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POLÍTICAS EDUCATIVAS DE INCLUSÃO EM AMBIENTES DE MARGINALIZAÇÃO SOCIAL

Cynthia Dias

Introdução

O objetivo desse trabalho era, a partir da observação da Escola Secundária com 3º Ciclo D. Dinis, observar qual o tratamento dispensado às comunidades mais marginalizadas, as medidas de inclusão social no âmbito das escolas, e os reflexos da desigualdade social na educação. Apesar da observação em sala de aula ter sido vetada por parte dos professores da escola, seguiremos analisando o interessante projeto pedagógico da Escola D. Dinis, junto com uma análise da evolução das políticas educativas em Portugal, e teorias de pedagogia social.

A desigualdade social é fruto do atual sistema econômico vigente, em que para uma minoria manter seus previlégio de classe, oprime a maior parte da população através da dominação dos meios de produção.

A escola, que funciona como um microcosmos da nossa sociedade, acaba por reproduzir a lógica de funcionamento do sistema, com suas hierarquizações e exclusões.

Dificilmente um/a estudante de uma escola de zona periféria terá as mesmas oportunidades de acesso ao ensino superior do que um/a estudante proveniente de uma escola de zona central, a começar por causa da origem dos/as estudantes dessas escolas, que costuma ser diferente.

A escolas de zonas periféricas costumam ser “depósitos” de crianças “problemáticas”. Essas escolas ficam afastadas dos centro e também de opções de emprego, lazer, etc. Muitas são provenientes de famílias desestruturadas, convivem com a violência dentro de casa e também com a pobreza.

E é como “crianças problemáticas” que os órgãos governamentais relacionados a educação as tratam, não investindo na formação dos professores, em infraestrutura para escola, em apoio á família, etc. Com o descaso dos governos, que voltam seus investimentos para escolas em que vão obter “retorno” (reconhecimento, votos, etc), as escolas das periferias ficam fadadas a esse sistema em que quem tem pouco, recebe menos.

Outro fator para o pouco investimento, é que essas escolas são “invisíveis”. Tudo que não é desejável é afastado dos grandes centros, e se não está a vista das classes dominates, logo deixa de existir para elas.

Tudo isso se reflete nas altas taxas de insussesso escolar, criminalidade juvenil, gravidez na adolescência, e outros problemas típicos de escolas de zonas periféricas.

Bourdieu foi um dos primeiros a enxergar “reprodução e legitimação das desigualdades sociais” nas escolas, no lugar do discurso dominante de que essa instituição promove a igualdade de oportunidades e a justiça social.

Problematizando isso, vemos que os governos usam o sistema educacional para a manutenção do capitalismo, e assim manter seus previlégio, afastando a população do acesso a educação.

A Escola Secundária com 3º Ciclo D. Dinis surgiu em 25 de Novembro de 1986 com o nome de Escola

Secundária da Pedrulha, nos arredores de Coimbra, e, desde então, convive com o preconceito e a marginalização do resto da cidade, como vemos nesse trecho do projeto pedagógico da escola:

B. Imagem Pública

Desde

cedo

se

desenhou

um

perfil

“non

gratus”

para

a

escola

nascente.

O

contexto

socioeconômico e geográfico em que se inseria (e se insere) a sua actividade terá sido determinante, tendo-nos sido colada uma imagem de “subúrbio”.

O perfil dos/as estudantes da Escola Dinis é o perfil padrão das escolas de zonas de periferia, onde os pais tem pouca escolaridade:

Secundária da Pedrulha, nos arredores de Coimbra, e, desde então, convive com o preconceito e a
Secundária da Pedrulha, nos arredores de Coimbra, e, desde então, convive com o preconceito e a

Devido ao seu perfil diferenciado, o ensino não é voltado unicamente para o ingresso no ensino

superior, já que a maior parte dos/as alunos/as dessa escola procuram se inserir no mercado de trabalho assim que terminam o secundário, portanto não seria funcional que o ensino fosse desenquadrado da realidade local.

A Escola d. Dinis tem a peculiaridade de obter pra si o conceito de “escola de perfiferia” ou “de subúrbio” e trabalhar em cima disso, visando dar acesso a educação a população local, acima de qualquer preconceito.

Analisando o projeto pedagógico da escola, observamos que a direção tem pleno conhecimento da realidade da escola, e uma visão crítica do que está a ser feito, além de medidas para superar problemas, como vemos nestes itens:

superior, já que a maior parte dos/as alunos/as dessa escola procuram se inserir no mercado de
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Como observamos, os problemas de falta de estrutura e investimento são uma apenas uma pequena parcela
Como observamos, os problemas de falta de estrutura e investimento são uma apenas uma pequena parcela
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Como observamos, os problemas de falta de estrutura e investimento são uma apenas uma pequena parcela aspectos negativos da escola.

Um aspecto que aparece várias vezes é a falta de participação da comunidade e falta de “sentimento de pertença” à escola.

Isso acontece por que os estabelecimentos de ensino ainda são vistos com receio à comunidade, que se sentem inseguras ao lidar com um ambiente “letrado”. Isso se dá por muitas vezes os ambiente escolares serem elitistas e tratarem com desdém aqueles que tem pouco estudo.

Isso é muito comum principalmente entre professores mal preparados e com pouca ou nenhuma ética social, que ao lidarem com pais de alunos, os tratam com arrogância.

Isso cria um ciclo, onde uma pessoa que não teve acesso aos estudos e tentar dar essa oportunidade aos

filhos, se sente envergonhada justamente por não ter educação e não se sentir bem em ambientes acadêmcos.

E a falta de “sentimento de pertença” ocorre também entre os professores, que, ao não serem preparados para trabalhar em ambientes específicos, consideram isso como apenas um emprego qualquer, e não se envolvem com a realidade dos alunos.

Portanto é um dificuldade constante integrar não só as crianças e jovens à escola, mas toda a comunidade local e também os professores.

O projeto pedagógico da Escola D. Dinis é resultado de um longo processo das políticas educativas em Portugal, onde as consecutivas reformas do sistema educativo português surgiram sempre integradas nos diferentes contextos que as produziram, sendo eles políticos, sociais ou económicos.

Alguns pontos da história foram primordiais para evolução das políticas educativas portuguesas, no qual destacamos:

• Criação das primeiras escolas em território português, primeiramente na Sé Braga, no Século VI, onde já existia o conceito de escola e alguns alunos. No início do século XII, existem referência a duas escolas, na Sé do Porto e no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, ambas exclusivamente voltadas para uma forte componente teológica;

• em 1636, João Amós Comênio, em sua Didáctica Magna, afirma que não apenas os filhos dos nobres devem receber educação, mas também os pobres, meninas, pessoas do campo, etc. Em uma primeira tentativa de democratização do ensino.

• Nos finais do século XVII, a educação da criança recebe importância, e diminui-se a idade do início da aprendizagem, conceito de “tábula rasa”;

• Em 1772, o governo de Sebastião José Carvalho e Melo desenvolve um Sistema Nacional de Ensino, que tranfere a responsabilidade do ensino primário da Igreja para o Estado;

• Em 1835, através do Decreto de 7 de Setembro estipula-se que o ensino primário deve ser gratuito para todos os cidadãos;

• Em 1911, a Constituição de 1911, no número 11 do seu artº 3º, estabelece que o ensino primário elementar seja obrigatório e gratuito;

• Em 1936, cria-se a Obra das Mães, onde tenta-se aumentar o número de alunos pobres nas escolas através do fornecimento de cantinas;

• Em 1952, é lançado o Plano de Educação Popular, sob o coomando de Pires de Lima, com a finalidade de erradicar o analfabetismo.

Muitas outras medidas fossam feitas ao longo da história de Portugal, na tentativa de elaboração de um currículo, de erradicação do analfabetismo, mas em matéria de insclusão, poucas medidas foram tomadas exclusivamente para esta questão.

Muito se deve ao medo de que uma população com mais estudas possa ter acesso a leituras “subversivas”, além do inevitável questionamento da realidade que os cerca, o que pode prejudicar quem quer se manter no poder.

Concluíndo, vemos que a Escola D. Dinis tem uma metodologia fascinate, em que, apesar das dificuldades, tenta integrar escola e comunidade, com um currículo adequado para a realidade local e um projeto pedagógico que não enconde seus ideais de inclusão social.

Bibliografia

BENAVENTE, Ana, A Escola na Sociedade de Classes

ARROTEIA, Jorge Carvalho, Análise Social da Educação

DIAZ, Andrés Soriano. Uma Aproximação à Pedagogia-Educação Social .Rev. Lusófona de Educação [online]. 2006, n.7, pp. 91-104. ISSN 1645-7250.

MENDES, José Manuel e SEIXAS, Ana Maria. Escola, Desigualdades Sociais e Democracia: As Classes Sociais e a Questão Educativa em Pierre Bourdieu

http://www.fpce.up.pt/ciie/revistaesc/ESC19/19-4.pdf

CAVALCANTI, José Carlos. A Escola reproduz desigualdades sociais?

http://creativante.com.br/download/A%20escola%20reproduz%20desigualdades%20sociais.pdf

SEBASTIÃO, João. As Desigualdades Sociais na Escola em Contexto de Massificação

http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/316.pdf

CAPUCHA, Luís. Inovação e Justiça Social. Políticas activas para a inclusão educativa.