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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder

Florianópolis, de 25 a 28 de agosto de 2008

Há um projeto feminista para a democracia? Reflexões a partir do debate atual

Arlene Martinez Ricoldi (USP)


Movimento Feminista; Democracia; Projeto Político
ST 62 - Direitos humanos, democracia e violência

No Brasil, pode-se afirmar que, ainda que o foco de estudos e políticas denominadas de
“gênero” continue sendo “a mulher”, esta se deslocou do lugar de “vítima” ou “oprimida”. Nos
últimos anos, vem sendo considerada, por larga parcela da sociedade e também do movimento
feminista/de mulheres1, como um dos principais agentes de transformação e promoção social. Um
exemplo é o argumento recorrente para a formulação de políticas voltadas para as mulheres,
baseadas no fato de que tais medidas ressoam em todo o grupo familiar e até sobre as comunidades,
em razão dos papéis desempenhados por elas, de mães e/ou cuidadoras. Pode-se afirmar que este
deslocamento se deve, em grande parte, pela atuação do movimento feminista em redefinir
culturalmente o lugar ocupado pelas mulheres.
No continente latino-americano, herdeiro das tradições intelectuais e dos modelos
explicativos do chamado “primeiro mundo”, a questão da participação e do exercício da cidadania
guarda complicadores. A herança cultural autoritária é forte e vem de longa data; a instabilidade
política da região em relação ao estabelecimento de regimes democráticos é conhecida. No entanto,
parece que boa parte da América Latina estaria realmente saindo de um período de transição
democrática, em direção a regimes democráticos consolidados, nos quais as crises políticas vêm
sendo resolvidas a partir de saídas legais previstas nas constituições nacionais (DAGNINO,
OLVERA, PANFICHI, 2006, p. 13). Neste contexto, o movimento feminista/de mulheres vem
sendo, nos últimos 30 anos (ou sua segunda onda, v. BLAY, 2001) importante ator da sociedade
civil, em toda América Latina. Suas categorias vêm sendo largamente incorporadas aos “repertórios
morais usados pelo Estado” e suas redes, cada vez mais vastas e influentes, ainda que amplamente
despercebidas (SCHILD, 2000).
No processo de transição democrática brasileira há de se destacar o papel importante
desempenhado por este ator político, conforme destacam alguns estudos (ALVAREZ, 1988, 1990;
BLAY, 1980, 1988; SINGER, 1980). A valorização de novos espaços públicos e de novos sujeitos
sociais (SADER, 1988) teve influência importante do movimento de mulheres e do movimento
feminista. Nestes primeiros anos da ação feminista, a sua organização em muito se assemelhava ao
tipo de organização das esquerdas, centralizadas e hierárquicas (ALVAREZ, 2000a, p. 388).
2
Nesse momento, forjava-se uma “identidade feminista”, marcada por valores que remetiam
a uma radicalização democrática, fundada em práticas como a descentralização e a discussão sobre
autonomia política, participação direta e paritária, não monopólio da palavra ou da informação, na
rotatividade de eventuais cargos, não especialização de funções, etc. (HEILBORN, ARRUDA,
1995, p. 20). Ser feminista implicava em aderir à plataforma de questões específicas das mulheres,
adotar certas práticas políticas (como participação direta, informalidade de procedimentos) e atuar
em certos espaços públicos, primordialmente as organizações feministas autônomas. É a época
também da “dupla militância”, designação para aquelas que se dividiam, não sem conflitos, entre o
partido e a militância feminista (ALVAREZ et al., 2003). A partir de meados da década de 1990,
numerosos fatores fizeram com que o segmento feminista, em toda a América Latina, se
pluralizasse (ALVAREZ, 2000a), processo potencializado pela mobilização e preparo para a Quarta
Conferência Mundial da Mulher em Beijing (1995). A pluralidade era expressa tanto na diversidade
de organizações não-governamentais e nos seus “feminismos”, - como o “feminismo negro,
feminismo lésbico, feminismo popular, ecofeminismo, feminismo cristão e assim por diante”
(ALVAREZ, 2000a, p. 393). Outra diferenciação importante ocorre entre as ongs propriamente
ditas e “o movimento”. As primeiras têm equipes profissionalizadas, especializadas e pagas,
recebem fundos de agências e fundações privadas internacionais, fazem planejamento estratégico e
elaboram projetos e relatórios. O “movimento”, por sua vez, é entendido como composto por
grupos ou coletivos feministas militantes que se enquadrariam no molde anterior com organização
mais autônoma e informal, e quase sempre contando com grupos de militantes não-pagas, com
atividade esporádica e com fundos menores. Paralelamente, há a transnacionalização do discurso
feminista, e que se liga por meio de redes político-comunicativas. Esta articulação garante a
manutenção de certa plataforma e identidade, e ao mesmo tempo, “configuram um campo feminista
latino-americano cada vez mais heterogêneo, policêntrico, e disperso do ponto de vista do espaço e
da organização” (ALVAREZ, 2000a, p. 415).
Esta agenda é constituída por questões formuladas e colocadas em debate nos espaços
deliberativos (ou nos “contrapúblicos subalternos”, denominação de Nancy Fraser, ver adiante), as
chamadas “bandeiras”, como direitos sexuais e reprodutivos e direito ao aborto, violência contra a
mulher/violência doméstica e a conciliação entre o trabalho e os cuidados familiares. A discussão
de pontos específicos trouxe também a necessidade de ampliação dos debates, que incluiriam, em
última instância, que tipo de sociedade este movimento/pensamento desejava. Não era suficiente
somente modificar o regime político, assim como não era suficiente restringir o debate sobre
discriminação, ou exclusão, ou desigualdade a gênero, mas também a raça e classe, por exemplo.
Daí o investimento historicamente constatado, conforme aponta Fraser (1994), pelo
movimento feminista (assim como por outros, como trabalhadores, negros, gays e lésbicas) nos
3
contrapúblicos subalternos, tendo em vista os impedimentos informais para a participação na esfera
pública oficial. Conforme assinala a autora, a participação no espaço público oficial em sociedades
que chama de “estratificadas”2 não é possível de forma paritária. Sendo assim, aqueles grupos que
foram excluídos da esfera pública oficial, mesmo que informalmente, estabeleceram a estratégia de
formação de espaços públicos alternativos, o que a autora denomina contrapúblicos subalternos.
Estes seriam arenas discursivas paralelas onde os membros dos grupos subordinados inventam e
colocam em circulação contradiscursos para formular interpretações oposicionistas de suas
identidades, interesses e necessidades (1994, p. 123). O exemplo dado por Fraser é justamente o
contrapúblico criado pelo feminismo nos Estados Unidos, pelo qual foi criada uma gama variada de
publicações, redes de distribuição de filmes, convenções, encontros locais, etc. Também recorrem à
criação de novos termos para descrever a realidade social, como sexismo, dupla jornada [double
shift] e assédio sexual [sexual harassment]. Os públicos alternativos3 têm, portanto, um duplo
caráter: por um lado, funcionam como lugar de recolhimento e reagrupamento, e, por outro, como
base e espaço de treinamento para atividades e agitação dirigidas a públicos mais amplos (1994, p.
124).
Pouco se estudou, no Brasil, o papel do movimento feminista nos processos políticos e na
transição democrática, com exceção do trabalho de Alvarez (1990), que sequer foi traduzido. Menos
ainda foram os processos de formação feminista, como aponta Denise Carreira (2001), a não ser
diagnósticos feitos pelas próprias organizações ou pelos organismos internacionais. É verdade que
muitas organizações abandonaram práticas de educação popular, voltando-se para atividades mais
técnicas, como consultorias e assessorias (ALVAREZ, 1998a). Várias outras, no entanto, se
dedicam a projetos educativos (NOVELLINO, 2006). Algumas, sob a denominação de “educação
popular”:

As implicações da persistência destas ações são significativas. No início da década


de 1990, a chamada “refundamentação da Educação Popular” (PONTUAL, 2005)
aponta para a revisão de suas bases, cujo debate inclui noções como
aprofundamento da democracia (“democratizar a democracia”), educação para a
cidadania e a educação para a democracia. Neste sentido, a Educação Popular é
“uma pedagogia do público, da decisão, da construção de um sentido do comum.
(...) uma educação cidadã, uma esfera pública”4 (CASTILLO, OSÓRIO apud
PONTUAL, 2005, p. 97).

Apesar de certa agenda e demandas comuns não é possível afirmar, no entanto, que haja
um programa feminista unificado e homogêneo: este se articula, com projetos políticos complexos
que envolvem diversos outros atores da sociedade civil organizada.
O trabalho de Dagnino, Olvera e Panfichi (2006) se inscreve na recente tendência de
considerar, nos estudos sobre a sociedade civil, as necessárias ilações entre o político e o cultural.
Um dos principais argumentos desses autores é que há de se considerar novos elementos na análise
4
política do continente latino-americano. Para os autores, não teriam sido levados em consideração
(ou o foram de maneira insuficiente) pelos menos três processos importantes dos últimos anos na
região. O primeiro, a consolidação de uma democracia eleitoral, com crises resolvidas por meio de
saídas constitucionais. Em segundo lugar, a insatisfação da população com os resultados do regime
democrático, especialmente em relação aos problemas de exclusão e desigualdade social e à má-
qualidade dos serviços públicos oferecidos. E, por fim, novos experimentos de construção e
aprofundamento do processo democrático. Entre estes últimos, encontram-se experimentos de
inovação e ampliação no campo da política e da construção da democracia que estariam re-
significando sua concepção.
Para dar conta deste novo contexto que se afigura, os autores propõem alguns instrumentos
analíticos que se mostram úteis e adequados a este trabalho. Em primeiro lugar, sugerem a idéia de
heterogeneidade, por parte tanto da sociedade civil como do Estado, reforçando as “articulações,
vinculações e trânsitos” entre os dois atores, “onde a disputa entre os distintos projetos estrutura e
dá sentido à política” (idem, p.15). A noção de projeto político é justamente outro instrumento
analítico apresentado: trata-se de uma noção vinculada ao pensamento gramsciano, que o define
como um “conjunto de crenças, interesses, concepções de mundo, representações do que deve ser a
vida em sociedade, que orientam a ação política dos diferentes sujeitos” (p. 38). Sendo assim,
projetos políticos não se reduzem a estratégias de atuação política no sentido estrito, mas “são
projetos coletivos que se caracterizam fundamentalmente pela sua dimensão societária, no sentido
de que contém visões do que deve ser a vida em sociedade”. Esta noção vai ao encontro da idéia de
heterogeneidade da sociedade civil e do Estado, pois os projetos políticos circulariam pela
sociedade como um todo, rejeitando a clivagem entre Estado e sociedade civil. Um terceiro
instrumento passa pela adesão ao estudo de trajetórias sociedade civil-sociedade política como
metodologia para analisar a permeabilidade entre essas duas esferas. Isto porque é necessário
examinar a relação coletiva e individual dos projetos. Citando Mische (apud, DAGNINO,
OLVERA, PANFICHI, 2006, p. 41), os autores apontam que o processo de síntese de identidades
individuais e coletivas é constitutivo da elaboração dos projetos.
Partindo de estudos em diversos países do continente, os autores chegam à formulação de 3
macro-projetos políticos: o neoliberal, o democrático-participativo e o autoritário. Atualmente se
encontram em disputa no continente os dois primeiros5, macro-projetos que os autores delimitam
em linhas gerais, chamando a atenção para o risco inerente às generalizações e às disputas internas
dos próprios projetos. Todos os projetos (inclusive o autoritário) compartilhariam do “patamar
mínimo” democrático, isto é, a democracia representativa e as instituições elementares do Estado de
Direito. Tanto o neoliberal quanto o democrático-participativo utilizam-se do discurso
5
participacionista e de valorização da sociedade civil, todavia, engendram práticas políticas
completamente distintas. Vamos nos ater, aqui, apenas a estes dois projetos6.
O projeto neoliberal articula-se a partir da necessidade de ajustar o Estado e suas relações
com a sociedade a um novo momento do processo de acumulação capitalista, que teria sido
reconfigurada globalmente. Suas ações resultam em “enxugamento” da máquina estatal,
privatização e terceirização de serviços. Pauta-se por um primado do mercado como eixo
reorganizador da economia e, por extensão, do conjunto da sociedade (princípios da eficiência e
modernização). Neste projeto, os cidadãos são vistos como “clientes” e “usuários”. Nestes, os
movimentos sociais tendem a ser equiparados ao Terceiro Setor e às ongs de uma forma geral; há
um certo “temor à politização” e uma busca de “parceiros seguros” que possam responder às suas
expectativas e minimizar possíveis conflitos. A participação é vista sob uma perspectiva privatista e
individualista, onde o Estado define políticas, contrata e fiscaliza as ongs, e a sociedade é chamada
a participar sob a bandeira apolítica da “solidariedade”. Enfim, predomina uma visão “minimalista”
em relação à política e à democracia.
Já o projeto democrático-participativo tem como princípio o aprofundamento e
radicalização da democracia, afrontando nitidamente os limites da democracia liberal representativa
como “forma privilegiada das relações entre Estado e sociedade” (p. 48). Assim, suas ações se
pautam pela desprivatização do Estado e uma maior permeabilidade ao interesse público,
entendendo a participação como um “compartilhamento do poder decisório do Estado” e não
somente como “consulta à população” (idem, p. 48-49). A sociedade civil, de importância
fundamental, é tomada e reconhecida em toda a sua heterogeneidade. É o “terreno constitutivo da
política”, espaço do debate de interesses divergentes e dos consensos provisórios sobre o interesse
público (idem, p. 51). Outro aspecto constitutivo deste projeto é a noção de “construção da
cidadania”: a redefinição da visão clássica de cidadania formulada nos anos 1940 (MARSHALL,
1967) foi empreendida por diversos movimentos e atores sociais civis com o intuito de adequá-la às
necessidades específicas da luta pelo aprofundamento democrático. Esta redefinição supõe uma
nova premissa – o “direito a ter direitos”, e que “sustentou a emergência de novos temas e a
constituição de novos sujeitos políticos, definindo por meio de suas práticas o que consideravam
seus direitos e lutando por seu reconhecimento.” (idem, p. 52)
Um destes novos sujeitos políticos é exatamente o movimento feminista/de mulheres ou,
como quer Alvarez (1998b), o campo de ação/atuação feminista. Poucos estudos têm investigado o
movimento feminista/de mulheres do ponto de vista das vinculações entre cultura e política. Este
trabalho, portanto, coloca a seguinte questão: é possível investigar a formulação de um projeto
feminista, articulado a esses macroprojetos políticos, tomando como universo seus contrapúblicos
subalternos?
6

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1
Já é conhecida a distinção entre ambos, enunciada por Singer (1981), em que o movimento de mulheres se preocuparia
com reivindicações “femininas”, como creches ou a proteção à mulher que trabalha, sem colocar em questão o modo
como as mulheres estão inseridas no contexto social, preocupação caracteristicamente feminista. Utilizaremos a
expressão conjuntamente, por entendermos se tratar de fronteira de difícil delineamento.
2
Em oposição às sociedades estratificadas Fraser opõe as “multiculturais igualitárias”, que significariam sociedades
cuja estrutura básica não geraria grupos sociais desiguais em relações sociais de dominação e subordinação, – onde não
existiriam classes nem divisões de trabalho por gênero ou raça (1994, p. 125).
3
No entanto, Fraser adverte que nem sempre os contrapúblicos são virtuosos: alguns são explicitamente
antidemocráticos e antigualitários. Porém, um dos principais papéis destes contrapúblicos subalternos é justamente a
contestação, o que supõe a interação discursiva entre públicos, rejeitando a idéia de separatismo.
4
A percepção de como a Educação Popular pode formular espaços públicos e aprendizado político de participação foi
uma das constatações de minha dissertação de mestrado (RICOLDI, 2005).
5
O projeto autoritário, atualmente numa espécie de “latência”, mas que, em tese, poderia ser resgatado a qualquer
momento devido à cultura autoritária latino-americana.
6
A razão de não abordarmos o projeto autoritário é o fato de estar, em quase toda a América Latina, “hibernando”. Isto
não quer dizer, no entanto, que este não possa ser, a qualquer momento, acionado.