. Você vai
embora ou volta e devolve o dinheiro?
Pesquisa encomendada ao Instituto Gerp
Mais cedo ou mais tarde, todos deparamos com situações como estas. Você faria o
que é certo? Por quê? Para descobrir, Seleções encomendou uma pesquisa ao Instituto
Gerp, realizada em dez capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo
Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Recife e Belém. Em cada uma,
140 pessoas, com pelo menos 18 anos, foram confrontadas com 12 situações do dia-a-
dia, para testar sua noção de certo e errado.
Os resultados não são um barômetro científico da virtude dos brasileiros, mas sim um
instigante exercício de auto-avaliação – talvez um teste para a capacidade de
responder a perguntas com honestidade. No geral, nós brasileiros não nos saímos mal.
Toalhas do hotel
Apenas 13% dos entrevistados, por exemplo, disseram que pegariam uma toalha do
hotel. E por que não pegariam? Adriano Cunha, 24 anos, advogado de Recife, disse:
“Não levaria porque as toalhas não são minhas.” Liliane Nogueira Paulo, de Curitiba,
explicou: “Levar a toalha daria prejuízo para o hotel, o que provavelmente
encareceria o preço da hospedagem.”
Já Rutilene do Socorro Silva, estudante de enfermagem em Belém, não teve dúvidas
na hora de responder: “Levaria sim, com certeza! Elas são tão lindas! Vejo nas
novelas aquelas toalhas maravilhosas. Eu ia querer levar uma de lembrança. E uma só
não ia fazer falta, não é?” Em hotéis é fácil guardar as toalhas na bolsa sem maiores
conseqüências. Em motéis, entretanto, os quartos são revistados antes que o cliente
seja liberado. Mas parece que nem todos se lembram disso.
“Um amigo foi ao motel com a mulher, que guardou duas toalhas na bolsa. Na hora
de pagar a conta, as peças foram cobradas. Meu amigo ficou com tanta vergonha que
fingiu que mal conhecia a própria mulher, dizendo ‘A gente conhece cada pessoa por
aí, não é mesmo?’”, conta uma dentista de Porto Alegre.
“Gato” da TV por assinatura
O fato de estar fazendo algo errado não parece incomodar os 41% dos moradores de
São Paulo que declararam que fariam um “gato” da TV por assinatura. Não muito
diferente dos 36% de potenciais “gatos” de Belo Horizonte – que estão um pouco
acima da média brasileira de 31%.
Diego Fonseca, de Belo Horizonte, é um dos que não teriam pudor em fazer um
“gato” em casa. “Não tenho TV a cabo, mas os meus amigos que têm fazem ‘gato’.
Nenhum deles teve problema por isso”, justifica.
Na hora de fazer a coisa certa, a diferença entre homens e mulheres é, na média
nacional, estatisticamente irrelevante: entre os brasileiros que declararam que fariam
um “gato” da TV por assinatura, 52% são homens e 48%, mulheres. A diferença entre
o comportamento dos sexos foi maior em Porto Alegre – 43% dos homens fariam um
gato contra apenas 26% das mulheres –, mas no Rio, o porcentual de homens e
mulheres que fariam um gato foi o mesmo: 23%.
Honestidade coisa de jovens ou velhos?
Encontramos pelo país jovens (de 18 a 35 anos) que não acreditam ser menos
honestos do que os mais velhos. Diego Barbosa, promotor de vendas em Curitiba,
tem 19 anos e afirma que esta não é uma questão ligada à idade: “Honestidade
depende da criação da pessoa. Tem jovem que faz tudo direitinho, e gente mais velha
que é bem malandra”, explica.
No entanto, em Recife, 25% dos jovens levariam canetas e envelopes do trabalho para
usar em casa, enquanto apenas 6% daqueles de mais de 45 anos o fariam.
Material de escritório
Ainda em relação ao material de escritório, quem se saiu pior foi São Paulo: 27%
confessaram que levariam artigos para casa – contra 4% em Belo Horizonte e 17% da
média nacional.
Outro ponto perdido pelos paulistanos: parar o carro em espaços reservados para
deficientes. Dos entrevistados, 31% admitiram que fariam isso, caso fossem comprar
apenas um artigo no supermercado e o estacionamento estivesse lotado. Isso contrasta
com os 23% de todos os brasileiros e com apenas 14% das pessoas do Rio de Janeiro.
Vagas reservadas para deficientes
Lilian Mendonça estuda jornalismo em Brasília e, mesmo numa situação extrema,
não estaciona em vagas para deficientes. “Se existem essas vagas, temos de
respeitar.” No entanto, admite que muitos não agem assim: “Já vi gente que não é
deficiente parar nessas vagas”, diz ela. “Mas nunca falei nada. Não adianta, vai entrar
por um ouvido e sair pelo outro.”
Respeitar ou furar fila
Digamos que você esteja numa longa fila à espera do ônibus. Chove muito e, quando
o ônibus chega, você percebe que não vai conseguir entrar – a menos que fure a fila.
O que você faz? Em Recife, 40% dos moradores disseram que furariam a fila, contra
apenas 6% dos moradores de Salvador e 17% da média nacional.
Uma das entrevistadas de Recife, Maria de Lourdes, 25 anos, admitiu que furaria a
fila porque “é horrível ficar molhada em um dia chuvoso”.
Em Belém, 32% afirmaram que furariam a fila. O que o técnico de informática
Anderson Neves, de Belo Horizonte, não faria. “Mesmo que meu ônibus tivesse fila,
eu não passaria a frente. É falta de respeito.”
Tem gente que procura justificativas: “Se tiver um monte de crianças fazendo
bagunça, saindo da escola e atrapalhando a entrada do ônibus, aí furo a fila”, afirma o
motoqueiro José Alves, 29 anos, de Curitiba.
Sonega ção de impostos
Perguntamos aos entrevistados se esconderiam parte do seu rendimento para sonegar
imposto de renda. A média nacional de respostas positivas foi de 29%. Em Curitiba,
porém, 39% sonegariam.
No Rio de Janeiro, um funcionário da UFRJ de 45 anos explica as razões que teria
para sonegar o imposto: “Sou funcionário público e a tributação sobre o meu salário é
muito alta. Mas a principal razão é que a gente não vê o retorno desse dinheiro em
serviços públicos. Se as pessoas vissem o imposto de renda sendo investido, pagariam
com satisfação.”
Ele não é o único que pensa assim: no Brasil, a sonegação de impostos é vista como
reação à atitude dos políticos. “Apesar de nunca ter pensado em sonegar impostos,
considero o imposto de renda muito injusto. O dinheiro é meu, fui eu que trabalhei.
Se, mesmo com as disparidades, o dinheiro fosse utilizado para a educação e a saúde
pública, eu até pagaria sem reclamar, mas na verdade vai tudo para o bolso dos
políticos”, revolta-se Simone, 39 anos, psicóloga do Rio de Janeiro.
Limite de velocidade no trânsito
Perguntados se dirigiriam a uma velocidade 20 km/h acima do limite, às 21 horas,
numa via expressa quase vazia, 63% dos moradores de Recife admitiram que sim –
comparados à média nacional de 51%. O estudante de engenharia Djan Bernardo, de
Recife, justifica sua resposta: “Ultrapasso o limite por segurança. É melhor correr o
risco por uma falha minha do que ser assaltado. Ficar parado na rua à noite pode ser
perigoso.”
E quanto a beber e dirigir? Suponha que você tenha bebido demais em uma festa, e
suspeite estar acima do teor de álcool permitido pela lei. Ainda assim, você volta para
casa dirigindo?
Rio de Janeiro e São Paulo, com respectivamente 14% e 13%, ficaram em posição
bem parecida com a média nacional – 16% de respostas positivas –, contrastando com
os 26% de Fortaleza.
Raquel Brasileira (o nome dela é este mesmo!), 26 anos, é de Fortaleza, mas tem uma
solução segura para o impasse. “Não gosto de pegar o carro depois de beber.
Costumo levar comigo uma pessoa que não bebe, que volta dirigindo.”
Devolução de troco
Situação clássica: no supermercado, você percebe que a caixa lhe deu troco a mais.
Você devolve? Três quartos dos brasileiros responderam que sim, e os moradores do
Rio de Janeiro e de Salvador alcançaram marca ainda mais expressiva: 93%.
Uma analista de sistemas do Rio de Janeiro de 35 anos pensa no funcionário que
errou na conta. “Devolvo o troco a mais porque sei que é o atendente que vai ter de
repor o dinheiro.”
Esse também é o argumento da estudante Fabiane Lopes, de Brasília. “Isso aconteceu
comigo uma vez. Voltei e devolvi para a caixa do supermercado porque no fim do dia
o dinheiro ia estar faltando e isso a prejudicaria no emprego.”
Isso é algo que nunca tinha passado pela cabeça de Isabela do Nascimento, advogada
de Fortaleza que já ficou uma vez com o troco a mais. “Acho errado ficar com o
dinheiro, mas uma vez já fiquei”, confessa. “Existe uma grande diferença entre o que
a gente diz e o que faz na hora. Foi bom responder a essas perguntas, porque tive a
chance de parar para pensar no assunto.”
Eda Zanatta, 35 anos, é uma dentista de Porto Alegre que usa uma situação
semelhante para ilustrar sua opinião sobre honestidade. “Estava no caixa de uma loja
de roupas e a vendedora retirava as etiquetas de proteção que apitam quando você
passa pela porta. Ela tirou a etiqueta de uma jaqueta, mas esqueceu de registrar o
valor. Avisei à vendedora e, na mesma hora, senti um chute na perna. Era o meu
marido me repreendendo por ter avisado – e por ter deixado de levar uma roupa de
graça. Hoje ele é meu ex-marido. Isso prova que honestidade é algo que faz parte de
cada pessoa.”
Software pirata
Certas atitudes, como a utilização de um software pirata, são motivadas pela
praticidade. “Nunca comprei programas de computador. É muito fácil conseguir uma
cópia de software com um amigo”, explica Rafael Marques Risso, 24 anos, estudante
de direito de Recife. “Mas sei que não é certo.”
É mais ou menos a visão de 39% dos entrevistados em Curitiba, embora apenas 6%
admitam que utilizariam programas piratas em Belo Horizonte e 22% no Brasil como
um todo. Em Porto Alegre, com 32% de respostas positivas, um prestador de serviços
de manutenção predial explica: “Se o meu computador apresenta um problema, quero
que o técnico resolva rápido. Não pergunto se ele utiliza um software pirata. Mas se
eu for comprar um programa, invisto num original. Acontece que alguns softwares
são caros demais e as pessoas não podem pagar por eles. Meu irmão, engenheiro,
precisou se juntar com quatro amigos para dividir o valor de um programa original.”
Carteira encontrada na rua
Se você encontrasse na rua uma carteira com R$ 100, sem identificação, entregaria à
polícia? Vinte e quatro por cento dos brasileiros responderam que sim, mas com
variações: de 56% dos entrevistados em Brasília, a apenas 11% em Salvador.
As pessoas que não entregariam alegam falta de confiança. “Se a carteira tiver os
documentos, procuro a pessoa que perdeu. Não entrego na delegacia porque é capaz
de os policiais ficarem com o dinheiro...” Paulo Campelo, 48 anos, é motorista de táxi
em Salvador, e por isso já está acostumado a devolver desde carteiras até máquinas
digitais e computadores portáteis esquecidos em seu carro. “Uma vez presenciei um
assalto e fui atrás do assaltante. Quando o pegaram, ele jogou a bolsa roubada dentro
do meu carro. Procurei documentos, mas não tinha nada além de papéis e R$ 365. Na
época, meu aluguel custava R$ 250 por mês. Rodei um pouco para tentar encontrar a
senhora que tinha sido assaltada, mas, como não a achei, fiquei com os R$ 365. É
mais justo do que entregar para um policial e ele ficar com o dinheiro.”
Já o guardador de carros José Carlos Freitas, 40 anos, de Porto Alegre, explica por
que entregaria a carteira na delegacia: “Faço a minha parte. Fica a critério dos
policiais devolver o dinheiro ou não. Cada um segue sua própria consciência.”
Delação
Pode não existir resposta certa ou errada, mas a pergunta que causou mais angústia
foi se o entrevistado contaria a uma amiga ou amigo ter visto seu marido/sua mulher
de mãos dadas com um(a) estranho(a). Em Fortaleza e Belo Horizonte, 46% disseram
que sim, ao passo que em São Paulo apenas 16% contariam. No Brasil todo, 27%
abririam os olhos do amigo(a).
Raquel Rosário da Silva é de Belém e faz parte da maioria que não se mete no
casamento dos outros. “Se eu contasse uma coisa dessas, poderiam dizer que era
intriga minha ou que eu estava interessada naquela pessoa. Se a situação fosse o
oposto e alguém viesse falar algo assim do meu namorado, eu também ia desconfiar.
Só acredito vendo.”
Paulo Cézar Souza, de Curitiba, tem 22 anos e afirma que não deixaria de alertar o
amigo mesmo correndo o risco de ser acusado de mentiroso: “Se ele não acreditar em
mim, digo pelo menos para ficar de olho na mulher.”
Foram poucas as questões que tiveram respostas tão divididas conforme a idade do
entrevistado. Enquanto 36% dos jovens brasileiros contariam ao amigo, apenas 15%
daqueles com mais de 45 anos interviriam.
O brasileiro vê a honestidade como algo que se aprende em casa, com a família.
“Tento dar um bom exemplo para os meus filhos porque acho que ser uma pessoa
correta é algo que vem de berço”, explica Luiz, 50 anos, comerciante de Porto
Alegre.
A doméstica Vera Moraes, 48 anos, de Curitiba, complementa: “No trabalho, se você
for desonesto, alguém acaba desconfiando e você é demitido. No meu caso, para que
eu possa trabalhar, é preciso que o patrão tenha confiança. Ser honesto é uma questão
de sobrevivência.”
1. Ao sair de um supermercado, você percebe que a caixa lhe deu R$ 50 a mais de
troco. Você volta e devolve o dinheiro?

Sim Não

2. Você bebeu demais em uma festa e suspeita que está acima do limite legal para
dirigir. Você volta dirigindo para casa?

Sim Não
3. Você encontrou uma brecha para sonegar imposto de renda, escondendo parte do
seu rendimento. Você faz isso?

Sim Não
4. O estacionamento do shopping está lotado – exceto pelas vagas reservadas a
deficientes físicos. Você estaciona o carro numa dessas vagas?

Sim Não
5. Você descobre que é possível fazer um “gato” da sua TV por assinatura pagando
apenas um ponto. Você faz isso?

Sim Não
6. Você precisa de envelopes e canetas em casa. Você os pega na empresa em que
trabalha?

Sim Não
7. Você encontra uma carteira na rua com R$ 100, sem endereço do dono. Você
entrega a carteira numa delegacia?

Sim Não
8. Você vê o marido/a mulher de sua melhor amiga/seu melhor amigo andando de
mãos dadas com um estranho. Você se sente obrigado a contar ao seu amigo(a)?

Sim Não
9. As toalhas do banheiro do hotel em que você está hospedado são muito bonitas e
de boa qualidade. Você coloca uma delas na mala e a leva para casa?

Sim Não
10. Está chovendo e você espera pelo ônibus numa longa fila. Quando o ônibus
chega, você percebe que não há lugar para todos e você não vai conseguir entrar se
não passar a frente das pessoas. Você fura a fila?

Sim Não
11. Você está dirigindo, voltando para casa, às 9 horas da noite e a rua está quase
vazia. Você excede o limite de velocidade em 20 km/h para chegar em casa mais
rápido?

Sim Não
12. Um amigo oferece a você, de graça, uma cópia ilegal de um caro software de
computador. Você o aceita e o instala no seu computador?

Sim Não
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