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VIDA E CIDADANIA Segunda-feira, 15/08/2011

VIDA E CIDADANIA

Segunda-feira, 15/08/2011

SEGURANÇA

Privacidade invadida a qualquer custo

Dispositivo de reconhecimento facial desenvolvido nos EUA identifica pessoas a partir de fotos publicadas em redes sociais da internet

Publicado em 14/08/2011 | GABRIEL AZEVEDO

Em um ritmo mais do que acelerado, a fronteira entre o privado e o público na internet está cada vez mais fragilizada. Se você pensava que ler os recados deixados em uma página de relacionamentos na internet era uma afronta à privacidade, espere até conhecer o que vem por aí.

à privacidade, espere até conhecer o que vem por aí. Pesquisadores da Universi ​ dade Carnegie

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, descobriram que é possível identificar pessoas na rua a partir de fotos disponíveis em mídias sociais, como o Facebook, que atualmente tem 750 milhões de usuários ao redor do planeta, 20 milhões apenas no Brasil.

Debate

Justiça deve ser acionada contra abusos

A função de reconhecimento facial do Facebook, que permite identificar as pessoas automaticamente, foi questionada em vários países, inclusive no Brasil. Em junho, o site foi notificado pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça a prestar esclarecimentos sobre o novo sistema.

Na opinião dos especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a melhor maneira de o usuário se proteger contra abusos cometidos com a imagem e as informações disponíveis na internet é acionar a Justiça. “O ideal é aprender a monitorar sua imagem diariamente na mídia eletrônica, saber preservar provas e reagir rapidamente a qualquer incidente, para evitar que os danos que possam ocorrer contra a sua reputação sejam minimizados e reparados dignamente com justiça”, diz Alexandre Atheniense, da Ordem dos Advogados do Brasil.

Constituição

Segundo Atheniense, a legislação sobre o tema restringe-se a alguns dispositivos da Constituição de 1988. “Em 23 anos, houve aumento considerável do risco do cidadão quanto à gestão das informações da sua esfera privada”, afirma.

Já Paulo Sá Elias diz que a Constituição é clara quando diz que: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral”. “Qualquer pessoa que sinta que a sua privacidade foi violada, deve procurar a Justiça e ter os danos reparados”, opina. (GA)

A partir do arquivo de fotos dispostos na rede social, os pesquisadores usaram uma tecnologia de reconhecimento facial e realidade aumentada para identificar as pessoas quando elas olhassem para uma câmera. Usando um banco de dados de 25 mil fotos retiradas de perfis do Facebook, os autores do software identificaram corretamente 31% dos usuários após de três rápidas comparações.

Em outro teste, os pesquisadores retiraram 227 mil fotos de perfis do Facebook e as compararam com cerca de 6 mil perfis de um site de namoro, conseguindo identificar aproximadamente 10% dos membros,

a maioria anônimos. Tecnologia desse tipo já está na mira das polícias, inclusive no Brasil. Existe um

projeto para que policiais usem óculos com uma câmera que enviará imagens a uma central para fazer o reconhecimento de criminosos.

Risco pessoal

​​ permitirá que pessoas sejam reconhecidas a partir de um aparelho de celular – parece fabulosa, por outro, ela não é nada interessante.

Se por um lado a tecnologia de re​​ co​​ nhecimento facial – que no fu turo,

garantem os autores do projeto,

Para o advogado Paulo Sá Elias, especialista em Direito da Informática, autor do livro Contratos Eletrônicos

e Formação do Vínculo, o re​​ conhecimento facial representa um sério risco à privacidade individual. “No caso

da segurança pública, de fronteira, a tecnologia é be​​ néfica. Mas do ponto de vista pessoal, é um risco. Se sabe cada vez mais a respeito de uma pessoa”, diz.

Na opinião do advogado, as informações disponíveis em mídias sociais são valiosas para as empresas. “O entrelaçamento de informações disponíveis na rede é cobiçado pelas empresas. Elas dispõem de bancos de dados com informações biométricas, do histórico e hábitos de compra. Imagine quanto vale a informação para o mercado de que uma pessoa gosta de determinada marca de vinho”, afirma.

Na opinião do presidente da Comissão de Tecnologia de Informação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Alexandre Atheniense, o reconhecimento facial não é o fim da privacidade, entretanto, ele ressalta que quanto mais avançada a tecnologia, maior será o risco de invasão da esfera de privacidade. “Precisamos de uma lei que possa proteger as pessoas das trocas de dados desautorizados”, defende.

Interatividade

O que pode ser feito para impedir a invasão de privacidade pela internet?

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