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INTRODUÇÃO

A UTI é uma área hospitalar que está destinada a pacientes que se encontram em

estado crítico e que necessitam de cuidados altamente complexos e controles estritos. De

acordo com a portaria nº 466 do Ministério da Saúde, os serviços prestados na UTI têm por

objetivo prestar atendimento a pacientes em estado crítico e de risco, que exijam assistência

médica

e

de

enfermagem

de

maneira

ininterrupta,

equipamentos

e

recursos

humanos

especializados, que acaba por definir a UTI como sendo um local que reúne um conjunto de

elementos destinados ao propósito de tratamento intensivo e estabelece que é obrigatória a

existência

de

um

UTI

em

todo

hospital

secundário

ou

terciário

com

100

ou

mais

leitos.(CRUZ, 2006, p.227). Essa mesma portaria estabelece que toda UTI deve ocupar área

física própria, sendo

de um acesso

restrito

e possuindo

um acesso

fácil as unidades

correlacionadas (Centro Cirúrgico, Emergência, Unidade Semi-Intensiva). A portaria nº 466

preconiza

a

existência

de

carro

de

emergência

com

monitor/desfibrilador,

ventilador

mecânico, monitor de beira de leito, gerador de marca-passo, bomba de infusão, entre outros.

Essa portaria determina também que toda UTI complexa deve estar sob a responsabilidade de

um médico especialista em Medicina Intensiva e constar no mínimo da seguinte equipe:

enfermeiro superior, médico diarista, médico plantonista, enfermeiro assistencial, técnico de

enfermagem, fisioterapeuta, auxiliar de serviços/secretária, claro que considerando que outros

profissionais integram e participam da equipe de saúde como nutricionista, psicólogo,

farmacêutico e fonoaudiólogo. O presente trabalho abordará as Infecções hospitalares em

Unidade de Terapia Intensiva, falará sobre os Mecanismos de Transmissão dos Agentes

Infecciosos e os Agentes freqüentemente encontrados nos pacientes de UTI e comentará sobre

algumas Medidas de Prevenção e Controle de Infecções Hospitalares na UTI.

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INFECÇÕES HOSPITALARES NA UTI

As infecções hospitalares são preocupações constantes da equipe de saúde e definem-

se como infecções adquiridas no hospital que se manifestam durante a internação ou após alta

e estas infecções hospitalares acabam sendo as complicações mais freqüentes na Unidade de

Terapia Intensiva, podendo atingir cerca de 20% ou mais, de acordo com a patologia de base

do paciente e outros fatores de risco. É observado que a UTI cirúrgica possui taxas maiores de

infecções do que a Uti clínica, onde a diferença varia da ordem de 36 a 54 e 23 a 47 Infecções

Hospitalares por 1000 pacientes/dia e em UTI pediátrica os números são de 14 a 32 Infecções

Hospitalares por 1000 pacientes/dia.

MECANISMOS DE TRANSMISSÃO DOS AGENTES INFECCIOSOS

Em decorrência aos avanços tecnológicos na área da saúde, hoje se encontra com

mais disponibilidade um número de instrumentos invasivos de suporte de vida que são

essenciais para que se dê assistência a pacientes críticos, mas entre esses instrumentos muitos

interferem e desestruturam os mecanismos de defesa orgânica naturais o que favorece a

aquisição de infecções hospitalares, pois estes mecanismos específicos de defesa orgânica

podem ser prejudicados tanto pela patologia de base que determina defeitos imunológicos ou

também pela terapia como indutora de um estado de imunossupressão.

Sabe-se que a disseminação dos agentes infecciosos ocorre através da transmissão

pelas mãos dos membros da equipe de saúde e também que os dispositivos conectados ao

paciente acabam atuando como vetores para a transmissão desses agentes infecciosos.

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FATORES PREDISPONENTES A INFECÇÃO

São inúmeros os fatores predisponentes à infecção hospitalar na UTI. Quando se

utiliza de Bloqueadores H2 e outros antiácidos predispõe-se a aquisição de broncopneumonia,

pois reduzem a acidez gástrica favorecendo o crescimento da flora entérica no estomago. Com

a utilização das sondas nasogástricas facilita-se a colonização retrograda das vias aéreas

superiores, desta forma aumenta-se o risco das Infecções do Trato Respiratório. Quando o

paciente está em uso de cânulas endotraqueais e/ou nasotraqueais associadas ao suporte

ventilatório, acaba por ter dificuldades nos mecanismos normais de eliminação das secreções

paranasais e acabam por ter uma deterioração nos mecanismos locais de defesa, o que

pressupõe sinusites, bronqueolites, traqueobronquites e broncopneumonias.

A desnutrição progressiva de muitos pacientes sob cuidados intensivos, secundária a

suspensão da dieta sólida e ao aumento das demandas metabólicas decorrentes de fatores

como lesões teciduais, déficits de perfusão, febre e taquicardia resultam em diminuição da massa muscular e é predisponente para a aquisição de infecções hospitalares. (CINTRA et

al, 2005, p. 614)

Quando o paciente foi sujeito a um trauma grave também pode ter aumentado o risco

de infecções hospitalares, pois há uma diminuição da função celular e humoral do sistema

retículoendotelial.

O uso das cânulas vasculares, venosas ou arteriais e os sistemas de monitorização

hemodinâmica causam o rompimento da barreira epitelial e suas conexões facilitam e

favorecem a entrada de patógenos para a corrente sangüínea diretamente. O paciente que está

comum suporte nutricional parenteral também se encontra com um fator de risco para

infecções sangüíneas que estão relacionadas a cateteres vasculares centrais por facilitarem e

favorecem a contaminação do sistema e da solução.

A utilização de cateteres urinários prejudica os mecanismos locais de defesa da

uretra e é o principal veículo para a colonização e infecção do trato urinário. As cânulas e/ou

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dispositivos inseridos em cavidades estéreis aumentam os riscos de infecções, pois facilitam a

contaminação

exógena,

um

exemplo

relacionado a monitorização da PIC.

são

as

infecções do

SNC,

que tem como

fator

A necessidade do uso de um variado número drogas antimicrobiana de amplo espectro e em grandes quantidades nos pacientes intensivos, associada ao tempo de duração da hospitalização e a todos os demais fatores de risco anteriormente citados, faz com que estes pacientes sejam de alto risco para a colonização e infecção por bactérias resistentes.(CINTRA et al, 2005, p. 614).

OS AGENTES FREQÜENTEMENTE ENCONTRADOS NOS PACIENTES DE UTI

As

infecções

hospitalares

são

normalmente

ligadas

com

microorganismos

encontrados na flora endógena do paciente ou na flora do ambiente hospitalar, sendo que aos

patógenos de ambiente hospitalar encontram-se adaptados de forma a sua sobrevivência neste

mesmo ambiente, o que favorece seu estabelecimento em reservatórios que atuam como fonte

para disseminação destes patógenos. Portanto a avaliação e o conhecimento em intervalos

regulares dos patógenos mais encontrados em uma UTI são considerados como instrumentos

muito importantes para as medidas de prevenção e controle e também para a orientação de

terapia antimicrobiana baseada na experiência até a identificação do agente etiológico da

infecção a ser tratada.

Entre

bactérias

mais

predominantes

na

UTI

encontra-se

o

Staphylococcus

epidermidis, Pseudomas aeruginosa, Enterococcus Sp. E Cândida Sp., sendo que a infecção

por Cândida Sp. está aumentando recentemente. Já de acordo com os dados obtidos pelo

National Nosocomial Infections Surveillance System os patógenos mais freqüentemente

encontrados

em UTI

foram o

Pseudomas

aeruginosa

(12,4%),

Staphylococcus

aureus

(12,3%), Staphylococcus coagulase-negativo (10,2%), Cândida Spp (10,1%), Enterobacter

Spp (6,6%) e Enterococcus Spp (8,7%).

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Os patógenos isolados de pacientes em UTI são mais tendentes à resistência a

múltiplos antimicrobianos e, portanto

a UTI acaba agindo

como

um epicentro

destes

patógenos para as demais unidades hospitalares. Portanto, as cepas resistentes são associadas

à hospitalização prolongada, aumento do risco de morte e necessidade de tratamento mais

tóxico e/ou mais caro.

Usar antibióticos previamente é um fator que seleciona patógenos resistentes e a

resistência poderá surgir rapidamente, alguns estudos demonstraram que a seleção de cepas de

Enterobacter resistente às Cefalosporinas de terceira geração pode ocorrer dentro de alguns

dias após iniciado o uso destes antibióticos. Em outro estudo feito sobre bacilos gram-

negativos presentes em pacientes de UTI, encontrou-se 36% de perda de susceptibilidade a no

mínimo um antibiótico e neste estudo identificou-se que a Stenothrophomonas maltophilia e

Pseudomas aeruginosa são as espécies de mais altas taxas de perda de susceptibilidade e

patógenos como a Blebsiella Sp são também espécies que agem como fonte de transferência

de resistência a antimicrobianos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE INFECÇÕES HOSPITALARES NA

UTI

Em um Hospital a UTI é caracterizada como uma unidade de alto risco de infecção,

por isso, ela requer ênfase nos cuidados de rotina, devem ser realizados esforços para evitar a

transmissão horizontal de microorganismos, isto associado às precauções padrão e medidas e

controle de disseminação de patógenos multirresistentes, deve se monitorar regularmente a

presença destes patógenos na UTI e em situações epidemiológicas a vigilância de culturas

microbiológicas rotineira e prospectiva pode ser utilizada também.

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O recurso mais eficaz e econômico de que se dispõem os profissionais de saúde para

a prevenção de infecções é a lavagem das mãos que deve ser feita rigorosamente entre um

paciente e outro com água e sabão neutro, adicionado preferencialmente de um agente

bactericida, como Igarsan DP300 (Triclosan) e quando realizar procedimentos invasivos deve-

se usar então uma solução degermante à base de PVPI ou Clorexidina. Indica-se o uso de

luvas quando em contato com membranas mucosas e feridas abertas, na venopunção e em

outras situações em que se antecipa o contato com matéria orgânica, depois de utilizadas as

luvas devem ser retiradas e descartadas e as mãos lavadas. Deve-se também enfatizar a

limpeza e a desinfecção dos mobiliários e equipamentos conectados ao paciente diariamente.

Pode-se utilizar o sistema cohort de pacientes e pessoal para prevenir a disseminação

e a ocorrência de surtos de Infecções Hospitalares por microorganismos multirresistentes,

entretanto algumas medidas adicionais como a descontaminação do trato respiratório ainda

requer maior estudo. A utilização de pomadas como a mupirocina e bacitracina para

erradicação da colonização dês, aureus multirresistente deve ser considerada se outras

medidas para reduzir os surtos não surtir efeito.

A maioria das pneumonias hospitalares ocorre através da aspiração de bactérias

colonizantes da orofaringe ou do trato gastrointestinal, inalação de aerosóis contaminados e

equipamentos ou mãos do pessoal, o CDC sugere basicamente a educação em serviço, normas

técnicas para controle de materiais e medidas de vigilância epidemiológica como medidas

preventivas. Sendo que a educação dos profissionais que manipulam os equipamentos e

acessórios respiratórios deve ser periódica, com o objetivo de conscientizar a importância da

lavagem das mãos como prevenção da contaminação de materiais e equipamentos e a

colonização cruzada, como também a utilização de técnica asséptica, luvas e cateter de

aspiração estéril para sucção de secreções respiratórias descartando este material após o uso e

também trocar a extensão de látex periodicamente e o frasco

coletor também

Utilizar

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líquido estéril nos umidificadores e nunca completar volumes na presença de líquido

remanescente em umidificadores ou nebulizadores. Deve-se trocar a extensão, máscara facial

e os nebulizadores de grandes volumes entre cada paciente ou a cada 24 horas de uso do

mesmo paciente. Os nebulizadores de pequenos volumes devem ser trocados após o uso e os

inspirômetros portáteis, sensores de O2 e ambu devem ser trocados a cada paciente.

Para a minimização de aspiração do conteúdo gástrico deve-se aspirar as secreções

da cavidade nasoral antes de desinsuflar o cuuf para que se remova a cânula endotraqueal ou

da traqueostomia, manter sempre a cabeceira da cama elevada sempre que possível, evitar o

uso ou remover o mais precocemente as sondas nasogástricas ou nasoenterais. Deve-se

verificar o posicionamento correto das sondas e ajustar corretamente o gotejamento da dieta.

Antibióticos devem ser utilizados criteriamente e com indicação precisa, pois seu uso

indiscriminado seleciona cepas resistentes.

Outra complicação em pacientes sob cuidados intensivos é a infecção hospitalar da

corrente sangüínea que é associada à utilização de cateteres vasculares, pois na UTI os

dispositivos

para

acesso

vascular

são

muito

utilizados

para

administração

de

fluidos,

eletrólitos,

drogas,

sangue

e

hemoderivados,

suporte

nutricional

e

monitorização

hemodinâmica. As principais sugestões para prevenção de complicações em pacientes que

estão em utilização desses dispositivos começam com uma criteriosa escolha do tipo de

cateter e local da punção, lavagem das mãos antes da inserção, assepsia da pele com álcool

70%, inserção asséptica e em adultos a troca de cateter e do local de inserção a cada 72 horas,

pois em criança não há recomendação de tempo de troca de cateteres periféricos. Deve-se

também selecionar o cateter enfatizando o uso preferencial de cateteres de lume único e de

matéria-prima que minimize a aderência microbiana.Os cateteres centrais devem ser inseridos

segundo critérios de assepsia de sala operatória, degermação das mãos do operador, anti-

sepsia do local de inserção com solução de PVPI ou Clorexidina, utilização de luvas, avental,

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campos estéreis, gorro, máscaras e óculos de proteção. Sendo que todos os componentes

equipo, intra-flow, soluções, tubo extensor,torneirinhas e transdutores,devem ser trocados a

cada 96 horas.

 

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CONCLUSÃO

Através

do

presente

trabalho

conclui-se

que

a

conscientização

e

a

educação

permanente dos profissionais que atuam na UTI é de extrema importância e indispensável

para que se consiga alcançar bons resultados quanto à erradicação de patógenos e diminuição

no índice de Infecções Hospitalares. Sendo necessário que a Unidade de Terapia Intensiva

mantenha seu pessoal de enfermagem altamente treinado e em número adequado, pois a

responsabilidade existente em uma UTI é muito maior que a de qualquer outra unidade, sendo

que a seleção de membros da equipe deve ser feita com critérios rigorosos, pois o sucesso ou

fracasso de uma UTI depende da qualidade e da motivação de seu corpo de Enfermagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CINTRA, Eliana de Araújo; NISHIDE, Vera Médice; NUNES, Wilma Aparecida. Assistência de Enfermagem ao paciente gravemente enfermo. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 2005. p. 613-618.

CRUZ, Andréa Porto da. Curso Didático de Enfermagem: Módulo II. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006. p. 227-233.

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