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Os Quatro Seres Vivos – Parte I

Os Quatro Seres Vivos – Parte I Introdução e Dedicatória Neste artigo, pretendo fazer um breve

Introdução e Dedicatória

Neste artigo, pretendo fazer um breve resumo de um estudo feito pelo Padre Tarcisius Seeanner, ORC, sobre Os Quatro Seres Vivos que aparecem no livro do profeta Ezequiel. No início de seu livro, o profeta Ezequiel relata uma grandiosa visão da Glória do Deus de Israel. Ele está à beira do rio Cobar, na Babilônia, exilado junto com os outros Judeus. Esta visão é de grande importância para o profeta e o povo nesta situação desesperadora. A descrição dos portadores do trono de Deus é muito complexa. Não é fácil encontrar nela a mensagem autêntica e consoladora. O Padre Tarcisius tenta interpretar os Seres Vivos e sua misteriosa aparência. A tradição reconhece-os como os santos Anjos e os vincula aos quatro Evangelistas como portadores da Palavra de Deus. A obra completa, toda bibliografada, pode ser encontrada em quatro volumes da Revista Sapientia Crucis, da qual o Padre Tarcisius é redator. Este artigo conta também com a colaboração de Dom Bento Albertin, OSB; Padre Marcos Manchur, LC; Mons. José Dimas, diocese de Pouso Alegre; e Pe. Alfonso Aguilar, LC. Além do nosso amigo Marcio, quem nos emprestou os volumes da Sapientia Crucis e meu padrinho Henrique Coelho quem me despertou o interesse pelo assunto. A todos eles, minha gratidão.

Em tantas igrejas e capelas encontramos representados os quatro evangelistas com seus atributos que os acompanham: o anjo, o leão, o touro e a águia. Ao contemplar estas imagens nem sempre nos lembramos das raízes desta simbologia que se originam já no Antigo Testamento, precisamente no livro do profeta Ezequiel, que viveu cerca de seiscentos anos antes da redação dos evangelhos. Entre as grandes visões deste profeta se destaca a visão inaugural da sua profecia, onde Ezequiel vê a glória de Deus que se aproxima dele no exílio babilônico. O trono de Deus aparece num carro e é carregado por quatro seres misteriosos com quatro rostos diferentes.

Os quatro Seres Vivos, que novamente aparecem no último livro da Bíblia, chamam a nossa atenção e nos desafiam para descobrir o significado destes portadores do trono de Deus e a sua ligação com os evangelistas do Novo Testamento. Neste artigo iremos mostrar de forma mais completa, apesar de bem resumida, e ainda um tanto superficial se comparada às análises fornecidas na Sapientia Crucis pelo pe. Tarcisius, um pouco do estudo do texto, do hebraico original, apresentando alguns termos que julguei mais interessantes (dentre todos os outros interessantíssimos) e a elaboração de uma tradução própria de Ez 1,4-14 feita pelo estudioso o qual fez também uma análise da estrutura e a composição artística da passagem que preparam o leitor para uma interpretação bem mais profunda do texto tecendo o pano de fundo da visão. Numa terceira aproximação, pe. Tarcisus pesquisou a linguagem do nosso texto descobrindo como o profeta exprime cuidadosamente a função dos Querubins como mediadores entre Deus e o povo de Israel no exílio, atribuindo-lhes elementos divinos e humanos. Porém essas segunda e terceira partes não faz parte deste resumo, por eu não ter acesso a este volume intermediário da revista. Nosso artigo continua, pois, com a quarta parte, onde procura-se dentro e fora da Bíblia imagens semelhantes aos Seres Vivos que nos revelam a compreensão que os contemporâneos do profeta podiam dar ao seu texto. Desta forma, descobrimos a intenção do hagiógrafo ao escrever estes versículos e o seu significado, o que nos capacita a interpretar as figuras fascinantes e misteriosas dos quatro Seres Viventes, portadores da Glória do Senhor. É mostrado aqui, de forma resumida, se os quatro Seres Vivos, como aparecem em Ezequiel, já se encontram antes do profeta ou em outras fontes do Antigo Oriente. Por isso estudamos as representações pictóreas que chegam até o terceiro milênio antes de Cristo. Achando alguns elementos da visão de Ezequiel também nos pode ajudar a interpretá-la assim, como ela poderia ter impactado a seus contemporâneos. Porque o profeta tinha que recorrer às imagens conhecidas no seu ambiente, para exprimir em palavras as suas visões, juntando-as numa nova constelação. Pesquisando os antigos paralelos dos Seres Vivos vamos incluir elementos da visão de Ezequiel, que excedem os versos 4 a 14. esta visão ampliada resulta das fontes de imagens que propõem estes aspectos à nossa consideração. Com isso se precisa e enriquece a interpretação dos Seres Vivos.

Uma visão geral

Os quatro autores dos Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) foram ligados simbolicamente com as quatro bestas do Apocalipse 4.7: "O primeiro Ser Vivo, com um leão; o segundo Ser Vivo, com um touro e os Seres Vivos terceiro tem um rosto como de um homem e o quarto como de uma águia voando. " O Apocalipse é baseado em símbolos do Antigo Testamento: Ezequiel 1.10:

"Quanto à forma de seus rostos, era o rosto de um homem, e quatro tinham o rosto de um leão à direita, os quatro tinham o rosto de touro esquerda, e quatro tinham o rosto de uma águia. "

Mateus é simbolizado por um anjo (um homem com asas), porque seu Evangelho começa com uma lista dos antepassados de Jesus, o Messias: 1,1-16 Mt. Esta lista é de grande valor a este evangelho, pois apresenta Jesus como o filho de David (o mais importante dos reis) e filho de Abraão (o pai do povo de Deus). Mateus quer dizer que Jesus leva à perfeição a história do povo escolhido. Esta lista de mensagens tem três períodos de gerações (3 = número perfeito), e cada período é composto por quatorze gerações (14 = 7 +7, número perfeito). As mulheres também desempenham um papel importante nesta genealogia; se trata de Tamar, Rajabe, a mulher de Urias (Betsabé) e Maria. Elas são mulheres comprometidas com a justiça. É por isso que Mateus as inclui na lista.

Em Mateus, vemos também uma preocupação também em mostrar Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Daí também a coerência com a simbologia.

Marcos é simbolizado por um leão, porque seu Evangelho começa com a pregação de João Batista no deserto, onde havia animais selvagens. Seu evangelho foi escrito (na década de 60 dC) e serviu como texto catequético para aqueles que se preparam para o Batismo. É o

menor Evangelho e o fato de começar apresentando a João Batista no deserto é muito importante. Para o povo da Bíblia, o deserto representa, entre outras coisas, o lugar onde novos projetos são forjados. Isto é o que fez o povo de Deus, quando saiu da escravidão do Egito. João Batista dá-se a conhecer no deserto, o que mostra que está a preparar o povo de Deus para a grande novidade da vida e as práticas de libertação de Jesus. De Am 3,8, podemos dizer que a voz do leão simboliza a voz dos profetas que denunciam a violação do plano de Deus Ap 10,3. Portanto, João Batista é o profeta que denuncia a injustiça e aponta para a novidade de Jesus.

Ora, o leão vivia no deserto, e a pregação de João foi como um rugido de leão. Ele quer mostrar Cristo como soberano, como rei. E o leão é o rei dos animais.

Lucas é simbolizado por um boi ou um touro, porque seu Evangelho começa com a visão de Zacarias no Templo, onde se sacrificam animais como bois, bezerros e ovelhas. O Evangelho de Lucas começa e termina no templo; os Atos dos Apóstolos são a segunda parte do Evangelho de Lucas. Se, no Evangelho, encontramos o caminho de Jesus, em Atos, temos o caminho das comunidades que seguiram Jesus. O livro dos Atos termina ligando Paulo a Roma, que para Lucas, representa "os confins do mundo."

João é representado por uma águia, o olhar dirigido ao sol, porque seu Evangelho começa com a contemplação de Jesus-Deus, Jo 1,1. O Evangelho de João foi o último a aparecer e não foi escrito em poucos dias. Foi escrito pelos discípulos de João. Uma das características de Jesus no Evangelho de João é isto, o mestre conhece cada um de nós melhor do que nós mesmos: Jo 1,48. Um pouco mais tarde ele diz que Jesus "não precisa de ninguém para informá-lo, pois ele conhecia bem o interior do homem." (Jo 2.25).

A águia é o símbolo de São João, porque ele começa seu Evangelho falando da geração do Verbo em Deus, alçando-se desde o começo a alturas divinas, como a águia que se eleva em seu vôo.

Em suma, a figura humana (muitas vezes com asas) de Mateus refere-se a genealogia de Jesus e ao seu nascimento (assim começa o Evangelho de Mateus), o leão refere-se ao início do Evangelho de Marcos (a pregação de João Batista no deserto), o touro, enquanto o animal sacrificial, remota ao início do Evangelho de Lucas (o sacrifício oferecido por Zacarias) e a águia de João simboliza a elevação espiritual do evangelista.

O profeta Ezequiel via a Glória de Deus sobre um carro (merkabah). E o carro tinha quatro rodas imensas que iam da terra ao céu. E em cada roda havia uma figura: a de um anjo, a de um leão, a de um boi, e a de uma águia. Tais rodas, que iam da terra ao céu, representam os quatro evangelhos, cujas verdades são acessíveis até mesmo às pessoas mais simples (ao nível da terra), e, a mesma verdade, girando a roda, alcança o alto dos céus, isto é, pode ser entendida em sentido muito elevado e espiritual, pelos mais excelsos teólogos. A verdade evangélica, assim, é acessível a todos. Alimenta os nobres e dessedenta os pobres.

Um resumo por alto da tradução

Os profetas são figuras fascinantes na Bíblia, e a sua mensagem se insere cada vez de novo no tempo atual da história. A visão de Ezequiel é repleta de imagens que, embora sejam extraordinárias se juntam para formar uma unidade misteriosa e única.

Restringimo-nos aos versos 4 a 14 do primeiro capítulo do livro de Ezequiel, nos quais os quatro portadores do trono de Deus estão em primeiro plano. Queremos levar o leitor a uma compreensão adequada do texto hebraico, baseando-nos no texto da Bíblia Hebraica Stuttgartensia, preparado e amplificado com um aparato de Karl Elliger. A este fim, a Sapientia Crucis elabora uma própria tradução deste texto canônico, considerado como uma unidade proveniente da descrição das visões do profeta Ezequiel. Este viveu durante o exílio babilônico do povo de Israel no início do século sexto antes de Cristo. No décimo capítulo de sua obra, o profeta chama os Seres Vivos de Querubim. Por isso também neste artigo usaremos este nome.

Padre Tarcisius faz uma crítica bem fundamentada a respeito da versão massorética que não vem ao caso, ao qual não modifica com exceção do versículo 13 no qual segue a versão grega.

Enfim ...

resolvi não transcrever pois não estabelece nenhuma mudança de sentido, apenas uma

alteração por sinônimos que mantém o sentido original, porém com um monte de caracteres

hebraicos e comentários do tipo “isso equivale a um 'L' no português”.

Aqui, transcrevemos a tradução própria de Ez 1,4-14. Essa se atém muito perto do texto hebraico e tenta, na medida do possível manter a unidade do texto no sentido de traduzir as mesmas palavras hebraicas com expressões idênticas em português, enquanto for possível. Repetimos também o Waw [“e os rostos deles”] inicial de cada verso para proporcionar uma impressão autêntica do texto original aos nossos leitores:

4 E eu olhei, e eis, um vento impetuoso vem do norte, uma nuvem grande e um fogo flamejante, e um brilho ao redor dela [da nuvem], e no seu meio algo como ouro branco, no meio do fogo. 5 E no seu meio uma forma de quatro Seres Vivos; e este é o aspecto deles: eles têm forma humana. 6 E quatro rostos em cada um, e quatro asas tem cada um deles. 7 E suas pernas: uma perna reta; e planta de seus pés como a planta do pé de um bezerro; e estão brilhando como que bronze polido. 8a E mãos de homem debaixo das asas deles, nos quatro lados deles, 8bα e debaixo de seus rostos; 8bβ e as asas deles, nos quatro deles, 9 estão juntadas, uma à outra, - as asas deles. Não se viram no andar deles; cada um vai à direção dos rostos deles. 10 E a forma dos rostos deles: rostos de homem, e rostos de leão à direita dos quaro deles, e os rostos de touro à esquerda nos quatro deles, e rostos de águia nos quatro deles. 11 E os rostos deles e as asas deles estão distintas para cima em cada um; duas [asas] juntadas tem cada um e duas cobrindo o corpo deles. 12 E cada um vai à direção dos rostos deles; aonde for o espírito no andar eles vão; não se viram no andar deles. 13 E a forma dos Seres Vivos: o aspecto deles é como carvão de fogo ardente, como o aspecto de tochas; isto está caminhando cá e lá entre os Seres Vivos; e o fogo tem um brilho, e do fogo está saindo um relampejar. 14 E os Seres Vivos correm para frente e para trás como o aspecto do relâmpago.”

O carro divino é o portador da glória de Deus e, por conseguinte, do próprio Deus. A ideia de que Deus se faz presente no seu povo através de sua aparição num carro puxado por anjos encontramos em vários textos da religião judaica dentro e fora da Bíblia.

As figuras que carregam o trono de Deus sobre suas cabeças têm uma forma misteriosa. Podemos identificá-los com querubins, como o profeta no capítulo 10 de seu livro, e portanto vemos nestes portadores criaturas angélicas de Deus.

A Bíblia Hebraica Stuttgartensia é a quarta edição crítica moderna da Bíblia do Antigo Testamento

em hebraico, começando a contar desde a sua primeira edição de Kittel.

Os querubins constituem na tradição da Igreja, o segundo coro da gerarquia celeste dos santos anjos, depois dos serafins.

O texto massorético é o texto da Bíblia do AT na tradição hebraica que alguns estudiosos, os massoretas, fixaram no segundo século antes de Cristo, juntando sinais e comentários nas margens do texto bíblico. A orientação da tradução é feita principalmente em aspectos de conteúdo para delimitar o texto bíblico. Este método é adotado pois, somente no final do capítulo aparece uma setuma, sinal colocado pelos massoretas para subdividir os livros bíblicos em unidades menores.

Alguns trechos e particularidade desta tradução talvez precisam ainda e explicações ulteriores, segundo o próprio autor, na revista. Entretanto, percebe-se que o relatório da visão do profeta Ezequiel demonstra uma linguagem muito viva.

Há neste texto uma questão bem delicada: pela tradução grega, a terminação da palavra “Seres Vivos” do hebraico identifica-os gramaticalmente como femininos. Porém, a palavra distributiva “cada um” nos versos 9, 11 e 12 como também a maioria dos sufixos são masculinos. Walther Zimmerli pega os sufixos masculinos como argumento principal para distinguir na sua pesquisa diacrônica os diferentes estratos do texto. Como este trabalho se aproxima do texto com uma visão sincrônica não pode entrar em mais detalhes na questão da redação do texto. Apesar disso, permanece interessante o fenômeno da troca dos sufixos. Moshe Greenberg deduz este uso incoerente do sufixo do costume de usa sufixos masculinos para os dois gêneros. Talvez, futuras investigações deste texto possam reconhecer razões mais profundas. Mas nos chama a atenção que todas as partes do corpo dos Seres Vivos, isto é, seus rostos, asas e pernas, sempre são ligadas a sufixos masculinos. Já nas outras palavras como “quatro” ou “aspecto” não tem unanimidade no uso do sufixo.

Olhando de perto este texto profético, que à primeira vista se assemelhou a um livro com sete sigilos (Cfr. Ap 5,1), conseguimos num primeiro passo chegar a uma compreensão básica desta visão de Ezequiel. Certamente a contemplação do texto hebraico nos pôs em contato estreito com o pensamento do profeta. Conseguimos sentir seu assombro diante de uma visão tão gigantesca e ao mesmo tempo fascinante. Vimos como ele procura revestir com palavras humanas o que não se deixa expressar na nossa realidade, porque vem do além, do mundo de Deus, que nenhum olho viu (1Cor 2,9).

Temos nos aproximado com grande reverência à palavra da divina revelação, tentando evitar modificações desnecessárias do texto. Desta forma se ergueu diante dos nossos olhos esta visão da glória do Deus de Israel que está sentado num trono que é carregado por quatro seres particulares, e esperamos que essa imagem seja bem fiel à original de Ezequiel.

Assim poderemos, num outro passo, tentar interpretar os elementos misteriosos desta visão, colocando os Seres Vivos no ambiente cultural e contemporâneo do profeta, até descobrir a mensagem atual deste texto para os fiéis do século XXI que se aproximam com fé da piedade à Palavra de Deus.

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Esta foi a primeira parte deste artigo. No próximo artigo desta série, trataremos das prefigurações dos Seres Viventes. Tentarei compô-lo na semana que vem. Aguardem.