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Análise Transacional Aplicada ao Trabalho

Índice

1- COMUNICAÇÃO
1.1- Conceitos Básicos
1.2- Componentes da Comunicação
1.3- Intencionalidade do Emissor e Expectativa do Receptor
1.4- Interferências na Comunicação
1.5- Eficácia da Comunicação

2- AGENTE DA COMUNICAÇÃO
2.1- Substratos Estruturais da Comunicação
2.2- análise Estrutural da Personalidade
2.3- Substratos Funcionais da Comunicação
2.4- Análise Funcional da Personalidade
2.5- A Comunicação Interna
2.6- Um Modelo Psicológico da Comunicação Humana

3- ANÁLISE DAS TRANSAÇÕES INTERPESSOAIS E INTERGRUPAIS


3.1- As Transações Complementares
3.2- As Transações Cruzadas
3.3- As Transações Ocultas
3.4- Transações, Intercâmbio de Emoções e Desqualificação

4- AS POSIÇÕES EXISTENCIAIS E RELACIONAMENTO HUMANO


4.1- O Desenvolvimento da Posição Existencial
4.2- A Posição Existencial OK – OK
4.3- A Posição Existencial OK - NÃO OK
4.4- A Posição Existencial NÃO OK – OK
4.5- A Posição Existencial NÃO OK – NÃO OK
4.6- A Posição Existencial OK – OK
4.7- Confronto das Posições Existenciais
4.8- Posições Existenciais e Desempenho de Papéis
4.9- O Miniargumento e sua Influência no Desempenho Organizacional.

5- A PROGRAMAÇÃO SOCIAL DO TEMPO


5.1- O Isolamento ou Alheiamento
5.2- A Atividade
5.3- O Ritual
5.4- O Passatempo
5.5- Os Jogos Psicológicos
5.6- A Intimidade
5.7- Como Vivemos no Tempo com os Nossos Estados do ego.

6- JOGOS PSICOLÓGICOS
6.1- Conceituações
6.2- O triângulo Dramático do Karpman
6.3- Os Jogos Psicológicos que Ocorrem em Ambiente de Trabalho
6.4- Como Evitar os Jogos Psicológicos

7- BIBLIOGRAFIA
1. COMUNICACÃO:

1.1 – CONCEITOS BÁSICOS:

A palavra “comunicação”vem do latim “comunis”, que significa “comum”.


Comunicar, portanto, é tornar-se comum com alguém. E isso ocorre quando um
indivíduo fornece algo concreto ou abstrato a outro, diminuindo a diferença entre os
dois. As primeiras expressões da “comunicação” devem ter sido bem concretas. Um
fornecia a caça, o outro algum utensílio; ou era baseada em informações, principalmente
visuais – o ato de alguém afastar-se em direção ao campo de caça, induziria outros a
imitá-lo, ( o que mais tarde teria sido simplificado com o gesto da mão “dizendo siga-
me”, ainda hoje amplamente utilizado por nós). Quanto ao aspecto sonoro, ocorreu
também uma evolução do grunhido apenas biológico-emocional, para a emissão de
vocábulos abstratos, símbolos de objetos e fenômenos de nosso ambiente.
Mas, um aspecto básico da comunicação continua inalterável e o será sempre – só
há comunicação quando há compartilhação de algo, seja em nível concreto ou abstrato (
o ato de dar um presente a um índio tem um significado de “eu quero ser seu amigo”, do
mesmo modo que um olhar afetuoso, um aperto de mão ou a declaração oral explícita
em nossa sociedade).
Portanto a comunicação pode ocorrer em diversos níveis:
- Quando falamos a nosso colega de trabalho (comunicação oral);
- Quando entregamos um relatório a nosso chefe (comunicação escrita);
- Quando diminuímos a velocidade do carro ao ver a placa de 60 Km
(comunicação por símbolos visuais);
- Quando retornamos à sala de aula ao ouvir a sirene de término do intervalo
(comunicação por símbolos auditivos);
- Quando paramos a partida de baralho ao sentir o cheiro do churrasco
(comunicação por símbolo olfativo);
- Quando pulamos da cama ao sentirmos a palmadinha nas costas de “está na
hora” (comunicação interna – consigo mesmo).
Seja em qualquer nível, a comunicação exige pelo menos três elementos para que
possa ocorrer:
O EMISSOR pode ser um animal, uma pessoa, uma organização (jornal, TV,
rádio); o CANAL pode ser o ar, a água, o papel a ser escrito; e o RECEPTOR pode ser
uma pessoa ou grupo que escuta, vê, sente o cheiro ou percebe de outro modo.

FONTE CANAL RECEPTOR


OU
EMISSOR

Na sociedade humana o ato de comunicar –se confunde-se co o de viver.


Imaginem um indivíduo isolado desde o seu nascimento – sua vida não terá uma
duração maior do que alguns dias. Na espécie humana isso é patente devido ao longo
período necessário para que tornemos aptos a receber o “certificado de agora já pode
sozinho”. A dependência inicialmente biológica transforma-se em psicológica, devido ao
grande volume de informações que precisamos “gravar” antes de sermos considerados
aptos a viver em sociedade.
À semelhança da vida, a comunicação é um processo e como tal, o dinamismo é
sua característica fundamental. Isso ocorre graças à continua interação entre EMISSOR
e RECEPTOR através da mensagem transmitida. Ao solicitar uma informação, a pessoa
atua como emissor e seu interlocutor como receptor. Esse, o fornecer a informação
solicitada, assume o papel de emissor enquanto que o primeiro transforma-se em
receptor.
Para melhor compreendermos a comunicação, podemos empregar o modelo
abaixo simplificado, que simboliza através das setas o dinamismo do processo:

EMISSOR RECEPTOR
CANAL
RECEPTOR EMISSOR

Por outro lado, a comunicação humana é abordada por diversos ramos da ciência
sob vários enfoques. Dentre estes, temos a Matemática, Antropologia Lingüística e a
Psicologia Social. Os Matemáticos abordam o assunto a partir de três enfoques: a teoria
da informação, a engenharia de comunicações técnicas e a cibernética. Os antropólogos
lingüistas estudam as línguas existentes e/ou desaparecidas e procuram estabelecer
relações entre os símbolos utilizados em diversas épocas e áreas geográficas.
Os psicólogos sociais estudam especificamente a interação humana, auxiliados por
conceitos e informações obtidas a partir dos matemáticos e dos antropólogos, entre
outras fontes. Da teoria da informação matemática são obtidas conclusões sobre a
quantidade de informações que podem ser transmitidas por um canal e sua relação com
os códigos. Da engenharia de comunicações técnicas, que estuda a transmissão de
mensagens de um ponto a outro, recebeu modelos e conceitos para o estudo da
comunicação entre grupos humanos dentro das organizações. Da antropologia
lingüística aproveitou as conclusões a respeito do fenômeno, que não deixa de ser
psicológico, o “choque cultural”.
Cada uma dessas três áreas científicas enfoca os três campos básicos da
comunicação humana: a sintaxe (relação dos símbolos entre si), a semântica (relação
entre os símbolos e as coisas) e a pragmática (relação entre os símbolos e as pessoas).
A matemática através de Claude Shannon nos forneceu um modelo geral do
processo da comunicação:

EMISSOR CODIFICADOR CANAL DECODIFICADOR RECEPTOR

MENSAGEM MENSAGEM MENSAGEM


ENVIADA CODIFICADA RECEBIDA

RUÍDO

E a partir deles podemos considerar os seus componentes. É o que faremos a


seguir.

1.2 – COMPONENTES DA COMUNICAÇÃO:


1 – O EMISSOR
2 – O CODIFICADOR
3 – O CANAL
4 – A MENSAGEM
5 – O RECEPTOR
6 – O DECODIFICADOR
O EMISSOR é aquele que tem uma informação, sentimento ou emoção que deseja
transmitir. Para isso usa um código (sistema de sinais) através do qual codifica a
mensagem que será transmitida ao receptor que, por sua vez, a decodifica para
aprender o significado da mensagem recebida.
O CODIFICADOR, do ponto de vista psicológico, é parte integrante do emissor e
pode funcionar como seletor ou como transformador das informações que deverão ser
emitidas. É anatomicamente a rede neuronal pré-frontal e funcionalmente um circuito
reverberante formado, mantido e desenvolvido pelas experiências cotidianas vividas por
cada pessoa. Daí, a peculiaridade e individualidade do codificador, que, em última
instância, é a personalidade do indivíduo. Atua como seletor quando o emissor retém,
consciente ou inconscientemente, parte das informações que pretende transmitir. E
funciona como transformador, quando o emissor emite uma informação ou equivalente,
com seu teor adaptado ás circunstâncias, embora não seja fidedigna (uma confissão
sob pressão, por exemplo).
O DECODIFICADOR está para o receptor assim como o codificador está para o
emissor. Para que uma informação seja compreendida, é necessário a sua adequação
ao sistema de informações já gravado no receptor. Assim, dizer a um caboclo do nosso
sertão que o homem já chegou à lua é uma afronta a sua fé que o faz acreditar que a
lua é de Sã Jorge. É portanto necessário compatibilizar a informação emitida ao sistema
referencial do receptor, para que ocorra uma comunicação eficaz.
Poderemos conceituar codificador e decodificador de outras maneiras,
dependendo do nível em que analisarmos, ou seja, conforme nosso próprio
decodificador. Assim, pode ser considerado codificador a faculdade motora do emissor,
ou a máquina de escrever que utiliza. E decodificador pode ser o sistema visual ou
auditivo do receptor ou a legenda na tela do cinema ou o rádio (decodifica ondas
eletromagnéticas).
O CANAL é o veículo que transporta a mensagem, como por exemplo, o ar ou o fio
telefônico, condutores da palavra falada e a página, da palavra escrita.
MENSAGEM é o elemento emitido e recebido sob forma de código, conforme suas
características. Pode ser um aperto de mão, um “bom dia” , um conto escrito.
RUÍDO é um conceito típico da teoria matemática da comunicação e refere-se ao
conjunto de fatores que dificultam a transmissão eficaz da mensagem.
Exemplo dos diversos componentes: Leitura de um livro.
FONTE OU EMISSOR: escritor.
CODIFICADOR: Faculdade motora do emissor
Personalidade do emissor.
MENSAGEM: as estórias, contos, impressos.
CANAL: livro.
RUÍDO: uma pagina mal impressa – um erro de paginação.
DECODIFICADOR: sistema visual do receptor
Personalidade do receptor.
RECEPTOR: leitor.

1.3 INTENCIONALIDADE DO EMISSOR E EXPECTATIVA DO RECEPTOR:

A emissão de um comportamento, seja corporal ou verbal, é sempre resultante de


uma motivação interna e de um objetivo a ser atingido pelo agente da ação no meio
externo. Em outras palavras, há uma intenção, cujo alvo é diminuir a dependência do
indivíduo de seu meio, aumentando seu poder de influência nos outros e em si mesmo e
tornando-o cada vez mais autônomo. E a maneira mais adequada de atuar no meio, nas
outras pessoas e em si mesmo é a comunicação.
Afetar intencionalmente o comportamento de outra pessoa é um objetivo nítido da
comunicação e significa conseguir que a mensagem produza no receptor a conduta
esperada pelo emissor.
Há portanto implícitos no processo de comunicação dois fatores interferentes: a
intenção do emissor de conduzir o receptor a emitir uma resposta determinada; e a
expectativa do receptor de receber uma informação, atitude ou comportamento pré–
determinado, que venha a adequar-se a sua maneira de ser. Não é muito difícil prever
as interferências que esses fatores produzem na comunicação. A intenção do emissor,
de induzir o receptor a apresentar uma conduta desejada, está em estreita relação com
o grau de conhecimento que possui desse último. Quanto maior o conhecimento que
uma pessoa tem de outra, mais fácil será induzi-la a uma conduta desejada. A mesma
regra aplica-se a expectativa do receptor: quanto maior o seu conhecimento sobre o
emissor maior a probabilidade de previsão das suas condutas.
Tanto a intenção como a expectativa são fatores que também determinam o grau
de “’ruído” de uma comunicação, e com isso, sua maior ou menor eficácia. E por não
encontrar-se a nível de canal, é necessário uma ampliação do conceito matemático de
ruído, restrito apenas ao canal, para os componentes emissor e receptor. A
intencionalidade pode gerar um “ruído” intra-emissor a nível de decodificador. Podemos
dizer que essas interferências são basicamente do campo da psicologia e por isso as
veremos em detalhes no próximo capítulo, quando tratamos da estrutura e função da
personalidade do agente da comunicação.
Entretanto, adiantaremos algumas considerações a respeito. Uma delas é que não
podemos separar os objetivos da comunicação (intencionalidade) e a pessoa receptora,
uma vez que sua resposta está condicionada às características do sue decodificador,
que possui poder de alterar o significado da mensagem conforme suas expectativas.
Entretanto, por não considerar esse princípio, ocorre ao nível dos dois
componentes (emissor e receptor) um fenômeno psicológico conhecido como
DESQUALIFICAÇÃO. Impulsonado por uma intenção que não deixa de ser
manipulatória, o emissor “passa por cima” da personalidade do receptor, visando
apenas atingir seu intento: induzi-lo a a comportar-se conforme seu desejo. Em
contrapartida, o receptor defende-se da investida por meio de uma imagem pré-
concebida do emissor, uma repesentação mental que gera uma expectativa, que por
sua vez desqualifica a verdadeira maneira de ser do emissor. é como se ambos
portassem uma lança e um escudo, respectivamente a intenção e a expectativa,
determinados pela imagem virtual que um possui do outro.
Estudaremos mais adiante o fenômeno da desqualificação, resultante do conjunto
emissor – receptor.

Ih! Lá vem ele.


Vou apresentar
Além de medíocre,
um relatório
como é chato!
muito bom. Sei
Aposto que seu
que ele vai
relatório será mais
elogiar-me.
um vexame.

FUNCIONÁRIO CHEFE
(com intenção de receber (na expectativa de receber
um elogio) mais um relatório medíocre
devido à imagem que faz do
funcionário.)
1.4 – INTERFERÊNCIAS NA COMUNICAÇÃO:

Entendemos como interferência o efeito resultante da ocorrência de fatores que


diminuem o nível de eficácia da comunicação. Podem surgir em qualquer componente
ou no contexto onde ocorre a comunicação.
Podem ser considerados como interferências no Emissor: uma alteração
anatômica; um comprometimento funcional ou metabólico; um hábito fortemente
arraigado; uma alteração do auto-conceito, seja uma supervalorização ou
desvalorização de si; um estado psicopatológico; um preconceito sobre o receptor; um
estado emocional.
Ao nível de RECEPTOR, as interferências são quase as mesmas, acrescentando-
se alterações da senso- percepção e expectativa sobre o EMISSOR.
Ao nível do CANAL, podemos considerar a sua inadequação à transmissão da
mensagem (por exemplo: utilizar o telegrama para uma mensagem de amor); a
presença de fatores estranhos (por exemplo: uma página com inúmeros borrões de
tinta); um número muito elevado de mensagens passando pelo mesmo canal (discussão
num grupo recém-formado com vários emissores atuando ao mesmo tempo).
Ao nível da MENSAGEM, temos uma má utilização dos códigos; o
desconhecimento do código do emissor pelo receptor; a tonalidade emocional utilizada
pelo emissor.

1.5 – EFICÁCIA NA COMUNICAÇÃO

A eficácia na comunicação é determinada pela realização do objetivo fundamental


do emissor: influir intencionalmente no comportamento do receptor.

Isso depende de vários requisitos tais como:


A) Atitude do emissor com relação ao tema da mensagem : - Um vendedor
oferecendo uma linha de produtos, porém com atitudes diferentes com relação
a cada um deles; a eficácia da sua venda será determinada por sua atitude
mais ou menos favorável diante de cada um deles.
B) Atitude do emissor com respeito a si mesmo: - A maior ou menor verbalização
de si pode determinar o sucesso ou fracasso de um candidato a certo
emprego. O mesmo pode ocorrer quanto a sua aceitação ou não – a falta de
auto-confiança pode facilmente gerar o fracasso de um vendedor.
C) Posição relativa do emissor e do receptor no sistema sócio – cultural: - O
padrão de informação deve adequar-se ao status do receptor, do contrário,
poderão surgir conflitos: um chefe de seção dirá claramente o que achada
atitude inadequada de seu funcionário; ao passo que, ao dirigir-se ao seu
diretor por um motivo similar, o fará com inúmeros rodeios e perâmbulos, se o
fizer.
D) Habilidades comunicativas do emissor: - Diz respeito ao domínio de
habilidades vinculadas à codificação como: escutar, escrever, ler, pintar,
desenhar, gesticular, falar. Ao escrever um livro, quanto maior for o domínio
das regras estilísticas, do vocabulário, das leis gramaticais, maior será a
eficácia de sua comunicação, e assim, sua mensagem atingirá os objetivos
pretendidos. A codificação , nesse caso, dependerá dos sinais pelo emissor,
que além disso poderá escolher o código mais adequado ao canal que
pretenda utilizar.
E) Atitude do emissor face ao receptor: - Um exemplo claro é o preconceito.
Nesse caso, o emissor inicia a comunicação, partindo de um pressuposto que
geralmente não confere coma a realidade, afetando grandemente a eficácia
da comunicação estabelecida. – Um chefe que possui a atitude preconcebida
de que o funcionário José é um sujeito medíocre e que só faz coisas erradas,
comprometerá a eficácia da sua mensagem quando dirigir-se àquele
funcionário. E mesmo que não fale o que pensa, sua atitude poderá ser
percebida por gestos, tom de voz ou outro indício corporal. E nesse caso,
estará emitindo duas mensagens ao mesmo tempo; uma verbal (aparente) e
outra corporal (encoberta), essa geralmente inconsciente. Surge com isso
uma discrepância na comunicação, que levará o emissor a possíveis
transtornos. O emissor, não estando consciente de sua mensagem encoberta
(psicológica), será apanhado de surpresa se o receptor responder a ela ao
invés de, a sua mensagem oral (nível social). Há, portanto, nesse caso um
“ruído” no emissor que o impede de conhecer as mensagens que emite,
tornando-o irresponsável por seus atos. Daí a necessidade do auto-
conhecimento como um pré-requisito a uma comunicação interpessoal
realmente eficaz.
F) Nível de conhecimento do teor da mensagem pelo receptor: - Se o emissor dá
uma informação já conhecida pelo receptor, não despertará muito a atenção
desse, que tenderá a dispersar-se em seus pensamentos. Isso ocorre
frequentemente em sala de aula, quando o aluno já sabe o que o professor
dirá sobre determinado assunto.
Pode ocorrer também o inverso: se o nível de conhecimento do receptor sobre
certo assunto for muito elementar, o emissor não atingirá seu objetivo ao transmiti-lo.
Podemos concluir que a eficácia da comunicação é inversamente proporcional ao
nível de ruído em seus componentes, de tal forma que quanto maior o nível de ruído
maior a eficácia.
2 – O AGENTE DA COMUNICAÇÃO

Denominamos “agente da comunicação” o indivíduo que, ora atua como emissor,


ora como receptor. O estudaremos na seguinte ordem: inicialmente sua estrutura (visão
estática); depois sua dinâmica interna; e a seguir (no tópico 3) sua dinâmica externa,
através da análise de interação de dois ou mais agentes.

2.1 – SUBSTRATOS ESTRUTURAIS DA COMUNICAÇÃO:

Já vimos no tópico anterior, os pré - requisitos de uma comunicação eficaz.


Estudaremos nesse tópico, em maiores detalhes, um desses pré – requisitos: a
estrutura do agente (emissor e receptor), que em outros termos, constitui o substrato da
comunicação.
O primeiro substrato é o anatômico, constituído principalmente pelos sistemas
ósseo, muscular e nervoso, os principais responsáveis pela ocorrência de
comportamentos e a recepção de estímulos (informações). A ocorrência de algum
distúrbio em um deles leva a um maior ou menor comprometimento da eficácia da
comunicação, dependendo do grau do distúrbio ocorrido. Assim, um braço quebrado é
um obstáculo para a emissão de informações escritas como uma mandíbula quebrada o
é para a emissão oral. Uma ruptura muscular (ou tendinosa) de um órgão de emissão
(mão, boca) leva a uma paralisia que impedirá a ocorrência da mensagem pelo órgão
afetado. E mais grava ainda é a ocorrência de uma anomalia anatômica do sistema
nervoso, o que poderá inclusive bloquear qualquer tipo de informação (estado vegetativo
oriundo de um traumatismo do sistema nervoso central).
Outro substrato estrutural responsável pelo nível de eficácia da comunicação é a
“estrutura” psíquica do agente, oriunda da gravação de imagens percebidas e de
atitudes e condutas expressas e que conforme a teoria neuro – fisiológica dos “rastros
nervosos” produz uma espécie de “mapa” cortical, responsável pelas atitudes e
comportamentos futuros do indivíduo. Estudaremos essa estrutura no item seguinte.

2.2 – ANÁLISE ESTRUTURAL DA PERSONALIDADE:

Por volta de 1951, Wilder Penfield, um neurocirurgião da Universidade de HcHill de


Montrela – Canadá, efetuava investigações de focos epiléticos no cérebro de seus
pacientes, no sentido de localizá-los para em seguida tratá-los. Seu método consistia na
estimulação do córtex cerebral através de uma minúscula sonda provida de um
microeletrodo, que emitia uma corrente elétrica de baixa intensidade. Entretanto surgiu,
a certa altura dos acontecimentos, uma variável não prevista por ele: reações verbais
dos pacientes que ao serem estimulados em determinados pontos de seu cérebro,
recordavam-se nitidamente de certos eventos de sua vida, ou emitiam certos
comportamentos verbais ou emocionais. Após a surpresa inicial de que foi tomado em
suas pesquisas, Penfield resolveu iniciar um estudo sistemático dessa variável
interferente. E no decorrer de inúmeros anos acumulou dados, até então inéditos, que
viriam mais tarde alterar o rumo do estudo do comportamento e atitude humana.
Durante as experiências, o paciente sob anestesia local, continuava
completamente consciente e podia falar com o experimentador. Apresentaremos abaixo,
algumas conclusões principais a que chegou Penfield em seus anos de trabalho:
- Inicialmente, conforme suas próprias palavras “a experiência psíquica assim
produzida (através da estimulação elétrica), interrompe-se quando o eletrodo é
retirado e pode repetir-se quando ele é reaplicado”.
Suas outras conclusões forma:
- O eletrodo evoca apenas uma recordação e não uma mistura de lembranças ou
uma generalização.
- A reação ao eletrodo era involuntária “sob a influência irresistível da sonda, uma
experiência familiar aparecia na consciência do paciente que desejasse focar sua
atenção nela ou não. Uma canção era ouvida, provavelmente da mesma forma
como fora ouvida em certa ocasião: ele se encontrava fazendo parte de uma
situação específica que progredia e se desenvolvia exatamente como a situação
original. Era para o paciente, a representação de uma peça conhecida, onde era
ao mesmo tempo ator e platéia”. (Penfield in Memory Mechanisms, 1952).
- Não apenas os acontecimentos passados são recordados em detalhe, mas
também as sensações associadas a tais eventos: “ O paciente vive de novo a
emoção que o acontecimento produziu nele originalmente, e é cônscio das
mesmas interpretações, corretas ou falsas, que deu então à experiência”.
(Penfield).
- O registro da lembrança continua intacto mesmo depois que o indivíduo não
possa mais recordá-la: “A recordação evocada no córtex temporal retém o
caráter detalhado da experiência original. Quando ela é assim introduzida na
consciência do paciente, a experiência parece estar acontecendo no presente,
possivelmente porque força tão irresistivelmente sua atenção. Só quando ela
acaba é que o paciente pode reconhecê-la como uma vívida lembrança do
passado”. (Penfield).
- Os registros da memória evocados através da sonda elétrica são em seqüência e
contínuos: “Quando o eletrodo é aplicado ao córtex da memória, pode produzir
um quadro, mas o quadro geralmente não é estático. Ele se modifica quando
visto originalmente, e o indivíduo talvez tenha alterado a direção de seu olhar. E
segue a mesma sucessão de acontecimentos observados durante os segundos
ou minutos em que se desenrolaram. A canção produzida por estímulo cortical
(elétrico) progride lentamente, de verso em verso, e de uma parte para outra”.
(Penfield).
- O fio que dá continuidade e seqüência ás lembranças evocadas parece ser o
tempo: “O fio da sucessão temporal parece ligar elementos da recordação
evocada. Parece também que apenas os elementos sensoriais aos quais o
indivíduo estava prestando atenção são registrados, e não todos os impulsos
sensoriais que estão sempre bombardeando o sistema nervoso central”.
(Penfield).
- Outra conclusão foi que experiências similares são gravadas próximas de tal
modo que o julgamento das diferenças e similaridades seja possível.
Com base nessa série de dados, Penfield concluiu:
- “A demonstração da existência de “desenhos” corticais que preservam os
detalhes da experiência corrente, como uma biblioteca de muitos volumes, é um
dos primeiros passos na direção de uma fisiologia da mente. A natureza do
desenho, o mecanismo da sua formação, o mecanismo da sua utilização
subseqüente e os processos integrados que formam o substrato da consciência
tudo isso será um dia passado para fórmulas fisiológicas.”
E ERIC BERNE, psiquiatra canadense foi quem primeiro lançou mão das
conclusões de PENFIELD, estruturando o que mais tarde receberia o nome de Análise
Transacional, talvez a mais recente conquista do homem para o seu próprio
conhecimento.
Foi numa sessão de psicoterapia, com um advogado como seu cliente, que Berne
ficou consciente das mudanças que ocorriam no padrão de atitudes e comportamentos
das pessoas: num intervalo de minutos, o seu cliente mudou de uma atitude
compenetrada, analisadora, de raciocínio frio e preciso para outra de insegurança
emocional, futilidade e “relaxamento” e em outra ocasião, apresentava uma reação de
crítica da atitude que havia tomado ou de crítica do próprio terapeuta. Com o intuito de
simplificar o seu trabalho e facilitar a compreensão dos padrões de comportamentos que
ocorriam, BERNE denominou-os respectivamente de Adulto, Criança e Pai, por
apresentarem muita semelhança com a idade adulta e infantil e com o papel de pai.
Com isso implementava-se a idéia, muito antiga, de que o homem é um ser que possui
uma personalidade global, porém formada por “subpersonalidades”, a que BERNE deu o
nome de estados do ego.
Assim, surgiram os conceitos, em1957, de estados de ego Pai, Adulto e Criança,
com base estrutural da personalidade, confirmados pelas experiências de Penfield, que
concluiram sobre a existência de estruturas nervosas indeléveis, responsáveis por
atitudes, emoções e comportamentos específicos. Faz-se necessária uma pequena
ressalva a esta altura, apresentada pelo próprio ERIC BERNE: “Pai, Adulto e Criança
não são conceitos como Superego, Ego e Id, mas realidades fenomenológicas. O
estado de ego é produzido pela reprodução de dados de acontecimentos no passado,
envolvendo pessoas reais, ocasiões reais, decisões reais e emoções reais”.
Estudaremos os estados de ego através do diagrama abaixo:

PAI P

OU
ADULTO A

CRIANÇA C

O desenho acima é conhecido como diagrama P.A.C e refere-se aos estados de


ego ao nível de 1a ordem, (mas adiante veremos outros diagramas mais complexos).

2.2.1 – O ESTADO DE EGO PAI:

- É um conjunto de registros no cérebro, resultante da gravação de atitudes e


comportamentos oriundos de nossos pais ou pessoas que atuaram como tal
(tios, avós, irmãos mais velhos) ocorridos até uma idade grande de
aproximadamente seis anos. esses registros têm uma importância muito grande,
pois é através deles que o indivíduo mais tarde protegerá seus filhos;
comportamento imprescindível à perpetuação da espécie humana. Por terem
sido gravados nessa faixa etária têm conotação de verdades absolutas, de
dogmas.
Entre as funções do pai temos as de : educar; de proteger; de alimentar; de
moralizar (distinção entre bem e mal); servir de modelo para o indivíduo vir a ser pai ou
mãe; dirigir e controlar os outros; criticar. Outra função muito útil para o nosso dia a dia é
a de tomar uma série de nossos comportamentos automáticos, de grande importância
para a manutenção de nossa vida e economia de tempo e energia quando nos
deparamos com certas situações. Por exemplo, diante do fogo surge imediatamente
uma ordem de “não toque aí”, e de um precipício “não chegue muito perto”. Imaginem a
perda de tempo e energia, além dos riscos de vida que correríamos, se a cada situação
dessas tivéssemos que analisar, experimentar e ver resultados.
Por outro lado, além dessas funções positivas que trazemos em nosso Pai, existem
também os registros negativos, que nos tolhem, nos humilham, nos castigam
internamente, resultantes de atitudes e comportamentos de nossos pais com os
preconceitos, os castigos, a proteção excessiva.
2.2.2 – O ESTADO DE EGO CRIANÇA:

Uma das conclusões de Penfield é que “o paciente sente de novo a emoção que o
acontecimento produziu originalmente” ... o que em outras palavras significa dizer que
ao mesmo tempo em que é registrado um acontecimento externo (atitude ou
comportamento dos pais, por exemplo) o indivíduo também registra as reações internas
àquela cena que ele viu e ouviu.
O conjunto formado pelos registros dessas reações internas somado aos registros
biológicos (instintos) adquiridos geneticamente é denominado Criança. É nossa parte
infantil, que independe de nossa idade cronológica. Representa os comportamentos
emocionais como a alegria e tristeza, o amor e o ódio, o prazer e a dor, o destemor e o
medo; a curiosidade; a intuição e todas as funções fisiológicas.

2.2.3 – O ESTADO EGO ADULTO:

Aproximadamente por volta dos dez meses de vida, a criança começa a deslocar-
se por seus próprios meios, ainda de maneira descoordenada, mas o significado dessa
fase de seu desenvolvimento é de uma importância vital. Ela está saindo de seu estado
de total dependência e entrando no mundo que a rodeia, por seus próprios meios. A
certa altura de sua atuação ela descobre que para apanhar o seu brinquedo precisa
apenas esticar o braço e para chegar até a porta de seu quarto basta engatinhar em sua
direção. A ocorrência desses comportamentos deve-se ao surgimento do estado de ego
Adulto, ainda em fase de estruturação. Nesse período de vida o Adulto ainda é
extremamente frágil e, uma ordem do Pai ou o medo da Criança podem “derrubá-lo”.
Porém com o contínuo processo de amadurecimento, ele vai tornando-se mais
resistente até tomar conta da vida do indivíduo.
Dentre as inúmeras funções do Adulto , estudar, trabalhar e ganhar dinheiro, talvez
sejam as principais. Esse estado de ego funciona como um verdadeiro computador do
indivíduo, responsável pela coleta e análise de dados e tomada de decisão.
Enquanto através do Pai, o indivíduo adquire “um conceito ensinado” de vida e por
meio da Criança um “conceito sentido”, com o Adulto desenvolve um “conceito pensado”
da vida, baseado em informações colhidas de seu ambiente, do Pai e da Criança e
analisadas posteriormente.
“É através do Adulto que a pequena pessoa pode começar a saber a diferença
entre a vida como lhe foi ensinada (Pai), a vida como ela própria a sentiu, desejou e
fantasiou (Criança) e a vida como a vê por si só (Adulto)”. (THOMAS A . HARRIS).

(Estruturado a partir do nascimento, até os


PAI
cinco anos de idade)
Registro de acontecimentos externos.
Conceito de vida ensinado.

ADULTO (Estruturado a partir dos dez meses de idade).


Registro de dados colhidos e computados
Através da exploração e do exame.
Conceito de vida pensado.
Após desenvolver o diagrama estrutural da personalidade que descrevemos, ERIC
BERNE observou, através de suas experiências clínicas, a ocorrência de condutas
diferenciadas em cada estado de ego, ou seja, o comportamento do Pai, por exemplo
(Estruturado a partir do nascimento, até os
CRIANÇA
cinco anos).
Registro de acontecimentos internos.
Conceito de vida sentido.

não era uniforme, ao contrário, apresentava diferenças bem delineadas. O mesmo


ocorria com o estado de ego Criança e Adulto. Com base nos dados acumulados ao
longo dos anos, BERNE concluiu sobre a existência de subestados de ego e com isso
acrescentou o esquema estrutural de 2a ordem.

P A

A
A

C
A

2.2.4 – ANÁLISE DE 2a ORDEM DO ESTADO DE EGO CRIANÇA:

BERNE dividiu este estado de ego em três subestados:


A) Criança da Criança ou Criança Natural;
B) Adulto da Criança ou “pequeno professor”;
C) Pai da Criança ou “Criança adaptada”.

A) CRIANÇA DA CRIANÇA OU CRIANÇA NATURAL:

É o nível biológico da personalidade, resultante direto das mensagens genéticas.


(contém o Id psicanalítico).
Suas funções podem ser divididas em dois grupos:
- Positivas ou construtivas:
- Impulso para a vida, para o prazer, para o amor.
- Negativas ou destrutivas:
- Impulso para a morte, para o desprazer, para a agressão, para a fuga.

B) ADULTO DA CRIANÇA OU PEQUENO PROFESSOR:


É o subestado de ego responsável pela operação de captar, analisar e decidir em
nível intuitivo as atitudes e comportamentos da criança em quando diante de alguma
situação ambígua. É incrível observarmos a perspicácia, a agudeza de percepção de
uma criança de quatro anos, que chega inclusive a surpreender os próprios pais. Foi
desse fato que BERNE sugeriu a denominação “pequeno professor” ao Adulto da
Criança.
Dentre suas funções encontramos a intuição, a empatia, a criatividade, a
curiosidade, a vivacidade.

C) PAI DA CRIANÇA OU CRIANÇA ADAPTADA:

É a resultante das condutas e atitudes sugeridas pelos pais visando “acondicionar”


a Criança Natural aos padrões ditados e exigidos pela sociedade. É portanto o produto
do choque entre o biológico e o social.
Há duas expressões básicas da Criança Adaptada: as condutas de submissão e as
de rebeldia. É imprescindível que tenhamos esse componente de personalidade
(Criança Adaptada Submissa) para que nos adaptemos a vida em sociedade. Porém há
outro lado, o risco do exagero que poderá conduzir a uma despersonalização, se a
quantidade de condutas de submissão (incutidas pelos pais) for muito elevada.
Quando o indivíduo cresce, é esse subestado de ego que recebe as
“recomendações” de não deve, não pode do estado de ego Pai.

2.2.5 – ANÁLISE DE 2a ORDEM DO ESTADO DE EGO ADULTO:

Esse estado de ego foi dividido em três subestados:


a) Criança do Adulto ou Pathos;
b) Adulto do Adulto ou Technos;
c) Pai do Adulto ou Ethos.

A) CRIANÇA DO ADULTO OU PATHOS:

É resultante da atualização de conteúdos emocionais da Criança, de acordo com a


realidade e o pensamento lógico. É o componente da personalidade responsável pela
simpatia, pelo charme, pela compaixão pelos sofrimentos dos outros (sem ser lástima ou
comiseração).

B) ADULTO DO ADULTO OU TECHNOS:

É o “computador” propriamente dito. E conforme o enfoque cibernético seu


funcionamento pode ser simplificado para três operações básicas:
- A entrada da informação (Imput);
- O processamento da informação (throughput);
- A saída da informação ou resposta (output). Sua função básica é raciocinar
friamente.

C) PAI DO ADULTO OU ETHOS:

Representa a atualização de conteúdos morais do Pai, conforme a realidade e o


pensamento lógico. Como resultante temos um subestado de ego responsável pela
manutenção de comportamentos e atitudes éticos, sempre levando em consideração a
situação, o momento presente e as influências futuras.

2.2.6 – ANÁLISE DE 2A ORDEM DO ESTADO DE EGO PAI:


Foi dividido nos três subestados:

a) Criança do Pai ou “Bruxa/ Papão”;


b) Adulto do Pai ou Pai Nutritivo;
c) Pai do Pai.

Como observação apenas, utiliza-se em psicoterapia, também uma subdivisão


vertical do estado de ego Pai, por ser formado a partir dos dois progenitores, o pai e a
mãe. Em nosso estudo, esse detalhe não é muito relevante.

A) CRIANÇA DO PAI OU “BRUXA”:

É o subestado responsável por atitudes e comportamentos de fúria, de mensagens


de desalento, de críticas destrutivas oriundas do api ou mãe. Quando um pai pune
fisicamente seu filho com uma fúria selvagem, ou quando olha com desprezo após
algum acontecimento
desagradável, está atuando com sua Criança do Pai ou Bruxa.

B) ADULTO DO PAI OU PAI NUTRITIVO:

“É a parte “sadia” dos pais que atua protegendo, nutrindo e ensinando mediante
uma adequação temporal e espacial oportuna e objetiva”. (Kertész).
É fácil conhecermos quando uma pessoa está atuando com seu Pai Nutritivo. Suas
expressões de proteção (um braço em cima do ombro da outra pessoa), uma carícia
sobre a cabeça de uma criança, um sorriso compreensivo ante a distração de alguém,
um olhar afetuoso de compreensão. É este subestado do ego que protege o
desenvolvimento da espécie humana.

C) PAI DO PAI:

É a parte da personalidade oriunda da gravação das normas morais, religiosas,


históricas. É o Pai por excelência e tem entre suas funções a de perpetuar a sociedade
através do ensinamento dogmático das normas acima enumeradas, além das
superstições, mitos e crenças. Julga, moraliza, perdoa os erros e institui o que “deve
ser”.
Agora que já apresentamos as principais noções sobre a estrutura da
personalidade, cabe-nos ressaltar um aspecto importante: todos os estados e
subestados do ego possuem aspectos positivos e aspectos negativos. Assim, o Adulto
por exemplo, pode conduzir o indivíduo em direção ao bem ou no sentido do mal (sob o
aspecto social). Utilizamos o diagrama abaixo para representar essa polaridade dos
estados do ego.

(-) (+)

A
2.2.7 – O ECOGRAMA:

É um esquema elaborado inicialmente por JACK DUSSAY, cujo objetivo é


representar graficamente o potencial relativo dos diversos estados do ego.

Pai Crítico Pai Nutritivo Adulto Criança Livre Criança Adaptada

O ECOGRAMA IDEAL

Obs.: CRIANÇA LIVRE - è um conceito que veremos, no tópico “Análise Funcional


da Personalidade”, em maiores detalhes. Entretanto podemos adiantar que é um
subestado resultante da fusão da “Criança Natural” com o “Pequeno Professor” (Criança
da Criança e Adulto da Criança).
O egograma é traçado por cada indivíduo, a partir de sua própria percepção sobre
a força relativa de seus diversos estados de ego. Se o seu comportamento for “dirigido”
principalmente pelo Pai Nutritiva, a barra desse subestado de ego será maior que as
outras, no egograma.

2.3 – SUBSTRATOS FUNCIONAIS DA COMUNICAÇÃO:

A estrutura anatômica sem seu dinamismo, não representa nada em termos de


comunicação. Não passa de um suporte sem utilização.
Fisiologicamente, a grosso modo, o substrato funcional do organismo pode ser
representado por um ciclo de três eventos interdependentes: 1- Processamento dos
insumos orgânicos básicos (alimento, oxigênio, água) que constitui o metabolismo
gerador de energia para ativação dos órgãos. 2- Ativação do sistema nervoso que
mantém e eleva o tônus muscular. 3- Ativação muscular, que possibilita o organismo
obter novos insumos completando o ciclo vital.

TRANSFORMAÇÃO
EM ENERGIA

INSUMO DO
AMBIENTE

ATIVAÇÃO ATIVAÇÃO
NERVOSA MUSCULAR

CICLO VITAL

No início desse trabalho, enunciamos que comunicação e vida confundem-se na


sociedade humana. E o esquema que apresentamos acima confirma esse fato pela
similaridade com o ciclo da comunicação:

PERCEBE

MENSAGEM
AGENTE
DA
COMUNICAÇÃO
DECODIFICA RESPONDE

CICLO DA
COMUNICAÇÃO

Esse ciclo inicia-se com a percepção pelo indivíduo de alguma situação ou


mensagem, que a seguir é decodificada em conformidade com a dinâmica de sua
personalidade, que determina o tipo de resposta mais.
Como o objetivo do nosso curso é especificamente a comunicação humana em seu
enfoque psico-social, estudaremos a seguir a dinâmica da personalidade, principal
componente da comunicação.

2.4 – ANÁLISE FUNCIONAL DA PERSONALIDADE

Agora sabemos que nossas atitudes e comportamentos são expressões de nossos


estados de ego, componentes estruturais e dinâmicos de nossa personalidade, e que
nos apresentamos nas diversas situações e momentos “conduzidos” por um deles.
A questão é saber qual dos estados de ego deve atuar quando estamos diante de
uma situação inédita, ou em momentos decisivos para nossa vida. Com freqüência
“aparece” aquele que mão devia aparecer e quando isso ocorre, ficamos em “maus
lençóis”, com sentimento de culpa, com raiva, desiludido. Por exemplo, convém usarmos
o Adulto quando analisamos um problema da organização com nosso chefe, mas às
vezes perdemos o controle e partimos para cima dele com a Criança, no momento em
que ouvimos suas reclamações sobre nosso setor. Por outro lado, em situação de
emergência (um incêndio) precisamos agir imediatamente com o Pai, se quisermos
chefiar a evacuação do ambiente. E nos momentos de folga (num piquenique ) o estado
de ego mais adequado será a Criança. Se “aparecer” o Pai ou o Adulto ninguém se
divertirá, a descontração dará lugar às formalidades e aos “assuntos de gente grande”
O que determina a alternância e o aparecimento de um dos estados de ego, ao
invés de outro, é a diferença de potencial entre eles em cada situação. Essa diferença
de potencial entre eles em cada situação. Essa diferença de potencial é determinada
pelo número e profundidade dos registros de cada um. Se uma criança possui um pai
muito autoritário, que tolheu seus movimentos, suas indagações, suas atitudes infantis,
é provável que, numa idade mais avançada, mesmo distante de seu pai físico, continue
atuando como se ele estivesse a seu lado. Na realidade, ele estará dentro dele em
forma de estado de ego Pai, emitindo suas atitudes e frases de reprovação, que
manterá o comportamento do indivíduo sob controle através da sua Criança
amedrontada.
O maior ou menor potencial energético de um estado de ego determina sua maior
ou menor dominância sobre as atitudes e comportamentos de cada indivíduo.
BERNE sugeriu, para facilitar a análise do funcionamento da personalidade, a
existência de “membranas semipermeáveis” entre os estados de ego, através das quais
flui a energia (ou catexia) de um para o outro.
Quando os três estados de ego possuem potenciais equivalentes há maior
instabilidade de atitudes e comportamentos, devido à grande alternância entre os
estados, determinada pela maior labilidade da catexia, De acordo com Kertész, em
casos de uma labilidade muito grande o indivíduo terá dificuldades de autocontrolar-se.
Por outro lado, quando um dos estados do ego possui um potencial muito maior do
que os outros dois determina uma rigidez de reações, que dificulta a adequação do
indivíduo às mudanças do ambiente. Nesse caso, a energia psíquica flui muito
lentamente, dando a impressão da existência de limites rígidos entre os estados de ego.

Resumindo:

P 1. POTENCIAL EQUIVALENTE ENTRE OS TRÊS ESTADOS DE


EGO:

A - membrana “muito impermeável”


- condutas imprevisíveis

2-DIFERENÇA DE POTENCIAL MUITO ELEVADA:

P
A

PAI EXCLUSIVO ADULTO EXCLUSIVO CRIANÇA EXCLUSIVA


- Dificuldade de desligar o - Dificuldade de desligar o - Dificuldade de desligar a
Pai, (Maior Potencial); Adulto, (Maior Potencial); Criança, (Maior Potencial);
- Exclusão do A e C; - Exclusão do P e C; - Exclusão do P e A;
- Dificuldade para deixar de - Dificuldade para deixar de - Dificuldade para deixar de
criticar ou de proteger. raciocinar. brincar, de queixar-se.

Obs: Podem ocorrer outros casos de exclusão, como Pai e Criança excluírem o
Adulto, Pai e Adulto excluírem a Criança e assim por diante.

3-DIFERENÇA DE POTENCIAL INTERMEDIÁRIA:

P P P

A A A

C C C

PAI CONSTANTE ADULTO CONSTANTE CRIANÇA CONSTANTE


- O predomínio do pai - O predomínio do adulto - O predomínio da criança
direciona o indivíduo para o direciona o indivíduo para o direciona o indivíduo para o
exercício de profissões e exercício de profissões exercício de profissionais
funções ligadas à direção, técnicas (cálculo, previsão, artísticos.
ao controle, à proteção, ao planejamento).
julgamento dos outros.

O quarto fenômeno, resultante da relação entre os estados de ego, é a


contaminação, que veremos separadamente, devido à sua maior ocorrência no
ambiente de trabalho e à sua influência nociva no relacionamento interpessoal.
Contaminação, conforme a definição de KERTÉSZ “é a “intrusão” de preconceitos
do Pai ou de idéias ilógicas, carregadas emocionalmente, da Criança, dentro dos limites
do Adulto”.

Há três tipos de contaminação:

a- Contaminação pelo Pai


b- Contaminação pela Criança
c- Contaminação pelo Pai e pela Criança
P a- Contaminação pelo Pai:

Exemplos desse fenômeno são os preconceitos


A defendidos com “unhas e dentes” pelo Adulto, que
procura encontrar explicações para cada um deles.
C

P b- Contaminação pela Criança:

Exemplos disso são os temores ( de escuro, de fantasmas)


A e as esperanças de milagres, de ganhar na loteria
defendidas pela lógica do Adulto.

P
c- Contaminação pelo Pai e pela Criança

A São combinações de preconceitos com temores imotivados,


por exemplo, explicados pelo Adulto.

Finalmente, o quinto fenômeno é o bloqueio, também muito comum no ambiente


de trabalho.
O bloqueio ocorre quando um dos estados do ego impede outro(s) de manifestar-
se. É resultante de traumas psicológicas que “desligaram” certos conjuntos de
gravações associados à situação traumática. Essas gravações podem ser reativadas
por meio da psicoterapia, principalmente, mas também através da criação de um clima
psicologicamente favorável à manifestação das atitudes e comportamentos daquele
estado de ego bloqueado.

Podem ocorrer os seguintes bloqueios:

1
P
-A Criança bloqueada pelo Pai e Adulto
-O indivíduo não tem permissão para brincar, apenas para
A julgar e raciocinar. Seu comportamento é caracteristicamente
rígido.
C

P
2 -O Pai bloqueado pelo Adulto e Criança.
-O indivíduo não dispõe de um controle parental de seus
A atos. É amoral e, devido a isso, tem dificuldades de conviver
em sociedade.
C
P -O Adulto bloqueado pelo Pai e Criança
3
-O indivíduo encontra dificuldades de raciocinar, de
A resolver problemas, devido a mensagens internas do Pai
para a Criança Adaptada de “você não conseguirá” que
bloqueiam seu Adulto.
C

Obs: Podem ocorrer outros casos de bloqueio, todavia mais raros.

Para a simplificação do estudo da dinâmica da personalidade foi criado por


GOULDING o diagrama funcional dos estados do ego, que apresentamos abaixo com
as respectivas correspondências do diagrama estrutural de segunda ordem

PP PC

AP
PN
CP
Legenda:

C. ADP – criança PA
adaptada
A
CR – criança rrebelde AA

CS – criança livre CA

CL – criança livre
PC C. ADP.

CR CS
AC
CL
CC

Diagrama estrutural de 2ª ordem Diagrama Funcional

A Criança do Pai equivale ao Pai Bruxo ou Bruxa, que não é utilizado no esquema
funcional, a não ser em casos especiais, principalmente em psicoterapia.
Vejamos agora as características principais de cada substrato de ego dentro do
esquema funcional, que é o que empregaremos com maior assiduidade.

a- PC- Pai Crítico:

É responsável pelas atitudes e comportamentos de crítica, de punição, repreensão.


Pode apresentar-se positiva ou negativamente, conforme as repercursões de seu
comportamento sobre a outra pessoa.
b- PN- Pai Nutritivo:

É a parte que apóia, aprova, compreende os erros de outra pessoa, protege e


perdoa. O altruísmo é a expressão típica desse subestado de ego. Pode entretanto
apresentar-se negativo, quando exagera a proteção, tolhendo a iniciativa do outro,
quando perdoa demais, enfim quando dá em excesso.

c- A- Adulto:

Como já dissemos anteriormente, é a parte da personalidade responsável pela


coleta, análise dos dados e tomada de decisão. Obtém suas informações de três fontes:
o ambiente, as gravações Pai e as gravações Criança. Também pode ser negativo
socialmente – um ladrão ou um assassino profissional são exemplos eloquentes de
pessoas com Adultos bem desenvolvidos.

d- CR- Criança Rebelde:

É a parte da Criança adaptada cuja característica principal é ser “do contra”. Está
constantemente pronta para dizer um “não”, mesmo quando não tem razão. Quando é
positiva, recebe a denominação de “Criança Afirmativa” e tem como princípio, a
ratificação de seus atos mesmo contra todos, se para o indivíduo for correto.

e- CS – Criança Submissa:

É a parte da Criança Adaptada, que recebe os castigos e críticas do Pai Crítico,


“sem levantar os olhos”. Responsável pelas atitudes de submissão, covardia, medo
exagerado. Quando é positiva, suas atitudes e comportamentos são de conformidade
com as normas e princípios do ambiente em que se encontra, demonstrando aceitação
e cumprimento dos mesmos. É muito importante que a tenhamos em grau adequado,
por ser um pré-requisito para a vida em sociedade.

f- CL- Criança Livre

É a integração da Criança Natural (CC) com o Pequeno Professor (AC).


Representa o nosso “depósito” de emoções adequadas, da criatividade, da
espontaneidade, da intuição. Em seus aspectos negativos socialmente há o ódio, o
egoísmo.

Nesse ponto cabe-nos realçar que é imprescindível a compreensão e a


memorização das posições dos diversos subestados do ego, conforme o diagrama
funcional, para maior assimilação do que trataremos a seguir – a comunicação interna.

2.5 – A COMUNICAÇÃO INTERNA:

A característica essencial do homem é ter uma linguagem, produto do convívio


social, imprescindível à comunicação com os outros, portanto à sua própria existência
como ser humano. Em seu desenvolvimento ontogenético, o indivíduo através do
contrato com seus pais, irmãos e outras pessoas de seu ambiente, vai assimilando os
conceitos verbais que ouve, exercitando sua capacidade de expressão oral e
desenvolvendo o seu raciocínio abstrato. Com a idade por volta de oito anos, já possui o
repertório verbal indispensável a seu convívio em sociedade.
Esses conceitos verbais são essencialmente símbolos da realidade objetiva
utilizados pelo indivíduo como “instrumental de trabalho” para a compreensão de si, dos
outros e do mundo, que progressivamente vão sendo internalizados, dando origem ao
pensamento.
Pensamento portanto, é um comportamento verbal que foi internalizado, sinônimo
de comunicação interna.
Agora que já temos uma compreensão essencial da estrutura da personalidade,
que como já vimos, é a internalização de atitudes e comportamentos nossos e dos
outros exercidos inicialmente no meio ambiente (comportamento dos pais servindo de
modelo), é facilmente compreensível que, paralelamente à internalização desses
comportamentos, ocorra também a de seu complemento – a linguagem.
A comunicação interna nada mais é do que a comunicação que ocorre entre
nossos estados de ego. Você já deve ter ouvido a “voz da consciência” falando consigo,
ou o “diabinho soprando asneiras em seu ouvido” ou mesmo agora, nesse instante em
que você lê a “voz de seu pensamento” emitindo palavras desse texto. Esses são
exemplos de comportamentos verbais dos estados do ego, Pai, Criança e Adulto
respectivamente.
Uma coisa interessante é que os diálogos internos podem ser percebidos “de fora”,
por um espectador, não em seu conteúdo (não estamos nos referindo a telepatia –
fenômeno ainda discutível), porém quanto aos estados de ego envolvidos. E isso é
muito útil para o conhecimento mais aprofundado das outras pessoas. Um exemplo
bastante comum é a indecisão ou o conflito, que ocorre quando estamos diante de duas
alternativas e devemos escolher apenas uma delas: ir para a direita ou para esquerda,
em uma encruzilhada. – Antes de decidirmos por um dos dois lados, executamos um
verdadeiro bamboleio, ora tendendo para um lado, ora para o outro. Ocorre o mesmo
fenômeno quando uma criança, diante de um bolo de aniversário, oscila seu dedinho
para lá e para cá antes de enfiá-lo no bolo ou de conter-se e esperar a hora certa,
dependendo do potencial de sua Criança ou de seu Pai, naquele momento.
O diálogo entre os estados de ego pode até gerar atritos internos, como é o caso
dos conflitos, que deixam como subproduto de sua ocorrência, a nossa cabeça “quente”
ou até mesmo dolorida. E muitas vezes não tomamos conhecimento do que ocorreu –
sentimos apenas uma dor de cabeça e jogamos a culpa numa refeição feita ás pressas,
ou numa noite mal dormida e seguimos em frente.
Ora, se geralmente não temos consciência de nossos conflitos internos, muito
menos o teremos dos diálogos internos “mais leves”, que delineiam o nosso fluxo de
pensamento. Você já tentou seguir o seu pensamento por alguns segundos? Se já o fez,
não creio que tenha superado a marca dos 30 segundos, sem uma distração ou uma
interferência no fluxo. Como demonstrativo da importância desse exercício, temos o Zen
Budismo, a Yoga, a Terapia Naikan, que pretendem levar o indivíduo ao conhecimento
de seu mundo interior (auto-conhecimento) e com isso a um maior conhecimento dos
outros e do mundo.
Essa atividade de auto-conhecimento, tão antiga quanto o homem, é atrapalhada
por uma série de fatores externos e internos. Dentre os externos temos atualmente a
“corrida do dia-a-dia”, a ausência de momentos e ambientes propícios e outras
desculpas que nos damos freqüentemente. E entre os fatores internos há a exclusão, o
bloqueio, a contaminação de um ou mais estados do ego.
Quando um indivíduo comunica-se com outro, as vezes podemos observar uma
discrepância entre a mensagem verbal e a atitude adotada, no momento em que emite a
mensagem. Essa dicotomia ocorre geralmente sem que ele tenha consciência dela,
devido à interferência interna no estado de ego que está expressando-se “fora de
controle”. Não é tão raro encontrarmos esse fenômeno, aliás muito comum quando
certas pessoas falam em público: enquanto através do Adulto transmite informações
objetivas, sua Criança adaptada esfrega nervosamente as mãos, gira o microfone,
rabisca o papel, balança as pernas, etc.., transmitindo também uma mensagem (não
verbal). Outro caso, é o chefe que enquanto dita uma carta a sua secretária (Adulto),
admira os detalhes do corpo da mesma (Criança), que as vezes, levam-no a “perder o
fio da meada.”
Não é raro o indivíduo “passar vexames” devido a “foras” que tenha que tenha
cometido sem querer. Já existe até mesmo uma fórmula, socialmente preparada para
diminuir seus efeitos indesejáveis (como uma descompostura, um desprezo, uma briga)
é o cérebre “desculpe-me, eu não tive a intenção” ou “perdoe-me, eu não queria fazer
isso” . cabe-nos indagar a essa altura, então “quem teve a intenção”? ou “quem quis
fazer isso”?.
Parece-me que ficou clara a importância de uma comunicação interna eficaz para a
eficácia da comunicação externa. E vice-versa, lógico.
Enquanto os agentes da comunicação (emissor e receptor) não conhecerem suas
interferências internas (exclusões, bloqueios, contaminações), além das características
de seus estados de ego, não poderão aspirar à uma comunicação eficaz, ou seja, atingir
os objetivos pretendidos através de suas mensagens.
E o meio mais adequado para o desenvolvimento dessa auto – percepção é a
introspecção, processo geralmente relegado a segundo plano. Se realizada sob
supervisão profissional, melhor ainda.
A introspeção abordada pela Análise Transacional passa a ter um exercício prático
e seus efeitos podem ser avaliados objetivamente. É através dela que podemos
desenvolver cada vez mais a consciência (conhecimento) do processo mental. E isso
ocorre quando passamos as gravações do Pai e da Criança pelo Adulto, ou quando
através desse estado de ego ficamos em atitude de observador de diálogos internos.
Somente o simples fato de percebermos uma interferência interna já determina boa
parte de sua extirpação, e com isso a abertura dos canais internos da comunicação.

2.6 – UM MODELO PSICOLÓGICO DA COMUNICAÇÃO HUMANA:

Nesse ponto já podemos introduzir um novo modelo da comunicação humana,


resultante da contribuição da Análise Transacional para a Teoria da Comunicação.

Esse modelo pressupõe além dos componentes clássicos da comunicação:


emissor, codificador, canal, mensagem, receptor e decodificador ( e contexto segundo a
abordagem linguística de JACOBSON), os componentes internos abaixo discriminados:
1. Sub – emissores e sub – receptores (os três estados do ego) que podem ser
considerados os codificadores e decodificadores do emissor e receptor,
respectivamente.
2. Canais Internos, onde também ocorrem ruídos ou interferências (exclusão,
bloqueio, contaminação).
3. Mensagens Internas (base da comunicação interna).
4. Contexto Interno, que é o estado psico – fisiológico do indivíduo.
3 – ANÁLISE DAS TRANSAÇÕES INTERPESSOAIS E INTERGRUPAIS:

Enquanto, através do estudo da estrutura e do funcionamento da personalidade,


trabalhamos com conteúdos subjetivos (intrapsíquicos), visando diagnosticar e resolver
os conflitos internos e desenvolver o auto – conhecimento; com a análise das
transações que ora iniciamos, atuaremos em nível objetivo, observável e avaliável,
visando o desenvolvimento de formas adequadas de interação entre indivíduos e entre
grupos de trabalho.
Inicialmente precisamos conceituar o que é TRANSAÇÃO.
- Usando palavras de ERIC BERNE: “A unidade das relações sociais é chamada
transação. Se duas ou mais tarde uma delas irá falar , ou dar qualquer indicação
de ter – se inteirado da presença das outras. Isto é chamado Estímulo
Transacional. Outra pessoa então irá dizer ou fazer qualquer coisa relacionada
de algum modo com aquele estímulo, e isto é chamado de Resposta
Transacional.”
A análise transacional ou analise das transações é um método de estudo da forma
desse intercâmbio de estímulos sociais e um instrumento de diagnóstico do nível de
eficácia do relacionamento entre duas ou mais pessoas.
Para haver transação é necessário a presença de um emissor e de um receptor e
que ocorra “feed-back” da informação emitida.
Segundo Kertész, através da análise das transações pretende-se atingir o “controle
social”, ou seja, que o Adulto assuma o controle dos outros estados de ego, diante de
outras pessoas nas mais diversas situações. Com isso evitar-se-á a emissão de
comportamentos inadequados e será mantido o equilíbrio intrapsíquico.
Conforme o tipo de resposta transacional obtida a partir de um estímulo, as
transações as classificadas em:
1 – Conforme o número de estados de ego ativados nos agentes da transação:
a) Simples – (um estado de ego de cada agente);
b) Complexas – (três ou quatro estados de ego no total).
2 – Conforme a origem da resposta:
a) Complementares (paralelas);
b) Cruzadas.
3 – Conforme o nível de transmissão das mensagens:
a) Não ocultas;
b) Ocultas.

Esta classificação combina-se do seguinte modo:

a) Simples = Complementar = Não oculta;


b) Complexa = 1- Cruzadas;
2- Angulares;
3- Duplex (uma oculta, outra não oculta).

3.1– AS TRANSAÇÕES COMPLEMENTARES:

São aquelas em que a resposta parte do estado de ego que recebeu o estímulo e
volta ao estado de ego que o emitiu.
Obs.: A transação é representada graficamente por dois vetores em sentido
contrário.

PCR R
E PN

R
1 2

1. Da próxima vez que eu o


1. AO relatório está pronto?
A 1. Iih, o chefe é um chato. chamar venha
2. Sim, aqui está. 2. É mesmo, eu E também o
imediatamente, ouviu bem?
detesto. 2. E
Sim, senhor, sim, senhor.
C C S R
R
CL

1 2 1 2

1ª REGRA DE COMUNICAÇÃO:

“Se as transações são complementares, a comunicação continua indefinidamente


(até cumprir seu objetivo)”.
Geralmente, esse tipo de transação é o mais adequado no trabalho, porém
quando em demasia passa a ser prejudicial, pois à medida em que aumenta a
ocorrência de certo comportamento, ele adquire mais força, portanto maior facilidade de
expressão no momento seguinte, até transformar-se em hábito. Ao atingir esse ponto,
aquele comportamento sofre uma “cristalização”, difícil de ser quebrada. Quando isso
ocorre com as transações complementares estabelecidas por subestados de ego
negativos (-) dos dois agentes, estamos diante de um grande obstáculo à comunicação
e a interação entre as pessoas.
Citaremos alguns exemplos desses hábitos, freqüentes em certas organizações:

(-)
PCR

CHEFE: Faça conforme minhas ordens, não as


discuta.

SUBORDINADO: Sim senhor, já vou fazer.

(-)
CS

CHEFE SUBORDINADO

- Esse hábito enfraquece o Adulto, deixando seus agentes (chefe e subordinado) a


mercê de seus subprodutos:

- Efeitos sobre o subordinado:

- Diminuição gradual de sua iniciativa, da responsabilidade, da criatividade,


levando à queda de produtividade e geralmente à sua transferência ou demissão.
O subordinado sente-se cada vez mais um capacho de seu chefe.

- Efeitos sobre o chefe:


- Crescente irritação, desconfiança nos subordinados, levando à dificuldades no
relacionamento, à centralização excessiva do controle e até mesmo da execução
das tarefas de seus subordinados.

(-) (-)
PCR PCR
1. Incrível como o José não consegue fazer nada
certo!

2. Você tem toda razão, ele precisa de uma punição à


altura.

1 2

- Esse hábito traz geralmente implícita uma satisfação com a “desgraça alheia”.
Entre seus efeitos na Organização, podemos prever o desenvolvimento de um
clima psicológico aversivo ao trabalho, cheio de desconfiança e insegurança,
principalmente nos escalões inferiores. As pessoas vivem sentindo suas “orelhas
quentes”.

PN PN 1. Coitado do Antônio, nós temos que ajudá-


(-) (-)
lo a fazer o relatório.

2. Isso mesmo, o pobre homem pode até


mesmo perder seu emprego, se não o
socorremos.

1 2

- Esse hábito surge com o relacionamento entre pessoas convictas de que os


outros são eternas crianças desprotegidas, incapazes de andarem sozinhas, e
eles super – papais, os “piedosos”, os bons samaritanos.
Quando esse hábito entre dirigentes passa à ação pode criar um clima de
irritabilidade, ou de menosvalia entre seus subordinados, dependendo dos subestados
de ego que “receberem” esses estímulos transacionais (CR ou CS).
Esse hábito conduz o subordinado a uma dependência cada vez maior de seu
chefe, paralelamente à redução de seu senso de responsabilidade com os
compromissos assumidos. Por outro lado, o chefe fica cada vez mais sobrecarregado de
serviço, pois assume o papel de “superpai”. Portanto, os dois são cúmplices do hábito.
Esse hábito pode ocorrer em qualquer escalão, mas geralmente é muito difícil
entre pessoas de escalões diferentes. Seu subproduto principal é a geração de um clima
de frieza e de não envolvimento. Além de possuírem explicações para tudo, as pessoas
não recebem e nem dão elogios a ninguém, tudo deve ocorrer conforme o programado.
Assim, acertar é conseqüência disso, não é nenhum favor. Geralmente é desagradável
trabalhar com pessoas que têm Adulto muito constante, pois perdem a naturalidade,
transformando-se em computadores e seu setor de trabalho em “congelador”.
Esse hábito é muito comum entre trabalhadores mais humildes, acomodados em
seu nível de necessidades básicas, sendo reforçados a permanecer desse modo por
aqueles chefes que acreditam ser essa atitude mais adequada para seus subordinados.
Com isso aumenta cada vez mais o sentimento de menosvalia e as lamúrias continuam.
Esse hábito é muito facilmente diagnosticado por frases como: “ah, a vida é assim
mesmo, prá que lutar?” ou “não, aqui está bom, eu não mereço mais nada não”, ou
ainda “o que é que se há de fazer...”?
Esse hábito é mais comum entre empregados jovens, admitidos há pouco tempo,
ainda não acostumados a trabalhar e que não dependem do emprego para manter-se.
Porém, esse hábito pode perdurar se as regras da empresa não o controlar. Mas,
em certos casos, mesmo sob controle externo (relógio de ponto, por exemplo) ele
continua durante o expediente sob as mais diversas formas, como as “brincadeiras”, as
piadas, as gozações.
Esse hábito transacional é mantido pela estimulação biológica (interna) quando
essa sobrepuja o controle interno do Pai e o externo das normas empresariais
(adequação ao ambiente – Adulto). O indivíduo tem uma Criança Constante.
O resultado da ocorrência desse hábito transacional é, em última instância, a
redução do ritmo, quantidade e qualidade do trabalho.
Esse hábito é típico daquelas pessoas “eternamente revoltadas”, sempre “do
contra”. É relativamente fácil encontrá-lo em grupos de trabalho continuamente
conflituados por pessoas que, compulsivamente, fazem tudo para impedir o atingimento
dos objetivos propostos.
Como subproduto desse hábito surge um clima de constantes revoltas, podendo
inclusive gerar motins na empresa, geralmente de subordinados contra seus dirigentes.
O ambiente torna-se “irrespirável” de tanta tensão no ar.
Concluindo, esses hábitos levam sempre a resultados negativos por estarem
dissociados da realidade espaço – temporal objetiva. São transações repetitivas,

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mantidas por gravações de respostas a situações do passado, não atualizadas pelo
Adulto em contato com a realidade presente.
As transações complementares “sadias” caracterizam-se pelo dinamismo, oriundo
da flexibilidade interna das pessoas envolvidas, ao contrário dos hábitos transacionais,
que caracterizam -se por “fórmulas” de transações originadas na inércia interna.
Citaremos os principais tipos de transações complementares sadias que ocorrem
no ambiente de trabalho. sua característica básica é ocorrerem entre os estados de ego
positivos (+) de cada indivíduo.
Essa transação complementar é típica de dois indivíduos que respeitam-se
mutuamente como pessoa, sem esquecerem de suas diferenças hierárquicas. O chefe
não ficou apenas na constatação do erro de seu subordinado, transmitiu –lhe uma
ordem de corrigi –lo dentro do prazo estipulado. Por sua vez, o subordinado acatou a
ordem recebida de seu superior e prontificou-se a cumpri –la, agindo adequadamente à
situação.
Podemos constatar também que não houve qualquer generalização por parte de
nenhum dos dois. A transação foi “personalizada”, outra característica da transação
complementar sadia.
Como produto de transações desse tipo, podemos esperar o reforçamento cada
vez mais da confiança mútua, da humildade em receber uma crítica, e da sinceridade
em emiti –la.
Essa transação tem um objetivo bem definido, que reclama uma ação enérgica
para ser atingido em tempo útil. Por isso é adequado tratá –lo com um certo “calor”,
essencial ao aceleramento da decisão a ser tomada a curto prazo, dada a situação de
emergência.
Transações desse tipo são essenciais à promoção do bem – estar dos funcionários
da Organização. São frutos de uma atitude de apoio e proteção, necessária nos
diversos escalões da empresa. é importante frisar que sua característica é a sinceridade
e honestidade, do contrário será apenas uma manobra para angariar simpatia.
Esse tipo de transação complementar é muito importante no relacionamento entre
níveis hierárquicos distintos. Sua utilização é mais ou menos esporádica, ao contrário do
hábito de superproteger. E seu produto final é o desenvolvimento da competência dos
funcionários subalternos e colegas (ocorre no mesmo nível, talvez com maior
freqüência). Sua ocorrência na organização entre subordinado e chefe é um sintoma
claro de convívio amigável, produto do respeito e confiança mútua.
Este é o tipo de transação mais aspirado no ambiente de trabalho. podemos dizer
que é o instrumento de trabalho de equipe eficaz. Os assuntos são tratados com
objetividade, sem preconceitos ou predisposições. Infelizmente a fidelidade dessa
transação pode ser comprometida com certa facilidade, devido às reações automáticas
de outros estados de ego em sua parte negativa, que podem ser ativadas quando fora
de controle do indivíduo, ou seja, quando a comunicação interna apresenta “ruídos” não
conhecidos.
Mas, através do treinamento, de exercícios de Análise Transacional, o número
desse tipo de interferência pode ser diminuído.
Quanto maior for a percentagem dessa transação complementar, mais eficaz será
a empresa.
Essa transação complementar é a base da adaptação do indivíduo às normas e
princípios de sua empresa e ao cumprimento das ordens recebidas. Não se trata de
acomodação, humilhação ou coisa parecida, mas de condutas avaliadas pelo Adulto e
aceitas pela Criança submissa positiva, sintoma de adaptação social. O indivíduo
desprovido de Criança Submissa positiva é incapaz de viver em sociedade; por outro
lado, se for submisso demais perderá sua individualidade. O provérbio popular “NEM
TANTO AO MAR, NEM TANTO À TERRA” atesta esse fato.
Esse tipo de transação é responsável pelo entusiasmo, essencial à criatividade e à
espontaneidade dentro da empresa. entretanto, é freqüente encontrarmos órgãos que
combatem-no com medo de prejudicar o rendimento no trabalho – é um sintoma nítido
da existência de muitos Pais Críticos Negativos. É claro que em certos órgãos, como no
Tribunal de Justiça, por exemplo, não é uma transação essencial, principalmente em
certos momentos solenes, (devemos lembrar –nos que é característica da transação
complementar sadia sua adequação ao ambiente e ao momento).
O nível de ocorrência desse tipo de transação deve ser relativamente baixo. Porém
não deve deixar de existir, pois é uma expressão de nossa energia vital, básica para
dizermos um não mais eloqüente, às vezes necessário diante da insistência de uma
injustiça. E é através dessa transação, que duas pessoas incentivam-se mutuamente a
tomarem posições bem definidas diante do problema comum.
Vejamos agora algumas considerações gerais sobre as transações
complementares que ocorrem em ambientes de trabalho.
KERTÉSZ, em trabalho realizado em 1963, constatou um fenômeno muito
significativo para o estudo e aprimoramento da comunicação na empresa. citando suas
próprias palavras: “a informação ascendente é condicionada á possível resposta
descendente. Desse modo, cada vez chega menos informação exata aos níveis
superiores, por temor ou por desejo de agradar; e as decisões tomadas na cúpula
podem basear-se em dados que não refletem a realidade”.
Podemos perceber nitidamente por trás desse fenômeno um hábito transacional –
(PCR – CS), que reduz o “feed – back” de dados para a cúpula (transação A – A),
diminuindo a eficácia das suas decisões.
Para o aumento da eficácia das comunicações, é imprescindível a ocorrência de
transações complementares “sadias”, adequadas a cada situação e momento de
trabalho. e para que ocorram é essencial o cultivo dos estados de ego positivos de
forma harmônica e integrada, dirigido pelo Adulto do indivíduo. o que em outras
palavras, é a mesma coisa que dinamizar a comunicação interna, tornando seus
componentes flexíveis e potentes, e com isso aumentando o potencial de adaptabilidade
do indivíduo a seu meio ambiente.

3.2 – As transações cruzadas:

São aquelas em que o estado ou subestado do ego que responde não é o mesmo
que recebeu o estímulo, ocorrendo portanto um cruzamento de informações. Os
resultados disso podem ser desde a alteração de enfoque do tema, mudança de tema,
interrupção da comunicação, atritos e finalmente brigas violentas. A ocorrência de um
desses efeitos depende do grau de frustração que produziu principalmente no emissor.
Podemos classificá-las em três tipos, conforme o cruzamento (Kertész).

1. A resposta volta ao estado do ego emissor, mas de um estado de ego que não
recebeu o estímulo inicial.

2. A resposta volta ao receptor, mas para um estado do ego distinto do emissor:

3. A resposta procede de um estado de ego distinto do receptor e não volta ao


emissor:

As transações cruzadas são positivas quando dão fim a certas transações


complementares prejudiciais ou monótonas. Além disso, existem porque possuímos três
estados de ego, de onde resultam os conflitos interpessoais, que precisam ser aceitos
como inevitáveis, porém melhoráveis ou redutíveis.
Beme classificou as transações cruzadas em quatro tipos:

1. Tipo I (“transferencial”)
O estímulo é decodificado pela Criança Adaptada ao invés do Adulto, ao qual foi
dirigido. Isso ocorre por causa de uma fixação do indivíduo ao estado do ego Criança,
devido às transações repetitivas com seus pais, que utilizam principalmente seus
estados de ego Pai. Agora, quando alguém dirige-se a ele, tende a perceber como se
fosse seu próprio pai falando, e reage do modo como reagia no passado. Quando isso
ocorre entre chefe e subordinado, esse “transfere” seu Pai interno para aquele,
cruzando a transação e gerando conflitos entre os dois.

2. Tipo II (“Contratransferência”)

Esse cruzamento ocorre em função da decodificação da mensagem pelo Pai ao


invés do Adulto, devido a predominância daquele estado de ego no indivíduo. Essas
pessoas tem dificuldade de computar e resolver problemas, ao invés disso “perseguem”
ou “salvam” ou outros. Segundo KERTÉSZ tendem a ocupar “posições de autoridade
em instituições ou grupos, as quais mantém rigidamente, já que sua capacidade Adulta
nem sempre é muito grande. Pouco a pouco vai diminuindo o funcionamento do Adulto
de seus interlocutores, uma vez que o pensamento objetivo é uma constante ameaça a
sua posição tradicionalista, autoritária ou condescendente.”

3. Tipo III (“Desumanizada”)

O receptor responde friamente a uma solicitação de aprovação, de apoio, de


proteção de seu interlocutor, deixando-o frustrado.
Esse tipo de transação gera um clima de apatia, “amortece” a iniciativa e a
criatividade. Está baseado intrinsecamente na idéia de que o funcionário já ganha seu
salário para trabalhar bem, portanto não há necessidade de “muitas intimidades”.
Nesse caso, usar o Adulto não é adulto; em seu lugar seria adequado o Pai
Nutritivo positivo, que estabeleceria a transação complementar solicitada pelo emissor,
em proveito mútuo e do próprio órgão.

4. Tipo IV (“Exasperante”)

Esse cruzamento é inverso ao do Tipo II. É oriundo da ausência ou insignificância


do estado de ego Pai no receptor. Como não possui repertório comportamental de Pai
Crítico positivo, ele desqualifica o conteúdo ético e humano do estímulo.
Essa transação é muito utilizada no meio de comerciantes inescrupulosos, que
vêm o lucro e seus próprios benefícios acima de qualquer coisa, por desconhecerem ou
desconsiderarem os aspectos éticos e morais da sociedade. Têm sua própria moral,
geralmente destrutiva para as outras pessoas.

Outros tipos de cruzamentos nocivos ao ambiente de trabalho:

5. Cruzamento “aniquilante”

Ao invés de apoiar, de premiar o trabalho realizado, o receptor responde


rudemente, deixando o seu interlocutor com a “cara no chão”. Com três transações
dessas por semana, o funcionário sentir-se-á aniquilado em seu entusiasmo. É fácil
prever os efeitos sobre a Organização, dentro de um certo espaço de tempo. O mínimo
que pode ocorrer é um mal-estar generalizado.

6. Cruzamento de queixa mútua:


Esse cruzamento representa o encontro de duas pessoas à procura de apoio e
proteção e nenhuma delas dispõe-se a dá-lo a outra. Geralmente é um sintoma de
indisposição ou de um Pai Nutritivo escasso.

7. Transação “do infinito”

É com esse cruzamento que começa um bate-boca. Nenhum dos dois


interlocutores aceita críticas, por isso é impossível que consigam comunicar-se
adequadamente. À medida em que aumenta o número de críticas de um ao outro,
diminui o equilíbrio emocional, tendendo à agressão física.
Segundo Kertész esse tipo de transação “é um circuito de mútuo reforço da
‘condição de mal-estar’, cada qual procurando que o outro se sinta pior, para sentir-se
melhor.” O que gera um clima de tensão muito elevado, de constantes conflitos difíceis
de serem controlados.
As transações cruzadas são resultantes de diálogos internos inconscientes ou
conscientes. Quando inconscientes são sempre negativas, por estarem baseadas em
gravações do passado, acionadas automaticamente e por isso dissociadas da situação
e momento presentes. Por outro lado, quando conscientes, são produtos de um controle
interno Adulto que adequa a resposta do indivíduo às informações éticas e higiênicas
parentais, às informações biológicas da Criança e à situação e momento presente.
Vejamos alguns exemplos de cruzamentos saudáveis:

Podemos observar, nesses exemplos, uma característica comum: O receptor


responde sempre de um modo “construtivo”.
Esse tipo de cruzamento ocorre também com a resposta partindo de outros
estados de ego, além do Adulto. Sua característica essencial é que a resposta seja
“construtiva” do ponto de vista social. Em outras palavras, que promova o bem-estar
próprio e dos outros.

3.3. – Transações ocultas (“ulteriores”)

São aquelas de natureza não-verbal, emitidas consciente ou inconscientemente.


São sempre acompanhadas por uma transação verbal, explícita, que as camuflam.
Quando um indivíduo comunica-se com outro através de transações duplas, tem
sempre uma motivação oculta, para os outros ou para si mesmo. E é nela que baseia
sua ação mais profunda sobre seu interlocutor, objetivando atingi-lo em seu “ponto
fraco”. Quando a transação oculta é inconsciente deve-se a algum fator interno que
dificulta ou bloqueia a comunicação entre os estados de ego, impedindo o Adulto de
saber “o que se passa” com o Pai e Criança, responsáveis pela emissão da mensagem
oculta. Por outro lado, quando a transação oculta é consciente, trata-se de um ardil, de
uma manobra empregada pelo emissor para atingir seu interlocutor sorrateiramente.
Essa forma é muito utilizada por vendedores e políticos, entre outros profissionais.
As transações ocultas são classificadas conforme sua camuflagem (combinação
com as transações não-ocultas), em:

1. Transações ocultas angulares

Na resposta 2, observamos que o receptor não “caiu na armadilha” que o emissor


armou, pelo contrário, por ter percebido a intenção oculta, pode atuar Adultamente. Por
outro lado, na resposta 2’ verificamos como o receptor foi “fisgado” imediatamente.
2. Transações ocultas duplas (duplex):

As transações ocultas são extremamente prejudiciais ao ambiente de trabalho, pois


afastam os indivíduos, formando barreiras à comunicação, criando um clima de
falsidade generalizada e predispondo-os não assumirem suas opiniões e seus
sentimentos autênticos. Em suma aumentando sempre mais a inautenticidade das
pessoas e a desconfiança mútua.
Veremos em “jogos psicológicos” esses tipos de transações mais detalhadamente.

3.4. – Transações, intercâmbio de emoções e desqualificação.

Podemos dizer que neste ponto possuímos uma visão panorâmica do


comportamento humano. O estudo da comunicação interna e das transações deve ter-
lhe esclarecido alguns de sua maneira de ser, assim como certos comportamentos
típicos de outras pessoas.
Faremos agora algumas considerações que julgamos necessárias a uma melhor
fixação dos conceitos até aqui adquiridos.
O homem, além das necessidades biológicas e fisiológicas que o caracterizam
como animal, possui um acréscimo, necessidades eminentemente de cunho social.
Dentre essas, talvez a primordial seja a de relacionar-se, de querer ficar junto, de trocar
conhecimentos, opiniões, carícias, enfim, de não se sentir só.
São muitas as experiências científicas que atestam a importância vital da
necessidade de contato interpessoal:
SPITZ observou que os bebês privados de estimulação física suficiente, durante
longos períodos, sofriam inicialmente transtornos psíquicos e a seguir físicos, entrando
em estado de prostração, em alguns casos irreversíveis. Essa constatação foi
corroborada por BAULBY, em estudos para a ONU num amplo contexto sócio-cultural.
Mas não precisamos ir muito longe para comprovarmos a importância do contato
físico para o desenvolvimento do indivíduo. No Rio de Janeiro existiu até algum tempo
atrás a Casa dos Expostos, um orfanato de crianças filhas de mães solteiras, que as
abandonavam sob os cuidados da instituição. Na parede de cada quarto havia uma
tabuleta escrita em letras ornamentais – “As crianças são como as flores, são para
serem admiradas e não para serem tocadas”. Pois bem, como resultado desse princípio,
a “Casa dos Expostos” ficou também conhecida como a Fábrica de Dementes.
Observou-se uma incidência muito elevada de crianças com sérias dificuldades de
desenvolvimento mental. Não é um despropósito de nossa parte associarmos esse alto
índice de retardo mental à escassez de contatos físicos das crianças com outras
pessoas.
O contato físico é o primeiro elo de ligação entre duas pessoas (mãe-filho) e a
maneira mais direta de intercâmbio de emoções, essencial ao desenvolvimento
psíquico. O que nos leva a dizer que é a primeira forma de comunicação humana.
Entretanto, à medida em que o indivíduo vai crescendo, o contato físico cede lugar
ao contato à distância, através de olhares, gestos e palavras.
Porém, apesar dessa mudança de forma, a necessidade de intercâmbio emocional
continua essencial, agora à manutenção da rigidez mental do indivíduo adulto. Se quiser
tratar a veracidade disso, procure isolar-se totalmente de qualquer contato com
pessoas, durante um mês, por exemplo. Não é a toa que antes de um interrogatório, é
praxe deixar-se o interrogado incomunicável, de preferência na “solitária”. O isolamento
produz um debilitamento do raciocínio e uma diminuição da resistência mental,
facilitando a obtenção das informações pretendidas.
Mas não precisamos ir tão longe para sentirmos a necessidade do contato
interpessoal. Numa reunião social, por exemplo, onde não conhecemos quase ninguém
é muito provável que nosso pensamento volte-se basicamente para um objetivo:
encontrar alguém conhecido para ficarmos juntos e “bater um papo” ou iniciarmos
alguma “conversa fiada” com alguém.
E como é agradável quando encontramos uma pessoa para compartilhar nossas
idéias, opiniões e emoções. Essa satisfação que sentimos é um efeito emocional das
transações complementares. Assim, quando nos relacionamos bem com certa pessoa,
nossa Criança Livre sente um prazer às vezes indescritível, que nos leva a procurá-la
novamente e a iniciarmos talvez uma grande amizade.
Podemos dizer que amizade é um padrão de relacionamento altamente
recompensador emocionalmente, devido à elevada porcentagem de transações
complementares. Para que ocorra é imprescindível um grande envolvimento emocional,
além de outros fatores aproximadores (compatibilidade sócio-econômico-cultural,
complementação de idéias, opiniões, valores, princípios).
O intercâmbio de emoções positivas é a “solda” do contato interpessoal.
No entanto, mais uma vez confirmando a dialética Hegeliana, além das emoções
positivas ou naturais (Criança Livre) há as emoções negativas ou “disfarces” (Criança
Adaptada). Enquanto a primeira une, a segunda desune. Enquanto a primeira é a base
do contato interpessoal agradável, a segunda é a base do contato falso ou de
separação. Para facilitar, podemos classificá-las dentro do diagrama do estado de ego
Criança, sede das emoções.

É muito desagradável e até aversivo nos relacionarmos, por exemplo, com


pessoas constantemente desconfiadas, ou rancorosas. O número de transações
cruzadas e de transações ocultas produzem um mal-estar que mais cedo ou mais tarde
nos afastará dela. É uma forma de nos defendermos da influência “tóxica” daquela
pessoa.
Podemos nos afastar de duas maneiras: a) nos retirando fisicamente, o que produz
um corte imediato no relacionamento; b) nos retirando psicologicamente, muito utilizado
por não ferir tão claramente o interlocutor. Fazemos isso quando nos “desligamos”, nos
distraímos, ou seja quando desfocamos nossa atenção das mensagens emitidas pela
outra pessoa. Esse tipo de afastamento foi denominado de DESQUALIFICAÇÃO.
O exemplo que acima utilizamos é de uma desqualificação positiva, pois com ela
visamos dois resultados: a) livrarmo-nos da influência tóxica da outra pessoa (gerada
por suas emoções falsas) rejeitando o seu convite para nos sentirmos mal (entrar no
circuito negativo); b) retirar o indivíduo de seu próprio circuito negativo (essa forma é
utilizada rotineiramente por psicoterapeutas no tratamento de seus clientes). Porém há a
desqualificação negativa, caracterizada pelo efeito nocivo que produz. Infelizmente,
essa forma é amplamente utilizada em ambiente de trabalho, em grupos sociais
duradouros (estudantes) e na família. E são estes exatamente os ambientes em que
vivemos a maior parte de nossa vida. Nos grupos sociais provisórios (reuniões sociais,
clubes, etc) é fácil nos livrarmos de relações desagradáveis, basta mudarmos de
companhia ou de grupo. Mas não podemos dizer o mesmo quanto aos grupos
duradouros. Não é tão fácil deixarmos um emprego por não nos sentirmos bem, perto de
certas pessoas. Geralmente não há escolha, temos que permanecer em contato com
alguém que nos desagrada, especialmente se for nosso chefe. É portanto, de vital
importância melhorarmos nosso ambiente de trabalho, de modo a torná-lo agradável
para nós e para os outros. Isso ocorrerá à medida em que reduzirmos o número de
desqualificações, nas transações efetuadas diariamente e aumentarmos a porcentagem
de transações positivas. O aumento da sensação de bem-estar é o sintoma mais claro
para sabermos se isso está ocorrendo realmente ou não.
Para dar uma idéia do que é desqualificação relacionamos suas principais formas,
comuns no ambiente de trabalho.

1. Responder a uma pergunta:


2. Responder à pergunta com resposta não correspondente:

3. Não responder à pergunta:

4. Responder na forma infinitiva a uma pergunta direta.

5. Responder à pergunta de modo evasivo.

6. Falar ao mesmo tempo que a outra pessoa (não saber ouvir para responder).

7. Responder à pergunta com uma emoção (raiva, tristeza).

8. Uma pessoa fala com outra, ao mesmo tempo em que estão falando com ela.
(muito comum em sala de aula – desqualificação do professor)

9. Falar de uma terceira pessoa como resposta a uma pergunta.

10. Responder quando a pergunta não lhe é dirigida.

11. Não olhar para a pessoa a quem é dirigida a palavra.


4. – AS POSIÇÕES EXISTENCIAIS E O RELACIONAMENTO HUMANO
4.1 – O DESENVOLVIMENTO DA POSIÇÃO EXISTENCIAL

- Todos nós possuímos uma atitude básica diante de nós mesmos e do mundo, a
partir da qual baseamos nossas opiniões, aspirações, reações, enfim nossas atitudes e
comportamentos. Assumimos uma posição diante da nossa existência e da dos outros –
uma posição existencial. Sua estruturação ocorre, segundo JAMES e JONGEWARD
até os 8 anos de idade, quando a criança diante da pressões ambientais é forçada a
tomar decisões, sem ainda estar em condições adequadas para isso, pois as
informações que seu Adulto dispõe são incipientes para validar as decisões tomadas.
Mas, mesmo que “estas decisões da Criança não sejam realistas, parecem –lhe lógicas,
generalizáveis e dão sentido a sua vida, no momento em que as toma.” Em
conseqüência, todas as pessoas possuem certas distorções da realidade, de si mesmas
e das demais.
Não é muito difícil encontrarmos pessoas cujas percepções de si mesmas podem
ser resumidas em frases como: “sou poderoso”; “sou estúpido”; “não faço nada certo”;
“não mereço viver”; “sou importante”; “sou fogo”; “sou maravilhoso”; “não mereço
confiança”... E percepções das outras pessoas e do mundo como: “todos são maus”;
“eles me obedecerão sempre”; “todo mundo é maravilhoso”; “a vida não vale nada”; “os
outros são sempre mais inteligentes”; “não posso esperar nada de ninguém”; “ninguém
merece confiança”.
Estas frases resumem, na verdade, posições psicológicas ou existenciais que
adotamos na infância como recursos para nos defendermos de situações incertas. E
continuamos a utilizá-las, repetindo –as como um disco rachado. São portanto
mecanismos geradores de justificativas (geralmente inconscientes), de nossas atitudes
e comportamentos automáticos, logo das transações que efetuamos.
As posições existenciais forma classificadas em cinco grupos, que a seguir
estudaremos, bem como suas implicações no comportamento humano em ambiente de
trabalho. a classificação foi feita originalmente no idioma inglês utilizando os conceitos
OK e NOT OK. Como sua tradução mais aproximada é “estar bem” e “estar mal”, de
conotações diversas, continuaremos com as originais.

4.2 – A POSIÇÃO EXISTENCIAL OK + - OK +

Na infância, o indivíduo gravou mensagens parentais (verbais e não verbais)


repetitivas de “Ninguém merece castigo, somos todos maravilhosos”, “O mundo é feito
de bondade em pessoa” e assim por diante. Frente a essas mensagens (mandatos), a
criança estruturou uma atitude diante de si e dos outros, caracterizada por uma
exacerbação dos aspectos positivos, sem a visão dos negativos. O indivíduo com esta
posição existencial vive fora da realidade, vendo o mundo sempre “cor – de – rosa”.
No ambiente de trabalho, essa pessoa, por confiar demasiadamente em si e nos
outros, tem sempre “na ponta da língua” uma justificativa para os erros cometidos. É
geralmente refratário às críticas a não ser àquelas mais violentas, que o faz cair das
nuvens e penetrar no abismo da depressão, invertendo seu estado de ânimo.
Entretanto, esta posição existencial é muito rara, principalmente em ambiente de
trabalho. os indivíduos que a possuem, por não terem um controle interno adequado
devido ao elevado grau de excitação nervosa, são geralmente vítimas das doenças
psíquicas.

4.3 – A POSIÇÃO EXISTENCIAL OK – NÃO OK


Os indivíduos, que assumiram esta posição existencial, sentem-se sempre
superiores, onipotentes e costumam ver os próprios erros nos outros. Por isso, culpam
as pessoas por suas desgraças e vivem perseguindo –as. É uma descrição
aparentemente “carregada”, porém não muito difícil de ser corroborada.
Vejamos suas implicações no ambiente de trabalho:
- Geralmente, as pessoas com essa posição existencial tendem a ocupar posições
de chefia. Quando essa tendência é acompanhada de competência profissional pode
ser até positiva, sob certos aspectos. Por exemplo, se o indivíduo orienta-se para o
trabalho, geralmente tende a concentrar todo o controle em suas mãos, o que facilita o
acompanhamento e avaliação dos trabalhos em execução sob sua responsabilidade.
Em uma empresa pequena isso dá resultados positivos, principalmente a curto prazo.
Não é muito bom para o próprio indivíduo que, por estar sempre sobrecarregado com as
responsabilidades dos outros, não se dá direito a férias, o que em alguns anos poderá
levá – lo a uma estafa, um colapso nervoso ou algo parecido. Uma característica bem
peculiar desses chefes é sentirem-se insubstituíveis.
Quando a posição existencial OK – NÃO OK não está acompanhada de
competência o caso é bem mais grave. Por não confiar em ninguém, por achar que todo
mundo é incompetente ou mal intencionado, centraliza além do controle, a execução de
certas atividades, sobrecarregando – se de serviço. Como não tem competência para
resolver os trabalhos em suas mão, acumulam-se os erros e com isso aumenta a
convicção de que sempre assume os problemas mais difíceis por culpa dos seus
subordinados, “que são uns incompetentes e irresponsáveis”. Com isso consegue
reforçar sua atitude de desconfiança, aumentando sua revolta para descarregá –la em
cima dos outros. Cria-se portanto um círculo vicioso que tende a perpetuar-se,
aumentando sempre mais o número de erros até o limite suportável pela empresa.
A pessoa OK – NÃO OK transforma-se facilmente num ditador, onde apenas suas
opiniões devem ser acatadas sem discussão. E é fácil imaginar o tipo de clima
psicológico que gera em sua volta: por um lado pessoas acovardadas, sem iniciativa,
sem perspectiva, acomodadas à situação; por outro pessoas descontentes, tensas,
revoltadas e vingativas. O saldo final será um ambiente irrespirável para os mais
equilibrados, que “cairão fora”.
Mesmo sem ocupar posição de chefia, o indivíduo OK – NÃO OK tenderá a exercer
o controle sobre os demais ou então irá isolar-se. Por isso não é fácil trabalhar em grupo
com ele. Suas opiniões têm sempre uma carga emocional muito grande, que dificulta o
diálogo e a aceitação de críticas. O seu estado de ego mais potente é o Pai Crítico, com
o qual inicia ou completa as transações.
Pouco a pouco, ele distinguirá que não está diante de mais uma vítima de sua
raiva e desconfiança, mas de um indivíduo cônscio de si e auto – confiante. Como não
existe uma pessoa com uma posição existencial pura, mas sempre em combinação com
as outras, é possível que o indivíduo OK – NÃO OK aumente a utilização do Adulto,
diminuindo a força de sua posição existencial dominante e melhorando o seu
relacionamento com aquele interlocutor. Com treinamento contínuo isso será atingido
realmente.
É necessário conhecer as pessoas predominantemente OK – NÃO OK, para evitar
tornar-se mais uma de suas vítimas. E confirmando novamente a lei de atração dos
opostos, as maiores vítimas dos indivíduos OK – NÃO OK são os NÃO OK – OK, que
veremos a seguir.

4.4 – A POSIÇÃO EXISTENCIAL NÃO OK – OK

É típico daqueles que acreditam mais nos outros do que em si mesmos. Essas
pessoas por se sentirem sempre inseguras, procuram fugir das responsabilidades e
quando são obrigadas a assumir alguma, tendem a errar para confirmar mais uma vez
sua posição NÃO OK. Nesses momentos, são comuns frases como: “está vendo, eu não
disse que não conseguiria”?, “eu sabia que ia errar”, “não adianta, só o senhor pode
fazer isso”.
É uma posição muito comum, podendo ser encontrada em todos os ambientes em
maior ou menor grau. As pessoas que a possuem em grau elevado tendem a ficar
sempre “por baixo”.
Quando há uma correspondência entre a posição NÃO OK – OK e incompetência,
isso é compreensível e aceitável, pois ajuda o indivíduo a limitar suas aspirações às
suas potencialidades, mesmo com o aspecto negativo de comparar-se com os outros
“mais afortunados”. Dessa comparação resulta geralmente um sentimento de
inferioridade, podendo gerar ressentimento, inveja , amargura.
Quando o indivíduo é competente, podem ocorrer dois resultados: a racionalização
(explicação) constante de seu desânimo, de sua acomodação; ou a superação de sua
posição NÃO OK – OK, através do desenvolvimento do Adulto. Para que ocorra este
último, é necessário muito apoio de outras pessoas a fim de que adquiram confiança em
si.
É fácil conhecer uma pessoa NÃO OK – OK durante um trabalho de grupo. Suas
atitudes são de esquiva, de timidez, com receio de dizer “asneiras”. Para que ela
participe efetivamente é necessário uma dose de paciência, de compreensão e de apoio
às suas parcas contribuições, do contrário reforçará cada vez mais a sua posição
defensiva, tendendo ao isolamento.
Se um indivíduo NÃO OK – OK conseguir atingir uma posição de chefia
(geralmente guindado por forças “ocultas”), poderá alcançar sucesso se assessorar-se
de pessoas competentes e decididas, com a condição de tomar suas decisões em
grupo. Por confiar demasiadamente nos outros poderá até desenvolver uma gerência
participativa. Basta que para isso possua discernimento para compreender suas
limitações e utilizá-las devidamente sob o assessoramento de alguém em quem confie.
Entretanto poderá ocorrer o fenômeno do “covarde valente”. A certa altura dos
conhecimentos, com uma sobrecarga crescente de frustrações poderá entrar em
“descompensação” e alterar seu estado de ânimo, agredindo violentamente quem
estiver por perto. É uma reação de defesa, acionada depois de certo limite de saturação.
Poderá passado algum tempo, voltar ao estado “normal”, ou em casos mais graves ser
internado numa clínica de repouso.
O estado de ego mais potente da pessoa NÃO OK – OK é a Criança Submissa,
com o qual inicia ou complementa as transações. É por esse motivo que faz “parelha”
com o indivíduo OK – NÃO OK. As transações entre esses dois tendem a ser muito
“fechadas”, ou seja, repetitivas e com alta resistência ao cruzamento. É uma relação que
tende a ser muito patológica, pois diminui cada vez mais o Adulto de cada um dos
participantes, deixando-os à mercê de suas posições existenciais. Entretanto além
daquele estado de ego, o indivíduo NÃO OK – OK pode ter uma Criança Rebelde muito
potente, que grita mas não age, pois no fundo gosta de estar “por baixo” do Pai Crítico.
Agora deve ter ficado mais claro para você um dos motivos que impede “aquele”
funcionário de mudar de setor dentro da empresa. Há, às vezes, grande dificuldade para
romper uma relação parasitária NÃO OK – OK com –OK – NÃO OK. Por isso, nem ele
nem o chefe deseja realmente afastar-se um do outro.

4.5- A posição existencial NÃO OK – NÃO OK

O indivíduo com esta posição existencial é um “eterno pessimista”. Vive


desqualificando a si próprio, aos outros e ao mundo em geral. É realmente uma posição
muito sombria caracterizada pela depressão constante. É peculiar às pessoas
abandonadas, rejeitadas ou ignoradas nos primeiros anos da infância e reflete a
escassez de contato físico, imprescindível ao desenvolvimento adequado da
personalidade. São raras as pessoas que sobrevivem por muito tempo com esta posição
existencial, que podemos dizer, é uma constante auto-anulação.
Das que sobrevivem, a maioria encontra-se em hospitais psiquiátricos. É, portanto,
muito raro encontrá-los trabalhando, devido à incompatibilidade inerente a isso.
No entanto, como já dissemos anteriormente, é muito rara a existência de outros
tipos puros, ao invés disso, geralmente ocorre uma combinação de posições existenciais
com predominância de uma ou de outra. E nesse caso, podemos nos deparar com
indivíduos predominantemente NÃO OK – NÂO OK no ambiente de trabalho.
Não é muito difícil descrevermos as características básicas de um colega de
trabalho predominantemente NÃO OK – NÃO OK. É geralmente muito retraído, inibido,
desanimado e pessimista. Desiste com facilidade de uma missão quando depara-se
com uma dificuldade superável pela maioria do grupo. O contato com ele geralmente
nos deixa deprimido e desanimado ou aborrecido com tanta inércia. Em trabalhos de
equipe, se ele participar, prejudicará mais do que ajudará no desenvolvimento da tarefa
comum, devido às dificuldades que vê onde não há.
Desqualifica com muita freqüência seus interlocutores durante as transações. Em
suma, o indivíduo NÃO OK – NÃO OK é caracteristicamente “tóxico” pois “envenena” as
pessoas a sua volta transmitindo a elas o seu mal-estar. Com sua atitude de auto-
comiseração, de desolação, atrai com facilidade indivíduos com um Pai Nutritivo
Negativo muito desenvolvido, que encontra nele um depósito de suas “caridades”, de
suas lástimas, surgindo daí uma espécie de relação parasitária. Os mendigos
profissionais sabem imitar, com muita desenvoltura, a Posição Existencial NÃO OK –
NÃO OK, conforme você já deve ter observado.

4.6 – A POSIÇÃO EXISTENCIAL OK – OK

É a posição existencial sadia por excelência e a única realista. A pessoa OK – OK


vê e aceita os aspectos positivos e negativos de si e dos outros por basear-se no
princípio de que ninguém é totalmente perfeito ou imperfeito. É uma posição que reflete
um equilíbrio interno (consigo mesmo) e externo (com os outros), indicando uma
atuação integrada dos estados de ego.
No ambiente de trabalho, o indivíduo OK – OK sobressai-se com facilidade, por
suas atitudes e comportamentos adequados, na maior parte do tempo e nas diversas
situações. Quando em posição de chefia caracteriza-se pelo equilíbrio emocional, pelo
grau de abertura às discussões de suas idéias, pelo incentivo de novos valores, pela
objetividade, espírito de colaboração e clima de bem-estar, que gera em sua volta.
Sua atitude, diante de erros cometidos por seus subordinados, é de compreensão
e crítica construtiva, visando fornecer subsídios ao desenvolvimento profissional e
pessoal desses. E quando diante de seus próprios erros procura ouvir e analisar as
críticas fornecidas por seus subordinados e superiores, visando desenvolver-se como
profissional, como chefe e como pessoa.
De acordo com ERIK ERICKSON o indivíduo OK – OK possui a “confiança básica”,
não se deixando usar e nem usando as outras pessoas. Em termos organizacionais, um
chefe com esta posição existencial estimula seus subordinados a atingirem a auto-
realização, a desenvolverem a criatividade e a autenticidade. Com seu Adulto, em
constante processo de integração de integração, cria condições psicológicas adequadas
ao desenvolvimento integrado da personalidade de seus subordinados, auxiliando no
desenvolvimento das potencialidades latentes de cada um e facilitando o alcance dos
objetivos da Organização.

4.7 – CONFRONTO DAS POSIÇÕES EXISTENCIAIS.

Os efeitos prováveis do confronto de duas pessoas variam conforme suas posições


existenciais. Seu conhecimento é muito útil na prevenção e/ou redução de sua
ocorrência em situações de trabalho de grupos.
De acordo com as diversas posições existenciais, os efeitos do confronto podem
ser:
1. COMPLEMENTAÇÃO
OK – NÃO OK com NÃO OK – OK
2. EVITAÇÃO, AFASTAMENTO MÚTUO
NÃO OK – OK com NÃO OK – OK
3. CONFLITO, COMPETIÇÃO
OK – NÃO OK com OK – NÃO OK
4. PARALIZAÇÃO, ISOLAMENTO
NÃO OK – NÃO OK com NÃO OK – NÃO OK
5. RESPOSTA OK (SAUDÁVEL) OU RUPTURA DA TRANSAÇÃO
(O indivíduo OK convida o indivíduo NÃO OK a sentir-se bem)
OK – OK com (NÃO OK)
6. RUPTURA DA TRANSAÇÃO
(O indivíduo NÃO OK convida o indivíduo OK a sentir-se mal)
(NÃO OK) com OK – OK
7. ENTENDIMENTO, COLABORAÇÃO, COMPREENSÃO
OK – OK com OK – OK

4.8 – POSIÇÕES EXISTENCIAIS E DESEMPENHO DE PAPÉIS.

Na apresentação das cinco posições existenciais demos a entender que cada


indivíduo possuía apenas uma, adotada em sua infância e permanente em sua vida. Foi
mais uma exigência didática. Na realidade, apesar de alguém possuir uma posição
existencial básica ou predominante, esta possui diversos graus de gravidade e pode
mesmo variar conforme o papel desempenhado pelo indivíduo. ou seja, ele pode ser
NÃO OK – OK em seu papel de marido, sentindo-se sempre por baixo com sua mulher e
ser OK – NÃO OK como chefe ou funcionário, assumindo atitudes de intolerância e
prepotência. De vez em quando, a gente encontra esse tipo de pessoa. Isso depende
das experiências infantis e das mensagens parentais a respeito de cada papel. É
importante destacar nesse ponto, que “a posição existencial é essencialmente uma
abstração de uma limitada série de situações, adotada por uma criança de pouca idade,
com um Adulto muito primitivo e que logo é generalizada a situações similares e
projetada no futuro. Uma vez tomada é tenazmente mantida e possa-se a atuar
seletivamente, em continuidade, aceitando-se da experiência só que confirme a posição
e desfazendo o que a ameaça”. (R. KERTÉSZ)
Para compreendermos a importância dos papéis no processo de adaptação do
indivíduo, precisamos conceituar inicialmente o que é “Status”. Para KERTÉSZ, “ Status
é a posição que uma pessoa ocupa por seu sexo, idade, profissão, nascimento: Status
de esposa, mãe, chefe, subordinado”, (é estático).
Enquanto papel é o modo como o indivíduo funciona (é dinâmico). Pode ocorrer,
por exemplo, que uma pessoa ostente o status de chefe porém, ao invés de funcionar
com o papel correspondente, desempenha o de subordinado de um outro indivíduo a
quem deveria chefiar. É a questão da não correspondência entre as situações “de direito
e de fato”, muito comum em Organizações Sociais.
É necessário que a pessoa adeqüe o seu desempenho de papel ao seu status, do
contrário estará desadaptado.
Em linhas gerais, os papéis podem ser classificados em três grandes grupos:
Papéis Familiares, Papéis Profissionais e Papéis Sociais.

4.9 – O MINIARGUMENTO E SUA INFLUÊNCIA NO DESEMPENHO


FUNCIONAL

Para compreendermos o significado do conceito de Miniargumento é necessário o


entendimento prévio do que seja O Argumento de Vida., segundo a Análise
Transacional. BERNE o definiu como “um plano de vida não-consciente, decidido na
infância”, que substitui cientificamente o conceito mágico de destino. Este plano ou
argumento de vida estrutura-se sobre a posição existencial assumida pela criança a
partir da gravação dos mandatos verbais e não-verbais de seus pais. Com base nele o
indivíduo planifica seu futuro em linhas gerais.
Conforme o teor do Argumento o indivíduo será um:
1. TRIUNFADOR – Cumpre os seus objetivos sem ferir a ética de seu grupo. É
basicamente OK – OK
2. CARREIRISTA – Cumpre os seus objetivos desonestamente, sem preocupar-
se com a ética de seu grupo. É basicamente NÃO OK – OK ou OK – NÃO OK.
3. NÃO GANHADOR – Cumpre parcialmente seus objetivos. É basicamente
NÃO OK – OK ou OK – NÃO OK.
4. PERDEDOR – Não cumpre seus objetivos. É basicamente NÃO OK – NÃO
OK.
Segundo KERTÉSZ, “o Argumento permite ao indivíduo atuar sem pensar, ao
permutar a ansiedade da dúvida por uma conduta automática; o preço é renunciar a agir
com o Adulto, funcionando em troca, com a Criança Adaptada (programada ou
argumentada)”.
O argumento é transmitido de pai para filho, através das respectivas Crianças,
como um manual de procedimentos, pensamentos, percepções, emoções e sentimentos
que o indivíduo utilizará no direcionamento de sua vida. Por ser baseado no passado e
não sofrer uma adaptação às mudanças no ambiente, o Argumento apresenta diversas
inadequações e mesmo erros prejudiciais ao êxito do indivíduo. Ao perceberem esses
resultados nocivos, os pais procuram remediá-los através de mensagens verbais
“corretivas” de seus estados de ego Pai para o estado de ego Pai do filho (Contra –
Argumento).
Essas mensagens são chamadas impulsores e podem ser classificadas em cinco:

1. SEJA PERFEITO – O pai não permite falhas, o que leva o indivíduo a uma
compulsão de querer atingir a perfeição humanamente inalcansável. Na
tentativa de consertar as deficiências oriundas do Argumento, os pais
exageram na dose, passando para o outro extremo – Nenhuma falha.
2. SEJA FORTE – O pai não permite a demonstração de fraqueza (chorar, pedir
ajuda, receber carinho ou auxílio) diante dos outros. Também é uma solução
extremista.
3. APRESSA-TE MAIS – O pai não permite perda de tempo, levando o indivíduo
a fazer tudo cada vez mais rápido, até a exaustão.
4. ESFORÇA-TE MAIS – O pai não permite descanso, o que leva o indivíduo a
aplicar um esforço cada vez maior em seu trabalho. como resultado há uma
anulação dos objetivos finais, pois o que importa é mostrar o esforço em si,
não o resultado da tarefa assumida.
5. AGRADA-ME MAIS – O pai cria no indivíduo a sensação de que, se não
agradar ao máximo as outras pessoas, não será feliz.O problema é que esse
“máximo” é outro buraco sem fundo, deixando-o sempre com a sensação de
não ter dado atenção, o carinho, a dedicação suficientes.
Esses cinco impulsores apresentados têm algumas características comuns como:
- São inalcansáveis;
- Produzem frustração;
- Ao invés de consertarem, agravam os efeitos nocivos do Argumento;
- São compulsões que o indivíduo possui em maior ou menor grau, geralmente se
ter consciência;
- Dificultam a vida de cada um.
É portanto indispensável que conheçamos o grau de nossos impulsores se
quisermos diminuir os ruídos internos, melhorar nossas transações e facilitar o
atingimento de nossos objetivos.
Para uma compreensão visual apresentamos abaixo a matriz simplificada do
argumento:
TAIBI KAHLER, um psicólogo americano, após diversos anos de trabalho sobre o
Argumento de Vida, verificou que podia detectá-lo em seus elementos essenciais (os
impulsores), em questão de minutos. Para tanto, servia-se de observação da forma de
construção das frases, da entonação, e da linguagem não-verbal (gestos, atitudes) de
seus clientes. Denominou sua descoberta de Miniargumento.
O Miniargumento é um “flash” do Argumento e sua maior importância está na
oportunidade que oferece de compreendermos o plano de vida do indivíduo em poucos
minutos. Esse Mini-plano de vida, conforme o teor das gravações realizadas na infância,
pode ser negativo (NÃO OK) ou positivo (OK). Uma pessoa segue um Miniargumento
NÃO OK através de seus estados de ego “funcionando” no circuito NÃO OK e segue um
Miniargumento OK com seus estados de ego no circuito OK.
Veremos a seguir cada uma dessas fases, inicialmente através do diagrama do
Miniargumento NÃO OK:
O Miniargumento NÃO OK descreve um ciclo fechado iniciado no ponto 0 com um
Estímulo Transacional do Pai Crítico. Por exemplo: “Você não vai conseguir fazer um
trabalho decente”... seguido de resposta da Criança Submissa – “Então, o que devo
fazer para conseguir?” que leva o indivíduo ao ponto – 1 com o Pai Nutritivo Negativo
aconselhando – “Seja perfeito, meu filho”, que aparentemente é uma boa saída,
produzindo uma sensação de bem-estar. Quando descobre que a perfeição requerida é
inalcansável, o indivíduo cai de seu falso bem-estar, entrando no ponto – 2 (conhecido
vulgarmente por “fossa”). Nesse ponto, as emoções são tipicamente de Criança
Adaptada Submissa (falsa alegria, depressão, medo prolongado, ansiedade, culpa,
confusão ou sensação de inadequação), podendo variar de pessoa para pessoa. O
estado de ânimo sofre um rebaixamento muito grande, favorecendo o sentimento de
inferioridade (eu sou NÃO OK, você é OK). Entretanto após certo tempo, o indivíduo
“chega a conclusão” que foi enganado por seu Pai Nutritivo Negativo, e resolve vingar-
se. Só que ao invés de fazê-lo internamente, dirige sua ira para o bode expiatório mais
próximo. Esta mudança é resultante de sua entrada no ponto – 3 do Miniargumento
NÃO OK, onde passa a agir como Criança Adaptada rebelde, com suas emoções
características (ira, rancor, rebeldia, enojamento, falso triunfo) e com o estado de ânimo
eu sou OK, você é NÃO OK.
Passado algum tempo , o indivíduo sofre outra “queda”, entrando desta feita na
última etapa de seu Miniargumento, o ponto – 4, também denominado de benefício final
do Miniargumento NÃO OK. Neste ponto ocorre uma reação de prostração, de
desânimo existencial, característico da posição “eu sou NÃO OK, você é NÃO OK”, com
as reações emocionais oriundas da sensação de solidão, rejeição, loucura, melancolia
ou desespero, dependendo da gravidade.
Deste ponto há um retorno ao ponto 0 de onde inicia o Miniargumento novamente.
Como deve ter observado, o indivíduo no Miniargumento NÃO OK, praticamente
não atua com seu Adulto. Suas condutas e atitudes são guiadas pelo Pai Negativo e
suas reações emocionais e motivação têm origem na Criança Adaptada. Encontra-se
prisioneiro em seu passado de onde retira o “ensinamento” para sua vida futura.
Entretanto, além do Miniargumento NÃO OK, há o Miniargumento OK, no qual o
indivíduo atua em seu circuito positivo.
Uma característica do Miniargumento OK é conter, ao invés dos impulsores, os
permissores, que refletem uma atitude do Pai Positivo.
Os permissores são antíteses dos impulsores, como pode ser visto na tabela
comparativa abaixo:

IMPULSORES PERMISSORES

SEJA PERFEITO Você pode errar, seja você mesmo.

SEJA FORTE Você é humano, pode sentir e expressar suas emoções

APRESSA-TE MAIS Não precisa apressar-se, viva cada


Gaste
momento a de
energia necessária a cada
sua vida.
coisa, não precisa exagerar.

ESFORÇA-TE MAIS

Você não precisa sacrificar-se por


AGRADA-ME MAIS
ninguém. Pense em você.

O ponto 0 do Miniargumento OK é um estímulo de confiança interno oriundo do Pai


Crítico Positivo ou Protetor, como por exemplo: “não se preocupe com o tempo, você
pode fazer um bom trabalho”, que tem como resposta “Sim, eu sei que sou capaz”,
oriundo da Criança Adaptada Positiva. Quando entra no ponto 1, o indivíduo o faz
através de seu Adulto, com o apoio implícito do Pai Nutritivo Positivo, criando assim um
bem-estar duradouro. Ao atingir seu objetivo, (terminar a tarefa sem apressar-se) há um
reforço de sua realização, quando atinge o ponto 2, caracterizado por emoções típicas
da Criança Livre (alegria, prazer). O seu estado de ânimo é mais reforçado ainda
quando o indivíduo passa para o ponto 3, caracterizado por emoções autênticas de
Criança Livre ou Criança Adaptada Positiva (júbilo, orgulho). Finalmente no ponto 4, o
indivíduo atinge a alegria final ou pequeno êxito, um prêmio íntimo pelo objetivo
alcançado.
Fizemos uma descrição do Miniargumento devido a sua grande importância na
análise e aprimoramento da conduta humana. Compreendendo-o podemos facilmente
tomar consciência do estado emocional em que nos encontramos em cada situação e a
seguir corrigi-lo ou desenvolvê-lo, conforme o caso. Se atentarmos para o fato de que
nossas atitudes e comportamentos têm sempre um fundo emocional, que os inicia,
mantém e desenvolve, podemos sentir claramente a importância do estudo do
Miniargumento.
Todos nós vivemos no Miniargumento OK, ora no NÃO OK. À medida em que
aumentamos o tempo que passamos nesse último, tomamo-nos mais inadaptados à
realidade, criando um clima “tóxico” à nossa volta. Isso é devido ao fato de estarmos
funcionando no circuito NÃO OK e estarmos repetindo condutas arcaicas, em
descompasso com a situação presente.
Um modo relativamente simples de sairmos do Miniargumento NÃO OK é ligar o
Adulto, ou seja, ficarmos consciente de nossas emoções, atitudes e comportamentos. O
modo mais prático de fazê-lo é através de “contratos de ajuda recíproca” com amigos,
colegas de trabalho ou outra pessoa de confiança, nos quais um diz para o outro como
percebeu a atitude ou comportamento do outro, num dado momento ou situação.
Como as respostas NÃO OK são oriundas de estados de ego Pai ou Criança NÃO
OK e são acionadas automaticamente diante de circunstâncias bem definidas, ou seja,
são seletivas, o procedimento sugerido acima tem uma margem de êxito muito grande,
pois quebra progressivamente esses automatismos em situações específicas. Em outras
palavras, baseia-se em dados concretos, por isso obtém resultados concretos.
Quando ficamos conscientes de que estamos, por exemplo: no ponto – 3 do
Miniargumento NÃO OK, podemos decidir Adultamente sobre a conveniência de
permanecer nele ou de passar para o ponto +3 do Miniargumento OK. E cada vez que
conseguimos efetuar essa passagem desenvolvemos mais a nossa personalidade e nos
tornarmos donos de nós mesmos.
E a medida em que isso ocorre, o clima psicológico de nosso grupo de trabalho
torna-se mais “Nutritivo”.
5. A PROGRAMAÇÃO SOCIAL DO TEMPO

O homem possui, além das necessidades biológicas, comuns a todos os animais,


as necessidades psicológicas que o caracteriza. Dentre estas encontra-se a de
programar o tempo disponível em seu estado de vigília.
Você já deve ter passado por situações não estruturadas temporalmente, como por
exemplo, estar presente em uma reunião social onde não conhece ninguém. Você
começa a sentir que olham como se perguntassem: - “Como é, você não fala?” e
percebe que o tempo passa, arrastando-se pesadamente no silêncio formado a sua
volta. Se for tímido, sua cabeça estará fervilhando de frases cuidadosamente
construídas para evitar “um fora”. E como resultado, aparece um mal-estar que perdura
até o momento em que alguém ou você mesmo começa a falar. E todos embarcam
naquela conversa tão oportuna, seja sobre o jogo de futebol do dia anterior ou sobre o
frio que tem feito ultimamente.
Todos nós passamos por situações semelhantes à descrita acima, nas quais
surgem frases como: “e agora, o que vamos fazer para passar o tempo?” ou “o que é
que vou fazer agora?” ou ainda “eu não posso ficar à toa, preciso fazer alguma coisa!!”
Para superar a ansiedade resultante da vivência de períodos de tempo não
estruturados, o homem criou, no decorrer de sua história, algumas maneiras de
programá-los e com isso sentir-se bem.

São seis as formas de programação social do tempo:


1. ISOLAMENTO
2. ATIVIDADE
3. RITUAL
4. PASSATEMPO
5. JOGOS PSICOLÓGICOS
6. INTIMIDADE.

5.1 – O ISOLAMENTO OU ALHEAMENTO

- Isolamento ou alheamento é a forma de programação temporal, na qual o


indivíduo afasta-se das outras pessoas e do ambiente externo, penetrando em seu
mundo interno, subjetivo.
- Uma representação anedótica do isolamento é o avestruz com a cabeça enfiada
na areia.
Esse comportamento descreve uma atitude típica de defesa passiva, que deve ter
sido a sua origem. Atualmente o isolamento apresenta-se sob diversas facetas e serve
de meio a vários objetivos. Um deles, provavelmente o mais primitivo, é a defesa
passiva. Diante de uma situação espaço-temporal não estruturada, o indivíduo retira-se
para o seu interior à procura de reforçadores encobertos, como lembranças de
experiências passadas, fantasias e mensagens parentais protetoras. Isso ocorre com
indivíduos tímidos, cuja dificuldade de relacionamento interpessoal os leva a adotar
comportamentos arredios, característicos de sua introversão. O emprego constante
desse tipo de isolamento, pode levar a um empobrecimento gradativo da expressão
muscular no meio ambiente, ou seja, a uma diminuição da taxa de respostas expressas.
E com isso, em nível patológico, ao autismo.
Outro objetivo do isolamento é a auto-flagelação psicológica, caracterizada pela
ocorrência de pensamentos auto-destrutivos. É um comportamento bem peculiar da
“eterna vítima”, que se delicia com a própria desgraça e faz dela um modo de passar o
tempo, repetindo sempre as mesmas lamúrias, como um disco rachado. Desse modo,
ela adquire a sua quota de emoções negativas para manter em nível adequado a sua
bateria negativa. Uma exacerbação patológica desse comportamento pode levar o
indivíduo ao suicídio.
O terceiro objetivo do isolamento é o auto-conhecimento e auto-construção. Um
exemplo típico é a terapia NAIKAN, método japonês de auto-observação, durante o qual
o indivíduo examina suas experiências passadas, reflete sobre elas, busca suas
limitações e com base nesse conhecimento de si, inicia ou prossegue sua auto-reforma.
Outro exemplo é a meditação Zen, na qual o indivíduo procura esvaziar-se dos diálogos
internos e alcançar a compreensão de seu verdadeiro ser.
O isolamento nesse caso, atua como um impulsionador do desenvolvimento da
personalidade, portanto, como um fator atualmente positivo.
É comum encontrar-se em ambiente de trabalho indivíduos muito retraídos, que
bastam-se a si próprios ou preferem o isolamento ao relacionamento pessoal em nível
superficial. São pessoas que gostam de trabalhar sozinhas.
É importante reconhecer esses indivíduos a fim de adequar sua posição na
empresa e seu tipo de serviço à sua forma de estruturação do tempo. Elas podem ser
muito bem aproveitadas em atividades de planejamento e pesquisa, entre outras que
exijam reflexão, concentração prolongada e criatividade, principalmente no nível
abstrato.
O desconhecimento desse traço de personalidade poderá conduzir a certos
absurdos como o de indicar um indivíduo com tendências ao isolamento para funções
que exijam contato com o público, ou trabalho em equipe. Com uma falha desse tipo a
empresa estará sofrendo um prejuízo duplo: um, por má utilização de seus recursos
humanos e outro, por dificultar o desenvolvimento profissional do indivíduo.
A pessoa que utiliza muito o isolamento para estruturar o seu tempo, pode por
aproximação, deslocar-se para outra forma de estruturação do tempo, a atividade.

5.2 – A ATIVIDADE

Essa forma de estruturação temporal tem também como objetivo evitar o mal-estar,
a ansiedade e o contato íntimo com as outras pessoas. Esses são os motivos
psicológicos encobertos, que podem ser transformados em socialmente aceitos e
expressos em forma de atividade construtiva, como o trabalho; em atividade lúdica como
o esporte e o hobbie; em atividade artística como a música, a pintura, a escultura, a
poesia e outras formas.
A atividade caracteriza-se principalmente pela relação homem-objeto material ou
abstrato, onde o primeiro procura atingir certos objetivos, como manter-se ocupado,
através da utilização do segundo.
O trabalho é a atividade primordial de qualquer sociedade e como tal é empregado
por seus membros como modo de sobrevivência, de auto-realização e/ou de
programação do tempo. É essa última utilização que abordaremos. A pessoa que
emprega o trabalho para preencher seu tempo psicológico, tem nele, principalmente,
uma defesa contra possíveis ameaças a sua individualidade.
Por isso desempenha constantemente o papel de ocupadíssimo, buscando com
unhas e dentes qualquer coisa para executar. Para ele, o importante não é o “como” ou
o “que fazer”, mas apenas não parar de fazer, para não ter tempo de relacionar-se com
outras pessoas.
Quando vem a aposentadoria, insiste em continuar trabalhando, pois sente que
essa é a única maneira de sentir-se bem. Se soltar essa bengala, certamente cairá,
talvez num asilo para pessoas idosas ou numa entidade para doentes mentais.
É muito comum encontrarmos esse tipo de pessoa em ambiente de trabalho, por
isso convém conhecê-lo para alocá-lo no setor e espécie de trabalho que melhor se
ajuste a sua forma de estruturação do tempo.
Indicá-lo, por exemplo, para trabalhar como Relações Públicas da empresa,
poderia ser uma calamidade e seus resultados poderiam ser observados através do
número de reclamações dos clientes sobre “um funcionário mal-educado, que não gosta
de falar com o público, porque nunca tem tempo para isso.”
Ora, ao invés de forçar a sua adaptação ao trabalho, é preferível procurar um
trabalho adequado à sua forma básica de estruturação do tempo. Com isso, lucra a
empresa e lucra o indivíduo. Afinal de contas, se todos gostassem de azul o que seria
do vermelho? Do mesmo modo, assim como certos indivíduos estruturam seu tempo
basicamente com atividade, outros o fazem com rituais. É o que veremos a seguir.

5.3 – O RITUAL

Esta é uma outra maneira de passar o tempo longe das pessoas, embora
camuflado por uma proximidade aparente. Existem rituais realizados sozinho, outros
coletivamente. Alguns são aceitos e aprovados, enquanto outros são condenados pela
sociedade. No ritual há sempre um elemento de fundo, o seu caráter repetitivo e, às
vezes, compulsivo.
Exemplo de um ritual muito comum é o “aperto de mão” no momento de encontro
de duas pessoas conhecidas. Porque elas apertam mutuamente suas mãos? É provável
que não saibam. – “Mas para que saber, as pessoas fazem isso a tanto tempo e nunca
precisaram saber o porquê...”. É exatamente essa uma das características principais do
ritual – o desconhecimento do “porquê” é realizado. Isso reflete sua forma de
aprendizagem. Por ser transmitido de geração a geração, do Pai para a Criança
Adaptada e ser aceito como inquestionável, tem características dogmáticas que devem
ser seguidas em sua totalidade ou renegadas também integralmente.
As sociedades secretas, as seitas religiosas e os clubes fechados possuem rituais
que asseguram sua sobrevivência.
Também nas empresas ocorrem rituais, principalmente naquelas de características
patriarcais e de estrutura hierárquica rigidamente estabelecida. São exemplos disso, as
reuniões solenes, o cumprimento cordial no início e término do expediente.
Em algumas empresas a comunicação administrativa sofre acomodações que com
o passar do tempo propiciam o surgimento de um ritual muito freqüente na
administração formal – a burocracia, com sua corrente infindável de elos “de-para” ou
“ao...ao...”. A cadeia de informações pode ter sido muito útil na época em que foi
estabelecida, por representar uma situação de fato dentro do órgão. – para a toma da de
decisão era necessário ouvir os pareceres de todos os escalões até alcançar o escalão
superior onde finalmente a decisão era tomada. No início da instalação de uma
empresa, ou no princípio de uma mudança de normas de trabalho ou de alteração da
produção, a corrente de pareceres pode funcionar como um recurso para o aumento de
segurança e diminuição de erros. Porém, três anos mais tarde, a corrente de “ao-ao”
pode ter transformado-se num fóssil inútil á tomada de decisões, passando a atuar como
um elemento restritivo ao desenvolvimento da organização. – Tornou-se um ritual.
Para exemplificar, digamos que os diversos setores da empresa alcançaram um
nível de competência considerável e que com isso possam dispensar mutuamente
grande parte dos pareceres, aumentando a rapidez da tomada de decisões e a
flexibilidade no estabelecimento de metas de trabalho.
Se a empresa possuir uma sistemática de comunicação administrativa rígida,
estabelecida pela cúpula, segundo a qual é imprescindível o cumprimento das normas
regimentais; as quais estabelecem que a decisão de aumento ou redução da produção,
as alterações no sistema de vendas, a mudança de produto, etc, só deverão ser
tomadas depois de um percurso de “cinco elos”; os diversos setores terão que
acomodar-se sem objeções. Ou seja, deverão cumprir o ritual à risca, do contrário
sofrerão as conseqüências. O que estará ocorrendo nesse caso é uma transação típica
de Pai – Criança Adaptada através de um ritual que deve ser obedecido.
Não será difícil prever os resultados de um ritual desse tipo, entre eles, a redução
do dinamismo da empresa com reflexos diretos sobre o atendimento ao mercado de
consumo.
O ritual que ocorre no processo decisório é semelhante a um enferrujamento no
delicado mecanismo da tomada de decisões, de tal modo que tornará cada vez mais
difícil e demorada a resposta às necessidades do ambiente.
O incrível é que apesar da empresa querer corrigir suas limitações para
desenvolver-se, os rituais poderão impedi-la devido às suas características de verdade
estabelecida do alto, de coisa sagrada, de dogma e á dificuldade de analisá-lo
friamente, Adultamente. O fato é que por suas peculiaridades, o ritual bloqueia a
percepção da realidade, o raciocínio frio e baseado em dados. E em certos casos,
bloqueia a execução de medidas que o eliminem. E quando o eliminam, resta sempre
como sub-produto um resquício de dúvida, de culpa, diante de uma advertência –
“Vocês é que sabem, se quiserem mudar, que mudem, mas não se arrependam
depois”... lançada pelo Pai (Bruxo) do presidente ou diretor da empresa às Crianças
Adaptadas dos subordinados.
É portanto imprescindível o conhecimento dos diversos rituais que ocorrem na
organização para a eliminação de seus sub-produtos nocivos ao bem-estar da empresa,
como um todo, e das pessoas envolvidas.
Enquanto algumas pessoas e empresas preenchem seu tempo com rituais, outra
optam por uma forma mais descontraída e descompromissada de estruturar o tempo – o
passatempo.

5.4 – 0 PASSATEMPO

Esta é uma maneira gostosa de fazer o tempo passar mais rápido e sem grande
perigo de envolvimento pessoal. Seu objetivo psicológico além da estruturação do
tempo é também evitar a intimidade no relacionamento humano, como os outros
mecanismos de programação do tempo já analisados.
Você já deve ter visto duas pessoas conversando animadamente sobre a crise
energética mundial, sobre o futebol brasileiro, sobre os últimos lançamentos da moda de
verão ou sobre outro tema qualquer. E deve ter observado que o objetivo do “papo” não
era o de informar sobre os fatos objetivos, mas apenas expressar opiniões.
É típica a ocorrência do passatempo em reuniões sociais. aliás, a reunião social é
a própria institucionalização do passatempo.
Existem diversos tipos de passatempo que podem ser classificados em três
grandes categorias: passatempos realizados com o estado de ego Pai, com o estado de
ego Adulto e com o estado de ego Criança.

A - Passatempos de Pai
Esses passatempos encerram basicamente mensagens de duas categorias: de
crítica e de proteção.
É muito comum encontrarmos duas ou mais pessoas conversando sobre os
“defeitos da juventude de hoje”, com um tema complementar de “no meu tempo não era
desse modo”.
Outro assunto predileto do Pai Crítico é a política internacional de alguns países,
hoje com maior realce no problema do petróleo.
Aqui no Brasil, um passatempo muito comum, quase institucionalizado pelo Pai
Crítico é: “é um absurdo o técnico do time ter escalado o jogador “X” para esse jogo”... –
“É tem razão, eu por exemplo acho que ele deveria ter escalado o “Y”...” – “Pois é, e
além disso blá, blá, blá (...)”.E nesse “papo” os dois terão assunto, para uma noite toda,
regado por uma cervejinha de vez em quando. Geralmente um passatempo puxa o
outro, à semelhança de uma cadeia de numerosos elos. O número total de elos da
cadeia de passatempos, dependerá da disposição dos elementos envolvidos e do hábito
já adquirido em algum passatempo particular. Quanto maior o hábito, maior será a
necessidade de mudar de passatempo para não ficar desocupado, e com isso sujeito a
um aumento de tensão que poderá alterar a forma de estruturação do tempo.
É comum a passagem de um passatempo de Pai Crítico para outro de pai Nutritivo.
Essa mudança poderá ocorrer mais ou menos do seguinte modo: dois indivíduos estão
discutindo sobre a decisão dos árabes de aumentarem o preço do petróleo. Ambos
atacam a decisão tomada, cada vez com maior veemência, até o momento em que um
deles julga estar sendo muito cruel, “pois afinal, os árabes sempre sofreram tanto que
têm razão de descontarem agora”... Nesse momento, surge um outro elemento no
diálogo – o de proteção, que produzirá alguma modificação no passatempo, podendo
inclusive transformá-lo em “bate-boca” (um tipo de jogo psicológico, que veremos mais
adiante) ou em afastamento, isolando os dois indivíduos. Porém, se o indivíduo B
concordar com a atitude do A em proteger os árabes, poderão, a partir desse ponto,
iniciar o passatempo de Pai Protetor e com isso passar mais um tempinho
aparentemente juntos. Em outros casos, o passatempo de Pai Protetor vem associado
com o de Pai Crítico; por exemplo, enquanto protegem os “velhinhos abandonados em
instituições”, atacam os “filhos ingratos que os abandonaram”; enquanto criticam os
“jovens viciados em drogas” protegem ou têm pena de seus “pais que sofrem com essa
ingratidão...”

B- Passatempos de Adulto
Os passatempos realizados com o estado de ego Adulto caracterizam-se pela falta
de emoção dos participantes. A “conversa séria” entre dois profissionais de áreas afins
em horário de lazer é um exemplo típico. Dois colegas de trabalho, no piquenique ou no
clube, conversando sobre os planos que pretendem realizar na empresa, é outro
exemplo.

C- Passatempos de Criança
Aqui encontramos as famosas “fofocas” que algumas mulheres gostam tanto, como
falar da vida alheia, do vestido horroroso da fulana, enfim, dos últimos acontecimentos
das redondezas.
A pessoa que emprega continuamente passatempos do estado de ego Criança
Livre muito pouco desenvolvida ou bloqueada por sua Criança Adaptada. Como
resultado, seu modo de relacionar-se com outras pessoas é caracterizado pela aparente
intimidade, sugerida pela “conversinha de ouvido” e a proximidade física resultante.
O passatempo é uma forma de programação do tempo bem aceita socialmente,
talvez por uma vantagem claramente verificável: a manutenção de um relacionamento
estável apesar de superficial. Além disso, pode funcionar muito bem como um meio para
a escolha de companhias sem o risco de envolvimento maior. Em síntese, através de
palavras, o passatempo aproxima as pessoas enquanto impede que se encontrem
realmente. Com isso, a aparente proximidade esconde uma distância às vezes grande
que pode levar a uma desqualificação mútua.
Parece-me que essa característica do passatempo propicia a ocorrência de outra
forma de estruturação do tempo, o jogo psicológico, cujos resultados são sempre
prejudiciais aos indivíduos implicados.

5.5 – JOGOS PSICOLÓGICOS

Os jogos psicológicos são séries de transações que possuem uma motivação


oculta e destrutiva. São realizados inconsciente e compulsivamente. O jogo psicológico
é também uma forma de estruturar o tempo, apesar desse ser seu lado inócuo e talvez o
que menos o caracterize. Por esse motivo e por ser um fenômeno relativamente
complexo, o abordaremos em separado.

5.6 – A INTIMIDADE

É esta a forma mais gratificante e construtiva de empregarmos o tempo. É através


da intimidade que as pessoas encontram-se diretamente, sem subterfúgios, sem
máscaras, sem limitações. É nessa forma de relacionamento humano que se dá o
verdadeiro conhecimento do outro, mais ainda, o sentir do outro.
É por meio de suas Crianças livres positivas que duas pessoas entram em
intimidade. Nesse momento o controle exercido pelo Pai Crítico é abolido e a
espontaneidade da Criança Livre é liberada.
A intimidade representa o âmago do relacionamento, momento em que as pessoas
encontram-se em suas virtudes e fraquezas, em que compartilham a alegria do encontro
direto. É a carga emocional positiva gerada por um momento de intimidade, que fornece
a energia para o crescimento do indivíduo como pessoa. É essa energia que dá forças
para a sustentação da saúde mental. Muitas pessoas vivem, apesar do isolamento, dos
passatempos, rituais e jogos psicológicos, graças a essa carga emocional que trazem
dentro de si desde a infância, época em que recebemos a maior quantidade de carícias
físicas devido à intimidade em que vivemos com nossos pais. O fenômeno da regressão
à infância, descrito e estudado por FREUD, indica a potência que esta fase de vida
possui. Foram observados inúmeros casos de indivíduos assumindo posturas e
comportamentos infantis como resposta de defesa às agressões de seu meio ambiente.
Não precisamos ir muito longe, basta observarmos nosso comportamento em situações
difíceis, como num acidente; num rompimento de um namoro, noivado ou casamento;
no momento de uma demissão do emprego; depois de uma reprovação num concurso
ou mesmo após um dia cheio de aborrecimentos. Logo assumimos posturas, atitudes e
comportamentos infantis, como tristeza, raiva, ressentimento. Nosso estado de ego
Criança expressa essas emoções e nos sentimos um pouco aliviados após a “crise”
(lembrem-se do Miniargumento). Geralmente, as expressões emocionais como o choro
e o riso, resultantes dos estados emocionais respectivamente tristeza e alegria,
produzem uma aproximação de outra pessoa e com isso uma intimidade. Quando
estamos tristes podemos atrair o Pai Protetor de alguém e com isso receber uma carga
de emoções positivas que nos revigora. Quando alegres atraímos a Criança Livre de
outra pessoa que troca conosco também emoções positivas. Por outro lado a raiva, cujo
comportamento manifesto é a agressão, só nos afasta da intimidade, levando-nos ao
isolamento. O ressentimento, que é uma resultante da raiva, pode nos conduzir
facilmente a comportamentos falsos e com isso a transações como rituais, passatempos
e jogos psicológicos.
É através da intimidade que adquirimos a energia para o desenvolvimento de
nossa personalidade.
Dar condições para que o indivíduo recupere sua capacidade de relacionar-se com
outras pessoas através da intimidade é o objetivo último da Análise Transacional. E isso
é atingido com a liberação da Criança Livre e o desenvolvimento do Adulto. Só um
Adulto integrado pode resistir à ameaça do jogo psicológico e executar rituais e
passatempos com a consciência de não estar sendo conduzido por esses
condicionamentos adquiridos sem o devido julgamento prévio. E nessas condições pode
isolar-se para a auto-construção e saber os limites desse isolamento.
O indivíduo com o Adulto Integrado rompe a barreira que separa as pessoas,
atingindo-as e sendo atingido por elas, através da intimidade.
Em ambiente de trabalho, um indivíduo que superou o isolamento, o ritual, o
passatempo e o jogo psicológico como mecanismos de programação social do tempo,
aumentando cada vez mais sua capacidade de intimidade, estará sempre mais próximo
da auto-realização profissional e pessoal. Os resultados de um clima de intimidade num
ambiente social, são o aumento da colaboração e melhoria da comunicação e o maior
entusiasmo, dando origem a um bem-estar organizacional duradouro.

5.7 – COMO VIVEMOS NO TEMPO COM NOSSOS ESTADOS DO EGO (OU


COMO VIVEMOS NO TEMPO PSICOLOGICAMENTE)

Temporalmente, podemos definir o homem como um ser que vive em três


dimensões – o passado, o presente e o futuro. E cada um divide suas atenções entre
estes três pontos de referência.
Poderíamos dizer, com uma grande margem de acerto, que o homem é produto do
tempo trinitário (passado, presente e futuro), por sua vez produto do homem como ser
social. Há indivíduos que se prendem mais no passado, enquanto outros permanecem
no presente e outros ainda deslocam-se continuamente para o futuro. Na verdade , não
há uma separação nítida entre estas três dimensões. O presente poderia ser comparado
com o entardecer, o momento intermediário ao dia e à noite. A passagem de uma para
outra dimensão é normalmente fluida e contínua, sem momentos bruscos. Entretanto há
pessoas que se fixam mais em uma ou noutra dimensão apresentando dificuldades para
a mudança de uma para a outra. Quanto maio a dificuldade na passagem de uma para
outra dimensão temporal, menor será a possibilidade de adaptação do indivíduo ao seu
ambiente. Se ele permanece a maior parte do tempo no passado, tenderá a apresentar
respostas retardadas, criando uma defasagem entre o estímulo e a resposta, portanto
uma desadaptação. Se o indivíduo permanece mais no futuro, também tenderá a atrasar
sua resposta devido a mudança que precisará operar para voltar ao presente. Por outro
lado, a exacerbação do presente torna o indivíduo sem sustentação em sua história
passada e sem possibilidade de previsão de suas ações futuras.

5.7.1 – VIVER HOJE COM MODELOS COMPORTAMENTAIS DO PASSADO:

É muito comum encontrarmos pessoas desculpando-se de condutas inadequadas


que empregaram há alguns minutos atrás. Como também não é raro encontrarmos
aquelas que atuam estereotipamente sem terem consciência do que fazem. Essas
pessoas recorrem freqüentemente às mensagens que trazem gravadas em seus
estados de ego Pai e Criança Adaptada, através dos quais procuram comportar-se
como o seu pai ou ele próprio fazia como criança. Em situações de trabalho é muito
comum depararmo-nos com a dupla Pai Crítico ou Nutritivo – Criança Adaptada, cujas
transações ocorrem no presente com motivos do passado.
A um estímulo externo, ao invés do Adulto responder, é o Pai ou a Criança
Adaptada que o faz. Como esses estados de ego não tem contato com a realidade
externa, não recebendo portanto “feedback” de suas respostas, o indivíduo tende a
repeti-las compulsivamente (vide Miniargumento NÃO OK). Há nesses casos uma
grande dificuldade de comunicação interna Adulto-Pai devido à impotência das
mensagens parentais gravadas quando o indivíduo era ainda criança. E essas
mensagens são tidas como verdades absolutas, como dogmas, devido a ativação de
sua Criança Adaptada, através da comunicação interna P-Cad.
Assim, quando ocorre um estímulo externo há uma ativação automática do circuito
interno Pai-Criança Adaptada, que se exterioriza em comportamento de crítica,
condenação, reprovação (PCR), superproteção (PPR-), de humilhação, covardia (CS),
ou rebeldia (CR), dependendo da potência relativa dos estados de ego Pai e Criança. O
de maior potência tende a exteriorizar-se.
Diante de um problema que exija uma atitude rápida, precisa e objetiva, o chefe,
com um Pai ou Criança Adaptada constante, terá dificuldades de responder em tempo
apropriado. Será um incompetente para atuar no presente. Poderá tomar decisões
rápidas, porém com uma grande possibilidade de serem ineficazes devido à falta de
base na realidade externa e no momento presente. Repetindo gravações antigas, o
funcionário estará aparentemente mantendo um status de homem decidido, cujas
decisões estão sempre na ponta da língua. Sua ação entretanto será semelhante a de
uma pessoa, que habituada a passar por um atalho provisório, continua a usá-lo mesmo
depois da estrada definitiva ter sido construída.
Há portanto duas repercussões facilmente observáveis no comportamento de um
funcionário, que vive mais no passado ou do passado:
1. A demora na emissão da resposta a um estímulo, exemplo: Tomar decisão
diante de um problema.
2. A rapidez da resposta, devido a utilização de esquemas estereotipados.
A primeira repercussão reflete a mudança do estado de Ego Pai ou Criança para
Adulto através da comunicação interna, cuja rapidez dependerá da permeabilidade entre
os estados de ego.
A Segunda repercussão reflete a existência de um bloqueio entre o Pai e o Adulto
ou a Criança e o Adulto. Nesse caso, o Adulto não é ativado, ocorrendo apenas
respostas do estado de ego dominante, Pai ou Criança, cujos modelos comportamentais
que foram adquiridos no passado podem ser inadequados no presente.

5.7.2 – VIVENDO HOJE COM A CABEÇA NO FUTURO, OU PREOCUPADO.

É muito comum encontrarmos pessoas continuamente tensas, ansiosas, na espera


de alguma situação que possa surgir. É o caso daquele indivíduo que enquanto inicia a
elaboração de um projeto de trabalho, já está preocupado com o relatório que precisará
entregar. Ou do outro que durante o almoço já está preocupado com o número de
documentos que irá analisar no próximo expediente. Ou ainda daquele chefe que
estando atendendo seu funcionário encontra-se ansioso para chegar em casa e assistir
a continuação de sua novela predileta. Poderíamos dar outros exemplos de pessoas
que antes de concluírem uma tarefa já estão preocupadas com outra que poderá ser
solicitada. Para uma pessoa cujo erro tem pequena repercussão, o problema não é tão
grande. Mas à medida que aumenta a responsabilidade, aumentam os efeitos nocivos
que a atitude de antecipar-se ao evento pode gerar.
É interessante observarmos que quanto maior o número de tarefas, maior a
facilidade do indivíduo diluir sua atenção entre a execução da tarefa atual e a
preocupação coma a execução das próximas.
Resultado: A energia está sendo dividida e com isso o tempo de execução
requerido pela tarefa é aumentado, gerando uma redução na produtividade.
Geralmente, a preocupação com o que poderá ocorrer é uma repetição de
comportamentos adquiridos na infância. É uma ativação da Criança Submissa, que
expressa seu temor de errar e ser punida pelo Pai Crítico, ou de acertar e receber o
prêmio do Pai Nutritivo. É portanto o resultado de uma gravação antiga, geralmente
inadequada para utilização em situações de trabalho. não quero dizer com isso que o
indivíduo deva executar suas tarefas sem uma estimativa de probabilidade de acerto e
erro, isso é outra coisa. Preocupar-se com os resultados de uma ação que ainda não
ocorreu não é pensar probabilisticamente, é optar pelo fracasso (pessimismo) ou pelo
sucesso (otimismo) antes do tempo. E nessa operação, o Adulto quando participa, o faz
determinado por sua contaminação pela Criança Submissa.
Entretanto, a atitude do homem de projetar-se no futuro é imprescindível ao êxito
de qualquer empreendimento. O importante é que saibamos dosar o tempo que
consumimos, concentrando nossa atenção no futuro.
O otimismo deve ser utilizado na medida em que seja acompanhado de dados
sobre as condições presentes, do contrário corremos o risco de sermos surpreendidos
por fatores inesperados.
O pessimismo deve ser também utilizado, porém em doses homeopáticas, do
contrário nossas energias serão consumidas pelo temor de avançar. E a dosagem das
forças que nos impulsionam e daquelas que nos restringem é realizada pelo Adulto.
Apenas através desse estado de ego desenvolvido, poderemos utilizar a capacidade de
projetar nossa vida no futuro sem nos transformarmos em seu prisioneiro.

5.7.3 – VIVER APENAS NO PRESENTE, IRRESPONSAVELMENTE.

É típico da criança pequena, sendo nesse caso adequado e compreensível, por


representar uma característica infantil até o início da idade das fantasias. Porém, para o
indivíduo adulto, viver apenas no presente representa uma patologia, caracterizada pela
fixação na infância, seja por motivos genéticos ou de má-formação (retardo mental,
demência) ou psíquico (alienação do esquizofrênico). Entretanto o indivíduo
mentalmente são, porém com seu Adulto contaminado pela Criança, apresenta
comportamentos inadequados e irresponsáveis, devido a sua fixação no presente. Por
ter dificuldades de basear-se em mensagens éticas do passado (Pai) e de prever as
conseqüências de seus atos no futuro (Adulto) é comumente apanhado de surpresa
quando repreendido. Esse tipo de pessoa vive no presente principalmente através de
suas emoções e sensações que às vezes procura tornar permanentes, através de
artifícios químicos, como as drogas psicodélicas.
Ocorre nesse caso uma tendência cada vez mais acentuada de inibição do Adulto
e do Pai através da contaminação pela Criança. Sua possível forma de programação
social do tempo é o isolamento, com suas conseqüências de seus atos no futuro
(Adulto) é comumente apanhado de surpresa quando repreendido. Esse tipo de pessoa
que vive no presente através de suas emoções e sensações que às vezes procura
tornar permanentes, através de artifícios químicos, como as drogas psicodélicas.
Ocorre nesse caso uma tendência cada vez mais acentuada de inibição do Adulto
e do Pai através da contaminação pela Criança. Sua possível forma de programação
social do tempo é o isolamento, com suas conseqüências negativas.
É supérfluo salientar que o indivíduo preso emocionalmente ao presente torna-se
cada vez mais inapto para o trabalho, porque este exige uma participação do Adulto,
dificultada à medida em que a contaminação é ampliada. O medo de perder a sensação
do momento afasta-o do passado e do futuro.

5.7.4 – VIVENDO NO PRESENTE, BASEANDO-SE NO PASSADO E


PREVENDO O FUTURO.

Esse modo de viver no presente difere do descrito anteriormente por ser uma
expressão do Adulto combinado com a Criança e o pai desenvolvidos. Representa uma
etapa de evolução da personalidade alcançada através do processo de desenvolvimento
da autonomia. O indivíduo autônomo é aquele que estabelece relações humanas livres
de subterfúgios, falsas intenções, frivolidades e atitudes destrutivas para com os outros;
que conhece suas falhas, suas limitações e seus conflitos internos; e que dá vazão a
sua energia interior, a suas emoções e sentimentos saudáveis. Ou seja, que entra em
intimidade, que é consciente de si, dos outros, das coisas e do tempo, e que é
espontâneo em seu comportamento.
Portanto viver no presente com base no passado e antevendo o futuro, é sinônimo
de viver com o Adulto integrado.
E nessa circunstância o indivíduo caracteriza-se pela coerência de seu
comportamento em relação às pessoas e às circunstâncias surgidas a sua frente. No
ambiente de trabalho suas atividades terão a marca da autonomia através do bom
contato interpessoal e da consciência do dever, do alto nível de motivação e do poder
criador. Um executivo autônomo é consciente de suas limitações e possui a força
interna que o impulsiona a aprender continuamente em cada momento e com cada
pessoa. Sabe assumir a autoridade e a responsabilidade exigidas por suas funções,
ciente de que está desempenhando um papel social dinâmico e não ocupando um lugar
fixo e pessoal. Tem consciência de que suas realizações refletem uma época e uma
conjugação de esforços do grupo que dirige e que suas decisões têm força proporcional
à participação dos diversos níveis hierárquicos de seu órgão. É consciente de seus
momentos de Pai Crítico e de Criança Rebelde e sabe dos efeitos de seu
comportamento sobre os demais quando num desses estados de ego.
O executivo que tenha atingido a autonomia não encontra barreiras, em seu nível
hierárquico, para relacionar-se com seus subordinados, pois sabe distinguir o papel da
pessoa que o assume. Isso permite que entre em intimidade com cada pessoa apesar
dos papéis heterogêneos.
6- OS JOGOS PSICOLÓGICOS.

Para a compreensão adequada dos jogos psicológicos é necessário que todos os


tópicos abordados anteriormente tenham sido bem assimilados por você.
O conceito de jogo psicológico foi mais uma das grandes contribuições de ERIC
BERNE para a ciência do comportamento humano. Juntamente com o estudo do
miniargumento, permite fazermos previsões de nossas condutas e das de outras
pessoas, com alta probabilidade de acerto, levando-nos a um aprimoramento constante
de nossas relações interpessoais.

6.1 – CONCEITUAÇÕES.

O jogo psicológico é uma série de transações complementares, com uma


motivação oculta, que se desenrola até um final predeterminado inconscientemente.
POINDEXTER o definiu como “comunicações sérias entre pessoas que se
aproveitam inconscientemente de mútuas debilidades. Procuram uma vantagem
fraudulenta sem sabê-lo”...
Apesar do nome “jogo”, não são alegres, não divertem e nem trazem verdadeiro
prazer às pessoas envolvidas. Ao contrário, são dramáticos e as vezes trágicos, levando
sempre os “jogadores” a situações de incômodo, de frustração, de desespero e até
mesmo à morte.
O jogo psicológico é um artifício aprendido por indivíduos para superar as
dificuldades encontradas na satisfação de suas necessidades na infância. Uma de suas
características básicas é ser ativado por emoções ou sentimentos específicos, que por
acompanharem as necessidades, passam a representá-los após certo tempo.
Segundo MEININGER “se a vida de uma pessoa se desenrolou bem, de um modo
geral, seu Argumento de Vida muito provavelmente consistirá de bons sentimentos (e
emoções), misturados talvez com alguns poucos sentimentos (e emoções) menos
satisfatórios, como desapontamento ou culpa. Se teve menos sorte, com toda a
probabilidade será mais familiarizado com sentimentos de solidão e desespero (...).
Quando os sentimentos, que realmente experimentou durante o processo de
crescimento, começam a se repetir e se tornam familiares o bastante para serem
adotados como parte de seu Argumento de Vida, o jovem indivíduo acaba por se tornar
quase que fanaticamente possessivo em relação a eles, sejam quais forem. Ao ficar
mais velho, quando esses sentimentos retornarem ao seu espírito, de tempos em
tempos, esforça-ce-á ao máximo para retê-los e sempre que os sentir fugindo, irá quase
a qualquer extremo para recapturá-los”. (de “O sucesso através da Análise
Transacional” – pág 76 e 77)
Entretanto, as pessoas não se limitam a esperá-los acontecer, muitas envidam
todos os esforços para ativá-los e desenvolvê-los. E para isso geralmente empregam os
jogos psicológicos. O que é mais frequente do que imaginamos, visto que a maioria das
pessoas programa uma grande porcentagem de seu tempo com jogos, em busca de
emoções falsas que as deixam cada vez mais insatisfeitas.
JONGEWARD reafirma que “os jogos não só diminuem a capacidade de resolver
problemas na organização, como também limitam a produtividade e, por isso, custam
dinheiro. As energias físicas e psíquicas são dirigidas para as vantagens destrutivas dos
jogos, desviando-se das metas fixadas. A racionalidade é substituída pela
irracionalidade das lutas entre o Pai e a Criança.”
BERNE propõe a existência de uma fórmula geral para todos os jogos
psicológicos, utilizando o ato de pescar como um exemplo básico:

ISCA FOME MORDIDA MUDANÇA BENEFÍCIO


ou + ou = ou Resposta ou
Tentação Fraqueza Surpresa
O primeiro passo é a apresentação da isca ao peixe, que estando com fome a
abocanha (resposta). Este é tomado de surpresa quando é puxado pelo pescador, que
tem seu benefício final, ou seja, atinge seu objetivo. No momento em que puxa o peixe
podemos ouvi-lo dizer: - “ah! Te agarrei, desgraçado”, enquanto o “peixe” poderia
exclamar: - “porque isso tinha que acontecer comigo”? Com isso fecha-se o ciclo do
jogo, reiniciando no próximo dia ou na próxima hora. Todos os jogos psicológicos podem
ser resumidos nessa fórmula.
Mas porque as pessoas entram em jogos psicológicos, se eles são tão
desagradáveis, nocivos e prejudiciais? Segundo BERNE, é porque através dos jogos
elas tentam satisfazer suas necessidades e buscam aparentes “vantagens”, que as
deixam cada vez mais insatisfeitas, determinando o reinicio do ciclo vicioso.
Essas vantagens podem ser:

1. Vantagem Biológica:
Consiste na obtenção de estímulos transacionais (dos “contatos” já referidos
anteriormente.)
2. Vantagem Existencial:
Consiste no reforçamento da posição existencial a cada volta do jogo.
3. Vantagem Temporal:
Os jogos permitem preencher o tempo vazio, trocando a sensação de não ter o
que fazer por uma segurança patológica.
Existem outras vantagens classificadas por BERNE, como a psicológica interna, a
psicológica externa, a social interna e a social externa, que não apresentaremos neste
trabalho por exigirem conhecimentos psicológicos mais aprofundados. No entanto, as
três vantagens anteriormente apresentadas nos dão A idéia dos fatores motivacionais
dos jogos psicológicos.

6.2 – O TRIÂNGULO DRAMÁTICO DE KARPMAN

PERSEGUIDOR SALVADOR

STEPHEN KARPAMN P S
criou o esquema do triângulo
Dramático, para representar os três
papéis desempenhados nos jogos
psicológicos: de perseguidor, de
salvador e de vítima.

V VÍTIMA

“Esses três papéis são “manipulativos” ou falsos, já que atuam como se fossem
reais, mas podem deixar de ser jogados mediante uma decisão adulta”. (KERTÉSZ)

1. Papel de Perseguidor:
- Desempenhado pelo estado de ego Pai do Pai.
- É caracterizado por atitudes e comportamentos muito severos, rígidos, brutais e
as vezes sádicos.
2. Papel de salvador:
- Desempenhado pelo estado de ego Pai do Pai ou Adulto do Pai.
- Caracteriza-se por comportamentos de superproteção, de pseudo-salvação e
conduzem os outros a uma dependência prejudicial. Ex: a “Supermãe”.

3. Papel de Vítima:
- Desempenhado pelo estado de ego Criança Adaptada.
- Carcateriza-se por atitudes e comportamentos auto-destrutivos, nos quais o
indivíduo coloca-se sempre “por baixo” queixando-se de tudo, lamentando sua
má sorte. Com isso atrai para junto de si “perseguidores” ou “salvadores”.

Esses papéis dramáticos são as bases dos jogos psicológicos, entretanto não
devemos confundi-los com os papéis legítimos de perseguidor, salvador e vítima, cuja
diferença básica é serem adequadas às situações e aos momentos em que ocorrem.
Os jogos psicológicos sempre são iniciados com os participantes situados em um
dos papéis dramáticos e terminam com a inversão dos papéis na etapa de mudança, já
mencionada na fórmula geral.
BERNE empregou termos familiares, coloquiais, para denominar os jogos
psicológicos, o que nos facilita identificá-los de modo intuitivo. E com base no Triângulo
Dramático de KARPMAN podemos classificá-los conforme os três papéis, do seguinte
modo:

P S
PERSEGUIDOR SALVADOR

- “Agora te peguei, seu desgraçado.” - “Eu só queria ajudar”


- “Defeito” - “Que farias sem mim”
- “Tribunal” - “tenho prazer de ajudar”
- “Se não fosse você” - Ficarão contentes de ter-me conhecido”
- “Encurralado” - “Sim, mas”...
V
VÍTIMA

- “Porque sempre me acontece isto?”


- “Chute-me”
- “Estúpido”
- “Perna de Pau”
- “Pobre de mim”
- “Veja como me esforcei”

6.3 – OS JOGOS PSICOLÓGICOS QUE OCORREM EM AMBIENTE DE


TRABALHO:

BERNE classificou os jogos psicológicos conforme os ambientes e situações em


que ocorrem com maior freqüência. Neste trabalho, limitaremos a nossa abordagem
apenas aos jogos psicológicos mais encontrados em ambientes de trabalho.

1. “AGORA TE PEGUEI SEU DESGRAÇADO”

É um jogo muito freqüente entre chefe e subordinado e inicia-se com uma


observação aparentemente Adulta (combinada com uma motivação oculta de Pai
Crítico) do chefe, continua com uma resposta aparentemente Adulta do subordinado
(combinado com uma motivação oculta de Criança Adaptada) e termina com uma
explosão de raiva do chefe e uma humilhação do subordinado. Esse jogo é típico da
combinação de pessoas com posições existenciais respectivamente OK – NÃO OK e
NÃO OK – OK.
Podemos exemplificá-lo com a seguinte seqüência de transações:
CHEFE: “Aquele relatório que eu pedi já deve estar pronto, não é?”
(Nível oculto: ele já sabe ou desconfia que o relatório ainda não foi concluído)
SUBORDINADO: “Já devia estar, sim senhor, mas eu precisei fazer outras tarefas
e não pude terminá-lo”.
(Nível oculto: ele sabe que o chefe detesta desculpas e sua expressão facial de
“pobre-coitado” completa o quadro esperado pelo chefe).
CHEFE: “É, eu só podia esperar isto de você!! Mais uma dessas e você verá as
conseqüências”!
(o objetivo secreto, descarregar a raiva sobre alguém, foi atingido).
O jogo “Agora te peguei”... é geralmente muito bem arraigado devido à
possibilidade que oferece ao jogador de armazenar uma quantidade cada vez maior de
raiva, aumentando sua satisfação final no momento em que fulmina sua vítima.
Além disso, os bons jogadores deste jogo tem um verdadeiro programa para
facilitar a produção, acúmulo e descarga da raiva de modo cada vez mais eficiente.

PROGRAMA:

A – Com quem se associar: Com pessoas que tenham predominância da Criança


Adaptada, que sejam NÃO OK – OK, que desempenhem o papel da vítima, ou seja,
gostem de ser castigadas, perseguidas.
B – Como agir: Distribuir tarefas as pessoas sem competência ou sem motivação
para executá-las ou dar um prazo muito reduzido para o se cumprimento. Ficar na
expectativa de ocorrência de algum indício de fraqueza da vítima.
C – O que dizer: “Não quero ser irritado”!
D – Fantasia: Acha que tem o poder de controlar as outras pessoas.
E – Como se descrever: “Esquentado”.
F – Objetivo: Justificação de descargas agressivas e humilhantes.
G – Papéis: Perseguidor X vítima.
H – Vantagens: Biológica: Descarga de tensão emocional.
Existencial: Confirmação da posição existencial OK – NÃO OK
(perseguidor) e da posição NÃO OK – OK (vítima).
Temporal: Estrutura parte do tempo ocioso e produz “passatempos”
para outras ocasiões.

2. “CHUTE-ME”

Este jogo tem uma certa freqüência em ambientes de trabalho e seu jogador titular
é geralmente o indivíduo NÃO OK – OK, a vítima. Inicia-se com uma atitude ou uma
declaração verbal de inaptidão, expressa de modo aparentemente Adulto mas com a
participação oculta da Criança Adaptada, que produz uma resposta geralmente
agressiva ou de lástima de seu interlocutor. Essa seqüência de estímulo e resposta
tende a repetir-se até o momento em que o jogador atinge seu objetivo final: ser
agredido e sentir-se rejeitado.
Podemos exemplificá-lo com a seguinte seqüência de transações:
João, um exímio jogador de “chute-me”, depois de um dos seus costumeiros
“Foras” numa reunião de grupo de trabalho, ao chegar a sua sala começou a lamuriar-se
com Pedro, um de seus colegas, que no momento estava concentrado numa tarefa.
João: “puxa, porque será que eu sempre dou aqueles “foras”, hein”?
Pedro: (concentrado em seu trabalho) – “ Sei lá, você já devia saber, afinal, já é um
costume seu, não é?” (o “chute” não foi tão grande quanto o esperado por João).
João: “Mas desta vez eu tentei não fazer nenhuma tolice e...”
Pedro: “Oh João!! Será que você não percebe que eu estou ultraocupado?
Porque não dá o fora eme deixa em paz!” (Enfim saiu o chute tão esperado, que
confirmou o sentimento de rejeição de João).
É claro que este jogo pode apresentar-se sob diversos graus de sensação
negativa, desde uma leve tristeza a uma depressão muito profunda, dependendo da
patologis em que se encontre o jogador.
O programa deste jogo é o seguinte:
A – Com quem se associar:
Com pessoas que tenham predominância do Pai Crítico e desempenham o papel
de Perseguidor.
B – Como agir:
Cometer erros e mostrar-se desajeitado, procurando o apoio de outras pessoas,
que tenham pouca probabilidade de ajudá-lo.
C – O que dizer:
Qualquer coisa inadequada à situação e irritante, como por exemplo: “Por que será
que eu sempre faço isso?”
D – Fantasia:
Acredita que será sempre um rejeitado, um solitário.
E –Como se descrever:
“Todos querem me maltratar”.
F – Objetivo:
Reproduzir e manter sentimentos de menosvalia, de rejeição.
G – Papéis:
Vítima X Perseguidor (a outra pessoa).
H – Vantagens:
Biológica: Obter estímulos agressivos ou de lástima.
Existencial: Confirmar sua posição existencial NÃO OK – OK.
Temporal: Estruturar o tempo ocioso, evitando a intimidade e criando condições
para um passatempo de “como as pessoas são ingratas”.

3. “BATE BOCA”:

É um jogo muito frequente em Organizações comalto índice de rotatividade de


pessoal. É jogado por pessoas que têm muita dificuldade em se comunicar e apelam
para a agressão verbal. Quando jogado entre chefe e subordinado o resultado final,
depois de um cero nível de agressão, é geralmente o pedido de demissão de um deles,
normalmente do segundo.
O jogo Bate-boca começa quando um indivíduo revida uma acusação
aparentemente Adulta de outro, que a reafirma em tom mais agressivo ainda, entrando
os dois numa espiral ascendente de beligerância. À medida em que aumenta a tenção,
o Adulto vai cedendo lugar ao Pai Crítico, que estava oculto, e o confronto entre os dois
jogadores aumenta cada vez mais a tensão emocional, até que um deles ou os dois,
batem em retirada (temporariamente, até outra “partida” de Bate-boca, ou
permanentemente).
Exemplo:
JOSÉ: Como é, já terminou o trabalho?
ANTÔNIO: Como você pode ver, ainda estou trabalhando, não é?
JOSÉ: Que é isso, não precisa me morder!
ANTÔNIO: Porque então você não vai tomar conta do seu serviço?
JOSÉ: Acontece que estou com a responsabilidade pelo trabalho dessa equipe,
por isso exijo que você conclua o mais rápido possível!!
ANTÔNIO: Olhe, não venha me dando ordens, não, ouviu? Termine você mesmo o
trabalho da “sua equipe”!! (E retira-se furioso batendo a porta).
RESULTADO: Os dois conseguiram estragar o dia de trabalho e é provável que
ainda descarreguem sua ira sobre uma outra pessoa, iniciando outro jogo.
O programa do bate-boca é o seguinte:
A – Com quem se associar: - com pessoas cuja posição existencial seja OK –
NÃO OK, desempenhe o papel de Perseguidor e tenha um “estopim curto”.
B – Como agir: - Dizer coisas ou comportar-se de modo a atingir o ponto fraco do
outro, no sentido de provocá-lo. Comportar-se com cinismo.
C – O que dizer: - Coisas irritantes e provocadoras.
D – Fantasia: - “nunca ninguém me passará por trás”.
E – Como se descrever: - “Sou muito esquentado”.
F – Objetivo: - Não entrar em intimidade com outra pessoa; medir forças; destruir
o outro.
G – Papéis: - Perseguidor X Perseguidor.
H – Vantagens:- Biológica: Trocar estímulos agressivos.
Existencial: Confirmar a posição existencial OK – NÃO OK.
Temporal: Preencher parcialmente o tempo psicológico, sem entrar em
intimidade. Construir passatempos para outras ocasiões.

4. “SIM, MAS”...

Este jogo é típico de chefes, podendo ser jogado também por outros funcionários,
pois a posição de superioridade hierárquica o facilita.
O jogador de “Sim, mas”... desempenha o papel de Salvador e inicia o jogo quando
o seu interlocutor apresenta-lhe uma solução para um problema seu, que
aparentemente deseja resolver. Delicadamente agradece a sugestão, mas demonstra
sua impossibilidade de aceitá-la. O interlocutor volta com nova sugestão
que também é rechaçada e os dois continuam a jogar até um ponto em que o
subordinado (o que deu sugestões) começa a sentir-se o mais “burro” dos homens, por
não conseguir criar soluções que correspondam à expectativa de seu chefe. Este sente-
se vitorioso, confirmando mais uma vez sua invencibilidade.
Podemos exemplificar esse jogo com o episódio apresentado a seguir:
Mário é o diretor de uma empresa de médio porte e pretende implantar um
programa de treinamento para seus funcionários. Por isso convocou seus assessores
diretos e outros funcionários de nível técnico para um reunião, na qual explanou sua
intenção e solicitou a todos que colaborassem com sugestões no sentido de resolverem
a questão o mais rápido possível. Colocou-se à inteira disposição para ouvir todas as
idéias e assegurou que poderia discuti-las em qualquer horário.
Como era de se esperar, a reunião gerou um clima de grande contentamento e
entusiasmo nos subordinados, que dedicaram-se com muito afinco à tarefa solicitada.
João foi o primeiro a apresentar-se no gabinete do diretor, onde ocorreu o seguinte
diálogo:
João: Minha idéia é que contratemos um consultor em recursos humanos, para que
efetue um levantamento das necessidades de treinamento de nossos funcionários e a
partir de seu diagnóstico, faremos ou solicitaremos a programação dos cursos.
Mário (diretor): Sim, muito boa a sua idéia, mas um consultor cobra muito caro e
nossa empresa não teria tanta verba para essa despesa.
João: Mas, senhor, nós poderíamos solicitar orçamentos de vários consultores e
optar pelo mais barato.
Mário: Sim, mas isso levaria muito tempo e temos urgência de implantar esse
programa de treinamento.
João: Então que tal se dois assessores da diretoria fizessem um curso de técnicas
de levantamento de necessidades e de programação de treinamento, para em seguida
executarem esses serviços aqui na empresa?
Mário: Boa idéia, mas como podemos afastar dois assessores, se nós estamos em
época de balanço e de relatórios e estão todos muito ocupados?
João: Então mandamos dosi outros técnicos para o curso.
Mário: Sim, mas não creio que terão gabarito para aprender e aplicar as técnicas
aqui na empresa.
João: (Já começando a sentir-se irritado e inútil).
- Então podemos formar uma pequena equipe de trabalho para
programar os treinamentos.
Mário: Sim, mas, há o problema de termos que parar alguns homens para fazer
essa equipe e isso trará um certo prejuízo.
João: Então porque não perguntamos aos funcionários que treinamentos eles
gostariam de ter e com base nisso, contratamos os cursos, hein?
Mário: Pode ser João, mas os cursos serão de má qualidade e não corresponderão
às reais necessidades de treinamentos da empresa.
João: (No auge da irritação, desapontado, retira-se do gabinete).
Como pode ser visto, foi travada uma batalha sutil entre os dois, com o chefe
portanto as armas mais possantes. Era de se esperar que saísse vitorioso, confirmando
mais uma vez sua posição existencial OK – NÃO OK.
Esse jogo psicológico arrasa o moral dos subordinados, além de diminuir a
iniciativa, a criatividade e a motivação para o trabalho, sendo extremamente prejudicial
aos objetivos da Organização. E você deve ter notado, que esses objetivos pouco
importam ao chefe jogador, o que lhe interessa é a satisfação emocional extraída de
cada lance do jogo e de seu desfecho final.

PROGRAMA:

A – Com quem se associar: - Com pessoas atenciosas, colaboradoras e/ou


preocupadas em causar boa impressão com sua inteligência.
B – Como agir: - Fornecer uma isca apetitosa, aproveitando-se da ingenuidade
do outro. Dar a impressão de estar aberto a qualquer idéia, de saber ouvir.
C – O que dizer: - Eu estou pronto para aceitar todas as boas contribuições.
D – Fantasia: - “Somente eu sei”.
E – Objetivo: - Confirmar sua fantasia.
F – Papéis: - Salvador X Vítima.
G – Vantagens: Biológica: Dar estímulo de lástima.
Existencial: Confirmar a sua posição OK – NÃO OK.
Temporal: Programar parte de seu tempo e constituir passatempos
para utilização posterior.

5. “ACOSSADO”:

Trata-se de um jogo no qual o jogador transfere sua ansiedade para seu parceiro,
que o percebe depois de certo tempo, quando já é tarde para voltar atrás.
Os mais exímios jogadores são aqueles que têm o Impulsor APRESSA-TE como
predominante. O jogo é mais encontrado entre chefes e subordinados
O “Acossado” é iniciado quando o subordinado aceita executar uma missão num
período de tempo suficiente. A isca geralmente empregada pelo chefe é apresentar a
tarefa em tom de desafio, como: “Você conseguirá executar a tarefa até amanhã às
8:00?” Procurando com isso atingir a Criança Adaptada do subordinado. Este,
entusiasmado com a idéia de provar que é “o bom” ou de vencer o chefe, deixa a
Criança Adaptada decidir pelo Adulto e quando este é reativado descobre que foi
logrado. Fica com uma tarefa urgentíssima a ser cumprida, que o leva a trabalhar até
altas horas da noite. O pior é que terá que comprometer alguns colegas ou
subordinados com a tarefa assumida, iniciando outro jogo psicológico.
A vítima do jogo “Acossado” entra numa cilada e pode ser derrotado de dois
modos: 1. Se conseguir concluir a tarefa prometida, fica com a sensação de ter ganho a
“partida”, porém fortifica mais ainda a posição do chefe, que o leva a trabalhar em
intervalos cada vez mais reduzidos; 2. Se não conseguir concluir a tarefa no tempo
estabelecido, transformar-se-á em vítima da ira do chefe. Será sempre um perdedor,
enquanto estiver nas malhas do jogo psicológico.
Exemplo:
Mário, o diretor de quem já falamos, solicitou que Fernando, o chefe do serviço de
Pessoal, providenciasse um relatório das atividades de seu setor. O diálogo transcorreu
do seguinte modo:
Mário: Fernanda, estou precisando, do relatório das atividades referentes ao
pessoal, com urgência.
Fernando: Sim, senhor. Qual o prazo que o senhor quer que eu lhe entregue o
relatório?
Mário: Estou certo que você poderá entregar-me até amanhã às 9:00 horas, não é
mesmo?
Fernando: bem, acontece que...
Mário: Ora, Fernando, pense na importância desse relatório para a reunião que
teremos com o Sindicato.
Fernando: Está bem, amanhã às 9:00 horas eu lhe entrego o relatório pronto. (Dito
em tom heróico).
Devido a esse compromisso Fernando não irá almoçar e nem jantar em casa, (e
seus subordinados terão a mesma sorte). Quando informa a decisão tomada a seu
pessoal, recebe uma saraivada de críticas, defendendo-se com uma atitude de Vítima:
“Mas eu não tinha outra saída”..., ou de Perseguidor: - “Pois agora a decisão foi tomada
e não adianta reclamar”.
Esse jogo psicológico cria um ambiente cheio de nervosismo, desânimo, revolta,
ansiedade, típico da ativação da Crianças Adaptadas dos funcionários. Naturalmente,
cairá o nível de qualidade dos trabalhos, devido à desativação do Adulto.

6. “DEFEITO”:

Este jogo psicológico, segundo BERNE, é jogado a partir da posição existencial


NÃO OK – OK – “Eu não presto” que é camuflada pela posição OK – NÃO OK – “Eles
não prestam”. Ocorre frequentemente em ambiente de trabalho, sendo caracterizado
pela incessante procura de pequenas falhas nos trabalhos dos outros. Suas
repercussões na outra pessoa podem ser muito desagradáveis, variando desde uma
leve sensação de frustração a um bloqueio intelectual.
Os melhores jogadores desse jogo são os chefes, que sob a desculpa de contínuo
aprimoramento dos trabalhos de seu setor, transformam-se em cães farejadores: dois
mais insignificantes defeitos. A sua compulsão é tanta que não encontrando falhas no
trabalho em si, passam a buscá-las nas próprias pessoas.
Este jogo pode ser transformado no “Agora te peguei, seu desgraçado”, quando o
defeito é predeterminado.
Exemplos de frases empregadas:
- “É, o trabalho está bem feito, mas estes gráficos deveriam ser coloridos”.
- “Agora está perfeito. Mas... veja como esta capa não combina com a importância
do trabalho”.
- “Muito bem. A missão foi bem executada, pena que tenha sofrido um atraso de
meia hora”.
- “Certo, eu sei que ele trabalha bem, mas é um pouco nervoso, você não acha”?
- “Sim, ele tem capacidade de liderar o grupo, mas você lembra daquela indecisão
em que ele ficou no ano passado, quando substituiu o Raimundo”?
Você deve ter sentido como frases desse tipo podem “amortecer” o estado de
ânimo de qualquer pessoa normal. É um dos efeitos nocivos do jogo “Defeito”, que ao
invés de realçar os pontos positivos, amplifica as pequenas falhas. O que torna evidente
o objetivo do jogador: Procurar defeitos nos outros para sentir-se seguro, deliciando-se
com a frustração alheia. Este objetivo é camuflado por uma “necessidade de
aprimoramento da qualidade dos trabalhos”, um motivo muito Adulto, digno de elogio.

7. “MAS EU SÓ QUERIA AJUDAR”

É um jogo típico do indivíduo “Salvador”, cuja peculiaridade é mostrar sua


preocupação com os problemas dos outros. É iniciado quando ele (A) dá um conselho,
uma sugestão a outra pessoa (B), que o executa exatamente como foi proposto.
Entretanto, após certo tempo “B” vai à procura de “A” para dizer-lhe que seu conselho
não correspondeu ao esperado. “A” sente-se um pouco frustrado, mas torna a dar nova
sugestão, e outra vez “B” retorna e desta vez, indignado declara: - “Está vendo o que
você me fez fazer”? Ao que “A” retruca, surpreso com a ingratidão recebida: “Mas eu só
queria ajudá-lo”! Neste ponto “A” atinge seu objetivo oculto: confirmar que todas as
pessoas são ingratas, e que ele é sempre um incompreendido, que por querer ajudar os
outros, só recebe “patadas”.
Vejam como houve uma alteração nos papéis dramáticos: “A” passou de Salvador
para Vítima e “B” passou de Vítima para Perseguidor.
Os jogos psicológicos apresentados já devem ter dado uma idéia do quanto são
nocivos ao ambiente de trabalho, à produtividade da empresa e a cada indivíduo
envolvido. Um de seus efeitos sentidos mais diretamente é o desenvolvimento de um
clima de desconfiança entre as pessoas, seguido de freqüentes desentendimentos,
desânimos e frustrações, que abatem o moral dos grupos de trabalho.
Apresentamos estes sete jogos, por serem os mais freqüentes no ambiente de
trabalho. Escolhemo-os também conforme o papel dramático em que se baseiam,
fornecendo desse modo um indicador para a sua identificação ou previsão.
Conhecendo o papel predominante de cada pessoa (Perseguidor, Salvador ou
Vítima), você poderá ter uma idéia imediata de seu jogo psicológico predileto.
Outrossim, através dos jogos apresentados nesse trabalho você poderá captar o
mecanismo básico dos jogos (vide fórmula básica) e com isso identificar muitos outros.
Eric Berne escreveu um livro sobre jogos psicológicos, onde catalogou 34 deles,
conforme sua ocorrência em diversos ambientes. Trata-se de “Os jogos da vida”, cujas
referências encontram-se na bibliografia deste trabalho.

6.4 – COMO EVITAR OS JOGOS PSICOLÓGICOS

Os jogos psicológicos têm objetivos na vida do indivíduo que os utiliza, conforme já


vimos anteriormente.
Dentre esses objetivos, os principais são:
- Manter o argumento de vida e possibilitar seu desenlance final;
- Adquirir estímulos físicos e psicológicos;
- Programar parcialmente o tempo social;
- Reproduzir “emoções falsas” da infância (Criança Adaptada);
- Evitar a intimidade;
- Confirmar a sua posição existencial.
Por sua vez , para que ocorram e sejam mantidos, são necessárias diversas
condições como:
- Que o indivíduo funcione predominantemente com os estados de ego Pai e/ou
Criança;
- Que viva baseado no passado e/ou futuro, com pouca base no presente;
- Que sua posição existencial seja: OK – NÃO OK, ...NÃO OK – OK, OK + - OK +
OU NÃO OK – NÃO OK;
- Que desempenhe um dos papéis do triângulo dramático;
- Que desqualifique os outros e deixe-se desqualificar frequentemente;
- Que tenha o Argumento de Vida Perdedor, Não Ganhador ou Carreirista.
Podemos concluir que para interromper ou evitar os jogos psicológicos precisamos
eliminar as condições que os sustentam. Seguem algumas sugestões de ROBERTO
KERTÉSZ para isso:
1 – Ficar na posição existencial EU SOU OK – VOCÊ É OK, mesmo que de forma
mecânica. O ipmortante é evitar o jogo. Destacar o positivo de si mesmo e dos demais,
mesmo em situações problemáticas. Isto facilita o uso do Adulto, para se eliminarem as
emoções do momento.
2 – Analisar o trabalho das pessoas envolvidas em jogos e replanejá-los.
3 – Dar e aceitar mensagens (estímulos) positivas, ao invés de negativas. Elogiar o
bom rendimento. Elogiar o bom no rendimento, e não criticar ofensivamente as falhas,
que podem ser produto do jogo “Chute-me”.
4 – não atuar como Salvador (não ajudar a quem não o necessite).
5- Não atuar como Perseguidor (não criticar nem rebaixar os outros).
6 – Não atuar como Vítima (não sentir-se sem valor, lastimando-se ou queixando-se.
Saber resolver os problemas com responsabilidade).
7 – Analisar com o Adulto o que sente antes e depois do jogo, e o que sentirão os
outros participantes.
8 – Falar na primeira pessoa, expressando o que sente, ao invés de queixar-se de
outros: - “Eu me sinto ferido, ou triste”, (ao invés de “você me fez sentir ferido, ou triste;
“você deve”...)
E para encerrar, uma sugestão de FREDERIC PEARLS, o pai da Terapia
Gestáltica:
“Eu faço minhas coisas e você faz as suas,
Não estou neste mundo para viver de acordo
com suas expectativas,
e você não está neste mundo para viver de
acordo com as minhas.
Você é você e eu sou eu se por acaso
Nos encontrarmos, será lindo.
Se não, nada haverá a fazer”.
BIBLIOGRAFIA:

1. Berne, Eric. - What do you say after you say


hello.
New York, Grove Press, 1975.

2. - The structure and dinamics of Organizations and


Groups. New York, Grove Press, 1975.

3. - Os Jogos da Vida.
Rio de Janeiro, Ed. Artenova S.A, 1974.

4. - Sexo e Amor.
Rio de Janeiro, Ed. José Olympio,1976.

5. Bry, Adelaide - T.A Games.


New York, Harper and Row,

6. Harris, Thomas A . - Eu estou OK, VOCÊ ESTÀ OK.


Rio de Janeiro, Ed. Artenova, 1973.

7. James, Muriel M. - Born to Love.


Califórnia, Addison – Wesley, 1973.

8. James, Muriel M. e - Nascido para Vencer.


Jongeward, Dorothy. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1975.

9. Kertész, Roberto, - Análise Transacional. Uma nova técnica


(e outros) em Psicologia.
Rio Grande do Sul, ed. Sulina, 1974.

10. Levy, Ronaldo B. - Só posso tocar você agora.


São Paulo, Ed. Brasiliense, 1974.

11. Meininger, Jut. - O sucesso através da Análise Transacional.


Rio de Janeiro, Ed. Artenova, 1974.

12. Vecchio, Egídio - O que é Análise Transacional.


Rio Grande do Sul, Ed. Sulina, 1974.
- Comunicação
13. Induni, Guilhermo F. Material apostilado do curso A .T./202,
Módulo n. 3, fascículo III, 1975.