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Psicologia, Instituições e Organizações Sociais

Universidade de Fortaleza

26 de Maio de 2011

OBSERVANDO A SOCIEDADE DISCIPLINAR NO FILME ADEUS MR. CHIPS


(1939)

Palavras-chave: Michael Foucault. Sociedade. Disciplina. Controle. Mr. Chips.

Resumo

Um apanhado das idéias e conteúdos estudados no semestre de 2011.1 na discipina de


Psicologia, Instituições e Organizações Sociais com foco ao que se trata de Michael Foucault, a
Sociedade Disciplinar e em paralelo relataremos algumas passagens, comentários e considerações
do filme Goodbye Mr Chips (1939).

Introdução

O presente trabalho tem como objetivo principal discutir e articular a


questão da sociedade disciplinar a partir do filme “Adeus Mr. Chips” (1939), com a
teoria vista em sala de aula.
A sociedade disciplinar, atualmente, não se mostra mais tão presente, por
adotar certos métodos que não satisfazem mais, de certa forma, as demandas que
o passar do tempo constituiu, mas é de grande importância reconhecê-la e estudar
suas características, para que seja possível entender como ocorreu a passagem
desse modelo para a sociedade de controle, no dias atuais em vigor com maior
prevalência.
A sociedade de controle também será abordada neste trabalho, sendo
possível, dessa maneira, fazer uma comparação das duas concepções de
sociedades apresentadas.

Ana Cecília Coutinho


Ingrid Nogueira
Metodologia

A realização deste trabalho só pôde ser feita a partir de pesquisas feitas


com base em textos passados pela professora em sala de aula e também com o
auxílio da internet. Seminários apresentados em sala de aula complementaram a
realização do mesmo, com a finalidade de discutir o tema abordado junto com
colegas e professora, proporcionando, assim, uma melhor aprendizagem do
conteúdo.

Resultados e Discussão

Ao assistir o filme “Adeus Mr. Chips” (1939) é possível perceber que a


instituição em foco pode ser descrita como uma instituição total, fazendo parte,
dessa maneira, da antiga sociedade disciplinar.

Em primeiro lugar, instituições totais podem ser caracterizadas por seu


caráter de confinamento, tendo em vista que grande parte delas possui um lugar
específico no qual funcionam e, principalmente, limitam a vida do indivíduo a qual
pertence, por implantar uma barreira entre ele e o mundo externo. No filme, essa
semelhança surge de forma explícita, já que a instituição mostrada se refere à
uma escola interna.

A sociedade disciplinar tem, como principal característica, a preocupação


com o indivíduo, de modo a levar em conta que ele se constitui de um corpo que
precisa ser disciplinado e adestrado, para que, dessa forma, tenha maior eficiência
e seja o mais útil possível à sociedade em que vive.

A função da instituição mostrada no filme encaixa-se perfeitamente nas


definições de instituição total e sociedade disciplinar. A escola na qual Mr. Chips
dá aula tem, em uma de suas características, o fato de ser uma escola interna, na
qual os alunos não apenas assistem às aulas, mas também a tem como ambiente
de socialização, de lazer, e, principalmente, de moradia. Importante salientar que,
por ser uma escola interna, na qual o convívio é diário e constante, a instituição

Ana Cecília Coutinho


Ingrid Nogueira
mostrada no filme é composta exclusivamente de homens, tanto no núcleo dos
internos (alunos), como no núcleo dos professores e administradores (equipe
dirigente).

No filme, em uma fala do então diretor do colégio, em meio a uma conversa


com Mr. Chips, é possível perceber, de forma clara e evidente, o caráter formador
de personalidade que essas instituições podem assumir na vida dos indivíduos
que nela são inseridos: “Nosso ramo é o de moldar homens.”, e, logo após
declarar isso, o mesmo diretor afirma, que, para que tal função possa ser exercida
de forma a obter sucesso, é de grande necessidade de sua equipe dirigente a
habilidade de exercer autoridade suficiente para tal.

Ao fazer parte de uma instituição total, o indivíduo perde parte de sua


personalidade, e passa a se configurar, pura e simplesmente, como um dos vários
membros da instituição na qual está inserido.

A subjetividade do sujeito, dentro da instituição total, torna-se irrelevante, e


tudo que lhe diz respeito é imposto por ela, desde a roupa que o veste até a
comida que o alimenta.

Certos mecanismos de controle disciplinar são utilizados, para que a ordem


possa ser mantida. Os atos de vigiar e a conseqüente punição, caso regras não
sejam seguidas, são os mais conhecidos em uma sociedade disciplinar. Eles
agem como modeladores do comportamento do indivíduo dentro da instituição.

Englobada dentro de toda uma fiscalização acirrada que o indivíduo sofre


dentro da sociedade disciplinar, a subjetividade é um aspecto que demanda
bastante atenção. Com inúmeras limitações, o indivíduo é constantemente vítima
de restrições que não o deixam ser “ele mesmo”, e, por isso, sente-se violentado
de certa forma. Talvez pior do que a violência física, que é momentânea, a
violência contra a subjetivação seja muito mais traumática e seja fonte de maiores
conseqüências.

As três técnicas de poder estudadas por Foucault, a disciplinarização


(tecnologia de controle, sobretudo dos corpos adestrados), normalização (ou
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educação, isto é, controle positivo de comportamento e do pensamento, de
maneira sobretudo individualizante), e o biopoder (controle da população, tanto em
seu fluxo quanto em seu tamanho), mantém entre si relações circulares e
interdependentes. Durante os séculos XVIII e XIX podemos afirmar que foi o início
da "era do biopoder" e também nos tempos atuais, compreendido pela ampliação
crescente das articulações dos saberes biológicos e biomédicos com os
dispositivos jurídico-institucionais, com grande efeito na macropolítica, nas
relações entre Estados e no interior de cada Estado ou indo até mesmo à
interferência, micropolítica, no modo de vida das pessoas. Esse biopoder, que
teria como finalidade gerir a vida e fazer viver, se converte em em poder de morte,
de deixar e fazer morrer, questionado por Foucault "como é possível que um poder
político mate, reivindique a morte, exija a morte, faça matar, dê ordem para matar,
expunha à morte não apenas seus inimigos, mas também seus cidadãos?"
(FOUCAULT, 1996, p. 205).

A análise feita por Foucault é que há uma nova modalidade de racismos, de


caráter estatal e que é sustentada por princípios científicos técnicos "o que
permitiu a inscrição do racismo nos mecanismos do Estado foi, conjuntamente, a
emergência do biopoder. Este é o momento em que o racismo é introduzido como
mecanismo fundamental do poder e segundo as modalidades exercidas pelos
Estados modernos." (FOUCAULT, 1996, p.205). Recortamos uma fala de Mr.
Chips com o diretor, quando lhe é oferecido pensar sobre aposentar-se, esta fala
traz algumas características e efeitos desse racismo: "[...] dirige a escola como
uma fábrica de esnobes gananciosos. Aumentou as taxas, e os garotos que
deveriam estar aqui ficaram de fora. Métodos modernos, treinamento intensivo,
conversa fiada! [...]" Neste caso a morte significa não apenas a perda da energia
vital, mas também de oportunidades e mudanças para a vida/qualidade de vida
do(s) indivíduo(s).

O filme é também um ótimo exemplo para retratar as dualidades de forças,


das que atuam na Instituição escolar como também as que atingem o corpo
individualizado, levantando a questão das resistências. A vida do Sr. Chipping é
esse exemplo de resistência, que não necessariamente se opõe ou luta contra as
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Ingrid Nogueira
forças as quais está submetido, mas sim, "aprende como elas interagem" e se
permite viver em meio a essas confluencias. Podemos destacar seu desempenho
profissional no início de sua carreira como professor, na escola de Brookfield, com
o final desta, já tebdo educado e formado gerações de diversas famílias. Poderia
haver desitido do ofício no início, em meio a tantas dificuldades, ou no decorrer
quando lhe foram "exigido" mudanças para a modernização da escola e seu
ensino.

Ao contrário do que encontra-se na sociedade disciplinar, na qual os


mecanismos de controle visam os movimentos físicos do sujeito, onde ele se
encontra e o que está fazendo, na sociedade de controle o foco de monitoramento
são as informações, controladas a partir de interceptações feitas através de
mecanismos tecnológicos. Enquanto que na sociedade disciplinar o indivíduo é
identificar pela sua assinatura, na sociedade de controle ele é identificado a partir
de uma senha, e essa senha tem o poder de torná-lo divisível, determinando o que
ele pode ou não pode fazer. Por exemplo: quando um sujeito está numa loja e
quer fazer uma compra através do cartão de crédito, na maioria dos casos, salvo
algumas exceções, nas quais a assinatura ainda é pedida, é necessário que ele
digite uma senha para que o cartão seja liberado para o uso. Essa senha, sendo
aceita, permite que o indivíduo realize a compra e fique satisfeito. Caso a senha
não seja aceita, por qualquer tipo de problema, o indivíduo é impedido de comprar
o que deseja e se vê limitado por meio de uma tecnologia que antes não existia.

Na sociedade de controle, há uma suposta ausência de limites, por ela não


determinar suas ações de forma física. Não existe, na sociedade de controle, um
ambiente fechado na qual ela ocorre, como é o caso da sociedade disciplinar. O
poder é exercido de forma difusa, é caracterizado como horizontal e impessoal.

Conclusão
A vida e história do Sr Chipping é uma demosntração legível do que se trata
a Sociedade Disciplinar, com suas ferramentas de "adestramento", controle,

Ana Cecília Coutinho


Ingrid Nogueira
modelagem, punitiva, de exame e vigilância, tendo em vista que o personagem
passa a maior parte de sua vida lecionando e vivendo em uma Instituição, a
escola Brookfield, tradicional e inglesa. Nele observamos como funcionam os
dispositivos analisados e questionados por Foucault e outros autores, sem deixar
de lado o tempo histórico, as contingências sociais vigentes da época e que fazem
um contraste sem muita disparidade com os tempos atuais. Como as Instituições
agem e atuam sobre o corpo social e individual, o que muitas vezes pode vir a
reforçar idéias de que instituições como a escola, são naturais a sociedade,
dificultando o debate sobre a confluência de forças que há.

Referências

• BENELLI, Silvio José – A instituição total como agência de


produção de subjetividade na sociedade disciplinar – Scielo
Brasil, 2003. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v21n3/v21n3a08.pdf>. Acessado
em: 25 mai. 2011, 19:24:41.
• COSTA, Rogéria da – Sociedade de controle – Scielo Brasil,
2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?
pid=S0102-88392004000100019&script=sci_arttext>. Acessado
em: 25 mai. 2011, 18:25:36.
• FOUCAULT, Michel – Em defesa da sociedade: curso no
Collège de France (1975-1976) / Michel Foucault; tradução
Maria Ermantina Galvão – São Paulo: Martins Fontes, 1999.
• FOUCAULT, Michael - Genealogia del racismo. La Plata:
Altamira, 1996.

Agradecimento
Agradecemos à professora Luíza Freitas, pela sua atenção, dedicação e
preocupação para com seus alunos, pois foi através dela que tudo que vimos
nessa disciplina foi aprendido e que, com certeza, não será esquecido.

Ana Cecília Coutinho


Ingrid Nogueira
Ana Cecília Coutinho
Ingrid Nogueira