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CAMPANHA DA FRATERNIDADE

2018
“FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA”

“VÓS SOIS TODOS IRMÃOS”


Mt 23,8.
ORAÇÃO DA CAMPANHA:
• Deus e Pai, nós vos louvamos pelo vosso
infinito amor e vos agradecemos por ter
enviado Jesus, o Filho amado, nosso
irmão.
• Ele veio trazer paz e fraternidade a
terra, e cheio de ternura e compaixão,
sempre viveu relações repletas de perdão
e misericórdia.
• Derrama sobre nós o Espírito Santo,
para que, com o coração convertido,
acolhamos o projeto de Jesus e
sejamos construtores de uma
sociedade justa e sem violência, para
que, no mundo inteiro, cresça o vosso
Reino de liberdade, verdade e de paz.
AMÉM
INTRODUÇÃO GERAL
• Tempo de quaresma é tempo de preparação
para a Páscoa, que exige conversão e mudança
de vida (Mc 1,15).
• Passaremos pelo deserto, condição integrante
do caminho em direção à Páscoa. Não se chega
à terra prometida, terra onde corre leite e mel
(Ex 3,7-9) sem passar pelo deserto, no qual
somos chamados a morrer para o pecado, a fim
de ressurgirmos com Jesus para uma vida nova.
• A Quaresma, ao menos nos primeiros séculos
da Igreja, era o tempo em que os catecúmenos
se preparavam com mais assiduidade e
seriedade para receberem o santo Batismo; e
os já eram batizados, para renovarem suas
promessas batismais .
• A campanha da fraternidade, desde 1964, tem
como objetivo construir uma cultura da
fraternidade, apontar os princípios da justiça e
denunciar as violações contra a dignidade
humana, abrindo caminho para a solidariedade
• Até pouco tempo atrás falávamos da trilogia do
pecado: contra Deus, contra o próximo e contra
si mesmo. Há também uma violência contra
Deus, contra o próximo e contra si mesmo.
• Na reunião da Rota Romana de 2006, falou-se
também de pecados ambientais (Estamos
sendo violentos contra a natureza) e de outros
pecados modernos, como tráfico de drogas,
manipulação genética e a acomodação diante
das alarmantes desigualdades sociais. (Mons.
Gianfranco Girotta; Patriarca Bartolomeu). A
Igreja está pedindo paz para com a natureza.
• A campanha da fraternidade deste ano tem
como objetivo geral:
• “CONSTRUIR A FRATERNIDADE, PROMOVEN-
DO A CULTURA DA PAZ, DA RECONCILIAÇÃO E
DA JUSTIÇA, À LUZ DA PALAVRA DE DEUS,
COMO CAMINHO DE SUPERAÇÃO DA
VIOLÊNCIA.
• Objetivos específicos:
• Anunciar a Boa Nova da fraternidade e da
paz, estimulando ações concretas que
expressem a conversão e reconciliação no
espírito quaresmal.
• CF 2018.mp4
• Analisar as múltiplas formas de violência,
especialmente as provocadas pelo tráfico de
drogas, considerando suas causas e
consequências na sociedade brasileira.
• Identificar o alcance da violência nas realidades
urbanas e rural de nosso país, propondo
caminhos de superação, a partir do diálogo, da
misericórdia e da justiça, em sintonia com o
Ensino Social da Igreja
• Valorizar a família e a escola como espaço de
convivência fraterna, de educação para a paz e
de testemunho do amor e do perdão;

• EM RESUMO, O QUE A IGREJA ENSINA, À LUZ


DA PALAVRA DE DEUS, É QUE A VIOLÊNCIA
NUNCA DEVE SER USADA COMO RESPOSTA
JUSTA. A VIOLÊNCIA É UM MAL INACEITÁVEL. A
SOLUÇÃO DEVE SER DIGNA DO SER HUMANO.
É PRECISO BUSCAR SOLUÇÕES ALTERNATIVAS À
VIOLÊNCIA.
TEMA: A PALAVRA VIOLÊNCIA VEM DE VIS.
• (VIS = FORÇA). Bem próxima dessa mesma raiz
semântica temos o vocábulo virtus, da qual
formamos a palavra virtude, que é uma força
boa, que leva à maturidade, quando a pessoa se
torna capaz de realizar valores civis e humanos,
mesmo diante de obstáculos e dificuldades,
como dizia acordo com Cícero (106-43 aC.). Cf.
Prof. Dalmasio Mongillo, Dicionário de teologia
Moral, p. 1277). Portanto, há uma força
saudável e uma força venenosa, de virus.
• De acordo com a (OMS) “a violência se
caracteriza pelo uso intencional da força contra
si mesmo, contra outra pessoa ou contra um
grupo de pessoas. Essa violência pode resultar
em dano institucional, físico, sexual, psicológico
ou de morte” (CF 6). (Violência física e verbal).
• De acordo com o estudioso Adrian Raine há
fatores neurológicos, ambientais e genéticos
como causas de um comportamento violento.
• Os maiores males, entretanto, surgem da
violência ambiental.
• O professor de psicologia clinica Zeferino
Rocha, acrescenta que a violência cresce
quando a sociedade entra crise ética, que
atinge a política, a economia, a família etc.
Compreendendo a partir deste prisma
podemos dizer que a violência é uma
realidade de ontem, de hoje e de amanhã.
Mas se não for contida pode comprometer a
sobrevivência da humanidade
• (Síntese Revista de Filosofia, Vol. 28, n. 92,
2001, p. 303).
• O Documento de Santo Domingo fala em diversos
tipos de violência:
• Violência contra a mulher é absurda, pois ela é
quem gera, cuida e protege a vida (106). Pensamos
na violência física, mas também a violência de não
ter condições dignas de proteger a vida. A
Catecismo acrescenta ainda como gravíssima a
violência contra os pais, mais grave do que violência
contra qualquer outra pessoa (CiGC 1858).
• Violência nas relações sexuais (110): estupros,
abuso de menores e até crianças. Fere a justiça e a
caridade, o direito de cada um à liberdade, à
integridade física e moral. Mais grave ainda quando
praticada por quem deveria proteger (CiGC 2356)
(traumas).
• Violência contra os direitos dos menores, das
mulheres e dos pobres, que acontece pelo
terrorismo, opressão, assassinatos e por
condições de extrema pobreza (DSD167).
• Há Violência onde é exercida uma força contra
os mais fracos, mas há também a violência do
silêncio e da Indiferença. Tristão de Athayde ,
em 1974, falava de dois tipos silêncio: O silêncio
contemplativo, de Moisés de tantos homens e
mulheres de Deus, e o silêncio covarde,
daqueles que se torna cúmplice do mal.
• A Campanha da Fraternidade deste ano propõe a
fraternidade como remédio contra a violência.
Lema: Vós sois todos irmãos (Mt 23,8).
. Considerar todos como irmãos e irmãs é
consequência de nossa filiação em Deus (Ef 4,6).
Com muito mais força ainda esta verdade nos foi
apresentada por Jesus, o verdadeiro filho muito
amado do Pai (Mt 3,17). A consciência de filiação
comum nos remete à fraternidade.
PRIMEIRA PARTE: VER
AS MÚLTIPLAS FORMAS DE VIOLÊNCIA
N. 16-145
• Apesar das leis de proteção ao menor, à
mulher e ao idoso, que surgiram a partir de
1990, somados aos equipamentos e serviços
privados de proteção, a violência está ai.
• Quanto mais nos protegemos, mais nos
isolamos, fugimos do potencial inimigo, mas
também do amigo.
• Não basta se proteger, é preciso buscar as
causas e educar para a paz.
• Apesar de possuirmos menos de 3% da
população mundial, nosso país responde
por quase 13% dos assassinatos no
planeta. Em 2014, o Brasil chegou ao
topo ranking, considerando o número
absoluto de homicídios: 59.627 (IPEA).
• PRECISAMOS COMPREENDER A COMPLE-
XIDADE E AS RAZÕES DE TAMANHA
TRAGÉDIA HUMANA.
• Precisamos de mais segurança pública,
mas com políticas voltadas para garantir e
ampliar os direitos dos cidadãos e garantir
o funcionamento das instituições para que
a sociedade seja verdadeiramente
democrática. As próprias instituições
devem contribuir e educar para que todos
compreendam que têm direitos e deveres,
de maneira equilibrada e justa.
• O contexto social e econômico tem forçado os
países, entre eles o Brasil, a redefinir o papel
atribuído ao estado e a rediscutir projetos políticos
e de gestão dos serviços públicos. Um política de
segurança pública, principalmente na sociedade
contemporânea, deve promover a cidadania e
aumentar a solidariedade entre as pessoas.
Enclausurar deveria ser o ultimo recurso (CF 20).
Antes de tudo deveríamos promover um tipo de
segurança que pudesse contar com outros atores
sociais, além das polícias, que atuam no campo da
educação, da saúde, do esporte, da assistência
social e da cultura, entre outros, onde é possível
preparar pessoas para a cidadania. (CF 21).
• A partir destas pistas compreendemos
que normalmente, antes da violência
física e de atos violentos existem outros
tipos de violência. Há situações
estruturais de geração e perpetuação da
violência.
• Deus nos criou irmãos e não rivais.
A EXPERIÊNCIA COTIDIANA DA
VIOLÊNCIA
• Ainda gozamos da fama de país abençoado,
acolhedor, de diversidade e fartura propiciadas
pela generosidade da natureza. Ainda somos
considerados nação ordeira e pacífica, de povo
alegre e festeiro. Somos um país de muitas
raças, convivendo pacificamente;
• Mas esta imagem convive com inúmeras
contradições, a partir das estatísticas que são
elaboradas pelos institutos de pesquisas.
• Numa pesquisa realizada pela “Rede
Nossa” e pelo “IPOBE”, em São Paulo, com
crianças e adolescentes perguntaram sobre
o que eles mais temiam quanto à
segurança. Eles responderam: o roubo, o
trafico de drogas, a policia etc. Embora os
adolescentes e jovens constituam pouco
mais de ¼ da população, 58% dos
assassinatos são estão nesta faixa etária.
• No Brasil cinco pessoas são mortas por
arma de fogo a cada hora, 123 a cada dia.
• No ano de 2014 foram 40 mil assassinatos
no Brasil, quantidade maior do que a
população de muitos municípios
brasileiros;
• Há muita violência motivada pelo
preconceito, ódio de classe, de raça,
gênero, de política e até mesmo de
intolerância religiosa (CF 28).
A VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL
• A violência direta é a forma mais extrema de
agressão, mas apenas aparentemente. Ela
representa tão somente uma pequena expressão
das relações sociais violentas. A desigualdade
social é uma forma de violência pouco comentada
(Conferir ultima pesquisa) O desemprego e a fome
são consideradas como violência tão cruel quanto a
violência física. Não há violência maior do que a
fome.
• O texto base nos apresenta o exemplo da década
de 1980, com a crise econômica e o aumento da
inflação vivida naquele período (37)
OS RECENTES NÚMEROS DA
DESIGUALDADE
• No relatório mundial da desigualdade no mundo,
o Brasil aparece como um dos países em que a
desigualdade mais cresceu no ano de 2017. De 31
bilionários passamos para 43. Os seis homens
mais ricos do Brasil concentra uma riqueza igual
aos 50% mais pobres. Tudo isso têm a ver com a
mudança na politica e na economia, uma vez que
os salários dos 10% mais pobres aumentaram
durante 14 anos (2001-2014) e começaram a
diminuir com o volta do neoliberalismo (fonte
www.oxfam.com.br. (Jan/2017).
• A DESIGUALDADE SOCIAL, TUTELADA PELOS
PODERES ECONÔMICOS E POLITICOS, ESTÁ
NA ORIGEM DE MUITAS OUTRAS
VIOLÊNCIAS. A DESIGUALDADE ECONÔMICA
LEVA À DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES,
PRINCIPALMENTE PELA SUA INCIDÊNCIA NA
BAIXA OU INSUFICIENTE ESCOLARIDADE, QUE
POR SUA VEZ TENDE A OCUPAÇÕES COM
BAIXA REMUNERAÇÃO.
A CULTURA DA VIOLÊNCIA
• Por cultura da violência entendemos a
interpretação da realidade violenta que precede
aos próprios indivíduos do grupo que a
constitui. Dos mecanismos estruturais que
acabam gerando violência. Por violência
entendemos ainda as culturas que legitimam
atos violentos. Numa cultura da violência é
muito fácil elaborar discursos para justificar as
violências. Assim suavizam os atos de violências
colocando a culpa na conduta da vítima.
• Não restam dúvidas de que o tráfico de
drogas e a corrupção são duas formas
inaceitáveis de violência, mas há ainda
muitos atos violentos cometidos por
pessoas que agem pelo impulso ou por
motivos fúteis: ciúmes, desavenças entre
vizinhos, desentendimento no transito etc.
Neste contexto a reação violenta torna-se
naturalizada, como se fosse a única forma
de resolver a situação. Essa naturalização
se converte em indiferença.
• É possível que alguém de vocês já ouviu
dizer que quem foi estuprada é porque
vestia de forma imoral; o adolescente foi
agredido porque usava droga, por ser
delinquente ou marginal. Dessa maneira
entende-se a violência como benéfica para
a sociedade ou como castigo merecido.
• Mas há ainda um tipo de violência que está
ligado às relações sociais no Brasil, que
levam as pessoas a acreditarem que a
desigualdade social é coisa natural.
• Com essa maneira de compreender a
realidade social passam a entender que
alguns sujeitos sociais são naturalmente
inferiores: mulheres, jovens, idosos,
trabalhadores, negros, índios, pessoas com
diferentes orientações sexuais, imigrantes,
migrantes. Essas pessoas são as maiores
vitimas de violência.
2. A VIOLÊNCIA COMO SISTEMA NO
BRASIL
• Desde o período colonial o Brasil é violento. O
arranjo social aqui construído privilegiou certas
categorias, dando-lhes melhor tratamento em
relação às outras.
• O colonizador branco foi sempre considerado
superior ao índio e ao negro. Carregamos este
estigma até hoje.
• Maria de Fátima Novaes Pires, em sua tese de
mestrado, mostrou como o negro era o primeiro
suspeito de qualquer crime que acontecesse na
cidade, e muitas vezes condenados por falso
testemunho, apenas por ouvir dizer (O crime na
cor).
• A passagem da monarquia para a república não
diminuiu o preconceito, porque os ideais
republicanos foram implantados por uma elite
econômica, política e jurídica.
• O lema da igualdade, fraternidade e liberdade
foi apenas um joguete formal de palavras, pois
prevaleceu a desigualdade de direitos e a
parcialidade na obediência às leis (CF 53).
• A política que temos hoje ainda produz e
reforça a desigualdade de direitos, gerando
formas sutis de violência.
• Infelizmente os defensores dos direitos
humanos no Brasil nem sempre são bem
vistos. No ano de 2016 foram assassinados 66
defensores dos direitos humanos, com maior
incidência no Norte e no Nordeste. Conflitos
por direitos concentram a maior parte dos
casos (CF 55).
AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

• A) Violência racial.
• A vida violência racial engloba três formas
de violência: direta, estrutural e cultural.
• São muitos os estrangeiros que vieram
para o Brasil em busca de melhores
oportunidades. Temos aqui pessoas de 82
nacionalidades diferentes.
• Entretanto, estudando o mapa da violência,
que aconteceu entre os anos de 2003 e 2014,
houve uma queda de 26% no número de
homicídios de pessoas brancas mas, no mesmo
período, houve um aumento de 9,9% de
homicídios de pessoas negras.
• São 27,4 pessoas negras assassinadas em cada
100 mil, enquanto em cada 100 mil pessoas
branca aconteceram 10,9 assassinadas. A
diferença é de 158%.
3.2 A VIOLÊNCIA CONTRA OS JOVENS

• Entre jovens de 15 a 24 anos, os


homicídios são a principal causa de
morte. No ano de 2011 houve 52 mil
assassinatos no Brasil, entre os quais
52,6% jovens. Mas entre estes 72%
são jovens negros, 93 % sexo
masculino (CF n. 80).
3,3 VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES E
HOMENS
• As vítimas são, em parte, homens. Mas entre
2001 e 2011 o aumento no assassinato foi de 8%,
enquanto o de mulheres foi de 17%.
• O homicídio de mulheres no Brasil cresceu 2,4
vezes mais do que a média internacional (CF 83).
• Um dado importante. O local de agressão e
homicídio contra a mulher é o domicilio (27%)
enquanto o do homem é a rua (48%). Este dado
indica que o local de violência contra é o
domicilio, pela força, normalmente o próprio
parceiro.
3.7. VIOLÊNCIA DO NARCOTRÁFICO
• O narcotráfico movimenta 400 bilhões de
dólares por ano, sendo um dos setores mais
lucrativos da economia mundial. Os pequenos
traficantes são condenados, mas os grandes
empresários da droga e o sistema financeiro
internacional não. O FMI, em 2008, afirmou
que 352 bilhões de dólares vindos do trafico de
drogas foram absorvidos pelo sistema bancário
do planeta (CF 107).
• O narcotráfico procura fazer sempre mais
viciados nas famílias desestruturadas, pobres
ou ricas, nas proximidades das escolas e nas
periferias.
• Dados da secretaria nacional antidrogas e do
escritório das Nações Unidas sobre drogas e
crimes indicam que no Brasil há entre 20 a 30
milhões de viciados em álcool e 870 mil
dependentes de cocaína. A cada ano morre 8
mil pessoas em decorrência do uso de drogas
licitas e ilícitas. O álcool é responsável por
85% das mortes (CF 109).
3.4 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
• A violência contra a mulher ocorre dentro de
casa. 71% das agressões registradas pelo SUS em
2011 aconteceram no domicílio da vítima.
• Normalmente o agressor é o parceiro ou ex-
parceiro da vítima (43%).
• Numa relação entre o mais forte e mais fraco,
normalmente o mais forte consegue escapar da
punição. Nos casos de violência doméstica
apenas 7,4% dos agressores foram condenados
ou aguardam julgamento (CF 90).
• Que abuso é esse..mp4
3.12 VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO
• As mortes no trânsito matam 47 mil por ano no
Brasil e deixam 400 mil com sequelas. O nosso
Brasil é o 4º colocado em acidentes no transito das
Américas (Jornal Folha de São Paulo – 12/2017).
Os números ultrapassam à China e à Índia, que são
países 6 vezes mais populoso que o Brasil (CF 141).
• As principais causas da violência no transito são
evitáveis. Dirigir sob efeito de álcool e drogas, alta
velocidade, inexperiência na direção. Há também
os problemas da má conservação e sinalização das
estradas como fatores graves (CF 142).
SEGUNDA PARTE
JULGAR - n. 146-203.
1. SAGRADA ESCRITURA.
• A violência é um tema abundante na
Sagrada Escritura, sobretudo no Antigo
Testamento. Os profetas foram os
maiores denunciadores da violência e
dos danos provocados por ela. Ao ler o
Antigo Testamento corremos o risco de
até pensar que Deus é violento.
AT: A COMUNHÃO ROMPIDA PELO
PECADO.
• Precisamos ler o Antigo Testamento na ótica da
cultura daquele povo. Deus não teria outra
maneira de comunicar a não ser através da
cultura de um povo. Neste encontro entre a
revelação de Deus e a cultura israelita, marcada
por muitas violências sofridas em confronto com
os povos vizinhos e pelos impérios, dá-se a
impressão que Deus é violento, que é ele mesmo
quem convoca para a guerra, que estimula a
violência.
• Mas, no mesmo Antigo Testamento
encontramos a forte exortação: “não façais
a ninguém aquilo que não gostaria que
fosse feito à você” .
• Jesus substituiu a lei do talião, o “olho por
olho” [...] do Antigo Testamento pelo amor
aos inimigos (Mt 5,38-48).
• Os profetas foram os que mais refletiram a
temática da violência;
• Por isso eles foram perseguidos e feitos objetos
de intimidação, alvos de diversos tipos de
violência.
• O caso mais conhecido é o do profeta Jeremias,
que as autoridades religiosas quiseram matar
(Jr 26) e o mantiveram prisioneiro em uma
cisterna (Jr 37-38).
• Elias teve que fugir para o deserto (1Re 19,2).
• Amós foi expulso do santuário de Betel (Am
7,10-17)
• O discurso dos profetas sobre a violência é
concreto.
• Eles foram testemunhas privilegiadas das
violências cometidas pelo seu povo e das
injustiças contra os mais fracos.
• Por isso são unânimes em denunciar o uso da
violência e da opressão pelo povo de Israel e
pelos povos vizinhos. Falam sobre o direito e a
justiça em relação aos pobres
• (Am 5,24 ; Mq 6,8 ; Is 58,6-7 ; Jr 7,3-5)
• Para além da denúncia, os profetas convidam seus
contemporâneos a uma radical conversão, à prática
da justiça e da compaixão: (Am 5,24; Jr 22,3).
• Uma consideração especial merece o profeta
Isaias, com a visão de um mundo que renunciará à
guerra e seus instrumentos de violência e, assim,
poderá gozar da paz sem limites:
• “Lavai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as a
causa injustiças que praticais. Parai de fazer o mal,
aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto,
defendei o direito do oprimido, fazei justiça para o
órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,16-17);
• OS SAPIENCIAIS excluem qualquer uso de
violência, bem como qualquer tipo de
cumplicidade com aqueles que dela se utilizam.
Alguns fortes exemplos podem ser lidos em:
“Não trames o mal contra o amigo, quando ele
vive contigo cheio de confiança. Não abras
processo contra alguém sem motivo, se não te
fez mal algum! Não invejes a pessoa injusta e
não imites nenhuma de suas atitudes, pois o
Senhor detesta o perverso” (Pr 3,29- 32).
Violência no Novo Testamento
• Somente no NT, a luz da palavra definitiva de
Deus que nos é dada por Jesus é que toda a
delicada temática da violência e da vingança
recebem uma resposta definitiva.
• Os escritos do NT nasceram a luz da Páscoa de
Jesus e todos a refletem de alguma forma.
• O centro do NT é Jesus, que é por excelência é
uma pessoa não violenta. Por isso não se
encontra nenhum tipo de incentivo a violência
em suas páginas.
• Muitas imagens utilizadas para falar da luta
contra o mal e do combate espiritual que o
cristão precisa ter são evocadas de ambientes
militares, mas referem-se a atitude de
disciplina, mais que de demonstração de força
sobre alguém, mesmo que inimigo.
• Não é para impressionar que a parte mais
antiga e mais desenvolvida do NT seja o relato
da paixão de Jesus, um evento violento e
injusto que se inicia com a prisão, passa pela
flagelação até o seu ocaso na crucificação.
• As palavras de Jesus apresentam
novidades. Ele prega o amor aos inimigos
fundamentando esta atitude em Deus
Pai (Mt 5,44 e Lc 6,27): “Ouvistes que foi
dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu
inimigo. Mas eu vos 22 digo: Amai os
vossos inimigos e orai pelos que vos
perseguem, para que sejais filhos do
vosso Pai que está nos céus; ele faz
nascer o seu sol sobre maus e bons e vir
chuvas sobre justos e injustos”.
• Jesus é o messias, não o cavaleiro das guerras,
mas o que vem montado no jumentinho, o
homem de paz.
• Ele vence a violência com a força da Palavra.
• Deus enviou o seu Filho para nos salvar, para
persuadir, e não para violentar, pois em Deus
não há violência (Carta a Diogneto VII,4)
• A superação da violência sempre passa pelo
mistério pascal (sacrifício e frutos)
• A grande missão da Igreja é desenvenenar a
imagem do Deus da Paz.
• VIOLÊNCIA BROTA DO CORAÇÃO:
• Pois é de dentro, do coração humano, que
saem as más intenções: imoralidade sexual,
roubos, homicídios, adultérios, ambições
desmedidas, perversidades; fraude, devas-
sidão, inveja, calúnia, orgulho e insensatez.
Todas essas coisas saem de dentro, e são elas
que tornam alguém impuro” (Mc 7,14-23).
• É o coração do homem que precisa ser
pacificado, para que possa superar a
mentalidade de que o outro seja um risco a ser
eliminado.
• A superação da violência passa necessaria-
mente pela conversão dos atos do homem, que
pressupõe uma conversão de seu coração.
• A espiritualidade é apontada como um
instrumento necessário para este processo:
“Amai vossos inimigos e orai pelos que vos
perseguem” (Mt 5,44), “brilhe vossa luz diante
dos homens, para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem vosso Pai que está nos
céus” (Mt 5,16).
3. O AGIR: AÇÕES PARA SUPERAÇÃO
DA VIOLÊNCIA
• TODOS DESEJAMOS A PAZ, MUITAS PESSOAS
A EDIFICAM TODOS OS DIAS COM PEQUENOS
GESTOS, MUITOS SOFREM E SUPORTAM
PACIENTEMENTE AS DIFICULDA-DES DE
TANTAS TENTATIVAS PARA CONSTRUÍ-LA.
PEQUENOS E COTIDIANOS GESTOS
TESTEMUNHAM COMO OS VALORES DO
EVANGELHO SÃO IMPRESCINDÍVEIS PARA A
CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO NOVO, SEM
VIOLÊNCIA (CF 204).
JUSTIÇA RESTAURATIVA
1. A justiça restaurativa é uma resposta concreta
à situação de violência e desestruturação
social, à qual as pessoas privadas de liberdade
são submetidas. Ele possibilita que a pessoa
seja novamente acolhida e aceita em seu meio
social, familiar e comunitário (CF 229).
2. Restaurar a pessoa significa também restaurar
suas relações consigo, com os familiares, com
sua comunidade e, principalmente com a
família da vítima.
• Nesta proposta de justiça o ser humano
passa a ser visto como pessoa que tem
potencialidades e possibilidades. Neste
processo de diálogo entre os envolvidos
no conflito é possível expressar a dor e a
certeza de reconhecimento, por parte do
agressor, do mal cometido, bem como a
responsabilidade e a reparação dos
danos à vítima e sua reintegração na
sociedade (CF 231).
• Para superar a violência, é necessário
denunciar a predominância do modelo
punitivo presente no sistema penal
brasileiro, expressão de mera vingança. É
preciso incorporar ações educativas, penas
alternativas e fóruns de mediação de
conflitos que visem a superação dos
problemas e à aplicação da justiça
restaurativa (CF 232). O papel dos
mediadores é muito importante: vale para
as famílias, as escolas, as instituições etc.
• Lembremos aqui os quatro pilares para a
convivência pacífica e para restauração da paz,
ditas Papa João XXIII, na Pacem in Terris (1963).
O Papa dizia sobre estes pilares em relação à
convivência entre as nações mas vale também
para convivências familiares e comunitária:
a) Verdade
b) Justiça
c) Amor
d) Liberdade (PT 35).
• A) Verdade: a verdade exige que superemos todo
racismo e todo domínio do “superior” sobre o
“inferior”. A dignidade de toda pessoa humana
deve ser respeitada, mesmo se ela não tenha
condições de opinar ou de assumir compromissos.
Há diferenças de saber, de virtude, de criatividade,
de experiência de vida e de recursos. Mas tudo
isso deve contribuir para o crescimento de todos,
não para o domínio de uns sobre os outros. Quem
sabe mais, possui mais ou é mais virtuoso tem
igualmente mais responsabilidade de colaboração
para o bem de todos. Ninguém é superior a
ninguém, pois todos gozamos de igual dignidade
(PT 86-90).
• B) JUSTIÇA: as relações entre as pessoas
devem ser regidas pela justiça, que comporta
direitos e responsabilidades, que vale para o
estado, a comunidade, a economia e a família.
A injustiça é uma das maiores causas da
violência em todos os tempos. Toda pessoa
humana tem direito aos recursos necessários
para a existência.
OBRAS SOCIAIS DA IGREJA COMO
CAMINHO DE SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

• Ao longo da história muitas iniciativas


sociais e caritativas, vinculadas à
espiritualidade, alimentaram a esperança
de homens e mulheres (oratórios salesianos,
fazendas de recuperação, creches). As cáritas
paroquiais e diocesanas, em parceria com as
pastorais sociais, poderiam avançar ainda mais
na recuperação de pessoas. (ver filmes 2 e 5).
• Toda vitória contra a violência se conquista a
partir da substituição do egoísmo pelo amor.
• Pessoas viciadas e violentas gastam todas as
suas energias para o mal, para sustentar algo
estranho a elas mesmas. A reorganização da
vida passa pelo treinamento para o amor, do
fazer algo de bom para o outro. Assim
acontece nas fazendas de recuperação: fazem
para o outro. Confira o depoimento de uma
jovem em Guaratinguetá, diante do Papa
Bento XVI [...]
• O Papa Bento XVI, por sua vez, disse que “todos
os que comercializam drogas devem pensar no
mal que estão fazendo a uma multidão de jovens
e adultos, e que deus vai exigir satisfações. A
dignidade humana não pode ser espezinhada
desta maneira. Ainda bem que existem
embaixadores da esperança, através de terapia,
que inclui a assistência médica, psicológica e
pedagógica, com muita oração e disciplina, que
tem levado tantos jovens a recuperarem o sentido
da vida”. Cf. Palavras do Papa Bento XVI no Brasil,
Paulinas, 2007, p. 69-70.
PROMOÇÃO ECLESIAL DE UMA
ESPIRITUALIDADE QUE DESPERTE
PARA SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA
• Moisés venceu o ódio que carregava consigo
no encontro com Deus no deserto, lugar de
silêncio e meditação (Ex 3,1-6).
• Bem disse Padre Lima Vaz que a crise da
sociedade atual está ligada à uma crise de
espiritualidade (Escritos de Filosofia IV, p. 7).
• Meia hora de silêncio e meditação por dia
desmonta qualquer ímpeto de violência.
PISTAS CONCRETAS (240)
• Viver o mandamento do amor.
• Cada comunidade insira o tema da paz na
liturgia e na oração.
• Conhecer as áreas de conflitos.
• Acompanhar famílias, jovens e grupos de
bairros rivais e escolas com incidência de
conflitos em vista de superá-los.
• Promover uma pastoral familiar capaz de
ajudar cada família a superar os problemas de
violência doméstica.
• O PRÍNCIPE DA PAZ JÁ ESTÁ EM
NOSSO MEIO. É UM MENINO,
O MENINO DEUS (Is 9,5).
• “FELIZES OS QUE PROMOVEM
A PAZ, PORQUE TAMBÉM
SERÃO CHAMADOS FILHOS E
FILHAS DE DEUS (Mt 5,9).
MATERIAIS A SEREM USADOS
• A) Juventude: 4 encontros.
• B) Catequese para crianças e adolescentes: 4
encontros e uma celebração.
• C) Grupos de Reflexão: 5 encontros.
• D) Via Sacra
• E) Vigília Eucarística e Celebração da
Misericórdia.
• Obs: no Manual da CF existem também
materiais para as escolas.