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ARTIGO

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A nova legislação para resíduos da construção

O conhecido cenário das inúmeras deposições irregulares e bota-

foras de entulho nos centros urbanos brasileiros começa a ser alterado pelas ações incisivas tomadas em di- versos municípios brasileiros. O principal indutor desse fenômeno foi a edição da Resolução n o 307 do Co-

nama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Para resíduos mais agressivos, co- mo os domiciliares e os dos serviços de

saúde, sistemas de gerenciamento es- tão implantados, ao menos na etapa de coleta. Em relação aos resíduos da construção (60% ou mais da massa total dos resíduos sólidos urbanos), menos incômodos por não serem, em geral, putrescíveis, acaba-se por aceitar a não-responsabilização dos geradores e a multiplicação das deposições e bota-foras irregulares.

Tarcísio de Paula Pinto, mestre e doutor pela USP e diretor da I&T Informações e Técnicas E-mail: ietsp@uol.com.br

A Resolução Conama 307, aprova-

da em 05/07/2002,criou os instrumen- tos para a superação desses problemas, definindo responsabilidades e deveres, e abrindo caminho para o preparo de normas técnicas, tanto para o correto

manejo dos resíduos, como para o uso pós-reciclagem. A Resolução impõe aos geradores a obrigatoriedade da redução, reutiliza- ção e reciclagem, quando, prioritaria- mente, a não-geração dos resíduos foi inviável. Mas, diante das características desses geradores (de 70 a 80% dos resí- duos provêm de pequenas obras) foi definida,para os municípios e o Distri-

to Federal, a necessidade de desenvol- verem e implementarem Planos Inte- grados de Gerenciamento,que possibi- litem a expressão das responsabilida- des dos geradores. Obedecidas as diretrizes gerais da Resolução, aos municípios caberá a

definição da política local de gestão, assumindo a solução para o proble- ma dos pequenos volumes, quase sempre maldispostos, e disciplinando a ação dos agentes envolvidos com os grandes volumes de resíduos. Além disso, deverão definir e licenciar áreas para o manejo dos resíduos em con- formidade com a Resolução Conama 307, cadastrar e formalizar a presença dos transportadores desses resíduos, exigir responsabilidades dos gerado- res, inclusive no tocante ao desenvol- vimento dos planos específicos pre- vistos na Resolução.

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Fotos: divulgação
Fotos: divulgação

Estação de Reciclagem Pampulha, em Belo Horizonte

Unidade de Reciclagem, em Ribeirão Pires-SP

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Aspecto essencial na Resolução Conama 307 é a solução encontrada para a abolição dos bota-foras de entu- lhos da construção. Se não há viabili- dade em exigir-se, nesse momento, a plena reciclagem dos resíduos capta- dos da construção urbana, não se po- deria aceitar a continuidade dos bota- foras, expressão máxima da indiscipli- na nesse processo. Não poderemos ter, em curto prazo, índices elevados de re- torno desses materiais ao ciclo produ- tivo, mas podemos adotar práticas que respeitem esses materiais como recur- sos naturais não-renováveis. Para isso servirá a nova figura instituída pela Re- solução, os Aterros de Resíduos da Construção Civil, nos quais, não ha-

vendo um uso urbano futuro designa-

do para a área, necessariamente o ma- terial deverá ser reservado, de forma segregada e disponibilizado para recu- peração quando houver condições econômicas e políticas adequadas. Todo esse processo de gestão sus- tentável dos resíduos precisa caracteri- zar e triar os resíduos para que a defini- ção de novos destinos seja feita com respeito às quatro classes definidas pela Resolução (veja quadro). Em conseqüência da Resolução Co- nama e da necessidade de avançar no disciplinamento desses resíduos,o Esta- do de São Paulo formulou o primeiro instrumento de política estadual sobre a questão.A Resolução n o 41(17/10/2002) da Secretaria Estadual de Meio Am- biente proíbe a operação de bota-foras no Estado,define procedimentos para o licenciamento dos Aterros de Resíduos da Construção Civil em função do porte e dá prazo para o enquadramento das áreas já existentes. As alterações exigidas pela Resolu- ção Conama não serão feitas sem novas normas técnicas. O esforço para desenvolvê-las vem sendo sustentado

CLASSES E DESTINOS DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO, CONFORME A RESOLUÇÃO CONAMA N O 307

Classes

Integrantes

Destinação

A

Componentes cerâmicos, argamassas, concretos e outros, como solos

Reutilizar ou reciclar na forma de agregados, ou encaminhar a aterro de resíduos da construção civil, dispondo de modo a permitir sua utilização ou reciclagem futura

B

Plásticos, papel e papelão, metais, vidros, madeiras e outros

Reutilizar, reciclar ou encaminhar a áreas de armazenamento temporário, permitindo a utilização ou reciclagem futura

  • C Gesso e outros

Armazenar, transportar e destinar em conformidade com as normas técnicas específicas

  • D Tintas, solventes, óleos e outros resíduos

Armazenar, transportar, reutilizar e destinar em conformidade com as normas técnicas

contaminados específicas

PROJETOS DE NORMA BRASILEIRA EM CONSULTA PÚBLICA OU EM PREPARAÇÃO

Comitê

Projeto

Aspectos centrais

CB 02

02:130.06-001

Resíduos sólidos da construção civil e resíduos volumosos Áreas de transbordo e triagem e Diretrizes para projeto,

Define procedimentos para o manejo na triagem dos resíduos das diversas classes, inclusive quanto à proteção ambiental e controles diversos

implantação e operação

CB 02

02:130.06-002

Define procedimentos para o preparo da área e disposição dos resíduos classe A, proteção das águas e proteção ambiental, planos de controle e monitoramento

Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes Aterros Diretrizes para projeto, implantação e operação

CB 02

02:130.06-004

Estabelece procedimentos para o isolamento da área e para o recebimento, triagem e processamento dos resíduos classe A

Resíduos sólidos da construção civil Áreas de reciclagem

Diretrizes para projeto, implantação e operação

CB 02

02:130.05-002

Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil Execução de camadas de pavimentação

Define as características dos agregados e as condições para uso e controle na execução de reforço de subleito, sub-base, base e revestimento primário

Procedimentos (cascalhamento)

CB 18

Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil Requisitos

Define condições de produção, requisitos para agregados em uso em pavimentação e em concreto, e o controle da qualidade do

agregado reciclado

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Fotos: divulgação

Programa Obra Limpa – Gestão no canteiro de obras, em São Paulo

pela Câmara Ambiental da Indústria da Construção Civil, da Cetesb-SP, e por grupos técnicos estruturados a partir de workshop realizado em 2001, em São Paulo, com apoio de várias ins- tituições participantes de Comissões de Estudo no âmbito do CB-02 e CB- 18 da ABNT. A Prefeitura do Município de São Paulo acaba de divulgar uma listagem de serviços para os quais aceitará a oferta do uso dos novos agregados, obedecida a especificação técnica e as condições favoráveis de preço. Os ser- viços de divulgação pela prefeitura em-

butem uma estimativa de preço para os

agregados reciclados em São Paulo, da ordem de R$ 21,91/m 3 . Iniciativas como essas, integradas a outros esforços de renovação da gestão, como a breve contratação, pela PMSP, de aterros que se adaptem às exigências da Resolução Conama 307, reservando os resíduos que possam ser reinseridos no ciclo produtivo, apontam para uma progressiva alteração de cenários. Uma ação importante para a sustentabilidade desse esforço de gestão renovada vem sendo o prepa- ro, pela Caixa Econômica Federal, de uma linha específica de financia- mento (a baixo custo, por operar com recursos do FGTS) destinada ao apoio de entidades privadas que, em parceria com os municípios, im- plantem instalações de reciclagem após o atendimento de alguns requi- sitos – o preparo do Plano Integrado de Gerenciamento local, previsto pela Resolução Conama, a abertura do mercado público para a compra de agregados reciclados e o respeito às normas técnicas para manejo e aplicação de resíduos.

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Unidade de Reciclagem e Produção da EMDHAP, em Piracicaba-SP

Os passos dados por diversos mu- nicípios e autores, em função das exi- gências da Resolução Conama, têm ge- rado lições significativas e mostrado que é viável a gestão sustentável dos re- síduos, com redução dos custos; foi mostrado que resíduos como madeira

(classe B) e solos provenientes de desas-

soreamento (classe A) encontram solu- ções técnica e economicamente viáveis. A madeira vem sendo destinada no processo de produção de componentes cerâmicos, alimentando fornos indus- triais em condições controladas. Gua- rulhos, município paulista com grande número de córregos e persistentes pro- blemas de drenagem,já consegue evitar o descomprometido bota-fora do ma- terial resultante do desassoreamento com uso de equipamento simples, que

SERVIÇOS COM AGREGADOS RECICLADOS INCLUÍDOS NA TABELA DE PREÇOS DA PMSP (SECRETARIA DE INFRA-ESTRUTURA URBANA)

  • 14.1 Fundação de agregado reciclado

  • 14.2 Revestimento primário com agregado reciclado misturado ao solo local

  • 14.3 Base de agregado reciclado

  • 14.4 a Reforço de subleito/sub-base de

  • 14.9 solo melhorado com agregado reciclado – 10% a 60% em volume

  • 14.10 Lastro de agregado reciclado

  • 14.11 Dreno de agregado reciclado graúdo

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Área de transbordo e triagem da estrada do Bongue, em Piracicaba-SP

separa um grande percentual de fração miúda, e limpa, que pode ser reservada ou reutilizada de imediato. Esses resíduos constituíam um problema enquanto estavam imersos na massa descontrolada de resíduos empurrados em bota-foras. O mesmo vem acontecendo com o gesso acarto- nado, com produtores que oferecem o recebimento de aparas.A triagem colo- cou à tona oportunidades de negócios que anteriormente não eram visíveis. As diversas Áreas de Transbordo e Tria- gem já existentes em Belo Horizonte, São Paulo, São José do Rio Preto-SP, Guarulhos-SP e Piracicaba-SP, em sua maioria empreendimentos privados, são sustentáveis e vão se consolidando economicamente. Em Piracicaba-SP, a recente im- plantação de uma área de triagem e transbordo,fruto de parceria entre a ad- ministração pública e a associação de empresas coletoras, mostra a total via- bilidade de recepção ordenada dos resí- duos e sua destinação correta. Uma única área recebe um terço dos resíduos gerados no município e disponibiliza para reciclagem e posterior uso em pa- vimentação e fabricação de artefatos 25% dos resíduos classe A gerados. Iniciativas como essa vêm rompen- do velhos paradigmas, mostrando ser

possível aliar redução de resíduos e re-

dução de custos,aliar alteração de com-

portamento nas diversas frentes de tra- balho à construção de parcerias com os

diversos fornecedores.Ajudam a abolir,

a disposição irresponsável em bota-

foras, por meio da destinação compro-

missada de cada componente dos resí-

duos triados, para que a responsabili-

dade com o ambiente que ancora a ati-

vidade econômica seja exercida.

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