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por Reinaldo Polito

Lembro-me do susto que


levei quando estava no
curso primário ao
descobrir em uma das
aulas que a terra girava.
Menino ainda, de sete
para oito anos, fiquei
apavorado com a
possibilidade de chegar
em casa e não encontrá-
la mais no mesmo lugar.
Durante a aula, naquele
dia, olhei o tempo todo
pela janela para ver se
notava algum movimento
- coisa de criança.
Senti quase o mesmo
calafrio no dia em que
descobri, provavelmente
um desses giros bem
dados na terra, a maneira
surpreendente como a
poesia se encontrou com
a oratória - coisas de
adulto.

A história é curiosa - uma


aluna advogada chamada
Romana me presenteou
com um livro excepicional
"El arte de hablar bien" de
Paul C. Jagot e J.C.
Noguin. O livro é uma
obra comum e por si não
mereceria um comentário
tão entusiasmado. Trata-
se de uma 2ª edição
publicada na Argentina
em 1943, traduzida do
francês por J. G. Guiñon.
Ocorre que esse
exemplar pertenceu ao
poeta Guilherme de
Almeida, que assinalou
com mais ou menos
destaque todas as
passagens que
considerou importantes
na obra. Guilherme de
Almeida nasceu em
Campinas, no Estado de
São Paulo em 1890 e
faleceu na capital paulista
em 1969.
Sua produção literária foi
extensa e em 1930
tornou-se o primeiro
poeta moderno a entrar
para a Academia
Brasileira de Letras.
É curioso como
Guilherme de Almeida leu
e estudou o livro -
sublinhou palavras e
frases em praticamente
todas as páginas, fez
marcações e anotações
nas margens e em
diversas passagens
escreveu comentários
elogiando ou criticando o
conteúdo. Promoveu um
verdadeiro encontro da
poesia com a oratória.
Prestou-nos um belíssimo
serviço, pois o livro assim
anotado e comentado nos
dá uma excelente
oportunidade de estudar e
analisar como uma das
cabeças mais
privilegiadas da história
cultural do país aprendeu
a falar bem.
Selecionei 10 tópicos que
o poeta assinalou com
maior destaque por serem
esses, provavelmente, os
que julgou mais
relevantes.

1- Considero uma
medida de higiene
mental evitar
discussões sem
necessidade.

Algumas pessoas
arrumam confusão com
tanta facilidade que
mereciam o diploma de
encrenqueiros
profissionais. Discutem
besteiras como se
estivessem defendendo a
própria vida. Qualquer
assunto serve - futebol,
política, religião, por pura
vaidade, sabendo que no
final cada um continuará
com sua opinião. E citei
esses temas por serem
os "clássicos", mas
poderia mencionar
centenas de outros que
cercam o nosso dia-a-dia,
como qualidade de
programas de televisão,
moda, estilo de vida,
crianças, sexo de pato ou
ejaculação de minhoca. E
olha que estou falando de
gente arrumadinha, de
gramática redonda, berço
lustrado, mas que num
piscar de olhos, depois de
ter chegado de mãozinha
dada esquece o
Marcelino de Carvalho e o
casal passa a se digladiar
por nada, criam mal-estar
no grupo de amigos e
contribuem com esta
atitude para cavar ainda
mais fundo o fosso do
desentendimento.
Esses debates verbais
podem causar
ressentimentos e criar
hostilidades e antipatias
que não raro perturbam o
relacionamento.
Analise bem a
circunstância antes de
iniciar uma discussão.
Verifique se é mesmo
muito importante tentar
convencer as outras
pessoas do seu ponto de
vista e de maneira
consciente tome a
decisão que julgar mais
acertada. Vai descobrir
que quase sempre o lucro
será maior se ficar na
sua.
Se, no meio de uma
discussão, que iniciara
como uma conversa
natural para troca de
opiniões, perceber que,
tanto de um lado com de
outro, a voz passou a se
alterar e cada um se
fechou nas suas próprias
idéias e que em pouco
tempo alguém poderá
começar a rodar a baiana
- não hesite - deixe a
vaidade de lado,
concorde de maneira
genérica com a opinião
contrária e tire o time de
campo.

2- O sentimento de
inferioridade oratória
tem às vezes outro
inconveniente: que
determina em muitos
casos a irritação,
quando não os
arrebatamentos de
cólera. Perde-se então o
sangue frio e ao
antagonismo normal
somam-se
desnecessárias
animosidades.

E quer saber do que mais


- vai para o inferno, você
e os idiotas da sua
família.
Esse é só um exemplo da
diplomacia troglodita que
de vez em quando ataca
algumas pessoas, que
por se sentirem
incompetentes para se
comunicar colocam-se na
defensiva e se
descontrolam
emocionalmente diante
das platéias ou nas
conversas do dia-a-dia.
Não ouvem mais
ninguém, passam a gritar
e a insultar quem quer
que seja com as palavras
que puderem encontrar. E
neste circo armado as
palavras quase sempre
são as mais inadequadas,
pois se valem de
palavrões e começam a
revelar segredos pessoais
que foram confidenciados
em momentos de
serenidade. E o pior de
tudo é que depois de
passado o momento de
cólera e irracionalidade
bate o arrependimento e
com a humildade que não
conseguiu ter no
momento da discussão
vai pedir desculpas. E
quando não consegue ser
humilde o suficiente para
mostrar que se
arrependeu do que fez,
sofre ainda mais com
aquele sentimento de
culpa. E como a pessoa
agredida se julga
injustiçada sente-se
magoada e nem sempre
aceita se reconciliar.
O domínio da
comunicação e a
confiança nos
argumentos de que
dispõe faz com que a
pessoa saia da posição
defensiva e a torna mais
equilibrada, tolerante e
com controle das suas
atitudes.
E atenção - não pense
que é fácil conquistar o
controle emocional - esse
deve ser um exercício
permanente. E se depois
de imaginar que já está
pronto ocorrer uma
recaída, não se
desespere, ponha na
conta do seu aprendizado
e continue em frente -
outras recaídas virão.
Mas, a cada instante que
conseguir se controlar
sentirá um enorme prazer
e recompensado pelo seu
empenho, pois saberá
que agiu de forma correta
para evitar dissabores e
ressentimentos.

3 - Os piores defeitos
físicos perdem muito do
seu caráter repulsivo
naqueles que falam de
maneira encantadora.
Por mais desagradável
que seja a aparência do
indivíduo, pode ser
procurado, admirado,
querido, se tiver uma
maneira agradável de
expor suas idéias, se
cultivar sua voz, sua
forma de articular as
palavras, seu
vocabulário e seu
talento.

Havia em Araraquara,
cidade do interior de São
Paulo, onde vivi por mais
de 20 anos, um rapaz
sem nenhum predicado
para ser galã - baixinho,
magrinho, cabelos lisos e
espetados, que mais
pareciam capim barba de
bode, de família de
condição remediada para
pobre, mas de conversa
tão cativante que ganhou
o apelido de Bico Doce.
Virava e mexia lá estava
o Bico Doce desfilando
com uma das meninas
mais cobiçadas da
cidade.
E a pergunta era sempre
essa - o que será que
essa gatinha linda viu no
Bico Doce?
Todas ficavam
encantadas com ele -
falava sobre todos os
assuntos, sem presunção,
mantinha um leve e
sincero sorriso no rosto,
ouvia com atenção,
apresentava-se de
maneira bem-humorada,
construía as frases com
vocabulário apropriado,
gramática correta,
pronunciando bem as
palavras e sempre de
forma natural,
descontraída e
interessante. Sua
aparência sem atributos
de beleza era
compensada com
vantagem pela eficiência
da comunicação.
Esse resultado da boa
comunicação poderá ser
sentido em todas as
nossas atividades, no
trabalho, com os amigos
e com as pessoas da
família. Falar bem e com
simpatia só poderá trazer
vantagens e abrir as
portas para as nossas
conquistas.

4 - O falar bem é atuar


sobre si mesmo, vigiar a
própria espontaneidade,
obrigar-se ao cuidado
da retidão, a uma
atenção minuciosa, a
um esforço de
direcionamento das
palavras empregadas na
conversação.

Temos aqui vários


conceitos que se
complementam - a
vigilância da
espontaneidade, o
cuidado com a retidão e o
direcionamento das
palavras empregadas na
conversação.
Guilherme de Almeida,
embora não tenha escrito
comentários sobre esse
trecho do livro, grifou-o e
fez diversas marcas na
margem da página, o que
demonstra bem seu
interesse pelos temas
abordados.
Vigiar a própria
espontaneidade não
significa agir de maneira
artificial, ao contrário,
pressupõe o uso da
naturalidade no sentido
de valorizar ainda mais a
comunicação.
Jânio Quadros contou aos
meus alunos que depois
de ter sido tratado por
"você" por um ouvinte que
assistia a uma palestra
que fazia em uma
faculdade em São Paulo,
alertou-o dizendo que "a
intimidade só produz
aborrecimentos e filhos".
No dia a dia, quando nos
relacionamos com
freqüência com uma
pessoa é normal nos
afastarmos da
formalidade pelo fato de a
cada contato ficarmos
mais à vontade. Aí é que
mora o perigo, pois o
Francisco passa a ser
chamado de Chico,
depois o Chico vira
Chiquinho e assim
corremos o risco de
termos esse
relacionamento
excessivamente informal
e deixarmos de observar
os limites do respeito e da
consideração. A vigilância
com relação as nossas
atitudes precisa ser
permanente para que o
comportamento solto,
informal ajude a nos
relacionar cada vez
melhor, na empresa, em
casa ou nos ambientes
sociais.
A retidão, mencionada no
livro, pode ser entendida
no contexto mais amplo,
considerando o
comportamento exemplar
que possa sustentar, dar
respaldo a todas as
mensagens transmitidas
verbalmente. Aquele que
consegue ter atitudes
coerentes com o que diz
conquista respeito e
admiração. As pessoas
poderão até discordar das
suas idéias, mas jamais
deixarão de respeitá-lo.
Os autores chamam
atenção para o
discernimento que
devemos ter com as
palavras empregadas na
conversação.
As palavras possuem
significados que podem ir
além do sentido que
conhecemos. Ao entrar
em contato com o ouvinte
temos que levar em conta
que toda sua experiência,
formação, anseios,
preconceitos são
utilizados para interpretar
a mensagem que
recebem. Por isso, as
informações que
transmitimos poderão ser
interpretadas de maneira
diversa da que
pretendíamos. Devemos,
pois, estar atentos e nos
esforçar para empregar
palavras que possam
identificar o nosso
pensamento e as nossas
intenções da forma mais
correta possível.

5 - Com um mínimo de
conhecimento sobre o
tema e se mantiver a
calma, falará com
facilidade para milhares
de pessoas como se
estivesse falando para
meia dúzia de ouvintes.

É comum ouvir de
algumas pessoas que
procuram o nosso curso
que sentem tanto pavor
de falar em público que
mais de cinco ouvintes
para elas já é multidão.
Por isso, agora sou eu
que aplaudo de pé os
autores. Se você leu
meus textos anteriores
deve ter observado que
esta é uma bandeira que
tenho levantado desde o
princípio da minha
carreira como professor
de expressão verbal - fale
diante de uma grande
platéia como se estivesse
se expressando para um
grupo de amigos na sala
de visitas da sua casa.
Com esse
comportamento sua
comunicação será mais
natural e você se sentirá
muito mais confiante.
Ao se sentir seguro o
pouco conhecimento que
tiver sobre o assunto
poderá ser suficiente para
que faça uma ótima
apresentação.
Se estiver preparado e
confiante terá condições
de associar o assunto da
sua exposição com outras
informações que conheça
muito bem, usará sua
presença de espírito e se
valerá das circunstâncias
que cercam o ambiente
da apresentação. O
conteúdo será
enriquecido e se tornará
muito mais atraente.
Passará a ver a multidão
como se fosse um
pequeno grupo de
amigos.

6 - Antes de falar deve-


se evitar os alimentos
que exijam muito do
organismo (álcool,
açúcar e carne em
excesso), a companhia
de pessoas agitadas e
muito falantes, as
discussões inúteis,
assim como fortes
doses de café e de chá
se elas o deixarem
excitado.

Alguém disse com


propriedade que aquele
que bebe para falar,
depois de algum tempo
só ele pensa que é
orador, ninguém mais.
Bebidas alcoólicas são
perigosas, pois o uísque e
a cerveja deixam a voz
pastosa e qualquer uma,
em doses excessivas
pode comprometer a
clareza do raciocínio.
Refeições muito pesadas
antes de falar podem
prejudicar o desempenho
do orador.
E se posso dar um
conselho que julgo muito
importante - antes de
fazer uma apresentação
fuja das pessoas chatas
como o diabo foge da
cruz. Gente que fala
demais, que conta
histórias longas, ou que
discute temas banais sem
necessidade atrapalha a
concentração e pode
deixá-lo inseguro.
Quanto ao café e ao chá
se tiver o hábito de tomar
essas bebidas com
freqüência o seu
organismo não se
incomodará com uma
dose a mais ou a menos.

7 - Adote uma atitude


resoluta. Para isso a
autosugestão, praticada
de forma afirmativa,
contribui sempre para
aquisição da segurança
verbal. Ninguém está
eternamente desprovido
de elementos geradores
de vigor psíquico.

Quem é inseguro, antes


de falar começa a ser
tomado por uma espécie
de torpor e de maneira
geral sucumbe pelo
surgimento de
pensamentos negativos
quanto a sua
competência e as
ocorrências da sua
apresentação. Como por
exemplo: vou me
esquecer de tudo que
preparei, vou ficar
nervoso, minha voz sairá
trêmula, não encontrarei
as palavras, os ouvintes
não se interessarão nem
por mim nem pelo
assunto. E tantas outras
pérolas que teimam em
aparecer antes de
enfrentar a platéia. Por
que se deixar levar por
esse negativismo
infundado? Tenha uma
atitude positiva - imagine
que fará uma
apresentação de sucesso,
pense que os ouvintes
gostarão de você e que
se esquecer de alguma
informação estará em
condições de contornar o
obstáculo como faz no dia
a dia quando está
conversando com os
amigos.

8 - Ao acabar de ler o
capítulo de um livro
resuma o conteúdo, o
significado da
mensagem da mesma
maneira como se
precisasse expô-lo
diante de uma centena
de pessoas.

O conselho dos autores


atende a dois objetivos
simultaneamente:
aprender sobre os
assuntos da leitura que
fazemos, pois ao resumir
o capítulo de um livro
como se fôssemos
apresentá-lo diante de
uma platéia nos permite
fixar e ter maior domínio
da matéria; e imaginar
que o assunto seria
apresentado diante de um
grupo de pessoas,
especialmente se esse
exercício for feito em voz
alta, nos aproximará da
experiência de fazer
exposições em público.
Talvez o exercício se
torne mais interessante
ainda se for feito com
artigos de revista, pois
poderão ser mais úteis
para as conversas do dia-
a-dia. Que tal começar
por esses que você está
lendo.
Interessante ressaltar que
o próprio Guilherme de
Almeida ao assinalar esse
trecho do livro
demonstrou que punha
em prática os
ensinamentos dos
autores.

9 - À noite, pouco antes


de dormir, descreva
minuciosamente seus
feitos e atitudes do dia,
construindo frases que
expressem com clareza
as informações de que
puder se lembrar.

É mais fácil falar sobre


esse exercício e sugerir
que as pessoas o
executem do que fazê-lo.
Pense bem, você pouco
antes de dormir, depois
de uma jornada cansativa
de trabalho e tendo ido à
escola para aprender
algumas matérias boas,
mas também para
agüentar outras, que às
vezes são insuportáveis,
ou tendo cumprido
qualquer outro
compromisso noturno
ainda ter que ficar
fazendo um balanço do
que ocorreu durante o
dia. Haja vontade e
disposição.
Mas são essas atitudes
que deverá tomar se
quiser aperfeiçoar sua
comunicação, aprender a
raciocinar com clareza e a
se projetar na atividade
que abraçou.

10 - Na fase de
aprendizado não
convém ainda se
preocupar com a
elegância e a beleza da
comunicação. Agora só
interessa adquirir
segurança e clareza.
Por isso, é preciso
repudiar as formas
presunçosas, o purismo
gramatical, as palavras
incomuns e todas as
expressões das quais
ainda não tenha
entendido perfeitamente
o sentido.

Eu complementaria
dizendo que não só na
fase de aprendizado, mas
sim em todos os
momentos e fases da
nossa vida como
oradores devemos nos
afastar da fala rebuscada,
dos termos incomuns e
do excesso de
preocupação com a
forma.
Não complique sua
comunicação - seja
simples, direto, objetivo,
natural e simpático - essa
é a formula para o
sucesso.

Caro amigo leitor, seria


possível escrever um
outro livro a partir das
anotações do poeta
Guilherme de Almeida,
mas deixei aqui os
trechos que ele assinalou
com maior destaque.
Espero que a partir de
agora, além de refletir
sobre esses temas da
comunicação você possa
se interessar também
pelas obras deste que foi
um dos mais importantes
escritores brasileiros.

Reinaldo Polito é mestre


em Ciências da
Comunicação, professor
de Expressão Verbal há
26 anos e autor de 11
obras, entre elas: Como
Falar Corretamente e
sem Inibições - 98
edições, Gestos e
Postura para Falar
Melhor - 22 edições,
Assim é Que se Fala - 23
edições e Um Jeito Bom
de Falar Bem. Seus livros
permaneceram dois anos
e meio nas listas dos
mais vendidos.
www.polito.com.br

Como falar bem em


público

Revista Seu Sucesso


Maio/2003 - Edição nº 05

Como falar bem em


público

Luís Colombini

O professor Reinaldo
Polito, um dos maiores
especialistas brasileiros
em comunicação verbal,
ensina como vencer o
medo e conseguir uma
comunicação eficiente
com qualquer platéia

Poucas coisas são mais


fáceis na teoria e difíceis
na prática do que falar
bem em público. Fáceis
porque, a menos que
você more numa caverna,
as pessoas, de maneira
geral, falam em público o
tempo todo - com os
amigos, os colegas, a
família e por aí afora.
Difícil porque basta dar
um aspecto mais formal
àquilo que você já faz o
tempo todo - como expor
idéias numa reunião ou
apresentar um projeto a
todo o departamento da
empresa - para a
garganta secar e as
pernas tremerem. E o
problema é que isso
ocorre justamente na hora
mais importante,
exatamente naquela em
que você precisa falar
com calma, segurança e
brilho.
Não há pessoa que não
precise falar bem em
público. De vendedores a
professores, de
advogados a
engenheiros, nunca se
sabe a hora em que você
será convocado para
defender um ponto de
vista ou uma nova idéia. A
verdade é que todas as
pessoas estão vendendo
sua imagem o tempo
todo, seja para convencer
alguém a comprar seu
produto ou uma empresa
a contratá-lo. Sem expor
com correção e confiança
o que você tem a dizer, as
chances de ser bem
sucedido diminuem
rapidamente.

Para ajudá-lo a vencer


esse enorme desafio de
se comunicar com
segurança e propriedade,
Seu Sucesso apresenta
uma exposição completa
do professor Reinaldo
Polito, um dos maiores
especialistas brasileiros
em expressão verbal. Em
sua escola, ensinou mais
de 30.000 alunos nos
últimos 30 anos. Entre
eles, figuram nomes
como a atriz Irene
Ravache, o ministro da
Justiça Márcio Thomaz
Bastos e o ex-presidente
Jânio Quadros. Nesta
aula, Polito fala primeiro
sobre a origem e as
causas do medo de falar
em público e depois
ensina algumas técnicas
simples e eficientes para
vencer a inibição e obter
uma comunicação
eficiente com o público.

O medo de falar em
público

Um dos maiores
problemas da
humanidade é o medo de
falar em público. Se você
tem esse medo, não se
preocupe, pois não está
sozinho. A maioria das
pessoas tem o mesmo
medo. Num estudo
realizado nos Estados
Unidos, alguns psicólogos
pesquisaram quais são os
maiores medos do
homem. O resultado
apontou que as pessoas
têm medo de altura, de
insetos, de águas
profundas, da morte. Mas,
dentre os medos, o
grande campeão é o
medo de falar em público.
Antes de discorrer sobre
as causas que provocam
esse medo, convém falar
um pouco sobre o medo
em si. Ele é encarado
como um inimigo, e nos
esquecemos de que é um
mecanismo de defesa
extraordinário à nossa
disposição.
Quando nossos
antepassados se viam
ameaçados por um
animal feroz, as glândulas
supra-renais entravam em
atividade e liberavam
adrenalina no corpo. Com
isso, fortaleciam-se os
músculos, a pressão
sanguínea aumentava e o
homem podia se
movimentar com mais
velocidade e força
enquanto a adrenalina
não era metabolizada.
Com essa energia extra,
o homem podia enfrentar
o animal ou tentar sumir
da frente dele. Hoje ainda
é assim, embora não
tenhamos mais de
enfrentar tigres dente-de-
sabre.
Quando temos medo, o
organismo libera
adrenalina para que
possamos fugir rápido.
Em conseqüência, na
hora de falar em público -
um momento em que até
queremos, mas não
podemos fugir -, ficamos
com medo e também
recebemos uma descarga
de adrenalina em nossas
veias. Mas, como não
podemos correr e, assim,
metabolizá-la, a
adrenalina começa a
provocar uma confusão
enorme no organismo. A
espinha gela, pernas
tremem, as mãos suam, o
coração bate mais forte,
borboletas voam no
estômago. Tudo isso por
causa da adrenalina.
Agora que entendemos o
mecanismo de medo, vou
falar das causas do medo
de falar em público.
Primeiro motivo: a pessoa
não conhece em
profundidade o assunto
que vai expor. Se você
não domina a matéria, de
certa forma se sente
frente ao desconhecido,
que todos temem.
Começam a aparecer
dúvidas na cabeça: "e se
eu esquecer uma
informação importante?".
"E se não encontrar a
idéia certa que una dois
temas?". "E se não
chegar ao final da
apresentação?". "E se
houver alguém na platéia
que entenda do assunto
mais do que eu?". Antes
mesmo que aconteça, fica
com receio de que, se
tropeçar em alguma
dessas perguntas, pode
ter a imagem prejudicada
diante do grupo. E, com
receio de ter a imagem
prejudicada, entra em
ação o mecanismo do
medo, que culmina com a
injeção de adrenalina na
hora de falar.

A falta de conhecimento
sobre um assunto, no
entanto, não explica por si
só a existência do medo.
Quantas pessoas você
conhece que é
especialista em um tema
e que fica com medo na
hora de se apresentar em
público? Ou gente que é
convidada para falar a
colegas de outras áreas
da empresa sobre um
trabalho que vem
desenvolvendo há 20
anos? Mesmo entre
amigos, para falar por
cinco minutos de algo que
conhece em detalhes, a
pessoa fica com medo. O
que explica isso? A falta
da prática, da experiência
no uso da palavra em
público. Se você não tem
prática para falar,
naturalmente se verá em
uma situação
desconfortável. Afinal,
nenhuma faculdade
ensina como se
posicionar na tribuna,
como ajeitar o microfone,
como ouvir sua própria
voz. Como não tem
experiência em falar para
uma platéia, como não
tem o amparo da prática,
a pessoa começa a
imaginar que está indo
mal, que sua imagem
pode ser comprometida.
De novo, o receio vem, o
mecanismo do medo é
acionado e lá vem a
adrenalina atrapalhar
tudo.
Mas veja: já ensinei
ministros, políticos,
artistas, professores. São
pessoas que dominam
sua especialidade e usam
a palavra como
ferramenta na sua
atividade, mas mesmo
assim confessam que têm
medo de falar em público.
Conheço professores que
discorrem para turmas e
turmas de alunos por
vários anos mas
engasgam na hora de
fazer uma homenagem
pública a um velho amigo
no aniversário dele - por
mais que sejam palavras
que deveriam nascer com
facilidade em seu
coração. De novo,
pergunto: por que isso
ocorre?

Aqui vai o motivo mais


forte que costuma travar
as pessoas, por mais
conhecimento e
experiência de falar em
público que tenham: a
falta do auto-
conhecimento. Todos
temos dentro de nós dois
oradores. O primeiro é o
orador verdadeiro, com o
qual transmitimos aquilo
que falamos. Mas temos
também um orador que é
fruto da imaginação, com
o qual pensamos que não
transmitimos aquilo que
estamos falando. Existe
uma grande diferença
entre eles. É interessante
notar com surge esse
orador imaginário. Todos
nós, independentemente
do nível social e cultural,
passamos mais ou menos
pelas mesmas
circunstâncias na vida,
por tristezas, decepções,
cerceamentos no
trabalho, na escola, na
nossa própria casa. Com
o passar do tempo, esses
acontecimentos negativos
vão formando registros
negativos na nossa
formação.
Gradativamente, eles vão
construindo uma auto-
imagem falsa, negativa,
distorcida, uma imagem
muito diferente da real
imagem que nós
possuímos. O orador
imaginário está baseado
justamente nesse auto-
imagem. Nós nos
apresentamos de uma
maneira, mas, com base
nesses registros
negativos, imaginamos
que estamos falando de
maneira totalmente
diferente. Ficamos com
medo da crítica. Ficamos
com medo da censura.
Achamos que as pessoas
não estão gostando, que
não estão nos aceitando.
Imaginamos a rejeição,
temos receio de ter nossa
imagem abalada,
acionamos o mecanismo
do medo e, mais uma
vez, a adrenalina
atrapalha na hora de falar.
Como combater o medo
de falar em público

Já sabemos que são três


as faltas que induzem ao
medo de falar em público:
a falta de conhecimento,
de prática e de auto-
conhecimento. Quais os
caminhos que podemos
percorrer para enfrentar e
vencer o medo de falar?
O primeiro alerta que vou
dar, e que considero o
mais importante, é este:
não tente eliminar
totalmente o medo. Há
pessoas que dizem que
não têm medo de nada,
que enfrentam qualquer
situação, qualquer
auditório, sem preparação
nem nada. Esse pode ser
o começo do fim - porque
essa pessoa não vai se
preparar de maneira
conveniente, não vai
respeitar o público e
fatalmente terá problemas
de comunicação. O que
se deve fazer é dominar,
domesticar esse medo, e
não tentar aniquilá-lo.
Reduzir a quantidade de
adrenalina que o
organismo libera. Pois a
adrenalina em doses
menores dá origem a uma
energia positiva, que
pode ser canalizada para
conferir mais entusiasmo,
energia e emoção a
nossa comunicação. Com
isso, passa-se mais
credibilidade, como se
verá adiante.

Agora que você já sabe


que o medo não deve ser
totalmente eliminado, vou
dar algumas sugestões
para que você se saia
bem. Primeiro: conheça
com profundidade o
assunto sobre o qual vai
falar. Quanto mais
conhecê-lo, mais seguro
vai ficar na frente do
público. Segundo:
organize suas idéias,
determinando o caminho
para conduzi-las do
princípio até o final.
Agindo assim, você ficará
mais tranqüilo para fazer
apresentações. Outra
sugestão: pratique
bastante. Aproveite todas
as oportunidades que
tiver. Pratique na frente
do espelho, fale para o
gravador, se tiver uma
câmera de vídeo, grave-
se e depois se assista na
TV. Caso alguém o
convide para falar em
público, aceite, pois afinal
o mais difícil - ter
conhecimento sobre um
assunto, seja de trabalho
ou um hobby - você já
tem. Note que não é nada
diferente daquilo que
você já tem contato. Ou
você conhece alguém que
foi convidado para falar
sobre algo que
desconhece? Se puder
recorrer a um amigo que
possa ouvi-lo e fazer
comentários sobre a sua
forma de falar, isso é de
muita utilidade.

Agora vem a sugestão


mais importante que eu
poderia fazer: procure
conhecer os seus pontos
positivos e reforçá-los.
Esqueça as críticas que
eventualmente lhe
fizeram, que só ferem a
estima e não constroem
nada. Repito: fixe-se nos
seus pontos fortes e os
explore. Junto com a
naturalidade, é aí que
estará a força e a
qualidade da sua
comunicação. Quais são
esses pontos fortes?
Bem, embora
absolutamente todos os
tenham, eles variam de
pessoa para pessoa.
Pode ser uma entonação
correta, a boa postura,
uma voz agradável,
vocabulário abrangente, a
concatenação de idéias, a
capacidade de conversar
ou de entreter os amigos
numa mesa de bar.
Quando uma pessoa
começa a identificar e
explorar seus pontos
positivos, sua eficiência
de comunicação
automaticamente
aumenta. Essa eficiência
faz com que adicionemos
registros positivos na
nossa formação,
valorizando a nossa auto-
imagem e robustecendo o
orador imaginário. Com
isso, acabamos falando
com muito mais
segurança e confiança.

Como melhorar a sua


comunicação

Depois de reduzir o
medo, vou dar algumas
orientações que você
poderá colocar em prática
imediatamente. São
orientações simples,
fáceis de serem
assimiladas e que
poderão aprimorar em
pouco tempo a sua
comunicação. Por que é
importante falar bem em
público? Quando se fala
bem em público, o ouvinte
não fica observando se
uma pessoa está
utilizando corretamente
uma técnica, se está
gesticulando de forma
eficiente, se está se
posicionando bem. O que
o ouvinte observa é o seu
desembaraço, a sua
desenvoltura, é a
personalidade forte e
confiante projetada no
momento da
apresentação. A
comunicação bem
desenvolvida serve como
uma espécie de
marketing pessoal.
Imagine alguém numa
empresa desenvolvendo
bem o seu trabalho e
querendo que as outras
pessoas descubram a sua
eficiência como
profissional. Ele não pode
chegar para cada um de
seus companheiros, para
seu superior hierárquico e
dizer: você viu como eu
sou competente? Viu
como eu faço bem esse
trabalho? Poderia até
angariar antipatia das
pessoas que trabalham
com ele. Mas, se fala
bem, constantemente
está se apresentando,
está sendo chamado,
está sendo convidado. E
de uma maneira sutil ele
vai fazendo a sua
promoção pessoal,
demonstrando, nas suas
apresentações o seu
conhecimento, a sua
experiência, a sua
eficiência.

Características dos
ouvintes
Vamos falar de um dos
pontos mais importantes
que temos na
comunicação: os
ouvintes. Só existe
comunicação porque
existe ouvinte. É
interessante como as
pessoas acabam
negligenciando esse
aspecto importantíssimo
da comunicação e falam
sempre da mesma
maneira para qualquer
tipo de auditório. Cada
auditório deve ter a sua
forma apropriada de ser
enfrentado. Se você for
falar, por exemplo, para
um grupo de pessoas
despreparadas, se essas
pessoas não conseguirem
se envolver com a sua
mensagem, a culpa não é
delas. A culpa é sua, que
não teve a habilidade e a
sensibilidade de adaptar a
sua mensagem de acordo
com as características
daquele grupo. Pessoas
despreparadas têm
dificuldade de
entendimento. Você não
poderá desenvolver um
raciocínio abstrato
sofisticado, pois elas não
vão entender. Você não
poderá fazer reflexões
complexas, pois elas não
foram preparadas para
chegar às conclusões
apenas a partir das
premissas levantadas.
Essas pessoas precisam
ser tratadas e conduzidas
com muito cuidado. É
necessário colocar
informações concretas e
objetivas na nossa
apresentação. Também
contar historinhas para
que elas possam
entender bem o
desenvolvimento do
raciocínio. Se, por acaso,
você resolver levantar
reflexões, precisa dar
também a conclusão para
facilitar o trabalho de
entendimento. Se for falar
para pessoas bem
instruídas porém leigas,
que não estão
familiarizadas com o tema
que vai abordar, não
adianta tratar do assunto
com profundidade, pois
elas não vão
compreender.

Mas, se for falar para um


grupo de pessoas bem
preparadas, aí é
diferente. Pode
desenvolver raciocínios
abstratos ou fazer
reflexões mais
rebuscadas. Essas
pessoas sentem até mais
prazer em chegar às
conclusões a partir das
reflexões que são
levantadas. Se tiver de
fazer uma apresentação
para um grupo de
especialistas, não trate do
assunto de forma
superficial - pois as
pessoas já conhecem
todas as informações
básicas. Elas podem até
se desinteressar da
apresentação se você for
muito elementar. Que tipo
de público você vai
enfrentar? Pretende falar
para pessoas jovens? O
jovem é idealista,
entusiasmado,
interessado no futuro.
Para pessoas idosas? O
idoso já tem outro
comportamento,
normalmente volta sua
atenção ao passado, ao
tempo de suas
conquistas. Por isso, é
importante saber que tipo
de característica
predominante tem o
auditório, se há mais
mulheres do que homens,
ou vice-versa. A partir
dessas constatações é
que você deve dirigir sua
comunicação. Deve
também analisar o que
interessa às pessoas que
estão à sua frente. Pode
ser ganhar dinheiro, a
realização profissional, a
família, o poder, o amor,
política, religião. Enfim, o
que interessa a esses
ouvintes? Quando
conseguir responder essa
pergunta, acertará a
sintonia com a platéia e, a
partir daí, terá um canal
livre de comunicação,
com muita possibilidade
de sucesso.

Mas e se você não


conhece as pessoas que
estão na platéia? Nesse
caso, é possível, com um
pouco de atenção e
observação, detectar as
características
predominantes. Verificar,
por exemplo, como as
pessoas se sentam, se
vestem, como penteiam o
cabelo, que relógio estão
usando. Prestar atenção
em como elas reagem às
colocações mais sutis. Se
você fizer um comentário
requintado ou de humor
fino e a platéia reagir
prontamente, você
provavelmente estará
diante de pessoas bem
preparadas. Se fizer o
mesmo comentário e a
resposta demorar, deverá
ter um pouco mais de
cuidado para passar suas
informações. Por isso, é
fundamental levar em
conta que tipo de ouvinte
você vai enfrentar. Muita
gente me procura e diz:
"Polito, eu fiz uma
apresentação e o
resultado foi fantástico, fui
aplaudido de pé. Num
outro dia, fiz a mesma
apresentação em outro
lugar e o público não
reagiu. Por que ocorreu
isso?" Ora,
provavelmente porque fez
a mesma apresentação
para públicos diferentes.
Não fez a adaptação
necessária para se
adequar às
características da nova
platéia. Além disso, para
que a sua mensagem
possa chegar bem aos
ouvintes, é preciso contar
com alguns elementos
essenciais: a voz, a
vocabulário e a expressão
corporal. Vamos verificar
os cuidados que você
deve ter com cada um
deles para obter a
comunicação mais
eficiente possível.

Como usar bem a voz

O primeiro ponto
importante é a dicção.
Pronunciar bem as
palavras que você quer
transmitir. Prestar atenção
aos detalhes. Pronunciar
bem um R final, um S
final, um I intermediário.
Dizer madeira, janeiro, e
não madêra, janêro.
Pronunciando bem uma
palavra, você atinge dois
objetivos importantes. O
primeiro é evidente: torna
a sua fala mais clara e
compreensível, de forma
que o público entenda
mais facilmente o que
você está transmitindo. O
segundo objetivo é
estético. Aquele que se
apresenta com boa
dicção demonstra que é
uma pessoa bem formada
e bem preparada. Se
você já tem essas
características, realçará
naturalmente a autoridade
de falar sobre o assunto
que se propôs. Note que
a boa dicção ajuda a dar
credibilidade à
mensagem.
Como é que você pode
melhorar a dicção? Tenho
observado que a maioria
dos problemas de dicção
ocorre por negligência.
Há um exercício bastante
simples que pode ajudá-lo
a melhorar sua dicção
imediatamente. Basta
pegar um texto, de jornal,
revista ou livro, e lê-lo
com um obstáculo na
boca, como o dedo ou um
lápis. Dessa forma, tente
pronunciar as palavras da
maneira mais correta
possível, realçando cada
letra. Vai sair um som
estranho e abafado, mas,
quando tirar o obstáculo,
vai perceber que as
palavras ficaram mais
claras e mais nítidas.
Faça a experiência.
Pegue o gravador e grave
a sua leitura de um texto.
Depois, grave o mesmo
texto com o obstáculo na
boca. Por fim, faça uma
terceira leitura sem esse
obstáculo. Compare a
primeira com a terceira.
Veja como melhora.

Agora, não adianta


pensar na pronúncia das
palavras, das sílabas, do
R ou do S, no momento
em que você está diante
do público. Porque senão
você vai cair no
artificialismo, que deve
ser combatido com todas
as forças na
comunicação. É preciso
fazer exercícios
exagerados, de tal
maneira que a dicção
possa ser desenvolvida e
assimilada - e, a partir
daí, pronunciar as
palavras sem que as
pessoas percebam que
estamos tentando
pronunciar bem. A
naturalidade é a chave do
sucesso na comunicação.
Outro ponto importante
que existe em relação à
voz é o volume, a
intensidade. Quando
estiver diante de uma,
duas ou três pessoas, é
claro que não poderá falar
muito alto, do mesmo
modo que não poderá
sussurrar quando estiver
diante da multidão. Cada
ambiente exige uma
intensidade apropriada.
Chegue antes da hora
marcada no local da
apresentação para fazer
uma avaliação, verificar a
acústica da sala, se tem
ou não microfone, a que
distância está do último
ouvinte. É essa avaliação
que vai determinação a
intensidade da sua fala.
Essa é a regra: uma
intensidade, um volume
para cada tipo de
ambiente a enfrentar.

Há mais um ponto crucial


em relação à voz: a
velocidade. Não existe
um padrão de velocidade,
cada um tem a sua.
Depende da capacidade
de respiração, da
emoção, da dicção. Quem
tem boa dicção pode falar
um pouco mais rápido. Se
não tiver, precisa falar um
pouco mais devagar para
que as pessoas
compreendam a
comunicação. A
velocidade deve ser
apropriada para a
mensagem ser bem
transmitida. Se frase for
"passou rápido como um
corisco", não há mal em
falar em alta velocidade,
"passourápidocomoumcor
isco". Mas se disser "foi
descendo mansamente
com o entardecer", entre
no ritmo da frase, dê
pausas: "foi descendo....
man-sa-men-te... com...
o... entar-decer". Treine e
você vai encontrar a
velocidade mais acertada
para cada frase, de
acordo com as suas
características.
Observe agora que,
embora tudo isso seja
muito importante, a
intensidade ou a
velocidade isoladamente
não são suficientes para
uma comunicação
perfeita. Para isso, o mais
importante é a alternância
entre velocidade e
intensidade. Falar mais
alto às vezes, colocar
mais de intensidade, logo
depois falar mais baixo,
praticamente sussurrando
diante de auditória. Falar
mais rapidamente e mais
à frente falar mais
devagar. Com essa
alternância, você pode
dar um colorido especial à
sua comunicação e,
nesse ritmo, conseguir
envolver a platéia. Se não
fizer isso, se falar sempre
com a mesma velocidade,
com a mesma
intensidade, o tempo todo
a mesma coisa, do
princípio até o final, sem
respeitar pontos e
vírgulas, sem pausas e
ênfases, se fizer assim
cinco minutos depois o
público estará dormindo.
Ninguém agüenta esse
tipo monótono.

Como usar bem o


vocabulário

Para que a mensagem


chegue bem, de maneira
integral aos ouvintes,
também é necessário
atentar para o
vocabulário. Talvez você
tenha um bom
vocabulário e nem saiba.
Até esse exato trecho do
texto é possível que você
não tenha precisado ir
nenhuma vez ao
dicionário, entendeu
todas as palavras que eu
disse. Isso significa que
todas elas já fazem parte
do seu vocabulário -
embora nem sempre você
utilize essas mesmas
palavras para se
expressar no seu
cotidiano. Ou seja, às
vezes é melhor ativar as
palavras que você já
conhece e estão
adormecidas do que
procurar aprender
palavras novas ou
diferentes para enriquecer
uma apresentação ou
impressionar. É evidente
que, quanto mais
palavras você tiver à
disposição, melhor. Mas
tenha certeza de que, se
você apenas usar as
palavras que já conhece,
elas serão mais do que
suficientes para expressar
qualquer tipo de
pensamento.
Vejamos aqui alguns
cuidados que você
precisa tomar com o
vocabulário. O primeiro
deles é eliminar os
palavrões e as gírias da
sua comunicação. Achar
que você construirá uma
imagem positiva usando
palavrão ou gíria é uma
grande ingenuidade. É
claro que o palavrão na
hora certa, numa roda de
amigos, numa cerveja de
fim de tarde, no meio de
uma piada, pode até
aumentar a eficiência da
comunicação. A gíria bem
utilizada - quando você
demonstra ao ouvinte que
está recorrendo à gíria de
forma intencional -
também pode ajudar a se
aproximar ou de quebrar
o gelo com o auditório.
Mas isso é a exceção. Se
não domina essa técnica,
o melhor é não arriscar.

Cuidado também com as


palavras difíceis, com os
termos incomuns. Se usar
palavras rebuscadas é
possível que, no final da
apresentação, alguns
ouvintes ainda estejam
tentando entender o que
você falou no meio. Sem
entender as palavras, não
há como acompanhar o
raciocínio. Na mesma
linha, atente para os
termos técnicos. Cada
profissional - advogados,
médicos, economistas -
tem os seus e uns não
obrigados a entender os
jargões dos outros.
Obviamente, se a sua
platéia for formada
apenas por colegas de
trabalho, os termos
técnicos até facilitarão a
comunicação. Mas, se
não adaptar sua fala para
pessoas que não estão
familiarizadas com certo
tipo de linguagem,
dificilmente a mensagem
será entendida. Lembre-
se que, para todas as
situações, você deve
procurar desenvolver um
vocabulário prático,
simples, objetivo, que
transporte bem a sua
mensagem e projete uma
imagem positiva. Para
tanto, não negligencie a
gramática, não fale
"menos", "para mim
fazer", "vou estar
ligando". Esse tipo de erro
evidencia uma pessoa
despreparada e pode
comprometer a sua
imagem e a da instituição
que você está
representando. Agora,
fale corretamente, mas
não se preocupe com o
perfeccionismo
gramatical, que pode ser
prejudicial ao
desenvolvimento da
comunicação. Se
começar a ficar
exageradamente
preocupado com esse
tipo de detalhes, talvez
não consiga ter uma boa
fluência. Dê importância à
gramática, claro, mas
uma importância relativa.

Quando falo disso,


sempre me lembro da
história de dois oradores
brasileiros que, em certo
momento de suas vidas,
foram inimigos. Um deles
era Flores da Cunha e o
outro era Teixeira Coelho.
Quando um falava, o
outro prestava a maior
atenção aos eventuais
deslizes, louco para fazer
uma crítica. Um dia,
Flores da Cunha falava a
um grande público, com
muita eloqüência e
emoção. Mas, a certa
altura, cometeu uma falha
gramatical. Iniciou uma
frase usando um pronome
oblíquo. Imediatamente,
Teixeira Coelho pediu um
aparte para fazer uma
observação. "Excelência",
disse Teixeira, "eu
gostaria de pedir que o
senhor cuidasse um
pouquinho mais de sua
gramática. Qualquer
criança do curso primário
sabe que esse tipo de
pronome não deve estar
no começo de frases".
Flores da Cunha não se
abalou e respondeu com
diplomacia, disse que
agradecia o aparte e o
momento de aprendizado,
e prometia não repetir o
erro. Em seguida,
prosseguiu assim: "De
onde eu venho estamos
sempre preocupados com
o bem-estar da
população. Lá, discutimos
com ardor os grandes
temas que nos levem à
felicidade. Se nesse
momento a matrona da
gramática se atreve a
entrar na nossa frente,
nós a atropelamos com a
força da emoção. Sabe
por quê, excelência?
Porque a palavra do
coração é mais
importante que o
perfeccionismo
gramatical".

Como usar bem a


expressão corporal

Depois da voz e do
vocabulário, vamos ver o
terceiro elemento que tem
a responsabilidade de
transmitir a mensagem
aos ouvintes: a expressão
corporal. Todo o nosso
corpo se comunica
quando nós falamos. Pés,
pernas, troncos, braços,
mãos, dedos, ombros, a
cabeça, o semblante,
tudo fala. É possível
transmitir uma mensagem
completa usando apenas
a nossa expressão
corporal. Nesse capítulo,
é preciso evitar dois erros
básicos. O primeiro é a
falta do gesto, porque o
corpo precisa se
movimentar para ajudar a
transportar a mensagem.
E o segundo, muito mais
grave, é o excesso de
gestos. É preferível não
gesticular do que
gesticular sem parar
porque, se a mensagem
for boa, as pessoas
prestam atenção no que
está sendo dito. Mas, se
não pára de fazer gestos,
fica muito difícil manter a
concentração nas
palavras.
Existem alguns
comportamentos que são
desaconselháveis -
embora isso não
signifique que você não
possa jamais recorrer a
eles. Depende muito da
sua naturalidade e das
circunstâncias. Por
exemplo: não falar muito
com as mãos atrás das
costas ou nos bolsos nem
de braços cruzados.
Outro: não se apoiar na
tribuna, na mesa, na
cadeira, na haste do
microfone. Tome muito
cuidado para não se
apresentar com uma
postura muito humilde,
pois isso pode ser
interpretado com a
postura de um perdedor.
Ninguém aceita liderança
de um fracassado.
Também não se comporte
de uma maneira
arrogante ou prepotente,
porque as pessoas vão se
colocar na defensiva.

Além disso, não fique


andando de um lado para
o outro na frente do
público, como se fosse
um animal enjaulado que
quer fugir daquela
situação. Trata-se de um
erro muito comum entre
professores. Atente para
não ficar apoiado apenas
na perna esquerda ou só
na direita. Ou se está com
as pernas muito abertas
ou muito fechadas - sem
trocadilho, isso pode
comprometer o equilíbrio
da sua apresentação.
Procure distribuir o peso
do corpo entre as duas
pernas. Deixe-as
levemente afastadas. Isso
confere equilíbrio e passa
uma imagem positiva ao
auditório.
Mais um cuidado: não
gesticule com as mãos
colocadas abaixo da linha
da cintura. Esses não têm
nenhum valor. Gestos só
são eficientes quando
realizados acima da linha
da cintura. Cuidado
também para não deixar
cotovelos grudados no
tronco, numa atitude
acuada, reprimida. Isso
não é natural. O
movimento espontâneo
nasce no ombro, com o
braço todo, formando um
pequeno ângulo entre o
braço e o tronco.

Atenção também a gestos


ensaiados e mecânicos.
Há pessoas que
costumam fazer um gesto
que acham bonito e, sem
saber como terminá-lo
com naturalidade, voltam
à posição anterior num
movimento brusco. Isso
chama a atenção
negativamente. O melhor
é fazer o gesto, segurá-lo
até completar a
mensagem (tenha certeza
de que não precisar de
outro gesto para uma
informação
complementar) e só
depois retorne à posição
de apoio, naturalmente.
Com esses cuidados,
você terá uma
gesticulação harmoniosa
e um posicionamento
elegante na frente do
público.
Para completar a
eficiência da expressão
corporal e do jogo
fisionômico, ainda é
necessário levar em conta
a comunicação visual.
Quando você estiver
falando, procure olhar
para todos os lados da
platéia. Não gire apenas
os olhos, mas também a
cabeça e os troncos.
Assim, você saberá
melhor como o ouvinte
está reagindo diante da
sua apresentação e,
principalmente, fará com
que a pessoa se sinta
prestigiada e muito mais
presente. Essa
movimentação de cabeça
e troncos também ajudará
para que você quebre a
rigidez da postura e
adquira um maior
naturalidade.

Credibilidade na
comunicação

O grande objetivo da
comunicação é a
conquista da
credibilidade. Se as
pessoas acreditarem no
que você diz, se
confiarem nas suas
palavras, sua missão
estará cumprida. Alguns
pontos são determinantes
para conquistar essa
credibilidade:
naturalidade, emoção,
conhecimento e conduta
pessoal. Vejamos cada
um deles. Não existe
técnica em comunicação
que possa ser
considerada mais
importante do que a
naturalidade e a
espontaneidade. A cada
aluno que vem fazer meu
curso, o primeiro alerta
que faço é esse: se, para
adquirir a técnica da
comunicação você tiver
de perder a sua
naturalidade, é preferível
continuar com seus erros
e desacertos.
Qualquer tipo de
artificialismo na
comunicação faz as
pessoas duvidarem de
todas as suas palavras.
Portanto, seja sempre
natural e espontâneo.

Outro ponto crucial para a


conquista da credibilidade
é a emoção. Se você falar
apenas com naturalidade,
vai somente transmitir a
mensagem. Para envolver
o público, fazer com que
as pessoas participem
das nossas idéias, é
preciso, além da
espontaneidade, falar
com emoção. É preciso
demonstrar que aquele
assunto é importante para
você. Que você está
envolvido com o tema. Se
não demonstrar seu
envolvimento e interesse
pelo assunto, não
conseguirá o
envolvimento e o
interesse do público. Fale,
portanto, com energia,
com entusiasmo.
Um dos maiores
exemplos de emoção que
podemos utilizar foi dado
pelo abolicionista José do
Patrocínio. Certa vez,
num teatro lotado, ele
teve de fazer um discurso
depois de Silva Jardim,
orador famoso que
ombreava em eloqüência
com José do Patrocínio.
Esses dois oradores eram
amigos, mas, naquele
momento, tinham
divergências políticas.
Com voz forte, com o
olhar penetrante e irônico
de sempre, Silva Jardim
discursou conquistou a
platéia e foi aplaudido de
pé. Em seguida, José do
Patrocínio subiu ao palco
e, talvez para não se
indispor mais com Silva
Jardim, falou de forma
tímida e hesitante. Não
demorou e surgiram as
primeiras vaias na platéia
- e, quanto mais as vaias
aumentavam, mais José
do Patrocínio ia se
perdendo e sumindo.
Depois de algum tempo, o
teatro ficou em silêncio,
possivelmente com pena
do orador, que parecia
destruído e derrotado.
Nesse momento, de
repente, uma voz gritou
do fundo uma frase que
atravessou todo o recinto
e bateu como uma
chicotada no rosto de
Patrocínio: "cala a boca,
negro". Por alguns
instantes, ele ficou
paralisado, os olhos
esbugalhados. Mas, a
seguir, indignado, suas
palavras começaram a
sair como de dentro de
um vulcão estonteante.
Fortalecido, defendeu-se
do insulto e ainda atacou
Silva Jardim. Falou com
tanto entusiasmo, energia
e emoção que as
mesmas pessoas que o
vaiaram passaram a
aplaudi-lo.

A história não acaba aqui.


Depois do discurso, ele
quis saber quem tinha
sido o covarde que o
mandara calar a boca. Ao
seu lado, o jornalista
Paula Ney, um dos
melhores amigos de
Patrocínio, fez a
confissão: "fui eu". Mas
por quê?, quis saber.
"Ora, você estava
totalmente arrasado. E
somente uma provocação
que pudesse cutucar o
seu coração, movimentar
o seu espírito, balançar a
sua alma poderia trazer
para fora novamente esse
orador extraordinário que
você é". Veja neste
exemplo magnífico,
relatado pelo escritor
Coelho Neto, como a
emoção é fundamental, a
ponto de transformar uma
derrota numa vitória
estupenda.
Além da naturalidade e da
emoção, a conquista da
credibilidade também
passa pelo conhecimento
do assunto que estamos
tratando. Ou melhor: mais
do que ter conhecimento,
é preciso demonstrar que
se tem esse
conhecimento. Quando as
pessoas percebem que
você estudou, pesquisou,
aprofundou-se num tema,
elas começam a acreditar
também nas suas
palavras. Se você tem de
fazer uma apresentação
de 30 minutos, não
adianta conhecer apenas
30 minutos daquela
matéria. Você precisa ter
pelo menos uma hora de
conhecimentos. Precisa
sobrar informação. Se vai
falar sobre plantação de
café, por exemplo, não
adianta só ler livros sobre
isso. Precisa visitar uma,
conversar com os
lavradores, ver como
plantam e colhem, falar
com o dono da fazenda,
discutir sobre o transporte
e a comercialização do
produto. Só com isso será
possível transmitir
conhecimento e
segurança no momento
da apresentação.

Por fim, resta o último


elemento da credibilidade,
aquele que sustenta e dá
valor aos outros três: a
conduta pessoal
exemplar. Ou seja, tudo
aquilo que nós pregamos
na nossa mensagem,
precisa encontrar
respaldo e apoio nas
nossas atitudes. Se
falamos uma coisa e
fazemos outra, é evidente
que haverá um divórcio,
uma incoerência mortal
para o discurso.
Prestando atenção a isso,
você pode vencer o medo
de falar em público e
conquistar qualquer
platéia.