SOLIDONIO LEITE

A LÍNGUA PORTUGUESA
TAB

NO BRASIL

EDITORES J.
RUA

LEITE
TOBIAS

&

Cia.
12

BARRETO,

Rio de Janeiro

A edição digital deste fac-símile foi preparada por

Caio César Christiano
a partir da edição original que pertenceu ao professor

Raymond Cantei
da Universidade de Poitiers.

Esta obra encontra-se em domínio público e por isso pode ser livremente distribuída. Este e-book é distribuído gratuitamente através do blogue linguisticamente.wordpress.com

Poitiers. setembro de 2011

A Lingua Portuguesa no Brasil

E r r o s I m p e r d o á v e i s . F r .OBRAS Á VENDA DO NA MESMO AUCTOR J. 1 vol. b r o c h . 1 vol. 1 vol. M a n o e l d a E s p e r a n ç a ( E x c e r p t o s ) . 4$000 10$000 3$000 1$000 1$000 . . b r o c h C l á s s i c o s p o r t u g u e z e s . b r . b r o c h . 1 vol. LEITE LIVRARIA Clássicos E s q u e c i d o s . c a r t A a u c t o r i a d a « A r t e d e F a r t a r » . I vol.

12 TOBIAS BARRETO.SOLIDONIO LEITE A LINGUA PORTUGUESA NO BRASIL EDITORES J. Rio de Janeiro . RUA LEITE & Cia.

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. insigne philologo e indianista. enviolhe calorosos cumprimentoss. de Lisboa e auctor de vários trabalhos sobre os dialectos indo-portugueses. professor de sânscrito na Faculdade de Letras da Univ. Esperando com anciedade ler a continuação do seu interessante artigo. Agora fico inteirado do contacto frequente e prolongado que houve. que estava cá então. muito penhorado.. levou-o para o ler e talvez apreciar. 3 proposito do primeiro dos artigos sobre «A lingua portuguesa no Brasil»: «Exmo. recebido hontem. O Leite de Vasconcellos. dirigiu ao Dr. Agradeço. a remessa do seu brilhante artigo philologico. Sr.Monsenhor Sebastião Rodolfo Dalgado. Eu havia notado analogias entre o indo-portuguez e o portuguez brasileiro e não sabia bem explicar-me a razão. Solidonio Leite. Cordiaes cumprimentos. . Solidonio Leite a seguinte carta. Dr.

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de onde traziam.. Demais. iam os navios a Gôa. dos dialectos indo . escravos e tartaruga.Inversão do pronome regimen. João VI assentar a Corte na cidade do Rio. além delles. então parte (durante muitos annos) do. em retorno dos generos levados do Brasil. que levavam constantemente riquezas dessa ilha para Damão e Dio. Nas viagens áquella praça.Estado da índia e centro do commercio com as terras da Africa oriental e da Asia.portugueses. todo o commercio de Moçambique foi longo tempo monopoliio dos baneanes. desde 1687.. de Ceilão e Nortei.ro. judeus asiaticos. que. já os seus moradores e os da Bahia frequentavam Moçambique. permaneciam temporariamente em Moçambique.I 1 — Commercio da escravatura e sua influencia na penetração entre nós. onde se formara a companhia commercial que elles representavam. onde se achava o Conselho da Fazenda. encontravam-se alli os gentios de Damão e DiOj e uma população branca de indivíduos casados . e. 1 — Muito antes de D. desde 1645. 2 — Dialectos de Gôa.

é exemplo colhido no Cancioneiro do Norte. pag. informa o insigne Dalgado. trouxe. e suppressão ás vezes do artigo: Quem sabe nome daquelias terras? Por ser contra religião (*). em lugar de leve-a para a sala. p. Leite de Vasconcellos escreve («Dialectologie Portugaise». Por sua vez. Ajunta: «Põe-se ás vezes. Diz-se: Oiça a mim. «Que são-lhe assacadas». contra o uso legitimo». COLLOCAÇÃO DE PRONOMES — «Pospõe-se ao verbo o pronome regimen. Poderíamos citar muitos outros. . leve a ella para a sala. «Que t-rne natural». mas não Lhe encontrei. A mudam-se em Lhe: Fui visitar-/Ãé?. apresentar sua dextra a ella. 3. Passemos á syntaxe: REGIMEN. substituição do suffixo diminuitivo dos adjectivos pela expressão — Um pouco: Um pouco fraco em vez de fraquito. 169): «Dans (*) «Começa bote a virar». Elie não cançava-s^ em insultar». o pronome regimen depois do participio do passado: «Tendo a imprensa até queixado-s^ do seu procedimento irregular». e põe os seguintes exemplos: « D i f f i c i l m e n t e pagão-se as contas atrazadas». O.10 A Lingua Portuguesa 110 Brasil xe por eu soube. em lugar de Ouça-me\ escreveu a nós. quando se devia dizer: apresentar-/^ sua dextra. por escreveu-zzos.

11 A Lingua Portuguesa 110 Brasil la syntaxe: incertitude dans la place des pronoms personnels me. LH representa-se por Y ou 1: oyá. que se nota no dialecto de Qôa. no sul de Portugal e entre nós. do mesmo modo que no dialecto de Gôa. o emprego de bater e pegar activamente: bateu a porta. como também o uso da preposição em com os verbos de movimento: sóbe no coqueiro. brimê (vermelho).. como entre nós. Alheiam-se. e. Quanto ao dialecto creoulo de Ceilão. se. fôya. a par da reducção dos exdruxulos. como entre nós: «pestia». chegou em casa. orêi (orelha)i merguiá. fazem alguns annos. «différencia». e o das expressões: haviam seis annos. finalmente. o emprego de falar com a significação de dizer. ex. mais peior. «onde a cobiça dos poderosos põese de pé». etc. pegue o meu livro. bati-o bem.: «foi a carta que tu escreveste-/»g». comme dans le brésilien (§ 96). a creação de outros. baste o seguinte: E atono sôa 1. venha no meu quarto. «possia». portanto. da verdade os que suppõem ser brasileirismo a inversão dos pronomes. Se passarmos ao dialecto norteiro (Bom- .. no Estado de Minas-Geraes. fazem dous mezes. É puro dialecto de Qôa. «justicia». e também mais bom. nos gráos de comparação usa-se mais melhor. «sentencia».

Bandorá. por amarrar.). acordar. Chaúl. homi). . syncope de nasal simples postonica (horn' por homem. de a (tnarrã. tamem. o estudo da penetração assim realizada por alguns dialectos indo-portuguezes. panhá.). apanhar).12 A Lingua Portuguesa 110 Brasil baim. etc. de v (ocê. em lugar de já lhe deu um bonito pão. Grande interesse tem para a dialectologia portuguesa. custará. S mediai seguido de m equivalendo a z. cubrí. por você). entre nós: ordé. cordá. encontraremos. com nós. Mahim. cadóra. já deu pr'ell bunit poi. e para a brasileira em especial. como entre nós: A P H E R E S E : de syllaba (Bastião por Sebastião). attenuação de o em a (ulhá. or d por ordem. dá par mim um piquen pedaç. etc. cada hora. ucê. acabar. por também. em vez de — dae-me um pequeno pedaço. cabá. Bacaim. cum. por comnosco.

l'habitude de conserver les souvenirs et de lire. sont autant d'influences qui agissent dans le même sens. encarece Whitney a importancia da civilização como elemento conservador. lição de Whitney. 3 — Occupando-se das influencias que se manifestam na lingua de um povo. ces in- . Gonçalves Vianna e Littré.II 3 — Influencias conservadoras e influencias perturbadoras da linguagem. la prevalence de l'enseignement. e accrescenta: «Une littérature écrite. a lingua não pode mudar sem corromper-se. Voltaire e Max Muller. 6 — O português literário no Brasil. lição de Renan. 5 — Fixando-se em monumentos literários. et quand elles ont atteint le degré de force auquel elles parviennent chez les nations civilisées. 4 — Extremo gráo de perfeição da lingua portuguesa nos séculos XVI e XVII.

. . excepto em algumas cidades do sul.. mais elles sont éffacés partout ou l'éducation se répand». comparados com a lingua mãi. de origem hespanhola. Pôde cada um de nós percorrer todos os Estados do Brasil. Nada fazem ao caso pequenas differenças regionaes. onde ha teuto-brasileiros que fingem só entender o allemão. La langue est fixé. é o modelo que nenhum escritor das Republicas da America do Sul. o inglês da Europa continua a ser o padrão do inglês dos Estados Unidos da America do Norte. non seulement des différences locales ne se produisent plus.14 A Lingua Portuguesa 110 Brasil fluences dominent complètement dans l'histoire du langare. e o allemão dos colonos da Pensylvania. Mostra ser a razão por que o inglês que se fala na Inglaterra e o falado na America do Norte não nos deparam as differenças que apresentam. Por sua vez disse Gonçalves Vianna: « . sem nenhuma difficuldade. Acredita sobremaneira os nossos foros de povo civilizado o conservarmos o idioma que nos herdaram os portugueses. como o castelhano literário. só verdadeiramente vernáculo no centro da Espanha. o francês dos Canadenses. desdenha ou menoscaba». certo de que se fará comprehender prefeitamente. . .

diz Littré. irão concorrendo somente com expressões que logrem impôr-se ao uso geral. contre les influences du climat. 4 — A lição dos mestres. quão longe se acha a lingua portuguesa de encontrar no Brasil influencias que venham transformal-a. principalmente na massa dos illetrados. e pouca influencia podem exercer.15 A Lingua Portuguesa 110 Brasil E porque não ha receio de estacionarmos no caminho da civilização. Já havia chegado em Portugal. 150). pag. elle impose la régie et l'uniformité. que se têm consagrado a estudos especiaes do assumpto. comme l'homme lui-même dans les murs de ses villes. resistência cada vez mais efficaz. a esse gráo de perfeição . Embora continuem a influir. dans ce cas. et. 8> ed. pelos bons escriptores. consagrado. Quando uma lingua já está fixada em monumentos literários. As correntes perturbadoras encontrarão. que ces phénomènes se produisent. os phenomenos perturbadores raramente se produzem. devemos ter por certo que augmentarão dia a dia as forças defensivas da unidade da nossa lingua. «Ce n'est pas. portanto. mostra. assim. elle n'est plus sujette qu'à celles des siècles». quand une langue littéraire est armée de toute sen auctorité. abritée. (H1ST.. elle éfface les dialects. desde os séculos XVI e XVII. elle fait reculer les patois. DE LA LANGUE FRANÇAISE.

São do ultimo as seguintes palavras: «Toute langue étant imparfaite.. on ne' prétend l'enrichir que quand on ne veut pas se donner la peine de connaître sa riohesse». como differenciações dialectaes. sans les corrompre. au français. à l'espagnol. et quand on a un nombre suffisant d'auteurs approvés. à l'anglais. o falar brasileiro e o lusitano. n'a plus besoin de changer.. la raison en est claire: c'est qu'on rendrait (!) O insigne Mestre Dr. O mesmo já haviam dito. Ainsi on ne peut plus rien changer à l'italien. (*) 5 — «Une langue bien faite disse Renan. além de outros. Villemain e Voltaire. em cujo vertice se acha a lingua portuguesa do século XVI: estando nos extremos da base. Il faut absolument s'en tenir à la manière dont les bons auteurs l'ont parlée. la langue est fixée. .16 A Lingua Portuguesa 110 Brasil no qual de sorte se fixam as línguas que se não podem alterar sem corromper-se. Eduardo Carlos Pereira figura um triangulo. il ne s'ensuit pas qu'on doive la changer.

Il ne pouvait plus se développer. não différé da que admiramos nos melhores modelos clássicos.A Lingua Portuguesa no Brasil 17 bientôt inintelligible les livres qui font l'instruction et le plaisir des nations». e ainda. •' J C i t . graças ao interesse que a sã linguagem vai despertando.. . principalmente depois dos trabalhos do Codigo Civil. como Ruy Barbosa e I net. 6 A lingua. É 1 1 1 facto indisputável.1jt . de que se servem os nossos cscriptores mais polidos. Antigamente havia entre nós menos cuidado nas composições literarias. indole e feição peculiares. de la religion. segundo a seu tempo ve11 remos.. E o numero dos bons escriptores brasileiros tende a augmentar. . Por sua vez doutrina Max Muller — La Science du Langage (trad. salvo as indispensáveis innovações a que todo o idioma está sujeito. parce qu'il ne lui était plus permis de changer ni de dévier de sa correction classique». as quaes de nenhum modo lhe alteram a rstructura. Harrès-Perrot) : «Après avoir été adopté comme la langue de la législation. le latin classique devint fixe et immobile. de la littérature et de la civilisation générale. nos trabalhos destinados ao ensino da mocidade.rr. 2 .

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8 — Máo portugue:s dos nossos escriptores antigos. não somente no tempo nu que o Brasil serviu de porto de arribada ou de escala (Antonio Franco — Imag. 744 a 746). cm o Nov. O de maior duração. é muito para notar a insignificante influencia desses elementos. I oi muito mais importante a influencia que iM-iccram os dialectos indo-portugueses. especialmente o de Gôa. apezar de favorecido'. 10 — Como se ensinava a arte de escrever. I. 7 Entre nós pouco influíram nos tempos tnloniaes e posteriormente os elementos perturkidores da lingua. . pela ausência de correntes conse-rvadoras. o elemento africano. que se prolongou até os nossos tlias. segundo já vimos. 11 — Melhoria do português no Brasil. fracos vestígios deixou. 9 — Linguagem dos livros didáticos.III 7 — Insignificante influencia do elemento africano.. da Virt. de Coimbra II. como lambem comi o commercio de escravos.

. os nossos românticos escreveram. Macedo escrevia pessimamente e Bernardo Guimarães e outros não escreviam melhor. ou passava despercebida. Ainda em vista destes começou.á linguagem e ao estylo. Gonçalves Dias. e os seus resultados. ou tinha-se geralmente por cousa somenos.. nenhum cuidado punham nisso. se não são ainda quaes os quizeramos são já bastante satisfactorios e patentes para nos autorizar a crêr que legaremos ao futuro Brasil uma litteratura mais perfeita que a que recebemos». João Lisboa e os Maranhenses em geral faziam excepção. senão propriamente mal. 9 — Eram mal escriptos os proprios livros adoptados no ensino secundário e superior. accrescenta José Veríssimo: «Com todo o seu engenho e outras qualidades. Os mesmos que tinham obrigação de escrever com asseio. muito desairadamente. Affirmando que antigamente não se escrevia bom português no Brasil. A linguagem incorrecta dos nossos escriptores. e dava-se pouco apreço. e depois delles proseguio a reacção em favor de uma lingua mais apurada. .20 A Lingua Portuguesa 110 Brasil 8 — Discurava-se o estudo da língua.

na mesma pagina: «Na matéria organizada manifestam-se certos phenomenos.21 A Lingua Portuguesa 110 Brasil I ninguém dava por isso. 1 pouco depois: «Muitos movimentos se passam no corpo. que não são os phenomenos da matéria inorganica. Num compendio muito elogiado (Bahia ImvI) lemos o seguinte: «Estes phenomenos são innumeros. no animal manifestam-se certos phenomenos. 55). todavia não são tão disparatados uns dos outros». apezar da gravidade < avultado numero dos erros. (I. 12). e dos quaes não temos consciência». . que não são os phenomenos cio vegetal. I ni seguida. 6).. não ha outro meio do que saber quaes sejam os phenomenos que elle apresenta» (II.. e no homem manifestamse certos phenomenos que não são os phenomenos do animal». (I. «Para se conhecer quaes sejam as propriedades de qualquer cousa.

não constituíam excepção. do 2 o vol. . exigindo que o operador saiba. 10 — Os proprios livros adoptados officialmente para o ensino da eloquencia e poética. «para se medir as distancias». E a Sytiopse de Eloquência e Poética do P. não forma-se». «detalhes que se deseja reproduzir». Honorato (Rio. 1870) está cheia de expressões .. No Prefacio do professor da matéria se lia: «Jovem c u j o nome tornou-se». «As operações no terreno.22 A Lingua Portuguesa 110 Brasil Logo na I a pag. Começavam por este teôr (p. para producção da sensação não são. impossibilidade de se encarar todos os problemas» . E construcções deste feitio: «A graduação podendo ser centesimal ou sexagesimal. . nasce. Em outro compendio encontramos a todo o instante expressões como estas: « . . «para se /calcular novos triângulos». «paginas que consagrou-lhe». se lê: « .» O livro é todo assim. .. como o poeta... 1) os Elementos de Rhetorica de Junqueira Freire (Rio. passemos ao estudo dos instrumentos». apresentemos». 1869): «O orador.

.. e mais elegantemente do que nunca se escreveu.. era o nome que dava-se a um iiislrumento. que a critica não pôde deixar de verificar com satisfação.. «As que são Ião expressivas que não pode-se encontrar».. a saber:. se distingue cinco espei i cs de palavras próprias. II — «É um facto... dizia Veríssimo em 1907. Assim: é que se ensinava entre nós a arte de escrever... . Ninguém estranhava essa linguagem a que lodos os ouvidos se tinham habituado. o compendio official não a apresentava com mais limpe/a: «Estylo. «Será (Iara a elocução quando empregar-se palavras próprias».. a consagrada nos livros de ensino.23 A Lingua Portuguesa 110 Brasil mino as seguintes: «Dos meios que emprega-se para chegar aos fins da eloquencia». mais easliça. Era a de lodos. «Dahi. depois passou a significar o que escrevia-se».. com que escrivia-se . ainda quando o seu objei lo fossem a elocução e o estylo. ou que o uso as l(iii apropriado. pela qual supprime-se palavras». «figura pela qual repete-se as mesmas palavras»: «pela qual repisa-se as mesmas idéas.ria do portuguez no Brail Aqui se está hoje escrevendo melhor. «Devemos distingui i as plavras bello e belleza que quasi sempic se confunde». o da jnelho. A mesma definição de estylo. nas lições e prelecções. pois. Este resultado é devido á importan- . as regras especiaes que deve-se observar.

Começa-se a comprehender. en un moi. a cultivarem-na com maior estimação e a escreverem com mais cuidado. abundancia destas. obrigando os nossos escriptorés a lhe darem maior apreço. como utilíssima foi a acção dos grammaticos e de outros estudiosos ou amadores da nossa língua. que não ha escriptor bom ou grande escriptor. aqui dada ás questões grammaticaes e á. . a estudarem-na.. Sem embargo do que pedem muitas delias ter tido de bizantinas e até de ridiculas. un méchant écrivain». ou já se comprehende. sem lingua».. o seu effeito foi util. E citava os conhecidos versos de Boileau: «Sans la langue.24 A Lingua Portuguesa 110 Brasil cia. l'auteur de plus divin est toujours. qouqu'il fasse.

nada faria ao caso o assumpto em se balando de modelos da arte de escrever. não se lhes permitte voto. 18 — Sobre pintura de costumes. naturalmente os mais apressados em obter glorias 1 iterarias. Nem lhes vale dizerem que são fastidiosos os livros clássicos. Mas. 15 — Sobre politica. Dado que assim fosse. de absoluta negligencia. Só- . (moralistas. Citase grande numero de trabalhos historicos. comedias. 13 — Ha entre esses muitos que não tratam de religião. 17 — Livros de leitura amena. manifestar-se-iam pelo commodo regimen antigo. e somente se occupam de religião.IV 12 — Deve o escriptor estudar a língua e as regras da elocução nos bons modelos vernáculos. 16 — Sobre novellistica. 14 — Trabalhos sobre viagens. Quem deseje ser escriptor deve conheceir a lingua). 12 — Passou o tempo em que se olhava com indifferença a linguagem e o estylo das composições 1 iterarias. Se os interessados fossem ouvidos. e estudar as regras da elocução. 19 — Outros assumptos.

D. . achou Dryden essa «mysteriosa lei da creação da Bella Phrase» que o esmerado Flaubert levou toda a sua vida procurando. Bernardo de Brito. Fernão Guerreiro. Castanheda. principalmente na obra de Chateaubriand. Limitamomos por isso a algumas. simples «apologie de la religion chrétienne par le moyen de la Providence». A. Bernardino da Silva. Muitos outros a encontraram na de Bossuet. Mariz. Luiz Marinho de Azevedo. Soares da Silva. Antonio e Francisco Brandão. Paes Viegas. lembrámos em outro logar. Couto. pelo que denominaram — «sublime orador dos lugares communs». Balthazar Telles.26 A Lingua Portuguesa 110 Brasil mente nos sermões de Tillotson. verdade que os livros clássicos portugueses tratem somente de assumptos religiosos. Tão avultado é o seu numero que seria impossível mencional-as aqui. O contrario testificam centenas de obras. Góes. Souza de Macedo. começando pelos trabalhos históricos de João de Barros. a «Historia da índia» de A. a esse grande artista da palavra que Sainte Beuve qualifica o mais eloquente de todos os escriptores franceses. Luiz de Menezes. principalmente na «Epanaphora Indica» os irmãos Barboza. Affonso de Albuquerque. Ayres Varella. Lucas de Santa Catharina. porém. 13 — Não é. Monterroyos Mascanhas. onde se ostentam as bellezas da nossa lingua. Luiz de Souza.

Godinho. F. os quaes particularmente nos interessam. e as Relações constantes da «Historia TragicoMaritima». mares. lerse-ão com summo proveito a «Arte de Reinar» . e navegações nunca sonhadas dos antigos. E no estylo. no interesse porque trata de costumes. 14 — No que respeita especialmente a viagens. temos a «Peregrinação» de Fernão Mendes Pinto. as «Noticias dfc» reino de Cochinchina». trajos. como muitos da historia de Livio. ilhas. Bastar-nos-ia João de Barros. um dos prosadores mais benemeritos de estimação. além de muitas outras.27 A Lingua Portuguesa 110 Brasil Pinto Pereira. povos. ritos. 15 — Quanto aos assumptos políticos. Brito Freire. M. Berredo e Rocha Pita. sendo pelo commum igual a elle. a de Antonio de Albuquerque Coelho. de N. o Tratado sobre as cousas da China. por Gaspar da Cruz. impérios. porque não são apocryfos. Bernardino. os Itenerarios escriptos por Antonio Tenreiro. commercios. a «Jornada do Arcebispo». produções. Pantaleão d'Aveiro. Gaspar de S. Segundo boa opinião. de Antonio de Gouvêa. universalmente admirado. regiões. excedeu a Tito Livio: «no assumpto por ser o mais novo que o mundo viu. de Manoel Ferreira. Guerreiro. nos factos. por Velez Guerreiro. Marques Pereira. o «Peregrino na America». em muitos logares o excedeu».

os de João Ribeiro Cabral. a «Politica Predicavel» de Manoel dos Anjos. de João de Medeiros Corrêa. as obras de F. estimadíssima trad.28 A Lingua Portuguesa 110 Brasil e a «Justificação dos Portuguezes» de Antonio de Carvalho Parada. parte dos innumeraveis trabalhos de Monterroyos Mascarenhas. a «Menina e Moça». todos muito curiosos. Alvares da Cunha. tem as «Historias de jproveito». de Luiz de Torres de Lima. do nosso Diogo Gomes Carneiro (natural do Rio de Janeiro). alguns de Luiz Marinho e Duarte Ribeiro de Macedo. de João de Barros. o «Abecedario Real» de J. a «Chronica do Imperador Clarimundo». de Andrade Leitão e de Antonio Moniz de Carvalho. o discurso politico de Luiz Lourenço Sampaio. os «Successos de Portugal». por Francisco de Moraes. os «Discursos» e outras obras de Severim de Faria e de João Pinto Ribeiro. 16 — Quem preferir o genero novellistico. de Sylva e Souza. a «Escola de Verdades Aberta aos Príncipes». e a vibrante «Oração apodixica». o precioso livro — «Avisos para o paço® de Luiz de Abreu de Mello. o «Palmerim d'Inglaterra». a «Summa Politica» de Sebastião Cesar de Menezes. de A. a «Armonia politica». de Souza de Macedo. de Trancoso — o primeiro livro do genero publicado na Hespanha. e também o «Perfeito soldado» e «Politica militar». a «Brachiologia Real de Príncipes». por Jacinto de Deus. dos Prazeres. a «Instrucção Politica». .

a «Hora de Recreio» e a «Recreação Proveitosa». «Primor e Honra» da Vida Soldadesca no Estado da índia. de Monteiro de Campos. de encarecimento: «Soldado Pratico». merecedoras. os «Apologos dialogaes». e £<Arte de Furtar» de Souza de Macedo. 17 — Os que desejarem livros de recreação e utilidade. de Jorge Ferreira. de Fradique Espinola. em muitas obras se encontrará. a «Academia nos «Montes». e os «Infortúnios trágicos» e as «Novellas exemplares». por Gaspar Pires de Rabello. publicado por Antonio Freire. de F. de Raphaël da Purificação. deiBartholomeu Pachão.29 A Lingua Portuguesa 110 Brasil de Bernardim Ribeiro. de J. e as do nosso Antonio José. D. Alvares do Oriente. de Diogo do Couto. E querendo passar ás comedias. podem 1er com proveito a «Escola Decurial». e o «Divertimento erudito». 18 — Se se quizer pintura de costumes. 1° Conde de Vi- . também a «Fabula de planetas». o «Memorial das proezas da segunda Tavola Redonda». «Tempo de Agora» de Martim Affonso de Souza. principalmente nas seguintes. as «Lettras symbolicas e sibyllinas». Entre os moralistas (Os dous João de Barros. de João Baptista de Castro. de Francisco Manoel de Mello. encontrará facilmente pelo menos a «Eufrosina». e a «Feira de Annexins». Pacheco. a «Lusitania transformada». a todos os respeitos. de Rodrigues Lobo. a «Corte n'Aldeia». Francisco de Portugal.

Aleixo de Santo Antonio.30 A Lingua Portuguesa 110 Brasil mioso. pôde competir com os melhores das literaturas estrangeiras. e da «Carta sobre a fortuna». e ainda o «Oriente Conquistado». a «Chron. pintura. profundo pensador. cavallaria. de todo o genero. 19 — Seria não ter fim. milicia. 2°. de Antonio Franco. muitas vezes propheta. não obstante offerecerem-nos avultado material historico. medicina. tão preciosas para o estudo do Brasil colonial. mathematica.e Balthazar Telles. Francisco Manoel de Mello) um delles. Diogo de Paiva. e os que têm por objecto direito. do nosso Francisco de Souza. grande stylista. Excluímos também as chronicas religiosas. da Comp de Jesus. e crescido numero de informações curiosas. e excluímos os trabalhos poéticos. a «Imagem da Virtude em o Noviciado de Coimbra». o nosso patrício Mathias Aires. do qual disse Camillo: «O nosso homem em noticias da Asia é o jesuita Francisco de Souza. Baste-nos lembrar as que mais de perto nos interessam: a Chronica da «Companhia de Jesus do Estado do Brasil» por Simão de Vasconcellos. etc. e de todos quantos da sua ordem escreveram acerca da nos- . se continuássemos com a lista. d. auctor das «Reflexões sobre a Vaidade dos Homens». D. Cortámos por muitos auctores. philologia.

e desprezam.31 A Lingua Portuguesa 110 Brasil sa organização social o que mais abonos dá de luzes. o único meio de conhecer-se a riqueza da nossa lingua. e juizo claro. . e desapego das regras impostas pela companhia de Jesus a seus chronistas». a conta de infundado receio. andam completamente errados. Portanto os que evitam os velhos modelos vernáculos suppondo-os fastidiosos e crendeiros.

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do «Exame critico sobre o uso prudente das palavras de que se serviram os nossos bons escriptores»!. 22 — O nacionalismo na linguagem. muito aproveitaremos com os seguintes: Antonio das Neves Pereira. e do «Ensaio sobre a Philologia Portugueza». Francisco de S. «o homem talvez de mais apurado engenho que Portugal tem tido para avaliar méritos de escriptores» (Herculano) . Francisco Dias Gomes. 21 — Erros attribuidos aos clássicos onde estão muitas vezes é nas regras dos grammaticos. auctor da «Mecanica das palavras em ordem á harmonia do discurso».V 20 — Prosadores modernos. Luiz. notável philologo. Pedro José da Fonseca. Fr. 23 — Differenciações dialectaes nos diversos Estados do Brasil. auctor da melhor parte do «Diccionario da Academia» e de muitos outros trabalhos estimadíssimos. em quem o «amor da pa- . 20 — Se nos quizermos restringir a uma dúzia de prosadores mais modernos.

Castilho e também Latino. o mesmo Herculano. Camillo. tão elegante e fluente é o seu descrever e jiarrar. (accrescentando. em outro lugar. O mesmo acontece na literatura de todos os paizes e de todos los tempos.34 A Lingua Portuguesa 110 Brasil tria se desentranha em affectos pela boa e genuína linguagem nacional» (Latino). que suppomos ver nos bons auctores. segundo Camillo. D. Sem duvida haverá descuidos nos melhores especimens da vernaculidade. «o escriptor mais clássico do principio deste século» (XIX). uma delias consiste em que também elles erraram muitas vezes. onde está mui- . da qual disse Herculano «ser o livro de prosa mais bem escripto dos apparecidos nos últimos vinte annos em Portugal». entretanto. tem acontecido levar-se a desacerto o que é rigorosamente correcto. que «tão sua tinha feito Botelho a formosa língua portuguesa. que dificultosamente lhe levarão vantagem os nossos primeiros prosadores») . Rebello da Silva e Garret. O erro. auctor da famosa «Memoria Estatística». Francisco Alexandre Lobo. Demais. Sebastião Xavier Botelho. Isso. consagrada pelo consenso unanime dos mestres. É verdade indisputável. Adolpho Coelho. jamais impediu seja o usoi frequente dos modelos clássicos indispensável a quem pretenda escrever bem. 21 — Entre as allegações apresentadas contra a leitura dos clássicos.

a continuas decepções se exporia o mestre». a China. Affirma. com muito proveito. assim como o masculino — O — em o Japão. numero 239): «Com o seu critério de assentar inducções grammaticaes sobre um. profundo livro escripto por uma das nossas maiores competências em matéria de lexicologia. o preceito grammatical será tanto menos seguro quanto menor fôr a cópia dos factos systematizadòs. Como toda a generalização. por exemplo: «Em a índia. que ao perfeito conhecimento das regras allia o longo trato dos mestres da lingua (Repl. formulada sem a neeessaria observação dos factos da linguagem. Agora mesmo estamos lendo. o Indostão.35 A Lingua Portuguesa 110 Brasil tas vezes é na regra dos grammaticos.» . Referindo-se a um dos nossos melhores grammaticos. a Indochina o emprego da palavra — A — foi sempre obrigatorio. disse o insigne Ruy Barbosa.. no qual o único defeito que nos parece haver é o ter o auctor limitado por demais D numero das obras consultadas. dous ou tres exemplos..

Isso. Indostão. como por exemplo. O proprio Cat. no qual poz Missão da Conchichina onde devia reproduzir Missão de Conchichina. examinando-lhe as Apostillas. como as estimadíssimas Cartas de Japão. Lisboa. se vê nos proprios titulos de alguns livros clássicos e especiaes sobre o Japão. não conhecemos excepção. porque no corpo da obra figura a palavra iserri o artigo na quasi totalidade dos casos. ( J ) No outro livro do mesmo autor. aliás.revisor.36 A Lingua Portuguesa 110 Brasil No que respeita a índia. para compor o seu Glossário. da Acad. temos em nossos apontamentos centenas de casos do seu uso sem antecipação do artigo. no titulo da obra de Manoel Ferreira. fez algumas vezes alteração semelhante. Porque 'não fez o mesmo. talvez por engano do . impresso pela primeira vez em Lisboa. havendo paginas onde assim se vê nove vezes.. no anno de 1894. cahiu Gonçalves Vianna nos erros que o sobredito Dalgado mostrou. — Batalhas da Companhia de Jesus. . e o livro de Francisco Cardim — Elogios e Ramalhetes de Flores Borifados com o Sangue dos Religiosos da Companhia de Jesus a quem os Tyrannos do Império de Japão tiraram as vidas. Cochichina. E quant o a Japão. não obstante limitar-se a palavras de origem asiatica. Província do Japão. O mesmo não se pode dizer relativamente a China. está no front. 1650.. ( x ) Repare-se no avultado numero dos livros que teve de ler o egregio Dalgado.

on se limite.. Quand on y !met de l'exageration.. esquecem aquillo de Renan: «Cette considération exclusive de la langue a. On quitte le grand air qu'on respire dans le vast champ de l'humanité pour s'enfermer dans des conventicules de compatriotes. rien de plus fâcheux pour la civilisation». é preciso que comecemos por abolir esse preconceito. tenue. on se claquemure. Rien de plus mauvais pour l'esprit. pour national.37 A Lingua Portuguesa 110 Brasil 22 — Vem-se dizendo ha muito que nos estamos emancipando dos portugueses no que respeita á linguagem. Já se chegou a escrever: «Para nacionalizarmos o Brasil. . de que os nossos trinta milhões de brasileiros faliam o mesmo idioma de que très milhões de indivíduos se utilizam da outra banda do Atlântico». on se renferme dans uns culture déterminée. ses inconvénients. ses dangers. comme l'atention trop forte donnée á la race. Os que assim desvirtuam o nacionalismo. levando-o para o terreno da linguagem.

provaria de mais. são menores das que se notam nos diversos Estados do Brasil (já documentadas em vocabulários regionaes). alimentam-se. do fmesmo "modo que em Portugal e em1 toda a parte do mundo. . affirmando que todas os têm. e enriquecem. Gomes de Moura dizia: «Como os dialectos consistem nas maiores ou menores differenças da linguagem de povos que faliam a mesma lingua commum. attestando que a supposta emancipação onde anda mais adiantada é em nossa mesma casa. o que obrigaria os nacionalistas de lingua a dividirem-se geographicamente (permitta-se a expressão). Poderíamos ir mais longe. entre nós. ao ladoi da lingua literaria. pelo contrario. e nada perdem com elles. agora e em todos os tempos. destes «traços característicos differenciaes do idioma falado em Portugal». ou dialectos».38 A Lingua Portuguesa 110 Brasil 23 — E não vêm que o argumento da existência. observa-se que rara é a lingua que não tenha estas differenças. as differenças que a linguagem do nosso povo apresenta. comparada com a que se usa em Portugal. differenciações dialectaes. E ainda não houve quem visse nesse facto naturalíssimo prova de que os mesmos Estados se estejam emancipando uns dos outros no tocante á linguagem. Na verdade. sob as formas fragmentarias do que se poderia chamar estadualismo. A verdade é que no Brasil tem apparecido.

Vãose habituando pouco a pouco a monotonia de sua construcção. 27 — A obra dos jesuítas no Brasil» 24 — Os que evitara a leitura dos exemplares da boa linguagem portuguesa. Sabe todo o mundo quanto différé a syntaxe nas duas linguas. A francesa. ordinariamente se consagram á dos livros franceses. com que se ajudam a elegancia e a harmonia. mediante recursos. e obter-se a afinação dos períodos. «enfiadinha por nominativo. exige. especialmente os escriptores religiosos.. verbo e caso». como notava Schopenhauer (enca- . 26 — Porque são estes os melhores. 25 — Leiamos sempre os bons modelos vernáculos. A nossa e para tudo. permitte evitar-se o tom uniforme.VI 24 — A construcção portuguesa em confronto com a francesa. e ao cabo se lhe têm afeiçoado de sorte que ficam eternamente presos á ordem directa dos Franceses. O que dizem contra esta os melhores auctores franceses.

.. ni énergie. mesurée. stérile en tours hardis. T «Cette langue embarrassée d'articles.. Seja de Fenelon o primeiro. dépouvue d'inversions. dentre os mais valiosos. Attente-se nas palavras de Voltaire: t i [fi • r i ! ~nj. Vejamos alguns depoimentos.. soumise au compas». pelo que tem sido em todos os tempos o tormento de seus poetas e prosadores.. sa marche... «La sévérité de notre langue contre presque toutes les inversions de phrases augmente encore infiniment la difficulté de faire des vers français. est compassée. loin d'être libre et fiere. on s'est mis a pure perté dans une espece de tourture pour faire un ouvrage. «uma ordem severamente lógica das palavras». pauvre de termes poetiques. ni audace.. asservie a l'eternelle monotonie. elle n'a ni abondance. rétrécie.» Passemos a Mercier: «.40 A Lingua Portuguesa 110 Brasil recendlol a superioridade da allernã).» Volta ao assumpto em outros lugares..

que mereceram a transcripção de Ruy Barbosa (Replica. au lieu de plaindre en cela le malheur de notre langue.. são excepções os que deíles conhecem além das linguas classicas. Aprendendo o seu profundamente (o curso . lêem enormemente mais no seu que no alheio. outro idioma que não o seu. Maravilha.. et il ya un très grand nombre de petites choses qu'elles ne sanrait dire noblement». prendronsnous le parti d'accuser. accrescenta: «Mais. o que os escriptores franceses logram fazer com a sua lingua. 423): «Os Francezes escrevem naturalmente bem .. n. il y en a beaucoup ou elle est fort pauvre .41 A Lingua Portuguesa 110 Brasil Por sua vez Boileau. depois de escrever: «. l'inversion. mas mesmo o conhecendo. nous est presque absolument interdite».» Veja-se agora a (opinião de Marmontel: «. entretanto. A razão está nestas palavras de José Veríssimo... qui donnait aux anciens l'heureuse liberté de placer les mots dans l'ordre le plus harmonieux..

que em muito nos aproveitam. não admira que a critica alli raro tenha a notar-lhe incorrecções de linguagem». desprezavam applausos dos homens. para penetrar os corações e conhecer os segredos dalma. 26 — Tendo o pensamento voltado para as cousas de Deus. E não se limitavam ás clironicas religiosas. tinham a facilidade dos meios. cujo máo gosto jamais influia nos seus trabalhos. 25 — Leiam-se os bons auctores franceses. os vicios da época nenhuma influencia puderam exercer. onde se isolavam. e occasiões proporcionadas.42 A Lingua Portuguesa 110 Brasil de francez nos lyceus É DE SETE ANNOS) e directamente dos seus grandes escriptores estudados sob todos os aspectos. e com o talento de expressão. mas não deixemos de ler também os exemplares vernáculos. Quanta vez almas impenetráveis espontaneamente se lhes abriam? Por isso. a difficil arte de escrever. em que . nem a meditar sobre a origem e destino do homem. E dentre elles temos por sem duvida serem os melhores precisamente os escriptores religiosos. pois somente nelles poderemos aprender os segredos da nossa lingua. Estudavam-lhe a natureza e os affectos. e. No meio espiritual. muitos sahiram perfeitos psychologos.

o que não podia acabar o Governador poi força de armais'. presentes aos chronistas da ordem. 102). 27 — Demais. abriram escolas. E esses serviços. Cathequizaram os índios.. . dos quaes ficarão sempre distantes os maiores encarecimentos. as suavidades e consolações do amor e da brandura (i). iinibnva o Padre Manoel da Nóbrega só com a sua presença e poucas palavras». as quaes se registravam cm livros especiaes. modificaram costumes. agricultaram os campos. alargaram o território. constam das chronicas religiosas que os publicam e documentam.43 A Lingua Portuguesa 110 Brasil ninguém os igualava. e ao tumultuar das paixões. e tudo o que lhes despertava a attenção. grande parte da Historia do Brasil. promoveram aldeiamentos. acha-se intimamente ligada aos serviços dos jesuítas. fundaram cidades. edificaram igrejas. e violência da polvora e pelouro. levaram emfim a toda a parte os benefícios da luz. desde que chegou o primeiro governador geral (1549).. Referiram-se em cartas onde os padres iam noticiando o que faziam. diz Balthazar Telles — I. ensinaram artes e officios. compuzeram discórdias. enriqueceram a lingua de novos termos acommodados ás delicadezas dos sentimentos. Não resistimos ao prazer de trasladar do (') «. rasgaram estradas.

Em chegando Estácio de Sá ao Rio. em que procurou tirar-lhes o medo. que tinham já quebrado as pazes. e chegou ao Rio era Abril.44 A Lingua Portuguesa 110 Brasil padre Antonio Franco (Imag. Em dia de Paschoa se disse missa na Ilha dos Francezes. á meianoite.. cuja vontade era que se povoasse o Rio. com regimento. sexta-feira da semana santa. e lhe obedecesse como a elle em pessoa. onde correu evidente perigo de ser tomado dos Tamoyos. com grande tempestade. pelo que delles tinham experimentado. onde o Padre Nóbrega fez uma pratica a todos. tendo para si que pelo grande ser que reconhecia no Padre Nóbrega teriam as cousas o (desejado acerto. que em tudo se regesse pelo conselho do Padre Nóbrega. e o despedio para o Rio nos princípios do anno de 1564. de Coimbra II.. despediu um barco a São Vicente a chamar o Padre Nóbrega. que tinham dos tamoyos. como em verdade o tiveram. em o Nov.. Ficaram todos muito animados.. . da Virt. 179). Logo se embarcou com dous companheiros. os seguintes passos relativos á fundação do Rio de Janeiro: «. Exortou-os a confiarem em Deus.

. e elle em pessoa acodiu ao Rio de Janeiro. com sacrifício de todas as commodidades. Durante esta conquista. que difficultavam a jornada: ella se veiu a pôr em effeito no Janeiro seguinte de 1565 dia de São Sebastião. mandou o Padre Nóbrega ao Irmão Joseph de Anchieta que fosse tomar ordens á Bahia. o cercaram de . Haverá brasileiro que ache desinteressante a narração de taes factos da nossa historia... tomando entre mãos o nosso Brasil logo ao nascer. dezenas de annos. e zelo incansavel acabou de vencer todos os impedimentos. aonde de São Vicente de continuo fazia acodir com 'bastimentos e canoas que de novo por sua agencia se armavam em fôrma que se pôde bem dizer que o muito que alli tem o reino se deve ao zelo deste Santo Padre». e seja indiffererite á dedicação dos jesuítas que andaram aqui. «. a quem logo tomaram por Padroeiro da empreza. lançando e (consolidando os fundamentos da nossa grandeza? Impossível que haja entre nós quem tenha por assumpto enfadonho e insupportavel a noticia dos serviços dos que. semeando o bem.. Com ajuda de Deus.45 A Lingua Portuguesa 110 Brasil «.

e levando o zelo por seus augmentos até ao sacrifício da saúde e da própria vida. consagrando-lhe todo o thesouro de seus affectos. ás tradições.46 A Lingua Portuguesa 110 Brasil carinho. . mas todos têm o sentimento commum da veneração pelos paes. cobriram de bênçãos. «Na pessoa de Anchieta. por toda essa riqueza que é o patrimonio de uma nação». aos costumes. disse Eduardo Prado. todas as energias do seu espirito. glorificamos a nossa historia e os feitos dos nossos maiores: os irmãos podem dissentir entre si. E este sentimento revela-se entre os povos pelo amor á lingua nacional. fortaleceram e civilizaram.

Diccionario da Lingua Portuguesa .

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das Sciencias de Lisboa. Realizada a sua primeira sessão a 16 de Janeiro de 1780. .Do mesmo modo que a Academia da Crusca e as Academias francesa e hespanhola. propriedade e força. antes de mais nada. a 4 de Julho do mesmo anno. deverá conter os vocábulos puramente portugueses em todas as suas significações. juntamente com o uso regular ou ano. como translatas. consagrou-se. precedida de brilhante introducção. malia das palavras e frases^ fixado tudo pelos . á composição do diccionario da língua. a-. fundada em Dezembro de 1779 pelo Duque Üe Lafões e o Abbade : José Corrêa da Serra. a planta.. declarandó-se em cada huma delias a sua natureza. sobre a qual devia levantar-se o monumental edifício. um dos seus mais illustres membros. o laborioso philologo Pedro José da Fonseca.: Nessa planta explicava (sob n. logo na sessão publica de abertura solemne". 1): «O Diccionario da Lingua Portuguesa. apresentou. assim próprias. cujo projecto se offerece.

(*) Longo tempo empregaram examinando o valor das pbras ainda não julgadas pelos competen(*) Censura-os (Prontuário de Hispanismo) porque deixaram no esquecimento innumeros modelos clássicos da época mais gloriosa da linguagem hespanhola. se entregaram com a maior dedicação. Só assim evitariam justas censuras. obra superior a todo o encarecimento. a ponto de sacrificarem a saúde. sahiu á luz (em 1793) o seu primeiro volume. completando o catalogo dos auctoreís e pbras que formam a grande caudal da boa linguagem vernacula. Em seguida mostrava qual o methodo que se devia observar na grandiosa construçção (ns.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 50 exemplos dos auctores clássicos da sobredita lingua».fez Juan Mir aos auctores do Diccionario da Academia hespanhola. inclusive o estudo e escolha dos principaes auctores e obras. Poucos annos depois. á qual o sobredito Pedro José da Fonseca. Durante a sua composição. Agostinho José da Costa de Macedo e Bartholomeu Ignacio Jorge. viram-se estes precisados. 2 a 25). a reunir outros materiaes. concluídos os penosíssimos trabalhos preparatórios. com que se devia abonar o diccionario. Cita uns cem desses autores. para continuar seus trabalhos. como a que. ajuntando-lhes outros .

Na sessão de 24—6—1814. resolvida a proseguir na ardua tarefa. mais caudal de engenho. a Academia nomeou uma commissão permanente de tres membros (a 6—5—1813). extractar as suas phrases e termos. mais variedades de modismos. incumbida de examipar todas as obras onde se deveriam colher abonações para o diccionario. e determinou (1814) se contemplassem também os principaes escriptores do século XVIII. segundo regras fixas e anteriormente estabeleem novo trabalho. era necessário alphabetar esta collecção immensa. para depois escolher e joeirar. dizia: «Era necessário lêr attentamente perto de mil volumes. Dahi a organização do Catalogo dos Livros que se hão de lêr para a continuação do Diccionario da Academia. informando o Vice-Secretario Mendo Trigoso que a commissão ficara desanimada ao encarar a Ímproba tarefa. e mostra que as suas obras têm mais vozes castiças. e íaconteceu muitas vezes reconhecerem que eram imprestáveis. . ou para melhor dizer copial-os mais de uma vez. publicado em 1799. tão bem começada. mais viveza de hispanismos. e os seguintes «até os nossos dias». mais fundo de sciencia e mais pezo de sabedoria do que todas as de Cervantes.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 51 tes. Mais tarde. e entendendo que se não deviam excluir os bons modelos de linguagem posteriores a 1626.

da Silva Tullio. por doença. nomeou. ainda mesmo que se olhe despida de algumas circumstancias* que a tornam melindrosa e cheia de espinhos». Justificando as conclusões. formar um juizo critico dos escriptores modernos. D. A. minucioso relatorio. B. A. matéria difficil de sua natureza. uma commissão composta dos Srs. Os estudos feitos por essa commissão convenceram-na de que o manuscripto de André Ramalho. a que phegara. Innocencio F. era necessário buscar etymologias. tudo o que constitue os grandes materiaes da grande compilação do thesouro da lingua portuguesa. Latino Coelho e o Visconde de Castilho. . José de Lacerda. Soromenho. não poude tomar parte nos trabalhos. e era sobretudo necessário antes de qualquer destes trabalhos. definições.. que. exigia ainda um grande trabalho afim de poder-se publicar. Gomes. para indicar os meios de concluir a revisão desse trabalho. a Academia. A. Marquez d'Avila e de Bolama (Presidente). apezar de ser «o mais copioso de vo* cabulos e de phrases de quantos se têm composto na lingua portuguesa». e fazel-o publicar. o que fosse mais digno de se aproveitar. etnfim. Posteriormente. tendo comprado a Alexandre Herculano o diccionario legado a este por André Joaquim Ramalho. Dr. da Silva. apresentou em Outubro de 1870.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 52 cidas. A. José Viale.

que sobre este assumpto possa corresponder á auetoridade e ao decoro de uma tão eminente corporação.» A douta commissão suggeria o seguinte: «E como é condição essencial em obra de tão grande tomo e importancia literaria a unidade na redacção.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 53 redigido por Latino Coelho. do qual destacamos o seguinte: «No estado presente dos estudos etymologicos em Portugal. devendo auxiliar-se das que lhe pareça necessarias para que a revisão se effectue com a maxima presteza. addiando para ensejo mais opportuno a publicação de uma obra especial. parece á commissão indispensável o confiar esse trabalho a uma só pessoa. E para que haja cohesão e conformidade no trabalho. e não especulativo.. que de bom grado se entendem e têm hábitos literários semelhantes. A commissão entende pois que no diccionario que se intenta publicar. o que mais facilmente se consegue quando a elle se applicam pessoas. principalmente á utilidade commum. que desempenhe as funeções de director da publicação. como a Academia Real das Sciencias de Lisboa. parece conveniente que o director haja de propor á Aca- . se "elevem omittir todas as referencias etymologicas.. escripto essencialmente pragmatico. seria precoce e necessariamente mal succedida a tentativa de um diccionario etymologico. antes destinado.

se reputam . é minha opinião que o diccionario deve ser redigido. tomando por base o manuscripto de Ramalho e o antigo diccionario da mesma Academia. que esta Real Academia. em parte convencional. seu secretario. ficando todavia a definitiva escolha dependente da confirmação acadêmica». depois de justificar o plano seguido. Em seu relatorio de 1871. 3o A indicação lexicographica da palavra e as flexões differentes. quando ellas se afastam das regras geraes. sob proposta que lhe será presente. escreveu: «Postos estes preliminares. a começar dos que na ordem lógica. impresso. A Academia escolheu então o proprio Latino Coelho. 4° As varias significações de cada termo. segundo as indicações que vou apresentar: 1° A palavra escripta com a ortographia. o qual. com o qual apresentou. 2° A pronuncia correcta da palavra. a que é sujeita para indicar os números e os generos. um especimem ou typo do diccionario. expressa por um modo em parte phonetico. haja de adoptar. attenta a 'ínsufficiencia dos caractéres romanos para dar todos os sons da nossa lingua. que não passara da letra A. como o estava executando. chegou a redigir cerca de metade de toda a obra.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 54 demia os indivíduos que o hão de ajudar na sua em preza.

quando é diversa.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 55 primitivos. outros. modismosj proloquios e adagios. tendo porém o cuidado de não prodigalisar esta designação e de a reservar exclusivamente para os termos. sem que nenhum escriptor de nota o haja remoçado. que mais expressamente o substituam. rigorosamente portugueses. 7o A regencia de cada vocábulo. que de nenhuma utilidade podem ser no estado presente da linguagem. por exemplo). deve indicar-se por um signal ou por uma abreviatura (um asteristico. Os que . que o vocábulo é desusado ou obsoleto. Entre os neologismos ha uns que não têm em seu favor senão o uso. por haver palavras. quanto sejam necessários para auctorisar a palavra e as suas diversas accepções. e quando a sua ressurreição não seja recommendada por nenhuma necessidade de locução. e a sua distincção. que fazem fé em pontos de vernaculidade. 6" As mais notáveis phrases. por serem formados segundo as analogias da lingua patria. 5o A citação dos textos clássicos. que se referem a cada palavra. segundo as accepções em que é tomada. têm por si a auctoridade dos escriptores contemporâneos. Quando o archaismo está desde muito retirado da circulação vulgar ou literaria. e descendo por suas transições naturaes até aos sentidos translaticios.

Dv e da letra E. B. «Tudo quanto se podia utilizar se reduz ao manuscripto de Ramalho. esforçando-se. Em seu relatorio de 10 de junho de 1886 informava elle que apezar da escassez de meios. A veneração que tributamos á memoria do excelso Pedro José da Fonseca. para que os indoutos. os artigos até as letras Er. a todo o poder que poude. indicandòj-os por um signal. Muitos annos consagrou Latino á composição do diccionario. vendo-os incorporados no vocabulario os não julguem tão estremes e puros como os que são genuinamente nacionaes por origem ou adopção». ou antes uma copia de Bluteau. scientifica e lexicographica. por corresponder á confiança que depositara a "Academia na sua profunda erudição philologica. como não auctorisados na escripta ou no discurso oral. e de Moraes com a addição de algumas . principal auctor do diccionario da Academia. ponha-se-lhes o ferrete. já estava escripta do diccionario uma parte que se podia «computar em metade de toda a obra» •— as letras A. devem entrar no fundo commum da lingua. não nos perniitte deixar de transcrever aqui a seguinte passagem desse relatorio. Aos que são como que intrusos e apenas tolerados no falar commum. C. sem nota especial.56 Diccionario da Língua Portuguesa / têm baptismo literário. que é apenas um modesto vocabulario.

entre outras medidas. adagios. artes e officios.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 57 palavras. a cada acçepção. e a indicação de alguns raros textos. não teve no seu tempo obra semelhante. 2o Que a parte do diccionario que ainda restava por fazer. que a cada palavra. propoz no final do seu relatorio. locuções. como hoje se compõem e publicam. nem o auctor. se dividisse em duas oú tres . idiotismos. o qual não passou da letra A. as seguintes: 1° Que se nomeasse uma commissão para examinar os trabalhos já realizados e dar a sua opinião sobre elles. com que se tem pretendido modernamente deslustrar o mérito incontestável da sua enorme erudição. a cada phrase. e as phrases. a cada modismo corresponda a citação de algum escripto. e apezar dos apodos e motejos. provérbios. rifões. formulas familiares e literárias. exige. Introduziu Latino Coelho no diccionario os termos technicos das sciencias. Para a continuação do trabalho. e ao diccionario antigo da Academia. que se lhe avantajasse em plano e execução». onde figura cada vocábulo. auctorizando-as com centenas de milhares de textos colhidos nos bons auctores de todas as épocas. em que se encontre exemplificado». diz elle. «A perfeição dos grandes diccionarios. muitas vezes sem apontar a obra.

3 o Que se nomeasse para cada uma das secções restantes um director especial com o seu respectivo collaborador. Poderia facilmente obter a valiosíssima cooperação da Academia das Sciencias de Lisboa. 24. Ultimamente a Academia nomeou uma commissão para os trabalhos do Diccionario. para haver perfeita uniformidade quanto ao plano e redacção. ficando a primeira a continuar na letra E (escripta até Er) a cargo do director. Classe. ajudado por um ou dous collaboradores. propõe-se desde j á : . não cogitou. onde se lê: «Art. devendo os diversos directores 'communicar-se entre si. Além de outros meios que a Academia possa mais tarde adoptar para preenchimento de seus fins. mas infelizmente não puderam ter andamento pelo motivo constante do Boletim da Seg. Disto. porém. objecto principal das corporações do mesmo genero. 468 a 71.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 58 secções. IX. bem era tomasse a seu cargo promover a publicação do diccionario. * * * Fundada em 1897 a Academia Brasileira de Letras. segundo attesta o seu Regimento primitivo (de 28 de Janeiro de 1897).

cl) a colijir e imprimir as produções de escritores nacionaes que estejam inéditas e auxiliar a impressão de obras de valor literário que não encontrem editor. c) a organizar um vocabulario critico dos brazileirismos introduzidos na lingua portugueza e em geral das diferenças no modo de falar e escrever dos dois povos. 22): «Respeito ao idioma. em 1903. saiu escripta no que elle mesmo desvanecidamen- . na qual se lê (n. Seis annos antes. como subsidio para um dicionário bibliographico nacional. Até 1909. e) a conceder prémios ás compozições 1 iterarias que os merecerem». ultimamente desprezada por inadmissível. b) a colijir dados biográficos e literários. sahira a monumental Replica do Conselheiro Ruy Barbosa. o único trabalho a que se consagrára (além da questão de saber se Brasil deve escrever-se com s ou com z) foi a reforma orthographica.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 59 a) a organizar um annuario bibliographico das publicações brazileiras que apparecerem no paiz ou no exterior.

desde que o inventaram para socego dos que não sabem a sua lingua. todas as escórias da preguiça. em estado colliquativo. Ao sentir de . rótulo americano daquillo que o grande escriptor lusitano tratara por um nome angolês. Francisco Lisboa e Machado de Assis». apadrinhado com o nome insigne de José de Alencar e outros menores. Em outro lugar (n. «o dialecto brasileiro». passou a ser. para a orelha destes seus tristes descendentes. Gonçalves Dias. cabem na indulgência plenaria dessa forma da relaxação e do despreso da grammática e do gosto. do idioma em que escreveram no Brasil. Lá encontrará o ouvido vernáculo todos os stjgmas dessa degeneração.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 60 te chama «o dialecto brasileiro». surrão amplo. da ignorancia e do máo gosto. todas as mazellas e corruptelas do idioma que (nossos paes nos herdaram. onde cabem á larga. o typo da inelegancia e obscuridade. 423) da mesma plica: Re- «Depois então que se inventou. Aquella «formosa maneira de escrever». que deleitava os nossos maiores.

assim doutrinava outro acadêmico (Dicc. ligeiramente lardeado ou trufado ás pressas de inglês e allemão. De perfeito accordo com essas idéas do insigne Mestre. As bossas da palavra recheiaram-se-lhe de francês. haurido na sciencia de cada um apenas o quantum satis para o trato dos livros. tanto mais melodias reúne. 3a ed. Grammat. ou a curiosidade os attrae. cuja cultura cultivam».. quanto mais distar do bom português. mais luminosidade encerra. fica-lhes sendo a nossa apenas a menos mal conhecida entre as varias 1 inguas estrangeiras. este adjectivo.): . 425): «Direi que o estaria em brasileiro. afinalj todos mal sabidos. associando-o ao abandono dos bons modelos da linguagem. contra a minha opinião. quanto mais offender a linguagem ps modelos clássicos. E pouco depois (n. a querermos enxovalhar. De todos esses idiomas. cujos monumentos e cujos destinos se entrelaçam com os da nossa raça e os da nossa nacionalidade». a que a profissão. cuja historia.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 61 tal gente.

prematura». accrescenta qut. E conclue affirmando que «a literatura brasileira tão cedo não deixará de ser um domínio da lingua immortal de Camões». birro. pelo menos. em seguida. . com as devidas concessões aos que tudo querem. etc. pois a sua emancipação «se não é de todo inexequível (em remoto futuro) é seguramente. Ajunta. de accordo com o conceito amplíssimo de Withney. bahiano. em nota: «Até hoje.. Cita. vocábulos usados no Brasil (aião.» Dizendo depois que «ha quem dê ao conjuncto dessas divergências o valor de dialecto». ainda accéitando essa opinião. lazão. saxuga. tem sempre predominado o elemento clássico. e diz: «São vícios todos de origem popular. É a expressão que damos a toda a casta de divergências notadas entre a linguagem portugueza vernacula e a falada geralmente no Brasil. seria de todo inadmissível dar ao dialecto brasileiro os foros de língua literaria. e desejam a licença de falar e escrever a seu tal ante».62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 62 «Brasileirismos..). que não poderiam passar á língua literaria».

na revisão do' seu diccionario. 'Verdadeiramente essas difficuldades são muitas. a Academia que. Em Portugal. precisando mostrar como era fácil a execução do seu plano. Attentouse talvez nas difficuldades do emprehendimento. E assim a revisão do trabalho de 1762 continuou da mesma forma por que se estava fazendo. igual ao que. no qual projectou a composição de um diccionario etymologico e historico da lingua portuguesa. Bastaria lembrar o que succedeu quando Voltaire propoz adoptasse a Academia Francesa. que elle. novo plano. parecendo-nos que se não pensa em pol-o por obra. resolvendo rever e completar o manuscri- .62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 63 Ã vista dessas idéas de dois dos seus membros mais auctorisados. segundo vimos. e veiu a succumbir poucos dias antes da sessão em que se devia votar definitivamente o sobredito plano. Para a execução desse grandioso projecto nada absolutamente se tem feito. a nossa Academia se obrigou a realizar. procurou apresentar em poucos irtezes todo o trabalho compréhendido na letra A. Esgotaram-se-lhe as forças. a Academia Real das Sciencias. e sobremaneira escabrosas. a fienhum trabalho se entregara até 1909 além da reforma orthographica. Taes objecções lhe oppuzeram. tratou de elaborar o Novo Regimento Interno (18 de Junho de 1910).

Latino Coelho. segundo o qual o diccionario deveria redigir-se de accôrdo com as seguintes indicações: lo — A palavra escripta com a orthographia que a Academia adoptasse. 3° — A indicação lexicographica da palavra e as flexões differentes. que não é intenção desta Real Academia pôr agora o peito a esta empresa. á que é sujeita para indicar os números e os generos. em parte convencional. assim se expressou: «São tantas. e algumas tão escabrosas.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 64 pto de Ramalho. E propoz um plano mais modesto. para a qual seriam precisos largos annoíP de leituras e locubrações». attenta a insufficiencia dos caracteres romanos para dar todos os sons da lingua. na presente conjunctura as difficuldades que se oppõem a emprehender tal monumento literário. no seu relatorio apresentado em 1871. quando ellas se afastam das regras geraes. expressa por um modo em parte phonetico. 4o — As varias significações de cada ter- . 2« — A pronuncia correcta da palavra. não se aventurou a vencer as difficuldades que offerece a elaboração de um diccionario historico.

proloquios e adagios. não traria gloria menor á nossa Academia. A composição de um diccionario da língua portuguesa. modismos. sem ter as difficuldades do diccionario historico e etymologico. a começar dos que na ordem lógica. se o nome do escriptor não o tornasse dispensável. 5o — A citação dos textos clássicos. se reputam primitivos. de accôrdo com essas indicações. o diccionario assim redigido constituiria a melhor defesa do nosso idioma. 6o — As mais notáveis phrases. e a sua distincção. da pagina e edição das respectivas obras. mandando palavras colhidas em escriptores brasileiros e portugueses. agora seriamente ameaçado. Demais disso. segundo as accepções em que é tomada. quando é diversa.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 65 mo. Estimei sempre em muito a missão da Academia Brasileira de Letras destinada a ser «a 5 . 7° — A regencia de cada vocábulo. facilitaria a verificação. Em toda a parte haveria pessoas dispostas a prestar o auxilio de suas contribuições. quando sejam necessários para auctorisar a palavra e as suas diversas accepções. A indicação dos auctores. e ainda não registradas nos diccionarios. e descendo por suas transições naturaes até aos sentidos translaticios. que se referem a cada palavra.

revendo o trabalho já muito adiantado. mais bien d'avoir maintenu l'unité générale de la langue». Infelizmente. la veritable gloire de l'Académie n'aura pas été d'être un Cenaele de hommes de lettres. e forcejando por concluil-o. maior influx» de outras civilisaçoes. Assim poderia sahir-se gloriosamente quando tivesse de mostrar os titulos da sua actividade literaria. em que frequente e dilatado contacto de outros povos. a responsabilidade dos acadêmicos. Então caber-lhe-ia ao justo. agora que se nos abre um período. a «tudo empenhar para secundar o esforço dos que se consagram1 á pureza do nosso idioma» (Nabuco). aquillo de Brunetière: «Bref.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 66 guarda da nossa lingua» (Machado de Assis) . Avulta sobremaneira a importancia da sobredita missão. e portanto. e consequentemente mais forte influencia de linguas estrangeiras vão submetter á prova decisiva a admiravel resistencia do nosso idioma. porém. Penso por isso que a illustre corporação devia cuidar do diccionario da nossa lingua. desprezando o seu grandioso projecto de um diccionario etymolo- . os documentos de zelo da lingua.

e voltou a consagrar-se ao vocabulário de brasileirismos. deixou de adoptar o (da Academia das Sciençias de Lisboa. é o que fazem suppor as noticias mandadas para a imprensa. publicados nos tres primeiros números da Revista dissemos não se ter posto nelles o necessário cuidado.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 67 gico e historico da nossa língua. e ao rebusco dos vocábulos e phrases. tratando-se de assumpto que interessa a todos os que falam português. a eleição de seus pares. nada infelizmente informam sobre as considerações dos académicos. sendo essas 'demasiado minuciosas no que respeita a factos de somenos importância. Tudo se deixou ao arbítrio dos diversos académicos. aliás a opinião geral. Não se estabeleceram préviamente regras tocantes á escolha dos auctores. confirmando. serem os mais competentes no assumpto). attesta. O que nellas se lê é o seguinte: . o que é deveras lamentavel. Referindo-nos aos primeiros trabalhos. menos ambicioso. com o qual pretende commemorar o centenário da nossa independencia. e não ao critério uniforme de uma commissão especial. Pelo menos. ou da commissão de lexicographia (cujos membros. mas igualmente benemerito de applausos. Receiamos aconteça o mesmo agora. E de caminho notaremos que.

. Os demais académicos ficaram de dizer mais tarde os livros que preferem manusear». ou ainda os chamados termos «pan-americanos»? . e Quem conta um conto de Cornélio Pires. Luiz Guimarães Filho escolhe «Heroes e Bandidos de João do Norte. Registrará o vocabulario somente dicções peculiares dos brasileiros. O Sr. de Alberto Rangel. Tão pouco nos dizem essas noticias se previamente se fixou o alcance do vocábulo brasileirismos. ou também nomes de coisas que s*ó existem no Brasil. O Sr. Felintho de Almeida declara continuar os estudos que já iniciou no Inferno Verde. Meu Sertão de Catullo Cearense.. communica escolher a obra de Franklin Tavora. O Sr. para delia extrahir a contribuição que lhe caberá fazer de expressões próprias do nosso paiz.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 68 «Passa-se após a tratar do estudo sobre brasileirismos. Acerca do methodo a estabelecer-se falam os Srs. Alencar e Laet. Austregésilo. alterações no sentido das palavras e tnaneiras especiaes de dizer-se entre nós o que em Portugal se expressa de outro modo.

estrambótico. Além dissoj já está feitoj. nos quaes todos os académicos teriam de estribar-se. potimplora. caimbras. e os termos acachapado. que facilitaria a conclusão do edifício. barboleta. terá de submetter-se a rigorosa verificação. venha donde vier. Somente assim evitar-se-ão os damnosos contrabandos de que nos fala Castilho. antes de obter ingresso nelle. a minucioso exame. mindinho. trincai. mas sem o cunho e os requisitos necessários para figurarem no vocabulario académico. O imesmo não acontece comi o projectado vocabulário. compoteira. cacarecos.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 69 Se se tratasse de um diccionario da lingua portuguesa. viandande. africanas. pode ser que em suas obras se nos deparem termos peregrinos. campoteira.. andar-se-ia com segurança. etc. e ainda vocábulos corruptos. São bem conhecidos os documentos da boa linguagem. o parecer bem formados. cordavão. em terreno perfeitamente desbravado. Ainda que se trate de escriptores de boa nota. ajressurado. Camaras. borboleta. pelancas. conçoeira. É possível também que pretendam lugar entre os brasileirismos expressões portuguesissimas. e muito adiantado. capu- . modorna. Cada um dos termos. capucho. indo-portuguesas. Temos visto: e puvido muitas vezes o nosso tudesco mudado no italianismo tedesco. trabalho solido. absolutamente inadmissíveis. em lugar de acaçapado.

estrambótico. não devem considerar-se brasileirismos. passar a não ter mais limites? Procedendo-se levemente. no fim de pouco tempo ninguém se entenderá». como tem feito muitas vezes o nosso Ruy Barbosa. com os quaes escriptores auctorisados tenham sabido acudir ás precisões de uma linguagem mais apropriada e expressiva. Haverá também os termos novos. nos portugueses. couçoeira. tincal. Ao passo que para entrar um termo no diccionario português basta que auctores consagrados o abonem. tratando-se do vocabulario de brasileirismos. é indispensável saber não somente que escriptores brasileiros o empregaram. veremos repeti- . cacareos.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 70 lho. Que será quando a liberdade. aforçurado. modorra. com a mesma significação. cantimplora. cor do vão. vinha d'alho. e esses com que os mestres enriquecem o idioma. principalmente examinal-o á luz da sciencia da linguagem^ e ver1 se é ou não conciliável com o génio da nossa lingua. meminho. em vez de cingir-se a metaphoras. mas também se o encontramos. pelhancas. Diz com razão um trabalho recentemente publicado: «Se cada individuo que escrever um livro ou artigo empregar metaphoricamente e a seu bel prazer vocábulos de significação assentada.

os tomam por palavras de uso. de maneira. assim as empregam. cuidando que assim são. que ainda as pessoas bem educadas. «pan-americanos». mas por estes serem já tão desconhecidos como os mesmos autores prevalecem os corruptos. interessando-nos tanto como aos senhores académicos. além de outros que são corrupções de termos portuguesissimos. nas quaes se encontram vocábulos genuinamente portugueses. como as ouvem.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 71 rem-se os enganos havidos nas contribuições já publicadas. «Observaremos que ha muitos termos no uso popular desfigurados e pervertidos. indo-portugueses. para as combinar e discernir. e porque não têm á mão as palavras sans. cujos exemplares puros existem nos autores clássicos. etc. Carecemos de auctoridade para essas considerações.. Fazemol-as. ou escrevem ás vezes bem barbaramente aquelles mesmos que deviam ser exemplos de linguagem pura e correcta». africanos. como soam. e que a todo o tempo lembrariam aquillo de um dos mais insignes mestres no assumpto. porque o assumpto nos toca. não obstante. e ainda pelo receio de ver expressões que não merecem entrar na . e falam.

que lhes torna mais intensa a significação: pintadinho da Silva. dar-lhes-ia curso.. que. entretanto. outro eminente philologo não teve duvida em accrescentar: «A alguns diminutivos costuma-se juntar a locução — da Silva. e juntar: umzinho.des- .. os nossos grammaticos. estezinho. assimzinho. Não sabemos onde irão. Porque Julio Ribeiro occupando-se de flexões diminutivas registrou (Castilho): «Eu e ella andamos. iriam transformando o nosso bellissimo idioma.. e. nos causaria a composição de um vocabulario académico de brasileirismos. Poderia então completar — «da Silva e Mello». Maior receio. soltando as velas ao talento inventivo. que temos ouvido muitas vezes. Em pouco tempo já passámos de silenciar e solucionar para homenagear e até para ser caducado. passeandiio a par».. muitos escriptores.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 72 caudal da nossa língua. no tocante a ^expressões augmentativas. nesse andar. e agora mesmo estou vendo o seguinte passo de um dos nossos literatos: «. assim. raladinho da Silva». a locução p'ra burro. Desejosos de figurar no catalogo dos auctores com que o mesmo vocabulario deve abonar-se. e outra não menos frequente. sem os cuidados indispensáveis. lograrem registro no vocabulário da Academia.

A grande perigo nos expõe a Academia se não tiver muito cuidado e perspicacia na verifi- . ser rescindidado.» O ingressar já figura no diccionario de C. de Figueiredo. ser avulsado. Já se usa odontolando. imaginemos que surpresas nos reservarão escriptores apostados a conquistar a gloria de augmentar-lhes o numero. anthropololatido. ser fallidado. que justificaria philololando. Annuncio publicado ultimamente promette bom ordenado a — jueiras habilitadas. ser acldidado. ser prescriptado. É de todos os dias o candidatar-se. e também bibliotheconomiando.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 73 de 1905 ingressou no corpo diplomático. e talvez a ser commissado (em vez de ser declarado em commisso). virão depois aspirantar-se.. ser extinctado. Deve ter por certo o annunciante que os interessados sabem denominar-se jueira a pessoa que trabalha em point á jour. ser sem efjeituado (por ser declarado sem effeito). e de ser caducado iremos a ser perempíado.. e ser em dispotiibilisado (ser posto ou declarado em disponibilidade). Se isso era possível quando não se recommendavam os brasileirismos. Na parte editorial de um jornal já vimos: — reclamaram gritadoramente. ethnololando. De homenagear chegaremos a vassalagear. etc. pretendentar-se e ainda concursar-se.

Antes de mais nada. por isso. que pede estudo especial. Limito-me. m. « * Tratando aqui do diccionario da lingua portuguesa. homem negro (vestido de preto) padre. e é de razão que também os nossos o registrem. deixando de parte os termos que são propriamente americanismos. não devo deter-me no exame dos brasileirismos constantes da Revista da Academia. e outros. o uso não introduziu em nossa lingua. Neste particular noto somente a inclusão de algumas expressões que.. oriundos quasi sempre do tupi-guarani. A prova de ser fundado o nosso receio está nas próprias contribuições já acceitas e publicadas.. Figuram nos vocabulários de Granada. Largo espaço tomaria esse exame.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 74 cação dos títulos com que os termos e locuções colligidas pretenderem lugar no vocabulario. — s. Ciro Bayo. apresentarei as duvidas que me suggere o primeiro vocábulo constante das contribuições publicadas — Abaruna. segundo me parece. a brevíssimas considerações. Esses. têm augmentado por igual a riqueza das línguas portuguesa e espanhola. Alencar — Minas de . Lê-se na I a contribuição: «ABARUNA.

Esse ultimo. Na composição de outras palavras — abá e abaré conservam a ultima vogal (Vej. E Rubim: «Abuna. por causa do habito preto». Do guarani aba. ou abaréuna — sacerdote preto. padre. s. alludindo á sua roupeta negra. Encontra-se o mesmo no Diccionario de Candido de Figueiredo. ou abautia. hu. m. 356». s. Como termo da lingua geral (tupi-guarani) deveria ser abauna •— homem preto. III. Nome com que alguns indígenas civilisados designavam os jesuítas. Baptista Caetano e Montoya).72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 75 Prata. preto». escreve: «Abuna. Com igual significação. É possível que o vocábulo abaruna. Braz da Costa Rubim e Macedo Soares registram abuna. escuro ou preto. ab (à) homem — ad una negro. esteja. em lugar de abuna. encontrado nas Minas de Prata. frade: nome que os indios das Missões davam aos jesuítas. em virtude de um erro de impressão. — Br. homem. .. Etym.

A expressão foi introduzida no Brasil com a mesma significação de padre. nosso). Bernardim — Hist. Significa nosso pae. segundo attesta Fr. — (Do arabe — aba. A mesma cousa está em Bluteau. cap. e na. Historia Geral da Ethiopia. nosso. Depois que os Abexins tiveram noticia da fé de Christo. pai. pae. Domingos Vieira. e do pronome na. Moraes. porém. Constâncio. na palavra — Abuna: «He o titulo que os Christãos no Oriente dão aos sacerdotes. Nome que os abexins ou christãos da Ethiopia dão ao seu metropolitano. 87 col. e Fr. He composto' de abu. em cujo Diccionarlo vemos: «ABUNA. que. Abona-se com João de Barros — Décadas. 3. jrade. Bernardino. da Ethiopia. João de Sousa — Vestígios da lingua arabica em Portugal. Faria e em Fr. 38 p. onde se lê. 93. segundo se vê em Macedo Soares. por Fr. é de origem arabica.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 76 Abana. 3» foi. ac- . ou nosso padre. nunca tiveram mais que hum bispo a que chamam — Abuna.

assentar. que propoz. e resultem da nossa ignorância da lingua tupi-guarani. alevantar. não era natural se lhes fosse associar a côr negra da roupeta. «ABENÇAM. sobre muito respeitados. em vez de significar o respeito que se lhes consagrava. etc. f. . — s. Por amor á brevidade. É possível que não tenham fundamento essas duvidas. fazendo as annotações indispensáveis. alagoa. Ainda nesse caso. avoar. parece-nos.. que eram brancos. aponto somente alguns. alimpar. porém.62 Diccionario cia Lingua Portuguesa 77 crescentando alludir á roupeta negra dos jesuítas. Mas. talvez por engano do typographo. o vocábulo abaruna só teria direito a figurar entre os brasileirismos se o uso o tivesse consagrado. Não é brasileirismo. sinão somente um caso de prothese: do mesmo modo que atambor. adoptando-se no Brasil a mesma expressão para nomear os jesuítas. e somente occorre numa das muitas obras de Alencar. se usou entre nós que eu saiba. procurou com essa explicação tornar acceitavel a etymologia. Nunca. bençam». alembrar. Passemos agora aos vocábulos que a nosso ver não devem figurar no vocabulário acadêmico.

Brás. a. g. a. e outras de que se fazem obras. De accordo com Macedo Soares.. e põe-lhe o signal de novoí. Vejamos.) com a significação de conchegar apertando. e com a contribuição publicada na «Revista da Academia». v. ou coaggero. Candido de Figueiredo o registra com a mesma significação de conchegar. — v.. e v. não obstante. acamár apertando. v. diz que parece ter-se antiquado em Portugal. e a nota de — brasileirismo. aconchegar acochar-se. torcer.. apertar. pois Aulete o não inclue. fardos.) Acamar. comprimir». apertando o que se enfarda. conchegar. a. v. de Faria: «Acochar. que registrou o vocábulo (Dic.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 78 «ACOCHAR. (a pref. Domingos Vieira: «Acochar. ere. outros diccionarios: Moraes: «Acochar. apertando ou calcando. calcando. at. por agachar-se. . (Do latim calcare. Macedo Soares. — Acamar. are amontoar). g. a. Fr. calcar. acamar. Ed.. acamar apertando as cousas que se enfardam. as palhas da tabua. v. conchegar calcando. atar. enconchar». conchegar». cordas».. e cogo ou coago. Lat. v. v. torcendo. v. apertando as coisas que se enfardam. Constâncio: «Acochar.

O exemplo. da. principalmente. indo ai lamber o terreno humedecido do relento das noites ou a terra salitrosa e sempre húmida dos barreiros. diz textualmente: «Com a sêca o gado afasta-se.. a. pr. «ALÇAR-SE. entra pelos bosques em busca da sombra e do fresco. ad. v. muito menos — fugir o gado domestico dos apriscos. alça-se pela sede. quer dizer — tornarse selvagem. O que. com que se pretende justificar a definição. segundo parece. O ser a acção do verbo exercida aqui pelo gado não era razão para definir-se — fugir o 'gado. Nem o ir procurar agua onde exista.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 79 Adolfo Coelho: «Acochar. fugir o gado domestico dos apriscos e tornar-se selvagem». com a significação de acamar apertando. e o de Silva Bastos (de 1912) traz a de usado em Traz-os-montes. — Se dice ídel animal o ganado que.... Acamar apertadamente. viviendo ordinariamente bajo la dependencia dei hombre. se ha sustraido à su dominio y anda libre como el cimarrón o salva/e. Por lo . Rio-platense): «Alzado. influiu na definição foi o que se lê em Granada (Vocab.» Em nenhum figura a nota de ant. indo procurar onde possa matal-a». — v.

entre outras. mas não é brasileirismo. definicion tan breve como inequívoca». hacienda alzada: la que no obedece à rodeo. ou alzar-se. 9° ed. Já figurava na lista de Pacheco Júnior. rebelar-se. Roque Barcia — Dic. est.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 80 regular se oculta entre el monte. alzar-se sempre teve. por la Academia esp. Oram. Rebello. f. bebida refrigerante feita de fubá de milho ou de arroz. refugifir-se ó acogerse. que registra somente alzado. Ora. e não alzar. desde Bento Pereira («Alçar-se. as») e Bluteau... de ta lengua cast. entre os pretos. e de retirar-se. «ALUÁ. uma . a significação de levantar-se. accrescenta: «Los Codigos rural es dei Rio de la Plata dicen: ganado. Em portuguez tem as mesmas significações. de donde sale solamente à comer y beber». Figura na la e na 2a contribuições. segundo attestam os nossos lexicographos. «s. p. id. rebellar-se. sublevarse. D. m. Mas o mesmo Granada. (1878). hist. 142.. apartar-se de algum sitio (Dic. na Africa e no Brasil. — s. general). bebida de farinha de milho torrado com agua adoçada. (la contribuição). Significando um doce confortativo usado em todo o Oriente passou a designar. com açúcar e outros ingredientes».

D. o termo — ananás pertence á caudal da lingua portuguesa. segundo o attestam os mais auctorisados léxicos. nas Índias Orientaes. depois de addicionar-se-lhes mel. e fermentados.» Os diccionarios hespanhóes também 6 . Ha longos annos se acha incorporado em nossa lingua. — s. e abonando-se igualmente com Garcia de Horta. e na Africa». Moraes.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 81 especie de cerveja fabricada com cereaes.. ou do peruano nanas. do mesmo modo que um numero innumeravel de outros termos asiaticos. Consagra-lhe grande espaço o Dicc. «ANANAZ.. nanas. ninas. Fruta — Bromeliacer».. da Academia. diz: «.nome vulgar da bromelia ananás. anânà. Lima Leitão. Veja-se Bluteau (aloá). reduzidos a farinha. cosidos em agua. planta da índia e da America Meridional. onde se lê: «Dá-se esta planta naturalmente ou por beneficio da cultura na America Meridional. que transcreve a extensa noticia de Garcia de Horta. Vieira. Domingos Vieira. m. como da hespanhola. anas. Ou venha do guar.. Dalgado e Granada. ou do malaio — ananas. registrando o vocábulo.

mobilia. mobilia de casa.. loiça.. — v. etc. remarquer. II. Aulete o registra com as seguintes significações (entre outras) : «economia domestica. etc. significando — apparelhar-se.) Ter o seu arranjo... Aperceber-se. mobílias. perceber. que o nosso aperceber-se absolutamente não admitte. de nada se apercebera. de Alencar. Veiu de s'apercevoir •— connaître. «APERCEBER-SE. utensílios. Não é brasileirismos sinão gallicismo intolerável. commodidades. (Pop. desde a I a edição: «economia. usado coim a jpreposição de. cabedal. traz no passo de Alencar a preposição — de. paj. perceber. ou bôas roupas. e accrescenta». Domingos Vieira. preparar-se. Não é brasileirismo. distraída. m. notar. que em português se usa com a preposição para.. aconchego». Til. pr. t. — s. significando — notar.» Já se nos deparava o mesmo em Fr.. de Fig. «ARRANJO. . ter com que ir vivendo. mobilia.» E em Cand.. que explica: «em linguagem familiar: utensílios. prata. fortuna». A filha do Galvão. 167».72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 82 mencionam com o nome de ananas a bromelia ananas. ananas sativa de Linn. J.

e também dos animaes. O Paroara. Domingos Vieira diz: «Assistida. Cita-se R. — adject. Recolhido por Moraes». que tem o seu menstruo». É outro vocábulo portuguesissimo. desde a I a edição de Moraes. É muito pouco. onde se lê: «Assistido. mulher —. «ATA. diz-se da mulher quando se acha no período catamenial». e ha quem indentificando-a com a Anona sqnamosa. especie de pinha (anonacea»). (Formado do adjectivo participio. regrada. Theophilo. Talvez tenha influído somente as circumstancias de tratar-se de uma fructa indígena. 112. paj. passado de assistir. f. p. Ignoramos as razões por que se incluiu esse vocábulo na lista dos brasileirismos. filie no sanscrito o seu nome indiano — ata. regulada. — s. Diz-se das mulheres quando têm o fluxo mensal. saida. menstruada. . pois a ateira também existe na índia. semelhante á do conde. segundo se vê nos diccionarios da lingua. v. mas tornado substantivo elliptico).72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 83 «ASSISTIDA. que não existe em Portugal. s. fruta. Aluada. m.

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Eis o que diz o insigne Dalgado: «Ata. Fruto da Ateira — Anona squamosa, Linn. Dá-se-lhe também o nome de fruta do Conde... É muito intrincada a questão da patria e da etimologia de ata e de anona, cujos nomes se trocam e se confundem por vezes... Cunningham identifica-a com Anona squamosa, filia o seu nome indiano at ou ata no sansc. atrapüy, e mantêm que os portugueses, introduzindo-a na índia, não fizeram mais que levar carvão para Newcastle. Max Müller, porém, põe em duvida a existencia do vocábulo atrapya no sanscrito verdadeiro; e Yule & Burnell sugerem que se têm inventado nomes sanscritos para muitos objectos só conhecidos nos últimos séculos. Fundados na auctoridade do botânico holandês Rheede, e em um vocabulario de Manila, presumem estes autores que a ata e o seu nome foram para a índia do México por via das Filipinas... Cumpre comtudo notar que se a Anona squamosa entrou pelas Filipinas, não levou comsigo o nome de ata, porque as linguas malaias lhe não dão tal nome, mas o de nona, e bem pode ser que ate ou atte do vocabulario de Manila seja de introdução moderna. A planta é

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também indígena do Brasil, onde se chama igualmente, ata ou ateira». «BARREIRA. — s. f., lugar escarpado e argiloso na margem do rio, livre do mato». Nesse sentido, de ribanceira, a palavra já estava em Bento Pereira (Thesouro da Lingua): «... Barreira, id, est, Ribanceira, Ripa, ae». «BATUQUE. — s. 'm. Dança e ronda de negros». Não é brasileirismo. Batuque, do landim — batcliuque, (segundo Dalgado) é na índia, «instrumento que de ordinário acompanha o canto e a dança popular, conhecidos por mando»; e na Africa significa a própria dança popular. Já figurava na Grammatica histórica de Pacheco Júnior entre as palavras de origem africana (p. 131 e 143). «BOIADÃO. — s. m. boiada grande». Registrando — boiada, como termo luso-asiatico, escreve Dalgado: «Os diccionarios dão ao vocábulo o significado de manada de bois. Na índia, porém, por boiada se entende récua de bois, que transportam carga em costais». Entre outras abonações traz uma de Duarte Barbosa (1516). Simples augmentativo de boiada, não

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deve boiadão figurar como brasileirismo. Está no mesmo caso brecha o, que Macedo Soares já tinha registrado, declarando ser augmentativo de brecha. «BRAZIL (fazer) — Loc. Era a frase com que que os colonisadores portugueses designavam! a derrubada e prontificação do pau brazil para comtnercio e embarqqe. (Nota de A. J. de Mello», Locução que usaram entre nós os colonisadores portugueses, não deve considerarse brasileirismqj tanto mais quanto o seu uso não se generalisou no Brasil. Terá sido a circumstancia de figurar na expressão a palavra — brasil a que influiu para darse-lhe entrada no rol dos brasileirismos? Mas essa palavra, de origem asiatica (J. Silvestre Rebello — Rev. do Inst. Hist. 'II, 623, Herbelot — Bibliothèque Orientale, p. 163) era usada em toda a Europa desde muitos annos antes do descobrimento da America — (Vej. Rev. do Inst. Hist. I, 298 a (305; II, 622; Porto Seguro — Hist. Ger. do Bras., 3a ed. rev. por Capistrano de Abreu, p. 35; Addit. ás Mem. da Acad. Real das Sc. de Lisboa, XI, 179, art. de Joaquim José da Costa de Macedo; Aug. de Carvalho Origem, do nome — Brasil; e o recentíssimo trabalho de Vignaud so-

acompanhar o lacaio o senhor em cavai lo choutão».hoje aliás não é mais usado». e não trotear. Não obstante essa declaração. vestir». «CHOUTEAR. p. Não se devem incluir no rol dos brasileirismos os termos corruptos. como passo. 150. nem os que somente differem dos portugueses de lei em serem escriptos erradamente. muito «BROCHAR. — v. Não ha quem use brochar nesse sentido. tr. Cita-se uma passagem de França Júnior. desenvolvida). de choutar (de trote e galopa — trotar. — v.. £ corruptela de cogóte. que é corruptela de passaro. galopear. nota 103. «CANGOTE. de Figueiredo registra o vocábulo nestes termos: «Bras. Choutear é corrupte 1 a pop. Nada importava que França Júnior o tivesse empregado. e declara-se: «. — s. com maioria de ra- . ou erradamente compostos pelos typographos.. m. Vestir com roupa vulgar». Vesp.. desde que o uso jamais o consagrou.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 87 bre Amer. galopar. cachaço. Na mesma contribuição primeira figuram outras. parte posterior do pescoço».. n.. C.

desde que fosse choutão. tornar inchado. seguinte passo do Paroara de R. Da Revista da Academia passou o vocábulo para o Diccionario de Candido de Figueiredo. «ENTUFAR-SE. arrogante. no qual em nota se explica: Amuava. amuar-se. que vae atraz do senhor. e de Silva Bastos). ou andar (algem) em animal que chouta. e o lacaio (nelle montado) estivesse acompanhando ao senhor. e entrufar-se. de Gonçalves Viana.. de Figueiredo. Não encontrei choutear no lugar indicado. não se poderia concluir que o verbo somente se possa empregar tratando-se de lacaio. Choutar é andar (o animal) de chouto. Assim não importaria que o cavallo andasse a passo. amuar. — v. Theophilo: «Por tudo (a menina) se entufava». zangar-se. ou uma corruptela de entmnfar-se? . Ha em Português entufar.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 88 zão de chouto. Abona-se com o. que manda ver Herculano — Monge de Cister. (Ver o Voe. O entufar-se do Paroara não será erro typographico. nem que signifique acompanhar este ao senhor em Cavallo choutão. Por que no exemplo se trata de lacaio. 2a ed. p. e os Dicc. choutar. de C. e não choutear).

f.) reproduziram essas palavras. Rev.. e assim... jacquier. que o registra assim: iJaca (Ingl.. Cita-se o Roteiro corogr. Coelho definindo: «Sitio onde se espera». onde os que viajam em canôa esperam a monção própria para proseguirem a sua viajem». definiu: lugar onde se espera alguém ou a caça. do Inst. Aulete. Moraes registra o vocábulo dando-ihe a significação de «lugar onde se espera alguém ou a caça». No passo.. o substantivo verbal está usado no mesmo sentido com que o registra Moraes. É termo luso-asiatico. jack. — s. sitio remansozo de um rio ou baía. Os outros (Constâncio. fr. A sua inclusão entre os brasileirismos somente se justificaria se houvesse differenciação semantologica apreciavel.)» .72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 89 «ESPERA. segundo se vê em Dalgado. — s. Melhor fez Ad. fruta artocapia». jacque. em vez de dizer — lugar onde se espera. com que se abona a contribuição. etc.. de Martinho de Sousa e Albuquerque. f. encontrando passos onde se tratava somente da espera de alguém e da espera da caça. da viajem. XII. 302. Aquelle. «JACA. ou lugar onde se espera alguma cousa. achou que devia particularisar esses dois casos.

pipíno. É sabido que os primitivos colonisadores introduziram no Brasil vocábulos e phrases de bom cunho vernáculo. minino. milhor. fosf'ro=phosphoro. b) o e medial tem o mesmo som em mel e ftielar. abobra. Candido de Figueiredo.ingua Portuguesa 1 «MECE. venha . piqueno. cimiterio. XVI). ta-bom. com pequenas variantes (truve por truxe. Facto semelhante pôde ter-se dado com certas formas dos dialectos indo-portugueses.90 Diccionario da L. relojo. temp'ra= tempera. discip'lo=discipulo.. chegou em casa. o e u postonicos entre labial e liquida: vesp'ra=vespera. dêstá (deixe-estar) sub (soube). Bastem por todos os seguintes casos: a) syncope de e. e degenera ás vezes em i na primeira syllaba.. as quaes também se encontram entre nós. occorrem tamêm. — (Abreviação ou corrupção de vossamercê — o mesmo que vosmecê — você». collejo.. parésquê.. truxe (trouxe).. abob'ra=abobora (donde abobreira). Em outras formas a taesma identidade se nota. (Vej. segundo Dalgado. alem de outras. alviças. sinhor. No de Gôa. O que se não deve dizer. venha no quarto. surjão por surjião). c) Os verbos de movimento pedem algumas vezes a preposição em: Chegou em casa. surjião (cirurgião). os quaes se conservaram entre nós. archaisando-se em Portugal.

são differenciações dialectaes brasileiras? No caso de solução affirmativa. (Vej. d) Bater e pegar são activos: Bater a porta. pegue o meu livro. ócio. ajueiâ. Dalgado — Dialecto Indo-Port.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 91 no meu quarto. collejo. . devem ter entrada no vocabulario. Devemos estabelecer por sem duvida que essas abreviaturas. surjão e as demais formas somente usadas na linguagem da gente inculta. não obstante occorrerem somente na linguagem do povo inculto do interior de alguns Estados? Dever-se-iam parelhamente incluir tamem. oscê e ucê (por você). igualmente usadas entre nós na linguagem da plebe. elle não cansava-se em insultar. tábom. e) Pospõe-se ao verbo o pronome regimen: Difficilmente pagão-se as contas atrazadas. dex-tá. e a outra mecê. Juntando ás formas porventura introduzidas pelos colonisadores. bati-o bem. fulô. Dalgado) occorrem as abreviaturas cê. de Gôa). No dialecto indo-português do Norte (cit. teríamos um volumoso vocabulario. onde encontraríamos: animá. que é-me natural. os innumeraveis typos phoneticos peculiares do elemento africano. que sãolhes assacadas. relojo.

isprifo. (Ceará) . têia. conseio. m. do Norte de Rodrigo de Carvalho. pavor». têiádo. Cita-se o Cane. papé. quilaro. fié. e no Léxico de Lacunas. carritia. afiado. cuiê. muié.(filho. premetê. na 1» edição do seu Diccion. cavalada. currá. pru-móde. baraio. distruido ( instruído). de Taunay. vru-via. sabbo. 61 e 62. vancê. fio. com a qual figura no Diccionario de Rodolpho Garcia. generá.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 92 capitã. foiaje. uiado. orgáio. pissuido. o registrou com a significação . vremêio. grugomío. véio. inducação. baraio. «SOBROÇO. intborná. onde em nota se explica: «Medo. coroné. chucaio. vassuncê. pramóde. pavor». antonte. — s. usado com a significação de receio. famía. ps. vosmincê. ispaiá. árve. ôio. Candido de Figueiredo. inleitô. azá. a Wóde que. afilhado ). fôia. Ouvi muitas vezes o vocábulo no interior de Pernambuco. grande mê do. etc.

75 v». conservando essa declaração e aquelle signal. Abona-se com os seguintes passos (da Vida de Pedro de Basto e dos Cercos de Malaca): «Que caminhasse sem sobroço. Constâncio. 124. 492 da edição de 1739. e em Madureira — Orthographia. 5. e abona-se com o seguinte lanço: «tirando o sobrosso da nossa armada». temo muito que nos seja grão sobrosso — Eufr. Bluteau.. I. ou sobrosso ou sobróço ao embaraço que nos molesta. & nos tira a liberdade de fazer alguma cousa». timidez.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 93 dubitativa de acanhamento. que nas bestas he achaque. «que se o Turco aponta na índia. abonandó-se com a Luz e Calor de Bernardes. onde explica: «Alludindo ao Sobre-osso. impedimento». de Bento Pereira. deu-lhe a significação de «embaraço. edição de 1647. O vocábulo já figurava no Thesouro da Lingua Port. Faria e . registrando no. Depois.) registra Sobroço e Sobreôsso. f. & manqueyra. e Filinto. e accrescentou abonações da Eufrosina. Também Moraes (I a e 2a ed. Domingos Vieira. p. ainda que visse que aquelle tropel lhe seguia o alcance». «Tirado o sobrosso da nossa armada». chamamos sobre-osso. manda ver o artigo — Sobrosso. 39 e 357. 2. e declarando ser desusado..

de notável grandeza. indicando desuso. da Lingua Port. Michaêlis. onde figura o primeiro: «Quando chegou a Paymel. & ao tempo em que já de perto intentava descarre- . & negros cavalos. onde vem (p. e do mesmo modo Bluteau e Moraes nenhuma nota lhe põem. de Roquete.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 94 Gonç. fingirão que o largarão de todo os Cules. Port. Ainda se encontra em o Novo Dicc.. Aqui o vocábulo tem a mesma significação com que sempre o vimos usar em Pernambuco. Viana registram igualmente Sobroço. & outros inimigos. com animo de o entregarem aos Mouros de Paru. tão sem pejo e sobroço. que depoys se ajuntarão. 133. Porque ali lhe tornou a aparecer hum esquadrão de espíritos malignos. com tridentes nas mãos. Basta que attentemos no período. cujo Capitão vinha na dianteyra. no Novo Dicc. tinha amiga em casa. e Allemã de H.. Bernardes o empregou não somente no seu livro Luz e Calor. edição de 1758): «. Fratic. porém Deos nosso Senhor o livrou das siladas de huns. E não é outro o sentido dos passos coim que se abona Bluteau. sem nota alguma. sobre ferozes. e delia muitos filhos. como se fôra casado na face da igreja». mas também nas Armas de Castidade.

transcrevendo nas Apost. & dizendo. «Aqui. — s.72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 95 gar o golpe. animandoo. sahio um menino de estranha fermosura. & caminhasse sem sobroço. usado entre nós sem alteração de sentido. Trata-se. Teapoy é usado entre os ingleses na índia com o significado de «pequena mesa redonda de tres pés. rêde». onde se diz que figurava na exposição de Antuérpia uma tipóia (rêde) «coberta para garantir dos ardores do sol». uma passagem do Economista. portanto. f. «TIPÓIA. Accrescenta que do inglês teapoy veiu naturalmente o vocábulo para a índia Portuguesa. de um vocábulo de bom cunho português. de onde passou para a Africa Portuguesa. como indica a sua etymologia.. que tivesse grande confiança em Deos. segundo se vê no Glossário de Yule & Burnell. Gonçalves Viana. & se chegou a ele com grande pressa. evidentemente ha equivoco ou erro de informação. formado por algum estrangeiro de uma palavra persa-sipai. embora pareça africano é termo da índia. adverte o insigne Dalgado. ainda que visse que aquelle tropel lhe seguia o alcance». diz que o vocábulo. e do indostano tripad. Salvo a similaridade fone- .

não deve incluirse no vocabulario de brasileirismos. II. não tem nenhuma relação com tipóia. Longe estaria de suspender-se a penna se eu fosse occupar-me de todos os vocábulos que devem ser excluídos das contribuições publicadas na Revista da Academia. e exigir delles que passassem a pé por sua banza» — A. pois o vocábulo é desconhecido na índia Portuguesa». e andando carregados de tipóia. 55. tomei occasião para falar de brasileirismos. V.. porque desejo se exerça a conveniente vigilância na verificação dos termos colligidos. Abona-se com as seguintes passagens: «1854». V. 1884 — «. portanto. ainda que me limitasse aos termos portugueses de lei. Silva Porto.. Estender-me-ia demasiadamente. J. 18... ibid..72 Diccionario cia Lingua Portuguesa 96 tica.. designa o palanquim de rede. As breves annotações apresentadas satisfazem ao meu intento. cujo uso entre nós não accusa evolução divergente. 1879 — «. Padre Antonio Brum. A palavra. Occupando-me do diccionario da língua portuguesa. particularmente na Occidental. p. como qualquer europeu». p. era odioso fazer apear das tipóias os viajantes.. que nas nossas Africas. in Boi S. offereceram-me uma tipóia e carregadores».. de Castro. p. G. . L.. 49». ibid.

a Academia. Somente assim poderá sahir-se bem. Março d e 1920. deve adoptar o lema de Fr. Examinando-lhes os titulos. Rio d e J a n e i r o . Manoel da Esperança: «O zelo nas maiores certezas.Diccionario da Lingua Portuguesa 97 É indispensável que os Srs. acadêmicos ponham todo o cuidado no exame das expressões destinadas ao vocabulario. creada para zelar a nossa lingua. nunca se dá por seguro». . com q u e pretendem lugar.

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Facto semelhante occorre com certos vocábulos que.Dt VOCÁBULOS P O U C O U S A D O S Muitas obras antigas sepultaram-se no olvido. somente por se não conhecerem. ou os trazem propositadamente escondidos. entrei em desejo de organizar pequenos vocabulários technicos. Os poucos exemplares salvos da injuria do tempo estão entregues ha muito á voracidade das traças. que assim vão ficando cada vez mais ignoradas. posto prestadios e insubstituíveis. Isso acontece especialmente com os termos technicos das artes e officios. em bibliothecas publicas. . ou nas de bibliophilos que os não lêm. a nossa ignorancia fez cahir em lamentavel desuso. Por isso. Tenho por avultado o numero dos que me fazem companhia na ignorancia desses termos. Quem podia avaliar os quilates do seu valor desconhece a existência de taes obras. ainda que deficientes e sem as gravuras que deveriam acompanhar a definição de certas especies.

. têm deixado de figurar na linguagem corrente. dispuz-me a ir carreando alguns tnateriaes que talvez despertem nos competentes o desejo de pôl-o por obra. Já tivera muitas occasiões de persuadir-me de minha ignorancia tocante aos termos das artes e officios. por serem pouco conhecidos. de urna superfície para outra. embora necessários. longe de suppôr ensinasse tantos annos uma cousa sem sa- . por meio de um lápis ou poínteiro. Estava. tr.100 Vocábulos pouco usados Não obstante faltarem-me forças para esse trabalho. fizeram-me conhecer vocábulos que. picando-o e applicando-lhe pó de lápis ou de carvão. (pint. a que junto a definição de Aulete: «ESTREZIR — (es-tre-zir). os contornos do desenho que se quer transportar». v. Lembra-me sempre que leccionando diariamente geometria e desenho uns oito annos. ou fazendo uso do papel transparente e copiando sobre elle. e des) passar (um desenho) de um papel para outro. somente depois de muitos mais foi que o acaso me trouxe a conhecimento a palavra com que se expressa o que tantas vezes ensinara aos meus alumnos. As contribuições que estou preparando. Num livro antigo encontrei o seguinte verbo. porém.

se passe para cima a porção delias que antes de partidas está por baixo. ALABÃO — Gado lanígero ainda de mamma. está como pasmado. unindo-se entre si. ALBORQUE — Permutação de cousas insignificantes. ALÇAR — (No jogo das cartas) Separar ou dividir em duas partes o baralho. quando me desenganei. ABEGÃO — O que tem a seu cargo a abegoaria. ordinariamente feito . Felizmente. Contropõe-se a AIfeiro. São innumeraveis os termos de pouco ou nenhum uso. para que antes de se dar as cartas. ALEGRETE — Receptáculo. que merecem usados frequentemente. ABEGOARIA — Lugar onde se guarda gado e utensílios de lavoura. AÇORAR-SE — Sentir-se impellido com ardor ou forte desejo para alguma cousa. já não era professor de desenho. por não tomar demasiado espaço. Apontarei somente alguns. ACARRADO — Diz-se do gado de lã. que amiúde me estão mostrando quanta cousa desconheço. e com as cabeças baixas.Vocábulos pouco usaclos 101 ber o que era. quando busca alguma sombra. senão somente ledor de livros antigos. ACAMPTO — Que não reflecte luz.

especie de canteiro. ALOIRÃO — Abertura. AMOTAR — Guarnecer de mota. chegar terra ao pé (da arvore). que se põe sobre o albardão. . ARN ELLA — Resto de um dente que fica na gengiva. ALJARCES — Campainha ou chocalhos que se dependuram ao pescoço das bestas. por onde o peixe entra na armação. APEIRAGEM — Reunião de todas as peças próprias para jungir os bois ao carro. ALFEIRO — Diz-se do rebanho de cabras ou ovelhas sem cria. arado ou outro instrumento agrícola. no qual se cultivam flores e arbustos. esteril. ALMATRICHA — Almofada com bastas.102 Vocábulos pouco usados de argamassa. ARMELA — Argola ou peça onde entra o ferrolho da porta. ALMEIDA — Abertura por onde entra a canna do leme. com o bojo cheioi de buraquinhos para borrifar com a agua que se lhe deita. ARMENTIO OU ARMENTIO — Rebanho de gado grosso. ALMECE — Sôro do queijo cinchado. ARNEIRO — Terreno arenoso.) Especie de garrafa de vidro ou de metal. ALMARRAXA — (Antiq.

Quarto oti recanto pequeno e escuro.103 Vocábulos pouco usados ARRACIMAR-SE — Cobrir-se de racimos. ARREGOAR — Fazer sulcos ou regos e m .cartas. CABEÇAL — Chumaço em roda de uma ferida por baixo da atadura. tomar a forma de cachos. ATORÇOADO — Moido. CACIFO — Cesto. ATAVANADO — Cavallo preto ou castanho escuro com pintas ou moscas nas ancas ou nas espaduas. para cousas de nenhum valor. ATENÇA — Coisa a que alguém se atem ou em que põe a sua confiança. etc.. CADILHOS — Fios em franja no final da teia. ASSEM — Parte do lombo (da vacca ou do boi) entre a pá e a extremidade do cachaço. O remate do mesmo ponto. feito em troços. etc. . franja de tapetes. toalhas. BASTA — Ponto grosso com que se atravessa o colchão para segurar o enchimento. . caixa. gaveta. ASSERTOAR — Cortar (o panno) de maneira que uma banda se sobreponha a outra. BARALHA — O que fica no baralho depois de distribuídas as . BUCRE — Annel que formam os cabellos frisados. . BALLASTRO — Areia calcada que se deita nas vias ferreas.

representando o horizonte e os céus. CAMIONAGEM — Entrega a domicilio dos objectos vindos por via ferrea. Bater a agua em alguma coisa quando cahe. Iríamos longe se não devessemos limitar o rói dos vocábulos aqui apontados. CAPIALÇO — CAPIALÇADO — Corte obliquo na parte superior das portas e janellas para dar mais luz á casa. COOPTAÇÃO — Acção de associar. CHAPINHAR — Agitar a agua dando-lhe de chapa com as mãos ou pés. CALCORR1AR — Andar apressadamente a pé. CAMBO — Vara de sacudir ou apanhar fruta. para obter se reproduza. CALCO — Reproducção de um desenhe} por meio da penna ou lápis que cobre num papel os traços que lhe estão sobrepostos. Cópia de relevos mediante presgão sobre papel humedecido. etc. gravura. CAPILHAS — Exemplares de publicações que se dão corno propinas aos typographos que nellas trabalharam. Admissão extraordinaria numa sociedade com dispensa das condições ordinarias.104 Vocábulos pouco usados CALCAR — Fazer pressão sobre um desenho. principal- . CHILIDO — Voz aguda dos passarinhos. CAMPIR — Fazer os pertos e os longes nos quadros.

TRAVE e BOTÃO. numa serra. 80) e o nosso Ruy Barbosa (Repl. não se podem dispensar senão recorrendo a palavras suppletorias ou circumlocuções. CAIRO. 491 a 3). por citar somente os mestres dos me~stres. ALFEIZAR. TANGEDOUROS.105 Vocábulos pouco usados mente se entrássemos no puro terreno das artes e officios. da obra. Baste-nos lembrar que num folie temos PERADA. Castilho (Met. Vivos e Mortos. RODETES. e numa fivela. CURVATÕES. quando o peça a necessidade da matéria.. III. de lit. 217). V. ou da situação. já mostraram ser meritório serviço o renovar-se o uso dos vocábulos antiquados. . além de ARCO. ns. Com maioria de razão deve-se forcejar para que se usem os que sem merecerem tacha de antiquados. Antonio das Neves Pereira (Me/n. por. prol. CHARNEIRA e EUSILHÃO. TARABELHQ e TESTICO.

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a lingua não pode mudar sem corromper-se. 8 — Máo portugue:s dos nossos escriptores antigos. 4 — Extremo gráo de perfeição da língua portuguesa nos séculos XVI e XVII. lição de Whitney. 6 — O português literário no Brasil 13 III 7 — Insignificante influencia do elemento africano. Gonçalves Vianna e Littré. 5 — Fixando-se em monumentos literários.INDICE A LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL: I 1 — Commercio da escravatura e sua influencia na penetração entre nós. 2 — Dialectos de Gôa. lição de Renan Voltaire e Max Muller. dos dialectos indo . de Ceilão e Norteiro. Inversão do pronome regimen 7 II 3 — Influencias conservadoras e influencias perturbadoras da linguagem. 9 — Linguagem .portugueses.

21 — Erros attribuidos aos clássicos. 13 — lia entre esses muitos que não tratam de religião. 22 — O nacionalismo na linguagem. 18 — Sobre pintura cie costumes. 16 — Sobre novellistica. 26 — Porque são estes os melhores. Citase grande numero de trabalhos historicos. 15 — Sobre politica. 14 — Trabalhos sobre viagens. O que dizem contra esta os melhores auctores franceses. moralistas. 19 IV 12 — Deve o escriptór estudar a lingua e as regras da elocução nos bons modelos vernáculos. 17 — Livros de leitura amena. comedias. 23 — Differenciações dialectaes nos diversos Estados do Brasil 33 VI 24 — A construcção portuguesa em confronto com a francesa. 11 — Melhoria do português no Brasil .108 Indice dos livros didáticos. 19 — Outros assumptos 25 V 20 — Prosadores modernos. . 10 — Corno se ensinava a arte de escrever. 27 — A obra dos jesuítas no Brasil 39 D1CCIONARIO DA LÍNGUA PORTUGUESA 47 . especialmente os escriptores religiosos.onde estão muitas vezes é nas regras dos grammaticos. 25 — Leiamos sempre os bons modelos vernáculos.

pesou-as pacientemente. analysou-as. e um milagre de plasticidade e elegancia sempre muito limpida e apurada. . Raríssima. não é preciso.. o primeiro em data dos nossos moralistas e. (ANDRADE DE MUR1CY).EDIÇÕES DA CASA REFLEXÕES SOBRE A VAIDADE DOS HOMENS. 1 vol B 15$000 «Maíliias Aires. Reproducção photo-zincographica (fac-simile) da l. a sua maior gloria classica fora cia poesia». Viu as paixões crepitarem debaixo do sol. O Brasil tem. talvez no insigne moralista. a edição de 1752. Guardou na memoria a somma das suas experiencias. (RONALD DE CARVALHO). pelo famoso Clássico Paulista Mathias Aires. palpou-as curioso.. escreveu um livro delicioso». «O livro de Mathias Aires é a affimiação de uma grande capacidade de pensamento e de um pensamento muito superior e muito humano... (BARBOSA LIMA SOBRINHO). e como sentisse necessidade de as transmittir. As suas Idéas derivam de um aito ençenho que as fez profundas e verdadeiras». o mais fino e perspicaz da literatura Brasileira. «A lingua porttlgueza amplia-se sob a sua penna. para ler Mathias Aires o Dicc. com Machado de Assis.

manejando o vernáculo com a mais encantadora perfeição e a naturalidade elegante de quem tem muito que dizer e sabe mais do que escreve. em todos os tempos.110 Edições da casa i«. um dessses postigos abertos sobre o mundo. Elie me ensinou muitas cousas certas e justas. lembra ás vezes o grande Pascal. os milagres luminosos da doçura. essas deliciosas «Reflexões sobre a vaidade dos homens». . um compendio de moral. um dos clássicos da nossa lingua e es criptor dos de mais subido valor. posso confessar mais uma vez que o amo. (JACKSON DE FIGUEIREDO).. «.. pelo inesperado das conclusões. lembra. Matinas me deixou sentir. Mathias dá-nos a respirar o riso das flores e a ouvir a alegria dos passaros.. da tolerância e do perdão». seu estylo até quasi que parece de hoje. Dara a litteratura classica em Portugal. o oolloca entre os raros. escreveu obras cm latim e em francez.. além de tudo. porque o acho delicioso. deve ler este livro. da sabedoria. o seu livro. «Não conheço em toda a litteratura portuguezíi outra obra no genero com o valor que tem esta. que é.o estylo vivaz e mordente de Machado de Assis». (MUCIO LEÃO). Todo o homem de bom gosto. Seu livro capital. nenhum no Brasil ou Portugal já o seperou. (NESTOR VICTOR). eu tenho a alegria de amar esse velho e gentil mestre.. No meio desse vão passeio através de varias apparencias que é a vida dos homens. amante realmente das nossas letras.. Meditando sobre esse manual de desillusão... pensadores que temos tido. Representa elle. no genero do que no século XVI haviam sido Sá Miranda ou Damião de Góes. não raro. Mathias Aires faz jus a uma grande popularidade na sua patria»... «Eis ahi um livro serio.... Ainda hoje. muitas vezes. Tem clle algo da bonhomia de Montaigne.. Psychologo de raça. entre os nossos. Quanto a mim. . mas vivamente... é o seu engenho dos mais agudos e dos mais interessantes de seu tempo.

«O auctor foi fiotavel pela reputação gigante de sua sciencia politica». (D. .(1580-1756) de literatura. «Realmente. 1 vol. é realmente 1 1 1 bello serviço. as REFLEXÕES nos apresentam um modelo de vernáculo puro.. que por vezes attinge á grandeza pascaliana. SUMMA POLITICA — Pelo Bispo Conde D.. «Estylo claro. não se apresenta como a longa homilia de um moralista aferrado a seus preconceitos. Sebastião Cesar de Menezes. Juntou impossíveis». que neste volume historiamos. /ás nossas 11 lettras».. FRANCISCO MANOEL DE MELLO). quanto a forma. que pôde ainda hoje ser lido com p mesmo encanto e proveito com que. grande conhecedor da alma humana.Edições da casa 111 ainda que tolhido por vezes pelo meio ambiente. . profundidade de conceitos. B. (GAZETA DE NOTICIAS). fac-simile da primeira de 1752. senão como o livre raciocínio de um psychologo agudíssimo.. agudeza e concisão reunidos á perspicacia e rigoro- .. é claro. Quanto aos pensamentos basta dizer que elles induziram vários críticos a comparar Mathias Aires a La Rochefoucauld». «Em cêrca de dois séculos .. «Eu li bem devagar este livro. A presente edição. se esgotaram quatro edições de sua obra.. em vida. n5o encontrámos escriptor tão ricamente dotado do poder de intuspecçâo e do de expressão como este esquecido paulista. é sizudissimo. verdadeiro monumento literário». que é de certo das mais valiosas contribuições do Brasil colonial para o cabedal literário da metropole». (TRISTÃO DE ATHAYDE).. Reproducção «fac-simile» deste livro preciosíssimo. (FIDELINO DE FIGUEIREDO). 10$000 «. (CAMILLO CASTELLO BRANCO). é breve. Extremamente raro.

sob os cuidados do eminente bibiiophilo. ultimamente. S. Dr. 4. pela Livraria J. de Carvalho de Mendonça. de que os editores souberam brilhantemente dar um relevo invulgar. para melhor realçar o seu mérito excepcional. do anno .956.vista do leítfcxr e lhe enleva o espirito. a «Summa Politica. de Solidonio Leite. formosamente reeditado. formam no juízo dos bons entendedores o caracter desta obra». Paulo. nesta Capital. No nosso meio esse genero de edições é uma novidade.o Sr. J.112 Edições da casa sa elegancia. para que este surto artístico na industria livresca opere a transformação e desperte ao publico o interesse que ella merece». Solidonio Leite». 1 vol. B 101000 CARTA DO EMINENTE JURISCONSULTO — Dr. com uma reimpressão «fac-simile». de Sebastião Cesar de Menezes. 2. posta de accôrdo com o Codigo Civil e seguida da jurisprudência em ordem alphahetica. (GAZETA DE NOTICIAS). X. Sr. comnientario ao decreto n. um esforço digno dos maiores encomios. nítida e belíssima. — Meu illustrado collega e distincto Am. que delicia a . 18 de Novembro de 1903. (JACKSON DE FIGUEIREDO). (INNOCENCIO). um requinte de arte graphica que merece um elogio caloroso. Rio de Janeiro. Recebi o seu precioso livro «Desapropriação por utilidade publica». Solidonio Leite. Leite. que demanda um estudo acurado e percuciente. «Ainda hoje ganhará o homem de estado que d ê algumas horas de attenção a um velho e nobre livro portuguez. O nosso intuito é registrar aqui a excellente impressão causada pela leitura dessa admiravel resurreição bibliographica. DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PUBLICA.a edição augmentada. «Não cabe nesta breve noticia tratarmos dessa obra celebre. Dr.

23 de Novembro de 1903». Continue a trabalhar. a analyse do novo regulamento está feita a In/ de um critério que friza e documenta a clrvad. eminente autor do Projecto de Codigo Civil.. .956. e muito me penhoraram. a rcconstrucção segura do pensamento da lei. mas como se revela. sempre que se tem necessidade de estudar o assumpto. Pedro Lessa agradece. a gentil offerta e os conceitos generosos da dedicatória.len'e monographia DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PUBLICA. O seu trabalho é de muito valor. PEDRO LESSA: «Ao illustrado collega Sr. contribuindo com o seu estudo e brilhante talento para o progresso da nossa sciencia jurídica.Edições da casa 113 corrente. Exposta com toda a clareza a doutrina decorrente das leis que já regulavam a m a l m a . não como resulta do simples exame parcial e destacado de seus artigos. 4.caminho.. o exemplar da interessante e exce'. D'O COMMENTARIO: «. etc. DO DR. CARVALHO DE MENDONÇA. Queira dispor. é um valioso e indispensável subsidio para qúem precisar saber o systema. o escopo e fins do recente regulamento n. Li todos os seus commentarios e tive a mais agratíavéi impressão. Solidonio Leite. X. Dr. CLÓVIS BEVILAQUA. Paulo.. No commentario com que esclareceu os dispositivos do regulamento de 1093. revelando estudo... de uma vista de conjunto illumiinada pelos verdadeiros princípios de lógica jurídica . e Lente da Fac. abraço-o pelo seu livro. viva/ e nitido.i aptidão do espirito do auctor. penhoradissimo. É obra que se guarda na estante para consultar. pleno conhecimento da matéria e muita ilhi-tração.. Felicito-o. de Direito do Recife: «. £ a exposição clara. seguio o verdadeiro . S... — J. DO DR.

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Edições da

casa

D ' 0 DIREITO:
«O... Dr. Solidonio Leite... publicou o importantíssimo e util trabalho de que nos occupamios e que demonstra a competencia de seu illustre auctor. Quanto a nós pedimos vénia ao Mestre (Carvalho de Mendonça) para subscrever este conceito e abaixo apresentamos... o plano da obra para que por si façam juízo sobre o que nella magistralmente se desenvolve»...

DE D. JOÃO VI Á INDEPENDENCIA — Estudo sobre os factos que mais contribuíram para ser proclamada em S. Paulo, no dia 7 de Setembro de 1822, nas margens do Ypiranga, a emancipação politica da Patria, pelo Dr. João Romeiro. Nova edição (a l. a fôra somente de 200 exemplares) com a biographia do autor e os juízos da imprensa. 1 volume B 5$000
«... controverte, discute e apura osi factos, e não só com vigor de lógica irrebatavel, mas assentando tudo em documentos e no testemunho directo de homens do tempo...» (ROCHA POMBO). «E a memoria do Sr. Dr. João Romeiro, longe de ser simples compilação ou repetição estafante de antigos tratadistas, é obra de um pensador na forte madureza do espirito longamente esclarecido pelo estudo e pelas experiencias da vida, é obra de um patriota inflexível, em cujas veias pulsa o nobre sangue dos intrépidos devassadores dos nossos sertões, e é, finalmente, obra em que reponta o depoimento feito por testemunho idoneo, de quem foi comparticipe da scena inolvidável de 7 de Setembro de 1822, na collina histórica da formosa capital paulista». (BASILIO DE MAGALHÃES).

Edições da

casa

115

«Serviço importante presta esta obra, desfazendo de uma vez por todas as intrigas e c;ilumnias que, ora de fonte anonyma, ora lançadas subrepticiamente, vinham se accumulando aqui e alli, não só em trabalhos esparsos como em algumas obras de tomo sobre o caracter e moveis da acção politica dos Andradas». (JORNAL DO COMMERCIO).

NO PRELO: DIALECTO INDO-PORTUGUES DE pelo Mons. Rodolfo Dalgado. GÔA,

ACABOU DE SE IMPRIMIR NA TYPOGRAPHIA DO ANNUARIO DO BRASIL, (ALMANAK LAEMMERT) R. D. MANOEL, 62 — R I O DE JANEIRO AOS 6 DE ABRIL DE 1922

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