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Caros colegas e amigas

Até parece que é a primeira vez… agora a coisa é mais fina e haverá pouca poesia.

Mais uma vez aqui estamos e eu aqui estou, empurrado como já disse, mas coerente na minha
motivação, que vou tentar explicar, expondo-me um bocadinho, começando por desfazer a
insinuação que a Sra. Directora da DREN me fez, de ser comunista…

Afinal só sou Rotário, membro de uma movimento internacional de profissionais, que para além do
que faz e “faz fazer”, tem entre os seus 4 objectivos criar boas relações entre as pessoas, mesmo
que sejam em tudo diferentes de nós, reconhecer o mérito de todas as profissões úteis e
privilegiar a ética profissional. E é esta consciência social, que me leva a por em prática o lema
“Dar de si antes de pensar em si”, no caso, ajudar a dignificar a profissão de PROFESSOR,
estabelecer pontes para relacionamentos sãos e forçar que a justiça seja feita na equidade.

Dada esta explicação, começo com uma história “real”, acerca de quatro pessoas “comuns e
correntes”, conhecidas como: “TODAGENTE", "ALGUÉM", “QUALQUER" e "NINGUÉM", que
viviam juntos.
Acontece que um dia se apresentou um importante trabalho, que devia levar-se a cabo com
prontidão.
“TODAGENTE” estava seguro de que “ALGUÉM” o faria.
O certo é que “QUALQUER” podia tê-lo feito... mas “NINGUÉM” o fez.
“ALGUÉM” ficou muito chateado, já que era um trabalho para “TODAGENTE”.
Todavia “TODAGENTE”, pela sua parte, pensou que “QUALQUER” podia fazê-lo, mas
“NINGUÉM” compreendeu que “ALGUÉM” não o faria.
O incidente terminou de uma forma muito desagradável, já que “TODAGENTE” culpou “ALGUÉM”
quando “NINGUÉM” fez o que “QUALQUER” podia e devia ter feito.
O “QUALQUER” neste caso sou eu, e esta é outra explicação…

A terceira explicação é que não gosto de deixar objectivos por cumprir, razão porque a minha
disfarçada alegria, se converteu numa indisfarçável tristeza, já várias vezes, e que da última vez
preocupou algumas amigas, a quem agradeço, mas era só pelo impasse desta tarefa que me
encomendaram. E já chega… Há mais, mas são só minhas…

Passando ao assunto que nos trouxe aqui, confesso que com o “simplex” pensei que me veria à
rasca para justificar a recusa, mas depois de reler a Moção anterior e pensar um bocadão,
consegui convencer-me (para poder convencer) que as razões da exigência da suspensão se
mantêm, em alguns casos agravadas e o meu papel é tentar convencer TODAGENTE de que é a
hora de assumirmos individual e colectivamente uma posição definitiva sobre a Avaliação de
Desempenho Docente.

Para não enganar ninguém, vou ler ponto por ponto o “abaixo-assinado” e apresentar a minha
justificativa, que pode ser contestada ou recusada em silêncio, ou ser aceite e levar acto-contínuo
a assinar o documento.

E começa assim:

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Na sequência da Moção aprovada pelo Conselho Pedagógico de 27 de Outubro passado, e do
plenário realizado em 13 de Novembro em que os Professores e Educadores do Agrupamento
Vertical Afonso Betote de Vila do Conde, exigiam a suspensão deste processo de ADD,
formalizada num abaixo-assinado e porque entretanto houve uma “simplificação” anunciada do
mesmo, (mas ainda não publicada), que não a suspende como se exigia, reuniram-se mais uma
vez em plenário para tomar uma posição definitiva, pelas razões que se elencam:

2
1. O processo continua incompleto e Não há outro processo de avaliação em
prática, no público ou privado, em que os
diferenciado porque os instrumentos não
instrumentos não venham prontos a usar.
foram construídos por técnicos e não são
iguais para todos os Agrupamentos / Escolas.
2. O trabalho louvável realizado por todos os O Pedagógico
Conselhos Pedagógicos, terá que ser - uma família, onde já nos insultamos,
morcões para cima e morconas para baixo,
reiniciado, com nova carga de trabalhos e
ou vice-versa…
consequente sobrecarga horária semanal,
- onde cada um tem sintomas do foro
para readaptar os instrumentos de avaliação psicológico…
já construídos, mantendo-se a falta de - o meu PREC (as 2 realidades)…
garantia dos seus resultados, quer no rigor, - merece o reconhecimento, porque
resguardou o mais que pôde os outros
quer na sua certificação. colegas de sofrerem como sofremos, para
que o ambiente de trabalho não fosse
deteriorado antes de tempo;
- que esteve sempre à frente na tomada de
decisões e de posições e de lutas,
conseguindo até levar o Ventura a Lisboa e
tê-lo do nosso lado (afinal ele também é
Rotário).
3. Os resultados relativos a cada Quem requerer a avaliação, tem mais campo
para conseguir “Muito Bom” ou “Excelente”,
Agrupamento/Escola terão o mesmo valor
embora tenha que o provar, caso contrário
absoluto na base de concursos de âmbito será um esforço em vão.
zonal e nacional e serão agravados pela
opção individual (intimidatória/aliciante),
criando mais desigualdades.
4. Os Avaliados que optem por requerer Requerer “Muito Bom” ou “Excelente”, não
significa que terá “Muito Bom” ou “Excelente”,
candidatar-se ao “Muito Bom” ou
significa que terá uma avaliação completa,
“Excelente”, ficarão em desigualdade com feita pelo Avaliador e PCE, com toda a
“papelada” e observação de aulas.
os restantes, por o seu tempo ficar reduzido
para a preparação das actividades lectivas e
simultaneamente lhes ser exigida toda a
“papelada” a que o processo exige.
5. Com a criação de três estratos de Apesar da premunição, esperamos que
saibamos honrar a cultura europeia a que
docentes: os que recusam esta avaliação, os
pertencemos, que é a única que defende os
que aceitam esta avaliação e os que direitos e as opções individuais.
aceitando-a requeiram “Muito Bom” ou
“Excelente”, os Agrupamentos/Escolas
viverão num clima de instabilidade, com
conflitos pessoais e profissionais, com
repercussão no sucesso/insucesso que daí
advirá.
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6. Este modelo de ADD, mesmo “simplificado”, Pelo que se disse acima, quem quiser ser
avaliado ou requerer o “Muito Bom” ou
não melhorará a prática pedagógica, nem o
“Excelente”, ou dará à escola mais tempo ou
sucesso dos alunos, antes os diferenciará, se prejudicará a função docente.
o docente optar ou não pela avaliação.
7. Mantém-se a falta de competências dos Avaliar alunos não é o mesmo que avaliar
desempenho profissional, tarefa de
Avaliadores, apesar das acções de formação
especialistas, agravado pela inexistência de
que lhes foram ministradas. fichas preparadas.
8. A substituição dos Coordenadores / As razões apontadas no número anterior,
agravam-se por ser possível a avaliação ser
Avaliadores Titulares, por Avaliadores da
feita pelo par mais velho do
mesma área não permite avaliar com Subdepartamento / Disciplina, que não
tiveram formação, nem têm competências
seriedade científica os professores de cada
certificadas, desinseridos do processo de
Subdepartamento/Disciplina, pelo que o rigor construção dos instrumentos ou pior se for
feita por outro de outro Agrupamento /
e a equidade continuam a não ser
Escola, tornando-se numa Avaliação Externa.
acautelados.
9. A Avaliação quase se resumirá à ficha Se antes do “simplex” o resultado da
avaliação já quase só dependia dos PCEs,
“simplificada” dos Presidentes dos
agora é mesmo só, como teste ao Decreto-
Conselhos Executivos, que mantém alguns Lei 75/08, que virá em Maio.
itens que não podem observar, mas que Sobre a subjectividade, dizem os que sabem,
que na realidade cada um é cinco pessoas
têm de valorizar, seguramente de forma
ao mesmo tempo:
subjectiva e alienatória e que continuam a não 1) A que é realmente.
2) A que acredita ser.
ter tempo útil para o trabalho gigantesco que
3) A que representa diante dos outros.
ainda lhes é exigido. 4) A que os outros pensam que é.
5) A que acreditamos que os outros crêem
que é.
A falta de tempo em relação à enormidade de
trabalho, não é o processo que origine mais
rigor, equidade e justiça.
10. Todos os membros das Direcções Tal como todos os docentes, os membros da
Direcções Executivas, excepção PCE, têm
Executivas são avaliados com um modelo
funções lectivas e de supervisão, pelo que
diferente dos restantes professores não se aceita que tenham um modelo de
ADD diferente do de todos os colegas, como
(SIADAP), como Pessoal Dirigente Intermédio
se fossem funcionários públicos.
da Administração Pública.
A escala de avaliação do SIADAP é diferente
(de 1 a 5) e mais benéfica (BOM de 3 a 3,9)
do que a da ADD (BOM de 6,5 a 7,9).
11. Os Vice-presidentes das Direcções A avaliação de uma equipa unitária e
solidária, feita pelo PCE, dificulta a isenção, a
Executivas serão avaliados pelo PCE, sem
equidade com os restantes docentes e a
se saber se para eles também há quotas consequente justiça.
estipuladas, por coerência com o modelo e a As quotas ou são para todos ou não há
equidade e justiça!
filosofia propalada no nosso, já que amanhã
serão concorrentes connosco na progressão
na carreira.
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12. Os PCEs serão avaliados pelos/as Nos objectivos, podem entrar os resultados
escolares!
Directores/as Regionais de Educação, sem
As quotas ou são para todos ou não há
se saber se têm objectivos “negociados” e
equidade e justiça!
comprometedores deste “simplex” e se para
eles também há quotas estipuladas, por
coerência com o modelo e a filosofia
propalada no nosso, já que amanhã serão
concorrentes connosco na progressão na
carreira.
13. A manutenção das quotas, pelos cinco Havendo quotas em separado para:
Contratados; Professores; Professores
grupos, vem demonstrar que continuam a
Titulares; Professores Titulares Avaliadores
existir objectivos ocultos, prejudicando Delegados e Coordenadores, os que têm
mais responsabilidade e trabalho são os mais
todos os Avaliados e todos os Avaliadores,
penalizados e pode levar a perverter o
desvalorizando e desmistificando o mérito que processo avaliativo, pelas implicações na
progressão na carreira.
se diz perseguir.
14. Os Professores já interiorizaram a O paradigma neo-liberal e globalizante, da
concorrência, pode traduzir-se nesta
necessidade de uma ADD, mas não com
parábola, que recebi há anos e compartilho:
este modelo, assente em teorias
Toda a manhã, em qualquer lugar de África...
empresariais falhadas e pressupostos
Uma gazela acorda e sabe que terá que
político-económicos subjacentes, que nada correr muito de um leão, para não morrer.
têm a ver com a nossa cultura europeia, Toda a manhã, em qualquer lugar de África...
antes com conceitos que os globalizadores Um leão acorda e sabe que terá que correr
muito atrás de uma gazela, para não morrer
querem impor aos globalizados, pela de fome.
mundialização desregulada. Portanto, quando o sol surgir, não importa se
você é um leão ou uma gazela, o melhor será
começar a correr.
Não pare nunca, porque a vitória só sorri para
aqueles que não param no meio do caminho.
E continua:
“O único lugar em que o sucesso vem
antes do trabalho é no dicionário.”
É notícia todos os dias, que os mais pobres
são os que mais trabalham…
“Sucesso é conseguir o que queres.”
Como ensina Maquiavel?
“Felicidade é gostar do que conseguiste.”
Não importa como, ou esquecendo o preço
da dignidade?
São estas as palavras que circulam e que
trocamos nos mails e distraídos vamos
interiorizando como paradigmas, mas não
será mais paradigmático, como diz um

5
Provérbio Chinês:
“Se em vez de enchermos o bolso
enchermos a cabeça, nunca seremos
roubados”?
15. Uma ADD para a melhoria da prática Sobre isto, basta interiorizar o que Mário
Quintana diz:
pedagógica e para o sucesso dos alunos tem
“Os livros não mudam o mundo, quem muda
que ter carácter formativo e continuado, à
o mundo são as pessoas. Os livros só
responsabilidade do Ministério da Educação, mudam as pessoas.”
dos Centros de Formação ou dos E plagiando-o diríamos que:
Agrupamentos / Escolas, sem penalizações “A formação não muda o mundo, quem
muda o mundo são as pessoas. A
ao nível da carreira. formação só muda as pessoas.”
16. As razões das anteriores posições deste Os docentes rebateram mais os valores,
enquanto os órgãos de gestão rebateram
Agrupamento, não assentavam apenas na
mais a inexequibilidade.
“simplificação” do processo, mas
A tutela mantém os “valores” e procura
sobretudo no rigor, na equidade e na resolver a operacionalidade, indo contra os
docentes e a favor da concretização ad hoc
justiça, premissas e valores que continuam
da sua mesma proposta.
a não ser garantidas, como se procurou
As razões dos Professores e Educadores não
provar. coincidem nem com as dos Sindicatos, nem
com as do ME. Uns querem a revisão do
ECD, o outro sonha aguentar este processo
até Maio, com a entrada do DL 75/08 e dos
Directores, para acabar com a TUA FESTA,
PÁ…
17. Em menos de seis meses, em dois anos Se o processo de ADD desenhado não
funciona, tendo-se insistido tanto na sua
lectivos consecutivos, a tutela alterou o
eficácia, que outra solução senão suspendê-
processo de ADD, por lhe reconhecer lo, para que não origine nos docentes uma
falta de confiança em quem os dirige, neste
erros, que nem os técnicos os previram ou
assunto e em outros do presente e do futuro?
descobriram. Que fiabilidade “científica“
sobra neste “simplex”?
Assim, tendo em conta os fundamentos acima, Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
os Professores e Educadores do Agrupamento
Para comprar o que não tem perdão
Vertical Afonso Betote de Vila do Conde, Porque os outros têm medo mas tu não.
subscritores deste documento, decidiram por Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
maioria recusar a aplicação deste modelo de
Porque os outros se calam mas tu não.
Avaliação do Desempenho Docente, mesmo
Porque os outros se compram e se vendem
“simplificado”, recusando-se assim a entregar E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
a Ficha de Objectivos Individuais, quando tal
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
data for anunciada, pedindo que tal decisão
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
seja dada a conhecer a quem de direito. Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner
O construtor de Catedrais…

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Agora, cada um que assuma, sem heroísmo, porque:

“Herói é aquele que não mede a consequência dos seus actos”, mas também sabendo que
"Somos responsáveis pela nossa tragédia e pela nossa glória." Chico Xavier/Emmanuel

Eu, coerentemente, já subscrevi, e este ano NÃO QUERO SER AVALIADO, com este
modelo!
Quem quer a palavra?