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Informo que a moção que segue, em anexo, foi aprovada, sem votos contra,

numa reunião geral de professores no dia 4 de Novembro em que estiveram


presentes cerca de 80 professores. Neste momento estão a ser recolhidas
assinaturas para depois ser enviada a diversos órgãos
Maria da Graça de Almeida Ribeiro
Professora do grupo 520, da escola secundária Professor Herculano de
Carvalho - Lisboa

MOÇÃO

Os professores da Escola Secundária Professor Herculano de Carvalho, reunidos em


2008/11/04, no Anfiteatro, pelas dezassete horas, face ao actual modelo de avaliação de
desempenho, introduzido pelo Decreto Regulamentar n°2/2008 de 10 de Janeiro, apresentaram
os seguintes considerandos:

1. quando o processo de avaliação recorre a grelhas pré-formatadas pelo ME, com ligeiras
alterações pelo Conselho Pedagógico que anulam, por conveniência burocrática de agilização,
aspectos importantes na avaliação de um professor;

2. quando se impõe unilateralmente um modelo para mostrar e satisfazer uma opinião pública
apressada e pouco esclarecida que quer resultados milagreiros para ontem, na área da educação;

3. quando se avalia em condições cada vez mais penosas (horários gravemente acrescidos,
exigência de cumprimento de inúmeras tarefas que pouco têm a ver com o digno ofício de
ensinar, ...), "sem dias lisos, planos", citando Sophia de Mello Breyner Andresen, enfim,
privados de tempo para a reflexão, a formação e o desenvolvimento da nossa criatividade;

4. quando nos impõem um "modo funcionário de viver", que exige a rasura dos valores da
justiça, da adequação e da qualidade, para se sobreporem, a qualquer preço, os valores da
rendibilidade estatística do sucesso escolar, os professores declararam que este modelo de
avaliação de desempenho:

1. é inaplicável à luz de critérios de imparcialidade, rigor, justiça e equidade;

2. se caracteriza pela subjectividade dos seus parâmetros;

3. não contribui para uma alteração positiva das práticas pedagógicas dos professores;

4. perturba fortemente o funcionamento das escolas, criando um clima de instabilidade e


desmotivação pela imposição de tarefas burocráticas que subvertem a função docente e
descaracterizam a profissão;

5. potência a conflitualidade e a arbitrariedade criadas pelo ECD, nomeadamente, pela


divisão da carreira e pela implementação do concurso para professor titular;

6. cria graves assimetrias devido à forma díspar como está prevista a sua
operacionalização, dadas as diferentes interpretações de regras e de procedimentos;

7. impõe cotas que desvirtuam qualquer perspectiva dos docentes terem os seus méritos
devidamente reconhecidos.

Assim sendo, os abaixo assinados decidem suspender a aplicação deste modelo de avaliação até
que se proceda à sua substituição por outro que contribua para uma efectiva melhoria da escola
pública, para o verdadeiro reconhecimento do mérito e para a recolocação dos professores na
sua missão fundamental que é a de ensinar.