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O QUE É A UNI-YÔGA

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O QUE É A UNI-YÔGA

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

ELABORADO PELO AUTOR

Thiago Massi O que é a Uni-Yôga – São Paulo :

Nobel. Inclui bibliografia. 1. Yôga 2. DeRose 3. Uni-Yôga 4. Empresas. I. Título

ISBN

Senhor Livreiro.

Este livro não é de auto-ajuda, nem terapias e, muito menos, esoterismo. Não tem nada a ver com Educação Física nem com esportes. O tema YÔGA merece, por si só, uma classificação à parte.

Assim, esta obra deve ser catalogada como YÔGA e ser exposta na estante de YÔGA.

Grato,

O Autor.

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THIAGO MASSI

O QUE É A UNI-YÔGA

UM ESTUDO DE CASO SOBRE A UNI-YÔGA E SEU SISTEMA DE CREDENCIAMENTO

BASEADO NO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

DA

ESCOLA SUPERIOR DE PROPAGANDA E MARKETING

Faculdade de Administração de Empresas

COM O APOIO DA

Faculdade de Administração de Empresas COM O APOIO DA U NIVERSIDADE DE Y ÔGA registrada nos

UNIVERSIDADE DE YÔGA

registrada nos termos dos artigos 45 e 46 do Código Civil Brasileiro sob o n o . 37959 no 6 o . Ofício

www.uni-yoga.org

Al. Jaú, 2000 Tel.(00 55 11) 3081-9821 Brasil Endereços nas demais cidades encontram-se no website.

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© Copyright 2.005:

União Nacional de Yôga

1ª edição, 2.006. Execução da capa:

Iazzetta

Produção gráfica:

Editora Uni-Yôga,

órgão de divulgação cultural da

Primeira Universidade de Yôga do Brasil,

registrada nos termos dos artigos 45 e 46 do Código Civil Brasileiro sob o n o . 37959 no 6 o . Ofício,

divisão da

UNIÃO INTERNACIONAL DE YÔGA

www.uni-yoga.org

Al. Jaú, 2.000 São Paulo Brasil Tel.:(11) 3081-9821

Permitem-se as citações de trechos deste livro em outros livros e órgãos de Imprensa, desde que mencionem a fonte e que tenham a autorização expressa do autor.

Proíbe-se qualquer outra utilização, cópia ou reprodução do texto, ilustrações e/ou da obra em geral ou em parte, por qualquer meio ou sistema, sem o consentimento prévio do autor.

Esta obra foi adotada como livro-texto dos cursos de Formação de Instrutores de Yôga das Universidades Federais, Estaduais e Católicas, e é recomendado pela Confederação Internacional de Yôga.

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À minha mãe querida que já passou para os planos invisíveis e que muito amo.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos que possibilitaram de uma forma ou de outra que este estudo fosse possível. Considero este trabalho uma retribuição a todas estas pessoas. Obrigado, de coração.

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S UMÁRIO Introdução 1. Metodologia Conceituação do método estudo de caso Estudo de caso único

SUMÁRIO

Introdução

1. Metodologia Conceituação do método estudo de caso Estudo de caso único e holístico Vertente metodológica qualitativa Vertente metodológica quantitativa

2. Tudo sobre Yôga

O Yôga

História do Yôga História do Yôga no Brasil

A

Regulamentação dos Profissionais de Yôga

O

SwáSthya Yôga

3. Bases teóricas de estudo

Serviços

Canais de distribuição

Credenciamento

Credenciamento: vantagens e desvantagens

4. Análise cruzada dos dados

A Uni-Yôga

Histórico da organização Qual o negócio da Uni-Yôga? Forma e estrutura da Uni-Yôga.

A inovação da Uni-Yôga versus Franquia

Um sistema auto-sustentável

Conclusão Referências bibliográficas

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O QUE É A UNI-YÔGA

RELAÇÃO DAS ILUSTRAÇÕES

Figura 1 -

Quadro da missão da Uni-Yôga

 

Figura 2 -

Mestre DeRose no Congresso de Bertioga

 

Figura 3 -

Mestre DeRose

   

Figura 4 -

Linha histórica da Uni-Yôga

 

Figura 5 -

Estrutura da formação profissional da Uni-Yôga

 

Figura 6 -

Organograma Geral da Uni-Yôga

 

Figura 7 -

A teia comercial da Uni-Yôga

 

Figura 8 -

Fluxo de capital e bens na rede comercial da Uni-Yôga

 

Figura 9 -

Fluxo das pessoas na organização Uni-Yôga

 
 

QUADROS

Quadro 1 -

 

Cronologia Histórica do Yôga

 

Quadro 2 -

 

Estrutura do ashtánga sádhana

 

Quadro 3 -

 

Alguns exemplos de definição de canais de distribuição

 

Quadro 4 -

 

Quadro descritivo do sistema de Credenciamento em forma de questões

Quadro 5 -

 

Credenciamento: suas vantagens e desvantagens

 

Quadro 6 -

 

Diferenças entre Credenciamento e franquia

 

Quadro 7 -

 

Comparação do sistema de Credenciamento da Uni-Yôga com o modelo de franquia

 

ABREVIATURAS E SIGLAS

 

SC -

Estado de Santa Catarina

 

RS -

Estado do Rio Grande do Sul

CREF -

 

Conselho Regional de Educação Física

SAB -

Serviços Autorizados Brastemp

ADM -

Administração

RH -

Recursos Humanos

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SUMÁRIO DO LEITOR

Este sumário é para ser utilizado pelo leitor, anotando as passagens que precisarão ser localizadas rapidamente para referências posteriores.

ASSUNTOS QUE MAIS INTERESSARAM PÁGINAS
ASSUNTOS QUE MAIS INTERESSARAM
PÁGINAS

Ao ler, sublinhe os trechos mais importantes para recordar ou que suscitem dúvidas, a fim de localizá-los com facilidade numa releitura.

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DEFINIÇÕES

Yôga 1 é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi.

Samádhi é o estado de hiperconsciência e autoconhecimento que só o ga proporciona.

SwáSthya Yôga é o nome da sistematização do Yôga Antigo, Pré- Clássico, o Yôga mais completo do mundo.

As características principais do SwáSthya ga (ashtánga guna) são:

1. sua prática extremamente completa, integrada por oito modalidades de técnicas;

2. a codificação das regras gerais;

3. resgate do conceito arcaico de seqüências encadeadas sem repetição;

4. direcionamento a pessoas especiais, que nasceram para o SwáSthya ga;

5. valorização do sentimento gregário;

6. seriedade superlativa;

7. alegria sincera;

8. lealdade inquebrantável.

1 O acento indica apenas onde está a sílaba longa, mas ocorre que, muitas vezes, a tônica está noutro lugar. Por exemplo: Pátañjali pronuncia-se “Patândjali”; e kundaliní pronuncia-se kúndaliní”. O efeito fonético aproxima-se mais de “kún-daliníí” (jamais pronuncie “kundalíni”). Para sinalizar isso aos nossos leitores, vamos sublinhar a sílaba tônica de cada palavra. Se o leitor desejar esclarecimentos sobre os termos sânscritos, recomendamos que consulte o Glossário, do livro Faça ga antes que você precise. Sobre a pronúncia, ouça o CD Sânscrito - Treinamento de Pronúncia, gravado na Índia. Para mais conhecimentos, o ideal é estudar os vídeos do Curso Básico de ga.

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THIAGO MASSI

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DEMONSTRAÇÃO

DE QUE A PALAVRA YÔGA TEM ACENTO

NO SEU ORIGINAL EM ALFABETO DÊVANÁGARÍ:

= Y A (curta). = YA (curta).

= YAA ∴ YÁ (longa). (longa).

= YOO* ∴ YÔ (longa). (longa).

= YÔGA C.Q.D. C.Q.D.

* Embora grafemos didaticamente acima YOO, este artifício é utilizado apenas para o melhor entendimento do leitor leigo em sânscrito. Devemos esclarecer que o fonema ô é resultante da fusão do a com o u e, por isso, é sempre longo, pois contém duas letras. Nesta convenção, o acento agudo é aplicado sobre as letras longas quando ocorre crase ou fusão de letras iguais (á, í, ú). O acento circunflexo é aplicado quando ocorre crase ou fusão de letras diferentes (a + i = ê; a + u = ô), por exemplo, em sa+íshwara=sêshwara e AUM, que se pronuncia ÔM. Daí grafarmos Vêdánta. O acento circunflexo não é usado para fechar a pronúncia do ô ou do ê, já que esses fonemas são sempre fechados. Não existe, portanto, a pronúncia “véda” nem “yóga”.

BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA ESPANHOL:

Léxico de Filosofía Hindú, de Kastberger, Editorial Kier, Buenos Aires.

BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA INGLÊS:

Pátañjali Aphorisms of ga, de Srí Purôhit Swámi, Faber and Faber, Londres.

BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA PORTUGUÊS:

Poema do Senhor, de Vyasa, Editora Relógio d’Água, Lisboa.

Se alguém declarar que a palavra ga não tem acento, peça-lhe para mostrar como se escreve o ô-ki- matra (o-ki-matra é um termo hindi utilizado atualmente na Índia para sinalizar a sílaba forte). Depois, peça- lhe para indicar onde o ô-ki-matra aparece na palavra ga (ele aparece logo depois da letra y). Em seguida, pergunte-lhe o que significa cada uma das três partes do termo ô-ki-matra. Ele deverá responder que ô é a letra o; ki significa de; e matra traduz-se como acento, pausa ou intervalo. Logo, ô-ki-matra traduz-se como “acento do o”. Então, mais uma vez, provado está que a palavra ga tem acento.

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COMO LER ESTE LIVRO

Jamais pegue um livro didático para ler se não tiver papel e caneta com que possa fazer anotações. Caso contrário você pensa que aprendeu e esquece tudo mais tarde.

Sublinhe e faça anotações também no próprio livro. Organize um sumário dos assuntos que mais lhe interessaram, com as respectivas páginas, e anote isso na página de abertura do livro estudado para ter tais dados sempre à mão.

No final de cada capítulo pare e releia-o, observando as anotações feitas.

Releia sempre os bons livros antigos, já anotados.

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A S PESSOAS NÃO TÊM A MÍNIMA IDÉIA DO QUE É O NOSSO TRABALHO Uma

AS PESSOAS NÃO TÊM A MÍNIMA IDÉIA DO QUE É O NOSSO TRABALHO

Uma seqüência de cases nos demonstrou que a estrutura da Uni-Yôga pode ser muito clara para sua Administração Central, mas para os de fora é difícil de entendê-la porque foge aos padrões convencionais e porque trata-se de uma proposta revolucionária. Assim, o observador externo tropeça em seus paradigmas de como uma empresa deve ser e não percebe a maior parte da grande contribuição que a Uni-Yôga está introduzindo para o desenvolvimento empresarial e administrativo no nosso país.

Por outro lado, incomensurável é a contribuição social que a Universidade de Yôga está realizando em seu trabalho com os jovens, proporcionando-lhes cultura e educação, ensinando-lhes uma profissão de carreira e mantendo-os num ambiente sadio, longe das drogas, do álcool e do fumo 2 .

Outra atuação social da Uni-Yôga é sua constante e sistemática participação em várias campanhas filantrópicas, tanto governamentais quanto privadas, como o apoio que temos oferecido à UNICEF (o que nos valeu uma medalha dessa instituição), à CARE do Brasil (da qual o Mestre DeRose figura como um dos fundadores), ao ROTARY (do qual vários dos nossos Credenciados são membros) e outras.

Entendemos que uma empresa honesta tem que ser cristalina e fornecer até mais esclarecimentos do que aqueles que o Governo e a Sociedade pudessem solicitar sobre sua estrutura e funcionamento.

2 Muito ilustrativas são as cartas dos pais dos nossos alunos, agradecendo ao Mestre DeRose, publicadas no livro Yôga, Mitos e Verdades.

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O QUE É A UNI-YÔGA

Assim sendo, aproveitamos o Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Administração de Empresas, da Escola Superior de Propaganda e Marketing, apresentado pelo formando Thiago Massi, que, ademais, é instrutor de SwáSthya Yôga, logo, está inserido na empresa analisada e tem acesso a muito mais informações do que um analista externo. Passamos o texto por uma revisão da própria Uni- Yôga a fim de depurá-lo de alguma explanação menos exata ou menos elucidativa; suprimimos alguns trechos que eram pesadamente acadêmicos e desnecessários para o leitor comum; e, finalmente, vimos que era conveniente publicar o Trabalho com o formato de livro.

A leitura deste livro é especialmente recomendável aos alunos que tenham a intenção de formar-se instrutores pela Universidade de Yôga e aos pais deles – principalmente dos que pretendam, um dia, abrir uma Unidade Credenciada. É preciso saber “em que estão se metendo” 3 !

RESUMO DO TRABALHO PELA ÓTICA DA UNI-YÔGA

Este Trabalho de Conclusão de Curso demonstra que a Uni-Yôga:

1. Não utiliza o sistema de franquia.

2. Conseqüentemente, não cobra royalties.

3. Criou um sistema novo e revolucionário de administração de empresas.

4. Introduziu no Brasil o conceito de Administração Participativa (provavelmente, foi a primeira empresa brasileira a utilizar esse sistema).

5. Não utiliza a relação patrão/empregado e funciona sem vínculo empregatício.

6. Oferece várias fontes de renda (aqui elencadas dez fontes, mais suas subdivisões).

3 Referência ao subtítulo do livro Yôga, Mitos e Verdades – saiba em que você está se metendo, do Mestre DeRose.

THIAGO MASSI

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7. Dobra o capital aplicado pela Unidade credenciada a cada operação de compra de suprimentos. Isso torna muito conveniente que os Credenciados permaneçam na rede e não queiram se desligar.

8. Proporciona respaldo de um nome forte e a tradição de mais de 45 anos de magistério do Mestre DeRose.

9. Fornece divulgação dos nomes e endereços dos Credenciados em seu website e em outros meios.

10. Todas as Unidades que utilizam a marca são autônomas e cada qual tem o seu próprio dono, diretor ou presidente (dependendo do formato jurídico de cada estabelecimento). Assim sendo, o Mestre DeRose não é proprietário das entidades que o representam e elas não pagam nada a ele para utilizar seu nome e seu método.

Esperamos que o estimado leitor encontre nas páginas seguintes as informações que veio buscar sobre as propostas, a estrutura e a administração da Uni-Yôga.

AO LEITOR NÃO-ACADÊMICO

O Trabalho de Conclusão de Curso precisa utilizar uma linguagem acadêmica que se afigura um tanto árida aos não-acadêmicos. Assim sendo, sugerimos ao leitor que apenas deseja esclarecimentos sobre a Uni-Yôga, mas dispensa toda aquela fundamentação científica:

agilize a busca da informação desejada, remeta-se diretamente aos subtítulos dos capítulos.

O conteúdo da presente obra divide-se em quatro áreas de interesse:

1. O primeiro capítulo interessa mais aos acadêmicos de Administração de Empresas.

2. O segundo capítulo explana sobre o Yôga, o SwáSthya Yôga, a História do Yôga no Brasil e sugere bibliografia para aprofundamento.

3. O terceiro

capítulo fica mais interessante, fornecendo

comparações entre o sistema da Uni-Yôga e os demais já

existentes.

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O QUE É A UNI-YÔGA

4.

O quatro capítulo é onde o livro adquire uma leitura mais fluida e passa a fornecer um volume de informações sobre a Uni-Yôga realmente impressionante. Essa é a parte que mais interessa ao empresário, ao futuro investidor, ao instrutor, ao futuro instrutor e – mormente – aos pais do jovem que decidiu abraçar esta profissão.

Esperamos que, seja qual for a sua área de interesse, este trabalho possa esclarecer e auxiliá-lo naquilo que você estiver buscando.

Boa leitura!

Comissão Editorial

Figura 3: Mestre DeRose com as insígnias de Comendador da Sociedade Brasileira de Educação e

Figura 3: Mestre DeRose com as insígnias de Comendador da Sociedade Brasileira de Educação e Integração; Comendador da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História; Grau de Cavaleiro, pela Ordem dos Nobres Cavaleiros de São Paulo, reconhecida pelo Comando do Regimento de Cavalaria Nove de Julho, da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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Documentação do título de Mestre, Notório Saber, Comendador e Doutor Honoris Causa.

Documentação do título de Mestre, Notório Saber, Comendador e Doutor Honoris Causa. -
Documentação do título de Mestre, Notório Saber, Comendador e Doutor Honoris Causa. -

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RESUMO

Neste trabalho pretende-se realizar um estudo de caso sobre a Uni- Yôga, uma empresa que utiliza como método de distribuição do seu serviço um sistema denominado Credenciamento. São abordados nesta investigação as diferenças entre o Credenciamento e o franchising. O meio pelo qual o sistema de Credenciamento da Uni- Yôga proporciona a rentabilidade e faz girar seu capital também são analisados aqui. Conclui-se com esta investigação que o sistema de unidades de negócio proposto pela Uni-Yôga traz inovações em termos de estratégias de distribuição, de vendas e de crescimento sustentável. Utilizou-se como metodologia, a pesquisa bibliográfica, a observação participante e individual.

Palavras-Chave: Uni-Yôga, SwáSthya Yôga, Serviços, Canais de Distribuição, Credenciamento, Mestre DeRose, Sistemas de unidades de negócio.

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ABSTRACT

The purposes of this work is to accomplish a case study elucidating Uni-Yôga, a company that uses a system called Creditating, as a method of spreading its services. The differences between Creditating and franchising, are extensively shown. The way the Creditating system generates the profits, and handles with the floating capital are also analyzed. At the end of this survey, we can come to the conclusion that the system of business units applied by Uni-Yôga brings true innovations on the fields of strategy, distribution, sales, and sustained growth. The methodology used for this work made use of bibliographic research, interacting participation and also simply individual observation.

Key-words: Uni-Yôga, SwáSthya Yôga, Services, Ways of Distribution, Creditating, Mestre DeRose, Systems of Business Units.

Instrutor Sandro Nowacki -

Instrutor Sandro Nowacki

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UMA VISÃO GERAL

O objeto de estudo será a empresa União Nacional de Yôga. “A Uni-

Yôga é uma entidade cultural sem fins lucrativos, cuja missão é o intercâmbio, união e ajuda a professores de Yôga de todo o país.” (DeRose, 1995)

Yôga significa união, mas pouca gente compreende ou cumpre esse preceito. Em todo o mundo há muito ego e parca união entre os que deveriam dar exemplo de maior compreensão. União de Yôga forma um pleonasmo com cuja ênfase alimentamos a esperança de insuflar mais união no seio de uma filosofia perfeita, exercida por pessoas imperfeitas. Nossa intenção ao elaborar a sigla latim-sânscrito Uni-Yôga foi a de reforçar a proposta de coesão, integração.

Juntamos a partícula Uni (união, unidade) com a palavra Yôga (união, integração) e obtivemos a sigla Uni-Yôga, sintetizando o conceito de União de Yôga, união no Yôga. Esse é um dos sentidos da sigla Uni-Yôga se a lermos com o significado latino do prefixo uni. Em sânscrito, unni significa liderar, resgatar, erigir, plantar, levantar, exaltar, engrandecer, edificar, construir, montar, estender, avançar, pôr diante, desembaraçar, causar, determinar, ajudar, promover. (DeRose, livro Yôga, Mitos e Verdades.)

A Uni-Yôga é a maior e mais antiga rede de escolas de Yôga técnico

do Brasil, das Américas e, provavelmente, do mundo.

A Uni-Yôga é representada junto à comunidade pelas escolas e associações credenciadas (Unidades). Para essas, seu principal negócio é a formação de profissionais em Yôga. Mas também atuam em vários ramos de negócio como, por exemplo, oferecendo práticas regulares de Yôga como um serviço ao consumidor que não quer tornar-se instrutor, mas deseja apenas praticar num lugar confiável e por isso escolheu uma escola que leve o nome do Mestre DeRose, conhecido por realizar um trabalho sério.

A

Uni-Yôga oferece:

 

1.

formação

profissional

em

vários

níveis

(instrutor,

docente

e

mestre);

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2. e de diferentes formas (aulas nas Unidades, cursos à distância e

como consultora em cursos de terceiro grau noutros estabelecimentos de ensino superior);

3. práticas de SwáSthya Yôga para iniciantes prestadas através de

vários meios (nas Unidades; aulas terceirizadas em academias, clubes, escolas, empresas e condomínios; personal Yôga training);

4. eventos internos e externos (cursos, workshops, festivais, congressos, feiras, festas);

5. criação, elaboração, distribuição e vendas de produtos;

6. ações sociais, filantrópicas etc.

Entretanto, a razão de ser da instituição é realmente a formação profissional. Este é o carro-chefe que norteia suas estratégias.

Além disso, a Uni-Yôga, através das Unidades Credenciadas, também desenvolve e fornece produtos para seus alunos e público externo. Outra função importante da Uni-Yôga é proporcionar oportunidades de negócios entre os instrutores.

Sempre que aparecer no texto o nome Uni-Yôga sozinho considere a organização maior que engloba todas as divisões que aparecem no organograma (ver figura 5). Entretanto, quando a intenção for dissertar a respeito de uma divisão da Uni-Yôga constará sua especificação logo após o nome Uni-Yôga (ex: Uni-Yôga Universidade de Yôga), pois a Uni-Yôga possui várias divisões, conforme a figura 6 demonstrará.

A explicação completa sobre a natureza desta organização e sua forma

de atuação em relação ao aspecto selecionado, econômico-social, para

o estudo de Trabalho de Conclusão de Curso encontra-se no capítulo

quatro. Antes, será necessário definir o objeto de trabalho desta organização, o próprio Yôga.

Será abordado o conceito de Credenciamento na instituição como foco de estudo. Conseqüentemente conceitos como distribuição, canais, vendas e serviços também serão incluídos no desenvolvimento do trabalho. A parte citada aparecerá no capítulo 2 como a segunda fonte de informações que, sendo cruzada com o conteúdo do capítulo

THIAGO MASSI

1, resultará em análise crítica do estudo de caso, a ser exposto no capítulo terceiro.

Será necessário, primeiramente, demonstrar como o sistema auto- sustentável criado pela Uni-Yôga funciona e colocá-lo lado a lado com os conceitos já conhecidos em administração de empresas, sendo este ecossistema multidimensional, ou seja, processa-se em diferentes aspectos: cultural, social, econômico e estrutural. Sabe-se que dentro de uma rede de unidades de negócios existe um fluxo de bens, pessoas, informações, dinheiro etc., permitindo que o sistema funcione da forma como se propõe. No trabalho de comparação de um sistema de rede empresarial com outro será considerado o todo do sistema de Unidade de negócios. Entretanto, para uma análise mais aprofundada escolheu-se o aspecto econômico-financeiro deste sistema de canais de marketing chamado de Credenciamento. Isto significa que será aprofundado o estudo do presente sistema de unidades de negócios sob uma visão econômica, social e ecológica, ou seja, de sobrevivência e crescimento financeiro.

Estes serão apenas objetivos secundários que servirão de base para a análise do objetivo principal: investigar o mecanismo econômico entre as unidades de negócio e seus parceiros que viabiliza a sobrevivência financeira de toda a Uni-Yôga, contribuindo com inovações para a área de gestão de redes, constituindo assim um trabalho reflexivo fundamentado, objetivo de todo o atual Trabalho de Conclusão de Curso. A análise crítica que vai fechar o leque de informações abertas durante o estudo será o conteúdo do último capítulo.

Assim, este estudo de caso único encontrar-se-á dividido em quatro capítulos. Na primeira parte será determinada a estrutura metodológica do trabalho como um todo. Cada capítulo, por sua vez, conterá na respectiva introdução sua metodologia específica.

Será abordada a Uni-Yôga presente, ou seja, como ela está atualmente, no ano de 2005, mas será relatado o histórico da organização, desde seu surgimento até os dias de hoje, a fim de se entender melhor seu funcionamento e como se formou estruturalmente. Até o presente momento existem representações da Uni-Yôga – Universidade de Yôga em três continentes, mais especificamente nos países Brasil, Argentina, Portugal, Espanha e

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França. Já está em processo de instalação na Inglaterra, Alemanha, Itália e Estados Unidos. Em projeto para um futuro mais ou menos próximo, Holanda, Escócia e Nova Zelândia. As Unidades representantes que compõem a Uni-Yôga encontram-se, em sua maioria, nos grandes centros urbanos desses países.

O principal fator que justifica a escolha deste objeto de estudo é

justamente aquele que também mais motiva sua execução pelo aluno

pesquisador. O aluno está filiado à Uni-Yôga, pois é instrutor formado pela mesma e atualmente (2005) trabalha em uma

representante da Uni-Yôga – Universidade de Yôga. Sendo assim, o percurso investigatório será facilitado e acelerado devido à motivação provocada pelo envolvimento do autor com o tema. Uma obra que existe e prospera desde 1960 (como empresa, desde 1964) sempre oferecendo algo inovador como formação profissional em Yôga, por

si só justificaria um estudo mais aprofundado dessa proposta, ainda

mais quando o aluno pesquisador está imerso nela.

O texto abaixo foi extraído (sob autorização) do Manual do Sistema

Operacional da Uni-Yôga:

A SAÚDE MONOLÍTICA DA NOSSA EMPRESA

Sabe quantas empresas fecharam desde que inauguramos a nossa entidade de Yôga, em 1964, até o ano de 2004? Desde que nós começamos, até agora fecharam as portas nada menos de 99,6% de todas as empresas que existiam em 1964 no Brasil. Sabe o que isso significa? Significa que não é fácil vencer. Grandes empresários fracassaram. Mas significa também que nós somos vencedores. Estamos no mercado há mais de 40 anos, resistimos a todas as tormentas econômicas, pacotes governamentais e até a uma revolução (dizem que foi golpe de Estado). Somos uma das mais antigas Redes do país e a maior do mundo na área de Yôga técnico. E queremos lhe ensinar a vencer como nós vencemos. Portanto, leve a sério o que vamos dizer, pois vale ouro.

Desta forma entende-se que o sistema desenvolvido pela Uni-Yôga deve ser apresentado à sociedade, pois traz inovadoras formas de negócios em termos de redes empresariais. Em geral o tema é interessante para qualquer pessoa, pois vivemos em uma época de corporações globalizadas e de negócios que se espalham em forma de redes pelo mundo todo.

Outro texto do Mestre DeRose aplica-se a essa questão:

THIAGO MASSI

Atualmente, as grandes corporações estão tendo mais sucesso que as pequenas empresas e as estão asfixiando, comprando-as ou levando-as à bancarrota. No filme Mensagem para você, Meg Ryan é a dona de uma pequena e simpática livraria, bem aconchegante, tradicional, intimista. Mas ela não consegue competir com os preços, descontos, promoções e propaganda da sua nova concorrente, a megastore Fox. E acaba fechando as portas, para tristeza de todos nós.

O que a Uni-Yôga conseguiu foi preservar a pequena empresa, acolhedora e

intimista, dando-lhe condições de enfrentar o mercado com a magnitude de uma grande corporação. Conseguimos isso incentivando os instrutores a abrir suas próprias escolas e convidando-os a congregar-se sob o escudo protetor

da Uni-Yôga. Assim, somos pequenos e grandes ao mesmo tempo. Pequenos quando nos convém ser assim e grandes quando é necessário mostrar nossa força.

E somos indestrutíveis, pois não somos uma só empresa, mas centenas de

pequenas empresas. Assim, se uma for mal administrada, fecha só essa. Se

a concorrência aprontar alguma armação (como já ocorreu várias vezes) jamais conseguirá destruir a rede.

Cada vez mais os administradores preocupam-se em aprimorar a gestão de sistemas de unidades de negócios. O conceito é relativamente novo, desenvolveu-se somente a partir dos anos 50, comparado à história da Teoria Geral da Administração que começou com a Administração Científica de Taylor em 1903 (Chiavenato, 1997, p.11). Isso indica que os sistemas de gestão em rede ainda podem ser muito aprimorados nos próximos anos. Conseqüentemente, o assunto abordado merece ser muito explorado por estudantes e profissionais para que traga conhecimentos necessários à evolução que forçosamente surgirá em termos de negócios em rede.

Será o sistema desenvolvido pela Uni-Yôga, o Credenciamento, uma

novidade? Em que ele se diferencia dos demais sistemas de unidades

de negócio já conhecidos? Como o sistema auto-sustentável criado

pela Uni-Yôga funciona? De que forma ele proporciona a

sobrevivência financeira das Unidades da Uni-Yôga e de toda a rede?

A Uni-Yôga com seu modelo econômico-financeiro de gestão,

realmente trouxe inovações para a administração de empresas? Quais são estas novidades? Todas estas, são questões que o presente estudo tentará responder.

Para atender tais problemas de esclarecimento será adotada a estratégia de pesquisa denominada Estudo de Caso. Segundo Yin (1994), um estudo de caso é uma investigação empírica que pesquisa

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um fenômeno atual dentro do seu contexto da vida real quando os limites do fenômeno não estão claramente definidos. Yin complementa explicando que a investigação de estudo de caso enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados e como resultado baseia-se na triangulação dos dados vindos de várias fontes de evidência. Por exemplo, cruzando-se informações de bases teóricas com casos reais obtém-se uma conclusão fundamentada e lógica.

Este tipo de investigação também, para fins de resultado, beneficia-se do desenvolvimento prévio de preposições teóricas para conduzir a coleta e a análise dos dados. O estudo de caso a ser utilizado pode ser ainda classificado como estudo de caso único e holístico. Esta metodologia será explicada em detalhes na primeira seção do presente trabalho.

Verifica-se então que está totalmente adequada a escolha do método estudo de caso como estratégia de pesquisa para o desenvolvimento do presente trabalho.

1

METODOLOGIA

Abre-se esta monografia caracterizando a metodologia utilizada no trabalho como um todo. Define-se aqui o meio pelo qual o percurso investigatório é capaz de localizar, coletar, registrar, tratar e selecionar materiais bibliográficos, documentais e resultantes de pesquisa de campo. Uma vez articulados todos esses elementos, seremos capazes de fundamentar descrições, interpretações, análises e demonstrações para responder a dúvida metódica estabelecida.

Sendo este Trabalho de Conclusão de Curso da modalidade “estudo de caso”, pretende-se explicar do que se trata o referido método de estudo. O presente capítulo pretende conceituar o método de estudo de caso mais especificamente do tipo único e holístico. Também define-

se nesta seção a vertente metodológica qualitativa e a quantitativa, que fazem parte do método estudo de caso aplicado aqui.

A fonte de pesquisa para este capítulo foi Yin (2001). Ele sozinho

fornece informações suficientes para fundamentar todos os conceitos metodológicos pretendidos.

Conceituação do método estudo de caso

O estudo de caso constitui uma alternativa das muitas que existem

quando se pretende fazer pesquisa em ciências sociais. Segundo Yin (1994) quando o pesquisador coloca questões do tipo “como” e “porque” normalmente é o método preferido, o que atende muito bem as necessidades do presente trabalho. Yin (1994) relata que a estratégia de pesquisa utiliza-se do estudo de caso em estudos organizacionais e gerenciais, área profissionais como administração empresarial e na ciência administrativa.

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Yin (1994) define o estudo caso como o método de pesquisa que tem como propósito estabelecer uma estrutura de discussão e debate entre os estudantes sem precisar conter uma interpretação completa ou acurada, desde que a finalidade do estudo de caso seja o ensino. Complementa deixando bem claro que em estudos de caso que destinam-se à pesquisa, estes sim, precisam se preocupar com a apresentação justa e rigorosa dos dados empíricos. O Trabalho de Conclusão de Curso em exposição utiliza-se justamente do estudo de caso para fins de ensino.

O estudo de caso contribui de forma inigualável para compreensão que temos de fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos. Razão pela qual vem sendo cada vez mais utilizado como estratégia de pesquisa em áreas como psicologia, sociologia, no trabalho social, ciência política, planejamento e administração. Yin conclui o pensamento:

Em resumo, o estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas da vida real – tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças em regiões urbanas e a maturação de alguns setores. (Yin, 1994, p.21)

Nas palavras de um observador, Scharmm, citado por Yin (1994) utiliza a seguinte definição de estudo de caso:

[.] a essência de um estudo de caso, a principal tendência em todos os tipos de estudos de caso é que ela tenta esclarecer uma decisão ou um conjunto de decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram implementadas e com quais resultados. (Schramm, 1971, grifo nosso)

Estudo de caso único e holístico

Os estudos de caso podem incluir tanto estudos de caso únicos como múltiplos. O projeto de pesquisa aplicado aqui caracteriza-se como estudo de caso único e holístico.

O estudo de caso único pode ser apropriado em muitas situações. Primeiro ele é análogo a um fenômeno único. Segundo Yin (1994) escolhe-se o estudo de caso único como projeto de pesquisa quando representa um caso decisivo ao se testar uma teoria bem formulada. Neste caso a teoria levanta uma série de preposições e as

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circunstâncias em que as preposições são verdadeiras. O caso único reúne todas as condições circunstanciais e específicas para testar a teoria buscando uma confirmação, contestação ou entendimento. Então o estudo de caso único visa testar a confirmação das preposições ou ainda levantar algum outro conjunto de explanações que se mostre mais relevante. Seguindo as explicações de Yin (1994), outro fundamento lógico que pode determinar a escolha do estudo de caso único é aquele em que o caso representa um caso raro ou extremo. Por exemplo, o caso da Uni-Yôga que desenvolveu um sistema inovador de rede de unidades de negócio batizado de Credenciamento, representando assim um caso raro de um tipo específico de negócio. O terceiro fundamento que justifique o estudo de caso único é o caso revelador, quando o pesquisador tem acesso a determinado fenômeno que não está acessível à investigação científica. O pesquisador deste estudo, de certa forma, tem acesso ao interior da organização estudada, justamente por ser membro dela, merecendo a aplicação de estudo de caso único. Além disso, o Trabalho de Conclusão de Curso sobre a Uni-Yôga possui como base uma natureza reveladora, característica determinante do estudo de caso tipo único, conforme o terceiro fundamento descrito por Yin

(1994).

Com referência à denominação “holístico” usa-se essa classificação para determinar que o estudo de caso irá examinar a natureza global de um programa ou organização. Já que um dos objetivos do presente estudo é fornecer uma contribuição aos administradores para o utilizarem como exemplo em qualquer outra organização que mostre- se propícia para tal, configura-se a utilidade holística neste projeto.

Deve-se tomar cuidado para que o estudo de caso holístico a ser desenvolvido não se derive para um nível abstrato, desprovido de dados ou medidas claras, ou ainda não permita que o pesquisador possa examinar qualquer fenômeno específico em detalhes.

As técnicas analíticas adotadas dentro do método estudo de caso são a vertente metodológica qualitativa e a vertente metodológica quantitativa, explicadas a seguir.

Vertente metodológica qualitativa

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Entre as técnicas qualitativas para análise de dados estão algumas técnicas analíticas abaixo citadas:

Dispor as informações em séries diferentes;

Criar uma matriz de categorias e dispor as evidências dentro das mencionadas categorias;

Criar modos de apresentação de dados – fluxograma e outros métodos – para examinar os dados;

Classificar em tabelas a freqüência de eventos diferentes;

Examinar a complexidade dessas classificações e sua relação, calculando números de segunda ordem, como médias e variâncias;

Dispor das informações em ordem cronológica ou utilizar alguma outra disposição temporal.

Vertente metodológica quantitativa

Será utilizada para transformar os dados do estudo de caso propício à análise estatística. Uma das formas de se fazer isto é atribuindo valores numéricos aos eventos ou simplesmente registrando a freqüência dos eventos estudados. É possível realizar esses estudos de caso na vertente quantitativa quando se possui uma unidade incorporada de análise dentro do estudo de caso.

Definida a metodologia utilizada iniciam-se as bases teóricas do trabalho, indispensáveis para fundamentar o exercício da descrição, interpretação, análise e demonstração. O primeiro assunto abordado a seguir trata do Yôga, conteúdo de trabalho da organização palco deste estudo de caso.

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TUDO SOBRE YÔGA

Para abordar o modelo de sistema de negócios adotado pela organização estudada, é necessário inicialmente conhecê-la. E o conteúdo de trabalho que a instituição pesquisada utiliza é o Yôga. Define-se aqui não apenas o que é o Yôga, mas também sua história, desde sua mais remota origem até hoje (2005). Também se define no presente capítulo o tipo de Yôga escolhido para ser ensinado pela organização. Pretende-se, assim, partir do aspecto mais genérico do conhecimento do tema torná-lo mais específico até se atingir o objetivo deste estudo de caso, apresentar um resultado de estudo sistematizado que expresse conhecimento fundamentado acerca do tema formulado.

O método de pesquisa aqui aplicado foi a documentação indireta. Segundo Lakatos e Marconi (1991, p.174), a documentação indireta constitui a fase realizada com o intuito de recolher informações prévias sobre o campo de interesse.

Para o levantamento de dados na citada fase (documentação indireta) utilizar-se-á principalmente a pesquisa bibliográfica (ou de fonte secundária), mas também a pesquisa documental (ou de fonte primária).

De acordo com Lakatos e Marconi (1991, p.183), a pesquisa bibliográfica (ou secundária) abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, até meios de comunicação orais: rádio, gravações de áudio ou audiovisuais (filmes e televisão). A finalidade do mencionado tipo de pesquisa é colocar o pesquisador em contato direto com que foi escrito, dito ou informado sobre o tema escolhido para pesquisa. Os tipos de fontes bibliográficas a ser utilizados neste trabalho são: publicações e meios audiovisuais (fitas de vídeo e CDs).

-

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Na pesquisa documental a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou não, as chamadas fontes primárias. Tal modalidade de pesquisa pode ser feita no momento que o fato ou fenômeno ocorre ou depois. No presente trabalho os documentos utilizados são arquivos públicos do tipo documentos jurídicos, assim como arquivos particulares, tais como registros, atas, programas, comunicados, correspondência, etc.

Utilizadas como fonte para investigação estão as seguintes obras:

DeRose (1995b); DeRose (2002); DeRose (1996); Edwards (2001).

O

Yôga

O

Yôga 4 é uma filosofia prática que surgiu na Índia há mais de

5.000 anos. O vocábulo Yôga significa união, no sentido de integração ou integridade. Sua definição: Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi. Samádhi é o estado de hiperconsciência e autoconhecimento que só o Yôga proporciona e, por isso, constitui seu diferencial. (DeRose, 1995b, 1995a, 1995b, 1999, 2002, 2005, Santos, 1999.)

Diferença entre o Yôga e “a ióga”:

No Brasil, o Yôga e "a ióga" são duas disciplinas diferentes, confundidas pelo público devido às semelhanças de escrita e pronúncia como ocorre com a moral e o moral. Tanto são diferentes que existe uma Confederação do Yôga e uma Confederação da Ioga.

As diferenças estão:

a) nos fundamentos (o Yôga é filosofia e a ioga é terapia);

b) nas propostas (o Yôga visa energizar e a ioga visa a relaxar);

c) no país de origem (o Yôga é originário da Índia e a ioga surgiu no

Rio de Janeiro);

d) na época de origem (o Yôga tem mais de 5.000 anos e a ioga surgiu em 1962);

4 O termo Yôga é masculino, deve-se escrever com Y e com acento no ô. O acento pode variar, dependendo da convenção utilizada. Contudo, seja qual for o acento, a palavra deve ser sempre pronunciada com o ô longo e fechado. (DeROSE, 1995, 1996)

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e) no tipo de público (o Yôga é para gente jovem e a ioga tem sido oferecida prioritariamente para a terceira idade) etc.

A disciplina denominada "a ioga" foi dicionarizada antes, enquanto

que o Yôga foi dicionarizado depois e encontra-se no novo Dicionário

da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, com y e no gênero masculino, bem como no Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora (Portugal).

Por isso, os revisores, eventualmente, fazem constar sem distinção "a ioga", quer para designar uma coisa, quer para designar a outra. O termo Yôga, mesmo não estando dicionarizado, deve ser aplicado, pois seria injustificável confundir uma coisa com a outra só porque os dicionaristas não incluíram o termo. Ninguém escreve marquetingue ou xópingue, conforme os lingüistas insistem que deve ser. (Sacconi, S.P.P.)

Histórico do Yôga

O Yôga é uma filosofia de vida prática que objetiva um estado

expandido de consciência denominado samádhi. Sua data de origem remonta ao tempo em que não havia religiões institucionalizadas na Índia e o homem primitivo adorava o Sol. O Yôga se originou dos movimentos de um famoso bailarino, Shiva, que arrebatava todos os

que o assistiam pela beleza de seus movimentos. DeRose (1996, p.24)

relata:

Em algum momento da história essa arte ganhou o nome de integridade, integração, união, em sânscrito 5 , Yôga! Seu fundador ingressou na mitologia com o nome de Shiva e com o título de Natarája, Rei dos bailarinos.

Até que, um dia, o grande bailarino morreu e sua arte, o Yôga, não poderia cair no esquecimento como descreve DeRose (1995b, p.23):

Os discípulos mais leais preservaram-na intacta e assumiram a missão de retransmiti-la. Os pupilos dessa nova geração compreenderam a importância de tornar-se também instrutores e de não modificar, não alterar em nada o ensinamento genial do primeiro Mentor.

O Yôga surgiu há muito tempo e poucas evidências existem para se

relatar com exatidão os fatos do seu nascimento. Pode-se comprovar

5 Sânscrito é uma língua morta, língua clássica de Índia antiga, que influenciou praticamente todos os idiomas ocidentais. (DeROSE, 2005)

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sua origem histórica através de evidências arqueológicas encontradas em importantes sítios arqueológicos como Harappá e Mohenjo-Daro. Também é possível comprovar sua origem através dos relatos contidos nos Vêdas 6 , mais especificamente nas Upanishads 7 , comentários dos Vêdas.

Seu local de origem foi o Noroeste da Índia, ou melhor, o território hoje ocupado por ela, mais especificamente o Vale do Indo. A nação denominada Índia não existia ainda e, na época, a região era habitada pela etnia drávida. O Yôga brotou na civilização dravídica, também chamada de harappiana. Além do Yôga, que é uma filosofia prática, aquele povo também desenvolveu uma filosofia teórica, o Sámkhya e uma filosofia comportamental, o Tantra, simultaneamente (ver Quadro 1). Sua civilização era extremamente desenvolvida e evoluída até para os padrões atuais. Quando os arqueólogos, no final do séc. XIX se depararam com as cidades de Harappá e Morenjo-Daro que estavam soterradas, ficaram impressionados. Tinham descoberto cidades com avenidas de 14 metros de largura. Havia também ruas de pedestres onde não circulavam carros de boi e sistema preservado de esgoto coberto. Também deparam-se com casas de classe média com dois andares, átrio interno e instalações sanitárias! A cidade tinha um impressionante planejamento urbanístico, tudo isso entre 3.000 e 1.500 a.C.

Courtillier em seu livro Antigas Civilizações, citado por DeRose (1995b, p.25) expõe:

Ficamos verdadeiramente admirados de, nesses tempos profundamente religiosos, não encontrarmos templos ou vestígios da estatuária que os povoaria, como foi regra noutros lugares durante toda a antiguidade, nem estatuetas de adoradores em atitude de oração diante de sua divindade.

São evidências assim que levam a supor a ausência de religião naquela cultura em que o Yôga surgiu. Isto porque tal civilização adotara a filosofia Sámkhya, que é naturalista. Da mesma forma, ao

6 Vêda é o nome das mais antigas escrituras do hinduismo. Provém da raiz “vid”, conhecer; pode ser traduzido como revelação. (DeROSE, 2005)

7 Upanishad significa literalmente “sentar-se junto”, mas normalmente é traduzido como comentário. É que as Upanishads são os comentários dos Vêdas e por isso estão situadas no final deles. (Extraído do livro Origens do Yôga Antigo, do Mestre DeRose.) (DeROSE, 2005)

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que tudo indica, o Yôga praticado naquele período também era Sámkhya e não místico.

Outras evidências importantes apontam para um importante aspecto da cultura drávida. Edwards (2000, p.128) relata que nenhuma muralha foi encontrada em torno das cidades. Também Kenoyer, apud Edwards (2000, p.128), conta: “Cada colina tinha uma muralha. Elas não foram erguidas para defesa”. Assim como estas muralhas não serviam para defesa, também não foram encontrados indícios de armas nem de ataques por todas as cidades arqueológicas. Tais provas vieram a confirmar a característica tântrica deste povo. Sabe-se que um povo tântrico tende a não ser guerreiro, pois seus princípios comportamentais são opostos aos que conduzem à guerra. A civilização na qual o Yôga surgiu era tântrica, (matriarcal, sensorial e desrepressora) e não brahmáchárya (patriarcal, anti-sensorial e repressora).

Em mais ou menos 1.500 a.C. aquela civilização foi invadida por um povo sub-bárbaro vindo da Europa Central, os áryas ou arianos. A história relata que eles subjugaram os drávidas, destruindo sua civilização, exterminando quase todos os vencidos, escravizando os poucos que sobraram e que não conseguiram migrar para o Sul como os demais. Entretanto, os arianos absorveram parte de cultura dravídica e com ela o Yôga. A partir daí o Yôga começou a sofrer processos de deturpação. O primeiro ocorreu quando os arianos impuseram sua cultura e adaptaram o Yôga dos drávidas à sua cultura ariana (patriarcal).

O Yôga foi produto de uma civilização não guerreira, naturalista e matriarcal. A partir de 1.500 a.C. foi absorvida por um outro povo que era seu oposto: guerreiro, místico e patriarcal. Cerca de mil e duzentos anos após a invasão (o que não é pouco), o Yôga foi formalmente arianizado mediante a célebre obra de Pátañjali, o Yôga Sútra. Estava inaugurada uma releitura do Yôga que, a partir de então passaria a ser conhecida como Yôga Dárshana, ou Yôga Clássico, a qual propunha nada menos que o oposto da proposta comportamental do verdadeiro Yôga em suas origens dravidianas. O Yôga dos drávidas era matriarcal, sensorial e desrepressor, numa palavra, ele era tântrico. Essa nova interpretação arianizada era patriarcal, anti-sensorial e repressora, ou seja, brahmáchárya. (DeRose, 1995, p.25)

Foi graças a essa codificação do Yôga Clássico, feita por Pátañjali, que o Yôga não desapareceu dos registros Históricos e chegou até nós.

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Para entender melhor esta fase histórica do Yôga, DeRose (1995, p.25) explica:

Graças a ele, que obviamente era bem intencionado e sábio, hoje sabemos da existência de sua codificação do Yôga Clássico. Os arianos discriminavam tudo o que fosse tipicamente dravídico devido às características matriarcais consideradas subversivas pela sociedade, estritamente patriarcal dos áryas. Adaptando o Yôga para a realidade ariana então vigente, Pátañjali conseguiu que a sociedade e os poderes constituídos da época o aceitassem e, com isso, tal tradição chegou até os nossos dias.

Esta foi apenas a primeira deturpação do Yôga. A segunda ocorreu, na Idade Média, quando o grande Mestre de filosofia Vêdánta, Shankaráchárya, converteu grande parte da população. DeRose (1995, p.25) explica que:

Esse fato se refletiu no Yôga, pois uma vez que a maioria dos indianos tornara-se vêdánta, ao exercer o Yôga a opinião pública e suas lideranças passaram a conferir um formato espiritualista ao Yôga que, desde as origens e mesmo no período clássico, era fundamentado na filosofia Sámkhya, naturalista (não-espiritualista).

Assim, o Yôga seguiu sua história ao longo dos séculos sendo modificado e recriado muitas vezes. Ao ser passado de geração a geração sofreu graves deturpações. Nesse processo, o Yôga mais antigo, conseqüentemente o mais autêntico, foi se volatilizando. Quando os arianos subjugaram os drávidas tudo o que se referia à cultura dravidiana, como o Yôga, foi condenado à exclusão e ao esquecimento. (DeRose, 1995c) O quadro abaixo auxilia a compreensão a respeito do processo de transformações do Yôga ao longo do tempo.

 

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA

 

Divisão

YÔGA ANTIGO

 

YÔGA MODERNO

Tendência

Sámkhya

 

Vêdánta

Período

Yôga Pré-Clássico

Yôga Clássico

Yôga Medieval

Yôga Contemporâneo

Época

Mais de 5.000 anos

séc. III a.C.

séc. VIII d.C.

séc. XI d.C.

Século XX

Mestre

Shiva

Pátañjali

Shankara

Gôrakshanatha

Aurobindo

Literatura

Upanishad

Yôga Sútra

Vivêka Chudamani

Hatha Yôga

Rámakrishna

Vivêkánanda

         

Shivánanda

Chidánanda

Krishnánanda

Yôgêndra

Fase

Proto-Histórica

 

Histórica

Fonte

Shruti

 

Smriti

Povo

Drávida

 

Árya

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Linha

Tantra

Brahmácharya

Quadro 1: Cronologia Histórica do Yôga. Fonte: DeRose, (2005, p.58)

Então, na década de 70, o Yôga foi vítima de mais um marcante processo de perda de identidade. O Yôga foi descoberto pelo Ocidente

e ocidentalizado. Hoje (2005), o que muitas pessoas pensam que é

Yôga não passa de uma adaptação ocidentalizada e pobre de um dos 108 tipos de Yôga, às vezes, ainda por cima misturado com um pouco

de ginástica, uma pitada de tai-chi, um outro tanto de esoterismo, com

uns conceitos macrobióticos, técnicas de hipnose, tudo misturado e passado em atmosfera de terapias alternativas, embalado para o consumo ocidental e com fundo de música new age. O Yôga foi simplificado e desvirtuaram seu foco, o autoconhecimento, quando centraram-se prioritariamente nos efeitos terapêuticos que a prática proporciona. Isto não apresenta nenhuma semelhança com o Yôga original.

O Yôga mais autêntico é algo viril, carregado de força, poder e

energia. Suas práticas são dinâmicas, estritamente técnicas e belas.

Possui um ilimitado arsenal de técnicas extremamente agradável de praticar e com uma impressionante carga de resultados que vão desde um reforço da estrutura biológica até a própria meta do Yôga, um estado de hiperconsciência. Entretanto, o público leigo e a imprensa ocidental quando escutam a palavra Yôga, automaticamente associam

a estereótipos pré-concebidos daquilo que supõem seja Yôga, como

por exemplo, terapia e relaxamento. Sendo assim, acabam ajudando a

divulgar ainda mais uma imagem equivocada e estereotipada do Yôga.

Mestre DeRose ao optar por trabalhar com o Yôga mais antigo e autêntico assumiu a árdua missão de resgatá-lo, pois tal modalidade encontrava-se praticamente extinta. Todo o seu trabalho e sua vida foram dedicados a esse ideal, assim como a entidade fundada por ele,

a Uni-Yôga, tem em sua missão a responsabilidade em perpetuar a

herança milenar do Yôga dravídico para que cada vez mais pessoas tenham acesso a essa filosofia prática de vida.

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Atualmente, são reconhecidos 108 ramos de Yôga. Todos derivaram dos oitos principais ramos de Yôga que foram os primeiros ramos a surgir. Estes, por sua vez, derivam de um único, o tronco do Yôga Pré-Clássico. Atualmente, o tronco de Yôga Pré-Clássico é conhecido como SwáSthya Yôga, assim denominado após sua sistematização no século passado. O nome completo das raízes do SwáSthya Yôga é:

Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga.

O Mestre DeRose entrou para a História do Yôga devido à sua obra.

Resgatou e sistematizou o Yôga Antigo, Pré-Clássico, Pré-Vêdico, que estava praticamente perdido. Esta conquista se deu durante os primeiros quarenta anos, primeiramente, através de estudos

bibliográficos (de 1960 a 1975); depois, a estes se somaram os estudos

de campo aprofundados com as viagens à Índia (de 1975 a 1999).

A História do Yôga no Brasil

Texto transcrito do livro Yôga, Mitos e Verdades.

QUEM INTRODUZIU O YÔGA NO BRASIL

Quem inaugurou oficialmente a existência do Yôga no Brasil foi Sêvánanda Swámi, um francês cujo nome verdadeiro era Léo Costet de Mascheville. Ele colocava o termo swámi no final do nome, o que era uma declaração de que não se tratava de um swámi (monge hindu), mas que usava essa palavra como sobrenome, e isso confundia os leigos. Muitos desses leigos se referiam a ele como “Swámi” Sêvánanda, pois um dos mais relevantes Mestres de Yôga da Índia, que viveu na época, chamava-se Swámi Si- vánanda.

vánanda viajou por várias cidades fazendo conferências, fundou um grupo em Lages (SC) e um mosteiro em Resende (RJ). Ele era um líder natural e sua voz era suficiente para arrebatar corações e mentes. Com Sêvánanda aprenderam Yôga todos os instrutores da velha guarda. E quando dizemos velha guarda, estamos nos referindo aos que lecionavam na década de 1960, cuja maioria já partiu para os planos invisíveis.

vánanda enfrentou muitos obstáculos e incompreensões durante sua árdua caminhada. Enfim, esse é o preço que se paga pelo pioneirismo. Todos os precursores pagaram esse pesado tributo.

Ao considerar sua obra bem alicerçada e concluída, o Mestre Sêvánanda recolheu-se para viver em paz seus últimos anos. Todos quantos o conhe- ceram de perto guardam-lhe uma grande admiração e afeto, independen- temente dos defeitos que pudesse ter tido ou dos erros que houvesse co- metido, afinal, errar, erramos todos.

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QUEM ESCREVEU O PRIMEIRO LIVRO DE YÔGA

vánanda introduzira o Yôga sob uma conotação pesadamente mística e em clima de monastério. Quem iniciou o Yôga como trabalho profissional no Brasil, foi o grande Caio Miranda. Dele foi o primeiro livro de Yôga de autor brasileiro. Escreveu vários livros, fundou perto de vinte institutos de Yôga em diversas cidades e formou os primeiros instrutores de Yôga. Assim como vánanda, Caio Miranda tinha forte carisma que não deixava ninguém ficar indiferente: ou o amavam e seguiam, ou o odiavam e perseguiam.

Na década de 1960, desgostoso pelas incompreensões que sofrera, morreu com a enfermidade que ceifa todos aqueles que não utilizam púem suas aulas, pois essa técnica contribui para com a proteção do instrutor e os que não a aplicam ficam mais vulneráveis.

A partir da morte do Mestre Caio Miranda ocorreu um cisma. Antes, haviam-

se unido todos contra ele, já que sozinhos não poderiam fazer frente ao seu conhecimento e ao seu carisma. Isso mantinha um equilíbrio de forças. De

um lado, um forte e do outro, vários fracos.

Mas a partir do momento em que estava vago o trono, dividiram-se todos. Por essa razão, os nomes desses profissionais serão omitidos, pois não merecem ser citados nem lembrados. Pessoas que vivem falando de Deus e de tolerância, mas por trás semeiam a discórdia no seio do Yôga não merecem ser mencionadas. São exemplos de incoerência.

QUEM REALIZOU A OBRA MAIS EXPRESSIVA

Em 1960 surgiu o mais jovem professor de Yôga do Brasil. Era DeRose, então com 16 anos de idade, que começara a lecionar numa conhecida sociedade filosófica. Em 1964 fundou o Instituto Brasileiro de Yôga. Em 1969 publicou o primeiro livro (Prontuário de ga Antigo), que foi elogiado pelo próprio Ravi Shankar, pela Mestra Chiang Sing e por outras autoridades. Em 1975, já consagrado como um Mestre sincero, encontrou o apoio para fundar

a União Nacional de Yôga, a primeira entidade a congregar instrutores e escolas de todas as modalidades de Yôga sem discriminação. Foi a União Nacional de Yôga que desencadeou o movimento de união, ética e respeito mútuo entre os profissionais dessa área de ensino. Desde então, a União cresceu muito e conta hoje com centenas de Núcleos, praticamente no Brasil todo, e ainda em outros países das Américas e Europa.

Em 1978 DeRose liderou a campanha pela criação e divulgação do Primeiro Projeto de Lei visando à Regulamentação da Profissão de Professor de Yôga, o qual despertou viva movimentação e acalorados debates de Norte a Sul do país. A partir da década de setenta introduziu os Cursos de Extensão Universitária para a Formação de Instrutores de Yôga em praticamente todas as Universidades Federais, Estaduais e Católicas. Em 1980 começou a ministrar cursos na própria Índia e a lecionar para instrutores de Yôga na Europa. Em 1982 realizou o Primeiro Congresso Brasileiro de Yôga. Ainda em 82 lançou o primeiro livro voltado especialmente para a orientação de instrutores, o Guia do Instrutor de ga; e a primeira tradução do ga tra de Pátañjali, a mais importante obra do Yôga Clássico, já feita por professor de Yôga brasileiro. Desafortunadamente, quanto mais sobressaía, mais tornava-se alvo de uma perseguição impiedosa

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movida pelos concorrentes menos honestos que sentiam-se prejudicados com a campanha de esclarecimento movida pelo Mestre DeRose, a qual

falcatruas dos vigaristas 8 . Em 1994, completando 20 anos de

dificultava as

viagens à Índia, fundou a Primeira Universidade de Yôga do Brasil e a Universidade Internacional de Yôga em Portugal e na Argentina. Em 1997

o Mestre DeRose lançou os alicerces do Conselho Federal de Yôga e do

Sindicato Nacional de Yôga. Comemorando 40 anos de magistério no ano 2.000, recebeu em 2.001 e 2.002 o reconhecimento do título de Mestre em

Yôga (não-acadêmico) e Notório Saber em Yôga pela FATEA – Faculdades Integradas Teresa d’Ávila (SP), pela Universidade Lusófona, de Lisboa (Portugal), pela Universidade do Porto (Portugal), pela Universidade de Cruz Alta (RS), pela Universidade Estácio de Sá (MG), pelas Faculdades Integradas Coração de Jesus (SP), pela Câmara Municipal de Curitiba (PR) e pela Sociedade Brasileira de Educação e Integração, a qual também lhe conferiu uma Comenda. Em 2.003 recebeu outro título de Comendador, agora pela Academia Brasileira de Arte, Cultura e História. Em 2004 recebeu

o grau de Cavaleiro, pela Ordem dos Nobres Cavaleiros de São Paulo,

reconhecida pelo Comando do Regimento de Cavalaria Nove de Julho, da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Em 2005, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Ordem dos Parlamentares do Brasil.

Por lei estadual a data do aniversário do Mestre DeRose, 18 de fevereiro, foi instituída como o Dia do ga em OITO ESTADOS: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Mato Grosso, Pará e Goiás.

Todas essas coisas foram precedentes históricos. Isso fez do Mestre DeRose o mais discutido e, sem dúvida, o mais importante Mestre de Yôga do Brasil, pela energia incansável com que tem divulgado o ga nos últimos quase 50 anos em livros, jornais, revistas, rádio, televisão, conferências, cursos, viagens e formação de novos instrutores. Formou mais de 5.000 bons instrutores e ajudou

a fundar milhares de centros de Yôga, associações profissionais, Federações, Confederações e Sindicatos de Yôga no Brasil e noutros países. Hoje tem sua obra expandida por Portugal, Argentina, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos etc.

Sempre exigiu muita disciplina e correção daqueles que trabalham com o seu método de Yôga Antigo, o SwáSthya Yôga, o que lhe valeu a reputação de perfeccionista, bem como muita oposição dos que iam sendo reprovados nas avaliações das Federações lideradas por ele.

Defende categoricamente o Yôga Antigo, pré-clássico, pré-vêdico, denomi- nado Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, o qual sistematizou e denominou SwáSthya Yôga, o Yôga Ultra-Integral.

Exemplo de seriedade, tornou-se célebre pela corajosa autocrítica com que sempre denunciou as falhas do métier, sem todavia faltar com a ética pro- fissional e jamais atacando outros professores. Isso despertou um novo

8 A esse respeito, leia as denúncias publicadas nos livros Encontro com o Mestre e A regulamentação dos Profissionais de Yôga, os dois de autoria do Mestre DeRose. Denúncias essas, jamais contestadas.

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espírito, combativo e elegante, em todos aqueles que são de fato seus dis- cípulos.

O PRATICANTE DEVE TER OPINIÃO PRÓPRIA

Quem pratica Yôga ou filosofias correlatas, tem que ter opinião própria e não deixar-se influenciar por especulações sem fundamento.

Dois dos Mestres aqui mencionados já são falecidos e foram cruelmente incompreendidos enquanto estavam vivos. Será que teremos de esperar que morram todos para então lamentarmos a sua falta? Será que vamos continuar, como sempre, sujeitando os precursores à incompreensão, injustiça e desapoio para louvá-los e reconhecer seu mérito só depois de mortos?

O Yôga hoje no Brasil

Hoje em dia a prática do Yôga vem despertando interesse de um número cada vez mais expressivo de pessoas, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Apenas a Uni-Yôga conta com mais de 50.000 alunos matriculados nas Unidades representantes da Universidade de Yôga. Consta que foi vendido mais de um milhão de livros do Mestre DeRose e também mais de um milhão de cópias da Prática Básica (aula gravada áudio), estimando cerca de um milhão de adeptos da modalidade SwáSthya Yôga. Considerando todas as linhas de Yôga presentes no Brasil podemos contabilizar aproximadamente cinco milhões de praticantes, sendo que havendo uns 50 tipos de Yôga no país, podemos estabelecer uma média de 80.000 praticantes de cada modalidade contra 1.000.000 só de SwáSthya, de acordo com DeROSE (2002, p. 32).

Em 1978, DeRose foi o responsável pelo primeiro projeto de lei visando à regulamentação profissional.

O Yôga, quando conduzido por profissionais formados e revalidados, não leva a risco algum o praticante, muito pelo contrário, proporciona um abastado reforço da saúde em geral e melhora enormemente a qualidade de vida. Entretanto, se o profissional não for qualificado para o magistério do Yôga, os efeitos serão contrários e a saúde física e mental do praticante estará em risco. A questão é exposta no texto do Deputado Aldo Rebelo, citado por DeRose (2002):

O QUE É A UNI-YÔGA

22

Evidentemente tais práticas não são anódinas. Nas mãos de um instrutor qualificado, a utilização do Yôga é sumamente benéfica à saúde e à qualidade de vida. Por outro lado, nas mãos de um leigo desqualificado, a situação pode transitar desde a total inocuidade (caso em que o aluno estaria sendo espoliado, pagando por um efeito que não ocorrerá) até danos à integridade física e à sanidade mental.

Estando o Yôga tão presente e fortalecido no Brasil, não demorou muito para surgir a necessidade da regulamentação da profissão. Os motivos que levaram a essa premência, assim com o histórico do processo, estão relatados em detalhe no livro A regulamentação dos profissionais de Yôga, do Mestre DeRose.

O SwáSthya Yôga

SwáSthya em sânscrito, língua morta da Índia, significa auto- suficiência (swa = seu próprio). Também embute os significados de saúde, bem-estar, conforto, satisfação. Pronuncia-se “suástia”. SwáSthya Yôga é o nome da sistematização do Yôga Antigo, Pré- Clássico, o Yôga mais completo do mundo. O nome completo de suas raízes é Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga.

Mestre DeRose estudou muitos tipos de Yôga e viajou à Índia quase todos os anos desde a década de 70 do século XX até a virada do milênio. Ficou convencido de que o Yôga Antigo é o melhor que existe, motivo pelo qual adotou-o como filosofia de vida e como tipo de Yôga a ser ensinado na Universidade de Yôga. Entretanto, para torná-lo inteligível foi preciso sistematizá-lo, como faria um arqueólogo com os fragmentos preciosos que fossem sendo encontrados. Essa sistematização começou a ser elaborada pelo Mestre DeRose na década de sessenta do século passado.

Se o leitor desejar mais esclarecimentos sobre o SwáSthya e sua fundamentação, como isso já está sobejamente ilustrado em muitos livros, não vamos repetir aqui os dados adrede publicados. Recomendamos, então, a leitura dos seguintes livros do Mestre DeRose: Faça Yôga antes que você precise; Yôga: Mitos e Verdades; Tudo sobre Yôga.

Instrutor Lucas De Nardi Esta é uma das centenas de fotos lindíssimas que estão no

Instrutor Lucas De Nardi Esta é uma das centenas de fotos lindíssimas que estão no nosso site.

-

3

BASES TEÓRICAS DE ESTUDO

Aborda-se aqui o outro ângulo deste trabalho, o embasamento teórico. Temos de um lado uma empresa real e, de outro, um modelo de sistema para redes empresarias. Para que as duas convirjam, devem-se

ir definindo os objetos de estudo, levando a discussão do mais

genérico para o mais específico, caracterizando assim este estudo de

caso único e holístico.

A Uni-Yôga, objeto de pesquisa deste estudo de caso é uma empresa

prestadora de serviços que, como qualquer empresa, para seu produto ou

serviço chegar ao consumidor final, utiliza uma rede de distribuição. Para se compreenderem as escolhas estratégicas dos canais de marketing

da organização, primeiro deve-se entender sobre serviços e depois sobre

canais de distribuição.

Visa-se assim oferecer bases teóricas para o desenvolvimento do quarto capítulo, onde se faz uma comparação analítica entre dois sistemas de unidade de negócios: o Credenciamento (usado pela Uni-Yôga) e a franquia (que a empresa estudada não utiliza). Desta análise cruzada dos dados no próximo capítulo resultará material reflexivo para a Conclusão deste Trabalho de Conclusão de Curso.

A metodologia de pesquisa aqui utiliza basicamente a documentação

indireta. Esta é realizada através da pesquisa documental (ou de fonte primária) e também a pesquisa bibliográfica (ou de fonte secundária). Neste primeiro capítulo utiliza-se predominantemente a pesquisa de fonte secundária, ou seja, bibliográfica.

As fontes secundárias são Dahab (1996), Simão (1993), Cherto (1988), Meiler (1992), Martins (2000), Albrecht (1992), Aumond (2002), Leite (1990), Cobra (1997), Las Casas (2000), DeRose (1995b), Kotler (1988;

2002).

-

O QUE É A UNI-YÔGA

14

Serviços

Estamos imersos em uma sociedade de serviços, principalmente no que diz respeito à tendência do emprego nas economias atuais. Sendo a Uni- Yôga, objeto de estudo deste Trabalho de Conclusão de Curso, uma prestadora de serviços na área educacional torna-se imprescindível uma breve fundamentação teórica sobre este tema.

A prestação de serviço implica basicamente um contato, um encontro,

uma interação entre o prestador de serviço e o cliente, na qual este faz parte do sistema de produção e entrega do serviço. O cliente participa da realização do serviço pela informação que fornece sobre a necessidade que pretende satisfazer ou sobre o problema que pretende resolver adquirindo o serviço. Serviço é uma experiência, uma relação que provoca um resultado psicológico e fundamentalmente pessoal.

Segundo Aumond (2004, p.2):

Mesmo empresas de bens relativamente puros, como calçados e aço, estão compreendendo que seu sucesso pode residir na oferta de um pacote de produto + serviços + relacionamento.

Muitas empresas que vendem produtos também oferecem serviços de apoio à venda, por exemplo, uma empresa que venda refrigeradores oferece ao cliente a instalação do produto em sua casa e, muitas vezes, a compra de um serviço também envolve mercadorias, como a comida num restaurante. De acordo com Aumond (2004, p.3), mesmo empresas classificadas como indústrias têm cada vez mais seus resultados e empregados relacionados com serviços do que com a própria produção. Pode-se, então, identificar a proporção de serviços em suas atividades focando como indicadores emprego e resultados.

Há diferentes níveis de intensidade dos serviços entre empresas e setores. Existe desde a empresa que trabalha basicamente oferecendo bens puros, como as indústrias de aço, até empresas que trabalham com serviços relativamente puros como as empresas de consultoria. A tabela a seguir mostra um exemplo de classificação de empresas de acordo com o grau

de intensidade de dos serviços.

TIPO DE ATIVIDADE:

EXEMPLOS:

PARTE TANGÍVEL DO PRODUTO

PARTE INTANGÍVEL

14

THIAGO MASSI

Basicamente produto

Alimentos embalados

85%

15%

Bem com serviço

Automóveis

70%

30%

Híbrido

Fast-Food

50%

50%

Serviço com bem

Transporte aéreo

30%

70%

Basicamente serviço

Advogacia

15%

85%

Tabela 1. O espectro bens-serviços

Fonte: Desenvolvido pelo autor do Trabalho de Conclusão de Curso baseado em uma figura de Aumond (2004, p. 3)

Complementa Aumond (2004, p.3):

Para cada uma destas categorias, a importância do componente serviço é crescente à medida que passamos de um nível para outro. Em todas elas, a relação com o cliente é primordial.

A intensidade do serviço também aumenta na medida em que o

oferecido aumenta em personalização e interação. Assim, o produto

afasta-se da possibilidade de ser considerado como commodity. No caso contrário, com pouca personalização e interação, o serviço corre o risco

de ser considerado no mercado como commodity e conseqüentemente

sofrer predominância do preço na decisão de compra dos clientes (AUMOND, 2004).

A política da administração de serviços 9 está conquistando o mundo dos negócios ao oferecer um esquema unificador de referência, onde o cliente é o foco, sobre todos setores e aspectos de uma organização (ALBRECHT, 1992). A administração de serviços força os líderes de organizações de serviços a reexaminar alguns de seus raciocínios, premissas e crenças mais fundamentais. Entende-se administração de serviços como “[.] um enfoque organizacional global que faz da qualidade do serviço, tal como sentida pelo cliente, a principal força motriz da empresa.” (ALBRECHT, 1992, p. 21). A administração de serviços propõe um novo paradigma com respeito à maneira de encarar o cliente, em que clientes satisfeitos são como ativos.

Na atividade de prestação de serviços, cada contato com o cliente torna-

se uma parte importante do produto “serviço” e desempenha um papel

9 Administração de serviços transformou-se rapidamente num termo popular nos Estados Unidos. É um ponto de referência confortável e útil para a filosofia de gestão que está por trás da excelência integral do serviço.

15

O QUE É A UNI-YÔGA

16

fundamental de valorização do ativo “cliente” (ALBRECHT, 1992). Segundo Albrecht, (1992, p. 25) “Faz sentido pensar no cliente como ativo que se valoriza na empresa, um ativo cujo valor aumenta com o

passar do tempo, e isso é exatamente o que ocorre quando a satisfação e

a lealdade do cliente estão crescendo.”

Ao analisar o processo de um serviço deve-se sempre levar em consideração o fato de estar em um sistema realmente aberto, contrastando com o sistema de manufaturas que ficam isoladas ou amortecidas em relação ao cliente. Para se entender melhor a natureza dos serviços e suas características os próximos parágrafos se dedicam às múltiplas dimensões da atividade de prestação de serviço.

Credenciamento

Assume-se aqui o termo Credenciamento para designar o sistema de unidade de negócios desenvolvido pela Uni-Yôga, empresa que é objeto de pesquisa deste estudo de caso. Sabe-se que o mesmo termo é utilizado na área de tecnologia de informação no que tange a utilização e comercialização de softwares. Este termo está sendo empregado, inicialmente devido à falta de um termo adequado para designar o sistema, uma vez que o termo franquia não se aplicaria aqui por causa das muitas diferenças como será demonstrado. A designação Credenciamento é aplicada, principalmente porque a própria organização que o desenvolveu denomina seu sistema de unidade de negócio como Credenciamento, deixando bem claro que

é muito diferente de franquia.

Após realizar pesquisa bibliográfica na área de administração de empresas não se encontrou o conceito denominado Credenciamento até a presente data (2005). Conclui-se, então, que é um conceito novo, desenvolvido por uma organização específica, no caso, a própria Uni- Yôga. A dificuldade de se encontrar referências bibliográficas sobre Credenciamento deve ser aceitável quando analisam-se os objetivos deste Trabalho de Conclusão de Curso. Entre eles estão: saber se o sistema de Credenciamento é uma novidade e saber como se diferencia dos demais sistemas de Unidade de negócio já conhecidos.

16

THIAGO MASSI

O autor do presente trabalho define: Credenciamento é um método

de distribuição de serviços juntamente com produtos que se relacionam com os serviços oferecidos, visando à representatividade de um padrão de qualidade e a fidelidade a um sistema, no qual se estabelecem direitos e deveres do Credenciado e do Credenciador.

O Credenciamento utiliza-se de um padrão de negócio formatado

visando uma homogeneização da rede a fim de beneficiar não só a

rede dos Credenciados, como também, e principalmente, o consumidor final. As unidades de negócio de uma rede de Credenciados são associações culturais sem fins lucrativos, autônomas, que trabalham de forma integrada com as outras Unidades formando no conjunto a organização maior, na qual os Credenciados se unem, assumindo para si a responsabilidade da organização e o compromisso com seus objetivos e metas.

As próprias Unidades credenciadas formam a cúpula administrativa

da organização global que representam e cabe a elas grande parte das

decisões estratégicas, normas e procedimentos da organização. O Credenciamento também é caracterizado pela autonomia das Unidades credenciadas na administração de sua própria Unidade, garantida através do contrato que só exige algumas obrigações deixando os empresários livres para definir muitos aspectos do funcionamento da sua Unidade Credenciada. Por exemplo, a forma de treinar e organizar sua equipe ou seu posicionamento no mercado, desde que não fuja das metas traçadas pelo Credenciador.

Um Credenciado pode optar por trabalhar em sua Unidade somente com o serviço principal da organização, ou com todos, ou com apenas alguns deles. Pode estabelecer preços dos serviços prestados, apesar de ainda continuar oferecendo basicamente os mesmos serviços e produtos das outras Unidades credenciadas. Apenas os aspectos inerentes à missão da empresa e os essenciais ao bom andamento do negócio, são orientados pelo Credenciador. Normalmente estas prerrogativas são transformadas em normas, geralmente submetidas previamente ao Conselho dos Presidentes de Federações (que são representantes dos demais Credenciados), e transmitidas posteriormente em circulares. As diretrizes básicas estão presentes no

17

O QUE É A UNI-YÔGA

18

Contrato de Credenciamento 10 e no livro Escala Evolutiva, que reúne as decisões que viraram norma.

entender melhor como funciona o sistema de

Credenciamento veja o quadro abaixo, contendo algumas questões esclarecedoras.

A

fim

de

 

CREDENCIAMENTO

SIM

NÃO

 

QUANTO À AQUISIÇÃO E MANUNTENÇÃO DO CREDENCIAMENTO

 

O

Credenciamento está disponível para quem quiser comprá-lo?

 

NÃO

O

dono do Credenciamento deve ser selecionando internamente na

SIM

 

organização?

Ocorre o pagamento de royalties 11 ?

 

NÃO

Há contrato com direitos e obrigações para o Credenciado e o

SIM

 

Credenciador?

Existe proteção territorial?

 

NÃO

Há exclusividade de produto ou serviço?

SIM

 

Existem restrições quanto ao descredenciamento de um Credenciado?

 

NÃO

 

QUANTO À OPERACIONALIZAÇÃO DO SISTEMA

Ocorre a transferência de know-how do Credenciador para o

SIM

 

Credenciado?

O

know-how tem que ser desenvolvido e testado necessariamente pelo

 

NÃO

Credenciador?

O

know-how pode ser desenvolvido por outro Credenciado e

SIM

 

compartilhado pelos demais?

Utiliza-se de treinamento, manuais operacionais e consultoria?

SIM

 

Existe a participação de Credenciados em decisões estratégicas?

SIM

 

Ocorrem reuniões freqüentes dos Credenciados para a tomada de decisões e estratégias?

SIM

 

A

comunicação flui em ambos os sentidos entre Credenciado e

SIM

 

Credenciador?

10 O Contrato de Credenciamento existe para todos os credenciados, entretanto a Administração da Uni-Yôga preferiu manter sigilo sobre seu conteúdo e apesar das tentativas do estudante pesquisador o contrato não esteve disponível.

11 Estamos considerando aqui como “royalties” o pagamento em dinheiro que representa a compra de um direito por parte de unidade franqueada ou credenciada sem receber em troca nenhum produto para revenda.

18

THIAGO MASSI

A

comunicação e o intercâmbio são incentivados a fluir pelos

SIM

 

Credenciados entre si?

 

QUANTO À PADRONIZAÇÃO DA REDE

Existe uma padronização de sistemas, métodos e procedimentos relacionados ao negócio que é passado do Credenciador ao

SIM

 

Credenciado?

A

padronização pode ser flexibilizada dependendo da situação e da

SIM

 

operação?

Existe uma padronização de qualidade do serviço oferecido?

SIM

 

É obrigatória uma padronização visual nas Unidades credenciadas?

SIM

 

A padronização visual é completa e rígida?

 

NÃO

 

QUANTO AO FORNECIMENTO DE SUPRIMENTOS DENTRO E FORA DA REDE

 

Não apenas o Credenciador, mas o Credenciado também pode desenvolver produtos para ser fornecidos pela rede?

SIM

 

Tais produtos ou serviços criados pelo Credenciado devem ser antes aprovados pelo Credenciador?

SIM

 

Os Credenciados podem criar produtos seus e vendê-los ao

SIM

 

Credenciador?

O

Credenciador tem participação nos lucros das vendas de produtos do

 

NÃO

Credenciado?

Os Credenciados podem vender seus produtos a outros Credenciados, sem interferência do Credenciador e sem a participação dele nos lucros?

SIM

 

O

Credenciador é obrigado a desenvolver os produtos a ser fornecidos

 

NÃO

pelo Credenciado?

A

padronização de valores de venda ao cliente é obrigatória?

 

NÃO

Quadro 5: Quadro descritivo do sistema de Credenciamento em forma de questões.

Fonte: Desenvolvido pelo aluno pesquisador baseado em pesquisa de observação direta intensiva e da documentação direta.

No Credenciamento existe uma padronização na rede que garante a disseminação de um tipo de serviço sob um padrão de negócio formatado. Mas também se observa uma certa liberdade operacional e comercial que caracteriza este sistema de unidade de negócio. Num sistema de Credenciamento há duas partes principais:

um lado, a Administração Central que representa o

Credenciador dono da marca, bem como do sistema e que irá

1.

de

ceder o direito de representá-lo;

19

O QUE É A UNI-YÔGA

20

2.

de outro lado, os Credenciados que irão implementar o negócio autorizado pelo Credenciador.

Pré-requisitos para tornar-se Credenciado

Para ser um Credenciado, o empresário ou futuro empresário interessado deve estar inserido na organização na forma, primeiramente, de aluno; depois, ser formado como instrutor; finalmente, precisa trabalhar como instrutor na rede durante alguns anos. Se, após isso tudo, manifestar pretensão de tornar-se proprietário de uma Unidade credenciada ele deve ainda passar por uma avaliação do Credenciador, sujeita à aprovação dos demais Credenciados que poderão aceitá-lo ou apresentar veto à sua entrada (devendo, nesse caso, justificar o porquê).

Flexibilidade sujeita a aprovação

A padronização de procedimentos e métodos é flexível e pode tornar- se mais livre ou menos se a cúpula da organização assim decidir. A padronização visual também é maleável, mas deve ser sempre submetida para aprovação na Administração Central da rede.

Qualquer Unidade da rede de Credenciados pode desenvolver produtos ou serviços, desde que sejam aprovados na central, a ser fornecidos pela central para revenda e também diretamente com as outras Unidade credenciadas.

Nem mesmo os valores a ser repassados para o cliente final são fixos. Ocorre apenas uma difusão de parâmetros de valores para que as Unidades, baseadas neles, estabeleçam seus próprios valores.

Até uma forma de trabalhar específica pode ser desenvolvida isoladamente pelo Credenciado, sujeita apenas a aprovação. Quando bem sucedido, o novo procedimento proposto é difundido como um

20

THIAGO MASSI

exemplo a ser observado e a Unidade que o desenvolveu compartilha- o com as demais.

Por outro lado, algumas obrigações que normalmente estão previstas em contrato são sempre mantidas acima de qualquer coisa. Outras normas podem ser recomendadas à rede desde que decididas nas reuniões que se realizam a cada três meses. Comparecem a essas assembléias os representantes da Administração Central e os Credenciados mais antigos de cada região, os quais ocupam o cargo de Presidentes das Federações dos seus respectivos estados. Esses Presidentes de Federações encaminham as expectativas ou reivindicações dos Credenciados de suas jurisdições, defendendo seus interesses – conseqüentemente, os de toda a rede. Assim, as próprias Unidades credenciadas exercem um papel importante na definição de estratégias regionais, nacionais ou internacionais, já que hoje a Uni- Yôga está se expandindo para outros países como Argentina, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Estados Unidos e outros.

Credenciamento: vantagens e desvantagens

O

conceito de Credenciamento que está sendo estudado por ser novo

e

com praticamente nenhuma fundamentação teórica reconhecida,

como foi relatado no subcapítulo anterior, portanto, carece de uma análise mais aprofundada. Assim, considerando o Credenciamento uma novidade, como propõe a tese deste trabalho, no quadro a seguir encontram-se apenas as características que provavelmente são novidades na área de redes de Unidade de negócios, com suas vantagens e desvantagens.

CARACTERÍSTICAS QUE DIFERENCIAM O CREDENCIAMENTO

VANTAGENS

DESVANTAGENS

Geração interna de novos Credenciados:

Conhecer melhor os donos e diretores das Unidades credenciadas.

O crescimento da rede em quantidade de Unidades é mais lento.

21

O QUE É A UNI-YÔGA

22

 

Maior fidelização dos mesmos.

Em conseqüência, a expansão do capital que circula na organização também cresce no mesmo ritmo.

Ausência de royalties.

A

Unidade credenciada pode

Não há um valor fixo. O valor da taxa está atrelado à produtividade da Unidade. Tem- se que estabelecer um valor mínimo para garantir um giro de capital mínimo ao Credenciador.

A arrecadação é realizada na forma de compra de material didático por parte dos Credenciados para revenda:

dobrar seu capital toda vez que adquire e revende os produtos.

Ausência de proteção territorial:

A

rede pode crescer sem

Exige das Unidades um esforço maior, pois com outras Unidades ao redor, acabam-se disputando os consumidores de uma região ou tendo que atrair outros consumidores de regiões mais distantes.

limitações quanto à concentração de Unidades.

 

Inibição da concorrência em regiões com o público alvo mais concentrado.

Mais Unidades concentradas podem compartilhar seus clientes.

 

Participação de Credenciados em decisões estratégicas da organização:

Maior envolvimento com a organização que gera, conseqüentemente, mais motivação.

Menor agilidade quando a decisões dependem da reunião dos Diretores de Unidades.

As estratégias podem ficar mais sintonizadas com a realidade das Unidades credenciadas;

Poder limitado de um líder (presidente) que pode ter uma visão mais abrangente em certas decisões estratégias.

Gerar um sentimento de união e de participação nas Unidades da rede.

Mais liberdade e flexibilidade nas estratégias individuais e procedimentos:

Maior liberdade de atuação de cada equipe da Unidade credenciada incrementando sua motivação.

Falta de padronização que pode comprometer a imagem global da rede junto aos consumidores.

Possibilidade de aprimoramento de um procedimento ou método

Falta de controle por parte do Credenciador podendo prejudicar, eventualmente, uma

utilizado.

Unidade ou a rede toda.

Unidades com liberdade

Poder compartilhar os

Esta flexibilidade de

22

THIAGO MASSI

para aprimorar um procedimento ou método já empregado ou até mesmo para criação de um método ou procedimento novo:

procedimentos bem sucedidos com o restante da rede.

padronização pode prejudicar a imagem global da rede junto aos consumidores.

Ausência de dependência da Administração Central para criar novos métodos ou aprimorar os já existentes.

Os clientes podem interpretar que se trata de franquia e estranhar a liberdade concedida de procedimentos.

Desenvolvimento de serviços e produtos também pelas Unidades credenciadas:

Ampliação do leque de fontes de receita da unidade de negócio.

Conseqüentemente, possibilita um incremento da receita dos Credenciados.

Credenciador deixa de impor

O

um padrão visual ou até mesmo de qualidade que gostaria de ver nos produtos ou serviços.

O

Credenciador abre mão desta

 

fonte de receita repassando-a a

Diminuição da sobrecarga de funções da Administração Central do Credenciador.

seus Credenciados.

Livre fornecimento entre as Unidades, bem como entre elas e o Credenciador:

Ter uma forte teia de intercâmbio estabelecida na rede, aumentando enormemente as possibilidades de gerar receita.

O

excesso de liberdade

comercial poderia gerar problemas de falta de ética e até conflitos pessoais, se os

   

diretores não fossem tão selecionados.

Quadro 6: Credenciamento: suas vantagens e desvantagens.

Fonte: Elaborada pelo estudante pesquisador, observando o Credenciamento da Uni-Yôga.

Realmente a flexibilidade operacional e autonomia das Unidades associada ao envolvimento com as estratégias da organização caracterizam e diferenciam este tipo de sistema da sua “prima distante”, o franchising. A seguir, no próximo subcapítulo encontra-se uma comparação entre estes dois sistemas de negócios, formas de distribuição de bens ou serviços.

Franquia versus Credenciamento

Sendo o único exemplo do sistema de Credenciamento em questão uma empresa que fornece serviços, considera-se aqui o Credenciamento como um exemplo de sistema de unidade de

23

O QUE É A UNI-YÔGA

24

negócios para serviços. Portanto, acreditamos que as comparações de Credenciamento com o franchising poderão ser esclarecedoras sobre as diferenças entre esses dois sistemas.

Assim como na franquia, o Credenciamento utiliza-se de um padrão de negócio formatado, visando uma homogeneização da rede com o fim de beneficiar não só o sistema de operação, como também o consumidor final. Entretanto o que diferencia estes dois sistemas está em parte ligado ao nível da formatação do negócio. A princípio, comparando os exemplos que existem de franquia de serviço com o Credenciamento, observa-se que em Credenciamento, a padronização visual, operacional e as estratégias locais praticamente não são impostas pelo Credenciador. Neste caso, apenas alguns itens e procedimentos necessários ao bom andamento do negócio são exigidos dentro do padrão estabelecido pelo Credenciador.

Outro aspecto realmente relevante que faz o Credenciamento diferenciar-se do franchising é o envolvimento das Unidades com o operacional e direcionamento estratégico da organização que sua rede constitui. Junto a isso, soma-se a enorme liberdade operacional proporcionada às Unidades da rede para que estas incrementem suas receitas.

Agora, completa-se esta análise comparativa através do quadro que expõe as diferenças entre franquia e Credenciamento. Apesar da Uni-Yôga ser a única empresa que aplica o sistema de Credenciamento de acordo com a pesquisa deste estudo, considera-se neste capítulo ainda o conceito de Credenciamento de forma genérica.

   

CREDENCIAMENTO

 

FRANQUIA

1

O Credenciado não paga royalties.

 

O franqueado paga royalties.

2

No

Credenciamento

não

proteção

A proteção territorial constitui um

territorial.

 

dos pilares da franquia.

3

Tanto o Credenciado pode comprar produtos do Credenciador, como também pode vendê- los a ele. Isso significa que não apenas paga, mas pode receber do Credenciador. Poderá

Um franqueado não fornece serviços ou produtos ao franqueador. O franqueador não paga a um franqueado.

24

THIAGO MASSI

 

até

receber mais do que paga.

   

4

Na

verdade, o Credenciado não paga nada,

Neste

procedimento,

não

pois a cada compra efetuada, recebe imediatamente o mesmo valor de volta em suprimentos, que revenderá aos seus alunos

comparação

possível

com

a

franquia.

e,

com isso, reporá a quantia investida. Mais

ainda, há décadas estamos conseguindo fornecer em produtos aos nossos Credenciados o dobro do valor que eles têm investido na compra. Tal significa que a cada transação do Credenciado dobra o seu capital. Por exemplo, se o Credenciado

compra R$1000, a Uni-Yôga lhe fornece R$2000 em suprimentos. Esse é um dos motivos pelos quais temos crescido tanto:

não é interessante sair da rede e deixar de contar com esse benefício.

5

O

Credenciado

pode

criar

produtos

para

Isso

não existe na franquia. Só o

vender aos demais Credenciados da rede.

franqueador

 

vende.

O

 

franqueado

compra.

E

compra

do

franqueador.

O

franqueado

não

pode

vender

produtos

seus

aos

outros

franqueados.

 

6

O

Credenciamento tem que ter ingressado

Para comprar uma franquia, basta ter dinheiro e um bom nome comercial na praça. É apenas um negócio. Sua vida pessoal não interessa. Se tiver vícios, isso não interfere no negócio. Não há código comportamental aplicável em sua vida privada.

como aluno, precisa estudar bastante, prestar vários exames e só muito depois poderá candidatar-se ao privilégio de assinar um

contrato de Credenciamento. O Credenciado não pode fumar, usar bebidas alcoólicas ou tomar drogas. Precisa cumprir um código comportamental rígido em sua vida privada.

7

No

Credenciamento existe uma relação de

No

sistema de franquia os

respeito e carinho entre os Credenciados e o Credenciador. Na nossa rede, em trinta anos

franqueados alinham-se de um

lado e o franqueador de outro, cada qual defendendo os seus interesses comerciais. É comum

uma vez foi necessário recorrer a medida

judicial.

 
 

ocorrência de disputas judiciais.

a

8

Tal como médicos Credenciados por um seguro-saúde podem ser desCredenciados a qualquer momento, também os representantes da Uni-Yôga/Rede Mestre DeRose podem, igualmente, ser

Rescindir

um

contrato

de

franquia é uma operação muito

mais

complicada,

o

que,

às

vezes,

propicia

a

que

um

franqueado

 

permaneça

25

O QUE É A UNI-YÔGA

26

descredenciados a qualquer momento. utilizando o nome do franqueador por um bom tempo, mesmo depois

descredenciados a qualquer momento.

utilizando o nome do franqueador por um bom tempo, mesmo depois que este já tenha decidido rescindir o contrato.

Quadro 7: Diferenças entre Credenciamento e franquia segundo Mestre DeRose.

Fonte: Reprodução de tabela enviada na correspondência interna da Uni-Yôga do mês de março de 2004.

O Credenciamento é um sistema de distribuição que implica em uma série de compromissos entre Credenciador e Credenciado. Por outro lado, oferece uma maior liberdade de atuação para os Credenciados se comparado ao sistema de franquia. Este posicionamento faz parte da estratégia mercadológica adotada pelo Credenciador e procura proporcionar assim uma série de vantagens competitivas para a empresa. Um resultado desta estratégia de marketing é o envolvimento das Unidades com a missão, objetivos da organização, o que muitas vezes não ocorre na franquia.

Definindo aqui os conceitos de serviços, canais de distribuição, franquia e Credenciamento, encerra-se o capítulo fornecedor das bases teóricas para este estudo. Na próxima parte apresentamos uma análise cruzada dos dados, na qual será feita uma triangulação entre as teorias estudadas, o sistema de Credenciamento e a organização, Uni-Yôga.

26

4

ANÁLISE CRUZADA DOS DADOS

Neste capítulo, vamos proporcionar análise reflexiva lógica resultado de um cruzamento das informações dos capítulos anteriores e com a realidade da organização estudada. A terceira parte do trabalho proporcionou um embasamento teórico necessário para agora, neste capítulo, ser utilizado como fonte de informações a ser cruzada com o caso único da Uni-Yôga.

Um retrato objetivo e condensado da Uni-Yôga abre o capítulo. O histórico da organização aqui relatado auxilia no entendimento sobre sua forma e estrutura geral que também apresentam um subcapítulo à parte. Assim consegue-se conhecê-la de forma mais profunda e objetiva. Especificando a pesquisa ainda mais, segue outro subcapítulo que expõe o sistema auto-sustentável desenvolvido pela Uni-Yôga, representado sob a ênfase do aspecto econômico, como foi explicado na Introdução. Assim sendo, esta seção é essencial para o desenvolvimento do pensamento reflexivo que intenta responder os problemas/dúvidas deste estudo de caso, servindo de trampolim para a Conclusão do mesmo.

Para colher tais informações, utiliza-se a documentação indireta e também a observação direta. A fase da documentação direta, que tem o intuito de recolher informações prévias sobre o campo de interesse, é realizada através da pesquisa documental (ou de fonte primária) e também a pesquisa bibliográfica (ou de fonte secundária). As técnicas de observação utilizadas foram: observação participante, observação individual, e observação na vida real.

Em relação à fonte da pesquisa documental foram utilizadas as obras DeRose (2002); DeRose (1995a), DeRose (1995b), DeRose (1996), Santos (1999) e www.uni-yoga.org.

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O QUE É A UNI-YÔGA

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A Uni-Yôga

Uni-Yôga é uma entidade cultural sem fins lucrativos prestadora de serviço na área cultural, oferecendo formação profissional em Yôga. Foi pioneira nesse segmento. Hoje é a maior e talvez a única rede de escolas de Yôga especializada na preparação de profissionais de Yôga, um trabalho que DeRose desenvolve desde 1960. O projeto, depois empresa, nasceu no Brasil, mas atualmente está representada em países como Argentina, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Estados Unidos, entre outros. A Uni-Yôga está registrada legalmente como Universidade de Yôga sob o número 232.558/94 no 3º Registro de Pessoas Jurídicas. Entretanto a Universidade de Yôga é uma divisão da Uni-Yôga – União Nacional de Yôga. Além de ser uma universidade é, antes, uma escola iniciática que preserva e transmite os conhecimentos milenares do Oriente. Veja a missão desta organização na figura abaixo.

Veja a missão desta organização na figura abaixo. Figura 1: Quadro da missão da Uni-Yôga. Fonte:

Figura 1: Quadro da missão da Uni-Yôga. Fonte: (www.uni-yoga.org.br/main.php?page=1)

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THIAGO MASSI

Herança cultural refere-se ao Yôga Antigo, Pré-Clássico, resgatado pelo Mestre DeRose e exposto no livro SwáSthya Yôga Shástra. A Uni-Yôga foi fundada pelo Mestre DeRose e é presidida por ele desde então.

De acordo com DeRose, (1995a, p.6) a visão da Uni-Yôga é:

Continuar sendo a mais esforçada, atuante e competente rede de Yôga técnico do mundo.

Para se entender como chegou a esse patamar é preciso conhecer sua história.

Histórico da Organização

Tudo começou quando DeRose, aos doze anos de idade, fundou a UniCren. DeRose (1996 p.214) relata:

Era uma tendência minha unir, catalisar, polarizar as pessoas em torno de algum ideal útil e tentar conciliar as que seguissem filosofias diferentes.

Graças à literatura que devoravam nessa confraria juvenil, DeRose teve acesso a informações rudimentares sobre Yôga. Ao ler seu primeiro livro de Yôga, com dezesseis anos de idade a identificação foi total. DeRose sentiu-se realizado por descobrir que mais alguém pensava da mesma forma que ele, como relata em seu livro Yôga:

Mitos e Verdades (1996, pg. 38). Naquela época, um grande campeão de mergulho livre batia recordes de profundidade considerados impossíveis para o corpo humano. Era Jacques Mayol que teve sua vida retratada no filme Le Grande Bleu/The Big Blue/Imensidão Azul. DeRose foi impulsionado definitivamente para o Yôga quando assistiu a uma entrevista na qual Jacques Mayol declarava que conseguira aquela forma física graças ao Yôga. Nessa época, raríssima era a literatura confiável sobre Yôga no Brasil. Entretanto, por sorte, DeRose travou seu primeiro contato com um livro do Swámi Vivêkánanda, um dos poucos autores sérios traduzidos para o português.

Em 1960, De Rose começou a dar aulas e conferências em entidades filosóficas e orientalistas no Rio de Janeiro. Em 1964, fundou, nessa mesma cidade, o Instituto Brasileiro de Yôga, futura Uni-Yôga. Três anos depois foi inaugurada a primeira filial. Nela, em 1969, foi

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lançado seu primeiro livro, Prontuário de SwáSthya Yôga, elogiado por muitas autoridades mundiais do Yôga. Isso ajudou na expansão do SwáSthya Yôga e no seu reconhecimento em todo o Brasil.

Em 1973, DeRose participou do IV Congresso Internacional de Yôga, realizado em Bertioga, SP, no qual foi instado a dar uma aula e causou impacto. Logo após, foi chamado para ministrar cursos em todo o Brasil e a notoriedade do SwáSthya Yôga cresceu ainda mais. Em 1975, De Rose voltou da sua primeira viagem à Índia, onde ele teve a comprovação de que a sua codificação estava correta.

a comprovação de que a sua c odificação estava correta. Figura 2: DeRose com André van

Figura 2: DeRose com André van Lysebeth, Presidente da Federação de Yôga

da Bélgica, no IV Congresso Internacional de Yôga, realizado em Bertioga, SP,

1973.

Fonte: DeRose (2001).

Na volta da Índia, encontrou o apoio de um grande número de instrutores aqui no Brasil para constituir uma União de Yôga. Antes da Uni-Yôga ser fundada o que havia eram várias escolas de Yôga ensinando cada uma um tipo de Yôga. DeRose, então começou a conhecer os instrutores das mais diversas modalidades e a trocar cartas com eles. Pouco tempo depois, surgiu a idéia de congregar todos para obter intercâmbio cultural, incrementar a união no métier,

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otimizar custos de impressos, melhorar a divulgação etc. A partir daí

foi um passo para consolidar uma união nacional de profissionais de

Yôga que compartilhassem os mesmos ideais de seriedade, ética e

cultivo comportamental.

Assim, naquele mesmo ano, surgiu a Uni-Yôga – União Nacional de Yôga, entidade cultural sem fins lucrativos, cuja função é promover o intercâmbio, união e a ajuda a professores de todo país. Isso coincidiu com o fim dos exames de instrutores de Yôga pela Secretaria de Educação do Estado da Guanabara, fato que levou a Uni-Yôga a tornar-se a única instituição a preparar futuros instrutores, avaliá-los e certificá-los. Nos anos seguintes, DeRose conseguiu introduzir esses cursos, em diversas universidades federais, estaduais e católicas de quase todo o Brasil.

Em 1978, DeRose promoveu o primeiro Projeto de Lei para a regulamentação da profissão de professor de Yôga. Porém, por questões de ego e de inveja, ocorreu um boicote dos instrutores de ioga contra o projeto.

Em 1994, DeRose obteve o registro da Primeira Universidade de Yôga do Brasil, que é o nome do convênio entre a União Nacional de Yôga, as Federações Estaduais de Yôga e as Universidades Federais, Estaduais e Católicas que o firmaram, visando à formação de Instrutores de Yôga em cursos de extensão universitária. Esse convênio apenas formalizou e deu continuidade ao programa de profissionalização, que vem se realizando naquelas Universidades desde a década de 70 em praticamente todo o país.

A Uni-Yôga, com mais de trinta anos de existência, já formou

milhares de bons instrutores que são hoje os mais conhecidos do Brasil, Portugal e Argentina. Possui atualmente centenas de Unidades filiadas em vários países. No Brasil, conta com 50.000 alunos formalmente matriculados e mais de um milhão de estudantes à distância, através dos livros, vídeos, DVDs, CDs e aulas pela Internet.

A Uni-Yôga também possui uma editora própria, a Editora Uni-Yôga que é um órgão de divulgação cultural da Universidade de Yôga.

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O QUE É A U NI -Y ÔGA 32 Figura. 4: Linha histórica da Uni-Yôga. Fonte:

Figura. 4: Linha histórica da Uni-Yôga. Fonte: Elaborada pelo pesquisador estudante (2004).

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Qual é o negócio da Uni-Yôga?

O negócio da Uni-Yôga é promover o intercâmbio, união e a ajuda a

professores de todo país. Conseqüentemente, incrementa o aumento

de alunos e fortalece a reputação dos professores filiados. Consegue

isso mediante permuta de know-how, treinamento e reciclagem constante, através de correspondência regular com informações atualizadas, seminários, cursos, workshops, debates, colóquios, congressos e festivais, com descontos que podem chegar a até 90%, e promoção de viagens culturais, inclusive à Índia.

O negócio das Unidades Credenciadas é realizar a formação