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TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO

CONDUTA PENALMENTE RELEVANTE

Introdução : Na delimitação do conceito de conduta, reside uma das maiores discussões em Direito Penal . Várias teorias buscam defini-la, e a adoção de cada uma delas, importa em modificações estruturais na forma de encarar o Direito Penal .

 TEORIA CLÁSSICA, NATURALÍSTICA OU CAUSAL - Conduta é o comportamento humano voluntário que produz uma modificação no mundo exterior . Idealizador : Von Liszt, Beling e Radbruch . No Brasil, foi recepcionada por Aníbal Bruno, Magalhães Noronha, José Frederico Marques, Basileu Garcia e Nelson Hungria . A vontade humana engloba duas partes diversas : uma externa, objetiva, correspondente ao processo causal ( movimento corpóreo ), e a outra interna, subjetiva, relacionada ao conteúdo final da ação A vontade é a causa da conduta, e a conduta é a causa do resultado . Não há vontade no tocante à produção do resultado . O elemento volitivo, interno, acarreta em um movimento

então. objetivamente. independente de dolo ou culpa .  TEORIA FINALISTA . anti-jurídico e culpável. para os adeptos da teoria clássica. o dolo e culpa se alojam no interior da culpabilidade. A caracterização da conduta criminosa depende somente da circunstância de o agente produzir fisicamente um resultado previsto em lei como infração penal.. a finalidade do agente . mas apenas atos dirigidos finalisticamente. ou então a omissão de tais atos . o dolo e a culpa. sob pena de restar caracterizada a responsabilidade penal objetiva . porque leva em consideração. dependendo do elemento subjetivo do agente . produz um resultado . . é o comportamento humano.corporal do agente. Mirabette e Miguel Reale Jr. . o qual.Uma conduta pode ser contrária ou conforme ao Direito. voluntário e consciente. Destarte. Damásio. Na teoria clássica. Teve grande acolhida no Brasil : Heleno Fragoso.Foi criada por Hans Welzel ( Jusfilosófo alemão ) na década de 30 do sec.As regras de Direito não podem ordenar ou proibir meros processos causais. XX .Conduta. que na teoria . o crime é necessariamente fato típico. momento em que se procede à análise do querer interno do agente . dirigido a um fim . Por essa razão. A teoria é finalista.

O partidário do finalismo pode adotar um conceito analítico de crime tripartido ou bipartido. Formou-se. . tenha também a intenção de produzir um resultado socialmente relevante . desprovida de dolo e da culpa . .clássica residiam na culpabilidade. pois não analisa o querer interno do agente .  TEORIA SOCIAL . além de realizar todos os elementos previstos no tipo penal. .Welzel sustentava que a causalidade exterior é cega. Socialmente relevante seria a conduta capaz de afetar o relacionamento do agente como o meio social em que se insere . . para que o agente pratique uma infração penal é necessário que.Para essa teoria. uma culpabilidade vazia. foram deslocadas para o interior da conduta. por ser guiada. assim. a finalidade. para o fato típico . conforme repute a culpabilidade como elemento do crime ou pressuposto da aplicação da pena . Por seu turno. é vidente . os ideais clássico e finalista são insuficientes para disciplinar a conduta. porque desconsiderariam uma nota essencial do comportamento humano : o seu aspecto social . definiu conduta como : o comportamento humano com transcendência ( relevância ) social . e portanto.Para essa teoria.Hans Jescheck.

e sim. mas sim pela suspeita despertada pelo seu modo de agir . pois não o provocou . . aceita a responsabilização do omitente pela produção do resultado. o omitente não responde pelo resultado. A omissão. contudo. Destarte. por meio de uma norma proibitiva ) OMISSÃO : A omissão não é um mero comportamento estático. por uma norma. Reclama do ser humano uma postura positiva. desde que seja a ele atribuído. Essa é a razão de sua denominação ( normativa = norma ) . não aceita os crimes de mera suspeita ( aqueles em que o agente é punido não por sua conduta. pois o nada não produz efeitos jurídicos . Foi acolhida pelo CP . um fazer . Veja o art. Relaciona-se com a maioria dos delitos. a conduta de não fazer aquilo que podia e devia ser feito em termos jurídicos. Essa teoria. O DEVER JURÍDICO DE AGIR . e se refere às normas preceptivas TEORIA NATURALISTICA TEORIA NORMATIVA : A omissão é um indiferente penal. pois o Direito Penal. não fazer o que a lei determinava que se fizesse . Em suma : NÃO HÁ CRIME SEM CONDUTA. 25 da LCP )  FORMAS DE CONDUTA AÇÃO : A conduta pode se exteriorizar por ação ( movimento corporal exterior. é assim.

 EXCLUSÃO DA CONDUTA .MOVIMENTOS REFLEXOS : reação motora em conseqüência da excitação dos sentidos . E se não há vontade. mas a omissão do agente. .CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS : A norma impõe o dever jurídico de agir no próprio tipo penal( preceito preceptivo ) CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS OU ESPÚRIOS ( COMISSIVOS POR OMISSÃO ) : O tipo penal descreve uma ação ( preceito proibitivo ). 13. não há dolo nem culpa Caso fortuito : acontecimento imprevisível e inevitável provocado pelo homem : greve de ônibus Força maior : acontecimento imprevisível e inevitável de corrente da natureza : inundação decorrente de uma tempestade . que descumpre o dever jurídico de agir ( art. O movimento corpóreo não se deve ao elemento volitivo. . § 2 CP ) acarreta a sua responsabilidade penal pela produção do resultado naturalístico . mas ao fisiológico . que escapam do domínio da vontade do homem .CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR : São os acontecimentos imprevisíveis e inevitáveis.

a exclui-se a culpabilidade. -Espécies : RESULTADO JURÍDICO ( NORMATIVO ) : É a modificação gerada no mundo jurídico. seja na forma de dano efetivo ou na de dano potencial. de modo que somente se pode falar em resultado. ferindo interesse protegido pela norma . . A COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL ( VIS COMPULSIVA ) . simplesmente. É. O evento está situado no mundo físico. o coagido pode escolher o caminho a ser seguido : obedecer ou não a ordem do co-autor . RESULTADO ( EVENTO )  É a conseqüência provocada pela conduta do agente . mediante a agressão do valor ou interesse por ela protegido . Não lhe resta outra alternativa. a violação da lei penal. quando existe uma . Como a sua vontade existe. em face da inexigibilidade de conduta diversa . Ex : violação de domicílio RESULTADO NATURALÍSTICO ( MATERIAL ) : É a modificação do mundo exterior provocada pelo agente . embora de forma viciada. É a lesão ou a exposição a perigo de lesão do bem jurídico protegido pela lei penal .COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL ( VIS ABSOLUTA ) : ocorre quando o coagido não tem liberdade para agir . por falta de vontade nos comportamentos praticados em completo estado de inconsciência .SONAMBULISMO E HIPNOSE : também não há conduta.. Exclui a conduta e o fato típico . a não ser praticar um ato em conformidade com a vontade do autor .

pois todo delito agride bens jurídicos protegidos pelo Direito Penal .  CONCEITO : é o vínculo formado entre a conduta praticado pelo autor e o resultado por ele produzido ( Nucci : com relevância suficiente para formar o fato típico ) . de que depende a existência do crime. pois. Art. No entanto. há crime sem resultado naturalístico. 13 CP : O resultado. ainda que material. os fatos anteriores. o código menciona : relação de causalidade . somente é imputável a quem lhe deu causa . Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido . o crime. produziu o resultado . que estará presente somente nos crimes materiais consumados.A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando. Ex : homicídio Obs : Existe crime sem resultado ? Resposta : Depende . entretanto. não produziu resultado naturalísitico . imputam-se a quem os praticou .modificação passível de captação pelos sentidos . No entanto. § 1º . RELAÇÃO DE CAUSALIDADE (NEXO CAUSAL) Introdução : Emprega-se normalmente a expressão “ nexo causal “ para referir-se à ligação entre a conduta e o resultado . em caso de tentativa. por si só. Não há crime sem resultado jurídico.

o resultado naturalístico pode ocorrer ( formais ) ou não ( mera conduta ) . idealizada por Glaser. Obs : Prevalece na doutrina. o entendimento de que a expressão “ resultado ”. exigindo a produção deste último para a sua consumação . É todo o comportamento humano... o tipo penal descreve uma conduta e um resultado naturalístico. quando ocorreu e como ocorreu . Pouco importa o grau de contribuição . autorizando. Assim. foi a teoria acolhida pelo Código Penal : “ . se presente a tipicidade.  TEORIAS : A) Teoria da equivalência dos antecedentes causais . que de qualquer modo concorreu para a produção do resultado naturalístico . Como regra. Basta que tenha . comissivo ou omissivo. Nos crimes de atividade. Nesses delitos. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido ” Causa é todo o fato humano sem o qual o resultado não teria ocorrido. e depois por Von Buri e Stuart Mill .É por meio dela ( relação de causalidade ) que se conclui se o resultado foi ou não provocado pela conduta. o estudo da relação de causalidade tem pertinência apenas aos CRIMES MATERIAIS . a configuração do fato típico . “ conditio sine quan non ” . alcança somente o resultado naturalístico ( modificação externa provocada pela conduta de alguém ).

é porque era também a sua causa . condição ou ocasião JUÍZO HIPOTÉTICO DE ELIMINAÇÃO : Para se constatar se algum acontecimento insere-se ou não no conceito de causa. A conduta típica do homicídio possui uma série de fatos : . emprega-se o processo hipotético de eliminação. .COMPRA DO REVÓLVER PELO AGENTE . Suprime-se mentalmente determinado fato que compõe o histórico do crime : se desaparecer o resultado naturalístico.EMBOSCADA . EXEMPLO: “A” MATOU “B” .DISPARO DE PROJÉTEIS NA VÍTIMA .contribuído para o resultado material. não se pode falar que aquele acontecimento atuou como sua causa .A PRODUÇÃO INDÚSTRIA A AQUISIÇÃO COMERCIANTE DO REVÓLVER PELA DA ARMA PELO . desenvolvido por Thyrén ( 1894 ) . se com a sua eliminação permanecer íntegro o resultado material. todavia. na forma e quando ocorreu .REFEIÇÃO TOMADA PELO HOMICIDA . Não há diferença entre causa.

Logo. excluindo-se os fatos sob os nºs 1. quando esta tiver sido apta e idônea para produzir o resultado . Dentro dessa cadeia de fatos. não ingressa no nexo causal de um homicídio com ela praticado . o resultado não teria ocorrido . sua conduta será causa do crime posteriormente cometido . para que se . VON KRIES : adequada ( condição Um determinado evento somente será produto ad ação humana. ainda assim o evento teria ocorrido . condutas despropositadas . não basta a mera dependência física . 2. para que um acontecimento ingresse na relação de causalidade. Crítica : regressão até o infinito. por seu turno. a refeição não é considerada causa . Entretanto. Destarte. Exige-se ainda a causalidade psíquica ( dolo ou culpa ) . Logo. Excluindo-se o fato de nº 4 ( refeição ). obsta a configuração do nexo causal . se o vendedor sabia da intenção do comprador e. EXEMPLO : A venda lícita de uma arma de fogo. por si só. 5 e 6 . são considerados como causa . 3. a qual. incluindo na cadeia causal. B) Teoria da causalidade qualificada ) . Na verdade. A falta de dolo ou da culpa afasta a conduta. desejando a morte do ofendido. facilitou de qualquer modo a alienação do produto.RESULTADO MORTE ..

dirigindo em alta velocidade. bem como a concretização desse perigo em resultado típico . é necessário que ela. EXEMPLO : O sujeito que. se o adquirente da referida arma. realmente. a criação ou incremento de um perigo juridicamente intolerável e não permitido ao bem jurídico protegido. em zona habitada. vier a ceifar a vida de outra pessoa . realize uma atividade adequada à sua concretização .possa atribuir um resultado à determinada pessoa.  C) Teoria da imputação objetiva ( impulsionada por Claus Roxim em 1970 na Alemanha ) . Não basta contribuir de qualquer modo para o resultado : a contribuição deve ser eficaz . . NEM PERMITIDO. A imputação objetiva exige para que alguém seja penalmente responsabilizado por uma conduta que desenvolveu . UM RISCO NÃO TOLERADO. ao bem jurídico . sobe na calçada e atropela um pedestre. Portanto. perde o controle do carro. a causa adequada é aferida de acordo com o juízo do homem médio e com a experiência comum . dias após a aquisição do instrumento . além de praticar um antecedente indispensável.Tem a finalidade de imputar ao agente a prática de um resultado delituoso apenas quando o seu comportamento tiver criado. EXEMPLO: A venda de uma arma de fogo em atividade lícita de comércio não pode ser considerada causa de crime.

Gerou um perigo intolerável e não permitido ao correr pela rua. Em seguida dirige o automóvel. ”  Em síntese : O Código Penal adota. amarrando-a em seu carro . a teoria da equivalência dos antecedentes causais . em área da cidade habitada. nem tampouco tenha ocorrido qualquer outro fator interferindo na situação de perigo gerada . Como exceção. comissivo ou omissivo . Existe dependência entre os acontecimentos. o que nos remete ao estudo das concausas . como regra. arrastando a vítima ao longo da estrada. CAUSA DEPENDENTE : É a que emana da conduta do agente. razão pela qual se insere no curso normal do desenvolvimento causal . deve responder por homicídio . CONCAUSAS  É a convergência de uma causa externa à vontade do autor da conduta. pois sem o anterior. . não aconteceria o posterior . influindo na produção do resultado naturalístico por ele desejado e posicionando-se paralelamente ao seu comportamento. dela se origina. Após espancá-lo. coloca uma corda em seu pescoço. consoante o § 1º do art. Exemplo : A tem a intenção de matar B . sem que a vítima tivesse atuado de qualquer forma para isso.caminhando calmamente em local permitido. NÃO SE EXCLUI A RELAÇÃO DE CAUSALIDADE . adota a teoria da causalidade adequada. 13.

Dividem –se em : Preexistentes : existe anteriormente à prática da conduta ( A efetua disparos de arma de fogo contra B. Pode ser absoluta ou relativa CAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES : São aquelas que não se originam da conduta do agente. que a morte foi provocada por envenenamento anterior efetuado por C ) concomitantes : incide simultaneamente à prática da conduta . são absolutamente desvinculadas da sua ação ou omissão típica . por si sós. amarrar e arrastar a vítima são interdependentes para a produção do resultado final . o resultado . isto é. por si só. A efetua disparos contra B no momento em que o teto . Portanto. surge no mesmo instante em que o agente realiza seu comportamento criminoso . É independente porque tem capacidade de produzir.circunstância que provoca a sua morte . As condutas consistentes em agredir. produzem o resultado naturalístico . Seu aparecimento é inesperado e imprevisível . atingindo-o em regiões vitais . CAUSA INDEPENDENTE : é a que foge da linha normal de desdobramento da conduta . E por serem independentes. O exame necroscópico. rompem o nexo causal . no entanto. concluiu.

As causas surgem de forma autônoma. E. Nos exemplos mencionados.da casa deste último desaba sobre a sua cabeça . não se ligam ao comportamento criminoso do agente . o agente responde somente por tentativa de homicídio . por si sós. Por corolário. somente os atos praticados. antes que se produzisse o efeito almejado. Exemplo : A subministra dose letal de veneno a B. supervenientes : É a que se concretiza posteriormente à conduta praticada pelo agente . e não o resultado naturalístico. produzem por si sós. entretanto. já que não se situam no normal trâmite do desenvolvimento causal . por serem independentes. produzirem o resultado. devem ser imputados ao agente. mas . que nele efetua inúmeros disparos de arma de fogo por todo o corpo. são independentes. o resultado material . pois não existiriam sem a atuação criminosa . surge C. Como. isto é. o resultado naturalístico ocorre independente da conduta do agente . . são aptas para . antigo desafeto de B. CAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES : Originam-se da própria conduta efetuada pelo agente . em face da quebra da relação de causalidade . Daí serem relativas. matando-o EM SUMA : Em todas as modalidades .

o agente reponde pelo resultado naturalístico.Dividem-se em : Preexistente : Existe previamente á prática da conduta do agente . O RESULTADO . efetua disparos de arma de fogo contra B. A aponta arma de fogo para B. contudo. corre em direção a movimentada via pública . Exemplo : A com ânimo homicida. não havendo rompimento da relação de causalidade . atingindo-o de raspão . No momento em que é alvejado pelos disparos. o qual. § 1 CP São divididas em dois grupos : AS QUE PRODUZEM. Concomitante : É a que ocorre simultaneamente com a conduta praticada pelo agente . Antes de seu agir. POR SI SÓS. ela já estava presente . morrendo Em relação a estas duas situações. Prevalência da teoria da equivalência dos antecedentes causais . CAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTE SUPERVENIENTES : art. ( TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA ) . que vem a falecer . é atropelado por um caminhão. Os ferimentos. são agravados pela diabete da vítima. 13. assustado.

É a hipótese do art. O RESULTADO . 13. e vem a falecer em virtude de ter contraído infecção hospitalar . Exige-se uma contribuição adequada. que é levado ao hospital em uma ambulância . Incide a teoria da equivalência dos antecedentes causais . POR SI SÓS.  A omissão penalmente relevante encontra-se disciplinada pelo art. O resultado está na linha do desdobramento físico da ação inicial . No trajeto ao hospital. Ex : A atira em B . por que a causa independente da causa principal. “ e . § 2 do CP . Exemplo : A atira em B. por si só. que é levado ao Hospital. O Código adotou a teoria normativa. AS QUE NÃO PRODUZEM. passa a ser apenas a conduta idônea – com base em juízo estatístico e nas regras de experiência ( id quod plerumque accidit ). A causa. a ambulância vem a se envolver em um acidente automobilístico. 13. produziu o resultado . a provocar a produção do resultado naturalístico . Aqui há rompimento do nexo causal. e não qualquer contribuição . § 1 do CP . causando a morte de B . Não há rompimento do nexo causal . O agente só responde pelos atos praticados . A RELEVÂNCIA DOS CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS . pela qual a omissão é uma nada.

desde que o agente tenha o dever jurídico de agir para impedir a ocorrência do resultado . A omissão só tem importância jurídico-penal quando presente o dever de agir § 2 – A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado . conduz à sua produção . nada surge ” . é o significado da expressão “ penalmente relevante “ : a omissão que não é típica. cometido em regra por ação. como é o caso do homicídio. proteção e vigilância . mas possível também de ser praticado por omissão. e o crime se consuma com a simples inércia do agente . Ex : omissão de socorro ( art. tinha obrigação de cuidado. b) De outra forma. por não . criou o risco da ocorrência do resultado . que são aqueles em que tipo penal descreve uma ação. O dispositivo legal é aplicável somente aos crimes omissivos impróprios ( comissivos por omissão ).do nada . O dever de agir incumbe a quem : a) Por lei. mas a inércia do agente. que podia e devia agir para evitar o resultado naturalístico. assumiu a responsabilidade de evitar o resultado c) Com seu comportamento anterior. São crimes materiais. Nos delitos omissivos próprios. a omissão é descrita no próprio tipo penal. 135 CP ) Então.

tal qual o art. regulamentos.estar descrita pelo tipo penal. relativo às pessoas que. mas pela ordem jurídica latu sensu : decretos. Já os crimes omissivos impróprios . com o dever de agir. por lei. a omissão é SEMPRE penalmente relevante. Nos delitos omissivos próprios. nos delitos omissivos impróprios. 13. a omissão PODE . na situação concreta e em conformidade com o padrão do homem médio. pois se encontra descrita no tipo penal. não admitem tentativa . tem a obrigação de impedir o . 135 e 269 do CP Em suma : crimes omissivos próprios : o tipo descreve uma omissão . PROTEÇÃO E VIGILÂNCIA : dever legal ( não apenas por lei. são crimes de mera conduta . PODER DE AGIR : o art. admitem tentativa . somente se torna relevante quando presente o dever jurídico de agir . são sempre dolosos . ser penalmente relevante .§ 2 º do CP é cristalino : não é suficiente o dever de agir . Assim. são crimes materiais. portarias. o tipo descreve uma ação . sentenças judiciais ). podem ser culposos ou dolosos . já o dispositivo legal menciona ainda o poder de agir ( possibilidade real e efetiva de alguém. evitar o resultado penalmente relevante ) Hipóteses de dever de agir : OBRIGAÇÃO DE CUIDADO.

e o nadador experiente que convida o amigo iniciante para a travessia do canal da Mancha .resultado : pais em relação aos filhos . independente da vinculação jurídica entre os envolvidos . É o que se convencionou chamar de “ garante ” Abrange além dos negócios jurídicos em geral ( relação contratual ). policiais em relação as pessoas em geral . ASSUMIU A RESPONSABILIDADE DE IMPEDIR O RESULTADO : Significa qualquer obrigação de impedir o resultado que não seja decorrente da lei. COM O SEU COMPORTAMENTO ANTERIOR. . as relações advindas da vida cotidiana. responde por homicídio . DE OUTRA FORMA. CRIOU O RISCO DA OCORRÊNCIA DO RESULTADO : Cuida-se da ingerência ou situação precedente . Ex : o marinheiro que lança ao mar um tripulante do navio tem o dever de salvá-lo da morte . Ex : professor de natação contratado para ensinar uma pessoa a nadar ( negócio jurídico ) . versada pela alínea “a” . Se não o fizer.

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