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U NIVERSIDADE DE C OIMBRA F ACULDADE DE C IÊNCIAS E T ECNOLOGIA D E

UNIVERSIDADE DE COIMBRA

FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELECTROTÉCNICA

E DE COMPUTADORES

BIOGÁS

COIMBRA

2007

Trabalho realizado por:

Olavo Brites Nº 501041080 Tiago Gafeira Nº501041106

Planeamento e Produção de Electricidade

Índice

Biogás

1-Introdução

3

 

2-Biogás

3

2.1- Composição e Propriedades do Biogás

4

2.2- Produção do Biogás

4

2.3- Uso de Biogás

9

2.4 Vantagens e Desvantagens

10

2.5 – Processo

11

2.6- Tipos de digestores

11

2.7- Resíduos utilizados

12

2.8- Recuperação de Metano das lixeiras

13

2.9- Águas residuais

14

3 -Biogás em Portugal

14

4-Emissões de gases

25

 

4.1-Protocolo de Kioto

26

5-

Alguns exemplos de instalações de Biogás a nível Mundial

27

5.1 Sistema de digestão anaeróbia [Coreia]

27

5.2 Sistema de Digestão anaeróbia [Reino Unido]

29

6- Conclusão

31

7- Medidas propostas

31

8- Bibliografia

32

Planeamento e Produção de Electricidade

1. Introdução

Biogás

Ao contrário dos combustíveis fosseis que se formaram à 300 milhões de anos, as energias renováveis são originárias de fontes que estão em sucessiva renovação. E são as energias renováveis que tornam possível a redução da dependência de combustíveis sujos, que são cada vez mais escassos e até perigosos na sua utilização. Estas novas tecnologias possibilitam uma maior comodidade na sua utilização, uma maior confiança económica que cada vez mais é dependente de consumíveis fosseis, uma fonte de desenvolvimento dos meios rurais e uma solução para resíduos naturais e urbanos que cada vez mais se amontoam pelo planeta. Algumas destas tecnologias possibilitam a diminuição do preço pago pela electricidade e a criação de plataformas adicionais que tornam a sua actividade rentável através do fornecimento da energia excedentária à rede pública. Estas aplicações podem tanto ser usadas em pequena escala fornecendo energia a pequenas povoações, meios rurais e populações remotas como em grande escala, podendo fornecer energia a indústrias ou a áreas altamente povoadas.

2. Biogás

O biogás é um gás combustível, constituído em média por 60% de metano e 40 % de CO2, que é obtido pela degradação biológica anaeróbica dos resíduos orgânicos. Este gás pode ser usado como substituto do gás natural e assim produzir calor, vapor e electricidade, sendo que os mecanismos agora usados terão de ser substituídos por outros já adequados às características da combustão do biogás. O biogás é tipicamente usado em combustões internas para a produção de electricidade sendo que tecnologias que estão em desenvolvimento apontam para a utilização do biogás em micro turbinas, células de combustível e equipamentos a vapor, sendo que a sua utilização para a produção de calor, água quente e vapor já é completamente abrangida pelas tecnologias existentes. Uma das principais vantagens na utilização e recuperação do biogás é sem dúvida o efeito ambiental. O biogás é constituído principalmente por metano e dióxido de carbono dois dos principais gases de efeito de estufa, sendo que a sua utilização vai levar à diminuição das emissões de gases de efeito de estufa e também compensar produções altamente nocivas ao ambiente.

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2.1- Composição e Propriedades do Biogás

Biogás

O Biogás é uma mistura gasosa composta principalmente por:

Nota: Dependendo da origem

COMPOSTOS

QUANTIDADES

Metano

55 a 66 % do volume de gás produzido

Dióxido de Carbono

35 a 45 % do volume de gás produzido

Nitrogénio

0

a 3 % do volume de gás produzido

Oxigénio

0

a 1 % do volume de gás produzido

Hidrogénio

0

a 1 % do volume de gás produzido

Sulfureto de Hidrogénio

0

a 3 % do volume de gás produzido

• O poder calorífico do Biogás é aproximadamente 21600 kJ/m3.

• O principal componente do Biogás, quando usado como combustível é o metano

(CH4).

• O metano, não tem cheiro, cor ou sabor, mas outros gases presentes, conferem-lhe

um ligeiro odor de alho ou de ovo podre.

• Apresenta menor perigo de explosão – NÃO TÓXICO.

• A densidade do metano é pouco mais de metade do peso do ar. (ρ= 0,72 kg/m3)

• Fonte de energia alternativa e renovável.

2.2- Produção de Biogás

2.2.1- Meios de produção

• A digestão anaeróbica (processo pelo qual é produzido o Biogás), tratasse de um

processo natural que ocorre em pântanos, lagos, rios, tratando-se de uma importante parte do ciclo biogeoquímico do carbono.

• A produção de Biogás é também possível a partir de diversos resíduos orgânicos:

- Excrementos de animais.

- Lodos de esgoto.

- Lixo doméstico.

- Resíduos agrícolas.

- Afluentes industriais.

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Biogás

Neste caso a digestão anaeróbia é realizada em biodigestores especialmente projectados, estes produzem uma mistura gasosa que pode ser usada como combustível. O resíduo dos biodigestores é um excelente biofertelizante.

2.2.2- Digestão anaeróbica

Os processos de fermentação anaeróbia que produzem metano, foram desde sempre, utilizados pelo Homem para o tratamento das águas residuais, nos sistemas conhecidos por "fossas sépticas". A digestão anaeróbica deriva dos ecossistemas anaeróbicos naturais e representa a conversão microbiológica de matéria orgânica em metano na ausência de oxigénio, através da decomposição bacteriana dos materiais orgânicos. Ocorre em vários ambientes anaeróbicos naturais, tais como, sedimentos de água do mar ou água doce, campos de arroz, solos alagados, em regiões vulcânicas, de fontes quentes ou zonas hidrotermais de águas profundas, no estômago dos ruminantes e nos sedimentos de águas residuais. A digestão anaeróbia é um processo que envolve a degradação biológica da matéria orgânica, em condições de ausência de oxigénio. Após o pré-tratamento dos resíduos, estes dão entrada num digestor, onde se irá dar o processo de degradação, resultando dois tipos de produtos: a lama digerida e o biogás. A matéria digerida pode ser separada em fracção líquida e fracção sólida, sendo que esta última deve sofrer um processo de compostagem para maturação e estabilização do produto. No final desta fase, o composto obtido estará pronto para ser aplicado como correctivo orgânico. O efluente líquido poderá ter três destinos diferentes: ser recirculado para o digestor, para ser misturado com novos resíduos, ser aplicado no solo como fertilizante, ou ser encaminhado para uma ETAR.

no solo como fertilizante, ou ser encaminhado para uma ETAR. Figura 1 – Fotografia de um

Figura 1 – Fotografia de um digestor

encaminhado para uma ETAR. Figura 1 – Fotografia de um digestor Figura 2 – Esquema interno

Figura 2 – Esquema interno de um digestor

Planeamento e Produção de Electricidade

Biogás

O biogás, devido à sua composição, apresenta um potencial energético que permite a sua utilização em diversas aplicações. Existe a possibilidade de produção de vapor para o aquecimento do próprio digestor, no entanto, a opção mais interessante será a sua aplicação para produção de electricidade, reaproveitando o calor para processos no qual seja necessário. Neste último caso, além de se produzir o calor suficiente para manutenção do processo anaeróbio, existe produção de electricidade que pode ser exportada para a rede de distribuição com uma tarifa de energia renovável. A qualidade e quantidade do biogás obtido dependem das características dos resíduos presentes no processo de digestão, uma vez que cada tipo de resíduo orgânico apresenta potenciais diferentes. A optimização do processo passa pela mistura de vários tipos de resíduos biodegradáveis (co-digestão) de forma a se atingir o equilíbrio adequado e retirar a máxima potencialidade da solução.

adequado e retirar a máxima potencialidade da solução. Figura 1 - Processo de digestão anaeróbia A

Figura 1 - Processo de digestão anaeróbia

A digestão anaeróbia é uma reacção química realizada basicamente em 3 estágios, através de diversos tipos de bactérias na total ausência de oxigénio, são eles:

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Biogás

1. Estágio (Hidrólise e Acidogénese)

A matéria orgânica é convertida em moléculas menores pela acção de bactérias:

• Hidroliticas – transformam proteínas em peptidios e aminoacidos; polissacarideos em monossacarideos; gorduras em graxos.

• Fementativas – transformam produtos anteriores, em ácidos solúveis e álcoois.

2. Estágio (Acetogénese)

Nesta etapa, bactérias acetogénicas transformam os produtos do Estágio 1 em:

• Acido acético (CH3COOH)

• Hidrogénio (H2)

• Hidróxido de Carbono (CO2)

3. Estágio (Metanogénese)

As bactérias metanogénicas transformam o hidrogénio (H2), o acido acético e o dióxido de carbono em METANO (CH4). Estas bactérias são extremamente sensíveis a mudanças do meio tais como PH ou Temperatura.

Existem dois tipos de processos de digestão anaeróbica:

Digestão mesofílica - O digestor é aquecido até 30 a 35ºC e os resíduos ficam tipicamente no digestor durante 15 a 30 dias. A digestão mesofílica tende a ser mais robusta e tolerante que o processo termofílico, mas a produção de gás é menor, são necessários grandes tanques de digestão e a desinfecção, se necessária, é um processo separado.

Digestão termofílica - O digestor é aquecido até 55ºC durante 12 a 14 dias. Este sistema proporciona uma maior produção de metano, maior rendimento, melhor desinfecção de elementos patogénicos, mas requer tecnologia mais cara, maior quantidade de energia fornecida, e um mais sofisticado grau de controlo e monitorização.

Os digestores de alta temperatura têm maior tendência a avariar devido às possíveis flutuações de temperatura, e a sua correcta operação requer uma manutenção exigente. A maioria das centrais de biogás agrícolas, operam a temperaturas mesofílicas. As temperaturas termofílicas são aplicadas principalmente em centrais de larga escala centralizadas com co- digestão, onde existem requisitos de saneamento mais restritos.

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Biogás

2.2.3 – Condições necessárias à produção de Biogás

Dado que a produção de Biogás é feito através de bactérias, existem condicionantes de sobrevivência das mesmas, isso afectara directamente a produção. As condições de vida para as bactérias são:

1. Impermeabilidade ao ar – A decomposição da matéria orgânica na presença de ar (oxigénio) irá produzir apenas Dióxido de Carbono, isto implica que o Biodigestor seja totalmente vedado.

2. Temperatura – As bactérias (principalmente as que produzem o METANO) são muito sensíveis à variação da temperatura. A faixa ideal de temperatura para a produção de Biogás é de 35º a 45º, sendo mais importante a não existência de variações bruscas da temperatura. Em países tropicais ou subtropicais o Biodigestor dispensa sistema adicional de aquecimento.

3. Alcalinidade e PH – A alcalinidade é uma medida da quantidade de carbonato na solução (proveniente do CO2, produzido durante a digestão anaeróbia). Esta é importante pois à medida que se produzem ácidos no meio, o carbonato reage com estes, o que permite um controlo de acidez do meio. As bactérias sobrevivem numa faixa de PH entre 6,5 e 8,0.

4. Teor de água - O teor de água dentro do Biodigestor deve variar entre 60 % a 90 % do peso do conteúdo total.

5. Nutrientes - Os principais nutrientes das bactérias são o carbono, nitrogénio e sais orgânicos. Uma relação especifica de carbono para nitrogénio deve ser mantida entre 20:1 a 30:1. A produção de Biogás não é bem sucedida se apenas uma fonte de material for utilizada.

6. Tempo de retenção - Dado ser este o tempo necessário para que a mateira orgânica produza Biogás, dentro do Biodigestor (entre 10 a 30 dias).

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Biogás

2.2.4 – Resíduo da Produção de Biogás

Simultaneamente à obtenção do Biogás, a digestão anaeróbica orgânica produz, como resíduo, uma substância parecida com lodo, que quando diluída, pode ser utilizada como fertilizante agrícola. A este fertilizante chama-se BIOFERTILIZANTE apresentando este grandes quantidades de nitrogénio e de fósforo. Este fertilizante é vantajoso, também, dada a sua facilidade de mobilização pelos microorganismos no solo devido ao avançado grau de decomposição.

2.3 - Uso de Biogás

O Biogás pode ser estritamente inflamável, oferecendo condições para:

1. Uso em fogão doméstico;

2. Lampiões;

3. Combustível para motores de combustão interna;

4. Secadores de grão ou secadores diversos;

5. Geração de energia eléctrica;

6. Este pode ainda ser utilizado para a indústria;

eléctrica; 6. Este pode ainda ser utilizado para a indústria; Figura 2 – Varias aplicações do

Figura 2 – Varias aplicações do Biogás

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2.4 – Vantagens e Desvantagens

Vantagens:

Biogás

Em termos de tratamento de resíduos:

1. É um processo natural para tratar resíduos orgânicos.

2. Requer menos espaço que aterros sanitários ou compostagem.

3. Diminui o volume de resíduo a ser descartado.

Em termos de energia:

1. É uma fonte de energia renovável.

2. Produz um combustível de alta qualidade, através deste processo evita-se a

libertação de METANO para a atmosfera que provoca um aumento do efeito estufa, (a combustão do METANO só produz água e Dióxido de Carbono). Em termos ambientais:

1. Reaproveitamento da matéria orgânica.

2. Produz como resíduo um biofertelizante, rico em nutrientes e livres de

microorganismos patogénicos.

3. Reduz significativamente a quantidade emitida para a atmosfera de METANO.

4. Por sua vez no tratamento de afluentes, reduz alguns organismos patogénicos prejudiciais a saúde publica além de reduzir o consumo de oxigénio neste tipo de reacções.

Em termos económicos:

1. Apesar do elevado custo inicial, numa perspectiva a longo prazo resulta

uma grande economia, pois reduz, gastos com electricidade, esgotos, descarte de resíduos, etc.

Desvantagens:

Possível formação, caso a biodigestão não esteja a funcionar correctamente, de gás sulfidrico (H2S), gás tóxico. Implica possivelmente uma etapa de tratamento do gás obtido. Escolha adequada do material a utilizar na construção do Biodigestor, pois há formação de gases altamente corrosivos. Custo inicial.

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Possibilidade de custo de manutenção.

2.5- Processo

Biogás

Uma central de biogás é normalmente constituída por vários elementos:

• A unidade de produção, que inclui o digestor anaeróbico, possivelmente um tanque de armazenamento, e o sistema de remoção de resíduos.

• O sistema de armazenamento e de purificação do gás.

• O equipamento para a utilização do gás e dos resíduos.

O equipamento para a utilização do gás e dos resíduos. Figura 3 – Processo de obtenção

Figura 3 – Processo de obtenção de biogás

2.6- Tipos de digestores

• Um digestor de lagoa coberta, consiste numa lagoa de armazenamento dos resíduos com uma cobertura. A cobertura aprisiona o gás produzido durante a decomposição dos resíduos. Este tipo de digestor é o mais barato e é adequado para resíduos líquidos com menos de 3% de sólidos. Neste tipo de digestor toda ou parte da lagoa é coberta por uma capa impermeável flutuante. Com um piso ao longo das margens a cobertura

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Biogás

proporciona uma selagem hermética. Um tubo de sucção é usado para extrair o gás para posterior utilização.

• O digestor de mistura completa converte os resíduos orgânicos num tanque acima ou abaixo do solo. Um misturador mecânico ou gasoso mantêm os sólidos em suspensão. Este tipo de digestores tem um elevado custo de construção e de operação e manutenção, mas são adequados para grandes volumes de resíduos, com concentração de sólidos entre 3 e 10%, requerem menor área de terreno e são aquecidos.

• Os digestores de fluxo pistão são aplicados para resíduos de animais ruminantes, com uma concentração de sólidos entre 11 e 13%, requerendo uma manutenção reduzida. Tipicamente este sistema inclui um sistema de recolha dos resíduos, um poço de mistura e o digestor propriamente dito. A adição de água ajusta a porção de sólidos na mistura de resíduos para obter uma consistência óptima.

• Os digestores de película fixa consistem em um tanque com uma zona intermédia plástica que suporta uma película fina de bactéria anaeróbica chamada de biopelicula. À medida que os resíduos passam através da zona intermédia é produzido biogás. Tal como nos digestores de lagoa coberta têm melhor aplicação em resíduos diluídos.

2.7- Resíduos utilizados

Resíduos animais – Devido a benefícios ambientais e veterinários, esta utilização é largamente aplicada em muitos países com produção animal intensiva e alta densidade de resíduos por hectare, controlada por regras restritas relacionadas com o manuseamento, armazenagem, distribuição e aplicação dos resíduos.

Águas residuais - O sistema é usado em muitos países em ligação com os sistemas avançados de tratamento municipais. O processo de digestão anaeróbica é usado para estabilizar e reduzir a quantidade final de sedimentos. O biogás produzido é usado para cobrir parcialmente as necessidades energéticas da ETAR.

Tratamento de efluentes industriais – Tratamento de efluentes industriais provenientes das indústrias de processamento de alimentos e agro-indústrias. O biogás é normalmente utilizado para gerar energia para o processo. Os benefícios ambientais

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Biogás

e os elevados custos de recolha e tratamento alternativo irá aumentar a aplicação deste processo no futuro.

Tratamento de resíduos orgânicos urbanos – O tratamento da fracção orgânica separada na fonte dos resíduos sólidos domésticos é uma das áreas com um maior potencial, no âmbito da energia da biomassa. O objectivo desta aplicação é a redução do fluxo de resíduos orgânicos para os sistemas de tratamento e a reciclagem de nutrientes para o sector agrícola. Parte do tratamento destes resíduos é feita em centrais de co-digestão.

2.8- Recuperação de Metano das lixeiras

O mesmo processo de digestão anaeróbica que produz biogás a partir de resíduos animais, ocorre naturalmente em lixeiras e é causado pela decomposição microbiológica da matéria orgânica no lixo. A maioria do gás resulta da decomposição do conteúdo de celulose dos resíduos sólidos. O gás resultante é em média 50% metano e 45% dióxido de carbono e 5% outros gases, com um conteúdo energético de 12 a 16 MJ/m 3 . A eficiência do processo depende da composição dos resíduos e do conteúdo de resíduos, do material de cobertura, e da temperatura.

de resíduos, do material de cobertura, e da temperatura. Figura 4 – Esquema de um digestor

Figura 4 – Esquema de um digestor numa lixeira

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Biogás

2.9- Águas residuais

As águas residuais municipais contêm biomassa orgânica e muitas ETARs usam a digestão anaeróbica para reduzir o seu volume. A digestão anaeróbica estabiliza os sedimentos e destrói os elementos patogénicos. A digestão dos sedimentos produz biogás com um conteúdo de 60 a 70% de metano, com um conteúdo energético de cerca de 18 MJ/m 3 . A maioria das ETARs queima o gás para produção de electricidade e para fornecer o calor necessário para manter a temperatura do digestor e aquecer os edifícios.

manter a temperatura do digestor e aquecer os edifícios. Figura 5 - Esquema de aproveitamento do

Figura 5- Esquema de aproveitamento do biogás em águas residuais

3-Biogás em Portugal

Devido à necessidade de ultrapassar o problema causado pela extinção dos consumíveis fosseis e dos problemas ambientais que cada vez mais assolam o nosso planeta vem a necessidade da utilização, por parte de todos os países, de novas tecnologias que possam além de colmatar todas as necessidades energéticas, manter e proteger o nosso planeta. E claro que Portugal não pode fugir à regra, e tem desenvolvido algumas infra- estruturas de aproveitamento do biogás. Apesar deste recurso não ter sofrido grande desenvolvimento e implementação no nosso país, estão em desenvolvimento novos projectos de implementação e ampliação de centrais de produção de energia eléctrica. Os planos de acção nacionais para o biogás poderão diminuir as incertezas para os investidores através da avaliação da disponibilidade física e económica de diferentes tipos de aproveitamentos, incluindo as estações de tratamento de águas e os resíduos sólidos urbanos,

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Biogás

bem como culturas agrícolas, indicando as medidas que deverão ser tomadas a nível nacional para promover esse processo. Os planos poderão também ser associados a campanhas de informação dos consumidores sobre os benefícios do biogás. As regiões poderão também desempenhar um papel útil nesse contexto. Actualmente existe em Portugal perto de uma centena de sistemas de produção de biogás, na sua maior parte proveniente do tratamento de efluentes agro-pecuários (cerca de 80%), e essencialmente de digestão anaeróbia e com digestores a funcionar à temperatura mesofílica. Utilizam em 75% dos casos, a limalha de ferro para filtrar o gás. 38% Usam lavadores de água. O biogás representa actualmente cerca de 3% do consumo energético nacional, com aplicações ao tratamento de resíduos provenientes de suiniculturas, aviários e vacarias de grande dimensão, instalações agro-industriais, ETARs e RSUs, No final de 2006 em Portugal estavam instalados cerca de 7.1 MW de potência ( o que corresponde a um aumento médio anual de 38%) tendo sido produzido 26 GWh de energia eléctrica.

de 38%) tendo sido produzido 26 GWh de energia eléctrica. Gráfico 1- Desenvolvimento da potência eléctrica

Gráfico 1- Desenvolvimento da potência eléctrica devido à utilização do biogás em Portugal.

eléctrica devido à utilização do biogás em Portugal. Gráfico 2- Desenvolvimento da produção de energia devido

Gráfico 2- Desenvolvimento da produção de energia devido à utilização do biogás em Portugal.

Planeamento e Produção de Electricidade

Planeamento e Produção de Electricidade Biogás Gráfico 3 - Evolução das horas anuais médias de produção

Biogás

Gráfico 3 - Evolução das horas anuais médias de produção de energia eléctrica a partir do biogás.

Distribuição nacional do sector pecuário e agro-industrial.

nacional do sector pecuário e agro-industrial. Figura 6 - Distribuição nacional de explorações

Figura 6 - Distribuição nacional de explorações instaladas e licenciadas do sector pecuário e agro- industrial até 2007.

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Biogás

Dentro deste sector é importante salientar o papel das actividades bovinas, suínas e aviárias. Estas actividades devido a normas comunitárias tiveram algum retrocesso no aumento do número de animais por exploração, sendo que as novas explorações tiveram de obedecer a um limite de habitantes. Assim o crescimento de animais foi bastante pequeno comparado com outros anos, facto que vamos analisar a seguir:

com outros anos, facto que vamos analisar a seguir: Gráfico 4 - Número médio de efectivos

Gráfico 4- Número médio de efectivos animais por exploração

Até Março de 2007 foram registados 944 aviários e 6.370.506 número de efectivos animais. Este foi o sector com maior evolução do número de animais sendo que as instalações de mecanismos de recolha de biogás praticamente não aumentaram.

O potencial energético diário dos resíduos das explorações de bovinos, de galinhas poedeiras e de suínos, é de cerca de 318.450 m 3 /d de biogás. Considerando que o rendimento médio de conversão da matéria orgânica em biogás, para todos os efluentes é de cerca de 50%, e que o biogás produzido tem um valor médio do Poder Calorífico Inferior de cerca de 5.500 kcal/m 3 (23.027 kJ/m 3 ), então o potencial energético global dos efluentes líquidos considerados é de 32.000 tep/ano.

318.450 m 3 /d biogás, com PCI = 23.027 kJ/m 3 ↔ 669 · 10 9 kJ/ano ↔ 32.000 tep/ano

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Biogás

Este potencial energético corresponde um potencial de 112 GWh/ano em energia eléctrica, considerando um rendimento de conversão de 30%, representando as suiniculturas 75% desse valor.

     

Potencial em Metano

Actividades

Kg CQO/ano

m 3 CH 4 /ano

Biogás com cerca de 70% de metano

0,35 m 3 CH 4 /kg

m 3 de biogás/ano

m 3 de biogás/dia

Criação de gado bovino

39.420.000

13.797.000

19.710.000

54.000

Aviário galinhas produção de ovos

23.579.000

8.252.650

11.789.500

32.300

Aviário galinhas de multiplicação

11.789.500

4.126.325

5.894.750

16.150

Criação de porcos

157.680.000

55.188.000

78.840.000

216.000

Total Agro-pecuária

232.468.500

81.363.975

116.234.250

318.450

Tabela 1 - potencial da recuperação de metano para a actividade agro-pecuária

Em Portugal são ainda poucas as empresas com estações de tratamento de efluentes com digestão anaeróbia. A sazonalidade da actividade de certas empresas (por exemplo frutas e legumes enlatados) pode ser um factor que dificulte a sua aplicação. No entanto, devido á necessidade de precaver possíveis contaminações, entrou em vigor uma nova legislação que obriga empresas a tratarem as suas águas residuais. De todas as explorações de azeite que foram analisadas pela ASAE (autoridade para a segurança alimentar) apenas 27% cumpriam os requisitos necessários para ao seu correcto funcionamento e de todas as explorações analisadas 7% têm ou ponderam a implementação de sistemas anaeróbicos para o aproveitamento de biogás (fonte DN).

Tal como a exploração de azeite outras também funcionam deficientemente sendo que o potencial de aproveitamento do biogás nestas explorações é bastante elevado, facto que pode ser observado no seguinte quadro.

Planeamento e Produção de Electricidade

Biogás

   

Potencial em Metano

 

m

3

Biogás com cerca de 70% de metano

Actividades

CH 4 /ano

 

Kg

0,35 m 3 CH 4 /kg

m 3 de biogás/ano

m 3 de biogás/ dia

CQO/ano

Matadouro (bovino, ovino, caprino, equídeo)

3.014.442

1.055.055

1.507.221

4.129

Matadouro aves capoeira

3.700.828

1.295.290

1.850.414

5.070

Matadouro porcos

15.976.261

5.591.691

7.988.131

21.885

Conservas de peixe e produtos de pesca em azeite ou óleo

1.759.905

615.967

879.953

2.411

Preparação e fabrico de produção à base de carne

3.617.010

1.265.954

1.808.505

4.955

Concentrados de tomate

5.167.840

1.808.744

2.583.920

7.079

Produção de azeite

14.006.565

4.902.298

7.003.283

19.187

Refinação de azeite

6.934

2.427

3.467

9

Produção e refinação de óleos e gorduras

4.693.176

1.642.611

2.346.588

6.429

Conservação de frutas e produtos hortícolas

376.191

131.667

188.096

515

Fabricação de sumos de fruta

3.900.558

1.365.195

1.950.279

5.343

Fabric. de doces, compotas e geleias de fruta

655.736

229.508

327.868

898

Refinação do açúcar

1.176.319

411.712

588.160

1.611

Pasteurização e engarrafamento de leite

1.287.340

450.569

643.670

1.763

Queijo tipo flamengo

6.942.791

2.429.977

3.471.396

9.511

Indústrias de lacticínios

1.254.220

438.977

627.110

1.718

Fabricação de gelados

51.678

18.087

25.839

71

Fabricação de margarina e produtos afins

533.393

186.687

266.696

731

Fabricação de fermentos e leveduras

49.071.960

17.175.186

24.535.980

67.222

Aguardente de bagaço ou bagaceira

169.003

59.151

84.502

232

Aguardente vínica não preparada

337.876

118.257

168.938

463

Fabricação de cerveja

2.526.895

884.413

1.263.448

3.462

Fabricação de malte

1.686.934

590.427

843.467

2.311

Bebidas não alcoólicas e águas gaseificadas

3.331.862

1.166.152

1.665.931

4.564

Total Agro-Alimentar

125.245.717

43.836.002

62.622.862

171.569

Tabela 2- Aproveitamento do biogás

O potencial energético diário calculado para o sector agro-alimentar é de cerca de 172.000 m 3 /d de biogás. Considerando que o rendimento médio de conversão da matéria orgânica em biogás, para todos os efluentes é de cerca de 50%, e que o biogás produzido tem um valor médio do Poder Calorífico Inferior de cerca de 5.500 kcal/m 3 , então o potencial energético global dos efluentes líquidos considerados é de 17.000 tep/ano.

172.000 m 3 /d biogás, com PCI = 23.027 kJ/m 3 ↔ 361 · 10 9 kJ/ano ↔ 17.000 tep/ano Á qual corresponde um potencial energético de 60 GWh/ano em energia eléctrica, considerando um rendimento de conversão de 30%.

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Biogás

Para populações com dimensão superior a 10.000 a 15.000 habitantes, é económico proceder-se à digestão anaeróbia das lamas com consequente produção de biogás. Considerando que 80% da matéria seca são sólidos voláteis (SV) e que, destes, 50% são convertidos em biogás à razão de 1 m 3 /kG SV, cada tonelada de matéria seca dá origem a cerca de 350 m 3 de biogás. Se a energia química do biogás for transformada mediante cogeração, cada tonelada de matéria seca poderá gerar perto de 600 kWh em energia eléctrica e 1.100 kWh de energia térmica. A energia térmica é utilizada em grande parte no próprio processo de digestão das lamas, podendo o eventual excedente ser usado na higienização e secagem dos sólidos digeridos, pelo que não representa geralmente uma mais-valia energética. Assumindo que é possível aproveitar 75% das lamas geradas a nível nacional para digestão anaeróbica com aproveitamento energético do biogás produzido, o potencial situa-se em cerca de 158 GWh/ano de energia eléctrica, o que equivale a 46.000 tep de energia primária por ano.

As estações de tratamento de águas residuais e sanitárias são a principal fonte, em desenvolvimento, de recolha de biogás no nosso país. Devido à atribuição de licenças de exploração de águas e saneamentos nacionais a empresas privadas levou à obrigatoriedade da construção de ETARs para o tratamento de águas sanitárias, de águas pluviais, de ribeiras e afluentes. Assim, também foram desenvolvidas políticas de apoio à instalação de mecanismos de retenção de metano e consequente produção de biogás. Estas medidas levaram a que o potencial destas estações crescesse. Para o tratamento destas águas é necessário um grande consumo de energia, e em muitos casos a energia eléctrica produzida através do biogás não chega para uma auto-suficiência.

através do biogás não chega para uma auto-suficiência. Gráfico 5 - Consumo de energia eléctrica numa

Gráfico 5- Consumo de energia eléctrica numa ETAR com sistema de recuperação de biogás.

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Biogás

Planeamento e Produção de Electricidade Biogás Gráfico 6 - Energia eléctrica media produzida numa ETAR em

Gráfico 6- Energia eléctrica media produzida numa ETAR em Portugal no ano 2006.

Aterros sanitários Os resíduos sólidos urbanos (RSU) colocados em aterro em Portugal são ricos em matéria orgânica, a qual em condições anaeróbicas no seio do material depositado, dá origem a biogás. A produção de electricidade será uma solução viável de aproveitamento do biogás devendo ser consideradas também outras utilizações, incluindo a introdução na rede de gás natural. Embora se tenha como objectivo a separação progressiva dos resíduos passíveis de valorização orgânica da restante matéria a aterrar, no futuro mais próximo uma grande parte da matéria orgânica continuará a ser depositada nos aterros, dando origem a biogás. Até ao ano de 2006 serão depositadas em aterro, uma média anual de 2.000.000 de toneladas de RSU. Sabendo que a respectiva produção de biogás se situa na ordem dos 100 m 3 /ton, estima- se uma produção média de biogás de 200 milhões de m 3 /ano. Assumindo um teor médio de metano no biogás de 50% (PCI ≈ 5 kWh/m 3 ) e um rendimento de conversão eléctrica de 30%, o potencial teórico disponível corresponde a 300 GWh/ano de electricidade. Limitando esse potencial a 50% é possível gerar 150 GWh/ano de energia eléctrica, o que corresponde a 43.500 tep de energia primária. Para que o biogás possa ser explorado comercialmente através da sua recuperação energética, o aterro sanitário deverá receber no mínimo 200 Toneladas/dia de resíduos ter uma capacidade mínima de recepção de 500.000 toneladas e uma altura media de carregamento de 10 metros.

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Biogás

Planeamento e Produção de Electricidade Biogás Gráfico 7 - Demonstra a composição dos resíduos sólidos urbanos.

Gráfico 7- Demonstra a composição dos resíduos sólidos urbanos.

Destes resíduos cerca de 57% é depositado num aterro sanitário, enquanto os restantes são incinerados ou reciclados.

Produção média de energia eléctrica num aterro sanitário em 2006

média de energia eléctrica num aterro sanitário em 2006 Gráfico 8 - Média de energia produzida

Gráfico 8- Média de energia produzida num aterro sanitário em Portugal no ano de 2006 a

(verde) e a (vermelho) fracção injectada na rede eléctrica nacional

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Biogás

A digestão anaeróbia é um processo que, com excepção do tratamento das lamas das ETAR, não tem tido aceitação alargada em Portugal, contribuindo para o efeito o elevado custo de investimento, o fracasso de algumas instalações e a propaganda negativa de empresas com tecnologia concorrente. No entanto, o processo é indiscutivelmente muito vantajoso na degradação dos efluentes e resíduos orgânicos existindo tecnologias adaptáveis a qualquer tipo de substrato sendo, contudo, a sua divulgação e conhecimento insuficiente. Pouca relevância é, em geral, dedicada à valia energética dos projectos ambientais, que se avaliam essencialmente pela capacidade de tratamento que permitem atingir, o que é essencial, mas secundarizando em demasia os custos de investimento e de exploração. Na vertente económica é referida, de um modo geral, a baixa retribuição da energia eléctrica produzida a partir da digestão anaeróbia, o que prejudica a amortização dos investimentos.

Como vimos nesta secção o potencial do aproveitamento de biogás em Portugal é bastante significativo e devido a este factor estão em curso novas políticas para um aproveitamento sustentável. O aparecimento destas novas medidas vêm da necessidade de reduzir a emissão dos gases de efeito de estufa e reduzir a nossa dependência dos escassos combustíveis fosseis. O aproveitamento do biogás seria uma das possíveis soluções que Portugal poderia adoptar para cumprir a meta definida pelo protocolo de Kioto. Apesar dos custos de implementação desta tecnologia é possível obter três factores de ganho: um a diminuição das emissões de metano, um dos principais gases de efeito de estufa, outra seria o aproveitamento de um recurso que existe e tem uma margem de potencial significativa e por ultimo a redução da necessidade de importação de energia eléctrica. Por fim, nesta secção, podemos definir o potencial do biogás como sendo bastante significativo. Este potencial foi quantificado pelo INETI, com base nos desenvolvimentos obtidos nos digestores, nas turbinas, na taxa de crescimento do número de animais, nos projectos apresentados por empresas e autarquias para a construção de aterros sanitários e estações de tratamentos de água sendo possível obter os seguintes resultados:

Sector

tep

GWh

MW

Agro-Pecuária

32.000

112

29

Agro-Alimentar

17.000

60

15

ETAR

46.000

158

41

RSU

43.500

150

38

Total

138.500

480

123

Tabela 3- Potencial do biogás

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Biogás

Fertilizantes

Como vimos são inúmeras as vantagens do aproveitamento do biogás. O biogás é fruto da decomposição anaeróbia, sendo que este tipo de decomposição não é o único existente. Outro processo de decomposição é a decomposição aeróbia, isto é, decomposição na presença de oxigénio. Desta decomposição resultam o hidrogeno e a amónia. De ambos os processos resulta uma certa quantidade de calor e uma matéria orgânica sólida que pode ser utilizada como fertilizante para as plantas. A decompostagem é o método que utiliza a decomposição aeróbia para a produção de fertilizantes, sendo que a decomposição anaeróbia é mais utilizada para a obtenção de biocombustiveis. Na matéria de fertilizantes, uma grande diferença entre estes dois métodos é a disponibilidade de nitrogénio. O Nitrogénio é fundamental para o crescimento das plantas. Muitos dos fertilizantes utilizados na agricultura são constituídos principalmente por nitrogénio. E neste campo o

principalmente por nitrogénio. E neste campo o processo anaeróbio é uma mais-valia. Durante um processo

processo anaeróbio é uma mais-valia. Durante um processo aeróbio o nitrogénio formado, com o decorrer do processo, vai ser libertado em forma de gás de amónia ou é dissolvido na superfície na forma de nitratos, enquanto no processo anaeróbio o nitrogénio é convertido em iões de amónio. Quando a matéria sólida de decomposição resultante do processo anaeróbio é usado como fertilizante, os iões de imediato anexam se ás partículas do solo, proporcionando assim ás plantas uma maior fonte de nitrogénio tão fundamental ao seu crescimento.

Figura 7 - Esquema simplificado de um processo de decomposição anaeróbia, do qual resulta biogás e fertilizantes.

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Biogás

Sem dúvida que esta é uma mais-valia, a juntar às já apresentadas para o processo de aproveitamento do biogás. Assim a juntar-se à produção de energia eléctrica, à possível utilização como substituto do gás natural e GPL, à fonte de energia térmica proveniente da cogeração temos agora a possibilidade de através do mesmo processo obtermos uma matéria que pode ser utilizada para a fertilização de plantas o que leva ainda mais este processo a ser considerado como um meio de desenvolvimento para o meio rural.

4- Emissões de gases

Após dispostos nos aterros sanitarios, os residuos sólidos urbanos, que contêm significativos parcelas de materia organica biodegradavel, passam por um processo de digestão anaerobica. Tal acontece com o tratamento de águas residuais e sanitarias e com os compostos resultantes de industrias agro-pecuarias. O biogás gerado nesta condições, devido à sua composição de metano e dioxido de carbono é consideraro como um gás de efeito de estufa, que contribui para o aquecimento global do planeta. Estudos existentes provam que num periodo de 100 anos, 1 grama de metano contribui 21 vezes mais para a formação do efeito de estufa que 1 grama de dioxido de carbono.

do efeito de estufa que 1 grama de dioxido de carbono. Grafico 9 - Evolução dos

Grafico 9 - Evolução dos preços por tonelada das emissões de Carbono

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Biogás

Planeamento e Produção de Electricidade Biogás Grafico 10 - Evolução dos preços de emissão de NOx

Grafico 10 - Evolução dos preços de emissão de NOx em dolares

Assim, o biogás gerado deve ser drenado e queimado para mitigação dos efeitos causados pelo seu lançamento na atmosfera terrestre. O biogás é formado principalmente por metano, como vimos um gás muito perigoso para o ambiente, da queima do biogás é extraida água e dioxido de carbono, sendo o metano todo exunerado

4.1-Protocolo de Kioto

Dentro da convensão das Nações Unidas sobre Alterações climaticas, foi realizada em 1997, na cidade de Kioto, Japão, uma conferncia que decidiu a adoção de um protocolo segundo o qual os paises industrializados, que assinaram este documento, se comprometiam a reduzir as suas emissões de gases de efeito de estufa em pelo menos 5% em relação aos niveis de 1990 até um periodo compreendido entre 2008 e 2012. O protocolo de Kioto prevê a criação do chamado mecanismo de desenvolvimento limpo, que são projectos destinados à redução das emissões de gases que provocam o efeito de estufa. Através destes mecanismos os paises mais industrializados iram controlar a longo prazo as suas emissões de gases de efeito de estufa, sendo que cada pais que adopte estes mecanismos ganha creditos que podem ser trocados por emissões de gases.

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Biogás

Planeamento e Produção de Electricidade Biogás Grafico 11 - Emisões de gases de efeito de estufa

Grafico 11 - Emisões de gases de efeito de estufa na europa até 2002 e meta de Kioto

Como vimos, o aproveitamento do biogás, pode ser um destes mecanismos de desenvolvimento limpo, visto que além da sua utilização previne que os residuos se amontuem no planeta, leva a uma purificação das águas e evita a necessidade da utilização de outros combustiveis para a produção de energia eléctrica.

5-Alguns exemplos de instalações de Biogás a nível Mundial

5.1 Sistema de digestão anaeróbia [Coreia]

Resíduos Alimentares

Localização das instalações A falta de espaço para construção de novos aterros sanitários na Coreia serviu como principal impulsionador da necessidade de encontrar novas formas de tratamento de resíduos orgânicos. Para solucionar este problema foi implementado, em Anyang, um sistema de tratamento de resíduos por digestão anaeróbia para digerir os resíduos alimentares e produzir composto orgânico e energia.

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Biogás

Descrição do sistema Em 1994, a Coreia apresentava uma produção de 58 000 t/dia de resíduos sólidos urbanos, com uma componente orgânica de cerca de 50 %. Entre 1994 e 1995 foi desenvolvido um projecto-piloto com capacidade para tratar, por digestão anaeróbia, cerca de 5 t/dia. Trata-se de um sistema de duas fases (dois reactores contíguos), onde se degrada a fracção orgânica dos resíduos sólidos urbanos, produzindo composto e biogás.

resíduos sólidos urbanos, produzindo composto e biogás. Descrição técnica do sistema O processo é composto por

Descrição técnica do sistema

O processo é composto por quatro etapas: pré-tratamento, digestão, compostagem e

aproveitamento do biogás. No pré-tratamento, através de variados métodos, entre os quais trituração, crivagem e separação magnética, são removidos todos os resíduos não biodegradáveis. Os resíduos orgânicos são encaminhados para o primeiro reactor, de 15 m3, onde ocorre a eliminação final de resíduos não desejados e a fracção orgânica é hidrolisada e transformada em ácidos orgânicos. O resíduo resultante é então bombeado para o segundo reactor, com capacidade para 45 m3, onde se dá a produção de metano. O excedente é recirculado para o primeiro reactor para impedir a sua excessiva acidificação. A lama digerida é desidratada e sujeita a um processo de compostagem para estabilização do composto. O biogás produzido contém cerca de 70% de metano e é armazenado temporariamente. Este gás pode ser usado para arrefecimento/aquecimento das instalações adjacentes, para produção de electricidade ou como agente auxiliador da combustão em incineradoras.

O tratamento de 3 toneladas de resíduos dá origem a 100 kg de húmus, 230 m3 de

biogás, e 2 toneladas de água residual proveniente do tratamento anaeróbio. Estima-se que

cerca de 73% dos resíduos bio degradáveis são convertidos em biogás.

Planeamento e Produção de Electricidade

Informação financeira

Biogás

Produção de Electricidade Informação financeira Biogás Apesar do custo de envio para aterro ser inferior ao

Apesar do custo de envio para aterro ser inferior ao custo de operação do sistema de digestão anaeróbia, na Coreia não existem novos aterros disponíveis para receber resíduos orgânicos. Para além deste facto, existe uma preocupação relativamente à deposição dos orgânicos em aterro e aos impactos ambientais que essa acção implica, devido à formação de odores e lixiviados.

5.2 Sistema de Digestão anaeróbia [Reino Unido]

Resíduos de Agro-Pecuária e Agricultura

Localização das instalações O sistema consiste numa central de digestão anaeróbia, para resíduos de agro-pecuária e agricultura, com produção combinada de calor e energia. A central está localizada no Reino Unido, numa quinta gerida pelo Walford College, nas imediações de Sherwsbury.

Descrição do sistema Com uma produção anual de 3000 toneladas de resíduos provenientes da actividade pecuária e da gestão dos 260 hectares de terreno, o colégio deu início à implementação de um sistema de gestão integrada dos resíduos da quinta através do uso da digestão anaeróbia, de forma a aproveitar as vantagens que esta tecnologia apresenta, comparativamente ao método usado anteriormente, que consistia na deposição dos resíduos no solo sem qualquer tipo de tratamento.

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Biogás

Planeamento e Produção de Electricidade Biogás Descrição técnica do sistema Em 1994, foi instalado um sistema

Descrição técnica do sistema Em 1994, foi instalado um sistema de digestão anaeróbia para tratamento dos resíduos, com produção combinada de calor e electricidade. O início do processo foi facilitado com a introdução, no digestor, com uma capacidade de 335 m3, de material de outro digestor já em funcionamento. Os resíduos são encaminhados para o local de recepção através de canais e são bombeados para o digestor. A digestão demora 16-20 dias, e apresenta uma produção de 450 m3/dia de biogás. O sistema tem capacidade para produzir 35 KWe e 58 KWt. Actualmente, a produção existente é de cerca de 18 KWe durante 19,5 horas/dia, e os cerca de 30 KW de energia térmica produzida são usados para manter a temperatura do digestor a 35- 37º C. O sistema possui ainda uma caldeira de segurança para aquecimento do digestor em caso de falha ou insuficiência do sistema. Após a digestão, o digerido é separado e encaminhado para o local de compostagem, perfazendo um total de 3 toneladas por dia. O efluente, produzido a uma taxa de 15 m3/dia, é armazenado num tanque de 950 m3, e usado para irrigação dos campos relvados. O composto é usado na própria quinta e o excedente vendido para parques e outro tipo de locais.

Informação financeira

é usado na própria quinta e o excedente vendido para parques e outro tipo de locais.

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Biogás

O sistema implementado apresenta grandes vantagens a nível de redução de custos e requer mão-de-obra apenas durante 1h/dia. A electricidade gerada providencia um ganho de, aproximadamente, ¤ 25.160/ano, e a poupança em aquecimento de água está avaliada em ¤ 3.870/ano. Existe uma redução de custos, todos os anos, de cerca de ¤ 2.950 em compra de fertilizante e ¤ 3.680 relativo à deposição dos resíduos directamente nos campos, uma vez que esta se torna mais fácil de efectuar. O composto é ainda vendido a cerca de ¤ 22 – 30/ ton.

6-Conclusão

As tecnologias de digestão anaeróbia e de aproveitamento do biogás têm vindo a revelar-

se altamente eficazes no tratamento e valorização de resíduos e na contenção do efeito estufa,

com baixos custos de operação, possibilitando ainda a produção de Energia Eléctrica o que evita custos ambientais correspondentes às fontes convencionais. Por estas razões a sua utilização tem vindo a aumentar por todo o mundo e a sua tecnologia diversificada, com aplicações aos mais diversos tipos de efluentes. Permitindo a valorização energética dos resíduos orgânicos e dos nutrientes nela contida, que se ficam numa forma química reduzida, assimilável pelas plantas, é um processo que se enquadra no crescimento sustentado, e mesmo por isso é destinado a uma crescente divulgação. É portanto, importante apoiar esta tecnologia "amigável" que, para além do contributo importante na área do ambiente poderá, no sector da energia, atingir uma potência de cerca de 100 MW, em termos de energia eléctrica, no balanço energético nacional.

7 - Medidas Propostas

A legislação é um factor chave para fomentar a digestão anaeróbia e a utilização energética do

biogás produzido, bem como a valorização dos sub-produtos gerados.

Diferenciação e aumento do valor de retribuição do kWh eléctrico, com alteração da parcela ambiental de cálculo da tarifa verde. Inclusão de factor que valorize as "emissões de CH4 evitadas" e a respectiva equivalência em termos de CO2. Criação de incentivos ao processamento e utilização dos sólidos tratados como fertilizantes de origem orgânica (não sintéticos).

Permissão de utilização de combustível complementar, não renovável, em unidades de cogeração, em proporção superior a 50%, sem prejuízo da tarifa verde, com o

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Biogás

objectivo de utilizar a energia térmica na higienização e secagem dos sólidos tratados, essencial para viabilizar a sua utilização agrícola.

8 - Bibliografia

http://www.min-economia.pt/document/i005983.pdf

http://www.eea.europa.eu

http://dn.sapo.pt

http://www.igb.fraunhofer.de/WWW/GF/Umwelt/biogas/start.en.html

http://jn.sapo.pt/2005/01/05/grande_lisboa/biogas_da_energia_a_5500

_agregadoshtml

http://www.ine.pt

http://www.edsnorte.com

http://www.wikipedia.org

http://www.google.pt

Estatísticas agrícolas 2006 edição 2007 autor INE

BIOEXELL Training Manual Edição Teodorita Al Seadi, University of Southern Denmark, Esbjerg, Denmark Ano 2006

Handbook on Renewable Energy Financing for Rural Colorado, edição 2005, Autor: McNeil Technologies, Inc.