Vous êtes sur la page 1sur 223

O Telecurso 2000

O Telecurso 2000 é uma proposta de educa-


ção a distância para dar atendimento, prioritariamente
prioritariamente, a jovens e adultos que
desejam fazer o curso ou complementar sua escolaridade até o nível de 2º Grau,
bem como adquirir competências básicas para o exercício de uma profissão.
No Telecurso 2000, o participante tem a oportunidade de adquirir conheci-
mentos gerais correspondentes ao ensino de 3ª à 8ª séries do 1º Grau, às três séries
do 2º Grau e, ainda, conhecimentos específicos relativos aos Cursos Profis-
sionalizantes.
Constitui-se, também, numa possibilidade de reciclagem para os professo-
res e num reforço à aprendizagem dos participantes de modo geral, dentro da
perspectiva de um processo permanente de educação.

Quais são as disciplinas

No Telecurso 2000, as disciplinas curriculares apresentam esta estrutura:

1º GRAU
1 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA E HISTÓRIA
2 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
3 ª FASE - INGLÊS, MATEMÁTICA, CIÊNCIAS E GEOGRAFIA
2º GRAU
1 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA, FÍSICA E BIOLOGIA
2 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA, FÍSICA E QUÍMICA
3 ª FASE - QUÍMICA, HISTÓRIA, INGLÊS E GEOGRAFIA
CURSOS PROFISSIONALIZANTES
1 ª FASE - UNIVERSO MECÂNICO, ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, NORMALIZAÇÃO,
MATERIAIS, LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO MECÂNICO,
ELEMENTOS DE MÁQUINAS, CÁLCULO TÉCNICO
2 ª FASE - LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO MECÂNICO, METROLOGIA, HIGIENE
E SEGURANÇA DO TRABALHO, QUALIDADE, PROCESSOS DE FABRICAÇÃO,
ENSAIOS DE MATERIAIS
3 ª FASE - QUALIDADE AMBIENTAL, TRATAMENTO TÉRMICO, MANUTENÇÃO,
PROCESSOS DE FABRICAÇÃO, TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES,
AUTOMATIZAÇÃO/ AUTOMAÇÃO

Cada fase tem a duração média de seis meses. O participante pode iniciar
seus estudos na fase que for melhor para sua realidade, para seus interesses e
para suas necessidades.

Recursos de aprendizagem

O Telecurso 2000 combina o uso de programas de TV (teleaulas) com


materiais impressos próprios, referentes a cada disciplina, permitindo - além da
aprendizagem dos conteúdos - a construção de novos conhecimentos e sua
aplicação.
- Cada aula na TV tem duração de 15 minutos.
- Nos livros do Telecurso, o participante estuda, pesquisa e realiza exercícios.
- É importante o uso de dicionários e de diferentes materiais de leitura: jornais,
revistas, livros, entre outros, que enriqueçam a aprendizagem.
Como participar

O Telecurso 2000 é aberto a todos os interessados, e o participante pode


trabalhar de várias formas, escolhendo a alternativa que lhe seja mais adequada
e que se ajuste à sua possibilidade de participação.

Alternativa 1
Freqüentando a telessala instalada numa instituição privada ou pública.
Neste caso, o participante:
● faz sua inscrição;
● freqüenta o curso no local e nos horários estipulados pela instituição.
Trata-se da recepção organizada
organizada, na qual os alunos se reúnem com a
presença do Orientador de Aprendizagem e realizam atividades individuais ou
em grupo.

Alternativa 2
Assistindo às teleaulas, sozinho ou em pequenos grupos, em qualquer lugar
em que haja um aparelho de TV disponível: em casa, na casa de um amigo, no
sindicato, na igreja, no clube e até no trabalho, sem necessitar da presença do
Orientador de Aprendizagem durante a veiculação dos programas.
Essa alternativa atende aos que têm dificuldade de freqüentar diariamente
uma sala de aula.
Neste caso, o participante:
● faz sua inscrição num centro controlador;
● freqüenta o curso pelo menos uma vez por semana.
Trata-se da recepção controlada
controlada, com a presença do Orientador de Apren-
dizagem para tirar dúvidas, orientar, analisar exercícios, trocar idéias, fornecer
leituras suplementares e avaliar o desempenho do aluno.

Alternativa 3
Assistindo às teleaulas em qualquer lugar, sem nenhuma orientação ante-
rior ou posterior e, portanto, sem freqüentar a telessala ou o centro controlador.
Trata-se da recepção livre ou isolada
isolada, destinada aos participantes que
tenham total impossibilidade de freqüentar uma telessala ou centro controlador.

Como obter certificado de conclusão

O participante poderá prestar os exames supletivos oficiais, oferecidos pelas


Secretarias de Educação de cada Estado
Estado.
Os procedimentos são os seguintes:
● informar-se sobre datas de inscrição, local e documentos necessários;
● inscrever-se;
● prestar os exames das matérias que desejar, não necessitando aguardar a con-
clusão de todo o telecurso;
● pedir, no local em que realizou as provas, o atestado da matéria em que foi
aprovado - quem é aprovado em determinada matéria não precisa mais
prestar exame dessa disciplina;
● solicitar à Secretaria de Educação o certificado de conclusão
conclusão, quando tiver
sido aprovado em todas as matérias do currículo do Telecurso 2000.
O Telecurso 2000

O Telecurso 2000 é uma proposta de educa-


ção a distância para dar atendimento, prioritariamente
prioritariamente, a jovens e adultos que
desejam fazer o curso ou complementar sua escolaridade até o nível de 2º Grau,
bem como adquirir competências básicas para o exercício de uma profissão.
No Telecurso 2000, o participante tem a oportunidade de adquirir conheci-
mentos gerais correspondentes ao ensino de 3ª à 8ª séries do 1º Grau, às três séries
do 2º Grau e, ainda, conhecimentos específicos relativos aos Cursos Profis-
sionalizantes.
Constitui-se, também, numa possibilidade de reciclagem para os professo-
res e num reforço à aprendizagem dos participantes de modo geral, dentro da
perspectiva de um processo permanente de educação.

Quais são as disciplinas

No Telecurso 2000, as disciplinas curriculares apresentam esta estrutura:

1º GRAU
1 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA E HISTÓRIA
2 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
3 ª FASE - INGLÊS, MATEMÁTICA, CIÊNCIAS E GEOGRAFIA
2º GRAU
1 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA, FÍSICA E BIOLOGIA
2 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA, FÍSICA E QUÍMICA
3 ª FASE - QUÍMICA, HISTÓRIA, INGLÊS E GEOGRAFIA
CURSOS PROFISSIONALIZANTES
1 ª FASE - UNIVERSO MECÂNICO, ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, NORMALIZAÇÃO,
MATERIAIS, LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO MECÂNICO,
ELEMENTOS DE MÁQUINAS, CÁLCULO TÉCNICO
2 ª FASE - LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO MECÂNICO, METROLOGIA, HIGIENE
E SEGURANÇA DO TRABALHO, QUALIDADE, PROCESSOS DE FABRICAÇÃO,
ENSAIOS DE MATERIAIS
3 ª FASE - QUALIDADE AMBIENTAL, TRATAMENTO TÉRMICO, MANUTENÇÃO,
PROCESSOS DE FABRICAÇÃO, TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES,
AUTOMATIZAÇÃO/ AUTOMAÇÃO

Cada fase tem a duração média de seis meses. O participante pode iniciar
seus estudos na fase que for melhor para sua realidade, para seus interesses e
para suas necessidades.

Recursos de aprendizagem

O Telecurso 2000 combina o uso de programas de TV (teleaulas) com


materiais impressos próprios, referentes a cada disciplina, permitindo - além da
aprendizagem dos conteúdos - a construção de novos conhecimentos e sua
aplicação.
- Cada aula na TV tem duração de 15 minutos.
- Nos livros do Telecurso, o participante estuda, pesquisa e realiza exercícios.
- É importante o uso de dicionários e de diferentes materiais de leitura: jornais,
revistas, livros, entre outros, que enriqueçam a aprendizagem.
Como participar

O Telecurso 2000 é aberto a todos os interessados, e o participante pode


trabalhar de várias formas, escolhendo a alternativa que lhe seja mais adequada
e que se ajuste à sua possibilidade de participação.

Alternativa 1
Freqüentando a telessala instalada numa instituição privada ou pública.
Neste caso, o participante:
● faz sua inscrição;
● freqüenta o curso no local e nos horários estipulados pela instituição.
Trata-se da recepção organizada
organizada, na qual os alunos se reúnem com a
presença do Orientador de Aprendizagem e realizam atividades individuais ou
em grupo.

Alternativa 2
Assistindo às teleaulas, sozinho ou em pequenos grupos, em qualquer lugar
em que haja um aparelho de TV disponível: em casa, na casa de um amigo, no
sindicato, na igreja, no clube e até no trabalho, sem necessitar da presença do
Orientador de Aprendizagem durante a veiculação dos programas.
Essa alternativa atende aos que têm dificuldade de freqüentar diariamente
uma sala de aula.
Neste caso, o participante:
● faz sua inscrição num centro controlador;
● freqüenta o curso pelo menos uma vez por semana.
Trata-se da recepção controlada
controlada, com a presença do Orientador de Apren-
dizagem para tirar dúvidas, orientar, analisar exercícios, trocar idéias, fornecer
leituras suplementares e avaliar o desempenho do aluno.

Alternativa 3
Assistindo às teleaulas em qualquer lugar, sem nenhuma orientação ante-
rior ou posterior e, portanto, sem freqüentar a telessala ou o centro controlador.
Trata-se da recepção livre ou isolada
isolada, destinada aos participantes que
tenham total impossibilidade de freqüentar uma telessala ou centro controlador.

Como obter certificado de conclusão

O participante poderá prestar os exames supletivos oficiais, oferecidos pelas


Secretarias de Educação de cada Estado
Estado.
Os procedimentos são os seguintes:
● informar-se sobre datas de inscrição, local e documentos necessários;
● inscrever-se;
● prestar os exames das matérias que desejar, não necessitando aguardar a con-
clusão de todo o telecurso;
● pedir, no local em que realizou as provas, o atestado da matéria em que foi
aprovado - quem é aprovado em determinada matéria não precisa mais
prestar exame dessa disciplina;
● solicitar à Secretaria de Educação o certificado de conclusão
conclusão, quando tiver
sido aprovado em todas as matérias do currículo do Telecurso 2000.
O Telecurso 2000

O Telecurso 2000 é uma proposta de educa-


ção a distância para dar atendimento, prioritariamente
prioritariamente, a jovens e adultos que
desejam fazer o curso ou complementar sua escolaridade até o nível de 2º Grau,
bem como adquirir competências básicas para o exercício de uma profissão.
No Telecurso 2000, o participante tem a oportunidade de adquirir conheci-
mentos gerais correspondentes ao ensino de 3ª à 8ª séries do 1º Grau, às três séries
do 2º Grau e, ainda, conhecimentos específicos relativos aos Cursos Profis-
sionalizantes.
Constitui-se, também, numa possibilidade de reciclagem para os professo-
res e num reforço à aprendizagem dos participantes de modo geral, dentro da
perspectiva de um processo permanente de educação.

Quais são as disciplinas

No Telecurso 2000, as disciplinas curriculares apresentam esta estrutura:

1º GRAU
1 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA E HISTÓRIA
2 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
3 ª FASE - INGLÊS, MATEMÁTICA, CIÊNCIAS E GEOGRAFIA
2º GRAU
1 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA, FÍSICA E BIOLOGIA
2 ª FASE - LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA, FÍSICA E QUÍMICA
3 ª FASE - QUÍMICA, HISTÓRIA, INGLÊS E GEOGRAFIA
CURSOS PROFISSIONALIZANTES
1 ª FASE - UNIVERSO MECÂNICO, ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, NORMALIZAÇÃO,
MATERIAIS, LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO MECÂNICO,
ELEMENTOS DE MÁQUINAS, CÁLCULO TÉCNICO
2 ª FASE - LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO MECÂNICO, METROLOGIA, HIGIENE
E SEGURANÇA DO TRABALHO, QUALIDADE, PROCESSOS DE FABRICAÇÃO,
ENSAIOS DE MATERIAIS
3 ª FASE - QUALIDADE AMBIENTAL, TRATAMENTO TÉRMICO, MANUTENÇÃO,
PROCESSOS DE FABRICAÇÃO, TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES,
AUTOMATIZAÇÃO/ AUTOMAÇÃO

Cada fase tem a duração média de seis meses. O participante pode iniciar
seus estudos na fase que for melhor para sua realidade, para seus interesses e
para suas necessidades.

Recursos de aprendizagem

O Telecurso 2000 combina o uso de programas de TV (teleaulas) com


materiais impressos próprios, referentes a cada disciplina, permitindo - além da
aprendizagem dos conteúdos - a construção de novos conhecimentos e sua
aplicação.
- Cada aula na TV tem duração de 15 minutos.
- Nos livros do Telecurso, o participante estuda, pesquisa e realiza exercícios.
- É importante o uso de dicionários e de diferentes materiais de leitura: jornais,
revistas, livros, entre outros, que enriqueçam a aprendizagem.
Como participar

O Telecurso 2000 é aberto a todos os interessados, e o participante pode


trabalhar de várias formas, escolhendo a alternativa que lhe seja mais adequada
e que se ajuste à sua possibilidade de participação.

Alternativa 1
Freqüentando a telessala instalada numa instituição privada ou pública.
Neste caso, o participante:
● faz sua inscrição;
● freqüenta o curso no local e nos horários estipulados pela instituição.
Trata-se da recepção organizada
organizada, na qual os alunos se reúnem com a
presença do Orientador de Aprendizagem e realizam atividades individuais ou
em grupo.

Alternativa 2
Assistindo às teleaulas, sozinho ou em pequenos grupos, em qualquer lugar
em que haja um aparelho de TV disponível: em casa, na casa de um amigo, no
sindicato, na igreja, no clube e até no trabalho, sem necessitar da presença do
Orientador de Aprendizagem durante a veiculação dos programas.
Essa alternativa atende aos que têm dificuldade de freqüentar diariamente
uma sala de aula.
Neste caso, o participante:
● faz sua inscrição num centro controlador;
● freqüenta o curso pelo menos uma vez por semana.
Trata-se da recepção controlada
controlada, com a presença do Orientador de Apren-
dizagem para tirar dúvidas, orientar, analisar exercícios, trocar idéias, fornecer
leituras suplementares e avaliar o desempenho do aluno.

Alternativa 3
Assistindo às teleaulas em qualquer lugar, sem nenhuma orientação ante-
rior ou posterior e, portanto, sem freqüentar a telessala ou o centro controlador.
Trata-se da recepção livre ou isolada
isolada, destinada aos participantes que
tenham total impossibilidade de freqüentar uma telessala ou centro controlador.

Como obter certificado de conclusão

O participante poderá prestar os exames supletivos oficiais, oferecidos pelas


Secretarias de Educação de cada Estado
Estado.
Os procedimentos são os seguintes:
● informar-se sobre datas de inscrição, local e documentos necessários;
● inscrever-se;
● prestar os exames das matérias que desejar, não necessitando aguardar a con-
clusão de todo o telecurso;
● pedir, no local em que realizou as provas, o atestado da matéria em que foi
aprovado - quem é aprovado em determinada matéria não precisa mais
prestar exame dessa disciplina;
● solicitar à Secretaria de Educação o certificado de conclusão
conclusão, quando tiver
sido aprovado em todas as matérias do currículo do Telecurso 2000.
A UA UL L AA

41
41

Triângulos especiais

Introdução N esta aula, estudaremos o caso de dois triân-


gulos muito especiais - o equilátero e o retângulo - seus lados, seus ângulos e
suas razões trigonométricas.

Antes, vamos relembrar alguns pontos importantes.

l A soma dos ângulos de um triângulo qualquer é sempre 180º

l O triângulo equilátero possui todos os lados e iguais. Por isso, cada um de


seus ângulos mede 60º.

l O triângulo isósceles possui dois lados iguais e dois ângulos iguais.


l Um triângulo retângulo possui um ângulo reto e dois ângulos agudos e A U L A
complementares. Os lados de um triângulo retângulo chamam-se catetos e
hipotenusa . Os catetos são sempre perpendiculares e formam um ângulo
reto. 41

l Na aula anterior, nós estudamos as razões trigonométricas dos triângulos


retângulos, que são:

catetooposto
sen a =
hipotenusa

catetoadjacente
cos a =
hipotenusa

catetooposto
tg a =
catetoadjacente

Nesta aula, esses conceitos serão aplicados em casos especiais de triângulos


que aparecem com freqüência em nosso dia-a-dia.

A diagonal do quadrado Nossa aula


Uma figura geométrica muito simples e bastante utilizada é o quadrado.
Traçando um segmento de reta unindo dois vértices não-consecutivos do quadrado
- uma diagonal - dividimos o quadrado em dois triângulos retângulos isósceles.

Em qualquer um desses triângulos, dois lados são iguais aos lados do


quadrado, a hipotenusa é igual à diagonal do quadrado, e os dois ângulos agudos
são iguais a 45º. Sabendo que os dois catetos medem l podemos calcular o
comprimento d da hipotenusa usando o Teorema de Pitágoras:

d =l +l
2 2 2

d = 2l
2 2

d= 2l 2 Þ d= l 2
A U L A Assim, para qualquer quadrado de lado l , calculamos facilmente o compri-
mento da diagonal multiplicando l por 2 .

41 EXEMPLO 1

Num quadrado de 4 cm de lado qual a medida da diagonal d ?

Solução

d = l 2 = 4 2cm

Este raciocínio pode ser aplicado sempre que encontrarmos um triângulo


retângulo isósceles.

EXEMPLO 2

No triângulo da ilustração, quanto mede a hipotenusa?

Solução:

x=1 2 = 2

Razões trigonométricas do ângulo de 45º

Veremos agora como determinar, a partir do triângulo, as razões


trigonométricas de um ângulo de 45º.
Num triângulo retângulo, se um dos ângulos mede 45º, o outro ângulo
agudo também mede 45º, pois são ângulos complementares. Podemos então
concluir que temos um triângulo retângulo isósceles .

Observe que para qualquer um dos ângulos de 45º que escolhermos, o


cateto oposto é igual ao cateto adjacente. Usando as fórmulas que revimos na
introdução, vamos obter os valores abaixo. Acompanhe:
catetooposto l 1 2 A U L A
sen 45º = = = =

41
hipotenusa l 2 2 2

cateto adjacente l 1 2
cos 45º = = = =
hipotenusa l 2 2 2

catetooposto l
tg 45º = = =1
cateto adjaccente l

Na tabela trigonométrica os valores de sen, cos e tg de 45º são:

sen 45º = 0,70711


cos 45º = 0,70711
tg 45º = 1,00000

Considerando 2 = 1,41421, nas fórmulas, você confirmará estes valores.


1
Observe que racionalizamos os denominadores das frações 2 , ou seja, multipli-
camos o denominador e o numerador da fração por 2 e encontramos 2 .
2
Fazemos isso por ser muito mais simples dividir 1,41421 por 2 do que dividir 1
por 1,41421; mas nos dois casos o resultado seria 0,70711.

A altura de um triângulo equilátero

Em qualquer triângulo podemos sempre traçar três alturas. Num triângulo


equilátero, já que os três lados são iguais, bem como os três ângulos (cada um
mede 60º), as três alturas terão a mesma medida. No triângulo equilátero da
ilustração do meio, traçamos uma delas (relativa à base):

O bserve que, num triângulo equilátero qualquer, a altura é também


mediana (divide o lado oposto em duas partes iguais) e bissetriz (divide o
ângulo do vértice em dois ângulos iguais), conforme se vê nas figuras.

Observe também que a altura divide o triângulo equilátero em dois triân-


gulos retângulos com as mesmas medidas de ângulos e lados.
A U L A Usando o Teorema de Pitágoras podemos calcular a medida da altura h em
função do lado l:

41 Φl Ι2
h2 + Γ ϑ = l 2
Η2 Κ
l2
h2 = l 2 -
4

4l 2 - l 2 3l 2
h2 = =
4 4

l 3
h=
2

Assim, conhecendo a medida do lado de um triângulo equilátero, você pode


calcular sua altura pela fórmula que acabamos de encontrar. No entanto você
pode sempre refazer nosso raciocínio, aplicando o Teorema de Pitágoras, tal
como acabamos de fazer; é sempre uma ótima solução.

Observação importante
Se o triângulo não for equilátero, mas sim retângulo, com ângulos agudos
medindo 30º e 60º, um dos catetos será sempre a metade da hipotenusa, e o
outro é a altura de um triângulo equilátero, cujo lado será igual à hipotenusa
(faça uma figura para verificar isso!).

EXEMPLO 3

Calcule a altura de um triângulo equilátero de lado 6 cm.

Solução:

l 3 6 3
h= = =3 3
2 2

EXEMPLO 4

Num triângulo retângulo, um dos ângulos agudos


mede 60º e a hipotenusa mede 10 cm. Calcule a
medida do cateto adjacente ao ângulo dado.

Solução:

O triângulo descrito no problema pode ser represen-


tado como na figura. Pelas relações que acabamos de
observar, o cateto adjacente ao ângulo de 60º é igual
à metade da hipotenusa, e a resposta será x = 5 cm.
Razões trigonométricas dos ângulos de 30ºº e 60ºº A U L A

Podemos agora utilizar as razões trigonométricas para expressar as relações


entre ângulos e lados de um triângulo retângulo com ângulos agudos de 30º e 60º. 41
Já vimos que, num triângulo desse tipo (veja a figura), se a hipotenusa mede
l, os catetos medem 2l e l3
.
2

Considerando primeiramente o ângulo de 30º, teremos:

catetooposto 2l l 1 1
sen 30º = = = · =
hipotenusa l 2 l 2
catetoadjacente l 23 l 3 3
cos 30º = = = =
hipotenusa l 2 2
cateto oposto l 1 2 1 3
tg 30º = = 23 = · = =
cateto adjacente l 2 2 l 3 3 3

Procedendo da mesma forma para o ângulo de 60º , encontramos:

catetooposto l 23 l 3 1 3
sen 60º = = = · =
hipotenusa 1 2 l 2
catetoadjacente 2l l 1 1
cos 60º = = = · =
hipotenusa l 2 l 2
catetooposto l 3 l 3 2
tg 60º = = 2 = × = 3
cateto adjaccente l 2 l
2
A U L A No exercício 5, da Aula 40, você verificou que, se dois ângulos são comple-
mentares, o seno de um é igual ao co-seno do outro.

41 Nesta aula, confirmamos esse fato, mais uma vez, para os ângulos de 30º e 60º.

sen 30º = cos 60º =


1
2

3
sen 60º = cos 30º =
2

Usando a tabela trigonométrica, você encontra:


ÂNGULO SENO CO- SENO TANGENTE

30º 0,50000 0,86603 0,57735

60º 0,86603 0,50000 1,73205

Considerando então 3 » 1,73205, você pode confirmar os valores.

Resumindo:

ÂNGULO SENO CO- SENO TANGENTE

1 3 3
30º
2 2 3
2 2
45º 1
2 2
3 1
60º 3
2 2

Um exemplo na indústria

Um bloco de aço deve receber uma fenda como se vê no projeto (vista frontal).
Observe que as medidas podem ser suficientes para descrever a peça, mas não
são as medidas necessárias para quem fará o corte. Essa pessoa precisará mesmo
é da largura do corte e sua profundidade. Só assim poderá marcar na peça os
pontos de corte.
Primeiro, vejamos o que se pode concluir sobre a largura x do corte. O A U L A
triângulo cortado é isósceles (dois lados medindo 20), contém um ângulo de 60º
(fig. 1). Como os outros dois ângulos devem ser iguais (porque o triângulo é
isósceles) então cada um vai medir: 41
180º - 60º
= 60º
2

Assim, descobrimos que, na verdade,


trata-se de um triângulo equilátero, e a lar-
gura só pode ser 20:
largura = 20

Agora corte esse triângulo equilátero em dois triângulos retângulos para


descobrir a medida da profundidade y do corte. Você pode observar na figura
acima que essa medida é igual à altura do triângulo equilátero. Como já sabemos
que essa altura é l 23 , basta substituir o valor de l, que é 20, e obter:

20 3
Profundidade = = 10 3 @ 17, 32
2

Outro exemplo prático

Uma pessoa com problemas no joelho foi ao ortopedista. O médico recomen-


dou fisioterapia diária, que consistia em sentar-se numa cadeira alta e elevar a
perna até o ângulo de 60º com um peso no pé.
Como a pessoa não podia ir diariamente ao fisioterapeuta decidiu fazer o
exercício em casa. Sua dúvida é: como marcar a elevação de 60º?
Vamos desenhar um triângulo retângulo com ângulos agudos de 30º e 60º,
de modo que a hipotenusa do triângulos seja do tamanho da perna da pessoa.

Sabemos que a altura x é a metade do comprimento da perna porque:


cateto adjacente x 1
cos 60º = = =
hipotenusa perna 2
1 x 1
Como cos60º = , temos = . Logo, x é metade da perna.
2 perna 2
Veja como fica fácil marcar a altura que a perna deve ser elevada, basta medir
a perna (abaixo do joelho), dividir por dois e marcar essa altura na parede, por
exemplo.
A U L A Uma aplicação em gráficos

41 Observe os gráficos da figura. Nesse gráfico estão representadas as três retas


que ilustram o desempenho de três empresas num certo setor pesquisado.
Podemos comparar esses desempenhos apenas visualmente ou com maior
precisão, dependendo dos objetivos da análise.

É fácil concluir que o melhor desempenho foi o da empresa A, e o pior, o da


empresa C: basta uma comparação visual dos gráficos. No entanto, poderemos
fazer um estudo mais preciso das diferenças de crescimento, se descobrirmos os
ângulos que cada uma dessas retas faz com o eixo horizontal.

Usando os conhecimentos desta aula e observando que o gráfico da empresa


B passa sempre pela diagonal dos quadradinhos, podemos dizer que temos um
ângulo de 45º.

Com o auxílio de uma régua também podemos descobrir os ângulos forma-


dos pelas outras duas retas.

Confirme no gráfico original as medidas obtidas nas figuras. Como vê, um


dos catetos é a metade da hipotenusa e podemos marcar, então, os ângulos. No
primeiro caso (da empresa A), o ângulo formado com o eixo horizontal é de 60º,
1
já que cos 60º = 2 . No segundo caso (da empresa C), o ângulo formado com o ei-
1
xo horizontal é de 30º, pois sen 30º = 2 .
Exercício 1 Exercícios
A U L A

41

Nos projetos ilustrados, quanto medem o ângulo a e a altura h ?

Exercício 2
Num hexágono regular (lados e ângulos
iguais), o segmento a da figura chama-se
apótema e o segmento r é o raio da circun-
ferência circunscrita. Sabendo-se que um
hexágono regular é formado por 6 triângu-
los equiláteros, obtenha a e r em função do
lado l do hexágono.

Exercício 3
sen x
No exercício 6 da aula 40 verificamos que tg x = . Obtenha tg 30º, tg 45º
e tg 60º, usando essa relação. cos x

Exercício 4
Determine a medida do lado de um quadrado cuja diagonal é:
a) 4 2
b) 2 cm

Exercício 5
Uma parede foi azulejada, como mostra a
figura. Calcule a altura aproximada da pare-
de, sabendo que cada azulejo é um quadrado
de 15 cm de lado e que, na vertical, cabem 13
azulejos inteiros, enfileirados.
A UA UL L AA

42
42

A lei dos co-senos

Introdução U tilizando as razões trigonométricas nos tri-


ângulos retângulos, podemos resolver vários problemas envolvendo ângulos e
lados. Esse tipo de problema é conhecido como resolução de triângulos. Conhe-
cendo dois elementos de um triângulo retângulo, quase sempre podemos
determinar os outros elementos, como veremos nos exemplos a seguir:

Conhecendo dois lados, e usando o Teorema de Pitágoras, determinamos a


medida do terceiro lado:

b2 = 82 - 42

b = 64 - 16 = 48

b = 4 3 @ 6,92

Usando as razões trigonométricas e consultando a tabela trigonométrica,


determinamos os ângulos agudos.
4 1
cos B∃ = = Þ B∃ = 60º
8 2
∃ = 90º - B
C ∃ = 30º
∃Þ C

Se conhecermos um lado e um ângulo, poderemos determinar os outros


dois lados:
6 6 6 A U L A
sen 50º = Þ a= = @ 7, 83

42
a sen50º 0,766

6 6 6
tg 50º = Þ c= = @ 5, 03
c tg50º 1,192

Sabendo que os ângulos agudos são complementares, determinamos o outro


∃ = 90º - B
ângulo: C ∃ = 40º
∃Þ C

Conhecendo os dois ângulos agudos, podemos construir vários triângulos


semelhantes (com os mesmos ângulos). Portanto, essa é a única situação
indeterminada na resolução de triângulos retângulos.

A hipotenusa unitária

Vimos nas aulas anteriores que as razões trigonométricas de um ângulo


agudo não dependem do triângulo retângulo escolhido. Na figura abaixo temos:

b1 b2 b3 catetooposto
sen a = = = =
a1 a2 a3 hipotenusa

c1 c 2 c3 cateto adjacente
cos a = = = =
a1 a2 a3 hipotenusa
A U L A Observamos que, para o cálculo do seno e do co-seno de um ângulo,
dividimos um dos catetos pela hipotenusa do triângulo retângulo correspon-

42 dente. Já que podemos obter esse valor com qualquer um dos triângulos
semelhantes, é muito prático trabalharmos com um triângulo retângulo cuja
hipotenusa seja igual a 1.

b
sen a = =b
1

c
cos a = =c
1

Apenas nesse caso, em que a hipotenusa do triângulo retângulo é igual a 1,


podemos obter a medida dos catetos conhecendo seus ângulos agudos.

Observação

Para uma hipotenusa qualquer teríamos:

Veja, nos triângulos retângulos abaixo, a medida dos catetos:

a) b)

2 1
x = sen 45º = 2
x = sen 30º = 2

2 3
y = cos 45º = 2 y = cos 30º = 2 @ 0, 866
A variação do seno e do co-seno A U L A

Na figura a seguir, temos uma circunferência cujo raio é igual a 1 dm (um


decímetro). Para vários ângulos diferentes, podemos obter os valores do seno e 42
do co-seno (em decímetros) apenas medindo os catetos dos triângulos formados.

BP = sen AÔP OB = cos AÔP


CQ = sen AÔQ OC = cos AÔQ
DR = sen AÔR OD = cos AÔR
e assim por diante...

A partir dessa figura, podemos concluir que:


I) Quanto maior o ângulo, maior a medida do cateto oposto (ou seja, maior o
valor do seno).
II) Quanto maior o ângulo, menor a medida do cateto adjacente (ou seja, menor
o valor do co-seno).

Senos e co-senos de ângulos obtusos


A U L A Para obtermos um ângulo a obtuso (maior que 90º), desenhamos um
triângulo retângulo (semelhante aos que desenhamos para os ângulos agudos do

42 item anterior) e, como estamos considerando a hipotenusa igual a um (1 dm),


definimos que:
sen a = HM e cos a = OH

Note que o seno do ângulo obtuso a é igual ao seno do ângulo agudo


180º - a e que o co-seno do ângulo a é do mesmo comprimento que o co-seno de
180º - a. Entretanto, como está do “outro lado” em relação ao centro do círculo,
terá sinal negativo.
Resumindo: sen a = sen (180º - a)
cos a = - cos (180º - a)

Veja alguns exemplos:

a) 30º + 150º = 180º


1
sen 150º = sen 30º = 2

cos 150º = - cos 30º = - 2


3

b) 80º + 100º = 180º


sen 100º = sen 80º = 0,98481
cos 100º = - cos 80º = - 0,17365

c) 45º + 135º = 180º


2
sen 135º = sen 45º = 2

cos 135º = - cos 45º = - 2


2

Veja agora a relação entre lados e ângulos de um triângulo não-retângulo


(acutângulo ou obtusângulo).

O triângulo acutângulo

No triângulo acutângulo ABC (que tem três ângulos agudos), traçamos uma
de suas alturas e obtemos dois triângulos retângulos:

o triângulo ABH e o triângulo ACH.


Chamando de x a medida de BH, a base BC do triângulo ABC fica dividida A U L A
em dois segmentos de medidas x e a - x
x.

Usando o Teorema de Pitágoras em cada um dos triângulos retângulos, temos: 42


1º triângulo: b = h + (a - x)
2 2 2
2 2 2
2º triângulo: c = h + x

Subtraindo essas duas equações:


b - c = (a -x) - x
2 2 2 2

b - c = a - 2ax + /x -/
2 2 2 2 2
x
b - c = a - 2ax
2 2 2

Sabendo que: cosB∃ = x6 Þ x = c · cosB∃ , efetuamos a substituição:


b - c = a - 2ac cos B∃
2 2 2

b = a + c - 2ac cos B∃
2 2 2
Logo,

Da mesma forma, podemos achar c , conhecendo a medida dos dois


outros lados e seu ângulo oposto. Para isso, fazemos HC medindo x e BH
medindo a - xx.

c = h + (a - x)
2 2 2

- b2 = h2 + x2
.
c - b = (a - x) - x
2 2 2 2

c2 - b2 = a2 - 2ax

∃ , temos:
Como x agora é igual a bcos C
2 2 ∃
c = a + b - 2ab cos C
2

Para obter uma expressão para o cálculo de a , podemos traçar outra altura
h do triângulo ABC, relativa ao lado AC.

a2 = h2 + (b - x)2
-c =h +x
2 2 2

.
a2 - c2 = (b - x)2 - x2
a - c = b - 2bx
2 2 2
e x = c · cos Â

a = b + c - 2bc cos Â
2 2 2
A U L A Resumindo:

42 Num triângulo acutângulo, valem as relações:

a = b + c - 2bc cos Â
2 2 2

b = a + c - 2ac cos B∃
2 2 2

c = a + b - 2ab cos C
2 2 2 ∃

Para você Ao transformar um triângulo retângulo num triângulo acutângulo, o ângulo


saber mais reto diminui e, conseqüentemente, o lado oposto também diminui.

Observe as figuras:

Triângulo retângulo Triângulo acutângulo

2 2 2 2 2 2
a =b +c a <b +c
a = b + c - 2bc cos Â
2 2 2

O triângulo obtusângulo

Veja o que ocorre quando um triângulo retângulo se transforma num


triângulo obtusângulo:

2 2 2 2 2 2
a =b +c a >b +c

Procedendo como no caso do triângulo acutângulo, descobrirmos de quanto


2 2 2
a soma b + c precisa ser acrescida para se igualar a a .
A fim de facilitar a visualização, vamos girar o triângulo obtusângulo, A U L A
colocando o lado AC como base:

42

Traçando a altura relativa ao lado AC, formamos um novo segmento AH,


que mede x e dois triângulos retângulos: triângulo BHA e triângulo BHC.

Usando o Teorema de Pitágoras nos triângulos BHA e BHC e subtraindo as


equações obtidas, temos:

a2 = h2 + (b +x)2
- c =h +x
2 2 2

. 2
a - c = (b + x) - x
2 2 2

a - c = b + 2bx ®
2 2 2 2 2 2
a = b + c + 2bx

No triângulo retângulo triângulo BHA, temos cos (180º - Â) = x


c

logo x = cos (180º - Â)


cos (180º - Â) = - cos Â
x = - c cos Â

Substituindo x na equação:

a2 = b2 + c2 + 2b (- c · cos Â) ou

a2 = b2 + c2 - 2bc cos Â

Assim, concluímos que as expressões obtidas para triângulos acutângulos


são válidas para triângulos obtusângulos.
A U L A EXEMPLO 1

42

Uma pessoa viajou de A para C passando por B. De A até B, percorreu


25 km e de B até C, 42 km. Os percursos AB e BC formam entre si um ângulo
de 150º. Se fosse possível ir em linha reta de A para C, qual seria a economia de
quilometragem?

Solução:

x = 25 + 42 - 2 · 25 · 42 · cos 150º
2 2 2

x = 625 + 1764 - 2 · 1050 (- cos 30º)


2

2
x = 2389 + 2100 · 0,866
2
x = 2389 + 1818,6
2
x = 4207,6
x @ 65 km

Indo de A para C, passando por B, gasta-se 25 + 42 = 67 km; e de A para C


em linha reta, aproximadamente, 65 km. Desse modo, a economia de quilome-
tragem seria de 2 km.

EXEMPLO 2

Se o ângulo entre as direções AB e BC fosse menor, o caminho direto seria


mais vantajoso?

Solução:

Vejamos, como exemplo, duas situações:


a) Se o ângulo for reto:
x2 = 252 + 422
2
x = 625 + 1764
2
x = 2389
x @ 49 km
67 km - 49 km = 18 km
Seriam economizados 18 km.
b) Se o ângulo for agudo igual a 60º: A U L A
x = 25 + 42 - 2 · 25 · 42 · cos 60º
42
2 2 2

x = 625 + 1764 - 2 · 100 ·


2 1
2
2
x = 1239
x @ 35 km
67 km - 35 km = 32 km
Seriam economizados 32 km.

Quanto menor o ângulo entre AB e BC, melhor seria ir direto de A para C,


pois essas cidades seriam mais próximas e a diferença entre os dois percursos
aumentaria.

Exercício 1 Exercícios
Dados os seguintes elementos de um triângulo ABC: Â = 30º, AB = 8 m,
CB = 5 m. Calcule AC.

Exercício 2
Os lados de um triângulo medem 5 cm, 7 cm e 10 cm.
a) Classifique esse triângulo quanto aos ângulos.
b) Obtenha o valor aproximado do maior ângulo do triângulo.

Exercício 3
Determine:
a) sen 120º
b) cos 120º
c) sen 95º
d) cos 95º

Exercício 4
Nos triângulos retângulos abaixo, determine as medidas dos catetos.
a) b)

Exercício 5
Complete com = , > ou <.

a) sen 30º .......... sen 45º


b) cos 30º .......... cos 45º
c) sen 70º .......... sen 110º
d) cos 70º .......... cos 110º
e) sen 70º .......... cos 20º
f) cos 30º .......... sen 60º
g) cos 120º .......... cos 150º
h) sen 130º .......... sen 100º
A UA UL L AA

43
43

A lei dos senos

Introdução N a Aula 42 vimos que a Lei dos co-senos é


uma importante ferramenta matemática para o cálculo de medidas de lados e
ângulos de triângulos quaisquer, isto é, de triângulos de "forma" arbitrária.

a = b + c - 2bc · cos Â
2 2 2

2 2 2
Note que se  = 90º, então cos  = 0 e a = b + c , confirmando o Teorema de
Pitágoras.

Para utilizar a lei dos co-senos no cálculo da medida de um dos lados de um


triângulo, precisamos conhecer as medidas dos outros dois lados e a medida do
ângulo oposto ao lado desconhecido. Nem sempre temos esses dados. O que
podemos fazer quando conhecermos, por exemplo, um lado e dois ângulos? A
solução para problemas desse tipo é o assunto desta aula.

Nossa aula Calculando a área de um triângulo qualquer

Sabemos que a área de um triângulo pode ser obtida pela fórmula:

base· altura ou, simplesmente, b· h


S= S=
2 2

em que b é a base e h a altura.


Percebemos, então, que é preciso saber a medida de um dos lados do A U L A
triângulo e da altura relativa a esse lado, como nos exemplos a seguir:

43

b·h
Nos três casos temos, S = 2 sendo que no triângulo retângulo há a
facilidade de termo h = cc. Assim, a área é calculada multiplicando os dois catetos
e dividindo o resultado por 2. Nos outros dois casos precisamos calcular h .

Para o triângulo acutângulo, conhecendo o ângulo Â, temos:

h
sen  = ou c · sen  = h
c

No triângulo obtusângulo, conhecendo o ângulo  e considerando o triân-


gulo retângulo formado pela altura, pelo prolongamento do lado a e pelo lado c ,
temos:

h
sen (180º - Â) = ou c · sen (180º - Â) = h
c

Já vimos na Aula 42, que sen (180º - Â) = sen Â. Sabendo que o seno de um
ângulo qualquer é igual ao seno do seu suplemento, concluímos que, nos dois
casos, h = c · sen  e substituindo h na fórmula de cálculo da área, encontramos:


b · c senA
S=
2
A U L A EXEMPLO 1

43 Calcule a área total da figura:

Solução:

A área do triângulo ABC é:

12 · 30 · sen120º
S1 = =
2

= 180 · sen 60º =

= 180 · 1 = 90 mm2
2

A área do triângulo DBC é:

50 · 50 · sen45º
= 1250 · sen 45º @ 1250 · 0,7 = 875 mm
2
S2 =
2

Portanto, a área total da figura S = S1 + S2 = 965 mm2 ou 9,5 cm2.

Observação:
Essa fórmula para o cálculo da área é válida para qualquer triângulo,
inclusive para o triângulo retângulo.

b · c · sen 90º
S= e, como sen 90º = 1,
2
temos:

b· c
S=
2
Obtendo a lei dos senos A U L A

Para obter a fórmula S = 21 b · c sen Â, utilizamos o


seno do ângulo  para encontrar h . Mas também
∃:
43
poderíamos utilizar o seno do ângulo C
∃ eS=
h = a sen C 1 ∃.
b · a sen C
2

Como h = c sen  e ∃ , temos:


h = a sen C


c a
c · sen  = a sen C ou ∃
=

senC senA

Generalizando esta conclusão também para o ângulo B∃ e seu lado oposto b :


a b c
= =
∃ ∃ ∃
sen A sen B sen C

A igualdade das razões entre cada um dos lados de um triângulo e o seno do


respectivo ângulo oposto é chamada de lei dos senos
senos.

O triângulo e a circunferência

No dicionário, encontramos as seguintes definições:


Inscrito ® Traçado dentro.
Circunscrito ® Limitado totalmente por uma linha.

Em geometria, esses termos são usados com um pouco mais de precisão.


Observe os exemplos:

a) O retângulo está inscrito no losango ou o losango


está circunscrito ao retângulo

(observe que todos os vértices do retângulo tocam os lados do losango).

b) A esfera está inscrita no cubo ou o cubo está


circunscrito à esfera

(todas as faces do cubo tocam a esfera).


A U L A c) O hexágono está inscrito no círculo ou o círculo
está circunscrito ao hexágono

43
(todos os vértices do hexágono tocam o círculo).

d) O círculo está inscrito no triângulo retângulo ou o


triângulo retângulo está circunscrito ao círculo

(todos os lados do triângulo tocam o círculo).

Mais uma vez, o triângulo se confirma como uma figura especial. É sempre
possível inscrever uma circunferência em um triângulo; além disso, sempre
podemos circunscrever uma circunferência a um triângulo.

Para a circunferência circunscrita ao triângulo, e cujo raio é R, temos o


seguinte resultado:

a b c
2R = = =
∃ ∃ ∃
sen A sen B sen C

Observe ainda que, no caso do triângulo retângulo, sen  = sen 90º = 1 e


b c
2R = a = =
∃ ∃
sen B sen C
EXEMPLO 2 A U L A

Calcular os outros dois lados de um triângulo que mede 5 cm de um lado e


tem ângulo de 80º e outro de 40º, como mostra a figura: 43
Solução:

5 b 5 b
= =
sen 60º sen 80º 0, 866 0, 985

5 · 0, 985
b= = 5, 687
0, 866

5 c 5 c 5 · 0, 643
= = c= = 3,712
sen 60º sen 40º 0, 866 0, 643 0, 866

EXEMPLO 3

Um triângulo de lados 6, 8 e 8 está inscrito num círculo. Determine seus


ângulos e o raio do círculo.

Solução:
O triângulo do problema é isósceles, como o representado na figura abaixo.
Inicialmente, vamos descobrir a medida do ângulo do vértice (Â):

62 = 82 + 82 - 2 · 8 · 8 · cos Â
36 = 128 - 128 cos Â
92
- 92 = - 128 cos  ® cos  = » 0,719
128

Consultando a tabela trigonométrica,


 » 44º.

∃ da base são iguais e medem: B ∃ »


∃=C 180º - 44º
Os ângulos B∃ e C » 68º
2

Para determinar o raio do círculo, podemos utilizar qualquer um dos lados


e o respectivo ângulo oposto. Temos, então:
6 6
2R = 2R = @ 8, 6 R @ 4,3 ou
sen 44º 0, 695

8 8
2R = 2R = @ 8, 6 R @ 4,3
sen 68º 0, 927

∃ = 68º. E o raio mede, aproximada-


Assim, os ângulos são  = 44º e B∃ = C
mente, 4,3.
Exercícios
A U L A Exercício 1
a) Calcule o raio do círculo circunscrito num triângulo equilátero de lado a .

43 b) Calcule a área do triângulo equilátero de lado a .

Exercício 2
Calcule a área do hexágono regular de lado a , formado por seis triângulos
equiláteros.

Exercício 3
Para calcular a área aproximada de um terreno irregular, os agrimensores
subdividem o terreno em triângulos formados a partir de um mesmo
vértice no interior do terreno. Usando o teodolito, eles marcam os ângulos
formados ao redor desse ponto e medem as distâncias do ponto até a
fronteira do terreno.

Observe a figura e calcule a área aproximada do terreno, usando as medidas


tomadas por um agrimensor:

OA = 52 m

OB = 63 m

OC = 59 m

OD = 40 m

OE = 45 m

OF = 50 m

OG = 48 m
Exercício 44* A U L A
O terreno correspondente à figura ABCDE, abaixo, foi vendido a R$ 40,00 o
metro quadrado. Conseqüentemente foi vendido por:
43

a) R$ 7.800,00
b) R$ 5.000,00
c) R$ 100.000,00
d) R$ 7.960,00
e) R$ 1.150,00

* Exercício aplicado na PUC-SP.

Exercício 55*
No triângulo ABC da figura, em que R é o raio da circunferência, o ângulo
 é oposto ao lado a , que mede 3R
2
. Calcule o valor de sen Â.

* Fonte: Matemática Aplicada - 2º grau, Ed. Moderna, Luiz Marcio Imenes, Fernando
Trotta e José Jakubovic.
A UA UL L AA

44
44

Distâncias inacessíveis

Introdução N
a Aula 20 aprendemos a calcular distâncias
que não podiam ser medidas diretamente. Nessa aula, os conceitos utilizados
foram a semelhança de triângulos e o Teorema de Pitágoras. Agora, mostraremos
métodos para o cálculo de distâncias inacessíveis, que vão utilizar os conceitos
de trigonometria aprendidos entre as Aulas 29 e 43. A aplicação desses métodos
necessita de um instrumento capaz de medir ângulos, usado por agrimensores,
topógrafos e engenheiros: o teodolito
teodolito.

Ilustração de um
teodolito.

O teodolito mede ângulos horizontais e verticais com suas duas escalas


circulares graduadas em graus.
2
Plano Horizontal Plano Vertical
2

T
1

Se o teodolito T e os objetos 1 e 2 estão Visando o objeto 2, podemos medir


em um mesmo plano horizontal, o ângulo que a reta T2 faz com a reta
^
podemos medir o ângulo 1T2. horizontal T1.

Com essas duas utilizações do teodolito, que nos permitem calcular ângulos
horizontais e verticais, poderemos agora utilizar a lei dos co-senos, a lei dos
senos e a tabela trigonométrica para calcular distâncias inacessíveis. Os princi-
pais métodos estão nos exemplos da nossa aula.
Para que você possa entender bem os métodos que utilizaremos nos exem- Nossa
A U L aula
A
plos a seguir, é conveniente que recorde as Aulas 39 e 40, nas quais introduzimos
os conceitos de seno, co-seno e tangente, e, também, as Aulas 42 e 43, nas quais
aparecem as fórmulas da lei dos co-senos e da lei dos senos. Para os cálculos, 44
utilizaremos os valores da tabela trigonométrica que se encontra na Aula 40. Ela
também será necessária para os exercícios.

EXEMPLO 1

Para determinar a altura de um prédio, o topógrafo colocou seu teodolito na


praça em frente. Com uma trena, ele mediu a distância do teodolito ao prédio e
encontrou 27 m. Mirando o alto do prédio, ele verificou, na escala do teodolito,
que o ângulo formado por essa linha visual com a horizontal é de 58º. Se a luneta
do teodolito está a 1,7 m do chão, qual é a altura do prédio?
l
ua
vis

prédio
ha
lin

58

27 m

Solução:

Na figura abaixo, AB é a altura do teodolito e CD é a altura do prédio.


D
l
ua

x
vis
ha
lin

58
B
27 m 1,7
A C

Vamos calcular o cateto x do triângulo retângulo que aparece na figura.


x
Temos: = tg 58º
27

Da tabela trigonométrica obtemos que a tangente de 58º é aproxima-


damente 1,6.
x
Assim, = 1,6 x = 1,6 · 27 = 43,2
27

A altura total do prédio será igual a esse valor mais 1,7, que é a altura da
luneta do teodolito. Portanto, CD = 43,2 + 1,7 = 44,9 m.

A altura desse prédio é, então, de 44 metros e 90 centímetros, ou seja,


aproximadamente 50 metros.
A U L A EXEMPLO 2

44 Neste exemplo determinaremos a altura de um morro em relação a uma


região plana que existe em volta. Para isso, foi preciso fazer duas medições com
o teodolito. Inicialmente, o teodolito foi colocado em um ponto A. Mirando o
ponto V, o mais alto do morro, verificamos que o ângulo dessa linha visual com
a horizontal era de 10º. Em seguida, o topógrafo aproximou-se do morro e fixou
o teodolito no ponto B. Nessa posição, mirando o ponto V, o mais alto do morro,
ele verificou que o ângulo da linha visual com a horizontal passou a ser de 26º.
Sabendo que a distância AB (medida com a trena) era de 100 m, qual é a altura
do morro?
V

10 26

A B C

Solução:
Com os dados obtidos pelo topógrafo, vamos calcular a altura do morro. Na
figura a seguir, mostramos esses dados sem considerar a altura do teodolito.

Determinando BC = y, temos as relações:


VC x
= tg10º Þ = 0,17633 (1)
AC 100 + y
VC x V
= tg26º Þ = 0, 48773 (2)
BC y
x

10 26
A 100 B y C

Da relação (1) tiramos x = y . 0,17633 + 17,633.


Da relação (2) tiramos x = y . 0,48773.

Igualando, temos:
y · 0,48773 = y · 0,17633 + 17,633
y · 0,48773 - y · 0,17633 = 17,633
y (0,48773 - 0,17633) = 17,633
17, 633
y · 0,3114 = 17,633 y= = 56,62 (aproximando)
0, 3114
e x = y · 0,48773 = 27,61 m.

Somando a esse valor a altura do teodolito (1,7 m), concluímos que a altura
do morro em relação à região plana em volta é de 27,61 + 1,7 = 29,31 m.

Vamos ver, a seguir, um outro exemplo muito comum no campo ou nas


fazendas, onde diversas medidas não podem ser feitas diretamente.
EXEMPLO 3 A U L A

Em uma região há um rio com curso irregular. Sua largura não é constante
e ele faz muitas curvas. Entre os ponto A e B, situados em margens opostas, 44
deseja-se construir uma ponte. Para isso, é necessário determinar a distância AB.
O topógrafo, que está na margem inferior do desenho que vemos abaixo, assinala
com uma estaca um ponto C qualquer. Com a trena, ele mede a distância AC e
encontra 56 m. Com o teodolito ele mede os ângulos BÂC e A C ∃ B encontrando
118º e 35º, respectivamente. Qual será o valor da distância AB?
B

rio

A
56
m
C

Solução:

Vamos analisar o triângulo ABC. Se  = 118º e C ∃ = 35º, então podemos



calcular o ângulo B . Como sabemos, a soma dos três ângulos é 180º.
B

27 118º + B∃ + 35º = 180º ® B∃ = 27º


c a

118
A
b= 35
56
m
C

Determinando AB = C e AC = b, a lei dos senos nos informa que:


c b c 56
= ou seja, =
sen C sen B∃
∃ sen 35º sen 27º

Utilizando os valores da tabela trigonométrica, temos:

c 56
=
0, 57358 0, 45399

Assim,

56 · 0, 57358
c= = 70,75
0, 45399

Portanto, naquela parte do rio, a distância AB é de 70,75 m.


A U L A EXEMPLO 4

44 Um dos cálculos que, no passado, mais fascinaram os matemáticos era o da


medida do raio da Terra. O engenhoso processo que vamos descrever já tinha
sido imaginado pelos gregos da Antigüidade, mas, na época, não dava bons
resultados porque os instrumentos de medida eram bastante precários.

Imagine que, do alto de um morro situado próximo ao mar, uma pessoa


observa o oceano, vendo com nitidez a linha do horizonte.

Vamos, agora, imaginar um imenso triângulo que tem um vértice no centro


da Terra, outro vértice na pessoa que está em cima do morro e o terceiro vértice
na linha do horizonte que essa pessoa vê. O desenho será o seguinte:

P
h α

R
R

Terra C

Na figura acima, o ponto C é o centro da Terra e o ponto P é a pessoa que está


situada a uma altura h em relação ao nível do mar. Para essa pessoa, o ponto H
está na linha do horizonte e, como a reta PH é tangente à Terra, o ângulo P H ∃C
é reto. A altura h do morro é conhecida e o ângulo a = C P∃ H pode ser medido.
Portanto, no triângulo CPH, o seno do ângulo a é igual a CH CP
, ou seja,

R
sen a = em que R, o raio da Terra, é a nossa incógnita.
h+R
Então, (h + R) sen a = R A U L A
h sen a + R sen a = R
h sen a = R - R sen a
h sena
44
h sen a = R (1 - sen a) ou R=
1 - sena

Observe que conhecendo a altura h e o ângulo a podemos calcular o raio


da Terra usando essa fórmula, mas, na prática, existem dificuldades. A altura
h será sempre muito pequena em relação ao raio da Terra. Para se obter R com
precisão, é preciso medir o ângulo a também com muita precisão, pois um
pequeno erro na medida de a acarretará um erro muito grande na medida de
R. Hoje, existem instrumentos eletrônicos que medem ângulos com precisão de
1 milésimo de grau, e as calculadoras científicas fornecem os senos dos ângulos
com a necessária exatidão. Por exemplo, se a pessoa P está a uma altura de 2 km
em relação ao nível do mar, o ângulo a será de 88,657 graus. Com uma
calculadora científica, encontramos o seno desse ângulo igual a 0,9996872 e o
raio da Terra aproximadamente igual a 6390 km.

Exercício 1 Exercícios
Na figura abaixo, o ponto F é um farol que está numa ilha próxima ao
continente. Na praia, foram assinalados dois pontos, A e B, tais que AB = 132m,
^
FÂB = 90º e ABF = 85º. Calcule a distância AF.

F (farol)

Mar

Praia A B

Exercício 2
O topógrafo utilizou o mesmo método descrito no Exemplo 2 desta aula para
calcular a altura de uma torre que se encontra do outro lado de um rio.
Calcule sua altura, utilizando os dados que estão na figura abaixo.

23 35
1,7 m
87,2 m rio
A U L A Exercício 3
Entre os pontos A e B, situados em uma fazenda, existe um morro. O

44 teodolito colocado no ponto C consegue mirar tanto A quanto B. Sabendo


que CA = 76 m, CB = 90 m e A C∃ B = 126º, calcule a distância AB.

A B

Sugestão: Volte à Aula 42 para recordar como se calcula o co-seno de um


ângulo maior que 90º e aplique a lei dos co-senos no triângulo ABC. Use a
calculadora.

Exercício 4
Na figura abaixo, os pontos A e B estão em lados opostos da entrada de uma
baía. Para calcular a distância AB, o topógrafo fixou um ponto C de onde
pudesse mirar os pontos A e B. Com a trena, mediu AC, encontrando 320 m,
e, com o teodolito, mediu os ângulos BÂC e B C ∃ A, encontrando 98º e 47º,
respectivamente. Quanto mede AB?

B A

Sugestão: use a lei dos senos no triângulo ABC da forma que foi utilizada no
Exemplo 3 desta aula.
AUU
A L AL A

45
45
A equação da reta

Vamos, nesta aula, retomar o assunto que


começamos a estudar nas Aulas 9 e 30: a equação da reta. Aprenderemos hoje
Introdução
outra forma de obter a equação da reta e veremos diversas aplicações.
Em algumas situações é necessário calcular a distância de um ponto a uma
reta. Também nesta aula, veremos como isso pode ser feito.

Imaginemos, no plano cartesiano, uma reta que não seja paralela a nenhum Nossa aula
dos eixos. Como mostra o desenho a seguir, essa reta passa pelos pontos (x1, y1)
e (x2, y2). Esses pontos são dados, ou seja, x1, y1, x2 e y2 são números conhecidos.
Seja então (x, y) um ponto qualquer dessa reta.

Observe que os comprimentos dos segmentos horizontais e verticais são


fáceis de obter:
AC = x2 - x1
AD = x - x1
CB = y2 - y1
DP = y - y1
A U L A Veja, agora, que os triângulos ACB e ADP são semelhantes, portanto

45 AD DP
=
AC CB
o que é a mesma coisa que
x - x1
=
y - y1
x 2 - x1 y 2 - y1

Essa relação permite obter facilmente a equação da reta que passa pelos dois
pontos dados (x1, y1) e (x2, y2). Essa equação será do primeiro grau nas incógnitas
x e y, e portanto, terá a forma
ax + by + c = 0

Observe com atenção o exemplo a seguir:

EXEMPLO 1

Encontre a equação da reta que passa pelos pontos (1 , 2) e (3, 5).


Solução:
Não importa qual é o primeiro ponto. Vamos considerar (x1, y1) = (1, 2),
ou seja, x1 = 1 e y 1 = 2 e (x2, y2) = (3, 5), isto é, x2 = 3 e y2 = 5. Aplicando a fórmula,
temos:
x - x1 y - y1 x-1 y -2
= = 3 (x - 1) = 2 (y - 2) 3x - 3 = 2y - 4
x 2 - x1 y 2 - y1 2 3

3x - 2y + 1 = 0

Aí está a equação da nossa reta. Se você quiser saber se um ponto qualquer


pertence a essa reta, basta substituí-lo na equação e ver se a igualdade se verifica.

Por exemplo, será que o ponto (9, 14) pertence a essa reta? Vamos ver.
Substituindo x por 9 e y por 14, temos:
3 · 9 - 2 · 14 + 1 =
= 27 - 28 + 1 =
= 28 - 28 = 0
Deu certo. O ponto (9, 14) pertence à nossa reta.

Devemos lembrar que a equação da reta não precisa ser escrita obrigatori-
amente na forma que apresentamos. Algumas vezes, deixamos a letra y isolada
do lado esquerdo, quando desejamos pensar nessa equação como uma função.
Veja:
3x - 2y + 1= 0
- 2y = - 3x - 1
3x 1
2y = 3x + 1 y = +
2 2

A equação y = 3x2 + 21 representa a mesma reta, e agora foi escrita como


uma função do 1º grau, estudada na Aula 30. Veja, a seguir, algumas aplicações.
EXEMPLO 2 A U L A

Certo município é um grande produtor de soja. A produtividade vem


aumentando de acordo com o gráfico abaixo. 45

Qual foi a produção em 1993?

Solução:
Este é um exemplo muito comum. Alguma coisa evolui linearmente, ou seja,
tem um crescimento constante em intervalos de tempo iguais. Vamos ver a
solução usando a equação da reta e, nos exercícios, vamos sugerir uma outra.
Inicialmente, vamos definir de forma mais prática o eixo horizontal. 1990
será o ano 0 e 1995 o ano 5.

O gráfico, então, fica assim:


A nossa reta passa pelos pontos (0, 8) e
(5, 12). Vamos obter sua equação utilizando
a fórmula:

x-0 y-8
=
5 - 0 12 - 8

x y-8
=
5 4

4x = 5y - 40

4x - 5y + 40 = 0

Aí está a equação da reta. Como 1993 é o ano 3 da nova escala, vamos


substituir x por 3. O valor de y que encontrarmos será a produção nesse ano.

4 · 3 - 5y + 40 = 0
12 + 40 = 5y
52 = 5y
52
y= = 10,4
5
Concluimos que a produção de soja em 1993 foi de 10,4 mil toneladas.
A U L A EXEMPLO 3

45 Nivaldo está sempre inventando coisas. Um dia, ele resolveu inventar uma
nova escala de temperaturas. Verificou que, na região onde mora, a temperatura
mínima registrada foi de 16ºC e que a máxima foi de 41ºC. Então, Nivaldo
resolveu que essas temperaturas seriam os valores 0 e 100 da sua nova escala.
Supondo uma variação linear, qual é a equação que relaciona as duas escalas? Na
escala de Nivaldo em que temperatura ferve a água?

Solução:

Vamos chamar de x uma temperatura em graus Celsius e de y a mesma


temperatura em graus Nivaldo.

Temos, então, o quadro abaixo:

x ( ºC ) y ( ºN )
16 0
41 100

Assim, devemos encontrar a equação da reta que contém os pontos (16, 0) e


(41, 100). Aplicando a fórmula, temos:

x - 16 y -0
=
41 - 16 100 - 0

x - 16 y
=
25 100

x - 16 y
=
1 4

4x - 64 = y

y = 4x - 64

Esta é a equação que relaciona as temperaturas nas duas escalas. Respon-


dendo à segunda pergunta, sabemos que a água ferve a 100ºC. Fazendo x = 100
na equação, descobriremos o valor correspondente na escala do Nivaldo:

y = 4 · 100 - 64
y = 400 - 64
y = 336

Portanto, para Nivaldo, a água ferve a 336 ºN.


A distância de um ponto a uma reta A U L A

A distância de um ponto a uma reta é o comprimento da perpendicular


traçada do ponto até a reta. Veja isso no desenho abaixo. 45

Vamos descobrir agora como calcular essa distância, se nós conhecemos o


ponto P e a equação da reta r . Antes, porém, devemos recordar uma propriedade
dos triângulos retângulos:

“Em todo triângulo retângulo, o produto dos catetos é igual ao produto da


hipotenusa pela altura a ela relativa”.

bc = ah

Podemos compreender essa propriedade lembrando como se calcula a área


de um triângulo. No caso do triângulo retângulo da figura acima, ela é igual a bc2
e também igual a ah
2 . Portanto, é claro que bc = ah.

EXEMPLO 4

Calcular a distância do ponto (5, 4) à reta x + 2y - 9 = 0.

Solução:

Seja P = (5, 4) o ponto dado. Vamos começar fazendo um desenho da reta


x + 2y - 9 = 0. Para isso, precisamos conhecer dois de seus pontos. Como as
coordenadas de P são x = 5 e y = 4, vamos aproveitar esses valores para
determinar os pontos da reta que possuem essa abcissa e essa ordenada.
Substituindo esses valores, um de cada vez, na equação da reta, temos:

x = 5 Þ 5 + 2y - 9 = 0 Þ 2y = 4 Þ y = 2

y=4 Þ x+2·4-9=0 Þ x=9- Þ 8 x=1

Conseguimos, então, dois pontos da reta: A = (5, 2) e B = (1, 4).


A U L A O desenho fica assim:

45

No triângulo retângulo PAB da figura acima, conhecemos os comprimentos


dos catetos: AP = 2 e BP = 4. Para calcular a hipotenusa, aplicamos o Teorema de
Pitágoras:
AB2 = 22 + 42 = 4 + 16 = 20
AB = 20 = 4· 5 = 2 5

Representando por d a distância do ponto à reta temos, pela relação que


mostramos anteriormente,
AP· BP = AB · d
4 4 5 4 5
2·4 =2 5 ·d d= = · = @ 1,79
5 5 5 5
Finalmente, vamos apresentar uma fórmula que faz o mesmo cálculo que
acabamos de realizar. O ponto dado será representado por P = (x0, y0) e a reta
por ax + by + c = 0.

ax0 + by 0 + c
d=
a2 + b2

Observe o cálculo da distância do ponto P = (5, 4) à reta x + 2y - 9 = 0, agora


usando a fórmula:

5 + 2· 4 - 9 5+8-9 4 4 5
d= = = =
12 + 22 5 5 5

O resultado, como era de se esperar, é o mesmo, e essa fórmula, que não é


indispensável, mostra-se bastante prática.
Exercício 1 Exercícios
A U L A
Encontre a equação da reta que contém os pontos (-1; 2) e (2; 4).

Exercício 2 45
Determine os pontos onde a reta 2x + 5y - 40 = 0 corta os eixos.

Sugestão: determinado y = 0 você encontrará o ponto em que essa reta corta


o eixo dos x. Determinando x = 0, ...

Exercício 3
Calcule k para que os pontos (1; -2), (4; 3) e (8; k) estejam na mesma reta.

Sugestão: encontre a equação da reta que contém os dois primeiros pontos.


Depois, substitua o terceiro ponto nessa equação.

Exercício 4
Os relógios dos táxis mediam “unidades taximétricas” (UT) que eram depois
transformadas em reais com o uso de uma tabela. Em certa cidade, Nivaldo
reparou que em um percurso de 7 km o taxímetro marcou 7 UT e em um
percurso de 12 km marcou 10 UT.
Quantas UT o relógio marcaria em um percurso de 25 km?

Sugestão: considere dois “pontos” do tipo (km, UT) e encontre a equação


da reta.

Exercício 5
Faça uma solução do Exemplo 2 da nossa aula usando uma progressão
aritmética.

Sugestão: a1 = 8, a6 = 12.

Exercício 6
Uma caixa d’água de 500 litros vaza por um furo que existe no fundo. Ao
meio-dia de uma segunda-feira ela foi completamente cheia, mas às 8 horas
da noite desse mesmo dia só tinha 440 litros.

a) Quantos litros terá a caixa ao meio-dia de terça-feira?

b) Supondo que o vazamento seja sempre constante, quando a caixa ficará


vazia?

Sugestão: a partir de dois “pontos” do tipo (tempo, litros) encontre a


equação da reta. Considere x = 0 ao meio-dia de segunda-feira.

Exercício 7
Encontre a distância do ponto (3; 2) à reta 3x + 4y - 29 = 0

Exercício 8
Determine a distância da origem à reta que contém os pontos (1; 8) e (4; 2).
A UA UL L AA

46
46

O coeficiente angular

Introdução O coeficiente angular de uma reta já apare-


ceu na Aula 30. Agora, com os conhecimentos obtidos nas Aulas 40 e 45, vamos
explorar mais esse conceito e descobrir novas propriedades. Se necessário,
recorde as aulas citadas para compreender bem o que vamos explicar.

Nossa aula Na aula passada, estudamos a equação ax + by + c = 0, chamada equação


geral da reta , e aprendemos a construí-la quando são dados dois de seus pontos.

Repare inicialmente que essa equação pode ser escrita de outra forma:
deixando a letra y isolada do lado esquerdo da equação. Quando fazemos isso,
obtemos uma expressão chamada equação reduzida da reta , que nada mais é
do que a nossa conhecida função do 1º grau. Observe o exemplo a seguir.

EXEMPLO 1

Escrever a equação 2x - 3y + 3 = 0 na forma reduzida.

Solução:
Vamos trabalhar a equação dada para deixar a letra y sozinha do lado
esquerdo:

x - 3y + 3 = 0
2x

- 3y = - 2x
x-3

3y = 2x
x+3
2x 3
y= +
3 3
2x
y= +1
3
Aí está. Essa é a equação reduzida da reta. Ela tem a forma y = mx + p, onde,
no nosso exemplo, m = 23 e p = 1
Observe o significado desses números m e p diretamente na equação que A U L A
serviu de exemplo. Repare que:

y=
2x
+1
46
3

se x=0 então y=1


se x=3 então y=3

Com esses dois pontos, podemos fazer o gráfico da reta.

Veja que a reta corta o eixo dos y no ponto y = 1 e que a tangente do


ângulo que ela faz com a direção horizontal é 23 (cateto oposto sobre cateto
adjacente).

De forma geral, na equação y = mx + p, o número p , chamado coeficiente


linear , é o ponto onde a reta corta o eixo dos y.
O número m, chamado coeficiente angular é a tangente do ângulo que a
reta forma com a direção horizontal.
Se o coeficiente angular for positivo , a reta representará uma função
crescente , se for negativo , representará uma função decrescente .

Gráficos de y = mx + p
A U L A Observe, nos exemplos seguintes, que podemos determinar a equação
reduzida da reta quando conhecemos os coeficientes angular e linear.

46 m=
4
(coeficiente angular)
3

p=-2 (coeficiente linear)

Equação reduzida da reta:

4x
y= -2
3

-2
m= (coeficiente angular)
5

p=7 (coeficiente linear)

Equação reduzida da reta:

-2x
y= +7
5

Devemos enfatizar que o coeficiente angular representa o valor que a função


cresce (ou decresce) quando x aumenta uma unidade. No gráfico a seguir,
representamos a função y = mx + p. Nele, você pode notar que, quando x assume
valores inteiros, os valores de y formam uma progressão aritmética de razão m .

Quando x aumenta uma unidade, y aumenta m unidades.

Gráfico de y = mx + p

m
tg a = =m
1
A fórmula do coeficiente angular A U L A

Veremos, agora, como determinar o coeficiente angular de uma reta a partir


de dois quaisquer de seus pontos. Na figura a seguir, mostramos uma reta 46
passando pelos pontos (x1, y1) e (x2, y2). O triângulo retângulo formado tem o
cateto vertical igual a y2 - y1 e o cateto horizontal igual a x2 - x1. Dividindo o cateto
vertical pelo horizontal, obtemos a fórmula do coeficiente angular.

Fórmula do coeficiente angular


y 2 - y1
tga = m =
x 2 - x1

Por exemplo, se uma reta passa pelos pontos (- 2, 3) e (4, 7), seu coeficiente
angular será:
y 2 - y1 7-3 4 2
x 2 - x1 4 - α
-2 φ 6 3
m= = = =

A seguir, veremos como descobrir o que ocorre com os coeficientes angula-


res quando duas retas são paralelas ou perpendiculares.

Retas paralelas

Se duas retas são paralelas, então elas formam ângulos iguais com o eixo
dos x . Portanto elas terão coeficientes angulares iguais .

Assim, por exemplo, as retas y = 2x + 3 e y = 2x - 1 são paralelas porque


possuem o mesmo coeficiente angular (m = 2).
A U L A EXEMPLO 2

46 Determinar a equação da reta paralela à reta y =


ponto (4, 5).
1
2 x + 1 e que contém o

Solução:
A nova reta terá o mesmo coeficiente angular da reta dada βm = 21 γ e um
coeficiente linear diferente. A equação da nova reta será então y = 21 x + p .
Como essa reta contém o ponto (4, 5) vamos fazer as substituições x = 4
e y = 5. Assim, determinaremos o coeficiente linear:

1
y= x+p
2

1
5= · 4+p
2

5=2+p

p=3

A equação da nova reta é:


1
y= x+3
2

Veja as duas retas na ilustração.

Retas perpendiculares

A figura a seguir mostra duas retas perpendiculares r e s que, para nossa


comodidade, estão passando pela origem.

A reta r faz ângulo a com o eixo


dos x e passa pelo ponto (1, m). A reta
s , faz ângulo b com o eixo dos x e passa
pelo ponto (1, - n). Os seus coeficientes
angulares são:

Coeficiente angular de r:
m
tg a = =m
1

Coeficiente angular de s:
-n
tg b = =-n
1
Como a + b = 90º, o triângulo 1 tem também um ângulo igual a b. A U L A

A tangente b nesse triângulo é


1
1
m. Então:
46
tg b = - n =
m
m(- n) = 1

mn = - 1

Concluímos então que, quando duas retas são perpendiculares, o produto


dos coeficientes angulares é -1
1.
Por exemplo, m = 34 e n = -34 representam coeficientes angulares de
retas perpendiculares porque mn = 34 β-34 γ= -1 .

EXEMPLO 3

Determine a equação da reta que contém o ponto (1, 3) e é perpendicular à


reta y = 21 x + 1.

Solução:
A reta dada possui coeficiente angular m = 21 . A nova reta, como é perpen-
dicular à reta dada, terá coeficiente angular n tal que mn = - 1. Então,
1
·n=-1 n=2
2
A nova reta tem então coeficiente angular igual a - 2 . Portanto, sua equa-
ção será y = 2x + p, onde, para calcular p , basta substituir nela o ponto (1, 3).
y = - 2x + p
3=-2·1+p
3=-2+p
p=5 A equação da nova reta é y = - 2x + 5.

Veja as duas retas na ilustração que se segue:


Resumindo
A U L A Equação da reta r: y = mx + p

46
Equação da reta s: y = nx + q

Se r e s são paralelas então m = n


Se r e s são perpendiculares então mn = - 1

Exercícios Exercício 1
Determine os coeficientes angular e linear da reta 2x + 3y - 12 = 0

Exercício 2
A reta r na figura passa por dois pontos dados. Observe o gráfico e diga qual
é o coeficiente angular de r .

Exercício 3
Determine a equação da reta r do Exercício 2.

Exercício 4
Qual é o coeficiente angular da reta que contém os pontos (- 1; 3) e (4; -5)?

Exercício 5
Observe a figura:

a) Determine os coeficientes angulares das retas A e B, C e D.


b) Qual dos coeficientes é o maior?
Exercício 6 A U L A
A reta r contém os pontos (1; 3) e (6; 1). A reta s é paralela a r , e passa pelo
ponto (0, 7). Qual é a equação de s ?
Sugestão: Use a fórmula do coeficiente angular.
46
Exercício 7
Determine a equação da reta perpendicular à reta y = 34 x + 10 e que contém
o ponto (6, 11).

Exercício 8
A figura abaixo mostra que as retas r e s são perpendiculares a t . Determine
as equações de r e s .

Exercício 9
A figura mostra a planta de uma fazenda ABCD, onde cada unidade
representa 50 m. Sabe-se que os ângulos em A e C são retos, que AB = 10 e
que a posição de C foi determinada pelo triângulo retângulo que aparece na
figura. Quanto mede AD?
A UA UL L AA

47
47
A equação da
circunferência

Introdução N as duas últimas aulas você estudou a equa-


ção da reta. Nesta aula, veremos que uma circunferência desenhada no plano
cartesiano também pode ser representada por uma equação.
Repare que, quando um ponto P se movimenta sobre uma circunferência de
centro C, sua abcissa e sua ordenada variam.

Entretanto, quando P se desloca sobre a circunferência, há uma coisa que


permanece invariável: a distância de P ao centro é sempre igual ao raio.
Iniciamos esta aula recordando a aplicação do Teorema de Pitágoras para o
cálculo da distância entre dois pontos.

Nossa aula A distância entre dois pontos

Considere os pontos: A = (x1, y1) e B = (x2, y2) como mostra a figura a seguir.
Para calcular a distância AB, formamos o triângulo retângulo ABC com um cateto
horizontal e outro vertical.
Vemos que AC = x2 - x1 e que CB = y2 - y1. Pelo Teorema de Pitágoras temos: A U L A
2 2
AB = AC + CB
2

AB = (x2 - x1) + (y2 - y2)


2 2 2 47
Fórmula da distância entre dois pontos:

AB = (x 2 - x1 )2 + (y 2 - y1 )2

Se tivermos A = (1, 3) e B (7, - 1), por exemplo, a distância entre esses dois
pontos será:

AB = (7 - 1)2 + ( -1 - 3)2 = 62 + ( -4)2 = 36 + 16 = 52

Portanto, AB @ 7,21

A equação da circunferência

Uma circunferência é determinada quando conhecemos a posição do seu


centro e o valor do seu raio. Imaginando no plano cartesiano uma circunferência
de centro no ponto C = (a, b) e com raio R, vamos representar por P = (x, y) um ponto
qualquer que pertence a essa circunferência. Que propriedade tem o ponto P?

Se P pertence à circunferência, sua distância até o centro é igual ao raio.

Como a distância do ponto C = (a, b) ao ponto P = (x, y) é igual a R, usando


a fórmula da distância entre dois pontos temos:

(x - a)2 + (y - b)2 = R

Elevando ao quadrado os dois membros, a expressão obtida é a equação da


circunferência de centro (a, b) e raio R.

Equação da circunferência:

(x - a) + (a - b) = R
2 2 2
A U L A A seguir, observe os exemplos em que construimos as equações de diversas
circunferências a partir da posição do centro e do valor do raio:

47 CENTRO
(2, 3)
RAIO
4
EQUAÇÃO
(x - 2) + (y - 3) = 16
2 2

(5, - 2) (x - 5) + (y + 2) = 36
2 2
6
(x - 4) + y = 3
2 2
(4, 0) 3
(0, - 3)
2 2
2 x + (y + 3) = 4
2 2
(0, 0) 1 x+y =1

Vamos aprender a verificar quando um ponto pertence a uma circunferência.


Por exemplo: será que o ponto (6, - 2) pertence à circunferência (x - 2) + (y - 1) = 25?
2 2

Para responder a essa pergunta, basta substituir as coordenadas do ponto


dado na equação da circunferência e verificar a igualdade.

No nosso caso, para x = 6 e y = - 2, obtemos:

(6 - 2) + (- 2 - 1) = 25
2 2

2 2
= 4 + (- 3) = 25
= 16 + 9 = 25
Como a igualdade se verifica, podemos dizer que o ponto (6, - 2) pertence à
circunferência (x - 2) + (y - 1) = 25.
2 2

Observe o exemplo a seguir:

EXEMPLO 1

Determine y para que o ponto (5, y) pertença à circunferência


(x - 2) + (y - 1) = 25.
2 2

Solução:

Substituindo o ponto dado na equação, calculamos o valor de y :

(5 - 2) + (y - 1) = 25
2 2

32 + (y - 1)2 = 25
(y - 1) = 25 - 9
2

(y - 1)2 = 16
y-1 =±4
y=1+4=5
y =1±4 Þ ou
y=1-4=-3
Encontrando dois pontos para y , temos que os pontos A = (5, 5) e B = (5, - 3) A U L A
pertencem à circunferência dada. Observe que o centro da circunferência é o
ponto (2, 1) e que o raio é 5.
47

Mediatrizes

A mediatriz de um segmento é a reta perpendicular que contém o ponto


médio desse segmento. Na figura a seguir, a reta r é a mediatriz do segmento AB.

Todos os pontos de uma mediatriz possuem dis-


tâncias iguais aos extremos do segmento. Na próxima
figura, veremos que o ponto P pertence à mediatriz do
segmento AB. Portanto, sua distância até o ponto A é
sempre igual à sua distância até o ponto B. Repare que
isso ocorre porque os triângulos PMA e PMB são iguais.

PA = PB
A U L A Imagine agora que os pontos A e B pertencem a uma circunferência de centro
P. O que podemos concluir? Como PA e PB são raios, então PA = PB. Isso significa

47 que o ponto P está na mediatriz do segmento AB.

Guarde a seguinte propriedade:

Se dois pontos A e B pertencem a uma circunferência


a mediatriz de AB passa pelo centro.

Ao aplicarmos duas vezes essa propriedade, podemos construir uma circun-


ferência que passa por três pontos dados. Neste caso, o centro P pertence à
mediatriz de AB e também à mediatriz de BC.

O ponto P também pertence à mediatriz de AC; mas é suficiente fazer a


interseção de duas mediatrizes para determiná-lo.

Um problema de engenharia

Um galpão tem a forma da figura abaixo quando visto de frente: 12 m de


largura, 5 m de altura nas laterais e 7 m de altura máxima, sendo a linha da
cobertura uma circunferência perfeita.

Para a construção da cobertura, o mestre de obras precisa saber a cada metro


da viga AB a que altura está a cobertura. Assim, precisamos calcular com exatidão
as alturas y1, y2, y3 etc. que aparecem na seguinte figura:
A U L A

47
Vamos resolver o problema.

Inicialmente, vamos determinar a posição do centro da circunferência, o qual


chamaremos de P. De acordo com a próxima figura, sabemos que P pertence à
mediatriz de AB, que PA é o raio e que PM é igual ao raio menos dois metros.

Como M é o ponto médio de AB temos AM = 6. Pelo Teorema de Pitágoras:

= (R - 2) + 6
2 2 2
R
R2 = R2 - 4R + 4 + 36
4R = 40
R = 10

Sabemos que o raio da circunferência da cobertura é de 10 m; assim, temos


que MP = 8 m. Tomamos um sistema de coordenadas de forma que o ponto A
seja a origem e o eixo x coincida com AB. Dessa forma, temos B = (12, 0) e
P = (6, - 8).

Assim, obtemos a equação da circunferência de centro (6, - 8) e raio 10:

(x - 6) + (y + 8) = 100
2 2
A U L A Nessa equação substituiremos a abcissa x pelos valores 1, 2, 3, 4 etc.,
calculando para cada um deles as ordenadas correspondentes. Vamos mostrar o

47 cálculo das duas primeiras ordenadas, deixando as outras como exercício.

Para x = 1 temos:

(1 - 6)2 + (4 + 8)2 = 100


2
25 + (y + 8) = 100
(y + 8)2 = 75
y+8 = 75 (só o valor positivo interessa)
y = 75 - 8 @ 0,660 = y1

Para y = 2, temos:

(2 - 6) + (y + 8) = 100
2 2

2
16 + (y + 8) = 100
2
(y + 8) = 84
y+8 = 84
y = 84 - 8 @ 1,165 = y2

Desse modo, é possível construir uma circunferência em um lugar em que o


compasso não pode ser aplicado. Usando a equação da circunferência, podemos
determinar a posição exata de cada um dos seus pontos.

Exercícios Exercício 1.
Determine a equação de cada uma das circunferências dados o centro C e o
raio R.

a) C = (5, - 1) , R = 3
b) C = (- 3, 2) , R = 7
c) C = (0, 1) , R = 2
Exercício 2. A U L A
Determine o centro e o raio de cada uma das circunferências cujas equações
são dadas:
a) (x - 2)2 + (y - 1)2 = 6
47
b) (x - 3)2 + y2 = 10
c) (x + 4)2 + (y - 3)2 = 1

Exercício 3.
Determine a equação da circunferência com centro no ponto (3, 1) e passando
pelo ponto (6, 3).
Sugestão: O raio é a distância entre o centro e qualquer um de seus pontos.

Exercício 4.
Verifique se o ponto (2, 7) pertence, é interior ou exterior à circunferência
x2 + (y - 2)2 = 34.
Sugestão: Um ponto é interior a uma circunferência se a sua distância até o
centro for menor que o raio. Um ponto será exterior se a sua distância até o
centro for maior que o raio.

Exercício 5.
Determine a equação da circunferência com centro no ponto (3, 2) e tangente
à reta 2x + y + 7 = 0

Sugestão: De acordo com a figura, o raio da circun-


ferência é a distância do ponto (3, 2) até a reta
dada. Veja a Aula 45 para lembrar como se calcula
a distância de um ponto até uma reta.

Exercício 6.
Determine a equação de uma circunferência sabendo que A = (1, 4) e
B = (7, 8) são extremidades de um diâmetro.

Sugestão: Observe que dados dois pontos (x1, y1) e (x2, y2), o ponto médio do

segmento determinado por eles é o ponto Γ


Φx1 + x2 , y1 + y 2 ϑ Ι
Η 2 2 Κ
Exercício 7.
Na circunferência (x - 3) + (y - 5) = 36 determine o ponto de ordenada
2 2

máxima.
Sugestão: Faça um desenho dessa circunferência e observe que ponto possui
o maior valor de y.

Exercício 8.
Termine de resolver o “problema de engenharia” da nossa aula, calculando,
as ordenadas y3, y4, y5, ... , até y12.

Exercício 9.
Na circunferência (x - 2) + (y - 5) = 10 determine os pontos de ordenada 6.
2 2
A UA UL L AA

48
48
O princípio
multiplicativo

Introdução A palavra Matemática, para um adulto ou


uma criança, está diretamente relacionada com atividades e técnicas para conta-
gem do número de elementos de algum conjunto. As primeiras atividades
matemáticas que vivenciamos envolvem sempre a ação de contar objetos de um
conjunto, enumerando seus elementos.
As operações de adição e multiplicação são exemplos de “técnicas” matemá-
ticas utilizadas também para a determinação de uma quantidade. A primeira
(adição) reúne ou junta duas ou mais quantidades conhecidas; e a segunda
(multiplicação) é normalmente aprendida como uma forma eficaz de substituir
adições de parcelas iguais.
A multiplicação também é a base de um raciocínio muito importante em
Matemática, chamado princípio multiplicativo. O princípio multiplicativo
constitui a ferramenta básica para resolver problemas de contagem sem que seja
necessário enumerar seus elementos (como veremos nos exemplos).
Os problemas de contagem fazem parte da chamada análise combinatória.
A partir desta aula, aprofundaremos o estudo dessa parte da Matemática.

Nossa aula EXEMPLO 1

Maria vai sair com suas amigas e, para escolher a roupa que usará, separou
2 saias e 3 blusas. Vejamos de quantas maneiras ela pode se arrumar.

Solução:
O princípio multiplicativo, ilustrado nesse exemplo, também pode ser A U L A
enunciado da seguinte forma:

Se uma decisão d1 pode ser tomada de n maneiras e, em seguida, outra 48


decisão d2 puder ser tomada de m maneiras, o número total de maneiras de
tornarmos as decisões d1 e d2 será n · m.

No exemplo anterior havia duas decisões a serem tomadas:

d1: escolher uma dentre as 3 blusas


d2: escolher uma dentre as 2 saias

Assim, Maria dispõe de 3 · 2 = 6 maneiras de tomar as decisões d1 e d2, ou seja,


6 possibilidades diferentes de se vestir.

EXEMPLO 2

Um restaurante prepara 4 pratos quentes (frango, peixe, carne assada,


salsichão), 2 saladas (verde e russa) e 3 sobremesas (sorvete, romeu e julieta, frutas).
De quantas maneiras diferentes um freguês pode se servir consumindo um prato
quente, uma salada e uma sobremesa?

Solução:

Esse e outros problemas da análise combinatória podem ser representados


pela conhecida árvore de possibilidades ou grafo. Veja como representamos
por uma “árvore” o problema do cardápio do restaurante.

Observe que nesse problema temos três níveis de decisão:

d1: escolher um dentre os 4 tipo de pratos quentes.


d2: escolher uma dentre as 2 variedades de salada.
d3: escolher uma das 3 sobremesas oferecidas.

Usando o princípio multiplicativo, concluímos que temos 4 · 2 · 3 = 24


maneiras de tomarmos as três decisões, ou seja, 24 opções de cardápio.
A U L A A representação gráfica em árvore de possibilidades é muito ilustrativa.
Nela podemos ver claramente os três níveis de decisão d 1, d2 e d 3, consultando

48 os vários tipos de cardápios possíveis. Observe que, percorrendo as opções


dadas pelos segmentos à esquerda da árvore, o cardápio ficaria frango/salada
verde/sorvete enquanto que, escolhendo os segmentos à direita, teríamos
salsichão/salada russa/ frutas. No entanto, nosso objetivo é saber as combina-
ções possíveis e calcular o número total de possibilidades sem precisar
enumerá-las, pois muitas vezes isso será impossível devido ao grande núme-
ro de opções e/ou de decisões envolvidos num problema.

As técnicas da análise combinatória, como o princípio multiplicativo, nos


fornecem soluções gerais para atacar certos tipos de problema. No entanto, esses
problemas exigem engenhosidade, criatividade e uma plena compreensão da
situação descrita. Portanto, é preciso estudar bem o problema, as condições dadas
e as possibilidades envolvidas, ou seja, ter perfeita consciência dos dados e da
resolução que se busca.

EXEMPLO 3

Se o restaurante do exemplo anterior oferecesse dois preços diferentes, sendo


mais baratas as opções que incluíssem frango ou salsichão com salada verde, de
quantas maneiras você poderia se alimentar pagando menos?

Solução:
Note que agora temos uma condição sobre as decisões d1 e d2:

d1: escolher um dentre 2 pratos quentes (frango ou salsichão).


d2: escolher salada verde (apenas uma opção).
d3: escolher uma das 3 sobremesas oferecidas.

Então, há 2 · 1 · 3 = 6 maneiras de montar cardápios econômicos. (Verifique


os cardápios mais econômicos na árvore de possibilidades do exemplo anterior).

EXEMPLO 4

Quantos números naturais de 3 algarismos distintos existem?

Solução:
Um número de 3 algarismos c d u é formado por 3 ordens: Como o
algarismo da ordem das centenas não pode ser zero, temos então três decisões:
d1: escolher o algarismo da centena diferente de zero (9 opções).

d2: escolher o algarismo da dezena diferente do que já foi escolhido para


ocupar a centena (9 opções).

d3: escolher o algarismo da unidade diferente dos que já foram utilizados


(8 opções).

Portanto, o total de números formados será 9 · 9 · 8 = 648 números.


EXEMPLO 5 A U L A

De acordo com o exemplo anterior, se desejássemos contar dentre os 648


números de 3 algarismos distintos apenas os que são pares (terminados em 0, 2, 48
4, 6 e 8), como deveríamos proceder?

Solução*:

c d u

O algarismo da unidade poderá ser escolhido de 5 modos (0, 2, 4, 6 e 8). Se o


zero foi usado como último algarismo, o primeiro pode ser escolhido de 9 modos
(não podemos usar o algarismo já empregado na última casa). Se o zero não foi
usado como último algarismo, o primeiro só pode ser escolhido de 8 modos (não
podemos usar o zero, nem o algarismo já empregado na última casa).

Para vencer este impasse, temos três alternativas:

a) “Abrir” o problema em casos (que é alternativa mais natural). Contar


separadamente os números que têm zero como último algarismo (unidade = 0)
e aqueles cujo último algarismo é diferente de zero (unidade ¹ 0).

Terminando em zero temos 1 modo de escolher o último algarismo, 9 modos


de escolher o primeiro e 8 modos de escolher o do meio (algarismo da dezena),
num total de 1 · 9 · 8 = 72 números.

Terminando em um algarismo diferente de zero temos 4 modos de escolher


o último algarismo (2, 4, 6, ou 8), 8 modos de escolher o primeiro algarismo (não
podemos usar o zero, nem o algarismo já usado na última casa) e 8 modos de
escolher o algarismo do meio (não podemos usar os dois algarismos já emprega-
dos nas casas extremas). Logo, temos 4 · 8 · 8 = 256 números terminados em um
algarismo diferente de zero. A resposta é, portanto, 72 + 256 = 328 números.

b) Ignorar uma das restrições (que é uma alternativa mais sofisticada).


Ignorando o fato de zero não poder ocupar a centena, teríamos 5 modos de
escolher o último algarismo, 9 modos de escolher o primeiro e 8 modos de
escolher o do meio, num total 5 · 8 · 9 = 360 números. Esses 360 números incluem
números começados por zero, que devem ser descontados. Começando em zero
temos 1 modo de escolher o primeiro algarismo (0), 4 modos de escolher o último
(2, 4, 6 ou 8) e 8 modos de escolher o do meio (não podemos usar os dois
algarismos já empregados nas casas extremas), num total de 1 · 4 · 8 = 32 números.
A resposta é, portanto, 360 - 32 = 328 números.

c) É claro que também poderíamos ter resolvido o problema determinando


todos os números de 3 algarismos distintos (9 · 9 · 8 = 648 números), como é o caso
do Exemplo 4, e abatendo os números ímpares de 3 algarismos distintos (5 na
última casa, 8 na primeira e 8 na segunda), num total de 5 · 8 · 8 = 320 números.
Assim, a resposta seria 648 - 320 = 328 números.

Fonte: * Solução proposta pelo prof. Augusto César de Oliveira Morgado no livro
"Análise Combinatória e Probabilidade" - IMPA/VITAE/1991.
A U L A EXEMPLO 6

48 As placas de automóveis eram todas formadas por 2 letras (inclusive K, Y e


W) seguidas por 4 algarismos. Hoje em dia, as placas dos carros estão sendo todas
trocadas e passaram a ter 3 letras seguidas e 4 algarismos. Quantas placas de cada
tipo podemos formar?

Solução:

No primeiro caso L L N N N N

Como cada letra (L) pode ser escolhida de 26 maneiras e cada algarismo (N)
de 10 modos distintos, a resposta é:

26 · 26 · 10 · 10 · 10 · 10 = 6 760 000

No segundo caso L L L N N N N

26 · 26 · 26 · 10 · 10 · 10 · 10 = 26 · 6 760 000 =
= 175 760 000

A nova forma de identificação de automóveis possibilita uma variedade 26


vezes maior. A diferença é de 169.000.000, ou seja, 169 milhões de placas
diferentes a mais do que anteriormente.

Exercícios Exercício 1.
Numa sala há 4 homens e 3 mulheres. De quantos modos é possível selecio-
nar um casal homem-mulher?

Exercício 2.
a) Quantos números naturais de 2 algarismos distintos existem?
b) Quantos destes números são divisíveis por 5?

Exercício 3.
Quantas palavras contendo 3 letras diferentes podem ser formadas com um
alfabeto de 26 letras?

Exercício 4.
Quantos são os gabaritos possíveis para um teste de 10 questões de múltipla
escolha, com 5 alternativas por questão?

Exercício 5.
Com todos os números de 01 a 50, quantas escolhas de 6 números distintos
podemos fazer?
Exercício 6. A U L A
De quantas maneiras você pode ir da cidade X para a cidade Y?

48

Exercício 7.
O código morse usa “palavras” contendo de 1 a 4 “letras”, representadas por
ponto e traço. Quantas “palavras” existem no código morse?

Exercício 8.
O segredo de um cofre é formado por uma seqüência de 4 números de 2
dígitos (de 00 a 99). Uma pessoa decide tentar abrir o cofre sem saber a
formação do segredo (por exemplo: 15 - 26 - 00 - 52). Se essa pessoa levar 1
segundo para experimentar cada combinação possível, trabalhando
ininterruptamente e anotando cada tentativa já feita para não repeti-la, qual
será o tempo máximo que poderá levar para abrir o cofre?

Exercício 9.
No Exemplo 6 vimos que existem 175.760.000 placas diferentes de três letras
e quatros algarismos. José Carlos Medeiros gostaria de que a placa de seu
automóvel tivesse as iniciais do seu nome. Quantas placas existem com as
letras JCM?
A UA UL L AA

49
49
As permutações

Introdução N esta aula você estudará um tipo muito co-


mum de problemas de contagem, que está relacionado com as várias formas de
organizar ou arrumar os elementos de um conjunto.
Organizar tais elementos é uma atividade cotidiana que inclui várias
possibilidades, sendo que cada pessoa adota uma estratégia. No entanto,
muitas vezes precisamos saber de quantas maneiras podemos arrumar um
conjunto de elementos ou simplesmente saciar a curiosidade sobre o número
total de possibilidades.

Consultando um dicionário encontramos:

PERMUTAR ® dar mutuamente, trocar.

PERMUTAÇÃO ® 1) ato ou efeito de permutar, troca, substituição;


2) transposição dos elementos de um todo para se
obter uma nova combinação;
3) seqüência ordenada dos elementos de um conjunto.

Nossa aula EXEMPLO 1

No protocolo de uma repartição há um arquivo de mesa como o da figura


abaixo. Cada funcionário do setor gosta de arrumar estas caixas em uma ordem
diferente (por exemplo: entrada-pendências-saída, pendências-saída-entrada
etc.). De quantas maneiras é possível ordenar estas caixas?

SAÍDA

PENDÊNCIAS

ENTRADA
Solução: A U L A

Como temos 3 caixas - saída (S), pendências (P) e entrada (E) - vamos
escolher uma delas para ficar embaixo. Escolhida a caixa inferior, sobram 2 49
escolhas para a caixa que ficará no meio e a que sobrar ficará sobre as outras.

Então, usando o princípio multiplicativo temos

3 · 2 · 1 = 6 opções

S S E E P P
Assim, as soluções são: P E S P E S
E P P S S E

EXEMPLO 2

De quantas maneiras podemos arrumar 5 pessoas em fila indiana?

Solução:

Para facilitar, vamos imaginar que as pessoas são P1, P2, P3, P4, P5, P6
e que precisamos arrumá-las nesta fila:

Deste modo, podemos ter soluções como:

P1 P3 P5 P2 P4

P5 P2 P1 P3 P4 etc.

Ao escolher uma pessoa para ocupar a primeira posição na fila temos cinco
pessoas à disposição, ou seja, 5 opções; para o 2º lugar , como uma pessoa já foi
escolhida, temos 4 opções; para o 3º lugar sobram três pessoas a serem escolhidas;
para o 4º lugar duas pessoas, e para o último lugar na fila sobra apenas a pessoa
ainda não escolhida.

Pelo princípio multiplicativo temos:

5 · 4 · 3 · 2 · 1 = 120 opções

Permutação

Dado um conjunto formado por n elementos, chama-se permutação desses


n elementos qualquer seqüência de n elementos na qual apareçam todos os
elementos do conjunto.
A U L A Os Exemplos 1 e 2 são demonstrações de permutações feitas com 3 caixas e
5 pessoas. No Exemplo 2, como na maioria dos casos, não descrevemos ou

49 enumeramos todas as permutações que podemos encontrar, pois apenas calcu-


lamos o número de permutações que poderíamos fazer.

Cálculo do número de permutações

O número de modos de ordenar n objetos distintos é:

n · (n - 1) · (n - 2) ... 1

EXEMPLO 3

Quantos números diferentes de 4 algarismos podemos formar usando ape-


nas os algarismos 1, 3, 5 e 7?

Solução:

Como são 4 algarismos diferentes, que serão permutados em 4 posições, a


solução é:

4 · 3 · 2 · 1 = 24 números diferentes

Um novo símbolo

Uma multiplicação do tipo n · (n - 1) · (n - 2) ... 1 é chamada fatorial do


número n e representada por n ! (lemos n fatorial).

n! = n · (n - 1) · (n - 2) ... 1

Veja os exemplos:

a) 5! = 5 · 4 · 3 · 2 · 1 = 120
b) 4! = 4 · 3 · 2 · 1 = 24
c) 5! · 4! = (5 · 4 · 3 · 2 · 1) (4 · 3 · 2 · 1) = 120 · 24 = 2880
d) 8! = 8 · 7!
5! 5 · 4 · 3 · 2 ·1
e) = = 5 · 4 = 20
3! 3 · 2 · 1

12! 12! 1
f) = =
13! 13! · 12! 13

g)
αn + 1φ! = αn + 1φ! = n + 1
n! n!
EXEMPLO 4 A U L A

Quantos são os anagramas da palavra MARTELO?


49
Você sabe o que é um anagrama ?
Anagrama é uma palavra formada pela transposição (troca) de letras de
outra palavra. Existem também anagramas de frases, nos quais se trocam
as palavras, formando-se outra frase.

Solução:

Cada anagrama da palavra MARTELO é uma ordenação das letras M, A, R,


T, E, L, O. Assim, o número de anagramas é o número de permutações possíveis
com essas letras, ou seja:

7! = 7 · 6 · 5 · 4 · 3 · 2 · 1 = 5040

EXEMPLO 5

Quantos anagramas que comecem e terminem por consoantes podemos


formar a partir da palavra MARTELO?

Solução:

A consoante inicial pode ser escolhida de 4 maneiras e a consoante final de


3 maneiras. As 5 letras restantes serão permutadas entre as duas consoantes já
escolhidas. Portanto, a resposta é 4 · 3 · 5! = 1440 anagramas

EXEMPLO 6

Um grupo de 5 pessoas decide viajar de carro, mas apenas 2 sabem dirigir. De


quantas maneiras é possível dispor as 5 pessoas durante a viagem?

Solução:

O banco do motorista pode ser ocupado por uma das 2 pessoas que sabem
guiar o carro e as outras 4 podem ser permutadas pelos 4 lugares restantes, logo:

2 · 4! = 2 · 24 = 48 maneiras

Nos Exemplos 6 e 7 vemos que em alguns problemas (que envolvem


permutações dos elementos de um conjunto) podem existir restrições que devem
ser levadas em conta na resolução.
Portanto, fique sempre muito atento ao enunciado da questão, procurando
compreendê-lo completamente antes de buscar a solução.
A U L A EXEMPLO 7

49 Num encontro entre presidentes de países da América do Sul, apenas 7


confirmaram presença.
Os organizadores dos eventos que ocorrerão durante a visita gostariam de
permutar os presidentes possibilitando vários contatos diferentes.

a) De quantas maneiras podemos permutar os presidentes em 7 cadeiras


lado a lado?

b) Se 2 dos presidentes devem se sentar lado a lado, quantas são as


possibilidades de organizá-los?

c) Se tivéssemos 2 presidentes que não devem ficar juntos, quantas


seriam as possibilidades de organizá-los?

Solução:

a) O total de permutações possíveis dos 7 presidentes por 7 cadeiras é


7! = 5040.

b) Observe que, agora, queremos contar apenas o número de permutações


nas quais os presidentes A e B aparecem juntos, como, por exemplo:

ABCDEFG
BACGDFE
GABDCEF etc.

Então, é preciso contar quantos são os casos em que A e B estariam juntos.

Eles estariam juntos na 1ª e na 2ª cadeiras, na 2ª e na 3ª, 3ª e 4ª, 4ª e 5ª, 5ª


e 6ª ou 6ª e 7ª. Podemos verificar que são 6 posições e que para cada uma delas
poderíamos ter A e B ou B e A (2 possibilidades: 6 · 2 = 12). Além disso,
devemos contar várias vezes no total de permutações cada uma dessas 12
possibilidades, como, por exemplo, EFGCDAB, FEGCDAB, DEFGAB etc.
Para sabermos quantas vezes A e B aparecem nas posições 6 e 7, respectiva-
mente, precisamos contar todas as permutações possíveis dos outros 5
presidentes nas 5 posições restantes.
Considerando todos estes casos, o número total de posições em que A e B
aparecem junto é

2 · 6 · 5! = 12 · 120 = 1440 posições

c) Neste caso, do total de permutações possíveis com os 7 presidentes (5040)


devemos retirar aquelas em que A e B aparecem juntos (1440). Portanto, a
resposta seria:

5040 - 1440 = 3600 possibilidades


Exercício 1. Exercícios
A U L A
Quantos anagramas podem ser formados com as letras da palavra AMOR?

49
Exercício 2.
a) Quantos números distintos de 6 algarismos podem ser formados com os
algarismos 1, 2, 3, 4, 5 e 6?

b) Quantos desses números são pares?

c) Quantos têm os algarismos 1 e 2 juntos?

d) Quantos são múltiplos de 5?

e) Quantos são os múltiplos de 5 com no mínimo 4 centenas de milhar?

Exercício 3.
a) Numa quadrilha de 10 casais, de quantas maneiras podemos organizar a
ordem de entrada?

b) De quantas maneiras poderíamos enfileirar os casais, se dois deles não


quisessem ficar juntos?

Exercício 4.
Quatro crianças viajam sempre no banco traseiro de um automóvel de 4
portas. As 3 maiores brigam pela janela, e a menor não deve viajar perto das
portas. Quantas são as arrumações possíveis das crianças?
A UA UL L AA

50
50
Continuando com
permutações

Introdução O título desta aula já indica que continuare-


mos o assunto da Aula 49, em que vimos vários exemplos de permutações
denominadas “permutações simples” e “permutações simples com restrições”.
Você deve ter notado que em todos aqueles exemplos permutamos objetos
distintos: 3 caixas diferentes, pessoas diferentes, números formados por algaris-
mos diferentes, anagramas da palavra MARTELO (que não têm letras repetidas)
etc. Como deveríamos proceder se quiséssemos saber o número de anagramas
possíveis com as letras da palavra MA A DEIRA A ou da palavra PRÓPRIO
PRÓPRIO?

Nossa aula Nesta aula você estudará permutações com objetos nem todos distintos.
Outro caso que será estudado é o que chamamos de permutação circular. Só
para você já ir pensando, no Exemplo dos 7 presidentes, eles sempre se
sentavam lado a lado. O que aconteceria se fôssemos arrumá-los numa mesa
redonda? Será que teríamos o mesmo número de permutações diferentes?
Além de acompanhar cuidadosamente os exemplos, você precisa resolver os
exercícios, discutir sua solução com outras pessoas e até inventar problemas.
Matemática se aprende fazendo!

Permutações com repetição

EXEMPLO 1

A palavra MA A DEIRA A possui sete letras, sendo duas letras A e cinco letras
distintas: M, D, E, I, R. Quantos anagramas podemos formar com essa palavra?

Solução:

O número de permutações de uma palavra com sete letras distintas (MAR-


TELO) é igual a 7! = 5040. Neste exemplo formaremos uma quantidade menor de
anagramas, pois são iguais aqueles em que uma letra A aparece na 2ª casa e a outra
letra A na 5ª casa (e vice-versa).
Para saber de quantas maneiras podemos arrumar as duas letras A, precisa-
mos de 2 posições. Para a primeira letra A teremos 7 posições disponíveis e para
a segunda letra A teremos 6 posições disponíveis (pois uma das 7 já foi ocupada).
6
Temos então, 7 · = 21 opções de escolha. A U L A
2
A divisão por 2 é necessária para não contarmos duas vezes posições que
formam o mesmo anagrama (como, por exemplo, escolher a 2ª e 5ª posições e 50
a 5ª e 2ª posições).
Agora vamos imaginar que as letras A já foram arrumadas e ocupam a
1ª e 2ª posições:

AA_____

Nas 5 posições restantes devemos permutar as outras 5 letras distintas, ou


seja, temos 5! = 120 possibilidades. Como as 2 letras A podem variar de 21
maneiras suas posições, temos como resposta:
7· 6
A DEIRA
· 5! = 21 · 120 = 2520 anagramas da palavra MA A
2

EXEMPLO 2

Uma urna contém 10 bolas: 6 pretas e 4 brancas. Quantas são as maneiras de


se retirar da urna, uma a uma, as 10 bolas?

Solução:

Vejamos primeiro algumas possibilidades de se retirar as bolas da urna, uma


a uma:

Nesse exemplo temos uma permutação de 10 elementos. Caso fossem todos


distintos, nossa resposta seria 10!
10!. No entanto, o número de permutações com
repetição de 6 bolas pretas e 4 bolas brancas será menor.

Se as bolas brancas (que são iguais) fossem numeradas de 1 a 4, as posições


seriam diferentes:

etc...
Note que para cada arrumação das bolas brancas temos 4! = 24 permutações
que são consideradas repetições, ou seja, que não fazem a menor diferença no
caso de as bolas serem todas iguais.
A U L A Da mesma forma, para cada posição em que as 6 bolas pretas aparecerem
não devemos contar as repetições ou as trocas entre as próprias bolas pretas. O

50 número de repetições é 6! = 720.


Concluímos, então, que as maneiras de se retirar uma a uma 6 bolas pretas e
4 bolas brancas, sem contar as repetições, é:

10! 3.628.800
= = 210
4! 6! 24.720

EXEMPLO 3

Quantos anagramas podemos formar com a palavra PRÓPRIO


PRÓPRIO?

Solução:

Este exemplo é parecido com o das bolas pretas e brancas. Mas observe que
aqui temos 7 letras a serem permutadas, sendo que as letras P, R e O aparecem 2
vezes cada uma e a letra I, apenas uma vez.
Como no caso anterior, teremos 2! repetições para cada arrumação possível
da letra P (o mesmo ocorrendo com as letras R e O). O número de permutações
sem repetição será, então:

7! ® número total de permutações de 7 letras.


2! 2! 2! ® produto das repetições possíveis com as letras P, R e O.

5040
= 630
2 · 2 · 2

Uma expressão geral para permutações


com objetos nem todos distintos

Havendo n elementos para permutar e dentre eles um elemento se repete p


vezes e outro elemento se repete q vezes, temos:

n!
p! q!

No exemplo anterior, você viu que podemos ter mais de 2 elementos que se
repetem. Neste caso, teremos no denominador da expressão o produto dos
fatoriais de todos os elementos que se repetem.
Simplificando fatoriais A U L A

Uma fração com fatoriais no numerador e no denominador pode ser facil-


mente simplificada. Observe os exemplos: 50
10! 10 · 9 · 8 · 7 · 6!
a) = = 10 · 9 · 8 · 7
6! 6!
5! 5! 1
b) = =
7! 7 · 6 · 5! 7 · 6

n! n· α
n - 1φ!
c)
αn - 1φ! =
αn - 1φ! = n
5! 5 · 4 · 3! 5 · 4
d) = = = 5 · 2
3! 2! 3! 2! 2 ·1

Permutações circulares

Permutações circulares são os casos de permutações em que dispomos


n elementos em n lugares em torno de um círculo. Veja um exemplo.

De quantos modos podemos formar uma roda com 5 crianças?

Para formar uma roda com 5 crianças, não basta escolher uma ordem para
elas. Vamos nomear as 5 crianças por A, B, C, D, E. Observe que as rodas abaixo,
por exemplo, são iguais:

Em cada uma dessas rodas, se seus elementos fossem arrumados em fila,


teríamos permutações diferentes; no entanto, dispostos de forma circular, não
dão origem a rodas diferentes; temos 5 rodas iguais, pois a posição de cada criança
em relação às outras é a mesma e a roda foi apenas “virada”.

Como não queremos contar rodas iguais, nosso resultado não é o número de
permutações com 5 elementos em 5 posições, ou seja, 5! = 120. Já que cada roda
pode ser “virada” de cinco maneiras, o número total de permutações, 120 rodas,
contou cada roda diferente 5 vezes e a resposta do problema é:
120
= 24
5
A U L A Uma expressão geral para permutações circulares

50 Nas permutações simples importam os lugares que os objetos ocupam e nas


permutações circulares importa a posição relativa entre os objetos, ou seja,
consideramos equivalentes as arrumações que possam coincidir por rotação.

Se temos n objetos, cada disposição equivalente por rotação pode ser obtida
de n maneiras. Confirme isso com os exemplos a seguir:

a) 3 elementos: A, B, C. Considere a roda ABC. As rodas BCA e CAB são


rodas equivalentes.

b) 8 elementos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8. Verifique que as 8 rodas abaixo são


equivalentes:

1-2-3-4-5-6-7-8
8-1-2-3-4-5-6-7
7-8-1-2-3-4-5-6
6-7-8-1-2-3-4-5
5-6-7-8-1-2-3-4
4-5-6-7-8-1-2-3
3-4-5-6-7-8-1-2
2-3-4-5-6-7-8-1

A expressão geral do número de permutações circulares será o número total


de permutações, n!, dividido pelas n vezes que cada roda equivalente foi
contada:

n· α
n - 1φ
= α
n - 1φ
n! !
= !
n n

EXEMPLO 4

Quantas rodas de ciranda podemos formar com 8 crianças?

Solução:
8!
Podemos formar = 7! = 5040 rodas diferentes
diferentes.
8
EXEMPLO 5 A U L A

Se no encontro dos 7 presidentes as reuniões fossem ocorrer ao redor de uma


mesa, de quantas maneiras poderíamos organizá-los? 50
Solução:
7!
= 6! = 720 posições circulares diferentes.
7

EXEMPLO 6

Neste mesmo exemplo, o que ocorreria se dois dos 7 presidentes não


devessem sentar juntos?

Solução:

Neste caso, poderíamos contar as permutações circulares dos outros 5


presidentes e depois encaixar os 2 que devem ficar separados nos espaços entre
os 5 já arrumados.

O número de permutações circulares com 5 elementos é 4! = 24, e entre eles


ficam formados 5 espaços. Veja a figura:

Se os presidentes F e G forem colocados em 2 destes 5 espaços, eles não ficarão


juntos. Temos então 5 opções para sentar o presidente F e 4 opções (uma foi
ocupada por F) para sentar o presidente G.

A resposta a este problema é 5 · 4 · 4! = 480

Exercício 1. Exercícios
E LE
Quantos são os anagramas da palavra TE E CURSO?

Exercício 2.
ELE
Quantos são os anagramas da palavra TELE ALA
ELESALA
ALA?

Exercício 3.
Quantos são os números de 7 algarismos, maiores que 6 000 000, que podemos
formar usando apenas os algarismos 1, 3, 6, 6, 6, 8, 8?
A U L A Exercício 4.
Numa prova de 10 questões, todos os alunos de uma classe tiveram nota 8

50 (acertaram 8 questões e erraram 2). O professor, desconfiado, resolveu


comparar todas as provas e ficou feliz ao verificar que em toda a classe não
havia duas provas iguais. Qual o número máximo de alunos que essa classe
pode ter?

Exercício 5.
De quantos modos 5 casais podem formar uma roda de ciranda?

Exercício 6.
De quantos modos 5 casais podem formar uma roda de ciranda, de maneira
que pessoas do mesmo sexo não fiquem juntas?

Exercício 7.
De quantos modos 5 casais podem formar uma roda de ciranda, de maneira
que cada homem permaneça ao lado de sua mulher?

Exercício 8.
De quantos modos 5 casais podem formar uma roda de ciranda, de maneira
que cada homem permaneça ao lado de sua mulher e que pessoas do mesmo
sexo não fiquem juntas?
AUU
A L AL A

51
51
As combinações

A té agora você estudou problemas de análise


combinatória que envolviam o princípio multiplicativo e as permutações.
Introdução

Se observar os problemas de permutações apresentados nas Aulas 49 e 50,


verá que possuem duas características em comum:

l todos os objetos são usados na hora de formar o agrupamento;


l a ordem em que os objetos são arrumados no agrupamento faz diferença.

Nos problemas que envolviam anagramas com as letras de uma palavra,


por exemplo, todas as letras da palavra original tinham de ser usadas, e a ordem
em que arrumávamos as letras era importante, pois cada ordem diferente
fornecia um novo anagrama.
Agora, você estudará um tipo diferente de problema em que:

l não utilizamos todos os objetos;


l a ordem em que os objetos são arrumados “não faz diferença”.

Vamos começar compreendendo e resolvendo um problema.

EXEMPLO 1 Nossa aula


Em uma obra havia três vagas para pedreiro. Cinco candidatos se apresen-
taram para preencher as vagas. De quantas formas o encarregado da obra pode
escolher os três de que ele precisa?

Solução:

Note que ele não vai usar todos os candidatos, de 5 escolherá apenas 3.

Além disso, a ordem em que ele vai escolhê-los não faz diferença (se
escolher primeiro João, depois José e por último Pedro, ou primeiro José, depois
Pedro e por último João, o grupo escolhido será o mesmo).
A U L A Assim, você já deve ter notado que este não é um problema de permutações.
Se a ordem de escolha dos candidatos importasse, poderíamos usar o

51 princípio multiplicativo. Nesse caso, teríamos 5 candidatos para a primeira


vaga, 4 candidatos para a segunda e 3 candidatos para a última. A solução seria:
5 · 4 · 3 = 60. Portanto, haveria 60 formas de escolher os três novos pedreiros.
Usando o princípio multiplicativo, no entanto, contamos várias vezes o
mesmo grupo de três candidatos:

João José Pedro


João Pedro José
Pedro João José
Pedro José João
José Pedro João
José João Pedro

Estes seis grupos são iguais e foram contados como agrupamentos diferentes
nas 60 formas de escolher que encontramos. Para “retirar” as repetições destes e
de outros grupos, vamos dividir o resultado pelo número de vezes que eles se
repetem na contagem. Que número é esse?
Os grupos repetidos são as formas de “embaralhar” três candidatos escolhi-
dos. Ora “embaralhar” três objetos é fazer permutações! O número de permuta-
ções de 3 objetos você já sabe que é 3! = 6. Logo, basta dividir 60 por 6 para não
contarmos as repetições dentro de cada grupo formado. Isso significa que há
10 maneiras de escolher os três novos pedreiros, entre os 5 candidatos.

Uma fórmula para o cálculo das combinações

Esse tipo de agrupamento chama-se combinação. No caso do nosso


exemplo, temos uma combinação de 5 objetos (os 5 candidatos) 3 a 3 (apenas
3 serão escolhidos).
Vamos supor que temos n objetos disponíveis para escolha e que, destes,
vamos escolher p objetos (p < n). O número de maneiras de se fazer essa escolha
chama-se combinação e representa-se por Cpn . Portanto, o número de combina-
ções de n elementos p a p é calculado por:

n!
Cpn =
(n p)! p!

Em nosso exemplo, temos n = 5 e p = 3. Aplicando a fórmula, obtemos:

5! 5!
C35 = = =
(5 3)! 3! 2! 3!

Vamos resolver mais alguns problemas nos próximos exemplos. Leia com
atenção o enunciado, interprete-o e tente resolver cada exemplo sozinho. Só
depois disso leia a solução.
Assim você poderá verificar se realmente compreende o problema e sua
solução.
EXEMPLO 2 A U L A

Em um hospital há apenas 5 leitos disponíveis na emergência. Dez acidenta-


dos de um ônibus chegam e é preciso escolher 5 para ocupar os leitos. Os outros 51
ficariam em macas, no corredor do hospital. De quantas formas poderíamos
escolher 5 pessoas que ficariam nos leitos?

Solução:

Na realidade, os responsáveis pela emergência estudariam cada caso e


escolheriam os mais graves, mas imagine que todos tenham a mesma gravidade.
Nesse caso, há duas coisas a observar: de 10 pessoas, 5 serão escolhidas e a ordem
em que a escolha é feita não importa. Trata-se, então, de uma combinação onde:

n = 10 (número de “objetos” disponíveis)


p = 5 (número de “objetos” a serem escolhidos)

Usando a fórmula, temos:

10! 10!
C10
5
= =
(10 5)! 5! 5! 5!

2 3 2
\ ·\
10 9 ·\
8 · 7 · 6
= 3 · 2
\5 · \
4 ·\
3 · 2 ·1

Logo, há 252 formas de escolher as 5 pessoas que irão ocupar os 5 leitos.

EXEMPLO 3

Uma pequena empresa quer formar um time de futebol e 15 funcionários se


inscreveram, dizendo que aceitam jogar em qualquer posição. De quantas formas
é possível escolher os 11 jogadores do time?

Solução:

De 15 operários, 11 serão escolhidos e a ordem de escolha não importa, pois


queremos escolher apenas os jogadores sem determinar as posições em campo.
Temos, então, as características de uma combinação de 15 pessoas (n = 15)
para formar grupos de 11 (p = 11).

Usando a fórmula:

15! 15 ·
C11
15 = =
(15 11)! 11!

= 15 · 7 · 13 = 1365

Assim, os jogadores podem ser escolhidos de 1 365 formas diferentes.


A U L A EXEMPLO 4

51 Os 15 funcionários da empresa decidem escolher uma comissão de 3 membros


para reivindicar apoio financeiro da diretoria ao novo time de futebol. Beto começou
a pensar em todas as comissões possíveis em que ele pudesse ser um dos membros,
e nas quais Edu não estivesse. Em quantas comissões Beto poderia pensar?

Solução:

Como Edu não pode participar de nenhuma das comissões pensadas por
Beto, podemos retirá-lo do problema. Temos, então, 14 funcionários para formar
comissões de 3.
Como um dos membros sempre é o Beto, precisamos descobrir os outros dois
membros que devem ser escolhidos dentre 13 pessoas (Beto já foi “escolhido”).

Assim, concluímos que o número máximo de comissões diferentes que Beto


poderia pensar é:

13! 13!
C13
2 = =
(13 2)! 2! 11! 2!

EXEMPLO 5

De quantos modos podemos formar 2 times de vôlei com 12 moças?

Solução:

Como cada um dos times deve ter 6 jogadoras, o primeiro pode ser escolhido
de C12
6 modos. Escolhido esse time, sobram exatamente 6 moças para formar o

segundo. A resposta, então, parece ser C12


6
· 1. No entanto, contamos cada time
duas vezes. Observe, por exemplo, que as formações abaixo são idênticas:

a, b, c, d, e, f e g, h, i, j, l, m

ou

g, h, i, j, l, m e a, b, c, d, e, f

A resposta correta é:

C12
6
· 1 1 12!
= = 462
2 2 6! 6!

Assim, temos então 462 modos de formar os 2 times.


Exercício 1. Exercícios
A U L A
O chefe da seção de laticínios de um supermercado quer arrumar 6 marcas
diferentes de ervilha em lata em duas prateleiras. Três delas ficarão na
primeira prateleira e as outras três na segunda. De quantas formas ele pode 51
escolher as marcas que ficarão em cada prateleira?

Exercício 2.
Uma quituteira faz 10 tipos diferentes de docinhos e 15 qualidades de salgadi-
nhos. Para organizar uma festa, Lúcia vai escolher 10 tipos de salgadinhos e 6
tipos de docinhos diferentes. De quantas formas ela pode escolhê-los?

Exercício 3.
Entre os 12 acionistas de uma empresa, serão escolhidos 1 para presidente,
1 para vice-presidente e 2 tesoureiros. Sabendo que há 4 candidatos para os
cargos de presidente e vice-presidente, e 5 candidatos a tesoureiros, respon-
da: de quantas formas os cargos poderão ser preenchidos?

Exercício 4.
Uma emissora de TV tem 15 comerciais para serem igualmente distribuídos
nos 5 intervalos de um filme. Se em cada intervalo forem exibidos 3 comer-
ciais diferentes, de quantas formas pode-se escolher os comerciais que serão
passados em cada intervalo?

Exercício 5.
Dezesseis policiais vão sair em duplas para fazer a ronda em vários pontos
de um bairro de uma grande cidade.

a) De quantas formas as duplas poderão ser organizadas?

b) Se, dos 16 policiais, 4 são policiais femininas e não podemos fazer uma
dupla com duas mulheres, de quantas formas poderemos formar as
duplas?
A UA UL L AA

52
52
Revisão de
combinatória

Introdução N esta aula, vamos “misturar” os vários con-


ceitos aprendidos em análise combinatória
combinatória. Desde o princípio multiplicativo
até os vários tipos de permutações e combinações.
Isso servirá para que você adquira segurança na interpretação e resolução de
problemas. Novamente, propomos que você tente resolver cada exemplo e só
depois confira sua solução com a nossa.

Nossa aula EXEMPLO 1

Uma diarista tem 10 casas para trabalhar, mas todas as donas-de-casa


querem que ela trabalhe uma vez por semana. Sabendo que domingo é seu dia
livre e que só em duas casas ela pode trabalhar no sábado, calcule de quantas
formas a diarista pode organizar sua semana.

Solução:

Este é um problema em que a ordem faz diferença, mas não podemos usar
todos os objetos (das 10 casas só podemos escolher 6). Assim, aplicamos o
princípio multiplicativo para resolvê-lo.

No sábado escolhemos 1 entre 2 casas.

De segunda à sexta, temos: 8 · 7 · 6 · 5 · 4 = 6 720

Assim, as formas de organizar a semana são: 6 720 · 2 = 13 440 formas

EXEMPLO 2

Uma bibliotecária recebeu uma doação de 3 livros diferentes de Matemática,


4 livros diferentes de Química e 3 livros diferentes de Física. De quantas formas
ela poderá arrumá-los em uma prateleira de livros novos?
Solução: A U L A

Neste problema, usamos todos os objetos (os 10 livros) e a ordem de


arrumação faz diferença. Logo, trata-se de uma permutação de 10 objetos. 52
10! = 3 628 800
Há 3 628 800 maneiras de arrumar os livros na prateleira.

EXEMPLO 3

No exemplo anterior, a bibliotecária levou a maior bronca, pois deveria ter


deixado junto os livros de mesma matéria! E agora, de quantas formas poderá
arrumá-los?

Solução:

Os três livros de Matemática podem ser arrumados de 3! = 6 maneiras. Os


quatros de Física de 4! = 24 maneiras e os de Química de 3! = 6 maneiras.
Além disso, podemos variar a ordem de arrumação das matérias:
Química, Física, Matemática ou
Física, Química, Matemática ou
Matemática, Física, Química etc.

Como podemos variar a ordem das matérias de 3! = 6 formas diferentes,


poderemos arrumar os livros de
6 · 24 · 6 · 6 = 5 184 maneiras
â â â â
Matem. Física Química Ordem das
matérias

EXEMPLO 4

Imagine que, além da exigência do problema anterior (que os livros de cada


matéria fiquem juntos), haja dois livros de Física iguais e dois livros de Matemá-
tica também iguais. Quantas formas diferentes existem de arrumar os livros na
prateleira?

Solução:

Se há dois livros de Física e dois de Matemática iguais, temos permutações


com repetição para os livros dessas matérias.
Observando a solução do Exemplo 3, temos:
6 24 6 24
· · 6 · 6 = · · 36 = 1296
2! 2! 2 2
â â â â
Matem. Física Química Ordem

Portanto, há 1296 formas de arrumar os livros.


A U L A EXEMPLO 5

52 Dos 12 jogadores levados para uma partida de vôlei, apenas 6 entrarão em


quadra no início do jogo. Sabendo que 2 são levantadores e 10 são atacantes, como
escolher 1 levantador e 5 atacantes?

Solução:
Dos 2 levantadores escolheremos 1, e dos 10 atacantes apenas 5 serão
escolhidos. Como a ordem não faz diferença, temos:
2! 2! 2· 1
C12 =
α2 - 1φ!1! 1!1! = 1· 1 = 2
= escolhas do levantador

5 10! 10! 10· 9· 8· 7· 6


C10 =
α10 - 5φ!5! 5!5! = 5· 4· 3· 2· 1 = 252 escolhas dos 5 atacantes
=

Logo, teremos 2 · 252 = 504 formas de escolher o time.

EXEMPLO 6

Durante o jogo, 2 atacantes e o levantador foram substituídos. De quantas


formas isso poderia ser feito?

Solução:
Dos jogadores que não estavam na quadra, 1 era levantador e 5 eram
atacantes. Assim, só há uma forma de substituir o levantador e C25 formas de
substituir os dois atacantes. Logo, as substituições poderiam ter sido feitas de:
5! 5! 5· 4· 3!
1· C25 = 1·
α5 - 2φ!2! 3!2! 3!· 2! = 10
= 1· = formas diferentes.

EXEMPLO 7

Ainda na partida de vôlei, depois de escolhido o time que entrará em


campo, é preciso decidir sua posição na quadra. Esse posicionamento é mantido
durante todo o “set”, havendo apenas uma rotação do time à cada “vantagem”
conseguida. De quantas formas o técnico pode arrumar os 6 jogadores escolhi-
dos na quadra?

3 4
2 5
1
6
Solução:
Como se trata do número de permutações circulares de 6 elementos, temos:
6!
= 5! = 120
6
EXEMPLO 8 A U L A

Quantas seriam as opções, se contássemos todos os times com todas as


posições possíveis na quadra? 52
Solução:
No Exemplo 5 teríamos 504 formas de escolher o time. Como cada time pode
ser arrumado na quadra de 120 maneiras, a resposta é 504 · 120 = 60 480 opções
opções.

EXEMPLO 9

Seis homens e três mulheres inscreveram-se para trabalhar com menores


carentes num projeto da prefeitura local, mas serão escolhidos apenas 5 partici-
pantes. De quantas formas podemos escolher a equipe de modo que haja pelo
menos uma mulher?

Solução:
Há duas formas de resolver este problema:
Primeira. Como tem de haver pelo menos uma mulher no grupo, podemos
ter 1, 2 ou 3 mulheres. Portanto, as maneiras de escolhê-las são:
C33 Þ três mulheres
C23 Þ duas mulheres
C13 Þ uma mulher

Quando houver três mulheres no grupo, poderemos escolher apenas dois


homens; se houver duas mulheres, escolheremos três homens e quando houver
apenas uma mulher, serão escolhidos quatro homens. Então, o número de
grupos será:
C33 · C62 + C23 · C63 + C13 · C64
â â â â â â
3 mulheres 2 homens 2 mulheres 3 homens 1 mulher 4 homens

Observe que somamos os números de cada alternativa porque devemos


optar por uma ou outra. Isto significa que um grupo pode ter:
3 mulheres e 2 homens ou
2 mulheres e 3 homens ou
1 mulher e 4 homens

Calculando, obtemos:
C33 · C62 + C23 · C63 + C13 · C64 =

3! 6! 3! 6! 3! 6!
= · + · + · =
3! 4!2! 1!2! 3!3! 2!1! 4!
= 15 + 60 + 45 = 120

Logo, há 120 grupos de 5 pessoas com pelo menos uma mulher.


A U L A Segunda. Depois de calcularmos o número total de combinações de 5 pessoas
que podemos formar com 6 homens e 3 mulheres (9 pessoas), calcularemos o

52 número de grupos onde não há nenhuma mulhermulher. Subtraindo o segundo do


primeiro (total de combinações) encontraremos a quantidade de grupos onde há
pelo menos uma mulher:

6! 9· 8· 7 · 6
C95 = = = 126
4!5! 4· 3· 2· 1

Grupos onde não há mulher:

6!
C95 = =6
1!5!

( C65 = 6 homens combinados 5 a 5)

Logo, o número de grupos onde há pelo menos uma mulher será:


126 - 6 = 120

Este resultado já havia sido obtido pelo outro método de resolução. Assim
como este, muitos outros problemas de análise combinatória podem ser resolvi-
dos de mais de uma maneira. O importante é interpretá-los corretamente, de
acordo com o enunciado.

Exercícios Exercício 1
Tenho 15 pares de meias das quais 5 são brancas, 4 são pretas e as demais são
coloridas e diferentes umas das outras. Fiz um “rolinho” com cada par e
quero enfileirá-los em minha gaveta. De quantas formas posso fazê-lo,
deixando juntas as meias brancas, pretas e coloridas?

Exercício 2
Em um certo jogo de bilhar existem 6 bolas vermelhas idênticas e mais 9
bolas coloridas. Sabendo que as bolas são arrumadas na mesa com a ajuda
de um triângulo de madeira, responda: de quantas formas elas podem ser
arrumadas?
Exercício 3 A U L A
Um grupo de 8 pessoas se hospedará em um hotel. De quantas formas elas
poderão se arrumar, sendo 3 no quarto 2A, 3 no quarto 2B e 2 no quarto 2C?
52
Exercício 4
Um jardineiro tem 8 tipos diferentes de flores para plantar em 8 canteiros
dispostos em círculo ao redor de um chafariz. De quantas formas ele pode
compor os canteiros?

Exercício 5
De quantas formas podemos preencher um cartão de loteria esportiva
(com 13 jogos) fazendo apenas jogos simples (isto é, uma alternativa em cada
jogo: coluna 1, coluna 2 ou coluna do meio)?

Exercício 6
Em uma empresa, o diretor de um departamento tem de escolher uma equipe
para participar de um curso no exterior. Seus subordinados são 10: 5 homens
e 5 mulheres. Mas a equipe será de apenas 4 pessoas e pelo menos uma terá
de ser homem. Quantas possibilidades há para a escolha da equipe?
A UA UL L AA

53
53
O conceito de
probabilidade

Introdução N esta aula daremos início ao estudo da


probabilidades. Quando usamos probabilidades?
probabilidades
Ouvimos falar desse assunto em situações como: a probabilidade de ser
sorteado, de acertar numa aposta, de um candidato vencer uma eleição, de
acertar o resultado de um jogo etc. Portanto, usamos probabilidades em situações
em que dois ou mais resultados diferentes podem ocorrer e não é possível saber,
prever, qual deles realmente vai ocorrer em cada situação.
Ao lançarmos para o alto uma moeda e quisermos saber se o resultado é
cara ou coroa, não podemos prever o resultado mas podemos calcular as
chances de ocorrência de cada um. Este cálculo é a probabilidade de ocorrência
de um resultado.
Por meio dos exemplos desta aula, você aprenderá o cálculo de probabilidades.

Nossa aula EXEMPLO 1

Qual a chance de dar cara no lançamento de uma moeda?

cara coroa
Solução:
Raciocinando matematicamente, os resultados cara e coroa têm as mesmas
chances de ocorrer. Como são duas possibilidades (cara ou coroa) podemos dizer
que as chances de dar cara é de 1 para 2. Isto é o mesmo que dizer que a
probabilidade de o resultado ser cara é 12 ou 0,5 ou 50%.
Neste exemplo calculamos intuitivamente a probabilidade de o resultado
ser cara e você deve ter percebido que a probabilidade de dar coroa é a
mesma, 50%.
No entanto, quando dizemos que a probabilidade é 21 ou 50% isso não
significa que a cada 2 lançamentos um vai ser cara e o outro vai ser coroa. O fato
de a probabilidade ser 21 ou 50% quer dizer apenas que as chances são iguais e
que, se fizermos muitos lançamentos, é provável que aproximadamente metade
deles dê cara como resultado.
EXEMPLO 2 A U L A

O chefe de uma seção com 5 funcionários deu a eles 1 ingresso da final de


um campeonato para que fosse sorteado. Após escreverem seus nomes em 53
papéis idênticos, colocaram tudo num saco para fazer o sorteio. Qual a chance
que cada um tem de ser sorteado?

Solução:
Os 5 funcionários têm todos a mesma chance de serem sorteados. No caso de
Paulo, por exemplo, as chances de ser sorteado são de 1 para 5, ou 15 . Então,
podemos dizer que a chance, ou a probabilidade, de cada um deles ser sorteado
é de 51 , ou 0,2, ou ainda 20%.

EXEMPLO 3

No lançamento de um dado, qual a probabilidade de o resultado ser um


número par?

Solução:
Para que o resultado seja par devemos conseguir:

Assim, temos 3 resultados favoráveis (2, 4 ou 6) em um total de 6 resultados


possíveis (1, 2, 3, 4, 5, 6).
As chances de dar um resultado par são 3 num total de 6. Então, podemos
dizer que a probabilidade de isso acontecer é 63 ou 21 .

Generalizando essa solução:

nº de resultados favoráveis a E 3 1
P (par) = = = = 50%
nº total de resultados possíveis 6 2

Onde P (par) significa probabilidade de o resultado ser par .

Nos três exemplos que acabamos de ver há dois ou mais resultados possí-
veis, todos com a mesma chance de ocorrer. A probabilidade de ocorrer um
desses resultados ou um conjunto de resultados que satisfaçam uma condição ou
exigência E, é representado por p (E) e calculado por:

nº de resultados favoráveis a E
p (E) =
nº total de resultados possíveis
A U L A EXEMPLO 4

53 No Exemplo 2 da Aula 48 vimos que, num restaurante que prepara 4 pratos


quentes, 2 saladas e 3 sobremesas diferentes, existem 24 maneiras diferentes de
um freguês se servir de um prato quente, uma salada e uma sobremesa.
No Exemplo 3 daquela aula descobrimos que havia, dentre os 24 cardápios
possíveis, 6 cardápios econômicos. Qual a probabilidade de um freguês
desavisado escolher uma das opções mais caras?

Solução:

Já sabemos que a probabilidade de escolher os mais caros será:


nº de cardápios maiscaros
p(mais caro) =
nº de cardápios possíveis

Se temos 6 opções econômicas num total de 24, temos 24 - 6 = 18 opções mais


caras. Como o número de cardápios possíveis é 24, então:
18 3
p(mais caro) = = = 0,75 = 75%
24 4

As chances de esse freguês escolher um dos cardápios mais caros é de 75%


75%.

EXEMPLO 5

Numa urna estão 10 bolas de mesmo tamanho e de mesmo material, sendo


8 pretas e 2 brancas. Pegando-se uma bola qualquer dessa urna, qual a probabi-
lidade de ela ser branca?

Solução:
nºde bolas brancas 2 1
p(branca) = = = = 20%
nºtotal de bolas 10 5

EXEMPLO 6

De um baralho normal de 52 cartas e mais 2 coringas retiramos uma das


cartas ao acaso. Qual a probabilidade de:
a) ser um ás?
b) ser um coringa, em jogos que também consideram o 2 como coringa?

Solução:

O número total de cartas é 54 sendo que há 13 cartas (ás, 2 a 10, valete, dama,
rei) de cada um dos 4 naipes (copas, ouro, paus e espadas) e 2 coringas.
nºde ases existentes 4
a) p (ás) = = = 0,07 = 7%
nºtotal de cartas 54
b) Como as 4 cartas com nº 2 também são consideradas coringas, a probabi- A U L A
lidade de tirar um coringa será:

p(coringa) =
n º de coringas
=
6
n º total de cartas 54
= 0,11 = 11% 53
EXEMPLO 7

No Exemplo 9 da Aula 52, vimos que, com 6 homens e 3 mulheres, podemos


formar C95 = 126 grupos de 5 pessoas e C65 = 6 grupos de 5 pessoas nos quais só
escolhemos homens. Supondo que as chances de cada um dos grupos é a mesma,
qual a probabilidade de escolher:
a) um grupo onde não há mulheres;
b) um grupo onde haja pelo menos uma mulher.

Solução:
6
a) p (não mulher) = @ 0,05 = 5%
126
120
b) p (pelo menos 1 mulher) = @ 0,95 = 95%
126

Os valores possíveis para as probabilidades

No Exemplo 7 os grupos contados em a) e em b) completam todos os grupos


6
possíveis (6 + 120 = 126). Portanto as possibilidades somadas darão 126 + 120 126
126 = 126
ou 100% (5% + 95%).

Já sabemos que:

nº de resultados favoráveis a E m
p (E) = =
nº total de resultados possíveis n

A quantidade m será escolhida dentre as n existentes, por isso m deverá ser


menor ou igual a n (m £ n) e a fração mn será menor ou igual a 1: p (E) £ 1.

Caso a condição E exigida não possa ser cumprida, ou seja, se não houver
nenhum resultado favorável a E, o número m será zero e p (E) = mn = 0
m
Percebemos ainda que a fração n será sempre positiva pois m e n são
números naturais.

Assim, podemos concluir que:

m
0£ £1 ou 0 £ p (E) £ 1
n
A U L A EXEMPLO 8

53 Com os algarismos 1, 3 e 5 formamos todos os números de 3 algarismos


possíveis. Dentre eles escolhemos um número, ao acaso.
a) Qual a probabilidade de escolher um número que seja múltiplo de 3?
b) Qual a probabilidade de o número escolhido ser par?

Solução:

O total de números formados por 3 algarismos é igual ao número de permu-


tações possíveis com os algarismos 1, 3 e 5 em três posições, ou seja, 3! = 6.

a) Como a soma dos algarismos 1 + 3 + 5 é igual a 9, que é um múltiplo de


3, qualquer um dos números formados será múltiplo de 3. Assim, a
probabilidade de isso ocorrer será:
6
P (múltiplo de 3) = =1
6

b) Como qualquer dos algarismos 1, 3 e 5 colocados no final do número


formado gera um número ímpar, não formaremos nenhum número par.
Assim, como a quantidade de casos favoráveis é zero, temos:
0
p (par) = =0
6

Um pouco Os primeiros estudos envolvendo probabilidades foram motivados pela


de história análise de jogos de azar. Sabe-se que um dos primeiros matemáticos que se
ocupou com o cálculo das probabilidades foi Cardano (1501-1576). Data
dessa época a expressão que utilizamos até hoje para o cálculo da probabili-
dade de um evento (número de casos favoráveis dividido pelo número de
casos possíveis).
Com Fermat (1601-1665) e Pascal (1623-1662), a teoria das probabilidades
começou a evoluir e ganhar mais consistência, passando a ser utilizada em
outros aspectos da vida social, como, por exemplo, auxiliando na descoberta da
vacina contra a varíola no século XVIII.
Atualmente, a teoria das probabilidades é muito utilizada em outros
ramos da Matemática (como o Cálculo e a Estatística), da Biologia (especial-
mente nos estudos da Genética), da Física (como na Física Nuclear), da
Economia, da Sociologia etc.
Exercício 1 Exercícios
A U L A
De um baralho de 52 cartas é retirada uma carta ao acaso.

a) Qual a probabilidade de a carta retirada ser um rei? 53


b) Qual a probabilidade de a carta retirada ser uma figura (valete, dama
ou rei)?

Exercício 2
No lançamento de um dado, qual a probabilidade de o número obtido ser
menor ou igual a 4?

Exercício 3
No lançamento de dois dados, um verde e outro vermelho, qual é a proba-
bilidade de que a soma dos pontos obtidos seja:

a) 7

b) 1

c) maior que 12

d) um número par

Exercício 4
Na Aula 48 vimos que na SENA existem 11.441.304.000 maneiras de
escolher 6 números de 01 a 50. Se você apostar em 6 números, qual a
probabilidade de sua aposta ser a sorteada?

Exercício 5
O que acontece se você apostar em 5 números de 01 a 100? Qual a probabi-
lidade de você acertar a quina de números sorteada?

Exercício 6
Suponha que sejam iguais as chances de qualquer uma das placas novas
para automóveis (3 letras e 4 números) ser escolhida para o seu automóvel.
Qual a probabilidade de você receber uma placa com as iniciais de seu
nome em qualquer ordem?
A UA UL L AA

54
54
Calculando
probabilidades

Introdução
evento E é:
V ocê já aprendeu que a probabilidade de um

nº de resultados favoráveis
P(E) =
nº total de resultados possíveis

Nesta aula você aprenderá a calcular a probabilidade de ocorrência de um


evento e outro, bem como a ocorrência de um ou outro evento. Em muitas
situações a ocorrência de um fato qualquer depende da ocorrência de um outro
fato; nesse caso dizemos que são ocorrências dependentes. Em situações onde
não há essa dependência, precisamos calcular probabilidades de duas situações
ocorrerem ao mesmo tempo.
Para abordarmos situações como as que acabamos de descrever, utilizare-
mos vários exemplos durante esta aula. Leia-os com bastante atenção e procure
refazer as soluções apresentadas.

Nossa aula Cálculo da probabilidade de ocorrência de um evento e de outro

EXEMPLO 1

Num grupo de jovens estudantes a probabilidade de que um jovem,


escolhido ao acaso, tenha média acima de 7,0 é 15 . Nesse mesmo grupo, a
probabilidade de que um jovem saiba jogar futebol é 65 . Qual a probabilidade
de escolhermos um jovem (ao acaso) que tenha média maior que 7,0 e saiba
jogar futebol?

Solução:
O fato de ter média maior que 7,0 não depende do fato de saber jogar futebol,
e vice-versa. Quando isso ocorre, dizemos que os eventos são independentes.
Considere então os eventos:
A: ter média acima de 7,0.
B: saber jogar futebol.
A e B: ter média acima de 7,0 e saber jogar futebol.
Como queremos calcular P (A e B), pense o seguinte: de todos os jovens, 51 A U L A
têm média acima de 7,0 e 65 sabem jogar futebol. Ora, 65 de 51 , ou seja, 65 · 15 = 61 ,
sabem jogar futebol e têm média acima de 7,0. Portanto, P (A e B) = 16 .
Repare que para encontrarmos P (A e B) efetuamos P (A) · P (B). Então,
54
concluímos que, quando A e B são eventos independentes (não têm “nada a ver”
um com o outro):
P (A e B) = P (A) · P (B)

EXEMPLO 2

Dos 30 funcionários de uma empresa, 10 são canhotos e 25 vão de ônibus para


o trabalho. Escolhendo ao acaso um desses empregados, qual a probabilidade de
que ele seja canhoto e vá de ônibus para o trabalho?

Solução:
Considere os eventos:
A : ser canhoto
B : ir de ônibus para o trabalho

É claro que A e B são eventos independentes, portanto um não depende em


nada do outro. A probabilidade de os dois eventos (A e B) ocorrerem simulta-
neamente é calculada por P (A e B) = P (A) · P (B).

Calculando:
10 1
P (A) = =
30 3

25 5
P (B) = =
30 6

1 5 5
P (A e B) = P (A) · P (B) = · =
3 6 18

A probabilidade de que ele seja canhoto e vá de ônibus para o trabalho é de 185 .

EXEMPLO 3

Alguns atletas participam de um triathlon (prova formada por 3 etapas


consecutivas: natação, corrida e ciclismo). A probabilidade de que um atleta
escolhido ao acaso termine a primeira etapa (natação) é 74 . Para continuar na
competição com a segunda etapa (corrida) o atleta precisa ter terminado a
natação. Dos atletas que terminam a primeira etapa, a probabilidade de que
um deles, escolhido ao acaso, termine a segunda é 34 . Qual a probabilidade de
que um atleta que iniciou a prova, e seja escolhido ao acaso, termine a
primeira e a segunda etapas?
A U L A Solução:

54 A : terminar a 1ª etapa da prova (natação).


B : terminar a 2ª etapa da prova (corrida), tendo terminado a 1ª.

Note que A e B não são eventos independentes pois, para começar a 2ª etapa
é necessário, antes, terminar a 1ª.
Nesse caso dizemos que a ocorrência do evento B depende (está condiciona-
da) à ocorrência do evento A.
Utilizamos então a notação B/A, que significa a dependência dos eventos,
ou melhor, que o evento B/A denota a ocorrência do evento B, sabendo que A
já ocorreu. No caso deste exemplo, temos: B/A terminar a 2ª etapa (corrida),
sabendo que o atleta terminou a 1ª etapa (natação).
E agora? Como calcular P (A e B)?
É simples: no lugar de usarmos P(B) na fórmula P(A e B) = P(A) · P(B),
usaremos P(B/A) já que a ocorrência de B depende da ocorrência de A.

e Pα
B / A φ= ; assim,
4 3
O enunciado deste problema nos diz que P(A) =
7 4

P(A e B) = P(A) · P α
B / A φ=
4 3 3
· =
7 4 7

A probabilidade de que um atleta, escolhido ao acaso, termine a 1ª e a


2ª etapas é 73 .

Quando A e B não são eventos independentes a probabilidade de


ocorrência de A e B é calculada por:

P (A e B) = P (A) · P (B/A)

onde P (B/A) é a probabilidade de B, dado que A já ocorreu.

EXEMPLO 4

No exame para tirar a carteira de motorista, a probabilidade de aprovação na


prova escrita é 109 . Depois de ser aprovado na parte teórica, há uma prova prática
de direção. Para os que já passaram no exame escrito, a probabilidade de passar
nessa prova prática é 23 .

Qual a probabilidade de que, escolhido um candidato ao acaso, ele seja


aprovado em ambas as provas escrita e prática e tire a carteira de motorista?

Solução:

Considere os eventos:
A: aprovação na prova escrita.
B: aprovação na prova prática de direção.
Os eventos A e B não são independentes, pois é preciso ter aprovação na A U L A
prova escrita e para fazer a prova prática de direção. Como a ocorrência de B está
condicionada à ocorrência de A, criamos o evento:
B/A: ter aprovação na prova prática de direção, sabendo que o candidato foi
54
aprovado na prova escrita.

Para calcular P(A e B), usamos: P(A e B) = P(A) · P(B/A)


Calculando:
9 2 9 2 3
P(A) = P(B/A) = P(A e B) = · =
10 3 10 3 5

A probabilidade de passar na prova escrita e na prova de direção é 35 .

Cálculo da probabilidade de ocorrência de um evento ou outro

EXEMPLO 5

Na Copa América de 1995, o Brasil jogou com a Colômbia. No primeiro


tempo, a seleção brasileira cometeu 10 faltas, sendo que 3 foram cometidas
por Leonardo e outras 3 por André Cruz. No intervalo, os melhores lances
foram reprisados, dentre os quais uma falta cometida pelo Brasil, escolhida
ao acaso. Qual a probabilidade de que a falta escolhida seja de Leonardo ou
de André Cruz?

Solução:

Das 10 faltas, 3 foram de Leonardo e 3 de André Cruz. Portanto, os dois juntos


cometeram 6 das 10 faltas do Brasil. Assim, a probabilidade de que uma das faltas
seja a escolhida dentre as 10 é 106 = 35 .

Também podemos resolver este problema da seguinte maneira:


3
l probabilidade de ser escolhida uma falta do Leonardo = 10
.
3
l probabilidade de ser escolhida uma falta do André Cruz = 10
.
l probabilidade de ser escolhida uma falta de um destes dois jogadores
= 103 + 103 = 106 = 35 .

Lembre-se de que qualquer uma das duas escolhas terá um resultado favorável.
Se A e B são os eventos (escolher uma falta de Leonardo ou escolher uma falta
de André Cruz), estamos interessados na probabilidade do evento A ou B.

Temos então:
P(A ou B) = P(A) + P(B)

Note que isso vale porque uma falta não pode ser cometida pelos dois
jogadores ao mesmo tempo, ou seja, o evento A e B é impossível.
A U L A EXEMPLO 6

54 Uma empresa que fabrica suco de laranja fez uma pesquisa para saber
como está a preferência do consumidor em relação ao seu suco e ao fabricado
por seu principal concorrente. Essa empresa é chamada SOSUMO, e seu
concorrente SUMOBOM. A pesquisa concluiu que dos 500 entrevistados, 300
preferiam o SUMOBOM, 100 consumiam os dois, 250 preferiam SOSUMO e 50
nenhum dos dois. Um dos entrevistados foi escolhido ao acaso. Qual a
probabilidade de que ele seja:
a) consumidor de SOSUMO e SUMOBOM;
b) consumidor de SOSUMO ou SUMOBOM.

Solução:
a) De acordo com a pesquisa dos 500 entrevistados, 100 consomem os dois
sucos. Logo, a probabilidade de que um entrevistado, escolhido ao acaso,
consuma os dois sucos é: 100
500
= 51 .
b) Usando o raciocínio do Exemplo 5, para saber a probabilidade da ocorrên-
cia de um evento ou outro, somamos as probabilidades de os dois eventos
ocorrerem separadamente. Mas, neste exemplo, devemos tomar cuidado
com o seguinte: existem pessoas que consomem os dois sucos indiferen-
temente, compram o que estiver mais barato, por exemplo. Assim, não
podemos contar essas pessoas (que consomem um e outro) duas vezes.
Observe que a soma dos resultados é maior que o número de entrevista-
dos (300 + 100 + 200 + 50 = 650), ou seja, há pessoas que, apesar de
preferirem um dos sucos, consomem os dois. Para facilitar daremos
nomes aos eventos:
A: preferir o SOSUMO
B: preferir o SUMOBOM
A e B: consumir SOSUMO e SUMOBOM
A ou B: consumir SOSUMO ou SUMOBOM

Repare que este ou quer dizer: apenas o SOSUMO ou apenas o SUMOBOM.


Fazendo P(A ou B) = P(A) + P(B) estamos contando duas vezes as pessoas
que apesar de preferirem um dos sucos, consomem os dois. Logo, devemos
subtrair de P(A) + P(B) o resultado de P(A e B) para retirar a “contagem dobrada”.
Temos então:

P (A ou B) = P (A) + P (B) - P (A e B)

Calculando:
250 1 300 3 100 1
P(A) = = P(B) = = P(A e B) = =
500 2 500 5 500 5

1 3 1 1 2 5+4 9
P(A ou B) = + - = + = =
2 5 5 2 5 10 10
9
A probabilidade de que o escolhido consuma um suco ou outro é 10
.
Observação A U L A

Em exemplos como o que acabamos de ver há outras soluções possíveis.


Observe que o evento A ou B (consumir um suco ou outro) deve incluir como 54
casos favoráveis todas as pessoas que não fazem parte do grupo dos que não
consomem es essses dois sucos .
Sabíamos que dos 500 entrevistados, 50 pessoas consumiam nenhum dos
50
dois e a probabilidade de escolhermos uma dessas pessoas ao acaso era 500 ,
1
ou seja, 10 . Assim, podíamos concluir que a probabilidade de não fazer parte
dessse grupo era 1 - 101 = 109 , raciocinando por exclusão.
des

Uma representação gráfica

Nesses tipos de problema, geralmente usamos uma representação gráfica


para visualizar melhor o enunciado.
Representamos todos os entrevistados (todos os casos possíveis) por um
retângulo e os eventos por círculos dentro deste retângulo, como na seguinte
figura:

A parte comum dos dois círculos corresponde ao evento (A e B). No exemplo


anterior, 100 pessoas consumiam os dois sucos e a representação seria assim:

Como 300 consumidores preferiam SUMOBOM (evento B), 250 o SOSUMO


(evento A) e já temos 100 pessoas contadas para cada um dos eventos, devemos
completar o gráfico da seguinte maneira:
A U L A Os 50 que ficariam fora dos dois círculos seriam aqueles que não consomem
esses sucos. Observe que 150 + 100 + 200 + 50 é igual a 500, que é o número total

54 de entrevistados. Agora observe o cálculo de P(A e B) e P(A ou B):

100 1 150 + 100 + 200 450 9


P(A e B) = = P(A ou B) = = =
500 5 500 500 10

50 1 9 1
e P (não (A ou B)) = = ou P (não (A ou B)) = 1 - =
500 10 10 10

EXEMPLO 7

Em uma sala do Telecurso 2000, 12 alunos gostam de vôlei, 13 gostam de


futebol, 5 gostam dos dois esportes e outros 10 não gostam nem de vôlei nem
de futebol. Sabendo que a turma tem 30 alunos, qual a probabilidade de que um
aluno, escolhido ao acaso, goste de vôlei ou de futebol?

Solução:
Considere os eventos
A: gostar de futebol
B: gostar de vôlei

Vamos representá-los graficamente.

7 + 5 + 8 20 2
Como o total de alunos é 30, temos P(A ou B) = = =
30 30 3

ou ainda P(A ou B) = P(A) + P(B) - P(A e B) =

12 13 5 20 2
+ - = =
30 30 30 30 3

Resolvendo por exclusão, teríamos:


10 1 2
P(A ou B) = 1 - P(não (A ou B)) = 1 - = 1- =
30 3 3

Agora, resolva os exercícios propostos.


Exercício 1 Exercícios
A U L A
Em uma cidade do interior do Brasil, a probabilidade de que um habitante

1
11
escolhido ao acaso tenha televisão em casa é 12 . Já a probabilidade de esse
habitante ser um comerciante é 11 . Escolhendo um habitante dessa cidade ao 54
acaso, qual a probabilidade de que ele tenha televisão em casa e seja
comerciante?

Exercício 2
Alguns professores estão prestando concurso para dar aulas em uma escola.
Inicialmente, eles farão uma prova escrita e, depois de serem aprovados
nessa prova, farão uma prova prática. Aquele que for aprovado na prova
prática será contratado. Sabendo que a probabilidade de aprovação na
prova escrita é 41 e de aprovação na prova prática (depois de ser aprovado
na escrita) é 23 , calcule a probabilidade de que um professor, escolhido ao
acaso, seja contratado.

Exercício 3
Em uma noite de sexta-feira, pesquisadores percorreram 500 casas pergun-
tando em que canal estava ligada a televisão. Desse modo, descobriram que
em 300 casas assistiam ao canal VER-DE-PERTO, 100 viam o canal VER-
MELHOR e outras 100 casas não estavam com a TV ligada. Escolhida uma
das 500 casas, ao acaso, qual a probabilidade de que a TV esteja sintonizada
no canal VER-DE-PERTO ou no canal VER-MELHOR?

Exercício 4
Dos 140 funcionários de uma fábrica, 70 preferem a marca de cigarros
FUMAÇA, 80 preferem TOBACO e 30 fumam ambas sem preferência.
Sabendo que 20 funcionários não fumam, calcule a probabilidade de que um
funcionário, escolhido ao acaso:

a) fume FUMAÇA e TOBACO


b) fume FUMAÇA ou TOBACO

Exercício 5
Com as mesmas informações do exercício anterior, calcule a probabilidade
de que um funcionário, escolhido ao acaso:

a) fume só FUMAÇA
b) fume só TOBACO
c) fume só FUMAÇA ou só TOBACO
d) não fume nenhuma das duas marcas de cigarro
e) não fume FUMAÇA
f) não fume TOBACO
A UA UL L AA

55
55
Estimando
probabilidades

Introdução Nas aulas anteriores estudamos o cálculo de


probabilidades e aplicamos seu conceitos a vários exemplos. Assim, vimos
também que nem sempre podemos calcular diretamente a probabilidade de
ocorrência de um evento.

Em alguns dos problemas resolvidos, como os de jogos de azar, não foi difícil
calcular a probabilidade de ocorrência de um evento utilizando nossos conheci-
mentos de análise combinatória. Por outro lado, em alguns problemas envolven-
do pesquisas de opinião, por exemplo, o cálculo da probabilidade foi feito com
base em uma amostra de uma parte da população.

Nossa aula Nesta aula vamos discutir um pouco mais os procedimentos para o cálculo
do valor da probabilidade de um evento, quanto ele não pode ser calculado
diretamente ou não é conhecido previamente.

Sabemos que a maioria das indústrias possui um setor responsável pelo


controle de qualidade de sua produção. Até mesmo para uma produção
artesanal e/ou caseira devemos nos preocupar com o controle de qualidade do
que se produz.

É claro que cada peça não aceita pelo controle de qualidade acarreta um
prejuízo ao seu fabricante, seja pelo desperdício de tempo ou de material (caso
essa peça não possa ser reaproveitada). Sabemos que o melhor para todos é fazer
bem feito da primeira vez.

Além disso, é comum as empresas incluírem em seus preços de venda, além


do custo e do lucro de uma peça, parte do prejuízo com o desperdício.

Mas como saber qual o desperdício? É preciso pelo menos estimar a


probabilidade de fabricar uma peça rejeitada pelo controle de qualidade. Nor-
malmente, essa é uma tarefa da equipe que trabalha nessa área.
EXEMPLO 1 A U L A

Uma fábrica de camisetas tem um setor de corte da malha e outro de costura.


No entanto, o fabricante está tendo prejuízo, pois várias camisetas estão sendo 55
cortadas errado. Como não podem ser costuradas, a malha é desperdiçada. Se ele
deseja controlar a qualidade de seus produtos e conhecer melhor seu problema
o que deve fazer?

Solução 1:

Inicialmente, caso o fabricante não tenha ainda, deve criar um setor para
controlar a qualidade da produção. Se sua produção é pequena a ponto de
poder verificar todas as camisetas cortadas, ele não precisará trabalhar com
amostras (parte da produção).
Verificando toda a produção diária, o funcionário anotará diariamente
quantas camisetas são desperdiçadas. É possível que em vários dias consecuti-
vos suas anotações tenham uma grande variação (num dia 5 e em outro 20
camisetas desperdiçadas, por exemplo).
Um procedimento muito comum seria anotar, durante vários dias consecu-
tivos, o número de camisetas desperdiçadas e no final desse período fazer a
média de todos os dias. A média aritmética do desperdício nos dará uma
estimativa razoável do que ocorre diariamente.

Veja um resultado possível ao longo de 20 dias úteis (1 mês de produção).

Pelo cálculo da média encontramos:


5 20 15 10 12 10 6
m

m = 10 (10 camisetas, ao dia, são desperdiçadas)

Se a produção é de 100 camisetas por dia, podemos dizer que a probabilidade


de encontrarmos uma camiseta defeituosa é de 10/100 = 10%.
A U L A Solução 2:

55 Outra maneira de proceder seria considerar diariamente o percentual de


desperdício e depois calcularmos a média.

Solução 3:

Podemos também registrar, dia-a-dia, o número de camisetas produzidas


até aquele dia e o número de camisetas defeituosas (também até aquele dia).
Dividindo, dia-a-dia, o número de camisetas desperdiçadas pela produção,
obteremos a porcentagem de desperdício.

dia produção desperdício porcentagem


1 100 5 5%
2 200 25 12,5%
3 300 40 13,3%
4 400 50 12,5%
5 500 62 12,4%
6 600 72 12%
7 700 78 11,1%
8 800 88 11%
9 900 96 10,6%
10 1000 105 10,5%
11 1100 120 10,9%
12 1200 130 10,8%
13 1300 143 11%
14 1400 158 11,2%
15 1500 164 10,9%
16 1600 168 10,5%
17 1700 178 10,4%
18 1800 182 10,1%
19 1900 193 10,1%
20 2000 197 9,9%

Essa porcentagem é denominada freqüência relativa de camisetas des-


perdiçadas.
Vemos que, nessa forma de trabalho, a partir do sétimo dia já podemos
observar que os valores percentuais, ou a probabilidade de produzirmos uma
camiseta defeituosa, começa a se estabilizar entre 10% e 11%.
O que nos interessa é a seqüência de freqüências relativas com que encon- A U L A
tramos camisetas defeituosas.
É razoável supor que, se o experimento continuasse, a variação das freqüên-
cias relativas seria cada vez menor, sugerindo que, a partir de algum ponto, a 55
freqüência se tornaria constante. Essa constante é que seria a probabilidade de
fabricação de uma camiseta com defeito.

Essa forma de obtermos a probabilidade de ocorrência de um evento


denomina-se interpretação freqüentista das probabilidades. Essa interpre-
tação é extremamente útil para a determinação da probabilidade de eventos
que podem ser testados, repetidos infinitas vezes.

EXEMPLO 2

Numa fábrica de parafusos deseja-se estimar a probabilidade de encontrar


um parafuso defeituoso em sua produção de 5 mil parafusos ao dia.

Solução:

Primeiramente, vamos analisar de que forma os Exemplos 1 e 2 diferem.


Observe que no caso das camisetas, além da produção diária não ser tão grande,
os “erros” ocorrem no corte e, portanto, essas camisetas não são nem costuradas
e, facilmente, contamos ao final do dia a quantidade de camisetas desperdiçadas.
Na fábrica de parafusos, não é possível verificar diariamente todos os parafusos
produzidos. Assim, o controle de qualidade precisará trabalhar com uma
amostra aleatória (escolhida ao acaso) da produção diária. Observe ainda que os
parafusos defeituosos são produzidos e até mesmo entregues aos clientes.
Estimar a probabilidade de um cliente encontrar um parafuso defeituoso em sua
encomenda é muito importante.
Os procedimentos utilizados no primeiro exemplo são os mesmos que
utilizaremos agora, só que testaremos parte da produção, uma amostra. Se essa
amostra (parte da produção) é escolhida aleatoriamente, isto é, ao acaso, os
resultados encontrados podem ser utilizados como se tivessem sido testados
todos os parafusos produzidos a cada dia.
Vamos supor que a cada 100 parafusos verificados (100 é o tamanho da
amostra) contamos os defeituosos durante vários dias e descobrimos que a
freqüência com que encontramos esses parafusos vai se estabilizando em 201 .
Podemos então afirmar que a probabilidade de encontrarmos parafusos defeitu-
osos é 201 ou 5% ou podemos dizer também que a cada 20 parafusos é provável
que encontremos 1 com defeito.

De acordo com a interpretação freqüentista das probabilidades, quando


dizemos que a probabilidade é 201 , queremos dizer que a freqüência relativa
segundo a qual esse evento ocorrerá numa longa seqüência de experimentações
se estabilizará em 201 . É costume expressarmos esse resultado dizendo que
esperamos que o evento ocorra uma vez em cada 20 experiências, ou cerca de
cinco vezes em cada 100. Essa afirmação não deve ser interpretada literalmente.
De forma nenhuma deve-se pensar que caso esse evento não ocorra em dezenove
testagens, certamente ocorrerá na vigésima. Na vigésima testagem, a probabili-
dade de ocorrência desse evento continua sendo 201 .
Exercícios
A U L A Exercício 1
Lance um dado 120 vezes e observe a freqüência dos resultados 1, 2, ..., 6.

55 Os resultados obtidos estão de acordo com o que você esperava de um


experimento como esse?

Exercício 2
Considere o experimento de lançarmos uma moeda. Imagine que ele foi
realizado 6 000 vezes e os resultados foram anotados, constando da tabela a
seguir. Complete a tabela e tire suas próprias conclusões.

Número de Número de caras Freqüência relativa


lançamentos
10 7
20 11
40 17
60 24
80 34
100 47
200 92
400 204
600 305
800 404
1000 492
2000 1010
3000 1530
4000 2030
5000 2517
6000 3011

Exercício 3
Escolha 250 números de telefone numa lista. Utilizando somente os quatro
últimos algarismos de cada número - isto é, abandonando os prefixos -
determine a freqüência de zeros, uns, ... noves. Os dez algarismos aparecem
com freqüências aproximadamente iguais?
AUU
A L AL A

56
56
As médias

N a aula 29, você estudou um pouco de Esta-


tística e aprendeu que esse ramo da Matemática trabalha com dados compara-
Introdução
tivos, pesquisas de opinião, pesquisas de mercado e projeções futuras.
Os dados numéricos obtidos por intermédio das pesquisas são mais facil-
mente observados quando organizados numa tabela ou por representações
gráficas. No entanto, se uma tabela contém um número muito grande de dados,
essa observação pode se tornar confusa. Nesses casos, torna-se mais interessante
observar os dados da tabela, determinando-se a média desses valores.
Costumamos calcular várias médias na vida diária: a média de horas
trabalhadas diariamente, a velocidade média, o salário médio de uma empresa,
a produção mensal média de uma indústria, a despesa média mensal, a estatura
média das pessoas, o consumo médio de gasolina etc. Ignorando as variações, a
média representa situações regulares, ou seja, ignorando as variações, supõe que
todos os valores de uma tabela são iguais.

PRODUÇÃO DE VEÍCULOS Na tabela ao lado, estão indicados Nossa aula


o número de veículos produzidos no
(Fonte: Jornal do Brasil - 02/07/95)

Mês/Ano Nº de veículos
Brasil, no período de janeiro de 1995 a
Jan/95 97.800 abril de 1995.
Fev/95 130.800
Mar/95 151.800 No período entre janeiro de 1995 e
abril de 1995, qual foi a produção mé-
Abr/95 131.200
dia mensal de veículos?

Para responder à pergunta, devemos calcular a média aritmética dos


números apresentados na tabela. Essa média é calculada somando-se os valores
dados e dividindo-se o resultado pelo número de valores. Temos, então:
97.800 130.800 151.80
Ma = 127.900
4
O que significa dizer que a produção média mensal de veículos, no período
entre janeiro e abril de 1995, foi de 127.900 veículos? Pense um pouco.
Significa que, se numa situação imaginária, a produção mensal de veículos
fosse sempre a mesma, o número de veículos produzidos seria de 127.900 por mês.
A U L A Velocidade média

56
Quando dizemos que, numa viagem, um carro desenvolve uma velocidade
média de 80 km/h, isso não significa que o carro andou com essa velocidade o
tempo todo da viagem, o que é quase impossível acontecer. Caso, numa situação
imaginária, o carro fizesse a viagem com uma mesma velocidade, gastando o
mesmo tempo, essa velocidade seria de 80 km/h.

Média de horas diárias de trabalho


O número de horas diárias trabalhadas por um professor, durante uma
semana, estão assinaladas na tabela. Vamos calcular a média diária de horas
trabalhadas.
7 6 10 11 6 40 Nº DE HORAS DE
Ma DIAS DA SEMANA
5 5 TRABALHO
= 8 horas 2ª feira 7h
As horas que o professor traba- 3ª feira 6h
lhou abaixo da média (2ª feira, 3ª feira
e 6ª feira), no total, foram 5 horas; e as 4ª feira 10 h
horas trabalhadas acima da média 5ª feira 11 h
(4ª feira e 5ª feira), no total, também
foram 5 horas. 6ª feira 6h

Verifique:
2ª feira: 8 - 7 = 1 4ª feira:10 - 8 = 2
3ª feira: 8 - 6 = 2 5ª feira:11 - 8 = 3
6ª feira: 8 - 6 = 2__ .
Total: 5h Total: 5h

Portanto, o número de horas trabalhadas a menos é igual ao número de


horas trabalhadas a mais.
Costumamos dizer que, em relação à média, os excessos compensam as
faltas. Podemos visualizar bem essa situação, usando um gráfico de barras:
Vejamos outro exemplo, ilustrando a idéia da média: A U L A

O peso máximo permitido dentro de um elevador de prédio residencial é, em


geral, de 420 kg ou 6 pessoas, o que dá uma média de 70 kg por pessoa 56
(420 ¸ 6 = 70).
Supondo que 5 pessoas, cujos pesos estão na tabela abaixo, entraram num
elevador, qual pode ser, no máximo, o peso de uma 6ª pessoa que deseja entrar
no mesmo elevador? (Os pesos, na tabela, foram arredondados para facilitar os
cálculos).

PESSOAS PESOS
Somando os pesos das cinco pes-
1ª 54 kg
soas que estão no elevador, encontra-
2ª 68 kg mos 372 kg.
3ª 75 kg Como o máximo permitido é
4ª 58 kg 420 kg, o peso da 6ª pessoa pode ser até:
420 - 327 = 93 kg.
5ª 72 kg
6ª ?

70 - 54 = 16 75 - 70 = 5
excessos 70 - 68 = 2 72 - 70 = 2 faltas
70 - 58 = 12 .
30 7

Diferença: 30 - 7 = 23

Logo, a 6ª pessoa pode ter 70 + 23 = 93 kg.

Usamos nesse problema a idéia, vista anteriormente, de que em relação à


média os excessos compensam as faltas.
Tente resolver o problema de outra forma, calculando os excessos e as faltas
em relação à média dos pesos.
A média aritmética que já estudamos é chamada média aritmética simples.
Vamos apresentar, agora, a média aritmética ponderada (ponderar = pesar),
muito usada quando se torna necessário valorizar, dar um peso a um ou mais
valores que entrarão no cálculo da média.

Cálculo da média ponderada

Numa escola, o critério para o cálculo da média de cada aluno, em cada


disciplina, é o seguinte:

1º bimestre: peso 1
2º bimestre: peso 2
3º bimestre: peso 3
4º bimestre: peso 4
A U L A Para determinar a média aritmética ponderada de um aluno que obteve,
em Matemática, notas 10,0, 8,5, 7,0 e 5,5 em cada bimestre, faz-se assim:

56 multiplica-se cada nota pelo seu peso correspondente, somando-se depois


todos os resultados obtidos nas multiplicações. Em seguida, divide-se essa
soma pelo total dos pesos.

10, 0 · 1 8, 5 · 2 7, 0 ·
MP = 7,0
1+ 2 + 3 + 4

A média desse aluno, em Matemática, é 7,0.


A média ponderada pode facilitar o cálculo de médias, quando aparecem
uma ou mais parcelas repetidas várias vezes. Nesse caso, multiplicamos as
parcelas pelo número de vezes em que elas aparecem. Veja o exemplo:

Em uma empresa, 25 empregados ganham R$ 150,00, 10 ganham R$ 220,00


e 5 ganham R$ 280,00. Qual é o salário médio que essa empresa paga?

25 · 150 10 · 220 5 ·
MP = 183,75
25 + 10 + 5

O salário médio dos empregados dessa empresa é de R$ 183,75.

Média geométrica

Chamamos de média geométrica de dois números positivos a raiz qua-


drada do produto desses dois números.

EXEMPLO

A média geométrica dos números 2 e 8 é:

Mg 2· 8 16 = 4

Comparando esse resultado com a média aritmética dos mesmos números,


e assinalando os dois resultados na reta numérica, temos:
2 8 10
Ma =5
2 2

A média aritmética é o ponto médio entre 2 e 8 e a média geométrica é


menor que a média aritmética.
Aplicação da média geométrica A U L A

Na fase de perfuração de um túnel, os operários precisam colocar estacas


para sustentação. Vamos calcular o comprimento de uma estaca, em determina- 56
do ponto. Assim:

Vamos lembrar que todo ângulo


inscrito numa semi-circunferência
mede 90º. Logo, o triângulo formado
na figura é um triângulo retângulo e a
estaca é a altura desse triângulo.

Sabemos, do estudo de relações métricas no triângulo retângulo, que:

h2 = a · b

ou

h a· b

Podemos dizer, então, que o comprimento da estaca é a média geométrica


das distâncias entre o ponto de apoio da estaca e as laterais do túnel.

Exercício 1 Exercícios
Num concurso, constavam provas de Português, Matemática e Ciências.
Português e Matemática tinham peso 2 e Ciências, peso 1. Calcule a média
ponderada de um candidato que tirou as seguintes notas:
Português: 6,0
Matemática: 7,0
Ciências: 5,0

Exercício 2
Calcule a média das alturas de uma equipe de basquete, que estão indicadas
na tabela abaixo:

JOGADOR ALTURA (m)


1º 1,80
2º 1,84
3º 1,90
4º 1,88
5º 1,86
A U L A Exercício 3
Numa reta numérica, assinalamos o número que está localizado no meio da

56 distância entre os números 21 e 65 . Determine o número:

Exercício 4
A média aritmética de cinco números é 12. Quatro desses números são
6, 7, 8 e 11. Qual é o 5º número?

Exercício 5
Um carro fez uma viagem de 480 km, em 8 horas. Qual foi sua velocidade
média?
AUU
A L AL A

57
57
Expoentes fracionários

N
esta aula faremos uma revisão de potências
com expoente inteiro, particularmente quando o expoente é um número negati-
Introdução
vo. Estudaremos o significado de potências com expoentes fracionários e, em
seguida, verificaremos que as propriedades operatórias da potenciação são,
também, válidas para as potências de expoentes fracionários e negativos. Essas
propriedades são muito úteis para a resolução das equações exponenciais e,
também, no estudo dos logaritmos, que serão vistos mais adiante.

Lembrando que a potenciação é uma multiplicação de fatores iguais, quan-


3
Nossa Aula
do, por exemplo, escrevemos 2 = 8, a base é o número 2 e o expoente 3 indica o
número de fatores iguais a 2. O resultado, chamado de potência, é o número 8.
3
2 =2·2·2=8
®

3 fatores

E qual o significado de uma potência com expoente negativo? Esse tipo de


potência representa uma fração onde o numerador é 1 e o denominador é a
mesma potência, com o expoente positivo.

1
Por exemplo 5-2 é igual a 5 2 .

De forma geral, se a ¹ 0 , então:

1
a -n =
an
A U L A Vamos calcular algumas potências com expoentes negativos:

57 5
-2
=
1
5 2
=
1
25
ou 0, 04 (dividindo 1 por 25)

1 1
10-3 = 3
= ou 0, 001 (um milésimo)
10 1.000

-4 1 1
2 = 4
= ou 0, 0625 (dividindo 1 por 16)
2 16

Quando temos uma fração com numerador igual a 1, podemos escrevê-la


como uma potência de base inteira e expoente negativo.
1
= 3-5
35

1
= 7 -1
7

1 1
= 2
= 10-2
100 10
Podemos, ainda, transformar um número decimal numa potência de expo-
ente negativo, ou num produto de um número por uma potência negativa.

EXEMPLO 1

1 1
0, 01 = = = 10-2
100 102

EXEMPLO 2

125 1 1 -3
0,125 = = 125 ´ = 125 ´ 3 = 125 × 10
1000 1000 10

Expoentes fracionários

Uma potência de expoente fracionário representa uma raiz, e podemos


escrevê-la assim:

m onde a > 0,
n m
an = a m e n são números inteiros e n ¹ 0
Observe que:
· o denominador da fração é o índice da raiz (n).
m
· a base (a) elevada ao numerador (m) é o radicando (a ).
EXEMPLO 3 A U L A

57
2
3
53 = 52 = 3
25

EXEMPLO 4
1
2
42 = 41 = 4 =2

EXEMPLO 5
3
2
32 = 33 = 27

EXEMPLO 6
1
3
50 3 = 501 = 3
50
Portanto, podemos escrever uma raiz em forma de potência de expoente
fracionário:
2
9 = 32 = 3 2 = 3
6 3
4
4
64 = 26 = 2 4 = 2 2 = 2 3
Observando esses últimos exemplos, vimos que, transformando uma raiz em
potência de expoente fracionário, tendo, antes, feito a decomposição do radican-
do em fatores primos, justificamos a seguinte propriedade dos radicais:

Podemos dividir o índice do radical e o expoente do radicando


por um mesmo número, para simplificar o radical.

Propriedades da potenciação

A seguir, enumeramos as propriedades da potenciação e damos alguns


exemplos:

Primeira propriedade

Produto de potências de mesma base:


2 4 (2+4) 6
3 ·3 =3·3·3·3·3·3=3 =3
2 4
3 3

Para multiplicar potências de mesma base,


repetimos a base e somamos os expoentes.
A U L A m n m+n
a ·a =a

57 Essa propriedade pode ser aplicada para expoentes negativos e para expoen-
tes fracionários:
-2 5 -2 + 5 3
5 ·5 =5 =5

1 3 1 3 4
+
72 × 72 = 72 2 = 5 2 = 52

Segunda propriedade

Divisão de potências de mesma base:

Para dividir potências de mesma base,


repetimos a base e subtraímos os expoentes.

m
a m-n
n = a
a

Vamos aplicar essa propriedade às potências de expoentes negativos ou


fracionários:

3-2
4
= 3-2 - 4 = 3-6
3
2
2 1 1
53 -
1 = 53 3 = 53
53

Terceira Propriedade

Potenciação de potência:
2 3 2 2 2 2 3
(3 ) = 3 · 3 · 3 = (3 ) = 36

3 fatores

Para elevar uma potência a um outro expoente,


repetimos a base e multiplicamos os expoentes.
A U L A
m n m+n
a ·a =a

57
Vejamos essa propriedade aplicada a potências com expoentes negativos
ou fracionários:

(2-1 )-3 = 2( -1) ×( -3) = 23

Φ5 21 Ι3 = 1 3
Γ
Ηϑ
×3

Κ
52 = 52

Quarta propriedade

Distributividade em relação à multiplicação e à divisão:


2 2 2
(2 · 5) = 2 · 5 ou

Φ
Γ8Ι
ϑ
3
83
Η3 Κ = 33

Para elevar um produto ou um quociente a um expoente, elevamos


cada fator a esse expoente ou, no caso do quociente,
elevamos o dividendo e o divisor ao mesmo expoente.

m m m
(a · b) = a · b

Φ
ΓaΙ
ϑ
m
am
Ηb Κ =
bm

Veja alguns exemplos:

EXEMPLO 7
α3 × 5φ4 -
= 3
-4
×5
-4

EXEMPLO 8

α2 × 3φ2
1 1 1
= 22 × 52

EXEMPLO 9
α6 ¸ 5φ3 -
= 6
-3
¸ 5
-3

EXEMPLO 10

α6 ¸ 5φ2
1 1 1
= 6 2 ¸ 52
A U L A Aplicações do cálculo de multiplicações e divisões de radicais

57
1 1 1 1
2 × 3 = 2 2 × 3 2 = (2 × 3) 2 = 6 2 = 6
1 1 1 1
3 3 3
8 ¸ 2 = 83 ¸ 23 = (8 ¸ 2) 3 = 43 = 4
Podemos multiplicar ou dividir radicais de mesmo índice, multiplicando ou
dividindo os radicandos.

Se os índices forem diferentes, podemos transformar os radicais em radicais


equivalentes e com mesmo índice.
1 1 2 1 1
5 × 4 7 × = 5 2 × 7 4 = 5 4 × 7 4 = (52 × 7) 4 = 4
175

3 = 2 3 ¸ 3 4 = 2 12 ¸ 3 12 = α
2 4 ¸ 33 φ12 =
1 1 4 3 1
3 4 16
2 ¸ 12
27

Exercícios Exercício 1.
Escreva o resultado de cada item, na forma de uma única potência:

a) 3-2 · 3 · 34 =

b) ε3 ϕ¸
2 4 -5
3 =

(32 )3
c)
35

37
d)
α33 φ3
Exercício 2. -1 -2 -5 -2
(5 ) × 5 ¸ 5
Calcule o valor de 3
Φ21 Ι
Γ5 ϑ × 5
1 -

ΗΚ
Exercício 3.
Efetue, transformando as raízes em potências de expoente fracionários:

a) 3 25 × 3 5 =

b) 40 ¸ 10 =

c) 5 × 3 5 =

1 1
d) ¸ 5 =
2 2
Exercício 4. A U L A
Transforme as potências em raízes:

a) 120,4 = 57
b) 60,5 =

Exercício 5.
Calcule:
1
-
2
a) 36
1
-
3
b) 1000
A UA UL L AA

58
58
Equações exponenciais

Introdução V amos apresentar, nesta aula, equações onde


a incógnita aparece no expoente. São as equações exponenciais .
Resolver uma equação é encontrar os valores da incógnita que tornam a
equação verdadeira. No caso da equação exponencial, para resolvê-la, procu-
raremos obter sempre uma igualdade de duas potências de mesma base, pois
sabemos que, se duas potências de mesma base são iguais, então, seus
expoentes também são iguais. Por exemplo, para resolver a equação 3x x = 243,
podemos decompor o número 243, em fatores primos e escrevê-lo em forma de
potência, assim:
5
3x = 3

logo,

x=5

A solução da equação é x = 5.

Nossa Aula Você verá, agora, vários outros exemplos de resolução de equações
exponenciais.

EXEMPLO 1

Resolver a equação 2x = 2.

Como já sabemos, todo número elevado a 1 (um) é igual a ele mesmo. Então,
podemos escrever:

2x = 21

logo,

x=1

A solução da equação é x = 1.
EXEMPLO 2 A U L A

Resolver a equação 5 = 1
2x

Lembrando que um número diferente de zero, elevado a zero, é igual a um, 58


a equação pode ser escrita assim:
2x 0
5 = 5 Þ 2x = 0 Þ x=0

A solução da equação é x = 0.

EXEMPLO 3
1
Resolver a equação 33x =
9

Uma fração, cujo numerador é 1 (um), pode ser escrita na forma de uma
potência de expoente negativo.
Decompondo o denominador da fração em fatores primos, temos:

3x 1 3x -2
3 = 2 Þ 3 = 3
3
2
3x = - 2 Þ x = -
3
2
A solução da equação é x = -
3
EXEMPLO 4
x-1
Resolva a equação 10 = 0,001
O número 0,001 pode ser escrito com uma potência de expoente negativo, logo:
x-1 -3
10 = 10 Þ x-1=-3 Þ x=-3+1 Þ x = -2

A solução da equação é x = - 2

EXEMPLO 5

Resolver a equação 52x + 1 = 5


Vamos escrever a raiz na forma de potência de expoente fracionário, como
vimos na aula anterior:
1
1
52x + 1 = 5 2 Þ 2x + 1 =
2
1
2x = - 1
2
1 - 2 1 1
2x = Þ 2x = - Þ x = -
2 2 4

1
A solução da equação é x = - .
4
A U L A EXEMPLO 6

58
3x - 5 x-1
Resolva a equação 4 =4

Neste exemplo, as potências já estão com as bases iguais, portanto, podemos


igualar diretamente seus expoentes.

3x - 5 = x - 1
3x - x = - 1 + 5
2x = 4
x =2

A solução da equação é x = 2.

EXEMPLO 7

Resolva a equação 16x - 3 = 2x + 3


Vamos decompor 16 e escrevê-lo em forma de potência de base 2. Temos que
4
16 = 2 , logo:

4 x -3 x+3
(2 ) = 2 (vamos aplicar a propriedade da potenciação de potência).
4(x - 3) x+3
2 = 2
4x - 12 x+3
2 = 2 Þ 4x - 12 = x + 3
4x - x = 12 + 3
3x = 15

x=5

A solução da equação é x = 5.
Em todos os exemplos apresentados até agora, poderíamos ter conferido a
resposta, substituindo a solução encontrada na equação dada.

EXEMPLO 8
Φ1 Ιx = x- 3
Resolva e confira a solução da equação
Η100 Κ 10

1 -2
Vamos substituir na equação por 10
100
-2 x x- 3
(10 ) = 10
-2x x-3
10 = 10 Þ - 2x = x - 3
- 2x- x = -3
- 3x = -3

x=1
Vamos agora fazer a verificação. Substituindo x , na equação por 1, temos: A U L A
Φ1 Ι =
58
1
1- 3
Η100 Κ 10

1 -2
= 10 , que é uma sentença verdadeira.
100
Logo, a solução da equação é, de fato, x = 1.

EXEMPLO 9
2x x-1
Resolva a equação 9 = 27
Nesse exemplo, precisamos decompor as duas bases em fatores primos, ou
seja, 9 = 3² e 27 = 3³. Temos, então:

(3²)2x = (3³)x-1 (aplicando a propriedade da potenciação da potência)


4x 3(x-1)
3 = 3
44x = 33x-3 Þ 4x = 3x - 3
4x - 3x = - 3 Þ x=-3

Vamos verificar a resposta, substituindo o x por -3.


2 · (-3) -6 -6 -12
1º membro da equação: 9 = 9 = (3²) = 3
2º membro da equação: 27-3-1 = 27-4 = (3³)-4 = 3-12
Quando substituímos a solução x = -3 nos dois membros obtemos resultados
iguais.
Logo a solução da equação está correta e é, de fato, x = - 3.

Vejamos, agora, uma utilização de equações exponenciais, na resolução de


problemas sobre progressões geométricas.

EXEMPLO 10

Em uma progressão geométrica, a razão é 2, o primeiro termo é 5 e o último


termo é 1.280. Quantos termos possui essa progressão?
Lembrando da aula em que você aprendeu progressões geométricas, a
fórmula para o cálculo do termo geral é:
n-1
an = a1q

onde a1 é o 1º termo, q é a razão, an é um termo qualquer e n é o número de termos.


Logo, substituindo os dados do problema, na fórmula, temos:
n-1
an = a 1 · q
® (dividindo os dois membros por 5)
n-1
1280 = 5 · 2
n-1
256 = 2
Þ n-1=8
n-1
28 = 2 Þ n=9
A progressão geométrica possui, portanto, 9 termos.
A U L A EXEMPLO 11

58 - 3 = 1.458
x+1 x
Resolva a equação 3

- 3x = 1.458
x +1
3
3 · 3 - 3 = 1.458
x x
(aplicando a propriedade da potenciação);
3 (3 - 1) = 1.458
x
(colocando 3x em evidência);
x
3 · 2 = 1.458
x
3 = 729 (dividindo os dois membros por 2).

3x = 36 Þ x=6

A solução da equação é x = 6.

Exercícios Resolva as equações exponenciais:

Exercício 1.
x
10 = 1.000.000

Exercício 2.
2x
11 = 11

Exercício 3.
x+1
2 = 1024

Exercício 4.
3x
6 =1

Exercício 5.
x
1
4 =
16
Exercício 6.
x 8 - 5x
(0,0001) = 10

Exercício 7.
7 3x = 3 7

Exercício 8.
5x - 1 3x + 5
5 =5

Exercício 9.
x-1 x+7
125 =5

Exercício 10.
x-4 x
100 = 1000
AUU
A L AL A

59
59
Usando potências
de 10

N esta aula, vamos ver que todo número po-


sitivo pode ser escrito como uma potência de base 10. Por exemplo, vamos
Introdução
1,176
aprender que o número 15 pode ser escrito como 10 . Deve parecer estranho ao
leitor que um número tão simples como o 15 possa ser representado de uma forma
tão complicada. E, também, por que fazer isso?
A complicação é apenas aparente. Na realidade, essa nova forma de escrever
os números positivos vai permitir que cálculos complicados possam ser feitos de
forma muito mais simples. É só esperar um pouco para conferir.
Como estaremos lidando com potências, seria conveniente fazer uma recor-
dação da Aula 57, onde tratamos de potências com expoentes fracionários. As
propriedades que apareceram nessa aula serão utilizadas novamente.

Para a teoria que vamos desenvolver nas duas aulas seguintes, precisamos Nossa aula
mostrar que todo número positivo pode ser escrito como potência de 10. Para
alguns casos, isso pode ser feito com muita facilidade. Veja:

1 = 100
10 = 101
100 = 10²
3
1.000 = 10 etc.

O mesmo ocorre para os números 0,1 , 0,01 e 0,001, como se vê a seguir:

0,1 = 10-1
-2
0,01 = 10
-3
0,001 = 10

No entanto, na maioria dos casos, fica difícil escrever um número como


potência de base 10. Cálculos muito trabalhosos são necessários para obter, por
exemplo, os seguintes resultados:
0,301
2 = 10
3 = 100,477
0,845
7 = 10
A U L A É necessário dizer que essas últimas igualdades não são exatas. Elas são
apenas aproximadas, porque os expoentes de 10 foram consideradas até a terceira

59 casa decimal. Uma aproximação melhor para a primeira delas seria:

2 = 10
0,301029995

mas, felizmente, para as nossas necessidades, três ou quatro casas decimais serão
suficientes.

Vamos ver agora que, com as informações que temos, já podemos representar
outros números como potências de 10.

EXEMPLO 1

Representar os números 4 e 5 como potências de 10.


0,301
Levando em conta a informação que demos (2 = 10 ) e as propriedades das
potências, temos:
0,301 0,301 0,301 + 0,301 0,602
a) 4 = 2 · 2 = 10 · 10 = 10 = 10
1
10 10 1 - 0,301 0,699
b) 5 = = 0,301 = 10 = 10
2 10
O exemplo que acabamos de resolver mostra que, se conseguirmos exprimir
os números primos como potências de 10, poderemos representar todos os outros
da mesma forma, utilizando as propriedades das potências.

No século XVII, vários matemáticos se dedicaram a esse extenuante traba-


lho e construíram tabelas onde, do lado esquerdo, apareciam os números e, do
lado direito, as potências de 10 correspondentes a cada um. Essas potências
passaram a ser conhecidas com o nome de logaritmos.

Vamos, então, reunir as informações que já temos em nossa primeira tabela


de logaritmos:

NÚMEROS LOGARITMOS
1 0,000
2 0,301
3 0,477
4 0,602
5 0,699
7 0,845
10 1,000

Dizemos que o logaritmo de 2 é 0,301 e escrevemos log 2 = 0,301. Isso significa


0,301
que 10 = 2.
Dizemos que o logaritmo de 5 é 0,699 e escrevemos log 5 = 0,699. Isso significa
0,699
que 10 = 5.

No exemplo a seguir, vamos efetuar os cálculos para completar a nossa tabela


de logaritmos.
EXEMPLO 2 A U L A

Calcular os logaritmos dos números 6, 8 e 9.


0,301 0,477 0,301 + 0,477 0,778
59
a) 6 = 2 · 3 = 10 · 10 = 10 = 10

Logo, o logaritmo de 6 é 0,778.

b) 8 = 4 · 2 = 100,602 · 100,301 = 100,602 + 0,301 = 100,903

Logo, o logaritmo de 8 é 0,903.

c) 9 = 3 · 3 = 100,477 · 100,477 = 100,477 + 0,477 = 100,954

Logo, o logaritmo de 9 é 0,954.

Repare num fato curioso e importante. Enquanto na coluna da esquerda os


números são multiplicados, na coluna da direita os logaritmos são somados.

NÚMEROS LOGARITMOS

2·3=6 0,301 + 0,477 = 0,778

As primeiras tabelas de logaritmos apareceram na primeira metade do


século XVII. Eram livros que apresentavam uma listagem dos números e, ao lado,
sua potência de 10 correspondente. Essa tabela permitia substituir uma multipli-
cação por uma adição e uma divisão por uma subtração. Isso que dizer que a
tabela de logaritmos permitiu substituir uma operação por outra de natureza
mais simples.
Vamos mostrar, concretamente, o que acabamos de dizer, nos dois exemplos
seguintes. O primeiro será uma preparação para o segundo.

EXEMPLO 3

Calcular o logaritmo de 1,2.


12 3 ×4
1, 2 = =
10 10
Vamos, então, substituir os números 3 e 4 pelas correspondentes potências
de 10, que se acham em nossa pequena tabela de logaritmos, e aplicar as
propriedades das potências.
3 ×4 100,477 × 100,602
1, 2 = =
10 101
0,477 + 0,602 -1
= 10
= 100,079
Então, o logaritmo de 1,2 é 0,079.
A U L A EXEMPLO 4

59 Determinado tipo de bactéria se reproduz, aumentando seu número de 20%


a cada dia. Em quantos dias o número de bactérias será 100 vezes maior que o
inicial?

Vamos imaginar que tenhamos hoje, em nossa cultura de bactérias, um


número x de bactérias. No dia seguinte, esse número terá aumentado de 20%, ou
seja, será igual a:
20
x + x = x + 0, 2x = x × 1, 2
100
Portanto, a cada dia a população de bactérias fica multiplicada por 1,2,
formando, portanto, uma progressão geométrica de razão 1,2. No segundo
2 3
dia, teremos x · 1,2 bactérias, no terceiro dia x · 1,2 bactérias e assim por
n
diante. Então, depois de n dias, teremos x · 1,2 bactérias.
Desejamos saber para que valor de n esse número é igual a 100 vezes o
número inicial de bactérias, ou seja, desejamos ter:

x · 1,2n = 100x
x

Simplificando x dos dois lados temos:


n
1,2 = 100

Qual será, então, o valor de n ? Para responder, vamos escrever os números


dessa equação como potências de 10. Já sabemos, do exemplo anterior, que
1,2 = 100,079. Portanto, nossa equação fica assim:

(100,079)n = 10²
0,079 · n
10 = 10²

Podemos então igualar os expoentes e calcular n :

0,079 · n = 2

2 2.000
n = = @ 25, 3
0, 079 79

Concluímos, então, que, depois de 25 dias e algumas horas (0,3 do dia dá


aproximadamente 7 horas), a população de bactérias terá ficado 100 vezes maior.
Os exemplos que vimos até aqui ilustram o que afirmamos no início de nossa
aula: todo número positivo pode ser escrito como uma potência de 10 . Não
mostraremos aqui como obter as potências de 10 correspondentes aos números
primos. Elas serão dadas sempre que necessário. Mas, para todos os outros
números, o leitor poderá, com auxílio das propriedades das potências, calcular as
potências de 10 correspondentes, ou seja, os seus logaritmos. Eles nos ajudarão
a resolver problemas práticos mas que envolvem cálculos complicados, como
vimos no Exemplo 4 de nossa aula.
Exercício 1. Exercícios
A U L A
Consultando nossa aula:
a) Escreva 6 como potência de 10.
b) Qual é o logaritmo de 6? 59
Exercício 2.
Escreva 21 como potência de 10.

Exercício 3.
Qual é o logaritmo de 40?

Exercício 4.
Complete a tabela de logaritmos, abaixo, transportando os valores que já
foram obtidos em nossa aula e calculando os outros.

NÚMEROS LOGARITMOS NÚMEROS LOGARITMOS NÚMEROS LOGARITMOS


1 11 1,041 30
2 0,301 12 40
3 0,477 13 1,114 50
4 14 60
5 15 70
6 16 80
7 0,845 17 1,230 90
8 18 100
9 19 1,279 1000
10 20 10000

Exercício 5.
Determine, com aproximação até a terceira casa decimal, o valor de x , na
equação 3x = 70.

Sugestão: Escreva os números 3 e 70 como potências de 10, e aplique a


propriedade das potências para poder igualar os expoentes.

Exercício 6.
Escreva 560 como potência de 10.

Exercício 7.
Qual é o logaritmo de 420?

Exercício 8.
Qual é o logaritmo de 0,12?

Sugestão: 0,12 = 12 .
100
Escreva os números 12 e 100 como potências de 10, e aplique a propriedade
das potências de mesma base.
A UA UL L AA

60
60
Os logaritmos decimais

Introdução N a aula anterior, vimos que os números po-


sitivos podem ser escritos como potências de base 10. Assim, introduzimos a
palavra logaritmo no nosso vocabulário.

Nesta aula você descobrirá as propriedades dos logaritmos e aprenderá a


utilizá-las na solução de diversos problemas. Antes disso, vamos falar um pouco
sobre sua importância histórica.

Um pouco Os logaritmos foram inventados na primeira metade do século XVII para


de história facilitar cálculos complicados que a vida na época já exigia. Os navegantes
precisavam saber onde estavam, a partir da posição de certas estrelas no céu. Os
astrônomos, por sua vez, precisavam determinar a posição das estrelas e dos
planetas ao longo do ano, prever os eclipses e as marés a partir da órbita da lua
e estudar diversos outros fenômenos do céu. Os banqueiros precisavam fazer os
cálculos dos juros e para todas essas atividades o trabalho era enorme. O
astrônomo, por exemplo, podia saber que cálculos fazer para resolver um
problema, mas freqüentemente levava meses para obter o resultado.
As primeiras tábuas de logaritmos foram festejadas como um enorme avanço
da ciência, pois possibilitavam uma rapidez no cálculo, a qual, até pouco tempo,
seria considerada inacreditável.

Mas o que as tábuas de logaritmos realmente fazem?

A tábua de logaritmos é uma tabela de duas colunas de números com a


seguinte propriedade: multiplicar dois números na coluna da esquerda é o
mesmo que somar os números correspondentes na coluna da direita. Dessa
forma, é possível substituir uma multiplicação por uma soma (que é uma
operação muito mais rápida) e uma divisão por uma subtração.
Veja pequena parte de uma tabela de logaritmos: A U L A

NÚMEROS
...
LOGARITMOS
... 60
36 1,5563
37 1,5682
38 1,5798
... ...
64 1,8062
65 1,8129
66 1,8195
... ...
2404 3,3809
2405 3,3811
2406 3,3813

Para exemplificar, consideremos a multiplicação de 37 por 65. Para não fazer


a conta diretamente, podemos procurar os logaritmos desses números na coluna
da direita e somá-los: 1,5682 + 1,829 = 3,3811. Em seguida, basta procurar o
número correspondente a esse resultado na coluna da esquerda.
Assim, concluímos que:

37 · 65 = 2405

Se consideramos ainda que, com os logaritmos, foi possível calcular potên-


cias e extrair raízes de qualquer índice fazendo apenas multiplicações e divisões,
podemos entender por que essa invenção foi, de fato, revolucionária.

Os logaritmos que você estudará nesta aula são chamados de logaritmos Nossa aula
decimais porque todos os números serão representados como potências de base
10. Escolhemos essa base (e não uma outra qualquer) porque é a mesma base do
nosso sistema de numeração. Entretanto, a teoria dos logaritmos pode ser
desenvolvida de forma exatamente igual em qualquer base.

Definição
y
O logaritmo (decimal) do número positivo x é o número y tal que 10 = x.

Representando o logaritmo de x pelo símbolo log x temos:

y
log x = y significa que 10 = x

A partir dessa definição concluímos que:


0
log 1 = 0 porque 10 = 1
log 10 = 1 porque 101 = 10
2
log 100 = 2 porque 10 = 100
3
log 1000 = 3 porque 10 = 1000 e assim por diante.
A U L A Repare ainda que:

60 log 0,1 = - 1 10
-1
=
1
10
= 0,1

-2 1
log 0,01 = - 2 10 = = 0, 01 e assim por diante.
100

Cálculos extremamente trabalhosos foram necessários para representar os


números positivos como potências de 10. Por exemplo, foi calculado que 100,301 é
igual a 2. Isso significa que log 2 = 0,301.
Desse modo, determinamos que o logaritmo de um número é o expoente a
que devemos elevar a base 10 para dar como resultado esse número.
Veja outros exemplos:

100,477 = 3 significa que log 3 = 0,477


1,8129
10 = 65 significa que log 65 = 1,8129

Como devemos fazer para calcular o logaritmo de qualquer número? Dire-


mos que conhecendo os logaritmos dos números primos é possível calcular o
logaritmo de qualquer outro número, utilizando certas propriedades. Por isso,
vamos descobrir essas propriedades e depois ver o que podemos fazer com elas.

Propriedades

O logaritmo do produto

Suponha que o logaritmo do número a seja x e que o logaritmo do número b


seja y .
log a = x
log b = y

De acordo com a nossa definição temos:


x
10 = a
y
10 = b

Multiplicando essas duas igualdades temos:


x y
10 · 10 = ab
x+y
10 = ab

Isso significa que x + y é o logaritmo do produto ab


ab, ou seja:
log ab = x + y

Como x = log a e y = log b temos a primeira propriedade :

log ab = log a + log b


Logaritmo do quociente A U L A

Considere novamente as igualdades:


x
60
10 = a
y
10 = b

Agora, dividindo membro a membro, obtemos:

10x a
=
10 y b

a
e isto significa que x - y é o logaritmo do quociente , ou seja,
b
a
log = x - y
b

Mas como x = log a e y = log b temos a nossa segunda propriedade :

a
log = log a - log b
b

EXEMPLO 1

Sabendo que log 2 = 0,301 e log 3 = 0,477, calcular log 6 e log 1,5.

Solução:
3
Como 6 = 2 · 3 e 1,5 = , vamos aplicar as duas primeiras propriedades:
2
a) log 6 = log 2 · 3 = log 2 + log 3 = 0,301 + 0,477 = 0,778
3
b) log 1, 5 = log = log 3 - log 2 = 0, 477 - 0, 301 = 0,176
2

O logaritmo de uma potência

Suponha que o logaritmo de um número a seja igual a x . Se log a = x, então


x
10 = a. Elevando os dois lados dessa última igualdade à potência n :

(10x )n = an
nx n
10 = a

Temos então que nx é o logaritmo de a n , ou seja,


n
log a = nx

Substituindo x por log aa, temos a terceira propriedade :


n
log a = n · log a
A U L A EXEMPLO 2

60 Conhecendo os logaritmos de 2 e de 3, calcular o logaritmo de 144.

Solução:
4 2
Fatorando 144 encontramos 2 · 3 . Observe, no desenvolvimento do cálculo,
a aplicação da primeira e da terceira propriedades:
4 2 4 2
log 144 = log 2 · 3 = log 2 + log 3 =
= 4 · log 2 + 2 · log 3 =
= 4 · 0,301 + 2 · 0,477
= 1,204 + 0,954
= 2,158
n log n
2 0,3010
3 0,4771
Como você verá no próximo exemplo, 5 0,6990
podemos calcular os logaritmos de todos os
7 0,8451
números conhecendo apenas os logaritmos
dos números primos. 11 1,0414
13 1,1139
Observe a tabela ao lado e acompanhe. 17 1,2304
19 1,2788

EXEMPLO 3

Calcular o logaritmo de 13,6.

Solução:
136
O número 13,6 é igual a .
10
3
Fatorando o número 136 encontraremos 2 · 17. Veja novamente a aplicação
das propriedades:
136
log 13, 6 = log =
10
= log 136 - log 10
= log 23 · 17 - log 10
= log 2 + log 17 - log 10
3

= 3 · log 2 + log 17 - log 10

Substituindo os valores de log 2 e log 17 que estão na tabela, e levando em


conta que log 10 = 1, temos:

log 13,6 = 3 · 0,310 + 1,2304 - 1 = 1,1334


As tabelas e as máquinas científicas A U L A

Antigamente, publicavam-se imensas tabelas de logaritmos. Nas mais sim-


ples, os logaritmos eram dados com 4 casas decimais e nas maiores, com até 14 60
casas decimais. Com o aparecimento das calculadoras eletrônicas, as tabelas
perderam sua função. As calculadoras científicas fornecem os logaritmos dos
números instantaneamente. Basta apertar a tecla LOG que elas possuem. Conhe-
cendo um logaritmo, as calculadoras científicas também nos dizem a que número
ele corresponde.
No entanto, são poucas as pessoas que possuem essas máquinas. Em geral,
usamos no nosso dia-a-dia a calculadora simples, que possui apenas as quatro
operações, a raiz quadrada e uma memória. Por isso, para as nossas aplicações
precisaremos consultar uma tabela.
A consulta à tabela que vamos fornecer é fácil. Mas antes de lidar com ela,
devemos aprender mais algumas coisas.

Característica e mantissa

O logaritmo de um número é constituído de duas partes: uma antes da


vírgula e outra depois da vírgula. A primeira chama-se característica e a
segunda chama-se mantissa . Veja isso no exemplo:

log 24 = 1 , 3802
®
®

característica mantissa

A característica situa o número dado entre duas potências consecutivas de 10.


Logaritmos de números entre 1 e 10 possuem característica 0; logaritmos de
números entre 10 e 100 possuem característica 1; logaritmos de números entre 100
e 1000 possuem característica 2, e assim por diante.

NÚMEROS CARACTERÍSTICA DO LOGARITMO

entre 1 e 10 0
entre 10 e 100 1
entre 100 e 1000 2
entre 1000 e 10000 3

Veja agora a propriedade da mantissa nos exemplos a seguir:

log 2,4 = 0,3802


log 24 = 1,3802
log 240 = 2,3802
log 2400 = 3,3802

O que você notou? A mantissa é a mesma, somente a característica variou, de


acordo com a tabela acima. Quando multiplicamos um número por 10, 100, 1000
etc., a mantissa dos logaritmos não muda. Só a característica varia.
A U L A TABELA DE MANTISSAS

60
1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
001
1 0000 0414 0792 1139 1461 1761 2041 2304 2553 2788
2
002 3010 3222 3424 3617 3802 3979 4150 4314 4472 4624
3
003 4771 4914 5051 5185 5315 5441 5563 5682 5798 5911
4
004 6021 6128 6232 6335 6435 6532 6628 6721 6812 6902

005
5 6990 7076 7160 7243 7324 7404 7482 7559 7634 7709
6
006 7782 7853 7924 7993 8062 8129 8195 8261 8325 8388
7
007 8451 8513 8573 8633 8692 8751 8808 8865 8921 8976
8
008 9031 9085 9138 9191 9243 9294 9345 9395 9445 9494
9
009 9542 9590 9638 9685 9731 9777 9823 9868 9912 9956

010
10 0000 0043 0086 0128 0170 0212 0253 0294 0334 0374
11
011 0414 0453 0492 0531 0569 0607 0645 0682 0719 0755
12
012 0792 0828 0864 0899 0934 0969 1004 1038 1072 1106
13
013 1139 1173 1206 1239 1271 1303 1335 1367 1399 1430
14
014 1461 1492 1523 1553 1584 1614 1644 1673 1703 1732

015
15 1761 1790 1818 1847 1875 1903 1931 1959 1987 2014
16
016 2041 2068 2095 2122 2148 2175 2201 2227 2253 2279
17
017 2304 2330 2355 2380 2405 2430 2455 2480 2504 2529
18
018 2553 2577 2601 2625 2648 2672 2695 2718 2742 2765
19
019 2788 2810 2833 2856 2878 2900 2923 2945 2967 2989

020
20 3010 3032 3054 3075 3096 3118 3139 3160 3181 3201
21
021 3222 3243 3263 3284 3304 3324 3345 3365 3385 3404
22
022 3424 3444 3464 3483 3502 3522 3541 3560 3579 3598
23
023 3617 3636 3655 3674 3692 3711 3729 3747 3766 3784
24
024 3802 3820 3838 3856 3874 3892 3909 3927 3945 3962

025
25 3979 3997 4014 4031 4048 4065 4082 4099 4116 4133
26
026 4150 4166 4183 4200 4216 4232 4249 4265 4281 4298
27
027 4314 4330 4346 4362 4378 4393 4409 4425 4440 4456
28
028 4472 4487 4502 4518 4533 4548 4564 4579 4594 4609
29
029 4624 4639 4654 4669 4683 4698 4713 4728 4742 4757

030
30 4771 4786 4800 4814 4829 4843 4857 4871 4886 4900
31
031 4914 4928 4942 4955 4969 4983 4997 5011 5024 5038
32
032 5051 5065 5079 5092 5105 5119 5132 5145 5159 5172
33
033 5185 5198 5211 5224 5237 5250 5263 5276 5289 5302
34
034 5315 5328 5340 5353 5366 5378 5391 5403 5416 5428

035
35 5441 5453 5465 5478 5490 5502 5514 5527 5539 5551
36
036 5563 5575 5587 5599 5611 5623 5635 5647 5658 5670
37
037 5682 5694 5705 5717 5729 5740 5752 5763 5775 5786
38
038 5798 5809 5821 5832 5843 5855 5866 5877 5888 5899
39
039 5911 5922 5933 5944 5955 5966 5977 5988 5999 6010

040
40 6021 6031 6042 6053 6064 6075 6085 6096 6107 6117
41
041 6128 6138 6149 6160 6170 6180 6191 6201 6212 6222
42
042 6232 6243 6253 6263 6274 6284 6294 6304 6314 6325
43
043 6335 6345 6355 6365 6375 6385 6395 6405 6415 6425
44
044 6435 6444 6454 6464 6474 6484 6493 6503 6513 6522

045
45 6532 6542 6551 6561 6571 6580 6590 6599 6609 6618
46
046 6628 6637 6646 6656 6665 6675 6684 6693 6702 6712
47
047 6721 6730 6739 6749 6758 6767 6776 6785 6794 6803
48
048 6812 6821 6830 6839 6848 6857 6866 6875 6884 6893
49
049 6902 6911 6920 6928 6937 6946 6955 6964 6972 6981
TABELA DE MANTISSAS A U L A

60
1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
050
50 6990 6998 7007 7016 7024 7033 7042 7050 7059 7067
51
051 7076 7084 7093 7101 7110 7118 7126 7135 7143 7152
52
052 7160 7168 7177 7185 7193 7202 7210 7218 7226 7235
53
053 7243 7251 7259 7267 7275 7284 7292 7300 7308 7316
54
054 7324 7332 7340 7348 7356 7364 7372 7380 7388 7396

055
55 7404 7412 7419 7427 7435 7443 7451 7459 7466 7474
56
056 7482 7490 7497 7505 7513 7520 7528 7536 7543 7551
57
057 7559 7566 7574 7582 7589 7597 7604 7612 7619 7627
58
058 7634 7642 7649 7657 7664 7672 7679 7686 7694 7701
59
059 7709 7716 7723 7731 7738 7745 7752 7760 7767 7774

060
60 7782 7789 7796 7803 7810 7818 7825 7832 7839 7846
61
061 7853 7860 7868 7875 7882 7889 7896 7903 7910 7917
62
062 7924 7931 7938 7945 7952 7959 7966 7973 7980 7987
63
063 7993 8000 8007 8014 8021 8028 8035 8041 8048 8055
64
064 8062 8069 8075 8082 8089 8096 8102 8109 8116 8122

065
65 8129 8136 8142 8149 8156 8162 8169 8176 8182 8189
66
066 8195 8202 8209 8215 8222 8228 8235 8241 8248 8254
67
067 8261 8267 8274 8280 8287 8293 8299 8306 8312 8319
68
068 8325 8331 8338 8344 8351 8357 8363 8370 8376 8382
69
069 8388 8395 8401 8407 8414 8420 8426 8432 8439 8445

070
70 8451 8457 8463 8470 8476 8482 8488 8494 8500 8506
71
071 8513 8519 8525 8531 8537 8543 8549 8555 8561 8567
72
072 8573 8579 8585 8591 8597 8603 8609 8615 8621 8627
73
073 8633 8639 8645 8651 8657 8663 8669 8675 8681 8686
74
074 8692 8698 8704 8710 8716 8722 8727 8733 8739 8745

075
75 8751 8756 8762 8768 8774 8779 8785 8791 8797 8802
76
076 8808 8814 8820 8825 8831 8837 8842 8848 8854 8859
77
077 8865 8871 8876 8882 8887 8893 8899 8904 8910 8915
78
078 8921 8927 8932 8938 8943 8949 8954 8960 8965 8971
79
079 8976 8982 8987 8993 8998 9004 9009 9015 9020 9025

080
80 9031 9036 9042 9047 9053 9058 9063 9069 9074 9079
81
081 9085 9090 9096 9101 9106 9112 9117 9122 9128 9133
82
082 9138 9143 9149 9154 9159 9165 9170 9175 9180 9186
83
083 9191 9196 9201 9206 9212 9217 9222 9227 9232 9238
84
084 9243 9248 9253 9258 9263 9269 9274 9279 9284 9289

085
85 9294 9299 9304 9309 9315 9320 9325 9330 9335 9340
86
086 9345 9350 9355 9360 9365 9370 9375 9380 9385 9390
87
087 9395 9400 9405 9410 9415 9420 9425 9430 9435 9440
88
088 9445 9450 9455 9460 9465 9469 9474 9479 9484 9489
89
089 9494 9499 9504 9509 9513 9518 9523 9528 9533 9538

090
90 9542 9547 9552 9557 9562 9566 9571 9576 9581 9586
91
091 9590 9595 9600 9605 9609 9614 9619 9624 9628 9633
92
092 9638 9643 9647 9652 9657 9661 9666 9671 9675 9680
93
093 9685 9689 9694 9699 9703 9708 9713 9717 9722 9727
94
094 9731 9736 9741 9745 9750 9754 9759 9763 9768 9773

095
95 9777 9782 9786 9791 9795 9800 9805 9809 9814 9818
96
096 9823 9827 9832 9836 9841 9845 9850 9854 9859 9863
97
097 9868 9872 9877 9881 9886 9890 9894 9899 9903 9908
98
098 9912 9917 9921 9926 9930 9934 9939 9943 9948 9952
99
099 9956 9961 9965 9969 9974 9978 9983 9987 9991 9996
A U L A Observe como encontramos os logaritmos dos números de 1 a 999 consultan-
do a tabela.

60 a) Para números de 1 a 99, a mantissa está na primeira coluna, e a caracterís-


tica será 0, se o número estiver entre 1 e 9, e será 1 se o número estiver entre
10 e 100.
005
5 6990
6
006 7782
7
007 8451 ® log 7 = 0,8451
8
008 9031
9
009 9542

040
40 6021
41
041 6128
42
042 6232
43
043 6335 ® log 43 = 1,6335
44
044 6435

b) Para números entre 100 e 1000 procure a mantissa da seguinte forma: localize
os dois primeiros algarismos na coluna da esquerda e o último algarismo na
linha que está acima da tabela. Na interseção está a mantissa; assim, a
característica será 2. Veja como localizamos o logaritmo de 267.

1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
¯
025
25 3979 3997 4014 4031 4048 4065 4082 4099 4116 4133
26
026 4150 4166 4183 4200 4216 4232 4249 4265 4281 4298
27
027 4314 4330 4346 4362 4378 4393 4409 4425 4440 4456
28
028 4472 4487 4502 4518 4533 4548 4564 4579 4594 4609
29
029 4624 4639 4654 4669 4683 4698 4713 4728 4742 4757

log 267 = 2,4265

Com a tabela também podemos descobrir um número quando o seu logaritmo


é conhecido. Suponha, por exemplo, que em certo problema encontramos o
logaritmo de um certo número igual a 1,4669. Que número será esse?

A mantissa 4669 está inclusive na parte da tabela que acabamos de mostrar.


À esquerda dessa mantissa, vemos na primeira coluna o número 29 e acima dela
o número 3. Formamos então o número 293. Como a característica do logaritmo
é 1, esse número está entre 10 e 99. Logo, o número procurado é 29,3.

log 29,3 = 1,4669


Exercício 1. Exercícios
A U L A
Usando só 3 decimais da tabela de logaritmos temos log 6 = 0,778 e
log 7 = 0,845. Calcule log 42 pela primeira propriedade, e veja na tabela se o
seu resultado está correto. 60
Exercício 2.
Calcule o logaritmo de 5700.

Sugestão: 5700 = 57 · 100. Procure na tabela log 57 e use a primeira propriedade.

Exercício 3. Calcule o logaritmo de 0,38.


38
Sugestão: 0,38 = . Procure log 38 na tabela e use a segunda propriedade.
100

Exercício 4.
Encontre na tabela:
a) log 143
b) log 688
c) log 32,4

Exercício 5.
4
Calcule log 31

Exercício 6.
Calcule log 3
40
1
Sugestão: Veja que 3 40 = 40 3 . Use a tabela e a terceira propriedade.

Exercício 7.
a) Qual é o número cujo logaritmo é 2,6180?
b) Qual é o número cujo logaritmo é 1,6180?
c) Qual é o número cujo logaritmo é 0,6180?

Exercício 8.
A unidade para a medida das distâncias entre as estrelas é o ano-luz , que vale
9,5 trilhões de quilômetros. Qual é o logaritmo desse número?

Exercício 9.
5
Calcule 962 de acordo com as seguintes instruções:
1
a) Calcule log 5 962 = log 962 5 usando a terceira propriedade e o logaritmo
de 962 que se encontra na tabela.

b) Depois que você encontrar o logaritmo, procure a que número ele corres-
ponde. Veja na tabela a mantissa e observe a característica.
A UA UL L AA

61
61
Resolvendo problemas
com logaritmos

Introdução N a aula anterior descobrimos as proprieda-


des dos logaritmos e tivemos um primeiro contato com a tábua de logarítmos.
Agora você deverá aplicar os conhecimentos adquiridos na solução de diversos
problemas.
Vamos lembrar que quando escrevemos, por exemplo, log 2 = 0,301, significa
0,301
que 10 = 2.
Usamos aqui sempre a base 10 e, por isso, os nossos logaritmos são
chamados decimais. Existem também logaritmos em outras bases. Por exem-
5
plo, a igualdade 2 = 32 significa que o logaritmo de 32 na base 2 é igual a 5. Como
a teoria básica dos logaritmos é a mesma em qualquer base, continuaremos
nosso estudo tratando apenas dos logaritmos decimais. São eles que aparecem
nas tábuas dos livros didáticos e nas calculadoras científicas.

Nossa aula Esta aula foi elaborada com problemas em que os logaritmos são necessários
para a solução. Acompanhe o raciocínio com uma calculadora comum para
conferir os cálculos e consulte a tábua de logaritmos da aula passada quando
necessário.

EXEMPLO 1

Um juiz determinou o pagamento de uma indenização até certa data.


Determinou também que, caso o pagamento não fosse feito, seria cobrada uma
multa de R$ 2,00 que dobraria a cada dia de atraso. Em quantos dias de atraso essa
multa seria superior a 1 milhão de reais?

Solução:
A multa determinada pelo juiz pode parecer pequena, se o atraso no
pagamento for de poucos dias. Mas ela cresce com uma rapidez muito grande.

Chamando de x o número de dias de atraso no pagamento, o valor da dívida


será 2x. Veja:
1 dia de atraso Þ x = 1 Þ multa = 21 = 2
2 dias de atraso Þ x = 2 Þ multa = 2² = 4
3 dias de atraso Þ x = 3 Þ multa = 2³ = 8 e assim por diante.
Como vemos, as multas crescem em progressão geométrica. Devemos calcu- A U L A
lar em que dia essa multa atinge 1 milhão de reais, ou seja, devemos resolver a
equação:
x
61
2 = 1 000 000

Para resolver essa equação é preciso aplicar o logaritmo nos dois lados:
x
log 2 = log 1 000 000
x 6
log 2 = log 10

Agora vamos aplicar a propriedade do logaritmo da potência:

x · log 2 = 6 · log 10

Como log 10 = 1 e log 2 = 0,301 (veja a tabela), temos:

x · 0,301 = 6
6
x = = 19, 93
0, 301
Assim, concluímos que no 20º dia de atraso a multa terá passado de 1 milhão
de reais.

Veja outro exemplo que necessita do cálculo pela tábua de logaritmos.

EXEMPLO 2

Se log x = 1,6395, determine x.

Solução:

Vamos recordar, inicialmente, que o logaritmo se constitui de duas partes: a


característica e a mantissa. A característica é o número que está antes da vírgula
e a mantissa é o número que aparece depois da vírgula. A tábua de logaritmos
apresentada na aula passada nos dá apenas as mantissas, mas a característica nos
dá a seguinte informação:

NÚMEROS CARACTERÍSTICA
entre 1 e 9 0
entre 10 e 99 1
entre 100 e 999 2
entre 1000 e 9999 3

Como log x = 1,6395 tem característica 1. Então, sabemos que o número x


está entre 10 e 99. Assim, procuramos a mantissa 6395 na tábua.
A U L A 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

61
¯
040
40 6021 6031 6042 6053 6064 6075 6085 6096 6107 6117
41
041 6128 6138 6149 6160 6170 6180 6191 6201 6212 6222
42
042 6232 6243 6253 6263 6274 6284 6294 6304 6314 6325
43
043 6335 6345 6355 6365 6375 6385 6395 6405 6415 6425
44
044 6435 6444 6454 6464 6474 6484 6493 6503 6513 6522

Uma vez encontrada a mantissa, vemos que na coluna da esquerda está o


número 43 e na linha de cima o número 6. Juntando esses números, formamos o
número 436, faltando apenas colocar a vírgula no lugar certo. Como o nosso
número está entre 10 e 99, então x = 43,6.

EXEMPLO 3

Um construtor deseja fazer um reservatório de água para conter 5000 litros


e que tenha a forma de um cubo. Quanto deve medir o lado desse cubo?

Solução:

Um cubo é uma caixa que tem comprimento, largura e altura iguais.

O volume de uma caixa é o produto de suas dimensões: comprimento ´


largura ´ altura. Logo, se o lado do cubo mede a seu volume será a · a · a = a³ a³.
Por outro lado, sabemos que 1m³ é igual a 1000 litros. Portanto, se essa caixa deve
conter 5000 litros, seu volume será 5m³. Devemos então resolver a equação:
a³ = 5
O valor de a será a medida em metros do lado desse cubo. Aplicando
logaritmo dos dois lados e, em seguida, a propriedade da potência temos:

log a³ = log 5
3 · log a = log 5
Na tábua de logaritmos encontramos log 5 = 0,699. Logo:

3 · log a = 0,699
0, 699
3 · log a =
3
log a = 0,233

Como agora sabemos que o logaritmo de a é igual a 0,233, vamos procurar na


tábua de logaritmos a mantissa 233.
Encontrando a mantissa 2330, verificamos que à esquerda existe o número 17 A U L A
e acima o número 1. Juntando esses algarismos formamos o número 171. Falta
apenas colocar a vírgula no lugar correto. Repare que calculamos log a = 0,233.
Esse número possui característica 0, ou seja, o valor de a está entre 1 e 9. Portanto, 61
o valor do lado do cubo é 1,71 m.
Dessa forma, o construtor saberá que construindo um reservatório de água
com a forma de um cubo de 1,71 m de lado, ele terá a capacidade de conter 5000
litros de água.

EXEMPLO 4

Em certo país, a taxa de inflação é igual todos os meses, mas no final de


um ano verificou-se que os preços dobraram. Qual é a taxa mensal de inflação
nesse país?

Solução:
Suponhamos que a taxa mensal de inflação seja i . Se hoje um produto custa
x , custará daqui a um mês x (1 + i). Dentro de dois meses custará x (1 + i)2 e assim
por diante. No final de um ano, esse preço será x (1 + i)12. Como sabemos que
o preço será também o dobro do valor inicial, temos a equação:

x (1 + i)12 = 2x
ou
(1 + i)12 = 2

Para calcular o valor da taxa i , aplicamos o logaritmo aos dois lados da nossa
equação:

12
log (1 + i) = log 2
12 · log (1 + i) = 0,301
0, 301
log (1 + i) =
12
log (1 + i) = 0,0251

Na tabela não encontramos a mantissa 0251, mas encontramos 0253 (que é


um valor próximo). Com essa mantissa formamos o número 107. Como a
característica é zero nosso número será 1,07, então:

log (1 + i) = 0,0251
1 + i = 1,07 (aproximadamente)
i = 0,07 = 7%

Portanto, a inflação mensal que faz os preços dobrarem em um ano é de


aproximadamente 7%.
A U L A EXEMPLO 5

61 Pela evaporação, um reservatório perde, em um mês, 10% da água que


contém. Se não chover, em quanto tempo a água se reduzirá a um terço do que
era no início?

Solução:

Vamos chamar de x a quantidade de água que temos no reservatório.


10
Em um mês essa quantidade será x - 100 x = x - 0,1 x = x · 0, 9 .
2
Em dois meses será x · 0,9 e assim por diante. Logo, depois de n meses, a
n
quantidade de água no reservatório será x · 0,9 . Desejamos então calcular n
x
para que esse valor seja igual a 3 , ou seja, um terço do que era no início.

x
x · 0, 9n =
3
1
0, 9n =
3

Para calcular n vamos aplicar o logaritmo nessa equação e usar as proprieda-


des da potência e da razão.

1
log 0, 9n = log
3

1
n · log 0, 9 = log
3

9 1
n · log = log
10 3

Veja que log 1 = 0, log 10 = 1, log 3 = 0,4771 e log 9 = 0,9542, como nos informa
a tabela. Substituindo esses valores, temos:

n (0,9542 - 1) = 0 - 0,4771

n ( - 0,0458) = - 0,4771

0, 4771
n = = 10, 42
0, 0458

Assim, temos 10 meses e uma fração (0,42) que é quase a metade.


Como 0,42 · 30 dias = 12, 6 dias, dizemos que em 10 meses e 13 dias a água do
reservatório terá se reduzido a um terço do que era no início.
Exercício 1. Exercícios
A U L A
Determine x em cada um dos casos:
a) log x = 2,7348
b) log x = 1,7348
61
c) log x = 0,7348

Exercício 2.
Determine os logaritmos:
a) log 192
b) log 68,4

Exercício 3.
A população de um país cresce 5% a cada ano. Em quantos anos ela ficará
duas vezes maior?

Exercício 4.
Quanto mede o lado de um cubo de 40 m³ de volume?

Exercício 5.
Em certo país, a inflação é a mesma todos os meses, atingindo 76% em 5
meses. Qual é a inflação mensal?

Exercício 6.
Encontre o valor de x em cada uma das equações:
a) log x = log 4
b) log x = log 3 + log 5
c) log (x - 3) + log 2 = 1
Sugestão: substitua 1 por log 10, e aplique do lado esquerdo a propriedade
da adição.
d) log (5x + 10) - log x = 2

Exercício 7.
Num certo dia, a temperatura ambiente era de 30ºC. Sobre um fogão havia
uma panela com água fervendo e, em certo momento, o fogo foi apagado. A
partir das informações que daremos a seguir, calcule que temperatura terá
essa água 10 minutos depois que o fogo foi apagado.
Informações: A temperatura da água que se resfria obedece à seguinte
equação:
-0,06 n
t - a = (b - a) · 10

Os significados das letras são os seguintes:

n = tempo de resfriamento em minutos.


a = temperatura do ambiente.
b = temperatura da água no início.
t = temperatura da água após o tempo de resfriamento.

Substitua os valores dados na equação: a = 30, b = 100 e n = 10. Aplique o


logaritmo para calcular a temperatura da água.
A UA UL L AA

62
62

Unidades de volume

Introdução C om esta aula iniciamos uma nova unidade


do Telecurso 2000: a Geometria Espacial. Nesta unidade você estudará as
propriedades de figuras espaciais, tais como: o cubo, o paralelepípedo, a esfera,
o cilindro etc. Aprenderá também a calcular o volume dessas e de outras figuras.
Para o cálculo de um volume podemos usar diferentes unidades de medida.
Certamente você já conhece o litro e o metro cúbico. Portanto, vamos aprofundar
esses conceitos.

Nossa aula Volume ou capacidade

Volume ou capacidade de um corpo (ou recipiente) é a quantidade de espaço


que esse corpo ocupa ou que ele dispõe para armazenar alguma coisa. Por
exemplo:

R EFRIGE ÓL E O LEITE

Esses recipientes têm a capacidade de armazenar 1 litro de líquido, conforme


a indicação em cada embalagem. Podemos dizer que o volume ou a capacidade
de cada um desses recipientes é de 1 litro.
Vejamos um outro exemplo: diariamente nos portos brasileiros, navios são
carregados ou descarregados com mercadorias que serão transportadas para
outros lugares. Em geral, essas mercadorias são armazenadas em grandes caixas
chamadas de “container”.

Existem dois tipos de container: o de 20 pés (cuja capacidade é de 32,88 metros


cúbicos) e o de 40 pés (cuja capacidade é de 66, 92 metros cúbicos).
Unidade de volume e de capacidade A U L A

Nos exemplos anteriores utilizamos o litro (cuja abreviatura é l ) e o metro


3
cúbico (cuja a abreviatura é m ) como unidades de medida. 62
Além dessas unidades, temos também o centímetro cúbico (cm³), o decímetro
cúbico (dm³), o mililitro (m l ) etc.
A escolha da unidade de medida adequada depende do tamanho do que
se vai medir.
O metro cúbico, por exemplo, é adequado para medir grandes volumes,
como no caso de um container.
Para medir pequenos volumes costumamos usar o litro, como no caso da
caixa de leite.

O litro

O litro é a quantidade de líquido


capaz de encher completamente um
cubo oco, com 10 cm de aresta.
Aresta é o nome que se dá à linha
que separa uma face da outra. Os lados
10 cm
dos quadrados que formam o cubo são
as arestas do cubo.
10 cm
10 cm

Quantos litros cabem num metro cúbico?


Para responder a essa pergunta vamos imaginar uma caixa cúbica com
1 metro de aresta e muitos cubinhos com 10 cm de aresta. Cada um desses
cubinhos corresponde a 1 litro de água.

Podemos arrumar os cubinhos


dentro da caixa grande em fileiras
de 10, de forma que o fundo da
caixa fique com 10 · 10 = 100 cubi-
nhos.
Como podemos formar 10 cama-
das, temos:
1m
10 · 10 · 10 = 1 000 cubinhos

1m
1m
1 litro
Portanto:

1 m³ = 1 000 l
A U L A O volume do paralelepípedo

62 Paralelepípedo é o nome que a Matemática dá a objetos que tenham a forma


de uma caixa, de um tijolo etc.

2
4

Observe que o paralelepípedo da figura acima foi formado por 24 cubos de


aresta 1.
Considerando esse cubo como unidade padrão, podemos dizer que o volume
do paralelepípedo é 4 · 2 · 3 = 24.

De maneira geral, podemos calcular o volume de um paralelepípedo multi-


plicando-se as 3 dimensões:

Volume do paralelepípedo = comprimento · largura · altura

Vejamos um exemplo: quantos litros de água são necessários para encher


completamente uma caixa d’água cujas dimensões são: 0,90 m de comprimento,
0,80 m de largura e 0,70 m de altura?

0,70 m

0,80 m
0,90 m

Volume = 0,90 m · 0,80 m · 0,70 m


= 0,504 m³

Como 1 m³ = 1000 l, então:

0,504 · 1000 = 504 l

São necessários 504 l para encher, completamente, essa caixa d’água.


O mililitro A U L A

Em algumas situações práticas, o volume a ser medido é tão pequeno que o


litro se torna uma unidade inadequada. Isso acontece, por exemplo, quando 62
queremos indicar a quantidade de líquido de um vidro de remédio. Nesse caso
usamos o mililitro (m l ).

O mililitro é a quantidade de líquido que cabe


num cubo oco com 1 cm de aresta.

15 ml

1 cm Volume = 1 cm³
1 cm
1 cm

1 cm³ = 1 ml

As latas de cerveja costumam ter em seu rótulo a indicação em mililitros de


seu volume. Repare:

355ml 350ml

Muitas vezes é importante que saibamos relacionar duas unidades. Da


mesma forma que relacionamos a hora com o minuto, o metro com o quilômetro
ou com o centímetro, da mesma forma precisamos relacionar as unidades de
volume.

Portanto:

1 l = 1 000 cm³ 1m³ = 1000 l

1 cm³ = 1 ml 1l = 1 dm³
Exercícios
A U L A Exercício 1.
A piscina de um clube tem 2 m de profundidade, 12 m de comprimento e

62 8 m de largura. Quantos litros de água são necessários para enchê-la?

Exercício 2.
Uma caixa de vinho tem as seguintes dimensões: 30 cm de altura, 40 cm de
comprimento e 25 cm de largura. Um comerciante importou um container
de 20 pés de caixas de vinho. Quantas caixas de vinho ele encomendou?

Exercício 3.
Um caixa d’água cúbica, de 1 metro de aresta, está completamente cheia. Dela
retiramos 70 litros de água. De quanto desce o nível da água?

Exercício 4.
Precisamos construir uma caixa d’água com o formato de um paralelepípedo.
Quais podem ser as dimensões dessa caixa para que sua capacidade seja de
5.000 litros?

Exercício 5.
Como você explicaria para uma criança o que é um litro de água?

Exercício 6.
Que unidade de medida você usaria para indicar a quantidade de líquido em:
a) um copo de chopp;
b) uma lata de óleo;
c) uma piscina;
d) uma ampola.

Exercício 7.
Uma outra unidade para medir volumes, muito usada na vida prática, é a
garrafa. Sabendo que a garrafa vale 34 de litro indique sua capacidade em
mililitros.

Exercício 8.
Com um barril de vinho de 360 litros, quantas garrafas de vinho podemos
completar?

Exercício 9.
Uma lata de óleo tem, em geral 900 ml. Quantas latas correspondem a um
galão de 20l de óleo?
AUU
A L AL A

63
63
Cubo, prismas, cilindro

Q ual é a quantidade de espaço que um sólido


ocupa? Esta é uma das principais questões quando estudamos as figuras espa-
Introdução
ciais. Para respondê-la, a geometria compara esse sólido com outro, tomado como
unidade. O resultado dessa comparação é um número real positivo, chamado de
volume ou capacidade do sólido.

Qual é o volume da caixa?

V = 4 cm · 3 cm · 2 cm
V = 24 cm = 24 m l
3
2 cm
3
O volume dessa caixa é de 24 cm , que
3 cm também pode ser expresso como 24 mili-
4 cm litros (24m l ).

Na aula anterior você estudou as unidades padronizadas de volume e Nossa aula


aprendeu a calcular o volume do paralelepípedo. Nesta aula vamos aprofundar
um pouco mais esses conceitos.

O volume do bloco retangular

Bloco retangular ou paralelepípedo retângulo é o nome que a Matemática dá


aos objetos que têm a forma de uma caixa de sapatos, caixa de fósforos etc.

b
c
a b

Observe que essa forma geométrica é


delimitada por seis retângulos cujas faces
opostas são retângulos idênticos. c
a
A U L A Observe também que, em cada vértice, as arestas são perpendiculares duas
a duas. O volume do bloco retangular é dado por:

63 V = abc

onde a , b e c são as medidas das arestas, usando uma mesma unidade de


comprimento.
Como ac é a área do retângulo que é a base do bloco retangular e c é a sua
altura, o volume do bloco retangular é dado por:

V=A·h

Em que A é a área da base e h a altura.

O volume de um cubo

O cubo é um paralelepípedo cujas arestas têm a mesma medida.

A figura ao lado mostra um cubo de


aresta 2 cm.
2 cm
Seu volume é
3 3 3
2 cm · 2 cm · 2 cm = 2 cm = 8 cm 2 cm
2 cm
De maneira geral, um cubo de aresta a tem seu volume expresso por:

V = a3

Um pouco A preocupação com o cálculo de volumes é bastante antiga. Há milhares de


de história anos a civilização egípcia já conhecia alguns processos para esse cálculo. Os
habitantes da Grécia Antiga aprimoraram esses processos e desenvolveram
outros. Destaca-se o trabalho do matemático e físico Arquimedes, que viveu no
século III a.C.
Desenvolvendo raciocínios bastante criativos, Arquimedes mostrou como
calcular o volume de diversas figuras geométricas.
Conta-se que, enquanto tomava banho, constatou que a água subia
quando ele mergulhava. Essa quantidade de água que subia era seu volume.
Veja como obter o volume de um sólido qualquer, como uma pedra, uma
fruta, um legume etc. usando o princípio de Arquimedes .

elevação do A diferença entre os


líquido dois resultados é o
volume do sólido.
Prismas A U L A

Veja alguns exemplos de prismas.


63

Prismas são sólidos geométricos que possuem as seguintes características:

l bases paralelas são iguais;

l arestas laterais iguais e paralelas e que ligam as duas bases.

base

faces
laterais
aresta
lateral

aresta base
da base

Nomenclatura: Os prismas são desiguais pelo número de lados das bases,


que lhes dão o nome:

Prisma Prisma Prisma Prisma


Triangular Pentagonal hexagonal quadrangular

Observação: Só trataremos aqui de prismas retos, que são aqueles cujas


arestas laterais são perpendiculares às bases.
A U L A

63 A pilha entorta e o volume se mantém

Para compreender as idéias de Cavalieri (matemático italiano que viveu


na Itália no século XVII), vamos imaginar uma pilha formada com as
cartas de quatro ou cinco jogos de baralho. Podemos formar pilhas de
várias formas, que tenham a mesma base e a mesma altura.

1 2 3 4

Partindo de qualquer uma das pilhas, podemos raciocinar assim: o


volume da pilha é a soma dos volumes das cartas e, como as cartas são
as mesmas, as pilhas têm o mesmo volume, apesar de terem formas
diferentes.
A primeira pilha tem a forma de um bloco retangular (ou paralelepípe-
do retângulo). É um sólido delimitado por seis retângulos; as faces
opostas são retângulos idênticos. A terceira pilha tem a forma de um
paralelepípedo oblíquo: suas bases são retângulos, mas suas faces
laterais são paralelogramos. Da pilha 1 para a pilha 3 houve mudança
de forma, mas o volume permaneceu inalterado. Como os paralelepí-
pedos das pilhas 1 e 3 têm a mesma base, a mesma altura e o mesmo
volume, e como o volume do paralelepípedo da pilha 1 é igual ao
produto da área da sua base pela sua altura, concluímos que o volume
do paralelepípedo da pilha 3 também é igual ao produto da área da sua
base pela sua altura.
Desse modo, conseguimos calcular o volume de um paralelepípedo
oblíquo, que não pode ser decomposto em cubinhos unitários. O
cálculo do volume desse sólido ilustra a idéia central de Cavalieri, já
trabalhada por Arquimedes. Essa idéia consiste em imaginar um sólido
decomposto em camadas muito finas, como as cartas de um baralho. Se
dois sólidos forem constituídos por camadas iguais, de mesma área e de
mesma espessura, então seus volumes são iguais.

(Fonte: Telecurso 2º grau 6ª ed. 1989 - FRM. Aula 64, pág. 423)

Volume do prisma

Você já sabe que para determinar o volume de um bloco retangular


utilizamos a fórmula

V=A·h
Imagine um prisma qualquer e um bloco retangular com a mesma altura (h) A U L A
e as bases de mesma área (A), apoiados em um plano horizontal, como mostra a
figura.
63
A A h

A A

Qualquer outro plano horizontal corta os dois sólidos, determinando figuras


iguais às suas bases. Logo, pelo princípio de Cavalieri, eles têm mesmo volume.
Por isso, o volume de qualquer prisma é o produto da área da base pela altura.

V=A·h

Vejamos um exemplo:

Qual é o volume do prisma triangular da figura abaixo, sabendo que suas


bases são formadas por triângulos equiláteros de lados 5 cm?

10 cm

ATENÇÃO!
A fim de saber qual a base de um prisma, examine suas faces (as figuras
planas que o limitam) e verifique quais delas são paralelas. Há exata-
mente duas que são paralelas. Qualquer uma delas pode ser escolhida
como base.
Para obter o volume do prisma, devemos multiplicar a área de sua base
pela altura.
λ 3
Como foi visto na Aula 41, a altura do triângulo equilátero é h =
2
5 3
Como l = 5, temos que h = = 2, 5 3 cm
2
Logo, a área do triângulo equilátero é igual a:
5 · 2, 5 3 12, 5 3 2
= = 6, 25 3 cm
2 2
Assim, o volume do prisma é:
V = 6, 25 3 ´ 10 = 62, 5 3 cm 3

Usando 3 = 1, 73 temos que o volume do prisma é aproximadamente


3
108,125 cm .
A U L A O cilindro

63 São comuns os objetos que têm a forma de um cilindro, como por exemplo,
um lápis sem ponta, uma lata de óleo, um cigarro, um cano etc.

ÓL E O

Podemos imaginar um cilindro formado por círculos de cartolina, todos do


mesmo tamanho, empilhados. Por isso, temos que o volume do cilindro é
também igual ao produto da área da base pela altura.

Volume do cilindro
V=A·h

Há muita semelhança entre os prismas e os cilindros. Podemos dizer que eles


pertencem a uma mesma família de sólidos geométricos, com características
comuns.

O volume de todos os prismas e de todos os cilindros pode ser determinado


aplicando-se a fórmula:

V=A·h
Exercício 1. Exercícios
A U L A
Um restaurante costuma usar panelas enormes em dias de muito movimen-
to. Para encher de água uma dessas panelas o cozinheiro utiliza latas
(ou galões) de 18 litros. Quantos desses galões são necessários para encher 63
completamente uma panela de 60 cm de diâmetro e 50 cm de altura?

18 ll
50 cm

60 cm

Exercício 2.
Alguns supermercados têm usado um prisma de madeira para separar, no
caixa, as compras dos clientes que já foram registrados.

Supondo que esse prisma seja maciço, determine o volume de madeira


necessário para a fabricação de 100 prismas com as seguintes características:
aresta da base com 2 cm e altura com 20 cm (use 3 @ 1,73 ).

Exercício 3.
Qual o volume aproximado de uma lata de óleo ou de refrigerante? Use uma
régua para medir a altura e o raio da base.

Exercício 4.
Quantos metros de fio de cobre, de 81 de polegada de diâmetro, podem ser
3
fabricados a partir de 100 kg de cobre? Sabe-se que 1 cm de cobre tem
massa igual a 8,8 kg e que 1 polegada é aproximadamente igual a 2,54 cm.
A U L A Exercício 5.
As arestas do prisma da figura a seguir são todas iguais a 4 unidades. Calcule

63 seu volume.

4
4

4 4

Exercício 6.
Os cubos seguintes têm, respectivamente, arestas 1, 2 e 3.

1 2 3
a) Calcule o volume de cada um dos cubos.
b) O que ocorre com o volume do cubo quando dobramos sua aresta?
E quanto a triplicamos?

Exercício 7.
Qual o volume da estufa representada pela seguinte figura?

60 cm

1,40 m

3m 6m

Exercício 8.
De um cubo de madeira de 6 cm de aresta foi cortado um prisma de base
triangular, como mostra a figura. Qual é o volume desse prisma?

4
AUU
A L AL A

64
64
Observando
embalagens

O leite integral é vendido em caixas de


papelão laminado por dentro. Essas embalagens têm a forma de um paralele-
Introdução
pípedo retângulo e a indicação de que contêm 1000 m l de leite, cada uma.
José comprou uma dessas caixas e, após despejar o leite numa leiteira, foi
tirar a prova. Com uma régua ele mediu a embalagem:

6 cm ´ 9,5 cm ´ 16,5 cm

Ao calcular o volume, ele encontrou:

V = 6 ´ 9,5 ´ 16,5 = 940,5 cm³

Como ele sabe que 1 cm³ = 1 m l , concluiu que estava sendo enganado em
quase 60 ml, por litro! Para confirmar sua suspeita, ele derramou 1l de água
dentro da caixa. E foi aí que, cheio de espanto, ele observou que toda a água coube
dentro da caixa, sem derramar.

- Como pode? - pensou. - Pelos meus cálculos só caberiam 940,5 m l , mas,


na prática eu observo que a caixa pode conter 1.000 m l !
Olhando com atenção para a caixa de papelão com água, ele observou um
fato que lhe permitiu matar a charada. Será que você consegue descobrir que
fato foi esse que José observou?

Nesta aula, vamos conferir e comparar volumes de embalagens de merca- Nossa aula
dorias, aplicando o que sabemos sobre volumes de prismas, cubos e cilindros.
A maioria das embalagens das mercadorias que consumimos vem em uma
dessas três formas: paralelepípedo retângulo, cubo ou cilindro. Vejamos alguns
exemplos:
A U L A EXEMPLO 1

64 Uma lata de óleo tem a forma de um cilindro. Seu diâmetro mede 8,4 cm e,
sua altura, 18,2 cm. Será que ela comporta 1000 ml de óleo?

O raio da base é 4,2 cm. Como o volume do cilindro é V = A ´ h,


temos:
ÓL E O

V = p ´ (4,2) ´ 18,2 = 3,14 ´ 17,64 ´ 18,2 = 1.008 cm³ = 1.008 ml


2

Então, a resposta é sim.

EXEMPLO 2

Uma caixa é feita com placas de


madeira com 0,5 cm de espessura.
Depois de pronta, observa-se que as
6 cm
medidas da caixa, pela parte exter-
na, são 13 cm ´ 16 cm ´ 6 cm.
13 cm
16 cm
Qual o volume externo da caixa?

V = a ´ b ´ c = 13 ´ 16 ´ 6 = 1.248 cm³

Qual é a capacidade da caixa, isto é, seu volume interno?

Observe que as medidas do interior da caixa são as medidas do exterior,


subtraindo-se a espessura da madeira. Assim, cada lado ficará subtraído de
2 ´ 0,5 cm = 1,0 cm e o fundo, de 0,5 cm, passando a medir, então:

16 - 1 = 15 cm 0,5

13 - 1 = 12 cm
0,5 0,5
6 - 0,5 = 5,5 cm

O volume interno é: 16

V = 15 ´ 12 ´ 5,5 = 990 cm³

Qual o volume de madeira utilizada?


O volume de madeira será a diferença entre o volume externo e o interno.
Logo, o volume de madeira é:

Vmadeira = 1.248 - 990 = 258 cm³


Qual embalagem é mais econômica? A U L A

As bebidas normalmente, são vendidas em embalagens diferentes. É preciso


ter sempre atenção na hora de decidir qual comprar. Veja o exemplo: 64
Certa bebida é vendida em dois tipos de embalagem:
l em garrafa de 600 ml, por R$ 0,78.
l em lata de 350 ml, por R$ 0,49.

Qual das duas embalagens é mais vantajosa?


Para resolver essa questão, vamos calcular o preço de cada ml, em cada uma
das embalagens e, em seguida, comparar seus valores.

350ml 600 ml

l Garrafa: 78 ¸ 600 = 0,13 centavos por ml


l Lata: 49 ¸ 350 = 0,14 centavos por ml
Observe que o valor de cada ml, na embalagem garrafa, é mais barato que na
embalagem lata. Logo, comprar em garrafa é mais vantajoso.

Quem é maior?

São comuns os objetos em forma cilíndrica. Num supermercado, se você


observar as embalagens, vai identificar facilmente essa forma.

ÓL E O
MILHO
ERVILHA

GOIABADA

Uma pessoa dispõe de dois recipientes cilíndricos: um tem raio de 20 cm e


altura de 12 cm; o outro tem a metade do raio, porém o dobro da altura. Qual o
recipiente de maior capacidade?

24 cm
12 cm

20 cm 10 cm

A B
A U L A Vamos calcular seus volumes e comparar os resultados:

64 Vcilindro = Abase · h

VA = p ´ 20 ´ 12 = 4.800 p cm³ VB = p ´ 10 ´ 24 = 2.400 cm³


2 2

Como você pode observar, o recipiente mais baixo, recipiente A, possui


maior capacidade.
À primeira vista, pode parecer que o fato de o recipiente ter a metade do raio
será compensado por ter o dobro da altura. Porém, isso não acontece.
2
No cálculo do volume do cilindro, V = pR · h, observamos que o raio vem
elevado ao quadrado e a altura não. Isso significa que, quando calculamos o
volume, as variações ocorridas no raio têm um peso maior do que as variações na
altura. Por esse motivo, os dois fatos não se contrabalançam, predominando a
variação do raio sobre o valor final do volume.

Uma Curiosidade

Você sabe por que as bolhas de sabão são esféricas?

A película que forma a bolha de sabão está submetida a tensões que


fazem com que ela tenha a menor área possível.
A figura geométrica que consegue abranger um certo volume com a
menor área possível é a esfera .

Assim, se os fabricantes de leite integral, por exemplo, quisessem economi-


zar o máximo de papelão em suas embalagens, elas deveriam ser esféricas. O
problema é que, neste caso, o custo da confecção desse tipo de embalagem ficaria
muito alto e não valeria a pena.
Será que agora, depois de ler essa curiosidade, você saberia adivinhar qual
foi o fato observado por José, na caixa de leite, quando colocou 1l de água dentro
dela? (Volte e leia outra vez a introdução.)
Bem, isso encerra nossa aula de hoje. A partir de agora, preste bastante
atenção às embalagens, suas capacidades e seus custos. Mas, antes, vamos
praticar.
Exercício 1 Exercícios
A U L A
Um tablete de margarina, com 100 g, mede 3 cm ´ 3 cm ´ 12, 5 cm e tem
a forma de um paralelepípedo. Um quilo dessa margarina é vendido em
latas cilíndricas, com 11 cm de diâmetro e 12 cm de altura. Essa embala- 64
gem é honesta? (Considere p = 3,14).
Exercício 2
Um supermercado vende pedaços de goiabada. Os pedaços têm a forma
aproximada de paralelepípedos. Um pedaço mede 6 cm ´ 5 cm ´ 8 cm e custa
R$ 0,72. Um outro pedaço, de 8 cm ´ 6 cm ´ 9 cm, é vendido a R$ 1,35. Qual
dos dois pedaços será mais vantajoso comprar?
Exercício 3
Qual o tanque com maior capacidade?

2h

h h
2
R
R 2 2R
A B C
Exercício 4
Uma barra de doce de leite (paralelepípedo retângulo), com 5cm ´ 6 cm ´ 7cm,
foi completamente envolvida com papel laminado. Se a barra for cortada em
cubos de 1 cm de aresta, quantos cubos ficarão sem qualquer cobertura de
papel laminado? (UFRJ-1990)
Exercício 5
Um cubo é construído com placas de madeira com 0,5 cm de espessura. A
diferença entre o volume externo e o interno desse cubo vale 37cm³. Calcule
o volume interno desse cubo.
Exercício 6
Um tubo de plástico tem diâmetro interno igual a 1,6 cm. Qual deve ser o seu
comprimento para que ele possa conter 1l de água?
Exercício 7
As latas de leite condensado têm a forma de um cilindro equilátero, ou seja,
um cilindro cuja altura é igual ao diâmetro da base. A altura dessas latas mede
7,4 cm, aproximadamente, e elas contêm 300 g de leite. Com base nesses
dados, calcule qual deve ser o volume ocupado por 1 kg de leite condensado.
Exercício 8
No rótulo de um balde de sorvete, encontra-se a informação de que seu
conteúdo é de 3 litros. O balde tem forma cilíndrica com 16 cm de diâmetro.
Calcule quanto deve medir sua altura.
Exercício 9
O doce de leite é vendido, em um supermercado, em dois tipos de embalagem:
l um tijolo, cujas medidas são 8 cm ´ 10 cm ´ 9 cm e que custa R$ 4,80.
l pequenas unidades, medindo 1,5 cm ´ 3 cm ´ 1,0 cm
Por quanto deve ser vendida cada uma das pequenas unidades, de modo a
não haver vantagem de uma embalagem sobre a outra?
A UA UL L AA

65
65
Pirâmide, cone e esfera

Introdução D ando continuidade à unidade de Geome-


tria Espacial, nesta aula vamos estudar mais três dos sólidos geométricos: a
pirâmide, o cone e a esfera.

Nossa aula A pirâmide

A pirâmide é considerada um dos mais antigos sólidos geométricos


construídos pelo homem. Uma das mais famosas é a pirâmide de Quéops,
construída em 2.500 a.C., com 150 m de altura, aproximadamente - o que
pode ser comparado a um prédio de 50 andares.
Quando pensamos numa pirâmide, vem-nos à cabeça a imagem da pirâmide
egípcia, cuja base é um quadrado. Contudo, o conceito geométrico de pirâmide
é um pouco mais amplo: sua base pode ser formada por qualquer polígono. As
figuras abaixo representam pirâmides:

Pirâmide Triângular Pirâmide Pirâmide Pirâmide


(tetraedro) quadrangular Pentagonal hexagonal
Algumas definições: A U L A

Uma pirâmide é um sólido geométrico, cuja base é um polígono e cujas


faces laterais são triângulos que possuem um vértice comum. 65
V vértice

aresta da face
face

altura

aresta da base

base

l A altura da pirâmide é um segmento perpendicular à base e que passa por


V (vértice).
l Uma pirâmide é regular se a base é um polígono regular e as faces são
triângulos iguais. Com isso o pé da altura é o centro do polígono da base,
como mostram as figuras abaixo.

Pirâmide Triângular Pirâmide Quadrangular


Regular Regular
(a base é um triângulo equilátero) (a base é um quadrado)

O cone

Um funil ou uma casquinha de sorvete dão a idéia do sólido geométrico


chamado cone . Um cone (mais precisamente, um cone circular reto) é o sólido
obtido da seguinte maneira: tome uma região do plano limitado por uma
circunferência e, de um ponto P situado exatamente acima do centro da
circunferência, trace os segmentos de reta unindo P aos pontos da circunferên-
cia do círculo.
A U L A A pirâmide e o cone

65 Há muita semelhança entre o cone e a pirâmide. A diferença é que a base do


cone é delimitada por um círculo, em vez de um polígono. Ambos podem ser
imaginados como um conjunto de segmentos que ligam um ponto P, exterior ao
plano, a uma região do plano, como mostra a figura abaixo.

P P

O volume da pirâmide e do cone

Na Aula 63, você viu que o volume do prisma é igual ao produto da sua altura
pela área da base.
É possível mostrar que, se tivermos um prisma e uma pirâmide de mesma
base e mesma altura, o volume do prisma será o triplo do volume da pirâmide.

= 3x h

Você pode comprovar esse fato, experimentalmente. Para isso, basta cons-
truir, em cartolina, um prisma e uma pirâmide de mesma base e mesma altura.

Usando areia ou grãos de arroz, encha a pirâmide e despeje seu conteúdo


no prisma.
Você vai observar que será necessário despejar cerca de três vezes o A U L A
conteúdo da pirâmide no interior do prisma, para enchê-lo por completo.
Com isso, concluímos que o volume da pirâmide é um terço do volume do
prisma: 65
Vpirâmide = 1
3
A´h onde A representa a área da base e h, sua altura.

Para determinar o volume do cone, podemos proceder de forma análoga.


Para isso, construa, em cartolina, um cone e um cilindro de mesma base e
mesma altura.

Enchendo o cone com areia, será necessário despejar três vezes seu
conteúdo no interior do cilindro, para enchê-lo.

Portanto, podemos concluir que o volume do cone é a terça parte do volume


do cilindro, de mesma base e mesma altura

Vcone = 1
3
A´h onde A representa a área da base e h, sua altura.

Assim, para toda pirâmide e para todo cone é válida a fórmula:

V = A´h
3

Vamos ver alguns exemplos:

EXEMPLO 1

Qual o volume de uma pirâmide quadrangular, cuja altura mede 5 cm e a


aresta da base, 3 cm?

Abase = 32 = 9 cm2

´ 9 ´ 5 = 15 cm
1 3
V= 3

3
O volume dessa pirâmide é de 15 cm
A U L A EXEMPLO 2

65 Um copo de caldo de cana, no formato de um cone, tem 8 cm de diâmetro


e 12 cm de altura. Qual a capacidade desse copo?
4

12

Abase = pR = 3,14 ´ 16 = 50,24 cm


2 2

´ 50,24 ´ 12 = 200,96 cm
1 3
V= 3

Como 1 cm = 1 m l , concluímos que a capacidade do copo é de aproxima-


3

damente 200 m l .

A esfera

Sem dúvida alguma, a esfera é considerada um dos sólidos mais curiosos que
existem, e sua forma tem sido extremamente útil ao homem.
É possível que os homens tenham criado a forma esférica a partir da
observação e do estudo dos corpos celestes, como o Sol e a Lua. Ou da
verificação de fenômenos como a sombra da Terra projetada sobre a Lua. O
formato de nosso planeta foi reproduzido em diversos objetos até chegar às
bolas de futebol, vôlei e outros.
Matematicamente, a esfera é o conjunto de todos os pontos do espaço cuja
distância a um ponto 0 é igual a uma distância R dada.

0 Þ centro da esfera O
R
R Þ Raio
O volume da esfera A U L A

A fórmula que dá o volume da esfera foi demonstrada pelo matemático


grego Arquimedes, no século III a.C., em seu livro sobre a esfera e o cilindro. 65
Usando o método de exaustão, inventado por outro matemático grego
chamado Eudoxo, Arquimedes provou que o volume de uma esfera é igual a
quatro vezes o volume do cone, cujo raio é o raio da esfera e cuja altura é também
o raio da esfera. Para tornar mais clara essa idéia, imagine a experiência que
poderia ser feita com as vasilhas da ilustração abaixo. Observe que uma é semi-
esférica e a outra é cônica, lembrando uma taça.

raio

Elas têm a mesma boca, isto é, o raio da semi-esfera é igual ao raio da


circunferência do cone. Além disso, elas têm a mesma altura, isto é, a altura do
cone é igual ao raio da semi-esfera.
Despejando duas vezes o conteúdo da vasilha cônica no interior da vasilha
semi-esférica, conseguimos enchê-la completamente (figura abaixo). Isso signi-
fica que a capacidade da semi-esfera é o dobro da capacidade do cone. Portanto,
a capacidade da esfera será quatro vezes a capacidade do cone.
Não é fácil fazer essa experiência. Onde encontrar uma vasilha esférica e
uma vasilha cônica? Entretanto, pela descrição da experiência, você pode
compreender a idéia de Arquimedes. Como dissemos, o grande matemático
grego demonstrou, por dedução, que o volume da esfera é quatro vezes o volume
do cone, que tem o raio da esfera e cuja altura é o raio da esfera.
Posteriormente, outros matemáticos criaram novos raciocínios para calcular
o volume da esfera. Em alguns livros de 2º grau, você pode encontrar uma
dedução para a fórmula do volume da esfera.
Vamos retomar a afirmação de Arquimedes. Observe a figura:

2 3
A ´ h pR ´ R pR
Volume do cone = = =
3 3 3

3
Logo, o volume da esfera é: V = 4 pR
3
A U L A EXEMPLO 3

65 Qual a quantidade de chumbo necessária para a confecção de 100 bolinhas


esféricas, maciças, de 1 cm de diâmetro?

Raio = 0,5 cm raio = 0,5 cm


4 4
pR = ´ 3,14 ´ (0,5) =
3 3
V=
3 3

@ 0,523 cm
3

São necessários 0,523 cm , que é o mesmo que 0,523 m l de chumbo.


3

Exercícios Exercício 1
Qual é o volume de uma pirâmide quadrangular de altura 9 cm e cujo
perímetro da base é 20 cm?

Exercício 2
Qual é o volume de um cone de 12 cm de altura e com diâmetro da base
medindo 10 cm?

Exercício 3
Qual a quantidade de chocolate necessária para a fabricação de 1.000
pirulitos em forma de guarda-chuva, de 5 cm de altura e 2 cm de diâmetro?

Exercício 4
A ampulheta da figura consiste em dois cones idênticos, dentro de um
cilindro. A altura do cilindro é de 6 cm e sua base tem 4 cm de diâmetro.

4
a) Determine o volume de areia necessário para encher o cone.
b) Determine a quantidade de espaço vazio entre os cones e o cilindro.
Exercício 5 A U L A
O raio da Terra é de aproximadamente 6.400 km. Considerando que sua
forma seja uma esfera, determine o volume do planeta Terra.
65
Exercício 6
1
O diâmetro da Lua é, aproximadamente, 4
do da Terra. Determine o volume
da Lua.

Exercício 7
Uma fábrica de suco de laranja confeccionou suas embalagens em dois
formatos: uma esférica de 8 cm de diâmetro e outra cilíndrica. Sabendo
que as duas embalagens têm a mesma altura e a mesma largura, calcule
seus volumes.

8 cm

S U CO 8 cm
S U CO

Exercício 8
Numa indústria química, deseja-se instalar um reservatório esférico para
armazenar determinado gás. A capacidade do reservatório deve ser de
3
33,5 m . Qual deve ser, aproximadamente, o raio desse reservatório?
A UA UL L AA

66
66
Sólidos semelhantes

Introdução U m problema matemático, que despertou


curiosidade e mobilizou inúmeros cidadãos na Grécia Antiga, foi o da dupli-
cação do cubo . Ou seja, dado um cubo de aresta a , qual deverá ser a medida da
aresta de outro cubo que tenha o dobro do volume do primeiro?
Hoje em dia, esse problema não apresenta grandes dificuldades. Será que
você é capaz de resolvê-lo? Caso não consiga, não desanime! Leia a aula e, ao
final, volte e tente novamente!

Nossa aula Nesta aula, vamos estudar a relação que existe entre as áreas e os volumes
de figuras semelhantes. Mas, antes de entrarmos no tema desta aula, vamos
recordar o conceito de semelhança visto na Aula 21.

Recordando semelhança

Abaixo estão dois triângulos semelhantes.

6 9

2 3

12 4

Podemos dizer que duas figuras são semelhantes quando uma delas é
ampliação ou redução da outra. Os dois triângulos da figura são semelhantes.
Observe que seus ângulos são iguais e seus lados são proporcionais, na mesma
razão, isto é:

6 9 12
= =
2 3 4
O número 3 é chamado de razão de semelhança e geralmente é represen- A U L A
tado pela letra k . No exemplo anterior, k = 3.
2 3 66
2 3

2 3

4 4 4
2
Observe ainda que são necessários 3 = 9 triângulos menores para cobrir
totalmente o maior. É só contar!
Podemos concluir que, se as dimensões de uma figura são o triplo da outra,
2
então, a área dessa figura será igual a 3 = 9 vezes a área da outra.

O cubo mágico

Há um quebra cabeça bastante conhecido, chamado “cubo mágico”, que


consiste em um cubo dividido em diversos cubos menores.

Observando melhor, vemos que cada aresta desse cubo foi dividida em três
partes iguais. Se você olhar atentamente, verá que cada face ficou dividida em
nove quadrados. Ou seja: dividindo cada aresta em três partes iguais, a área de
2
cada face ficou dividida em 3 = 9 quadrados menores. Você também pode
observar que o cubo ficou dividido em cubinhos menores, cujas arestas são
iguais à terça parte da aresta do cubo inicial. Quantos cubinhos caberão no cubo
maior?

Observe que podemos dividir o cubo em três placas, sendo cada placa
2 2 3
formada de 3 = 9 cubinhos. Assim, teremos 3 · 3 = 3 = 27 cubinhos.
Isso nos permite concluir que, se a razão entre as medidas das arestas dos
2 2
dois cubos (menor e maior) é k = 3, a razão entre suas áreas é k = 3 = 9 e a razão
3 3
entre seus volumes é k = 3 = 27.
A U L A De maneira geral, se duas figuras são semelhantes, então, as medidas de uma
valem k vezes as medidas da outra, onde o número k representa a razão de

66
2
semelhança das duas figuras (ou dois sólidos). Então, a área de uma valerá k
3
vezes a área da outra e o volume de uma valerá k vezes o volume da outra. Esses
fatos podem ser representados no quadro abaixo:

F IGURAS SEMELHANTES
Razão entre Razão entre áreas Razão entre volumes
comprimentos
k k2 k3

Vamos ver alguns exemplos:

EXEMPLO 1

Você já sabe que, se dobrarmos o raio do círculo, a área aumentará quatro vezes.

2r
C1

C2

Mas, o que acontece com o volume da esfera, se dobrarmos seu raio?

E1 2r

E2

4 pR 3
V1 =
3

4 pα
2R φ 4 p · 8 · R
3 3
V2 = =
3 3

Φ4 pR 3 Ι
V2 = 8Γ
Η3 ϑ Κ
Comparando V1 e V2, temos que V2 é 8 vezes maior que V1.
EXEMPLO 2 A U L A

Uma loja vende miniaturas do Cristo Redentor confeccionadas em madeira.


São dois tamanhos das miniaturas, sendo que uma delas tem a metade da altura 66
da outra.

2h

Sabendo que o preço é proporcional ao volume de madeira gasto na confecção


das miniaturas, qual deve ser o preço da maior, se a menor custa R$ 5,00?

Solução:

Como as duas imagens são semelhantes entre si, a razão entre seus
comprimentos é constante e igual a k = 2 (razão da maior para a menor). Logo,
3 3
a razão entre seus volumes valerá k = 2 = 8.
Como o preço deve ser proporcional ao volume, e o volume da estatueta
maior é oito vezes o volume da menor, seu preço deve ser R$ 5,00 x 8 = R$ 40,00.

A Matemática e o copo de chope

Seu José adora tomar um chopinho com os amigos nos fins de semana. Ele
costuma pedir um chope na pressão. O garçon lhe serve uma tulipa, cujo interior
tem a forma praticamente cônica, com chope até à metade da altura e o resto
sendo ocupado por espuma.

Qual a razão entre a quantidade de chope e a quantidade de espuma que vem


na tulipa de seu José?
Para resolver esse problema, seu José considerou a parte interna da tulipa
como sendo um cone perfeito.
A U L A

66 espuma h
2

chopp h
2

Daí, ele reparou que a parte de baixo, ocupada pelo chope, também é um
cone. E mais: é um cone semelhante ao cone inteiro. A razão da semelhança é
k = 12 , pois as medidas do cone da parte de baixo equivalem à metade das
medidas do cone inteiro.

Então a razão entre seus volumes é k = χη


3 1 3
2 = 81 . Ou seja, o volume de chope
1
na tulipa, corresponde a apenas 8 do que ela pode conter!

Foi aí que seu José levou um susto: se 1


8
é de chope, então 7
8
(1 - 1
8
) são
de espuma!

Assim, temos 1
8
de chope e 7
8
de espuma. Logo, a razão é de 1 ¸ 7 (1 para 7).

O problema da duplicação do cubo

Vamos resolver o problema proposto na introdução desta aula.

x
a

a x
a x

Devemos ter: V2 = 2 V1

Portanto: x 3 = 2a3 Þ x = 3 2a3 Þ x = a 3 2

3
2 é um número irracional e vale, aproximadamente, 1,25991. Você pode
comprovar esse resultado com uma calculadora científica que tenha a tecla 3
ou, experimentalmente, isto é, multiplicando 1,259 ´ 1,259 ´ 1,259.
Exercício 1 Exercícios
A U L A
Uma pessoa constrói uma bola esférica de 8 cm de diâmetro, utilizando
massa de modelar. Em seguida, ela corta essa esfera em oito partes iguais
(veja a figura). 66

De cada parte ela constrói uma nova esfera. Qual a medida do diâmetro
dessas novas esferas?

Exercício 2
Um cubo teve suas arestas aumentadas de 20% do seu tamanho. Qual foi o
percentual de aumento do volume desse cubo?

Exercício 3
A maquete de uma praça é feita na escala 1:50. Se a praça tem 6.000 m2 de área,
qual será a área da maquete?

Exercício 4
Pai e filho possuem corpos de formas semelhantes. Porém, enquanto o pai
mede 1,75 m, seu filho mede 1,40 m. Se o filho pesa 40 kg, qual deverá ser,
aproximadamente, o peso do pai?

Exercício 5
Uma pessoa vai revestir o chão do quarto e da sala de sua casa, com um
mesmo tipo de lajota. As medidas da sala valem exatamente o dobro das
medidas do quarto. Se ela necessita de seis caixas de lajota para revestir o
quarto, quantas caixas serão necessárias para revestir a sala?

Exercício 6
Uma tulipa de chope tem 15 cm de profundidade e sua capacidade é de
300 ml. O chope (bem tirado, isto é, na pressão) é servido com 3 cm de
espuma. Calcule a quantidade de chope contido na tulipa?

3 cm

12 cm
A U L A Exercício 7
Você já estudou, em Química, que, nos átomos, os elétrons giram em torno

66 do núcleo a uma distância de 104 vezes o raio do núcleo. Uma pessoa


resolveu montar um modelo de átomo, escolhendo, para representar seu
núcleo, uma esfera de isopor com 1 cm de raio. A que distância dessa esfera
ela deverá colocar os elétrons?

Exercício 8
Um triângulo teve seus lados aumentados de 30%, obtendo-se um novo
triângulo semelhante ao primeiro.

a) Qual a razão de semelhança?

b) Qual foi o percentual de aumento de sua área?

Exercício 9
No interior de uma caixa cúbica de aresta a , colocamos uma esfera de
diâmetro a . A seguir, fechamos a caixa. Essa esfera cabe justinho no interior
da caixa. Uma esfera, um pouco maior, já não entra na caixa. Dizemos, em
Geometria, que a esfera está inscrita na caixa.

a) Que relação existe entre os volumes do cubo e da esfera?

b) Que relação existe entre as áreas de suas superfícies?

r a

a
a
AUU
A L AL A

67
67
Problemas de volumes

N
esta aula, vamos resolver problemas de
volumes. Com isso, teremos oportunidade de recordar os principais sólidos: o
Introdução
prisma, o cilindro, a pirâmide, o cone e a esfera.

EXEMPLO 1 Nossa aula


Na figura abaixo, vemos uma piscina de 10 m de comprimento por 6 m de
largura. Existe uma parte rasa, com 1,20 m de profundidade, uma descida e uma
parte funda, com 2 m de profundidade. Com as medidas que aparecem no
desenho, calcule o volume da piscina.
10 m
6m
2m

1,2 m
4m
3m
Solução:

Inicialmente, podemos constatar que essa piscina é um prisma . Por quê?


Vamos recordar: todo prisma é formado por duas figuras paralelas e iguais
chamadas bases e, por arestas paralelas e iguais, que ligam essas bases.
Observe que a nossa piscina está de acordo com essa definição. A figura que
aparece na frente é uma das bases e qualquer uma das arestas de comprimento
6 m é a altura, porque elas são perpendiculares às bases.
base

altura

base

As duas bases são paralelas e iguais. A altura é perpendicular às bases.


A U L A O volume do prisma é igual à área de uma das bases multiplicada pela altura.
Como, no nosso caso, a altura é igual a 6 m, só nos falta calcular a área de uma

67 das bases. Para isso, vamos dividi-la em figuras menores, como mostra o
desenho abaixo.
10
1,2 A 1,2
3 3
4 C 0,8 B 0,8
3

A base do nosso prisma foi dividida em três partes: um retângulo (A), um


retângulo menor (B) e um triângulo retângulo (C). Com as medidas que estão no
desenho, poderemos facilmente calcular as áreas das três partes:

SA = 10 ´ 1,2 = 12 m
2

SB = 3 ´ 0,8 = 2,4 m
2

3 ´ 0, 8 2
SC = = 1,2 m
2

2
A soma das áreas das três partes é 12 + 2,4 + 1,2 = 15,6 m . Essa é a área da
base do nosso prisma. Como o volume é o produto da área da base pela altura
(6 m), temos que o volume da piscina é:
15,6 ´ 6 = 93,6 m
3

Concluímos, então, que cabem dentro dessa piscina 93,6 m 3 de água, ou seja,
93 600 litros.

EXEMPLO 2

Na construção de um prédio, para levar a água da cisterna até à caixa superior,


foram usados canos de ferro de duas polegadas. Considere os seguintes dados:

Comprimento de um cano = 6 m
Diâmetro externo = 5 cm
Diâmetro interno = 4,4 cm
3
Densidade do ferro = 7,8 g/cm
Quanto pesa um desses canos?

Solução:

Vamos, inicialmente, recordar o significado da palavra densidade . Se um


objeto é feito do mesmo material, a densidade desse material é um número que,
multiplicado pelo volume desse objeto, dá a sua massa.
Massa = (densidade) · (volume) A U L A

Com o volume em centímetros cúbicos, a massa é dada em gramas. Logo,


para determinarmos a massa de um objeto, precisamos saber a densidade do 67
material de que ele é feito e também seu volume. Em nosso caso, temos um
cano de ferro cuja densidade é 7,8. Portanto, calculando o volume de ferro,
poderemos determinar sua massa.
O cano tem a forma de um cilindro . Mas, como todo cano, ele tem um
espaço vazio no interior que também tem a forma de outro cilindro. Logo, o
volume de ferro que estamos procurando é a diferença entre os volumes de dois
cilindros: um externo, de diâmetro 5,0 cm e um interno, com diâmetro 4,4 cm.

cilindro interno

cilindro externo

A altura dos dois cilindros é 600 cm, ou seja, o comprimento do cano e seus
raios são R = 2,5 cm e r = 2,2 cm.
5, 0
R= = 2, 5cm
2
4, 4
r= = 2, 2cm
2

Lembrando que o volume de um cilindro é


2
4 ,4 igual à área da base (pR ) multiplicada pela
altura (h), temos:
5,0
Volume de ferro = (cilindro externo) - (cilindro interno)
= pR h - pr h
2 2

= 3,14 ´ 2,5 ´ 600 - 3,14 ´ 2,2 ´ 600


2 2

3
= 2.656,44 cm

Esse é o volume de ferro que há em um cano. Multiplicando esse valor


por 7,8, que é a densidade do ferro, calcularemos sua massa.
Massa do ferro = 7,8 ´ 2 656,44 @ 20.720 g = 20,720 kg.

Aí está. Com os dados que apresentamos, calculamos que um cano de ferro


de duas polegadas, com 6 metros de comprimento, pesa 20 quilos e 720 gramas,
aproximadamente.
A U L A EXEMPLO 3

67 A figura abaixo mostra um semicírculo de papel com 12 cm de raio. Juntando


os raios OA e OB fazemos um cone. Qual é o volume desse cone?

C
r A=B
h
12

A 12 O B O

Solução:

Vamos recordar que o perímetro de uma circunferência é igual a 2pR. Logo,


o comprimento de metade de uma circunferência é igual a pR. Quando
juntamos os pontos A e B do papel, a semicircunferência de raio 12 cm
transforma-se em uma circunferência completa de raio r. Temos então:
p · 12 = 2pr
ou seja, 12 = 2r
r = 6 cm

O cone de papel tem, na base, uma circunferência de centro C e raio r = 6


cm. Para calcular a altura do cone, aplicamos o Teorema de Pitágoras, no
triângulo OCA:

C 6 A
122=62+h2
2
h 144=36+h
12 2
108=h
O h = 108 @ 10, 39cm

Como o volume do cone é a terça parte do produto da área da base pela


altura temos:
1 2
V= pr h
3

1
´ 3,14 ´ 6 ´ 10,39
2
V=
3

V @ 391,5 cm
3

Concluímos, então, que, com um semicírculo de papel com 12 cm de raio,


3
conseguimos formar um cone de, aproximadamente, 391,5 cm de volume.
EXEMPLO 4 A U L A

Um reservatório de gás tem a forma de um cilindro com as extremidades


esféricas, como mostra a figura abaixo. Se o comprimento total do reservató- 67
rio é de 25 m e seu diâmetro é de 6 m, quantos metros cúbicos de gás ele
poderá conter?

6m

25 m

Solução:

Vamos dividir o reservatório em três partes: uma meia esfera no início, um


cilindro no meio e uma outra meia esfera no final. O diâmetro é 6 m, logo, o raio,
tanto do cilindro como das meias esferas, é igual a 3 m.

3 3
3 3

3 19 3

Concluímos, então, que a altura do cilindro (seu comprimento) é igual


a 25 - 3 - 3 = 19 m. Para calcular o volume total, devemos somar os volumes das
três partes. Mas, como as duas meias esferas formam juntas uma esfera inteira,
temos que:
Volume do reservatório = (cilindro) + (esfera)

Mas, se o volume do cilindro é pR h e o da esfera é pR , temos:


2 4 3
3

Volume do reservatório = pR h + pR
2 4 3
3

= p3 ·19+ 43 p3
2 3

= p3 ·19+4p3
2 2

= 3,14·9·19+4·3,14·9

= 536,94+113,04
3
= 649,98 m

Concluímos, então, que nesse reservatório cabem, aproximadamente,


3
650 m de gás.
Exercícios
A U L A Exercício 1
Uma cisterna foi feita em terreno inclinado. No final da construção, ela ficou

67 com 3 m de comprimento, 1,8 m de largura, 1,4 m de profundidade, na parte


rasa, e 2 m, na parte funda, como mostra o desenho abaixo. Qual é o volume
dessa cisterna?

1,8 3,0

1,4
2,0

terreno

Sugestão: Observe que a cisterna é um prisma. Use o mesmo raciocínio do


Exemplo 1 desta aula.

Exercício 2
Uma peça de madeira é um prisma de altura 12 cm, tendo como base um
quadrado com 20 cm de lado. No centro da peça, existe um furo cilíndrico
de 7 cm de raio.
a) Qual é o volume da peça?
b) Se a densidade da madeira é 0,93 g/m3, quanto pesa essa peça?

Exercício 3
Usando quatro triângulos isósceles iguais ao da figura abaixo, forma-se uma
pirâmide de base quadrada. Qual é o volume dessa pirâmide?

30 cm 30 cm D
C
A O
20 cm
B

Sugestão: A base da pirâmide é o quadrado ABCD de 20 cm de lado. Calcule


sua diagonal AC e repare que OA é a metade dessa diagonal. Para calcular
a altura PO da pirâmide, use o Teorema de Pitágoras no triângulo AOP.
Exercício 4 A U L A
Um feirante, para pesar meio quilo em sua balança de pratos, usa um cilindro
de ferro (densidade 7,8) com 4 cm de diâmetro e 5 cm de altura. Verifique se
essa peça pesa, realmente, meio quilo. 67
Exercício 5
Considere o cano de ferro de duas polegadas do Exemplo 2 da nossa aula.
Com qual comprimento esse cano pesará 5 kg?

Exercício 6
Um objeto que tem bases circulares e paralelas, mas não do mesmo tamanho,
chama-se um tronco de cone.

O volume de um tronco de cone é dado por:

V=
ph
βR 2 + r2 + Rr γ
3
onde R e r são os raios das duas bases e h é sua altura.

Calcule o volume de um recipiente, com a forma de um tronco de cone,


sabendo que sua altura mede 16 cm e que suas bases têm diâmetros 8 cm
e 6 cm.

Exercício 7
A figura abaixo mostra a peça de uma máquina. Calcule seu volume a partir
das medidas em centímetros que aparecem no perfil dessa peça.

2 eixo da
peça

5
A UA UL L AA

68
68
Revisão I

Introdução V amos iniciar, nesta aula, a revisão do nosso


curso do 2º grau. Ela será feita em forma de exemplos que vão abordar de novo
os principais conteúdos. Para aproveitar bem a revisão, leia atentamente o
enunciado de cada problema e tente resolvê-lo. Só depois de pensar algum
tempo, você deve ver a solução. Lembre-se de que as idéias nem sempre nos
ocorrem imediatamente.
Nesta primeira parte da revisão, vamos tratar do equacionamento de proble-
mas, do método de coordenadas, do Teorema de Pitágoras e das áreas. Bom
proveito!

Nossa aula EXEMPLO 1

Em uma sala, há 100 pessoas, sendo que 26 delas usam óculos. Sabe-se
que 20% dos homens e 40% das mulheres desse grupo usam óculos. Quantos
homens há na sala?

Solução:

Vamos, inicialmente, escolher nossas incógnitas:


x = número de homens.
y = número de mulheres.

Como o total de pessoas é 100, temos a 1ª equação:

x + y = 100

Agora, vamos somar as pessoas que usam óculos:


20
20% de x = · x = 0,2x
100
40
40% de y = · y = 0,4x
100
Como é 26 o total das pessoas de óculos, temos a 2ª equação: A U L A

0,2x + 0,4y = 26 68
Para melhorar o aspecto dessa equação, vamos multiplicá-la por 10:

2x + 4y = 260

Simplificando por 2, temos:

x + 2y = 130

Reunimos, então, as equações num sistema:

x + y = 100
x + 2y = 130

Para resolver, vamos trocar os sinais da 1ª equação e depois somar:

- x - y = - 100
x + 2y = 130
y = 30

Concluímos que há 30 mulheres na sala. Logo, os homens são 70.

EXEMPLO 2

Dois caminhões, um pesado e um leve, fazem o mesmo percurso de 360 km


entre duas cidades.
O caminhão pesado saiu às 12 horas da cidade A, viajou com velocidade
constante de 40 km/h e chegou à cidade B.
O caminhão leve saiu da cidade A à 1 hora da tarde e andou por 3 horas, com
velocidade de 72 km/h. Ficou 2 horas parado por causa de um problema e,
depois, terminou seu percurso com a mesma velocidade do início. Em que
momento os caminhões se encontraram?

Sugestão: Faça um gráfico do percurso dos dois caminhões, colocando o


tempo, no eixo dos x e os quilômetros, no eixo dos y . Os pontos de interseção
representam os encontros.
A U L A Solução:

68 Façamos um gráfico da situação que o problema descreve. O caminhão


pesado (P) andou 360 km, em 9 horas, com velocidade constante. Então, seu
gráfico é uma reta que une a origem (0; 0) ao ponto de chegada (0; 360).

O caminhão leve saiu 1 hora depois e andou 3 horas, a uma velocidade de


72 km/h. Logo, ele percorreu 3 ´ 72 = 216 km. A primeira parte do percurso do
caminhão leve é, então, uma reta ligando o ponto de partida (1; 0) ao ponto 0 de
parada (4; 216). Sabemos então que às 4 horas da tarde o caminhão leve, que tinha
percorrido 216 km, enguiçou. Logo, das 4 até às 6 horas, o gráfico é um segmento
de reta horizontal. Depois, o caminhão leve percorreu o restante da distância
(360 - 216 = 144 km) com a mesma velocidade de 72 km/h. Logo, como 144 ¸ 72= 2,
ele gastou 2 horas na parte final do percurso, e o gráfico é uma reta, ligando o
ponto (6; 216) ao ponto de chegada (8; 360).

km
360

216
L
P

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 horas

Percebemos que os dois gráficos possuem três pontos de interseção. Isso


quer dizer que os dois caminhões se encontraram por três vezes.
Observando o desenho com atenção, vemos que:

a) O primeiro encontro ocorreu logo depois das 2 horas da tarde, quando o


caminhão leve, por ser mais veloz, ultrapassou o pesado.

b) O segundo encontro ocorreu aproximadamente às 5 e meia da tarde,


quando o caminhão pesado ultrapassou o leve, que estava enguiçado.

c) O terceiro encontro se deu um pouco antes das 7 horas da noite, quando


o caminhão leve novamente ultrapassou o pesado.

Repare que podemos ver, no gráfico, a hora aproximada em que ocorreram


os encontros. Para determinar, com maior precisão, os momentos em que os
encontros ocorreram, precisamos obter as equações das duas retas. Vamos,
então, recordar a equação que aprendemos na Aula 45.

x 1; y1) e (x
Pontos: (x x 2; y2)

x - x1 y - y1
Equação da reta: =
x 2 - x1 y 2 - y1
Para o caminhão pesado, os dois pontos são (0; 0) e (9; 360). A U L A

Logo, a sua equação é:


x-0 y-0
68
=
9 - 0 360 - 0
x y
=
9 360
360x
y=
9

y = 40x

Para o caminhão leve, os pontos do primeiro trecho do percurso são (1; 0)


e (4; 216). A sua equação será então:
x -1 y-0
=
4 - 1 216 - 0
x -1 y
=
3 216

y
x -1=
72

y = 72x - 72

Vamos, agora, fazer a interseção das duas retas, para obter o instante do
primeiro encontro:

y = 40x

y = 72x - 72

72x - 72 = 40x

72x - 40x = 72

32x = 72

72
x= = 2,25 = 2 + 0,25
32

O primeiro encontro se deu às 2 horas mais 0,25 de hora.

Como 1 hora tem 60 minutos e 0,25 ´ 60 = 15, concluímos que o primeiro


encontro se deu às 2 horas e 15 minutos .
A U L A Para determinar o instante do 2º encontro, basta fazer y = 216, na equação do
caminhão pesado:

68 y = 40x

216 = 40x

216
x= = 5,4 = 5 + 0,4
40

Como 0,4 ´ 60 = 24, concluímos que o segundo encontro se deu às 5 horas


e 24 minutos .

Finalmente, para determinar o instante do terceiro encontro, vamos obter a


equação da reta do caminhão leve no trecho final de seu percurso. Os dois pontos
são, agora (6; 216) e (8; 360).

Temos, então:
x-6 y - 216
=
8 - 6 360 - 216

x - 6 y - 216
=
2 144

y - 216
x-6=
72

72x - 432 = y - 216

72x - 432 + 216 = y

y = 72x - 216

Fazendo a interseção dessa reta com y = 40x obtemos:

72x - 216 = 40x

72x - 40x = 216

32x = 216

216
x= = 6,75 = 6 + 0,75
32

Como 0,75 ´ 60 = 45, concluímos que o terceiro encontro se deu às 6 horas


e 45 minutos .
EXEMPLO 3 A U L A

A figura a seguir mostra uma casa construída no interior de um terreno


retangular. 68
a) Se o proprietário deseja gramar todo o restante do terreno, que área de
grama ele deverá comprar?

b) Se no ponto A existe uma torneira e se o proprietário tem uma mangueira


de 38 m de comprimento, conseguirá ele regar toda a grama plantada?

10 m

12 m

7m CASA
30 m 9m

8m

11 m

A 20 m

Solução:

a) Vamos calcular a área da casa, dividindo sua planta em dois retângulos:


4 8

7 9

8 ´ 9 = 72 m
2

7 ´ 4 = 28 m
2

Área total = 72 + 28 = 100 m2

Como a área do terreno é de 20 ´ 30 = 600 m2, a área de grama será igual a


600 - 100 = 500 m .
2
A U L A b) Vamos calcular a distância do ponto A ao ponto mais afastado do terreno
sem passar por dentro da casa. Para isso, devemos somar as hipotenusas de

68 dois triângulos retângulos, como mostramos na figura abaixo. Pelo Teorema


de Pitágoras (Aula 19), temos:

10
8 B
12

20

2 2 2
AB = 20 + 8 = 464
AB @ 21,54 m
2 2 2
BC = 12 + 10 = 244
BC @ 15,62 m

AB + BC = 21,54 + 15,62 = 37,16 m

Logo, os 38 m de mangueira alcançam todo o terreno.


AUU
A L AL A

69
69
Revisão II

N esta segunda parte da revisão, vamos vol-


tar a falar de progressões, funções, juros e prestações. Tente fazer nossos
Introdução
problemas e tenha à mão uma calculadora, para conferir as contas.

EXEMPLO 1 Nossa aula

Para alugar um automóvel, João consultou três agências, e as tarifas cobra-


das por um dia foram as seguintes:
Agência A: R$ 80,00, independentemente da quilometragem.
Agência B: R$ 50,00 mais R$ 0,20 por quilômetro rodado.
Agência C: R$ 45,00 mais R$ 0,25 por quilômetro rodado.

Determinar, em função da quilometragem, qual agência oferece melhor


preço para um dia de aluguel.

Sugestão: Considerando x , o número de quilômetros rodados e y o valor


pago pelo aluguel do automóvel, determine a função que relaciona essas
variáveis para cada uma das agências.

Solução:

Sejam:

x= número de quilômetros rodados


y= preço a pagar

Para a agência A, temos y = 80. O preço a pagar não depende da quilometra-


gem e esta é a função constante. Para a agência B, temos y = 50 + 0,20 · x, e para
a agência C, y = 45 + 0,25 · x.
Considerando inicialmente apenas as funções B e C, vamos ver para que
valor de x elas são iguais.
A U L A B ® y = 0,20x + 50
C ® y = 0,25x + 45

69 0,25x + 45 = 00,20x + 500

0,25x - 0,20x = 50 - 45

0,05x = 5

5
x=
0, 05

x = 100

Portanto, para um percurso de 100 km, o preço a pagar nas agências B e C será
o mesmo: R$ 70,00. Vamos agora verificar para qual quilometragem os preços
cobrados por A e B são iguais.
A ® y = 80
B ® y = 0,20x + 50

0,20x + 50 = 80

0,20x = 30

30
x= = 150
0, 20

Portanto, para um percurso de 150 km, o preço a pagar nas agências A e B será
o mesmo: R$ 80,00. Já temos, então, informações suficientes para traçar os
gráficos das funções.
C B
80 A
70

50
45

100 150

A observação desses gráficos nos leva às seguintes conclusões: consideran-


do apenas um dia de aluguel, para quilometragens menores que 100 km, a
agência C oferece preço mais baixo. Para quilometragens entre 100 e 150 km
deve-se preferir a agência B e, para quilometragens acima de 150 km, a agência
A é mais vantajosa.
EXEMPLO 2 A U L A

No dia 20 de junho, Pedro deseja abrir uma caderneta de poupança e fazer


um depósito para que, em 20 de dezembro, tenha o suficiente para comprar uma 69
televisão. Se a televisão que ele deseja custa R$ 560,00, se os preços não mudarem
e se a poupança render 3% ao mês, de quanto deve ser o depósito inicial de Pedro?

Solução:

Vamos chamar de x o depósito de Pedro, no dia 20 de junho. Até 20 de


dezembro, são 6 meses.

No dia 20 de julho, Pedro terá na poupança x + 3% de x.

x + 3% de x = x + 0,03x = x · 1,03

Assim, os saldos da poupança, a cada dia 20, formarão uma progressão


geométrica cujo primeiro termo é a1 = x e cuja razão é q = 1,03. O saldo, em
dezembro, será o 7º termo dessa progressão. Vamos, então, recordar a fórmula
do termo geral da PG que aprendemos na Aula 35.

n-1
an = a 1 · q

O saldo em 20 de dezembro será:


6
a7 = x · 1,03

6
Para calcular 1,03 , vamos recordar o uso da máquina de calcular. Digite as
teclas na seqüência abaixo:

visor
1 0 3 x = = = = = ,

Portanto, o saldo em 20 de dezembro será x · 1,194 que deve ser igual


a 560. Logo:

x · 1,194 = 560

560
x= = 469,01
1,194

Concluímos, então, que se Pedro fizer em 20 de junho um depósito na


poupança de R$ 469,01, ele terá, em 20 de dezembro, os R$ 560,00 de que neces-
sita para comprar a televisão.
A U L A EXEMPLO 3

69 Márcio resolveu fazer uma poupança programada e passou a depositar,


na caderneta, R$ 100,00 todo primeiro dia de cada mês. Quanto ele terá
acumulado logo depois do 20º depósito? Considere que a caderneta de
poupança rende 3% ao mês.
Sugestão: Para aumentar uma quantia em 3%, multiplicamos essa quantia
por 1,03, como vimos no exemplo anterior. Depois do 20º depósito, repare que
o primeiro depósito terá sofrido 19 aumentos; o segundo terá sofrido 18 aumen-
tos, e assim por diante.

Solução:
O 1º depósito sofrerá 19 aumentos de 3%. Cada aumento de 3%, corresponde
a uma multiplicação por 1,03. Portanto, o 1º depósito de R$ 100,00, valerá no final
19
de cada período 100 · 1,03 .
O 2º depósito de R$ 100,00, sofrerá 18 aumentos de 3%. Logo, no final do
18
período, ele estará valendo 100 · 1,03 . O raciocínio continua da mesma forma.
O penúltimo depósito sofrerá apenas uma correção de 3%, passando a valer
100 · 1,03 e, o último depósito, não sofrerá aumento nenhum.
O saldo na caderneta, após o 20º depósito, será então a soma:
19 18 2
S = 100 · 1,03 + 100 · 1,03 + ... + 100 x 1,03 + 100 · 1,03 + 100

Vamos colocar o valor 100 em evidência e escrever os termos de dentro do


parênteses na ordem contrária.
19 18 2
S = 100 (1,03 + 1,03 + ... + 1,03 + 1,03 +1)
S = 100 (1 + 1,03 + 1,032 + ... + 1,0318 + 1,0319)

Os termos de dentro do parênteses formam uma progressão geométrica ,


cujo primeiro termo é a1 = 1 e, cuja razão é q = 1,03. Vamos recordar, agora, a
fórmula da soma dos têrmos da PG que aprendemos na Aula 36.

a1 εq - 1ϕ
n

Soma dos termos da PG =


q -1

Assim, como a nossa progressão tem 20 termos, vamos aplicar a fórmula


acima substituindo a1 por 1, q por 1,03 e n por 20. O saldo na caderneta será então:


1, 03 20 - 1γ
S = 100 ´
1, 03 - 1
20
Calculando 1,03 , na máquina, de forma semelhante à que fizemos no
exemplo anterior, obtemos 1,8061 para essa potência. Então:

100α
1, 8061 - 1φ 100 ´ 0, 8061
S= = = 2687
0, 03 0, 03

Concluímos, então, que Márcio terá acumulado na poupança, após o 20º


depósito, a quantia de R$ 2.687,00.
EXEMPLO 4 A U L A

Na loja de Cida, as freguesas gostam de fazer crediário. Cida cobra juros


de 10% ao mês e precisa saber calcular corretamente as prestações. 69
Uma freguesa fez uma compra de R$ 180,00 e pediu para pagar em três
parcelas iguais. Uma no ato da compra e as outras duas em 30 e 60 dias. Qual deve
ser o valor das parcelas?

Solução:

Vamos utilizar a técnica que aprendemos na Aula 38.

O pagamento à vista de R$ 180,00 deve ser equivalente ao pagamento de três


parcelas iguais a p , onde estarão sendo cobrados juros de 10% ao mês.

180 p p p

0 0 1 2

Vamos referir os pagamentos à época 0. No caso do crediário, temos uma


parcela na época 0; outra na época 1 e outra na época 2. Portanto, uma das
parcelas deve ser dividida por (1 + i) para retroceder um mês, a outra deve ser
dividida por (1 + i)2 para retroceder dois meses. Como i = 10% = 0,1 temos:

p p
1 + 0,1 α1 + 0,1φ
180 = p + + 2 ou

p p
180 = p + +
1,1 1,12

2
Multiplicando tudo por 1,1 temos:

180 · 1,12 = p · 1,12 + p · 1,1 + p

180 · 1,21 = p (1,21 + 1,1 + 1)

217,8 = p · 3,31
217, 8
p= = 65,80
3, 31

Logo, se a freguesa vai pagar a compra de R$ 180,00 em três parcelas iguais


com juros de 10%, cada parcela será de R$ 65,80.
A UA UL L AA

70
70
Revisão III

Introdução N esta terceira parte da revisão do nosso cur-


so, vamos abordar problemas de análise combinatória, probabilidade,
trigonometria e logaritmos, com o uso das tabelas e da calculadora.

Nossa aula EXEMPLO 1

Um grupo de dez pessoas está planejando um passeio, usando dois automó-


veis com cinco pessoas em cada um. Entre as pessoas, existem seis que sabem
dirigir e, além disso, Antônio e Paula estão namorando e gostariam de ir no
mesmo automóvel.
De quantas maneiras podemos distribuir essas pessoas nos dois automóveis?

Solução:
Se no grupo de dez pessoas existem seis que dirigem, então, qualquer que
seja a distribuição das pessoas, teremos em cada grupo pelo menos um motoris-
ta. Mesmo que se coloque cinco motoristas em um grupo, sobrará um motorista
no outro grupo. Não precisamos então nos preocupar com os motoristas.
Outro fato que devemos observar é que basta escolher um grupo de cinco
pessoas . Escolhendo um grupo, obrigatoriamente, as pessoas que sobrarem
formarão o outro grupo.
Vamos, então, formar o grupo onde estarão Antônio e Paula. Para formar
esse grupo, basta escolher mais três pessoas entre as oito restantes. O número de
possibilidades de fazer essa escolha é dada pela combinação de oito pessoas
tomadas três a três. Vamos, então, recordar a fórmula das combinações que
aprendemos na Aula 51.
n!
Cpn =
p!βn - p γ!
Como temos oito pessoas para escolher três, então, no nosso caso, n = 8 e p = 3.
8! 8! 8· 7· 6· 5· 4· 3· 2· 1
Logo, C83 =
3!α
8 - 3φ
= = = 56
! 3!5! 3· 2· 1· 5· 4· 3· 2· 1

Temos, então, 56 possibilidades de dividir as dez pessoas em dois grupos,


mantendo Antônio e Paula juntos.
EXEMPLO 2 A U L A

João propõe a Luiz uma aposta: eu vou jogar esse dado por três vezes. Se
aparecer, em alguma jogada, o número 6, eu ganho. Se não aparecer nenhuma 70
vez o número 6, você ganha. Luiz topou a aposta.
Quem tem mais probabilidades de ganhar?

Solução:
Se o 6 aparecer na primeira jogada, João ganha e não há mais necessidade
de continuar. Se o 6 não aparecer na primeira jogada, mas aparecer na segunda,
novamente João ganha. Ainda, se o 6 não aparecer nas duas primeiras mas
aparecer na terceira, novamente a vitória é de João. Como podemos calcular as
probabilidades de João? Pense um pouco e dê um palpite antes de continuar e
ver a solução.
A probabilidade de que o 6 apareça em uma jogada de um dado é 61 . Logo,
a probabilidade de que o 6 não apareça em uma jogada é de 1 - 61 = 65 .
No lugar de pensar nas probabilidades de João, vamos pensar nas probabi-
lidades de Luiz. Repare que é bem mais fácil.
Para Luiz ganhar, o 6 não pode aparecer em nenhuma das três jogadas. A
probabilidade de que isso aconteça é:

5 5 5 125
p= · · = @ 0, 579 = 57, 9%
6 6 6 216

Logo, a probabilidade de João ganhar é 1 - 0,579 = 0,421 = 42,1%.


Portanto, Luiz estava certo em topar a aposta. Ele tem mais probabilidades
de ganhar que João.

EXEMPLO 3

Em certo país, a população cresce 4% a cada ano. Dentro de quantos anos a


população desse país será três vezes maior que hoje?

Solução:
Imaginando que a população desse país seja hoje igual a x , temos que, no ano
que vem, ela será igual a:

x + 4% de x = x + 0,04 · x = x · 1,04

Temos, então:

hoje: x habitantes
daqui a 1 ano: x · 1,04 habitantes
daqui a 2 anos: x · 1,042 habitantes
3
daqui a 3 anos: x · 1,04 habitantes
....................................................................
n
daqui a n anos: x · 1,04 habitantes
A U L A Se daqui a n anos, a população vai triplicar, teremos:

70
n n
x · 1,04 = 3x ou 1,04 = 3

Para calcular n , devemos aplicar logaritmo aos dois lados da equação:


n
log 1,04 = log 3

Vamos, agora, recordar as propriedades dos logaritmos que aprendemos


na aula 60.

log AB = log A + log B


A
log = log A - log B
B
n
log A = n · log A

Usamos, inicialmente, a 3ª propriedade:


log 1,04n = log 3
n · log 1,04 = log 3

104
Repare que 1,04 = 100
. Então, usando a 2ª propriedade, temos:
104
n · log = log 3
100
n (log 104 - log 100) = log 3

Sabemos que o logaritmo de 100 é igual a 2. Para os logaritmos de 3 e de 104,


devemos consultar a tabela que se encontra no livro. As mantissas são:

NÚMERO MANTISSA
3 4771
104 0170

Como 3 está entre 1 e 10, sua característica é 0 e, como 104 está entre 100 e
1.000, sua característica é 2. Temos, então, log 3 = 0,4771 e log 104 = 2,017. Daí,

n (log104 - log100) = log3

n (2,017 - 2) = 0,4771

n · 0,017 = 0,4771

0, 4771
n= @ 28
0, 017

Concluímos, então, que, mantendo o ritmo de crescimento, a população


desse país terá triplicado em 28 anos.
EXEMPLO 4 A U L A

Um terreno ABCD tem a forma de um quadrilátero irregular, como mostra


a figura abaixo. Mediu-se, com uma trena, a distância AB = 200 m e, com um 70
teodolito, os ângulos que aparecem na figura. Calcule o perímetro e a área do
terreno.
C

D 85

35

40
A 200 m B

Solução:

Como a soma dos ângulos de qualquer triângulo é 180º, podemos calcular os


ângulos no ponto D da figura.
C

D 85
60

50

35
40
A 200 m B

Vamos, agora, usar a trigonometria que desenvolvemos nas Aulas 40 e 43,


para calcular os demais comprimentos que aparecem na figura. Será também
necessário consultar a tabela trigonométrica que se encontra no livro.
AD AD
= tg40º ® = 0, 8391
AB 200

AD = 200 · 0,8391 = 167,82m

AB 200
= cos40º ® = 0,76604
DB DB
200
DB = = 261,08m
0,76604
A U L A Agora, vamos aplicar duas vezes a lei dos senos no triângulo BCD.

70
DB DC 261, 08 DC 261, 08· 0, 57358
= = = DC
sen85º sen35º 0, 99619 0, 57358 0, 99619

DC=150,32m

DB BC 261, 08 BC 261, 08· 0, 86603


= = = BC
sen85º sen60º 0, 99619 0, 86603 0, 99619

BC=226,97m

Já podemos então calcular o perímetro do terreno. A soma de todos os seus


lados é:

200 + 167,82 + 150,32 + 226,97 = 745,11 m

Aí está: para dar uma volta completa nesse terreno, andaremos 745,11 m.
Para calcular sua área, usaremos os triângulos ABD e BCD. O triângulo ABD é
retângulo em A. Logo, sua área é:
AB· AD 200· 167, 82
SABD= = = 16782m 2
2 2

O triângulo BCD é escaleno. Considerando BD como sua base, calcularemos


inicialmente sua altura CE.
C
3
150,3
D
60

A B

CE CE
= sen60º ® = 0, 86603 CE = 150,33 · 0,86603 = 130,19m
DC 150, 33

A área do triângulo BCD será então:


DB· CE 261, 08· 130,19
SBCD = = = 16995m 2
2 2

A área total do terreno será então a soma das duas partes:


2
S = 16782 + 16994 = 33776m
Gabaritos das aulas
41 a 67

Aula 41

20 3
1 a) a = 60º; h = 2 = 10 3 @ 17, 32

b) a = 60º; h = 102 3 + 2 = 5 3 + 2 @ 10, 66

2. a = l 23 ; r = l
1
3
3. tg30º = sen30º
cos30º = 3
2
= 21 · 2
3
= 1
3
= 3
2

2
tg45º = sen45º
cos45º = 2
2
=1
2

3
3
tg60º = sen60º
cos60º = 1
2
= 2 · 2
1 = 3
2

4 a) d = 4 2 = l 2 ® l = 4 cm
2 2
b) d = 2= l 2 ® l = 2
2
= 2 = 2cm

5. altura = 13 · 15 2 @ 276 cm ou 2,76 m

Aula 42

1. 52 = 82 + x 2 - 2 · 8 · x · cos 30º
x - 8 3x + 39 = 0
2

x=4 3 +3 ou x=4 3 -3

2 a) Obtusângulo, pois 100 > 25 + 49

b) Como o maior ângulo é oposto ao maior lado, efetuamos as operações:


10 = 5 + 7 - 2 · 5 · 7 · cos x e encontramos x @ 68º
2 2 2
3
3 a) sen 120º = sen 60º = 2

b) cos 120º = - cos 60º = - 21

c) sen 95º = sen 85º = 0,99619

d) cos 95º = - cos 85º = - 0,08716

4. a) x = sen 20º @ 0,34


y = cos 20º @ 0,94

b) x = 2 · sen 20º @ 0,68


y = 2 · cos 20º @ 1,88

5. a) <
b) >
c) =
d) >
e) =
f) =
g) >
h) <

Aula 43

1. a) R = a 3
3

a2 3
b) Área = 4

3a 2 3
2. 2

2
3. Aproximadamente 6538 m

4. (d)

3
5. sen  = 4

Aula 44

1. Aproximadamente 1508 m.
2. Aproximadamente 95,69 m.
3. Aproximadamente 148 m.
4. Aproximadamente 408 m.
Aula 45

1. 2x - 3y + 8 = 0

2. (20; 0) e (0; 8)
29
3.
3
4. 17,8 UT

5. R = 0,8 e a4 = 10,4

6. a) 320 litros

b) 6 h 40 de quinta-feira

7. 2,4

8. 2 5

Aula 46

-2
1. angular = 3 , linear = 4
1
2. 3

1 5
3. y= 3 x+ 3

-8
4. 5

2
5. a) ma = 3

mb = - 1
-1
mc = 2

3
md = 5

b) ma

6. y=- 2
5 x+7

7. y=- 4
3 x + 19
2
8. r:y= 3 x+3

s: y = 2
3 x- 4
3

9. 1.137,5 m.
Aula 47

1. a) (x - 5)2 + (y + 1)2 = 9

b) (x + 3)2 + (y - 2)2 = 7

c) x2 + (y - 1)2 = 4

2. a) C = (2; 1), R = 6

b) C = (3; 0), R = 10

c) C = (- 4; 3), R = 1

(x - 3) + (y - 1) = 13
2 2
3.

4. É interior porque sua distância ao centro é 29 que é menor que o raio.

5. (x - 3)2 + (y - 2)2 = 45

(x - 4) + (y - 6 ) = 13
2 2
6.

7. (3; 11)

8. y3 = 1,539
y4 = 1,798
y5 = 1,950
y6 = 2
y7 = 1,950
y8 = 1,798
y9 = 1,539
y10 = 1,165
y11 = 0,660
y12 = 0

9. (- 1; 6) e (5; 6)

Aula 48

1. 12

2. a) 9 ´ 9 = 81
b) 9 ´ 2 = 17

3. 26 ´ 25 ´ 24 = 15.600

4. 510 = 9.765.625

5. 50 ´ 49 ´ 48 ´ 47 ´ 46 ´ 45 = 11.441.304.000
6. Passando apenas por A: 15 maneiras.
Passando apenas por B: 8 maneiras.
Passando por A e B: 6 + 20 = 26 maneiras.
Ao todo: 49 caminhos diferentes de x para y.

7. 30 palavras diferentes.

8. Um pouco mais de 3 anos e 2 meses


(100 = 100.000.000 seg @ 1.666.667 min @ 27.778 horas @ 1.157 dias)
4

1 ´ 1 ´ 1 ´ 10 ´ 10 ´ 10 ´ 10 = 10 = 100.000
4
9.

Aula 49

1. 4! = 24

2. a) 6! = 720

b) 3 ´ 5 = 360

c) 2 ´ 3 ´ 4! = 240

d) 5! = 120

e) Como o 5 deve estar na ordem das unidades teremos 6 ou 4 centenas de


milhar. Então, a resposta é 2 ´ 4! = 48

3. a) 10! = 3 628 800

b) 10! - 2 ´ 9 ´ 8! = 2 903 040

4. 2 ´ 3! = 12

Aula 50

1. 181 440
2. 5040
3. 300
4. 45
5. 362 880
6. 2880
7. 768
8. 48
Aula 51

1. 20

2. 6 · C10 = 630.630
C10 15

3. 4· 3· C25 = 120

4. 3 · C3 · C 3 · C 3 · C 3 = 15! ·
C15 12! 9! 6! 3!
12 9 6 3 12!3! 9!3! · 6!3! · 3!3! · 1!3! = 168.168.000

5. a) C16
2 = 120

b) C16
2 - C2 = 114
4

Aula 52

1. 8!

15!
2. 6!

3. 1120 (repare que posso trocar 2A por 2B, o que fará diferença!)

4. 7!
13
5. 3 (3 alternativas para cada um dos 13 jogos).

6. 205 equipes diferentes com pelo menos um homem. Você pode ter encontrado
esta solução de duas maneiras:
Primeira. C15 · C35 + C25 · C25 + C35 · C15 + C45 · C05
Segunda. C410 - C45

Aula 53
4 1
1. a) 52 = 13 = 7,69%
12 3
b) 52 = 13 = 23%

4 2
2. 6 = 3 = 67%
6 1
3. a) 36
= 6 = 17%

b) 0

c) 0

24 2
d) 36 = 3 = 67%
1
4. 11441304000 = 0,000 000 000 087 = 0,000 000 0087%
1
5. 9034502400 = 0,000 000 000 11 = 0,000 000 011%

3! 6
6. 26 3 · 10 4
= 175760000
= 0,000 000 034 = 0,000 003 4%

Aula 54

1
1. Eventos independentes: 12

1
2. Eventos dependentes: 6

300
3. 500 + 100
500 =
400
500 = 4
5

30
4. a) P (A e B) = 140 = 143

40+30+50 120 6
b) P (A ou B) = 140 = 140 = 7

40 2
5. a) 140 = 7

50
b) 140 = 145

40+50 9
c) 140 = 14

20 1
d) 140 = 7

50+20 70 1
e) 140 = 140 = 2

40+20 60 3
f) 140 = 140 = 7
Aula 55

1. É muito provável que você tenha encontrado, aproximadamente, cada


número aparecendo 61 das vezes, ou seja, 61 de 120 = 20 vezes.

2. Encontramos para a última coluna da tabela:


0,770 - 0,550 - 0,425 - 0,400 - 0,425 - 0,470 - 0,460 - 0,510 - 0,508 -
0,505 - 0,492 - 0,505 - 0,510 - 0,508 - 0,503 - 0,502.
Em termos percentuais completaríamos com:
70% - 55% - 43% - 40% - 43% - 47% - 46% - 51%
51% - 51% - 49% - 51% - 51% - 51% - 50% - 50%

3. Sim

Aula 56

1. 6,2

2. 1,856 m, ou seja, arredondando, 1,86 m.

3.

4. 28

5. 60 km/h

Aula 57

1. a) 33

b) 313

c) 3

d) 3-2
3
-
2
2. 5

3. a) 5

b) 2
5
c) 5 6
Φ1 Ι10
3

d) Γ ϑ
Η2 Κ
4. a) 5 2
12

b) 6
1
5. a) 6

1
b) 10

Aula 58

1. x=6
1
2. x= 2

3. x=9

4. x=0

5. x=-2

6. x=8
1
7. x= 9

8. x=3

9. x=5

10. x=-8

Aula 59

1. a) 100,778

b) 0,778

2. 101,322

3. 1,602
4. 0,000 1,041 1,477
0,301 1,079 1,602
0,477 1,114 1,699
0,602 1,146 1,778
0,699 1,176 1,845
0,778 1,204 1,903
0,845 1,230 1,954
0,903 1,255 2,000
0,954 1,279 3,000
1,000 1,301 4,000

5. 3,868
2,748
6. 10

7. 2,623

8. -0,921

Aula 60

1. log 42 = 1,623

2. 3,7559

3. -0,4202

4. a) 2,1523

b) 2,8376

c) 1,5105

5. 5,9656

6. 0,5340

7. a) 415

b) 41,5

c) 4,15

8. 12,9777

9. a) 0,5966

b) 3,95
Aula 61

1. a) 543

b) 54,3

c) 5,43

2. a) 2,2833

b) 1,8351

3. 15

4. 3,42 m

5. 12%

6. a) 4

b) 15

c) 8

d) 9,5

7. 47,6 ºC

Aula 62

1. 192.000 l

2. 1096 caixas

3. 7 cm

4. Há várias respostas para esse problema.

5. Resposta aberta.

6. a) ml

b) l ou ml

c) l

d) ml
7. 750 ml

8. 480

9. Aproximadamente 22,5 latas.

Aula 63

1. Aproximadamente 8 galões.
3
2. 34,6 cm

3. Resposta aberta

4. 1 436 m

5. 16 3 (unidade de volume)

6. a) 1, 8 e 27

b) fica multiplicado por 8;


fica multiplicado por 27.

7. 30,6 m3

8. 72 cm3

Aula 64

1. Sim.

2. O primeiro pedaço.

3. C

4. 60

5. 27 cm³

6. 5m

7. 1.060 cm³

8. 15 cm

9. 3 centavos.
Aula 65

1. 75 cm³

2. 314 cm³

3. Aproximadamente 5 233 cm³.

4. a) 12,56 cm³

b) 50,24 cm³

1.097.509,546 ´ 10
6
5.

17.148,58666 ´ 10
6
6.

7. 267,94 cm³ e 401,92 cm³

8. 2 metros

Aula 66

1. 4 cm

2. 72,8%
2
3. 2,4 m

4. 78 kg

5. 24 caixas.

6. 153,6 ml

7. 100 m

8. a) 1,3

b) 69%

9. a) VE @ 52% VC

b) AE @ 52% AC
Aula 67

3
1. 9,18 cm

2. a) 2.953,7 cm3

b) 2.747 g
3
3. 3.658 cm

4. Não. Ela pesa 490 g.

5. 1,48 m
3
6. Aproximadamente 620 cm
3
7. 87,92 cm