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ALFABETIZAR OU NÃO NA PRÉ-ESCOLA?

ANÁLISE INERENTE AO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Josiane Peres Ferreira, Mara Silvia de Souza, Neuza Machado e Patrícia Xavier Gugel
Introdução
O processo de ensino-aprendizagem é bastante complexo e para melhor
compreendê-lo deve-se conhecer as etapas do desenvolvimento humano, as
influências e contribuições de fatores importantes nesse processo. Segundo Arribas,
(2004) a criança inicia a aprendizagem desde o ventre de sua mãe e continua por
toda a vida, porém é a partir do nascimento que o ser humano participa ativamente
de seu desenvolvimento. Para a aprendizagem de conteúdos científicos na escola, a
criança necessita de algumas condições básicas para aprendê-los, condições estas
que dependem da maturação, desenvolvimento, influências do meio, entre outros
fatores, ou seja, são pré-requisitos básicos para compreender novos conteúdos e
assim por diante.
Porém, percebe-se que muitas crianças apresentam dificuldades relacionadas à
aprendizagem principalmente no período da alfabetização, o que pode estar
vinculado a inúmeros fatores, como: estímulos precários, problemas neurológicos,
condições físicas e emocionais, ou seja, faltam as condições básicas. No entanto, o
que muitas vezes acontece é a cobrança exagerada, a exigência na hora de
aprender a ler e escrever mesmo a criança não estando preparada para assimilar
esse tão complexo processo, o que se torna um dos principais fatores, que leva pais
e professores a tratarem o aluno como portador de dificuldade de aprendizagem.
Cada criança tem um momento próprio de aprender e quando há falta de estímulos
ou uma grande cobrança no momento da alfabetização pode causar uma demora no
aprender, o que é confundido com a dificuldade de aprendizagem. É aí, que
podemos perceber claramente a importância e a função da pré-escola, pois é
quando a criança deverá ser estimulada e preparada para a alfabetização,
trabalhando os pré-requisitos nos aspectos: cognitivo, motor e afetivo/social.
Embora tenhamos claro que cada criança é um ser único, muitas vezes trabalhamos
numa sala de aula como se fossem todos iguais, tardando a aquisição de conteúdos
para alguns alunos, e ainda se faz uma comparação entre eles e não se observa os
progressos obtidos por cada um em diferentes momentos da vida escolar,
principalmente durante o processo de alfabetização. Assim, o que pretendemos é
justificar a importância das condições iniciais para a aprendizagem, como a criança
se desenvolve em todos os aspectos e para isto, iremos buscar embasamento nos
principais autores que tratam sobre as teorias de desenvolvimento, com: Freud,
Erickson, Piaget, etc. Mostrando assim, que deve ser respeitado o ritmo de cada
indivíduo, bem como, dar condições mínimas de aprendizagem.
Também apresentamos relatos de uma pesquisa realizada com vinte e oito pais e
vinte e quatro professores de três escolas de Cascavel, juntamente com os
comentários sobre a observação realizada em salas de aula de pré-escola em cada
uma dessas escolas.
Desta forma, procuramos estruturar o presente trabalho da seguinte maneira:
inicialmente buscamos apresentar as principais teorias do desenvolvimento infantil,
após destacamos a importância da maturação para a aprendizagem. Depois
enfocamos a função da educação infantil e qual a sua relação com a alfabetização,
para somente então descrever e analisar a pesquisa realizada, verificando assim,
como a alfabetização deva ser trabalhada e cobrada nos primeiros anos escolares
da criança.

Desenvolvimento Infantil: Importância Para a Vida Escolar


Há muito tempo a humanidade vem se preocupando com o processo de
desenvolvimento infantil. Estudiosos como Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Froebel
mostraram interesse, segundo Barros (1997), em estudar o comportamento e
desenvolvimento da criança pequena. “Rousseau acreditava que a educação devia
começar no nascimento e continuar até os vinte e cinco anos. Ele enfatizava a
necessidade de estimular o desenvolvimento natural da criança...” (SPODEK, 1998,
p.41).
Com a passar do tempo surge a Psicologia do Desenvolvimento infantil que procura
descrever, tão completa e exatamente quanto é possível, as funções psicológicas da
criança, por exemplo: suas reações intelectuais, sociais, emocionais e motoras em
diferentes idades, e descobrir como tais funções mudam com a idade.
Hoje, já existem normas do desenvolvimento estabelecidas para vários
comportamentos, por exemplo: tabelas de desenvolvimento motor que indicam
quando uma criança consegue levantar o queixo, sentar-se, engatinhar, andar, pular
num pé só etc.; de desenvolvimento de linguagem pelas quais sabemos de quantas
palavras, aproximadamente é composto o vocabulário de uma criança aos 18
meses, com 1 ano, 2 anos etc. Há também descrições bem claras do
desenvolvimento cognitivo, sexual, moral etc. É importante lembrar que para
educar uma criança e ensiná-la, exige do adulto, além de amor e dedicação, o
conhecimento das características infantis em cada fase do desenvolvimento: seus
interesses, necessidades, motivações e possibilidades. Para ensinar um conteúdo a
uma criança, precisa-se saber como ela organiza o seu pensamento, se está pronta
para compreender aquela atividade, como poderá ser motivada, quais os melhores
meios de ensiná-la e de tornar duradoura essa aprendizagem.
Em cada idade, a criança vai apresentando características diferentes, novas
maneiras de ser tanto fisicamente quanto em seus aspectos intelectuais,
emocionais e sociais. Os problemas que aparecem em seu comportamento não
podem ser ignorados pelos adultos, mas precisam ser estudados e compreendidos,
para serem resolvidos. Não podemos esquecer, porém, que todos os aspectos do
desenvolvimento estão inter-relacionados. Assim, à medida que uma criança cresce
e amadurece fisicamente, sua inteligência também se desenvolve, seu
comportamento sócio e emocional está sendo modificado e aprimorado.
Os estudos sobre a infância passaram por muitas dificuldades para se impor como
área realmente séria, científica e útil do ponto de vista social, somente a partir do
século XIX é que se observa uma maior preocupação com os estudos sobre o
desenvolvimento infantil.
O início das pesquisas e estudos científicos tratavam do comportamento infantil,
tendo como objetivo descrever e analisar os comportamentos típicos de cada faixa
etária elaborando escalas de desenvolvimento. Assim, o desenvolvimento infantil
poderia ser medido e comparado com o que se esperava para determinado período
infantil, ou com o comportamento considerado normal. Podemos destacar
estudiosos importantes como Simon e Binet (apud. BARROS, 1997) preocupados
em pesquisar o comportamento humano. “Aplicando a escala Binet-Simon,
determinamos a Idade Mental (IM) da criança, que poderá coincidir com sua idade
cronológica...” (BARROS, 1997, p. 99).
Por outro lado, Freud no início do século XX apresentava suas descobertas a
respeito do desenvolvimento da personalidade da criança e com a constatação de
que certos acontecimentos vivenciados na infância eram os determinantes
principais de distúrbios de personalidade na idade adulta, mostrando a importância
dos primeiros anos de vida na formação da personalidade, determinando o curso do
seu desenvolvimento futuro no sentido da saúde mental e da adaptação social
adequada ou da patologia através da hipnose. Segundo ele as crianças precisam
passar por algumas fases na vida para poder crescer psiquicamente saudáveis.
“Freud explica nosso desenvolvimento emocional, dizendo que o ser humano passa
por diferentes períodos desde que nasce até alcançar a adolescência. Em cada um
desses períodos, a libido toma uma direção característica.” (BARROS, 1997, p.
62,63).
Assim, Freud destaca as fases no desenvolvimento infantil. Na fase oral (0 a 18
meses) os lábios, a boca e a língua são os principais órgãos de prazer e satisfação
da criança, seus desejos e satisfações são orais, os atos de sugar, de por coisas na
boca e de morder são fontes de prazer. Já na fase anal (18 meses a 3 anos) ela
esta sendo ensinada a controlar as fezes e a urina. Sensações de prazer e
desprazer associam-se tanto com a expulsão como a retenção das fezes, e esses
processos fisiológicos, são tidos como os principais objetos de interesse da criança.
Na fase fálica (3 a 7 anos) descobre a sexualidade das pessoas pois até então não
tinha essa noção, começa também a chamada angústia do crescimento onde ela se
recusa a fazer determinadas coisas que já fazia parte de sua rotina, ou seja, já
aprendidas e incorporados, como: ir a escola, tomar banho, etc., este sentimento
pode ser visto como normal porém não deve ser atendido, ou seja, a criança deve
continuar realizando suas atividades normalmente, mesmo que às vezes não seja
de seu agrado, pois nesta fase ela começa organizar os sentimentos de separação,
percebendo que as pessoas se separam e quando isso acontece lhe causa dor.
Interessa-se e aproxima-se mais do pai (menina) ou da mãe (menino). As
respostas dadas as crianças nesta fase deverão ser sempre coerentes, corretas e de
acordo com as perguntas feitas, atendendo a necessidade imediata da criança. É
importante contar histórias para que ela possa se identificar com os personagens. O
contato físico é de suma importância nesta fase.
Freud trata na quarta fase do desenvolvimento a Latência que seria o período de
calmaria, onde os impulsos são impedidos de se manifestar, aparecendo barreiras
mentais, onde a libido concentra-se para finalidades culturais, ou seja, domínio da
leitura da escrita e de muitas outras habilidades. É a época em que se manifesta a
nítida separação entre meninos e meninas e a rivalidade entre os dois grupos. E
conclui sua análise com a fase Genital onde na adolescência o objeto de erotização
ou de desejo não está mais no próprio corpo, mas no outro. Neste momento
meninos e meninas estão conscientes de suas identidades sexuais e começam a
buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas.
Outro estudioso que também contribui para a compreensão do desenvolvimento
humano é Eric Erikson, (apud. SPODEK, 1998) discípulo de Freud, que apresenta o
desenvolvimento abrangendo toda a vida humana, convertendo a teoria freudiana
em estágios psicossexuais. Sua teoria é conhecida como as oito idades do homem.
Seu trabalho representa uma grande contribuição para o entendimento do
crescimento psicológico saudável, durante todo o ciclo da vida. Ele mostra, através
da história pessoal, como os eventos e as reações durante a infância preparam as
pessoas para serem adultos.
Primeira idade: confiança x desconfiança (0 a 1 ano e meio) corresponde a fase oral
de Freud. Nesta fase a criança irá ter experiências que a levarão a confiar ou não
em sua mãe e também nas outras pessoas.
Segunda idade: autonomia x vergonha (1 ano e meio a 3 anos), corresponde à fase
anal da teoria freudiana. Com a crescente maturação física da criança, vem o
desmame, a possibilidade de se locomover sem auxílio e a capacidade de controlar
os intestinos e a bexiga, vai aos poucos se tornando independente de sua mãe,
dando a ela um sentimento de autonomia, sentindo grande necessidade de fazer
várias atividades sozinhas. Há também o desejo de explorar o ambiente, pegando
objetos, abrindo e fechando gavetas, etc. Inicia-se também a linguagem,
precisando de encorajamento e modelos para progredir na fala, porém sem
exageros na correção da linguagem da criança, pois poderá surgir um sentimento
de vergonha, se em suas primeiras tentativas para falar, ela for criticada por não
falar do jeito certo.
Terceira idade: iniciativa x culpa (3 a 6 anos), que corresponde a fase fálica descrita
por Freud. Nesta fase a criança desenvolve sua identidade como menino ou menina.
È importante fazer com que a criança se sinta segura, e não fazê-la se sentir
culpada por expressar seus desejos. Essa é a idade em que a criança tem
necessidade de receber esclarecimento sexual, à medida que manifeste curiosidade
e capacidade de compreensão.
Quarta idade: domínios x inferioridade (6 aos 12 anos), corresponde à fase da
latência.A principal realização deste estágio é aprender habilidades, tanto na escola
como fora dela. É a idade em que a criança aprende a ler, escrever, calcular, jogar
futebol, xadrez, remar, tocar um instrumento musical, nadar, andar de bicicleta.
Energia e motivação são muito acentuadas nessa idade. O professor deve ter como
objetivo estimular na criança os sentimentos de competência e de domínio e
relação às atividades escolares e evitar que nela se instale o sentimento de
inferioridade.
Quinta idade: Identidade x confusão de papéis (12 aos 18 anos), segundo ele o
adolescente está na idade da identidade versus confusão de papéis, quando tem
início, na doutrina freudiana, a fase genital. Durante todo o desenvolvimento, a
criança teve uma longa série de identificações e, assim foi adquirindo algumas
características dos pais, professores e de muitas outras pessoas. Tendo uma
necessidade intensa de pertencer a um grupo social, onde esses o auxiliam a
encontrar sua identidade no contexto social. Afirma que, para ajudá-los a crescer,
necessita-se atribuir-lhes, cada vez mais, independência e responsabilidade.
Sexta idade: intimidade x isolamento (18 a 30 anos), ao encontrar sua identidade,
o jovem se dispõe a fundir sua identidade com a de outros. Ele estará preparado
para a intimidade, pronto para abandonar a si mesmo sem ter temor de perder sua
identidade.
Sétima idade: generatividade x estagnação (30 a 60 anos), o adulto precisa sentir-
se necessário, ou seja, criar uma nova geração e orientar os mais novos, mas
quando isso não acontece, ocorre uma sensação de estagnação e de infecundidade.
Oitava idade: integridade do Ego x desesperança (acima de 60 anos), nesta fase o
adulto que satisfatoriamente tiver resolvido todas as crises anteriores e adquirido o
senso de ajuda e solidariedade aos outros, terá atingido a integridade pessoal
necessária para encarar a crise final, ou seja, a de sua desintegração e morte.
Já os estudos a respeito do desenvolvimento cognitivo tiveram um importante
impulso a partir das pesquisas do psicólogo suíço Jean Piaget, sua teoria foi
chamada de construtivista onde ele e seus seguidores defendiam a idéia de que a
criança constrói sozinha sua própria estrutura mental em um processo de ajuste ao
meio. “Por mais de 40 anos ele realizou pesquisas com crianças, visando não
somente conhecer melhor a infância para aperfeiçoar os métodos educacionais,
mas também para compreender o homem.” (BARROS, 1997, p.104).
Os conceitos importantes da sua teoria são: a adaptação que se refere ao ajuste
constante que o ser humano deve fazer com o meio e consigo mesmo, onde a
iniciativa partirá ora do meio ora do próprio sujeito. Quando a iniciativa é do ser
humano que utiliza as condutas naturais ou apreendidas, incorporando a elas
objetos do meio, modificando-os, ocorre a assimilação. Se ao contrário é o meio
que requer que o sujeito modifique seus esquemas de conduta para resolver a
situação estamos diante da acomodação.
Piaget divide o desenvolvimento infantil em quatro períodos que caracteriza as
diferentes formas do indivíduo interagir com o meio, construindo e organizando
seus conhecimentos dos pontos de vista cognitivo, afetivo, social e perceptivo
motor, são eles: Estágio sensório-motor (0 a 2 anos), o bebê começa a construir
esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática,
onde as noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o
meio é direto e imediato, sem representações ou pensamento.
Estágio pré-operatório (2 a 7 anos), a criança se torna capaz de representar
mentalmente pessoas e situações, podendo agir por simulação. Sua percepção é
global, sem discriminar detalhes, deixando-se levar pela aparência, sem relacionar
aspectos. Centra-se em si mesma, pois não consegue colocar-se abstratamente no
lugar do outro.
Estágio operatório concreto (7 a 11 anos), nessa fase, a criança já é capaz de
relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Não se limita a uma
representação imediata, mas depende do mundo concreto para chegar a abstração.
Desenvolve também a capacidade de refazer um trajeto mental, voltando ao ponto
inicial de uma situação.
Estágio operatório-formal (12 anos em diante), neste estágio a representação
permite uma abstração total, onde a criança não se limita somente a uma
representação imediata ou a relações previamente existentes, mas é capaz de
pensar em todas as relações possíveis logicamente.
Ele e outros mostraram que a capacidade de pensar sob a forma de operações
formais não se desenvolve antes que as crianças atinjam a idade mental de uns 13
anos. Daí se segue que os métodos de ensino, para a maioria dos alunos dos
cursos de 1º grau, e mesmo mais tarde, deveriam ser adequados a crianças que
pensam em termos concretos. (BARROS, 1997, p.112).

Para o psicólogo soviético Vygotsky, a criança não constrói suas estruturas


cognitivas sozinhas, mas a partir da influência essencial das pessoas a sua volta.
Defende sua teoria através de níveis de desenvolvimento: o primeiro pode ser
chamado de nível de desenvolvimento real, isto é, a capacidade que o indivíduo já
adquiriu de realizar tarefas sozinho, decorrentes de etapas já alcançadas, e o
segundo, no entanto é aquilo que a criança na solução de problemas consegue
fazer, mas com a orientação de um adulto ou colega mais experiente, designando
este nível de desenvolvimento potencial.
A distância entre um nível e outro é chamado de zona de desenvolvimento
proximal. Esta define as funções que ainda não amadureceram, mas que estão em
processo de maturação. Com isso Vygotski quer afirmar que não se deve ater o
aprendizado aos estágios de desenvolvimento já alcançados pela criança, mas sim,
partir do que ela já sabe, organizando nossas propostas pedagógicas de trabalho e
assim construindo o seu conhecimento. Lembra também que este conhecimento é
um ato coletivo e que as funções psicológicas superiores são de origem cultural e
social. Dando ênfase a questão da mediação.

Nesta zona, elas usam os suportes propiciados pelos mais maduros que funcionam
como “andaimes”, permitindo a elas funcionarem e aprenderem novas
competências que são então integradas aos seus repertórios. Portanto, nesta
concepção a aprendizagem leva ao desenvolvimento, em vez de acompanhá-lo.
( SPODEK, 1998, p.77).

Segundo Vygotsky, a aprendizagem precede o desenvolvimento, despertando


processos evolutivos que não poderiam ser efetivados de outra maneira. É preciso
então ajudar a criança em seu processo de desenvolvimento. Considerando que
uma proposta adequada de aprendizagem poderá impulsionar o desenvolvimento
cognitivo das crianças.
As posturas de ambos os estudiosos levam à atitude atual de considerar que o
desenvolvimento e a aprendizagem são dois processos intimamente relacionados.
Além disso, o nível de desenvolvimento favorece a aquisição de determinadas
aprendizagens, mas uma adequada influência ambiental potencializa as
possibilidades de desenvolvimento maturativo do sujeito.
Ao falar da influência do ambiente na vida da criança não tem como não enfatizar a
grande importância do desenvolvimento social, já que este está presente desde o
nascimento tendo continuidade na infância, adolescência, seguindo pela vida adulta
de cada indivíduo. Esse desenvolvimento social parte de um ponto zero, em que
nem ele, nem o outro existem como pessoas. A partir daí irá estabelecendo a
consciência do seu eu como pessoa independente dos demais, socializando-se
graças à interação e as trocas que estabelece com os demais seres humanos.
A criança por si mesma é um ser social e assim, necessita da presença de outros
seres humanos para realizar suas possibilidades como pessoa. As capacidades
intelectuais ou afetivas estão presentes no momento do nascimento, mas somente
como possibilidades para alcançar seu pleno desenvolvimento e realização. Isto é,
para que possa passar de potencialidade a realidade, é necessária a presença de
outros seres humanos. Suas possibilidades pessoais não se realizam
espontaneamente, mas necessitam da interação para progredir e completar-se.
Além da família ou grupos que fazem parte da vida da criança, a escola na
realidade atual é um grande agente de socialização, pois é nela que a grande
maioria das crianças passa a maior parte do dia enquanto seus pais trabalham.
Com certeza os tipos de relações pessoais dentro do ambiente escolar são
diferentes daquele das relações familiares, bem como a afetividade, mas é parte
essencial para o desenvolvimento completo da criança. Não difere apenas na
qualidade das interações pessoais entre a família e a escola, mas também na
quantidade de pessoas com quem a criança se relaciona em cada um desses meios.
Surge então a necessidade de compartilhar, respeitar, modificar atitudes, opiniões,
etc., para melhorar a qualidade da convivência em grupo.
O desenvolvimento motor também é um aspecto fundamental para o crescimento
infantil. Trabalhar aspecto motor na pré-escola está se tornando cada vez mais
significativo, além de trabalhar esquema corporal, equilíbrio, coordenação motora,
organização espaço-temporal psicomotricidade, etc, que são itens básicos no
processo de alfabetização, traz autoconfiança do ponto de vista físico, melhorando
as reações da criança às frustrações frente às atividades físicas e tem um papel
importante no processo global de ensino.
Os primeiros comportamentos da criança aparecem no ventre de sua mãe: ela se
mexe, reage e aprende. A criança é antes de tudo um ser “motor”, quando ela
manipula seus brinquedos, sua mamadeira, seus próprios dedos, ela aprende a
descobrir o mundo. Suas primeiras tentativas de falar são acompanhadas de gestos
diversos. Ao longo dos primeiros meses de vida, a criança não diferencia totalmente
sua própria pessoa de tudo o que a rodeia. O crescimento físico e o
desenvolvimento da coordenação motora denominam a vida da criança pequena.

A capacidade da criança de usar seu corpo, o amadurecimento do sistema nervoso


e o crescimento de músculos e ossos possibilitarão que o rastejar, o engatinhar, o
caminhar, a corrida e o salto passem a fazer parte do repertório motor da criança.
No entanto, conseguir que cada um desses movimentos seja mais eficaz estará
condicionado pelas situações de aprendizagem, que desempenharão um papel mais
importante à medida que a criança vai crescendo. (ARRIBAS, 2004, p.141)

Outro fator que deve ser avaliado é o desenvolvimento afetivo, que é influenciado
pelo ambiente onde a criança está inserida, bem como, depende da maneira como
o emocional é construído, como a família se relaciona entre si e com a criança. As
relações afetivas são globais e complexas, ou seja, atingem o indivíduo na sua
amplitude.
Desde a primeira infância, a criança vai aprendendo a se relacionar com o outro, a
conhecer o que lhe é permitido. O brinquedo é um objeto que pode contribuir nessa
aprendizagem, favorecendo a criação de símbolos para vivenciar, simbolicamente,
sentimentos e emoções. “O desenvolvimento emocional das crianças pequenas é
influenciado pelo seu ambiente. Elas são aquilo que podem fazer, sentir, entender,
imaginar, perceber e escolher.” (SPODEK,1998, p. 80).
Estudiosos e pesquisadores dizem que a presença do brinquedo ativo e espontâneo
na criança é sinal de saúde mental e sua ausência um sintoma de doença física e
mental. O modo como a criança brinca é um indicativo de como a criança está e de
como é. A criança que não brinca não se aventura em algo novo e desconhecido,
pode estar precisando de algum auxílio. Se, ao contrário, é capaz de brincar, de
fantasiar, de sonhar, está revelando ter aceitado o desafio do crescimento, a
possibilidade de errar, de tentar arriscar para progredir e evoluir.
Assim, partindo das teorias dos estudiosos comentadas até aqui, ficou comprovado
que o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e motor se iniciam muito cedo e
que os primeiros anos de vida são importantíssimos no que se refere à estimulação
intelectual.
Além dos pensadores já citados, há muitos outros, os quais não seriam possíveis
mencioná-los todos, que atribuem grande valor á estimulação do desenvolvimento
geral, reconhecendo a influência do meio sobre a criança. Conhecendo a ampla
ligação entre a aprendizagem e a maturação do indivíduo, ou seja, o crescimento
físico, julga-se importante comentar de que forma a maturação interfere na
aprendizagem infantil.
Para compreender o desenvolvimento humano, é importante saber que as
mudanças no comportamento resultam do amadurecimento do organismo e da
aprendizagem. “... As crianças pressionadas a desempenharem além de seu nível
de maturação do momento possa se desenvolver de forma ineficiente e
experimentar um senso de valor e autoconfiança diminuído...” (SPODEK, 1998, p.
66).
No desenvolvimento de alguns órgãos do corpo e de algumas funções psicológicas,
há períodos críticos ou sensíveis, e se o organismo não receber estímulos
adequados de seu ambiente (treino/ aprendizagem) durante determinados períodos
de sua vida, a base física para certas atividades e funções poderá atrofiar-se.
Voltando para o desenvolvimento humano, parece haver períodos de prontidão para
a aprendizagem de várias tarefas, como controlar as excreções, ler, escrever, andar
de bicicleta etc. Antes de o organismo atingir o desenvolvimento apropriado para a
realização de determinada tarefa, não é possível sua aprendizagem. Pode-se
concluir então que tanto o treino quanto à maturação são processos essenciais no
desenvolvimento individual
É então que o trabalho da pré-escola justifica-se por si só, tendo em vista que o
estímulo que a criança recebe nos primeiros anos na escola será determinante para
que o processo de aquisição de conhecimento futuros, principalmente a
alfabetização.
No caso da leitura e da escrita, como nos demais, terá maior sucesso no ensino
dessas habilidades, a criança que for estimulada desde cedo, porém respeitando
seu grau de maturação. De modo geral, entre o 5º e o 8º ano de vida, as crianças
apresentam prontidão, maturidade para ler e escrever. No entanto há diferenças
individuais entre elas, o que deve ser observado e trabalhado sem demasiadas
exigências, porém auxiliar as crianças que necessitem.

É preciso entender que ler é uma forma a mais de comunicação, como falar ou
ouvir. Deve ser integrada à sala de aula como outro aspecto da vida, e não à
margem dela. Por isso é preciso oferecer experiências estimulantes em um
ambiente afetivamente positivo que favoreçam a participação, sugiram hipóteses e
interpretações e motivem o desejo de tirar conseqüências do se leu. (ARRIBAS,
2004, p. 196).

Ao ser questionada sobre o que é alfabetização, Emília Ferreiro (2001) define como
um processo, e que alfabetizar é construir conhecimento que tem início muito cedo
e que não termina nunca. Este fato se constata no dia a dia de cada indivíduo, pois
desde cedo convive com as mais numerosas formas de informações produzidas e
interpretadas pelos adultos, nos mais variados contextos, ou seja, vê letreiros em
cartazes, jornais, revistas, televisão, placas, etc. Para que a criança faça relação
com a escrita que tem contato fora da escola e dentro é necessário apresentar todo
tipo de material escrito que for possível para a sala de aula. Como nos afirma Emília
Ferreiro. “Em cada classe de alfabetização deve haver um “canto ou área de leitura”
onde se encontrem não só livros bem editados e bem ilustrados, como qualquer
material que contenha escrita...” (FERREIRO, 2001, p.33)
Assim já vai tendo certas hipóteses a respeito do que seja ler e escrever. Vê-se
então que a criança não espera chegar a idade certa ou que alguém se disponibilize
a ensiná-la, mas vai aos poucos, naturalmente se alfabetizando. Com isso não se
pretende dispensar o professor, mas sim alertá-lo para que antes de iniciar o seu
trabalho conheça a sua turma e o nível que cada um se encontra para assim
desenvolver atividades que ajudem seus alunos a se desenvolverem.
Quando inicia seu processo de escrita a criança segue o mesmo caminho percorrido
pela humanidade, ou seja, desenhos (icônica), traços (garatujas) que para quem os
vê, não dizem nada, mas para ela tudo tem seu significado. Aos poucos, ao
interagir com o meio vai crescendo nos seus estágios cognitivos e a medida que lhe
é dada oportunidades com materiais impressos e de desenho, ela vai avançando
cada vez mais. É importante nesta fase estimular a criança a folhear revistas,
jornal, fotos, levando-a a interpretar gravuras e colocar à sua disposição lápis de
cera, pincel atômico, folhas brancas, para representação gráfica de seu
pensamento. Aos poucos vai aperfeiçoando e dando-se conta de que a escrita
segue um padrão, pois só assim será entendida pelos demais.

Emilia Ferreiro, (1999) buscou na teoria de Piaget a explicação sobre o


desenvolvimento da criança no ato de ler e escrever, do ponto de vista cognitivo.
Segundo ela toda criança por quatro fases até que seja alfabetizada: pré-silábica,
somente joga as letras, sem conseguir relacioná-las com a língua falada; silábica,
interpreta a letra a sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra; silábico-
alfabética mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;
alfabética, domina o valor das letras e sílabas.
Com relação às crianças provenientes do meio que não proporciona este contato
com a leitura e a escrita, será um tanto mais complexo este processo. Com certeza
se fará necessário um pouco mais de estimulação, mostrando-lhe a sua
importância, já que até então as pessoas com as quais convive não o fizeram, pois
estas muitas vezes não são alfabetizadas ou não usam a leitura e a escrita para a
sua sobrevivência, ou melhor, no seu trabalho, não dando assim o seu devido valor.
Relacionado a isto, está a questão da necessidade de partir do contexto em que a
criança está inserida para que a aprendizagem possa ter significado. O professor
deve propor também atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a
escrita, porque é pensando que ela aprende. E ao aprender a ler e a escrever é
como se ela reinventasse este processo e ser capaz de descobrir como se lêem ou
se escrevem palavras que ainda não foram treinadas nem praticadas em sala de
aula. Isso é diferente de decorar, pois o decorar é em curto prazo, porém pensando,
ela adquirirá um importante instrumento que persistirá por toda a vida.

A Importância do Desenvolvimento Infantil para a Alfabetização


A pré-escola é altamente comprometida com o processo de alfabetização, não
porque deva iniciar o aluno nos mistérios do ler e do escrever, mas porque deva
propiciar à criança condições de desenvolver os pré-requisitos indispensáveis para a
alfabetização sistemática que deva acontecer no momento sinalizado por cada
criança. Qualquer que seja o método escolhido e quaisquer que sejam os
procedimentos didático-pedagógicos selecionados, o caminho será facilitado e
suavizado se a criança aprender, de modo consolidado, os pré-requisitos
indispensáveis para aprender a ler e a escrever. Salas de pré-escola com uma
proposta curricular bem estruturada e enriquecedora podem garantir desde aí o
exercício da cidadania e o acesso a bens culturais. Com isso, a caminhada em
direção a aprendizagem sistemática terá sido iniciada.

Em relação à alfabetização, as políticas relativas a este nível educativo


(impropriamente chamado pré-escolar) oscilam entre duas posições extremas:
antecipar a iniciação da leitura e da escrita, assumindo alguns dos conteúdos (e,
sobretudo, das práticas) que correspondem ao 1º ano da escola primária, ou então
- posição oposta - evitar que a criança entre em contato com a língua escrita.
(FERREIRO, 2001, p. 37).

Como nos fala Emília Ferreiro, a educação infantil depara-se com duas situações,
que podem ser chamadas de extremas. São elas: educação infantil vista somente
como espaço de recreação ou como local de alfabetização forçada.
A primeira é entendida como espaço de lazer, brinquedo, alimentação, sem
nenhuma preocupação pedagógica, voltada somente para o cuidar. Cuidar as
crianças para que os pais pudessem trabalhar, tendo um local seguro onde
pudessem deixar seus filhos. Já na segunda a educação infantil, principalmente no
período da pré-escola tem como principal objetivo à alfabetização, chamada de
alfabetização forçada onde o aluno deve realizar diversas atividades visando à
alfabetização. Atividades estas, muitas vezes desconectadas da sua vida, mecânica,
onde a criança aprende somente através da memorização de letras e sílabas.
Por outro, lado hoje está se buscando novas concepções que vêem a pré-escola
como um ambiente que deve permitir a criança o seu desenvolvimento integral, ou
seja, físico, social, intelectual e emocional.

É durante os primeiros anos de vida que se constroem as estruturas básicas do


pensamento, iniciam-se os mecanismos de interação com o ambiente e com a
sociedade, e adquire-se a noção da própria identidade. Por isso, a intervenção e a
gestão das instituições responsáveis pela formação no âmbito da educação infantil
têm a seu cargo uma tarefa profissional de grande transcendência humana e social.
(ARRIBAS, 2004, p. 15).

Neste sentido, cabe a pré-escola além de trabalhar a parte de recreação e


socialização, contribuir para o desenvolvimento cognitivo da criança, preparando-a
para a aprendizagem da linguagem oral e escrita e dos outros conhecimentos
necessários para o seu desenvolvimento integral. Não priorizando nenhum dos
aspectos, mas colocando cada um com sua devida importância.
Surge então a pergunta que está tão presente no dia a dia de pais e professores de
crianças pertencentes a esta faixa etária. A pré-escola deve ou não alfabetizar?
Com certeza a resposta deve ser dada pela própria criança, pois a alfabetização vai
depender do ritmo de vida de cada criança, dependendo também da sua
maturidade entendida como pré-requisitos para a alfabetização. Sendo que a
alfabetização em si é um processo natural, um caminho diverso para cada criança,
no entanto, a estimulação e a mediação são de suma importância.
Estas deverão ser feitas pelos pais, professores e demais pessoas que a circundam,
oferecendo oportunidades para que ela faça as suas próprias interpretações sobre o
mundo em que vive. Como processo natural não deverá ser precipitado, mas muito
menos negado. Deve ser sim estimulado de forma prazerosa.
Por isso, as salas de pré-escola e classes iniciais devem ser de fato um ambiente
alfabetizador, onde são oferecidos e trabalhados todos os tipos de materiais para
que, através da observação, comparação, classificação e reflexão, as crianças
possam descobrir a importância da leitura e da escrita, procurando se apropriar
dela, e assim, construindo seu conhecimento. Desta forma, a criança terá maior
facilidade em toda a sua vida escolar, assimilando os conteúdos e interagindo com o
contexto educacional.
A aprendizagem na educação infantil deve partir de uma proposta pedagógica, que
tenha como princípio o respeito ao contexto do qual a criança participa, bem como,
valorizando o saber, o conhecimento que elas trazem para a escola.

A bagagem pessoal de conteúdos passivos e as potencialidades de cada ser


humano, canalizadas por meio de aprendizagens significativas, permitem conhecer,
interpretar, utilizar, valorizar e aperfeiçoar a realidade vigente. Portanto, o trabalho
que o educador especializado deve realizar nos primeiros níveis terá de ser
eminentemente ativo, a fim de estimular experiências e dotar com os recursos
necessários os processos de amadurecimento, em consonância com os respectivos
níveis educativos e o contexto sociocultural de cada criança. (ARRIBAS, 2004, p.
15).

Os profissionais que trabalham com a pré-escola devem se conscientizar que o seu


trabalho não é só preparar estas crianças para as séries iniciais do ensino
fundamental, mas para o resto da vida, pois é no período de zero a seis anos que
são lançadas as bases para todas as aprendizagens futuras.
Uma função importante da pré-escola é a grande contribuição para o processo de
alfabetização, onde é proposto diariamente atividade em que ela possa desenvolver
o uso da leitura e da escrita, mesmo que ainda não haja um domínio formal e
sistematizado dos códigos lingüísticos, mas que serve para o desenvolvimento do
pensamento da criança. Porém o professor não deverá exigir tampouco impedir que
o aluno se alfabetize. Mas sim, dar condições para que a criança aprenda, para que
ela própria construa o seu conhecimento, desenvolvendo todas as suas
potencialidades, num processo natural e gradativo, levando em consideração o
ritmo próprio da criança e suas condições cognitivas. As atividades devem ser ricas,
vivas e dinâmicas que trabalhem também o aspecto afetivo.

Não é obrigatório dar aulas de alfabetização na pré-escola, porém é possível dar


múltiplas oportunidades para ver a professora ler e escrever; para explorar
semelhanças e diferenças entre textos escritos; para explorar o espaço gráfico e
distinguir entre desenho e escrita... (FERREIRO, 2001, p. 39).

A pré-escola não deve ter como única finalidade a leitura e a escrita, mas
considerar a alfabetização como leitura da realidade que a cerca, pois desta forma,
ela pode contribuir para desenvolver a capacidade da criança de ver as coisas,
interpretar uma história, um fato, distinguir cores, formas, tamanhos, através de
símbolos não escritos, como dobraduras, maquetes, desenhos, pinturas,
modelagens, etc.
O importante será a estimulação na criança para essa pré-leitura e pré-escrita. Pois
permitirá a criança aprender, oferecendo-lhe múltiplas oportunidades para interagir
com a língua escrita, permitindo-lhe assistir a atos de leitura e escrita realizada
pelo professor dando-lhe assim a oportunidade de escutar a leitura em voz alta,
despertando o interesse e a curiosidade, para ela também poder ler para o
professor, escrever e desenhar.
Desde muito cedo a criança tem contato com a leitura e a escrita, pois está cercada
de placas, jornais, revistas, dentre outros. Cabe ao professor trazer esta
experiência para a sala de aula e transformá-la numa experiência coletiva. O papel
da pré-escola é o de fazer a criança compreender o que é a escrita e as suas
funções e não apenas fazê-la compreender os escritos, ou seja, codificar e
decodificar.
É preciso também o trabalho com as diversas formas de linguagem, dramatização,
artes, montagem de álbuns, acesso a revistas, confecções de bilhetes, permitindo
que as crianças vivenciem todas as formas de linguagem utilizadas pela sociedade,
permitindo-lhes aprendê-las e usá-las para se expressar.
Outra função muito importante na pré-escola é o brincar, pois a criança necessita
de ação, de movimento. A escola então, deve organizar a energia do aluno de
forma produtiva através das atividades, jogos e brincadeiras que envolvam a um só
tempo, ação, aprendizagem e prazer. É através das brincadeiras que a criança irá
compreender as pessoas, as situações e as experiências, aprendendo a conhecer a
si própria, os outros e o mundo que a cerca. Organizando suas brincadeiras ela irá
interagir com os colegas e disso resultará a aprendizagem.

Vygotsky, que se aprofundou no estudo do papel das experiências sociais e


culturais a partir da análise do jogo infantil, afirma que no jogo a criança
transforma, pela imaginação, os objetos produzidos socialmente. Ele ainda ressalta
a importância dos signos para a criança internalizar os meios sociais. (FRIEDMANN,
1996, P. 65).

As palavras brinquedos, brincadeiras e crianças estão diretamente ligadas umas às


outras. O brincar faz parte de infância. Essa nobre atividade da infância é destacada
por vários autores, como: Piaget e Vygotsky cada um, à sua maneira, mostra a
importância da brincadeira para o desenvolvimento infantil e aquisição do
conhecimento.
A criança trata o brinquedo conforme o recebe. Ela inconscientemente sente
quando está recebendo por razões subjetivas do adulto, que muitas vezes, compra
o brinquedo que gostaria de ter tido. É indispensável que a criança se sinta atraída
pelo brinquedo e cabe ao adulto mostrar as possibilidades de exploração que ele
oferece. A criança deve estar livre para brincar e não nos cabe interromper o
pensamento ou a simbolização que está fazendo. Brincando, a criança desenvolve
seu senso de companheirismo. Jogando com os amigos, aprende a conviver, a
aceitar o sucesso e o fracasso, a compreender as regras, esperar a sua vez e
aceitar o resultado frustrando-se ou motivando-se.
A criança quando tem sua curiosidade despertada por jogos e brincadeiras, amplia
seus conhecimentos; desenvolve habilidades motoras, cognitivas ou lingüísticas. A
Educação Infantil deve considerar o lúdico como parceiro e utilizá-lo amplamente
para atuar no desenvolvimento das crianças. As quais fazem da brincadeira uma
ponte para o imaginário, a partir dele muito pode ser trabalhado. Contar e ouvir
história, dramatizar, jogar com regra, desenhar, entre outras atividades constituem
meios prazerosos de aprendizagem. Através delas as crianças expressam suas
criações e emoções, refletem medos e alegrias desenvolvem características
importantes para a vida adulta. O brincar é caminho natural do desenvolvimento
humano.
Como é grande a variedade de brinquedos e também de bibliografias que podem
ser utilizadas para este fim, é importante que o professor conheça os interesses e
habilidades de seus alunos, para que ela possa escolher as atividades e recursos de
acordo com eles e com os objetivos que quer alcançar no processo ensino
aprendizagem.
Nas brincadeiras as crianças demonstram aquilo que elas gostam e pelo que elas se
interessam. Coloca fatos reais acontecidos no cotidiano da família e da escola,
sendo capazes através das brincadeiras tomar decisões. Através dela também se
transformam em qualquer coisa ou pessoa que deseje. Pode ser um animal, seu
objeto, adulto ou outra criança. Libera também suas emoções, dando-lhe a
oportunidade de expressar sua raiva, desacordo, insegurança ou antipatia. Adere
também ao mundo social, pois compartilha o mundo dos seus companheiros.
Dividindo seu mundo com eles, aprendendo com os outros e sendo corrigida por
eles e dando a sua contribuição na correção dos outros. As brincadeiras podem ser
realizadas tanto em grupo, como individuais, pois as crianças necessitam de
momentos a sós para refletirem e também deixam sua imaginação fluir, pois a
imaginação é de suma importância para o seu desenvolvimento.
Com relação ao conceito de alfabetização, este foi mudando historicamente e já foi
empregado como sinônimo de conjunto de habilidades técnicas, retratando assim
um modelo tradicional de educação onde o professor era um mero transmissor de
conhecimentos e informações, dando ênfase a memorização no processo de
aprendizagem, vendo a escrita simplesmente como um espelho da linguagem oral.
Hoje este conceito ampliou-se requerendo dos indivíduos não só o domínio do ler e
do escrever, mas que saibam fazer uso dela, incorporando-a no seu viver. O
conceito “alfabetismo” passou a ser nomeado “letramento”, que se refere à
condição que assume o indivíduo alfabetizado. Necessitando então que o processo
educativo desenvolva nos educandos a consciência crítica, atuando assim na
construção da própria história e da realidade social de que faz parte. Assim, o
processo de alfabetização como prática de um projeto político deve oferecer uma
linguagem de transformação dos que lutam por um futuro melhor.

Embora essa prática seja ainda bastante limitada, já se evidencia a busca de um


“estado ou condição de quem sabe ler e escrever”, mais que a verificação da
simples presença da habilidade de codificar em língua escrita, isto é, já se
evidencia a tentativa de avaliação do nível de letramento... (SOARES, 2001, p. 21).

Mas para que isso possa acontecer precisamos da mediação de um professor crítico
que estabeleça um clima de confiança e diálogo onde o aluno possa participar das
reflexões propostas em sala de aula, respeitando a diversidade cultural, a vivência
de cada um e fazendo com que o aluno reflita sobre a função social da leitura e da
escrita vendo isto como algo importante, parte da sua vida e assim possam
valorizá-la.
Relatos e Análise da Pesquisa de Campo
Procurando investigar as contribuições da educação infantil foi realizada uma
pesquisa qualitativa, com o objetivo de verificar como pais e professores percebem
a importância da educação infantil para o aprendizado escolar de seus filhos e
alunos. Para isto foi realizada uma coleta de dados com uma amostragem de 28
(vinte e oito) pais e 24 (vinte e quatro) professores de 3 (três) escolas de Cascavel
que atendem a Educação Infantil, sendo uma particular, uma ONG e uma pública.
As perguntas eram de cunho prático, interrogando-os se os mesmos freqüentaram
a pré-escola, se perceberam contribuições ou tiveram dificuldade pela falta desta,
bem como, se perceberam a importância da educação infantil para o
desenvolvimento de seus filhos e alunos, e também segundo eles qual seria o
melhor momento para a alfabetização.
Com base no conhecimento teórico até aqui discutido, iremos analisar as respostas
às questões respondidas por pais e professores das três escolas, aqui denominadas
A, B e C. Relataremos um breve histórico de cada instituição para melhor nos
situarmos a realidade vivenciada por elas. A escola A pertence a um bairro situado
a periferia de Cascavel, atendendo atualmente 140 alunos de 2 a 6 anos em
período integral provenientes de famílias de baixa renda. É uma entidade não
governamental (ONG) que desenvolve atividades educativas. Nesta escola foi
entregue um total de 16 questionários, 10 para pais e 6 para professores. Houve
uma devolutiva integral por parte dos professores, porém somente 8 dos pais
responderam e retornaram o questionário.
A escola B está localizada à periferia desta cidade é uma instituição pública que
atende aproximadamente 900 alunos, destes por volta de 600 permanecem na
escola em período integral. A situação socioeconômica da maioria dos residentes no
bairro e dos que freqüentam a escola é de classe baixo-baixíssima. Nesta escola
foram distribuídos 10 questionários para professores, sendo que 5 foram
devolvidos, e 10 foram entregues aos pais, dos quais 7 retornaram.
A escola C, uma instituição particular, localizada num bairro na região central de
Cascavel atende a 75 alunos provenientes de classe média, estes alunos
freqüentam a escola período de quatro horas diárias. Nesta escola foram entregues
8 questionários para professores, os quais foram todos devolvidos, e 10 para os
pais, sendo que 8 foram respondidos e retornaram.
Nesta pesquisa realizada para verificar como professores e pais compreendem e o
que esperam do processo de alfabetização, bem como, de que forma a
alfabetização deva ser estimulada durante a educação infantil, foi realizada
primeiramente uma observação nas três escolas por aproximadamente 20 horas em
salas de aula de pré-escola, verificando como são trabalhados os principais
aspectos do desenvolvimento infantil, o cognitivo, o psicomotor e o afetivo-social.
Os questionários realizados com pais e professores foram entregues em mãos e
posteriormente recolhidos. Foram elaboradas questões de acordo com a observação
realizada, bem como, com o estudo prévio sobre o crescimento infantil e o processo
de aprendizagem da leitura e escrita. Foram elaboradas 5 questões para
professores, sendo 3 objetivas e 2 descritivas. No questionário para pais havia 6
questões, das quais 5 eram objetivas e 1 descritiva. Dentre as perguntas de ambos
os questionários, as 3 primeiras questões são iguais tanto para professores como
para pais. A partir dos dados coletados faremos análise descritiva e através de
gráfico quando percebermos a necessidade de melhor exemplificar.
Dos questionários entregue aos pais, retornaram 23. No qual, a primeira pergunta,
questionou-os quanto à freqüência na educação infantil quando criança. Ao que
verificamos que um percentual de 78% dos pais, não freqüentou a educação
infantil, e apenas 22% freqüentou. Isto pode se dar ao fato que a importância de
cursar a pré-escola vem sendo percebida com maior intensidade nos últimos 20
anos. No entanto, na escola B nenhum pai freqüentou este período escolar, isto
pode se dar por vários fatores como: distância da escola, que até pouco tempo
atrás eram poucas as escolas que ofertavam esta série, por condições financeiras,
por acreditar que não se fazia importante naquele momento esta etapa no estudo
infantil, o que realmente a sociedade ainda não valorizava tanto a iniciação da
alfabetização anterior aos 7 ou 8 anos de idade.
Sabemos também o quanto é fundamental este período, pois a criança está num
estágio pré-operatório, segundo Piaget, e necessita de estímulos para compreender
mais tarde com maior facilidade os conceitos abstratos. Tendo ciência de que a
educação infantil foi reconhecida como importante no desenvolvimento da criança a
pouco tempo, e que depositou-se uma maior atenção neste período infantil a partir
do início do século XX, podemos compreender o fato de muitos pais não terem tido
a oportunidade de freqüentar as séries iniciais anteriores ao período escolar
obrigatório. “Finalmente, no início do século XX, a Escola Nova impulsiona a
educação infantil. Vive-se um clima de renovação e de sensibilidade em relação ás
necessidades das crianças menores, e abrem-se novas perspectivas quanto ao nível
educativo em questão.” (ARRIBAS, 2004, p. 12)
Na segunda questão, os pais deveriam descrever as contribuições da pré-escola e
as dificuldades devido a não terem freqüentado a educação infantil. Algumas
contribuições importantes foram citadas: prepara para enfrentar os obstáculos da
vida e ser um cidadão, facilita o relacionamento em grupo, a coordenação motora,
e uma dificuldade apontada é a não socialização, ou seja, dificuldade em interagir e
falar com os outros. Analisando estas respostas, percebe-se o quanto à necessidade
da pré-escola é reconhecida. A pré-escola tem o papel de estabelecer na criança os
pré-requisitos para a socialização e a alfabetização, seja a nível motor ou cognitivo.
Quando questionados sobre o momento de iniciação do processo de alfabetização,
os pais tiveram as seguintes respostas:

Do total de pais, 65% afirmam que o filho deva ser estimulado, dado condições
para facilitar o processo de construção da alfabetização sem demasiadas
exigências. E 35%, um número bastante significativo, aponta que o filho deva ser
alfabetizado e para isso a criança recebe estímulos, porém muito mais cobranças.
Assim, observamos que se reconhece a importância da pré-escola, no entanto nem
todos têm a mesma compreensão sobre a função da educação infantil, que é
trabalhar os aspectos motor, cognitivo e afetivo/social, para a estimulação da
aprendizagem.

Assim como os objetivos da alfabetização do início da escola primária necessitam


redefinir-se, também necessitam redefinir-se os objetivos da pré-escola com
respeito à alfabetização. Não se trata, nesse nível, nem de adotar as práticas ruins
da escola primária, seguindo este ou aquele método de ensinar a ler e escrever,
nem de manter as crianças assepticamente afastadas de todo o contato com a
língua escrita. Esta é uma falsa dicotomia que se expressa na famosa pergunta:
deve se ensinar a ler e escrever na pré-escola ou não? Minha resposta é simples:
não se deve ensinar, porém deve-se permitir que a criança aprenda. (FERREIRO,
2001, p. 38).

Na questão número 04, procurou-se avaliar a contribuição dos pais na


aprendizagem escolar de seus filhos. Iremos verificar a importância dispensada a
todos os itens. Em específico na escola C, todos os pais responderam que dão igual
importância a todos os pontos colocados e, que se empenham em realizar as
opções, atingindo 100% das respostas em todos os itens. A família possui um papel
fundamental na aprendizagem escolar do filho, juntamente com a escola
caminhando na mesma direção facilitando o aprender da criança.

Ao longo das diversas etapas do processo educativo, essas duas fontes de


intervenção devem proporcionar às crianças de idades mais precoces referências
coerentes e suficientemente abertas que lhes permitam integrar-se na cultura e na
sociedade. É óbvio, portanto, que as duas linhas de atuação devem incidir em uma
mesma direção para garantir a estabilidade e o equilíbrio, fatores indispensáveis
para uma adequada formação. (ARRIBAS, 2004, p. 13).

Nesta questão, os pais tiveram a liberdade de escolher mais de uma opção, desta
forma verificamos que as opções tiveram praticamente a mesma porcentagem de
escolha, o que demonstra que na visão dos pais todos os itens são igualmente
importantes. Podemos observar que os pais instintivamente, ou não, praticam o
que os estudiosos afirmam ser fundamental para o desenvolvimento infantil, que é
a realização de atividades lúdicas e o acompanhamento dos pais nas atividades
escolares. Duas das opções que podemos ressaltar a importância é o fato de
adquirir livros e contar histórias, pois isto revela a criança formas de vivenciar os
conflitos inconscientemente e contribuirá para tornar-se um leitor assíduo
futuramente.

O livro ouvido, tocado, visto, compartilhado, a induzirá mais tarde ao desejo de lê-
lo sozinha, recordando o lugar exato onde começam as seqüências, a entonação
com que as percebeu, o esclarecimento dado pelo adulto sobre o que não
compreendeu... E tantas outras coisas mais! (ARRIBAS, 2004, p. 188).

É na leitura que o indivíduo encontra informações que acrescentará em seu


conhecimento e no momento da escrita darão subsídios para a ampliação do
pensamento, e para produzir um texto com idéias completas, com clareza e
seqüência.
Na 5ª questão, os pais foram questionados sobre porque seu filho freqüenta a
educação infantil. Dos pais que responderam 72% afirmam que os filhos
freqüentam a pré-escola por ser realmente importante e trabalhar os pré-requisitos
básicos fundamentais ao processo de ensino-aprendizagem. E uma parcela de 28%
diz ser devido a trabalharem e não ter com quem deixar o filho, talvez seja pela
necessidade de pai e mãe trabalharem fora, até pelas exigências subjetivas da
sociedade.

Analisando as respostas percebemos que nas escolas A e C, os todos os pais


responderam que seus filhos freqüentam a pré-escola porque é importante ao
desenvolvimento infantil, logo os 28% que deixam os filhos na escola devido a não
ter outro local foram respostas dos pais da escola B, talvez isto aconteça devido ao
fato de não terem freqüentado a educação infantil e ainda não terem claro a função
importante que este período escolar desempenha em toda a vida do indivíduo.
A última questão interroga os pais sobre quais os lugares apropriados para deixar o
filho entre os 3 e 6 anos de idade nos momentos em que não podem cuidá-lo, haja
visto que este período é muito importante para o desenvolvimento da criança.

Analisando as respostas, percebemos que a maioria dos pais confia seus filhos a
creches ou escolas acreditando ser importante para a aprendizagem escolar e
porque estão sendo assistidos por profissionais responsáveis. A escola dá suporte
aos pais na educação dos filhos em vários aspectos, sendo um deles a socialização
fator importante para a vivência futura quando já estiver adulta. Assim,
percebemos que a educação infantil está cada vez mais sendo compreendida como
imprescindível ao processo de ensino-aprendizagem dando condições básicas para o
início da alfabetização.
O questionário que foi entregue aos professores é composto por 3 questões
objetivas e 2 descritivas. Na primeira questão, os professores foram interrogados
sobre se freqüentaram a pré-escola quando criança, ao que um percentual de 60%
dos professores não fez a pré-escola e 40% deles cursou, o que podemos verificar
que quando criança uma considerável parcela de educadores teve contato com a
pré-escola, tendo assim, a oportunidade de receber estímulos com um maior
direcionamento facilitando a aprendizagem. Percebemos também que a diferença
entre pais e professores que freqüentaram a educação infantil é de 18% a mais
para os professores, o que certamente deva ter influenciado na vida escolar desses
profissionais.

A segunda questão era descritiva e os professores deveriam apontar as


contribuições da educação infantil, bem como, as dificuldades que tiveram pela falta
desta. Os professores que cursaram a pré-escola relatam que tiveram as seguintes
dificuldades nos aspectos: raciocínio lógico, lateralidade, timidez, coordenação
motora, representação de idéias, orientação espacial e socialização, que são
conceitos muito trabalhados durante esta etapa escolar. Já os que freqüentaram a
educação infantil apontam as seguintes contribuições: maior facilidade na
coordenação motora, no desenvolvimento do raciocínio, socialização, criatividade e
organização espacial. Muitas vezes hoje, percebemos que o trabalho da escola vai
além em vários sentidos, como: dar um suporte social, visto que algumas políticas
de governo atualmente introduzem neste ambiente formas de apoio à comunidade.
Verificamos que em momento algum se falou na alfabetização na pré-escola, até
porque esta não era a proposta da educação infantil, e somente nos últimos anos é
que a maioria das escolas está enfocando a alfabetização neste período, talvez
pelas exigências da sociedade atual que cada vez mais cedo o indivíduo deve estar
preparado para entrar no mercado de trabalho.
Na questão de número 3, os professores foram interrogados sobre qual é o melhor
momento para a aprendizagem da leitura e escrita. O gráfico abaixo nos mostra
que não houve quem respondesse que na pré-escola não se deva introduzir o
processo de aprendizagem da leitura e escrita, que a criança não deva ser
alfabetizada, não deva receber qualquer estímulo para a alfabetização. Como nos
afirma Emília Ferreiro, estudiosa do processo de alfabetização, e outros autores que
também concordam com esta posição e função da pré-escola.
Para a grande maioria, os alunos devem ser estimulados durante a pré-escola e,
25% relatam que a criança deva ser alfabetizada. Entre os professores uma
porcentagem menor que a dos pais acredita que o aluno deva ser cobrado no
momento da alfabetização na pré-escola. É verdadeira a afirmação que a criança
deva receber amplos subsídios e frente a estes não será alfabetizada sob pressão e
sim por suas assimilações espontâneas. Como nos fala Arribas:

É necessário incorporar estímulos ricos na educação infantil. Uma educação das


habilidades mentais que impulsione o potencial da criança e a leitura é
fundamental, nesse sentido, sem descuidar de sua educação motora, sensorial e
social para um desenvolvimento harmônico do ponto de vista físico, psicomotor,
intelectual e social. (ARRIBAS, 2004, p.196).

Nos momentos de observação realizado nas três escolas podemos perceber que na
escola B, uma escola pública, o que foi possível perceber é que a estimulação em
relação à alfabetização é um pouco limitada, embora exista um trabalho diário
direcionado a esta questão. No entanto não se percebeu o mesmo em relação à
escola A, pois nesta a rotina de trabalho enfoca tanto a coordenação motora, um
fator essencial, como a iniciação com o processo de aprendizagem da leitura e
escrita. Já na escola C, uma escola particular a alfabetização na pré-escola é mais
dirigida e focaliza o aprendizado ainda na educação infantil da leitura e escrita.
A questão de número 4, também descritiva, no entanto, os professores
responderam que a proposta pedagógica da escola onde trabalham é adequada ao
desenvolvimento infantil, mostrando que praticamente a totalidade acredita na
forma como é encaminhado o processo ensino-aprendizagem. E a minoria de 10%
acredita que é necessário rever a metodologia utilizada pela escola onde atua.
Assim, verificamos o gráfico:

Partindo das respostas dos professores que se limitaram a responder a questão


optando pelo SIM ou pelo NÃO, e não acrescentaram a sua opinião sobre a
proposta pedagógica da escola, não fizeram comentários sobre a forma como é
encaminhado o trabalho, o processo ensino aprendizagem, talvez porque a
proposta necessite ser mais discutida, refletida para que todos tenham um maior
conhecimento sobre como proceder, que método é utilizado pela escola no processo
de ensino aprendizagem.
A proposta pedagógica da escola B, ou o Projeto Político Pedagógico não foi
revisado nem comentado nos três últimos anos, segundo os professores desta
instituição, assim parece-nos bastante difícil ter um conhecimento sobre a mesma
visto que o trabalho diário deva ser encaminhado e fundamentado neste
documento, no entanto, 100% dos professores desta escola responderam que
conhecem a proposta adotada pelo sistema de ensino municipal.
A 5ª e última questão foram formuladas sobre se a prática de sala de aula do
professor é condizente à proposta de ensino contida no Projeto Político Pedagógico
da escola onde atua, ao que 85% afirmam que conhecem e trabalham de acordo
com a metodologia da escola, e 15%, um número bastante significativo ainda não
tem clareza do Projeto Político Pedagógico, o que podemos considerar que deva ser
necessário o estudo e construção desse projeto por todos os envolvidos com a
educação nas instituições escolares.

Analisando somente as respostas dos professores da escola B, percebemos que


100% destes afirmam que seu trabalho condiz com o Projeto Pedagógico da escola
e apenas nas escolas A e C é que os professores dizem que ainda não tem clareza
se a se sua prática é condizente com o método seguido pela instituição.
Frente ao estudo realizado sobre o desenvolvimento infantil que nos apresenta
subsídios para conhecermos bem as etapas de crescimento da criança e assim,
verificarmos como podemos contribuir estimulando e trabalhando aspectos
necessários ao bom desenvolvimento infantil, bem como, a função da pré-escola na
visão de autores renomados nesta área como, Emília Ferreiro. E ainda com a
análise da pesquisa realizada com pais e professores, percebemos que há certa
falta de informação da sociedade em geral sobre o crescimento infantil e o processo
da alfabetização, o que é perfeitamente coerente, pois a maioria dos brasileiros tem
dificuldade em fazer um planejamento familiar, e assim acabam tendo filhos sem
um devido conhecimento principalmente sobre a infância, e a função da família
neste período infantil.
Nas escolas o principal foco deve ser a alfabetização ou o letramento para alguns
estudiosos, muito resta por discutir, estudar e reorganizar neste processo que é
necessário revermos para a melhoria da aquisição da leitura e escrita. Sabemos que
o conjunto de conhecimentos que um indivíduo adquire em seu desenvolvimento
depende das exigências do meio cultural em vivenciado e, já que os conteúdos
ensinados nas escolas são estruturados de acordo com o que o meio, a sociedade
aponta como necessário.
O processo de aprendizagem, da alfabetização em específico, é bastante delicado
assim, como qual o momento e a forma como deva ser encaminhado ou o método a
ser utilizado, visto que cada indivíduo possui suas peculiaridades e maneiras de
aprender com maior facilidade. Muitas vezes, a forma como o sistema de ensino
está organizado também influencia na aprendizagem quase sempre dificultando
esta aquisição por parte do aluno, seja devido aos conteúdos exigidos, aos métodos
ou pelo sistema de avaliação, entre outros.
O contexto em geral da vivência, a organização do ambiente pode contribuir como
prejudicar no aprendizado, pois o emocional do indivíduo está diretamente ligado a
todas as atitudes, reações e assimilações de cada um. A intencionalidade educativa
é fator determinante na vida de qualquer pessoa, seja naquele momento ou
futuramente.
REFERÊNCIAS
ARRIBAS, Tereza Lleixá. Educação Infantil: desenvolvimento, currículo e organização escolar. 5ª ed.
Porto Alegre: Artmed, 2004.
BARROS, Célia Silva Guimarães. Pontos de Psicologia Geral. 15ª ed. São Paulo: Ática, 1997.
FERREIRO, Emília. Com todas as letras.Tradução Maria Zilda de Cunha; 9ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.
FERREIRO, Emília. Psicogênese da língua escrita / Emília Ferreiro e Ana Tberosky; trad.Diana Myriam
Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
FRIEDMANN, Adriana. Brincar: crescer e aprender – O resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna,
1996.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.
SPODEK, Bernard. Ensinando crianças de três a oito anos/ Bernard Spod Oliveira N. Saracho; trad.
Cláudia Oliveira Dornelles. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Publicado em 07/06/2006 09:49:00