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EDITORA CAMPUS

John R. Reitz

Scientific

Laboratory

Ford

Motor

Company

Frederick J. Milford Robert W. Christy

Battelle

Memoriallnstitute

Dartmouth

College

TRADUÇÃO

Renê Balduino Sander Carlos Duarte

Professores

do Departamento

de Física

Universidade

Federal

de Santa

Catarina

EDITORA CAMPUS

Rio de Janeiro

LTOA.

~

SUMARIO

Prefácio

 

13

 

As seções

e os capítulos

assinalados

com asterisco

 

podem

ser omitidos

sem perda

de

continuidade.

 

Capítulo

1. Análise Vetaria!

I

- I

Definições

 

15

I

-2

Álgebra vetorial

16

I

-3

Gradiente

19

1-4

ln tegração

vetorial

 

-

.

-

22

1-5

Divergente

 

'

24

1-6

Rotacional

 

26

I

-7

Operador

diferencial

vetorial

\l

28

1-8

Desenvolvimentos

adicionais

30

I

-9

Resumo

33

 

Problemas

 

33

Capítulo

2.

Eletrostática

2- 1

Carga elétrica

 

36

2-2

Lei de Coulomb

 

-

36

2-3

Campo elétrico

 

39

2-4

Potencial

eletrostático

4 I

2-5

Condutores

e isolantes

43

2-6

Lei de Gauss

44

2-7

Aplicação

da lei de Gauss

47

2-8

DipoJo elétrico

49

2-9

Expansão

dos campos elétricos

 

5 I

2-10

 

Função

multipolar delta de Dirac

53

2-11

Resumo

55

Problemas'

 

'

57

Capítulo

3.

Solução

de Problemas Eletrostáticos

 

3-1

Equação

de Poisson

60

3-2

Equação

de Laplace

:

61

3-3

34

3-5

3-6

*3·7

*3-8

3-9

3-10

3-11

3-12

3·13

3-14

Capítulo

4-1

4-2

4-3

44

4-5

4-6

4-7

4-8

4-9

*4-10

4-11

Capítulo

5-1

5-2

*5·3

*54

5 -5

Capítulo

6·1

6-2

6-3

64

6·5

6-6

6-7

*6-8

 

Equação

de Laplace com uma variável independente

Soluções

da equação

de Laplace em coordenadas

esféricas.

Harmônicos

zonais

Esfera condutora

elétrico

uniforme

 
 

Harmônicos

em um campo ci/ índricos

Equação

de Laplace em coordenadas

retangulares

Equação

de Laplace

em duas dimensões.

Solução

geral

Imagens eletrostáticas

Carga pun tual e esfera condutora Cargas lineares e imagens lineares

 

Sistema

de condutores.

Coeficientes

de potencial.

Soluções

da equação

de Poisson

Resumo

Referências

Problemas

4.

Campo

Eletrostático

em Meios Dielétricos

Polarização

Campo

externo

a um meio dielétrico

Campo

elétrico

no interior

de um dielétrico

Lei de Gauss em um dielétrico.

Deslocamento

elétrico

Susceptibilidade

Carga puntual

elétrica e constante

dielétrica

em um fluido dielétrico

 

Condições

de contamo

sobre os vetares

de campo

Problemas

de valores de contorno

que envolvem

dielétricos

Esfera dielétrica

elétrico

uniforme

 

Força

atuante

em um campo sobre

uma carga

puntual

imersa num dielétrico

Resumo

Problemas

5. Teoria

Microscópica

dos Dielétricos

Campo

molecular

em um dielétrico

Dipolos

induzidos.

Um modelo

simples

~loléculas

polares.

Fórmula

de Langevin-Debye

Polarização

permanente.

Ferroeletricidade

Resumo

Problemas

-

6.

Energia Eletrostática

Energia

potencial

de um grupo de cargas puntuais

Energia

eletrostática

de uma distribuição

de carga

Densidade

de energia de um campo

eletrostático

Energia de um sistema de condutores Coeficien tes de potencial

carregados.

 
 

Coeficien

tes de capacitância

e indução

Capacitares

Forças

e torques

Força

atuante

sobre uma distribuição

de carga

 

63

 

.

 

63

 

.

 

66

 

.

.

67

 

68

 

.

 

69

 

.

 

70

 

.

 

73

 

.

 

75

 

.

 

76

 

.

 

77

 

.

 

78

 

.

 

79

 

.

 

79

 

.

···

82

84

87

89

92

93

95

97

98

 

:

.

99

 

I OI

103

106

109

110

113

116

116

119

120

122

124

125

126

128

131

*6-9

6-10

Capítulo

7-1

7-2

7-3

74

7-5

7-6

7-7

7 -8

Capítulo

8-1

8·2

8-3

84

8-5

8-6

8-7

8-8

8-9

8-1 O

Interpretação termodinâmica da energia eletrostática 143 147 Resumo Problemas 7. Corrente Elétrica Natureza da corrente Densidade
Interpretação
termodinâmica
da energia eletrostática
143
147
Resumo
Problemas
7.
Corrente
Elétrica
Natureza
da corrente
Densidade
de corrente.
Equação
da continuidade
Lei de Ohm. Condutividade
Correntes estacionárias em meios contínuos
','
Passagem para o equilíbrio eletrostático
Redes de resistências e leis de Kirchhoff
Teoria microscópica
da condução
Resumo
Problemas
,
8.
Campo Magnético
de Correntes
Estacionárias
Definição de indução magnética
Forças atuantes sobre condutores em que circulam correntes
Lei de Biot e Savart
Aplicações elementares da lei de Biot e Savart
Lei circuital de Ampere
Potencial vetaria! magnético
Campo magnético de um circuito distante
Potencial escalar magnético
Fluxo
magnético
Resumo
"
Problemas
'
Magnetização
Campo magnético produzido por material magnetizado
Potencial escalar magnético e densidade de pólo magnético
Fontes
de campo
magnético.
Intensidade
magnética
Equações
de campo
Susceptibilidade e permeabilidade magnéticas. Histerese
Condições
de contorno
sobre os vetares
de campo
Problemas de valores de contorno que envolvem materiais magnéticos
Circuitos de corrente que contêm meios magnéticos
Circuitos magnéticos
Circuitos
magnéticos
que contêm
ímãs permanentes
Resumo
Problemas
10.
Teoria
Microscópica
do Magnetismo
Campo molecular
no interior
da matéria
Origem do diamagnetismo
Origem do paramagnetismo
Teoria do ferromagnetismo
;

Capítulo 9. Propriedades Magnéticas da Matéria

9-1

9-2

9-3

94

9-5

9-6

9-7

9-8

9-9

*9-10

*9-11

9·12

Capítulo

10-1

10-2

10-3

104

 

.

132

I

.

.

134

139

133

222

214

206

219

211

192

194

199

188

176

148

152

156

157

175

141

202

208

213

221

193

191

180

172

164

166

179

168

181

178

..

1

.

218

161

137

185

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

..

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

k

10·5

10-6

10-7

Capítulo

11-1

11-2

11-3

114

11-5

11-6

Capítulo

12-1

12-2

12-3

*124

12·5

Capítulo

13-1

13-2

13-3

134

13·5

13-6

13-7

13-8

* 13-9

*13-10

*13-11

13-12

Capítulo

14-1

14-2

14-3

144

14-5

14-6

14-7

14·8

Domínios

ferromagnéticos

 
 

Ferrites

Resumo

 

Problemas

11.

Indução

Eletromagnética

 

Indução

eletromagnética

 

Auto-indutância

Indutânciamútua

Fórmula

de Neumann

Indutância

em série e em paralelo

 

Resumo

 

Problemas

12.

Energia Magnética

Energia magnética

de circuitos

acoplados

Densidade

de energia no campo

magnético

Forças

e torques

sobre circuitos

rígidos

Perdas

por histerese

..

"

 

_

_

Resumo

 

Problemas

13.

Correntes

que Variam

Lentamente

 

Introdução

 

Comportamento

transitório

e de estado

estacionário

Leis de Kirchhoff

 

Comporumento

transitório

elementar

 

Comportamento

de estado

estacionário

de um circuito

em série

simples

Conexão

de impedâncias

em série e em paralelo

 
 

Potência

e fatores

de potência

 

Ressonância

 

lndutâncias

mútuas

em circuitos

c.a

Equações

de malhas

e de

nós

Impedâncias

de ponto

de excitação

e de transferência

 

Resumo

Problemas

 

14.

Física

do Plasma

Neutralidade

elétrica

em um plasma

 

Órbitas

das partículas

e movimento

de deslocamento

em um plasma

Espelhos

magnéticos

'

Equações

hidromagnéticás

 

Efeito

pinch

Sistemas

de confinamento

magnético

para fusão termonuclear

controlada

Oscilações

e movimento

ondulatório

do plasma

 

Uso de sondas

em medidas

de plasma

 
 

225

227

228

229

230

234

236

237

238

240

241

246

247

249

252

255

256

25<1

.

 

260

.

.

261

262

.

 

266

.

 

267

.

 

269

.

.

270

.

272

275

.

 

279

.

.

279

.

281

285

287

291

293

195

297

299

302

14-9

Resumo

306

Capítulo

15-1

15-2

15-3

15-4

* 15-5

15-6

Capítulo

16-1

16-2

16-3

16-4

16-5

16-6

16-7

Capítulo

17-1

17-2

17-3

17-4

* 17-5

17-6

Capítulo

 

Problemas

15.

Propriedades

Eletromagnéticas

dos Supercondutores

História

da supercondutividade

Condutividade

perfeita

e diamagnetismo

perfeito

de supercondutores

 

Exemplos

envolvendo

exclusão

de fluxo

perfeito

Equações

de London

Exemplos

envolvendo

as equações

de London

Resumo

Problemas

16.

Equações

de Maxwell

Generalização

da lei de Ampere.

Corrente

de deslocamento

Equações

de MaxwelJ e suas bases empíricas

Energia eletromagnética

 

Equação

de onda

Condições

de contorno

Equação

de onda com fontes

Resumo

 

Problemas

 

-"

17.

Propagação

de Ondas Eletromagnéticas

Ondas planas monocromáticas

em meios

não·condutores

 

Polarização

Densidade

e fluxo de energia

Ondas planas monocromáticas

em meios

condutores

 

Ondas esféricas

Resumo

 

Problemas·

18.

Ondas em Regiões de Contorno

18-1

18-2

18-3

18-4

18-5

18-6

18-7

18-8

18-9

Capítulo

19-1

19-2

Reflexão

e refração

nos limites de dois meios não condutores.

Incidência

normal

Reflexão

e refração

nos limites de dois meios não condutores

Incidência

oblíqua

Ângulo de Brewster.

Ângulo crítico

Coeficientes

complexos

de Fresne!.

Reflexão

por um plano condutor

Reflexão

e transmIssão

por uma camada

delgada

Propagação

entre placas condutoras

paralelas

Guia de ondas

Ressonadores

de cavidade

Resumo

Problemas

 

19. Dispersão 6tica

nos Materiais

Modelo do oscilador

harmônico

de Drude-Lorentz

Absorção

na ressonância

por cargas ligadas

 

307

309

 

.

 

311

 

..

 

313

 

.

 

316

 

.

 

319

 

.

.

322

.

323

 

324

326

327

330

,

.

333

 

337

342

343

346

 

.

.

350

.

352

.

354

.

359

.

365

.

367

.

369

.

372

.

377

..

380

 

.

387

.

393

.

398

.

401

.

402

.

404

 

407

412

19-3

Teoria

do elétron

livre de Drude

 

o

 

*19-4

Relaxação

 

dielétrica.

 

Condução

 

eletrolítica

 

o

•••••••••••••••

 

19-5

Relações

de Kramers-Kronig

 

.....

 

o

o

•••

o

o

••

o

••••••••••••

 

19-6

Resumo

 

o

o

••••••••••••••••••

 

o

••••••••••••••••••

 

Problemas

 

Capítulo

20.

Emissão

 

de Radiação

 

20-1

Radiação

de um dipolo

 

oscilante

 

20·2

Radiação

de uma antena

 

de meia onda

 

o

 

20-3

Radiação

de um grupo

 

de cargas em movimento

 

*20-4

Campos em zonas próximas

e intermediárias

 

20-5

Amortecimento

 

de radiação.

 

Seção transversal

 

de Thomson

 

20-6

Resumo

 

o

••••••

o

••

o

•••••••••••••••••••••

 

Problemas

 

o

•••••••••••••••••••••••

 

o

•••••••••••

 

Capítulo

21.

Eletrodinâmica

 

21-1

Potenciais

de Lienard-Wiechert.

 

o

 

o

o

o

21-2

Campo de uma carga puntual

 

em movimento

uniforme

o

o

o

o

21·3

Campo

de uma carga puntual

acelerada.

 

o

••••

o

o

o

o

•••

o

21-4

Campos de radiação

 

para pequenas

 

velocidades

 

...

o

•••••••

 

21-5

Resumo.

o

o

••

o

•••

o

o

•••

o

••••

o

o

o

••••••

 

o

o

o

••••

 

Problemas _

 

,

,

.

,

Capítulo

22.

Teoria

Especial da Relatividade

 

22-1

Física

an tes de

 

1900

 

o

o

••••

o

••

o

o

••

o

••••

o

••

22-2

Transformação

 

de Lorentz

 

e postulados

 

da relatividade

especial

de Einstein

 

.

o

•••••••

 

o

o

o

o

o

o

•••

o

••

o

o

••••••••••

 

22·3

Geometria

do espaço - tempo

 

o

 

o

o

o

22-4

Transformação

 

de Loren tz como

 

uma

transformação

 

ortogonal

 

22-5

Forma

covariante

 

das equações

 

eletromagnéticas

 

...

 

o

o

•••••

22-6

Lei de transformação

 

para o campo

eletromagnético

 

22-7

Campo

de uma carga puntual

 

em movimento

 

uniforme o

•••

o

•••••••

22-8

Resumo ....

 

o

o

••

o

o

o

o

•••

o

o

o

o

o

••••••

o

o

o

o

o

o

o

Problemas

 

..

'

o

••

'o

••••

Apêndice

I.

Transformações

 

de Coordenadas,

 

Vetores

e Tensores

 

o

o

Apêndice

11. Sistemas

 

de Unidades.

 

o

••

o

o

••

o

••

o

••••••••••••

 

o

Apêndice

mo

Operadores

 

Diferenciais

 

Vetoriais

 

Apêndice

No

Função

 

Delta de Dirac

 

.

o

o

o

••

o

••••••

o

•••

o

o

o

o

Apêndice

V.

Eletrização

 

Estática

 

....

 

o

 

o

o

o

o

o

o

o

Respostas

dos Problemas

 

Ímpares

 

o

0'0

o

••••

o

o

o

o

o

o

o

índice

Analítico

o

•••

o

o

••••••

o

••

o

••

o

••

o

•••

o

o

o

o

••

o

o

•••••••••

 

419

423

 

o

428

 

432

 

.

433

 

435

438

440

444

446

 

o

o

o

448

 

450

o

452

o

o

454

•••

o

o

457

o

••

o

o

460

o

o

•••

462

,

,

462

o

••••

464

 

o

467

o

o

o

o

471

....

 

o

o

472

 

o

••••

474

 

477

479

o

••

o

••

480

o

•••

o

482

o

o

o

o

483

o

o

•••

o

488

 

492

o

o

••

o

494

 

496

••••••

498

507

,.

PREFACIO

Embora as equações de Maxwell tenham sido formuladas há aproximadamente cem

anos atrás,

o conteúdo

do eletromagnetismo

'não

permaneceu

estático.

Estudantes

do

ci-

cio profissional

de

graduação

em

ciências,

a quem

dedicamos

nossa

atenção,

estudam

atualmente o conteúdo com uma compreensão qualitativa

dos fenômenos atômicos. Ao

mesmo tempo, têm adquirido uma bóa base em matemática

e, pela primeira

vez, estão em

 

condições

de resolver

alguns dos problemas

importantes

da física

clássica. Desenvolveu-se

o presente

volume

através do ensmo

em cursos

de eletricidade

e magnetismo

para

alunos

de

física no Case Institute

of Technology

e no Dartmouth

College.

Um curso

de eletro-

magnetismo é bastante adequado para um desenvolvimento

dos

conceitos

de análise ve-

torial, equações diferenciais parciais e problemas com valores de contorno.

As seções que

envolvem estas técnicas estão escritas de tal forma que para compreendê-Ias faz-se necessá-

rio apenas um pequeno conhecimento prévio do seu conteúdo.

Acreditamos que a estruturação da eletricidade e do magnetismo a partir das leis

experimentais básicas seja o procedimento

correto

no nível intermediário

e seguimos este

caminho através de uma rigorosa exposição dos fundamentos. Também tivemos o cuidado

de incluir

uma quantidade

considerável

de exemplos

apropriados

para suprir a lacuna en-

tre o desenvolvimento formal do conteúdo e os problemas. Uma compreensão completa

dos campos elétrico

e magnético

no interior

da matéria

só poderá

ser obtida

após a apre-

ciação

da natureza

atômica

dos materiais.

Em conseqüência,

usaremos

com liberdade

con-

ceitos atômicos elementares no desenvolvimento da teoria macroscópica.

Preferimos

discutir

o campo

elétrico

estático

em um

meio

material

imediatamente

após ao campo elétrico no vácuo e discutimos o campo magnetostático de maneira seme-

lhante.

O leitor pode, entretanto,

estudar

ambos

os casos,

no vácuo,

em conjunto,

antes

de considerar

os campos

elétrico

ou magnético

na matéria,

deixando

os Capítulos

4,5,6,

7 (exceto

as Seções

7.1

e 7.2),9

e

10 para

ler após

o Capítulo

8 ou

ainda,

após o Capítu-

lo

11. Tratou-se

o comportamento

macroscópico

dos

dielétricos,

condutores,

materiais

magnéticos,

plasmas

e supercondutores

em capítulos

separados

(Capítulos

4,7,9,

14 e

15, respectivamente).

Apresentou-se

também

uma exposição

simples da teoria

microscópi-

ca destas classes de matéria

(exceto

dos supercondutores),

nos Capítulos

5, 7,

10 e 14.

A terceira edição do livro foi aumentada principalmente pela adição do material re-

lativo

às ondas elerromagnéticas.

Os dois antigos

capítulos

das equações

de Maxwell fo-

ram desdobrados em cinco capítulos. O livro tornou-se então adaptável a um curso de

14

Prefácio

um semestre ou a um

curso

de dois

semestreS, em que o segundo

semestre dá ênfase à ge-

ração e propagação da radiação.

 
 

Uma grande

parte

da física móderna

(e da engenharia)

envolve campos

eletrómag-

néticos dependentes do tempo, em que a corrente de deslocamento

de Maxwell tem um

papel crucial.

Os Capítulos

16 a 20 desenvolvem

a aplicação

em ondas ~ especialmente

a

conexão

com

a ótica,

que

é o intervalo

de freqüências

que está sucedendo

atualmente

 

às

microondas

no interesse

tecnológico.

Os Capítulos

16

e

17 ampliam

o antigo tratamento

das equações

de onda,

introduzindo

a idéia de transformações

de calibre.

As noções

de

função

dielétrica

compleXa

e índice

de

refração

são

enfatizadas,

resultando

em clareza

conceitual e simplificação

de

fórmulas.

O Capítulo

 

18 amplia

o tratamento

dos

próble-

mas de valores de contorno,

para incluir

exemplos

de interesse

em filtros óticos

e guia

de

ondas.

O Capítulo

19 apresenta

a teoria

microscópica

 

clássica da propagação

de ondas

transversais

na matéria

(dielétricos,

metais,

plasmas);

é uma extensão

dos

Capítulos

5 e 7

a campos dependentes

do tempo.

Também

inclui

uma

exposição

simples das relações de

dispersão

de Kramers-Kronig

para uma

função

resposta

linear. O Capítulo

20, sobre

a ge-

ração

de radiação

por antenas

e cargas

aceleradas,

inclui novo material

nos campos

de in-

dução,

no amortecimento

de radiação

e no espalhamento

 

de Thomson.

 

O material

no restante

do livro foi ligeiramente

redistribuído,

de forma

que a expo-

sição dos campos

estáticos

e das correntes

estacionárias

 

foi completada

antes

da introdu-

ção

da

lei

de

indução

de Faraday,

no Capítulo

11, seguida por suas aplicações

a correntes

que variam lentamente

em

circuitos

c.a.,

plasmas

e supercondutores,

nos Capítulos

13,

14

e

15. A formulação

relativística

do eletromagnetismo

foi colocada

no final, embora

possa

ser estudada

em qualquer

lugar

após o Capítulo

16. Alguns aspectos

relativísticos

foram anteCipados

em virtude

dos novos

tratamentos

da força magnética

(Capítulo

8)

e

da lei de Faraday (Capítulo 11).

 
 

Outras

modificações

relacionadas

a edições

anteriores

incluem a introdução

da fun-

ção delta

de Dirac,

no Capítulo

2,

e

seu

uso para simplificar

várias deduções

posteriores.

As transformações

ortogonais

foram

colocadas

num

Apêndice,

podendo

ser estudadas

junto

com o Capítulo

1 se assim for desejado.

A notação

 

do operador

deI é usada

na dife·

renciação

de vetores.

Todas

as tabelas

de dados

e referências

a outros

livros foram

atuali-

zadas e unidades e notações do SI são usados sistematicamente do início ao fim (contudo,

 

também se fez referência

às unidades

gaussianas,

uma vez que elas são largamente

usadas

na

literatura

física

corrente).

Um resumo

no

fim de cada capítulo

identifica

as idéias

e

fórmulas-chaves

e cerca

de

cento

e trinta

problemas

adicionais

aplicam

e ampliam

 

os

conceitos.

 

Como

ajuda

ao leitor,

os problemas

mais difíceis

 

estão

indicados

por um asterisco.

As seções

e os capítulos

do texto

que estão

assinalados

com

asterisco

não são essenciais

ao desenvolvimento

posterior

e poderão

ser omitidos

se

o

curso,

por

alguma razão,

for

abreviado.

 
 

Dearbom, Michigan

 

J. R. R.

Co/umbus,

Ohio

F. J. M.

 

R. W.C.

Hanover, New Hampshire

ANÁLISE

CAPÍTULO

VETORIAL

1

 

No estudo

da eletricidade

e do magnetismo,

pode-se conseguir

uma grande

simplifi-

cação

na complexidade

da notação,

utilizando-se

a notação

da análise vetorial.

Ao propor-

cionar

esta valiosa taquigrafia,

a análise vetoria] também

eleva,

a primeiro

plano,

as idéias

físicas

expressas pelas equações. O objetivo deste capítulo é dar

uma breve, mas completa,

 

exposição

da análise vetorial

básica

e proporcionar

um conhecimento

mais útil

do campo

que seria

necessário

para um tratamento

da eletricidade

e do magnetismo.

Aqueles

que já

estiverem familiarizados

com a análise vetorial verão

que

é uma

revisão útil e uma

introdu-

ção à notação

do texto.

1-1

DEFINIÇÕES

 
 

No estudo

da física elementar,

várias espécies de quantidades

têm sido encontradas;

 

em particular,

fez-se a divisão em vetores e escalares.

Para a finalidade

que temos

em vista

será suficiente

definir um escalar da seguinte forma:

Um escalar é uma quantidade

completamenze

determinada

por sua magniTude.

Exemplos

de escalares

são numerosos:

massa,

tempo,

volume,

etc. Uma simples ex-

tensão

da idéia

de um escalar

é um campo

escalar, isto é, uma função

da posição

que está

completamente

especificada

por sua magnitude

em todos

os pontos

do espaço.

Um vetor

pode ser definido

como segue:

Um

vetar

é uma quantidade

que está completamente

caracterizada

por seu módulo,

direção e

sentido.

Como exemplos

de vetores,

citamos

posição

a partir

de uma origem fixa, velocidade,

ace-

leração, força, etc. A generalização para um campo vetoria] dá uma função da posição que

está completamente especificada por seu módulo, direção e sentido em todos os pontos

 

do espaço.

 

Estas

definições

podem

ser mais precisas e ampliadas;

na realidade,

no Apêndice

I

elas são substituídas

por

definições

mais sutis em termos

de propriedades

de transforma-

ção. Além disso, espécies

mais complicadas

de quantidades,

como os tensores,

são às vezes

encontradas. Escalares e vetores serão contudo suficientes aos nossos propósitos até o

Capítulo 22.

 

/

16

Análise Vetorial

 

1-2

ÁLGEBRA

VETORlAL

 

Como

a álgebra

dos

escalares

é familiar

ao

leitor,

usá-la-emos

para

desenvolver

 

aál-

gebra

vetorial.

Para

continuar

com

este

 

desenvolvimento

convém

possuir

 

uma

representa-

 

ção

de

vetores

e,

com

este

propósito,

 

introduzimos

 

um

sistema

coordenado

cartesiano

 

tri-

dimensional.

Este

sistema

 

tridimensional

 

será

representado

pelas

três

variáveis

x,y,

Z ou,

quando

 

for mais

conveniente,

XI,

X2,

X3'

Com

respeito

a

este

sistema

 

de coordenadas,

um

vetor

será

especificado

 

por

suas

componentes

X-,

y-

e Z-. Assim,

um

vetor*

 

V será

especifi-

cado

por

suas

componentes

 

Vx,

Vy, Vz,onde

Vx

=

IVI

cos

ai,

Vy

=

IVI

cos

a2,

Vz

=

IVI

cos

a3,

sendo

a

os

ângulos

entre

V

e

os

eixos

coordenados

 

apropriados.

 

O escalar

 

I V I =

VV~

+

 

V~ +

vi é o módulo

do vetor

V, ou seu comprimento.

No

caso

dos

campos

veto-

riais,

cada

uma

das

componentes

 

deve

ser considerada

como

uma

função

de x,y

e z. Deve-

se salientar

 

aqui

que

introduzimos

 

uma

representação

de vetores

 

relativos

 

a

um

sistema

de

coordenadas

cartesianas

 

somente

para

 

simplificar

e facilitar

a compreensão;

todas

as defi-

nições

e operações

são,

na

realidade,

independentes

 

de qualquer

 

escolha

especial

de coor-

denadas

..

 

Define-se

a

soma

de

dois

vetares

 

como

o vetar

cujas

componentes

 

são

as somas

das

componentes

correspondentes

 

dos

vetores

originais.

Assim,

se

C

for

a soma

de

A

e

B,

es-

creveremos

 
 

C=A+B

 

(1-1)

e

 

( 1-2)

Esta

definição

da

soma

 

vetorial

é completamente

 

equivalente

 

à conhecida

 

regra

do parale-

logramo

 

para

a adição

de vetares.

 
 

Define-se

a subtração

vetarial

em

termos

do negativo

de

um

vetor,

que

é o

vetor

cu-

jas

componentes

 

são

os negativos

das

componentes

 

correspondentes

 

do vetar

original.

As-

sim,

se

A

for

um

vetor,

-

A será

definido

 

por

 

0-3)

A

operação

 

de

subtração

 

é então

 

definida

como

a adição

do

negativo;

 

o

que

é expresso

como

 
 

A-B=A+(-B).

 

(1-4)

 

Uma

vez

que

a adição

de

números