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A SEGURANÇA DO TRABALHADOR - UMA PREOCUPAÇÃO CONSTANTE RESUMO José Emiro Bonilla 1 Este trabalho

A SEGURANÇA DO TRABALHADOR - UMA PREOCUPAÇÃO CONSTANTE

RESUMO

José Emiro Bonilla 1

Este trabalho aborda a segurança do trabalhador, sob uma ótica contemporânea,

e traça o panorama atual desse segmento no Brasil. Relata experiências

relacionadas aos trabalhos acadêmicos realizados na disciplina de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional, ministrada aos alunos de Gestão de Recursos Humanos. Propõe um planejamento estratégico adequando voltado à segurança

no trabalho, para a redução de prejuízos nas empresas.

Palavras-chave: Segurança do Trabalho. Saúde Ocupacional. Direito do Trabalho

RESUMEN

Este documento aborda la seguridad del trabajador, en una perspectiva contemporánea, se describe el panorama actual del segmiento en Brasil. Relata experiencias relacionados con el trabajo académico realizado en la disciplina de Seguridad y Salud Ocupacional, teniendo en cuenta a los estudiantes de Gestión de Recursos Humanos. Propone un plan estratégico para la seguridad de la adaptación, para reducir las pérdidas en los negocios.

Palabras-clave: Seguridad en el Trabajo. Salud en el Trabajo. Derecho Laboral

1 BONILLA, José Emiro. Advogado, inscrito na OAB/RS sob nº 7735; Professor Universitário, registro no MEC nº 69.944; Especialização em Planejamento, Metodologia e Avaliação do Ensino de 3º grau; Pós Graduação em Administração Hospitalar; Aperfeiçoamento em Preparação ao Ingresso ao Ministério Público do RS; Mestre em Direito. E-mail: je_bonilla@hotmail.com

1 INTRODUÇÃO

“Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças, levando-se em conta que o homem é um ser que se distingue não somente por suas atividades físicas, mas também por seus atributos mentais, espirituais e morais e por sua adaptação ao meio em que vive”. (Organização Mundial da Saúde).

O trabalho que ora se consolida não em muitas páginas, tem o condão de alertar os trabalhadores e os empregadores dos riscos tidos e havidos no exercício laboral nas empresas, com gravames às vezes de significada importância a ambos, embora nenhum e nem outro acabe por contabilizar as perdas.

Como o próprio título diz, é uma constante preocupação a segurança e a saúde do trabalhador, pois registram-se diariamente acidentes de toda ordem que afetam essas duas situações, cuja importância no momento passa desapercebida, vindo causar problema no futuro, seja quanto ao trabalho desenvolvido pelo empregado na empresa, seja quanto aos custos deles resultantes, diretos e indiretos. Quanto aos primeiros, às vezes são observados por estarem frente às atividades diárias na empresa e da empresa, porém quantos aos últimos, pouca importância se lhes dão, isso porque os resultados danosos só irão aparecer no futuro e daí, normalmente, remediam-se.

Não se pode mais sustentar políticas desse naipe na atualidade, embora se saiba que ocorrem e com freqüência entre esses atores empregados e empregadores. E o pior, em acontecendo, o reflexo atinge a sociedade como um todo, a começar na família do empregado e a terminar na Previdência Social, seja ela pública ou privada. Essas perdas ou esses prejuízos pouco ou quase nada são observados e levados em consideração, a fim de amadurecerem idéias e posturas para evitá-los no amanhã.

Gestores de Recursos Humanos e Administradores de Empresas devem envidar todos os esforços para que situações dessa natureza sejam evitadas,

porque somente através deles, métodos avançados de segurança e saúde poderão ser implementados e com excelentes resultados.

2 A SEGURANÇA DO TRABALHO E SAÚDE OCUPACIONAL

Ao iniciar este relato produto de estudos e experiências docentes/ profissionais, nada melhor que trazer a lição de um dos maiores doutrinadores da matéria ora aludida, que é Tuffi Messias Saliba, o qual em sua obra Curso Básico de Segurança e Higiene Ocupacional, 2004, diz textualmente:

“Até o início da Revolução industrial existem poucos relatos sobre acidentes e doenças provenientes do trabalho, vez que, neste período, predominava o trabalho escravo e manual. Com o advento da máquina a vapor, a produtividade aumentou e o trabalhador passou a viver em um ambiente de trabalho agressivo, ocasionado por diversos fatores, dentre eles, a força motriz, a divisão de tarefas e a concentração de várias pessoas em um mesmo estabelecimento. Nesse contexto, os riscos de acidentes e doenças originadas do trabalho começaram a surgir com rapidez. A Revolução Industrial veio alterar o cenário e gerar novos e graves problemas. O incremento da produção em série deixou à mostra a fragilidade do homem na competição desleal com a máquina; ao lado dos lucros crescentes e da expansão capitalista aumentavam paradoxalmente a miséria, o número de doentes e mutilados, dos órfãos e das viúvas, nos sombrios ambientes do trabalho”.

Frente às afirmações antes expostas, e com fulcro na doutrina de Toledo Pinto e outros - in Segurança e Medicina do Trabalho, 2010, convém que se diga que a Organização Internacional do Trabalho OIT, hoje sediada em Genebra Suiça, desde sua criação, em 1919, pelo Tratado de Versailles/França, passou a se ocupar, em grande parte, com a saúde e integridade física/psíquica do trabalhador, em especial com a escassez das normas, a nível mundial, que tratassem sobre esses aspectos, contribuindo assim na sua prevenção, emitindo várias Convenções que foram ratificadas pelo Brasil, como país aderente àquela Organização, incorporadas na sua legislação interna, tais como as Convenções:

nº 103 Amparo à maternidade; nº 115 Proteção contra as radiações

ionizantes; nº 127 Peso máximo das cargas; nº 134 Prevenção de acidentes de trabalho dos marítimos; nº 136 Proteção contra os riscos de intoxicação provocados pelo benzeno; nº 139 - Prevenção e controle de riscos profissionais causados pelas substâncias ou agentes cancerígenos; nº 148 Proteção dos trabalhadores contra os riscos devido à contaminação do ar, ao ruído e às vibrações no local de trabalho.

O Brasil, por sua vez, incorporou a higiene e segurança do trabalho na

Constituição Federal de 1946, no seu art. 154 - inciso VIII, reafirmado na última Constituição Federal de 1988, no art. 7º - incisos XXII, XXIII, XXVIII, enquanto a Lei nº 6.524/77, regulamentada pela Portaria nº 3.214/78, deu nova redação ao Capítulo V art. 154 a 201, da Consolidação das Leis do Trabalho CLT de 1943, todos com vistas à proteção no trabalho e, em especial, do trabalhador.

O Ministério do Trabalho e Emprego, ancorado nas normas jurídicas antes

mencionadas, editou várias Normas Regulamentadoras NRs, hoje são 33 urbanas e 05 rurais, estas últimas com referências na NR 31. As NRs referidas tratam da matéria de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional aplicadas na relação empregado/empregador, ensejando de qualquer modo sanções pela não observação dos seus conteúdos, muitos deles relativamente extensos e

complexos que exigem a participação de técnicos para sua interpretação e aplicação no ambiente laboral, com custos ao empregador, eis que a implementação dessas normas é sua.

Em caso de descumprimento da legislação referida, está o Ministério do Trabalho e Emprego MTbE, atento para, através de sua fiscalização, visitar empresas e multá-las, se for o caso, agindo em consonância com a Procuradoria Federal do Trabalho, a qual instada a esse respeito, irá intimar os responsáveis e, em audiência, previamente designada, pedir esclarecimentos sobre o descumprimento das normas laborais, lavrando muitas vezes, nesse momento, o TAC Termo de Ajuste de Conduta, no qual ficará assentado que, no caso de continuação ao descumprimento das normas ou reincidência das infrações, sofrerá a empresa a devida penalidade sancionatória.

A par dessas medidas administrativas, está a Justiça do Trabalho, a todo o

momento, recebendo, processando e julgando feitos ajuizados pelos empregados

e ou sindicatos profissionais, e, na maioria das vezes, procedentes, cuja

jurisprudência serve de orientação a todos as pessoas, físicas e jurídicas, que não podem alegar desconhecer as normas laborais tão difundidas nos dias atuais.

Assim, no Brasil há uma série de disposições legais, como as antes mencionadas, somadas a outras tantas do gênero e complementares da matéria em apreço, as quais por se tratarem de normas postas de um Sistema de Direito

Positivo têm que ser observadas pelos empregados e empregadores, a fim de evitar maiores prejuízos a ambos, significando dizer que é aconselhável prevenir

do que remediar.

Nos Cursos de Graduações, em especial de Tecnologia de Gestão de Recursos Humanos, parte dos conteúdos nele desenvolvidos dizem respeito à segurança e à saúde do trabalhador, isso porque esse último, como detentor da mão de obra, é a peça fundamental no organização empresarial, aliado à matéria prima e ao capital, com o que o empresário busca desenvolver as atividades

negociais a que se propõe, com o intuito de lucro. É claro que todo empresário busca lucro do capital empregado, jamais prejuízo. O lucro, como rendimento que

é, ostenta segura o empreendimento em pé, firme e lastreado na execução do

planejamento havido, enquanto que o prejuízo, ninguém quer e ninguém aceita, porque sugere o desmoronamento da empresa, perdendo todos que direta e indiretamente a ela estão indexados. Por isso a permanente afirmação nas aulas aos alunos: propugnar por ver a organização empresarial aquela para a qual presta-se serviços profissionais, cada vez mais forte, mais gigante, crescendo sempre. Enquanto isso ocorrer, há maior chance de ter-se emprego garantido.

Agora, não somente o emprego garantido satisfaz a pessoa humana. O emprego é por demais valioso, ninguém vive sem trabalhar, mas a qualidade no

desempenho das atividades laborais é deveras interessante e não menos valiosa, porque dá ao trabalhador condições plenas de desenvolver as atividades para as quais foi contratado, sem qualquer queixa ou desculpas para um

, dias atuais - aquelas costumeiras desculpas de quem dá pouco de si ou quase nada, que tem por objetivo, muitas vezes, forçar uma demissão para receber o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço com multa, e por alguns meses o

desempenho insatisfatório, baixa produção

situações essas inaceitáveis nos

Seguro Desemprego. Cuidado, não há mais espaço para tal situação, pelo menos para quem busca e consegue uma qualificação profissional. Hoje a competência e a habilidade são os atributos que mais interessam ao empregador.

Quando se fala em qualidade nas atividades do trabalhador, está presente, com certeza, a Segurança do Trabalho e a Saúde Ocupacional, dois itens que estão indelevelmente conectados, porque Segurança é Saúde e Saúde é Segurança, trocadilho esse que se faz para mostrar o quanto é valioso um e outro, entrelaçando-se por vezes na concepção do administrador, mas permanentemente na ótica do gestor, esse profissional que está lá na empresa sempre presente em todos os lugares, com um olhar atento e preocupação constante no bem-estar do trabalhador e no desempenho de suas atividades. Qualquer erro, qualquer engano, qualquer descuido pode desencadear uma série de consequências e com perdas irreparáveis, em especial quando se tratar das pessoas naturais que transitam, frequentam, permanecem e laboram no ambiente empresarial. Isso também é da alçada do Gestor de Recursos Humanos. Enfim, sua missão é lidar com pessoas.

A Segurança e a Saúde terão que ser vistas como prioridade nas atividades da empresa, porque hoje não cabe mais aquela fatídica expressão: “ na minha empresa nunca ocorreu acidente” ou “por que eu tenho que montar ou contratar um serviço de Segurança do Trabalho, e ainda me preocupar com a saúde dos trabalhadores?”

Diante dessas indagações ou, por vezes, afirmações, nada melhor que responder: porque isso se chama “controle de perdas”. Cada empresa deveria adotar essa prática de controlar suas perdas, porque elas ocorrem a cada momento, nos mínimos detalhes e prevenir é o melhor remédio. Depois das perdas ocorrerem só resta uma coisa a ser feita: juntar o que sobrou e pagar seus custos. Essa afirmação é válida em todos os sentidos e ainda mais sensível quando se trata de riscos à saúde ou à vida do trabalhador. Quanto às coisas materiais, há conserto. Quanto à saúde, às vezes, e quanto à vida, jamais. Não existe compensação para essas perdas.

3 O AMBIENTE DE TRABALHO NO DESEMPENHO LABORAL

Já se disse alhures, “que o meio ambiente não se renova na mesma velocidade em que é destruído”. Essa é a mais pura verdade e a cada dia que passa mais se vê agressões com essa dádiva de Deus, cortando árvores, poluindo rios, jogando lixo nas ruas a céu aberto, queimando campo e matas, matando aos pouco a fauna, traficando animais, jogando gás carbônico na atmosfera, empilhando lixo nas encostas dos morros, desviando o curso dos rios, construindo barragens e muito mais. Quando vamos acordar para a realidade? Será que é preciso acontecer tragédias como as que estamos assistindo dia a dia aqui no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina, enfim é de se perguntar: em que lugar não acontece esses tipos de tragédias? Alguém está livre disso? Será que elas são obra ou designo de Deus? Ou será que nós, os humanos, é que estamos destruindo a natureza? Há alguma dúvida nisso? Até quando vamos continuar insensíveis a essas situações?

Seria bom pensar naquela estorinha lá da infância, àquela da pomba e da queimada, que diante da inércia dos demais animais, ela fez sua parte: carregava água no bico e jogava no incêndio

Isso é uma questão de consciência de cada um, dos governantes que se

preocupam mais com o voto e com o poder. Enquanto isso o meio ambiente sofre

e os seres vivos vão morrendo aos poucos. Não vamos muito além de Porto

Alegre, não: o que é nosso Guaíba que horror; nosso Arroio Dilúvio/Ipiranga - que dizem ter sido desassoriado. Lá se foram milhões de reais e ele continua do

mesmo modo entupido de detritos de toda ordem; nosso Parque da Redenção os lagos nele localizados - que vergonha, que desastre. Quando será adotada

uma providência para salvar esses recursos naturais e torná-los fonte sadia para

a saúde da população? Enquanto isso ocorre, o Município, por exemplo, enche

suas “burras” de dinheiro através de multas e mais multas aos motoristas que trafegam nesse caos de trânsito de nossa Metrópole para chegarem aos seus locais de trabalho. Isso é uma inversão de valores, quanto à obrigação do Poder Público. Os “azulzinhos” se acotovelem embaixo de marquises, de árvores e noutros esconderijos para multarem. Essa sim é hoje a maior missão do Poder

Público multar. Nesse compasso, segue a poluição e milhares de seres vivos morrendo. Ah, é bom lembrar: enquanto a poluição corre solta e em grande escala, autoridades administrativas travam uma batalha quanto à morte do Secretário de Saúde de Porto Alegre. Se ele tivesse morrido de contaminação pela poluição ambiental, será que alguém estaria investigando a causa com tanta intensidade? Coisas para refletir.

Eis a realidade, caros alunos. Vocês, como futuros profissionais qualificados e conscientes de tudo isso que se vê e se pratica diariamente, podem sim fazer uma significativa mudança no comportamento dentro das empresas onde atuam ou irão atuar: criar uma consciência de respeito ao meio ambiente, à

natureza em si, começando por cada uma daquelas pessoas que estão sobre o pálio de vocês. Despertar nelas um espírito crítico, de respeito aos sobreviventes, porque poluir é desrespeitar os seres vivos, sejam quais forem. Criar na empresa, ambiente limpo, agradável, saudável aos trabalhadores luz, ar, temperatura, aliados a outros aspectos, como os ergonômicos, segurança, saúde,

alimentação

Isso é fácil, basta querer fazer. Vejam o exemplo da pomba e do

incêndio.

Convém lembrar alguns tópicos importantes que já foram ditos afirmados e reafirmados por muitos, aqui apenas uma relembrança pela nota do autor Alexandre Demetrius Pereira in Tratado de Segurança e Saúde Ocupacional Aspectos técnicos e jurídicos, 2005:

“Os diversos temas inerentes à segurança e saúde no trabalho têm experimentado uma constante evolução nas últimas décadas, cada vez em maior velocidade. Normas e práticas consagradas por profissionais do meio há alguns anos foram substituídas em virtude do surgimento de novos conceitos e concepções. Nenhum ramo do conhecimento humano, isoladamente, pode explicar toda a complexidade envolvida nas questões de segurança e saúde ocupacional. A matéria é essencialmente multidisciplinar. Por outro lado, não mais se admite que um profissional da área restrinja sua atuação ou conhecimento a um âmbito específico, mantendo- os isolados e estanques e tornando impossível abordar, em sua inteireza, problemas cotidianos que extravasem sua capacitação, qualquer que seja sua formação original (Engenharia, Medicina, Direito, Higiene Ocupacional, etc.). A litigiosidade e o passionalismo que envolvem esse campo da ciência, derivados do histórico conflito entre capital e trabalho,

constituem-se em um obstáculo à correta percepção e visão do assunto, uma vez que comprometem a imparcialidade com que se deve atuar na prática. Nem o empregador deve ser tomado, por si, como todo poderoso detentor do poder econômico, nem o empregado como o necessário hipossuficiente”.

Muito já se disse sobre o ambiente de trabalho: ele tem uma influência direta na produtividade do trabalhador, porque trabalhar em ambiente que gera desconforto induz à inércia, à indolência e hoje isso não mais é admitido na empresa. Foi-se o tempo que a segurança do trabalho era vista apenas como um tema que se relacionava simplesmente com o uso de capacetes, botas, cintos de segurança e uma série de outros equipamentos de proteção individual contra acidentes, quando havia.

Mas a evolução tecnológica veio e passou exigir novos ambientes de trabalho, em razão de riscos profissionais a eles associados. Muitos desses novos riscos são pouco ou ainda nada conhecidos e demandam pesquisas cujos resultados só se apresentam após a exposição prolongada dos trabalhadores à ambientes nocivos à saúde e à vida. Nesse particular é que as empresas devem prestar atenção e passarem a se preocupar com a antecipação das providências, já que o risco é sempre imanente.

4 A PREVENÇÃO É O MELHOR REMÉDIO

Prevenir sempre, remediar jamais. A prevalência da prevenção, é atitude antecipatória, isso porque o risco sempre está presente antes do evento danoso, por isso a principal etapa do processo de prevenção é a de reconhecimento dos riscos ambientais. Nesse caso, pelo risco já estar presente, será preciso intervir no ambiente de trabalho. Reconhecer o risco é uma tarefa que exige observação cuidadosa das condições ambientais, caracterização das atividades, entrevistas e pesquisas. Infelizmente, há ocasiões em que o risco é identificado após o comprometimento da saúde ou da vida do trabalhador. Quando existem Programas: de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO (NR-7) e de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA (NR-9), ambas do Ministério do

Trabalho e Emprego, é possível obter um diagnóstico precoce dos agravos à

saúde e à vida do laborista. Nesses casos, enquanto a Medicina do Trabalho cumpre o seu papel preventivo, ao rastrear e detectar o dano à saúde, caberá à Engenharia de Segurança intervir com rapidez no ambiente para impedir que outros trabalhadores sejam ou continuem sendo expostos à quaisquer riscos

como tais os aqui aludidos.

Os dois programas antes aludidos são por demais interessantes e devem ser implementados na empresa a fim de evitar danos de toda ordem. A Constituição Federal e a CLT prevêm as seguintes situações:

a) Constituição Federal:

Art. 7º

XXII redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;

XXIII adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou

perigosas na forma da lei.

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividades o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

b) Consolidação das Leis do Trabalho:

Art. 189. Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

Art. 193. Serão consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que, por sua

natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado.

A adoção das medidas de controle, que representam uma etapa da prevenção, será antecedida pela avaliação dos riscos, quando eles serão quantificados para subsidiar seu controle. A referida intervenção se fará, na maioria das vezes, nas fontes geradoras dos riscos, nas possíveis trajetórias e nos meios de propagação dos agentes. Sendo assim, o Engenheiro de Segurança deverá especificar e propor equipamentos, alterações no arranjo físico, obras e serviços nas instalações, procedimentos adequados, enfim, uma série de recomendações técnicas pertinentes a projetos e serviços de engenharia, enquanto o Médico do Trabalho, através dos exames necessários clínicos e laboratoriais, se acaso detectar quaisquer alterações no organismo/comportamento do trabalhador, deve adotar medidas efetivas que resolvam a questão de pronto. Com isso todos, na empresa, ganham.

Sabe-se que uma das mais discutidas e maiores falhas humanas em todos os acidentes ocorridos e nos que ainda vão ocorrer, advém da dificuldade intrínseca que todos têm em aprender algo novo, em especial quando isso parece não lhe interessar. A conscientização do perigo e da necessidade de adaptação ao ambiente de trabalho, é sem dúvida o ponto de partida para melhorar a confiabilidade de todos os sistemas de segurança e controle.

Diante disso, há necessidade de um bom gerenciamento dos riscos, o que poderá ser feito observando determinadas etapas que são necessárias à prevenção, porque gerenciar significa ter bem presente o que deve ser feito por antecipação do acontecimento do acidente. Depois de acontecido, embora sejam tomadas todas as providências para reequilibrar uma situação posta, sempre haverá resultado danoso, seja de bens materiais e ou imateriais. O risco é sempre potencial em qualquer atividade, movimento, gesticulação, quanto às pessoas, e em qualquer empreendimento, tanto físico/material, quanto de comunicação, por isso há que preveni-lo adequadamente através de um planejamento que exigirá certas etapas, como a organização de ideias, a adequação à realidade, o controle permanente no desenvolvimento e acima de tudo uma boa distribuição de funções

sob uma orientação ou coordenação segura daquilo que está sendo realizado. O perigo, por sua vez, é algo que se antecipa ao acontecimento danoso, e na maioria das vezes plenamente previsível, mas que, por circunstâncias tem que ser enfrentado, arcando com as conseqüências se houver o acontecimento acidente.

Diz-se que a prevenção deve começar pelo trabalhador, através de orientação, palestra, curso, enfim de todos os meios de comunicação a ele para conscientizá-lo do perigo que corre permanentemente, tanto no trabalho, como fora dele, o que poderá custar-lhe muito. Não menos preocupante é a situação do empregador, que deve implementar todas as políticas necessárias à proteção do trabalhador, afora proteger também o patrimônio posto no segmento explorado. Para isso há no recinto de trabalho, os próprios trabalhadores que, através da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, regida pela Lei nº 6.514/77 e regulamentada pela NR-5 do Ministério do Trabalho e Emprego Portaria nº 3.214, com redação da Portaria nº 8/99, prevista nos artigos 163/164 CLT, e no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, constituída paritariamente por representantes do empregador e dos empregados, cujo dimensionamento fica cingido em função do grau de risco e do número de empregados no estabelecimento, e que tem como missão a preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores e de todos aqueles que interagem com a empresa. Mais um elemento de prevenção.

Ainda é bom que seja salientado, a necessidade do Equipamento de Proteção Individual EPI, e do Equipamento de Proteção Coletiva EPC, obrigação da empresa fornecer e do empregado usar, embora se saiba que, na maioria das vezes, a empresa não fornece e quando fornece não exige seu uso pelos empregados. Estes últimos resistem ao uso desses equipamentos, sob a alegação de que não estão acostumados e por vezes atrapalham no desempenho das suas atividades. Disso decorre que ambos estão na iminência de grandes perdas. Quanto ao empregado, fica ele sujeito à acidente que pode mutilá-lo e até mesmo ceifar-lhe a vida. Quanto ao empregador, fica sujeito à multa, a par de perder o empregado por algum tempo, às vezes por muito tempo, quando não para sempre. De outra banda, o empregador irá, por certo, responder por culpa acidentária ou mesmo pela caracterização da

insalubridade/periculosidade em Ação Judicial. Isso é perda, daí a necessidade do controle, o que muitas vezes é ignorado.

5 CONTROLE DE PERDAS algo novo?

Não se trata de alguma coisa nova, porque isso é tratado em vários cursos de graduação, como por exemplo no de Ciências Econômicas. Mas não somente o bacharelado pode ser aquinhoado com uma matéria/conteúdo tão importante para os dias atuais na empresa. Aliás, não somente na empresa, mas em todos os segmentos, inclusive nas próprias casas residenciais.

discutido esse

conteúdo, de imediato trouxeram experiências que vivenciaram em seus locais de trabalho, quanto à água, quanto à luz, quanto ao lixo, quanto às folhas de papel impressas indevidamente, quanto aos acidentes e tantas outras que até aquele momento não eram observadas.

Pelos exemplos tidos em trabalhos de alunos que, após

Ao propósito, um trabalho individual dado aos alunos do Curso de Gestão de Recursos Humanos, com a finalidade de buscarem, através de uma pesquisa de campo, por segmento específico dentro da empresa, e doutrinária, o que era um “controle de perdas”, cuja bibliografia é de certo modo escassa, aparecendo, por vezes, inseridas dentro de outras disciplinas/matérias. Mas o trabalho foi sobre o aspecto geral, ou seja, analisar dentro da empresa o que pode ser economizado e sem prejudicar as atividades, a produtividade, a qualidade, etc., porque economizar é controlar perdas.

O resultado desse trabalho foi de certo modo fantástico, os alunos descobriram certas coisas na empresa e nas rotinas dos seus empregados, que eles mesmos não atentavam para tanto.

Não somente essas perdas salientadas nos itens anteriores, fazem parte do citado controle, pois também, na conformidade com vários autores, pode-se afirmar que as cifras correspondentes aos acidentes do trabalho representam um entrave no plano de desenvolvimento sócio-econômico de um país e de qualquer

empresa, cifras essas que vão crescendo em termos de gastos, como por exemplo: com assistência médica e reabilitação dos trabalhadores incapacitados; indenizações e pensões pagas aos acidentados ou para suas famílias; prejuízos financeiros decorrentes de paradas na produção; danos materiais aos equipamentos; atrasos na entrega de produtos e outros imprevistos que prejudicam o andamento normal do processo produtivo, isso tudo de modo genérico probabilidade.

Mas essa generalidade se torna real em um caso concreto, razão pela qual se traz à colação, exemplificando, as perdas de uma Empresa, no caso de acidente com um seu empregado, ainda que não tenha tido ele lesão física, os prejuízos que, entre outros, normalmente não são contabilizados, são os seguintes:

1. tempo de trabalho perdido pelo acidentado;

2. tempo do trabalho perdido pelos companheiros;

3. tempo gasto para analise do acidente havido;

4. diminuição da produção pela interrupção do trabalho;

5. menos

produção

dos

trabalhadores

devido

ao

impacto

emocional

(risco psicológico);

 

6.

não produção devido a equipamento danificado;

 

7.

custo de máquina, material ou equipamento danificado;

 

8.

custo de reposição dos preços, de concerto, etc.;

 

9.

custo

dos

primeiros

socorros

(medicamento,

assistência,

transporte, etc.);

10. despesas médicas;

11. atraso na entrega do produto ao cliente;

13.

aumento do preço do custo de produção (competitividade do

produto);

14.

aumento da taxa de seguros;

 

15.

treinamento de novos empregados;

 

16.

contratação

de

novos

empregados

(anúncios,

tempo

de

aceitação/relação, etc.);

17. desprestigio social;

18. problemas com o meio ambiente;

19. problemas com a família;

20. problemas com o sindicato;

21. problemas com as autoridades;

22. outros

Aí se pergunta: quanto custa isso que foi listado?

Assim, quando é enfocado o “controle de perdas”, fala-se em termos gerais, porém elas as perdas existem em todos os lugares e atividades desenvolvidas na empresa, em especial quando há alguém/pessoa humana no exercício laboral. É só observar e constatar essa assertiva.

Em síntese, o presente trabalho é encerrado com a dedicação do mesmo aos meus alunos do Curso de Gestão de RH e em especial da Cadeira de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional, porque sem eles não teria eu adentrado mais a fundo nesse segmento educacional, trazendo, como afirmação de tudo que foi dito a seguinte a firmação de Benjamim Franklin: “Só os bobos aprendem com a experiência própria. Os inteligentes aprendem com a experiência dos outros”.

CONCLUSÃO

O trabalho que ora se encerra, foi de certo modo uma experiência que registro como interessantíssima na minha vida profissional como professor da disciplina de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional e como advogado trabalhista que lida constantemente como questões dessa natureza, senão propriamente diretas, mas indiretamente ligadas às demais questões trabalhistas ajuizadas para meus constituintes, na Justiça do Trabalho, em Porto Alegre - RS, como por exemplo, insalubridade, periculosidade, indenização por danos materiais e morais, portanto lides judiciais que trazem experiência no desempenho docente.

Li e reli matérias das mais variadas posições de grandes mestres/doutrinadores, uns com os quais trabalho nas atividades profissionais, cognominados de “meus gurus” outros que foram encontrados através da pesquisa desenvolvida, mas todos, sem qualquer restrição, são equânimes em dizer da necessidade de implantação de uma política muito clara, eficiente e eficaz na empresa, retratada em um planejamento estratégico que inclua ou preveja as melhores condições ambientais de trabalho, evitando assim, por certo, o acontecimento acidental inesperado, seja com a vida ou a saúde do trabalhador, com o que todos ganharão e esse ganho está indubitavelmente ligado a não perder, porque perda é prejuízo.

REFERÊNCIAS

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BRASIL. CLT Saraiva e Constituição Federal 2010: 36. ed. São Paulo: Saraiva,

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Saraiva, 2010.

PEREIRA, Alexandre Demetrius. Tratado de Segurança e Saúde Ocupacional. SP: LTr, 2005.

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Saraiva, 2008.

SALIBA, Tuffi Messias. Curso Básico de Segurança e Higiene Ocupacional. SP: LTr 2009.

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