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Direito Processual do

Trabalho I
Pós-graduação

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 1


Conjuntos Normativos - Premissas

razão

E.H.

revelação

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Conjuntos normativos - Campos da razão

ontologia
ser moral
deontologia ética
CR normas sociais
direito
conhecer normas técnicas

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Problemas da ontologia

Essência (o que há por trás das aparências?)

Existência (existem aparências compartilhadas por todos?)

Representação (as aparências dependem da cultura?)

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Limites da epistemologia

Ontologia: “A porta está aberta”


Deontologia: “A porta deve ficar aberta”
Epistemologia: “Sei, pois estou vendo, que a porta está aberta”
O conhecimento é um sistema;
Os sistemas são, sempre, incompletos ou inconsistentes;
O fundamento dos sistemas de conhecimento são sempre: hipótese,
dogmas ou ficções (teoria do deslocamento das ideias).

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Deontologia – Moral e ética

Moral: O que eu devo fazer?

Ética: Como quero viver?

Direito: Quais são as consequências de meus atos?

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Teorias sobre os Fundamentos do Direito

A) Jusnaturalismo
B) Positivismo empírico (clássico)
C) Positivismo normativo.

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Direito, moral e fato
Fundamento do direito Moral fato

Positivismo Empírico Separação Não separação

jusnaturalismo Não separação Separação

Positivismo normativo separação separação

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Conceito de Direito
(Clássico)

Conjunto de normas de condutas gerais e obrigatórios que


regulam a vida de um determinado grupo social.

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Conceito de Direito Positivo

Conjunto de disposições (proposições) normativas (criadas,


estruturadas, direcionadas e interpretadas com base nos
princípios) de onde serão criadas (extraídas) as normas
jurídicas.

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Explicitação do conceito
a) Proposição normativa = texto não interpretado onde está
contida a norma;
b) Norma = texto aplicado após a interpretação a um
determinado caso concreto (real ou hipotético);
c) Princípios = Critério valorativos que presidem o grupo social e
que são organizadores e fundadores do ordenamento,
quando expressos por normas devem ser ponderados.
d) Regras = Tipos de normas que devem ser interpretadas de
forma sistemática e que NÃO admite ponderação.
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Norma de conduta
Norma de conduta é um ato de vontade dirigida a uma conduta
de alguém, com a imposição de uma sanção por sua não
observância.
hipótese

EN preceito

sanção
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Hipótese: Descrição de conduta humana;
Preceito: valoração da conduta descrita na hipótese;
Sanção: consequência do descumprimento do preceito

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Sanção
reparação
privada
compensação
Sanção
prev geral (exemplo social)
pública
prev especial
(coibição individual)

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Norma Jurídica
Norma jurídica não pode ser confundida com a lei. A lei é apenas
uma proposição normativa de onde se extrairá a norma no
momento de sua aplicação.

O que configura uma norma como jurídica é sua sindicabilidade,


i.e, a imposição de seu cumprimento, se necessário, pela força
instituída. A força institucional pressupõe um aparato
ordenado e organizado, portanto um ordenamento jurídico.

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Teoria do ordenamento jurídico
As normas jurídicas, para serem como tal consideradas, devem
ser dotadas de sindicabililidade.
A sindicabilidade é conceituada como a imposição pela força
institucionalmente organizada das normas.
A existência de instituições está condicionada a organização,
portanto a um ordenamento jurídico.
Assim temos um movimento circular – o que define o
ordenamento é a sindicabilidade de suas normas e, ao mesmo
tempo, é o ordenamento que proporciona a sindicabilidade.
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Dogmas do ordenamento

unidade (hierarquia)

D.O sistema (antinomias)

completude (lacunas)

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Princípios
Os princípios são as disposições fixas, informadoras de um
determinado ordenamento jurídico, que são anteriores e presidem
sua instituição.
Esses princípios são o fundamento de todo o ordenamento devendo
servir, sempre, como guias interpretativos de toda produção
normativa.
No ordenamento brasileiro alguns destes princípios estão
“positivados” no texto constitucional, funcionando, então, como
normas cogentes e como guias interpretativos obrigatórios.
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Princípios gerais de direito

• Jusnaturalismo – emanações de um direito ideal, abstrato,


metafísico

• Positivismo – fontes subsidiárias de Direito

• Pós-positivismo – pedestal normativo sobre o qual se assenta


todo o sistema jurídico (Paulo Bonavides)

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Princípios
• Definição
– Valores Fundamentais de um Ordenamento Jurídico
– Regra Geral e Abstrata
– Normas (fundamentais) de Direito
• Obedecem às funções:
– integradora,
– interpretativa,
– delimitadora e
– fundante – típicas das normas fundamentais.

• Regras x Princípios
– Tudo ou nada (subsunção) x Ponderação

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Regra x Princípio
• Princípio atribui sentido e direção à regra
– Regras se excluem – ex. antinomia, revogação tácita ou expressa, etc.
– Princípios jamais se excluem mutuamente – ex. ordenação de
preferência ou hierarquização axiológica concreta

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Princípios
• Ponderação de Princípios

– “Ponderar é estabelecer comparações, estabelecer o peso de cada


um e aplicar o maior no caso concreto”.

(Ricardo Luis. Fundamentos do Direito Privado. São Paulo: Revista dos Tribunais,
1998, p. 317)

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Fórmula de Alexy
• p1, p2, p3.....px – Princípios
• P – critério de ponderação de ponderação
• C- Condicionantes externos.
• p1Pp2 – princípio 1 prepondera sempre sobre princípio 2
• p2Pp1 – princípio 2 prepondera sempre sobre o princípio 1
• C(p1Pp2)- condições externas ditam a preponderância
• C(p2Pp1) – condições externas ditam a preponderância

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Artigo 1º, CF
• Fundamentos do Estado Democrático de Direito
– Dignidade da pessoa humana
– Personalismo x Patrimonialismo
– Mas, afinal, qual o conteúdo da DPH?
• Integridade psico-física. (Biodireito).
• Igualdade. (Direito a tratamento diferenciado).
• Liberdade. (Direito de escolher).
• Solidariedade. (Responsabilidade).

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Artigo 3º, CF
• Objetivos fundamentais da República Federativa
do Brasil:
– I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
(SOLIDARIEDADE SOCIAL)
– III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais; (IGUALDADE
SUBSTANCIAL)
– IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras
formas de discriminação. (DIREITO À DIFERENÇA)

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Regras e princípios
Relembrando:
A) Os princípios condicionam as possíveis interpretações das
regras;
B) Se existe regra, não se deve usar os princípios, já que, eles
ditaram a criação das regras e, previamente, estabeleceram a
ponderação.

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Garantismo x ativismo
• Ativismo: postura que permite ao Poder Judiciário proferir
decisões que impõe aos Poderes Executivo e Legislativo o
dever de satisfazer direitos subjetivos, individuais ou coletivos,
independentemente de regras específicas e de dotação
orçamentária;
• Garantismo: postura que limita à atuação do Poder Judiciário
ao âmbito das regras específicas existentes.

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Direito processual
Direito processual do trabalho
Direito processual pode ser definido como o ramo do direito que regula a
constituição, funcionamento e extinção da relação jurídica processual.

Relação jurídica processual é aquela que tem como sujeitos as partes e juiz,
cujo objeto imediato é a prestação da tutela jurisdicional.

A especificidade da tutela jurisdicional é ditada pelo objeto mediato (bem da


vida) que é regulada por um ramo do direito material.

O direito processual é divido segundo o ramo do direito material invocado


para a obtenção do objeto imediato.

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Teoria monista x teoria dualista
Teoria monista radical: o direito processual é um só, não se
justificando qualquer diferenciação entre seus muitos ramos.

Teoria intermediária: existiram duas grandes divisões: direito


processual penal e direito processual civil, sendo todos os demais
ramos subtipos de uma dessas duas categorias.

Teoria dualista: Segundo essa teoria os diversos ramos do direito


processual teriam em comum uma teoria geral (TGP), no entanto, por
possuírem princípios e axiomas específicos, haveria distinção
(autonomia) entre cada ramo processual.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 29
Teoria unitária
trabalhista
civil tributário
consumerista
Direito
Processual penal

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Teoria dualista

trabalhista

Direito teoria civil


Processual geral do
processo penal

consumerista

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Legislação aplicável ao processo do trabalho

• CLT – artigos 763 à 910


• CPC – artigos 769 da CLT e 15 do NCPC
• Lei de execuções fiscais (LEF) – artigo 889 da CLT

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Aplicação do direito processual civil ao processo do
trabalho
Artigo 15 do NCPC: “Na ausência de normas que regulem os processos eleitorais, trabalhistas ou
administrativos, as disposições desse código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.”

Artigo 1046 2º do NCPC: ”Permanecem em vigor as disposições especiais dos procedimentos regulados
em outras leis, aos quais se aplicará supletivamente esse código.”

Artigo 769 da CLT: “Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito
processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas desse título.”

Artigo 889 da CLT: “Aos trâmites e incidentes do processo da execução são aplicáveis, naquilo que não
contravierem ao presente título, os preceitos que regem o processo dos executivos fiscais para a
cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública Federal.” (LEF 6.830/80).

Instrução Normativa 39/2016 do TST (*).


(*) provavelmente será revogada em função da Reforma Trabalhista

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Estrutura da relação jurídica material

Para a definição de processo e de qual ramo de direito


processual se aplicará (a qual ramo o objeto imediato está
subordinado) há que se compreender a estrutura básica do
direito material.

É impossível o conhecimento do direito processual dissociado do


direito material a ser aplicado.

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Representação gráfica
A relação jurídica padrão pode ser representada pelo seguinte
gráfico:

Direitos e deveres

S1 fj S2
i
N
t
objeto

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Direitos, deveres e sujeições = elementos
internos que surgem com a relação e que
ligam os sujeitos entre si.

Lembre-se a todo direito corresponde um dever


ou uma sujeição.

Interesse = é o elo que liga os sujeitos da relação


ao objeto

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Lesão

D.S(SE) pret
Fato jurídico

DJ obrig
D.O. DS(S.A.) resist. ação
mater.
DP

Suj
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Conceitos elementares
Direito objetivo = norma abstrata

Fato jurídico = acontecimento no mundo real que é regulado


pelo direito

Direito subjetivo em sentido amplo = produto da incidência do


norma sobre o suporte fático

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Direito subjetivo em sentido estrito = todo direito
ligado a um sujeito que se realiza com uma
prestação positiva ou negativa de outro (s)
sujeito(s);

Direito potestativo = é aquele que se exerce pela


mera manifestação da vontade e não necessita
de uma prestação positiva ou negativa do titular
da sujeição;

Lesão = É o efeito causado ao direito subjetivo em


sentido estrito pelo descumprimento de um
dever jurídico
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 39
Pretensão = É a exigibilidade do direito subjetivo em
sentido estrito quando atingido pela lesão;

Obrigação = É o dever jurídico que passa a ser


exigível pelo titular da pretensão.

Resistência = É o não cumprimento da obrigação ou a


não sujeição;

Ação material = É o direito de fazer valer a pretensão


ou o direito potestativo independentemente da
vontade do pólo passivo da relação.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 40
Exercício da ação material
O direito de ação material, na maioria das vezes, não pode ser
exercido diretamente pelo particular, pois constitui crime
capitulado no artigo 345 do código penal.
“Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer
pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:
Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa,
além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se
procede mediante queixa.”
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 41
Jurisdição
Na medida em que o Estado criminaliza o exercício pessoal da
ação material, deve criar mecanismos para “substituir” o
particular neste exercício.

Tal mecanismo é a jurisdição que, em um primeiro momento,


verifica se a alegada ação material existe, para então exercê-la
de forma substitutiva no lugar do particular.

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Direito processual
Para que o estado verifique se a ação material existe ou não os
particulares devem ter mecanismos para:
1) Fazer o estado se mover;
2) Demonstrar a existência do seu direito;
3) Defender-se contra a invasão de sua esfera jurídica.

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Conceitos básicos direito processual

T.
Ação
J processual
Jurisdição
U
R Rito

I Processo

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Conceitos
Ação processual = direito subjetivo, público, abstrato e
incondicionado de movimentar a jurisdição;

Jurisdição = atividade substitutiva do estado no exercício da ação


material

Processo = técnica de prestação jurisdicional condicionada pelo


tipo de tutela pretendida
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 45
Procedimento = técnica de cognição para a prestação
jurisdicional

Rito = encadeamento dos atos processuais


determinados pelo procedimento

Tutela jurisdicional = objeto imediato pretendido por


quem impulsiona a jurisdição com o exercício da
ação processual

Coisa Julgada = Característica específica da jurisdição


que consiste na imutabilidade (ainda que não
radical) de seus pronunciamentos.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 46
Fases doutrinárias do direito processual
1 fase – Teoria civilista ou imanentista. Caracterizada pela ausência de distinção entre direito
material e direito processual. O direito processual, a rigor, não existia (Regulamento 737 e
Códigos processuais estaduais).

2 fase – Teoria abstrata. Propunha a total separação entre o direito processual e o direito
material. Caracterizada pelo fetiche formal (CPC 1939 e 1973)

3 fase – instrumentalidade do processo. Abandono ao formalismo e tentativa de


implementação de um direito processual de resultados. Esse movimento acabou por servir de
pretexto a prolação de decisões subjetivas, sem a devida fundamentação (reformas do CPC de
1973 após 1990)

4 fase – Tutela jurisdicional dos direitos. Nessa fase (atual) importa a tutela efetiva dos direitos,
mas com respeito a construção democrática da decisão. Todas as decisões são tomadas com
respeito ao contraditório e devem ser exaustivamente fundamentadas.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 47


Direitos fundamentais e o processo/direito do
trabalho
• Em muitas situações, os direitos fundamentais expressos na
Constituição Federal figuram como objeto mediato no
Processo do Trabalho, por isso, o estudo de uma teoria dos
direitos fundamentais é necessária.

• Direitos fundamentais: São aqueles sem os quais nenhum


outro direito é possível. Os direitos fundamentais podem ser
divididos em duas classes: formais e materiais

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 48


Direitos fundamentais formais e materiais
• Direitos fundamentais formais são aqueles que o ordenamento
jurídico assim define. No Brasil são os constantes do Título II
(artigos 5 à 17) da Constituição Federal.

• Os direitos fundamentais materiais são aqueles que, embora


não elencados expressamente na Constituição Federal, deles
derivam. Por exemplo: os direitos da personalidade expressos
no Código Civil

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 49


Direitos fundamentais de defesa e de prestação
• Outra classificação diz respeito ao objeto mediato da obrigação
produzida para o Estado pelos direitos fundamentais. De um
lado temos os direitos de defesa, que geram para o Estado
obrigações e não fazer e obrigações de impedir que outros
façam (p.ex: direito à vida). De outro, há os direitos de
prestação cujo objeto mediato é uma prestação positiva do
Estado (p.exe: direito à saúde).

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Características do Direitos Fundamentais

absolutos

indisponíveis
Direitos fundamentais
não patrimoniais

natos

imprescritíveis

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Direitos relativos
Direitos relativos são aqueles oponíveis a sujeitos determinados,
ou seja, são relativos à determinados sujeitos.

a b

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Direitos Absolutos
São direitos oponíveis a todos e produzem um dever geral de
abstenção.
Sua violação acarreta o dever de indenizar.

a coletividade

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Direitos fundamentais como direitos relativos

A moderna concepção dos direitos da personalidade dá ênfase a


seu aspecto positivo, ou seja, sua exigibilidade frente ao
Estado.

Quando encarados como direitos positivos passam a ser relativos


já que o titular do dever passa a ser determinado.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 54


Direitos limitados
Embora os direitos da personalidade sejam absolutos não são de
exercício ilimitado devem ser interpretados tendo em vista,
caso à caso, o “peso” dos princípios que os informam.
D. difusos
DP D. coletivos
O. pública

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 55


Forma de defesa

relativos

FDDP
tutela específica(536 NCPC)
absolutos
inversão do ônus (311 NCPC)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 56


Imprescritibilidade
Os direitos da personalidade não se perdem com o tempo, nem
tão pouco a pretensão surgida da lesão a eles.

O mesmo não se pode dizer dos reflexos patrimoniais pelos


danos causados a estes direitos

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 57


Prescrição x decadência
• Prescrição é a extinção da pretensão (exigibilidade) de um
direito subjetivo em sentido estrito. Na prescrição o direito
existe, mas não é exigível.

• Decadência é a extinção de um direito potestativo pelo seu


não exercício. Na decadência o direito não mais existe.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 58


Prescrição na CLT
Art. 11. A pretensão quanto a créditos resultantes das relações de trabalho prescreve em cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho.
§ 1º O disposto neste artigo não se aplica às ações que tenham por objeto anotações para fins de prova junto à
Previdência Social.
§ 2º Tratando-se de pretensão que envolva pedido de prestações sucessivas decorrente de alteração ou
descumprimento do pactuado, a prescrição é total, exceto quando o direito à parcela esteja também assegurado
por preceito de lei. (veja súmula 294 do TST)
§ 3o A interrupção da prescrição somente ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que em
juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação
aos pedidos idênticos. (veja súmula 268 TST)
Art. 11-A. Ocorre a prescrição intercorrente no processo do trabalho no prazo de dois anos.
§ 1o A fluência do prazo prescricional intercorrente inicia-se quando o exequente deixa de cumprir determinação
judicial no curso da execução.
§ 2o A declaração da prescrição intercorrente pode ser requerida ou declarada de ofício em qualquer grau de
jurisdição.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 59


Prescrição, prestações parceladas e de trato
sucessivo – o problema do direito de fundo

Prestações parceladas. Existe uma única origem e relaciona-se


com uma única contraprestação.

Prestações de trato sucessivo – Cada nova prestação gera uma


contraprestação, desta forma, ainda que o “direito de fundo”
seja um só, a lesão se repete continuamente.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 60


Indisponibilidade
incomunicáveis

impenhoráveis
Indisp
intransmissíveis

irrenunciáveis

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 61


Indisponibilidade e intervenção estatal
independentemente da vontade do “beneficiado”
Os fatos são os seguintes: na Alemanha, discutia-se a possibilidade de se conceder uma licença de funcionamento para
um estabelecimento onde se praticava o chamado “peep-show”, no qual uma mulher, completamente sem
roupas, dança, em uma cabine fechada, mediante remuneração, para um espectador individual que assiste ao
show.
A licença de funcionamento não fora concedida administrativamente sob o argumento de que aquela atividade
seria degradante para mulher e, portanto, violava a dignidade da pessoa humana. Em razão disso, os interessados
ingressaram com ação judicial questionando o ato administrativo. Eles argumentavam que a mulher estaria
realizando aquele trabalho por livre e espontânea vontade. Logo, não havia que se falar em violação à dignidade
da pessoa humana. Seria um trabalho como qualquer outro. Sustentaram ainda que várias boates onde se
praticava o strip-tease obtiveram a devida licença de funcionamento, razão pela qual o “peep-show” também
deveria ser permitido.
O caso chegou até a Corte Constitucional alemã (TCF), que deveria decidir se merecia prevalecer a autonomia da
vontade da mulher, que estava ali voluntariamente, por escolha própria, ou a dignidade da pessoa humana, já que
aquela atividade colocava a dançarina na condição de mero objeto de prazer sexual.
A decisão foi no sentido de que o “peep-show” violaria a dignidade da pessoa humana e, portanto, deveria ser
proibido. Na argumentação, o TCF decidiu que “a simples exibição do corpo feminino não viola a dignidade
humana; assim, pelo menos em relação à dignidade da pessoa humana, não existe qualquer objeção contra as
performances de strip-tease de um modo geral”. Já os Peep-shows – argumentaram os velhinhos do Tribunal –
“são bastante diferentes das performances de strip-tease. No strip-tease, existe uma performance artística. Já em
um peep-show a mulher é colocada em uma posição degradante. Ela é tratada como um objeto... para estímulo
do interesse sexual dos expectadores”.
Explicou ainda o TCF que a violação da dignidade não seria afastada ou justificada pelo fato de a mulher que atua
em um “peep-show” estar ali voluntariamente. Afinal, “a dignidade da pessoa humana é um objetivo e valor
inalienável, cujo respeito não pode ficarProfessor
ao arbítrio do indivíduo”*.
Rodrigo Ribeiro Bastos 62
O “lançamento de anões” (em inglês: “dwarf tossing”, “dwarf throwing”; em francês:
“lancer de nains”) é uma brincadeira (ou esporte, para alguns) na qual anões,
vestindo roupas de proteção, são arremessados em direção a um tapete
acolchoado, vencendo aquele que conseguir lançar o anão na maior distância
possível.
Em uma cidade francesa chamada Morsang-sur-Orge, a Prefeitura, utilizando seu
poder de polícia, resolveu interditar um bar onde era praticado o lançamento de
anões, argumentando que aquela atividade violava a ordem pública, pois era
contrária à dignidade da pessoa humana.
Não se conformando com a decisão do Poder Público, o próprio anão (Sr.
Wackenheim) questionou a interdição, argumentando que necessitava daquele
trabalho para a sua sobrevivência. O anão argumentou que o direito ao trabalho e
à livre iniciativa também seriam valores protegidos pelo direito francês e,
portanto, tinha o direito de decidir como ganhar a vida.
Em outubro 1995, o Conselho de Estado francês, órgão máximo da jurisdição
administrativa daquele país, decidiu, em grau de recurso, que o poder público
municipal estaria autorizado a interditar o estabelecimento comercial que
explorasse o lançamento de anão, pois aquele espetáculo seria atentatório à
dignidade da pessoa humana e, ao ferir a dignidade da pessoa humana, violava
também a ordem pública, fundamento do poder de polícia municipal. (
O Sr. Wackenheim, mais uma vez inconformado, recorreu ao Comitê de Direitos
Humanos da ONU, alegando que a decisão seria discriminatória e violava o seu
direito ao trabalho.
Em setembro de 2002, o Comitê de Direitos Humanos da ONU confirmou a decisão
do Conselho de Estado francês, reconhecendo que o lançamento de anão violaria
a dignidade da pessoa humana e, portanto, deveria ser proibido*.

*http://georgemlima.blogspot.com/2007/08/jurisprudenciando-casos-curiosos.html
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 63
Direito à vida

dir de não ser morto


preservação da vida
garantia de sobrevivência
DV
proibição da tortura
preservação da
integridade física proibição de autolesão

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 64


Adicionais de periculosidade e insalubridade
e Direito à vida.

O trabalho em condições perigosas ou insalubres (189 e seguintes da


CLT) é exceção à regra da proteção absoluta ao direito à vida, da
mesma forma que a intervenção médica e a doação de órgãos.

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Exceção à proibição geral
saúde física
tratamento médico
saúde psíquica
EPG trabalho insalubre
perigoso
transplantes doador vivo
(lei 10.211/01) doador morto

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Caso dos wannabes (amputees-by-choice)
Em outubro de 1999, um homem, para todos os efeitos mentalmente são, cortou o próprio braço
com uma guilhotina improvisada, e respondeu às tentativas dos médicos de reimplantar o
membro com a ameaça de cortá-lo novamente. No mesmo mês, um investigador legal na
Califórnia, depois de ter sido recusado em um hospital para realizar uma amputação, amarrou
suas pernas com torniquetes e mergulhou-as em gelo, na esperança de que a gangrena lhe
garantisse aquele tratamento médico radical. Já em maio de 1998, um nova-iorquino de 79 anos
que viajou para o México e pagou dez mil dólares por uma amputação de perna no ‘mercado
negro’, vindo a falecer de gangrena em um motel.
Diante da recorrência dos casos, estas pessoas com um desejo compulsivo pela amputação de um
membro específico passaram a ser denominadas wannabes, também denominados
apotemnófilos. A Internet revelou a freqüência da situação: a principal lista de discussão reúne
3325 integrantes.
Todos relatam uma sensação de extremo desconforto com sua situação atual, como presos em
um corpo que não corresponde a sua verdadeira identidade.
A analogia com o caso dos transexuais é inevitável, embora neste caso já haja regulamentação
médica autorizando a intervenção em virtude de sua finalidade terapêutica. Como, no caso dos
wannabes não há autorização para a cirurgia, uma vez que a causa e o tratamento necessário
ainda estão por ser cientificamente determinados, o desejo compulsivo os leva a buscar no
mercado negro as amputações, acarretando ainda maiores danos para sua saúde ou mesmo a
morte.
Aqueles que conseguiram fazer a amputação com sucesso vivem hoje normalmente. A medicina
ainda não descobriu qualquer outro tratamento.
(Carl Elliot, “A new way to be mad”. In: The Atlantic, dez/2000, na internet em
http://www.theatlantic.com/issues/2000/12/elliott.htm, e Richard L. Bruno, “Devotees,
pretenders and wannabes: two cases of factitious disability disorder”. In: Journal of sexuality and
disability n. 15, 1997; pp. 243-260, naProfessor
internet em Ribeiro
Rodrigo http://www.amputee-
Bastos 67
online.com/amputee/bruno_art.html).
Proteção à Dignidade
Dignidade é o direito a não objetivação. O ser humano não pode servir
como meio para atingir fins, deve ser um fim em si mesmo.

Concretamente, no direito brasileiro, há violação da dignidade sempre


que há lesão ou ameaça a quaisquer dos direitos da personalidade.

Tais direitos estão elencados, exemplificativamente, nos artigos 11 e


seguintes do Código Civil

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Direitos da personalidade no CC.2002

Direitos sobre o corpo (art. 13, 14, 15)


Direito ao nome ( art.16,17,18 e 19)
Direito à imagem ( art. 20)
Direito a honra (art.20)
Direito a vida privada (art. 21)

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Direito a imagem

retrato

Imagem

atributo

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Utilização de imagem alheia
autorização do titular
permissão ordem pública
decisão judicial
Ut liberdade de imprensa
liberdade de expressão

proibição uso comercial

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Direito a honra

subjetiva

Honra

objetiva

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Direito à vida privada

públicas

Info. restritas
Pessoais
privadas

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Igualdade e diferença
sociais
artificiais
econômicas
Diferenças

naturais

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 74


Igualdade e direito

O direito é criado considerando certos pressupostos pessoais de


seus destinatários que constituem uma categoria.

Para que todos tenham um acesso democrático e legítimo ao


direito são necessárias normas que busquem oferecer a todas
as categorias condições mínimas de acesso.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 75


Igualdade formal x material
Formal: todas as pessoas são iguais e serão tratadas da mesma
forma.

Material: é a tentativa de oferecer à todas as categorias,


independentemente das diferenças o efetivo acesso aos
direitos e aos adequados instrumentos processuais

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 76


Formas de igualdade

na lei

Igualdade

perante a lei

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 77


Desigualdade e tratamento igual

Para que trate as categorias de forma igual é necessário o


estabelecimento de regras diversas para categorias distintas.

Na esfera processual isso ocorre em função do interesse


envolvido e do “status” econômico das partes

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 78


Técnicas de composição do dano
dano emergente
reparação
lucro cessante
Tcd
compensação ao lesado
compensação
valor de desestímulo

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 79


Princípios processuais constitucionais
(Devido processo legal)
Garantias indispensáveis à tutela dos direitos:
1- inafastabilidade artigo 5 inciso XXXV CF;
2- direito de petição artigo 5 inciso XXXIV CF;
3- acesso à justiça artigo 5 inciso LXXIV;
4- juiz natural artigo 5 incisos XXXVII e LIII da CF;
5- isonomia processual caput do artigo 5 da CF;
6- ampla defesa artigo 5 inciso LV da CF;
7- publicidade artigo 5 inciso LX da CF;
8- fundamentação das decisões artigo 93 inciso IX da CF;
9- duração razoável artigo 5 inciso LXXVIII da CF.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 80


Igualdade e capacidade postulatória
Em certos procedimentos se faculta a parte a representação ou
não por advogado. Ainda é o caso do processo do trabalho?

Quando a parte opta por não ser assistida isso pode,


eventualmente causar um desequilíbrio na relação processual
que deve ser sanado pelo juiz nos termos do artigo 139 inciso I
do CPC

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 81


Princípios da Teoria Geral do Processo
1) Demanda;
2) Dispositivo;
3) Inquisitivo;
4) Oralidade (imediatidade, identidade física do juiz e
irrecorribilidade das decisões interlocutórias);
5) Duplo grau de jurisdição.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 82


Princípio da demanda
É aquele que impede a prestação da jurisdição de ofício.
Segundo o princípio da demanda os juízes não prestarão
jurisdição de ofício.

“NCPC - Art. 2º . O processo começa por iniciativa da parte e se


desenvolve por impulso oficial, salvo exceções previstas em lei.”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 83


Exceções ao princípio da demanda no processo do
trabalho
“Art. 39 - Verificando-se que as alegações feitas pelo reclamado versam sobre a não existência de
relação de emprêgo ou sendo impossível verificar essa condição pelos meios administrativos, será o
processo encaminhado a Justiça do Trabalho ficando, nesse caso, sobrestado o julgamento do auto
de infração que houver sido lavrado”

“Art. 878 - A execução poderá ser promovida por qualquer interessado, ou ex officio pelo próprio
Juiz ou Presidente ou Tribunal competente, nos termos do artigo anterior.”

RT - Art. 878. A execução será promovida pelas partes, permitida a execução de ofício pelo juiz ou
pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos em que as partes não estiverem representadas por
advogado.

“Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:


VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos
legais, decorrentes das sentenças que proferir; “

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 84


Princípio do dispositivo
Segundo esse princípio as partes podem dispor dos elementos de
sua demanda.
Enquanto o princípio da demanda diz respeito ao direito de
demandar ou não o princípio do dispositivo se refere ao
andamento do feito.
Aqui, a atuação do juiz está limitada pelo pedido das partes e
pela disposição dos meios de prova.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 85


“NCPC-Art. 490. O juiz resolverá o mérito acolhendo ou rejeitando,
no todo ou em parte, os pedidos formulados pelas partes.”

“NCPC- Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza


diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade
superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.
Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação
jurídica condicional.”

“NCPC-Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a


matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que
impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende
produzir.”
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 86
Princípio do inquisitivo
Em oposição ao princípio do dispositivo há o princípio do inquisitivo.

Segundo o princípio do inquisitivo o juiz pode determinar a produção


de provas não solicitada pelas partes.

Nenhum dos princípios atua isoladamente no ordenamento há,


sempre, a prevalência de um deles.

Hoje em dia, em termos de provas, o princípio do inquisitivo é o que


prevalece tanto no processo civil quanto no processo do trabalho.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 87


“NCPC -Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da
parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do
mérito.
Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as
diligências inúteis ou meramente protelatórias.”

“CLT -Art. 765 - Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla


liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento
rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência
necessária ao esclarecimento delas.”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 88


Oralidade
Imediatidade: O juiz deve ter contato imediato com os fatos e os
sujeitos do processo.

Identidade física do juiz: Uma vez que o juiz tem contato imediato
com os fatos e sujeitos do processo deve ser ele a proferir a decisão.

Irrecorribilidade das decisões interlocutórias: Os princípios


anteriores são irrelevantes sem a proximidade temporal entre a
colheita das provas e a prolação da decisão.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 89


Identidade física do juiz
CPC 1973 – “Art. 132. O juiz, titular ou substituto, que concluir a
audiência julgará a lide, salvo se estiver convocado, licenciado,
afastado por qualquer motivo, promovido ou aposentado, casos em
que passará os autos ao seu sucessor.
Parágrafo único. Em qualquer hipótese, o juiz que proferir a
sentença, se entender necessário, poderá mandar repetir as provas já
produzidas. “

NCPC -“Art. 366. Encerrado o debate ou oferecidas as razões finais, o


juiz proferirá sentença em audiência ou no prazo de 30 (trinta) dias.”
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 90
Identidade física do Juiz no TST
Não obstante o Tribunal Pleno tenha decidido cancelar a Súmula 136 do TST, continua incompatível com o processo
do trabalho, regra geral, o vetusto princípio da identidade física do Juiz, brandido pelo art. 132 do CPC. É que a
simplicidade, a celeridade e a efetividade da prestação jurisdicional, hoje expressamente determinadas pela
Constituição, na qualidade de princípio cardeal (art. 5º, LXXVIII, CF) - e que são características clássicas do processo
trabalhista - ficariam gravemente comprometidas pela importação de critério tão burocrático, artificial, subjetivista
e ineficiente quanto o derivado do rigor da identidade física judicial (art. 132, CPC). O Magistrado é autoridade
pública com significativo e profundo preparo técnico e seriedade profissional, podendo - e devendo – conduzir o
processo com esmero, objetividade e eficiência, carreando-lhe as provas colhidas durante a instrução, que ficam
objetivamente disponíveis no processo, aptas a serem avaliadas e sopesadas pelo Julgador - mesmo que outro
Magistrado. Ainda que se possa, por absoluta exceção, considerar válido o princípio no processo penal, ele é
dispensável e inadequado no processo do trabalho, em vista da pletora de desvantagens e prejuízos que acarreta,
em contraponto com a isolada e suposta vantagem que, em tese, propicia. Se a ausência da identidade física do Juiz
gera disfunções estatísticas e correicionais, estas têm de ser enfrentadas no campo próprio, sem comprometimento
e piora na exemplar prestação jurisdicional que tanto caracteriza a Justiça do Trabalho. Não quer a Constituição que
se importem mecanismos de retardo e burocratização do processo, em detrimento de sua celeridade e da melhor
efetividade na prestação jurisdicional. Incidência dos princípios constitucionais da efetividade da jurisdição (art. 5º,
LXXVIII, CF) e da eficiência na prestação do serviço público (art. 37, caput, CF). Mantida, pois, a decisão agravada
proferida em estrita observância aos artigos 896, § 5º, da CLT e 557, caput, do CPC, razão pela qual é insuscetível de
reforma ou reconsideração. Agravo desprovido. (Ag-AIRR - 322-81.2011.5.06.0021 Data de Julgamento: 18/12/2013,
Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 31/1/2014).

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 91


A Súmula 136 do TST é proveniente do antigo Prejulgado n.º 7,
de 31.8.64. Foi estabelecido como enunciado pela Resolução
Administrativa n.º 102/82 (DJU 11.10.82), quando ainda existiam
as Juntas de Conciliação e Julgamento. Sua redação era a
seguinte: “não se aplicam às Juntas de Conciliação e Julgamento
o princípio da identidade física do juiz”. Cancelada pela
Resolução 185/2012

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 92


Irrecorribilidade das decisões interlocutórias
Princípio de ampla aplicação no processo do trabalho, segundo o
qual as decisões proferidas em fase de conhecimento somente
são recorríveis de uma única vez por via de recurso ordinário.

Princípio mitigado no processo civil pela ausência, em regra, de


efeito suspensivo para o recurso de agravo de instrumento.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 93


Duplo grau de jurisdição
Não há na Constituição de 1988 de forma expressa a garantia
genérica do princípio do duplo grau de jurisdição.

o artigo 8°, 2, h, da Convenção Americana de Direitos Humanos que


dispõe que “durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena
igualdade, às seguintes garantias mínimas: h – direito de recorrer da
sentença para juiz ou tribunal superior”,
Após o advento da Emenda Constitucional 45/04, que ao instituir o §
3° ao artigo 5° da CF/88, passou a atribuir às convenções
internacionais sobre direitos humanos hierarquia constitucional.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 94
Princípios específicos do processo do trabalho
• Proteção;
• Verdade real;
• Indisponibilidade;
• Conciliação;
• Simplicidade

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 95


Direito de Ação

Direito de ação material: É o direito do sujeito de fazer valer sua


pretensão ou de exercer seu direito potestativo, quando
resistidos, independentemente da vontade do obrigado.

Direito de ação processual: É o direito subjetivo público


incondicionado, facultado a toda e qualquer pessoa, de solicitar
a atuação da jurisdição.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 96


Lesão

D.S(SE) pret
Fato jurídico

DJ obrig
D.O. DS(S.A.) resist. ação
mater.
DP

Suj
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 97
Teoria Imanentista

Para essa teoria não há divisão entre o direito de ação material e ação processual.

Aquele que ingressa em juízo e, ao final, tem seu pleito julgado improcedente, na
verdade, não tem direito de ação.

São características dessa teoria expressões tais como: procedência ou


improcedência da ação.

Também são a elas ligadas as ações nominadas (para cada direito existe uma ação
que o assegure)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 98


Teoria Eclética
Para essa teoria a ação processual existe mas não é independente da
ação material.

Para que o direito de ação processual possa ser exercido é preciso


que alguns requisitos a respeito da ação material estejam
concretamente presentes (condições da ação).

Se, ao final da demanda, for comprovado que o autor (sujeito da


ação) não possuía legitimidade ou interesse referente a ação material
ele será considerado carecedor de ação e o processo extinto sem
julgamento de mérito.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 99
Teoria abstrata
Para a teoria abstrata o direito de ação processual é considerado de
forma totalmente independente da ação material.

Nessa teoria, o que são as condições da ação para a teoria eclética se


tornam condições para apreciação do mérito.

Como o direito de ação processual é abstrato e incondicionado as


condições para apreciação do mérito (legitimidade e interesse)
passam a ser aferidos de acordo com os fatos relatados pelo autor e
não de acordo com aquilo que se apura sobre a ação material. É a
chamada teoria da asserção.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 100
Problema banal

João ingressa com reclamação trabalhista face a empresa Funerária Boa Morte LTDA,
afirmando ter prestando serviços ininterruptos como vigia noturno durante dois anos sem
nunca ter sido contratado formalmente (sem assinatura de sua CTPS). Alega que, durante todo
esse período, nunca recebeu quaisquer verbas além de seu salário mensal.

Procurado pela reclamada, ela informa que não sabe quem é João e que essa pessoa nunca
prestou serviços a empresa.

Pergunta-se: A defesa deve alegar:


A) Ilegitimidade passiva e pedir a extinção do feito sem julgamento do mérito;
B) Negar o vínculo e pleitear o julgamento do mérito com a improcedência do pedido.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 101


Data Disponibilização: 27/09/2016
Orgão Julgador: Gabinete da Desembargadora Solange Maria Santiago Morais
Orgão Julgador Colegiado: 2ª Turma
Desembargador(a)/Juiz(a): SOLANGE MARIA SANTIAGO MORAIS
Inteiro Teor: PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 11ª REGIÃO Identificação
PROCESSO: 0001875-40.2015.5.11.0101 (ROPS) RECORRENTE: AMAZONAS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A ADVOGADO: DR.
WÁLLACE ELLER MIRANDA RECORRIDOS: DANIEL RIBEIRO ALVEZ ADVOGADO: DR. ALCYMAR RIBEIRO MAGALHÃES ELO
SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A ADVOGADO: DR. JOÃO LUIZ GOMES BRAGA FILHO RELATORA: DESEMBARGADORA SOLANGE
MARIA SANTIAGO MORAIS EMENTARELATÓRIO Dispensado, na forma do disposto no art. 895, §1º, IV, da Consolidação das
Leis do Trabalho. Prefacialmente, observa-se a conversão do rito ordinário em sumaríssimo, haja vista o valor da causa.
RAZÕES DE DECIDIRD a admissibilidade: conheço do Recurso, porque atendidos os pressupostos legais. Da preliminar de
ilegitimidade passiva ad causam: a recorrente arguiu ser parte ilegítima nesta demanda, porque não teria qualquer vínculo
com a parte autora. Rejeito, tendo em vista a aplicação da "teoria da asserção", segundo a qual as condições da ação
devem ser consideradas de forma abstrata, sendo suficientes as afirmações formuladas na peça vestibular para considerá-
las satisfeitas. Da responsabilidade subsidiária: a recorrente suscita em suas razões a inexistência de sua responsabilização
subsidiária, seja porque nunca manteve com o reclamante relação de emprego, seja porque efetivamente houve a
fiscalização do contrato administrativo firmado com a empresa reclamada. Não assiste razão à recorrente. A partir da
declaração de constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei n. 8.666/1993 (Lei de Licitações e contratos administrativos) a
jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, em harmonia com o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre essa
questão, firmou-se no sentido de que os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem
subsidiariamente, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n. 8.666, de 21/06/1993,
especialmente na fiscalização do cumprimento...
( Processo: 0001875-40.2015.5.11.0101; Data Disponibilização: 27/09/2016; Órgão Julgador: Gabinete da Desembargadora
Solange Maria Santiago Morais; Órgão Julgador Colegiado: 2ª Turma; Relator: SOLANGE MARIA SANTIAGO MORAIS;)
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 102
Data Disponibilização: 22/09/2016
Orgão Julgador: Gabinete do Desembargador Audaliphal Hildebrando da Silva
Orgão Julgador Colegiado: 2ª Turma
Desembargador(a)/Juiz(a): AUDALIPHAL HILDEBRANDO DA SILVA
Inteiro Teor: PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 11ª REGIÃO Identificação
PROCESSO nº 0002028-40.2015.5.11.0015 (RO) RECORRENTE: ALTEMAR FALCAO DOS SANTOS, ENGEFORM CONSTRUCOES E
COMERCIO LTDA. RECORRIDO: ALTEMAR FALCAO DOS SANTOS, ENGEFORM CONSTRUCOES E COMERCIO LTDA., F M
RODRIGUES & CIA LTDA, MUNICIPIO DE MANAUS RELATOR: AUDALIPHAL HILDEBRANDO DA SILVAEMENTA1. RECURSO
ORDINÁRIO DA 1ª RECLAMADA. HORAS INTERVALARES INTRAJORNADA SUPRIMIDAS. TRABALHO EXTERNO. É incontroverso
nos autos que o trabalho do reclamante era realizado em ambiente externo à sede de sua empregadora, atendendo a
chamados de manutenção da rede elétrica da cidade na condição de eletricista. Fixadas estas premissas, entendo que o autor
exercia atividade externa incompatível com o controle da regular fruição do intervalo intrajornada. Ora, o controle de jornada
implica a fiscalização efetiva exercida sobre as atividades do empregado, que possibilita ao empregador, a qualquer
momento, verificar o trabalho por ele desempenhado, o que é impossível quando o trabalho é executado externamente.
Nesse sentido, aliás, foi editada, por este Egrégio Tribunal, a Súmula 05, que assim dispõe: "é incabível o pagamento de hora
intervalar a empregado que exerce atividade externamente, sem fiscalização, com autonomia para escolher o horário de
refeição e descanso". Recurso conhecido e provido na matéria. 2. RECURSO ORDINÁRIO DO RECLAMANTE. 2.1.
LEGITIMIDADE PASSIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. A verificação, in casu, da legitimidade das partes deve ser feito à luz das
alegações contidas na exordial - conforme entendimento consagrado pela teoria da asserção. In casu, o autor apontou a 2ª
reclamada F M RODRIGUES & CIA LTDA como responsável solidária das verbas trabalhistas pleiteadas em razão da
existência de grupo econômico (consórcio) com a 1ª reclamada; o 3º reclamado MUNICÍPIO DE MANAUS, a seu turno, foi
apontado como responsável subsidiário pelo adimplemento do título executivo...
( Processo: 0002028-40.2015.5.11.0015; Data Disponibilização: 22/09/2016; Órgão Julgador: Gabinete do Desembargador
Audaliphal Hildebrando da Silva;Órgão Julgador Colegiado: 2ª Turma;Relator: AUDALIPHAL HILDEBRANDO DA SILVA;)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 103


Condições da ação
O termo condições da ação está ligado a teoria eclética. Nosso ordenamento
jurídico, expressamente, adota a teoria abstrata, pelo que a expressão
condições da ação se torna inapropriada.

A teoria das condições da ação tem como principal sistematizador Enrico


Tulio Liebman que, em princípio, elencou três condições:
Legitimidade
CA Interesse
Possibilidade jurídica do pedido
Em seguida, o próprio autor muda de entendimento e elimina das condições
a possibilidade jurídica do pedido, já que, ela se confundiria com o interesse.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 104


Condições da ação no direito brasileiro
O CPC de 1973 adotava a teoria eclética, com isso, as condições
da ação estavam expressamente mencionadas em seu artigo
267, VI que estava assim redigido:

Art. 267. Extingue-se o processo sem resolução do mérito:


VI- quando não concorrer qualquer das condições da ação, como
a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse
processual.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 105


Condições da ação no NCPC
O NCPC adota a teoria abstrata da ação pelo que não mais se refere a condições da
ação. Quando há falta de legitimidade ou interesse a petição inicial deve ser, desde
logo, indeferida, é o que diz o artigo 330:

Art. 330 A petição inicial será indeferida quando:


II- a parte for manifestamente ilegítima
III- o autor carecer de interesse processual

Mais adiante o artigo 485, VI diz o seguinte:

Art.485 O juiz não resolverá o mérito quando:


VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 106


Condições para a apreciação do mérito

Com a atual sistemática da legislação vigente há de se concluir


que a legitimidade e o interesse são condições para a resolução
do mérito e não mais condições da ação.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 107


Legitimidade
Legitimidade pode ser definida como a “pertinência subjetiva da demanda”, ou seja, a
coincidência entre a titularidade do polo da ação material alegada na inicial e às partes
apontadas no processo.

A legitimidade pode ser ordinária ou extraordinária.

Será ordinária sempre que a parte estiver pleiteando direito próprio em nome próprio.

Será extraordinária quando a parte pleitear direito alheio em nome próprio.

A regra geral é a legitimidade ordinária, que está expressa no artigo 18 do NCPC que diz:

Art. 18 – Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado
pelo ordenamento jurídico.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 108


Tipologia da Legitimidade extraordinária
conjunta
titularidade
autônoma
LE
posição processual concorrente

subsidiária
legal
origem
negocial

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 109


Legitimidade extraordinária e substituição
processual
A distinção entre os dois conceitos somente faz sentido se
admitirmos no direito Brasileiro, a existência da modalidade de
legitimidade extraordinária exclusiva, onde somente o legitimado
extraordinário pode atuar.

Na atualidade não existem exemplos desse tipo de legitimidade


no direito nacional. Até 2002, com a vigência do Código Civil de
1916, o regime de casamento pelo dote era exemplo desse
modalidade

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 110


Ações coletivas e legitimidade
A legitimidade do Ministério Público, das associações e dos sindicatos é ordinária ou extraordinária?

A doutrina se divide:
No caso de ações em que se discutem interesses individuais homogêneos a legitimidade é sempre extraordinária.

Quando da o objeto da demanda versa sobre interesses coletivos existe divergência de posições:
A primeira delas, defendida por Barbosa Moreira, estabelece que a legitimidade para as ações coletivas é extraordinária, por
substituição processual. O autor defende que não há a necessidade de lei expressa para atribuir a legitimação extraordinária, mas
esta pode decorrer da lógica do ordenamento. Assim, conforme sua posição, as tutelas coletivas seriam uma espécie de legitimidade
extraordinária por substituição processual.

Já para uma segunda corrente, defendida por Kazuo Watanabe – principalmente calcado nas legitimidades das associações – a
legitimação para a tutela coletiva seria uma legitimação ordinária. Segundo o entendimento do doutrinador, as associações ou grupos
de pessoas, quando iam a juízo, estavam defendendo interesses próprios, por meio do ente associativo. Assim, cairia na regra da
legitimidade ordinária, de alguém que vai a juízo em nome próprio tutelar direito próprio.

Uma terceira corrente, defendida por Nelson Nery Jr estabelece que a legitimidade para as ações coletivas seria uma legitimidade
autônoma para a condução do processo. Esta ideia baseia-se no descolamento da legitimidade da relação de direito material
deduzida em juízo. Em outros termos, o “direito de condução do processo” não deveria ser analisado à luz do direito material
deduzido em juízo. Por outro lado, a legitimidade da tutela coletiva seria concedida pelo ordenamento jurídico, de forma objetiva,
sem analisar-se ou cogitar-se sobre titular ou não do direito material deduzido em juízo. (Teoria do direito à condição do processo, de
Hellwig[5]).

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 111


Súmula 310 (Cancelada 2003)
Súmula 310/TST - 12/07/2016. Sindicato. Substituição processual. Lei 6.708/79, art. 3º, § 2º. Lei 7.238/84, art. 3º, § 2º. Lei 7.788/89,
art. 8º. Lei 8.073/90, art. 3º. CF/88, art. 8º, III (cancelada). (CANCELADA PELA RES. 119, de 25/09/2003 - DJ 01/10/2003).»
I - O art. 8º, III, da CF/88 não assegura a substituição processual pelo sindicato.
II - A substituição processual autorizada ao sindicato pelas Leis 6.708, de 30/10/79, e 7.238, de 29/10/84, limitada aos associados,
restringe-se às demandas que visem aos reajustes salariais previstos em lei, ajuizadas até 03/07/89, data em que entrou em vigor a
Lei 7.788/89.
III - A Lei 7.788/89, em seu art. 8º, assegurou, durante sua vigência, a legitimidade do sindicato como substituto processual da
categoria.
IV - A substituição processual autorizada pela Lei 8.073, de 30/07/90, ao sindicato alcança todos os integrantes da categoria e é
restrita às demandas que visem à satisfação de reajustes salariais específicos resultantes de disposição prevista em lei de política
salarial.
V - Em qualquer ação proposta pelo sindicato como substituto processual, todos os substituídos serão individualizados na petição
inicial e, para o início da execução, devidamente identificados pelo número da Carteira de Trabalho e Previdência Social ou de
qualquer documento de identidade.
VI - É lícito aos substituídos integrar a lide como assistente litisconsorcial, acordar, transigir e renunciar, independentemente de
autorização ou anuência do substituto.
VII - Na liquidação da sentença exeqüenda, promovida pelo substituto, serão individualizados os valores devidos a cada substituído,
cujos depósitos para quitação serão levantados através de guias expedidas em seu nome ou de procurador com poderes especiais
para esse fim, inclusive nas ações de cumprimento.
VIII - Quando o sindicato for o autor da ação na condição de substituto processual, não serão devidos honorários advocatícios.»

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 112


Posição do TST 2004
E-RR-158.580/1995, publicado em 12/03/2004, Relator Ministro Rider de Brito:

"A maioria da Corte entendeu que a substituição processual prevista no art. 8o, inciso III, da CF/88, não é ampla e
irrestrita, limitando-se às ações decorrentes de direitos ou interesses individuais homogêneos. Os fundamentos
embasadores de tal tese são os seguintes: O inciso III do art. 8o da CF/88 estabelece que "Ao sindicato cabe a
defesa dos direitos e interesses individuais da categoria, inclusive em questões judiciais". Em outras palavras: está
legitimado o sindicato para proceder judicialmente em defesa de direitos e interesses individuais homogêneos da
categoria por ele representada. Tais interesses e direitos individuais não são, portanto, quaisquer interesses ou
direitos individuais. São apenas os direitos e interesses individuais categoriais, pois a regra constitucional é restritiva
aos interesses e direitos individuais da categoria, o que, obviamente, não abrange os interesses meramente
pessoais de cada integrante da categoria. Partindo, apenas para argumentar, do pressuposto de que tal regra
autorize a substituição processual, cumpre indagar o significado da expressão "defesa dos direitos e interesses
coletivos ou individuais da categoria" . Observe-se que o texto não diz "defesa dos direitos e interesses coletivos da
categoria ou individuais dos seus membros", o que teria o sentido de assegurar ao Sindicato ampla legitimidade
para pleitear, judicialmente, quaisquer direitos lesados dos indivíduos componentes da categoria. O texto, no
entanto, desafia nova interpretação: nem está excluída a legitimação extraordinária do sindicato para defesa de
interesses individuais, como afinava o Enunciado n°. 310, nem há substituição processual ampla e irrestrita".

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 113


Posição do STF 2007

EMENTA: PROCESSO CIVIL. SINDICATO. ART. 8º, III DA CONSTITUIÇÃO


FEDERAL. LEGITIMIDADE. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. DEFESA DE DIREITOS E
INTERESSES COLETIVOS OU INDIVIDUAIS. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
O artigo 8º, III da Constituição Federal estabelece a legitimidade
extraordinária dos sindicatos para defender em juízo os direitos e interesses
coletivos ou individuais dos integrantes da categoria que representam.
Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a liquidação e a
execução dos créditos reconhecidos aos trabalhadores. Por se tratar de típica
hipótese de substituição processual, é desnecessária qualquer autorização
dos substituídos. Recurso conhecido e provido. (STF – RE 193.503/SP – Pleno
– Rel. Min. Carlos Velloso – DJU 1 24.08.2007)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 114


Outra posição do TST 2008
AGRAVO DE INSTRUMENTO.

LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA ATUAR COMO SUBSTITUTO PROCESSUAL DOS INTEGRANTES DA CATEGORIA. Afronta ao artigo 8º, III, da
Constituição Federal configurada, razão pela qual se dá provimento ao agravo interposto. Agravo de instrumento conhecido e provido.
RECURSO DE REVISTA.

LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA ATUAR COMO SUBSTITUTO PROCESSUAL DOS INTEGRANTES DA CATEGORIA. O artigo 872, parágrafo
único, da Consolidação das Leis do Trabalho foi recepcionado apenas em parte pela Constituição Federal de 1988. A expressão "de seus
associados" não foi recepcionada, porque incompatível com a nova ordem constitucional. O artigo 8º, III da Carta Magna autoriza a atuação
ampla do sindicato, na qualidade de substituto processual, dada a sua função institucional de defesa dos direitos e interesses individuais e
coletivos da categoria. Tem-se, portanto, que, a despeito da existência ou não de rol dos substituídos na ação originariamente ajuizada, em
se tratando de substituição processual, podem os integrantes da categoria, em qualquer tempo durante a execução, habilitar-se,
alcançando-se, inclusive, uma finalidade importante em termos de celeridade, para evitar que toda a discussão seja novamente deflagrada.
Recurso de revista conhecido e a que se dá provimento.

Processo: ED-RR - 9988600-48.2003.5.02.0900 Data de Julgamento: 07/05/2008, Relator Ministro: Lelio Bentes Corrêa, 1ª Turma, Data de
Publicação: DJ 13/06/2008.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 115


RECURSO DE REVISTA.

LEGITIMIDADE ATIVA DO SINDICATO. DEFESA DE DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS.


SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL.

A previsão contida no art. 8º, III, da Constituição Federal é no sentido de conferir aos
sindicatos a legitimação plena, a fim de defender os interesses coletivos e individuais da
categoria a qual representa, conforme determinação emanada do Supremo Tribunal
Federal. Trata-se, no presente caso, de pleito relativo a direito individual homogêneo,
decorrente da mesma origem: pagamento de salários não recebidos pelos substituídos.
Evidenciado, portanto, que o sindicato detém, na hipótese, legitimidade para atuar como
substituto processual das equipes de conferência de carga e descarga.
Recurso de revista conhecido e provido.

Processo: RR - 754791-81.2001.5.02.5555 Data de Julgamento: 04/06/2008, Relator


Ministro: Walmir Oliveira da Costa, 1ª Turma, Data de Publicação: DJ 20/06/2008.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 116


Interesse
Interesse jurídico é definido como necessidade, utilidade e
adequação do instrumento processual manejado. Assim como no
caso da legitimidade o interesse deve ser aferido em abstrato, ou
seja, de acordo com as afirmações feitas pela parte e não com
relação a ação material subjacente.

necessidade
Interesse utilidade
adequação
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 117
Interesses, individuais, individuais homogêneos,
coletivos e difusos
De acordo com o sujeito ou conjunto de sujeitos que possam obter
benefícios jurídicos da tutela jurisdicional o interesse se divide:
singular
individual
interesse homogêneo
coletivo
plurimo
difuso

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 118


Interesses difusos
CDC “Art. 81 - A defesa dos interesses e direitos dos
consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo
individualmente, ou a título coletivo.
Parágrafo único - A defesa coletiva será exercida quando se tratar
de:
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos
deste Código, os transindividuais, de natureza indivisível, de
que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por
circunstâncias de fato;”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 119


Interesses difusos
A) Pessoas indeterminadas;
B) Indivisibilidade do objeto;
C) Ligação por questões de fato.

Exemplo: Qualidade da água distribuída pela CEDAE na cidade do


Rio de Janeiro

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 120


Interesses coletivos
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos
deste Código, os transindividuais, de natureza indivisível, de
que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas
entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica
base;

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 121


Interesses coletivos
A) Pessoas determinadas;
B) Indivisibilidade do objeto;
C) Vinculo organizacional ou;
D) Identidade de relações jurídicas com o causador do dano
(afinidade)
Exemplo: Sócios de uma S/A quando de demanda versando
sobre a validade de uma assembléia;

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 122


Interesses individuais homogêneos
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim
entendidos os decorrentes de origem comum.
A) Sujeitos determinados;
B) Divisibilidade do objeto;
C) Vínculo fático (origem comum das lesões)
Exemplo: Compradores de uma série de veículos com defeitos de
produção.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 123


Interesse
Como já se falou o que liga um sujeito a outro na relação jurídica
são direitos deveres e sujeições.

O que liga os sujeitos ao objeto é o interesse.

Objetivamente interesse é igual a utilidade.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 124


Existem objetos de direito que possuem utilidade
jurídica apenas para um sujeito determinado em
exclusão dos demais.

QUANDO ISSO OCORRE ESTAMOS FRENTE A


INTERESSES INDIVIDUAIS.

Quando a utilidade do objeto diz respeito a apenas


um sujeito mas existem vários interesses
exatamente iguais, mas que a satisfação de um
não importa na satisfação de todos

ESTAMOS FRENTE A INTERESSES INDIVIDUAIS


HOMOGÊNEOS
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 125
Quando é impossível satisfazer ao interesse de
um único indivíduo sem satisfazer a vários
outros estamos frente a interesses
plurindividuais.

Quando estes indivíduos são determinados ou


determináveis temos um interesse coletivo.

Quando os beneficiados são indetermináveis


temos um interesse difuso.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 126


A diferença entre os interesses individuais e os
pluriindividuais está na DIVISBILIDADE DO
OBJETO.

Nos interesses individuais o objeto é divisível e


nos plurindividuais é indivisível.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 127


Democracia, coisa julgada e interesses
metaindividuais
Democracia significa que minha esfera jurídica só pode ser
invadida por via de um ato no qual eu pude opinar.

Para que se preserve o princípio democrático as sentenças


proferidas em ações que envolvem interesses metaindividuais
somente produzem coisa julgada para todos os interessados se
julgadas procedente é o que chamamos de
COISA JULGADA SEGUNDO O EVENTO DA LIDE

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 128


Elementos da ação
Ocorre conexão toda vem que o objeto mediato ou a causa de pedir de duas demandas são
unos e indivisíveis.
processo
Partes
E.A demanda

causa de pedir próxima

remota

objeto mediato

imediato

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 129


Partes

Partes em sentido amplo são todos aqueles que participam do


processo (autor, réu, juiz, etc);

Em sentido estrito, as partes são dos demandados, os


demandantes e eventuais intervenientes

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 130


Pluralidade de partes

unicidade

Partes
litisconsórcio
pluralidade

intervenção de 3º

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 131


Relação jurídica
Todo direito é criado para regular as relações entre
as pessoas;

Toda relação entre pessoas regulada pelo direito é


uma relação jurídica;

Ao ingressarmos com uma ação processual criamos


uma nova relação jurídica que não se confunde
com relação de direito material deduzida na
demanda.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 132
Toda relação jurídica possui certos elementos
padrão
Sujeito = pessoa juridicamente considerada;

Objeto = primeira definição do direito “tudo o que não é sujeito


é objeto”;

Fato jurídico = é o acontecimento regulado pelo direito que liga


os demais elementos

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 133


Direitos, deveres e sujeições = elementos
internos que surgem com a relação e que
ligam os sujeitos entre si.

Lembre-se a todo direito corresponde um dever


ou uma sujeição.

Interesse = é o elo que liga os sujeitos da relação


ao objeto

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 134


Representação gráfica
A relação jurídica padrão pode ser representada pelo seguinte
gráfico:

Direitos e deveres

S1 fj S2
i
N
t
objeto

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 135


Relação jurídica padrão
(Direito material)
Em uma relação jurídica comum, a compra de um cafezinho no
bar, temos:

Sujeitos = comprador e vendedor;

Objeto = pagamento do preço e entrega do cafezinho;

Fato jurídico = conteúdo do contrato de compra e venda

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 136


Direitos: o dono do bar tem direito a receber o
preço e o comprador direito a receber o café;

Deveres: o dono do bar tem o dever de entregar


o café e o comprador dever de pagar o preço;

Interesse: como se trata de objeto que afeta só


aos envolvidos na relação estamos frente a
interesses individuais

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 137


Relação jurídica processual padrão
Sujeitos = partes e juiz;

Objeto = prestação jurisdicional e bem objeto da demanda;

Fato jurídico= demanda.

Direito = as partes tem direito a prestação jurisdicional

Dever = o estado tem o dever de prestar a jurisdição

Interesse = ditado pela demanda e seu objeto

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 138


Representação gráfica

Autor juiz Réu

objeto

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 139


Requisitos de regularidade da relação processual
Toda relação jurídica para ser válida e regular deve preencher
certos requisitos.

Com a relação processual é a mesma coisa.

Tais requisitos são conhecidos como pressupostos de


constituição e desenvolvimento válido do processo

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 140


Pressupostos processuais
partes
constituição juiz
demanda
P.P.
capacidade
desenvolvimento competência e imparcialidade
requisitos formais e materiais da demanda

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 141


Capacidade das partes
Personalidade = Aptidão genérica para contrair deveres e exercer
direitos;

Capacidade = Limitação para o exercício da personalidade;

Capacidade processual = limitação do exercício da personalidade


dentro da relação processual
Capacidade postulatória = capacidade específica de postular em juízo
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 142
Capacidade processual
- Não confundir com legitimidade;
- Legitimidade é específica e ligada a relação material deduzida em
juízo;
- Capacidade é genérica: relativa
Incapacidade
Problemas absoluta

necessidade de integração
(artigo 73 do NCPC)
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 143
Capacidade no NCPC

Art. 70. Toda pessoa que se encontre no exercício de seus


direitos tem capacidade para estar em juízo.

Art. 71. O incapaz será representado ou assistido por seus pais,


por tutor ou por curador, na forma da lei.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 144


Capacidade no Código Civil

Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os


atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos.

Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os


exercer:
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

(vide LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015, sobre a capacidade dos


deficientes)
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 145
Capacidade na CLT
Art. 402. Considera-se menor para os efeitos desta Consolidação o
trabalhador de quatorze até dezoito anos.

Art. 403. É proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de


idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos quatorze anos.

Art. 439 - É lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos salários.
Tratando-se, porém, de rescisão do contrato de trabalho, é vedado ao
menor de 18 (dezoito) anos dar, sem assistência dos seus responsáveis
legais, quitação ao empregador pelo recebimento da indenização que lhe
for devida.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 146
Integração da capacidade
Art. 73. O cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor ação que verse sobre direito real imobiliário,
salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens.
§ 1o Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação:
I - que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens;
II - resultante de fato que diga respeito a ambos os cônjuges ou de ato praticado por eles;
III - fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bem da família;
IV - que tenha por objeto o reconhecimento, a constituição ou a extinção de ônus sobre imóvel de um ou de ambos
os cônjuges.
§ 2o Nas ações possessórias, a participação do cônjuge do autor ou do réu somente é indispensável nas hipóteses
de composse ou de ato por ambos praticado.
§ 3o Aplica-se o disposto neste artigo à união estável comprovada nos autos.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 147


Capacidade postulatória

É a capacidade de postular em juízo definida no estatuto da OAB


em seu artigo primeiro.

Questão interessante reside na correlação entre a capacidade


postulatória e a condenação aos ônus da sucumbência.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 148


Honorários na JT – antes da reforma
Súmula nº 219 do TST
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO (alterada a redação do item I e acrescidos os itens IV a VI em decorrência do CPC de 2015) - Res.
204/2016, DEJT divulgado em 17, 18 e 21.03.2016
I - Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de honorários advocatícios não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a
parte, concomitantemente: a) estar assistida por sindicato da categoria profissional; b) comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do salário
mínimo ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família.
(art.14,§1º, da Lei nº 5.584/1970). (ex-OJ nº 305da SBDI-I).
II - É cabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios em ação rescisória no processo trabalhista.
III – São devidos os honorários advocatícios nas causas em que o ente sindical figure como substituto processual e nas lides que não derivem da
relação de emprego.
IV – Na ação rescisória e nas lides que não derivem de relação de emprego, a responsabilidade pelo pagamento dos honorários advocatícios da
sucumbência submete-se à disciplina do Código de Processo Civil (arts. 85, 86, 87 e 90).
V - Em caso de assistência judiciária sindical ou de substituição processual sindical, excetuados os processos em que a Fazenda Pública for parte, os
honorários advocatícios são devidos entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico
obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa (CPC de 2015, art. 85, § 2º).
VI - Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, aplicar-se-ão os percentuais específicos de honorários advocatícios contemplados no Código de
Processo Civil.
Súmula nº 329 do TST
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 133 DA CF/1988 (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
Mesmo após a promulgação da CF/1988, permanece válido o entendimento consubstanciado na Súmula nº 219 do Tribunal Superior do Trabalho.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 149
Honorários na JT – depois da reforma
Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de
5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito
econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa.
§ 1o Os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública e nas ações em que a parte estiver assistida ou
substituída pelo sindicato de sua categoria.
§ 2o Ao fixar os honorários, o juízo observará:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
§ 3o Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de sucumbência recíproca, vedada a compensação entre os
honorários
§ 4o Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos
capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e
somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor
demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se,
passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.

§ 5o São devidos honorários de sucumbência na reconvenção .


Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 150
Honorários Advocatícios NCPC
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.
§ 1o São devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de
sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos
interpostos, cumulativamente.
§ 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento
sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível
mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 151


Imparcialidade do magistrado

objetiva (garantias constitucionais)

Imparcialidade
impedimento
subjetiva

suspeição

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 152


Impedimento e suspeição
Na suspeição paira sobre o juiz a SUSPEITA de parcialidade;

Nos casos de impedimento a parcialidade é PRESUMIDA;


Disso decorrem as seguintes consequências:
Ato praticado por juiz suspeito é ANULÁVEL.
Ato praticado por juiz impedido é NULO.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 153


Como regra geral os atos anuláveis não
impugnados na primeira oportunidade
precluem, isso é, não podem mais ser
impugnados.

Já os atos nulos não são alcançados pela


preclusão podendo ser discutidos até o
esgotamento do prazo decadencial para a
propositura de ação rescisória.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 154


Competência

Comumente definida como a medida de jurisdição.

Na verdade por ser a jurisdição um poder do Estado é uno e


indivisível pelo que a divisão não é do poder ou da função mas
da massa de lides existente na sociedade.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 155


Competência absoluta e relativa
A competência relativa é aquela que se prorroga e
modifica.

Ajuizada a demanda frente a um órgão relativamente


incompetente a parte deve alegar tal incompetência
na primeira oportunidade em que falar nos autos,
SOB PENA DE PRECLUSÃO.

No caso da incompetência absoluta não há prorrogação


nem modificação e o vício pode ser alegado a
qualquer tempo em qualquer grau de jurisdição até o
transcurso do prazo para ação rescisória.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 156
Competência absoluta da Justiça do Trabalho
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração
pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
II as ações que envolvam exercício do direito de greve;
III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e
empregadores;
IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato questionado envolver matéria sujeita à
sua jurisdição;
V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o;
VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho;
VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das
relações de trabalho;
VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais,
decorrentes das sentenças que proferir;
IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 157
Prorrogação e modificação da competência
Há prorrogação da competência quanto a incompetência relativa não
é suscitada operando-se a preclusão sobre o tema.

Há modificação da competência quando duas ações devem ser


julgadas por um mesmo órgão jurisdicional afim de se evitar a
contradição entre julgados.

A modificação da competência se dá pelos fenômenos da conexão e


continência.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 158


Conexão e continência
Art. 54. A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o disposto nesta
Seção.
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir.
§ 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido
sentenciado.
§ 2o Aplica-se o disposto no caput:
I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo título executivo.
§ 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões
conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles.
Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de
pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.
Art. 57. Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo relativo à
ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente
reunidas.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 159


Elementos da ação
Ocorre conexão toda vem que o objeto mediato ou a causa de pedir de duas demandas são
unos e indivisíveis.
processo
Partes
E.A demanda

causa de pedir próxima

remota

objeto mediato

imediato

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 160


Pressupostos quanto a demanda
requisito material demanda inédita

litispendência

D.Inédita

coisa julgada material

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 161


Requisitos formais
Artigo 319 do NCPC
Art. 319. A petição inicial indicará:
I - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de
Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do
réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.
§ 1o Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências
necessárias a sua obtenção.
§ 2o A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação
do réu.
§ 3o A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais
informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 162
Requisitos formais – 840 CLT
Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal.
§ 1o Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do
juízo(319,I), a qualificação das partes (319,II), a breve exposição dos fatos
de que resulte o dissídio (319,III), o pedido (319,IV), que deverá ser certo,
determinado e com indicação de seu valor (319,V), a data e a assinatura do
reclamante ou de seu representante.
§ 2o Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em duas vias datadas
e assinadas pelo escrivão ou secretário, observado, no que couber, o
disposto no § 1o deste artigo.
§ 3o Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1o deste artigo serão
julgados extintos sem resolução do mérito (321 NCPC)
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 163
Emenda da Inicial – Artigo 321 do NCPC
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os
requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e
irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito,
determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende
ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido
ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz
indeferirá a petição inicial.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 164


O pedido
Como já visto, pela teoria da substanciação, o pedido se divide
em dois:

imediato (prestação jurisdicional)


Pedido

mediato (bem que se quer obter)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 165


Importância do pedido
No sistema processual brasileiro o julgador está adstrito ao pedido, é o que se
chama de princípio da congruência.

Art. 490. O juiz resolverá o mérito acolhendo ou rejeitando, no todo ou em


parte, os pedidos formulados pelas partes.

Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida,


bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto
diverso do que lhe foi demandado.
Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação
jurídica condicional.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 166


Pedido, contraditório e ampla defesa
Por outro lado o réu somente poderá exercer seus direitos a ampla
defesa e ao contraditório se souber exatamente o que é pedido. Por
isso o parágrafo único do artigo 330 do NCPC determina os motivos
do indeferimento da inicial por inépcia:
§ 1o Considera-se inepta a petição inicial quando:
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que
se permite o pedido genérico;
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 167


Requisitos do pedido
O cpc determina quais são os requisitos e os tipos de pedidos possíveis.
certo (objeto imediato)

Requisitos
determinado (objeto mediato)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 168


Pedido genérico
São três e apenas três as situações em que o pedido pode ser genérico:

I – quando o objeto mediato for uma universalidade;


II- quando o dano produzir efeitos futuros;
III- quando a fixação do objeto mediato depender de ato do réu.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 169


Tipos de pedidos
simples
único alternativo

Pedidos subjetiva (litisconsórcio)


cumulado simples
objetiva alternativa
sucessiva (subsidiária)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 170


Cumulação subjetiva
Algumas vezes teremos vários sujeitos em um ou em ambos os pólos
da relação jurídica processual.

Essa cumulação de ações pelos sujeitos denominamos CUMULAÇÃO


SUBJETIVA em oposição a CUMULAÇÃO OBJETIVA.

A cumulação subjetiva se manifesta por via do litisconsórcio e da


intervenção de terceiros

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 171


Litisconsórcio
Artigos 113 à 118 e 229 do NCPC
ativo
pólo passivo
recíproco
Litis necessário
obrigatoriedade
facultativo
simples
efeitos

unitário

tempo inicial

superveniênte

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 172


Hipótese de litisconsórcio
Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo
processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações
relativamente à lide;
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa
de pedir;
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou
de direito.
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao
número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação
de sentença ou na execução, quando este comprometer a
rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o
cumprimento da sentença.
§ 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para
manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da
decisão que o solucionar..
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 173
I- entre elas houver comunhão de direitos ou de
obrigações relativamente à lide

Trata-se de hipótese de comunhão de direitos ou deveres


na esfera do direito material.

Pro exemplo : Condôminos em relação ao condomínio;


Herdeiros em relação ao espólio.

Estamos sempre frente a casos de litisconsórcio necessário


unitário tendo em vista a indivisibilidade observada no
direito material

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 174


II - entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de
pedir;

Litisconsórcio facultativo próprio é aquele que decorre da conexão de


causas.

Conexão há quando temos o mesmo objeto mediato a mesma causa de


pedir próxima ou a mesma causa de pedir remota.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 175


Conexão pela causa de pedir

remota (fato jurídico – fundamento jurídico do pedido)

Causa de pedir

próxima (lesão ou resistência - fato)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 176


lesão

D. Subjetivo (SS) pretensão

fato jurídico Dever Jurídico obrigação

Direito Direito Subjetivo resistência


Objetivo

Direito Potestativo

Sujeição
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 177
Exemplos
João move reclamação, pelo rito ordinário face à empresa xxx.
Alega em sua inicial que trabalhou de 01/03/2005 até 05/10/2016,
data em que seu contrato foi resilido por seu empregador;

Por conta do contrato da existência do contrato de trabalho João faz jus


ao recebimento de verbas rescisórias (causa de pedir remota);

Tais verbas não foram quitadas no tempo devido (causa de pedir


próxima)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 178


Outro exemplo
A empresa xxxx ajuíza inquérito judicial para apuração de falta grave contra
Pedro, dirigente sindical, alegando que:
1- Pedro é empregado da empresa;
2- Pedro goza de estabilidade em decorrência do exercício de seu mandado
sindical;
3- Pedro adotou comportamento incompatível com a função que exerce
(ficou nu no hall de elevadores);
4- O comportamento de Pedro é ensejador de justa causa (causa remota);
5- Em casos de estabilidade o empregado só pode ser dispensado por falta
grave mediante inquérito judicial (resistência legal ao exercício do direito
potestativo – causa póroxima)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 179


III - ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de
direito.

Temos a afinidade sempre que os elementos da ação (objeto mediato, causa


de pedir próxima ou causa de pedir remota) são iguais mas não são o
mesmo.

O critério prático é o seguinte, a solução do problema de um soluciona o dos


demais?

Se a resposta for não e os elementos forem iguais estamos frente ao caso de


afinidade.

O exemplo típico se verifica no caso dos interesses individuais homogêneos.


Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 180
Litisconsórcio necessário
O litisconsórcio é necessário sempre que houver determinação legal
para sua formação. Isso se dá em duas situações:
unitário
LN
simples (outras determinações legais)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 181


Litisconsórcio facultativo
O litisconsórcio facultativo, por oposição ao necessário, é aquele cuja
formação fica à critério das partes.
conexão

LF
afinidade

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 182


Efeitos do litisconsórcio
Prazos: “Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos,
terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal,
independentemente de requerimento.
§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por apenas um
deles.
§ 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.

Preclusão litis. simples: Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa,
como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não
prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar.

Preclusão litis.unitário: “Art. 1.005. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se
distintos ou opostos os seus interesses.
Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros
quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns.”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 183


Hipóteses de litisconsórcio no Processo do
trabalho
Simples – Ativo -842 da CLT - Art. 842 - Sendo várias as reclamações e
havendo identidade de matéria, poderão ser acumuladas num só
processo, se se tratar de empregados da mesma empresa ou
estabelecimento.

Litisconsórcio passivo = Grupo empresarial e teoria do empregador


único.

Litisconsórcio necessário = Ação rescisória e mandado de segurança

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 184


Litisconsórcio em ação rescisória
Súmula 406 do TST
I - O litisconsórcio, na ação rescisória, é necessário em relação ao polo
passivo da demanda, porque supõe uma comunidade de direitos ou de
obrigações que não admite solução díspar para os litisconsortes, em
face da indivisibilidade do objeto. Já em relação ao polo ativo, o
litisconsórcio é facultativo, uma vez que a aglutinação de autores se faz
por conveniência e não pela necessidade decorrente da natureza do
litígio, pois não se pode condicionar o exercício do direito individual de
um dos litigantes no processo originário à anuência dos demais para
retomar a lide. Ou seja, devem integrar o contraditório, todos aqueles
que eram partes no feito anterior, ao ser proferida a sentença
rescindenda.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 185
Prazo e litisconsórcio na Justiça do Trabalho

OJ 310 TST. LITISCONSORTES. PROCURADORES DISTINTOS. PRAZO EM


DOBRO. art. 229, caput e §§ 1º e 2º, do CPC de 2015. ART. 191 DO CPC
de 1973. INAPLICÁVEL AO PROCESSO DO TRABALHO (atualizada em
decorrência do CPC de 2015) – Res. 208/2016, DEJT divulgado em 22,
25 e 26.04.2016

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 186


Depósito recursal e litisconsórcio na Justiça
do Trabalho

Súmula 128, III do TST:

III - Havendo condenação solidária de duas ou mais empresas, o


depósito recursal efetuado por uma delas aproveita as demais, quando
a empresa que efetuou o depósito não pleiteia sua exclusão da lide.
(ex-OJ nº 190 da SBDI-1 - inserida em 08.11.2000)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 187


Intervenção de terceiros
Terceiro é aquele que não é demandante nem demandado (quem pede
ou em face de quem se pede) no processo principal mas mesmo
assim dele participa. Pode exercer duas posições:
1- Auxiliar de uma das partes;
2- Antagonista de uma ou ambas as partes.

Essas posições podem ser ocupadas de forma voluntária ou provocada.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 188


Intervenção de terceiros
assistência simples prob
voluntária I.L.A. Exec.
recurso do terceiro
I3 amicus curia

denunciação da lide

provocada incidente de desconsideração


chamamento ao processo

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 189


Assistência
Art. 119. Pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente
interessado em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo
para assisti-la.
Parágrafo único. A assistência será admitida em qualquer procedimento e em todos os
graus de jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontre.
Art. 120. Não havendo impugnação no prazo de 15 (quinze) dias, o pedido do assistente
será deferido, salvo se for caso de rejeição liminar.
Parágrafo único. Se qualquer parte alegar que falta ao requerente interesse jurídico para
intervir, o juiz decidirá o incidente, sem suspensão do processo.

Sempre que uma relação jurídica material firmada entre a parte e um terceiro depender,
para sua validade dou eficácia, da relação jurídica objeto da demanda, estaremos frente
a um interesse jurídico indireto que justifica a intervenção do assistente.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 190


Possibilidade da assistência
A assistência pode se dar em qualquer tipo de processo, em qualquer
procedimento (menos nos JEC) e em qualquer grau de jurisdição.

Parágrafo único. A assistência será admitida em qualquer


procedimento e em todos os graus de jurisdição, recebendo o
assistente o processo no estado em que se encontre.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 191


Exemplos de assistência simples
Sublocatário consentido – demanda entre locador e locatário;

Notário – Ação de declaração de nulidade de escritura pública;

Fiador – Ação de declaração de existência/inexistência de débito entre o


credor e o devedor;

Beneficiário do encargo- Ação de nulidade de doação/testamento;

Adquirente de coisa litigiosa – nos termos do artigo 42 do cpc.


Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 192
Efeitos da assistência simples
A) Atuação do assistente é subordinada a do assistido;
B) O assistente recebe a causa no estado em que se encontra (não pode
praticar atos já preclusos);
C) O assistente suporta o ônus da sucumbência na proporção de sua
atuação;
D) O assistente pode desistir da intervenção sem a anuência das partes;
E) A assistência não impede que a parte desista;
F) Se o assistido for revel o assistente será seu substituto processual;
G) O assistente pode produzir provas;
H) O assistente NÃO PODE suscitar a exceção de incompetência.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 193


Exemplos de assistência no processo do
trabalho
1) o sócio que ingressa como assistente para ajudar a empresa;
2) a empresa do mesmo grupo econômico que assiste outra empresa
do grupo; e
3) o empregador que ingressa como assistente em ação coletiva
promovida pelo sindicato em que este figura como substituto
processual

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 194


Conteúdo, eficácia e efeitos da sentença.
A sentença é um ato processual nela existe um conteúdo que é composto por uma
declaração e pelas suas eficácias.

As eficácias são as potencialidades de produção de efeitos, em nosso ordenamento


cada sentença possui cinco eficácias em gradações diferentes.

Os efeitos são externos as sentença e são de três ordens:


a) Diretos – suportados pelas partes e pelos terceiros que de fato atuaram no
processo (executórios);
b) Reflexos – suportados pelos terceiros não intervenientes e pelos terceiros
intervenientes com atuação limitada (probatórios);
c) Anexos.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 195


Assistência Litisconsorcial ou
Intervenção litisconsorcial autônoma
“Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente
sempre que a sentença influir na relação jurídica entre ele e o
adversário do assistido.”

Em verdade quando a relação jurídica é estabelecida entre o assistente


e o ex adverso do assistido estamos frente a uma hipótese de
litisconsórcio voluntário superveniente ao qual a doutrina denomina
ILA – intervenção litisconsorcial autônoma.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 196


Recurso do terceiro prejudicado
Quem, originalmente, poderia ocupar a posição de assistente e não o faz
pode ingressar no feito na fase recursal, valendo-se do instituto do recurso
do terceiro prejudicado.

Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro
prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem
jurídica.
Parágrafo único. Cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a
decisão sobre a relação jurídica submetida à apreciação judicial atingir
direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como
substituto processual..

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 197


Denunciação à Lide
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por
qualquer das partes:
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio
foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os
direitos que da evicção lhe resultam;
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar,
em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo.
§ 1o O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a
denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não
for permitida.
§ 2o Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo
denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou
quem seja responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado
sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que eventual
direito de regresso será exercido por ação autônoma.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 198
Hipótese do inciso I
Evicção:

A) Perda da propriedade ou outro direito real em virtude de....

B) Derrota em demanda superveniente, proveniente de questão


preexistente com caráter expropriatório ou reivindicatório.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 199


Função da denunciação
A denunciação da lide deve ocorrer nos casos em que a
derrota do denunciante na demanda principal acarrete a
responsabilidade regressiva do denunciado.

Duas são as posições do denunciado:


a) Assistente simples na ação principal
b) Réu na ação de regresso.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 200


Obrigatoriedade da denunciação
Quais as conseqüências da não denunciação. São duas hipóteses:

A) A parte que não denunciou perde o direito de regresso, isso


somente ocorre no caso do inciso primeiro por determinação da lei
material (artigo 456 do CCB);
B) A parte que não denunciou perde a oportunidade processual de
exercer o direito de regresso, é o que ocorre nos demais incisos do
artigo 126.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 201


Evicção no Código Civil

Art. 456. Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o
adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qualquer
dos anteriores, quando e como lhe determinarem as leis do processo.
Parágrafo único - Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e
sendo manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar
de oferecer contestação, ou usar de recursos.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 202


Quem pode ou deve denunciar
A denunciação pode ser feita tanto pelo réu quanto pelo autor da
demanda principal.

É facultada uma denunciações sucessivas.

Não é possível a denunciação da lide quando se trata de “tipos”


distintos de responsabilidade (subjetiva x objetiva).

É vedada a denunciação em matéria de direito do consumidor.


Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 203
“CDC Art. 88 - Na hipótese do artigo 13, parágrafo único deste Código, a ação de
regresso poderá ser ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade
de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide.”

2008.002.13415 - AGRAVO DE INSTRUMENTO - 1ª Ementa DES. HELDA LIMA


MEIRELES - Julgamento: 13/05/2008 - DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL
Agravo de instrumento. Ação indenizatória. Decisão saneadora que indefere o
pedido de denunciação à lide, tendo em vista o disposto no artigo 280 do CPC,
artigo 88 do CDC e o princípio da celeridade processual inerente ao
procedimento sumário. A decisão agravada limitou-se a indeferir a denunciação,
forte na Súmula nº 92 deste Tribunal de Justiça (Inadmissível, em qualquer
hipótese, a denunciação da lide nas ações que versem relação de consumo), e
com razão, tendo em vista o disposto no artigo 88 do CDC. A alegação de que
houve erro de terceiros não abre a via da denunciação à lide, senão acarreta,
em tese, a improcedência do pedido, ou mesmo o reconhecimento da
ilegitimidade passiva, se for o caso. Ademais, a denunciação como modalidade
de intervenção de terceiros apenas se justifica para atender aos princípios de
economia processual e celeridade, o que não ocorre no caso, onde o instituto
não se prestará para tal fim, já que ampliará o objeto da demanda, que se rege
por sua sumariedade. Aplicável o disposto no artigo 280 do CPC que
expressamente veda esta modalidade de intervenção de terceiros nas ações de
rito sumário, salvo quando fundado em contrato de seguro, o que não é o caso.
Artigo 557, caput, do CPC.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 204


2008.001.17806 - APELACAO CIVEL - 1ª Ementa DES. CARLOS
EDUARDO PASSOS - Julgamento: 30/04/2008 - SEGUNDA
CAMARA CIVEL
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. Denunciação da lide ao
agente causador do dano. Impossibilidade. Verbete nº 50, da
Súmula deste Tribunal. Agravo retido desprovido. Assalto a
trem por grupo de foliões. Policiais militares à paisana e de
folga que reagem. Ferimento de diversos passageiros e morte
de um dos policiais. Utilização de arma da corporação.
Configuração da responsabilidade prevista no art. 37, §6º, da
Constituição da República, se o servidor, embora não esteja
no exercício da função, dela se utiliza e das peculiaridades por
ela proporcionadas, age e causa dano a terceiro. Dever de
indenizar. Dano moral bem mensurado. Dano material não
comprovado. Verba honorária mantida, dado ser particular o
patrocínio. Parcial provimento do apelo

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 205


2008.001.11303 - APELACAO CIVEL - 1ª Ementa DES. MAURO DICKSTEIN - Julgamento: 29/04/2008 - DECIMA SEXTA CAMARA
CIVEL
COBRANÇA. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS ÀS VÍTIMAS DE ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO.
DIFERENÇAS ENTRE O MONTANTE PAGO E O TOTAL DAS DESPESAS APRESENTADAS PELA
AUTORA. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO EM RELAÇÃO À 1ª RÉ - FAÇA TURISMO S/A.
IMPROCEDÊNCIA NO QUE CONCERNE À 2ª RÉ - SEGURADORA. DENUNCIAÇÃO DA LIDE
PARCIALMENTE PROCEDENTE, CONDENANDO ESTA ÚLTIMA A REEMBOLSAR A EMPRESA
SEGURADA, ATÉ O LIMITE DE R$ 1.012,64. APELAÇÕES. DESPROVIMENTO DO APELO DA
AUTORA, PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO DA 1º RÉ. CONTROVÉRSIA INEXISTENTE
SOBRE O ATENDIMENTO MÉDICO-HOSPITALAR. NOTAS FISCAIS COM O DETALHAMENTO
DAS DESPESAS QUE FORAM ANEXADAS À INICIAL. DEFESA QUE NÃO IMPUGNOU,
ESPECIFICADAMENTE, A SUA NATUREZA, ÔNUS QUE COMPETIA À RÉ, NOS TERMOS DO
ART. 302, DO C.P.C. CONDUTA QUE CONFIRMA O RECONHECIMENTO DA OBRIGAÇÃO, NA
MEDIDA EM QUE, A 1ª RÉ, INICIALMENTE, PAGOU, VOLUNTARIAMENTE, EM MAIOR
PARTE, OS VALORES APRESENTADOS E COBRADOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO
OPORTUNA E DA PRODUÇÃO DE PROVA PELA PARTE RÉ, ESPECIALMENTE A PERICIAL, DE
MODO A AFASTAR A PRESUNÇÃO QUE SE ESTABELECERA, ÔNUS QUE, ÀQUELA ALTURA SE
INVERTERA, NÃO SÓ PELO RECONHECIMENTO PREEXISTENTE DA OBRIGAÇÃO, PELA FALTA
DE CONTESTAÇÃO OPORTUNA, MAS, IGUALMENTE, POR FORÇA DO DISPOSTO NO ART.
333, II, DO C.P.C. SEGURADORA LITISDENUNCIADA QUE DEVERÁ RESPONDER NOS
TERMOS DA APÓLICE CONTRATADA. LIMITE MÁXIMO DA INDENIZAÇÃO NO MONTANTE
DE R$ 1.200.773,00. CONTRATO DE SEGURO QUE NÃO PREVÊ EM SUAS CLÁUSULAS
QUALQUER MENÇÃO A LIMITE INDENIZÁVEL, POR PASSAGEIRO. SEGURO CONTRATADO
COMO UM TODO. CORRETA A IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO EM RELAÇÃO À 2ª RÉ
SEGURADORA, POIS, INEXISTE RELAÇÃO JURÍDICA DIRETA ENTRE ESTA E A AUTORA,
INTEGRANDO A LIDE POR FORÇA DO CONTRATO DE SEGURO CELEBRADO COM A
EMPRESA SEGURADA, DONDE A SUA QUALIDADE NO FEITO DE LITISDENUNCIADA.
RECURSOS CONHECIDOS. DESPROVIDO O DA AUTORA, PROVIDO, EM PARTE, O DA 1ª RÉ.
REFORMA PARCIAL, MANTIDA, NO MAIS, A SENTENÇA.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 206


Denunciação da lide no processo do trabalho
DENUNCIAÇÃO À LIDE – O indeferimento da denunciação à lide não induz à nulidade do
processo, pois, a rigor, falece competência ao juízo trabalhista para decidir questão entre
pessoas jurídicas e sobre matéria estranha à relação de emprego." (ACÓRDÃO Nº
24.431/99 - 3ª TURMA - RO Nº 34.02.99.0204-50 - Relator(a): Juiz(a) JOSÉ JOAQUIM DE
ALMEIDA NETTO).

“Semelhante diretriz, é forçoso convir, justificava-se sob a égide da redação originária do


art. 114 da Constituição Federal de 1988, que essencialmente vincava a competência
material da Justiça do Trabalho à lide entre ‘trabalhadores e empregadores’. Sucede,
todavia, que o artigo 114, inciso I, da Constituição Federal de 1988, com redação que lhe
foi outorgada pela Emenda Constitucional n° 45/04, passou a atribuir à Justiça do Trabalho
competência para processar e julgar: ‘as ações oriundas da relação de trabalho’.
Desapareceu, pois, a vinculação estrita e clássica da competência material da Justiça do
Trabalho à lide exclusivamente entre ‘trabalhadores e em pregadores’. Logo, a rigor, não há
mais sustentação legal para se descartar de plano a compatibilidade da denunciação da
lide com o processo do trabalho.”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 207


Chamamento ao processo
Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I - do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II - dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento
da dívida comum.
Art. 131. A citação daqueles que devam figurar em litisconsórcio passivo será requerida pelo
réu na contestação e deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem
efeito o chamamento.
Parágrafo único. Se o chamado residir em outra comarca, seção ou subseção judiciárias, ou em
lugar incerto, o prazo será de 2 (dois) meses.
Art. 132. A sentença de procedência valerá como título executivo em favor do réu que
satisfizer a dívida, a fim de que possa exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou, de cada
um dos codevedores, a sua quota, na proporção que lhes tocar.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 208


Responsabilidade subsidiária x solidária
Toda obrigação se divide em dois elementos:

dever de prestar
Obrigação

responsabilidade
(= vínculo patrimonial)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 209


Na maioria dos casos o débito e a responsabilidade são
pessoais correlatos e recíprocos.

Há casos de obrigações múltiplas ou plurais (com mais


de um credor ou mais de um devedor)
simples
Obrigação
conjunta
plural subsidiária comum
solidária cambial

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 210


A) Conjunta – cada devedor responde somente pela sua
parte e não tem direito de regresso contra os demais;
B) Subsidiária – um devedor responde apenas no caso de
inadimplência do outro e tem contra esse direito de
regresso;
C) Solidária – cada devedor responde, de forma principal e
não subsidiária, pela totalidade do débito e tem direito
de regresso parcial ou total dependendo se a
solidariedade é comum ou cambial

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 211


Chamamento no processo do trabalho
Terceirização. Integração de terceiro à lide. O processo trabalhista necessita
de uma figura própria para a superação de uma dificuldade que lhe é
específica: a de aproveitar o mesmo processo, embora movido
eventualmente contra parte ilegítima, para solucionar a questão trabalhista
que deveria ser postulada contra o verdadeiro empregador. Ao Juiz do
Trabalho cabe, afastando-se do rigorismo que é peculiar ao processo civil,
solucionar a questão ordenando a integração da empresa apontada pela
reclamada ao processo, como é cediço na prática, atendendo assim ao
princípio da economia e celeridade processuais, nele encontrando o seu
fundamento, além de prevenir eventuais prejuízos insuperáveis ao autor.”
(Processo 02970003940/1997, acórdão 02970654444, da 8ª Turma do
TRT/SP, Rel. Juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva, j. 17.11.1997).

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 212


Incidente de desconsideração da PJ
Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do
Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
§ 1o O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os pressupostos previstos em lei.
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da personalidade jurídica.
Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no
cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial.
§ 1o A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para as anotações devidas.
§ 2o Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for requerida na
petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
§ 3o A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2o.
§ 4o O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais específicos para
desconsideração da personalidade jurídica.
Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e requerer as
provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.
Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão interlocutória.
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno.
Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida em fraude de
execução, será ineficaz em relação ao requerente.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 213
Patrimônio
Não há pessoa sem patrimônio. No entanto esse pode
ser negativo.

O patrimônio é o conjunto de bens e direitos afetados a


uma pessoa.

O conceito de patrimônio não se confunde com a


titularidade desse ou daquele direito ou obrigação.

Podemos afirmar que o patrimônio funciona como uma


“bolsa” que pode estar cheia ou vazia, mas que não se
confunde com seu conteúdo.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 214
Responsabilidade patrimonial
A obrigação se divide em dois aspectos:
débito
Obrigação
responsabilidade

Onde débito é o dever de efetuar alguma prestação e responsabilidade


é o vínculo que há entre o desatendimento do débito e o patrimônio
do obrigado.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 215


Pessoas jurídicas e características da
personalidade
A pessoa jurídica, assim como a física, possui as características
mencionadas, não se confundindo com a personalidade de seus
sócios
Assim toda pessoa jurídica:
A) é titular de seus deveres e direitos;
B) deve defende-los em nome próprio;
C) Responde com seu patrimônio por suas obrigações.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 216


Responsabilidade dos sócios

Dependendo do tipo societário adotado a responsabilidade dos sócios


pode ser limitada a integralização do capital social ou ilimitada.

Seja limitada ou ilimitada a responsabilidade dos sócios por obrigações


contraídas pela sociedade é sempre SUBSIDIÁRIA.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 217


Obrigações conjuntas: são aquelas em que cada titular é
beneficiário ou responsável apenas por sua parte na
obrigação;

Obrigações subsidiárias: são aquelas em que o patrimônio do


coobrigado somente pode ser atingido em caso de
exaurimento do patrimônio do obrigado principal;

Obrigações solidárias: são aquelas em que um dos credores ou


um dos devedores comuns responde pela totalidade do
crédito/débito, restando direito de regresso aos demais.

A SOLIDARIEDADE E A SUBSIDIARIEDADE NÃO SE PRESUMEM,


SOMENTE SE VERIFICAM POR FORÇA DE LEI OU CONTRATO.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 218
Fraude no uso da personalidade jurídica

A função principal da criação das pessoas jurídicas no mundo ocidental


foi a separação patrimonial e o não comprometimento de todo
patrimônio pessoal dos sócios em atividades de risco.

No entanto esse propósito foi desvirtuado e a separação patrimonial,


por vezes, é usada para fraudar a credores ou ocultar patrimônio.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 219


A fraude a que se refere a teoria da desconsideração é a
praticada com abuso de direito.

Como é sabido todo direito é criado no ordenamento para


atingir a uma finalidade social e econômica específica.
Quando esse direito é usado para lesar outrem.

Em nosso direito o abuso de direito está definido no artigo


187 do CCB

“Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito


que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé
ou pelos bons costumes.”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 220


Exemplo 1
João, dono de 5 kombis, firma com Pedro um contrato de
sociedade por quotas de responsabilidade limitada cujo objeto é
o transporte de cargas.

Ao invés de integralizar sua parte no capital social transferindo os


veículos para a nova sociedade João “vende” as kombis para
reservando para si o domínio resolúvel das mesmas mediante a
instituição de uma alienação fiduciária em garantia.

Após dois anos de operação a sociedade fracassa e é requerida sua


falência.

Como João é credor beneficiado pela alienação fiduciária em


garantia recebe a devolução de seu patrimônio antes de
qualquer outro credor.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 221
Exemplo 2
Paulo e Flávio constituem uma LTDA para explorar o transporte de
passageiros.

Em um acidente morrem vários passageiros. São ajuizadas várias demandas


de indenização contra a sociedade.

Por causa do ocorrido Paulo e Flávio se desinteressam do negócio e criam


outra sociedade, desta vez uma S/A.

Por força disso quando da execução das sentenças das ações indenizatórias
a primeira sociedade (LTDA) não possui bens suficientes para arcar com o
valor das condenações

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 222


Exemplo 3
Epitácio e sua irmã Vilma são sócios de uma LTDA.

Após a constituição desta sociedade Epitácio casa-se com Liberalina


pelo regime da comunhão parcial de bens.

Durante os 25 anos de seu casamento Epitácio não adquiriu bem


algum mas a LTDA da qual é sócio titular de 90% das quotas
amealhou um patrimônio considerável.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 223


Pontos em comum

Elementos comuns aos exemplos:

a) Operações perfeitamente legais;


b) Intenção de lesar a terceiros;
c) Efetiva lesão a terceiros;
d) Impossibilidade da lesão se a PJ não existisse.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 224


Desconsideração da PJ
e outras formas de responsabilização

No direito brasileiro a desconsideração da pessoa jurídica tem


sua primeira aparição legislativa no artigo 28 do CDC:

Art. 28 - O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica


da sociedade quando, em detrimento do consumidor,
houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei,
fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato
social. A desconsideração também será efetivada quando
houver falência, estado de insolvência, encerramento ou
inatividade da pessoa jurídica provocados por má
administração.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 225
Duas situações distintas

A redação do referido dispositivo legal é por demais infeliz.


Nele se misturam dois conceitos diversos.
A) O abuso de direito quanto a separação patrimonial (verdadeiro
escopo da desconsideração);
B) Ato ilícito ou ilegítimo do sócio administrador que, por si só, já
acarretariam sua responsabilidade pessoal independentemente da
desconsideração.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 226


Hipótese do parágrafo 5

Outra redação infeliz é a do parágrafo 5 do mesmo artigo 28 do CDC


que está assim redigido:
§ 5º - Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre
que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 227


Confusão teórica

Existem duas teorias para justificar a autonomia patrimonial das pj:


A) Teoria dos créditos negociáveis;

B) Teoria dos riscos sociais.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 228


Teoria dos créditos negociáveis
(ou teoria radical)
Segundo essa teoria quem contrata com uma pessoa jurídica sabe que a
responsabilidade patrimonial pelas obrigações avençadas se esgotará nos
limites do patrimônio da PJ por isso deve suportar as perdas decorrentes
da insuficiência patrimonial da pj sem invadir a esfera jurídica de seus
sócios. São os chamados créditos negociáveis

No entanto há certas relações em que aos credores da pj não é dado


negociar uma garantia maior, ou mesmo não há opção de contratar ou não.
São os chamados créditos não negociáveis.

Segundo a teoria radical sempre que um crédito não negociável tiver sua
satisfação frustrada será legitimo o atingimento do patrimônio dos sócios

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 229


Teoria dos riscos sociais.
Segundo essa teoria os empreendimentos somente serão possíveis e desejados se os
riscos forem limitados.

Isso quer dizer que ninguém, em sã consciência, aceita arriscar todos os seus bens e
direitos em uma empreitada de risco (qualquer negócio).

Como é desejo da sociedade que os empreendimentos ocorram todos devem suportar os


riscos decorrentes da autonomia patrimonial da PJ.

Segundo essa teoria a desconsideração somente poderia ocorrer em caso de abuso de


direito.

ESSA É A TEORIA PREVALENTE EM NOSSO ORDENAMENTO.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 230


Desconsideração da Pj do CCB de 2002
O código civil de 2002 se filia, claramente a teoria do risco social. Traz,
no entanto, para o ordenamento pátrio um parâmetro objetivo do
que será considerado abuso de direito:

“Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado


pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz
decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe
couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos
administradores ou sócios da pessoa jurídica.”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 231


Desconsideração no direito tributário
Não há, no direito tributário, regra específica que consagre a desconsideração
da PJ.

O que temos é a responsabilidade do administrador nos casos


especificamente previstos no artigo 135 do CTN:

“Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a


obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de
poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos
III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito
privado.”
Como se vê a responsabilidade dos sócios ou administradores se dá por ato
próprio e não por abuso da personalidade jurídica.

Aquele que age de forma ilícita responde pelo ilícito praticado.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 232


Desconsideração da PJ responsabilidade dos sócios e o
devido processo legal
Como para a desconsideração da personalidade jurídica e para a
responsabilização dos sócios devem concorrer certos requisitos que
não se presumem (lembre-se a boa-fé é presumida não a fraude) se
faz necessária a alegação discussão e prova da ocorrência destes
elementos em processo de natureza cognitiva com a ampla admissão
de todos os meios de prova.

Não se deve admitir o redirecionamento automático da execução para


os bens particulares dos sócios frente a mera inadimplência da
sociedade.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 233


Entendimento do STJ
03/04/2008 Data da Publicação/Fonte DJ 23.04.2008 p. 1 Ementa
TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO PARA SÓCIO-GERENTE.
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. POSSIBILIDADE. FALTA DE PAGAMENTO DE
TRIBUTO. NÃO-CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS
SÓCIOS. INCIDÊNCIA DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
1. A possibilidade de verificação de plano, sem necessidade de dilação
probatória, delimita as matérias passíveis de serem deduzidas na exceção
de pré-executividade, independentemente da garantia do juízo. Precedentes.
2. Não basta o simples inadimplemento e a falta de bens penhoráveis no
patrimônio da sociedade devedora para autorizar o redirecionamento da
execução fiscal ao sócio-gerente da empresa executada. Entendimento
sedimentado no STJ.
3. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que é
cabível a condenação em honorários advocatícios na hipótese de
acolhimento de exceção de pré-executividade. A orientação se aplica à
Fazenda Pública, na execução fiscal, observado o disposto no § 4º do art. 20
do CPC.
4. Recurso especial do INSS improvido. Recurso especial do sócio-gerente da
empresa executada provido. Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 234
As aberrações da justiça do trabalho
Não sei se por presunção, desejo de legislar ou mera falta de
competência técnica a justiça do trabalho vem se utilizando da teoria
da desconsideração da pessoa jurídica para praticar as maiores
ilegalidades contra sócios, ex sócios, contadores, advogados.

Em suma para o nosso judiciário trabalhista basta que o sujeito de


direito tenha tido contato jurídico com determinada pessoa jurídica,
dela não seja empregado e possua bens, para que tenha seu
patrimônio pessoal constrito para o pagamento de dívidas
trabalhistas.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 235


“Em sede de Direito do Trabalho, em que os créditos
trabalhistas não podem ficar a descoberto, vem-se
abrindo uma exceção ao princípio da
responsabilidade limitada do sócio, ao se aplicar a
teoria da desconsideração da personalidade jurídica
("disregard of legal entity") para que o empregado
possa, verificando a insuficiência do patrimônio
societário, sujeitar à execução os bens do sócio
individualmente considerados, porém solidária e
ilimitadamente, até o pagamento integral dos
créditos dos empregados, visando impedir a
consumação de fraudes e abusos de direito (TST,
ROAR n° 545348, SBDI 2; rel. Min. Ronaldo José Lopes
Leal; DJU: 14.05.2001)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 236


A teoria da desconsideração da personalidade jurídica e
o princípio segundo o qual a alteração da estrutura
jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos
por seus empregados, consagrados no art. 10 da CLT,
autoriza o juiz a responsabilizar qualquer dos sócios
pelo pagamento da dívida, na hipótese de
insuficiência do patrimônio da sociedade, além de
que a jurisprudência desta Corte Superior, assentada,
em tais teoria e princípio, é no sentido de que, se a
retirada do sócio da sociedade comercial se verificou
após o ajuizamento da ação, pode ser ele
responsabilizado pela dívida, utilizando-se para isso
seus bens, quando a empresa de que era sócio não
possui patrimônio suficiente para fazer face à
execução sofrida (TRT, 11ª Região; AP 567/2001; rel.
Juiz António Carlos Marinho Bezerra; J. 05.03.2002)
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 237
Delimitação da Responsabilidade dos Sócios
na Reforma Trabalhista
Art. 10-A. O sócio retirante responde subsidiariamente pelas obrigações
trabalhistas da sociedade relativas ao período em que figurou como sócio,
somente em ações ajuizadas até dois anos depois de averbada a modificação
do contrato, observada a seguinte ordem de preferência:
I - a empresa devedora;
II - os sócios atuais; e
III - os sócios retirantes
Parágrafo único. O sócio retirante responderá solidariamente com os demais
quando ficar comprovada fraude na alteração societária decorrente da
modificação do contrato.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 238


Incidente de desconsideração da PJ no
Processo do Trabalho
Art. 855-A. Aplica-se ao processo do trabalho o incidente de desconsideração da
personalidade jurídica previsto nos arts. 133 a 137 da Lei no 13.105, de 16 de
março de 2015 - Código de Processo Civil.
§ 1o Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente:
I - na fase de cognição, não cabe recurso de imediato, na forma do § 1o do art. 893
desta Consolidação;
II - na fase de execução, cabe agravo de petição, independentemente de garantia
do juízo;
III - cabe agravo interno se proferida pelo relator em incidente instaurado
originariamente no tribunal.
§ 2o A instauração do incidente suspenderá o processo, sem prejuízo de concessão
da tutela de urgência de natureza cautelar de que trata o art. 301 da Lei no 13.105,
de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil) (Incluído pela Lei nº 13.467, de
2017)
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 239
Invalidade dos atos processuais

Diferente dos atos jurídicos de direito material os atos


processuais, em geral, não são acometidos de vícios de
conhecimento.

Os vícios são em sua grande maioria de forma, competência e


capacidade.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 240


Princípios das invalidades processuais
1- Princípio da instrumentalidade das formas:
Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará
válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade

2- Princípio do prejuízo:
Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e
ordenará as providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou
retificados.
§ 1o O ato não será repetido nem sua falta será suprida quando não
prejudicar a parte.
§ 2o Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a
decretação da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o
ato ou suprir-lhe a falta..

3- Princípio do interesse:
Art.276. Quando a lei prescrever determinada forma sob pena de nulidade, a
decretação desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 241


Tipologia das cominações
São três as hipótese
a lei não prescreve forma

Invalidades a lei prescreve mas não comina


Formais
a lei prescreve e comina

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 242


Invalidades quanto ao momento de preclusão de
sua alegação

primeira oportunidade

Preclusão trânsito em julgado

2 anos após o trânsito

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 243


Nomenclatura
Preclusão Classificação A Classificação B Classificação C

Primeira Anulabilidade irregularidade Nulidade relativa


oportunidade

Trânsito em julgado Nulidade anulabilidade Nulidade absoluta

Ação rescisória Nulidade de pleno nulidade Nulidade de pleno


direito direito

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 244


Atos nulos x atos inexistentes
existência agente
objeto
forma
Atos validade capacidade/competência
Jurídicos licitude
adequação
eficácia

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 245


Atos inexistentes (efeitos)
O ato inexistente não produz qualquer efeito, jamais se
convalida e a alegação da inexistência NUNCA prescreve ou
preclui.

Pode sempre ser invocado pela via da

“QUERELLA NULLITATIS INSANABILIS”

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 246


Resposta do réu
Ao ser regularmente citado o réu pode adotar três
comportamentos:

comparece e se defende
Cr
comparece e contra-ataca

não comparece

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 247


Defesa
A defesa do réu pode se dirigir contra a relação processual ou contra a
relação de direito material.

A defesa processual se acolhida pode causar a extinção do processo (485) ou


o retardamento de seu curso (340: I, II, III, VIII, XII e XIII).

A defesa de mérito pode se limitar a negar o fato constitutivo do direito do


autor ou as conseqüências jurídicas a ele atribuídas (defesa direta); ou
confirmar o fato constitutivo mas a ele opor outro que seja impeditivo,
modificativo ou extintivo (defesa indireta de mérito ou exceção
substancial) (350 do CPC).

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 248


Defesa
peremptória
processual
dilatória
Defesa

direita
mérito
indireta

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 249


Forma da contestação

escrita

Contestação
847 da CLT
oral
30 da LJEC

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 250


Reação do réu
O réu além de contestar pode formular, nos mesmos autos, uma
outra demanda em face do autor.

Isso se dá por via de dois institutos:


reconvenção
D.R.
pedido contraposto

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 251


Reconvenção

Comunidade de material probatório

Requisitos adequação procedimental

competência do juízo (absoluta)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 252


Reconvenção x pedido contraposto
A diferença entre a reconvenção e o pedido contraposto está na amplitude de
sua admissão.

Na reconvenção se admite a apreciação de novos fatos aproveitando-se a


prova já produzida.

O pedido contraposto se limita a outras conseqüências jurídicas decorrentes


dos mesmos fatos alegados na inicial.

Além disso se admite reconvenção da reconvenção, não se admite pedido


contraposto de pedido contraposto.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 253


Contumácia
Contumácia é omissão da parte quanto a prática de certo ato
processual.

A contumácia pode ser do autor ou do réu.

A contumácia do réu ao contestar dá-se o nome de revelia.

Revelia é a ausência de contestação.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 254


Revelia e confissão
Revelia é ausência de contestação no prazo e forma
legal.

Confissão é a confirmação ou não impugnação dos


fatos alegados pelo autor na petição inicial.

Confissão e revelia não são sinônimos.

A confissão é apenas um dos efeitos da revelia.

Pode ocorrer revelia sem confissão e confissão sem


revelia.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 255
Revelia e confissão na reforma trabalhista
Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e
o não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato.
§ 1o Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência
§ 2o Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas
na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar,
no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável
§ 3o O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição para a propositura de nova demanda.
§ 4o A revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se:
I - havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova
do ato
IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição
com prova constante dos autos.
§ 5o Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 256
os documentos eventualmente apresentados.
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344
se:
I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento
que a lei considere indispensável à prova do ato;
IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem
inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante
dos autos.
Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos
autos fluirão da data de publicação do ato decisório no órgão
oficial. Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 257
Ônus de contestação específica
Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato
constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se:

I - não for admissível, a seu respeito, a confissão;

II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da


substância do ato;

III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.

Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor
público, ao advogado dativo e ao curador especial.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 258


Tutela provisória
A tutela provisória consiste em um provimento de natureza satisfativa ou cautelar que pode ser
modificado até a prolação da sentença.

O provimento cautelar tem por objetivo a proteção do objeto mediato da demanda para com
isso garantir a eficácia do provimento jurisdicional.

Já a antecipação satisfativa não assegura, satisfaz o objeto mediato da demanda.

A tutela provisória satisfativa pode ser concedida por motivo de urgência ou evidência.

Pode ser antecedente ou incidente.

Por força da semelhança entre os institutos o direito brasileiro admite a fungibilidade entre
ambos. (artigos 300 à 311 do NCPC)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 259


Tutela provisória
satisfativa
urgência
cautelar
Tutela abuso
Provisória evidência
prova/direito

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 260


Requisitos da tutela de urgência
Requisitos comuns:
- Verossimilhança (fumus boni iuris);
- Perigo da demora (periculum in mora);
- Ausência de perigo inverso (periculum in mora inverso).
Diferenças entre cautelar e medida satisfativa: o objeto da
medida cautelar é a proteção da eficácia da decisão definitiva
que será proferida em outro processo.
Já a tutela satisfativa de urgência visa a proteção do direito da
parte
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 261
Tempo da tutela antecipada

incidente

Tempo
cautelar (305/310)
antecedente
satisfativa (303/304)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 262


Provas
As provas são os instrumentos pelos quais as partes buscam organizar
seu discurso argumentativo.

O direito não se funda em uma lógica demonstrativa inevitável, mas


sim em uma lógica argumentativa, onde, por via do discurso,
tentamos convencer nossos interlocutores a aderirem ao nosso
ponto de vista.

Todo e qualquer discurso é imbuído de um juízo de valor e busca a


adesão dos interlocutores.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 263


Em cada palavra ou frase que pronunciamos ou
escrevemos está embutido o valor ético que
damos aquela situação:

“Maria completou dezoito primaveras.”


“Maria completou dezoito invernos.”

O fato é o mesmo Maria tem 18 anos, no


entanto a forma como ele é enunciado suscita
no interlocutor um juízo de valor distinto.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 264


O mesmo se passa com o discurso jurídico.

Nos sabemos que o direito se aplica, basicamente,


por via do estabelecimento de fatos, da aplicação
das normas jurídicas sobre eles e da dedução de
uma conclusão.

O problema é que nenhuma destas operações é


inocente.

Na verdade uma vez apurada a versão dos fatos que


consta dos autos o juiz irá proferir uma decisão e,
após a decisão tomada, irá buscar fundamento
para ela no ordenamento jurídico.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 265
Assim, para o aumento da possibilidade de êxito
nas demandas judiciais são imprescindíveis
três coisas:

A) Um discurso que seja capaz de obter para o


seu ponto de vista a adesão do maior
número de pessoas (auditório universal);
B) Um conjunto de elementos (provas) capazes
de fundamentar a versão dos fatos como
afirmamos ter ocorrido;
C) O fornecimento para o julgador dos
fundamentos jurídicos para a decisão caso
esta nos seja favorável.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 266
Provas em espécie
Três são as questões que se colocam quanto a matéria prova:
o que ? (objeto da prova)

Questões quem ? (ônus da prova)

como ? (meios de prova)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 267


Objeto da prova
Objeto de prova judicial dão as
QUESTÕES DE FATO
Ou seja, os pontos de fato alegados por uma parte e contestados pela outra –
FATOS CONTROVERTIDOS -.
São também objeto de prova os fatos incontroversos a respeito dos quais não
se admite confissão. Tais fatos dizem sempre respeito a direitos
indisponíveis, ou melhor, os direitos indisponíveis sempre decorem de
fatos a respeito dos quais não se admite a confissão.

Prova de direito só há em casos excepcionais (prova da vigência de direito


municipal e estrangeiro) e, mesmo assim, à critério exclusivo do
magistrado.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 268


Ônus da prova.
O ônus da prova, em princípio, cabe a quem alega.

Esta regra será mitigada em duas situações:


presunções

MOP
inversão tópica

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 269


Presunções
Existem certas situações onde, em geral, as coisas acontecem de uma
determinada forma.
Para evitar as discussões infindáveis nos tribunais a respeito destes
pontos o legislador adotou uma série de presunções, ou seja, salvo
prova em contrário se admite que o fato ocorreu tal qual narrado.
Por uma questão de segurança nas relações jurídicas determinadas
presunções sequer admitem prova em contrário.
iure et iure
Presunções
juris tantum

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 270


Inversão do ônus da prova
Nosso direito não admite a inversão do ônus da prova como
regra, nem mesmo no âmbito do direito do consumidor.

A inversão deve ser tópica, requerida pela parte e deferida pelo


juiz.

O problema é que, com a inversão, em geral, se atribui ao réu o


ônus de uma prova negativa.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 271
Princípios do direito probatório

necessidade da prova

Princípios contradição da prova


livre
avaliação taxativa(legal)
racional

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 272


Prova ilícita

interesse preponderante

Teorias responsabilidade criminal

proibição

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 273


Meios de prova
Os meios de prova podem ser agrupados em três modalidades:
documental

Meios de prova oral

técnica

No direito brasileiro tanto a prova técnica quanto a prova oral uma


vez produzidas se tornam documentais.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 274
Ônus da prova na Reforma Trabalhista
Art. 818. O ônus da prova incumbe:
I - ao reclamante, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - ao reclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do
reclamante.
§ 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou
à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos deste artigo ou à maior facilidade de obtenção
da prova do fato contrário, poderá o juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça
por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus
que lhe foi atribuído.
§ 2o A decisão referida no § 1o deste artigo deverá ser proferida antes da abertura da instrução e, a
requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência e possibilitará provar os fatos por qualquer
meio em direito admitido.
§ 3o A decisão referida no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do
encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 275


Ato de julgar

O ato de julgar importa na escolha de uma das decisões


possíveis. Essa escolha nada possui de neutra ou técnica.

O julgador primeiro escolhe o resultado e depois busca no


ordenamento jurídico a justificativa técnica para a solução
desejada.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 276


Sentenças x Decisões interlocutórias
A diferenciação entre sentenças e decisões interlocutórias não
diz respeito ao seu conteúdo mas sim a sua função.

Sentença é o ato pelo qual o juiz encerra a fase de conhecimento


ou põe fim a relação jurídica processual.

Já a decisão interlocutória, independentemente de seu


conteúdo, não encerra a fase de conhecimento nem a RJP.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 277
Elementos das decisões judiciais
Toda decisão judicial importa na subsunção de um fato (jurídico)
a uma norma jurídica. Assim podemos afirmar que as decisões
judiciais são constituídas como um silogismo de dupla
conclusão, onde:
Premissa maior: norma
Premissa menor: fato
Conclusão 1: subsunção (conteúdo)
Conclusão 2: eficácia
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 278
Conteúdo, eficácia e efeitos das decisões judiciais
Toda decisão judicial possui um conteúdo declaratório que
consiste na conclusão obtida pela operação de subsunção do
fato à norma.

Toda decisão judicial está apta a gerar certos efeitos (tem


potencialidade para tal) a isso chamamos eficácia.

Toda decisão judicial produz efeitos para as partes, os terceiros


interessados e os terceiros indiferentes.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 279
Eficácia das decisões judiciais

Duas são às teorias:


a) Três eficácias: declaratória, constitutiva, condenatória;

b) Cinco eficácias: declaratória, constitutiva, condenatória,


executiva e mandamental.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 280


Sentenças condenatórias, executivas e
mandamentais
Condenatória: é a que implica em uma condenação que, em caso de
não cumprimento, importará no uso da atividade substitutiva
executiva do estado, seja em processo autônomo ou em outra fase
processual;
Executiva: é a executada imediatamente independentemente de
encerramento de uma fase específica do processo;
Mandamental: é a que importa em uma ordem judicial direta para
fazer ou não fazer, não se confunde com a execução específica já
que não é precedida por uma obrigação específica.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 281
Coisa julgada
A coisa julgada é um efeito anexo das sentenças.

Se divide em duas “etapas”:

Coisa julgada formal: preclusão máxima;

Coisa julgada material: efeito que torna imutável o conteúdo


declaratório da sentença

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 282


Efeitos subjetivos das sentenças
As sentenças produzem efeitos diretos para as partes e para os
terceiros indiferentes;

Produzem efeitos reflexos para os terceiros interessados que não


ingressaram no processo.

E produzem efeitos anexos estabelecidos em lei, que não


constam do pedido inicial nem tão pouco do corpo da
sentença.
Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 283
Limites subjetivos das sentenças
Todas as sentenças produzem efeitos para toda coletividade, só
podendo ser impugnadas pelos terceiros interessados que não
ingressaram na relação processual;

Com a coisa julgada se dá o mesmo. A sentença é imutável para


às partes e para os terceiros indiferentes. Só pode ser
impugnada pelos terceiros interessados que não ingressaram
na lide.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 284


Erros decisórios
Toda atividade humana está sujeita à erro, a atividade judicante não é
diferente.

O ato de julgar importa em duas operações:


1) Fixação dos fatos;
2) Estabelecimento da norma aplicável.

Essa escolha deve seguir a regramento processual, ou seja, deve


ocorrer dentro de uma forma predeterminada.

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 285


Tipos de erros de julgamento
fixação dos fatos
julgamento
(injusta) qualificação jurídica
Erros

procedimento
(inválida)

Professor Rodrigo Ribeiro Bastos 286