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FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ

UNIVERSIDADE DE FORTALEZA – UNIFOR


Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação
Curso de Pós-Graduação em Psicomotricidade

A CLÍNICA PSICOMOTORA A
SERVIÇO DA HIPERATIVIDADE:
Relatos & Observações

José Tanilzo Sá Júnior

Fortaleza - Ceará
Dezembro/2002
12

JOSÉ TANILZO SÁ JÚNIOR

A CLÍNICA PSICOMOTORA A
SERVIÇO DA HIPERATIVIDADE:
Relatos & Observações

Monografia apresentada ao Curso de


Especialização em Psicomotricidade: uma
abordagem clínica e educacional da
Universidade de Fortaleza - UNIFOR, como
requisito parcial para a conclusão deste.

Orirentadora:
Profª. Monica Helena Neves Pereira Pinheiro, Ms.

Fortaleza - Ceará
Dezembro/2002
13

A CLÍNICA PSICOMOTORA À SERVIÇO DA HIPERATIVIDADE:

Relatos e Observações

José Tanilzo Sá Júnior

APROVADO EM: 01/01/2003

______________________________________________
Mônica Helena Neves Pereira Pinheiro (Orientadora)
Mestre em Educação Física

______________________________________________
Cláudia Santos Jardim (Coordenadora)
Mestre em Psicologia e Especialista em Psicomotricidade
14

DESIDERATA
1. Dedique tempo para trabalhar: é o preço do triunfo.

2. Dedique tempo para pensar: é a fonte do poder.

3. Dedique tempo para recrear: é o segredo da juventude.

4. Dedique tempo para ler: é a base do conhecimento.

5. Dedique tempo para adorar: é o caminho da reverência.

6. Dedique tempo para com os amigos: é o caminho da felicidade.

7. Dedique tempo para amar e ser amado: é o gérmen criador de


endorfinas (substância da alegria e bem estar).

8. Dedique tempo para sonhar: eleva a alma às estrelas.

9. Dedique tempo para rir: alivia as tensões da vida.

10. Dedique tempo para planejar: é o segredo de como encontrar


tempo para as nove coisas anteriores.

ANÔNIMO
15

“ACESSE as páginas seguintes...

ARRASTE este conhecimento para seu DIRETÓRIO PRINCIPAL.

SALVE-O em todos SEUS ARQUIVOS PESSOAIS...

SELECIONE-o como seu DOCUMENTO MESTRE.

Que ele seja seu MODELO para EDITAR seus estudos e


CONFIGURAR sua vida: JUSTIFIQUE-o e ALINHE-o À
DIREITA e À ESQUERDA, sem QUEBRAS na sua caminhada.

Que essa pesquisa não seja apenas um ÍCONE, um ACESSÓRIO,


uma FERRAMENTA, um RODAPÉ...

Mas o CABEÇALHO, a LETRA CAPITULAR, a BARRA DE


ROLAGEM de seu caminhar. Que ele seja a FONTE da graça para
sua ÁREA DE TRABALHO”.

ANÔNIMO
16

AGRADECIMENTOS

Àqueles que um dia vi refletidos no espelho diante dos meus olhos


e me fizeram compreender o sentido da imortalidade, ainda que através de
uma linguagem não verbal. Pela educação recebida... aos heróis... meus PAIS.
Ao som psicodélico e quase sempre terapêutico de KÁTIA
FREITAS, embalando os momentos particulares de apogeu intelectual e
ignorância técnica.
Aos meu vício copioso e indispensável: MARCELO XIMENES,
imensurável amigo.
À energia profética de ANA CRISTINA DE FREITAS RAMOS
sinônimo de profissionalismo e humildade.
Uma ressalva especial à MÔNICA HELENA NEVES PEREIRA,
pelo sentido de disciplina e objetividade, sublimando o pesar do ofício.
A todos à direita, que auxiliaram na concretude deste trabalho e a
esquerda, pelos dissabores geraram uma conduta profissional ainda mais
apurada.
E por tudo aquilo que ainda está por vir... que venha!!!

José Tanilzo Sá Júnior


17

RESUMO

Este estudo provém da leitura e releitura de um compêndio de


artigos e estudos clínicos e educacionais que abordam o tema dos transtornos
e déficit de atenção, bem como a instabilidade psicomotora na criança e no
adulto, suas causas e conseqüências na vida escolar, familiar e social. A este
assunto introduzimos o estudo da Psicomotricidade que, enquanto ciência
para-médica surgida em meados deste século XX, ainda que com expressões
já bem mais remotas, vem oferecendo a alternativa da prevenção e terapia dos
distúrbios psicomotores, através de novas e possíveis formas de intervenção.
Não se trata de lançar algo novo relacionado ao assunto, nem tão pouco
pretendemos esgotar o assunto, mas de investigar, situar e pontuar
minuciosamente acerca das publicações referentes a psicomotricidade e a
hiperatividade.
18

ABSTRACT

This study comes from reading and rereading of a compendium of


articles on clinical and educational studies that approach the subject of
upheavals and the deficit of attention, as well as the psychomotor instability
in the child and the adult, its causes and consequences in the pertaining to
school, familiar and social life. To this subject we introduce the study of the
Psychomotricity that, while science for-doctor appeared in the middle of the
last century and although using remote expressions nowadays comes offer
alternatives for the prevention and therapy of the psychomotors disorders,
through new and possible forms of intervention. It is not supposed to release
something new related to the subject, nor so little we intend to deplete the
subject, but to investigate point to point accurentely, to contextualize and to
correct publications referring to the psychomotricity and the hyperactivity.
19

RESUMEN

Este estudio viene la lectura y el relectura de un compendio de


artículos y los estudios clínicos y educativos que acercan al tema las
agitaciones y déficit de la atención, así como la inestabilidad psicomotora en
del niño y del adulto, de sus causas y de las consecuencias en pertenecer a la
vida de la escuela, familiar y social. A este tema introducimos el estudio del
Psychomotricidad que, de mientras que el para-doctor de la ciencia apareció
en centro de este siglo, inmóvil que con expresiones mana ya más alejado, él
ofreciendo al alternativa la prevención y viene la terapia de las desórdenes
psychomotoras, através de nuevas y posibles formas de intervención. No se
trata para lanzar algo relacionado nuevo al tema a, ni así que poco que nos
preponemos agotar el tema, pero (en la gran longitud/del punto al punto)
investigarlo, al contexto y corregirlo referente referir a las publicaciones el
psychomotricidad y el hiperactividad
20

SUMÁRIO

Pág.
1 – INTRODUÇÃO ............................................................................ 11
1.1 – Objetivos ............................................................................... 16
2 – REVISÃO DA LITERATURA ................................................... 17
2.1 – PSICOMOTRICIDADE ..................................................... 17
2.1.1 – História e Evolução ........................................................... 17
2.1.2 – Fundamentos Epistemológicos ........................................ 30
2.1.3 – A Clínica Psicomotora ...................................................... 37
2.1.3.1 – Área de Atuação ......................................................... 37
2.2 – HIPERATIVIDADE ............................................................ 40
2.2.1 – Conceituação e Evolução Histórica ................................. 40
2.2.2 – Gênese e Etiologia ............................................................. 45
2.2.2.1 – TDAH e Hiperatividade ............................................. 48
2.2.2.2 – Hiperatividade X Instabilidade Psicomotora ............. 53
2.2.3 – Características Clínicas e Sintomatológicas ................... 57
2.2.3.1 – Crianças e Adultos Hiperativos ................................. 59
2.2.4 – Diagnóstico ........................................................................ 67
2.2.4.1 – Diagnóstico Diferencial ............................................. 76
2.2.4.1.1 – Pseudo-Hiperatividade ................................... 78
2.2.5 – Tratamento ........................................................................ 81
2.2.5.1 – Tratamento Farmacológico ........................................ 83
2.2.5.2 – Tratamentos Alternativos e Para-Médicos.................. 86
2.3 – A CLÍNICA PSICOMOTORA NA HIPERATIVIDADE 90
2.3.1. – A Importância do Jogo na Construção do Projeto
Terapêutico .................................................................................... 92
2.3.2. – Dicas Para Administração e Trato de Crianças com
Hiperatividade na Escola ............................................................. 94
3 – METODOLOGIA ........................................................................ 104
4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................. 106
5 – CONCLUSÃO .............................................................................. 112
6 – ANEXOS ....................................................................................... 115
7 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................... 120
8 – GLOSSÁRIO ............................................................................... 123
21

1 - INTRODUÇÃO

A pluralidade dos questionamentos e debates a respeito dos


distúrbios neurocomportamentais, tem levado a critérios e práticas cada vez
mais direcionados e eficazes. As crianças de hoje estão sobremaneira
agitadas, rebeldes, bem como também podemos dizer que é cada vez mais
crescente (ou melhor diagnosticado) o número de adultos emocionalmente
instáveis, haja vista as dinâmicas da pós-modernidade em que estão inseridos,
o que pode facilmente mascara um quadro patológico pela globalidade das
expressões sintomáticas atuais, banalizadas pelo cotidiano. Motivado a
princípio pela eqüidade profissional do relator, este estudo não se limita
apenas ao âmbito escolar e clínicos, pois há tempos as fronteiras educacionais
foram extrapoladas e as responsabilidades divididas entre as vias da medicina
e da psicologia ressaltadas por outro prisma não mais importante, contudo de
inigualável comparação e observação: o social (trabalho – produções
culturais), porém ressaltamos antecipadamente e de modo categórico, a
emblemática importância das instituições de ensino e terapêuticas
(genericamente falando), haja vista que muitos distúrbios comportamentais de
aprendizagem são despertados na geografia da escolas a princípio, levados em
segunda instância as clínicas e paralelamente este dois inter-disciplinados
com a sociedade. Ainda assim podem se apropriar deste instrumento, desde os
profissionais latentes e afins à questão da HIPERATIVIDADE até o mais
leigo e intrépido curioso leitor e suas produções culturais mesmo com suas.
Atualmente, segundo BASTOS (1999), dados da Organização
Mundial de Saúde – OMS, revelam que entre 5% e 7% da população infantil
em idade escolar sofrem de alguma maneira distúrbios de
HIPERATIVIDADE ou no mínimo são acometidos por uma instabilidade
psicomotora, e conseqüentemente pela inabilidade, ignorância e estereótipo
22

social; 3% terão dificuldades permanentes durante a vida adulta e tendo por


conseqüência complicações laborais, ou seja, dificuldades sociais em sua
produção, como podemos visualizar no gráfico abaixo, através do nível de
incidência por faixa etária, naturalmente aqui ilustrados em termos
percentuais, segundo a rede de televisão americana CNN (1998):

QUADRO DE INCIDÊNCIA DA HIPERATIVIDADE

PERCENTUAL CRONOLÓGICO

acima de 21
2%
ADO ADU

anos
4%
12 a 21 anos
5%
INF

5 a 10 anos

0% 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7%

A gênese deste projeto partiu dessa premissa investigativa e


conseqüentemente pela “relativa” estréia do tema, haja vista que estudos
específicos sobre a HIPERATIVIDADE remontam ao século anterior, com
resultados práticos relevantes e ascendentes. Concomitante e
cronologicamente surgem estudos ainda primários da clínica psicomotora, ou
melhor, da PSICOMOTRICIDADE propriamente dita, daí então a primazia
pela “simbiose”, correlacionada com as produções culturais subjetivas ou não.
Pretende-se aqui, inicialmente, subsidiar ao leitor informações
básicas e conceituais sobre essa disfunção/distúrbio que é a
HIPERATIVIDADE causa no trabalho e nas interações sociais, sobretudo
dotar e construir nos pacientes e “para-pacientes” (como originalmente
chamamos aqui os envolvidos: pais, irmãos, filhos... enfim, todas as pessoas
ligadas diretamente aos portadores dessa síndrome) uma melhor consciência a
respeito dos mitos absolutos e as verdades limítrofes gerados pelo tema.
23

Através da explanação histórica da síndrome, sua etiologia, características,


sintomas, diagnóstico e tratamento, fomentar-se-ão as condições objetivas
para as possíveis e necessárias indicações clínicas.
Objetiva-se aqui, fomentar a literatura atual, redirecionando
estratégias psicomotores para minimizar seqüelas e conseqüentemente
dissabores acarretados pela HIPERATIVIDADE. Portanto, as pretensões
levianas que possam ser suscitadas a respeito da originalidade do tema são
descabidas nesse momento, ainda, que a ampliação do tema e sua devida
explanação reorganizada acabe acrescentando novas perspectivas no estudo
da PSICOMOTRICIDADE a serviço da HIPERATIVIDADE em benefício
das interações sócias através do trabalho (produções culturais).
Não se objetiva aqui, esgotar a temática em questão, sua aplicação e
complicações, mas sim, viabilizar o acesso popular a informações pertinentes
ao ser humano e suas limitações, neste caso específico e suas comorbidades,
minimizando assim teorias irreais como o determinismo e o reducionismo
quase sempre equivocados.

Explicitar-se-á nesta pesquisa todo o quadro evolucionista da


ciência “PSICOMOTRICIDADE” e sua aplicabilidade à patologia
HIPERATIVIDADE e possíveis prognósticos, bem como algumas
intervenções a serviço dos pacientes, sejam eles crianças ou adultos, para
manutenção e/ou regaste das suas qualidades de vida social e da manutenção
produtiva e positiva do trabalho como representante de códigos e valores
sociais, de forma terapêutica ou preventiva, como comungamos da opinião de
MATTOS (1999:79): “Quanto mais precoce é feito o diagnóstico, mais
facilmente evitarmos as conseqüências negativas”.

As pesquisas em periódicos e livros especializados no assunto e as


observações e entrevistas aos especialistas, subsidiaram cronologicamente
este estudo de forma que a princípio fosse possível serem relatadas as nuances
24

históricas e epistemológicas da PSICOMOTRICIDADE e naturalmente sua


área de atuação. Em seguida, abordaremos em foco a HIPERATIVIDADE,
dissecando seus meandros e conceitos evolutivos, através de uma visão
neuropsicomotora e alusões alternativas. Diante da problemática que envolve
a complexidade da HIPERATIVIDADE no lar, na escola e sociedade, o
assunto freqüentemente estará pautado em analogias multidisciplinares, onde
por força técnico-instrumental será estabelecido um vínculo entre a
funcionalidade da ciência da PSICOMOTRICIDADE X
HIPERATIVIDADE e sua conduta pejorativa.

Soma-se a este trabalho de pesquisa além do caráter informativo de


fundamentação teórica, à função democrática dos conteúdos científicos,
engrossando as estatísticas crescentes de publicações direcionadas a públicos
cada vez mais distintos.

O tema é cada vez mais recorrente, a medida em que descobrimos


sua pluralidade e inter-relacionamento com outras áreas do conhecimento,
cada um em sua especificidade, e universal nos ganhos de seus resultados.

A temática da HIPERATIVIDADE suscita questionamentos constantes, pois


apesar de sua etiologia ainda desconhecida, somos tomados por impulsos e
pela gama de posturas diferenciadas a respeito de um mesmo tema, e ainda,
pela ânsia na obtenção de respostas, algumas vezes superando a lógica
racional dos conteúdos. Assim sendo, “a importância A CLÍNICA
PSICOMOTORA A SERVIÇO DA HIPERATIVIDADE: Observações,
Relatos e as Implicação no Trabalho e nas Produções Culturais.” (grifo meu)
deve ser focalizada proporcionalmente à gravidade que a patologia x
qualidade das produções humanas, dentro da literatura médica se manifesta e
no meio sócio-familiar.
25

Pela brevidade dos trabalhos já publicados, ainda que em larga


quantidade, mas naturalmente com lacunas recorrentes, aqui se faz necessário,
pois se vêem, sem equívocos, os benefícios, sobretudo os mais imediatos,
empreendidos pela iniciativa primária de se tocar num tema de notória
relevância e conseqüentemente delicado, sobretudo para a família dos
portadores dessa síndrome, preocupados em otimizar a qualidade de vida
desse paciente.
Conclusivamente, ilustrar-se-ão “observações” psicomotoras e/ou
psicoludomotoras1 (grifo nosso) definir as possibilidades de atuação da
PSICOMOTRICIDADE na prevenção e na terapêutica da criança
hiperativa, os métodos e técnicas adequadas no processo terapêutico e/ou
preventivo.
Ao longo da explanação e aplicação deste instrumento, notar-se-á
uma diferença evolutiva sensível na postura comportamental do portador de
HIPERATIVIDADE, bem como a modificação dos conceitos pejorativos
pela qual a família e a sociedade atribuem a essa patologia. Faz-se necessário
ressaltar ainda, que as atividades psicomotoras (também chamadas de
atividades de psicoludoterápicas) tem suas especificidades e atendem a
realidades também particulares, ainda que sob a égide de uma mesma
patologia.
Em virtude, porém, da cronologia, este relato elucidativo e suas
considerações pertinentes, justifica-se aqui, os instrumentais de observação
diretiva, intensiva e exploratória que constituem o pré-requisito de certos
aspectos da realidade mais específicos, ou seja, no que diz respeito à
verificação investigativa mais pluralizada detrimento aos conceitos,
diagnósticos e prognósticos insipientes. No entanto parafraseando
FERREIRA (1994:29) “...uma pesquisa inclui a apresentação de um

1
Termo específico, adotado pelos relatores desta pesquisa em sobreposição ao termo: “técnicas psicomotoras”.
26

instrumento baseado em observações, opiniões, atitudes e suas implicação


científicas”.
O que indubitavelmente sustenta aqui este “inquérito científico”
(grifo nosso), pois já nos antecipando ao que o leitor possa vislumbrar pelo
imediatismo, esta pesquisa está pautada na qualidade instrumental, ainda que
ilustrativamente, a quantidade de testes corroborasse substancialmente no
processo conclusivo dos resultados alcançados.
27

1 .1 – Objetivos

a) A tônica principal deste estudo está baseada na disponibilidade, a


princípio, bibliográfica das informações a respeito desta síndrome que a
literatura, dentre tantas classificações anteriores, hoje nomina como:
HIPERATIVIDADE, o que ousamos aqui também colocar à disposição do
leitor uma nova adjetivação, que segundo esta pesquisa temos motivos
consistentes para optarmos também pela alcunha de “cartarse
neuropsicomotora2” (grifo nosso), apenas por uma questão de propriedade
semântica;

b) Analisar a literatura sobre a contribuição da clínica psicomotora


como processo minimizador dos problemas de desatenção, distração,
impaciência, atividade e emotividade excessivas e instabilidade psicomotora
em pacientes com HIPERATIVIDADE;

c) Ressaltar a importância da assessoria clínica ao portador de


HIPERATIVIDADE como uma forma de se evitar déficites graves na
infância;
d) Relatar secundariamente, os objetivos seguem na identificação
dos desdobramentos clínicos da PSICOMOTRICIDADE na terapêutica das
pacientes hiperativos, ou portadores da sintomatologia funcional do quadro,
através da observação, co-relação e análise alusiva e naturalmente intervenção
posterior.

2
Termos original para melhor consonância semântica com o tema, segundo os relatores.
28

2 – REVISÃO DA LITERATURA

2.1 - PSICOMOTRICIDADE

2.1.1 – História e Evolução

Para maior contundência didática, podemos, cronologicamente


dizer que a PSICOMOTRICIDADE tem sua origem em meados do século
XX, porém essa afirmação não pode ser tomada como princípio geral, pois
alguns autores relatam ensaios já no final do século XIX. É certo dizer que a
PSICOMOTRICIDADE surgiu de uma necessidade “inevitável” de se
contrapor (intencionalmente ou não) ao hoje refutável dualismo descarteano
cristalizado há séculos pela dicotomia corpo x alma, e originariamente na
Grécia antiga, ou mesmo, com o advento da linguagem.
Existem muitas definições acerca do que seja a
PSICOMOTRICIDADE e seu estudo. A evolução primeiramente segue uma
trajetória teórica e posteriormente prática até atingir um senso comum entre
ambas.
A PSICOMOTRICIDADE tem sua origem matricial na França,
advinda da medicina, especificamente das contribuições da neurologia,
inicialmente com DUPRÉ em 1907/09 aproximadamente, pelo pioneirismo na
descoberta em precisar as etapas do desenvolvimento psicomotor, assim como
as debilidades motoras, atribuindo uma relação entre as alterações motoras e
mentais (paralelismo psicomotor), ainda que se admitisse a existência de
exceções. A figura de DUPRÉ é de fundamental importância para o âmbito
psicomotor, já que é ele quem afirma a independência da debilidade motora
(antecedentes do sintoma psicomotor) de um possível correlato neurológico,
29

seguido por pesquisas ainda complementares e nesse sentido por COLLIN,


HEURYER, THOMAS e DARGASSIE. Paralelamente a estas descobertas, na
América GESSEL trabalha realizando testes psicomotores em crianças.
Posteriormente a PSICOMOTRICIDADE no seu caminho
evolutivo é “emprestada” à psicologia e posteriormente à fisiologia, a
primeira retratando as reflexões sobre a “imagem do corpo e o eixo
psicológico, em que recebem a influência marcante” e a segunda, tratando do
“esquema corporal”, como relata BUENO (1998:111).
A História da PSICOMOTRICIDADE passou por vários
acontecimentos, porém sofrendo contribuições também na Argentina,
Portugal e posteriormente no Brasil. A evolução da PSICOMOTRICIDADE
no início deste século firmou-se a partir do desenvolvimento motor da criança
e deu continuidade quando passou a relacionar os atrasos do desenvolvimento
motor e o atraso intelectual da criança revelando as habilidades manuais e
aptidões motoras em função da idade até chegar a posição atual da
PSICOMOTRICIDADE a qual trabalha os aspectos motores, intelectuais,
emocionais e expressivos do corpo de um sujeito desejante.
Para haver a valorização do corpo em movimento passou por alguns
cortes epistemológicos (sendo o primeiro justamente caracterizado pela
“origem” marcante da PSICOMOTRICIDADE neste século, através das
contribuições da medicina, dentre elas através das “práticas re-educativas”)
muitos estudos e contradições até chegar no momento em que o corpo passa a
deixar de ser relacionado em pura carne e sim descoberto e enfatizado como
corpo falado. É então que começa a desenvolver-se uma prática em
construção da PSICOMOTRICIDADE, apesar de sempre ter existido a
história da PSICOMOTRICIDADE desde que o homem nasce, nos seus
primeiros movimentos, no princípio de nossa história com o pensar,
30

locomover, agir e reagir, pois para toda ação há uma reação que demonstra
reflexos e movimentos que ligam o “psico” ao “motor”.
Vários filósofos destacaram o corpo em afirmações a partir do
período helênico. PLATÃO falava em uma separação distinta entre corpo e
alma, uma dicotomia entre “psico” e “motricidade”, enquadrando o corpo
como lugar de passagem no mundo de alma imortal. Já ARISTÓTELES via o
homem como parte de matéria, o corpo constituído de uma forma, a alma
estabelecendo todas as suas funções, e a paixão incluída entre essas funções.
DESCARTES, continuava com o dualismo entre corpo e alma, acrescentando
à existência do ser o ato do pensar e afirma em 1641: “somos uma coisa que
pensa, uma coisa da qual toda a existência decorre do pensar; entretanto
possuímos um corpo ao qual estamos estreitamente vinculados, mas que é
somente uma coisa extensa e que não pensa. Por conseguinte, parece certo
que a alma é inteiramente distinta ao corpo, mas não pode existir sem ele. O
corpo é movido simplesmente como um mecanismo do espírito”.
No século XIX, em torno de 1875 a 1900 pouco se conhecia além
das ciências: psiquiatria, psicometria, psicopatologia, psicofisiologia e
psicofísica. O avanço científico veio a surgir no século XX com a emergência
do termo psicomotor, noção de PSICOMOTRICIDADE, noção de prática
psicomotora e o paralelismo com a tendência da separação do dualismo
cartesiano, considerado como o primeiro corte epistemológico com a
influência da neuropsiquiatria determinada em uma clínica específica num
aspecto motor instrumental. Com a evolução corporal no século XIX, aparece
o americano BERGSON que inicia a união alma e corpo no dizer “o cérebro
imprime ao corpo esses movimentos e as atitudes que desempenha o que o
espírito pensa”. (1982:91)
Em 1900 a 1925 inicia-se a falar em PSICOMOTRICIDADE, pois
há uma descoberta na medicina de uma área do cérebro que justifica os seus
31

movimentos. A mudança de “pensamento”, algum tempo estigmatizado,


caracteriza aqui o primeiro corte epistemológico da PSICOMOTRICIDADE
pelas contribuições de DUPRÉ através da medicina.
Um famoso psiquiatra da época chamado CHARCOT coloca
evidências do psiquismo no corpo e do corpo no psiquismo, ao estudar o
fenômeno “membro fantasma”, o qual fala sobre a perda de um membro
amputado, em um sujeito que mantém a existência do membro que perdeu
com a inconsciência e imagem de seu corpo perfeito, sendo fortalecido com
FREUD um psicanalista que analisa as formações inconscientes que o corpo
desempenha, tornando-o provedor de todas as pulsões e o centro das relações
com a figura materna que se acham “matrizadas” nesse corpo, mas nem
sempre nos chegam à consciência e a palavra, dando subsídio a neurologia e à
motricidade. Justamente por contribuições advindas da psicologia, que por
volta de 1950-80, atribui novas considerações a relação do corpo e do
movimento e suas implicações (expressões do corpo), indicando novos
horizontes epistemológicos, evidenciando a mudança de pensamento
denominado aqui como o segundo corte dentro do desenvolvimento evolutivo
da PSICOMOTRICIDADE.
Uma grande influência da época foi CHARCOT (1887), que se fazia
sentir de uma forma singular. O hipnotismo e a teoria da sugestão ou da
persuasão, segundo este autor que marcadamente influenciou FREUD em
1930, centra-se e enfoca-se no sentido muscular. De fato, a hipnose não é
mais do que uma estranha cumplicidade entre a idéia e o movimento, ou pelo
menos, evoca uma dialética inseparável entre tais componentes da vida
psíquica. Os métodos criados por CHARCOT em 1887, atribuíram ao
movimento uma função de restauração das idéias sãs, exatamente porque são
desejadas pela vontade do paciente. Segundo CHARCOT apud
BUENO(1998:120):
32

“Por hipnose, a palavra do médico, reeduca um


pensamento desviante ou pervertido. É por meio de palavras,
gestos e de atitudes que imprimimos ao sujeito, que ele atinge a
idéia que desejamos transmitir-lhe”

O termo PSICOMOTRICIDADE apareceu realmente com


DUPRÉ, no final do século XIX com a intervenção da área médica,
especificamente a neurológica nas zonas do córtex cerebral em situar-se em
regiões mais além da “motora”, dando abertura ao campo psicomotor.
DUPRÉ apud BUENO (1909:65) com a neuropsiquiatria infantil em 1907
descreveu a síndrome da debilidade motora e relaciona-a com a debilidade
mental, isolando perturbações como os tiques, as sincinesias e as paratonias:
“Entre certas alterações mentais e as alterações motoras correspondentes
existe uma união tão íntima que parecem constituir verdadeiras paralelas
psicomotoras”.
Com a continuidade das pesquisas e estudos no eixo neurológico e
psiquiátrico, chegaram ao fisiológico em 1911 com HEAD no esquema
postural ou psicanalítico e SCHILDER em 1923, com a imagem do corpo no
eixo psicológico. Isto é HEAD com esquema corporal e SCHILDER a
imagem corporal. Em 1925 WALLON, ocupava-se do movimento humano,
dando-lhe uma origem categórica para o construtivismo do psiquismo.
WALLON estudava a relação entre motricidade e caráter, os aspectos
psicofisiológicos e emocionais, diferentemente de DUPRÉ, pois relacionava o
movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos da criança e
não à motricidade com a inteligência de DUPRÉ.
Segundo vários autores a palavra PSICOMOTRICIDADE só veio
a ser criada, por DUPRÉ apud FONSECA (1988) em 1907, na descrição da
síndrome da debilidade motora relacionada com a debilidade mental isolando
perturbações como os tiques, as sincinesias e as paratonias, já citada
anteriormente .
33

Citado por LEVIN (1998) é AJURIAGUERRA quem em seu


Manual de Psiquiatria Infantil, delimita com clareza os transtornos
psicomotores, “que oscilam entre o neurológico e o psiquiátrico”. E é nesta
oscilação que situa os transtornos propriamente psicomotores.
Na educação física, aparece, passivamente as relações entre
pensamento e movimento saindo da “mastificação física” com TISSIÉ (1894
e 1899) que foi certamente o primeiro autor ocidental a abordar as ligações
entre o movimento e o pensamento. Ele constrói um novo espaço de conceitos
que hesitam entre a fisiologia e a psicologia, para além de preconizar
historicamente a medicação pelo movimento. TISSIÉ (1894:79) coloca:
“Pela ginástica médica, o exercício físico dirigido pelo próprio indivíduo,
intercederá na ordem psicológica.
Segundo LEVIN (1988), em 1925 WALLON, ocupa-se do
movimento humano dando-lhe uma categoria fundante como instrumento na
construção do psiquismo. Como aponta LE CAMUS, WALLON estuda a
relação entre motricidade e caráter, diferentemente de DUPRÉ , que
correlaciona a motricidade com a inteligência . Essa diferença permite a
WALLON relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e
aos hábitos da criança. Assim sendo, para este autor, o conhecimento, a
consciência e o desenvolvimento geral da personalidade não podem ser
isolados das emoções.
Lançando a denominada “ginástica médica”. Logo após o mesmo
vem GUILMAIN em 1935, chamado “Pai da Reeducação”, que no contato
com crianças portadoras de “distúrbios de caráter” constata e assume a
necessidade de um exame mais preciso, completo na indicação terapêutica e
prognóstica, assim construindo um método apoiado nos conceitos anteriores
prescritos, voltados à neuropsiquiatria infantil.
34

Na Argentina as origens da PSICOMOTRICIDADE criam-se com


a fundação dos primeiros institutos de reeducação para deficientes mentais de
diversos graus, como o “Instituto Argentino de Reeducación” citado por
LEVIN apud GARCIA (2001) onde se entregavam diferentes áreas, médicos,
psicólogos e professores. Logo após em 1949, mais duas escolas especiais são
fundadas e permanecem duas décadas sendo as únicas escolas estatais
existentes e funcionais onde ocorre à criação de um regulamento na área de
PSICOMOTRICIDADE.
O artigo 07 (sete) da proposição da lei francesa de 15/02/74 cita
que a reeducação deve ser “neurológica em suas técnicas, psicológica, e
psíquica em sua meta, destinada pela intermediação a atuar sobre as funções
mentais e psicológicas perturbadas tanto na criança como no adolescente ou
adulto” (1974). A prática psicomotora começa com EDUARD GUILMAIN
em 1935, que estabelece, continuando as perspectivas teóricas que abriu H.
WALLON, um exame psicomotor. Nos primeiros momentos da “prática”
com a conduta psicomotora e o caráter da criança vão servir de base para
diversificadas reeducações pedagógicas e psicomotoras (na Argentina, a linha
teórica de debilidade motora de COSTALLAT). Nesta época criou-se uma
visão de habilidades motora onde foram aparecendo vários testes como de
performance-bateria de WALTER, GOUREVITCH e OZERETSKI (idade
motora), BAILLER, de imitação de gesto de BEGÈS e LEZINE, perfil
psicomotor de PICQ e VAYER e outros. A prática era somente voltada a
reeducar a atividade tônica, desenvolvendo o controle motor com exercícios e
atividades de relaxação com coordenação motora associados.
A dupla AJURIAGUERRA e DIATKINE, com pesquisas nos
hospitais franceses em 1947 e 1948 redefinem o conceito de “debilidade
motora” como a síndrome e suas particularidades. E é AJURIAGUERRA que
em (1952, 1970 e 1974), passa a ser um dos primeiros autores a integrar os
35

modelos clínicos de KLEIN, LACAN, SCHILDER e REICH, tendo


construído uma aplicação, não meramente teórica ou conceitual, mas sim,
terapêutica, ressaltando mais significação relacional, afetiva e mediatizadora
dos problemas psicomotores do que a sua infra-estrutura anátomo-fisiológica.
Com o lançamento do Manual de Psiquiatria Infantil de
AJURIAGUERRA, são delimitado, os transtornos psicomotores dos
neurológicos e psiquiátricos em uma oscilação na localização dos transtornos
propriamente psicomotores os quais muito contribuíram para que a
PSICOMOTRICIDADE se diversificasse de outras disciplinas constituindo
sua especificação e autonomia (LEVIN 1998).
A avaliação psicomotora constatada nos seus exames do controle
motor e tônico; estruturações do espaço, do ritmo, das coordenações e das
habilidades motoras, provocam a complementação de um exame psicomotor
padrão com orientação de sessões de acordo com o quadro dos distúrbios que
o indivíduo se enquadrar.
WALLON (1966:55). comenta que a nível corporal existe uma
organização tônica ligada às vivências emocionais e afetivas, sendo uma
forma espontânea de lidar com o significado simbólico da vivência e que não
podemos evitar. E define esquema corporal “É a representação relativamente
global, científica e diferenciada que a criança tem do seu corpo”.
Já na década de 70 LE CAMUS apud LEVIN 1998, constata que
diferentes autores (BERGÈS, DIAKINE, JOLIVET, LAUNAY e LEBOVICI)
definem a PSICOMOTRICIDADE como “uma motricidade em relação”.
Começa a diferenciação entre uma postura re-educativa e uma
terapêutica que ao despreocupar-se de uma técnica instrumentalista e ao
ocupar-se do corpo em sua globalidade se dar progressivamente maior
valorização à relação afetiva e ao emocional que se fortificam com
LAPIERRI e AUTOUCURIER onde propõe um esboço de uma teoria
36

psicanalista da PSICOMOTRICIDADE, a qual marca uma virada nas


perspectivas clínico- teóricas do campo psicomotor nos vários conceitos
como: inconsciente; transferência; imagem corporal dentre outros.
A PSICOMOTRICIDADE registra em 1970 seus inícios fora do
campo educativo, lançando a PSICOMOTRICIDADE clínica, partindo das
contribuições francesas, pois na época a prática clínica era basicamente re-
educativa, inserida nos trabalhos de AJURIAGUERRA com base nos autores
como WALLON e PIAGET com trabalhos em fundamentos de exercícios e
avaliações, bem estruturadas com atividades lúdicas dirigidas com essência
na terapia de jogos livres e orientados. Essa terapia psicomotora na Argentina
é situada como sendo no percurso histórico da clínica psicomotora entre o
primeiro e segundo cortes epistemológicos.
LEVIN e BERGÉS são responsáveis em meados da década de 80
pelas reformulações de algumas teorias pelas quais o subjetivo era mais do
que evidente na relação psicomotora através das análises mas profundas e de
cunho psicanalítico, redefinindo as posturas e notificando dentre outras coisas
o sujeito e o corpo em movimento.
A história da PSICOMOTRICIDADE na realidade, sua “pré-
história“ (grifo nosso), começa desde que o homem fala, já que a partir desse
instante falará de seu corpo. Segundo BARTHES apud LEVIN (1995):

“Não é o homem que constitui o simbólico, é o simbólico,


é o simbólico que constitui o homem. Quando o homem entra no
mundo entra no simbólico que já está ali. E não pode ser homem se
não entra no simbólico“.(1995:98).

AJURIAGUERRA afirma que: “O tônus que prepara e guia o gesto


é simultaneamente a expressão da realização ou frustração do indivíduo”
(1983:49).
37

Demonstrando que só com a vivência corporal de situações


psicomotoras e relacionais o indivíduo terá condições de moldar o seu tônus,
oscilando entre a hipertonia, normalidade e hipotonia, moldando-se às
situações e fortalecendo as situações cotidianas. Em 1982 a Sociedade
Brasileira de Psicomotricidade - SBP define a PSICOMOTRICIDADE
como “uma ciência que tem por objetivo o estudo do homem por meio do seu
corpo em movimento, nas relações com seu mundo interno e externo” (1982).
Segundo BERGÉS: “O ritmo é teatro principal da atividade tônica-
motora, o qual funciona como suporte de todos os comportamentos
humanos” (1988:97).
É na década de 70 que a PSICOMOTRICIDADE vai nascer no
campo educativo, impulsionado pela influência francesa.
Comenta LE BOUCH que: “A educação psicomotora deve ser
considerada como uma educação de base na escola elementar, ponto de
partida de todas as aprendizagens pré-escolares e escolares“ (1981:77).
Ele lutou e conquistou na década de 60 a inclusão da educação
psicomotora nos cursos primários na França.
VAYER coloca que:

“Do ponto de vista educativo, o papel geral


corresponderá, naturalmente, às diferentes etapas do
desenvolvimento da criança, e assim entendemos que: no curso da
segunda infância a educação psicomotora permanece sendo o
núcleo fundamental de uma ação educativa que começa a
diferenciar-se em atividades de expressão, organização das
relações lógicas e as necessárias aprendizagens de leitura-escrita-
ditado; no curso da grande infância a diferenciação entre as
atividades educativas se faz mais acentuadamente, e a educação
psicomotora mantém então a relação entre as diversas atividades
que concorrem simultaneamente ao desenvolvimento de todos os
aspectos da personalidade”. (1989:128).
38

LAPIERRE também coloca que a educação psicomotora: “É uma


ação psicopedagógica que utiliza os meios da educação física, com a
finalidade de normalizar ou melhorar o comportamento do indivíduo”.
(1989:101).
Surgem vários autores psicanalistas como FREUD, KLEIN,
WINNICOTT, REICH, SCHILDER, LACAN na preocupação da vida afetiva,
LAPIERRE com psicometria relacional e AUCOUTURIER em prática
psicomotora via tecnicidade. Passa-se a investir numa nova caminhada a
PSICOMOTRICIDADE, investindo num corpo expressivo, que fala, emite
respostas, dando-se espaço para a harmonia entre as expressões do corpo e a
afetividade. Neste período, as novas tendências e contribuições da
psicanálise, emprestam atribuições e contribui através de novo olhar mais
analítico, re-educativo, terapêutico e clínico, marcando historicamente aqui a
mudança relativa ao terceiro corte epistemológico da
PSICOMOTRICIDADE. Essa nova prática envolve várias técnicas
corporais como a eutonia, a antiginástica, a PSICOMOTRICIDADE
relacional, a expressão corporal e outras e têm destaque os profissionais
como: ALEXANDER, AUCOUTURIER, LAPIERRE, JOLIVET, SAMI-ALI
e alguns mais. Para LAPIERRE apud DAMASCENO (1992) “o controle do
corpo e da respiração é uma etapa culminante da construção do esquema
corporal” (1992:59).
Em 1889 é publicado por LAPIERRE na revista “Somatothérapie” a
ramificação de seus estudos em duas linhas, uma terapêutica, chamada –
análise corporal da relação – e outra educativa e profilática, chamada -
PSICOMOTRICIDADE relacional. No Brasil a história da
PSICOMOTRICIDADE chegou com um grande atraso, em 1950 a 1960 e
foi baseada na prática re-educativa, acontecendo com os profissionais da área
da deficiência a valorizar o corpo e o movimento, na procura de dados para
39

interligá-los, apesar de não saber ainda a relação com


PSICOMOTRICIDADE.
As técnicas de MICHAUX em tratamentos motores utilizados em
São Paulo por o psiquiatra GRÜNSPUN na sua obra com distúrbios de
conduta, motores e psicossomáticos em relação ao desenvolvimento infantil e
também LEFÈVRE com seus trabalhos terapêuticos do movimento associado
à avaliação neurológica do indivíduo, com formação terapêutica vinda da
ginástica infantil, dos exercícios naturais e da rítmica. Já no Rio de Janeiro os
primeiros trabalhos iniciavam-se nos hospitais e em instituições com
deficientes físicos.
Foram criados cursos de formação de professores na área do ensino
especial, sendo o r)tmo um dos caminhos surgido para a estimulação dos
deficientes, em torno do final da década de 50 no Rio de Janeiro. Começaram
a aparecer as primeiras técnicas re-educativas no país na década de 60, com a
diferenciação dos pontos de vista da PSICOMOTRICIDADE de região para
região. Aparecendo um questionamento de qual seria a área da
PSICOMOTRICIDADE, na psicologia, na educação física, na
fonoaudiologia, no ensino especial e outras áreas afins surgem então escolas e
métodos diferenciados de outros países.
Em 1969, OLIVEIRA traz para Curitiba a formação de RAMAIN.
A partir de 1970 o Brasil dispara em seus estudos em
PSICOMOTRICIDADE com duas linhas de aplicação, a primeira composta
por profissionais que utilizavam os métodos e literatura do exterior, a segunda
por profissionais que aplicavam a prática na educação e reeducação.
A década de 80 é surpreendida pela eclosão da
PSICOMOTRICIDADE em vários estados brasileiros, ilustrada por
numerosos trabalhos, publicações, simpósios, palestras sobre o tema, sendo
seu maior expoente o I Congresso Brasileiro de Psicomotricidade (1982), no
40

Rio de Janeiro, com a presença de LAPIERRE. Posteriormente publicações


regionais são marcadas nos estados de São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul,
Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e Paraná, contribuindo para a estrutura
da PSICOMOTRICIDADE no Brasil, posteriormente realizou-se o II
Congresso em 1984 em Belo Horizonte (MG), seguido do III em Porto Alegre
(RS) no ano de 1986, sendo realizado três anos depois IV Congresso
Brasileiro de Psicomotricidade novamente no Rio de Janeiro (RJ), em
Salvador (BA) o V, o VI novamente no Rio de Janeiro (RJ) o VII em
Fortaleza (CE), aqui culminando no congresso de maior apresentação de
trabalhos científicos e finalmente o VIII Congresso Brasileiro mais uma vez
no Rio de Janeiro em 2001.
BUENO (1998), define a PSICOMOTRICIDADE como a
“educação do movimento ao mesmo tempo em que desenvolve a
inteligência”. (1998:45).
BUENO apud DAMASCENO (1992), exprime bem o significado
da PSICOMOTRICIDADE como uma:

“...Ação vivida no seu desenvolvimento para uma meta.


O desenvolvimento do ato implica um funcionamento fisiológico,
mas não se limita na soma de contrações musculares, pois constitui
também a tomada de consciência”. (1998:55).

Hoje, ou melhor, a partir de 1995 surgiram psicomotricistas, de três


anos, fornecidos pelo IBMR – Instituto Brasileiro de Medicina e
Reabilitação no Rio de Janeiro, mas ainda há que se formar mais turmas e
obter o reconhecimento da profissão. A prática psicomotora possui atualmente
seus próprios fundamentos teóricos, é uma disciplina educativa, reeducada e
terapêutica totalmente independente.
41

2.1.2 – Fundamentos Epistemológicos

Segundo FONSECA (1988), a abordagem epistemológica da


PSICOMOTRICIDADE deve ser considerada numa perspectivas
tridimensional, através das continuas relações recíprocas dos fatores
neurofisiológicos, psicológicos e sociais, que intervém na integração,
elaboração e realização do movimento humano. A seguir relacionamos
algumas considerações do autor acerca da abordagem pluridimensional da
PSICOMOTRICIDADE.
Se considerarmos a evolução das idéias que neste campo inúmeros
autores desenvolveram, verificaremos a existência de duas tendências
extremistas: uma organicista, outra psicogenética. A primeira considera o
movimento como o resultado final da atividade dos três sistemas: o sistema
piramidal, efetor do movimento voluntário-ideocinético; o sistema extra-
piramidal, que assegura a atividade automático-teleocinética e o sistema
cerebeloso, regulador da equilibração do movimento. A segunda,
minimizando os aspectos neurofisiológicos, considera o movimento como
elemento determinante dos processos psíquicos. (FONSECA, 1988).
Na perspectiva do autor, entretanto, vêm-se tentando abordar
exaustivamente todas as tendências psicomotoras, interessando-se estudar o
movimento no que diz respeito fundamentalmente, ao ponto, de partida e ao
fim a que se ajusta, simultaneamente, com seu significado e a sua intenção.
(FONSECA, 1988).
Desde WERNICKE apud FONSECA (1988), que estudou as
desordens psicomotoras, passando por DUPRÉ a quem se deve um dos
primeiros estudos sobre as relações psíquicas e as relações motoras,
consideradas no seu ponto de visto patológico, através de sua célebre noção
de “debilidade motora” e também por autores como HOMBURGEN
42

(infantilismo motor), COLLIN (sintoma psico-neuro-muscular), OZERETSKI


(escala da motricidade) GUREWITCH (dominância sub-cortical), até os
trabalhos de WALLON, GESELL, STERN, PIAGET e fundamentalmente
AJUARIAGUERRA, suas escolas e continuadores.
A evolução dos estudos da motricidade engloba temas diferentes,
implicados nos estudos da teoria da "forma", do "behaviorismo”, da
psicologia clássica, da metapsicologia freudiana, da psicopatologia, das
teorias expressionistas e tantas outras.
Para FONSECA (1988), pretende-se uma linha separatista entre
psicologia e fisiologia, deseja-se encontrar uma fundamentação científica que
unifique de forma coerente toda a dimensão pluridisciplinar da
PSICOMOTRICIDADE. É esta a meta que propõe aflorar e é neste sentido
que se procura transmitir uma primeira contribuição que se distribui numa
visão teórico-prática que tenderá garantir uma possibilidade de estudo
permanente, dentro de uma prática sensível e modelada em função de novas
aquisições do conhecimento.
A PSICOMOTRICIDADE deixou de ser estudada isoladamente:
hoje, encontra-se enriquecida com os estudos da via instintiva-emocional,
com os da “linguagem”, com os da “imagem do corpo”, com os aspectos
perceptivo-gnósicos e práxicos e toda uma rede interdisciplinar, que vieram
dar ao estudo do movimento humano uma dimensão mais científica e menos
mecanicista. (FONSECA, 1988).
Além dos problemas da debilidade mental e motora, a
PSICOMOTRICIDADE interessa dos estudos da delinqüência (HEUYER),
da turbulência (WALLON), da instabilidade (ABRAIUSON) e da
emocionalidade e agressividade, bem como ao estudo de outros tipos de
perturbações das funções cognitivas e executivas, para não falar nos estudos
43

de W. REICH, relacionados com os problemas do caráter e das manifestações


psicanalíticas. (FONSECA, 1988).
A explicação do movimento não pode ser satisfeita por uma visão
anatômica, dada que se encobre o problema quando se estudam os ossos, as
articulações e os músculos e não se aborda o significado do movimento como
comportamento, ou seja, como relação consciente e inteligível entre a ação do
indivíduo e a situação circunstancial. O estudo evolutivo não pode recair em
métodos empíricos ou métodos correcionistas e padronizados, mas sim numa
ciência suscetível de inovações e permeabilidade experimental. (FONSECA,
1988).
A linha do estudo genético pretende combater os habituais
reducionismos científicos e as tradicionais superficialidades que, baseadas
numa longa prática, não são sensíveis a novos dados das descobertas de ser
humano. (FONSECA, 1988).
FONSECA (1988), concorda que é a prática que nos ensina, mas
essa prática que está voltada para uma realidade de mutação constante.
Para BUYTENDIJK apud FONSECA (1998) as inúmeras
investigações que no campo da PSICOMOTRICIDADE tem sido efetuadas
caem sempre na defesa de um conceito que também apelamos: "Não há
movimento para os homens, mas homens que se movimentam, assim como
não há objetos. Para os homens, mas homens que os utilizam". (1998: 187).
Para FONSECA (1988) a perspectiva fenomenológica é um elemento a
considerar, na medida em que demonstra uma tentativa para limitar a
insuficiência dos estudos dedicados à gênese da PSICOMOTRICIDADE.
Segundo esta perspectiva, defendida por autores como MINKOWSKI e
BUYTENDIJK é o homem que se move, como ser animado, e não qualquer
de suas funções que o compõem. De fato a perspectiva funcional do
movimento humano camufla um problema essencial, que é a importância do
44

movimento como comportamento. O movimento é sempre a expressão de


uma existência.
"O movimento é uma significação expressiva e intencional, é uma
manifestação vital da pessoa humana". FONSECA (1988:176).
Para FONSECA (1988), o movimento ocupa grande parte das
manifestações da história biológica do indivíduo dado que como
exteriorização significativa não é uma revelação abstrata, mas sim do
concreto vivido inerente ao sujeito. O movimento não resulta da integração de
estímulos isolados, mas unicamente das situações concretas que o
determinam.
A originalidade peculiar do movimento não o caracteriza como
mecanismo psíquico ou fisiológico, como consciente ou inconsciente; ele
traduz e projeta no mundo a ação relativa a um sujeito. (FONSECA, 1988).
As experiências vividas, por outro lado, só demonstram que é
impossível encarar o movimento de um modo parcial, na medida em que o
sentido global do comportamento explica o que se passa em cada uma das
partes do corpo. Torna-se, portanto elementar apoiar o estudo da gênese da
PSICOMOTRICIDADE, num quadro epistemológico dinâmico
permanentemente estruturado, evitando as justificações fisiológicas e
psicológicas analíticas. (FONSECA, 1988).
FONSECA (1988), os conhecimentos anatômicos e fisiológicos
serão úteis quando considerarem que o fundamento da execução do ato motor
é atingir um objetivo, um fim. Afirma que o essencial é a intencionalidade, a
significação e a expressão do movimento, e desta forma o movimento põe em
jogo toda a personalidade do indivíduo. O movimento é ao mesmo tempo
antecipação da ação (profeta da ação). Há em todo movimento humano uma
extensão antropológica que convém não esquecer.
45

FONSECA (1988) ressalta que não poderá esquecer que a vida,


como campo das experiências adquiridas, constitui urna sucessão ininterrupta
de atitudes corporais e de movimentos expressivos e representativos.
FONSECA (1988) afirma que toda a vida é contração muscular,
movimento; apenas desejamos impedir a análise da gênese da
PSICOMOTRICIDADE por uma via exclusiva do conhecimento científico
humano.
Por outro lado, queremos equacionar uma dimensão expressionista
do movimento humano e não considerá-lo como uma série de acontecimentos
e processos, ou como uma adição de contrações musculares. O estudo do
movimento humano é particularmente difícil, na medida em que, ao pretender
uma linguagem científica, se inclina para uma definição exata das leis e da
constância inerente aos fenômenos, tendendo para outra concepção de homem
corno organismo, idêntico a uma espécie de máquina físico-química. Na ânsia
de um paralelismo científico, os estados da motricidade inclinam-se para uma
metodologia idêntica à das ciências exatas, o que levam a concepções espaço-
temporais newtonianas e aproximações fisiológicas do tipo cartesiano. Os
estudos do movimento foram reduzidos a processos materiais, o que implicou
numa explicação mecanicista. (FONSECA, 1988).
O como não é urna máquina posta em movimento por um
psiquismo que habita o cérebro. A simples descrição e a exposição formal são
insuficientes para explicar a problemática comportamental atinente ao
movimento. Nem o dualismo metódico psicofisiológico serve para equacionar
a inumeralidade de significação do movimento. (FONSECA, 1988).
A interpretação dos fenômenos motores do comportamento humano
tem uma raiz biológica material, defendida pelos seus iniciadores. A biologia
à interpretação estreita e limitada dos fenômenos interiores do organismo foi
um salto. Só posteriormente, com JACOB VON UEXKOLL, a relação
46

funcional entre, o indivíduo e o meio; fenômeno, especifico da vida animal,


entrou em consideração nas observações biológicas e, conseqüentemente,
humanas.
Os estudos biológicos acabariam por demonstrar a impossibilidade
de explicar a totalidade dos fenômenos, através dos elementos constituintes.
Facilmente se percebe que também o movimento global do ser humano não
pode ser explicado através dos ossos, das articulações e dos músculos.
(FONSECA, 1988).
Também as teorias da forma (Gestaltismo) não satisfazem a
compreensão e o significado das funções vitais e do movimento humano. O
organismo humano não é uma estrutura ou uma forma; as suas funções são
dependentes e relacionadas por fenômenos originais e irregulares.
(FONSECA, 1988).
FONSECA (1988) ainda afirma que não se pode equacionar o
movimento do homem nos mesmos moldes do movimento de uma máquina,
e, portanto também não aceitamos que a explicação do "educador pelo
movimento" se identifique com a explicação que um engenheiro dá sobre uma
máquina. O movimento humano e, conseqüentemente, o seu estudo genético,
não pode ter uma descrição tão exata e tão processual como o movimento de
uma máquina. O movimento humano não se desenrola independentemente de
seu consciente; o indivíduo quando está em movimento, não é um espectador
desinteressado. O movimento não é exclusivamente objetivo, não é somente
aquilo que se vê, inúmeros outros aspectos escapara à simples observação.
Quando se pretende estudar o movimento como fenômeno de
comportamento, não poderá isolar de outras coisas, pois só assim, justifica-se
como função. O movimento assim encarado engloba e reúne todos os
movimentos expressivos e todas as atitudes significativas. Só assim se pode
47

perceber a inteligibilidade específica das atitudes e dos movimentos do ser


vivo. (FONSECA, 1988).
WEIZAECKER apud FONSECA (1988) esclarece muito bem este
ponto quando afirma:

"...Assim como não podemos fazer uma fisiologia


completa das sensações, sem conhecer as percepções sensíveis,
também não podemos construir uma fisiologia completa do
movimento sem conhecer a intenção do movimento". (1998:92).

É esta a intenção que dá ao movimento o conteúdo de consciência.


Pode-se ignorar a consciência do animal que salta, mas não se ignorar a
intenção do homem ao movimentar-se. Neste limitado estudo sobre a gênese
da PSICOMOTRICIDADE, deseja-se evitar a fixação de conceitos ou a
adoção de uma linguagem finalista, última ou exclusiva. Pretende-se saber
aquilo que o ser vivo pode fazer (em termos de movimento, claro) e não como
o ser vivo faz. (FONSECA, 1988).
Além da base epistemológica da PSICOMOTRICIDADE,
consubstanciada no enriquecimento científico, dado pela neurofisiologia, pela
reflexologia, pela dinâmica da psicologia profunda e mais recentemente pela
psicologia social, pela dinâmica de grupo e pelos problemas relacionais, o seu
campo de investigação ainda se encentra pouco explorado. Se juntar ao estudo
epistemológico um estudo histórico da noção da PSICOMOTRICIDADE,
vamos encontrar um significado diferente, mas ao mesmo tempo, mais amplo.
(FONSECA, 1988).
Como afirmou FONSECA (1988), o indivíduo nasce somente com
as condições anátomo-fisiológicas dos seus reflexos. O equilíbrio orgânico
passa sucessivamente a sofrer uma modificação em evolução, provocada pela
resistência que o meio oferece, pelo seu riquíssimo potencial estimulador que,
passando através do como do indivíduo, por meio de sua estruturação motora,
48

inicia superior organização do sistema nervoso, especificamente o cérebro


(órgão mais organizado do organismo).
O organismo assume outra constante atualização de possibilidade e
capacidades através dos estímulos que o meio contém. O meio, ao solicitar do
organismo outra melodia adaptativa, promove no indivíduo uma harmonia de
crescimento, traduzida numa atividade sucessivamente condicionada. À
medida em que se observa a evolução, o pólo psicomotor liberta-se do pólo
orgânico, progredindo por estruturações próprias onde o envolvimento social
intervém profundamente, garantindo em termos dialéticos, uma conquista de
autonomia e de cooperação. (FONSECA, 1988).
Para FONSECA (1988), neste desenvolvimento surgem três tipos de
fatos que o condicionam: O primeiro, psicofisiológico, relacionados com os
problemas da aprendizagem e do condicionamento; o segundo, psico-afetivo,
relacionado com as motivações profundas e a emocionalidade, e o terceiro,
psicossocial, relacionado com os problemas da imitação-oposição ou
afirmação; portanto, com todas as implicações identificativas de um indivíduo
face ao outro.

2.1.3 – A Clínica Psicomotora

2.1.3.1 – Área de Atuação

A PSICOMOTRICIDADE enquanto ciência vem, desde os seus


primórdios, passando por mudanças fundamentais, no tocante à sua área de
atuação e seu objeto. Historicamente, a reeducação psicomotora é considerada
a precursora baseada no conceito de dualidade psicofísica seguindo o modelo
cartesiano, que surge em 1935 inicialmente com o seguinte plano de
exercícios (LEVIN, 1995):
49

"Reeducar a atividade tônica (com exercícios de atitude,


de equilíbrio e de mímica); melhorar a atividade de relação (com
exercícios de dissociação e coordenação motora com apoio lúdico)
desenvolver o controle motor (com exercícios de inibição para os
instáveis e desinibição para os emotivos)”. (1995: 88).

Segundo OLIVEIRA (1985), em seu início, e durante muito tempo,


a re-educação foi praticada, centrada nos distúrbios apresentados, tendo por
referência as condutas esperadas para cada faixa etária e anotando-se as
aquisições e as deficiências encontradas no exame psicomotor. A partir daí era
estabelecido o programa de reeducação que se orientava por métodos
psicomotores bem definidos, utilizando técnicas que visavam desenvolver o
que faltava: exercícios de destreza, ritmo, relaxamento, grafismo, orientação
espacial e temporal, etc., realizados isoladamente, área por área.
Fica claro, portanto, a fragmentação a qual era submetido o homem,
tendo seu corpo trabalhado em momentos estanques e dissociados. A noção de
"globalidade" era, portanto, desconhecida neste modelo mecanicista de
atuação psicomotora. A educação psicomotora, de que surgiu como uma
corrente pedagógica, também denominada “Psicocinética”, nasceu para suprir
as deficiências e falhas observadas na prática da Educação Física que não
vinha conseguindo realizar com êxito a educação real do corpo.
Para OLIVEIRA (1986), a educação psicomotora vai propor
situações que desafiem à ação, auxiliando a criança na organização e
estruturação de si mesma, na sua socialização e aquisição das linguagens
socializadas e na integração dos conhecimentos de um modo geral. Sem ser
pressionada a atingir um resultado pré-determinado, a criança será levada a
experimentar seu carpo de diferentes formas e confrontar suas descobertas
com a do outro, descobrir suas possibilidades e exercitar sua ação, comunicar
suas experiências e ouvir a do outro, num processo dinâmico e lúdico,
desencadeado pelas propostas do educador.
50

O papel preventivo da Educação Psicomotora, que deve ser uma


prática comum na educação das crianças desde a mais tenra idade, tem,
portanto, funções bem definidas que, segundo OLIVEIRA (1985) propiciam a
descoberta de si e do outro, aquisição de “identidade corporal”,
desenvo1vimento das habilidades psicomotoras, próprias de cada faixa,
desenvolvimento do movimento espontâneo e expressivo, chegando à
representação mental, percepção do mundo e dos objetos de urna forma
estruturada, desenvolvimento da linguagem em todos os aspectos e a
liberação da criatividade e da forma original de ser, própria de cada um.
A terapia psicomotora refere-se particularmente a todos os casos-
problemas nos quais a dimensão afetiva ou relacional parece dominante na
instalação inicial do transtorno psicomotor, afirma LE BOULCH (1982),
percebe-se, portanto, o início da tentativa de quebra do modelo cartesiano,
identificando-se o movimento como indissociado do psíquico e do emocional,
encarando o homem na sua totalidade.
Para OLIVEIRA (1986), a terapia psicomotora é um processo
terapêutico que envolve um engajamento na ação do paciente, criança ou
adulto, respondendo numa linguagem corporal, as manifestações do
inconsciente.
Aqui, o que se prioriza é a relação entre paciente e o terapeuta, que
se estabelece a partir de um diálogo tônico e, a partir de atividades
espontâneas, porém direcionadas permitindo-se então modificações em nível
de inconsciente.
Segundo LEVIN (1995), entretanto, a terapia psicomotora centra o
seu olhar, a partir da comunicação e da expressão do corpo, no intercâmbio e
no vínculo corporal entre a pessoa do terapeuta e a pessoa do paciente em
diálogo de empatia tônica. A passagem da terapia à clínica psicomotora
implica ocupar-se do sujeito e não mais da pessoa, ocupar-se da freqüência e
51

não da empatia, do vínculo ou da comunicação corporal; ocupar-se da


vertente simbólica e não da expressiva, ou seja, implica que se detenha na
estrutura dos transtornos psicomotores e não apenas em seus signos.
Substitui-se, portanto, o “psico" da PSICOMOTRICIDADE, da
psicologia para a psicanálise, determinando-se mais um salto epistemológico,
que sugere urna ruptura total com a dicotomia mente x corpo.
Para LEVIN (1995), portanto, a clínica psicomotora é aquela na
qual o eixo é a transferência e, nesta, o corpo real, imaginário e simbólico é
dado a ver ao olhar do psicomotricistas. O sujeito diz com seu corpo, com sua
motricidade, com seus gestos, e, portanto, espera ser olhado e escutado na
transferência desde um lugar simbólico. Esta concepção de sujeito implica um
corte que o lança a uma dimensão no real, no imaginário e no simbólico.
O campo de atuação da PSICOMOTRICIDADE, portanto,
caracteriza-se por seu direcionamento clínico, que vem se alterando a partir
das modificações teóricas e que, através dessa práxis, vai indicando o
caminho metodológico e ético.

2.2 – HIPERATIVIDADE

2.2.1 – Conceito e Evolução Histórica

É no mínimo pertinente esclarecer ao leitor, a título de “nota


introdutória”, que os conceitos primários sobre a HIPERATIVIDADE
basearam-se na nosologia do pensamento médio, paralelo à observação dos
distúrbios de aprendizagem. A concomitância associativa da
HIPERATIVIDADE aos distúrbios de aprendizagem era marcante e
indissociável na comunidade científica de então, dificultando o diagnóstico
52

diferencial entre ambos, portanto, a contextualização conceitual inicial é


passiva de tolerância, ainda que com inevitáveis ressalvas.
Entre os compêndios literários, ratifica-se copiosamente que já em
1895 faziam-se alusões análogas, ao que, muito depois iríamos conhecermos
por HIPERATIVIDADE. O oftalmogista HINSHELWOOD observou em
seus pacientes adultos que mediante acometimentos cerebrais secundários
(acidentes vasculares cerebrais – AVC’s, tumores e traumatismos),
apresentavam quadros sintomatologicamente semelhantes aos das crianças
inteligentes que apresentavam certas dificuldades acadêmicas, denominando
essa dificuldade como “Cegueira Verbal Congênita”.
Originariamente, a primeira descrição “oficial” sobre a
HIPERATIVIDADE de uma forma mais consistente e plausível, data do
início do século XX, mais especificamente em 1902, embora se saiba que
problemas com comportamento de agitação e falta de atenção em crianças e
adultos fazem referência, há tempos bem mais remotos, como constata
COSTA, onde foram descritas crianças portadoras de uma instabilidade
caracterizada por mobilidade intelectual e física extremas já em 1897, bem
como posteriormente as citadas por VON ECHONOMO acometidas por
encefalite epidêmica, entre 1916 e 1927.
A primeira descrição dessa condição é de primazia do médico inglês
GEORGE FREDERIC STILL, que depois de observar um grupo de 20
crianças excessivamente emocional, desafiadora, passional e agressiva e que
mostram resistência a adequações comportamentais mais aceitáveis.
Estatisticamente falando, havia três meninos para cada menina e um pré-
requisito foi determinado por STILL, a ausência de maus tratos familiares,
naturalmente para substantivamente ratificar a organicidade de sua teoria,
reforçada ainda pela observação de transtornos psiquiátricos (depressão,
53

alcoolismos e problemas de conduta) em alguns membros familiares dos


pacientes hiperativos, até então lesionados cerebralmente.
STILL apud CABRAL (1988) descreve essa manifestação como um
“conjunto de alterações comportamentais, em crianças, que não poderiam
ser explicadas por interferências de fatores externos” (1988:188)
(ambientais), mas sim, resultantes e/ou decorrentes de algum processo
desconhecido até este momento e posteriormente extensivos também aos
adultos.
As teorias de STILL corroboram veementemente em pouco tempo e
com o dizimar das analogias conceituais que faziam menção à doença como
decorrente a uma “falha moral” e que o prognóstico seria baseados em
castigos freqüentes e punições físicas.
STILL apud SUCUPIRA (1988), descreve a HIPERATIVIDADE
em crianças sem nenhuma história pregressa de doenças do sistema nervoso
central, nenhuma lesão cerebral demonstrável e com nível de inteligência
normal. Ainda na segunda década do início do século XX, notadamente em
1918, emerge com vigor nova hipótese, ainda co-relacionada aos distúrbios de
aprendizagem e de comportamento, deixando entrever a possibilidade de um
dano ou “Lesão Cerebral Mínima - LCM” (PINCUS e GLASER, 1966).
Naturalmente, ainda atendendo essa teoria, aos princípios refutáveis aos quais
citamos a princípios, haja vista que essa adjetivação provém do americano
STRAUSS, um médico neurologista e disseminador das práticas ortodoxas,
características daquele tempo.
A tentativa de associar o comportamento hiperativo a uma lesão
cerebral mínima ganha impulso também, após surto epidêmico de encefalite
letárgica nos Estados Unidos ocorrida, entre 1916 e 1927, observada por VON
ECÔNOMO. Pela carência legítima das evidências definitivas e/ou mesmo da
constatação primária da “lesão” propriamente dita, DENHOFF propõem uma
54

adequação conceitual mais apropriada que transmigra da então “Lesão


Cerebral Mínima” para “Disfunção Cerebral Mínima - DCM”, o que ainda
não torna o conceito legitimamente preciso (quiçá será algum dia), contudo
aproxima-o de forma mais plausível dos evidentes sintomas, tais como: hiper-
atividade, atenção, memória, organização e desempenho cognitivo, não
considerado.
SUCUPIRA (1988), compartilhando das adequações semânticas do
conceito de DENHOFF, pois enquanto disfunção, o diagnóstico é mais
facilmente aceito, já que uma lesão, geralmente, tende a se tornar um estigma.
DENHOFF acreditava que o comprometimento neuromotor deveria
ser considerado o denominador comum e o “Distúrbio Hipercinético do
Impulso” (termo também adotado pela Organização Mundial de Saúde –
OMS) caracterizado pela agitação, HIPERATIVIDADE, diminuição
progressiva da atenção, concentração escassa, distração, irritabilidade e
explosividade deveriam ser considerados como componentes
comportamentais. Assim, através destas observações estrutura-se na medicina
o conceito de DCM ou “Síndrome Hipercinética – SH”, mais próximo da
HIPERATIVIDADE propriamente dita.
As mudanças conceituais sucessivas exprimem, antes de tudo, a
falta de critérios e bases sólidas para definição da própria síndrome do que
avanço no seu conhecimento.
As nomenclaturas obscuras, apesar da evolução, ainda se faziam
presente, assim como hoje estamos sujeitos à nova formatação deste conceito.
Passamos de um “dano biológico” que dividia patamar com outras doenças
neurológicas e anátomo-funcionais, como: Síndrome de Down e Paralisia
Cerebral, para a “sublime” alcunha “Disfunção Cerebral Mínima - DCM”
(termo inaugurado entre a década de 30 e 50), desta paralelamente para
55

“Síndrome Hipercinética” até chegarmos em meados da década de 80 aos


termos hoje conhecidos.
Paralelamente A ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA
apud SUCUPIRA (1988), também caracteriza a expressão comportamental da
síndrome como “Reação Hipercinética da Criança - RHC”. O que
contemporaneamente conhecemos por HIPERATIVIDADE decorre não
somente de uma situação/fator isolado, o que nos obriga, pois, na re-
conceituação permanentes, pelos quais liquefazem-se necessárias as devidas
re-paginações históricas dos conteúdos, bem como, da diferenciação entre a
patologia HIPERATIVIDADE que sobrejaz à expressão inacabada da
modernidade, a hiper-atividade.
Em meados da década de 80 duas correntes de estudos caminhavam
paralelamente relatados através de publicações, pelas quais, na primeira, a
HIPERATIVIDADE é discutida como uma “síndrome clínica” (grifo nosso)
apropriada do modelo médico investigativo tradicional, o que difere da
segunda, com apelos focalizados na “identidade clínica” (grifo nosso), ou
seja, sustentados pela pluralidade dos enfoques no sentido primário de
explicar as alterações de comportamento.
Somente em 1995 a hipercinesia ou HIPERATIVIDADE é
considerada na comunidade científica como a “Síndrome do Déficit de
Atenção na Infância e Adolescência – SDAIA”, por crédito de VILANOVA.
A partir da observação desse pensamento e entre a
evolução/involução dos conceitos chegamos a HIPERATIVIDADE como
fator decorrente de um tácito acordo científico, refletido através do que hoje
conhecemos por Transtorno/Distúrbio do Déficit de Atenção e
HIPERATIVIDADE – o popular TDAH ou DDAH, a diferença agora é o
enfoque a HIPERATIVIDADE como expressão multifatorial de outras
inconformidades.
56

É importante ilustrar aqui ao leitor que a terminologia


“HIPERATIVIDADE” é resultante da evolução conceitual dos estudos
epistemológicos sobre esta condição clínica, tendo, ao longo dos tempos,
sendo ordinariamente ilustrada de Cegueira Verbal Congênita
(HINSSHELHOOD, 1895), Lesão Cerebral Mínima – LCM, Disfunção
Cerebral Mínima – DCM, chamada também de Síndrome Hipercinética
(LAUFER, 1957), Síndrome da Criança Hiperativa – SCH, Distúrbio
Primário da Atenção – DPA e Transtorno/Distúrbio do Déficit de Atenção,
com ou sem HIPERATIVIDADE – TDAH/DDAH ou DDA, em inglês
conhecido simplesmente por ADD (Attention Déficit Disorder).
A figura abaixo ilustra a incidência da hiperatividade em alguns
países.

QUADRO DE INCIDÊNCIA DA HIPERATIVIDADE


PERCERTUAL POPULACIONAL
7%
9%

5%

11%

ARGENTINA BRASIL EUA JAPÃO

2.2.2 – Gênese e Etiologia

A comunidade científica motivada pelo interesse geral e na ânsia de


respostas desenvolve estudos e observações intermitentes, com o objetivo
primordial de se mapear a etiologia da patologia, porém, ainda indissolúveis.
As pesquisas buscam atender aos limites cartesianos tradicionais do
pensamento conceitual nosológico (citado no capítulo anterior) e a possível,
identificação de déficit bioquímicos, naturalmente, com a intenção
57

determinista e “simplista” (grifo nosso) de se estabelecer paradigma para a


HIPERATIVIDADE.
Certamente, mesmo permeando uma jornada impregnada de
explicações ortodoxias, as tentativas de explicação etiológica têm
contribuindo para ampliar as discussões a respeito do tema, sobretudo no que
diz respeito à natureza dos fatores envolvidos.
Entretanto, a etiologia da HIPERATIVIDADE, pode ser observada
como sintomas coadjuvantes, o que denominamos aqui de
“HIPERATIVIDADE não-pura”, ou melhor, “pseudo-
HIPERATIVIDADE” posteriormente discutida em capítulo vindouro.
Dentre as hipóteses etiológicas mais aceitáveis estão: as possíveis
influências genéticas (síndrome do X-frágil) e hereditárias, os fatores
psicogênicos e os fatores ambientais. Quanto à fundamentação etiológica da
hipótese genética, a ratificação conceitual ainda é inconsistente pela ausência
de anormalidades cromossômicas que comprovem tal possibilidade fatorial,
ainda assim e neste caso, a HIPERATIVIDADE, sustenta-se de maneira
plausível e indescartável pela grande incidência de casos em que, a
comunidade familiar, dos portadores da “patologia hipercinética”, também
manifestam significativa HIPERATIVIDADE comportamental. Porém é
prudente que evitemos determinismos antecipados, neste caso, pois estas
mesmas expressões comportamentais podem apenas indicar a influência de
temperamento e personalidade, antes mesmo de significar uma patologia
hereditária. Pois, segundo SUCUPIRA: “...Quanto aos fatores orgânicos não
há nenhuma evidência concreta que confirme uma lesão cerebral como causa
da hiperatividade”. (1998:123).
Pelo exposto anteriormente, sobre a incongruência definitiva da
casuística orgânica, é primazia desta pesquisa notificar ao leitor, que mesmo
pela notória observação de quadros patológicos sem comprometimento
58

orgânico, a “catarse psicomotora” (como convencionamos chamar a


HIPERATIVIDADE) também se apresenta como sintomas coadjuvantes,
sobretudo nas lesões cerebrais mínimas comprovadas clinicamente, tais como:
paralisia cerebral, distúrbios convulsivos e determinadas síndromes de retardo
mental (COUTINHO, 1996).
Secundariamente e ainda nessa linha de raciocínio “justificativo” a
HIPERATIVIDADE evolutiva pode ser associada, ou mesmo, decorrente de
fatores externos (ambientais), como: traumas neonatais, distúrbios clínicos,
epilepsia, certos medicamentos, regimes alimentares, intoxicação por
chumbo, infecções tetânicas e uso de substâncias entorpecentes. Essa temática
será explicitada com maior rigor em capítulos finais e específicos nesta
pesquisa.
Outra possibilidade que corrobora paralelamente na intenção
elucidativa dos fatores etiológicos é que a HIPERATIVIDADE pode
também ser compreendida como resultante possível de uma disfunção do
centro de atenção do cérebro, que impede a concentração e controle do nível
de atividade psicomotora e seu planejamento.
Alguns autores intrinsecamente
atravessados pela sua formação atribuem a
HIPERATIVIDADE, como sendo decorrente de
uma desordem na “transmissão sináptica” (ver
ilustração logo abaixo), que KING traduz como “a
propagação de impulsos nervosos de uma célula a
outra”. Isso ocorre em estruturas celulares
especializadas, conhecidas como sinapses. Os impulsos nervosos são
transmitidos nas sinapses através da liberação de substâncias químicas
chamadas neurotransmissores. Uma dessas substâncias moleculares chamada
“Acetilcolina” sintetizada a partir de colina e acetil-CoA, notadamente nos
59

portadores de HIPERATIVIDADE sua produção é estatisticamente superior


em relação comparativa àqueles desprovidos da síndrome.
Conclusivamente, as perspectivas sazonalmente dos trabalhos
científicos sobre a HIPERATIVIDADE ou cartarse psicomotora, encontram
evidências de que sua etiologia é permeada pela condição neurobiológica.
Sendo que os trabalhos podem ser agrupados em duas grandes vertentes, um
que aponto o déficit funcional de certos neurotramissores (explanado
anteriormente) e outro que enfatiza o déficit funcional do lobo central do
cérebro, precisamente do córtex pré-frontal.
A HIPERATIVIDADE resulta de quatro tipos deficientes (atenção,
impulsividade, excitação e frustração/motivação) que podem causar
problemas em casa, na rua e na escola. A HIPERATIVIDADE é melhor
descrita como resultante da inconsistência e da incompetência do que como
resultante do mau comportamento ou desobediência, ainda porque o conceito
caminha definitivamente para caracterizar-se como um transtorno
neurobiológico.

2.2.2.1 – TDAH e Hiperatividade

O Transtorno do Déficit de Atenção – TDAH, ou DDA (Distúrbio


do Déficit de Atenção), como sugerem alguns autores é um distúrbio
eminentemente neurobiológico crônico, quer dizer, de longa periodicidade,
podendo persistir por toda a vida da pessoa, que tem início na infância, que
pode comprometer o funcionamento sócio-educativo-familiar do portador
dessa patologia, e que se caracteriza por três grupos de alterações:
HIPERATIVIDADE, impulsividade e desatenção.
60

O TDAH segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual,


4a. Edição), elaborado pela Associação de Psiquiatria Americana, distingue-se
em três modalidades:
1. Tipo predominantemente desatento (TDAH-D);
2. Tipo predominantemente hiperativo-impulsivo (TDAH-HI);
3. Tipo combinado (TDAH-C).
No primeiro, os sintomas mais alusivos são:
a) Prestar pouca atenção a detalhes e cometer erros por falta de atenção;
b) Dificuldade de se concentrar (tanto nos deveres em sala de aula como
em brincadeiras);
c) Parecer estar prestando atenção em
outras coisas numa conversa;
d) Dificuldades de seguir as instruções
até o fim ou então deixar tarefas e deveres
sem conclusão;
e) Dificuldades de se organizar para fazer
algo ou planejar com antecedência;
f) Resistência ou antipatia para fazer tarefas escolares ou iniciar
atividades que exijam esforço mental por
muito tempo;
g) Perder os mais variados objetos ou
esquecer compromissos;
h) Distrair-se com certa facilidade com
estímulos esternos à sua volta ou mesmo com
seus próprios pensamentos – “sonhadores”;
i) Memória recente insuficiente.
Já na forma hiperativa/impulsiva, o quadro sintomático apresenta-se
através da observação dos fatores abaixo:
61

a) Mover de modo incessante pés e mão quando sentados;


b) Dificuldades em permanecer em situações de espera;
c) Correr e subir em objetos freqüentemente em situações inapropriadas;
d) Dificuldades para manter-se em silêncio em atividades de lazer (jogos
e brincadeiras);
e) Falar alto e em freqüente demasia;
f) Responder perguntas antes mesmo de
serem concluídas;
g) Parecer ser tomada por agitação
“tônica-postural” constante;
h) Incapacidade de aguardar sua vez
em jogos, brincadeiras, filas, sala de aula e etc.;
i) Interromper freqüentemente os outros em suas atividades ou
conversas.
MATTOS (1998), assim com uma gama considerável de autores
mais contemporâneos e co-pesquisadores, atribuem ainda mais um subfator
do TDAH: o tipo residual e em remissão parcial. Este último para os casos
que mostram alguns dos casos citados sem, todavia, satisfazerem os critérios
de desatenção nem mesmo de HIPERATIVIDADE-impulsividade, mas que
apresentam um comportamento funcional em mais de uma área da vida.
Sublinha-se a diferenciação da remissão parcial do TDAH nos
adultos, quando não atingem os critérios mínimos para desatenção nem tão
pouco para HIPERATIVIDADE e impulsividade, mas que necessariamente
os satisfazia no período da infância. Pode-se ratificar aqui, e de acordo com os
substratos fornecidos que esses critérios atendem melhor para o diagnóstico,
isto é, a “impressão diagnóstica” em crianças e adolescentes, enquanto
carecem de uma melhor caracterização no adulto o que naturalmente dificulta
a precisão nessa última faixa etária.
62

A HIPERATIVIDADE também atende a esses critérios “neuro-


conceituais”, ainda que a rigor, seja apreciada apenas como uma expressão do
TDA, como afirma CABRAL:

“A hiperatividade significa apenas o aumento da


atividade motora que também pode se encontrar em diversos
distúrbios, como na esquizofrenia, na fase maníaca do distúrbio
bipolar, em certos quadros ansiosos com agitação e até em certos
casos de reações a determinadas medicações (anti-asmáticas, anti-
alérgicas, etc.), ou em conseqüência de certas doenças físicas,
como o hipertireoidismo, doenças cerebrais)”. (2002:103).

Naturalmente é conveniente a esta altura, intervirmos no


pensamento do autor e esclarecermos justamente à luz das considerações
dominantes a que a medicina de uma maneira geral ratifica, que as
comorbidades acima descritas podem sim desenvolver um quadro sindrômico
e somatologicamente de HIPERATIVIDADE, porém é pertinente salientar
que a HIPERATIVIDADE não pode ser tratada “apenas” como “um
aumento da atividade motora”, ela transpõe essa visão simplista. O quadro
clínico do paciente portador de TDAH deve ser analisado sob a luz criteriosa
de três aspectos distintos: a atenção, o controle do impulso/instabilidade e a
atividade motora.
Segundo BALLONE, para o entendimento da atenção é necessário
a revisão do conceito de vigilância e de tenacidade. A vigilância é tão
somente, “...a possibilidade de desviar a atenção para um novo objeto,
especialmente para um estímulo do meio exterior”. Já a tenacidade, pode ser
descrita como: “propriedade de manter a atenção orientada de modo
permanente em determinado sentido”. Apresentam-se aqui, essas duas
qualidades, geralmente em contraposição, ou seja, o quadro antagônico é bem
acentuado, “quanto mais tenacidade sobre um determinado objeto está se
63

dedicando, menos vigilância estamos em relação a eventuais estímulos a


serem apreendido”.
As alterações no déficit de atenção manifestam-se através de sinais
comportamentais extremamente visíveis, ainda que esses sinais apareçam em
pessoas sem a patologia, fica evidente nos portadores de TDAH o exagero.
Geralmente as pessoas portadoras de TDAH não cometem erros por puro
descuido, não se prendem a detalhes, são extremamente negligentes com suas
responsabilidades escolares, no trabalho ou em outras atividades, bem como:
a) Mostram dificuldade em atividades que exijam uma atenção
prolongada e contínua, tais como: tarefas e jogos;
b) Apresentam dificuldade na manutenção da atenção em relação à fala
das outras pessoas;
c) A ausência de persistência, não completam tarefas, não obedecem a
instruções passo a passo e não completam deveres, ou tarefas profissionais
por impaciência;
d) Apresentam estilo de vida desorganizado, geralmente as atividades
econômicas são permeadas pela
dificuldade de controlar talões de
cheques, cartões de crédito, contas e etc.;
e) A prática da perda de objetos ou
pertences, como chaves, celulares, óculos
e canetas fazem-se comuns;
f) Estímulos de qualquer natureza
desviam a atenção dos portadores de TDA que relutam a envolverem-se em
tarefas que exijam esforças mentais prolongados, tais como atividades
escolares e trabalhos caseiros;
g) Freqüentemente mudam de atividade, sem que para isso tenha
terminado a anterior;
64

h) São característicos os freqüentes atrasos aos compromissos;


i) Ocasionalmente sofrem da ocorrência de “brancos” em leituras,
conversas ou palestras.
Outras características:
• Caligrafia ruim;
• Dificuldade de coordenação;
• Dificuldades no adormecer e no despertar (adormecer e
despertar tardios);
• Hiper-sensibilidade a ruídos e ao tato;
• Síndromes pré-menstruais acentuadas;
• Dificuldade de orientação espacial;
• Deficiência na avaliação do tempo.

2.2.2.2 – Hiperatividade X Instabilidade Psicomotora

Não é muito raro, no meio acadêmica e na literatura em geral, a


obscuridade conceitual e os equívocos quase sempre freqüentes a que se
atribuí à instabilidade psicomotora, por vezes confundida com a própria
HIPERATIVIDADE, contudo é imprescindível que se entenda que a termo
“instabilidade psicomotora” reside no ato ou efeito expressivo de manifestar-
se impulsivamente, como uma “força que atua como motivo3”, ou seja,
podemos aqui interpretar essa condição, como uma resposta motora através da
prescrição psíquica, automática e imediatamente a um estímulo.
Clinicamente falando, as pessoas com instabilidade psicomotora
são dotadas de reações súbitas, pelas quais respondem ou mesmo agem e
reagem sem pensar, apenas depois refletindo sobre essa ação. Também é

3
Definição retirada do Dicionário MICHAELLIS.
65

freqüente o hábito de responder perguntas inacabadas, porém, a característica


mais genérica, podemos situar assim, faz-se através da impaciência e da
dificuldade extrema de esperar. As crianças com essas características, por
vezes, não conseguem esperar sua vez nas brincadeiras e dificilmente
obedecem a filas, assim como nos adultos, essa condição pode acarretar
problemas sociais graves, tais como: dirigir perigosamente, pois como não
conseguem permanecer em situações de espera, geralmente fazem
ultrapassagens perigosas, correm em demasia e quase sempre avançam sinais.
A impulsividade também se traduz através do comer, comprar e tomar
decisões por impulso.
O importante aqui para dirimir quaisquer dúvidas sobre a
impulsividade em relações aos outros distúrbios é a temporalidade das
reações, ou seja, crianças e adultos impulsivos com facilidade reagem aos
estímulos subitamente e com certa explosividade, dizem-lhe o que vem à
cabeça, mas caracteristicamente essa reação passa quase que
instantaneamente, antecipando assim o arrependimento, o que a princípio em
outros distúrbios os ressentimentos duram horas e até mesmo, dias.
Dentro de uma contextualização social os impulsivos, pela ausência
reflexiva de suas reações, são pejorativamente adjetivados como “infantis” –
no caso dos adultos. Naturalmente essa taxativa simplista e típica do senso
comum, poderia ser evitada precocemente através da intervenção adequada da
comunidade escolar a princípio. Diante mão, revela-se aqui a importação da
educação como instrumento frenador no processo de inibição das respostas
imediatas.
A instabilidade psicomotora: “uma certa maneira de articular
postura e motricidade, a partir do momento em que a criança está sob o
olhar do outro, e tentando levar em conta a “imagem”que ela dá a seu
próprio olhar”, o que difere da “Debilidade Psicomotora” (grifo nosso) que
66

nada mais é que “um processo de interrupção, do desenvolvimento das


funções motoras e mais precisamente do sistema piramidal”. (BERGÉS apud
LEVIN 1999:47).

Alguns sintomas de instabilidade através dos transtornos


psicomotores:

 Dificuldade em dar continuidade às brincadeiras e às produções


corporais;

 Dificuldade para inibir movimentos;

 Necessidade de estar sempre em movimento;

 Atitudes expansivas e explosivas;

 Inquietações e agitação;

 Incapacidade para relaxar e permanecer quietas;

 Descontrole emocional e neuro-vegetativos (sudorese nas mãos,


dores de barriga, vontade de urinar., rubor...);

 Tiques (involuntário, súbito, rápido e repetitivo). Existe nos


tiques um período de "luta", de controle doloroso, seguido de
uma explosão "libertadora" do movimento, que se transforma em
fonte de constrangimento;

 Paratonias (impossibilidade de relaxar voluntariamente um


músculo);

Paratonia de fundo: refere-se ao tônus global, e pode ser


evidenciada através de mobilizações passivas (tipicamente mexe nos braços
do paciente e este deverá deixá-los bem relaxados), o que se observa é uma
67

resistência permanente ao movimento, ou seja, não existe uma disponibilidade


à movimentação passiva.

Paratonia de ação: surge também a partir de uma movimentação


passiva, só que movimentos de uma certa amplitude, não aparece no início do
movimento e sim no seu decorrer, interrupções, um refreamento brusco,
definitivo ou transitório.

 Sincinesias intensas, difusas e de instalações rápidas;

 Atividades desordenadas;

 Atenção dispersa, ocasionando alterações perceptivas;


dificuldade para focalizar a atenção;

 Eficiência/deficiente durante trabalhos prolongados;

 Nível mental normal.

 Alterações das relações interpessoais;

Em alguns casos com alto nível de hiperatividade, transtornos do


sono e da atenção, considera-se uma indicação medicamentosa baseada no
uso de anfetaminas e psicotônicos, que deve ser dada pelo médico consultado
pela família.

A relação estreita entre a HIPERATIVIDADE e instabilidade


psicomotora, faz-se diante da associação direta e quase sempre incidente da
expressividade de ambas, isto é, podemos aqui representar (ainda que sob o
risco da elucubração) que “todo portador de hiperatividade tende a ser
instável psicomotor, porém nem todo instável psicomotor é necessariamente
hiperativo” (grifo nosso) ainda que esta última esteja intimamente ligada à
primeira, o que difere da debilidade psicomotora onde DUPRÈ já em 1907,
68

diferencia contundentemente o transtorno psicomotor do orgânico


propriamente característico, através da detecção das sincinesias e das
paratonias.

2.2.3 – Características Clínicas e Sintomatológicas

Segundo GOLDSTEIN & GOLDSTEIN (1994:41): “A


hiperatividade se manifesta através de quatro características e
comportamento”:
a) Distractibilidade / desatenção;
b) Hiperexcitação / atividades excessivas;
c) Instabilidade psicomotora;
d) Dificuldade com frustrações.
A apropriação dessas quatro “habilidades” implica de forma
significativa, comprometimento na capacidade para suceder a patamares
elaborados no limiar da realidade.
SUCUPIRA (1988), caracteriza no modelo clínico, o paciente
portador de HIPERATIVIDADE, como sendo o “personagem” que
apresenta um conjunto fatorial de comportamento variável, tais como:
movimentação excessiva e totalmente despropositada, desatenção,
instabilidade psicomotora agressividade difusa e não justificada e etc.,
geralmente seguida de problemas disciplinares, imperativamente seguido de
problemas de aprendizagem, ainda que sempre presente o nível mediano e
superior de inteligência. AJURIAGUERRA (1947), suscita à ligação
involutiva e direta da HIPERATIVIDADE nas esferas cognitivas,
proprioceptivas e afetivas, ainda que a descrevendo como incapacidade
congênita, visiomotora, maturação retardada ou irregular, associados a
69

movimentos exagerados, o que diuturnamente não se permite mais na


atualidade elucubrações de tal ordem físio-anatômica.
Em âmbito mais generalizado, a discussão sobre o assunto, pode
tomar dimensões emocionais consideráveis e comportamentos anti-sociais.
Assim, para alguns autores, a HIPERATIVIDADE e a instabilidade
psicomotora, associadas aos subfatores (porém não menos decisivos)
ratificam a DMC.
As características clínicas, bem como os critérios diagnósticos da
síndrome têm sofrido modificações, como afirma VILANOVA (1995). Ë
simplesmente impreterível que existam indivíduos, que já na mais tenra idade
manifestem dificuldades em manter o foco do seu interesse em atividade
determinada, mesmo de forma lúdica. Na pré-escola ou na fase escolar, estas
características são mais evidentes, pois a criança não consegue direcionar, ou
mesmo, manter sua atenção ao que lhe é ensinado, distraindo-se com qualquer
tipo de estímulo ambiental, podendo ainda, esses fatores se perpetuarem por
toda infância, adolescência e vida adulta. Assim, a título de reformo, a
HIPERATIVIDADE apresentada está proporcionalmente ligada aos
resultados e desempenhos escolares (positivos e negativos), ainda que
referencialmente sua cognição esteja dentre a média considerável ou muitas
vezes, acima dela.
A característica mais emblemática da HIPERATIVIDADE, como
a própria denominação alude, é a da constante tendência ao movimento, é o
sinal clínico mais freqüente e exuberante associado à síndrome do déficit de
atenção. Além dessas notórias evidências, outros sintomas podem expressar
evidências, tais como inabilidade e debilidade psicomotoras (recebendo por
essa conduta o estigma de desajeitadas ou desastradas). Podem paralelamente
apresentar dislalias associadas, ou de uma maneira mais simplista, um
desenvolvimento tardio da fala, ainda também um aumento no ritmo da fala
70

(especialmente um ritmo acelerado) caracterizando a taquilalia. Sobretudo


também apresentam labilidade emocional e dificuldades de internalizar
limites, principalmente em pacientes do sexo masculino, numa proporção de 4
x 1, ou seja, a cada ocorrência em número de quatro, apenas um caso atinge o
sexo feminino.
Associado a inabilidade psicomotora, os indivíduos acometidos
pela síndrome da HIPERATIVIDADE, apresentam inadequação no
desenvolvimento da noção espaço-temporal, que pode ser evidenciado através
da leitura de desenhos ou pela inabilidade no reconhecimento de símbolos
gráficos semelhantes entre si, que se diferenciam apenas pela disposição
espacial (por exemplo, com o número 3 e a letra E, ou a letra b, p, q e d).
Estas funções são difíceis de serem apropriadas pelos portadores da síndrome
de déficit de atenção com HIPERATIVIDADE, pois ao contrário do que se
espera, a grande maioria dos familiares e professores, passam uma gama de
tempo muito grande, reprimindo e estigmatizando as ações dos acometidos
pela síndrome.
Dentre os neurologistas, neuropediatras, psicólogos clínicos e
educacionais, psicopedagogos e psicomotricistas, há uma consenso geral no
que diz respeito à dificuldade real na avaliação da HIPERATIVIDADE,
sendo considerada a mais difícil abordagem a ser enfrentada.

2.2.3.1 – Crianças e Adultos Hiperativos

Através da caracterização comportamental da


HIPERATIVIDADE, as justificativas são mais tolerantes em relação ao
estresse gerado na família desses pacientes (o que chamaremos a partir desse
momento de: para-pacientes4), pois juntamente e em conformidade com
4

Adequação semântica, ainda pela convenção temática.


71

estudos realizados, a família é quadro determinante, ou mesmo, condicionante


na co-responsabilidade da patologia, assim como, em seu tratamento, pois
geralmente a HIPERATIVIDADE está associada à genética de casos
precedentes e quase sempre ligados diretamente ao portador da síndrome.

Durante muito tempo, falar em "habitantes do mundo da lua" e


"bichos carpinteiros" imediatamente nos fazia lembrar daquelas figurinhas
que, merecedoras deste ou daquele apelido, incomodavam nossas vidas. Essas
crianças, que sabemos hoje serem portadoras de HIPERATIVIDADE, têm
dificuldade em controlar sua atenção, sua impulsividade e sua
HIPERATIVIDADE. Segundo o psiquiatra RUSSELL BARKLEY, uma das
maiores autoridades americanas em HIPERATIVIDADE:

"A atividade cerebral que comanda a inibição do


comportamento, a auto-organização, o autocontrole e a habilidade
de inferir o futuro está prejudicada por um metabolismo deficiente
dos neurotransmissores, levando à incapacidade de administrar
eficazmente os aspectos críticos do dia a dia" (1995:201).

Pensando desta maneira, veremos que essa definição tanto pode se


referir a crianças como a adultos, e é exatamente essa a conscientização que
vem ocorrendo nas últimas décadas.

A partir dos anos 70, os cientistas começaram a perceber que a


HIPERATIVIDADE não desaparecia com a adolescência. Na realidade, 70%
das crianças diagnosticadas com o transtorno carregam os sintomas para a
vida adulta (CHADD, 2000). Freqüentemente, os sintomas básicos -
desatenção, impulsividade, HIPERATIVIDADE - acabam se tornando
menores e menos sérios do que os problemas causados por falta de
diagnóstico e tratamento na infância ou adolescência. Em adultos com a
síndrome da HIPERATIVIDADE, é bastante comum a instabilidade de
72

humor, problemas no trabalho, dificuldades nas relações interpessoais,


depressão, abuso de substâncias químicas e comportamento de risco como
decorrência das dificuldades originadas por esse transtorno, gerando sérias
dificuldades em outros campos, tais como:

As Relações Interpessoais: Entre os vários problemas de origem


neurológica ou psiquiátrica, é possível que a HIPERATIVIDADE seja o que
mais ocasione dificuldades no relacionamento sócio-afetivo. A incapacidade
fundamental de prestar atenção leva a um comportamento considerado
tipicamente masculino: não ouvir, não perceber os sentimentos dos outros,
não lembrar de acontecimentos ou datas importantes, não lembrar de fazer os
pequenos trabalhos da casa, esquecer o horário da festa das crianças etc. Essa
atitude pode parecer falta de amor e consideração. Juntando-se a isso uma
certa dificuldade em estabelecer intimidade, pois a HIPERATIVIDADE
impede de engajar tempo suficiente para criar essa intimidade, temos um
adulto com HIPERATIVIDADE facilmente rotulado de frio, insensível e
egoísta, características nada desejadas em um relacionamento amoroso. A
impulsividade contribui para dificultar ainda mais a situação, com decisões
tomadas sem consulta à companheira, "cabeça quente" e grande rotatividade
no trabalho profissional. No lado feminino, as queixas se referem ao
constante "sonhar acordada", depressão e frustração em nunca conseguir
desenvolver seu próprio potencial, além da sensação permanente de estar
presa numa armadilha (HALLOWELL E RATEY, 1994).

Como, em ambos os casos, esses sintomas são comuns à vida de


todo e qualquer casal, poucas pessoas levam em consideração a possibilidade
da HIPERATIVIDADE estar na base do problema de um casamento em
dificuldade. Freqüentemente, podem levá-las à beira do divórcio. Mesmo que
o transtorno possa abalar a intimidade de uma relação e deixar os parceiros
73

exaustos com o esforço de mantê-la, é possível equilibrar a situação de modo


que ambos possam trabalhar juntos, ao invés de estar, constantemente, um
contra o outro.

O Relacionamento Sexual: A maioria das pessoas não percebe o


impacto que a HIPERATIVIDADE tem sobre a vida sexual de um casal. Ele
pode ser extremamente negativo, e tem origem em dois fatores totalmente
opostos um ao outro: a “hiposexualidade” e a “hipersexualidade”. O parceiro
portador tanto pode exibir distração durante os momentos de intimidade, por
razões tão prosaicas como o som do relógio na mesinha de cabeceira ou a lista
de compras do dia seguinte, como ficar extremamente envolvido por uma
atividade sexual excessiva. O problema dos que se encaixam no primeiro
grupo não está na ausência de prazer ou interesse em relação ao sexo, mas na
dificuldade de ficar focado enquanto o praticam, assim como têm dificuldade
de permanecer focalizados em qualquer outra atividade da sua vida diária.
Não lhes falta libido nem motivação, nem podem ser classificados de
"frígidos" ou "assexuados". Os que estão do outro lado deste espectro
encaram sexo como mais uma situação altamente estimuladora, semelhante,
talvez, à prática de um esporte radical. É a sua maneira de aliviar o tédio ou
de focalizar a atenção. De certo modo, para essas pessoas, o sexo tem um
papel igual ao álcool, ao fumo e às drogas quando utilizados
inconscientemente como auto-medicação. Ambos os casos reagem de maneira
significativa a um tratamento adequado. Uma relação afetiva que envolve um
ou ambos os parceiros com HIPERATIVIDADE exige boas doses de
coragem, vontade de aprender, flexibilidade e compromisso. Mais do que em
qualquer outra relação, é preciso olhar e refletir sobre as razões que uniram o
casal em primeiro lugar. Ao invés de manter uma lista de sintomas do
companheiro, lembrar das qualidades responsáveis pela atração e mantê-las
vivas na mente. Dessa maneira, um homem e uma mulher ligados por algo
74

mais do que a HIPERATIVIDADE não permitirão que as dificuldades da


condição enfraqueçam ou destruam seu relacionamento

Hiperatividade e Atividade Profissional: Os prejuízos decorrentes


de todos esses sintomas vão desde os mais leves até os mais graves, com
conseqüências no funcionamento diário da vida
pessoal, acadêmica, social e profissional. Os
sintomas da HIPERATIVIDADE podem ocorrer
simultaneamente com outras doenças e/ou
estressores ambientais, de modo que é importante
não depender de auto-diagnóstico, mas procurar um
profissional qualificado e experiente que saiba como
fazer uma avaliação abrangente e adequada (Brown, 2000). Uma entrevista
para diagnóstico tem como objetivo identificar as três características básicas
do transtorno - distraibilidade,
impulsividade, HIPERATIVIDADE -
e verificar se elas são crônicas e
invasivas. Não deve ser breve nem
superficial.

As dificuldades encontradas
por um portador de HIPERATIVIDADE no trabalho são, provavelmente, as
mesmas com que lutou durante os anos escolares. Muitas das tarefas que deve
cumprir são iguais às de então: ler, escrever, planejar, calcular, organizar,
escutar, memorizar e lembrar. Hoje em dia, os empregos que não exigem tais
habilidades estão ficando cada vez mais raros, em função do desenvolvimento
tecnológico, e a importância dessas habilidades cognitivas aumenta a cada
dia.
75

Felizmente, ao contrário da escola, o mercado de trabalho é amplo,


o suficiente para possibilitar, escolhas que levem em consideração os pontos
fortes, as dificuldades, os interesses e a motivação de cada um. Lado a lado
com essa extensa gama de opções, um jovem adulto com
HIPERATIVIDADE também se depara com desafios bastante significativos.
A responsabilidade de "manejar" a dificuldade não é mais dos pais,
professores ou outros, é dele próprio. É crucial que assuma inteiramente o
trabalho de controlar seus padrões de comportamento e de encontrar as
acomodações necessárias para o sucesso profissional.

Os especialistas nem sempre concordam sobre o melhor caminho


profissional para portadores de HIPERATIVIDADE. Alguns sugerem
atividades que permitam o máximo de liberdade, outros falam em carreiras
com alto nível de estímulo, como piloto, bombeiro, atleta radical. No entanto,
é possível perceber que eles estão em quase todos os campos de trabalho,
desde informática, ensino, direito até foto-jornalismo, publicidade e exército.
O ponto importante, na verdade, é descobrir, quais são as características, que
fazem determinado emprego certo ou absolutamente errado para determinada
pessoa. O "X" da questão é encontrar a ocupação mais compatível dentro da
carreira de escolha. Para isso, é preciso analisar seus próprios interesses, seu
tipo de personalidade, suas habilidades, suas dificuldades e seu nível de
treinamento. Não basta sentir vontade de seguir este ou aquele caminho, é
necessário pensar nas possíveis armadilhas que a HIPERATIVIDADE pode
provocar em determinada área. E é necessário pensar antes se comprometer
com um emprego, para minimizar ou evitar futuros problemas.

A maioria dessas armadilhas parece saída de uma lista de sintomas


de HIPERATIVIDADE (NADEAU, 1997):
76

1 - Distraibilidade: pode ser causada tanto por fatores externos


(ambientais) como internos (uma mente que vaga);

2 - Impulsividade: não pensar antes de agir;

3 - HIPERATIVIDADE: os empregos sedentários são pouco


recomendados para portadores que costumam levantar, passear, sair
freqüentemente do lugar;

4 - Problemas de memória: o esquecimento é um problema rotineiro


de adultos com HIPERATIVIDADE, e está diretamente ligado ao
nível de pressão ou complexidade do dia;

5 - Tédio: alguns adultos não suportam a falta de estímulo contínuo,


e se aborrecem com facilidade;

6 - Problemas com o controle do tempo: que podem se manifestar


através de atrasos freqüentes, obsessão com o horário ou em
comprometer-se com mais coisas do que é possível fazer;

7 - Procrastinação: freqüentemente, um problema muito sério para


os portadores;

8 - Dificuldades com projetos em longo prazo: relacionados com


alguns dos fatores já enumerados, como controle do tempo,
tendência à procrastinação e dificuldades com planejamento e
organização;

9 - Trabalho burocrático: requer organização, auto-disciplina e


atenção a detalhes, habilidades tipicamente difíceis para adultos
com HIPERATIVIDADE;
77

10 - Dificuldade de inter-relação: conseqüência de falhas básicas no


processo de socialização, muitas delas decorrentes da dificuldade de
atenção e HIPERATIVIDADE próprias do transtorno.

A maioria dos hábitos que aprendemos para viver bem na


companhia dos outros são aprendidos durante os anos da Educação Infantil
(NOVOTNI,1999).

Parece simples e óbvio que adultos pratiquem esses hábitos


naturalmente, mas na realidade, portadores de HIPERATIVIDADE têm
dificuldade em seguir as regras sociais. Primeiro, porque elas não são escritas,
são regras supostamente conhecidas. E se alguém não prestou atenção quando
elas foram explicadas naqueles primeiros anos? Ou estava distraído quando
foi feita a distinção entre um comportamento aceitável e outro não? Ou se a
regra é conhecida, mas a impulsividade faz com que se fique cansado de
esperar?

Outros comportamentos importantes na interação entre as pessoas


incluem a linguagem verbal (o que se diz, adequado a momento e
circunstância) e a linguagem não verbal (contato visual, expressões faciais,
movimentos de cabeça e mãos). As habilidades da comunicação não verbal
são adquiridas, principalmente, através de aprendizagem incidental, isto é,
observando os outros, copiando seu comportamento, praticando e sendo
instruído a respeito do que fazer em determinadas situações. Crianças com
HIPERATIVIDADE não percebem determinados detalhes, de maneira que
não praticam essas atitudes e, quando aprendem alguma coisa, é através da
maneira mais difícil e sofrida. Pior que tudo, muitas vezes nem têm
consciência do que está errado. É o que se pode chamar de "falta de
desconfiômetro", muito comum em adultos hiperativos, que já cristalizaram
78

essa característica. É fácil imaginar os problemas que ela acarreta na área


profissional.

Como afirma a psicóloga MARIA CRISTINA BROMBERG, o


trabalho ideal não existe, não há emprego que não demande esforço ou ajustes
da parte de qualquer profissional. É possível escolher o emprego mais
favorável para a condição, mas haverá sempre a necessidade de adaptações,
compreensão das próprias dificuldades e a consciência de saber quando pedir
ajuda.

2.2.4 – Diagnóstico

A síndrome da HIPERATIVIDADE tem sido reconhecida há


muito tempo; no entanto, os aspectos de diagnóstico têm sido sujeitos a
numerosas conceituações, redefinições e renomeações, apresentando um
panorama abrangente e pouco esclarecedor.

Quando se fala em diagnóstico, existe um consenso geral da


comunidade médica e científica, bem como entre a maioria dos autores,
baseado fundamentalmente na avaliação clínica, sendo naturalmente
fundamentado pelo histórico detalhado (anamnese), com ênfase especial ao
período escolar. Em 1980, o Manual de Diagnóstico e Estatística de
Distúrbios Mentais (DSM-III; APA, 1980) forneceu a primeira definição
detalhada do diagnóstico da HIPERATIVIDADE. Na época da publicação, o
entendimento da criança hiperativa foi influenciado pelo trabalho de
DOUGLAS (1972), que focalizava os tipos de problemas de atenção
apresentados pela criança hiperativa e estabelecia primazia ao comportamento
de desatenção sobre a movimentação motora, para o diagnóstico de
79

HIPERATIVIDADE. Conseqüentemente, estabeleceu-se o termo "distúrbio


de déficit de atenção" (FRICK e LAHEY, 1991).

A definição do distúrbio de déficit de atenção com


HIPERATIVIDADE (ADD), no DSM-III, foi a primeira a usar a
conceitualização multidimensional, exigindo, que a criança com
HIPERATIVIDADE fosse classificada em cada uma das áreas primárias:
desatenção, impulsividade e HIPERATIVIDADE. Em adição, o DSM-III foi
o primeiro sistema a distinguir a criança com déficit de atenção e
impulsividade com HIPERATIVIDADE (ADDH) daquela com déficit de
atenção sem HIPERATIVIDADE (ADD / WO). A inclusão da ADD / WO
foi prevista por se hipotetizar que o déficit de atenção e impulsividade sem
super-atividade delineava uma síndrome distinta. O diagnóstico do déficit da
atenção com HIPERATIVIDADE (ADDH) baseou-se na ocorrência do
desenvolvimento impróprio da super-atividade, do déficit de atenção e de
impulsividade durante seis meses, no mínimo. Estes sintomas deveriam
ocorrer pela primeira vez antes dos 7 (sete) anos de idade (LAHEY et al.,
1990; FRICK e LAHEY, 1991).

Infelizmente, antes da realização de testes empíricos adequados à


definição do DSM-III, publicou-se o DSM-III-R (APA, 1987), que foi
substituído pelo DSM-IV (1994). A nova categoria, do DSM-III-R,
denominada "distúrbio de déficit de atenção por HIPERATIVIDADE"
(ADHD), eliminou a distinção entre as três dimensões dos sintomas
empregados no DSM-III (desatenção, impulsividade e HIPERATIVIDADE),
propondo uma definição unidimensional, ou seja, uma criança é considerada
com ADHD se manifesta oito ou mais sintomas de uma lista de quatorze
comportamentos que refletem impulsividade, desatenção e
HIPERATIVIDADE motora. O critério do diagnóstico do ADHD (314.01;
p.52), segundo o DSM-III-R, apresenta as seguintes observações:
80

a) Considera-se apenas o comportamento, como indicativo da síndrome,


se o mesmo for mais freqüente na criança em questão, comparativamente à
outra da mesma idade mental;

b) Dos quatorze comportamentos arrolados abaixo, no mínimo oito deles


devem ter se manifestado por, pelo menos, seis meses.

1. Freqüentemente irrequieta com as mãos ou os pés ou contorções no


assento (nos adolescentes, pode ser limitado a sentimentos subjetivos de
impaciência).

2. Tem dificuldade de permanecer sentada quando requerido que o faça.

3. É facilmente distraída por estímulo exterior.

4. Tem dificuldade de esperar por sua vez nos jogos ou situações de


grupo.

5. Freqüentemente dá respostas precipitadas, antes mesmo da pergunta


ter sido finalizada.

6. Tem dificuldade em seguir


instruções (não devido a um
comportamento de oposição ou de
compreensão das mesmas); por
exemplo, falha em terminar as tarefas
de casa que lhe são propostas.

7. Tem dificuldade de manter a atenção nas tarefas ou nas atividades de


jogo.

8. Freqüentemente alterna de uma atividade não terminada à outra.

9. Tem dificuldade de brincar silenciosamente.


81

10. Com freqüência fala excessivamente.

11. Freqüentemente se intromete ou interrompe outros, por exemplo,


intromete-se nos jogos de outras crianças.

12. Freqüentemente parece não ouvir o que está lhe sendo dito.

13. Com freqüência perde os materiais necessários à realização de tarefas


ou de atividades na escola ou em casa (por exemplo: brinquedos, lápis, livros,
lição de casa).

14. Freqüentemente se ocupa em atividades fisicamente perigosas sem


considerar possíveis conseqüências (não com propósito de buscar emoções),
por exemplo, correr para a rua sem olhar.

O DSM-III-R criou duas novas categorias de HIPERATIVIDADE:

1. uma caracterizada por HIPERATIVIDADE e impulsividade sem


desatenção;

2. outra, caracterizada por desatenção e HIPERATIVIDADE sem


impulsividade.

Conseqüentemente, a ADHD é mais inclusiva do que a ADDH do


DSM-III (LAHEY et al., 1990; LAHEY e KARLSON, 1991); algumas
crianças que se encontram diagnosticadas como ADDH não serão, ao mesmo
tempo, agrupadas no ADHD, porque alguns sintomas foram tirados do DSM-
III-R, enquanto que outros foram acrescentados, como, por exemplo, "a
hiperatividade pode ser mostrada pela fala excessiva..." (APA, 1987: 58).

Os comportamentos estão distribuídos em três dimensões, ou seja,


desatenção, impulsividade e HIPERATIVIDADE, em relação ao DSM-IV
(APA, 1994) comparativamente ao DSM-III-R, no qual as mesmas não estão
claramente estabelecidas. Na dimensão HIPERATIVIDADE, no DSM-IV,
82

foram considerados os itens (1), (9) e (10) do DSM-III-R e acrescentados os


comportamentos:

• freqüentemente se levanta na sala de aula ou em outras situações


nas quais deveria permanecer sentado;

• com freqüência e excessivamente corre de um lado para outro


em situações impróprias (nos adolescentes ou adultos pode ser
decorrente de sentimentos subjetivos de agitação);

• parece estar, freqüentemente, "ligada" e é descrita como "com o


motor ligado".

Os sintomas acima mencionados, como no DSM-III-R, devem estar


presentes antes dos 7 (sete) anos de idade, e pelo menos por seis meses, sendo
que os mesmos precisam manifestar-se em duas ou mais situações; por
exemplo: na escola (ou no trabalho) e em casa, devendo naturalmente seguir
os critérios aqui sugeridos pelo organograma ilustrativo (abaixo). Na
dimensão impulsividade foram considerados os comportamentos (4), (5) e
(11). No entanto, observa-se que no DSM-IV o diagnóstico da
HIPERATIVIDADE não está bem estabelecido, considerando que os
comportamentos entre as dimensões HIPERATIVIDADE e impulsividade se
interpenetram. Para o diagnóstico de ambas as dimensões, necessitam-se de,
pelo menos, seis ou mais dos nove comportamentos arrolados, sendo seis na
dimensão HIPERATIVIDADE e três na impulsividade (instabilidade
psicomotora). Cabe lembrar, que a HIPERATIVIDADE não impede de
forma absoluta a concentração, assim é que certas pessoas são capazes de um
bom desempenho na área profissional, devido ao interesse pela atividade que
realizam, mas em todos os outros momentos, a atenção falha desastrosamente.
Também cabe lembrar que como qualquer outro distúrbio, existe a
83

possibilidade de uma gama variável de intensidade no quadro clínico, indo


desde casos leves ou discretos até casos graves com intenso
comprometimento funcional.

Impressão Diagnóstica
(ORGANOGRAMA)

Ainda que sem determinismos sintomáticos


necessários, faz-se ainda natural na prática médica e
conseqüentemente na leitura do quadro clínico da
HIPERATIVIDADE, o uso do EEG –
Eletroencefalograma, exame desenvolvido pelo
psiquiatra alemão BERGER (1929) para mensurar as
correntes elétricas geradas pelo cérebro humano, que é
realizado usualmente através de eletrodos (pequenos
84

discos metálicos) afixados com um gel condutor de eletricidade à pele e


crânio. Um poderoso amplificador eletrônico aumenta milhares de vezes a
amplitude do fraco sinal elétrico gerado pelo cérebro, trazendo à luz das
idéias contemporâneas o mapeamento das condições neurofuncionais
apresentadas semelhantes à descrição abaixo.

O eletroencefalograma das pessoas com HIPERATIVIDADE, não


apresenta anormalidades típicas capazes de auxiliar o diagnóstico, embora já
se saiba que nesses pacientes o EEG comumente mostra um traçado atípico,
com alterações inespecíficas. O EEG tem sua aplicabilidade, sobretudo para
detectar outras disfunções associadas, dirimindo assim análises evasivas,
primando pela proximidade real e diagnóstica, mas concisa.
O importante pré-requisito para o diagnóstico é lembrar que a
HIPERATIVIDADE é uma condição que acompanha o indivíduo desde a
mais tenra idade, portanto ninguém adquire o transtorno em idade adulta, o
que é freqüentemente confundido com comportamentos circunstanciais, isto
85

é, transitórios decorrentes de fatores externos estudados no capítulo


concernente ao diagnóstico diferencial.
CORNNERS, apud GOLDSTEIN & GOLDSTEIN (1994), afirma
que o diagnóstico da HIPERATIVIDADE é difícil e complexo, afirma que:
“não existe nenhum teste diagnóstico absoluto para a hiperatividade”. A
estenose a que acomete os profissionais diante da relatividade do diagnóstico
é sublimada através das impressões diagnósticas colhidas através da
compilação de informações de variadas fontes e instrumentos.
O processo de identificação do quadro clínico deve incluir cinco
etapas importantes. A primeira é que o comportamento da criança deve se
enquadrar na definição de distúrbio da HIPERATIVIDADE com déficit de
atenção, conforme descrito na edição mais recente do Diagnostic and
Statistical Manual da American Psycliatric Association (Washington, DC,
1987). A segunda etapa envolve aplicação de um questionamento bem
elaborado para os pais e professores. Entretanto, lembrando-se de que os
questionários não fazem o diagnóstico, apenas descrevem os
comportamentos. A terceira etapa envolve a coleta de informações objetivas e
científicas relativas ao comportamento e as deficiências de habilidades. Ela
inclui a observação do comportamento na sala de aula e um teste direto com o
paciente. A quarta etapa envolve uma avaliação cuidadosa do paciente em
vários ambientes e isso inclui no mínimo a escola, a sua casa e a vizinhança.
Finalmente a quinta etapa e de maior relevância, pois é quando, é considerado
criteriosamente se os sintomas refletem ou não outro distúrbio associado, seja
de ordem cognitiva (aprendizagem) ou clínica.
A intencionalidade da avaliação não deve primar conotativamente
pela ordem classificatória, presas pelo senso comum, e na ânsia da
objetividade de um tratamento particular e direcionado. Um diagnóstico de
PSICOMOTRICIDADE não implica impreterivelmente em qualquer
86

tratamento específico. Seria leviandade supor que qualquer tratamento


especial seja necessário, ainda, que seja tão dinamicamente profetizado na
contemporaneidade os resultados transdisciplinares, ou seja, é cada vez mais
comum muilti-profissionais intervindo a serviço de uma determinada
patologia, com resultados qualitativos e quantitativos, já presenciados pela
literatura médica e alternativa.

SINTOMAS A SEREM OBSERVADOS:


Se a criança tem pelo menos Se a criança tem pelo menos seis
seis desses sintomas... desses sintomas...

• É inquieto, vive mexendo as mãos • Não enxerga detalhes ou comete


e pés e se remexendo na cadeira . muitos erros por falta de cuidado.

• Tem dificuldade de permanecer • Tem dificuldade de manter a atenção.


sentado.

• Corre sem destino ou vive subindo • Parece não ouvir quando está
nos móveis, janelas, muros etc. entretido com alguma coisa.

• Tem dificuldade de engajar-se em • Tem dificuldade de seguir instruções e


atividades. regras ou não termina o que começa.

• Fala excessivamente • Evita ou não gosta de tarefas que


exijam esforço prolongado

• Responde às perguntas antes • Perde freqüentemente objetos


mesmo que sejam formuladas necessários às suas atividades

• Age como se movido por um • Distrai-se com facilidade


motor

• Tem dificuldade de esperar a vez • Esquece freqüentemente de cumprir


atividades diárias

• Interrompe ou se intromete em
qualquer conversa

...ela pode sofrer do transtorno da hiperatividade ...ela pode ter déficit de atenção.

Fonte:A Gazeta Viva – Ano 1 – nº 4 – Abril/2000 (p.50 a 53)


87

2.2.4.1 – Diagnóstico Diferencial

Diversas condições psiquiátricas podem ser freqüentemente


confundidas com a HIPERATIVIDADE. As mais comuns são:
a) Distimia;
b) Distúrbio de ansiedade generalizada;
c) Esquizofrenias larvadas;
d) Transtorno de estresse pós-traumático;
e) Distúrbio bordeline da personalidade;
f) Distúrbio histriônico da personalidade;
g) Manifestações do hipertireoidismo;
h) Alcoolismo e/ou dependência de drogas.
Não é propósito desta pesquisa a conceituação e/ou caracterização
das comorbidades acima mencionadas, porém é salutar acentuar que o
histórico clínico é impreterível para qualquer diagnóstico, principalmente na
fase escolar nesse caso. Desta forma, torna-se impossível determinar a
proporção de crianças hiperativas em todas as situações (global) e/ou em
apenas uma delas (situacional), se o Manual de Diagnóstico e Estatística de
Distúrbios Mentais (DSM-III; DSM-III-R; DSM-IV) permanecer sem
especificações futuras. Da maneira como se apresenta, a ADDH (DSM-III) ou
a ADHD (DSM-III-R), pode ser semelhante a HIPERATIVIDADE
situacional, em alguns estudos, e a HIPERATIVIDADE global, em outros
(SCHACHAR, 1991).

Segundo CABRAL, uma importância característica da


HIPERATIVIDADE, principalmente em adultos é o que se convencionou
chamar de comorbidade, ou seja, certas disfunções psiquiátricas corroboram
no quadro clínico e devem sofrer intervenção específica e simultânea ao
tratamento da HIPERATIVIDADE. Outro traço marcante é a evolução
88

cambiante, isto é, marcadamente o quadro clínico muda sua aparência ao


longo dos anos, embora em segundo plano persistam sempre os sinais básicos
da tríade mencionada (desatenção, HIPERATIVIDADE e impulsividade).

BROW, em 1995 propõe critérios baseados em aspectos cognitivos


e emocionais, que consideramos nucleares do tratamento do transtorno e que
não estão listados no DSM-IV, apesar de freqüente nessa população clínica
também em cinco grupos de sintomas, apresentados a seguir:
1. Ativação e organização no trabalho: dificuldades de iniciar tarefas,
organizar-se e se estimular sozinho para rotinas diárias;
2. Sustentação da atenção: dificuldade para manter a atenção nas tarefas,
distração ou “sonhos acordados” excessivos durante o dia, em
especial quando está ouvindo e lendo por obrigação;
3. Manutenção da energia e do esforço: dificuldade de manter um nível
consistente de energia e esforço nas tarefas, sonolência diurna e
cansaço mental;
4. Labilidade do humor e hipersensibilidade a críticas: irritabilidade
variável e não desencadeada por fatores externos, aparente
motivação, rancor exagerado;
5. Dificuldades mnêmicas: dificuldades na recuperação de material
recente (nomes, datas, fatos) e remotos.

Devido a esses problemas, os pacientes têm baixo auto-estima,


sentem-se freqüentemente desmoralizados, fracassados e superados pelos seus
pares. A comorbidade ocorre com dificuldade no aprendizado, depressão,
irritabilidade e abuso de substâncias.

Os seguintes distúrbios psiquiátricos com freqüência associado à


HIPERATIVIDADE são:

a) Transtornos de aprendizagem;
89

b) Tiques e Tourette;

c) Transtornos depressivos, geralmente as distimias secundárias ou


quadros depressivos intermitentes;

d) Transtornos ansiosos, comumente o transtorno de ansiedade


generalizada, o transtorno do pânico, quadro de fóbicos e obsessivos. É mais
comum ocorrerem transtornos obssessivos compulsivos que um tipo de
quadro de TOC.

GOODMAN e STEVENSON (1989a. 1989b) sugerem que sejam


feitas maiores especificações entre HIPERATIVIDADE situacional e global,
pois os autores encontraram distinções importantes entre essas categorias,
indicando diferenças no tipo de HIPERATIVIDADE, mais do que no grau
de classificação da síndrome.

2.2.4.1.1 – Pseudo-Hiperatividade

Por convenção semântico o que se instituiu aqui por “pseudo-


HIPERATIVIDADE nada mais é que a resposta sinestésica imensurável e
oscilante decorrentes das condições fatoriais que necessariamente não estão
vinculados aos aspectos neurobiológicos. Ao conceito acima estabelecido
nessa pesquisa, decorre da alusão pré-estabeleciada através das mensões
anteriores e ao fator decisivo na precisão das impressões diagnósticas que são
decorrentes das comorbidades associadas à “HIPERATIVIDADE pura”.
Muitas vezes a HIPERATIVIDADE pode ser confundida com
comportamentos influenciados pela cultura de um determinado povo ou de
um grupo social. Um ambiente que exerce muita pressão sobre um sujeito
pode indubitavelmente induzir comportamentos como falta de atenção,
HIPERATIVIDADE, incapacidade de concluir tarefas já iniciadas e etc..
90

Cuidados antecipados devem estar sempre presentes para não


diagnosticarmos, por exemplo, todo executivo atarefado como hiperativo. É
necessário lembrar mais uma vez que a HIPERATIVIDADE está presente
desde a primeira infância e que muitas vezes todos nós acabamos
apresentando sintomas, ou melhor, expressões de HIPERATIVIDADE de
vez em quando, especialmente em situações de estresse ou de agitação por
algum evento, ou por exemplo através das comorbidades.
 Hiperatividade X Psicoses: Seguindo a conceituação de

KAPLAN, SODOCK e GREBB é importante ilustrar a diferença


entre síndrome e transtorno:

“Síndrome é uma condição que se caracteriza por uma


coleção de sinais e sintomas com certa correlação, com
determinada homogeneidade, mas que, contudo, apresenta certas
variações importantes. Podemos falar numa síndrome psicótica
que é caracterizada por alterações básicas (...), que engloba, por
sua vez, vários transtornos ou doenças, que apresentam as
características básicas da síndrome, mas que diferem entre si com
a relação a outros critérios, digamos assim, secundários, como
tempo de duração, concomitância de sintomas de outras síndromes,
fatores e nexos casuais, ou mesmo características mais
particulares”. (1997: 141).

A relação estreita das síndromes psicóticas com a


HIPERATIVIDADE faz-se diante das respostas psicomotoras decorrente
desse quadro clínico associado. A evidência direta do comportamento
psicótico traduz-se através de tiques, ansiedades, agressividades decorrentes
de delírios e alucinações. O comportamento psicótico pode estar tão
amplamente desorganizados que se pode, “a priori”, inferir um prejuízo
importante do teste da realidade, quando a fala é amplamente incoerente e o
indivíduo, em geral agitado, não demonstra notar a incompreensibilidade do
seu discurso.
91

Diante desta breve explanação, devemos considerar, sobretudo em


detrimento dos riscos avaliativos premeditados, as condições multifatorias de
determinadas patologias, ainda que as expressões sintomáticas neste caso
sejam semelhante às discutidas a respeito da HIPERATIVIDADE, porém
distintas e prognosticamente diferentes.
 Hiperatividade X Drogas: Segundo BASTOS e BUENO um
dos problemas que tem se mostrado mais freqüentes, sobretudo
mais sérios são os associados a HIPERATIVIDADE com
drogadicção. Quando detectado por um profissional de saúde
mental, deve ser estudado para verificar qual é a real causa do
uso desse(s) entorpecente(s), já que cerca de 15% dos usuários
de cocaína, por exemplo, relatam, que o uso de droga não os
deixam “altos”, mas sim os ajudam a concentrar e direcionar
melhor a sua atenção. O álcool e a maconha e outras drogas
também são usadas e isso acontece por “N” fatores,
principalmente como fuga aos problemas e conseqüências,
especialmente quando o tratamento medicamentoso não parece
atingir resultados satisfatórios/compensatórios. Quando um
paciente é clinicamente diagnosticado com drogadicção
associada e causada por um possível quadro de
HIPERATIVIDADE é indubitavelmente necessário que os dois
problemas sejam tratados concomitantemente, pois o
prognóstico da HIPERATIVIDADE quando este é a causa do
vício, pode em muitos casos evitar com que esses pacientes
voltem a usar a droga posteriormente a alta do tratamento.
 Hiperatividade Positiva: Ao contrário do que a princípio possa

parecer, a HIPERATIVIDADE tem aspectos extremamente


positivos, pelos quais as discussões tornam-se sempre
92

infindáveis. Uma das características positivas mais acentuada na


HIPERATIVIDADE é a capacidade extremamente criativa que
está junto com o problema. Devido a sua incapacidade de
conseguir manter as idéias, os pacientes com
HIPERATIVIDADE tendem a ser criativos. E muitas vezes, é
esta criatividade que os capacita a encontrar e realizar bem suas
atividades.
A história universal está recheada de
personagens que ilustram bem as afirmações anteriores,
tais como: Hemigway, Freud, Da Vinci, Tomaz Edson,
Einstein, Johnn Lennon, Vitor Hugo, Clarice Lispector,
Ziraldo e etc. Aqui emblematicamente ilustrados, este
último, consideremos breve comentário no sentido de
tornar, um pouco mais evidente ao leitor, os resultados
positivos alcançados por um hiperativo, notoriamente evidencia pela sua obra
tão personificada através do “menino maluquinho” expressão tão contumaz da
patologia de seu criador.
Uma das características da HIPERATIVIDADE nessas condições
sublinha BASTOS e BUENO :

“Algumas vezes, quando os pacientes encontram o


ambiente e a tarefa certa para estimulá-los, eles podem acabar
demonstrando uma característica contrária àquela normalmente
associada a hiperatividade, ou seja, ao invés de distractibilidade,
podem demonstrar uma concentração e dedicação bastante
intensa”. (1999:28).

Além da medicação, o aproveitamento de pessoas com


HIPERATIVIDADE em áreas criativas como: publicidade, artes, design,
93

projetos e etc., pode ser uma forma de conseguir integrar e/ou re-integrar o
paciente ao meio social.

2.2.5 – Tratamento

Antes de qualquer tratamento, um exame físico deve se feito para


descartar outras causas para o comportamento do seu filho, tais como
infecção crônica do ouvido médio, sinusite, problemas visuais ou auditivos ou
outros problemas neurológicos. O tratamento está assessorado por estratégias
eficazes, ainda que seja diretamente sintomático e não curativo.
SUCUPIRA (1988), afirma que o tratamento da
HIPERATIVIDADE deve ser baseado fundamentalmente em métodos de
intervenção educacional e psicológica e não primariamente no tratamento
médico-farmacológico. Pela proximidade etiológica da patologia com os
fatores orgânicos já notificados em capítulos anteriores, é no mínimo,
consciente à luz da transição médica, que se faça inflexão à importância da
intervenção alopata no tratamento da HIPERATIVIDADE, ainda que sob
circunstâncias específicas como afirma OHENBACHER e COOPER apud
SUCUPIRA (1988), que as drogas reduz o comportamento hiperativo e
aumenta a capacidade de atenção, entretanto, pouco efeito é notado sobre o
aprendizado.
SHAYWITZ e SHAYWITZ apud SUCUPIRA (1998), ressalta que:

“Quando o uso de medicamento se acompanha de outras


medidas terapêuticas de apoio cabíveis e respeitosas, incluindo
94

também, práticas educativas especiais, benefícios mais duradouros


no aprendizado podem ser obtidos” (1998: 33).

A questão nevrálgica que aqui se discute, é saber se a melhora no


aprendizado também não ocorreria, caso tais medidas terapêuticas fossem
realizadas, independente da utilização. Na realidade a prescrição
medicamentosa sempre se acompanha de procedimentos que se revertem em
um tipo de atenção especialmente dirigida.
2.2.5.1 - Tratamento Farmacológico

De acordo com SUCUPIRA (1988), outras drogas também usadas


por ordem de freqüência são: dextroanfetamina, levoanfetamina e cafeína,
entre as estimulantes, seguidas da impramina, clospromazina, haloperidol e
tioridazina no grupo das não estimulantes. Nesta perspectiva de critérios
diferenciais para o tratamento medicamentoso identifica-se na literatura
posturas diversas. Para alguns autores, a primeira ação aluda seria o
tratamento medicamentoso e na falta deste deveria se tentar programas de
educação especial ou aconselhamento com os pais. Em outra posição os
autores acham que as drogas têm efeito limitado sobre os problemas de
aprendizado, portanto, não podem tomar o lugar da psicoterapia, intervenções
no ambiente da criança e educação especial. Entretanto, acreditam que uma
terapia apropriada, em alguns casos facilitaria a psicoterapia ou os programas
de educação especial (SUCUPIRA,1988).
Por outro lado, inicia-se os primeiros relatos na literatura através
dos efeitos colaterais de várias drogas estimulantes, principalmente quando
utilizados por longo período. Insônia, distúrbios do sono e diminuição do
apetite, são referidos também, perda de peso, irritabilidade e dor abdominal.
O que desperta atenção em toda a questão da medicação na
HIPERATIVIDADE é a forma indiscriminada com que tem sido usado
95

drogas, potencialmente tóxicas, que inclusive podem levar à dependência no


tratamento de um problema, que é muito mais um comportamento gerado por
questões sociais, pedagógicas ou decorrentes da dinâmica familiar, que
propriamente de uma síndrome clínica (SUCUPIRA, 1988).
Para VILANOVA (1995), o tratamento medicamentoso dos
distúrbios da atenção deve ser sempre um coadjuvante do tratamento do
indivíduo, devendo ser utilizado com parcimônia e por tempo não muito
prolongado. Apesar de não existir consenso, o emprego de estimulantes do
sistema nervoso central pode melhorar significativamente o distúrbio de
atenção e a HIPERATIVIDADE. Apesar da ação apenas sintomática, o
tratamento medicamentoso pode contribuir para a normalização do
comportamento do indivíduo, enquanto outras formas de atuação terapêuticas
são utilizadas.
Entre os psicoestimulantes mais prescritos, especialmente nos
Estados Unidos, está o metilfenidato
(Ritalina) tem sido considerado o de
melhor ação terapêutica, ainda que estudos
mais recentes mostram a incidência
colateral do metilfenidado em casos
psicóticos. A título informativo (pois a
terapêutica deve ser empregada pelo
neurologista e psiquiatra) a dose empregada gira em torno de 0,3 a 1,0 mg/kg
ao dia, com administração preferencial pela manhã, para evitar complicações
no sono. Outra medicação aplicada é o Penoline (Cylert), usado no Reino
Unido há mais de 25 anos e pouco tempo nos Estados Unidos, sendo com um
total de sete crianças com grave hepatotoxicidade atribuída ao seu uso, apesar
de serem raros outros efeitos colaterais. A Impralina (Tofranil) também tem
96

sido utilizada como boa alternativa para o tratamento medicamentoso, trata-se


do psicoestimulante mais comumente adquirido pelos pacientes.
A cafeína, muito empregada no passado, nesses casos (100 - 300
mg dia) parece ter efeito muito mais como placebo do que efeito real. Se por
um lado nos parece inadequado não auxiliar estas crianças, seus pais e
professores a terem um comportamento mais apropriado, menos hiperativo e
mais atento, sem ser necessário um esforço sobrenatural, através do uso de
medicamentos, por outro lado à medicação pode acarretar efeitos colaterais.
Os mais comuns, especialmente com o uso do metilfenidato, são diminuição
do apetite (sendo necessário a monitorização do peso), insônia, mal-estar
abdominal, labilidade emocional, sedação, diminuição do ritmo do
crescimento e precipitação de tiques, devendo ser contra-indicados em
portadores ou em filhos de portadores de tiques complexos. O tratamento não
deve se restringir apenas ao uso de medicamentos, mesmo porque a maioria
desses pacientes, apresentam, como já comentado comprometimento mais
extenso de uma alteração da atenção ou HIPERATIVIDADE. Deste modo,
dependendo das manifestações clínicas, pode ser necessário, uma terapia
fonoaudiológica, terapia corporal, ludoterapia ou uma abordagem
psicopedagógica (VILANOVA, 1995).
Segundo GOLDSTEIN & GOLDSTEIN (1994), os três tipos de
tratamento utilizados em crianças hiperativas são: medicamentos, técnicas de
orientação e técnicas de desenvolvimento de aptidões. Sendo as três
intervenções utilizadas em casa e na escola. A medicação continua a ser um
método comum e eficaz de tratar a HIPERATIVIDADE. Problemas de
HIPERATIVIDADE não podem ser curados, mas devem ser controlados. O
controle eficaz requer compreensão dos país, os quais devem se envolver em
todos os passos do processo de avaliação e tratamento.
97

Segundo estudos americanos recentes mostraram: o “cloridato de


atomoxetina”, uma droga não estimulante em teste pelo laboratório Eli Lilly,
apresentou bons resultados no tratamento de crianças com
HIPERATIVIDADE. A droga aliviou os sintomas e melhorou a
sociabilidade dos pacientes segundo o médico brasileiro LUIS AUGUSTO
ROHDE (fonte: jornal O GLOBO).

2.2.5.2 – Tratamentos Alternativos e Para-Médicos

• Diretrizes Alimentares: Antes de experimentar qualquer


tratamento comece eliminando o açúcar refinado e os aditivos da
dieta do seu filho. Leia os rótulos cuidadosamente e elimine
alimentos processados que contenham corantes,
flavorizantes, adoçantes e conservantes, relacionados
comumente como benzoatos, nitratos e sulfitos. Os aditivos de
alimentos comuns também incluem silicato de cálcio, BHT,
BHA, peróxido de benzoíla. emulsificantes, espessantes,
estabilizantes, gomas vegetais e amido. Os salicilatos muitas
vezes têm implicação na HIPERATIVIDADE. É mais difícil
eliminá-los da dieta; ocorrem naturalmente além de serem
usados como aditivos. Uma série de frutas e hortaliças,
conhecidas contêm salicilatos, inclusive amêndoa, maçã,
damasco, banana, cereja, uva, limão, melão, nectarina, laranja,
pêssego, ameixa, ameixa-seca, passa, framboesa, pepino,
ervilha, pimentão-verde, pimenta-malagueta, picles e tomate.
Segundo um estudo citado no periódico Pediatrics, mais de 50%
98

das crianças hiperativas demonstraram menos problemas


comportamentais e tiveram menos problemas de sono quando
seguiram uma dieta restrita. A dieta ideal não continha aditivos
artificiais e químicos, chocolate, glutamato monossódico,
conservantes e cafeína. Baseados em estudos mais recentes
foram suscitadas sob as possibilidades de algum tipo de diretriz
alimentar estar ligada ao quadro clínico da
HIPERATIVIDADE. Primeiramente a literatura médica
perpassa pela ressalva dos aditivos químicos dos alimentos
poderiam interferir e/ou colaborar para a “catarse psicomotora”.
Corantes e conservantes foram investigados exaustivamente,
porém, ainda que através das propriedades pejorativas destes
constituintes alimentares, não se pode precisar definitivamente e
com rigor científico o quão determinante se faz essa vertente.

• Tratamento Fitoterápico: O chá de camomila é sabidamente


relaxante. Dê ao seu filho uma dose na hora de dormir,
conforme necessário.O bupleuro é uma fórmula fitoterápica
chinesa que relaxa o sistema nervoso e pode ajudar a aliviar o
estresse. Dê ao seu filho uma dose diária durante um mês,
seguida de aveia brava durante um mês. Observação: O
bupleuro não deve ser dado a crianças com febre ou
qualquer outro sinal de infecção aguda. A escutelária é
relaxante e acalma a mente. Dê ao seu filho uma dose, três vezes
por semana, durante três meses. Observação: Essa erva não
deve ser dada a crianças com menos de seis anos. A aveia
brava acalma o sistema nervoso. Dê ao seu filho uma dose
diária durante um mês. Certas essências botânicas podem
acalmar a criança hiperativa. Misture uma gota de óleo de
99

alecrim, sálvia, lavanda e camomila em 1/8 de xícara de


azeite de oliva e use esse óleo aromático para esfregar os pés e
coluna do seu filho na hora de dormir. Os índios norte-
americanos usavam, tradicionalmente, o alecrim e a sálvia para
relaxar a mente.

• Homeopatia: É melhor consultar um homeopata para


determinar um remédio constitucional para a criança hiperativa.
Contudo, os remédios a seguir ajudarão a aliviar os sintomas.
Independente do remédio que escolher, a menos que indicado de
outra forma, tente dar ao seu filho uma dose, três vezes ao dia,
durante cinco dias. Faça isso mês sim, mês não, durante seis
meses. Para a criança magra, excitada, ansiosa e sempre
apressada, use Argentum nitricum 9ch. Essa criança adora
doce, que afeta seu comportamento de forma adversa. Pode ser
suscetível e ter conjuntivite e amidalite. Essa criança tem medo
de multidão e não gosta de ir a lugares públicos, inclusive à
escola. Prefere ficar ao ar-livre. Calcarea phosphorica 9ch é
benéfico para a criança endiabrada, geralmente do sexo
masculino, inquieta, tímida e medrosa, mas que adora correr
riscos e fazer traquinagens. Essa criança tende a ter gases
abdominais, tem um abdome levemente proeminente e poder ter
amídalas aumentadas. Se seu filho inquieto acalma-se tão logo é
chamado à atenção, dê-lhe Chamomilla 9ch. Esse tipo de
criança pode se tornar tão hiperativa que ficará exausta e
começará a chorar. Observação: Não dê ao seu filho Chamomilla
da homeopatia e chá de camomila ao mesmo tempo. Um anulará
o outro. Para atingir o efeito calmante da camomila, escolha uma
forma ou outra. Dê Kali bromatum 9ch para a criança
100

irrequieta que está constantemente fazendo algo com as mãos -


jogando bola, brincando de bola de gude, de aviãozinho. Se não
tiver nenhum brinquedo na mão, essa criança estala os dedos. As
mãos da criança que toma Kali bromatum nunca estão
sossegadas. Dê Lycopodium 9ch para a criança que está mais
cansada, mais inquieta e irritada entre 4:00 e 8:00 da noite.
Cansada ou não, essa criança não quer sentar-se à mesa do
jantar, mas quer comer. Essa criança aparenta mais idade e tem
geralmente uma inteligência acima da média. Uma dose de
Medorrhinum 1M ajudará a criança irritada, agitada e
apressada. Essa criança pode ter tido assadura quando bebê e,
posteriormente, erupções cutâneas e asma. Stramonium 30d é
para a criança com séria HIPERATIVIDADE e possível
agitação violenta. Sua voz é alta e sua fala é rápida,
possivelmente incoerente. Entre todas as medicações, é a que
demonstra trazer resposta mais efetiva.

• Florais de Bach: Não reconhecido como medicação pela


Associação Médica, é uma constante a informação pelos pais de
melhora significativa das crianças tratadas com eles. Porém, é
necessário buscar informação séria e vasta para sua utilização.

• Psicoterapia: Alguns casos de HIPERATIVIDADE


apresentam necessidade de acompanhamento psicoterápico,
principalmente em virtude da baixa auto-estima que se instala no
indivíduo. Associado a outros tratamentos pode ser eficaz.

• Técnicas de Relaxamento: Yoga, tai-chi-chuan, liangong,


meditação - O aprendizado e utilização dessas técnicas de
relaxamento tem trazido, segundo os hiperativos de mais idade,
101

um maior controle sobre a agitação característica do distúrbio,


permitindo uma vida mais prazerosa.

• Musicoterapia: A musicoterapia se afirma de maneira mais


contundente no tratamento
da HIPERATIVIDADE,
como ratificam pesquisas
realizadas pela universidade
de Weston (EUA), pois
além de atuar como
instrumento de
relaxamento, paralelamente aplica-se a manipulação do
“metrono” (um instrumento que serve para regular os
andamentos musicais), através do qual a terapia envolve a
realização de várias tarefas: aplaudir dá um tapa no pé, de
acordo com as batidas deste instrumento. A técnica foi criada por
TOM EGGLESTON, cujo filho de 14 anos tem
HIPERATIVIDADE resultando em um melhoramento
significativo na atenção, com resultados positivos nas atividades
escolares que envolvem leitura e algumas habilidades
matemáticas. (Fonte: CNN).

2.3 – A CLÍNICA PSICOMOTORA NA HIPERATIVIDADE

WALLON apud LE BOULCH (1987), em sua importante obra: “A


Criança Turbulenta", descreve o comportamento e os problemas colocados
pelo que posteriormente será chamado de "Instabilidade Psicomotora" e, na
literatura anglo-saxônica, a "Síndrome Hipercinética". Não evocaremos aqui
102

os casos de patologia orgânica (relatados em capítulos introdutórios) raros,


que levam à instabilidade e sim o número cada vez mais crescente de crianças
e adultos agitados ou intragáveis socialmente, caracterizados por seus
excessos motores e verbais e suas incapacidades de exercerem, de maneira
suficientemente prolongada, sua habilidade funcional de atenção. Esta de
comportamento particular pode já se manifestar desde o final da escola
maternal e, mais especificamente, no início da escolaridade primária. Portanto
este transtorno de atenção e do controle é acompanhado de um certo déficit
escolar, ainda que no plano dos testes intelectuais o portador possa situar-se
nos parâmetros da “normalidade”.
Entretanto, se a prática da clínica e/ou educação psicomotora for
suficientemente precoce, pode ajudar na solução deste problema. Observa-se,
a esse respeito, que as reeducações pontuais, embora possam servir de
elemento complementar, são menos fundamentais do que a prática diária de
um trabalho psicomotor integrado à atividade escolar normal. A problemática
nevrálgica fundamental aqui discutida, na qual a criança instável é
confrontada, refere-se ao desequilíbrio entre suas reações impulsivas
provocadas pelo mínimo estímulo e suas possibilidades de inibição (LE
BOULCH, 1987).
Qualquer informação constituí um sinal e desencadeia uma resposta
motora ou verbal de natureza condicional, cujo ajustamento à situação é, na
maior parte das vezes, aproximativo. Se a tomada de iniciativas motoras
globais é um tempo essencial da clínica e sobretudo da educação psicomotora,
não é menos fundamental que a atividade espontânea e lúdica deva ser
equilibrada pela atração da função de controle. A criança deve, portanto,
aprender a suspender seus impulsos motores ou verbais. É preciso que esta
possa "Impedir-se de fazê-lo" (LE BOULCH, 1987).
103

Esta educação precoce deve ser prestigiada no ambiente familiar e


na escola. Com todos os casos onde se constata um déficit neste nível: atitude
demasiada, frouxa, excesso de permissividade, ausência de referências
espaciais e temporais, existe um risco de instabilidade. Mais tarde, quando a
criança se defrontar com os proble1mas escolares, a desatenção que resulta de
sua situação aumentará sua sobrecarga tensiva e agravará sua instabilidade
por um processo cristalizado. A atenção perceptiva é, de fato, a conseqüência
de uma vigilância especifica do córtex cerebral, comandada pela atividade de
substâncias reticulares. Esta vigilância é máxima para uma atividade média da
substância reticular; na criança instável, essa atividade situa-se amplamente
acima do limiar e realiza sua verdadeira "misturada" das funções corticais.
Qualquer tensão emocional aumenta ainda o nível de atividade reticular. Toda
excitação, toda agitação age no mesmo sentido (LE BOULCH, 1987).
Compreende-se, então, que o trabalho psicomotor beneficia no
controle da motricidade, utilizando, de maneira privilegiada, a base última
associada a um trabalho tônico e de relaxação cautelosamente conduzido. É
importante que o professor, a princípio, saiba que um trabalho corporal, e não
punitivo, constitui a melhor ajuda a uma criança incapaz de controlar-se (LE
BOULCH, 1987).
Segundo FONSECA (1988), na PSICOMOTRICIDADE a
concepção psicopedagógica do movimento humano deve levar em conta o
diagnóstico psicomotor e o plano terapêutico projetado, visando o confronto
da criança com o seu movimento (expressão), através de um esforço de
apreensão e de reflexão. Pois as situações por nós provocadas tinham por
finalidade, colocar a criança numa situação de criatividade, numa expressão
“libertadora de pulsões” (grifo nosso) e motivações inconscientes,
simultaneamente, no grupo, uma mais adequada e complexa capacidade de
expressão e criação.
104

2.3.1 – A Importância do Jogo no Projeto Terapêutico

A conjuntura afetiva e a tonalidade relacional assumem uma


importância paralela nas situações-problema, que visam a superação das
dificuldades psicomotoras. Não valorizando a relação nem desprezando os
meios de ação, a intervenção requer um cuidado permanente de forma a evitar
uma relação muito abstrata e uma ação muito empírica. O jogo e o
relaxamento como trabalho psicomotor na clínica e no trabalho educativo
pretendem, como meio de intervenção, favorecer a eclosão de projeções e
identificações, a produção de imagens fantásmicas e o desbloqueamento dos
mecanismos de defesa (FONSECA, 1988).
O que por comodidade assumimos em capítulos anteriores como
adequação semântica, no que diz respeito as psicoludoterapia manifesta-se
agora, pois o jogo tem merecido, por parte de psicólogos e de psicanalistas,
reflexões, não esquecendo a análise antropológica e sociológica.
FONSECA (1988) refere-se ao jogo como adesão ao real, e como
fenômeno de identificação e construção. A expressão das tendências
interiorizadas e das modulações lúdicas exteriorizadas, não são, senão a
materialização do diálogo que a criança esboça e compõe com o mundo que a
cerca.
Inúmeros psicólogos e psicoterapeutas têm se dedicado ao estudo
do jogo e numerosos trabalhos atestam o seu valor terapêutico e pedagógico.
Quase que representa um traço comum das manifestações criadoras humanas
que materializam o processo da hominização. Pois a vivência e a convivência
lúdicas testemunham a evolução do ser humano na medida em que
105

desempenham todo o investimento corporal que leva a criança a transformar-


se num candidato a hominização. (FONSECA, 1988).
Jogando, a criança dissocia, diferencia, agrupa, combina e estrutura
elementos corporais e extra-corporais (objetos, pessoas, animais e etc). O
jogo, sobretudo, dá resposta à mesma finalidade da
PSICOMOTRICIDADE, isto é, a exploração das possibilidades funcionais.
O jogo é um écran onde se projeta o que ocupa, ou que invade, o espírito e a
sensibilidade da criança. O jogo é a natureza lúdica do mundo dos objetos e
das pessoas, é uma constante da atividade do ser jovem. O jogo surge como
aventura de descoberta, aventura de conhecimento e aventura de aventura. É
através do jogo que a criança encontra-se com os limites do seu espaço
existencial e com os limites do seu espaço envolvente. (FONSECA, 1988).
Entre o movimento e os objetos, o jogo desempenha uma função de
êxito, de alegria, de espontaneidade, ou seja, uma globalidade afetiva
imprescindível para o seu desenvolvimento intelectual. Portanto a atividade
lúdica surge como obstáculo à solidão e como eclosão extra-espacial, ao
mesmo tempo em que proporciona a relação com os outros, fator essencial ao
desenvolvimento da personalidade (In: FONSECA, 1988).
A criança projeta-se globalmente no jogo. Ao partir para a
satisfação da sua necessidade lúdica, põe em ação a motricidade afetada ou
perturbada que representa a imagem de espelho de uma perturbação mental.
Ao pôr em ação a motricidade perturbada, os mecanismos inibitórios vão-se
desbloqueando e dissociando, tomando o corpo mais adequado, mais
colaborante com a intenção. A motricidade afetada é posta em causa pela
situação lúdica, desenvolvendo assim a capacidade operativa e transformativa
da inteligência. O jogo é o carimbo mais adequado para a conquista da
autonomia da criança, dado que as atividades psicolúdicas constituem um
106

misto de modificações, que simultaneamente se operam no meio e no


indivíduo que a executa (FONSECA, 1988).
O relaxamento é também um componente de intervenção
terapêutica que visa a pacificação das tensões e conflitos através da liberação
plena e total de unidades pessoais. Como meio de aplicação psicoterápica e
psicomotora assume generalizada importância cada vez maior na realidade
hiperativa, insegura e super incondicionante dos nossos dias (FONSECA,
1988).

2.3.2 – Dicas Para Administração e Trato de Crianças com


Hiperatividade na Escola

Para os professores, compilamos algumas dicas específicas, para a


melhor administração da patologia no exercício diário de suas funções, pois
mesmo que o tratamento seja de competência de outros profissionais
(neurologistas, psicólogos e psiquiatras, psicopedagogos, psicomotricistas e
etc.) este, como comentamos em capítulos anteriores, com uma certa
freqüência e dotados de olhares atentos percebem desarmonias psicomotoras e
são em grande maioria os primeiros a encaminharem seus alunos/pacientes a
análises diagnósticas e em algumas situações até mesmo preventivas.
Seguindo suporte epistemológico desenvolvido por HALLOWELL
e RATEY, segue alguns procedimentos para uma eficaz administração de
alunos/pacientes hiperativos, colaborando na prognostica terapêutica
específica a cada caso. Naturalmente esse suporte deve ser encarado como
ação conjunta aos procedimentos clínicos, porém não há solução fácil para
administração da HIPERATIVIDADE em sala de aula, pois a eficácia de
qualquer tratamento deste problema na escola depende do conhecimento e da
persistência da instituição e do professor.
107

Aqui apresentamos algumas dicas para o trato de crianças com


HIPERATIVIDADE na escola. As sugestões a seguir visam o professor na
sala de aula para crianças de qualquer idade. Algumas sugestões vão ser
evidentemente mais adequadas às crianças menores, outras às mais velhas,
mas, em termos de estrutura, educação e encorajamento, são pertinentes a
qualquer um.

01 - Antes de tudo, tenha certeza de que o que você está lidando é


HIPERATIVIDADE. Definitivamente não é tarefa dos professores
diagnosticar, mas o(a) professor(a) pode e deve questionar. Especificamente
tenha certeza de alguém tenha testado a audição e a visão da criança
recentemente e tenha certeza também de que outros problemas médicos
tenham sido resolvidos. A responsabilidade disso tudo é dos pais e não dos
professores, mas o(a) professor(a) pode contribuir para o processo;

02 - Segundo prepare-se para suportar. Ser um(a) professor(a) na sala de


aula onde há duas ou três crianças com HIPERATIVIDADE pode ser
extremamente cansativo. Tenha certeza de que você pode ter o apoio da escola
e dos pais. Tenha certeza de que há uma pessoa com conhecimento à qual
você possa consultar quando tiver um problema (pedagogo, psicólogo infantil,
assistente social, psicólogo da escola ou pediatra), mas a formação da pessoa
não é realmente importante. O que importa é que ele ou ela conheça muito
sobre HIPERATIVIDADE, conheça os recursos de uma sala de aula e possa
falar com clareza. Tenha certeza de que os pais estão trabalhando com você;

03 - Conheça seus limites. Não tenha medo de pedir ajuda. Você, como
professor(a), não pode querer ser uma especialista em HIPERATIVIDADE.
Você deve sentir-se confortável em pedir ajuda quando achar necessário;

04 - Pergunte à criança o que pode ajudar - estas crianças são sempre


muito intuitivas. Elas sabem dizer a forma mais fácil de aprender, se você
108

perguntar. Elas ficam normalmente temerosas em oferecer informação


voluntariamente porque isto pode ser algo muito ousado ou extravagante. Mas
tente o sentar sozinho com a criança e perguntar a ela como ela pode aprender
melhor. O melhor especialista para dizer como a criança aprende é a própria
criança. É assustadora a freqüência com que suas opiniões são ignoradas ou
não são solicitadas. Além do mais, especialmente com crianças mais velhas,
tenha certeza de que ela entende o que é HIPERATIVIDADE;

05 - Lembre-se de que as crianças com HIPERATIVIDADE necessitam


de estruturação. Elas precisam estruturar o ambiente externo, já que não
podem se estruturar internamente. Faça listas. Crianças com
HIPERATIVIDADE se beneficiam enormemente quando têm uma tabela ou
lista para consultar quando se perdem no que estão fazendo. Elas necessitam
de algo para fazê-las lembrar das coisas. Elas necessitam de previsões. Elas
necessitam de repetições. Elas necessitam de diretrizes. Elas precisam de
limites. Enfim, elas precisam de organização.

06 - Lembre-se da parte emocional do aprendizado - estas crianças


necessitam de um apoio especial para encontrar prazer na sala de aula.
Domínio, ao invés de falhas e frustrações. Excitação ao invés de tédio e
medo. É essencial prestar atenção às emoções envolvidas no processo de
aprendizagem;

07 - Estabeleça regras. Tenha-as por escrito e fáceis de serem lidas. As


crianças se sentirão seguras sabendo o que é esperado delas;

08 - Repita as diretrizes. Escreva as diretrizes. Fale das diretrizes.


Pessoas com HIPERATIVIDADE necessitam ouvir as coisas mais de uma
vez;
109

09 - Olhe sempre nos olhos. Você pode "trazer de volta" (grifo nosso)
uma criança HIPERATIVIDADE através dos olhos nos olhos. Faça isto
sempre. Um olhar pode tirar uma criança do seu devaneio ou dar-lhe
liberdade para fazer uma pergunta ou apenas dar-lhe segurança
silenciosamente;

10 - Na sala de aula coloque a criança sentada próxima à sua mesa ou


próxima de onde você fica a maior parte do tempo. Isto ajuda a evitar a
distração que prejudica tanto estas crianças;

11 - Estabeleça limites, fronteiras. Isto deve ser devagar e com calma,


não de modo punitivo. Faça isto consistentemente, previamente,
imediatamente e honestamente. Não seja complicado, falando sem parar.
Estas discussões longas são apenas diversão. Seja firme;

12 - Preveja o máximo que puder. Coloque o plano no quadro ou na


mesa da criança. Fale dele freqüentemente. Se você for alterá-lo, como fazem
os melhores professores, faça muitos avisos e prepare a criança. Alterações e
mudanças sem aviso prévio são muito difíceis para estas crianças. Elas
perdem a noção das coisas. Tenha um cuidado especial e prepare as mudanças
com a maior antecedência possível. Avise o que vai acontecer e repita os
avisos à medida que a hora for se aproximando;

13 - Tente ajudar às crianças a fazerem a própria programação para


depois da aula, esforçando-se para evitar um dos maiores problemas da
HIPERATIVIDADE: a procrastinação;

14 - Elimine ou reduza a freqüência dos testes de tempo. Não há grande


valor educacional nos testes de tempo e eles definitivamente não possibilitam
às crianças hiperativas mostrarem o que sabem;
110

15 - Propicie uma espécie de “válvula de escape” como, por exemplo,


sair da sala de aula por alguns instantes. Se isto puder ser feito dentro das
regras da escola, poderá permitir à criança deixar a sala de aula ao invés de se
desligar dela e, fazendo isto, começa a aprender importantes meio de auto-
observação, auto-monitoramento;

16 - Procure a qualidade ao invés de quantidade dos deveres de casa.


Crianças hiperativas freqüentemente necessitam de uma carga reduzida. Elas
vão utilizar o mesmo tempo de estudo e não vão produzir nem mais nem
menos do que elas podem;

17 - Monitore o progresso freqüentemente. Crianças hiperativas se


beneficiam enormemente com o freqüente retorno do seu resultado. Isto ajuda
a mantê-los na linha, possibilita a eles saber o que é esperado e se eles estão
atingindo as suas metas, e pode ser muito encorajador;

18 - Divida as grandes tarefas em tarefas menores. Esta é uma das mais


importantes técnicas de ensino das crianças hiperativas. Grandes tarefas
abafam rapidamente as crianças e elas recuam a uma resposta emocional do
tipo eu nunca vou ser capaz de fazer isto. Através da divisão de tarefas em
tarefas mais simples, cada parte pequena o suficiente para ser facilmente
trabalhada, a criança foge da sensação de abafado. Em geral estas crianças
podem fazer muito mais do que elas pensam. Com as crianças menores isto
pode ajudar muito a evitar acessos de fúria pela frustração antecipada. E com
os mais velhos, pode ajudar as atitudes provocadoras que elas têm
freqüentemente;

19 - Permita-se brincar, divertir (daí a importância do jogo no projeto


terapêutico discutido em capítulo posterior). Seja extravagante, não seja
“normal”. Faça do seu dia uma novidade. Crianças hiperativas adoram
novidades. Elas respondem às novidades com entusiasmo. Isto ajuda a manter
111

a atenção - tanto a delas quanto a sua. Estas crianças são cheias de vida, elas
adoram brincar. E acima de tudo, elas detestam ser molestadas. Muitos dos
tratamentos para elas envolvem coisas chatas como estruturas, programas,
listas e regras. Você deve mostrar a elas que estas coisas não estão
necessariamente ligadas às pessoas, professores ou aulas chatas;

20 - Novamente, cuidado com a superestimulação. Como um barro de


vaso no forno, a criança pode ser queimada. Você tem que estar preparado
para reduzir o calor. A melhor maneira de lidar com os caos na sala de aula é,
em primeiro lugar, a prevenção;

21 - Esforce-se e não se dê satisfeito, tanto quanto puder. Estas crianças


convivem com o fracasso, e precisam de tudo de positivo que você puder
oferecer. O fracasso não pode ser super-enfatizado: estas crianças precisam e
se beneficiam com os elogios. Elas adoram o encorajamento. Elas absorvem e
crescem com isto. E sem isto elas retrocedem e murcham. Freqüentemente o
mais devastador aspecto da HIPERATIVIDADE não é
HIPERATIVIDADE propriamente dita e sim o prejuízo à auto-estima.
Então, alimente estas crianças com encorajamento e elogios;

22 - A memória é freqüentemente um problema para eles. Ensine a eles


pequenas coisas como neumônicos, cartão de lembretes, etc. Eles
normalmente têm problemas com o que MEL LEVINE chama de Memória do
Trabalho Ativa, o espaço disponível no quadro da sua mente, por assim dizer.
Qualquer coisa que você inventar - rimas, códigos, dicas - pode ajudar muito
a aumentar a memória;

23 - Use resumos. Ensine sem profundidade. Estas técnicas não são


fáceis para crianças hiperativas, mas, uma vez aprendidas, podem ajudar
muito as crianças a estruturar e moldar o que está sendo ensinado, do jeito que
é ensinado. Isto vai ajudar a dar à criança o sentimento de domínio durante o
112

processo de aprendizagem, que é o que elas precisam, e não a sensação de


futilidade que muitas vezes definem a emoção do processo de aprendizagem
destas crianças;

24 - Avise sobre o que vai falar antes de falar. Fale. Então fale sobre o
que já falou. Já que muitas crianças com HIPERATIVIDADE aprendem
melhor visualmente do que pela voz, se você puder escrever o que será falado
e como será falado;

25 - Simplifique as instruções. Simplifique as opções. Simplifique a


programação. O palavreado mais simples será mais facilmente compreendido.
E use uma linguagem colorida. Assim como as cores, a linguagem colorida
prende atenção;

26 - Acostume-se a dar retorno, o que vai ajudar a criança a tornar-se


auto-observadora. Crianças com HIPERATIVIDADE tendem a não ser auto-
observadora. Elas normalmente não têm idéia de como vão ou como têm se
comportado. Tente informá-las de modo construtivo. Faça perguntas como:
Você sabe o que fez? ou Como você acha que poderia ter dito isto de maneira
diferente? ou Você acha que aquela menina ficou triste quando você disse o
que disse?. Faça perguntas que promovam a auto-observação;

27 - Mostre as expectativas explicitamente;

28 - Um sistema de pontos é uma possibilidade de mudar parte do


comportamento (sistema de recompensa para as crianças menores). Crianças
com HIPERATIVIDADE respondem muito bem às recompensas e
incentivos. Muitas delas são pequenos empreendedores;

29 - Se a crianças parece ter problemas com as dicas sociais - linguagem


do corpo, tom de voz, etc - tente discretamente oferecer sinais específicos e
explícitos, como uma espécie de treinamento social. Por exemplo, diga antes
113

de contar a sua história, procure ouvir primeiro a de outros ou olhe para a


pessoa enquanto ela está falando. Muitas crianças com HIPERATIVIDADE
são vistas como indiferentes ou egocêntricas, quando de fato elas apenas não
aprenderam a interagir. Esta habilidade não vem naturalmente em todas as
crianças, mas pode ser ensinada ou treinada;

30 - Aplique testes de habilidades;

31 - Faça a criança se sentir envolvida nas coisas. Isto vai motivá-la e a


motivação ajuda o hiperativo;

32 - Separe pares ou trios ou até mesmo grupos inteiros de crianças que


não se dão bem juntas. Você deverá fazer muitos arranjos;

33 - Fique atento à integração. Estas crianças precisam se sentir


socializadas, integradas. Tão logo se sintam enturmadas, se sentirão
motivadas e ficarão mais sintonizadas;

34 - Sempre que possível, devolva as responsabilidades à criança;

35 - Experimente um caderno escola - casa - escola. Isto pode contribuir


realmente para a comunicação pais - professores e evitar reuniões de crises.
Isto ajuda ainda o freqüente retorno de informação que a criança precisa;

36 - Tente utilizar relatórios diários de avaliação;

37 - Incentive uma estrutura do tipo auto-avaliação. Troca de idéias


depois da aula pode ajudar. Utilize também os intervalos de aula;

38 - Prepare-se para imprevistos. Estas crianças necessitam saber com


antecedência o que vai acontecer, de modo que elas possam se preparar. Se
elas, de repente, se encontram num imprevisto, isto pode evitar excitação e
inquietude;
114

39 - Elogios, firmeza, aprovação, encorajamento e suprimento de


sentimentos positivos;

40 - Com as crianças mais velhas, faça com que escrevam pequenas


notas para eles mesmos, para lembrá-los das coisas. Essencialmente, eles
anotam não apenas o que é dito, mas também o que eles pensam;

41 - Escrever à mão às vezes é muito difícil paras estas crianças.


Desenvolva alternativas. Ensine como utilizar teclados. Faça ditados. Aplique
testes orais;

42 - Seja como um maestro: tenha a atenção da orquestra antes de


começar. Você pode utilizar o silêncio ou bater o seu giz ou régua para fazer
isto. Mantenha a turma atenta, apontando diferentes partes da sala como se
precisasse da ajuda deles;

43 - Sempre que possível, prepare para que cada aluno tenha um


companheiro de estudo para cada tema;

44 - Explique e dê o tratamento normal a fim de evitar um estigma;

45 - Reúna-se com os pais freqüentemente. Evite o velho sistema de se


reunir apenas para resolver crises ou problemas;

46 - Incentive a leitura em voz alta em casa. Ler em voz alta na sala de


aula tanto quanto for possível. Faça a criança recontar estórias. Ajude a
criança a falar por tópicos;

47 - Repetir, repetir, repetir;

48 - Exercícios físicos. Um dos melhores tratamentos para


HIPERATIVIDADE em adultos ou crianças. Exercícios pesados, de
preferência. Ginástica ajuda a liberar o excesso de energia, ajuda a concentrar
a atenção, estimula certos hormônios e neurônios que são benéficos.
115

Assegure-se de que o exercício seja realmente divertido, porque deste modo a


criança continuará fazendo para o resto da vida;

49 - Com os mais velhos a preparação para a aula deve ser feita antes de
entrar na sala. A melhor idéia é que a criança já saiba o que vai ser discutido
em um certo dia e o material que provavelmente será utilizado;

50 - Esteja sempre atento às dicas do momento. Estas crianças são


muitos mais talentosas e artísticas do que parecem. Elas são cheias de
criatividade, alegria, espontaneidade e bom humor. Elas tendem a ser
resistentes, sempre agarradas ao passado. Elas tendem a ser generosas de
espírito, felizes de poder ajudar alguém. Elas normalmente têm algo especial
que engrandece qualquer coisa em que estão envolvidas;

Lembre-se de que no meio do barulho existe uma sinfonia, uma


sinfonia que precisa ser escrita.
116

3 - METODOLOGIA

O estudo aqui desenvolvido caracteriza-se através da observação,


relatos, revisão da literatura e estudo de caso, desenvolvido através de
pesquisas ora teóricas, ora práticas, na qual incidirá alguns testes,
naturalmente apropriados para cada caso específico, assim sendo, conforme
estudos e aplicações realizados de acordo com realidade imposta, já as
avaliações estão presentes em todo o processo de forma periódica.

Foi observado uma criança de 8 (oito) anos com


HIPERATIVIDADE (diagnosticada através de análise neurológica
conclusiva, segundo relatos da mãe) no seu ambiente escolar.

Entrevistou-se a mãe periodicamente 4 (quatro) vezes, durante todo


o período desta pesquisa. Este estudo teve a duração de 4 (quatro) meses.

No ambiente escolar observou-se o convívio relacional desta


criança com a professora e os demais coleguinhas da sala.

Foi aplicado a Bateria Psicomotora de FONSECA adaptada por


Vera Pessoa (ANEXO A) e Avaliação da HIPERATIVIDADE, onde utilizou-
se o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV,
adaptado por Caracas e Sá Júnior (ANEXO B).

A análise deste estudo foi do tipo qualitativa.

Será ainda necessário tomado como princípio fundamental à


pluralidade dos fatos e gama de interpretações a cerca do tema, pelo qual a
117

aplicação dos conteúdos não será cristalizada apenas sob uma vertente, ou
seja, serão aplicadas quantas técnicas necessárias forem para a eficácia dessa
pesquisa, até que se alcance o verdadeiro sentido deste projeto de pesquisa: o
de sublimar as dificuldades, sejam elas acometidas aos pais ou aos portadores
de HIPERATIVIDADE.

Pesquisa de Campo: serão realizadas entrevistas e também observação participante.

 Entrevistar docentes, responsáveis por algumas disciplinas as quais consideramos


importantes em nossa investigação, como: “Epistemologia Genética”,
“Psicopatologia”, “História”, “Clinica” e demais disciplinas afins;
 Entrevistar pacientes, terapeutas, sociólogos e antropólogos que se encaixem nas
seguintes categorias:
A) Profissionais das disciplinas relacionadas acima e afins;
B) Vemos ainda a necessidade de entrevistas com pacientes - fase terapêutica.
 Entrevistas com personalidades de reconhecido valor no campo pedagógico e de
psicologia e sociologia/antropologia.

Material Bibliográfico: constará de revisão bibliográfica de estudo relacionados e leitura


de teóricos que trabalham com o assunto.

 Literatura relacionada / aporte teórico na área pedagógica;


 Literatura relacionada / aporte teórico na área de psicologia;
 Literatura específica sobre teorias sociológicas e psicológicas;

A intenção de iniciar um trabalho interdisciplinar é na verdade o que torna-o mais


empolgante e, num futuro próximo, mais gratificante. Resultando num projeto de qualidade
através da união de forças, que possibilitará um crescimento científico, acadêmico,
profissional e pessoal do investigador.
118

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
119

O caso clínico aqui observado trata-se de uma criança com oito


anos de idade, filho único na postura familiar, cursando a segunda série do
ensino fundamental em entidade particular-pública, advinda com o
diagnóstico de hiperativo pronunciado pela mãe segundo análises
neurológicas conclusivas, sem exposição dos dados científicos comuns, ou
seja, sem apresentação de diagnósticos, encaminhamentos, receitas e
prognósticos.
Comungando dos resultandos realizados pela psicóloga Vera
Pessoa, aqui eqüitativos ao paciente em análise os resultados:

“Devem ser ressaltados, a "priori", os resultados


correspondentes aos métodos utilizados para o diagnóstico da
hiperatividade. Tais resultados devem ter o seu significado
enfatizado quando são contrastados com os conceitos de "alta
atividade corporal constante", "criança correndo de um lado para
outro", "agitação constante", "irrequieto" e "demasiadamente
ativo", usualmente utilizados para a rotulação da síndrome da
hiperatividade. Nesta linha de raciocínio, são enfáticos os
resultados conseguidos, ao indicarem que é a quantidade de
movimento corporal que diferencia o menino hiperativo do menino
normal”. (PESSOA, 2002: 192).

As referências aqui colhidas junto à mãe de K foram resultados de


uma periódica entrevista, fragmentada em 04 (quatro) encontros, sendo o caso
estudado como um todo (sem intervenção), durante o período de quatro
meses em ambiente escolar e principalmente no convívio relacional entre a
Professora x K x Colegas, pelo qual, demonstrou-se: comportamento,
desenvolvimento, convivência e mudanças.
Fato notório e substancial faz-se ressaltar de que K veio transferido
de uma outra turma em turno distinto, para conseqüentemente dar seqüência
ao segundo semestre com uma nova professora e turma de alunos, por
120

aversão/rejeição da professora/colegas anteriores, devido ao seu


relacionamento extremamente compulsivo-agressivo, causando reclamações
da maioria dos pais de alunos.
Em conversa introdutória a mãe, sempre desacompanhada do pai,
(figura “mitológica” e ausente em toda a observação deste caso) pudemos
captar que K veio de um parto de condições típicas e gestação “normal” de 36
(trinta e seis) semanas, a gestação foi calma, seguida de pré-natal periódico. A
criança nasceu a termo de parto normal, pesando 3.600g e medindo 52cm,
chorando sonora e audivelmente.
Caracterizando K fisicamente é uma criança de estrutura corporal
mesodérmica, dotada de uma compleição física perfeita, conta com um
plástica bonita, bem nutrida, estatura e estrutura relativa à sua idade.
Atualmente K conta com apoio farmacológico para minimizar o
comportamento inquieto e agressivo, e paralelamente é acompanhado por
psicológico a 03 (três) anos, direcionando um trabalhando de psico-
socialização.
Ao longo das observações diárias, percebemos que é destro, mesmo
que a ambidestria esteja presente em alguns momentos, possui boa linguagem
oral e pouca linguagem escrita. Procura não participar de atividades que
requeiram escrita e leitura, sempre com a resposta “eu já sei”. Gradativamente
a professora foi colocando-o em participação, atribuindo-lhe funções e
responsabilidades, bem como se valendo do jogo no processo didático,
usando a brincadeira e desafio, como instrumento normatizante do
comportamento de K. É uma criança dotada de extrema inteligência e quando
interessada seu rendimento é acima da média, porém a complicação e as
queixas advém da dificuldade e a manutenção em reter sua atenção por um
período maior de tempo.
121

Devemos levar em consideração aqui, que determinadas


dificuldades também decorrem do uso da medicação que K faz uso, que não
muito raro, causa um sono incontrolável, pela qual a criança dorme muitas
vezes na carteira, assistindo aula.
O convívio com os colegas de sala é de poucas horas de amizade e
muitas de brigas, na maioria das vezes provocadas por ele em agressividades
orais e físicas. É uma criança psicomotoramente instável, isto é, não para, e
seu sono é agitado e intermitente. Em determinados momentos faz tudo para
chamar a atenção dos seus colegas, adora ajudar em tarefas, tais como: como
apagar o quadro, entregar agendas, distribuir tarefas, buscar material, é muito
prestativo e isso facilita bastante, pois, a negociação de direitos e deveres é
bastante presente e dialética, funcionando em alguns momentos.
Suas avaliações são iniciadas na sala de aula juntamente com os
demais colegas e terminadas sempre com a ajuda da orientadora em uma sala
que só ele esteja, nota-se que K domina o conteúdo, mais foge totalmente da
concentração na hora de suas respostas e não deixa seus companheiros de
turma concluírem suas avaliações com tranqüilidade.
Processualmente, K antes dizia “eu já sei” e não fazia nada, hoje ele
diz “eu não sei” e faz muito além, que se surpreende com o resultado.
Acreditamos que houve alguma melhora no seu desenvolvimento,
sem restar dúvida que é uma criança que requer tratamento psicomotor e/ou
psicopedagógico, consumados através da análise dos resultados obtidos de
dois instrumentos: BATERIA PSICOMOTORA (ADAPTAÇÃO: VERA
MATOS e o DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, adotado também no Brasil
como padrão para a definição de doenças (ADAPTAÇÃO: SÁ JÚNIOR e
colaboração de CARACAS) em anexos A e B.
122

A criança atendendo, quanto à tonicidade revelou-se bastante


hipertônica à manipulação do observador, na extensibilidade, ainda que a
execução tenha sido satisfatória, notou-se um certo incômodo, observado
através de mímicas faciais. Sua reação aos sons inesperados apresentou-se de
maneira bem evidente. Seu controle postural foi observado através da
realização de movimentos pendulares, com certa insegurança e agitação. Ao
dispor a criança dentro de um círculo para observação no seu controle tônico
motor a resposta foi bem evidente pelo distanciamento do círculo.
Paralelamente a criança apresentou traços sincinésicos, tais como: sorrisos e
abrir e fechar de olhos esporádicos, bem como na averiguação do movimento
de pronação e supinação as dificuldades e descoordenação dos movimentos
foram claras e evidentes. Diante da explicação dos testes de espelhamento a
criança apresentou alguns erros, porém naturalmente corrigidos
processualmente por ela mesma, obtendo resultados satisfatórios mediante sua
função práxico-gnósica.
A criança apresenta conceitualmente um domínio da imobilidade
variante entre bom e excelente, assim como, no equilíbrio estático na
realização do apoio retilíneo, na ponta do pé e do apoio unipedal, com pouca
manifestação de desconforto. Já no equilíbrio dinâmico, ainda mesmo com a
realização perfeita a criança apresentou uma certa ansiedade na realização da
dinâmica, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento na trave
(aqui adaptados por relevos e acidentes geográficos naturais).
A lateralização, ou seja, quanto à dominância lateral, a criança
apresenta ainda certa dificuldade pela preferência da utilidade das mãos e dos
pés observados através da preensão de objetos (no caso das mãos) e dos
chutes (no caso dos pés), porém a dominância ocular mostra-se relativamente
direcionada para a direita (ainda que sujeita à análise oftalmológica paralela).
Aqui se relata uma certa dificuldade na representação da imagem do corpo
123

com sentido sinestésico bastante presente, ainda porque, a mãe da criança


relata que é uma “brincadeira” constante no repertório do seu lazer. Por conta
dos exercícios anteriores, aqui o sentido de esquerdo e direito apresenta-se
mais claramente, porém com deficiência aparente na imitação dos gestos
bilaterais e um desenho com pouca estilística.
A presença de traço hiperativo, ou melhor, manifestação situacional
de hiper-atividade corroborou num quadro de organização confusa na
estruturação espaço temporal, porém a estruturação dinâmica e rítmica
completa-se satisfatoriamente.
A praxia global se estrutura evolutivamente apresentando neste caso
e momento uma intenção planejada na realização do movimento (bola no
cesto e chutes a gol), mas contraditoriamente manifestando uma improbidade
motora quanto à dissociação dos membros. No entanto, já na praxia fina a
observação é naturalmente hiperpráxica, pois a criatividade e riqueza de
detalhes na construção de objetos esta acima da média e da expectativa bem
como na execução do tamborilar também bastante preciso. No tocante à
velocidade, o quadro apresentou-se inalterado diante da solicitação insistente
do observador, ou seja, mesmo com intencionalidade a criança não
manifestava rapidez ainda que aparentemente pra ela parecia estar realizando
um movimento mais rápido a cada solicitação, em contra partida a precisão,
definitivamente não foi alterada diante da regra proposta. Holisticamente, a
criança traz certas conveniências naturalmente representadas através da
maturidade orgânica, além de certas experiências anteriores, talvez até por
condicionamento, porém, há certas “dificuldades” a serem analisadas com
mais rigor e critérios, pela presença de certas sincinesias, a noção global do
corpo e a lateralidade (indefinida até então), esta última talvez por
incontinência maturativa. Sugere-se aqui a observação desses fatores na
124

possibilidade no projeto terapêutico baseados nos resultados quantitativos da


bateria psicomotora.

4
3,5
3
2,5 HIPERPRÁXICO
2 EUPRÁXICO

1,5 DISPRÁXICO
APRÁXICO
1
0,5
0
T E L NC EET PG PF

LEGENDA
TONICIDADE T
EQUILIBRAÇÃO E
LATERALIZAÇÃO L
NOÇÃO DO CORPO NC
ESTRUTURAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL EET
PRAXIA GLOBAL PG
PRAXIA FINA PF

A PSICOMOTRICIDADE pode, isto sim, intermediar o


desenvolvimento/desbloqueio biológico e o psicológico, tendo ainda como
mediadora desta intermediação a práxis (atividade) sem, no entanto,
desvincular-se da importante contribuição organização sócio-político-
econômico da sociedade, tendo base fundamental na cultura. A
PSICOMOTRICIDADE, sob nossa concepção, ativa o que a criança já
possui a nível biológico e psicológico, ela "apenas" facilita a apropriação do
existente numa relação dialógica com o social; o qual pode e deve ser
traduzido pela e na atividade da criança na sala de aula, como no caso da
presente pesquisa.
125

5. CONCLUSÃO

Embora a PSICOMOTRICIDADE seja preferível, na prática


clínica, muitos pacientes requerem tratamentos conjugados. Exemplos de
tratamentos conjugados incluem o uso de um antidepressivo associado a um
psicoestimulante no prognóstico da HIPERATIVIDADE e depressão
comórbida, a clonidina para melhorar a insônia induzida pelos estimulantes
ou o uso de lítio com um agente anti-HIPERATIVIDADE, para tratar a
síndrome comórbida com transtornos bipolares. Aliadas ao tratamento
farmacológico, as psicoterapias, sobretudo de abordagem cognitivo-
comportamental, podem ajudar na redução dos sintomas.

Devido à alta prevalência da HIPERATIVIDADE na infância e


sua conhecida persistência na idade adulta, a HIPERATIVIDADE é um
transtorno psiquiátrico comum também no adulto. Apesar da atenção
dispensada atualmente na mídia e sua validade como um problema de saúde
pública, o ceticismo a respeito desse transtorno limita o seu diagnóstico e
tratamento.

Uma questão a ser elucidada é que a maioria dos pacientes têm


sintomas residuais, mas não preenchem todos os critérios diagnósticos
necessários para que seja estabelecido o diagnóstico, como afirma
HEILIGENSTEIN e ANDERS (1999) e também HIGGINS (1999). Por sua
vez, os psiquiatras de adultos geralmente não consideram o diagnóstico de
HIPERATIVIDADE nessa faixa etária e tendem a atribuir os sintomas ou
falta de atenção a outras causas. Como os sintomas geralmente respondem ao
tratamento específico, subestimar o diagnóstico limita a recuperação de
muitos pacientes. Assim, pesquisas futuras deverão se ater nesse grupo de
pacientes.
126

Na evolução da história educacional, podemos destacar a não


aprendizagem como uma das causas do fracasso escolar, mas, se analisarmos
melhor, veremos que esta questão é bem mais ampla. Ela pode estar ligada a
vários fatores que merecem nossa atenção. Não podemos cruzar os braços e
achar que tudo vai passar com o tempo. Devemos correr contra o tempo e
fazermos acontecer, buscarmos, pesquisarmos, informarmos e acima de tudo
acreditarmos que nosso paciente ou nosso aluno pode ser um vencedor na luta
pelo troféu de seus ideais. Através do nosso exaustivo trabalho, ainda
temos/remos a oportunidade de conviver com os hiperativos (pacientes), seus
pais e familiares (para-pacientes) e educadores que muito contribuem para o
nosso aprendizado. Esperamos que os processos educacionais/clínicos e
sociais vigentes, através da capacitação de seu corpo, priorizem e respeitem o
sujeito desejante e as várias formas de inteligência que todos possuem, para a
capacitação de pessoas mais autônomas e mais capazes de acreditar no seu
verdadeiro potencial. Lembramos que somente médicos fazem administração
da medicação, quando acharem necessário. Aos psicomotricistas intervenções
clínica-terapêuticas e aos educadores cabe um estudo minucioso sobre o aluno
portador de HIPERATIVIDADE e a interação deste com sua família. Aos
pais, muita informação. É difícil, mas jamais será impossível enquanto houver
alguém preocupado em melhorar as condições de psicomotoras de um
portador de HIPERATIVIDADE. Queremos crer que este material informará
leigos, pais e professores e afins a entenderem, conviverem e ajudar pessoas
com HIPERATIVIDADE, tornando-as seres humanos mais auto-confiantes
diante de suas próprias dificuldades.

Em síntese, “A CLÍNICA PSICOMOTORA A SERVIÇO DA


HIPERATIVIDADE” assim como, o profissional egresso dessa especialidade
para-médica deve estar dotado de fundamentos humanísticos pautados em
acordos subjetivos, que lhe confiram habilidade crítica e reflexiva do
127

conteúdo intangível ao qual está em análise, assim como das relações sociais;
também de um conhecimento técnico-científico fundamental, baseado na
capacidade de desenvolvimento auto-suficiente e em constante diálogo com a
realidade social dinâmica; e ainda de capacitação para atuar como operador
coadjuvante no processo de “alta”, pois se trata aqui do processo
intervencionista do profissional, mas sem esquecer o sujeito/paciente
desejante e/ou passivo de “cura”.

Imaginamos ainda, que através da extensão universitária, da


produção de pesquisas científicas e de uma sólida prática terapêutica
orientada, ratificarão um caminho sólido e acertado no processo pensar,
adquirir e produzir o saber.

ANEXOS
128

ANEXO A

MANUAL DE OBSERVACÃO PSICOMOTORA


DE VITOR DA FONSECA -1995
PROTOCOLO ADAPTADO POR VERA MATTOS
129

NOME: K
SEXO: Masculino
IDADE: 08 anos
FASE DA APRENDIZAGEM: 2a. série
OBSERVADOR: José Tanilzo Sá Júnior
COLABORAÇÃO: Christiane Montenegro Caracas
DATA DA OBSERVAÇÃO: 19/10/2002

AVALIACÃO DAS UNIDADES FUNCIONAIS DE LÚRIA


PRIMEIRA UNIDADE FUNCIONAL:

I – TONICIDADE (exame de tônus de Ajuriaguerra e Bergks): 3

A) TÔNUS DE FUNDO:

• Passividade 1 2 3 4
• Extensibilidade 1 2 3 4

B) TÔNUS DE AÇÃO:

• Repercutibilidade 1 2 3 4
• Controle tônico postural 1 2 3 4
• Controle tônico motor 1 2 3 4
• Sincinesias 1 2 3 4
• Diadococinesias 1 2 3 4
• Funções práxico-gnósicas 1 2 3 4

II – EQUILIBRAÇÃO: 3

• Imobilidade 1 2 3 4

• Equilíbrio estático 1 2 3 4

a) Apoio retilíneo 1 2 3 4
b) Manutenção do equilíbrio 1 2 3 4
c) Apoio unipedal 1 2 3 4

• Equilíbrio dinâmico 1 2 3 4

a) Marcha controlada 1 2 3 4
b) Evolução na trave 1 2 3 4
c) Saltos com apoio unipedal 1 2 3 4

SEGUNDA UNIDADE FUNCIONAL:


130

I – LATERALIZACÃO: 2

• Manual 1 2 3 4
• Ocular 1 2 3 4
• Pedal 1 2 3 4

II – NOCÃO DE CORPO: 3

• Sentido cinestésico 1 2 3 4
• Reconhecimento D e E 1 2 3 4
• Auto-imagem 1 2 3 4
• Limitação de gestos 1 2 3 4
• Desenho de si 1 2 3 4

III – ESTRUTURAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL: 3

• Organização 1 2 3 4
• Estruturação dinâmica 1 2 3 4
• Estruturação rítmica 1 2 3 4

TERCEIRA UNIDADE FUNCIONAL:

I – PRAXIA GLOBAL: 3

• Coordenação óculo-manual 1 2 3 4
• Coordenação óculo-pedal 1 2 3 4
• Dissociação dos membros 1 2 3 4

II – PRAXIA FINA: 4

• Coord. dinâmica das mãos 1 2 3 4


• Tamborilar 1 2 3 4
• Velocidade 1 2 3 4
• Precisão 1 2 3 4

ANEXO B

AVALIAÇÃO DA HIPERATIVIDADE
Segundo o DSM-IV (Diagnostic Statistic Manual)
131

PROTOCOLO adaptado POR: José Tanilzo Sá Júnior com a colaboração de Christiane


Montenegro Moreira Caracas.

CRITÉRIO A NUNCA OU POUCO BATANTE QUASE SEMPRE


RARAMENTE
Ele(a) presta pouca atenção em detalhes e faz erros por X
falta de atenção nos deveres?
Ele(a) mexe com mãos e pés quando está sentado(a) ou se X
mexe muito na cadeira?
Ele(a) tem dificuldade de ficar concentrado(a) nos deveres X
e também nos jogos?
Ele(a) sai do lugar na sala de aula ou em outras situações X
(ex. na mesa do jantar) quando deveria ficar sentado(a)?
Ele(a) parece estar prestado atenção em outras coisas X
quando se fala com ele(a)?
Ele(a) corre e sobe nas coisas quando deveria ficar X
tranqüilo(a)?
Ele(a) tem dificuldades de seguir instruções até o fim ou X
deixa os deveres sem terminar?
Ele(a) tem dificuldade de ficar em silêncio quando brinca? X
Ele(a) é desorganizado(a) com os deveres e outras X
atividades no dia-a-dia?
Ele(a) é “elétrico” e fica “a mil por hora”? X
Ele(a) evita ou antipatiza com deveres ou atividades que X
exijam concentração?
Ele(a) fala demais? X
Ele(a) perde material escolar ou coisas do dia-a-dia? X
Ele(a) responde às perguntas antes dos outros terminarem X
de falar?
Ele(a) se distrai com facilidade com coisas fora daquilo X
que está fazendo?
Ele(a) tem dificuldade de esperar sua vez? X
Ele(a) se esquece de coisas que deveria fazer no dia-a-dia? X
Ele(a) interrompe ou se mete na conversa os outros? X

CRITÉRIO B: (responda sim ou não)


Alguns desses sintomas estavam presentes antes dos sete anos de idade?
SIM X NÃO

CRITÉRIO C: (responda sim ou não)


Existem problemas causados pelos sintomas em dois ou mais situações (por exemplo: na escola, no trabalho e em casa)?
SIM X NÃO

CRITÉRIO D: (responda sim ou não)


Há problemas evidentes na vida escolar, social ou familiar por conta dos sintomas?
SIM X NÃO

CRITÉRIO E: (responda sim ou não)


Os sintomas não são bem explicados pela presença de um outro problema (tal como depressão, deficiência mental, psicose, etc.)?
SIM NÃO X

CRITÉRIO F: (responda sim ou não)


132

Alguém mas na família (tio, irmão, pai, mãe, etc.) apresentam ou apresentaram quadro semelhante de comportamento?
SIM X NÃO

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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8. GLOSSÁRIO

C
136

Catarse:
s.f. (Méd.) Depuração de idéias. A terapêutica elimina as idéias que provocam
reação emocional. Elemento de técnica psicanalítica e psicoterápica que visa à
remissão dos sintomas através da exteriorização verbal e emocional dos
traumatismo afetivos reprimidos. (Estét.) Efeito moral da tragédia.

Consubstanciada:
Ato ou efeito de consubstanciar; consubstanciação; s. f. 1. União de dois ou
mais corpos em uma só substância. 2. Teol. Presença de Cristo na eucaristia,
como a entendem os luteranos.

Distractibilidade:
Qualidade de quem tem distração; distraído; s. f. 1. Estado em que a atenção
está dividida entre vários assuntos ou ações. 2. Irreflexão, inadvertência. 3.
Esquecimento. 4. Palavra ou ato irrefletido. 5. Divertimento, recreação.

Emulsificante:
Que emulsifica; emulsão; s.f. Preparação farmacêutica de consistência leitosa
ou gordurosa; (Fís. Quím.) suspensão colorida de um líquido em outro (p. ex.
o leite é uma emulsão).

Encefalite:
s. f. Med. Inflamação do encéfalo.

Espistemologia:
s.f. Estudo do grau de certeza do conhecimento científico em seus diversos
ramos, especialmente para apreciar seu valor para o espírito humano.

Eutonia:
s.f. Estado de tensão corporal dito como perfeito.

Hipersexualidade:
(cs), s. m. Med. Propensão exagerada para as práticas sexuais.

Hipertonia:
137

s.f. Estado de tensão corporal dito como exagerado.

Hiposexuailidade:
(cs), s. m. Med. Propensão à inibição das práticas sexuais.

Hipotonia:
s.f. Estado de tensão corporal dito como imperfeito, insuficiente.

Histriônico:
s. m. 1. Vil comediante, palhaço. 2. Fig. Charlatão. 3. Homem abjeto pelo seu
procedimento.

Labilidade:
Derivante de lábil; adj. 2 gên. Que escorrega facilmente; fraco; transitório;
(Geol.) instável. (Psiq.) Mudança rápida de emoções.

Ludoterapia:
Refere-se a terapia onde consiste na utilização de jogos, brincadeiras e
divertimentos.

Matizar:
v. 1. Tr. dir. Dar cores diversas a. 2. Tr. dir. Graduar, variar (cores). 3. Pron.
Ostentar cores variadas. 4. Tr. dir. Adornar, enfeitar.

Mnêmica:
adj. 1. Que se refere à memória. 2. Que ajuda a memória. 3. Que facilmente se
grava na memória.

Nevrálgico:
adj. Relativo a nevralgia; neurálgico.
138

Paratonia:
Perturbação do tônus (debilidade psicomotora), consistindo principalmente no
relaxamento.

Parcimônia:
s. f. 1. Qualidade de parco. 2. Ato de poupar; economia.

Práxico:
Ato ou efeito de todo movimento intencional, organizado, tendo em vista a
obtenção de um fim ou resultado de ação.

Procrastinação:
s. f. Ato ou efeito de procrastinar; v. 1. Tr. dir. Deixar para outro dia; adiar. 2.
Intr. Usar de delongas.

Profilática:
adj. Relativo à profilaxia. Var.: profiláctico; (cs), s. f. 1. Parte da medicina que
trata das medidas preventivas contra as enfermidades. 2. Emprego dos meios
para evitar as doenças.

Pulsões:
s.f. (Méd.) Erupção instintiva energética e motora que induz o organismo a
um fim, fazendo realizar ou reprimir certos atos.

Reflexologia:
s.f. Estudo sistemático dos reflexos, de interesse científico.

Tonicidade:
s. f. 1. Estado ou qualidade de tônico. 2. Estado em que os tecidos orgânicos
revelam vigor ou energia.