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A PRÁTICA HOSPITALAR – COMO É A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO?* Susana Alamy**

Para falarmos da atuação do psicólogo hospitalar é necessário conhecermos alguns conceitos de psicologia hospitalar. Então podemos conceituá-la como “o ramo da psicologia destinado ao atendimento de pacientes portadores de alguma

alteração orgânica/física, que seja responsável pelo desequilíbrio em uma das instâncias bio-psico- social” (Alamy, 1991) 1 , bem como “uma psicologia dirigida a pacientes internados em hospitais gerais, sem deixar de se estender aos ambulatórios e consultórios, com sua atenção voltada para as questões emergenciais advindas da doença e/ou hospitalização, do processo do adoecer e do sofrimento causado por estas, visando o minimizar da dor emocional do paciente e da sua família” (Alamy, 1998) 2 . Temos, então, a atuação do psicólogo no hospital considerando o ambiente psicológico, onde

o mesmo deve observar os doentes, seus familiares,

a atuação das pessoas naquele lugar, informando-se

do diagnóstico médico, do prognóstico

e

propedêutica, grau de risco de vida, previsão do tempo de internação e cuidados especiais requeridos naquele caso, para, então, planejar seu

atendimento psicológico e suas técnicas auxiliares, pois, na maioria das vezes, não será o paciente a chegar no psicólogo, mas o inverso. Para exemplificar podemos imaginar o atendimento de

um

e

compará-lo com o atendimento de um paciente oncológico. Seria possível atendê-los da mesma maneira? Claro que não, pois são patologias diferentes, com estigmas diferentes e conseqüências

diferentes na vida do paciente. Cada patologia leva

a uma repercussão única em cada paciente e em

suas peculiaridades

cada

anteriormente existentes. A atuação do psicólogo hospitalar inclui, além dos seus atendimentos dos pacientes, a burocracia da feitura dos relatórios dos atendimentos, uma vez que somente a partir dos mesmos é possível que se obtenha um feed-back do seu trabalho. Os relatórios devem obedecer à ética, sendo absolutamente sigilosos, técnicos e diferentes do que se poderia escrever em um prontuário médico. Sua atuação é dirigida para os problemas psicoafetivos oriundos da doença e/ou da

paciente

com

insuficiência

renal

crônica

família

considerando

1 ALAMY, Susana. Ensaios de Psicologia Hospitalar - a ausculta da alma. Belo Horizonte: [s.n.], 2003. p. 18. 2 Ibidem. p. 19.

hospitalização, compreendendo a natureza do sujeito doente, seus desejos, esperanças, medos,

aptidões, dificuldades e limitações, seja através da observação ou da linguagem verbal e não-verbal.

A prática hospitalar impõe-nos alguns cuidados

que são fundamentais para um bom atendimento, sendo importante que não confundamos a psicologia hospitalar com a psicologia clínica; portanto, não podemos fazer clínica dentro do hospital. Na psicologia hospitalar estaremos lidando com o tempo de internação do paciente, bem como com sua patologia orgânica e seus efeitos iatrogênicos, com questões de ordem

prática, como dificuldades do paciente e da família em relação ao sustento da casa, ausência do trabalho e outros, fatores que não poderão ser desconsiderados na prática hospitalar.

A atuação do psic ólogo hospitalar objetiva dar

oportunidade para que o doente expresse suas emoções, descubra a melhor maneira de lidar com as limitações impostas pela doença/hospitalização, dê significado à sua doença dentro do seu contexto de vida e trabalhe suas questões emergenciais, onde os objetivos principais são o reconhecimento do paciente enquanto um todo provido de emoções e sentimentos que interferem em seu comportamento, ajudando-o a tratar/minimizar, o sofrimento provocado pela doença e/ou hospitalização.

* Resumo da aula ministrada no I Encontro de Psicologia da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei), 28/11/2003. ** Psicoterapeuta, psicóloga habilitada em psicologia clínica, especialista em psicologia hospitalar, professora de psicologia hospitalar e supervisora de estágios, autora do livro “Ensaios de Psicologia Hospitalar” (2003). CRPMG 6956. Home page:

http://geocities.yahoo.com.br/psicologiahospitalar

Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde. Belo Horizonte, Jan-Jun 2005, Ano 1, Vol. 1, n.1.

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