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Giovanni Francesco Pico della Mirandola

(1469-1533)

Da imaginação
Biografia
• Giovanni Francesco Pico della Mirandola é sobrinho do
célebre Giovanni Pico della Mirandola (1463, Mirandola-
1493, Florença), que foi seu mestre assim como Alde
Manuce. Foi também instruído na corte de Ferrara. Em
1491 casou-se com Giovanna de Nápoles, de uma
importante família italiana.
• Seguindo a carreira militar, João Francisco era
profundamente religioso, mas nunca se afastou dos seus
estudos.
• Admirador de seu tio, J.F.Pic de la Mirandola, foi ele o
responsável pela publicação da biografia do seu tio, que
pouco depois foi traduzida por Thomas Moore em inglês.

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• Entretanto João Francisco Pico dela Mirandola começa a
ter reputação de humanista e filósofo, pois começa a
publicar em 1497.
• A sua grande influência foi do dominicano Savonarola
(1452-1498) sobre qual também escreveu uma biografia
que só foi publicada em 1674.
• Esta influência faz-se através de um forte anti-
intelectualismo e a preferência por uma teologia revelada
em vez de racional. Neste texto sobre a imaginação Pico
de la Mirandola chega a afirmar que não se pode lutar
contra as más paixões, a não substituindo-as por outras
mais fortes, pois a razão não tem força persuasiva
suficiente.
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• Pico desenvolveu também uma carreira política, por morte
do pai torna-se Senhor de la Mirandola e convocará para a
sua pequena corte humanistas como Ariosto, Erasmo de
Roterdão, Ficino, Thomas More. Contudo os irmãos
conseguem-se apoderar das terras e do castelo, e Pico foge
para a Alemanha. Embora depois tudo lhe tenha sido
restituído devido à intervenção do exército papal mais
tarde, Pico de la Mirandola é brutalmente assassinado,
assim como o seu filho, e a biblioteca é incendiada, tudo
isto a mando de um sobrinho que queria reaver a
herança….
• Sabe-se que Pico de la Mirandola terá escrito perto de 60
obras, mas não chegou até aos dias de hoje nem metade.

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• Este texto “Da Imaginação” foi publicado pelas primeira
vez em 1501, em Veneza, dedicado ao Imperador
Maximiliano. Depois mais uma vez poucos anos depois,
e outra no início do séc.XVII. No século XX houve
várias edições publicadas e em várias línguas, o que
demonstra o interesse crescente por este tema.
• O objecto deste livro consiste em afastar o erro e o
pecado afim de atingir a salvação. A imaginação é
identificada por Pico como a fonte principal dos erros e
faltas cometidas pelos homens, mas ao mesmo tempo
como uma faculdade da alma indispensável que
acompanha todas as nossas operações teóricas e práticas.

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• O problema de fundo consiste em como podemos eliminar
todos os erros que a imaginação produz, mas sem nos
separarmos dela, pois a imaginação está ligada a todas as
potências da alma. Temos portanto que encontrar um bom
uso para a imaginação!
• Descrição dos capítulos:
• (I-VI) Definição da imaginação; necessária ao uso das
faculdades da alma humana. Não se pode escapar ao uso da
imaginação.
• (VII-VIII)Caracterização dos males provenientes da
imaginação e as causas dos seus erros. O capítulo VII explica
que a imaginação errática está na origem da corrupção da vida
civil, filosófica e religiosa. O capítulo seguinte descrimina a
causa dos erros: o temperamento, os erros perceptivos, o
arbítrio, os anjos maus responsáveis pelas falsas profecias. 7
• A terceira parte prescreve os remédios para os males
provocados pela imaginação. (capítulos IX-XII).
• Pico della Mirandola começa por caracterizar o que
significa imaginação. Esta palavra deriva do termo latim
“Imaginatio”, que por sua vez é herdeira da “fantasia” para
os gregos.
• Para os gregos fantasia significava uma potência da alma,
enquanto a palavra imaginação supõe a função de
engendrar imagens, quando estas não se encontram
presentes (ausência das mesmas). É caracterizada por um
princípio activo, o que não acontecia com o termo grego.
• Á imaginação correspondem o “conjunto das funções
sensíveis internas da alma” a saber: o senso comum, a
estimativa, a cognitiva e a memória. 8
• Pico della Mirandola salienta que os autores gregos, com
excepção para Aristóteles não compreenderam a
especificidade da imaginação.
• Tomando como ponto de partida o texto “De Spiritu et
anima” uma compilação célebre de textos medievais feita
por um cisterciense, no qual a imaginação se situa no
primeiro degrau de edificação da alma, em que ela é a
segunda das cinco potências da alma:
• SENSAÇÃO; IMAGINAÇÃO; RAZÃO;
ENTENDIMENTO, INTELIGÊNCIA.
• “ Assim a alma pelos sentidos percepciona os corpos, pela imaginação as
semelhanças dos corpos, pela razão as naturezas dos corpos, pelo
intelecto o espírito criado, pela inteligência o espírito incriado” (“De
Spiritu et anima”)
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• Segundo os medievais para se aceder à contemplação de
Deus a alma deveria nas etapas superiores de elevação
separar da imaginação o que a liga ao mundo material.
(a alma deve repudiar os fantasmas terrestres e tudo o
que a liga ao pensamento terrestre, pois só assim poderá
elevar-se acima dela mesma e contemplar o seu Criador.
• Contudo para Pico a imaginação, ao contrário dos
medievais também desempenhará um papel nalguma
forma de contemplação: a das verdades contidas nas
Escrituras.
• Por outro lado a imaginação tem para este autor o
poder de reproduzir imagens do passado, assim como
fazer aparecer imagens das coisas futuras. A imaginação
pode
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antecipar o futuro! (tese retomada de Avicena).Esta
função é importantíssima porque permite ao pecador
antecipar o que lhe acontecerá de recompensas e de
punições que o esperam após a morte.( paraíso, inferno)
• Tem ainda outra função: a de poder produzir
representações sem correlato na natureza, ficções que só
existem na nossa imaginação e que não são o produto
de nenhuma experiência. A imaginação pode portanto
enganar, iludir, tomar como verdadeiro aquilo que é
falso, como acontece no sonho ou na alucinação. Mas é
precisamente esta função que lhe permite combater os
erros (más paixões) substituindo-as pelo o modo de vida
proposto pelas Sagradas Escrituras.

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• Intelecto
• Imaginação
Intelecto
• Sentir

Imaginação

sentir

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• A imaginação deriva do sentir mas precede o intelecto.
• Situa-se no meio dos dois: percebe as coisas sensíveis,
junta-as e separa-as, segundo o seu querer. Convém ao
entendimento, na medida em que é livre, vagabunda, e
não está sujeita a nada particular. Mas o entendimento
ultrapassa-a ao conceber as coisas universais que estão
purificadas do contacto da matéria. (inf. De Sinésio, séc
V e S. Tomás de Aquino *)
• “Com efeito a alma ligada ao corpo não poderia nada
opinar, saber ou compreender, se a fantasia não lhe
fornecer sem cessar as espécies sensíveis.” (Da
Imaginação, III)
• A imaginação faz a transição entre o corporal e o
espiritual, entre a sensibilidade e a inteligência.
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• * Para S.Tomás de Aquino, o intelecto tem necessidade dos
fantasmas para conceber as espécies universais. O próprio do
intelecto é abstrair a forma da coisa concreta ( o que é
característico da espécie pondo de parte a individuação, como o
tempo, o lugar, as qualidades sensíveis próprias)
• Parte IV:
• “A imaginação é um movimento da alma produzido pela sensação
em acto; é uma potência da alma que faz sair dela todas as formas
a partir dela” (Da imaginatione, IV)
• Muitos autores antigos preocuparam-se em localizar a imaginação,
a saber: Aristóteles no coração, Galeno no cérebro, Averróis dizia
que partia do coração para a cabeça…Avicena, muito contestado
atribuía à imaginação poderes sobrenaturais…
• Parte V:
• Não só a vida dos homens, mas dos animais depende da
imaginação. 14
• Mas segundo Aristóteles os animais vivem de acordo com as
recordações e a imaginação. Porquê? A vida dos animais depende
sobretudo dos cinco sentidos, e a partir daí nada mais acontece.
O mesmo não acontece com o ser humano que segue a
imaginação mas que depende também do uso da razão, contudo
mesmo para este uso o ser humano tem necessidade de utilizar os
fantasmas (imagens ausentes) quando a razão está adormecida.
• Parte VI:
• A imaginação foi portanto concedida ao homem de maneira bem
concertada. Isto é, ela funciona como um meio apropriado de
ligação entre a matéria e o espírito, corpo e alma racional. É a
imaginação que prepara a natureza inferior para que a superior a
conheça.
• A imaginação recebe as espécies das coisas, guarda-as transporta-
as puras ao intelecto agente, que as ilumina com a sua luz,
abstraindo as espécies inteligíveis que transporta ao intelecto, o
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qual em seguida fica informado.

Sentidos (coisas)_ imaginação (espécies)- intelecto agente


(espécies inteligentes/ luz)- Intelecto.

A alma racional quando está ligada ao corpo é como uma tábua rasa
sobre a qual nada está desenhado ou pintado. Ela não conhece
nada por si mesmo, e portanto só conhece por intermédio da
fantasia. (Aristóteles De Anima) Contudo a imaginação pode ser a
razão de todos os males, ou de todos os bens.
Parte VII
Se o ser humano fizer da imaginação o seu mestre e princípio terá um
comportamento igual ao dos animais brutos (bestas), degradando a
sua natureza.

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• A ambição, a crueldade, a irascibilidade, a cupidez, o desejo
desregrado são disso exemplos, de uma imaginação depravada!
Imaginação enganadora que altera a razão e faz triunfar a injustiça
em vez da justiça. (vida civil)
• Na vida filosófica , existem falsas imaginações como a teoria do
atomismo e outras (pré-socráticos) que dão primazia à matéria,
originando heresias.
• Parte VIII
• Porque é que a imaginação varia e engana?
• Varia, claro pela intervenção da causa primeira (Deus), pela
constituição dos corpos, das coisas percebidas pelos sentidos que
nos afectam (erros da percepção, teoria dos humores de Galeno, as
imagens têm a ver com os temperamentos) pelo nosso arbítrio
(Aristóteles), e pela influência dos bons e dos maus anjos. Com os
nossos pais, país e modo de vida.
• Os bons e maus anjos provocam bons e maus fantasmas: falsas
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• profecias (falsos profetas) e superstições tornando as pessoas
insensatas e até tomando o aspecto de feiticeiras.
• Os bons anjos dão-nos a conhecer acontecimentos futuros, mas
também os presentes, preenchendo aquelas que são responsáveis
pelos nossos deveres. O futuro é por exemplo a visão do paraíso.
• Esta teoria provém de Avicena e refere de certo modo a situação
de Savonarola (falso profeta), por isso no último capítulo
Mirandola fala de como a imaginação deve combater este
problema.
• Parte IX trata como podemos corrigir a doença e a falsidade da
imaginação.
• As doenças da imaginação dependem do temperamento do corpo,
o desequilíbrio dos humores (temperatura, humidade e secura do
corpo) e para isso os médicos devem intervir para se restabelecer o
equilíbrio.
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• Se o orgão da imaginação está muito seco não consegue não
consegue reter as imagens das coisas, se está muito húmido fixa-se
apenas num traço. As diferenças de humor naturalmente alteram a
imaginação, como a tristeza, a alegria ou a apatia.
• Do mesmo modo as pessoas devem fugir de uma mesma imagem
pois essa fixação pode levar à loucura.
• Existem imagens que têm o poder de combater os maus efeitos,
respectivamente: a morte de Cristo, e a nossa morte. A primeira
inspira o amor, a segunda a crença. Ou seja a imaginação
esclarecida pela fé cristã pode substituir um efeito por outro.
• Finalmente acaba por referir que há erros praticados pela
imaginação ligados à percepção sensorial. A percepção errada
provém de um juízo feito pela imaginação ( uma espécie de senso
comum resultante de várias espécies sensíveis).
• Dado que a percepção quando implica um juízo supõe uma
operação sintética da imaginação, aqui podemos ver a atribuição

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• normalmente ligada ao senso
comum. Mais, para Kant a
imaginação como poder de
compor, ou de sintetizar as
espécies sensíveis viabiliza
mais a percepção, do que
depende dela.
• A imaginação tem que ser
orientada pela razão sempre
que liga um tema (sol) a um
sensível comum (curta
distância), dando origem à
ilusão perceptiva segundo a
qual o sol está próximo.
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• Na parte X trata-se de resolver os males da imaginação que
dependem do nosso arbítrio, que é a faculdade de raciocinar *,
discorrer e que tem necessidade dos fantasmas da imaginação.
• Muitas das nossas dores e prazeres são causados pela imaginação,
e portanto devemos seguir os conselhos da razão. Exemplo a
morte. Para uns é atroz, para outros assustadora, para Aristóteles
“a pior das coisas terríveis”. Mas se consultarmos a razão vemos
que se trata apenas da separação da alma e do corpo, e que a alma
se salva se agiu bem nesta vida. Assim a razão corrige a imaginação
enganadora.
• Mesmo para os gregos a morte (teleutein) era o fim das penas, dos
tormentos o começo de uma vida melhor. “Esta vida, na verdade é
uma passagem para a morte, mas a morte é o acesso à vida
verdadeira.
• Quanto às voluptuosidades, devemos combatê-las com o
exemplo da vida de Cristo

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• *A razão distingue-se do intelecto
porque este acede à verdade
intuitivamente, e a razão através da
discursividade.
• Mas na realidade a imaginação pode
enganar a própria razão. É então
necessário recorrer ao intelecto para
melhor controlar a imaginação.
• Na parte XI trata-se do modo como o
intelecto pode “controlar” a imaginação.
• O intelecto é o “verdadeiro castelo da
alma” onde esta encontra sossego e se
aperfeiçoa. O uso da razão é mais Putti, Rafael

característica do homem, enquanto o


intelecto é mais comum aos anjos, seres
libertos dos desejos carnais.
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• O intelecto está mais próximo de Deus do que a razão, pois Deus
conhece através de uma essência própria e absolutamente simples,
e assim a intelecção está muito afastada da falta e do erro. Mas o
intelecto tem necessidade da imaginação para dela se libertar, uma
vez que é a partir dos fantasmas que tem acesso à contemplação
das espécies inteligíveis.
• A luz da razão é imperfeita e fraca nos homens que ocupam o
último degrau dos seres inteligentes, e em contrapartida a
imaginação é mais perfeita e vigorosa do que nos outros seres.
Assim que o homem se socorre do intelecto, a imaginação
fornece-lhe as imagens das coisas, para que este retenha apenas os
caracteres comuns, a partir dos quais o intelecto possível conhece
por intuição os simples caracteres (ideias). A imaginação serve
portanto para que o homem se liberte do mundo material.

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• Parte XII Como evitar os males da fantasia e encaminhá-la para a
fé cristã?
• O remédio que permite curar a imaginação atacada pelos maus
espíritos é a fé cristã, e em particular as verdades divinas e as
reveladas nas Sagradas Escrituras. Baseando-se em Epíteto,
Mirandola substitui as imagens pagãs pelas das Sagradas Escrituras
por forma a caçar os falsos fantasmas. É portanto a luz da fé,
aquela que permite lutar contra os vícios da imaginação,
conduzindo-a mediante verdades reveladas.
• Por um lado permite que as crianças abracem a verdadeira
religião, já que as crianças resistem às tentações através das imagens
fornecidas pela imaginação, enquanto os adultos, resistem aos
vícios.
• Assim enquanto a razão é ultrapassada pelas verdades reveladas
(criação ex nihilo, encarnação, milagres…), o intelecto é fraco para
aí aceder, a imaginação adequa-se a estas verdades. As Sagradas
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• Escrituras estão adaptadas à imaginação. Assim esta guiada pela fé
apresenta à alma as verdades indispensáveis à conversão e à
salvação. A imaginação desempenha uma função pedagógica, a
imaginação compõe imagens do inferno e do paraíso. Igualmente
inventa histórias com um valor moral.
• A imaginação funciona não apenas com as crianças e os jovens,
mas ainda com os velhos, apresentando bons quadros afastando-
os do pecado. Engendra também boas paixões através da imagem
dos homens santos.
• Neste caminho a imaginação acede a Deus, difundindo-se o amor
divino na nossa alma e corpo. Assim a purificação da alma
humana passa pela imaginação como lugar de deleitação divina,
dando acesso a uma vida virtuosa, com um bom uso das imagens.

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