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"O darwinismo refuta completamente o desenho inteligente", afirma

Daniel Dennett
Filósofo evolucionário fala à Der Spiegel sobre o criacionismo, a ideologia, que
subordina a ciência à religião, concebida pela extrema direita norte-americana

Jörg Blech e Johann Grolle

O desenho inteligente está mais uma vez sendo manchete nos Estados
Unidos. Mas qual é a atração exercida por essa teoria? Daniel Dennett
falou à Der Spiegel sobre a atração exercida pelo criacionismo, sobre
como a própria religião sucumbe às idéias darwinianas, e sobre a
irresponsabilidade social da direita religiosa nos Estados Unidos.

Daniel Dennett é considerado um dos defensores mais vigorosos do


darwinismo. Em vários livros, o professor de filosofia da Universidade
Tufts, em Massachusetts, descreveu os humanos, e a alma e a cultura
humana, como sendo produtos naturais do caldo primordial.

No seu novo livro, "Breaking the Spell" (algo como, "Quebrando o


Encanto"), que será publicado pela editora nova-iorquina Viking em
fevereiro de 2006, Dennett, 63, explica --segundo a ótica da evolução--
por que os religiosos radicais têm tanto sucesso.

Leia a seguir a entrevista exclusiva concedida pelo filósofo:

Der Spiegel - Professor Dennett, mais de 120 milhões de norte-americanos acreditam que
Adão foi criado por Deus há dez mil anos, a partir do barro, e que Eva foi feita com a costela
do seu companheiro. Você conhece pessoalmente algum desses 120 milhões de indivíduos?

Daniel Dennett - Sim. Mas os criacionistas geralmente não se interessam em falar sobre isso.
Aqueles que são realmente entusiasmados pelo desenho inteligente, no entanto, falam sobre o
assunto incansavelmente. E o que eu aprendi é que eles estão repletos de desinformações. Mas
eles encontraram essas desinformações em fontes muito plausíveis. Não é apenas o pastor que
lhes ensina essas coisas. Eles compram livros que são publicados por editoras famosas. Ou
acessam sites da Internet e vêem propagandas bem elaboradas, publicadas pelo Discovery
Institute, em Seattle, que é financiado pela direita religiosa.

Spiegel - No centro do debate está a idéia da evolução. Por que é que a evolução parece
provocar muito mais oposição do que qualquer outra teoria científica, como o Big Bang e a
mecânica quântica?

Dennett - Creio que é porque a evolução conduz ao cerne da descoberta mais perturbadora da
ciência nas últimas centenas de anos. Ela contesta uma das idéias mais antigas que possuímos,
talvez mais antiga até que a nossa espécie.

Spiegel - Que idéia exatamente é essa?

Dennett - É a idéia de que é necessário algo de grandioso, especial e inteligente para a criação de
uma coisa menor. Eu chamo isso de teoria da ordem descendente da criação. Ninguém jamais
verá uma lança fazendo um fabricador de lanças. Tampouco verá uma ferradura criando um
ferreiro. Nem um vaso de cerâmica gerando um ceramista. As coisas ocorrem sempre na ordem
inversa, e isto é tão óbvio que simplesmente parece ser uma lei universal.

Spiegel - Você acredita que essa idéia já estava presente entre os macacos?
Dennett - Talvez entre o Homo habilis, o "faz-tudo", que começou a fabricar instrumentos de pedra
cerca de dois milhões de anos atrás. Eles tinham a sensação de serem mais perfeitos do que os
seus artefatos. Assim, a idéia de um criador que é mais perfeito do que as coisas que cria é,
acredito eu, uma idéia profundamente intuitiva. É exatamente a esta idéia que os defensores do
desenho inteligente se referem quando perguntam: "Você alguma vez já viu uma construção sem
construtores, ou uma pintura sem um pintor?". Esse raciocínio é algo que captura esta idéia
profundamente intuitiva de que jamais se obtém um desenho gratuitamente.

Spiegel - É um argumento teológico antigo...

Dennett - ...que Darwin refuta completamente com a sua teoria da seleção natural. E ele
demonstra que não. Não só é possível que se obtenham desenhos a partir de coisas não
desenhadas, como também pode haver a evolução de desenhistas a partir dessas categorias não
desenhadas. No final temos escritores, poetas, artistas, engenheiros e outros projetistas de coisas,
outros criadores --que são frutos bastante recentes da árvore da vida. E isso desafia a idéia
popular de que a vida possui um sentido.

Spiegel - Até mesmo o espírito dos humanos --a sua alma-- é produzida desta forma?

Dennett - Sim. Como uma forma de vida multicelular e móvel, nós precisamos de uma mente, já
que temos que perceber para onde estamos indo. Necessitamos de um sistema nervoso capaz de
extrair rapidamente informações do mundo, de refinar essas informações e de fazer uso delas com
presteza a fim de que elas guiem o nosso comportamento. O problema básico de todo animal é
identificar aquilo de que necessitam, evitar tudo o que possa feri-los, e agir dessa forma mais
rapidamente do que os elementos antagônicos. Darwin compreendeu esta lei, e entendeu que este
desenvolvimento vinha ocorrendo havia centenas de milhões de anos, produzindo ainda mais
mentes andróides.

Spiegel - Mas, mesmo assim, algo fora do comum ocorreu quando os humanos surgiram.

Dennett - De fato. Os humanos descobriram a linguagem --uma aceleração explosiva dos poderes
das mentes. Porque a partir disso foi possível aprender não apenas a partir da própria experiência
do indivíduo, mas também de forma indireta, com base na experiência de outros. Aprender com
pessoas que o indivíduo jamais conheceu. Com ancestrais mortos há muito tempo. E a própria
cultura humana se transformou em uma força evolucionária profunda. É isto o que nos confere um
horizonte epistemológico que é muitíssimo mais vasto do que o de qualquer outra espécie.

Somos a única espécie cujos indivíduos sabem quem são, que sabem que evoluíram. As nossas
músicas, nossa arte, nossos livros e nossas crenças religiosas são, todos eles, em última instância,
um produto dos algoritmos evolucionários. Alguns acham esse fato fascinante. Outros o acham
deprimente.

Spiegel - Em nenhum local a evolução se torna mais evidente do que no código do DNA.
Não obstante, aqueles que crêem no desenho inteligente enxergam menos problemas no
código do DNA do que nas idéias de Darwin. Por que isso?

Dennett - Eu não sei, já que a mim parece que a melhor evidência que temos da veracidade da
teoria de Darwin é aquela que surge a cada dia da bioinformática, do entendimento do código do
DNA. Os críticos do darwinismo simplesmente não querem encarar o fato de que moléculas,
enzimas e proteínas conduziram ao pensamento. Sim, nós possuímos uma alma, mas ela é
composta de vários robôs minúsculos.

Spiegel - Você não acha que seja possível deixar a vida a cargo dos biólogos, mas permitir
que a religião se encarregue da questão da alma?

Dennett - Era isso que o papa João Paulo 2º exigia quando baixou a sua muito citada encíclica, na
qual afirma que a evolução é um fato, frisando, entretanto: exceto com respeito à questão da alma
humana. Isso pode ter deixado algumas pessoas satisfeitas, mas é algo simplesmente falso. Seria
tão falso como afirmar: os nossos corpos são feitos de material biológico, exceto, é claro, o
pâncreas. O cérebro não é um tecido mais maravilhoso do que os pulmões ou o fígado. É apenas
um tecido.

Spiegel - As idéias de Darwin foram utilizadas de forma errônea por racistas e eugenistas.
Seria este também um dos motivos pelo qual o darwinismo é tão vigorosamente atacado?

Dennett - Sim. Creio que a forma mais gentil de explicar isso é dizendo que a idéia darwiniana é
muito simples --dá para explicá-la a alguém em um minuto. Mas, por este mesmo motivo, ela é
também extremamente vulnerável a caricaturas e usos indevidos. Eu ensino aos meus alunos de
forma muito paciente as bases da teoria evolucionária, e depois tenho que retornar ao tópico e
esclarecer os maus entendidos, já que eles se entusiasmam demais com a teoria e acabam tendo
idéias errôneas.

O darwinismo é um doce para a mente. Ele é delicioso. Mas o fato é que o excesso de doces pode
nos distrair, fazendo com que deixemos de nos concentrar na verdade. E isso pode ser utilizado
por indivíduos racistas ou sexistas. Portanto, temos que praticar constantemente uma espécie de
higiene intelectual.

Spiegel - Parece que tudo --incluindo o adultério, o estupro e o assassinato-- está sendo
atualmente analisado à luz da teoria da evolução. Como é que se separa a pesquisa séria
das bobagens?

Dennett - É necessário que sejamos coletores meticulosos dos fatos relevantes. E temos que
organizar esses fatos de tal maneira que contemos com uma hipótese testável, que possa ser
realmente confirmada ou rejeitada. Foi isso o que Darwin fez.

Spiegel - O seu colega Michael Ruse o acusou de ter saído do campo da ciência, e
ingressado no da ciência social e da religião com as suas teorias. Ele chegou até a afirmar
que, ao proceder dessa forma, você estaria inadvertidamente ajudando o movimento que
defende o desenho inteligente.

Dennett - Michael está apenas tentando dar às implicações das descobertas de Darwin um
enfoque suave, e assegurar às pessoas que não existe tanto conflito assim entre o ponto de vista
da biologia evolucionária e as formas tradicionais de pensamento.

Spiegel - E quanto às acusações de que você estaria ajudando a teoria do desenho


inteligente?

Dennett - Provavelmente existe um elemento de verdade nisto. Eu acabei de escrever um livro no


qual olho para a religião por meio do prisma da biologia evolucionária. Creio que podemos,
devemos, e até mesmo que temos que seguir essa rota. Outros dizem que não. Que devemos no
manter afastados de certas áreas. Que não se pode permitir que a teoria da evolução chegue perto
das ciências sociais. Creio que este é um conselho terrível. A idéia de que devemos proteger as
ciências sociais e a humanidade do pensamento evolucionário é uma receita para o desastre.

Spiegel - Por quê?

Resposta - Eu daria a Darwin a medalha de ouro pela melhor idéia que alguém já teve. Ela unifica
o mundo dos significados, dos objetivos, das metas e da liberdade com o mundo da ciência, com o
mundo das ciências físicas. Quero dizer, nós falamos sobre a grande lacuna entre a ciência social
e a ciência natural. O que preenche esta lacuna? Darwin, ao nos mostrar como objetivo, desenho e
sentido podem surgir da falta de sentido algum, a partir da simples matéria bruta.
Spiegel - O darwinismo está em ação todas as vezes que algo de novo é criado? Até mesmo
durante a criação do universo, por exemplo?

Dennett - É pelo menos interessante constatar que idéias quase-darwinianas ou


pseudodarwinianas também são populares na física. Eles postulam uma enorme diversidade a
partir da qual houve, em um certo sentido, uma seleção. O resultado é que nós estamos aqui, e
isto é apenas uma pequena parte desta grande diversidade que presenciamos. Essa não é a idéia
darwiniana, mas é uma idéia aparentada. O filósofo Friedrich Nietzsche teve a idéia --eu arriscaria
dizer que ele talvez tenha se inspirado em Darwin-- do eterno retorno: a idéia de que todas as
possibilidades são concretizadas, e que, se o tempo é infinito, e a matéria também é infinita, então
todas as permutações serão realizadas, não uma só vez, mas um trilhão de vezes.

Spiegel - Uma outra idéia de Nietzsche é a de que Deus está morto. Essa é também uma
conclusão lógica a que chega o darwinismo?

Dennett - É uma conseqüência muito nítida. O argumento em favor do desenho inteligente, creio
eu, sempre foi o melhor argumento em favor da existência de Deus. E quando Darwin surge, puxa
o tapete sobre o qual esta idéia se sustenta.

Spiegel - Em outras palavras, a evolução não deixa espaço para Deus?

Dennett - É preciso que se entenda que o papel de Deus foi diminuindo no decorrer dos éons.
Primeiramente tínhamos Deus, como você disse, fazendo Adão e todas as criaturas com as
próprias mãos, arrancando a costela de Adão e fazendo Eva a partir dessa costela.

A seguir trocamos esse Deus pelo Deus que coloca a evolução em movimento. E depois dizemos
que sequer precisamos deste Deus --o decretador da lei--, já que se levarmos as idéias da
cosmologia a sério, concluímos que existem outros locais, e outras leis, e que a vida surge onde
pode surgir. Então, agora não temos mais o Deus criador descobridor de leis, nem o Deus
decretador de leis, mas apenas o Deus mestre-de-cerimônias. E quando Deus é o mestre-de-
cerimônias e, na verdade, não desempenha mais papel algum no universo, ele ficou diminuído, e
não interfere mais de forma alguma.

Spiegel - Então, como é que tantos cientistas naturais são religiosos? Como é que eles
harmonizam tal postura com o trabalho?

Dennett - Eles harmonizam essa postura com o trabalho porque não analisam atentamente como
se dá esta harmonia. É um truque que todos nós podemos fazer. Temos as nossas maneiras de
compartimentar as nossas vidas, de forma que confrontemos as contradições com a menor
freqüência possível.

Spiegel - Mas essa compartimentação também possui um lado positivo: a ciência natural
fala sobre a vida, enquanto a religião lida com o sentido da vida.

Dennett - Tudo bem. Um limite. Mas o problema é que esse limite se move. E, à medida que se
move, a descrição do trabalho de Deus encolhe. Eu, também, me quedo maravilhado com o
universo. Ele é maravilhoso. Eu estou tremendamente feliz por estar aqui. Creio que é um grande
lugar, apesar de todas as suas falhas. Adoro estar vivo. O problema é: não há ninguém a quem ser
grato por isso. Não existe ninguém a quem expressar a minha gratidão.

Spiegel - Mas a religião com certeza nos confere padrões morais e nos fornece diretrizes
sobre como nos comportarmos.

Dennett - Se a religião fizesse tal coisa, eu não acharia que ela fosse uma idéia tão tola. Mas não
é isso o que ela faz. Na melhor das hipóteses, as religiões funcionam como excelentes
organizadores sociais. Elas fazem do trabalho moral em equipe uma força bem mais eficiente do
que ele seria em outras circunstâncias. No entanto, isto é uma faca de dois gumes. Isso porque o
trabalho moral em equipe depende, em grande parte, de que você abra mão do seu próprio juízo
moral em favor da autoridade do grupo. E, como sabemos, isso pode ser algo extremamente
perigoso.

Spiegel - Mas a religião ainda nos ajuda a estabelecer padrões morais.

Dennett - Mas, dessa forma, nós não seríamos moralmente bons apenas para que fôssemos
recompensados no céu? Ou seja, Deus nos pune pelos nossos pecados e nos recompensa pelo
nosso bom comportamento? Eu acho que essa idéia faz de Deus algo como um protetor arrogante
e ameaçador. Ela é ofensiva, já que sugere que esse é o único motivo pelo qual as pessoas agem
de forma moralmente louvável. Por exemplo, será que nós só nos comportaríamos bem para
conseguirmos 76 virgens no paraíso? Essa é uma idéia que seria ridicularizada por muita gente no
Ocidente.

Spiegel - Então, por que é que praticamente todas as culturas possuem religiões?

Dennett - Creio que a resposta a esta pergunta é parcialmente histórica, no sentido de que as
tradições que sobrevivem desenvolvem adaptações para sobreviverem. Assim, as próprias
religiões são fenômenos culturais extremamente bem projetados que evoluíram para sobreviver.

Spiegel - Como uma espécie biológica.

Dennett - Exatamente. O projeto de uma religião é completamente inconsciente, exatamente da


mesma forma como o projeto dos animais e plantas é completamente inconsciente.

Spiegel - As religiões bem-sucedidas possuem traços em comum?

Dennett - Todas elas precisam possuir características que prolonguem a sua própria identidade --e
muitas dessas características são na verdade interessantemente similares àquilo que encontramos
também na biologia.

Spiegel - Você poderia dar um exemplo?

Dennett - Muitas religiões tiveram início antes que houvesse escrita. Como é que se obtém
preservação de alta-fidelidade de textos antes que existam textos? Os cantos e recitações grupais
são mecanismos eficientes para a manutenção e a disseminação de informações. E temos também
outras características, como a necessidade de garantir que alguns aspectos da religião sejam
realmente incompreensíveis.

Spiegel - Por quê?

Dennett - Porque assim as pessoas têm que cair na memorização rotineira. A própria idéia da
eucaristia é um exemplo adorável: a idéia de que o pão é o símbolo do corpo de Cristo, e de que o
vinho é o símbolo do sangue de cristo, não é suficientemente empolgante. É necessário que a idéia
se torne estritamente incompreensível. O pão é Cristo, e o vinho é o seu sangue. Só então a idéia
atrairá a atenção dos seguidores. Depois disso ela vencerá na competição com outras idéias mais
entediantes, simplesmente porque o fiel não consegue deixar de pensar nela. É algo semelhante
ao que ocorre quando temos uma dor de dente, e não conseguimos afastar a língua do dente
dolorido. Todo bom muçulmano deve orar pelo menos cinco vezes por dia, não importa o que
aconteça.

Spiegel - Você também vê nisso uma estratégia evolucionária para manter a religião viva?

Dennett - É bem possível. O biólogo evolucionário israelense Amotz Zahavi argumenta que
aqueles comportamentos "caros" --que são difíceis de serem imitados-- são os melhores para
serem passados às gerações seguintes, já que os sinais "baratos" podem ser, e serão, falsificados.
Esse princípio dos comportamentos caros é bem conhecido na biologia, e está presente na
religião. É importante fazer sacrifícios. O "custo" do comportamento é uma característica com a
qual o indivíduo não deve tentar interferir, já que isso implica riscos. Se os imames se reunissem e
decidissem remover essa característica eles estariam prejudicando uma das adaptações mais
poderosas do islamismo.

Spiegel - Usando este tipo de argumentação, você é capaz de prever quais religiões serão
vitoriosas?

Dennett - Os meus colegas Rodney Stark e Roger Finke pesquisaram por que algumas religiões
se disseminam tão rapidamente, e outras não. Eles estão adaptando a economia do campo da
oferta a esta questão, e têm dito que existe uma espécie de mercado ilimitado para aquilo que as
religiões podem fornecer, mas apenas se elas forem caras. Assim, eles têm uma explicação para o
fato de as religiões protestantes muito brandas e liberais estarem perdendo adeptos, enquanto
aquelas mais extremadas e intensas atraem novos membros.

Spiegel - Você tem uma explicação para o fato de a crença no desenho inteligente ser mais
disseminada nos Estados Unidos do que em qualquer outro lugar?

Dennett - Não, infelizmente não. Mas posso afirmar que a aliança entre religiões fundamentalistas
ou evangélicas e a política de extrema direita se constitui em um fenômeno muito problemático, e
que essa é certamente uma das razões mais fortes para a disseminação dessa crença no país. O
que realmente assusta é o fato de muitas dessas pessoas realmente acreditarem que a segunda
vinda está para acontecer --a idéia de que o armagedom é inevitável, de forma que nada faz muita
diferença. Para mim isso é uma irresponsabilidade social do mais alto grau. É assustador.

Der Spiegel - Professor Dennett, muito obrigado por esta entrevista.