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Ambiente economico Global

Título : Módulo 1: Uma perspectiva histórica

Para que se possa ter uma noção do contexto atual do ambiente econômico, é fundamental que não se perca de vista a perspectiva histórica da questão. Nosso recorte toma como referência os capítulos finais da II Guerra Mundial.

1.1- Bretton Woods

Na fase final da II Guerra Mundial, já era evidente que os Estados Unidos da América assumiram com destaque o papel de maior economia do mundo: o país não teve seu território atacado e mantinha seu parque industrial intacto e em rápido crescimento. Porém, com a Europa foi totalmente devastada e sua economia seriamente comprometida, o potencial de escoamento da produção norte americana seria seriamente comprometido. Era necessário tomar medidas que garantissem o fluxo de capital internacional, principalmente por meio do investimento americano na Europa. Assim, em julho de 1944, aconteceram as conferências de Bretton Woods para definir as regras comerciais, monetárias e financeiras que regeriam as relações comerciais internacionais, além da criação de organismos internacionais de controle e assistência: o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), tendo os Estados Unidos como principal financiador. Os fundamentos econômicos adotados, que vigoraram entre 1946 a 1973, se baseavam em um esquema de paridades cambiais ajustáveis baseadas no padrão ouro-dólar: na época, à razão de 34 dólares por onça de ouro. As nações participantes, por sua vez, se comprometiam a manter uma política monetária com taxa de câmbio variando dentro de uma margem mínima (mais ou menos 1%). Acreditava-se que tais medidas garantiriam que o comércio internacional se restabelecesse sem a instabilidade econômica e financeira que paralisaram o capitalismo mundial durante a crise de 1929. A hegemonia econômica dos Estados Unidos permitiu seu estabelecimento como líder de uma economia internacional que se pautava pelo livre comércio, paz política e o incentivo ao desmonte de barreiras que dificultavam o fluxo internacional de capital, medidas que não apenas consolidavam mas garantiam a posição norte americana nas décadas subsequentes. Com alguns ajustes de trajetória ao longo do tempo, o sistema de Bretton Woods durou até 1973, quando a conjuntura econômica internacional sofreu sensíveis transformações.

1.2- A crise dos anos 1970: os choques do petróleo, o fim do padrão ouro-dólar

Diante de um contexto mundial pleno de conflitos militares e com o recrudescimento das relações entre Estados Unidos e União Soviética, que buscavam estender sua influência política o mais rápida e amplamente possível, a partir de agosto de 1971, os norte americanos anunciam unilateralmente que não vão mais honrar o compromisso assumido em 1944 e suspendem o padrão de conversibilidade dólar/ouro. Não houve sucesso nas diversas tentativas em substituir o padrão monetário e a economia internacional volta a enfrentar ameaças a sua estabilidade. A situação torna-se mais grave com os conflitos militares entre Israel (aliado dos Estados Unidos) e os países árabes, produtores de petróleo, de 1973 (a guerra do Yom Kippur). A parte das consequências geo-políticas, o resultado da guerra, favorável a Israel, fez com que os países produtores de petróleo reduzissem sua produção e reajustassem seus preços em mais de 400% em um período de poucos meses. O sistema econômico internacional entra em colapso. Mais de 80 % do petróleo consumido na Europa e 90% no Japão vinham dos países árabes. Lembremos que o petróleo é o combustível utilizado não apenas nos meios de transporte, mas também para o aquecimento de casas e empresas. Assim, europeus e japoneses foram obrigados a racionar combustível, com a proibição parcial de circulação de automóveis e racionamento de energia, com sérias consequências na produção industrial. Embora o alvo principal dos países da OPEP (Organização do Países Produtores e Exportadores de Petróleo) tenha sido os Estados Unidos, o resultado da crise foi de certa forma positivo para a economia norte americana, menos dependente do petróleo importado que japoneses e europeus, seus concorrentes diretos no mercado internacional. As grandes companhias petrolíferas americanas, únicas com condições de bancar os preços no mercado paralelo do petróleo, aumentaram seus lucros em 159% só em 1973. Em contrapartida, Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Líbia, Qatar e Kuwait passaram a fazer

parte de um conjunto de novos países ricos, cuja renda per-capita anual chegou a 5000 dólares.

Questões Resolvidas

1. De acordo com o que você aprendeu até aqui, leia as afirmações e assinale a alternativa correta:

I. Após o fim da Segunda Guerra, já em clima de paz, a Conferência de Bretton Woods criou duas importantes instituições: o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) II. O fracasso do sistema financeiro criado em Bretton Woods decorreu de seu conservadorismo em adotar uma posição radical a favor crescente fechamento da economia mundial pós-1945 III. O acordo de Bretton Woods incluía todos os países aliados da segunda guerra que lutaram contra os países do eixo (Alemanha, Japão e Italia)

  • a) somente a afirmação I está correta

  • b) somente a afirmação II está correta

  • c) somente a afirmação III está correta

  • d) as afirmações I e II estão corretas

  • e) as afirmações I e III estão corretas

Resolução: a) Comentário: De fato, tanto o Banco Mundial quanto o FMI foram criados a partir de Bretton Woods, cujos fundamentos visavam a abertura da economia aos fluxos comerciais e financeiros, de acordo com uma política liberal que admitia a intervenção do Estado para correção das distorções mais evidentes. Devemos lembrar que a União Soviética era aliada contra os países do eixo, mas não participava do acordo por ter uma economia socialista. Assim, apenas a afirmação I está correta.

2. Pode-se afirmar que a crise do petróleo de 1973 resultou I. numa nova ordem econômica mundial em que países subdesenvolvidos passaram a ter um papel preponderante II. na consolidação do Japão como potência industrial e principal economia do mundo, suplantando os Estados Unidos III. na consolidação da economia americana como lider do capitalismo mundial

  • a) somente a afirmação I está correta

  • b) somente a afirmação II está correta

  • c) somente a afirmação III está correta

  • d) as afirmações I e II estão corretas

  • e) as afirmações I e III estão corretas

Resolução e)

Comentário: O forte reajuste nos preços do petróleo atingiu em cheio a Europa e o Japão deixando a economia americana sem uma concorrência direta. Com a alta dos preços e redução do volume de exportação, os dólares conseguidos pelos países exportadores de petróleo resultaram num sensível aumento de sua renda, permitindo a esses países, até então considerados subdesenvolvidos, um forte investimento de capital na economia internacional: os petro-dólares. Assim, as afirmações I e III estão corretas.

PARTE II

Título : Módulo 2. O Consenso de Washington e o processo de globalização

Conteúdo :

A crise deflagrada pela alta do petróleo acenava para o esgotamento das políticas que combinavam liberalismo econômico e o Estado de Bem Estar Social (que, na Europa, significou

a eleição de vários governos sociais-democratas), e com o esquecimento das lições do período entre-guerras e da Depressão. As teorias econômicas keynesianas, a aliança entre o livre mercado e os mecanismos de controle do Estado que havia sustentado os anos dourados do

capitalismo no século XX, agora já não conseguiriam mais salvar as economias à beira de processos inflacionários, desemprego e queda de produção. Tratava-se portanto de buscar um novo modelo econômico, capaz de fazer frente a esse novo contexto mundial, uma variação do liberalismo econômico dos séculos XVIII e XIX. Esse neoliberalismo propunha valores que

defendiam ― a menor intromissão do Estado na dinâmica de mercado, devendo o poder público

se voltar para um conjunto limitado de tarefas, tais como a defesa nacional, a regulação jurídica

da propriedade e a execução de algumas políticas sociais‖ (BARBOSA, 2006, p. 88). Quase que em oposição ao Estado do Bem Estar, se propõe o Estado Mínimo: mínima intervenção, mínimas barreiras ao livre-comércio, impostos mínimos, benefícios sociais mínimos. Sobreviverão os países que melhor souberem aproveitar as oportunidades do mercado e as empresas que mais rapidamente encontrarem vantagens competitivas. Sobreviverão os que forem mais capazes, numa clara alusão ao Darwinismo, aplicado à economia. O neoliberalismo, segundo George Soros, "coloca o capital financeiro ao volante" da economia, retomando a clássica metáfora liberal de Adam Smith: a "mão invisível" conduzindo o capitalismo ao equilíbrio econômico, contando com políticas de controle inflacionário e do déficit público. A crise do petróleo fez com que diversas economias capitalistas entrassem em decadência, em função do elevado endividamentos gerado pela subida dos preços desse fator de produção. A partir de então, diversos países passaram por crises recorrentes em balanço de pagamentos, principalmente devido à maior quantidade de dólares que eram requeridos para pagamento de importações de petróleo. A mudança no comportamento do Estado, de interventor para neoliberal, dá-se em função do período de crise vivenciado pelas economias capitalistas dos anos 1980, para alguns a ―Década Perdida‖, e do período de elevação do endividamento público. Também concorre para essa mudança o processo de inflação galopante, a maior característica do período, que atingiu de forma sensível o Brasil. Desta forma, a década dos noventa será o período no qual serão realizadas as reformas necessárias para responder ao novo contexto econômico: ajuste fiscal, monetário e administrativo, realizados sem uma participação próxima do Estado. É nesse período que a economia mundial é atingida por uma onda de privatizações, seguindo a diretriz do Estado mínimo. Somam-se a isso políticas fiscais contracionistas, como a elevação de tributação, a diminuição de despesas e investimentos e as políticas monetárias restritivas, caracterizadas pela elevação das taxas de juros com o interesse de diminuir investimentos produtivos e de aumentar a expansão do crédito favorável ao capital especulativo. Essas diretrizes econômicas que já se delineavam pontualmente foram devidamente formalizadas pelo o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1990 sob a forma de um conjunto de dez medidas econômicas voltadas a ajustar a economia de países que mal sobreviviam economicamente desde a década de 80. Devidamente ratificado pelo Banco Mundial e pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o documento formulado a partir de um texto do economista John Williamson foi chamado de Consenso de Washington. Para Willamson, o Consenso de Washington seria "o mínimo denominador comum de recomendações de políticas econômicas que estavam sendo cogitadas pelas instituições financeiras baseadas em Washington e que deveriam ser aplicadas nos países da América Latina, tais como eram suas economias em 1989", resumidas em dez pontos:

  • - Abertura Comercial: redução de tarifas alfandegárias liberalizando o comércio internacional;

  • - Privatização de Estatais: redução do papel do Estado como agentes ativos e empresários

nas economias nacionais;

  • - Redução dos Gastos Públicos: com o objetivo de viabilizar um maior superávit primário para

o pagamento de dívidas externas;

  • - Disciplina Fiscal: rígido controle sobre os gastos públicos visando o controle inflácionário e o

aumento do déficit público na perspectiva de sustentar uma política fiscal expansionista;

  • - Reforma Tributária: redução da cobrança de impostos sobre a produção e a circulação de

mercadorias e serviços;

  • - Desregulamentação da Economia: afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas a fim

de favorecer a livre iniciativa;

  • - Estímulo aos Investimentos Estrangeiros Diretos: eliminação das restrições para o

investimento de capitais na instalação de filiais de determinadas empresas fora de seus países-

sede, inclusive remessa de lucros;

  • - Juros de Mercado: adoção de taxas flutuantes de acordo com a conjuntura do momento;

  • - Câmbio de Mercado: adequação à necessidade de ajustes nos balanços de pagamentos e intervenções das autoridades monetárias.

  • - Direito à Propriedade Intelectual - proteção a patentes, marcas, desenho industrial, indicação geográfica de cultivares e recursos minerais.

Numa primeira aproximação, a leitura das diretrizes parece apontar para a convergência entre as políticas neoliberais e o processo de globalização, especialmente no que diz respeito à integração econômica internacional através da abertura de mercados, facilidades para os investimentos externos diretos e privatizações. Como introdução ao tema, que será explorado com mais profundidade no próximo módulo, o termo globalização faz referência a vários e diferentes eventos. Para alguns historiadores, globalização se refere ao período iniciado com o término da Guerra Fria, representado simbolicamente pela queda do Muro de Berlim e a queda do socialismo diante do capitalismo ocidental. Outros preferem situá-la na década de cinqüenta quando, após o término da II Guerra, os Estados Unidos iniciaram sucessivas intervenções militares na Ásia, na América Central e no Oriente Médio, todas elas com o objetivo de defender os interesses do capital ocidental. Outros ainda, preferem se remeter ao século XVI e às grandes navegações e a ação colonizadora da Europa na América, na África e na Ásia. A liberalização dos mercados preconizada pelo Consenso de Washington, permitindo o fluxo de capital dos países mais ricos para os mais pobres, significou também um incentivo ao trânsito de capital especulativo pelos países do terceiro mundo. De acordo com dados estatísticos da ONU publicados no livro "Flat World, Big Gaps: Economic Liberalization, Globalization and Inequality" (2007), as diretrizes do Consenso de Washington fizeram piorar a distribuição de renda pelo mundo. Essas diretrizes, de fato, fazem prevalecer as vantagens competitivas das economias desenvolvidas sobre aquelas dos países em desenvolvimento, resultando em um maior desnivelamento e consequências sociais previsíveis. Tal situação tornou-se evidente aos olhos do mundo na proliferação de diversas manifestações antiglobalização: no dia 30 de novembro de 1999, em protesto contra a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle (EUA), reuniram-se militantes das mais variadas correntes ideológicas, desde anarquistas e marxistas, até ecologistas, católicos progressistas, pacifistas e defensores dos direitos humanos, entre outros grupos, protestando contra os rumos atuais do processo de globalização. Paralelamente, os Fóruns Sociais Mundiais, que passaram a acontecer a partir de 2001 (o primeiro foi em Porto Alegre) apontaram no mesmo sentido, mostrando que as reformas e ajustes propostos responderam mais às necessidades das grandes corporações transnacionais e do capital que às da sociedade como um todo. A História tem demonstrado que a constituição de uma economia de mercado sólida em um contexto plenamente democrático e abrangente não é tarefa fácil. Neste período em que vivemos, cuja complexidade e velocidade das mudanças é inédita, torna-se um processo que exige uma compreensão profunda e uma disposição positiva diante dos desafios que se apresentam.

Exercícios Resolvidos

Exercício 1: (ENADE 2010, Serviço Social, p. 10) O pensamento neoliberal defende uma segmentação entre as esferas do Estado e do mercado. O neoliberalismo entende a existência e permanência das questões econômicas no âmbito do mercado, enquanto, ao Estado cabem os processos da política formal e, eventualmente, algumas atividades sociais. Desse modo, trata-se de uma concepção do Estado como público e de tudo o que não é estatal como privado. Nesse sentido, o modelo de Estado que mais se aproxima ao ideal ao pensamento neoliberal é aquele que:

  • a) Centraliza o poder de dirigir os interesses particulares de frações da população, não toma

conhecimento da atuação da sociedade civil e tem como meta a luta contra a tirania da maioria;

  • b) Promove a democracia governada, restringe a participação política ao silencioso ato eleitoral

e assegura a legitimação total da dominação da sociedade;

  • c) Amplia suas responsabilidades no tratamento da questão social, prioriza a questão

econômica como determinante do sistema e se distancia da sociedade;

  • d) Reduz suas intervenções no campo social, apela à solidariedade e se apresenta como

parceiro da sociedade em suas responsabilidades sociais;

  • e) Fornece a estrutura necessária para a livre concorrência do mercado, atua de forma

descentralizada e reconhece a universalização dos direitos sociais a todos os cidadãos;

Alternativa correta: D. Comentário: A alternativa A está incorreta, pois vivenciamos atualmente uma descentralização de poderes. A B também está incorreta, pois não há promoção de uma democracia governada, e sim o imperativo das leis de mercado. Isso combina com a alternativa C que também é incoerente pois, conforme o corretamente indicado em D, houve redução de intervenções no campo social, sem fornecer estrutura adequada à livre concorrência como, de forma incorreta, sugere a alternativa E.

Exercício 2: A razão pela qual se defende a descoberta do Novo Mundo como o primeiro patamar do que viria a ser, no futuro, a globalização, está relacionada:

I Ao fato de que, a partir daí, ter-se-ia criado um sistema econômico de interferência mundial, com importação e exportação de escravos e produtos primários, e transformador da vida das colônias e dos países compradores e portadores de tecnologia. II A partir daí, a dicotomia entre os países que detinham novas tecnologias em mãos e aqueles que só consumiam o produto final da modernização foi se reforçando, ao passo em que a onda de internacionalização motivada pela Revolução Industrial foi se alastrando pelo mundo. III - Na época, o desenvolvimento da economia dependia muito da expansão geográfica dos fluxos de transporte, criando-se através do comércio marítimo uma rede que permitia transformar em consumidor qualquer habitante, mesmo que de uma região isolada, o que pode ser considerada a gênese do processo de globalização. Pode-se dizer que:

  • a) apenas a afirmativa I está incorreta

  • b) apenas a afirmativa II está incorreta

  • c) apenas a afirmativa III está incorreta

  • d) estão corretas I, II e III

  • e) estão incorretas I, II e III

Alternativa correta: D Comentário: São exatamente esses os aspectos responsáveis pela identificação do imperialismo colonial como o primeiro momento do processo globalizador. Escravos e matérias primas sendo fornecidas por ―celeiros‖; desenvolvimento e industrialização nos países metrópoles. Em suma, a velha e mesma divisão internacional do trabalho.

Parte III

Título : Módulo 3. As diferentes dimensões globalização: Comercial, Produtiva, Financeira e Tecnológica.

3.1. A mundialização do Capital

No que respeita à interpretação sócio-econômica, o termo ―globalização‖ está relacionado à atuação das empresas multinacionais e à internacionalização da economia mundial. Dessa forma, processos de produção cada vez mais rápidos e dinâmicos, bem como a repartição internacional das etapas da produção entre diferentes países, dariam ao mundo uma nova face: o pós-fordismo[i] seria o responsável pela consolidação de uma economia baseada em processos integrados, um único e pulsante mercado global onde o capital, as mercadorias, os recursos e pessoas circulariam livremente.

Para efeito desta disciplina, vamos considerar a globalização como um processo que se dá a partir da aceleração de intercâmbios e fluxos entre os países do mundo, nos planos econômicos, políticos e social. Mais: dentre todos os planos sob os quais se apresenta, o econômico é o que nos interessa, especialmente no que reverbera em outros campos. Assim, a

produção de mercadorias em determinados países significaria mais do que apenas a produção local, uma vez que os locais de produção escolhidos pelas empresas poderiam ser (e costumam ser) países diferentes daqueles nos quais está instalada sua sede principal, acarretando o que ficou denominado de mundialização da produção. Também é econômico o plano gerador da abertura nos países subdesenvolvidos que precisam do capital estrangeiro para se desenvolver e da maior participação do capital internacional, advinda de estratégias financeiras (em especial dos países desenvolvidos). É o plano que põe em xeque estruturas e costumes construídos e mantidos há muito, sobrepondo-se a eles e algumas vezes comprometendo a identidade cultural de muitos povos. ―Assim, a globalização não significa apenas um processo de expansão dos mercados e de aceleração dos fluxos econômicos entre as fronteiras nacionais. Junto consigo, como um de seus efeitos, surge uma consciência de que valores morais e sociais fundamentais devem ser estendidos para todos os povos‖. (BARBOSA, 2006, p. 12)

Dentro desse contexto, a realidade alheia nunca esteve tão próxima da realidade de qualquer cidadão do mundo, se esse tiver acesso aos meios de comunicação através dos quais se dá a disseminação dos acontecimentos mundiais. De fato, as interligações das empresas, das aplicações financeiras, das exposições da mídia e do fluxo de pessoas nunca afetaram tanto as pessoas, e os reflexos dos resultados da globalização podem ser observados em quaisquer países. A questão é a desigualdade com que isso se dá, podendo-se dividir nitidamente países entre aqueles cuja política interna afeta com mais peso as políticas de outros países, e aqueles que são geralmente mais afetados, fazendo desses últimos dignos da colocação de

‗marginalizados‘ da produção intelectual, política e financeira internacional.

3.2. As estratégias de mundialização do Capital

A análise de várias fontes (estatísticas e históricas) nos revela que, a partir dos anos 1950, intensificou-se o processo de abertura do mercado internacional por países participantes da conjuntura globalizada. Este processo, qual seja, o de crescimento do comércio mundial, acelerou-se particularmente nos anos 1980 e 1990, o que nos leva a concluir que o incremento da atividade comercial pode caracterizar, senão um fato novo, algo de relevante importância e que explica a interpretação da globalização como sendo particularmente um fenômeno de características comerciais. Tal leitura está, portanto, irremediavelmente ligada à extinção de barreiras comerciais e práticas protecionistas e ao surgimento de grandes blocos comerciais.

Muito mais visível do que a dinâmica produtiva (e talvez até mesmo mais do que a comercial), a dimensão financeira da globalização é aquela que diz respeito ao processo de integração dos mercados financeiros (mercados de empréstimos, de financiamentos e de títulos).

Desde a Primeira Guerra Mundial, os fluxos de capital começaram a circular entre os países e, com mais evidência e de forma repentina, entre os anos 1950 e 1970 já se estabeleciam regras internacionais com relação à circulação de dinheiro global, parte desse fornecido pelo Banco Mundial. Em 1971, chegava ao fim o padrão dólar-ouro e aumentavam as oscilações de moeda, estimulando as aplicações especulativas. Desde então, as tais regras pretendem facilitar as transações de capital pelo mundo, principalmente no que respeita aos fundos de investimento e de pensão estabelecidos nos anos 1980. Os governos têm procurado elevar suas taxas de juros com o objetivo de atrair investimentos, e as empresas emitem bônus diretamente no mercado, fazendo com que o dinheiro circule com mais rentabilidade.

―Como num gigantesco sistema circulatório, o sistema financeiro ‗retira‘ renda de todas as

fontes dos impostos, dos salários e dos lucros das empresas sugando-a para aplicações consideradas mais vantajosas‖ (BARBOSA, 2006, p. 66). A novidade é a cada vez menor participação efetiva e necessária dos bancos, cujos papéis foram substituídos pelos órgãos de fundos de investimento e seguradoras.

Isso faz com que a preocupação de muitas empresas hoje em dia esteja voltada mais para o capital especulativo, valorizando suas ações, do que na produção em si, que depende da conquista de mercados e da aceitação do consumidor.

Nesse cassino especulativo, os derivativos são as fichas nas quais os aplicadores financeiros apostam, aplicadores esses que contam com as inovações tecnológicas para melhor acessar informações que permitam as jogadas certas e mais lucrativas. Além disso, o dinheiro também é global: as transações são facilitadas utilizando-se travellers cheques, moedas de referência ou mesmo moeda comum (como é no caso da União Européia, que adotou o euro).

É o mercado do capital portador de juros que, conservando a forma dinheiro, viveria de rendimentos, tornando-se hegemônico. Tal dimensão explicaria, inclusive, a dinâmica especulativa do próprio capital, sempre em busca do porto mais seguro ou do terreno mais fértil (leia-se, que proporciona menores restrições na sua movimentação). É o mercado que cresce mais do que a economia real, que cresce mais do que o próprio comércio mundial, e que cria verdadeiras bolhas ilusórias de riqueza.

A necessidade de capital para investimento ou para fazer frente aos serviços de dividas externas por parte dos países em desenvolvimento também cria a ilusão da ―aldeia‖ monetária global: juros são mantidos em níveis elevados para atrair o capital especulativo, mesmo que esses juros comprometam mais ainda a estrutura do endividamento externo. Não à toa, vimos ao final do século passado e no início desse inúmeras crises que se assemelham nas origens e se diferenciam nos efeitos que provocam: México, Tailândia, Indonésia, Coréia do Sul, Brasil e Argentina são alguns que podemos citar. Vale a pena lembrar: ―enquanto não existir uma autoridade global encarregada de implementa-la [a regulação dos fluxos financeiros internacionais] e as crises não afetarem os países mais poderosos, a esfera financeira tende a se expandir ainda mais, gerando instabilidade‖ (BARBOSA, 2006, pág. 73).

3.3 As diferentes dimensões da globalização

A partir de 1990, a economia mundial ingressa em um novo patamar de internacionalização. O fim da URSS, em 1991, acabou com a divisão do mundo em dois blocos e as ideias neoliberais se tornam a tônica. Embora haja uma discussão em andamento a respeito da natureza e dimensões da economia global, não há dúvidas sobre a intensidade crescente de fluxos entre as nações. Assim, podemos afirmar que as evidências nos levam, a identificar pelo menos quatro diferentes dimensões do processo de globalização:

- A Globalização Comercial:

Desde a década de 1990 aumentou significativamente o volume de comércio internacional. Uma boa medida da globalização comercial é o coeficiente de abertura de um país, esse cálculo é feito a partir da participação do comércio exterior (Exportação + Importações) no total produzido mundialmente. Em alguns países, os mercados internos continuam importantes, como por exemplo, China, Brasil e Japão. Nesses países em que grande parte da população ainda não conseguiu satisfazer suas necessidades de consumo, o espaço para o crescimento do mercado interno ainda é muito significativo. A substituição do que é produzido no mercado nacional pelas importações indica uma maior universalização dos padrões de consumo e das tecnologias, mas, existe um perigo nessa conduta econômica que é um possível aumento do desemprego. Abertura do mercado dos países subdesenvolvidos deu-se de forma unilateral, fundamentalmente por lideranças nacionais que queriam aumentar sua competitividade através das importações de bens de capital, mas não conseguiram sequer aumentar suas exportações na magnitude necessária na década de 1990. Por outro lado os países desenvolvidos continuam a proteger os setores menos competitivos de sua economia, como o agrícola e têxtil, aumentando os subsídios e os mecanismos de controle de importações. Podemos então afirmar que a globalização atual manteve a mesma divisão internacional do trabalho, ou seja, países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento continuam a exportar produtos primários ou produtos de indústrias menos tecnológicas como, por exemplo, aço ou papel e países desenvolvidos continuam a ganhar muito mais na exportação de produtos de tecnologia mais sofisticada. Temos que ter em mente que o mundo atual é muito diferente do mundo dos séculos XIX ou XX que continha dois grandes grupos de países: os centrais e os periféricos. Por exemplo, a Índia, que ainda hoje é um dos países mais pobres do mundo, com enormes índices de miséria, apresenta por outro lado uma sofisticada indústria na área de informática.

A globalização comercial afetou de forma diferenciada países desenvolvidos e subdesenvolvidos, não promovendo, pelo menos em uma primeira instância o fim das diferenças sócio-econômicas entre países ricos e pobres.

  • - A Globalização Produtiva:

De uma maneira geral as empresas multinacionais costumam fazer investimentos em lugares onde os fatores de produção têm um custo menor. Os lucros são remetidos ao país de origem. Embora, seja inegável que essas empresas costumam trazer novas tecnologias e empregos. Para atrair empregos o governo de determinados países costumam inclusive oferecer grandes vantagens a essas empresas. Existem diversos tipos de multinacionais: as que se dirigem para países mais pobres em busca de recursos naturais, minerais e energéticos mais baratos, outras tem como objetivo principal fornecer produtos para o mercado interno dos países onde fabricam mercadorias ou prestam serviços, outras ainda que distribuem suas filiais por alguns países em que os fatores de produção são mais baratos e que servem de montadoras do produto final para o restante do mundo. Uma outra forma de investimento direto externo é a implantação de novas filiais dessas empresas fora do país de origem, uma empresa não pode sair de uma localidade de uma hora para outra, pois ela tem capital fixo, compromissos, contratos, etc. Se as multinacionais têm atuação global, as suas decisões de investimento são tomadas levando em conta a existência dos blocos comerciais e a cultura local, afinal cada povo tem seus costumes e uma campanha de marketing em determinado local pode não ser adequado a outros locais, a exemplo dos países islâmicos em que as restrições de cunho religioso limitam uma série de imagens e alusões a bebidas alcoólicas, sexo, etc. Com a expansão das multinacionais assistimos a uma crescente concentração de capital. Grandes empresas passam a se fundir, atualmente é mais comum as multinacionais preferirem, em vez de fazer novos investimentos, comprar empresas já existentes. Entre os principais motivos para fusões e aquisições temos:

  • - Aquisição de uma grande empresa facilita a entrada da empresa em um país, pois a tendência é reduzir custos de pesquisa de mercado e de produtos e de marketing.

  • - Vantagens de financiamento, já que esses negócios são intermediados por agentes financeiros que querem lucrar com o negócio.

  • - A Globalização Financeira:

Desde 1944 com a mundialização do dólar feito no encontro de Bretton Woods, nos Estados Unidos, quando o dólar se tornou a moeda chave da economia mundial, em função da conversibilidade dólar-ouro, a esfera financeira passou a ser controlada por regras nacionais e internacionais. Bretton Woods foi responsável pela criação do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional) que fornecia o capital de longo prazo internacional. Em 1971 com o fim do padrão-ouro dólar, as moedas passam a oscilar, o que estimulava as aplicações especulativas. A partir da década de 1980 leis são alteradas a fim de facilitar a transferência de capital de um país para outro, o dinheiro passa a se escoar e a procurar as melhores alternativas financeiras. As empresas passam a valorizar mais as suas ações do que preocupar-se em conquistar mercados, como conseqüência há demissões. Os governos mantêm as taxas de juros altas para atrair investidores e manter controlada a inflação de seus países. Os lucros financeiros na época superaram os lucros produtivos.

  • - A Globalização Tecnológica:

A partir da década de 1990 assistimos a evolução tecnológica, principalmente no que tange a área de comunicação de uma forma espetacular. A internet e a telefonia celular encurtaram fisicamente as distâncias. Porém não devemos pensar a tecnologia como um fim em si mesma, mas como um meio de se obter algo. A esfera da tecnologia é em grande medida responsável pela concretização dos processos de globalização, ela não só encurtou distâncias, mas tem promovido verdadeira revolução social, econômica e cultural. Temos, no entanto, que ter cuidado ao pensar que o mundo inteiro está conectado às novas tecnologias, boa parte do planeta ainda não tem acesso, ou tem acesso muito limitado a internet, telefonia móvel, ou até mesmo telefonia fixa. Isso representa uma enorme exclusão,

populações que não tem acesso às novas tecnologias estão hoje mais excluídas do que antes desses avanços, ficando para trás de um processo de evolução econômica inexorável.

Exercícios Resolvidos

Exercício 1: A globalização tem algumas características que a diferenciam de fases anteriores. Indique a correta:

a)

uma nova ideologia política denominada de neoliberalismo, e expansão internacional do

capital financeiro.

b)

uma nova ideologia política denominada de liberalismo, e extensão internacional do capital

financeiro.

c)

uma nova ideologia política denominada neoliberalismo, e expansão com predomínio do

capital comercial e produtivo.

d)

uma nova ideologia política denominada liberalismo, e expansão com predomínio do capital

comercial e produtivo.

e)

uma nova ideologia política denominada neoliberalismo, e expansão com predomínio do

capital produtivo das multinacionais.

Alternativa correta: A Comentário: A ideologia globalizadora empresta os conceitos liberais do século XVIII e sob uma nova roupagem. Ainda, o neoliberalismo se caracteriza, basicamente, pela expansão do capital financeiro interncional e, em particular, pelo capital especulativo.

Exercício 2: O neoliberalismo do modelo globalizador se caracteriza:

I. Pelo enfraquecimento e refluxo do movimento sindical. II. Pelo aumento da dependência econômica entre países. III. Pelo enfraquecimento ideológico do capital internacional;

Das opções acima:

  • a) apenas a I está incorreta

  • b) apenas a II está incorreta

  • c) apenas a III está incorreta

  • d) todas estão corretas

  • e) todas estão incorretas

Alternativa correta: C Comentário: As duas primeiras afirmativas referem-se, e de forma correta, ao modelo neoliberal globalizador. A terceira afirmativa está incorreta já que, ao contrário do que assinala, o globalização diz respeito ao fortalecimento ideológico do capital internacional.

[i] Desenvolvimentos das práticas de produção em escala, inicialmente surgidas na industria automobilística americana na década de 30.

PARTE IV

Título : Módulo 4 - A Empresa Multinacional e o Investimento Estrangeiro Direto

4.1 As multinacionais

Segundo Chesnais (1996), não existe um consenso a respeito dos atributos que caracterizam uma multinacional. Uma primeira tentativa de definição sugeria que empresas multinacionais eram aquelas com filiais industriais em pelo menos seis países. O número de filiais caiu para um depois de algum tempo, mas o órgão da ONU responsável pelo acompanhamento dessas

empresas, a UNCTAD, acompanha as 100 mais transnacionais. Esses grupos possuíam, em 1990, um total de ativos de cerca de 3,2 trilhões de dólares.

A multinacional surge como uma empresa nacional de grande porte, como parte de um processo de acumulação de capital. Essa estratégia de acumulação tem base nacional, mas é pensada no plano global; assim, a ajuda que a empresa tiver do seu Estado origem é fundamental dentro dessa estratégia.

O atributo referente ao número de filiais é o que mais perdeu importância no que diz respeito à

definição de o que é uma multinacional. Novas estratégias são, por exemplo, a das ―filiais intermediárias‖, com as quais as multinacionais investem em empresas de pequeno porte de outros países para que produzam peças a serem utilizadas na elaboração do produto final

dentro da ―montadora‖ situada no país central.

As multinacionais são grupos ou cadeias dominadas por uma matriz. Essa matriz encontra-se geralmente no país de origem e seu poder sobre o resto da cadeia se dá pelo controle que tem sobre os fluxos de capital produtivo ou não enviado para as outras partes.

Para Chesnais (1996), a ―nova multinacional‖ é a multinacional que se relaciona com outras empresas nacionais e internacionais , buscando maximizar as possibilidades de lucro. Esse novo estilo de multinacional busca, através da relação e da aplicação de capital em outras empresas, aumentar seu próprio valor, pois isso pode alavancar a sua capacidade tecnológica.

O valor da empresa deixa de estar vinculado somente à capacidade produtiva e passa a estar

também vinculado à sua ―relação com outras empresas‖: essa relação com outras empresas é

observada por investidores que aplicam nas ações da multinacional.

A multinacional constrói entre a sua matriz e suas filiais o que chama de mercado interno. A multinacional que assimila uma pequena (ou média) empresa aumenta seu mercado interno, e a grande empresa é levada a assimilar seus parceiros comerciais menores, pois existe uma tendência - imposta pelas imperfeições do mercado - de aumento de custo nas transações.

―A participação no capital e na gestão de uma empresa e na repartição de seus resultados financeiros, sem ‗subscrição de capital‘, que é a característica fundamental das ‗novas formas‘,

é mais uma expressão dessa capacidade que o capital concentrado possui, de crescer alimentando-se de um componente rentista. Ao longo dos anos 1975-1990, os países industrializados também assistiram a uma notável ampliação do leque de formas de

apropriação e centralização, pela grande empresa, de valores produzidos, fora das ‗fronteiras

de companhia‘, por outras empresas menores, ou mais vulneráveis, a este ou aquele titulo‖

(CHESNAIS, 1996, p. 82).

É importante ressaltar, também, que as multinacionais operam em um mercado oligopolista, em que um pequeno número de empresas oferece bens e serviços ao mercado, normalmente controlando preços e, não raras vezes, estabelecendo estratégias de ―colaboração‖ por meio ilícitos (conluios ou cartéis). Essa relação oligopolista pode ou não envolver investimentos em capital, mas está sempre envolvida com a promoção dos interesses das empresas no mundo. Ainda, é necessário ressaltar que o comportamento oligopolista não é concebido como forma das companhias se defenderem das imperfeições deste mercado, mas, ao contrário, como forma de criar novas falhas, para se beneficiarem e se protegerem de quaisquer comportamentos predatórios ―inúteis‖. Essa estratégia causa danos aos fornecedores e aos consumidores e tem, como objetivo, reduzir o número de concorrentes globais, aumentando o mercado interno, os ganhos e a proteção às tecnologias dos processos produtivos.

4.2 O Investimento Estrangeiro Direto

O papel dos IED já foi muito subestimado do ponto de vista histórico. Nos anos 1880, o grau de industrialização chegou a ser aproximadamente igual ao dos anos 1960-70. O volume dos investimentos estrangeiros em 1914, por exemplo, principalmente focados nas matérias-primas básicas, era similar ao observado em 1966.

Segundo Chesnais (1996, p. 55), conforme a definição adotada pelo FMI em 1977, ―o IED

designa um investimento que visa a adquirir um interesse duradouro em uma empresa cuja

exploração se dá em outro país que não o do investidor, sendo o objetivo deste último influir

efetivamente na gestão da empresa em questão‖, e essa é uma modalidade capitalista

praticada desde o século XIX, quando empresas inglesas e francesas partiram em busca de

novos mercados e oportunidades, especialmente no Novo Mundo.

Apesar da importância do IED, poucos foram os pensadores e economistas que se ocuparam com a questão. Dentre aqueles que teorizaram sobre o capital, Lênin foi um dos procurou fazer uma análise mais trabalhada, incorporando, além da concentração e centralização do capital (monopólios), o movimento do capital monetário (desigual e geralmente direcionado aos bancos) e a exportação do capital (em contraposição à de mercadorias), fator que considerava de maior relevância.

Michalet, por sua vez, definiu três modalidades principais da internacionalização do capital: a) intercâmbio comercial; b) investimento produtivo no exterior; c) fluxos de capital monetário (ou capital financeiro). Essas modalidades teriam origem nos três ciclos definidos por Marx: capital mercantil, capital produtivo de valor e de mais-valia -, e capital monetário.

Algumas características fazem do IED algo particular dentre os vários tipos de transações financeiras. Eles não têm uma liquidez imediata (não podem simplesmente ser cobrados à vista, não se reduzem a uma transação pontual), fazem parte de uma dimensão intertemporal dos acordos e implicam a transferência de direitos patrimoniais e de poder econômico.

Além disso, envolvem uma estratégia envolvida na natureza duradoura desses investimentos, feito que, ao penetrar um país que não o de origem, o capital tem conseqüências que podem alterar em muito o caráter de apropriação tanto do investidor quanto do país receptor.

Os dados numéricos disponíveis a respeito dos IEDs não são precisos, já que a própria definição carece de rigor: assim, não passam de indicadores de nível e de tendência, uma vez que é difícil mensurar ―interesse duradouro‖ ou mesmo ―objetivo de influir na gestão da empresa‖. O que se pode concluir é que, nas últimas décadas, houve um aumento significativo

dos investimentos de carteira, explicados pelas suas rentabilidade imediata e grande volatilidade.

Questões resolvidas

1. O atual estágio alcançado pelo sistema capitalista definiu uma nova organização do espaço geográfico mundial, com a ativa participação de empresas multinacionais e transnacionais. Observe as afirmações e assinale a alternativa correta no que diz respeito ao processo de globalização:

I. Possibilitou uma maior dispersão da atividade econômica nos espaços geográficos mundiais, através das empresas transnacionais, o que possibilitou uma significativa redução das disparidades econômicas em escala mundial.

II. Contribuiu para o aumento considerável de fluxos de capitais e mercadorias, possibilitando uma homogeneização da capacidade de consumo de todos os países.

III. Acelerou o processo produtivo mundial através do avanço na informatização, automatização e na robotização das atividades produtivas, entretanto, por ser um processo seletivo, ampliou as disparidades entre países e entre segmentos sociais.

  • a) a afirmação I está correta

  • b) a afirmação II está correta

  • c) a afirmação III está correta

  • d) todas as afirmações estão corretas

  • e) nenhuma afirmação está correta

Solução: c)

Comentário: Vimos que a atuação de empresas multi e transnacionais se refere principalmente pela agilidade nos fluxos de capital, produtivo ou não, que correspondem a uma das principais características da globalização. Este processo, até agora, não tem se mostrado eficaz na redução das disparidades econômicas em escala mundial. Pelo contrário, assistimos, através da atuação das multinacionais, uma consolidação das economias desenvolvidas na liderança da economia mundial e um desenvolvimento relativo de alguns países em desenvolvimento. Isto eliminaria a validade da afirmação I. Do mesmo modo, as diferenças sociais de renda e consumo permanecem heterogêneas, com uma diferença bastante sensível em favor dos países desenvolvidos, contradizendo a afirmação II. De fato, a globalização tem mostrado uma ampliação das diferenças sociais entre países pobres e ricos, de acordo com a afirmativa III.

2. Os capitais financeiros e as chamadas multinacionais condicionam seus empréstimos e seus investimentos produtivos aos ajustes políticos e institucionais dos Estados nacionais. Assim, os Estados nacionais vêm sendo pressionados a aceitar as exigências da globalização, que são essenciais ao desenvolvimento do capitalismo mundial. Destaca-se dentre essas exigências a

  • a) regulamentação da entrada e saída de capitais dos países.

  • b) regulação das relações de trabalho, proporcionando o pleno emprego, respaldado na

prosperidade econômica e na segurança da renda.

  • c) universalização dos serviços sociais, visando atingir a todos indistintamente, de forma

incondicional.

  • d) aquisição de autonomia por parte dos cidadãos, ou seja, a possibilidade de suprirem suas

necessidades vitais, especiais, culturais, políticas e sociais.

  • e) redução dos gastos públicos, portanto, de serviços públicos.

Solução e)

Comentário: os investimentos estrangeiros buscam condições de maximização de lucros e minimização do tempo de retorno. Desta forma, as condições de investimento dependem de um relaxamento de controles e restrições aos fluxos de capital, de acordo com a perspectiva neoliberal, e da mínima interferência possível de problemas trabalhistas e sociais em suas operações. É dessa forma que o Estado se vê pressionado a estabelecer as condições ideais exigidas, tendendo a minimizar seus investimentos em gastos públicos e oferta de serviços.

PARTE V

Título : Módulo 5 - As Instituições internacionais: ONU, FMI, Banco Mundial e OMC

Diante da multiplicidade de interesses e relações que se estabeleceram a partir do final da segunda guerra mundial, foram criadas diversas organizações internacionais com o objetivo de harmonizar interesses comuns entre os Estados que participam de uma mesma entidade. As Organizações Internacionais são entidades detentoras de personalidade jurídica de Direito Internacional, sendo que existem mais de 500 Organizações Internacionais, cada uma com seu respectivo programa e objeto de ação e finalidade.

Qualquer organismo internacional está sujeito a influências diversas dos Estados membros, proporcionais ao poder econômico e político de cada um.Nesse aspecto, é perfeitamente compreensível o motivo pelo qual os EUA, por exemplo, ocupam o lugar de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, órgão que toma as decisões mais importantes da organização. O problema que daí surge se refere às inevitáveis distorções, uma

vez que interesses particulares tendem a se sobrepor aos interesses gerais mediante o uso do poder político.Considerando que os países mais prósperos não desejam perder sua hegemonia, pode-se inferir que também não têm interesses no desenvolvimento dos demais.

Constata-se a existência de duas vontades distintas e por vezes opostas: uma que visa o bem comum, oriunda da Organização, e outra que conjuga somente os interesses individuais de cada componente. Quando conflitantes, o Estado contrariado, politicamente mais forte, impõe um boicote à norma editada pela organização, conduta levada a efeito essencialmente quando não há mecanismos capazes de lhe impor uma sanção.

Portanto, embora não se questione que as organizações sejam de grande importância para aproximar desiguais, sendo esta, em última análise, sua mais nobre função, é imprescindível que elas se reformulem e lancem mão de novas alternativas para não permanecerem eternamente sob essa situação paradoxal.

  • 5.1 A ONU (Organização das Nações Unidas)

Foi fundada a partir do encontro intitulado Conferência de São Francisco, realizado entre os dias 25 e 26 de abril de 1945, com a finalidade debater acerca da substituição da Liga das Nações por um organismo mais completo e contar com a participação de todos Estados independentes. Criada pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial, tem como objetivo geral ―manter a paz e a segurança internacionais‖. A Carta de São Francisco proíbe o uso unilateral da força, prevendo contudo sua utilização individual ou coletiva destinada ao interesse comum da organização. Os principais objetivos da ONU são:

• Manter a paz internacional.

• Garantir os Direitos Humanos.

• Promover o desenvolvimento socioeconômico das nações.

• Incentivar a autonomia das etnias dependentes.

• Tornar mais fortes os laços entre os países soberanos.

Há dois níveis básicos de decisões dentro da ONU: a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança. A primeira conta com a participação de todos os membros, uma decisão é tomada com o aval da maioria, em pelo menos dois terços. O segundo é constituído por quinze membros, desses, cinco possuem atuação interrupta e dez tem participação rotativa. Os membros permanentes detêm o poder de veto, são eles: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China.

Com a fundação da ONU, foram criados, conjuntamente, organismos internacionais especializados. Dentre os principais estão: FMI (Fundo Monetário Internacional), BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento), GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), OIT (Organização Internacional do Trabalho), FAO (Organização de Alimentação e Agricultura) e UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A ONU promoveu, no ano 2000, a Cúpula do Milênio, obtendo a participação dos líderes de praticamente todos os países do mundo, nesse evento foi instituída uma declaração, onde estão estipulados alvos com previsão de serem cumpridos até 2020. Entre as metas está a de promover melhorias na qualidade de vida de pelo menos 1,2 bilhão de pessoas que sobrevivem com uma renda inferior a um dólar por dia.

  • 5.2 FMI (Fundo Monetário Internacional)

O FMI é um organismo com sede na cidade norte-americana de Washington. Criado ao mesmo tempo que o Banco Mundial pelos acordos de Bretton Woods em 1944, ambas as organizações tinham o objetivo de conceder empréstimo de recursos financeiros aos países

membros. Os recursos, porém, são concedidos sob diferentes critérios em face de cada uma das organizações. O FMI presta auxílio visando reduzir desequilíbrios na balança de pagamentos do tomador, propiciando assim maior estabilidade ao sistema monetário. Originalmente seu objetivo é estabelecer a cooperação econômica em escala global visando garantir a estabilidade financeira, favorecer as relações comerciais internacionais, implantar medidas para geração de emprego e desenvolvimento sustentável e buscar formas de reduzir a pobreza. Mas ao longo dos anos, as instituições e as regras de relacionamento internacional criadas em Bretton Woods mudaram profundamente, ao ponto de se tornarem certamente irreconhecíveis aos olhos dos participantes originais. Tanto o Fundo Monetário Internacional quanto o Banco Mundial, estão longe de receberem a aprovação mundial que se esperaria se as intenções da conferência tivessem sido concretizadas. A contínua instabilidade monetária internacional ainda hoje é causa de preocupação constante. O FMI deixou de ter utilidade para países desenvolvidos e sua atuação em países em desenvolvimento é objeto de crítica cerrada, tanto à esquerda como à direita do espectro político. O mesmo acontece, em muito menor grau, contudo, com o Banco Mundial. De acordo com a proposta original da criação do FMI, cada país possui uma cota de participação no fundo, estabelecida preliminarmente, sendo que os países desenvolvidos tem as maiores cotas, e assim são eles que gerenciam o organismo. Mais recentemente, sobretudo entre os anos 1970 e 2000, o FMI tornou-se uma espécie de pronto-socorro na concessão de empréstimos aos países com problemas financeiros. A contrapartida é o cumprimento das metas estipuladas pelo organismo, a maior parte voltada a ajustes orçamentários, cortes nos gastos públicos, monitoramento da taxa cambial e diminuição salarial. Quando o FMI é acionado por um país em crise, agentes são enviados para analisar a situação financeira e, a partir daí, direcionar as medidas que poderão contribuir para a resolução dos problemas. O principal objetivo desses agentes é evitar que tais problemas se alastrem e tomem proporções maiores, que possam se alastrar e contaminar a economia e os fluxos do mercado financeiro internacional.

  • 5.3 O Banco Mundial

O Banco Mundial (World Bank) ou BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento) é uma agência das Nações Unidas criada em 1° de julho de 1944 com sede em Washington. Originalmente, foi criado com a finalidade de ajudar os países que foram destruídos na Segunda Guerra Mundial. Financia projetos de retorno a médio e longo prazo, tal como refere a própria denominação original da organização(reconstrução e desenvolvimento), diferenciando-se assim do FMI.

Hoje, aproximadamente 150 países membros participam na composição do capital do banco. O valor de cota e o direito de voto são determinados a partir do nível de participação no mercado mundial. O principal acionista é os Estados Unidos, fato que lhe concede o poder de veto em todas as decisões. O Banco Mundial fornece financiamentos para governos, que devem ser destinados, essencialmente, para infraestura de transporte, geração de energia, saneamento, além de contribuir em medidas de desenvolvimento econômico e social. Além de governos, empresas de grande porte podem adquirir empréstimos, porém, é necessário apresentar a viabilidade da implantação de projetos, além disso, o país de origem da empresa deve garantir o pagamento dos recursos.

  • 5.4 A OMC- Organização Mundial do Comércio

A partir do crescimento de transações comercias em nível mundial e do intenso processo de globalização de capitais, mercadorias e da própria produção, que são itens ligados diretamente à dependência dos países, surge a necessidade da criação de organismos internacionais e órgãos financeiros que possam regular as disparidades econômicas e comerciais existentes no mundo. Apesar de todos os mecanismos e acordos, é próprio do sistema capitalista que os países desenvolvidos levem vantagens competitivas. Diante dessa situação torna-se relevante a implantação de uma organização que avalie as relações comerciais e que possa zelar pelo interesse de países que sofrem pressões e que se sintam prejudicados. É nesse contexto que vem a atuar a OMC, criada em 1995, ao final da Rodada Uruguai, em 1994, sendo formalizada pelo Acordo de Marrakesch. Foi a primeira organização internacional pós-Guerra Fria, de

vocação universal. Sediada na cidade de Genebra, Suíça, tem com o objetivo principal estabelecer regras e normas de entendimento entre os países e instituições internacionais que atuam no campo econômico. Antes da instauração da OMC existia o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) que foi implantado a partir de 1947 para estabelecer o livre comércio dentro da situação do pós-guerra. Esse acordo comercial se caracterizava pela multilateralidade e pelo dinamismo em função de impulsionar a liberalização comercial. Então, as disparidades econômicas entre as nações não era um tema relevante e, dessa forma, os critérios para o estabelecimento de tributos e texas de exportação e importação eram equivalentes, desfavorecendo as economias mais fracas. No contexto da economia globalizada, na qual a abertura comercial é fator fundamental, a OMC ainda encontra dificuldades relacionadas ao protecionismo, especialmente em relação aos países desenvolvidos que insistem em que as barreiras alfandegárias sejam retiradas somente para entrada de seus produtos em outros territórios, sem a necessária reciprocidade.Uma das funções da organização é atuar como mediador, no momento em que países entram em conflitos comerciais derivados de medidas protecionistas de um dos lados. Um exemplo claro desse processo aconteceu em 2001, quando a empresa canadense Bombardier acionou a OMC por se sentir prejudicada, pois segundo ela, a empresa brasileira Embraer estaria sendo custeada ou subsidiada pelo governo brasileiro, de forma que esse procedimento vai contra as regras implantadas na organização. Nesse exemplo, a OMC não aceitou o pedido da empresa canadense, ou seja, indeferiu o pedido.

Questões resolvidas

1.Na década de 1980 o FMI transformou-se na polícia financeira dos países endividados, devidamente submetidos à influência dos interesses dos credores. De acordo com a força política e a capacidade de intervenção militar, o sistema internacional contemporâneo pode ser definido como

  • a) assimétrico, graças à presença das tropas de paz das Nações Unidas nos conflitos

internacionais.

  • b) assimétrico, devido à existência de uma superpotência, os Estados Unidos, que atua

segundo seus interesses estratégicos.

  • c) simétrico, baseado na correlação de forças entre países árabes e a OTAN, que perdeu

poder depois da Guerra no Golfo.

  • d) assimétrico, por causa da situação da Rússia, que ainda detém milhares de ogivas

nucleares dispersas pela Europa.

  • e) simétrico, dado o equilíbrio das forças militares da União Européia e dos Estados Unidos.

Resposta correta: b)

Comentário: A partir da segunda metade da década de 1980 com o desmantelamento da União Soviética, consolida-se o papel dos EUA como única potência econômica mundial. Apesar da inegável força militar dos países da Europa Oriental e Asia (China), a sustentação do sistema econômico global passa a depender das iniciativas e interesses dos Estados Unidos e seus aliados na proposta de um sistema econômico global fundamentado nas propostas neo-liberais garantidas pela supremacia militar. É a retomada da velha postura Norte Americana, declarada ainda em 1901 pelo então presidente Theodore Roosevelt a respeito do papel dos Estados Unidos e sua diplomacia:"fale com suavidade, mas tenha à mão um grande porrete".

2. A criação do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) em 1947 visava estabelecer as diretrizes para o livre comércio dentro da situação do pós-guerra. Esse acordo comercial se caracterizava pela multilateralidade e pelo dinamismo em função de impulsionar a liberalização comercial. Neste sentido pode-se afirmar que

  • I) as disparidades econômicas entre as nações estavam plenamente consideradas pelo

organismo, resultando no pleno desenvolvimento dos países da América Latina no período pós guerra II) o contexto econômico mundial era propício para o reatamento de relações comerciais com os países da Europa Oriental III) os critérios utilizados para o estabelecimento de tributos e taxas de exportação e importação desfavoreciam as economias mais fracas

Resposta: apenas a afirmação III está correta

Comentário:

Na economia do pós-guerra, era imperscindível garantir o livre comércio como forma de consolidaçnao de novos mercados e manutenção do ritmo de produção econômica atingido pelos países desenvolvidos, sobretudo os Estados Unidos. Os acordos de Bretton Woods apontaram nesse sentido, deixando em segundo plano os interesses dos países menos desenvolvidos.

PARTE VI

Título : Módulo 6 - Blocos econômicos e modalidades de integração

1. Introdução

A partir do final da Segunda Guerra Mundial, aparecem as primeiras iniciativas para formação de blocos econômicos. Os severos danos sofridos pela Europa marcou o fim da hegemonia política e econômica do continente, com sua economia totalmente desorganizada e em processo de reconstrução. Nesse contexto, a Europa viu-se obrigada a acolher a nova ordem mundial, cuja liderança seria disputada pelas potências de fato vitoriosas: os Estados Unidos e a União Soviética.

O período pós-guerra consolidou a divisão do mundo em dois grandes blocos: o capitalista, comandado pelos Estados Unidos; o outro socialista, sob domínio da União Soviética. Configurava-se assim o período denominado guerra fria, sob a sombra de uma corrida armamentista entre as duas grandes potências mundiais.

A formação de blocos econômicos regionais teve sua iniciativa pioneira ainda ao final da segunda guerra, com a criação do Benelux que unia Bélgica, Holanda e Luxemburgo, inaugurando a idéia de integração econômica baseada em uma economia supranacional.

Diante da perspectiva de concorrer com os Estados Unidos, fazer frente ao crescimento da União Soviética e reduzir o risco de os nacionalismos provocarem novos conflitos, os países europeus firmaram uma série de acordos com o objetivo de unir o continente, reestruturar, fortalecer e garantir a competitividade de suas economias.

Paralelamente, o desenvolvimento tecnológico acelerado passa a revelar novos protagonistas da economia mundial que progressivamente conquistavam fatias expressivas no mercado internacional, entre eles, justamente os dois grandes derrotados na Segunda Guerra Mundial: o Japão e a ex - Alemanha Ocidental.

Mas é a partir da década de 1980, que começam de fato a se consolidar de maneira mais clara diversos blocos econômicos. O aprofundamento das relações internacionais e o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação permitiam a ampliação do mercado externo aos países que haviam atingido um certo grau de desenvolvimento econômico. Com a economia mundial globalizada, a tendência comercial é a formação de blocos econômicos. Estes são criados com a finalidade de facilitar o comércio entre os países membros. Adotam redução ou isenção de impostos ou de tarifas alfandegárias e buscam soluções em comum para problemas comerciais. Em tese, o comércio entre os países constituintes de um bloco econômico aumenta e gera crescimento econômico para os países. Geralmente estes blocos são formados por países vizinhos ou que possuam afinidades culturais ou comerciais.

Os blocos econômicos existentes no mundo são classificados a partir dos acordos estabelecidos entre eles.

2. Tipos de Integração Econômica:

a- Zona de Livre Comércio Quando são abolidas as restrições tarifárias e não tarifárias entre os países, mas cada um mantêm suas próprias políticas comerciais.

b-União Aduaneira Vai além da zona de livre comércio, além de suprimir restrições quanto ao fluxo de mercadorias entre os países membros, estabelece

uma política comum de discriminação desse fluxo com países não membros, estabelecendo, por exemplo, uma tarifa externa comum.

c- Mercado Comum Não apenas as restrições quanto ao fluxo de mercadoria que são eliminadas, mas também as discriminações contra o fluxo de fatores produtivos, isto é, elimina-se os empecilhos quanto à circulação de capital e mão de obra.

d- União Econômica Associa à suspensão das restrições sobre os fluxos de mercadoria e fatores produtivos entre os países e certa harmonização de políticas econômicas nacionais.

e- Integração Econômica Completa Unificação completa das políticas econômicas dos países membros, com a instalação de uma autoridade econômica supranacional.

Segue uma sinopse sobre os principais blocos econômicos da atualidade e suas características.

3. Blocos Econômicos

-

UNIÃO EUROPÉIA

 

A UE (União Européia) é um bloco econômico, político e social de 27 países europeus que participam de um projeto de integração política e econômica. Os países integrantes são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária. Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido, Romênia e Suécia. Macedônia, Croácia e Turquia encontram-se em fase de negociação. Estes países são politicamente democráticos, com um Estado de direito em vigor.

A União Européia (UE) foi oficializada no ano de 1992, através do Tratado de Maastricht. Este bloco possui uma moeda única que é o EURO, um sistema financeiro e bancário comum. Os cidadãos dos países membros são também cidadãos da União Européia e, portanto, podem circular e estabelecer residência livremente pelos países da União Européia. A União Européia também possui políticas trabalhistas, de defesa, de combate ao crime e de imigração em comum. A UE possui os seguintes órgãos: Comissão Européia,

Parlamento Europeu e Conselho

 

de

Ministros.

NAFTA Fazem parte do NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) os seguintes

-

países : Estados Unidos, México e Canadá. Começou a funcionar no início de 1994 e

oferece

aos

países

membros

vantagens

no

acesso

aos

mercados

dos

países.

Estabeleceu o fim das barreiras alfandegárias, regras comerciais em comum, proteção comercial e padrões e leis financeiras. Não é uma zona livre de comércio, porém reduziu

tarifas

de

aproximadamente

 

20

mil

produtos.

-

TIGRES ASIÁTICOS

 

Embora não se apresente como um bloco devidamente formalizado, fazem parte Japão, China, Formosa, Cingapura, Hong kong e Coréia do Sul, tendo um PIB de 4,25 trilhões de dólares, e um mercado consumidor de 1.295 bilhão de pessoas.

Este bloco asiático, tem sua origem na economia japonesa que, a partir da década de 1970, desenvolve uma indústria eletrônica para a exportação de produtos baratos e traz prosperidade econômica crescente e rápida para alguns países da Ásia. Coréia do Sul, Formosa (Taiwan), Hong Kong e Cingapura são os primeiros destaques. Dez anos depois, Malásia, Tailândia e Indonésia integram o grupo de países chamados Tigres Asiáticos.

As indústrias e exportações concentram-se em produtos têxteis e eletrônicos. Os Tigres beneficiam-se da transferência de tecnologia obtida através de investimentos estrangeiros associados a grupos nacionais. Os Estados Unidos e o Japão são os principais parceiros econômicos e investidores. Com exceção de Cingapura, as economias dos Tigres Asiáticos dispõem de mão-de-obra barata: as organizações

sindicais são incipientes e as legislações trabalhistas forçam a submissão dos trabalhadores. Tal situação só é possível porque é sustentada por uma cultura conformista, que valoriza a disciplina e a ordem, e admite a intervenção do Estado em diversos setores econômicos. O planejamento estatal é posto em prática em larga escala, seguindo de perto o modelo japonês.

Os regimes fortes e centralizadores da Indonésia, Cingapura e Malásia, garantem a estabilidade política necessária para sustentar o desenvolvimento industrial e atrair investimentos estrangeiros.

  • - MERCOSUL

O Mercosul (Mercado Comum do Sul) foi oficialmente estabelecido em março de 1991. É formado pelos seguintes países da América do Sul : Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina e Venezuela. Futuramente, estuda-se a entrada de novos membros, como o Chile e a Bolívia. O objetivo principal do Mercosul é eliminar as barreiras comerciais entre os países, aumentando o comércio entre eles. Outro objetivo é estabelecer tarifa zero entre os países e num futuro próximo, uma moeda única.

Foi assinado o Tratado de Assunção em março de 1991, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai votaram pela eliminação das tarifas e outras restrições não tarifárias ao comércio.

Em janeiro de 1995 os países do Mercosul formaram uma União Aduaneira com certas restrições ainda existem cláusulas de exceções. Antes em 1960 foi firmado um acordo de livre comércio - Associação Latino Americana de Livre Comércio ALALC , mas o projeto era demais ambicioso pois nessa época os países da América Latina estavam presos ao modelo de industrialização por Substituição de importação que impõe barreiras protecionistas.

Em 1980 a Associação Latino Americana de Integração ALADI , pretendia estabelecer no futuro o livre comércio entre países, alguns acordos bilaterais foram feitos, por exemplo, em 1988 acordo entre Brasil e Argentina.

A implantação do Mercosul se deu em 4 fases:

1ª fase - Tratado de Assunção em 1991 abertura comercial com redução de 47% das tarifas entre países do Mercosul.

2ª fase 1992 cronograma de Las Leñas - debates sobre o cumprimento das metas - criação da TEC - Tarifa Externa Comum.

3ª fase 1994 Reunião de Colônia preocupação técnica de implementação. 4ª fase 1995 Mercosul implementação das políticas. Instituições que possibilitam o funcionamento do Mercosul:

a- Conselho do Mercado Comum Composto pelos ministros das relações exteriores e da fazenda estabelece as linhas gerais do processo de integração órgão Superior do Mercosul Não é um órgão supranacional.

b- Grupo Mercado Comum Responsável por planejar, implementar e supervisionar o cumprimento das regras estabelecidas órgão executivo do Mercosul.

c- Comissão de Comércio Órgão técnico para implementação e supervisão das políticas comerciais.

  • d- Comissão Parlamentar Conjunta Busca aproximação das legislações dos países.

    • e- Foro Executivo econômico e Social Fazem parte representantes dos vários setores

da sociedade, empresários, sindicatos, etc.

-

PACTO ANDINO:

 

Outro bloco econômico da América do Sul é formado por: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Foi criado no ano de 1969 para integrar economicamente os países membros. As relações comerciais entre os países membros chegam a valores importantes, embora os Estados Unidos sejam o principal parceiro econômico do bloco.

-

APEC

 

A

APEC

(Cooperação

Econômica da

Ásia

e

do

Pacífico)

foi

criada

em

1993

na

Conferência de Seattle (Estados Unidos da América). Integram este bloco econômicos os seguintes países: EUA, Japão, China, Formosa (também conhecida como Taiwan), Coréia do Sul, Hong Kong (região administrativa especial da China), Cingapura, Malásia, Tailândia, Indonésia, Brunei, Filipinas, Austrália, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Canadá, México e Chile. Somadas a produção industrial de todos os países, chega-se a metade de toda produção mundial. Quando estiver em pleno funcionamento, será o maior bloco econômico do mundo.

Com o avanço do processo de globalização, novos blocos aparecem como resposta aos desafios impostos, sobretudo no que diz respeito às negociações multilaterais de caráter comercial. Dois deles merecem atenção especial: o G-8 e o BRIC.

- G-8

A sigla G-8 corresponde ao grupo dos 8 países mais ricos e influentes do mundo:

Estados Unidos, Japão, Alemanha, Canadá, França, Itália, Reino Unido e Rússia. Antes chamada de G-7, a sigla alterou-se com a inserção da Rússia, que ingressou no grupo

em

1998.

Cabe ao G-8 estabelecer as diretrizes de relações internacionais no âmbito político e econômico, uma vez que sua força econômica e influência política são decisivas nas decisões dos organismos mundiais como a ONU, FMI e OMC. Formalmente, as discussões propostas nas reuniões do grupo têm por finalidade diminuir as disparidades entre as economias dos países subdesenvolvidos. Na prática, o que se assiste de fato é que as decisões tomadas servem em primeiro lugar para atender os interesses internos dos componentes do grupo, como por exemplo a questão ambiental, com a qual boa parte não se compromete. Apesar do discurso homogêneo dos países membros, fica evidente que o cenário principal se refere à discussão sobre as posições protecionistas de cada participante, inclusive com relação aos chamados países emergentes.

O embrião do G-8 foi gerado em 1975, na França, onde os líderes EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e Itália se reuniram para discussões sobre os problemas regionais e internacionais. Em 1976, houve a inserção do Canadá no grupo, totalizando 7 países, que deu origem à sigla G-7. Essa configuração permaneceu até 1998, quando a

Rússia integrou

o

grupo,

formando

o

atual

G-8.

Nos últimos anos temos assistido uma série de manifestações contra o aumento da

desigualdade social e econômica resultantes do processo de globalização que acontecem paralelamente às reuniões anuais do grupo.

BRICS A idéia dos BRICS foi formulada pelo economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O´Neil, em estudo de 2001, intitulado “Building Better Global Economic BRICs”. Fixou-se como categoria da análise nos meios econômico-financeiros, empresariais, acadêmicos e de comunicação. Em 2006, o conceito deu origem a um agrupamento, propriamente dito, incorporado à política externa de Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, por ocasião da III Cúpula, a África do Sul passou a fazer parte do agrupamento, que adotou a sigla BRICS.

O peso econômico dos BRICS é certamente considerável. Entre 2003 e 2007, o crescimento dos quatro países representou 65% da expansão do PIB mundial. Em paridade de poder de compra, o PIB dos BRICS já supera hoje o dos EUA ou o da União Européia. Para dar uma idéia do ritmo de crescimento desses países, em 2003 os BRICs respondiam por 9% do PIB mundial, e, em 2009, esse valor aumentou para 14%. Em 2010, o PIB conjunto dos cinco países (incluindo a África do Sul), totalizou US$ 11 trilhões, ou 18% da economia mundial. Considerando o PIB pela paridade de poder de compra, esse índice é ainda maior: US$ 19 trilhões, ou 25%.

Até 2006, os BRICs não estavam reunidos em mecanismo que permitisse a articulação entre eles. O conceito expressava a existência de quatro países que individualmente tinham características que lhes permitiam ser considerados em conjunto, mas não como um mecanismo. Isso mudou a partir da Reunião de Chanceleres dos quatro países organizada à margem da 61ª. Assembléia Geral das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2006. Este constituiu o primeiro passo para que Brasil, Rússia, Índia e China começassem a trabalhar coletivamente. Pode-se dizer que, então, em paralelo ao

conceito “BRICs” passou a existir um grupo que passava a atuar no cenário

internacional, o BRIC. Em 2011, após o ingresso da África do Sul, o mecanismo tornou-

se o BRICS (com "s" maiúsculo ao final).

Como agrupamento, o BRICS tem um caráter informal. Não tem um documento constitutivo, não funciona com um secretariado fixo nem tem fundos destinados a financiar qualquer de suas atividades. Em última análise, o que sustenta o mecanismo é a vontade política de seus membros. Ainda assim, o BRICS tem um grau de institucionalização que se vai definindo, à medida que os cinco países intensificam sua interação.

Uma etapa importante para aprofundar a institucionalização vertical do BRICS foi a elevação do nível de interação política que, desde junho 2009, com a Cúpula de Ecaterimburgo, alcançou o nível de Chefes de Estado/Governo. A II Cúpula, realizada em Brasília, em 15 de abril de 2010, levou adiante esse processo. A III Cúpula ocorreu em Sanya, na China, em 14 de abril de 2011, e demonstrou que a vontade política de dar seguimento à interlocução dos países continua presente até o nível decisório mais alto. A III Cúpula ampliou a voz dos cinco países sobre temas da agenda global, em particular os econômico-financeiros, e deu impulso político para a identificação e o desenvolvimento de projetos conjuntos específicos, em setores estratégicos como o agrícola, o de energia e o científico-tecnológico.

conceito “BRICs” passou a existir um grupo que passava a atuar no cenário internacional, o BRIC.

Bibliografia:

GONÇALVES, Reinaldo. Economia política internacional: fundamentos teóricos e as relações internacionais do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

BRICS - Agrupamento Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul. disponível em <http://www.itamaraty.gov.br/temas/mecanismos-inter-regionais/agrupamento-brics>. Acesso em 10/09/2011

PARTE VII

Título : Módulo 7 - Democracia e Globalização: parâmetros e índices (GINI, IDH)

Introdução

Apenas acordos comerciais mais justos não resolvem todos os efeitos negativos causados pela globalização: problemas infra-estruturais como o transporte e a adequação aos padrões dos mercados externos são grandes impedimentos ao desenvolvimento dos países pobres.

A abertura unilateral dos países desenvolvidos também não soluciona os problemas causados pela instabilidade advinda da globalização, já que os trabalhadores dos países em desenvolvimento não têm as mesmas facilidades que os dos países desenvolvidos como, por exemplo, indenizações que facilitem a passagem de um emprego para o outro, ou oportunidades profissionais abertas por um sistema educacional eficiente.

O modelo globalizador implica na existência de perdedores e entende que o livre comércio, embora traga riquezas para o país como um todo, acaba por parar na mão de poucos, criando economias ricas habitadas por povos pobres.

Sabemos que a dinâmica do processo de globalização é caracterizada pela desigualdade dos atores envolvidos, sendo evidente a influência dos governos dos países desenvolvidos e dos interesses das empresas transnacionais nos rumos e diretrizes que determinam as relações políticas e econômicas no mundo.

A própria evolução das instituições multilaterais de caráter mundial, que vêm acompanhando este processo, não é imune aos interesses específicos que acabam por gerar controvérsias sobre governabilidade global, mostrando a necessidade de discussão sobre a nova ordem internacional, especialmente no que se refere às dimensões sociais e culturais envolvidas no processo de globalização.

Assim, aparece a necessidade de que se leve em conta as experiências que fundamentam na história de cada nação, assim como as implicações de oportunidades e riscos acarretados por sua inserção no processo de globalização.Torna-se evidente que a compreensão do desenvolvimento econômico vai além da interpretação de dados e estatísticas exclusivamente econômicas, devendo necessariamente considerar as dimensões humanas diretamente envolvidas.

―As capacidades mais elementares para o desenvolvimento humano são: ter uma vida longa e saudável, ser instruído, ter acesso aos recursos necessários para um nível de vida digno e ser capaz de participar da vida da comunidade. Sem estas, muitas outras escolhas simplesmente não estão disponíveis e muitas oportunidades na vida mantêm- se inacessíveis‖ (PNUD, 2001).

A consolidação em escala mundial dessa nova concepção do desenvolvimento vem ocorrendo desde 1991, quando as Nações Unidas publicaram o primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano, que classificava os países segundo valores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Desde então, são publicados anualmente relatórios que atualizam o indice e tornam públicos outros indicadores e estudos enfocando diversos aspectos da problemática do desenvolvimento, inclusive as questões desigualdade, infra-estrutura, direitos humanos e outros indicadores da vida financeira, econômica e social das nações.

Neste sentido, o desenvolvimento humano está diretamente relacionado à ― … criação de um ambiente no qual as pessoas possam desenvolver o seu pleno potencial e levar vidas produtivas e criativas de acordo com suas necessidades e interesses. As pessoas são a verdadeira riqueza das nações. O desenvolvimento tem a ver, portanto, com o alargamento das escolhas que as pessoas têm para levar uma vida a que dêem valor. E tem a ver com muito mais de que o crescimento econômico, que é apenas um meio ainda que muito importante — de alargar as escolhas das pessoas‖ (PNUD, 2001).

7.1 O IDH - Índice de Desenvolvimento Humano

O objetivo da elaboração do Índice de Desenvolvimento Humano é oferecer um contraponto a um outro indicador, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano. Não abrange todos os aspectos de desenvolvimento nem é uma representação da "felicidade" das pessoas, ou indica "o melhor lugar no mundo para se viver".

O IDH considera o PIB per capita corrigido pela relação com o poder de compra da moeda de cada país. Também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. Para aferir a longevidade, o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. O item

educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. A renda é mensurada pelo PIB per capita, em dólar PPC (paridade do poder de compra, que elimina as diferenças de custo de vida entre os países). Essas três dimensões têm a mesma importância no índice, que varia de zero a um.

Até 2009, o IDH usava os três índices seguintes como critério de avaliação:

• Índice de educação: Para avaliar a dimensão da educação o cálculo do IDH considera

dois indicadores. O primeiro, com peso dois, é a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais de idade na maioria dos países, uma criança já concluiu o primeiro ciclo de estudos (no Brasil, o Ensino Fundamental) antes dessa idade. Por isso a medição do analfabetismo se dá, tradicionalmente a partir dos 15 anos. O segundo indicador é a taxa de escolarização: somatório das pessoas, independentemente da idade, matriculadas em algum curso, seja ele fundamental, médio ou superior, dividido pelo total de pessoas entre 7 e 22 anos da localidade.

• Longevidade: O item longevidade é avaliado considerando a expectativa de vida ao nascer. Esse indicador mostra a quantidade de anos que uma pessoa nascida em uma localidade, em um ano de referência, deve viver. Reflete as condições de saúde e de salubridade no local, já que o cálculo da expectativa de vida é fortemente influenciado pelo número de mortes precoces.

• Renda: A renda é calculada tendo como base o PIB per capita (por pessoa) do país.

Como existem diferenças entre o custo de vida de um país para o outro, a renda medida pelo

IDH é em dólar PPC (Paridade do Poder de Compra), que elimina essas diferenças.

A partir do relatório de 2010, o IDH combina três dimensões:

• Uma vida longa e saudável: Expectativa de vida ao nascer

• O acesso ao conhecimento: Anos Médios de Estudo e Anos Esperados de

Escolaridade

• Um padrão de vida decente: PIB (PPC) per capita

O Brasil subiu quatro posições de 2009 para 2010 e ficou em 73º no ranking de 169 nações e territórios da nova versão do IDH. O índice brasileiro, de 0,699, situa o país entre os de alto desenvolvimento humano, é maior que a média mundial (0,624) e parecido com o do conjunto dos países da América Latina e Caribe (0,704), de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano. Em razão da mudança de metodologia, não se pode comparar o novo IDH com os índices divulgados em relatórios anteriores. Mas seguindo a nova metodologia, em comparação com os dados recalculados para 2009, o IDH do Brasil mostra uma evolução de quatro posições.

Dos três subíndices que compõem o IDH, apenas o de longevidade não passou por alterações:

continua sendo medido pela expectativa de vida ao nascer. No subíndice de renda, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, que contabiliza a renda conquistada pelos residentes de um país, incluindo fluxos internacionais, como remessas vindas do exterior e ajuda internacional, e excluindo a renda gerada no país, mas repatriada ao exterior. Ou seja, a RNB traz um retrato mais preciso do bem-estar econômico das pessoas de um país. No subíndice de educação, houve mudanças nos dois indicadores. Sai a taxa de analfabetismo, entra a média de anos de estudo da população adulta; para averiguar as condições da população em idade escolar, em vez da taxa bruta de matrícula passa a ser usado o número esperado de anos de estudos.

7.2 O indice de Gini

Mas a necessidade de aferir as correspondências entre indicadores econômicos e humanos provocou o desenvolvimento de outros instrumentos. A questão da distribuição de renda foi contemplada pela adoção do índice de Gini. O matemático italiano Corrado Gini desenvolveu o coeficiente, que leva seu nome e foi adotado pela ONU, para medir a igualdade ou desigualdade dos países na distribuição de renda da população. O cálculo leva em consideração variáveis econômicas para verificar o grau de espalhamento da renda, em escala de zero a 1. Quanto mais próximo de zero estiver o país, mais igualitária é a sociedade. Quanto mais se aproximar de um, maior é a concentração de riqueza. O Gini não mede riqueza ou pobreza de um país, mas se a homogeneidade econômica e social de seu povo. O Índice de Gini, proposto, em 1914, tem direta associação com a Curva de Lorenz, que pode ser entendida como um gráfico de freqüência relativa acumulada que compara a distribuição empírica de uma variável com a distribuição uniforme, representada por uma reta com ângulo de 45º. Quanto mais próxima for a curva de freqüência relativa acumulada de uma variável em relação à reta diagonal, menor será o coeficiente de Gini; da mesma forma, quanto maior for a discrepância entre a curva empírica e a reta de igualdade, maior será o coeficiente de Gini, e, portanto, maior será a concentração dessa variável. O intervalo de resultados possíveis para o Índice de Gini varia de zero a um. O Índice de Gini igual a zero representa o grau máximo de igualdade e só ocorrerá se todas as unidades apresentarem o mesmo valor para a variável. Por outro lado, quando o Índice for igual a um, ele representará o grau máximo de desigualdade e só ocorrerá quando apenas uma unidade for responsável pela totalidade dos recursos, sendo as demais unidades representadas pelo valor zero.

Mas todas as variáveis envolvidas no cálculo carecem de uma definição clara, considerado o contexto em que comparecem. Assim, por exemplo, as diferenças entre os níveis de renda dos indivíduos pode ser explicada por uma série de fatores ligados ao próprio indivíduo, que vão desde atributos pessoais, como sexo e idade, até atributos adquiridos, como escolaridade, tempo de serviço, etc. Conseguir explicar os fatores que mais afetam os níveis de renda e, portanto, a distribuição de renda tem sido preocupação constante de alguns pesquisadores.

Em seu primeiro relatório sobre desenvolvimento humano para a América Latina e Caribe

(―Atuar sobre o futuro: romper a transmissão intergeneracional da desigualdade‖) em que

aborda especificamente a distribuição de renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) constatou que a região continua sendo a mais desigual do planeta. Dos 15 países do mundo nos quais a distância entre ricos e pobres é maior, 10 estão na América Latina e Caribe. O Brasil tem o terceiro pior Índice de Gini do mundo, com 0,56, empatando nessa posição com o Equador. Concentração de renda pior só é encontrada em

Bolívia, Camarões e Madagascar, com 0,60; seguidos de África do Sul, Haiti e Tailândia, com 0,59. Entretanto, no caso do Brasil a desigualdade de renda caiu: em 2008, o Índice de Gini estava em 0,515. O relatório mostra que a concentração de renda na região é influenciada pela falta de acesso aos serviços básicos e de infraestrutura, baixa renda, além da estrutura fiscal injusta e da falta de mobilidade educacional entre as gerações.

O estudo também mostra que ser mulher indígena ou negra na região é, em geral, sinônimo de maior privação. As mulheres recebem menor salário que os homens pelo mesmo tipo de trabalho, têm maior presença na economia informal e trabalham mais horas que os homens. Em média, o número de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia é duas vezes maior entre a população indígena e negra, em comparação com a população branca.

Ainda segundo o relatório, a desigualdade na região é historicamente ―alta, persistente e se

reproduz num contexto de baixa mobilidade social‖. No entanto, para a entidade, é possível romper esse círculo vicioso não com meras intervenções para reduzir a pobreza, mas com a implementação de políticas públicas de redução da desigualdade, como o desenvolvimento de mecanismos de transferência de renda.

Título : Módulo 8 - Desafios da globalização

  • 8.1. Reconhecendo as dificuldades

Vimos, ao longo de todo o texto, as origens, dinâmicas e conseqüências da globalização, modelo integrador mas injusto, e que vem provocando desigualdades, tanto entre países como

dentro das próprias economias nacionais. O século XX ―foi o século dos paradoxos. (

...

)

Mas a

desigualdade não diminuiu. Ao contrário, mantém-se e há, inclusive, indicadores de que tenha

aumentado nas últimas décadas‖ (Paiva, 2002, p. 2).

O modelo globalizador é alvo de críticas: países centrais ou periféricos, políticos, acadêmicos, representantes de importantes segmentos da sociedade, todos são unânimes em apontar os problemas de um processo que só vem criando desigualdade e injustiça. Segundo Stiglitz (2007, p. 411),

―supunha-se que a globalização traria benefícios sem precedentes para todos. Contudo, curiosamente, ela passou a ser vilipendiada tanto no mundo em desenvolvimento como no

desenvolvido. Os Estados Unidos e a Europa vêem a ameaça da terceirização; os países em desenvolvimentos vêem os países industriais avançados inclinando o regime mundial contra eles. Os dois lados vêem os interesses das grandes empresas serem promovidos à custa de

outros valores‖.

Não apenas os países ricos ficaram mais ricos e os países pobres ficaram mais pobres. Dentro de cada nação, os que eram ricos continuaram ricos e concentrando a maior parte da riqueza; em contrapartida, os pobres continuaram excluídos e, na verdade, dada a face tecnológica e inovadora da revolução globalizadora, a exclusão tornou-se maior ainda.

Em resumo, podemos dizer que as possibilidades de mudança tornaram-se mais improváveis,

e a mobilidade social mais complexa. Sachs (1994, p. 9) já anunciava que, ―de acordo com as

estimativas do UNDP, entre 1975 e o ano 2000 a produção global da economia no mundo mais

que (

...

)

[duplicaria], enquanto que o total de empregos (

...

)

[aumentaria] em menos de 50%‖.

Portanto, não se trata apenas de estabelecer regras justas nas relações entre países, mas de

defender modelos econômicos que permitam a geração de empregos e a adoção de políticas sociais agressivas que possam fazer contrapartida aos efeitos maléficos do receituário neoliberal. Qualquer política econômica deve, assim, partir do princípio que desenvolvimento requer, acima de tudo, bem estar social.

O Brasil não escapou dos efeitos da globalização, tanto positivos quanto negativos. Desde o governo Collor, as políticas nacionais vêm se pautando pela abertura comercial e pela adoção das políticas preconizadas pelo capital internacional. Assim, se por um lado o país percebeu um incremento significativo no aumento quantitativo da produção e na posse de bens tecnológicos, aumentou também, e de forma inequívoca, a desigualdade social. Segundo Sachs (1994, p. 8),

―os três grupos de países — do Sul, do Leste e do Norte, em resumo vivem hoje, sob formas e intensidades diferentes, o problema do desemprego estrutural e do subemprego, bem como o conseqüente fenômeno de marginalização social, exclusão e segregação. Além disso, esses países têm pago um alto preço ambiental por seu inédito crescimento econômico na segunda

metade deste século‖.

  • 8.2. Construindo o futuro

Pensar na democratização da globalização requer, portanto, que sejam repensadas as estratégias de crescimento e desenvolvimento, e não somente no que diz respeito à geração do presente, mas, especialmente, das gerações futuras. Os críticos da globalização resumem a questão da seguinte forma: é necessário, mais do que nunca, rever as políticas preconizadas pelo Consenso de Washington. Segundo Sachs (1994, p. 9),

―Qual será, neste contexto, o efeito de uma abertura indiscriminada das economias, prescrita

igualmente ao Sul e ao Leste, pelo chamado consenso de Washington? Que critérios devem

ser usados para distinguir a competitividade genuína da espúria? Enquanto até países industrializados mais avançados acham difícil manter a atual velocidade de mudança tecnológica, de que forma evitar que a destrutividade criativa, postulada por Schumpeter, se transforme em destrutividade tout court? Que lugar deveria ser reservado, nas estratégias de desenvolvimento, para a abertura do mercado interno e para os não-comercializáveis?‖.

Democratizar a globalização significa desenvolvimento sustentável com justiça social. Segundo Paiva (2002, p. 5),

―Um dos principais desafios nos nossos dias é o de encontrar o caminho do desenvolvimento

econômico sustentável que simultaneamente resulte em ganhos de produtividade, de renda per capita e de justiça social. Se para crescer a economia tem que buscar cada vez maior eficiência e buscar a melhor alocação dos recursos escassos, isto não pode resultar em exclusão de segmentos crescentes da população. Da mesma maneira, o desenvolvimento deve ser sustentável na sua dimensão temporal, vale dizer, manter-se ao longo dos anos sem

comprometer os recursos que deveriam estar disponíveis às gerações futuras. Assim, os desafios da busca da eqüidade tem duas dimensões: sua relação com a eficiência e sua relação com o meio-ambiente e com o equilíbrio fiscal permanente‖.

Para que isso aconteça é necessário, portanto, que os empréstimos feitos a nações em

desenvolvimento não funcionem como verdadeiras camisas-de-força, o que significa dizer que os países não devem abrir mão de seus projetos nacionais de desenvolvimento para pagar os

serviços das dívidas externas. Pelo contrário, para Sachs (1994, p. 18), ―o financiamento da

dívida, dentro de limites razoáveis, deveria ser condicionado ao incentivo do trabalho gerido por métodos altamente intensivos de mão-de-obra, uma vez que a reserva de bens salariais é

elástica‖. Da mesma forma, governos não devem ser obrigados a declinar das políticas sociais, como se essas fossem possíveis apenas para os países ricos. O mesmo autor acrescenta: ―ao

invés de tratar os Welfare States como um luxo acessível apenas aos países ricos, os países em desenvolvimento poderiam inverter a seqüência histórica seguida pelos industrializados.

Naqueles países onde grassam a pobreza, a exclusão e o desemprego, o Welfare State é necessidade imediata‖ (SACHS, 1994, p. 18).

Democratizar a globalização significa criar instituições internacionais eficazes e imparciais. Segundo Stiglitz (2007, p. 421),

―os repetidos fracassos do FMI na gestão de crises da década passada foram o coup de grace, após anos de insatisfação com seus programas na África e em outros lugares, inclusiva a austeridade abusiva que impôs a essas nações. O fracasso dos países que seguiram as diretrizes ideológicas do Consenso de Washington propostas pelo FMI e o Banco Mundial e o

contraste com o sucesso em andamento dos países do Leste Asiático (

...

)

restaurar a confiança nessas instituições‖.

não ajudaram a

Democratizar a globalização significa diminuir o déficit democrático na gestão das questões econômicas mundiais. Segundo Stiglitz (2007, p. 441), ―as coisas não devem ser assim. Podemos fazer a globalização funcionar, não apenas para os ricos e poderosos, mas para todos, inclusive aqueles que vivem nos países mais pobres. A tarefa será longa e árdua. Já esperamos demais.

8.3. Exercícios Resolvidos

Exercício 1: Quais medidas podem ser tomadas para que se incorpore a ética nos processos globalizadores? Resposta: As sugestões para um desenvolvimento que incorpore ética devem envolver:

a) políticas de sustentabilidade, que considerem premente a necessidade de um uso mais racional dos recursos naturais; b) fortalecimento das instituições e órgãos internacionais responsáveis pela vigilância da paz e

da justiça;

  • c) inclusão social e tecnológica das nações menos favorecidas e, dentro de todas as nações,

inclusão social e tecnológica dos grupos sociais marginalizados;

  • d) a proteção às políticas sociais, colocando sua existência como condição na concessão de

empréstimos e financiamentos para nações em desenvolvimento;

  • e) apoio aos pequenos e médios negócios, em todos os países;

  • f) apoio às técnicas de uso intensivo de mão-de-obra, especialmente nos projetos financiados

com recursos internacionais;

Exercício 2: Porque é importante o apoio aos pequenos e médios negócios, se quisermos incluir a ética nos processos globalizadores? Resposta: Porque esse apoio pode servir de contraponto à tendência de concentração dos negócios sob a forma de grandes grupos monopolistas e oligopolistas.