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COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS.

Metodologia para dimensionamento de drenos de fundo de pilhas de estéril

Aloysio Portugal Maia Saliba Golder Associates Brasil, Belo Horizonte, Brasil, asaliba@golder.com.br

Evandro de Avila Gimenes Consultor Geotécnico, Vancouver, Canada, evandro_gimenes@yahoo.com

José Mário Queiroga Mafra Golder Associates Brasil, Belo Horizonte, Brasil, jmafra@golder.com.br

Márcio Figueiredo de Resende Golder Associates Brasil, Belo Horizonte, Brasil, mresende@golder.com.br

RESUMO: O sistema de drenagem interna de pilhas de estéril vem sendo dimensionado segundo aplicação da lei de Darcy, válida para regime de escoamento laminar, a partir de vazões medidas ou determinadas empiricamente. Este trabalho apresenta uma abordagem alternativa para o dimensionamento de drenos de fundo de pilhas de estéril em que se observa a validade das equações de fluxo, aplicadas conforme o regime de escoamento, a partir de vazões de projeto determinadas por meio de balanço hídrico aplicado nas áreas de pilha e de montante, de forma a quantificar as contribuições de escoamento provenientes da recarga das áreas de pilha e de descarga pela fundação.

PALAVRAS-CHAVE: Drenos de fundo, Pilhas de Estéril, Balanço Hídrico.

1

INTRODUÇÃO

No Brasil, o sistema de drenagem interna de pilhas de estéril vem sendo dimensionado segundo aplicação da lei de Darcy, válida para regime de escoamento laminar (Darcy, 1856; Li et al. 1998), a partir de vazões de projeto pontualmente medidas ou empiricamente determinadas. No entanto, essa metodologia de dimensionamento enfrenta restrições em situações de escoamento em regime turbulento. Além disso, o desconhecimento da faixa de vazões de trabalho dos drenos resulta na aplicação de fatores de segurança elevados no dimensionamento, em geral iguais a 10. Este trabalho tem como objetivo apresentar uma abordagem metodológica para dimensionamento de drenos de fundo de pilhas de estéril em que as vazões de projeto são determinadas por meio de balanço hídrico

1

aplicado nas áreas de contribuição, e observando a validade das equações de fluxo utilizadas conforme o regime de escoamento resultante. Os resultados obtidos indicam que esta diferenciação de regimes de escoamento produz seções tranversais maiores em regime turbulento, para as mesmas condições de dimensionamento (vazões e fatores de segurança). Além disso, o método de balanço hídrico empregado permite determinar o valor mínimo aceitável para o fator de segurança, sem a necessidade de fixação prévia em uma ordem de grandeza, como frequentemente observado na prática. Em pilhas de estéril que têm se mostrado progressivamente maiores nos últimos anos em termos de áreas ocupadas, esta consideração permite determinar dimensões mais econômicas para o dreno de fundo, sem prescindir da segurança da obra.

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PRINCIPAIS LEIS DE FLUXO

Cruz (2009) conclui que o fluxo é ainda

 

laminar para areais na faixa de permeabilidade

2.1

Equação de Darcy

de

10 -4 m/s sujeitas a gradientes da ordem de 47

Um dos principais marcos de engenharia sobre o assunto se deu a partir dos experimentos realizados por Darcy em estudo para dimensionamento de filtros para tratamento de água. Darcy (1856) realizou uma série de ensaios em amostras de areias naturais dispostas em colunas com diâmetro igual a 0,35 m e comprimento entre 0,58 m e 1,71 m. Os testes foram realizados em fluxo descendente, a carga constante, medindo-se a velocidade média de fluxo sob gradientes hidráulicos constantes, que variaram entre 1,50 m/m e 18,70 m/m. Em cada um destes experimentos, Darcy obteve uma constante de proporcionalidade entre velocidade média de fluxo (v, em m/s) e o gradiente hidráulico (i, adimensional), denominada condutividade hidráulica do meio poroso (k, em m/s):

v = k i

(1)

Esta equação mantém-se válida nos meios porosos para fluxo em regime laminar, com a permeabilidade podendo ser estimada pela relação de Hazen:

k = c d

2

10

(2)

na qual k é a condutividade hidráulica (m/s), d 10 é o diâmetro equivalente à largura da malha da peneira na qual apenas 10% do material do meio poroso passa (m) e c é uma constante de proporcionalidade (s -1 m -1 ). Em trabalhos posteriores foi possível relacionar o fator de atrito (f, que expressa as perdas de carga hidráulica ao longo do escoamento no meio poroso, e o número de Reynolds (Re), a partir de resultados de ensaios de laboratório. Em um trabalho extenso sobre areias, Fancher (1933 apud Cruz, 1979) demonstrou que a linearidade entre f e Re (regime laminar) é alterada quando Re se situa no intervalo de 1 a 100. Vale lembrar que o valor de Re depende de como se define o raio hidraulico do meio em que o fluxo ocorre.

2

m/m, enquanto fluxos análogos em materiais de

transição escoam em regime turbulento sob gradientes da ordem de apenas 0,03 m/m.

2.2 Escoamento Turbulento

Para o dimensionamento de drenos de fundo em pilhas de estéril, a equação de Darcy não é mais válida, pois são formados por blocos de rocha angulosos ou cascalhos de granulometria aberta, de ordem decimétrica, que em geral levam a condições de escoamento turbulentas.

A velocidade média de fluxo turbulento (v T )

assume a forma:

v

T

= k

T

i

n

(3)

na qual i é o gradiente hidráulico (adimensional), k T é a condutividade no fluxo turbulento (L/T) e n é um expoente que tende a

0,5.

Conforme apontam Li et al. (1998), são inúmeras as formulações para determinação da velocidade efetiva, que ocorre através dos vazios formados entre blocos. As equações existentes variam de acordo

com a abordagem adotada, relacionando parâmetros fisicos, como o diâmetro dos blocos,

ou coeficientes empíricos determinados em

ensaios de laboratório. Li et al. (1998) comparam dez relações entre

a velocidade efetiva de escoamento,

determinada na área de vazios do meio poroso, e o gradiente hidráulico, incluindo a equação de Wilkins, largamente utilizada em dimensionamento de drenos e enrocamentos, dada por:

v

v

= W R

0,5 h

i

0,54

(4)

na qual v v é a velocidade efetiva do escoamento

(m/s), W é uma constante igual a 5,25 m 0,5 /s, R h é raio hidráulico médio (m), definido como razão entre o volume dos vazios e área superficial das partículas, valor aproximado a D 50 /8 (Leps, 1973). O produto WR h 0,5 , quando multiplicado pela porosidade do meio, pode ser

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definido como a “permeabilidade” intrínseca do enrocamento, como na equação (3). Para material granular e uniforme, valores de porosidade variando entre 0,35 e 0,50 e de gradiente hidráulico variando entre 0 e 0,7, Li et al. (1998) estimam valores muito próximos de velocidade efetiva a partir das formulações de fluxo analisadas. Observa-se também, na comparação da relação fator de atrito e número de Reynolds realizada nestes estudos que o regime de fluxo é turbulento para Re > 200. Conforme apontam Li et al. (1998), o número de Reynolds do escoamento que ocorre nos vazios do dreno é definido por:

R

e

=

v

v

R

h

(5)

na qual v v é a velocidade efetiva (m/s) e é a viscosidade cinemática da água (1x10 -6 m²/s a

20ºC).

O raio hidráulico é uma propriedade que está associada à geometria dos vazios e, portanto, associada ao tamanho dos blocos. Considerando que a massa de blocos seja igual a um conjunto de esferas (Taylor, 1948 apud Li et al., 1998):

R

h

=

e D

50

6r

E

(6)

na qual e é o índice de vazios do maciço formado pelos blocos de rocha ou cascalho, D 50

é o diâmetro representativo do enrocamento, r E

é o fator de forma, igual a 1 para enrocamento

composto por esferas. No caso de enrocamento anguloso como o resultante de britagem, o fator de forma (r E ) pode ser calculado por:

r E

=

d A

sup

6V

bloco

(7)

na qual d é o diâmetro da esfera (m), A sup é a área superficial do bloco de rocha (d 2 para esfera, em m²) e V bloco é o volume do bloco de rocha área superficial do bloco (d 3 /6 para esfera, em m³). Este fator é superior à unidade quando aplicado a blocos de geometria não

esférica, indicando a acentuação da turbulência decorrente da geometria irregular neste caso.

3 MODELO ADOTADO

Neste trabalho, utiliza-se a equação (4) (de Wilkins) para cálculo da seção drenante. Com a finalidade de ilustrar os conceitos, apresentam- se na Tabela 1 os resultados obtidos para D 50 entre 19 mm e 1,2 m e porosidade entre 0,20 e

0,25.

Os valores de porosidade são necessários para “corrigir” as velocidades para o valor médio de fluxo. As “permeabilidades” k T estimadas variam entre 0,25 m/s a 2,13 m/s.

Tabela 1. “Permeabilidades” em regime turbulento estimadas pela Equação de Wilkins, (4).

D

50

R

h

k

T

(mm)

e

n

(mm)

(m/s)

19,1

0,20

0,17

2,3

0,25

50,8

0,20

0,17

6,1

0,41

152,4

0,23

0,19

19,1

0,71

203,2

0,23

0,19

24,4

0,81

609,6

0,24

0,19

79,0

1,47

1219,2

0,25

0,20

163,3

2,13

Fonte: Leps, 1973.

Penman (1971 apud Cruz, 2009) assinala que quando a permeabilidade do material drenante é menor ou igual a 10 -5 m/s, deve-se analisar o fluxo pela equação de Darcy. Para que a permeabilidade seja desta ordem, a fração fina do material do dreno, composta de pó de pedra, alteração de rocha com dimensão de areia ou mesmo solo deve estar preenchendo os vazios e controlando o fluxo. Segundo Leps (1973), se o material drenante possuir mais de 30% de partículas passantes na peneira de 1”, deve ser tratado como solo e o fluxo através dos vazios estimado pela expressão (1).

4 CÁLCULO DA SEÇÃO DO DRENO

A vazão nominal a escoar pelo dreno é composta por uma parcela proveniente da recarga aplicada sobre a estrutura em questão (pilha, maciço, dique etc) e da recarga aplicada à bacia de contribuição a montante, que se mostra no desaguamento em nascentes e na vazão de base de córregos em condições permanentes.

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A determinação destas parcelas pode ser feita por meio de monitoramento de vazões ou por balanço hídrico aplicado a estas áreas, situação mais comum na prática.

4.1 Vazão Específica

Nos casos em que há monitoramento extenso

das vazões em cursos de água na região, pode-

se

obter a parcela correspondente à infiltração

da

água

de chuva, também denominada recarga,

que vai constituir a vazão nominal do dreno. A recarga é estimada através do balanço

hídrico da pilha, de forma como indicado a seguir:

R P - DAM- ETP

(8)

na qual R é a infiltração ou recarga média anual (mm), P é a precipitação média anual (mm), DAM é o deflúvio anual médio (mm), ETP é a evapotranspiração anual média (mm).

Este valor aplicado às áreas de contribuição

naturais ou de pilha permitem obter a vazão nominal do dreno de fundo.

4.2 Balanco Hídrico

É mais frequente a situação em que não há monitoramento extenso ou suficientemente

representativo do local em que será implantado

o dreno de fundo. Nestes casos, as vazões

nominais podem ser determinadas por meio de

balanço hídrico, conforme demonstrado a seguir.

A vazão de projeto adotada no

dimensionamento dos drenos corresponde à soma da percolação gerada pela recarga aplicada sobre a pilha e do aporte do escoamento subterrâneo gerado pela recarga nas áreas de montante. Define-se por recarga a parcela da infiltração que efetivamente atinge o aquífero ou o interior do aterro, já fora da área de atuação da evapotranspiração. Em geral, a recarga deve ser determinada por meio de um balanço hídrico no qual se considera que o sistema está em equilíbrio, ou seja, o balanço hídrico é nulo, qual seja:

I - O = 0 P - ES- ETP - R 0

4

R P - ES- ETP

(9)

No balanço hídrico adota-se o intervalo de tempo mensal visto que em intervalos inferiores

a premissa de que o balanço hídrico é nulo não

é necessariamente válida. Estima-se o escoamento superficial conforme a tipologia de uso do solo, como uma parcela da precipitação mensal. No caso de pilhas de estéril e áreas naturais em Minas Gerais estimam-se estas parcelas em 45% da precipitação mensal nas áreas de pilha e de 20%

a 30% nas áreas cobertas por vegetação natural (mata nativa, campos etc). No caso da evapotranspiração, esta variável é função da cobertura vegetal presente, mas raras são as ocasiões em que se têm esses valores determinados para a cobertura da bacia hidrográfica em análise. Analogamente às perdas por evaporação em superfície líquida de reservatórios, estima-se a evapotranspiração potencial (ETP pot ) como o produto entre a evaporação medida em tanque classe A (E) e um fator de correlação (k) igual a 0,8 para áreas naturais e 0,7 para áreas de pilha (Reichardt & Timm, 2004). É importante ressaltar que caso os dados de evaporação tenham sido obtidos por aparelhos de membrana, tais como evaporímetros de Piché, não há necessidade de aplicar o fator de correlação aos valores observados. Quando o balanço dado pela expressão acima resulta em um valor negativo, significa que a evapotranspiração real ocorrida (ETR) foi inferior à evapotranspiração potencial, sendo nula a recarga para aquele intervalo de tempo. Na prática, o balanço hídrico segue uma sequência, representada pelo modelo conceitual apresentado na Figura 1, imaginando que as suas parcelas possam ser representadas por reservatórios encadeados.

P ES ETP R
P
ES
ETP
R

Figura 1. Modelo conceitual de balanço hídrico.

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Na Figura 1 percebe-se que, apenas após completos os reservatórios de escoamento superficial e de evapotranspiração, ocorrerá a recarga. Para definição dos valores mensais de precipitação utilizados no balanço hídrico, em geral são estudados dados de monitoramento de estações pluviométricas regionais, monitoradas pela Agência Nacional de Águas, ou dados de monitoramento obtidos na área em questão. Os valores mensais de evaporação podem ser obtidos a partir das normais climatológicas, correspondentes aos valores médios observados em período de 30 anos, mas de preferência devem ser obtidos a partir de dados de monitoramento da área em questão.

4.3 Considerações sobre Fator de Seguranca

É bastante difundida no meio técnico a utilização de um fator de segurança para o dimensionamento dos drenos de fundo, em geral adotado igual a 10 (uma ordem de grandeza), para incorporar imprecisões relativas a variações de condutividade hidráulica, recarga anual média, área de contribuição etc. Em geral, para estruturas com pequena área de contribuição esta prática é viável, e muitas vezes resulta da aplicação de dimensões construtivas ao dreno, comparando-se as vazões admissível e de projeto. Porém, fixar o valor de fator de segurança mínimo igual a 10 pode levar a dimensões excessivamente conservadoras para o dreno de fundo à medida que as áreas contribuintes aumentam, como vem se verificando nos projetos de pilhas de disposição de estéril recentes, cujas áreas de contribuição têm se mostrado superiores a 100 ha. Nestas situações, pode-se aceitar a redução dos fatores de segurança para valores entre 2,5 e 5. Neste trabalho sugere-se que o valor mínimo deste fator de segurança deva ser tal que possibilite o dreno escoar vazões resultantes da recarga associada a condições de escoamento superficial nulo nas áreas de pilha e naturais.

5

REQUISITOS

PRÁTICOS

DE

PROJETO E CONSTRUÇÃO DE DRENOS

Os drenos compostos por enrocamento são

estruturas geotécnicas e, portanto, devem ser projetados, calculados e construídos em conformidade aos requisitos de um projeto de engenharia. A experiência demonstra que o método construtivo é fator determinante da geometria da seção do dreno. Em qualquer caso, o dreno deve ser executado no sentido de montante para jusante, protegendo-se a saída exposta ao final do período de trabalho de forma que eventuais eventos pluviométricos não provoquem a contaminação do núcleo no período de descanso. Na ampla maioria dos casos, a seção transversal dos drenos segue geometria trapezoidal, com ângulos de taludes 1V:1,3H (enrocamento), conforme apresentado na Figura 2 a seguir.

(enrocamento), conforme apresentado na Figura 2 a seguir. Figura 2. Seção esquemática de dreno de fundo

Figura 2. Seção esquemática de dreno de fundo

Além disso, devem atender a um conjunto de requisitos práticos, listados a seguir:

o dreno deve ser instalado em áreas com fundação estável e não erodível. No caso de

drenos fundados em solo, deverão ser interpostas camadas de filtro e transição entre o solo e o material de dreno (blocos de rocha ou cascalho);

o material do dreno deve ser durável.

Em geral, os materiais adequados à construção de rip-rap são adequados à construção de drenos;

o dreno deverá ser coberto com

materiais de transição e filtro para evitar a colmatação por materiais finos provenientes do estéril, de forma a garantir o funcionamento a longo prazo;

a fundação da pilha de estéril, nas

laterais do dreno, também deve apresentar boa estabilidade, de modo a evitar que o dreno tenha

seção interrompida por deformação excessiva, ou mesmo ruptura, e tal acontecimento venha a

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comprometer a capacidade drenante a longo prazo;

deve-se garantir que a rocha utilizada na construção dos drenos seja isenta de minerais potencialmente geradores de drenagem ácida, ou sujeitos à ciclagem;

a construção de drenos deve ocorrer

durante o período de seca, de forma a evitar a

contaminação do dreno por materiais finos;

a fundação do dreno, seja constituída

por solo fino ou granular, deverá ser compactada moderadamente, para apresentar

uma permeabilidade moderada;

o material de dreno poderá ser colocado

com retroescavadeira ou basculado diretamente do próprio caminhão e espalhado com trator de esteiras. Em geral, uma compactação executada com passadas do trator de esteiras (tipo CAT D8 ou similar) é suficiente;

a largura mínima do corpo do dreno

deverá ser igual a 3,0 m para atender requisitos

construtivos, pois esta é a largura mínima necessária para o tráfego de escavadeira, responsável pela disposição dos materiais de construção nas respectivas camadas de montante para jusante, usando o próprio dreno como acesso.

6 EXEMPLO DE APLICAÇÃO

Como exemplo de aplicação da metodologia proposta, será analisado a seguir o caso de uma pilha de estéril a ser instalada em uma bacia hidrográfica ocupada por mata e pasto, com área de drenagem de 1,7 km², dos quais cerca de 1 km² serão ocupados pela pilha. Para determinar as vazões de projeto do dreno principal foi realizado o balanço hídrico, a partir dos dados de precipitação média mensal monitorados no local e evaporação observadas em evaporímetro de membrana, considerando coeficientes de escoamento superficial iguais a 0,45 e 0,30 para as áreas de pilha e naturais, respectivamente (Tabelas 2 e 3). O dimensionamento do dreno principal deve ser realizado para o desaguamento da recarga aplicada nas áreas de pilha (1 km²) e naturais (0,7 km²), ou seja, a recarga média ponderada a partir dos valores obtidos e das respectivas áreas de contribuição. Porém, o valor de recarga a utilizar deve considerar o pior cenário em

termos de recarga. Nas Tabelas 2 e 3, percebe-se que estes cenários correspondem ao mês de dezembro, quando a intensidade da recarga é maior que a intensidade da recarga anual.

Tabela 2. Balanço hídrico aplicado nas áreas de pilha (mm).

Mês

P

ETP

ES

Balanço

ETP

R

 

pot

real

J

245

87

110

48

87

48

F

162

85

73

4

85

4

M

149

95

67

-13

82

0

A

56

92

25

-62

31

0

M

31

93

14

-76

17

0

J

8

92

4

-88

4

0

J

7

106

3

-102

4

0

A

16

132

7

-124

9

0

S

46

137

21

-112

25

0

O

89

118

40

-69

49

0

N

198

96

89

13

96

13

D

344

84

155

105

84

105

Ano

1350

1217

608

572

170

Tabela 3. Balanço hídrico aplicado nas áreas naturais (mm).

Mês

P

ETP

ES

Balanço

ETP

R

 

pot

real

J

245

87

73

85

87

85

F

162

85

48

28

85

28

M

149

95

45

9

95

9

A

56

92

17

-54

39

0

M

31

93

9

-71

21

0

J

8

92

2

-87

6

0

J

7

106

2

-101

5

0

A

16

132

5

-121

11

0

S

46

137

14

-105

32

0

O

89

118

27

-55

62

0

N

198

96

60

43

96

43

D

344

84

103

157

84

157

Ano

1350

1217

405

624

321

Ponderando-se em relação à área (105 mm/mês aplicados a 1,0 km² e 157 mm/mês aplicados a 0,7 km²), obtém-se recarga máxima de 126 mm/mês. Este valor aplicado à área de contribuição (1,7 km²) resultará em uma vazão nominal de projeto igual a 293 m³/h (0,082 m³/s). As declividades do talvegue em que se pretende implantar o referido dreno na região varia entre 0,1% e 5%. Em condições de escoamento estacionárias, o gradiente hidráulico será igual à declividade do terreno. Partindo-se de enrocamento com D 50 igual a 6 polegadas (152 mm) e gradiente hidráulico máximo de 5%, obtém-se velocidade efetiva

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igual a 0,037 m/s e número de Reynolds igual a 759, para fator de forma (r E ) igual a 1,67 (blocos com arestas iguais à metade do comprimento), que indicam condições de fluxo turbulento e validade da equação de Wilkins

(4).

Já para declividades inferiores a 0,43%, o número de Reynolds torna-se inferior a 200 e, assim, nestes locais deve-se utilizar a equação de Darcy (1) para o cálculo da seção drenante. A aplicação indiscriminada da lei de Darcy (1) levaria a drenos com seções transversais com áreas mínimas (fator de segurança unitário) iguais a 1,6 m² e 81,5 m² em condições de declividade longitudinal iguais a 5% e 0,1%, respectivamente. Por outro lado, o uso indiscriminado da equação de Wilkins (4) neste intervalo levaria a drenos com seções transversais com áreas mínimas (fator de segurança unitário) iguais a 2,2 m² e 18,4 m² em condições de declividade longitudinal iguais a 5% e 0,1%, respectivamente. Comparando-se os resultados, percebe-se que em regimes de escoamento acentuadamente turbulentos (Re>>200), o uso da equação de Darcy (1) subestimou a área de seção transversal necessária ao dreno em até 30%. Por outro lado, em regime de escoamento acentuadamente laminar, o uso da equação de Wilkins (4) subestimou a área de seção transversal necessária ao dreno em até 4,4 vezes. Percebe-se, portanto, a importância da identificação correta do regime de escoamento no dimensionamento dos drenos de fundo.

7

CONCLUSÕES

Este artigo apresentou uma metodologia alternativa para dimensionamento de dreno de fundo de pilhas de estéril, tendo em vista aspectos geotécnicos, hidrológicos, hidrogeológicos e hidráulicos, tais como o regime de escoamento. Em um estudo de caso hipotético, as diferenças entre as abordagens utilizadas em regime laminar (lei de Darcy (1)) e turbulento (metodologia proposta por Wilkins (4)) foram apresentadas, sendo que aplicação das formulações fora de seu regime de validade

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resultou em grandes variações nas áreas de seção transversal resultantes. Este aspecto reforça a importância da consideração do regime de escoamento no dimensionamento dos drenos de fundo de pilhas de estéril. Além disso, o método de balanço hídrico empregado permite determinar o valor mínimo aceitável para o fator de segurança, sem a necessidade de fixação prévia em uma ordem de grandeza, como frequentemente observado na prática. Em pilhas de estéril que têm se mostrado progressivamente maiores nos últimos anos em termos de áreas ocupadas, esta consideração permite determinar dimensões mais econômicas para o dreno de fundo, sem prescindir da segurança da obra.

REFERÊNCIAS

Cruz, P.T. (1979). Fluxo de água em enrocamento :

contribuição ao estudo do fluxo em meios contínuos e descontínuos. Relatório IPT-DMGA, cap. IX. Instituto de Pesquisas Tecnológicas, São Paulo, SP, Brasil. Cruz, P.T., Materon, B., Freitas, M. (2009). Barragens de Enrocamento com Face de Concreto. Oficina de Textos, Belo Horizonte, MG, Brasil. 448 p. Darcy, H. (1856). Les Fontaines publiques de la ville de Dijon (The Public Fountains of the City of Dijon), Tradução para o inglês de Patricia Bobeck, Kendall/Hunt Publishing Co., 2004. 598 p. Instituto Nacional de Meteorologia INMET. Normais Climatológicas. Instituto Nacional de Meteorologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 478 p. Leps, T. M. (1973). Flow through rockfill. In:

Hirschfiled, R. C. Poulos, S. J. (ed.), Embankement Dam Engineering. Casagrande Volume. John Wiley & Sons, New York, NY, USA. p. 87-105. Li, B. Garga, V. K. Davies, M. H. (1998). Relationships for non-Darcy flow in Rockfill. Journal of Hydraulic Engineering, Reston, v. 124, n. 2. p. 206-212. Reichardt, K. Timm, L. C. (2004) Solo, Planta e Atmosfera. Conceitos, Processos e Aplicações, 1ª ed., Ed. Manole, Barueri, SP, Brasil. 478 p.